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sábado, 2 de abril de 2022

Festival Vermelho no Gama - Hoje, sábado, 02/04

 É HOJE, a partir das 18h00 na República Popular e Democrática do Gama!
🇨🇳💓🇧🇷

SHIS LESTE, QUADRA 45, LOTE 7, LOJA 22 (antigo Cotia's Bar)

 
Venha celebrar os cem anos de amor e coragem pelo Brasil!
Partido do cerrado, de troncos e galhos retorcidos, de céu azul, límpido e amplo, com nossas feições, com nossa cara, coragem, ousadia e criatividade!
O Partido Comunista do Brasil, popular, diverso, vivo, pulsante, artístico, poético-musical!
Partido de todoxs,
Enraizado no povo,
nutrindo-se de sua seiva, seu maior sentido, sua maior paixão, seu maior amor!
(...) e quem quiser chegar é bem chegado/a!

🎼 Jairo Mendonça🌵
Militante da aldeia, da massa, do barro do chão!




sexta-feira, 25 de março de 2022

VIVA O CENTENÁRIO DO PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL! VIVA O PCdoB!

 VIVA O CENTENÁRIO DO PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL! VIVA O PCdoB!
Parabéns, camaradas! Parabéns ao povo brasileiro! Firmes na Luta!
#forabolsonaro #LulaPresidente


 

PCdoB: o partido mais antigo do Brasil, por João Amazonas (1997)

 

PCdoB: o partido mais antigo do Brasil, por João Amazonas

“Aos 75 anos de existência, o Partido Comunista do Brasil goza de boa saúde política, organizativa e ideológica”, escrevia, em 1997, João Amazonas

Nos marcos da comemoração dos cem anos do PCdoB, o Vermelho reproduz este artigo de João Amazonas (1912-2002), histórico dirigente comunista, que liderou o Partido por mais de 30 anos. O texto foi escrito em 1997, às vésperas dos 75 anos do PCdoB.

Ao passar a limpo a trajetória de três quatro de séculos da legenda, Amazonas chegava a uma conclusão que hoje, 25 anos depois, continua tão atual quanto contundente: “Aos 75 anos de existência, o Partido Comunista do Brasil goza de boa saúde política, organizativa e ideológica. Propugna a união das forças de esquerda como núcleo de uma união mais ampla do povo brasileiro para enfrentar e derrotar o neoliberalismo. Não tem dúvida de que haverá muitas dificuldades, mas a vitória chegará a seu tempo, com a unidade e a luta dos trabalhadores e do povo”.

Confira o artigo.

O partido mais antigo do Brasil

Por João Amazonas

Neste mês de março, o Partido Comunista do Brasil completa 75 anos de existência. É o mais antigo partido político do país. Desde sua fundação ergueu a bandeira da luta pelo socialismo científico. Ainda que vivesse altos e baixos em sua formação, o partido esteve presente nos principais acontecimentos ocorridos no Brasil.

Sua atuação política e organizativa não tem sido fácil. Desde a fundação enfrenta o reacionarismo das forças conservadoras, que temem a liberdade e tudo que possibilite o progresso social.

Duramente perseguido, como se fora o Ferrabrás da luta de classes, usufruiu curtos períodos de legalidade tolerada. Dirigentes do partido passaram longos anos nas prisões ou na clandestinidade rigorosa.

Grande é o número de mártires e heróis comunistas. Recentemente, mais de cem membros do partido foram assassinados pela ditadura militar que se apossou do poder em 1964.

Todavia a reação brutal e prolongada jamais conseguiu destruir o Partido Comunista. Este encontrou sempre os meios de recompor-se e prosseguir na luta progressista de caráter social, democrático e nacional.

É de notar que todas as campanhas orquestradas pela reação interna e externa contra os comunistas prenunciaram a implantação de regimes autoritários. Assim foi em 1936/37, com o Estado Novo; assim foi em 1946/50, no malfadado governo do marechal Dutra; assim foi também em 1963/64, que preparava a ditadura militar de mais de duas décadas. Coincidentemente, as fases de legalidade do partido corresponderam aos períodos de aberturas democráticas.

Apesar de perseguido, o Partido Comunista do Brasil tem dado valiosas contribuições à luta do povo brasileiro por transformações necessárias ao seu pleno desenvolvimento.

Nos primórdios de sua existência, levantou a bandeira da reforma agrária. Em defesa dos interesses do proletariado, batalhou por conquistas sociais e pela criação de uma central única, de feição classista, agrupando as organizações sindicais de todo o país. Foi a alavanca fundamental impulsionadora da campanha vitoriosa do “Petróleo É Nosso”. Pugnou pela instalação da siderurgia nacional, movimento que teve à sua frente o engenheiro Raul Ribeiro. Tomou parte ativa na pregação em defesa da Amazônia.

No período da Segunda Grande Guerra, defendeu a posição do Brasil junto aos aliados da luta antifascista e apoiou o envio da Força Expedicionária Brasileira à Europa.

O partido foi sempre força combativa em prol da democracia no país. Opôs-se a todos os regimes autoritários, abertos ou disfarçados, buscando alargar os espaços das correntes políticas democráticas. Participou, com uma bancada de 15 parlamentares, da Constituinte de 1946. E desempenhou papel positivo na convocação e realização da Constituinte de 1988.

Com o fim da ditadura militar, em 1985, o Partido Comunista do Brasil obteve a legalidade, que perdura por mais de 11 anos. Neste período, os trabalhadores e o povo têm tido a oportunidade de conhecer melhor a fisionomia política da organização partidária que defende o socialismo científico como perspectiva viável para o país e luta por um regime democrático que possibilite o avanço da sociedade brasileira no caminho do progresso e da afirmação inequívoca da soberania nacional.

Na atualidade, o Partido Comunista encontra-se nas primeiras linhas de combate ao neoliberalismo, doutrina imperialista que visa submeter a maioria dos países do mundo, particularmente os menos desenvolvidos, à tutela dos oligopólios e da oligarquia financeira internacional. O Brasil é um dos alvos principais dessa ofensiva, erroneamente tida como irreversível.

Com a adesão de Fernando Henrique Cardoso ao neoliberalismo, o patrimônio público vai sendo alienado, as conquistas sociais e democráticas, golpeadas, a Constituição de 88, revogada. Procede-se ao desmonte do Estado Nacional. E investe-se contra os partidos de esquerda e democráticos.

Tramam-se medidas fortemente restritivas contra o Partido Comunista, na chamada reforma política, prenúncio de mau agouro de marcha rumo a uma ditadura civil.

Aos 75 anos de existência, o Partido Comunista do Brasil goza de boa saúde política, organizativa e ideológica. Propugna a união das forças de esquerda como núcleo de uma união mais ampla do povo brasileiro para enfrentar e derrotar o neoliberalismo. Não tem dúvida de que haverá muitas dificuldades, mas a vitória chegará a seu tempo, com a unidade e a luta dos trabalhadores e do povo.

PCdoB na TV: 100 anos, jovem, contemporâneo e cheio de esperança

 

PCdoB na TV: 100 anos, jovem, contemporâneo e cheio de esperança

Frame

Estreou na noite desta terça-feira (22), a inserção da propaganda gratuita de rádio e televisão do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). A peça de 30 segundos tem como foco o centenário do PCdoB: “sempre jovem, contemporâneo e cheio de esperança”.

Com o restabelecimento do direito às legendas, a partir da Lei nº 14.291/2022, a propaganda partidária é exibida agora somente nos intervalos da programação normal das emissoras.

Protagonizada pela presidente nacional do PCdoB e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, o curta é apresentado também por um casal de jovens militantes. No filme, a dirigente destaca que o “PCdoB marcou sua história com suas lutas e hoje batalha para derrotar Bolsonaro e reconstruir o Brasil”.

A presidente destaca ainda que só “será possível conquistar uma nação soberana, democrática e socialista”, “com o ímpeto revolucionário da classe trabalhadora e com os sonhos de felicidade do nosso povo”, completa o casal. E finaliza com a vinheta “PCdoB: 100 anos de amor e coragem pelo Brasil” narrado pela própria presidente.

A propaganda foi concebida e produzida pelo publicitário Guido Bianchi, dirigente do Partido em Pernambuco, sob a responsabilidade do secretário nacional de Formação e Propaganda do PCdoB, Adalberto Monteiro.

Guido Bianchi contou que realizou as gravações tendo como cenário uma praça, ao ar livre, tendo como protagonista a presidente e dois jovens filiados que trazem uma mensagem de esperança. Dessa forma, diz ele, “deixa uma imagem bem positiva e bem jovial que tem tudo a ver com nossas ideias, ideias do partido que são atuais. E que miram não só o presente como também o futuro”, acrescentou o publicitário.

Adalberto Monteiro comentou que o grande desafio desta peça foi condensar em 30 segundos, 100 anos de história. “Esses cem anos de luta na verdade é um alicerce para o PCdoB atuar nas lutas duras, mas promissoras do presente. E esse presente, a inserção deixa claro, é realizar grande aspiração do momento do povo brasileiro que é o país se livrar do pesadelo que é o governo Bolsonaro e construir uma frente ampla que vença as eleições presidenciais, instaurando um governo democrático, de amplas forças, que tire o país da crise e inicie a reconstrução nacional”, ressaltou o secretário.

Acessibilidade

De acordo com as normas estabelecidas na Resolução nº 23.679/2022, a propaganda nacional do PCdoB enviada às emissoras de televisão garantiu ainda, o direito à acessibilidade, utilizando a janela com intérprete de libras, legenda e audiodescrição.

Centenário na TV e rádio em todo o Brasil

O PCdoB tem direito a 10 minutos de propaganda partidária no primeiro semestre deste ano, cinco delas serão exibidas nos dias 22 (terça-feira) e 24 (quinta-feira) com alusão ao centenário do PCdoB comemorado na próxima sexta-feira, 25 de março. Da mesma forma, os estados e o DF também exibirão suas inserções nas emissoras locais em dias alternados, segunda-feira, quarta-feira e sexta-feira.

No início deste ano, a direção nacional orientou os comitês locais que também fizessem alusão ao centenário do Partido na propaganda partidária. Dessa forma, o PCdoB estará ao logo desta semana, todos os dias, nas emissoras de televisão e rádio do Brasil.

As próximas inserções nacionais serão exibidas no mês de maio.


PCdoB, um século de lutas pelo Brasil, a democracia e o socialismo - Jandira Feghali na Carta Capital

 

Só é possível compreender a história do Partido Comunista do Brasil observando em profundidade a história do Brasil. Mas também não se pode entender a história brasileira sem levar em conta a ação dos comunistas. Assim, passamos a configurar a história do Partido, que completa 100 anos no próximo dia 25 de março, na dinâmica dos grandes ciclos da história republicana. A síntese da história do Partido Comunista do Brasil se rege por esse parâmetro de íntima ligação com a história geral, mas sem abrir mão de sua própria história e prática de construção.

Por Jandira Feghali e Renato Rabelo*

Um barbeiro, um jornalista, dois funcionários públicos, um eletricista, um gráfico, dois alfaiates, um operário. Esses foram os protagonistas da fundação do Partido Comunista do Brasil. As poucas linhas de um artigo não são suficientes para listar os nomes de todos os homens e mulheres que nos permitiram chegar até aqui e comemorar. Mas permitem lembrar e homenagear sua contribuição. Nossa história é a história da união de diversos setores que se aglutinaram em defesa das liberdades democráticas, do direito ao voto para as mulheres, dos direitos para os trabalhadores e trabalhadoras e de uma sociedade onde a classe social não fosse determinante do destino de seu povo.

O caminho defendido era o da organização do proletariado em partido político independente. E, em março de 1922, esse objetivo se concretizou. Este mesmo ano viu acontecer a Semana de Arte Moderna de São Paulo, o levante tenentista do Forte de Copacabana, as comemorações do centenário da independência,  o avanço da luta pelo voto feminino. Um ano de celebrações e conquistas e que viu germinar a semente da luta pela regulamentação dos direitos sociais e trabalhistas.

Tivemos o primeiro operário negro, a se candidatar a presidente da República no Brasil. Honraram-nos a presença constante de mulheres, de artistas de todas as linguagens, de trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, de estudantes. São motivo de inspiração os que tombaram na Guerrilha do Araguaia, dando suas vidas por um Brasil livre do arbítrio.

Um partido que nasce em 1922, reafirma-se em 1962 quando vê ameaçada sua existência como organização, que tem como base teórica o marxismo-leninismo e a defesa do socialismo, e manteve firme sua identidade, natureza revolucionária e definição programática, mesmo após o fim da União Soviética e toda a luta ideológica decorrente deste acontecimento histórico.

Nosso Partido manteve sempre a lucidez e a compreensão tática combativa e flexível, encarando a importância das alianças fundamentais e transitórias para os comunistas, para o avanço da nossa luta. E ser força protagonista, nos momentos de grande refluxo e de resistência, na defesa de uma frente ampla para isolar e derrotar o inimigo principal. Assim foi no Colégio Eleitoral, quando derrotamos a ditadura militar, na própria institucionalidade imposta por seu regime, como também na ação estratégica para evitar a fragmentação do campo popular e progressista, na aprovação da federação de partidos.

Esta proposta foi encabeçada pelo grande e saudoso líder e dirigente Haroldo Lima em 1999, e estava há tempos imobilizada em sua tramitação no Congresso Nacional. Foi aprovada em 2021, tendo a garantia da sua constitucionalidade dada pelo STF, e tornou-se  importante instrumento da democracia brasileira. Mais uma vez contou com o decisivo e amplo apoio de muitos aliados.

O legado à Nação de uma organização como o PCdoB aos trabalhadores e ao povo é fruto da militância revolucionária de várias gerações, nas quais estão presentes muitos heróis e mártires do povo brasileiro. Em cada geração destacam-se grupos de dirigentes e, entre eles, lideranças que conquistaram prestígio e autoridade perante o coletivo militante e junto às forças democráticas e progressistas.

O Partido sempre defendeu a paz e a solidariedade entre os povos e rechaçou a guerra e a espoliação imperialista. Sua atuação parlamentar, desde as duas últimas Constituintes do período republicano até hoje, é marcada por muitas conquistas, fruto da combatividade, pela convivência democrática e defesa categórica dos interesses da Nação e direitos do povo. Indo além, sobretudo a partir de 2003, assumiu responsabilidades em diferentes esferas de governo e contribuiu para o avanço do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento. Destacados expoentes da cultura das artes vincularam-se ao Partido e continuam a se congregar para fortalecer a cultura brasileira.

“Um Partido orientado por um Programa Socialista situado no contexto do mundo contemporâneo, condizente com a trajetória histórica do país e inserido no curso da luta política real. O processo histórico dessa formação foi doloroso, marcado pela escravidão e pela violência, condicionado pelos interesses de uma elite colonizada. Mas a síntese é grandiosa: um povo novo, uno, com um modo original de afirmar sua identidade”, como destacado no Programa Socialista/2009.

Astrojildo Pereira, que simboliza a fundação, os presidentes Luís Carlos Prestes, João Amazonas, Renato Rabelo e na atualidade Luciana Santos, vice-governadora de Pernambuco, primeira mulher a presidir o PCdoB. O Partido se encontra na linha de frente da oposição ao governo da extrema-direita. Foi o pioneiro a propor a constituição de uma frente ampla, impulsionada pelas forças progressistas, que derrote Bolsonaro e vença as eleições, elegendo um governo de amplas forças capaz de superar a crise e reconstruir o país. O Partido apresentou diretrizes para uma Plataforma Emergencial de Reconstrução Nacional.

Não sem razão, a celebração de um século de existência elegeu como lema “Floresce a Esperança”. Nesses cem anos, o partido se reorganizou, enfrentou a cassação de seu registro e a clandestinidade. Viu seus membros serem perseguidos, torturados e mortos. Chorou seus líderes assassinados na Chacina da Lapa. Mas nunca abandonou a bandeira da esperança.   Essa bandeira estava hasteada e tremulante na campanha “O Petróleo é nosso”, na defesa da anistia ampla geral e irrestrita, contra a carestia, no movimento pelas Diretas Já, pelos direitos sociais e civis, pela ciência, educação e arte, pela saúde e pela vida, pela terra e pelo teto, pelo emprego e renda, em todas as campanhas de Lula, na luta contra o golpe que condenou a primeira presidenta de nossa história sem provas, sem crimes.

Temos esperança em dias melhores. Num país desenvolvido e livre de desigualdades, da opressão de classe, gênero e raça. Essa semente germinou há 100 anos e, ao longo de nossa trajetória, foi constantemente regada e adubada. Em momentos de dificuldades ela floresce e entrega seus frutos. Não será diferente em 2022. Vivemos sob constantes ameaças. A democracia é alvo de ataques orquestrados que visam enfraquecê-la. O país enfrenta uma pandemia na base de fake news, sabotagem e campanhas de desinformação. Não nos furtaremos a enfrentar os retrocessos e aglutinar forças para superá-los. Com a coragem e a determinação de Helenira Rezende, Maurício Grabois, Carlos Marighella, Luís Carlos Prestes, João Amazonas, Haroldo Lima, Elza Monnerat, Sérgio Rubens e tantos outros camaradas que entregaram suas vidas ao bem comum. Essa é a marca do PCdoB.

Viva o centenário do PCdoB!

Viva a democracia!

Viva o povo brasileiro!

 

*Jandira Feghali é deputada federal (PCdoB-RJ) e vice-presidenta do PCdoB. Renato Rabelo é presidente da Fundação Maurício Grabois e ex-presidente do PCdoB

 

Artigo originalmente publicado no site da revistaCartaCapital

 

(PL)

 

Centenário do PCdoB é comemorado com sessão solene na Câmara dos Deputados


Uma sessão solene no plenário da Câmara dos Deputados marcou, nesta quarta-feira (23), as celebrações em homenagem ao centenário do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Criado em 25 de março de 1922, o partido construiu uma trajetória de atuação marcante em diferentes frentes, como nos movimentos dos trabalhadores, das mulheres e da juventude, que conseguiu angariar respeito do povo e profunda inserção no quadro político brasileiro.

O líder do PCdoB na Câmara, deputado Renildo Calheiros (PE), abriu e presidiu a sessão. Ao fazer sua saudação aos presentes, ele ressaltou alguns aspectos da trajetória da agremiação e lembrou a determinação e coragem dos operários e intelectuais progressistas que se reuniram clandestinamente na cidade de Niterói (RJ) para criar o Partido Comunista do Brasil.

“Em 100 anos de atividade, tivemos apenas 37 anos e meio de legalidade. O restante foi todo na ilegalidade ou na mais completa clandestinidade”, observou Renildo.

“Em todo o período, mesmo na clandestinidade, o Partido sobreviveu e participou ativamente das mais importantes lutas políticas travadas pelo povo brasileiro. Das campanhas em defesa do monopólio estatal do petróleo, à luta firme e resoluta pelo fim do regime militar e em defesa da liberdade e da democracia, a legenda dos comunistas sempre esteve de braços dados com o povo, defendendo seus ideais de justiça, liberdade e democracia”, acrescentou.

O líder da Bancada assinalou que a história mostrou que a sigla se fez necessária no passado e se mostra pronta e capacitada para o presente e futuro, “porque é um Partido com propostas, com um programa para o desenvolvimento e porque tem ideário de lutas a travar”.

Unidade

A presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos, apontou que um dos traços mais marcantes da história do partido é ter sido sempre “uma legenda de princípios, de atuação combativa pelos seus ideais e, ao mesmo tempo, que cultiva efetiva convivência democrática com os partidos, parlamentares e autoridades dos demais poderes da República”.

Luciana agradeceu a presença das lideranças de várias siglas com representação no Legislativo, de representantes diplomáticos e homenageou as diversas gerações de militantes e dirigentes do partido. Também lembrou a importância da incorporação do PPL ao PCdoB e disse que a legenda está em condições de superar esse momento de retrocesso vivido pelo país.

“O partido está empenhado, com os movimentos de frente ampla, na tarefa de libertar o país do governo Bolsonaro. De restaurar a democracia e promover uma reconstrução nacional que abra perspectivas a um novo ciclo de prosperidade, desenvolvimento soberano em harmonia com a proteção do meio ambiente e de progresso social”, afirmou.

Homenagens

A presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), foi a primeira parlamentar a usar a palavra e parabenizou os comunistas pelos 100 anos de história.

Ela lembrou a parceria entre as siglas, destacando que o PCdoB “é um partido irmão, mais do que aliado, que sempre esteve conosco em todas as lutas”. “Temos um grande desafio pela frente, talvez um dos maiores do ponto de vista eleitoral, que é vencer o fascismo, vencer o atraso, vencer Bolsonaro”, disse.

Gleisi destacou ainda que a conquista da federação será um instrumento importante para a construção da unidade das forças progressistas no Brasil.

A deputada Lídice da Mata (PSB-BA) falou em seguida, saudando a comemoração do centenário do partido. “Com muito orgulho, participei desta luta, junto com Haroldo (Lima) e tantos outros companheiros”, lembrou.

Para o deputado Elmar Nascimento (BA), líder do União Brasil, o PCdoB tem desempenhado “um papel importantíssimo na luta intransigente em defesa da democracia” e pelos interesses maiores do povo brasileiro.

A deputada Fernanda Fernanda Melchionna (Psol-RS) falou em seguida, lembrando que o partido comemora 100 anos com uma trajetória que se confunde com a história do movimento operário brasileiro, com as lutas da juventude e dos movimentos populares.

O vice-líder da Minoria, Henrique Fontana (PT-RS), saudou os militantes comunistas: “Comemorar 100 anos de existência de um partido político é algo que marca a história de um país. 100 anos onde o PCdoB sempre esteve ao lado dos trabalhadores, ao lado dos oprimidos e sempre ao lado da democracia”.

André Figueiredo (CE), líder do PDT na Câmara, também ressaltou a trajetória de lutas da legenda em defesa da democracia, “de um Estado que realmente possa servir de redutor de desigualdades, de construção de caminhos mais amplos para que as riquezas do país não fiquem concentradas nas mãos do sistema financeiro”.

Líder do PSD, o deputado Antonio Brito (BA) disse que o centenário do partido mostra que é possível construir partidos, ideias, propostas e debater soluções viáveis com a sociedade.

O líder da Oposição, Wolney Queiroz (PDT-PE), lembrou da amizade que sempre teve com os integrantes da bancada comunistas, desde que chegou à Casa em 1995 para o seu primeiro mandato. “Essa era a turma com quem eu me relacionava aqui”, disse.

Presenças

Participaram da mesa a presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos, vice-governadora de Pernambuco, o líder na Câmara dos Deputados, Renildo Calheiros, a vice-presidente nacional da sigla, deputada Jandira Feghali (RJ), o deputado constituinte em 1988, Aldo Arantes, e a diretora de Relações Institucionais na União Nacional dos Estudantes (UNE), Thaís Falone.

Representações diplomáticas de países como Nicarágua, China, Coréia Popular, Vietnã, Síria, Palestina, Belarus, Rússia, Cuba, Saara Ocidental e do Irã também marcaram presença, além dos senadores Humberto Costa (PT-PE) e Jaques Wagner (PT-BA), militantes do partido e dirigentes de várias entidades populares.

Assista a sessão:

Por Walter Félix

Festival Vermelho 100 anos do Partido Comunista do Brasil. Política, cultura e gastronomia. 25 e 26 de março. Caminho Niemeyer - Niterói (RJ). Entrada franca.

 Festival Vermelho

100 anos do Partido Comunista do Brasil. Política, cultura e gastronomia. 25 e 26 de março. Caminho Niemeyer - Niterói (RJ). Entrada franca.
linktr.ee/FestivalVermelho

sábado, 11 de dezembro de 2021

PCdoB lança Livro de Imagens do Centenário Gratuito em PDF - Baixe no Portal Grabois

 Um centenário para se ver, sentir e impulsionar a jornada transformadora

#PCdoB

Livro de imagens retrata a história de cem anos de lutas e conquistas do Partido Comunista do Brasil. Disponível gratuitamente em versão eletrônica (abaixo) é um resgate de parte da luta do povo brasileiro. 
Veja a apresentação dos Editores no Portal da Fundação Maurício Grabois e baixe gratuitamente

Visite a Fundação Maurício Grabois




domingo, 27 de dezembro de 2020

Da crítica e autocrítica para o Avante, camaradas! Paulo Vinícius Silva

"... nós somos "livres" para ir aonde nos aprouver, 
livres para combater não só o pântano, 
como também aqueles que para lá se dirigem!"(*)
Lênin, Que fazer. 
 
 

Se eu perco, no dia seguinte, não dou minha tristeza como repasto aos inimigos. Nada... Na derrota, os piores conselheiros são o rancor e o medo. Mobilizam errado ou paralisam. Na vitória, o melhor conselho é o antigo, memento mori, o escravo romano agachado na biga junto ao general que entrava em Roma em triunfo, dizendo-lhe: «Respice post te. Hominem te memento» (Olhe atrás de você. Lembre-se de que você é um homem). Para isso existem a crítica e autocrítica.

Crítica e autocrítica são coisas de comunista. Rogério Lustosa definiu como nos relacionamos com a crítica e autocrítica. Dizia: "nós devemos ser os mais severos críticos de nossos próprios erros". Longe de indesejável, esse processo é ápice, é o controle dos resultados pelo próprio coletivo, é quando operário(a) e jovem pode questionar de igual para igual dirigentes e líderes partidários. As direções todas, eleitas de baixo pra cima, também todas hão de ser avaliadas no processo normal do Centralismo Democrático, o funcionamento do PC, que se ampliará ainda mais no Congresso do Centenário do Partido Comunista do Brasil.  E é um processo feito com cuidado, carinho, até. Porque se a crítica é dura, ainda mais é a auto-crítica. A síntese promovida pelo coletivo leva o processo a bom termo. O prêmio é a política justa, "só isso". Só a justa consciência organiza a ação justa e eficaz. Dizia Lenin: "Sem consciência revolucionária não há movimento revolucionário".

Por isso, nas formas de resistência dos nossos povos e ancestrais, o Partido Comunista, em especial, assegurou um lugar na História, e no futuro. Ele surgiu como novidade diante da incapacidade dos  partidos social-democratas e socialistas em levar adiante a luta contra a Guerra, pela Paz e pelo Socialismo. O PC é mais jovem historicamente que muitos partidos que passaram à história como gestores do neoliberalismo, inclusive o PT.

O Anticomunismo não é uma novidade, é o tributo que a classe dominante e o reformismo pagam aos(as) mais consequentes lutadores(as) pelo socialismo. Decorre dessa convicção funda da classe dominante e de seus aliados: não podem deixar os comunistas atuarem livremente. A razão última é que a forma Partido Comunista resume compromissos básicos: o proletariado, a classe trabalhadora, como classe referente, assim como os camponeses; o Socialismo Científico; o Marxismo-Leninismo e a base de quase um século de luta em solo Brasileiro, reunindo uma experiência nacional, democrática e popular que é um patrimônio da democracia e da História do nosso povo.
 
Dessarte, a derrota é um momento. Muitas foram as vezes em que comunistas foram, não só derrotados(as), mas aniquilados(as), torturados(as), banidos(as) e mortos(as). Tantas foram as vezes em que se anunciou a derrota dos comunistas, quantos filhos e filhas o Partido Comunista deu pela democracia e pelo povo brasileiro. Mas a derrota não te define. A gente não se abate com a derrota, está aí o sorriso do Che Guevara, em meio à morte para o provar. Exige a Dialética que miremos, mesmo em cada batalha perdida, toda uma  série de ganhos preciosíssimos, imprescindíveis, porque escassos e heróicos. 
 
Há duas perguntas: O que ganhamos? O que perdemos? Há que ver com cuidado, juntar no embornal toda fruta machucada, pois isso é acumular forças num tempo marcado pela derrota estratégica e por um período conturbado de mudança geopolítica, de crispação das contradições do capitalismo nesta etapa claramente agônica e destrutiva que ameaça a humanidade. 

E, se no meio dos gestos balsâmicos de sarar as feridas, a dúvida nos morde, sobre a justeza do que fazemos, basta olhar ao redor. Vive nosso povo bem? O Capitalismo, que consequências traz à Humanidade?! O capitalismo não tem futuro. 
 
E o perfume juvenil sempre vivo no Partido Comunista, que atrai a juventude, as mulheres, a intelectualidade, vem dessa dupla: escudo e espada - crítica-autocrítica e unidade avassaladora - aliada à causa mais justa possível, o socialismo como estrada da emancipação humana. Armados com essas certezas, podemos perceber duas importantes vitórias que poderão descortinar caminhos. A mais importante é termos derrotado Bolsonaro e a extrema direita nas urnas em 2020. Essa era a disputa principal. Vitória, digamos sem pejo.

A segunda, é que agora os e as comunistas falamos diretamente ao povo brasileiro.  Novidade, sim, comunistas serem o ponto mais alto da representação dos anseios de unidade da Frente Ampla que esboça o nosso povo. Flávio Dino e Manuela inauguraram essa época histórica: O PCdoB mostra ter condições de ser uma alternativa política viável e interlocutor na Frente Ampla. Também essa vitória podemos contabilizar em 2020. Então, falar ao povo através de Dino, Manuela, Luciana Santos, Augusto Vasconcelos, Gustavo Petta, Orlando, isso é ouro. 

Isso deveria nos animar quanto à possibilidade de mudar o quadro político em profundidade, abrindo caminho para lideranças que apontem em voto e em política como superar a Cláusula de Barreira. Provavelmente a tibieza e a perda de cara própria não ajudarão em nada, fica a dica.
 
Nós somos uma jovem geração que tem a cara do Brasil, e precisamos completar essa transição que é continuidade e é mudança, construção geracional dos comunistas e de sua permanência na História da Nação Brasileira. Esse combinado é essencial para construirmos o segundo centenário do Partido Comunista e a consecução da libertação da Nação, da Democracia e dos direitos universais que será a face do nosso socialismo verde-amarelo. 

Mas, claro, houve derrotas. Há que sopesá-las cuidadosamente, são mais preciosas e sutis as suas lições, importantíssimas. Dizia o socialista Charles Chaplin, mais importante que terem nos feito mal é saber o que fizemos com esse mal, como ele nos afetou, o que saiu de SÍNTESE. Porque isso depende de nós, não do adversário. É como digerimos, e se nos salva ou nos mata.

Minha opinião é que as derrotas e vitórias nas eleições de 2020 são ouro puro para o PCdoB, que saiu com ampla capacidade de diálogo com o campo democrático e estará à mesa da Frente Ampla Progressista que se antevê. O Brasil não é para amadores. As vacilações e  confusões no interior da esquerda já causaram imenso dano e, se persistem, conformar-se-á uma Frente Ampla Conservadora que intentará manter o neoliberalismo escravista intocado, sem os males de Bolsonaro, um domínio de direita com desodorante, mas podre, porque perpetuador da desigualdade, da preacariedade e do parasitismo rentista contra o povo brasileiro. 

Ainda que as vitórias muito ensinem, é nas derrotas que está o nosso mapa do tesouro em 2022. Isso diferencia a autocrítica comunista da depressão, dos discursos da culpa, ou das desculpas esfarrapadas que eludem e iludem, mas são certamente o buraco mais fundo. A derrota é uma mãe ou um pai severo, há que ouvir. O pior seria a imobilidade frente ao quadro político e frente a si mesmo, porque seria prostrarmo-nos contra a mudança, que é inexorável. O pior seria nosso isolamento. Ao contrário, somos cada vez mais ouvidos(as).
 
Nós mudamos sempre, faz parte da nossa capacidade básica de permanência no Brasil. Mas aqui ninguém perde o rumo. E se já mudamos muito, mudamos menos do que o mundo, e mudaremos ainda mais, mas SEMPRE a mudança é para perseguir esse curso antigo, e sob a ausculta do nosso passado, com gana de futuro. Nós não abrimos mão do símbolo, do nome, do socialismo nem mesmo ante a Queda do Leste, avalie agora, que o Socialismo aponta como única alternativa para a sobrevivência da Humanidade.  E serão diversas as formas de socialismo, inclusive a brasileira, que nos cabe construir, pelo que passa o Novo Programa Socialista para o Brasil. Mais que a convicção da vitória, tenho a aterradora certeza de que nossa vitória salva vidas, é decisiva para a democracia, para os direitos do povo, para a integridade da Nação Brasileira e a Paz.

Assim, mudamos, mas ancorados no exemplo de lutas, na força do sangue dos mártires e no ideal de servir ao povo até o fim. E ancorados nas gerações comunistas, cujo exemplo e voz está ativa e presente. Somos um conselho que tem desde anciãos a líderes secundaristas.  Há quadros, militantes e filiados(as).
 
Sob essa condução, a crítica e a autocrítica só podem nos corrigir e libertar, quando apontam o caminho justo, se não degeneram. Até porque ela obriga a mudanças duras que exigem convicção deste nosso magnífico coletivo militante. Crítica e autocrítica forjam coletivos de vencedoras, apontam o caminho da sabedoria e do coletivo, são um belo gesto de amor, coisa de camaradas... Não floresce em qualquer canto. E mais, expõem sem redenção todo joio, toda mentira, purificam de erros e vergonhas, problemas que há que sanar. E nesse caso, há luta interna. O Partido não é um lugar quentinho, mas é a casamata dos que lutam e vencem pensado sempre no melhor para a humanidade e o Brasil.

Ao longo dos últimos 98 anos, a bandeira, o ideal e o sonho tremulam, sempre, e nós não desanimamos jamais. Somos resiliência, o amor que perdura e vence, a força do povo e sua generosidade. Ano que vem cumprirei 30 anos desde que me filiei ao PCdoB, e tenho viva e intocada essa esperança cheia de método e trabalho a realizar. Longe de nós a auto-justificação cômoda, esconjuro os desesperados e amargosos, que vem de seus exílios da luta predicar o fim alheio, como se não lhes tocasse. Perto de nós, esteja toda flor que brotou nesta semeadura pedregosa e árida.
 
Nesse sentido crítico e autocrítico, pergunto-me:
 
- Nós fazemos uma divulgação eficaz do símbolo, da História e dos valores comunistas? Isso não é necessário nas batalhs eleitorais? Qual o resultado? Nosso desafio não será ser mais nítidos aos olhos do povo?! Ter candidaturas próprias, ter chapas próprias, disputar os 2% dos votos que se identifiquem com nossa linha, ninguém, exceto nós o poderemos fazer.
 
- Estamos ligados ao povo? Às vésperas do processo incerto e caótico de retomada e um duvidoso pós pandemia, somos chamados a nos perguntar sobre nossa ligação com o povo e nossa fixação nos territórios. Temos de repensar o papel das escolas e universidades, das sedes das entidades, dos sindicatos, e como esses pontos da resistência se ligam ao povo e promovem a retomada presencial da luta.
 
- Nossa política afirma a importância equânime das lutas de Ideias, de Massas e Político-Eleitoral. Ora, será que a institucionalidade não dá o tom? Não concentra os recursos? Como crscemos institucionalmente sem paralelo na centenária História do PC e perdemos ligação com o povo?  Como corrigir esse desbalanço que nos tem feito sofrer derrotas NA LUTA DE IDEIAS E DE MASSAS E NA ACUMULAÇÃO DE FORÇAS EM VOTOS?  Qual o balanço crítico e autocrítico que fazemos das filiações "democráticas" e da nossa perda de identidade face ao eleitorado? Vamos dobrar a aposta? Já é tempo de rever premissas que havia ainda antes do Golpe, e que seguem a dar resultado negativo.
 
- Como fazer da construção das chapas próprias um processo de emulação, renovação e mobilização do Partido, de correção do personalismo e da política de concentração, de construção das direções e de nossos representantes, de reafirmação da viabilidade eleitoral e uma mensagem clara ao eleitorado brasileiro?
 
A onda está virando. É preciso sentir os sinais e se postar para essa imensa alegria que é a retomada da luta nas ruas pelo povo brasileiro, tão judiado... 
Haverá dificuldades, mas é preciso rejeitar com firmeza o desalento, o derrotismo, a descaracterização, a negativa daquilo que somos. É preciso que nossa direção seja corajosa em apontar saídas que mobilizem   e culminem na vitória. Há que ter firmeza, coragem, criatividade, renovação. Há exemplos a estudar, e não são os vergonhosos liquidacionistas e transformistas dos anos 90. Não se trata de mudanças cosméticas, mas de relançar a História com sede de futuro, de socialismo, de vida. 

Devemos aproveitar a crise para dizer ao povo brasileiro em alto e bom som o que é ser comunista no Brasil de hoje. A eleição acabou, mas não a nossa atividade política. Devemos falar para o Brasil, renovar o partido, filiar, aprender, estruturar, corrigir. Não há tempo, e é um imenso trabalho.  Não cabe o comodismo diletante, o hater das redes sociais, nem abrir o flanco às provocações. Aqui o sujeito e o objeto se sabem idênticos, critica quem milita e é criticado(a). Por isso defendo que não haja antecipação, mas um processo permanente de debate que trate os diferentes problemas nos espaços que lhes cabem. Nem tudo é tema de congresso. O Congresso do Centenário deve apontar caminhos, futuro, deve afirmar o Partido. 
 
Para mim, só a resposta à última questão está clara, um ato político que plasma afirmação e mudança, continuidade e ruptura, princípios e tática, passado e futuro, Brasil e democracia. É a clara mensagem de uma candidatura Presidencial que, surgida do Centenário Partido Comunista, fale ao Brasil, à juventude, às mulheres, à classe trabalhadora, através da voz e do gênio de Manuela D'ávila. 

domingo, 1 de janeiro de 2012

Centenário de João Amazonas: Tributo a João Amazonas (1912-2002) - Um Comunista Brasileiro Por Augusto César Buonicore (1)

Fundação Maurício Grabois - www.grabois.org.br

“Há aqueles que lutam um dia; e por isso são bons;
 Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons; 
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda; 
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis." Brecht 


“Minhas cinzas devem ser espalhadas na região do Araguaia, onde houve a guerrilha. É uma forma de juntar-me aos que lá tombaram.” último pedido de João Amazonas


No dia 27 de maio, morreu João Amazonas. Seu último pedido traduziria muito bem a personalidade deste líder revolucionário brasileiro. Não queria monumentos em sua memória. Queria apenas que suas cinzas se juntassem às cinzas dos centenas de combatentes que tombaram na gloriosa guerrilha do Araguaia, da qual ele foi um dos principais idealizadores e dirigente.

Amazonas foi o grande dirigente dos comunistas brasileiros. Foi o seu ideólogo, o seu estrategista maior. Infelizmente Amazonas não viveu tempo suficiente para ver mais uma vitória de sua elaboração tática. Uma tática que propugnava pela necessidade de constituição de uma ampla frente política, tendo como núcleo a esquerda e base as lutas populares, como forma de derrotar o neoliberalismo e abrir caminho para a construção de um novo projeto democrático e nacional, que permitisse acumular forças para avançarmos no sentido da conquista de um socialismo renovado.

Por fim, a história de João Amazonas se confunde com a história de luta do povo brasileiro e de sua vanguarda revolucionário: o Partido Comunista do Brasil.

Uma história de luta

No dia primeiro de janeiro de 1912, em Belém do Pará, nasceu João Amazonas de Souza Pedroso. Filho de família modesta, desde muito cedo se rebelou contra as péssimas condições de vida e de trabalho que vivia submetida a classe operária de sua cidade. Após a revolução de 1930 enviou uma carta indignada ao secretário do trabalho estadual denunciando os abusos existentes na fábrica onde trabalhava e exigindo a imediata redução da jornada de trabalho.

João era também um jovem bastante curioso e se interessava por tudo que ocorria no mundo e no seu país. Um dia caiu-lhe nas mão o livro Um engenheiro brasileiro na URSS, seria o primeiro de vários outros sobre a “pátria do socialismo”. Ele começava a pressentir que naquele distante país se estava construindo um novo mundo, sem miséria e exploração. Mas este ainda parecia-lhe um mundo bastante distante, pois não tinha conhecimento da existência de um partido comunista no Brasil. Em breve, seu espírito indomado e sua vontade de mudar o país e o mundo o levaria a encontrá-lo.

Em 1935, quando tinha apenas 23 anos, num domingo, após sair do trabalho, leu no jornal uma pequena nota sobre a realização de um comício da Aliança Nacional Libertadora (ANL). Sem demora se dirigiu à praça do Largo da Pólvora, onde se realizava o evento. Os discursos inflamados defendendo a soberania nacional, a reforma agrária e a constituição de um poder popular empolgou os ouvintes, inclusive João.

No dia seguinte ele se apresentou na sede local da ANL para se integrar ao movimento. O rapaz foi imediatamente convidado para ingressar na Juventude Comunista na qual passou a militar. Poucos dias depois ingressava no Partido Comunista do Brasil. Era o início de uma relação que duraria mais de 67 anos.

A sua primeira tarefa militante foi organizar uma célula na sua empresa. Tarefa que realiza com sucesso. A partir desse núcleo de comunistas ele partiu para a organização de um sindicato da categoria, outra tarefa bem sucedida. Em seguida foi eleito delegado na União dos Proletários de Belém. Este envolvimento lhe acarretou a sua primeira prisão, que durou apenas 15 dias.

Em novembro de 1935 ocorreu o levante armado, dirigido pela ANL, que foi rapidamente esmagado pelas forças governamentais. Iniciava-se uma fase de violenta perseguição aos comunistas. Apesar da repressão, as atividades dos comunistas não cessaram.

Em 19 de dezembro de 1935 o jornal Folha do Norte anunciava: “Mãos misteriosas içam, pela calada da noite, nos mastros dos reservatórios da Lauro Sodré, uma flâmula comunista com legendas subversivas e ainda dispõem de tempo para deixar inscrições do mesmo gênero nas paredes do reservatório. O fato, notado desde cedo pelo público atrai ao local multidão de curiosos e provoca comentários acalorados (...) A polícia procede a investigação no sentido de apurar responsabilidades”. O reservatório era o ponto mais alto da cidade e nem mesmo o corpo de bombeiros conseguiu retirar a faixa colocada pelas “mãos misteriosas”.

Na faixa vermelha, assinada pela ANL, podia se ler “Abaixo a pena de morte” e nas paredes: “Viva Luís Carlos Prestes – Viva ANL!”. A polícia política ameaçou, prendeu os pobres dos vigias, mas os verdadeiros culpados jamais foram descobertos. Os responsáveis por tal façanha, que agitou Belém, foram dois jovens comunistas: João Amazonas e Pedro Pomar.

No início de 1936 a polícia realizou novas prisões de ex-integrantes da ANL. João e Pedro desta vez não escaparam. Mas, mesmo na cadeia não deram sossego aos seus opressores. Realizaram uma greve de fome contra a má-alimentação servida aos presos e aproveitaram o tempo para ministrar aulas de marxismo-leninismo aos demais companheiros. Depois de mais de um ano de prisão, em junho de 1937, foram julgados e absolvidos por falta de provas. Em novembro ocorreu o golpe de Estado que implantou o ditadura do Estado Novo. Amazonas e Pomar entrariam na clandestinidade.

A Reorganização do Partido Comunista

Em 1940, novamente, uma onda de repressão se abateu sobre os comunistas paraenses. Em 2 de setembro foi preso Pedro Pomar e em 10 de setembro foi a vez de João Amazonas, dois dos principais dirigentes do Partido no Pará. Assim o jornal Folha do Norte anunciou a sua prisão: “Fisgado mais um adepto do credo sinistro”. O artigo afirmava: “No inquérito, a Delegacia de Ordem Política e Social apurou ‘que João Amazonas agia no preparo de matrizes e boletins subversivos da propaganda moscovita, matrizes que eram entregues a Pedro de Araújo Pomar, detido há dias passados. Este se encarregava de mimeografá-los em grande quantidade para espalhar sorrateiramente pelos bairros da cidade. Pouquinhos mas teimosos os adeptos do credo sinistro. A polícia todavia os vai fisgando eficientemente”.

Em junho de 1941 as tropas nazistas iniciaram a ocupação do território soviético e o governo Vargas demonstrava, cada vez mais, simpatias pelos regimes nazi-fascistas. A situação era muito difícil para as forças progressistas no Brasil. Logo após receberem a notícia da invasão nazista, os comunistas João Amazonas, Pedro Pomar, Agostinho de Oliveira, Felipe Santiago entre outros, realizaram uma ousada fuga da prisão. A fuga se deu na noite chuvosa de 5 de agosto de 1941. Afirmou Amazonas: “Na prisão, recebemos a notícia da invasão da União Soviética pela Alemanha hitlerista. Nossa indignação foi enorme. Reunimos, nesse mesmo dia, e juramos sair da prisão para continuar a luta de vida e morte contra o nazismo”.

Depois de sua fuga Amazonas e Pomar fizeram uma difícil viagem até o Rio de Janeiro. Procurados pela polícia do Estado Novo foram obrigados a fazer uma rota cheia de dificuldades pelo interior do país, passando por Marabá e Anápolis.

Chegando ao Rio, em setembro de 1941, passaram a integrar o esforço de reorganização do Partido, cuja direção havia sido dizimada pela ditadura estadonovista. Entraram em contato com a Comissão Nacional de Organização Provisória (CNOP), dirigida por Maurício Grabóis e Amarílio Vasconcelos. Em seguida contataram com Diógenes Arruda, que tentava organizar o Partido em São Paulo.

Nos fins de 1941 Amazonas foi a Minas Gerais onde ficou até 1943. Depois seguiu para o sul do país. Esteve no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Sua grande missão era reorganizar o Partido Comunista nesses Estado, criando as condições para a realização da conferência que iria reorganizar o Partido Comunista do Brasil.

A 2ª Conferência Nacional do PCB, que ficou conhecida como “Conferência da Mantiqueira”, realizou-se em agosto de 1943 na mais completa clandestinidade. Segundo Dinarco Reis, a reunião “foi realizada numa pequena cafua de telha-vã e chão de terra, com sala, quarto e cozinha, local bastante exíguo para tantas pessoas (...) Dormíamos no chão de terra forrado por sacos e jornais. A noite o frio castigava duramente, pois era inverno nessa região bastante alta”. Mas o esforço daqueles bravos comunistas valeria a pena.

Nesta Conferência João Amazonas foi eleito membro do Comitê Central e passou a compor a comissão executiva e o secretariado, ficando responsável pelo trabalho sindical e de massas. Nesta condição foi um dos organizadores do Movimento Unificador dos Trabalhadores (MUT), em 1945. Em dezembro do mesmo ano se elegeu deputado federal constituinte com 18.379 votos, uma das maiores votações do Distrito Federal.

Na assembléia nacional constituinte destacou-se na defesa do direitos sociais do trabalhadores e da liberdade sindical. Por sua ação decidida em defesa da democracia, da soberania nacional e dos direitos sociais dos trabalhadores, os deputados eleitos pela legenda do PCB foram cassados em janeiro de 1948. Após a cassação dos mandatos comunistas João Amazonas e os demais membros da comissão executiva do Partido caem na clandestinidade.

João Amazonas, ao lado de Arruda e Grabois, assumiram as principais responsabilidades da direção cotidiana do Partido nos difíceis anos do governo Dutra, no qual dezenas de comunistas foram assassinados. Prestes vivia isolado e não cuidava efetivamente do trabalho de direção e de organização partidária.

No IV Congresso do PCB, realizado em novembro de 1954, coube a João Amazonas apresentar o informe sobre as alterações dos estatutos do Partido. Um ano antes, em 1953, Amazonas esteve na União Soviética à frente de um grupo de cerca de quarenta comunistas que fariam um curso de marxismo-leninismo na Escola Superior do Comitê Central do PCUS.

A luta contra o revisionismo

A partir da segunda metade de 1950 ele participou ativamente da luta contra o surto revisionista-reformista que atingiu o Partido após o XX Congresso do PCUS, em 1956. Em 1957, por suas posições contrárias às teses reformistas que vinham ganhando corpo no interior da direção do Partido, João Amazonas, Maurício Grabois, Diógenes Arruda, Sérgio Holmos e Pedro Pomar foram destituídos da comissão executiva e do secretariado do Comitê Central.

Esses afastamentos foram necessários para que se conseguisse uma tranqüila maioria, o que permitiu aprovar as teses reformistas e mudar o rumo político do Partido. No início de 1958, numa reunião do Comitê Central, João Amazonas e Maurício Grabois foram os únicos a votar contra o documento que ficaria conhecido como Declaração de Março e que fora elaborado por uma comissão “ultra-secreta”, criada pelo próprio secretário-geral.

Este documento consolidou a guinada à direita do PCB. Entre outras coisas apregoava a possibilidade da transição pacífica do capitalismo ao socialismo no Brasil. Começava, assim, a se definir nitidamente duas tendências no interior do Partido: uma reformista e outra revolucionária. Estas duas tendências opostas iriam se enfrentar duramente nos debates preparatórios do V Congresso do PCB.
Graças ao domínio que tinha sobre a máquina partidária, a influência de Prestes, e o apoio recebido do PCUS, a corrente reformista ganhou o Congresso e conseguiu aprovar as suas teses. O Congresso também decidiu pelo afastamento de João Amazonas, Maurício Grabois, Diógenes Arruda e Orlando Pioto do Comitê Central do Partido. Os reformistas, então, tomaram a iniciativa.

Em 11 de agosto de 1961 o jornal Novos Rumos, órgão oficial do PCB, publicou um novo programa e estatuto que, segundo a comissão executiva, deveriam ser registrados no Tribunal Superior Eleitoral visando à legalização do partido. Entre as propostas de alteração incluía-se a mudança do nome da organização, que passaria a se chamar Partido Comunista Brasileiro. O novo programa apresentado era ainda mais atrasado do que a Declaração de Março e as Resoluções do V Congresso. Dos estatutos retirava-se qualquer referência ao internacionalismo proletário e ao marxismo-leninismo. Esta foi a gota d'água...

A resposta da corrente revolucionária foi imediata. Foi enviada uma carta ao Comitê Central, assinada por cem comunistas, criticando os desvios de direita e exigindo que se retirassem os documentos ou se convocasse um novo congresso para discutir a mudança do nome e as modificações no programa e nos estatutos do Partido. Segundo a Carta, “as mudanças feitas no nome, no Programa e nos Estatutos (...) objetivam o registro de um novo partido e, por isso, se suprime tudo o que possa ser identificado com o Partido Comunista do Brasil, de tão gloriosa tradições (...) os militantes (...) não aceitarão que se liquide o velho Partido, e a ele permanecerão fiéis, mantendo bem alta a bandeira de suas melhores tradições”.

No final de 1961 a direção do PCB expulsou Amazonas, Pomar, Grabois, Ângelo Arroyo, Carlos Danielli, Calil Chade, José Maria Cavalcante, entre outros. Diante da impossibilidade, por vias da democracia partidária, de mudar os rumos que tomava a direção do PCB, os membros da corrente revolucionária resolveram dar o passo decisivo no sentido de romper com os reformistas e reorganizar o Partido Comunista do Brasil. João Amazonas, como em 1943, estava novamente à frente desse esforço.
Em fevereiro de 1962 realizou-se a V Conferência (extraordinária) do Partido Comunista do Brasil. Nela aprovou-se um manifesto-programa no qual se reafirmaram as teses revolucionárias e os princípios marxista-leninistas. O PC do Brasil seria o primeiro partido fora do poder a romper com a linha política reformista imposta pela direção do PCUS. A Conferência resolveu também reeditar o jornal A Classe Operária.

A cisão dos comunistas brasileiros teve implicações internacionais. Em 14 de julho o próprio Comitê Central do PCUS publicou uma carta-aberta contra a direção do PC Chinês, e nela citava nominalmente os dirigentes comunistas brasileiros João Amazonas e Maurício Grabois, apontando-os como membros de um grupo antipartido. O PCUS responsabilizava o PC da China pela divisão do movimento comunista brasileiro. Em 27 de julho a direção do PC do Brasil respondeu com um contundente documento intitulado Resposta a Kruschev.

O rompimento com a direção do PCUS, principal partido comunista do mundo, e com a maioria reformista da direção do PCB, apoiada por Luís Carlos Prestes, mostrava bem a ousadia desses revolucionários fieis a seus princípios. Foram muitos os que afirmaram que esta pequena organização não teria futuro e que teria sido uma obra de loucos. A conjuntura, amplamente favorável à proliferação de ilusões reformistas, parecia confirmar tais opiniões.

Mas a história, implacável, construiria um outro caminho para além do senso comum e das aparências. O golpe militar de 1964 representou uma derrota das teses reformistas do PC brasileiro, que entrou em processo de desagregação interna, e confirmou muitas das teses defendidas por João Amazonas e seus camaradas do PC do Brasil.

Amazonas então se projetou como um dos principais dirigentes de uma nova corrente do movimento comunista internacional, corrente que se opunha ao chamado revisionismo soviético. Depois de 1962 defenderia o estreitamento dos laços políticos entre os comunistas brasileiros e o Partido Comunista da China, dirigido por Mao Tsetung e com o Partido do Trabalho da Albânia, dirigido por Enver Hodja.

Esteve em Cuba, com Maurício Grabois, quando da reorganização do Partido em 1962. Esteve na China por três vezes: no início de 1963, na companhia de Lincoln Oest, quando foi recebido pessoalmente por Mao Tsetung e juntos discutiram a situação brasileira e mundial; em 1967, no auge da Revolução Cultural, a qual apoiou criticamente e no final de 1976. Nesta última viagem Amazonas apresentou os pontos de vista do PCdoB sobre a situação internacional, especialmente sobre a teoria dos três mundos e o papel do imperialismo norte-americano, opiniões que divergiam frontalmente das posições oficiais do PC Chinês. A visita acabou consolidando o rompimento entre estes dois partidos. Rompimento que duraria até o início da década de 90.

Ele também esteve na Albânia por diversas vezes e lá estabeleceu laços fraternais com os dirigentes comunistas albaneses, especialmente Enver Hodja. Ficou ao lado deste na polêmica com os soviéticos, no início da década de 60, e depois na polêmica com os chineses já na segunda metade da década de 70.

Combatendo a Ditadura Militar

Entre 1968 e 1972, Amazonas participou ativamente da organização da guerrilha do Araguaia, o principal movimento de contestação armada ao regime militar. No final de fevereiro de 1972 ele se vê obrigado a sair da região para participar da reunião do Comitê Central na qual se debateria o documento Cinqüenta anos de luta e se comemoraria este importante acontecimento (os 50º aniversário do PCdoB). Grabois e Arroyo permaneceram na região, seguindo os critérios de revezamento dos membros do secretariado do Partido. Amazonas estava voltando para a região quando a ofensiva do exército já havia começado e foi alertado por Elza Monnerat que voltara alguns dias antes e também não pudera entrar na região. Os caminhos de sua reintegração à guerrilha estavam fechados.

A eclosão da guerrilha levou a um aumento, sem precedente, das perseguições aos dirigentes do PCdoB. Entre o final de 1972 e início de 1973 foram presos, barbaramente torturados e assassinados três membros efetivos do Comitê Central Carlos Danielli, Lincoln Oest e Luís Guilhardini e o candidato a membro do Comitê Central Lincoln Roque.

Estava apenas começando a operação visando eliminar a direção do partido que promovia a Guerrilha do Araguaia. Na manhã do dia 16 de dezembro de 1976 desenrolou-se o último ato da tragédia arquitetada pelos militares.

A casa na qual havia se realizado uma reunião do CC é cercada e metralhada pela repressão. Neste dia foram friamente assassinados Ângelo Arroyo e Pedro Pomar. Eles estavam desarmados e não foi lhes dada nenhuma chance de defesa. Nesta operação morreria sob torturas João Batista Drummond. Cerca de uma dezena de dirigentes comunistas também foram presos e torturados.

Quando da chacina da Lapa, João Amazonas estava representando o Partido no exterior e foi na China que recebeu a notícia do trágico acontecimento. Esta viagem o salvou novamente da morte. Pois esta operação, comandada pelo II Exército, tinha como um dos objetivos a eliminação do secretário-geral do PCdoB. Em entrevista à revista ISTO É o general Dilermando Monteiro, então comandante do II Exército, afirmou: "Nós descobrimos que naquele dia iria haver uma reunião em tal lugar, com a presença de tais e tais elementos, e aí fomos um pouco embromados, porque constava para nós que o João Amazonas estaria presente e o mesmo estava na Albânia, mas para nós ele estaria presente naquela reunião".
Renato Rabelo, Dynéias Aguiar, Rogério Lustosa, Amazonas, João Batista Lemos e Ronald Freitas

Amazonas foi sempre um opositor radical da ditadura militar e por isso mesmo foi odiado por ela. Nas selvas do Araguaia, procurando organizar a guerra popular, nos palanques da campanha das diretas já! ou nas articulações que levaram à escolha de um candidato único das oposições, para derrotar o candidato da ditadura no colégio eleitoral, lá estava o velho Amazonas. Sabendo articular amplitude e radicalidade, sem nunca perder o rumo.

Afirmava ele: “O curso político independe da vontade de uns poucos. Forja-se objetivamente (...) Quem propugna por objetivos maiores tem de inserir-se no curso real, e nele atuar com amplitude, levando sempre em conta a correlação de forças existentes, afim de fixar metas viáveis que aproximem a vitória definitiva da causa do povo”.

Unindo o povo contra o neoliberalismo

Amazonas foi um ardoroso defensor da unidade das forças progressistas e um dos artífices da Frente Brasil Popular em 1989. Compreendeu que a derrota de Lula e a vitória de Collor tinham aberto uma nova página na luta do povo brasileiro. A luta contra o neoliberalismo passou a adquirir centralidade na tática e na estratégia das forças democrática, populares e revolucionárias. O PCdoB, com Amazonas à frente, defendeu a palavra-de-ordem Fora Collor! Que empolgou a juventude brasileira e levou ao impedimento do presidente da República.

Mas a derrota de Collor não representou a derrota definitiva do neoliberalismo em nosso país. Com a vitória de FHC, o projeto recobra o seu fôlego. Amazonas defendeu então a formação de uma ampla frente oposicionista, que tivesse como núcleo as forças de esquerda. Uma frente que se constituísse através de um programa nacional e democrático que apontasse para superação do neoliberalismo e se sustasse num amplo movimento de massas. Esta posição estará presente na resolução política do 9º Congresso e será retomada e desenvolvida nas resoluções do 10° Congresso do PCdoB.

No entanto, as suas contribuições políticas e teóricas não se reduzem apenas ao Brasil. Desde o final da década de 80 João Amazonas foi um dos poucos que se colocou contra a política adotada por Gorbachev, denunciando-a como uma via de retorno da URSS ao capitalismo de mercado. O que propunham os líderes soviético não era renovar o socialismo, depurando-o de seus erros e deformações, e sim de destruí-lo. Após a débâcle final Amazonas conclamou que a esquerda revolucionária realizasse um profundo balanço crítico dessas experiências. Refletisse sobre as derrotas, mas sem capitular. Não fizesse concessões de princípios à maré social-democratizante que estava levando ao aniquilamento vários partidos tidos como comunistas.

Era preciso reconhecer a crise e lutar para superá-la, reafirmando e atualizando o marxismo e o leninismo, sem dogmas. Amazonas, de maneira ousada, propôs a unidade das diversas organizações que ainda reafirmavam a sua identidade comunista. Diante da ofensiva mundial do imperialismo era preciso vencer o sectarismo e construir a unidade sobre novas bases. Esta seria mais uma de suas importantes contribuições para reorganização do movimento comunista internacional.

Um homem imprescindível

Portanto, João Amazonas conduziu o Partido Comunista do Brasil em meio ao mar turbulento das lutas ideológicas, contra adversários bem mais fortes, que pareciam invencíveis. O seu pequeno PCdoB venceu estas lutas e se consolidou. O Partido, dirigido por Amazonas, passou por outras provas de fogo. Enfrentou a ditadura militar, que ceifou a vida de mais de uma centena de militantes; enfrentou a crise das experiências socialistas, que desbaratou várias organizações ditas comunistas; e, por fim, enfrentou com coragem e firmeza os dez anos de ofensiva neoliberal no Brasil. O PCdoB não só sobreviveu, o que já seria uma grande coisa, mas se desenvolveu e se constituiu numa força respeitada no cenário político nacional e mesmo dentro do movimento comunista internacional, que começava a se rearticular depois do vendaval neoliberal.

Aos 90 anos de idade e 59 anos de dedicação integral ao trabalho de direção do Partido, Amazonas pediu para que seus camaradas não mais o indicassem para a função de presidente do PCdoB. Afirmou ele: “no Partido não existem cargos vitalícios. Escapei de perseguições, sobrevivi (...) Creio que cumpri meu papel (...) Dentro de algumas semanas, vou completar nove décadas de vida. Uma vida difícil, que levou a um grande desgaste físico. Proponho a minha substituição e apoio a eleição de Renato Rabelo como novo presidente do Partido” e conclui: “não penso em aposentadoria. Espero morrer na minha posição de luta, no meu posto de trabalho (...) Até o último de meus dias, serei militante do Partido Comunista do Brasil”.

A nova direção nacional do PCdoB aceitou parcialmente o seu pedido retirando-lhe a função de presidente e elegendo em seu lugar Renato Rabelo. No entanto, com a aprovação unânime dos delegados presentes ao 10º Congresso, indicou-o para a presidência de honra do Partido. Título mais do que merecido para um homem que dedicou sua vida inteira à luta pelos ideais socialistas e à defesa de seu partido. Um homem que não temeu a prisão, a tortura, o exílio e a própria morte.

João Amazonas foi muito mais do que o presidente de honra de um partido político revolucionário, ele foi uma legenda, um símbolo vivo do espírito de luta do povo brasileiro. Um exemplo de comunista e de brasileiro. Por tudo isso, como afirmou Brecht, compõe as fileiras dos homens imprescindíveis.

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Nota:

1) Adaptação de um artigo escrito por ocasião da comemoração dos 90 anos de João Amazonas em janeiro de 2002.

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Augusto César Buonicore é historiador, Secretário Geral da Fundação Maurício Grabois e responsável pelo Centro de Documentação e Memória (CDM)

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