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sábado, 15 de maio de 2021

NAKBA: o povo palestino continuará resistindo. Por Sayid Marcos Tenório - Portal Desacato


Por Sayid Marcos Tenório, para Desacato.info.


Estamos assistindo estarrecidos a escalada de violência, bombardeios com destruição e mortes por parte de Israel nos territórios palestinos ocupados. As agressões do ocupante sionista que vêm ocorrendo neste mês maio de 2021 é parte da Nakba, palavra árabe que significa tragédia, para designar os eventos sinistros que se sucederam após a fundação do chamado estado judeu de Israel, em 15 de maio de 1949.

Nos dias que se seguiram ao anúncio da criação do “Estado judeu”, mais de 700 mil palestinos foram expulsos de suas casas, mais de 200 vilarejos foram ocupados, saqueados e destruídos e inúmeras cidades esvaziadas.

Quando a primeira Nakba foi concluída pelas forças sionistas, o novo estado de Israel compreendia 78% da Palestina histórica, restando apenas a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza, que estavam sob o controle da Jordânia e do Egito, respectivamente. Na agressão de 1967, Israel avançou sobre os 22% restantes e a colonização começou logo em seguida e não parou mais e o seu objetivo final e? a completa desenraização e destruição da Palestina.

É gritante a simetria dos acontecimentos de 1948 com o que estamos assistindo atualmente na cidade sagrada de Jerusalém, onde colonos judeus-sionistas de extrema-direita, apoiados pelas forças militares da ocupação estão atacando o Bairro Sheikh Jarrah, e praticando invasões, saques, incendiando terras agrícolas, violência e apropriações ilegais de propriedades.

Uma das cenas mais dantescas foi a dos colonos judeus-sionistas racistas atacando e jogando bombas no interior da sala de oração lotada de palestinos na Mesquita Al-Aqsa, um local sagrado para mais de 2 bilhões de muçulmanos em todo o mundo e em pleno período do sagrado mês do Ramadã.

Nesta situação de permanente agressões, o povo palestino não tem escolha a não ser resistir a? ocupação e as investidas opressivas contra a terra palestina, seu povo, recursos e lugares sagrados. Porém, esperança dos palestinos na vitória cresce a cada agressão. Já é possível notar que o equilíbrio de forças mudou. Houve um dia em que o jovem palestino se defendia atirando pedras. Hoje, responde ao inimigo lançando mísseis de precisão, como o Ayyash 250-K, desenvolvidos e fabricados pela resistência graças a assistência do chamado eixo da resistência, frente de luta anti-imperialista formado pelo Irã, Hezbollah libanês, Síria e forças da resistência iraquiana.

Apesar das diferenças de condições militares com a enorme superioridade israelense, o inimigo sionista fica mais fraco a cada ano. Hoje sabe-se que o exército que se apresentava como um “exército nunca derrotado”, não passa de um exército que não verá mais a cor de vitória. Sobretudo após as experiências da Guerra dos 33 Dias no Líbano e das guerras recentes com enfrentamentos diretos da resistência em Gaza.

Como é notório, os crimes de Israel são acobertados pelos Estados Unidos, que lhes fornecem apoio político, dinheiro e armas para matar palestinos. Nos Estados Unidos entra governo e sai governo e a política em relação a Israel é sempre a mesma. Após as recentes agressões o “democrata” Joe Biden, como fiel representante do lobby judaico das armas e bancos, apressou-se em declarar que Israel tem o direito de se defender. Certamente sugerindo que os palestinos não têm o mesmo direito, porque para o imperialismo os palestinos não têm direito algum.


No entanto, e apesar das constantes agressões e violações de Israel e mesmo sabendo que resistir ao imperialismo e ao sionismo tem um elevado custo do ponto de vista humano, social e econômico, o povo palestino continua resistindo bravamente para proteger suas terras e seus ancestrais. A luta por Jerusalém será até a vitória definitiva, que é a conquista da Palestina Livre, do Rio ao Mar.

O povo palestino tem o direito legítimo de existir e de resistir a ocupação sionista, ao apartheid e a? limpeza ética, com todas as medidas e métodos possíveis. É legítima a reação da resistência de Gaza, tendo à frente o Movimento de Resistência Islâmica – HAMAS e a Jihad Islâmica diante das agressões de Israel. Essa reação nada mais é do que a aplicação prática da Carta das Nações Unidas e do direito internacional que asseguram os povos oprimidos reagir por todos os meios. Assim foi no Vietnam, assim está sendo na Palestina, na Síria, no Iraque e no Iêmen.

O respeito a? justiça exige que se cumpra com o direito ao Estado palestino totalmente soberano e independente, com Jerusalém sua capital eterna e ecumênica. Só haverá paz quando estes preceitos forem atendidos, com o direito de regresso dos refugiados, a compensação e a permanência de todos na terra palestina, pondo fim a doença do sionismo que ceifou a vida, as terras, as casas e os sonhos de milhões de homens e mulheres na Palestina.

Seria louvável que as pessoas que se manifestaram estarrecidas nas redes sociais com os crimes de ódio racista nos Estados Unidos e as manifestações do

"Black Lives Matter"
(Vidas Negras Importam), e igualmente com a deplorável operação policial na Favela do Jacarezinho, que resultou no assassinato de 28 pessoas, observassem as muitas semelhanças entre o cotidiano das favelas do Rio de Janeiro com a Palestina, por exemplo, na forma dos assassinatos, nas escolas fechadas, no desemprego, no medo, nas invasões e demolições de casas, na negação do direito de ir e vir, além de tantos outros problemas.


Sayid Marcos Tenório é historiador e Vice-presidente do Instituto Brasil-Palestina (IBRASPAL). É autor do livro Palestina: do mito da terra prometida à terra da resistência (Anita Garibaldi/Ibraspal, 2019)



sexta-feira, 7 de maio de 2021

A Comuna de Paris e quatro verdades que soam - Paulo Vinícius da silva

Comuna de Paris - 1871
 

queridos, 

queridas, 

Dias tão tristes, tem hora que a gente soçobra...
haverá a hora inclusive que cairemos, tanto quanto o levante é inevitável, essa é a dialética na vida;
recebi de outrem, dou a alguém e seguimos esse fio de ariadne que os communards soltaram quando pela primeira vez na história os trabalhadores e trabalhadoras ousaram tomar o céu de assalto
e o céu era a terra, Paris, a força de trabalho, o fuzil, a liberdade, a propria vida.

Um silêncio então ecoou,
e de dentro das casas-grandes sobre senzalas,
de cima das coroas e das repúblicas burguesas
do alto dos grandes oligopólios que apenas começavam
de dentro de cada família de banqueiro que financiou o colonialismo e o genocídio
do seio pútrido de toda a justificação do racismo e do extermínio, do saque, do estupro, da guerra, da partilha colonial...
de lá, ouviu-se não um grito, mas um serpentino sibilo:

Morte aos comunistas!


E juntaram-se os senhores do mundo, e aniquilaram a Paris Operária que apenas ousara o que será o futuro.

Milhares, muito milhares, incontáveis mortos, porque mortos operários, em Paris, no Jacarezinho do Rio de Janeiro, no Chile, no Haiti, em Cali, aonde for, são milhares que morrem, mas é como se não contassem
Porque no capitalismo o que conta não são as vidas humanas,
No capitalismo só conta o lucro,

E a morte dá lucro.


Mas, ainda assim, três verdades escaparam do extermínio da Comuna de Paris
Não houve banho de sangue, bombardeio, mentira, exconjuro, exorcismo que as calassem:


Somos do povo os ativos
Trabalhador forte e fecundo
Pertence a terra aos produtivos, ó, parasita, deixa o Mundo!


De pé, ó vitimas da fome!
De pé, famélicos(as) da terra!
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores(as)!
Se nada somos em tal mundo
Sejamos tudo, ó produtores(as)!
 

Bem unido façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A internacional.
 

Por isso segue perseguida a palavra que o capitalismo amaldiçoou com tanta violência e crueldade na Comuna de Paris
Por isso esse xingamento é ainda a insígnia mais nobre do futuro da fraternidade humana
Filha do pão e do aço, do suor e do sangue, feita toda de trabalho, feita de operários e operárias, mães e crianças, um monumento da esperança de uma nova vida
Uma visão utópica, sim, utopia numa época de tragédias


Somos seres humanos, todos, e assim devemos ser tratados, humanamente-


vede que perigo,
vede que louca esperança -


"os comunistas guardavam sonhos"
E seguimos.

A quarta verdade é nossa, e a apanhamos do chão,

aquela bandeira vermelha chamuscada, 

e nós a escrevemos até hoje.

É uma promessa, uma opção cotidiana, 

uma marca que reconhecemos e a entoamos olho no olho, ao dizer, simplesmente: 

camarada, 

a luta continua!

Chacina do Jacarezinho é responsabilidade do Governador Claudio Castro - CTB Rio de Janeiro - Nota Oficial

 Nota Oficial: Chacina do Jacarezinho é responsabilidade do Governador Claudio Castro

Nota Oficial: Chacina do Jacarezinho é responsabilidade do Governador Claudio Castro

Mais uma vez, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – Rio de Janeiro vem a público para manifestar seu total repúdio com a política de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro. Após o afastamento em definitivo de Witzel, Cláudio Castro apresenta seu cartão de visitas e deixa claro quem manda no Estado do Rio. A necropolítica de Bolsonaro agora tem seu representante direto no comando das polícias civil e militar, declara guerra aos pobres e, em especial, aos negros e negras que vivem nas comunidades do Rio de Janeiro.

O alvo da Necropolítica, dessa vez, foi a Comunidade do Jacarezinho. Em desastrosa operação da Polícia Civil, 25 vidas foram ceifadas, em um novo bizarro recorde de mortes em operações policiais em nosso Estado. As mesmas polícias que há 20 anos atrás mostrava que era possível prender um chefe do Tráfico do Complexo do Alemão sem disparar um tiro; as mesmas polícias que apreenderam mais de 100 fuzis em condomínio de luxo na Barra da Tijuca sem disparar um tiro sequer, sobem o morro em pleno horário que trabalhadores e estudantes tomam as ruas para ir à suas escolas e locais de trabalho, e espalham um cenário de terror. Operações desse tipo jamais acontecerão em um bairro como Ipanema ou Barra da Tijuca em virtude da natureza do governo e da orientação da própria polícia, ambos consideram a classe trabalhadora e os moradores das favelas como inimigos e alvos a serem abatidos.

Até mesmo passageiros do Metrô, dessa vez, foram vitimados pela ação policial, totalmente ineficaz. É inadmissível que nossas comunidades virem praça de guerra e que trabalhadores tenham que arriscar a vida para chegar a seus locais de trabalho. Não podemos aceitar que famílias inteiras corram riscos dentro de suas casas e as tenham invadidas em atos bárbaros que relembram os piores momentos da Ditadura Militar. Mesmo com a decisão do STF de proibir operações policiais durante a pandemia, a Polícia de Cláudio Castro segue mostrando seu descompromisso com a democracia e com a ordem institucional, usando de pretextos diversos para levar o terror às comunidades do Rio de Janeiro.

É preciso dar um basta na necropolítica de Segurança Pública! Precisamos de mais inteligência, de uma polícia mais bem preparada equipada e com capacidade para lidar com o povo, que em sua maioria, dentro das comunidades, não tem qualquer ligação com o crime organizado.

Chega de Racismo Institucional! A ação policial merece ser chamada pelo seu nome de direito, mais uma chacina bárbara que acontece em nosso Estado. A CTB e sua base social acreditam numa lógica de segurança pública que privilegie a inteligência e a proteção à vida dos cidadãos e cidadãs de nosso Estado.

Total repúdio à Chacina do Jacarezinho! Total Repúdio à polícia de (in)segurança pública do Governador Cláudio Castro!

Rio de Janeiro, 06 de Maio de 2021

Paulo Sérgio Farias
Presidente da CTB-RJ

 

 

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Pobre o país que precisa da OEA para julgar o Araguaia...

A Corte Interamericana de Direitos Humanos, ligada à OEA e com sede na Costa Rica, levou o Estado Brasileiro ao banco dos réus, a partir desta quarta-feira, pelos crimes cometidos pela ditadura militar durante a Guerrilha do Araguaia (1972-1975). É lastimável que a obstinação de uns poucos guardiães das atrocidades e arquivos da ditadura arraste o Brasil para esse vexame.

Por Bernardo Joffily

Leia o artigo

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Jobim exonera general após provocação contra direitos humanos

Importantíssima e correta - e é raro que seja assim - a atitude do Ministro Jobim ao exonerar o general boquirroto, e com sugestão do Comando do Exército. Na matéria abaixo você lerá não apenas a carta de uma absoluta mendicância intelectual do general, mas uma linda carta de Marcelo Rubens Paiva aos setores recalcitranstes nas FFAA qu e seguem defendendo o arbítrio. A carta de Marcelo é justa, generosa para quem viveu tais horrores.

E, ainda que pungente, é um apelo racional aos que, míopes, perfilam-se ao lado de criminosos que divorciaram as FFAA de seu histórico papel avançado no Brasil, e ainda hoje impedem a plena reconciliação nacional, tão necessária para que possam cumprir o decisivo papel que lhes é destinado ante as ameaças do imperialismo estadunidense que, ameaçadoramente, cerca a América do Sul através da Colômbia, de sua influência em Honduras, de seu intento de apoderar-se do Haiti e da recriação da Quarta Frota.

Como disse João Amazonas na TV Câmara no Programa Memória Política - assistam! - "Nós não somos revanchistas. Mas nós achamos que as Forças Armadas têm o dever de fazer um pronunciamento público dizendo que se cometeram abusos e até crimes e que isso jamais se repetirá. isso é importante porque as Forças Armadas, em circusnstâncias de defesa da independência nacional precisam ter o apoio do povo. E, como contar com o apoio do povo se não forem capazes de tomar uma posição de que pelo menos reconheçam que foram cometidas faltas graves contra o povo?"

Leia a matéria no www.vermelho.org.br

O general Maynard de Santa Rosa
Punição


O ministro da Defesa anunciou a exoneração do general Maynard Marques de Santa Rosa, após este escrever que a Comissão da Verdade, criada para investigar crimes da ditadura, seria uma "comissão da calúnia".

10/02/2010 17h36

Pedido de exoneração de general partiu do comando do Exército

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Pelo Direito à Verdade - I

Nilmário: acusação de revanchismo é “ridícula”

aaaaanilmarioPor Diego Salmen, na Terra Magazine

Para o ex-ministro Nilmário Miranda, alguns militares temem ser punidos caso liberem os arquivos da ditadura. Em entrevista a Terra Magazine, ele classifica de “ridícula” a acusação de “revanchismo” feita pela categoria.

“Eles (os militares) têm dificuldade em discutir o significado do Golpe de 1964. Muitos deles afirmam que o golpe foi para restaurar a democracia, e não para instaurar uma ditadura”, diz o ministro, que foi titular da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República entre 2003 e 2005. “E alguns temem que a liberação dos documentos sirva para julgar pessoas”.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, emitiu decreto presidencial nesta quarta-feira, 6, tornando públicos os arquivos da ditadura militar vigente no país vizinho entre os anos de 1976 e 1983, com exceção dos documentos relativos à Guerra das Malvinas, travada em 1982 contra a Inglaterra.

No Brasil, a iniciativa mais recente nesse sentido foi o decreto presidencial que propôs a criação Comissão Nacional da Verdade, publicado no Diário Oficial da União em 22 de dezembro.

O documento sugeria, dentre outros pontos, a revogação de leis do período ditatorial (1964-1985) que tenham embasado violações aos direitos humanos.

A iniciativa causou mal-estar entre os militares: o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica entregaram carta de demissão ao presidente Lula, que prometeu rever alguns pontos do decreto para esfriar a situação.

Confira a entrevista com o ex-ministro:

Terra Magazine – Como o senhor recebeu o decreto da ministra Kirchner que torna públicos os arquivos da ditadura argentina?
Nilmário Miranda -
Eu sou favorável a isso também no Brasil. Tem muito arquivo já aberto aqui, mas também há muitas coisas que não foram abertas. Tudo o que for relativo aos direitos humanos não deve ter sigilo (de arquivo). É diferente dos arquivos sobre relações de Estado, das relações diplomáticas.

Até por isso a presidente Kirchner manteve o sigilo dos arquivos relacionados à Guerra das Malvinas…
Sim, isso…

E a que o senhor atribui a demora do Brasil em punir torturadores e abrir os arquivos da ditadura, na comparação com os demaís países do continente?
Na Argentina houve uma decisão da Suprema Corte de revogar os direitos de impunidade. Esse é um problema crucial. Aqui, eu espero que a Justiça também decida se a Lei de Anistia torna, ou não, imprescritível o crime de tortura. Espero que não (continue imprescritível). Na Argentina, essa decisão foi tomada com base no direito internacional, reconhecido pela ONU.

No Brasil, a abertura dos arquivos depende mais de quem? Do Executivo ou da Justiça?
Depende mais do Executivo. O Judiciário já abriu, com sentença transitada em julgado (NR: sentença contra a qual não cabe mais recursos) sobre a Guerrilha do Araguaia. Só falta ser cumprida pelas Forças Armadas, que alegam não ter mais os documentos. Eu acho meio implausível eles não terem documentos de uma operação que envolveu mais de 30 mil pessoas durante três anos. Foi a maior operação militar já feita no país desde a ditadura.

Sim…
Já tem milhares de documentos abertos para contar histórias. Já temos memórias reveladas. Arquivos estaduais, da Polícia Federal, do SNI (Serviço Nacional de Informação), do Conselho de Segurança Nacional, já está tudo aberto. Mas os documentos do Araguaia e as informações sobre tortura nunca foram abertos. Essa é grande questão.

Acredita que o presidente Lula ainda pode fazer algo neste final de mandato?
Os militares no Brasil estão incorporados à democracia. Não se trata do bem contra o mal. São pessoas que não se envolveram em violações de direitos humanos. São dois problemas: eles têm dificuldade em discutir o significado do Golpe de 1964. Muitos deles afirmam que o golpe foi para restaurar a democracia, e não para instaurar uma ditadura. E alguns temem que a liberação dos documentos sirva para julgar pessoas. Mas não tem quase ninguém daquele período na ativa para ser julgado.

Há esse receio…
Acho ridiculo falar em revanchismo. Quando se discute justiça e liberdade não se fala em revanchismo, e sim em democracia. Eu convivi com chefes militares enquanto fui ministro. São pessoas de bem, com sentimento nacional, espírito democrático. Mas não é fácil. Não se pode aceitar vetos deles (dos militares). A democracia tem que avançar.

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