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quinta-feira, 10 de março de 2022

ASSEMBLEIA DE BASE DO NÚCLEO DA CTB BANCÁRIOS DF, HOJE, 5A. FEIRA, 10/03, 19H, ZOOM

ASSEMBLEIA DE BASE DO NÚCLEO DA 
CTB BANCÁRIOS DF
  5A. FEIRA, 10/03, 19H, ZOOM. 
 
1) Cláudio Nascimento: 
RAZÕES PARA A DEFESA DAS CHAPAS 6 E 77 - UNIDOS POR UMA CASSI SOLIDÁRIA E CAMPANHA NAS UNIDADES E NAS REDES NO DF (O ponto durará 30 min)  
2) Rafael Guimarães e PV:
 POSIÇÃO CLASSISTA NAS NEGOCIAÇÕES PARA A ELEIÇÃO DO SINDICATO, CRITÉRIOS E NOMINATA (O ponto durará 1h).

 

sábado, 5 de março de 2022

CTB Bancários DF - Assembleia Núcleo 2a. 7/3, às 19h zoom

Cláudio Nascimento: votar 6 e 77 Unidos por uma Cassi Solidária
Hermelino Neto (F. BA e SE): Previ e campanha nacional
Rafael: Eleições do Sindicato, informe, debate e deliberação.


Assembleia Núcleo 2a. 7/3, às 19h
Coordenação: Paulo Vinícius e Érica.

Presenças confirmadas: Flauzino Antunes (Pres. da CTB DF) e Adilson Araújo (Pres. Da CTB Nacional.

quinta-feira, 3 de março de 2022

Os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki foram realizados pelos Estados Unidos contra o Japão no fim da II Guerra Mundial, em agosto de 1945

 Os bombardeamentos atômicos das cidades de Hiroshima e Nagasaki[a] foram dois bombardeios realizados pelos Estados Unidos contra o Império do Japão durante os estágios finais da Segunda Guerra Mundial, em agosto de 1945. Foi o primeiro e único momento na história em que armas nucleares foram usadas em guerra e contra alvos civis. 

Wikipedia https://pt.wikipedia.org/wiki/Bombardeamentos_de_Hiroshima_e_Nagasaki

 

 

 75 anos das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki - Rede Brasil (2020) -

quarta-feira, 2 de março de 2022

Conflito na Ucrânia:A paz deve ser o objetivo imediato alcançado - CEBRAPAZ

 

Conflito na Ucrânia: A paz deve ser o objetivo imediato alcançado

“O atual conflito tem suas raízes na agressiva expansão dos EUA e da OTAN, após o fim da União Soviética, em direção às fronteiras da Federação Russa, ali instalando bases militares e armas nucleares, ignorando os repetidos e insistentes protestos da Rússia, hoje totalmente cercada por forças hostis”, diz, em nota, o Cebrapaz.

O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) defendeu, em nota, um cessar-fogo que construa o ambiente de diálogo na Ucrânia; uma solução política para o conflito que contemple as preocupações de segurança da Rússia e desmantele os grupos neonazistas; e o fim da política de provocações e guerra da Otan/EUA.

Conheça a íntegra da nota do Cebrepaz:

A humanidade acompanha com extrema preocupação o desenrolar dos acontecimentos na Europa Oriental, com a eclosão do conflito militar envolvendo a Rússia e a Ucrânia.

O Cebrapaz defende negociações que conduzam ao cessar-fogo e que permitam criar um ambiente de diálogo e a construção de uma saída política para esse conflito.

A paz deve ser o objetivo imediato e urgente a ser alcançado!

A defesa consequente da paz exige que as causas e os principais responsáveis pela guerra sejam identificados.

O atual conflito tem suas raízes na agressiva expansão dos EUA e da OTAN, após o fim da União Soviética, em direção às fronteiras da Federação Russa, ali instalando bases militares e armas nucleares, ignorando os repetidos e insistentes protestos da Rússia, hoje totalmente cercada por forças hostis.

Após as ondas de expansão militar, os EUA e a OTAN patrocinaram, em 2014, um golpe de estado, que destituiu o presidente eleito da Ucrânia – por resistir a uma integração à OTAN – levando grupos neonazistas ao poder.

A rebelião das populações do leste da Ucrânia contra esse golpe foi reprimida “a ferro e fogo” pelo governo de Kiev, com a conivência e o apoio dos EUA e da OTAN.

Os acordos de Minsk, de 2014, que buscaram pacificar o país, foram ignorados por Kiev – sob os olhos complacentes dos EUA e da União Europeia. Seguiram-se oito anos de ataques das Forças Armadas ucranianas às populações de Lugansk e Donetsk, causando a morte de milhares de cidadãos ucranianos, em especial de origem russa, na região de Donbass.

Por essas razões, não pode restar dúvidas de que os EUA e a OTAN são os principais responsáveis pelo atual conflito na Europa Oriental.

Denunciamos também a manipulação do vasto aparato midiático hegemônico que torna invisível a expansão guerreira da OTAN e dos EUA e o apoio prestado por eles aos grupos neonazistas ucranianos, procurando colocar sobre a Federação Russa toda a responsabilidade da atual crise.

Condenamos, além disso, as sanções econômicas contra a Federação Russa, que em nada contribuem para a paz e, ao contrário, tornam ainda mais tensa a situação.

Assim, o Cebrapaz defende:

  • Um cessar-fogo que construa o ambiente de diálogo.
  • Uma solução política para o conflito que contemple as preocupações de segurança da Rússia e desmantele os grupos neonazistas.
  • O fim da política de provocações e guerra da Otan/EUA.

Executiva Nacional Ampliada do Cebrapaz

28/02/2022

Fonte: Portal do Cebrapaz

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

UNIDOS POR UMA CASSI SOLIDÁRIA - HOJE, 18H30 NA APCEF DF

 



Amigos e amigas, hoje, quinta, 17, é o lançamento da campanha da Chapa Unidos por uma Cassi solidária com uma reunião às 18h30 na APCEF-DF. 



Unidos por uma Cassi solidária significa a união dos associados (as) ao movimento sindical pela retomada da Cassi pelo seu verdadeiro criador, o funcionalismo do BB. 

Eu vou, caxingando, mas vou, prestigiar toda a Chapa 6 com o DF representado muito bem, e também a CTB Bancários, com Cláudio Nascimento, Presidente do Conselho de Usuários da Cassi DF, apaixonado pelo BB e pelo que é certo, tendo vasta experiência em todo o BB, sendo um gestor que ajudou a implantar a Clinicassi Norte - que fecharam. Cláudio representa capacidade técnica e a defesa firme do funcionalismo do BB. 

Nossa base territorial tem milhares de Usuários (as) da Cassi, o DF representa muito. Teremos uma excelente representação local, de luta e técnica - Cláudio e Júnior - farão nossa voz ser ouvida pela Caixa de Assistência. 

A liderança e o compromisso de Amaral se completa numa chapa com 3 mulheres, quase paritária e estruturada nos sindicatos. Votar 6 e 77 Unidos por uma Cassi Solidária é lutar pela retomada da Cassi e do cuidado de nossa saúde e de nossos entes amados. Hoje, tanto a doença quanto os custos do adoecimento ficaram para nós, e o lucro para o Banco, lutemos por nossa saúde!

Será um encontro presencial e com  segurança sanitária (máscara PFF2/N95, vacinado(a), distanciamento). Participe! hoje do nosso movimento de lançamento da chapa Unidos por uma Cassi Solidária.

Paulo Vinicius da Silva

CTB Bancários DF

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

CTB Bancários apóia Chapa Unidos por uma Cassi Solidária - Com Cassi e CTB Bancários

 

A CTB Bancários se soma à chapa UNIDOS POR UMA CASSI SOLIDÁRIA, em que incluímos o camarada Cláudio Nascimento, Caixa Executivo do Banco do Brasil  da ativa aqui no Distrito Federal, como suplente do Conselho Deliberativo na Chapa liderada por Fernando Amaral.

Eleições nos dias 18 a 28 de Março.

Conselho Deliberativo, vote Chapa 6 

Conselho Fiscal, vote Chapa 77


CHAPA: Unidos por uma Cassi Solidária

COMPOSIÇÃO

MATRÍCULA

NOME

Diretoria de Risco Populacional, Saúde e Rede de Atendimento

3.215.520-8

Fernando Amaral Baptista Filho

Conselho Deliberativo - Titular 1

2.190.532-0

Cristiana Silva Rocha Garbinatto

Conselho Deliberativo - Suplente 1

2.067.991-2

Cláudio Alberto Fernandes do Nascimento

Conselho Deliberativo - Titular 2

0.290.349-0

Alberto Alves Júnior

Conselho Deliberativo - Suplente 2

3.787.219-2

Gilmar José dos Santos           

Para o Conselho Fiscal:

CHAPA: Unidos por uma Cassi Solidária

COMPOSIÇÃO

MATRÍCULA

NOME

Conselho Fiscal - Titular 1

3.207.049-7

Fernanda Lopes de Oliveira

Conselho Fiscal - Suplente 1

2.477.399-9

Diusa Alves de Almeida


Rafael Guimarães e Flauzino Antunes: Bancários em tempo de Covid - Programa Brava Gente

 Bancários nos tempos de COVID, foi o tema do programa "Brava Gente!" de hoje, 14/02/22. Trouxemos como convidado o diretor do Sindicato dos bancários do DF e da CTB-DF, Rafael Guimarães.

1962: Debate: a Reorganização do Partido Comunista do Brasil - 17/02/2022 - 19h com a Fundação Maurício Grabois

 Com Osvaldo Bertolino, João Quartim de Moraes, Raul Carrion e Mariana Venturini 

17/02 - quinta-feira, transmissão pela Fundação Maurício Grabois pelo Youtube e Facebook


Dr. Paulo Guimarães - Impacto das novas regras eleitorais - Roda de Conversa

 Impacto das novas regras eleitorais, com Paulo Guimarães, jurista, especialista em direito eleitoral. #OsvaldoBertolino​​​​​​​​​​​ #RodaDeConversa #PCdoB65​ Gostou? Deixe um like e compartilhe com seus amigos. Inscreva-se, ative o “sininho” e receba os conteúdos. Seja UM MEMBRO VOCÊ TAMBÉM! Veja como: https://www.youtube.com/channel/UCsba... Entre no nosso site: http://outroladodanoticia.com.br/​​​​... Siga o #OsvaldoBertolino​​​​​​​​​​​ nas redes sociais: ▶︎https://www.facebook.com/OsvaldBertol... ▶︎https://twitter.com/OsvaldBertolino ▶︎https://www.instagram.com/osvaldo_ber...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Maria Prestes, guerreira da luta pelo socialismo - Luciana Santos - PCdoB de Luto


Luciana exalta a militante comunista como uma das militantes que atravessou todas as lutas pelo socialismo desde sua juventude, acompanhando o líder comunista Luiz Carlos Prestes desde os anos 1950, até sua morte em 1990.

Maria Prestes e luta pela memória de Luiz Carlos Prestes

A presidenta nacional do Partido Comunista do Brasil e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, divulgou nota de pesar pelo falecimento de Maria Prestes, nesta sexta-feira, 4 de fevereiro, em decorrência de covid.

Luciana exalta a militante comunista como uma das militantes que atravessou todas as lutas pelo socialismo desde sua juventude, acompanhando o líder comunista Luiz Carlos Prestes desde os anos 1950, até sua morte em 1990.

Ela também destaca a amizade e carinho que o PCdoB mantinha por ela, que juntos produziram alguns gestos em honra da memória de Luiz Carlos Prestes e sua luta árdua que atravessou todo o século XX.Leia a íntegra da nota:

Maria Prestes, grande brasileira, guerreira da luta pelo socialismo

Com imenso pesar, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) registra o falecimento, aos 92 anos, nesta sexta-feira (4) de dona Maria Prestes, personalidade de destaque na luta do povo brasileiro.

Maria Prestes, ao longo de mais setenta anos de militância comunista, deixa um grande legado revolucionário. Expressamos, neste momento de dor, nossa solidariedade aos familiares – entre os quais, Ana Maria Prestes, da direção nacional do PCdoB, neta de dona Maria –, amigos e camaradas. Nossos sentimentos mais afetuosos e profundos.

Desde os 13 anos de idade, no final da primeira metade do século passado, engajada, ao lado do pai, João Rodrigues Sobral, dirigente do PCB, Maria Prestes percorre a história brasileira participando como militante comunista de grandes lutas nacionais.

Enfrentou as garras do Estado do Novo e do governo do general Eurico Gaspar Dutra, e depois a truculência da ditadura militar. Padeceu em prisões, enfrentou dificuldades extremas, inerentes à vida do povo, e, depois, o exílio. Mas, apesar dessas agruras, dona Maria tinha resistência, fibra, convicções, compromissos revolucionários com a classe trabalhadora, de quem era filha, e com o socialismo, cuja bandeira sempre manteve ao alto.Em 1952, quando tinha apenas 20 anos de idade, o Partido designou dona Maria para a segurança de Prestes em São Paulo. Depois de algum tempo, na clandestinidade, dona Maria e Prestes se casaram e tiveram sete filhos.

Após o golpe de 1964, Prestes, então líder máximo do Partido Comunista Brasileiro (PCB), se exilou com a família na União Soviética, onde viveram por dez anos. Ao voltar ao Brasil, deixou aquela agremiação partidária, se filiou ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), liderado por Leonel Brizola, do qual foi presidente de honra.

Após a morte de Prestes, em 7 de março de 1990, dona Maria seguiu firme na luta pelo socialismo e pelos direitos povo. E, também, junto com seus filhos, filhas, netos e netas, se dedicou a disseminar às novas gerações o legado revolucionário do “Velho”, seu companheiro e camarada Prestes.

Foi amiga estimada do PCdoB, participando de atividades como a restituição simbólica pelo Senado do mandato de Prestes, eleito em 1945 e cassado em 1948, em 22 de maio de 2013, por iniciativa do senador comunista Inácio Arruda. Em 2014, a Fundação Maurício Grabois produziu um documentário em vídeo e livro sobre sua passagem pelo trajeto da Coluna Prestes no Rio Grande do Sul, acompanhada dos filhos do casal Mariana e Luís Carlos. A Fundação Maurício Grabois, também, apoiou uma das edições de seu livro, Meu companheiro, 40 anos ao lado de Luiz Carlos Prestes. Participou, ainda, de atividades da Escola do Partido.

A luta pelo socialismo perde uma de suas guerreiras, mas seu exemplo e legado enchem de esperança os que seguem levantando sua bandeira e inspiram as novas gerações que seguirão seu caminho. O PCdoB, comovido e honrado por ter convivido e se enriquecido com suas contribuições, rende as mais sentidas homenagens à sua memória. Dona Maria viverá para sempre na memória e na luta dos que batalham por um mundo de paz e justiça.

Recife, 4 de fevereiro de 2022

Luciana Santos

 

Veja também:

 

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Conheça as Quatro chapas estão inscritas para as Eleições CASSI 2022 - Portal Cassi


quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Quarta, 26/01, 19h - Canal65 - Dr. Carlos Rogério Nunes lança o livro "Lutas do Proletariado - Centrais Sindicais e as Manifestações de junho de 2013".

SERVIÇO

  • Lançamento do livro “Centrais Sindicais e Movimentos Sociais nas Manifestações de Junho de 2013”
  • Autor: Carlos Rogério Nunes
  • Data: 3/2 (quinta-feira)
  • Hora: 17 horas
  • Local: Seeaconce (Rua São Paulo, 1.037, Fortaleza)




Nosso Canal entrevista nesta quarta (26.01) o sindicalista Carlos Rogério, que está lançando o livro "Lutas do Proletariado - Centrais Sindicais e as Manifestações de 2013".

Participação da ativista política e socióloga , Nagyla Drumond e do Presidente da CTB Ceará, Luciano Simplício.

Mediação do sindicalista e sociólogo Paulo Vinícius da Silva.


Boa noite! Se liga nos endereços para o Canal65 que começa em minutinhos!! Hoje com transmissao também pelo facebook nacional do PCdoB!
 You tube: 

https://youtu.be/JLmBG9Z3aTg

Facebook

facebook.com/pcdob65

⏩Carlos Rogério é dirigente nacional da CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras Brasileiros. Um estudioso e pesquisador do movimento sindical brasileiro e propõe uma análise aprofundada de temas relativas ao mundo do trabalho e da organização sindical do Brasil. 


👉Canal 65

Quarta, dia 26 de janeiro

19h

Via youtube e facebook PCdoB Ceará

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Hoje, 19h - Renildo Calheiros, Inacio Arruda e Joao Ananias, debatem a Federação Partidária e o PCdoB no Canal 65

 O Canal 65 desta quarta (19.01) está imperdível. Com a presença do líder do PCdoB na Câmara dos Deputados, Renildo Calheiros, acompanhado de Inacio Arruda e Joao Ananias, vamos debater a Federação Partidária e o projeto eleitoral do PCdoB.

Esse tema te pegou, né?
Canal 65 , sempre um bom debate!
Com mediação do presidente do PCdoB Ceará, Luis Carlos Paes.
Canal 65 - Quarta (19.01), às 19h via youtube e facebook PCdoB Ceara

Morre aos 75 anos Vital Nolasco, militante histórico do PCdoB - André Cintra - Portal Vermelho





Além de vereador de São Paulo por dois mandatos, Vital foi dirigente sindical e partidário


por André Cintra

Publicado 19/01/2022 03:54 | Editado 19/01/2022 11:05
O líder operário e militante comunista Vital Nolasco (1946-2022)

O líder operário e ex-vereador de São Paulo Vital Nolasco, militante histórico do PCdoB, morreu nesta quarta-feira (19/1), aos 75 anos. Ele estava internado na UTI do Hospital Samaritano, na capital paulista, para tratar uma fibrose pulmonar crônica, mas não resistiu às complicações da doença.

“Venho informar com muita tristeza, infelizmente, a morte do Vital no dia de hoje”, comunicou seu filho, Daniel Nolasco, pouco depois das 2 horas da madrugada. “Ele lutou bravamente pela vida durante esses 14 dias em que ficou internado. Foi acometido por uma fibrose pulmonar ou de origem idiopática ou oriunda de refluxo gástrico, de forma rápida. Nós, da família, agradecemos a todos os companheiros e companheiras pelos pensamentos positivos e manifestações de força, nesta hora difícil.”

A notícia da morte consternou amigos e companheiros de lutas. “O passamento de Vital Nolasco dói. É mais um dos comunistas que entram na galeria dos que sempre serão lembrados como exemplo de vida e luta”, afirma Walter Sorrentino, vice-presidente nacional do PCdoB, que conheceu Vital em 1982. “À sua companheira de toda uma vida, a combativa Ester, seus filhos Patrícia, Daniel e Iara, os genros, noras e netos, ficam os melhores sentimentos para compartilhar a dor da perda e a certeza de que Vital será um ponto luminoso do panteão de nosso partido. Ele nunca será esquecido”, agrega o dirigente.



Em nota, o presidente do PCdoB São Paulo, Wander Geraldo, também lamentou a perda. “Vital foi um desses comunistas que influenciaram gerações pela abnegação, pelo exemplo e pela fidelidade às lutas da classe trabalhadora. A memória de sua trajetória será sempre uma inspiração para aqueles que lutam pela emancipação dos trabalhadores, pelas causas democráticas e patrióticas e pelo socialismo”, registrou Wander, em nome da Comissão Executiva do PCdoB São Paulo.

Mineiro de Belo Horizonte (MG), descendente de escravos e indígenas, Eustáquio Vital Nolasco nasceu em 16 de dezembro de 1946. O pai, Orlando, trabalhava de padeiro e confeiteiro, enquanto a mãe, Diva, era lavadeira. Vital, o segundo dos 11 filhos do casal, precisou ajudar a família desde cedo, ainda mais depois que o pai foi trabalhar em Brasília e a renda da família diminuiu. Um trecho da autobiografia Vital Nolasco – Vale a Pena Lutar, de 2016, retrata as agruras desse período:


“Além de lavar roupa para fora, minha mãe pegava em um matadouro próximo o que se chamava de ‘barrigada’ – descartes dos porcos, como tripas, coração, fígado e pulmão – para fazer chouriço, que eu vendia em um campo de futebol de várzea no bairro, sobretudo nos finais de semana. Certa vez, a bola atingiu a bandeja, e os chouriços se espalharam pela terra.

Vendo a produção perdida, não contive as lágrimas. Penalizado com minha situação, o dono do time Santa Bárbara Futebol Clube – orgulho do bairro –, conhecido como Rato, juntou a rapaziada e fez uma vaquinha para cobrir o prejuízo (…).

Cresci como arrimo de família. Trabalhava também raspando pisos de tacos, preparando-os para serem envernizados. Outro serviço era pegar estercos no pasto, pôr para curtir, embalar em sacos e vender na vizinhança.”
Assembleia dos metalúrgicos de Belo Horizonte e Contagem, em 1968: Vital participa ativamente do movimento

Em busca de “uns trocados”, o pequeno Eustáquio tinha de conciliar trabalho e estudo. Ainda criança, andava dez quilômetros por dia, até uma vila distante, para comprar leite e revendê-lo aos vizinhos. Com 12 anos, trocou o leite por verduras e legumes, os quais ele trazia do Mercado Municipal de Belo Horizonte. A esta altura, comercializava os produtos de dia e estudava à noite.


Seu primeiro contato com o trabalho operário ocorreu em 1959, quando Vital tinha 13 anos e virou ajudante na serralheria de um tio. Como era comum entre os jovens trabalhadores da época, pulava de emprego em emprego. Aos 16 anos, por exemplo, fazia curso técnico em Contabilidade e era office-boy na Ciba do Brasil, uma indústria do ramo químico ligada à multinacional Ciba-Geigy (hoje Novartis). Nunca seguiu, porém, a carreira de contabilista.

Sendo integrante de família católica, descobriu a luta social pelas mãos da Igreja – na adolescência, Vital chegou a ser coroinha na Capela de São Jorge. Pouco antes do golpe de 1964, o padre José Miranda o apresentou à JOC (Juventude Operária Católica). Foi em meio a essa iniciação na militância – e a empregos em fábricas – que Vital tomou contato com o Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte e Contagem.

“Em 1967, eu trabalhava como representante em uma empresa de máquina de calcular e ganhava salário mínimo. Lá eu conheci uma pessoa que me apresentou na empresa Sottex (Sociedade Técnica Têxtil Ltda.), que reformava máquinas de costura”, contou Vital, em 2018, numa entrevista para o Centro de Memória Sindical. “Aí, sim, fui ser metalúrgico. Entrei em contato com o sindicato entre o fim de 1967 e início de 1968.”


Vital era funcionário da Belgo Mineira e dirigente sindical quando explodiu, em abril de 1968, a greve dos metalúrgicos de Contagem – a primeira e histórica paralisação em pleno regime militar (1964-1985). A categoria – que reivindicava 25% de reajuste salarial – conquistou uma antecipação de 10%. “Foi um sentimento de vitória, apesar de não termos conseguido os 25% de aumento, nem termos derrubado a ditadura, porque aquilo era um sonho. Só pelo fato de a greve ter se expandido e ter confrontado a ditadura foi um movimento e tanto”, avaliou Vital.


Em outubro, veio a segunda greve, mais organizada, com adesão maior. Porém, a repressão também cresceu. O sindicato e seus dirigentes passaram a ser alvos da ditadura. Não houve conquistas – ao contrário, centenas de metalúrgicos foram demitidos, e dezenas de lideranças, presas. O AI-5 (Ato Institucional Número Cinco) – um “golpe dentro do golpe” que endureceu ainda mais o regime autoritário – foi decretado em 13 de dezembro de 1968. A perseguição a políticos, sindicalistas, líderes comunitários e estudantes se intensificou.

“No final de 1968, ou início de 1969, participei de um congresso da JOC em Recife e fui eleito para sua comissão nacional”, declarou Vital em depoimento ao livro Repressão e Direito à Resistência – Os Comunistas na Luta contra a Ditadura (1964-1985). “Eu já era da comissão estadual em Minas. Eles me queriam liberado para atuar na organização, mas não quis porque estava trabalhando, era operário e já participava da luta sindical.”


Na mira do regime em Minas Gerais, Vital se transferiu para São Paulo, onde passou a viver na clandestinidade. Não só a JOC o ajudava – mas também a AP (Ação Popular), outra organização de origem católica, com forte presença no movimento estudantil universitário. “O pessoal da AP me botou em contato com o Aldo Arantes, que me arrumou uma cópia do certificado de reservista”, relatou Vital. “Consegui tirar a carteira profissional e fui trabalhar na metalúrgica Wapsa, depois na Walita, fiz o curso de eletricidade no Senai do Tatuapé e aprendi a profissão de eletricista. Fui, então, trabalhar de eletricista na Philco.”Em 1972, Aldo Arantes, da AP, ajudou Vital a se instalar em São Paulo. Passados 44 anos, em 2016, ele participou do lançamento do autobiografia de Vital

Esse período coincide com seus primeiros estudos do marxismo-leninismo e culmina com a entrada no PCdoB, já em 1972, em meio ao processo de incorporação da AP ao Partido, finalizado em 1973. É a época, ainda, da Guerrilha do Araguaia (1967-1974), que, sob a liderança do PCdoB, constitui a mais longa e épica das ações da luta armada contra a ditadura. O cerco aos comunistas avança em todo o País.

Em março de 1974, Vital foi preso quando estava na Delegacia do Ministério do Trabalho, em São Paulo, para fazer a homologação de sua demissão da Philco. Uma demissão para o qual ele próprio vinha pressionando a empresa, já ciente de que os órgãos da repressão estavam à sua procura. Levado ao temido DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações/Centro de Operações de Defesa Interna), ficou preso por 40 dias e foi barbaramente torturado. “Foram uns 20 dias de tortura. Torturas de todo tipo que se possa imaginar: pau-de-arara, cadeira do dragão, palmatória, choques elétricos, etc.” No Dops (Departamento de Ordem Política e Social), foram mais 20 dias de prisão política.

Mesmo solto e, posteriormente, absolvido pela Justiça Militar, Vital continuou sob a vigilância do regime e teve de se afastar temporariamente das atividades partidárias e sindicais. Envolveu-se com o Movimento contra o Custo de Vida, nascido nas periferias de São Paulo e depois rebatizado de Movimento contra a Carestia. Sua mulher, Esther, era uma das referências dessa campanha na zona sul paulistana. O contato com as lutas populares foi um contraponto à atuação mais cautelosa em outros movimentos. Em depoimento feito em 1989 a Carmen Lúcia Evangelho, Vital detalhou essa adaptação:



“Saí da prisão, fiquei respondendo processo, na Justiça Militar. Atuei no Sindicato dos Químicos, cheguei a falar nas assembleias, mas uma atuação muito tímida. Minha tentativa era legalizar a minha situação, porque estava em São Paulo na semiclandestinidade, quando cheguei de Belo Horizonte. Depois da minha prisão, levantaram toda a minha história. Fiquei na Squibb durante dois anos, até que terminasse o processo na Justiça Militar. Fui absolvido e voltei para a categoria metalúrgica. Nesse período, nunca deixei de acompanhar a movimentação dos metalúrgicos. Fui trabalhar na Rheen, na Chácara Santo Antônio, mas não participei muito, porque houve o massacre da Lapa (em 1976), que mataram companheiros nossos do partido. Ficou uma certa desarticulação na capital. Fiquei atuando, acompanhei as eleições de 1978. Depois fui trabalhar numa fábrica em Itapecerica da Serra, ligado ao Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, como não era conhecido na base, para ver se era capaz de participar. Fiquei até 1980.”
Panfleto de divulgação de um ato do Movimento contra a Carestia

No final de 1977, houve uma força-tarefa para reorganizar as bases do PCdoB em São Paulo. A Vital, coube a missão de organizar o chamado “comitê distrital” do Partido na região fabril de Santo Amaro – o líder operário seria seu primeiro presidente. A força dos comunistas na Zona Sul se confirmou em 1978, nas eleições estudais: o operário ferramenteiro Aurélio Peres, trabalhador da Caloi e militante do PCdoB, elegeu-se deputado federal com expressivas votações na Zona Leste e na região da Freguesia do Ó/Brasilândia, mas tendo a Zona Sul como principal reduto de votos.

Em 1979, a Lei da Anistia reduziu a perseguição política, liberou todos os presos por “crimes de opinião” e permitiu a volta dos exilados. No ano seguinte, o regime permitiu o pluripartidarismo, mas vetou a legalização dos partidos comunistas. Ainda assim, o PCdoB passou a viver uma espécie de semiclandestinidade. Em São Paulo, além de contar com um deputado federal, o Partido filiaria o vereador paulistano Benedito Cintra. Devido à arbitrária condição de ilegalidade dos comunistas, eles exerciam os mandatos, formalmente, pelo MDB (depois PMDB).

Vital liderou a criação e foi o primeiro presidente, em 1980, do Centro de Cultura Operária (CCO). Pouco depois, começou a trabalhar na Metal Leve. “Havia uma orientação do PCdoB para os militantes do movimento sindical entrarem em grandes empresas”, contou Vital na autobiografia. “Voltei a frequentar o sindicato, a falar em assembleias, ter ativismo sindical intenso.”

Primeira reunião do CCO, em 1980, sob a presidência de Vital

Em 1981, na eleição ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Vital participou da campanha da Chapa 3, de oposição, encabeçada por Aurélio Peres. A entidade representava a maior base de trabalhadores da América Latina, com mais de 300 mil operários só na capital paulista. Só que, enquanto o sindicalismo se renovava Brasil afora e refletia o declínio da ditadura, os metalúrgicos de São Paulo estavam desde 1965 sob o comando de Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão.

Os críticos o acusavam de “peleguismo”: Joaquinzão evitava as portas de fábricas, o trabalho junto à categoria – mas mantinha relações estreitas com empresários e governos. Naquela eleição, ele lideraria a Chapa 1, de situação. A oposição, no auge, dividiu-se em duas chapas – a 2, vinculada ao PT, e a 3, organizada pelo PCdoB. A fragmentação favoreceu o grupo de Joaquinzão, que se reelegeu.


Na eleição seguinte, três anos depois, um acordo garantiu a participação de lideranças comunistas na diretoria do sindicato. “Eu achava que o Joaquinzão estava desgastado e havia a chance de renovação do sindicato por dentro”, afirmou Vital. Além disso, o sindicato aderiu à campanha das “Diretas Já”, pelo fim da ditadura militar e a redemocratização. A eleição foi apertada, mas deu Chapa 1 – e Vital foi dirigente da entidade de julho de 1984 a junho de 1987. Seu cargo: 2º secretário.
Vital Nolasco e Aurélio Peres, ao centro, durante uma das eleições à direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo

“Joaquinzão era pelego, mas, na época em que fui da diretoria do sindicato, não éramos impedidos de fazer trabalho nas fábricas e organizar os trabalhadores. Hoje, acredito que criamos uma imagem exagerada dele”, ponderou Vital anos depois. Com mais trabalho de base, o número de metalúrgicos sindicalizados passou de 44 mil para 110 mil. Só na Metal Leve, sob a liderança de Vital, a quantidade de sócios do sindicato dobrou – de 750 para 1.500.

Um dos marcos dessa gestão foi a greve geral de 1985, que, diante da hiperinflação, exigia reajustes trimestrais. “Com apenas dois dias de paralisação, a greve unificada obteve uma significativa vitória. Paramos quase 500 mil assalariados metalúrgicos, químicos, marceneiros, comerciários e outros”, lembrou Vital em sua autobiografia. “Conseguimos bons acordos. No final, na noite de 6 de abril de 1985, os operários fizeram a festa.” No mesmo ano, Vital foi um dos fundadores e o primeiro presidente do CES (Centro de Estudos Sindicais).


As correntes que compunham o Sindicato dos Metalúrgicos voltaram a se dividir em três chapas nas eleições de 1987. A Chapa 1 era liderada por Luiz Antônio de Medeiros, sucessor de Joaquinzão na presidência da entidade e expoente do “sindicalismo de resultados”. A chapa 2, apoiada pelo PCdoB, tinha à frente Lúcio Bellentani, nome conhecido na categoria por ter sido preso e torturado em plena fábrica da Volks de São Bernardo do Campo, em 1972. A Chapa 3, cutista, desta vez corria por fora. A divisão, uma vez mais, beneficiou a situação, que manteve a direção do sindicato, apesar de a Chapa 2 ter tido 25 mil votos no segundo turno.
Lideranças da Chapa 2, que concorria à direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo em 1987, posam para foto de campanha

Mas a inconteste projeção de Vital levou o PCdoB a indicá-lo como candidato a vereador na eleição municipal de 1988. Era o primeiro pleito à Câmara Municipal de São Paulo desde que o Partido Comunista do Brasil havia reconquistado, em 1985, a legalidade. Vital, mesmo fora da direção do Sindicato, continuava influente nas bases – ele fora eleito vice-presidente da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) da Metal Leve, no primeiro semestre de 1988, com 1.707 votos.

Já na disputa municipal, a última a prever um só turno, a ser disputado em 15 de novembro daquele ano, o PCdoB se coligou com PT e PCB, apoiando a candidatura da deputada estadual petista Luiza Erundina à Prefeitura de São Paulo. Vital não vislumbrava a própria vitória, já que a prioridade da direção do PCdoB, na eleição à Câmara Municipal, era garantir uma vaga para o jovem Aldo Rebelo, ex-presidente da UNE (1980-1981), além de fundador e primeiro coordenador da UJS (1984-1985).


Porém, com o fenômeno Erundina, eleita prefeita surpreendentemente, a coligação conquistou 18 das 53 cadeiras de vereadores em São Paulo. Com o lema “Vital, um metalúrgico de luta”, o líder operário do PCdoB terminou a votação na segunda suplência. Como dois parlamentares eleitos – Tereza Lajolo e Juarez Soares ­­– viraram secretários municipais, ele assumiu como vereador desde o início da legislatura. Em 1992, foi reeleito, mas o mandato passaria a integrar a oposição, devido à vitória do “filhote da ditadura” Paulo Maluf à prefeitura. A seu lado, passando a compor a bancada do PCdoB, estava a assistente social e líder comunitária Anna Martins, uma amiga e camarada de mais de 20 anos.

Conforme lembra Wander Geraldo, é “graças, sobretudo, ao voto de operários e de outras categorias” que Vital exerce o cargo de vereador por dois mandatos (1989-1996). “Foi de sua autoria a lei que criou o ‘passe livre’ para trabalhadores desempregados. O mandato também realizou uma memorável homenagem ao líder sul-africano Nelson Mandela, que veio especialmente a São Paulo e participou da sessão solene”, registra Wander. Na ocasião, por iniciativa de Vital, Mandela recebeu o título de “cidadão paulistano”.
Vital entrega a Nelson Mandela, em 1991, o título de “cidadão paulistano”

O vereador do PCdoB também esteve em momentos importantes do Legislativo paulistano, como a construção da Lei Orgânica Municipal, em 1990, no rastro da aprovação da “Constituição Cidadã” de 1988. Presidiu a CEI da Merenda, uma Comissão Especial de Inquérito que investigou desvios de recursos públicos destinados à merenda escolar. Compôs a CPI das Ossadas de Perus, que denunciou a existência de 1.049 restos mortais de desaparecidos políticos da ditadura no Cemitério Municipal Dom Bosco.


A despeito da atuação parlamentar combativa, Vital não conseguiu o terceiro mandato em 1996, embora tivesse sua maior votação em três eleições à Câmara: 13.553 votos. Assumiu o cargo posteriormente, em algumas ocasiões, com a licença de vereadores eleitos. De todo modo, aos 50 anos, passou a assumir tarefas partidárias de maior relevo. Já era membro do Comitê Central (CC) do Partido desde 1992. Em 1997, assumiu a presidência do PCdoB São Paulo, na qual permaneceu por apenas três meses, porque seria indicado a uma tarefa nacional: comandar a Secretaria de Movimentos Populares e Sociais do CC. Ele ainda concorreu a deputado federal em 1998 – sua última eleição a cargos parlamentares.

Em 2001, Vital participou da comissão de busca dos desaparecidos do Araguaia. O 10º Congresso do PCdoB, no mesmo ano, foi marcado pela transição na presidência – de João Amazonas para Renato Rabelo. A nova direção comunista, liderada por Renato, confiou a Vital o cargo de secretário nacional de Finanças em 2003. Foram dez anos à frente da tesouraria partidária – e uma conquista em especial: a aquisição, em 2008, de uma sede própria para o PCdoB, na região da República, em São Paulo.

Um ano após Vital deixar o secretariado nacional, o Partido lhe fez um merecido tributo, em cerimônia realizada justamente na sede que ele ajudara a viabilizar. A data era 3 de maio de 2014. “Recebi a homenagem mais emocionante da minha, prestada pelo PCdoB, por meus 50 anos de militância política ininterruptos”, disse Vital em sua autobiografia. “Recebi de presente um quadro com a foto da sede nacional do Partido.”

Vital recebe quadro com imagem da sede própria do PCdoB,. adquirida sob sua gestão na Secretaria de Finanças do Partido

De 2015 a 2021, o líder operário respondeu pela Secretaria de Movimento Sindical do PCdoB São Paulo. Desde 2008, era, ainda, membro do Conselho Curador da Fundação Maurício Grabois. De acordo com Vital, o AVC (Acidente Vascular Cerebral) que ele viria a sofrer na década passada lhe impôs uma certa “perda de energia”. Mas a vontade era de não interromper a militância. Suas memórias foram publicadas em 2016, no livro Vital Nolasco – Vale a Pena Lutar, que teve como subtítulo Minha Vida na Ação Popular (AP) e no Partido Comunista do Brasil (PCdoB). O texto, narrado em 1ª pessoa, foi organizado pelo jornalista Osvaldo Bertolino e publicado em parceria pela Fundação Maurício Grabois e pela Editoria Anita Garibaldi.

Sobre a reta final da vida, Vital pontuou: “Enquanto eu tiver condições, quero continuar contribuindo com o Partido e ajudá-lo para que a gente possa ter um país livre das injustiças, da opressão, da exploração, um país democrático e progressista, um país socialista”. Mas a crise imposta pela pandemia de Covid-19 obrigou Vital a desacelerar. Em 2021, mais recluso, cumpriu o último de seus 29 anos como membro da direção nacional do Partido. No PCdoB São Paulo, deixou a Secretaria de Movimentos Sociais, permanecendo na Comissão Política.

As palavras finais de sua autobiografia servem como testamento político de uma trajetória militante singular. “Tudo que sou devo, além da minha formação familiar e da experiência de vida, ao PCdoB, que me ensinou o valor do humanismo e da solidariedade. Não tenho nenhum arrependimento”, comentou Vital. “Se pudesse voltar atrás, faria tudo de novo; claro que corrigindo alguns detalhes. Diria que valeu e vale a pena lutar.”

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

A guerra híbrida, o Brasil da anomia e a perspectiva socialista. Paulo Vinícius da Silva

João Grilo: Como foi isso?!
Chico: Sei não. Só sei que foi assim. 

(Filme Auto da Compadecida, baseado na obra de ariano Suassuna).


O fundador da Sociologia, Émile Durkheim, cunhou o conceito de fato social, realidade que se impõe com a força da sociedade, mesmo que desejemos que não exista. Fato social parece-me essa derrota diária diante da pandemia associada a um sentimento de "normalidade", um "tem de ser assim" que se soma à degradação generalizada da vida e do ser brasileiro. Parece-me que iniciou em junho de 2013, passou pela Copa do Mundo e pelo 7X1 que se cravou na alma brasileira, tão odioso quanto a vergonha dos xingamentos à Presidenta Dilma, diante de todo o mundo, e nunca mais parou. O fato social de que o Brasil fracassou, não só no enfrentamento da COVID, é o nosso café com pão, desde então. Essa perda, esse luto, essa vergonha cravada no peito como a divisão do nosso país. Apesar de tudo, há pouca consciência da tragédia, o normal virou "isso". E o genocida segue a destruir o país, "normalmente".

Normal como o negacionismo, no poder, buscar se revestir da chancela da liberdade individual e aplicar a partir do Estado e da Economia a imposição da contaminação universal. Margareth Thatcher cunhou a frase "Não existe essa coisa de sociedade, o que há e sempre haverá são indivíduos"(1), mas a sociedade existe, sim. Ignorar suas regras é cobrado caro. Confrontadas com grandes desafios, as sociedades podem superá-los ou definhar. Ao contrário do que muitos pensam, elas mudam, e inclusive morrem. Suas características, virtudes e deformações, acabam por definir como reagirão às crises.

Outro conceito, anomia, trata do sentido patológico observado nas sociedades a partir do capitalismo, quando a divisão social do trabalho, além de uma crescente diferenciação social, assume sentido mórbido e destrutivo. O aumento da produtividade, as mudanças incessantes no campo e na cidade, a natureza, os conflitos e as classes que surgem, tudo isso exigiu o desenvolvimento das Ciências Sociais, sob o capitalismo, para explicar como o comércio mundial, a civilização, a industrialização e o "progresso", em vez de melhorarem a vida, geram efeitos nefastos, inclusive no centro do sistema capitalista.

Durkheim elucida contextos anômicos, mórbidos, patológicos que afetam a sociedade a partir de suas características próprias, cujo funcionamento gera ainda mais problemas, em vez de os sanar, num ciclo destrutivo. Assim, em vez de um contexto de "normalidade", explicita-se a anomia da situação brasileira, vítima de múltiplas crises, a palpável decadência, a impotência diária diante do 7x1 na pandemia, na economia, na auto-estima do povo. A divisão social do trabalho, aqui, em vez de ampliar a solidariedade, assume características anômicas, raiz da própria decomposição social.(2)

A internet e a mídia hegemônicas predominam como consciência social, e são subordinadas e mantidas pelo capital financeiro e o rentismo parasitário. Por isso, não podem vencer a batalha das mentiras e da confusão. O papel central, depois de ter animado o caminho que nos trouxe aqui, é sobretudo a defesa do neoliberalismo. Não está só. As estruturas que poderiam assegurar o ambiente econômico para a segurança sanitária - como os instrumentos financeiros do Estado, o SUS, a ampla base científica brasileira - são apropriados ou sabotados por uma minoria que empurra a massa para o vírus. A "liberdade individual" de quem tem poder nega a defesa coletiva da vida. A economia retira as condições de preservar o isolamento, sequer é capaz de produzir os insumos para a saúde, preferindo concentrar a riqueza, tendo já desprotegido os trabalhadores às vésperas do desastre, com a Deforma Trabalhista precarizadora.

Nossa estrutura de classes tirou da maioria a condição de se defender. Concretamente, pouco vale a vida dos submetidos à condição de cidadãos de segunda classe no Brasil. A ganância ilimitada, a insensibilidade e o negacionismo nas nossas elites as descolam de qualquer liderança progressista. E, tratando-se de um desafio da sociedade, cada uma dessas ações egoístas, longe de mão invisível e virtuosa, acaba por condenar a todos e todas, pois não há escapatória individual à destruição da Nação Brasileira.

Outro fundador da Sociologia, de outras Ciências e do Socialismo Científico, Karl Marx, teve sensibilidade para observar como a miséria é fruto da abundância. Para ele, "Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo". Posicionou desse modo trabalhadores e sua intelectualidade, abrindo caminhos à consciência e à ação política da maioria, permitindo-nos assumir lugar ativo na mudança perpétua da sociedade e das classes, a partir da consciência e da ação. Não estamos aqui para padecer sem saber porquê, mas para tornar a vida melhor, à luz da Ciência, da Política e da luta. Assim como todas as realizações da Ciência e Tecnologia, primeiro são apropriadas pela acumulação capitalista em proveito de poucos, é um imperativo moral e de sobrevivência lutar e fazer Ciência em favor da Humanidade.

A manutenção do capitalismo tem custado demais à humanidade e à natureza de que somos parte, embora ignoremos esse dado tão básico quanto o fato de ser a sociedade a segunda natureza que nos permite viver (ou morrer) neste Planeta. A mundialização do capitalismo, aberta com a chegada das caravelas ao Novo Mundo, foi inexorável e devastadora. A vantagem tecnológica do europeu, em grande medida apropriada de outros povos, a violência e doenças que trouxeram, foram decisivas na destruição de civilizações que não tinham como enfrentar essa invasão alienígena, e foram taxadas como inferiores e varridas da face da terra. Mesmo com mais pessoas, no domínio do território, com governos, não reuniram forças para enfrentar o desafio de vida ou morte.

A integração ao mercado mundial veio da Conquista, tornando impossível a civilizações e grupos isolados escaparem do rolo compressor social e mundial, com centro europeu e colônias submetidas, cujas decisões favorecem poderes externos e interesses estranhos - em especial o lucro. Os desafios civilizacionais se dão sob essa lógica, e a decisão de persistir ou perecer tem a escala da Nação, a sociedade nacional, no mínimo. Daí, unir o próprio povo é questão de vida ou morte. Contudo, reconhecendo que a divisão de classes é a regra e há responsabilidades objetivas no nosso padecer, não se trata apenas de unir, mas de separar, de derrotar os responsáveis pela tragédia que se tomou o país.

A tragédia é plano, método, e tem patrões lá fora. Bem observa o sul-coreano Ha Joon Chang, "os países desenvolvidos não estão tra­ tando de “chutar a escada" quando insistem para que os países em desenvolvimento adotem políticas e instituições diferentes das que eles adotaram para se desenvolver?" (3) . Precisamente, enquanto a pandemia mundo afora é enfrentada com a negação do neoliberalismo e o protagonismo do Estado e da Ciência, aqui persiste o ultraliberalismo fanático e sabujo, sob interesses inconfessáveis como o das autoridades econômicas e suas contas em dólar lá fora. Assim, aplicam-se aqui lições políticas e econômicas que jamais foram aplicadas lá fora, nas sedes metropolitanas. Somente contextos muito específicos fizeram com que esse estreito grupo de nações desenvolvidas se ampliasse, e sempre ao se rebelarem contra receitas como o Consenso de Washington.

A divisão do trabalho social se impôs com o sistema capitalista à luz de discurso, interesses, irresistíveis motores econômicos, bélicos, políticos e culturais, a despeito de nociva às sociedades, exceto quando foram capazes de afirmar projetos nacionais que reúnam forças necessárias para resistir e encontrar um caminho próprio. Isso define, por exemplo, o lugar do Brasil no mundo, de produtor matérias primas, destruir a natureza, tratar gente como carvão a ser queimado em prol de uma minoria, aqui e lá fora, consumir produtos industrializados produzidos fora, enquanto nossos engenheiros brilham como motoristas de aplicativos. Esse é o mesmo lugar da anomia, do racismo estrutural, da opressão da mulher, da homofobia e do genocídio, que se consubstanciam no lugar da classe trabalhadora na prirâmide de classes brasileira. São questões civilizacionais estreitamente ligadas ao nosso desenvolvimento nacional.

Diz-nos Tom Zé: "produzir matéria prima - essa tisana - isto é o grau mais baixo da capacidade humana".(4) O país fica indefeso face aos desafios. À medida que as revoluções tecnológicas se sucedem, a apropriação de seus frutos pela burguesia agrava as contradições decorrentes da diferenciação social. A colonização secular não é apenas econômica, mas espiritual, moral e cultural, e nos fez presa fácil da Guerra Híbrida que pariu o regime de ocupação sob o qual vivemos, sob Bolsonaro e sua escumalha, entronizada para reverter os saltos civilizacionais que nossa pátria verificou, quais sejam, a tardia Abolição da Escravatura, em 1888, e a industrialização dos governos Vargas entre 1930 e 1954, que abriram caminhos à superação dos nossos mais graves problemas, a incapacidade de afirmação da Nação Brasileira com todos o seu povo e a autonomia econômica e tecnológica sem a qual nada poderemos.

Urge omper com a submissão de nossa sociedade a interesses externos, deformada porque construída sob o colonialismo, a escravidão e o genocídio indígena, o racismo, o capitalismo e a opressão da mulher. Tais são as bases para nossas elites parasitárias, incapazes de cumprir a promessa da Nação, que é a cidadania, que todos possam ser tratados como seres humanos, em vez do sistema de castas, em proveito das minorias que lideram um capitalismo de alma escravocrata. Deixar de enfrentar a questão Nacional (entendendo a Nação como povo) permite que a anomia vire regra, esse contexto de tristezas, vergonhas e injustiças que ferem o Brasil e inviabilizam o futuro. Estamos sendo mortos no maior genocídio desde a chegada das contaminadas caravelas europeias. As civilizações indígenas foram naquela ocasião dizimadas por doenças trazidas pelos europeus a esse mesmo lugar que hoje chamamos Brasil.

Se naquela época, elas não dispunham de modos de se defender, hoje os temos, mas vemos posto em último plano a necessidade histórica de auto-proteção coletiva e solidária de brasileiros e brasileiras face à Covid. É um genocídio porque a doença é controlável, já há vacina e sabemos os cuidados com que é possível se proteger. Contudo, a lógica ultraliberal, o regime de rapina e saque, a incompetência e o cálculo político mais desapiedado são patronos da mortandade absurda, que só é aceita na lógica capitalista.

O domínio colonial destroçou a sociedade indiana, as civilizações originárias americanas, as nações d'África, e sequer o Império Chinês foi capaz de escapar desses desígnios. Após milhares de anos no centro do mundo, foi enfim submetido, quando iniciou o dito Século de Humilhação (1839-1949), sendo barbaramente saqueado, ocupado, ofendido e dividido, com a retirada de Macau, Hong Kong e Taiwan. Só a Revolução Chinesa liderada pelo Partido Comunista da China de Mao Zedong, pôde interromper esse declínio sem precedentes. Também a soberania de Cuba, da Coréia Popular, do Vietnã e da Venezuela só pôde ser assegurada pelo socialismo, cujo fim levou à divisão da URSS.

Tais processos nacionais estavam iluminados pelas previsões marxistas de que o capitalismo apenas concentra riqueza. Marx previu a separação inconciliável da burguesia versus proletariado, desvendando a irracionalidade de um sistema que põe o lucro acima de tudo e, por definição, não pode atender aos interesses da Humanidade, mas apenas da ínfima minoria, hoje, menos de 1% da população, donos da maioria das riquezas da Terra. Levaram em conta que Lenin provou a tendência à financeirização, à oligopolização e ao imperialismo. O capitalismo não é o sistema da livre concorrência, mas dos oligopólios; não é o sistema da propriedade individual, mas a desapropriação universal das formas de propriedades da maioria, que passa à condição de assalariada e endividada. Não é o sistema das melhores decisões, baseadas no interesse egoísta e na mão invisível do mercado, mas a ditadura de uma minoria cada vez menor contra a maioria absoluta, proletária, da humanidade. Assim, posicionaram-se essas sociedades para enfrentar tantas forças dissolventes, em busca de seu próprio caminho

Da ilusão neoliberal da individualidade só resta a depressão do isolamento, do abandono e da falta de solidariedade social, reduzindo o 'indivíduo' a menos que coisas, pelo interesse de acumulação do capital. O avanço da humanidade, visto no big data, nos algoritmos e na internet, serve aqui à espionagem, ao ódio, promovem o agravamento dos problemas, e não a sua solução.

Desse modo, a individualização passa a ser um conto, e cai a máscara democrática do liberalismo e do neoliberalismo: não são todos iguais. Humanidade é censitariedade, humano é quem possua capital. Quando falam de mercado, sociedade civil, democracia, falam da burguesia, a cúpula da financeirização, do rentismo parasitário, essência do capitalismo. A hiperfinanceirização e o rentismo, os oligopólios, a riqueza gerada, os avanços tecnológicos, tudo é para o lucro, e não para a salvação da humanidade.

O credo neoliberal de Thatcher, Pinochet e Reagan é incapaz de nos guiar para a saída desse inferno social, a anomia generalizada em que o Brasil se meteu desde o Golpe que depôs a Presidenta Dilma, em 2016. O capitalismo está - como sempre - envolvido em dar lucro à minoria, e não em resolver os problemas. A natureza do sistema é a crise, por mais que aniquile as pessoas, os países, as civilizações. Nesse sentido, é extremamente realista a visão do filme Não olhe para cima, a loucura capitalista de lucrar com o extermínio iminente, assim como a escapatória de Adões e Evas inférteis e inúteis para o futuro, como são, para o presente, as classes dominantes.

Observamos como, apesar da pandemia, impõe-se a necessidade do trabalho para o lucro, acima da vida, sob a lógica do capitalismo colonial associado à escravidão, em que a vida do escravo era um detalhe diante da ganância da casa grande. O negacionismo que empurra trabalhadores à contaminação reafirma as estruturas mais arcaicas e odiosas de nossa formação social. A Deforma Trabalhista de Temer e Rodrigo Maia precarizou milhões de trabalhadores, fez do Brasil o paraíso dos aplicativos e dos especuladores e o negacionismo veio completar essa "obra". O empobrecimento, a perda de laços de solidariedade social, o abandono da classe trabalhadora são as condições da lógica Bolsonarista do "E daí?!", e do genocídio. A anomia social faz normal considerar descartável a vida dos trabalhadores diante da Covid. Mas o que começou pela Deforma Trabalhista, hoje se espraia para setores mais "protegidos" da classe trabalhadora, como bancários, servidores públicos e de estatais.

Essa lógica funesta separa o mundo capitalista das sociedades que se mantiveram socialistas e fizeram trincheira da defesa do valor da vida humana e da saúde face ao lucro. Nem em toda parte se vive a degeneração que acomete o Brasil. Vale observar a mortalidade pela COVID em 2021 e 2021 pelo mundo, com alguns dados que selecionei:













Gráfico e tabela elaboração própria com dados de 2020 e 2021 com dados da Fontes: Wikipédia,Universidade Johns Hopkins, Our World In Data no Google https://news.google.com/covid19/map?hl=pt-BR&mid=%2Fm%2F015fr&gl=BR&ceid=BR%3Apt-419

Se os países capitalistas não salvaram as vidas de seus cidadãos, isso só se pode explicar por terem lucros com a própria crise. O neoliberalismo que fracassou para a maioria e que deixará tanta morte e destruição, foi o mesmo que enriqueceu poucos que mandam. Os mesmos que controlam as manivelas cibernéticas da guerra híbrida, dos padrões de consumo que ocupam corações e mentes, tornando-os impotentes a resistir à destruição do Brasil. Lutamos ainda com as mesmas armas do passado, não percebemos que o jogo mudou completamente? É preciso maior profundidade tática e estratégica para salvar o Brasil. Se é uma sorte imensa termos conosco o Presidente Lula, não podemos nos iludir com um exército de um homem só. É preciso um salto na organização e na luta do povo, para superar o pior momento de nossa história desde o malfadado Descobrimento. É como sociedade que precisamos resistir, como Nação. Do contrário, pelas milícias (como fizeram na Colômbia) e pela autodestruição de aves de rapina e sabotadores (como no Haiti), eles perpetuarão a crise e a anomia, inviabilizando o país.

Não olhe para cima, olhe para o Brasil. Olhe quem perdemos que poderiam ter sido salvos, se vacinados a tempo. Olhe para as crianças que tiveram a vacina atrasada por uma atitude criminosa do governo negacionista. Olhe para as mentiras, para o big data e a escravização mental promovida pelas bolhas das novas tecnologias e a defesa de um padrão de consumo inviável e que submete nossa cultura, nossa alma e, claro, nossa vida. Olhe para a incompetência, o arrivismo, a má fé, a ignorância, a mofa com que eles falam enquanto o Brasil virou um mar de tristezas, de más notícias, de vergonhas, de maus exemplos. Sabotadores da saúde pública e da economia, sabotadores das funções nobres que assumiram e das empresas públicas, sabotadores das estatísticas e armados até os dentes... Por que estranhamos estar dando tudo errado?! É essa combinação que matou, mata e matará, explicitando a consigna Socialismo ou Morte, que vivemos hoje.

Dito de outro modo, há quem ganhe mais com a morte do que com a vida, com a doença em vez da saúde, com a guerra em vez da paz, e eles mandam no capitalismo. Daí a catástrofe estadunidense e sua própria anomia, já que que os motores dessa economia são os complexos da Guerra e da repressão, da guerra às drogas (piada trágica da parte deles), da saúde como mercadoria, das mentiras da mídia e do rentismo parasitário do capital financeiro. Aqui, a riqueza vem de derrubar florestas e matar a biodiversidade, enquanto carne, soja e ferro gusa. Essa base econômica incompatível com o desenvolvimento decompõe os dois grandes saltos civilizacionais da Nação Brasileira, que se desindustrializa, escraviza seu povo outra vez e é incapaz de defender face ao primeiro dos flagelos de um mundo em convulsão, ameaçado pela barbárie capitalista. Enquanto isso, no Socialismo, todos os recursos que aqui semeiam o caos, acabaram salvando vidas.

A unidade popular e a amplitude para desarmar as granadas são tão importantes como a fidelidade ao Brasil e o amor ao povo. É preciso saber unir e separar. E se Lula se posta firme contra a Deforma Trabalhista, ele o faz porque é impossível salvar o Brasil dividindo-o entre senhores e escravos, como foi feito, rasgar a Lei Áurea e a CLT para enfrentarmos o futuro com a COVID.

Sobreviverão a esses flagelos as sociedades capazes de harmonizar os interesses da maioria, sem se submeterem ao capital financeiro, quem pariu o fascismo ontem e hoje. Sem ilusões, é preciso libertar a Nação Brasileira, um projeto de desenvolvimento que sirva aos daqui, não aos de fora. Se a China pôde superar o século de humilhações, também nós podemos unir nossa pátria e construir a simples utopia de viver bem, como seres humanos tentando viver nesse Planeta, sem senhores e escravos, nem mandados de fora, sem traidores à frente. Essa é a vereda para superar nossas mazelas sociais, retomar a capacidade de pactuação e realização de nosso povo. Não está normal. Não tem de ser assim. É possível abrir caminhos à sociedade que assegure a vida, a liberdade e a segurança. O capitalismo é o reino da anomia. Por isso, a busca de harmonia e de futuro é a luta por sua superação, a partir da Nação e da perspectiva socialista.



(1) https://pt.wikiquote.org/wiki/Margaret_Thatcher

(2) DURKHEIM, Émile. Da Divisão do Trabalho Social.p.367. Martins Fontes. São Paulo. 1999.

(3) CHANG, Ha Joon. Chutando a Escada, p. 229. Editora UNESP. São Paulo. 2004.

(4) Tom Zé. Vaia de bêbado não vale.



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