SIGA O COLETIVIZANDO!

domingo, 5 de julho de 2009

Em Busca do Tempo Perdido

Eduardo Navarro*


“Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça,

dando milho aos pombos.

Entra ano, sai ano, cada vez fica mais difícil

o pão, o arroz, o feijão, o aluguel...”

(Zé Geraldo)


Este é o sentimento que tenho enquanto se aproxima a campanha salarial 2009. Um sentimento de completo alheiamento da realidade que nos ronda. O mundo está se desintegrando lá fora e nós, aqui dentro, só pensando em questões menores.


Pois bem, vamos aos fatos. Estamos vivendo uma quadratura histórica com uma profunda crise do capitalismo que questiona, inclusive, sua forma e seu modo de gestão(1) ao transformar a economia mundial em uma grande “Ciranda Financeira” (quando o capital especulativo domina o cenário se sobrepondo ao capital produtivo) – crise esta patrocinada e tutelada pelos grandes bancos privados nacionais e internacionais – e nós, nos limitando a discutir reposição salarial e PLR maior.


Penso que deveríamos aproveitar o momento de ebulição e efervescência da campanha salarial para debater com a sociedade sobre qual o papel que os bancos devem ter na economia nacional. Indutor do desenvolvimento nacional ou mero especulador? A resposta a este questionamento determina o grau de comprometimento com as mudanças que nosso país necessita, e a seriedade do debate e dos debatedores.


Repor inflação é justo e válido, colocar R$ 1.000,00 a mais no bolso também é salutar. Porém, não podemos rebaixar a capacidade de organização e mobilização de uma categoria de rabalhadores e trabalhadoras – que já demonstrou sua disposição de luta - apenas pela barganha de um percentual de reajuste ínfimo, que após um período de greve soa até como derrota.


Devemos ousar mais, colocar como questão fundamental a reconstituição de nosso contrato coletivo de trabalho que envolve o respeito pela jornada de trabalho de 6 horas; a constituição de um plano de cargos e salários (PCS) que permita vislumbrar a progressão da carreira, e uma remuneração condigna para as atividades desenvolvidas. Com esta tríade – jornada justa, progressão na carreira e remuneração digna – daremos passos largos rumo à reconstrução da identidade bancária.


Outra agenda dos trabalhadores e trabalhadoras que não pode ser relegada a uma decisão burocrática – tipo mesa permanente – é a relacionada à saúde. Saúde está relacionada com as condições de trabalho no que tange à prevenção de doenças ocupacionais, bem como das formas e tratamentos para sua remediação. Outra faceta do problema relacionado à saúde, esta mental, que precisa ser erradicada do local de trabalho pelo movimento sindical é o Assédio Moral(3).


O assédio moral é um instrumento de gestão para obtenção ou superação de metas e resultados que leva ao adoecimento físico e mental daqueles que estão na base da pirâmide funcional. É a retirada da mais valia relativa e absoluta. É o esmagamento do trabalhador pela extensão da atividade, pelo controles da tecnologia aliada à pressão pela produção. Como no filme “o homem que virou suco”, o trabalhador é jogado na cesta de lixo após retirar todo seu suco produtivo.


Nem tudo está perdido, ainda temos tempo de dar uma virada nesta campanha salarial e, como no romance de Marcel Proust, ir “Em Busca Do Tempo Perdido”.


* Eduardo Navarro é bancário do Bradesco, vice presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, coordenador do Ramo Financeiro e diretor Financeiro Adjunto da CTB.


(1)Esta forma de gestão – conhecida como Neoliberalismo – teve como função retirar a presença do Estado da economia para ampliar a margem de lucro do capital. Porém o que se viu foi uma sanha privatista que liquidou com o patrimônio nacional e abalou os alicerces da economia brasileira e internacional.


(2) Com indutor cabe discutir política creditícia para indústria, agricultura, habitação e consumo; regulação da taxa de juros; enraizamento da rede de agencias em todo território nacional; caixa do erário público, dentre outras questões.


(3) O que por si só não encerra a gama de sofrimentos mentais oriundos do modelo de gestão como depressão, psicoses, alcoolismo, alterações comportamentais, e mais uma infinidade de acometimentos.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Campanha salarial 2009: Convenções e Acordos 2008

Fonte: Sindicato dos Bancários da Bahia

Acordos 2008/2009

Banco do Brasil

Acordo Aditivo - Banco do Brasil

Acordo de PLR - Banco do Brasil

Banco do Nordeste

Termo de Ajuste Preliminar ao Acordo Coletivo de Trabalho - BNB

Acordo Coletivo 2008-2009

ACT 2008-2009

Acordo Coletivo para compensação dos dias parados

Caixa Econômica Federal

Acordo Aditivo - Caixa

Santander e Real

Acordo Aditivo - Santander

Acordo PPR - Santander

Acordo Aditivo - Real

Convenções nacionais

Convenção coletiva de trabalho

Convenção coletiva de trabalho dos Bancários 2008/2009

Convenção coletiva de trabalho dos Bancários 2008/2009 – PLR

Convenção coletiva de trabalho dos Financiários 2008/2009

Convenção coletiva de trabalho dos Financiários 2008/2009 – PLR

CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO ADITIVA 2006 2007

CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO ADITIVA 2004/2005

Porque me ufano de meu país: Lula, Direitos Humanos e BRIC

Paulo Vinícius

A estupidez e a má fé da grande mídia são espetaculares, assim como sua certeza da nossa suposta imbecilidade. Inacreditável o alarde ante a opinião negativa da Humans Rights Watch sobre o discurso do presidente Lula em Genebra na Comssão de Direitos Humanos da ONU em 15 de junho.


Opinião é assim, cada qual com a sua e segundo seus interesses. Mas, porque esse espanto sobre a opinião de uma ONG com nome em inglês e opinião também, super isenta (ave Maria!), com vínculos sei lá quais com os EUA e Europa, como se isto fosse reprimenda ante o Brasil?! ONG há para tudo, umas ao lado do povo e outras a servir ao imperialismo.
Ó colonizada mídia a soldo do estrangeiro, foi-se o tempo em que nos guiávamo por seus dictats. O Brasil move-se sabiamente em prol de seus intereses nacionais e regionais e embusca de construir um mundo onde o multilateralismo e o diálogo prevaleçam, e não a força.


É também com base neste tipo de opinião de algumas 'renomadas' ongs que se fez o genocídio ao povo iraquiano... é com este lastro ideológico às expensas do Departamento de Estado que se invadiu o Afeganistão. É com base nestas opiniões que se prepara o terreno da opinião pública para mais à frente virem as propostas de "internacionalização" da Amazônia. Daí advém o virulento e irracional pavor que visa a travar nosso desenvolvimento em matéria atômica. Como se um país como o nosso devesse deixar isto aos cuidados de quem disparou as bombas de Hiroshima e Nagazaki e ainda posam de mocinhos.

Quero ver a Humans Rights Watch promovendo uma campanha mundial pelo imediato fechamento de Guantánamo, a desoupação de Iraque e Afeganistão pelos EUA e pelo estabelecimento de um Estado palestino! Quero ver o Greenpeace mais agressivo na defesa do desarmamento nuclear estadunidense!

Ao contrário desta cobertura "espetacular" e do muxoxo com que o Jornal Nacional relata o descolamento do Brasil das posições das grandes potências em direitos humanos, o mesmo não ocorre quando reúnem-se os BRIC para avançar na institucionalidade de uma articulação inédita e poderosa. Ao contrário, as referências são ridículas, pessimistas, chegando ao cúmulo de se dizer que é primera vez que um artigo vira um bloco - porque o termo foi citado pela primeira vez num artigo -, como se isto fosse importante. É demais!

Lula e o Brasil fizeram dois gols de placa ao rejeitar corajosamente o intervencionismo sob a pecha de defesa de direitos humanos. Por isso a grita desta ONG, não é á toa. Para mim, as críticas do JN e da HRW são as melhores referências para o acerto do Brasil.

Ademais, a posição do Brasil é plenamente coerente com nossa histórica defesa da autodeterminação dos povos. Quando dizemos que a comissão não deve assumir postura de tribunal, mas fazer a necessária interlocução, buscar o diálogo como via central, só desagradamos aos que buscam manipular tais espaços da ONU para justificar uma agressividade belicosa e sedenta de sangue. Depois, quando há centenas de milhares de mortos, a tortura e a intervenção, quando grassa a fome o desespero, onde vão parar os direitos humanos? Aí, o silêncio impera... e os lucros avultam.

Por isso mesmo foi um no cravo e outro na ferradura. Rejeitar por um lado a manipulação e defender o diálogo e, em seguida, reunir Brasil, Rússia, Índia e China, buscando caminhos para unir esta parcela tão importante da humanidade, e discutindo inclusive alternativas ao combalido dólar estadunidense!!!!

São gestos contundentes no sentido do multilateralismo. São expressões da nossa nova condição no mundo. São afirmações dos talento, brilho e papel do Brasil no século XXI. Não é a toa que esta mídia sabuja e lambe botas se doa. E não é à toa que devemos continuar este rumo em 2010, para nunca mais nosso chanceler tirar sapatos para uma humilhante revista em uma alfândega estadunidense.

Vejam na rádio da ONU o discurso de Lula na comisão de Dreitos Humanos para não estarmos reféns ante a estupidez de rasas análises de jornalistas a soldo. Só a íntegra pode nos salvar. O endereço é http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/detail/165500.html

terça-feira, 16 de junho de 2009

Toque de recolher: crime contra a juventude

Leia nota da UJS/ Fortaleza
contra toque de recolher







Em nota divulgada nesta terça-feira (2), a UJS (União da Juventude Socialista) de Fortaleza repudia campanha orquestrada por membros do Conselho Tutelar da Secretaria Executiva Regional I que defendem o toque de recolher para jovens menores de 18 anos na capital do Ceará. A medida, que já é adotada em quatro cidades do interior de São Paulo, é considerada inconstitucional para a entidade.

A União da Juventude Socialista (UJS), no seu compromisso com os direitos da juventude, repudia veementemente a campanha que propõe a instituição do toque de recolher, após as 23 horas, para menores de 18 anos na cidade de Fortaleza. Com essa medida, os autores da campanha, membros do Conselho Tutelar da Secretaria Executiva Regional I (SER I), punem o jovem por uma situação da qual ele é a principal vítima.

Restringir a liberdade de um indivíduo, partindo do pressuposto de que ele pode cometer uma infração, é uma arbitrariedade e atenta contra a Constituição que prevê a liberdade de ir e vir a todos os cidadãos. Além do mais, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece no seu artigo 106 a privação de liberdade somente ao adolescente que for flagrado no ato da infração. Portanto, essa medida é inconstitucional.

É um imenso equívoco responsabilizar o adolescente pela incompetência do Estado brasileiro na garantia dos seus direitos fundamentais. Não existe uma propensão natural da juventude ao crime. A questão está na situação degradante a qual a maior parte dos infratores é submetida ao longo de sua vida: miséria material e espiritual, ambientes insalubres, acesso aos serviços básicos de baixa qualidade como educação e saúde e presença constante da criminalidade. Nessas condições, a surpresa são aqueles que escapam da vida do crime.

Portanto, a sociedade e especialmente a juventude não podem aceitar esse mecanismo autoritário. No que depender da UJS, essa proposta não vai passar de mera intenção, pois, do contrário, sairemos às ruas para mobilizar e conscientizar a população sobre o perigo que representa tal medida para os direitos das crianças e dos adolescentes da nossa cidade.

União da Juventude Socialista – UJS Fortaleza


É imperdível, assista:

Funk do Toque de recolher - A Resposta -Mc Danilo

http://www.youtube.com/watch?v=fz0IPMasp80

Israel condena jornalistas por noticiar invasão em Gaza

Uma corte israelense condenou dois jornalistas a dois meses de prisão por noticiar as movimentações de tropas em Israel uma hora antes do início da incursão israelense na Faixa de Gaza em janeiro, informou a Reuters nesta segunda-feira.

Os dois homens, ambos palestinos moradores da região árabe de Jerusalém, ocupada por Israel, foram condenados no domingo por violar regulações de censura militar em suas reportagens sobre a movimentação de tropas para a mídia iraniana do lado israelense da fronteira com Gaza no dia 3 de janeiro.

Jornalistas que trabalham em Israel são, a princípio, proibidos legalmente de noticiar qualquer evento militar ou de segurança antes de submeter suas reportagens a um censor militar. Khader Shahine e Mohammed Sarhan foram acusados de noticiar as movimentações de tropas dentro de Israel que, segundo eles, indicavam a iminência de uma invasão terrestre, antes das tropas israelenses cruzarem a fronteira.

As primeiras informações na imprensa internacional confirmando a invasão foram dadas por testemunhas palestinas dentro da Faixa de Gaza, que avistaram tanques e infantaria dentro do território. Um advogado dos dois jornalistas descreveu a sentença como "severa". A corte civil em Jerusalém disse em nota que tem intenção de condenar outros jornalistas.

Fonte: Reuters

Que realmente aconteceu nas eleições libanesas?

www.vermelho.org.br

A pergunta real agora é se o novo governo, ao ter a maioria no parlamento, pressionará para desarmar o Hezbolá, dando assim satisfação a seus patronos. Desde que foram celebradas as eleições parlamentares no Líbano, em 7 de junho, as mídias dominantes têm declarado que os resultados dessas eleições mostram claramente que o Hezbolá e seus aliados de coalizão sofreram "uma derrota acachapante".
Por Esam Al-Amin, para o site Counter Punch

Alguns, encabeçados pelo The New York Times e algumas agências , foram ainda mais longe, sugerindo que o discurso de Barack Obama na cidade do Cairo foi o que marcou a diferença, inclinando as eleições a favor da coalizão pró-Ocidntal governante.


Isso é pura fantasia e revela uma total incompreensão da natureza da política libanesa e uma ignorancia das realidades da política local.


Para começar, vamos esclarecer algumas coisas. No parlamento anterior, o Hezbolá e seus aliados tinham 58 deputados, diante de 70 da coalizão governista, em um parlamento de 128 vagas. A coalizão governista dirigida por Saad Hariri, filho de Rafiq Hariri, o bilinário ex-primeiro ministro assassinado, se nutre fundamentalmente de uma série de partidos e grupos que considera bem dispostos em relação ao ocidente e a governos árabes pró-ocidentais, como o da Arábia Saudita.


Esta coalizão inclui também os tradicionais partidos maronitas cristãos, apoiados pela igreja maronita, tais como as Falanges e as Forças Libanesas. Por outro lado, a coalizão da oposição está dirigida por partidos islâmicos, principalmente xiitas, Hezbolá e Amal, em aliança com um importante partido maronita, o Movimento Patriótico Livre, que é dirigido pelo ex-general Michel Aoun. Na rivalidade regional entre EUA, Israel e outros governos árabes "moderados", por uma parte, e Irã, Síria e os movimentos pró-resistência, por outra, esta coalizão da oposição claramente apoia os segundos.


Uma das principais disputas do parlamento anterior foi a insistência da coalizão ocidental em exigir que o movimento de resistência — Hezbolá — se desarmasse, a partir do momento que Israel fracassou ao tentar desmantelar a infraestrutura do grupo na guerra do verão de 2006.


Portanto, os grupos pró-ocidentais trataram de tentar conseguir politicamente o que Israel não conseguiu pela via militar. As pressões aplicadas pelos Estados Unidos durante a administração Bush para conseguir esse mesmo objetivo foram incessantes, provocando um confronto que durou cerca de um ano e que culminou nas recentes eleições.


A política eleitoral no Líbano está em desacordo com os princípios democráticos porque se baseia em políticas sectárias. Cada um dos grupos religiosos importantes tem garantido um certo número de vagas no parlamento, baseando-se não na população, mas sim em um acordo anterior acertado em 1989, para colocar fim a uma guerra civil de 15 anos.


Por exemplo, na recente eleição, os xiitas e os sunitas obtiveram os votos de cerca de 873 mil e 842 mil eleitores registrados, respectivamente, mas a cada grupo couberam 27 assentos. Por outro lado, os cristãos maronitas e os drusos tiveram 697 mil e 186 mil votos cada um, obtendo com esses votos 34 e 8 deputados respectivamente, muito mais do que as cifras de votos em si lhes dariam direito. Além disso, o clã Hariri pagou a mais de 120 mil expatriados libaneses para que voassem de regresso ao Líbano e votassem. Se estima que mais de 75% deles votou pela coalizão governante.


Nestas circunstâncias, em quem votaram agora os libaneses?


Com uma porcentagem de eleitores de cerca de 52% dos três milhões de eleitores registrados, a oposição dirigida pela coalizão do Hezbolá recebeu 55% dos votos (840 mil), mas só elegeu 45% dos deputados (57). O próprio Hezbolá apresentou somente 11 candidatos, em deferência a seus aliados de coalizão, o mesmo número que tinha no parlamento anterior.


Todos os onze candidatos foram eleitos de forma avassaladora. Por outro lado, a coalizão governista recebeu 45% dos votos (692 mil) e 55% das vagas no parlamento. Em resumo, a coalizão governante obteve 68 vagas, enquanto que os independentes obtiveram 3 assentos, unindo-se posteriormente à coalizão governista, totalizando assim os 71 deputados pró-Hariri.


Isto é, a composição do atual parlamento mudou somente em um deputado em relação à anterior, e isso só aconteceu depois de levarem para seu campo os três independentes. Além disso, a surpresa autêntica foi que o partido do general Aoun, o aliado da coalizão do Hezbolá recebeu, segundo os resultados anunciados pelo ministro do interior libanês, 52% do voto cristão, embora tenha obtido menos deputados que seus rivais cristãos.


Só em um mundo de ficção científica poderia se declarar que esses números são "um claro repúdio ao programa da coalizão do Hezbolá", maneira as mídias dominantes determinam claramente como os leitores devem ler, como fez Thomas Friedman no The New York Times.


Por isso, a história autêntica das eleições é que não se conseguiu fazer triunfar a vontade do povo libanês e que tão pouco se respeitou o princípio do governo da maioria. A coalizão dirigida pelo Hezbolá havia, de fato, obtido mais votos que a coalizão pró-ocidental, pela considerável margem de 10%. Quando o presidente americano Obama recebeu 53% dos votos populares, diante dos 47% de John McCain em novembro passado, as mídias e os analistas declararam que era uma derrota acachapante para os republicanos e um mandato de mudança real.


A política libanesa é imprevisível. O aliado de hoje pode ser o antagonista de amanhã. Por exemplo, o líder druso Walid Jumblatt foi durante muitos anos aliado da Síria no Líbano, mas se voltou contra ela há poucos anos, devido à mudança política registrada no país. Entretanto, recentemente começou a fazer movimentos de aproximação à oposição. Como tem o mandato de 8 deputados, se mudar de lado, coisa muito improvável na cena política atual, a composição do parlamento passaria então a ser de 65 a 63 deputados a favor da atual oposição.


A pergunta real agora é se o novo governo, ao ter a maioria no parlamento, pressionará no sentido de desarmar o Hezbolá, para satisfazer seus patrões. Se essa perspectiva se concretizar, de imediato se desencadeiria uma crise e a maioria dos libaneses, como mostrado no dia das eleições, sairão às ruas para protestar e exigir que a vontade real do povo seja respeitada, refletida nas urnas no dia das eleições;


Original publicado em http://www.counterpunch.org/amin06122009.html


Rebelión (em espanhol): www.rebelion.org

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Na blogosfera: De quem é o Lobo que atacou a USP?

A guerra de informação (infowar) deflagrada pela Secretaria de Educação de São Paulo está tropeçando na guerra em rede (netwar) dos movimentos sociais. A gritaria dos 4 irmãos - mesquitinha, friazinho, civitinha e marinho - destinadas a nos convencer que “essa gente do PSOL autoritária e violenta provocou a pancadaria na USP” - esbarrou na inteligência coletiva da blogosfera. A internet aditivada com a Web 2.0 está virando de cabeça para baixo as versões oficiais dos fatos.


Enquanto a máfia do noticiário se esgoela para assentar a versão oficial, o material que eles produziram é revirado pelas vozes independentes do ativismo interneteiro que revelam toda a armação por trás do barulho. Desde o dia 9 eles venderam o peixe da “minoria-intolerante-e-violenta-que-confrontou-a-polícia.” Mas a blogosfera não arrefeceu e flagrou afala do comandante Lobo esquecida no vídeo da Globo dizendo ter “uma ordem pra prender alguns líderes” por estarem “incitando esta greve.” Epa! Ah, ié? Como nos lembra o Túlio “a ordem de reintegração de posse tem natureza civil e, portanto, jamais ordenaria a prisão de quem quer que seja.” Tulio prossegue: “a juíza cível, aliás, é incompetente para ordenar prisões, salvo no caso de pensão alimentícia.” Cabe portanto perguntar como o Arles: de quem é essa ordem? E eu acrescentaria: quem comanda esse Lobo e seu bando truculento?

Se eles tinham ordem de prender grevistas por exercerem seus direitos de greve, de fato eles tinham sido ordenados a provocar o conflito para poder seqüestrar a liderança da greve. O que, aliás, se coaduna com o farto material produzido pelos quatro irmãos quando examinados com objetividade. Em nenhum momento se vê estudante atirando pedra ou policiais cercados de estudantes e ameaçados de seqüestro - como o Lobo repetiu o tempo todo como uma vitrola enguiçada. A tropa já chegou jogando bombas e atirando nos manifestantes como esse vídeomostra claramente.Por essas e outras os brucutus do tucanato se escondem por trás do Azeredo e seu AI 5 digital. A tucanaria quer o monopólio do barulho. Quer liberdade para comprar a peso de ouro os serviços dos 4 irmãos e calar o chilrear da passarada que canta livremente na blogosfera.

Por Redação Consciência.Net
Texto de Henrique Antoun, no blog Trezentos

www.vermelho.org.br

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Blog Bancários Classistas


http://bancariosclassistas.blogspot.com/

Quem Somos

Sindicalistas e militantes bancários, de todas as regiões do país, com firme posição de classe, que se organizam em torno da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e tem como objetivo organizar, mobilizar e conscientizar os trabalhadores e trabalhadoras do ramo financeiro politizando as questões imediatas (salários, jornada, saúde, etc.) no sentido de construir alternativas para as questões futuras (uma sociedade mais justa e igualitária).

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Comando Nacional dos bancários discute novo modelo de PLR no Rio



Emanoel Souza de Jesus*


A reunião do Comando Nacional dos Bancários será realizada amanhã (29.05), às 10 horas, na sede do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, tendo como ponto principal de pauta a elaboração de uma proposta de novo modelo de PLR a ser apresentado para discussão nas Conferências Regionais da categoria. A experiência do último ano mostrou que o modelo atual é bastante confuso e deixa brechas para uma série de manobras contabéis por parte dos bancos de forma a reduzir a parcela suplementar distribuída com os bancários.


Assim, entendemos que a clareza e a transparência dos critérios deva a ser o ponto de partida para o debate do novo modelo, que precisa contemplar uma maior abrangência dos beneficiados (em especial aqueles afastados por problemas de saúde), o pagamento proporcional para quem saiu do banco antes do acordo, a distribuição o mais homogênea possível, o afastamento total da possibilidade de utilização de metas individuais ou por unidade para a distribuição, dentre outros aspectos que já se tornaram consenso em reuniões anteriores. (Continua)


Sábado, 16 de Maio de 2009

Construir um comando forte



No último dia 12 de maio, terça-feira, o Comando Nacional (que envolve sindicalistas ligados a CUT, CTB e Intersindical) se reuniu para definir o calendário para a campanha salarial 2009 (CS/09), marcando para os dias 17 a 19 de julho, em São Paulo, a Conferência Nacional. Por seu turno a Contec (que envolve sindicalistas vinculados a UGT) convocou seu Encontro Nacional para os dias 7 e 8 de agosto, em Recife, Pernambuco. Cabe ainda saber onde e quando o MNOB, vinculado a Conlutas, vai realizar seu planejamento para a campanha salarial deste ano.

Como esta reunião foi o passo inaugural desta nova jornada, cabe destacar que, geralmente, uma campanha se inicia ao passo que outra se encerra. Portanto, fazer um balanço da jornada passada; tirar lições da luta realizada; destacar os pontos positivos para dar continuidade a eles; apontar os erros cometidos para superá-los; é o que nos ensina a longa trajetória de luta da classe trabalhadora, dentre estes os bancários. (Continua)

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Pós-98, quem somos nós?



Paula Goto*


No Brasil, a ofensiva neoliberal dirigida aos trabalhadores na década de 1990 impingiu duras derrotas à categoria bancária. Enquanto a reestruturação produtiva intensificava a exploração e diminuía os postos de trabalho, a flexibilização das leis trabalhistas se encarregava da retirada de direitos em favor do capital.


Os bancários foram particularmente atingidos e sofreram toda sorte de insegurança e humilhações. A importação do modelo toyotista de organização do chão das fábricas japonesas para o caso brasileiro foi abraçado pelos banqueiros e se deu sob a égide da maximização da exploração de seus trabalhadores. Desta forma é que, ao tempo em que os bancos desrespeitavam as jornadas de trabalho, promoviam o assédio moral aos seus funcionários e efetivavam demissões arbitrárias, se esforçavam, igualmente, por capturar a subjetividade de seus trabalhadores na tentativa de desmobilização de suas lutas. (Continua)

Ato de Filiação ao PC do B














Às 19h00, na próxima terça-feira, dia 02 de junho no CONIC, Ed. Venâncio Jr. 2º andar sala 201, próximo ao restaurante Fortaleza Grill.



quarta-feira, 27 de maio de 2009

Assista a última entrevista com João Amazonas - imperdível!



Sete anos sem João Amazonas

João Amazonas falou ao Programa Memória Política da TV Câmara, na qualidade de mais antigo dirigente comunista no País. Presidente do Partido Comunista do Brasil - PCdoB, dissidência do PC, João Amazonas foi constituinte de 1946 e formou a bancada comunista que mais tarde foi cassada. Na década de 70 participou da Guerrilha do Araguaia, conflito que foi dizimado pelo exército em três anos de luta. Exilado, voltou ao Brasil em 1979, com a anistia.

Reprodução autorizada mediante citação da TV Câmara


Atenção: há uma falha de áudio em cerca de dez minutos da entrevista, mas ainda assim vale mito a pena. (Paulo Vinícius)

Tributo a João Amazonas (1912-2002) - Um Comunista Brasileiro

HOMENAGEM
Vídeos inéditos na internet contam trajetória de João Amazonas

Quando João Amazonas morreu, deixou para trás um belo e honroso legado de lutas em prol do povo brasileiro. Nascido em 1º de janeiro de 1912, em Belém, filho de um padeiro e uma doméstica, o operário, filho autêntico do povo brasileiro, foi um dos maiores nomes que o país teve na luta contra o atraso, pela justiça social e pelo socialismo. Nestes dois vídeos inéditos na internet, um pouco dessa história é contada. Leia mais

Veja também:


Partido Vivo disponibiliza biografia de João Amazonas

terça-feira, 26 de maio de 2009

Encontro de Jovens da CTB: a juventude se posiciona no novo cenário do sindicalismo brasileiro

Paulo Vinícius

A CTB não é um ou mais prédios, carros de som, jornais, esta ou aquela categoria em si mesmas; mais que isto, é uma grande mudança que ainda não mensuramos totalmente. reafirmei esta convicção neste final de semana, ao participar do I Encontro de Jovens Trabalhadores da CTB, realizado nos dias 23 e 24 de maio em Atibaia, São Paulo.

Graças ao esforço do coletivo de juventude, ao apoio da direção e dos funcionários da CTB e aos 16 estados que enviaram representantes, o encontro superou as expectativas. Mais de 130 jovens, metalúrgicos, marceneiros, operadores de telemarketing, trabalhadores rurais,
comerciários, bancários, funcionários dos Correios, servidores públicos e estagiários estiveram reunidos para refletir e se unir tendo uma mesma aspiração: despertar a juventude para o sindicalismo classista.

Aqueles jovens compreenderam na dura labuta que é indispensável lutar contra a exploração capitalista, e reuniram-se por que sabem ser necessário fazê-lo com a ousadia e a criatividade da juventude. Dispuseram-se a formar uma mesma corrente, chegar a todos os estados
do Brasil, fazendo com que em cada categoria se levante uma voz que chame os outros jovens trabalhadores a tomar seu lugar no movimento e mudar o seu enredo. A juventude se posiciona no novo cenário do sindicalismo brasileiro e o seu potencial revolucionário encontra um
canal privilegiado entre os classistas.

Não era à toa o sorriso nos rostos de alguns de militantes antigos das lutas dos trabalhadores presentes ao encontro. Era visível o seu alento ao perceber que jovens que militavam na CSC e na SSB na UJS, na JSB, no movimento estudantil, independentes, no campo e na cidade se
reuniam assumindo seu posto de combate, dispostos a contribuir com a mudança da prática e da correlação de forças do movimento sindical. O poder dos que produzem a riqueza aliado à garra, irreverência e criatividade da nova geração podem abrir os olhos de milhões de jovens
que são explorados especialmente por sua condição juvenil.

Os jovens querem um futuro melhor. E percebem, em especial agora, quando a máscara neoliberal caiu, o cinismo decadente de um sistema econômico cuja continuidade representa claramente um risco ao futuro. Não acreditamos nas mentiras do capitalismo de que o egoísmo de cada um é a razão da felicidade de todos. A esta mentira, contrapomos a luta por uma mudança verdadeira e profunda, política e econômica, que nos assegure um lugar digno na vida. E, determinados a impedir qualquer retrocesso, queremos apressar as mudanças, aprofundar as
mudanças e abrir caminho ao socialismo. Esta mensagem adquire nova dimensão após se esboroarem vários mitos caros ao sistema, como a teleológica eficiência das forças de mercado e sua mão invisível na alocação de recursos – de fato, o que vimos foi a mão bem visível do
Estado, inclusive no Brasil.

Atentos, concluíram que o sistema penaliza em especial os jovens. São cerca de metade dos desempregados, os primeiros demitidos da crise, expostos à precarização e a condições e salários piores. No campo, sem políticas públicas, crédito e investimentos, espremidos pelo
latifúndio, seguem o cortejo de seus, de nossos, pais e avós, tangidos para as cidades. Vítimas de falsos estágios, penalizados por jornada de trabalho incompatível com o exponencial crescimento da produtividade do trabalho, vêem-se impedidos de prosseguir os estudos,
de viver sua juventude. Submetidos ao assédio moral e também vítimas do assédio sexual, rebelam-se e exigem seu lugar de direito como o futuro do proletariado. Preocupados com o meio ambiente vêem a voracidade irracional do capital que devora vidas, sonhos e a natureza
ameaçando a vida na Terra.

Com tudo isto, sabem que carecem de organização para florescer na luta e desenvolver seu poder mobilizador. E, lado a lado com os atuais dirigentes classistas percebem que podem fazer muito para responder à exploração capitalista e afirmar a alternativa socialista. Batista
Lemos entendeu bem e deu a pista, afirmando que a juventude na CTB não pode ser apenas sindicato, mas deve ser também movimento. E Pascoal Carneiro não hesitou ao afirmar a necessidade imperiosa de a juventude ocupar seu lugar no movimento sindical como condição de sua atualização e futuro.

Já retornamos aos estados com as alegrias e reflexões destes dois dias inesquecíveis. Armados com este mesmo ímpeto, temos agora o desafio de mobilizar a juventude para ocupar seu lugar no 2º Congresso Nacional da CTB, em setembro. O coletivo de jovens eleito definiu uma agenda de organização dos coletivos de jovens trabalhadores em todos os Estados, para compartilhar as reflexões, mobilizar para os cursos de formação da CTB que ocorrem em todo o país e preparar uma grande participação juvenil no congresso. São os primeiros passos, e decerto haverá
dificuldades, mas são decisivos para construir no presente a hegemonia do futuro, fazer da CTB uma central onde a juventude faça a diferença. Beneficiando-se dos egressos do movimento estudantil, unidos aos jovens sindicalistas, campo e cidade, com uma mesma garra classista e
com o rumo socialista, fazer da CTB a central mais juvenil do Brasil.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

1º Encontro da Juventude Trabalhadora da CTB

25/05/2009
www.ctb.org.br

Aconteceu no último final de semana (23 e 24), em Atibaia - SP, o 1º Encontro Nacional da Juventude Trabalhadora da CTB. Com a participação de mais de 130 jovens trabalhadores de diversas categorias do campo e cidade em 16 Estados, o desafio do encontro é debater e definir iniciativas que orientarão as lutas da juventude trabalhadora representada pela Central na cidade e no campo.




A mesa de abertura coordenada pela secretária de Jovens da CTB, Ana Rita Miranda, contou com a presença de Nivaldo Santana, vice presidente da CTB, Danilo Moreira, membro do Conselho Nacional da Juventude Socialista (Conjuve), Marcelo Gavião, presidente da União da Juventude Socialista (UJS) e Igor Menezes – Juventude Socialista Brasileira (JSB).



Unir para avançar

Ao saudar os presentes, Nivaldo Santana, reforçou o caráter classista da CTB, que aposta num processo de renovação e fortalecimento do movimento sindical através da mobilização da juventude. “Nós temos que renovar o sindicalismo, os de “cabelos brancos” têm muito a ensinar para essa juventude, que tem que ocupar seu lugar nos sindicatos. Temos que unir as forças, afinar os pensamentos”, explicou.



Para Nivaldo, essa união entre experientes e jovens sindicalistas é necessária e urgente para tentar mudar a realidade enfrentada pelo jovem. “Os dados mostram uma realidade cruel existente, onde milhares de trabalhadores foram demitidos, afetando em sua maioria os jovens com menos de um ano de registro em carteira. Trabalhadores estes que, além da pouca experiência, se submetem a baixos salários e condições precárias de trabalho”, afirmou vice presidente.

Para Danilo Moreira, membro do Conjuve, é necessário pensar na geração de metas a serem cumpridas pelo governo, fomentando o investimento na juventude. “Nesse momento além da luta, precisamos assegurar a autonomia do movimento. Estamos prestes a encerrar um ciclo político de nosso país, temos que pensar nesse ambiente e de como transformamos isso em possibilidade de mudança. E temos duas possibilidades: uma é a PEC da juventude, a aprovação de uma emenda à constituição que inclua a juventude. E a segunda é um plano nacional da juventude, criando metas a serem cumpridas pelo governo, para que o estado continue investindo em políticas da juventude” concluiu.

Mobilizar a juventude e continuar avançando para fazer a mudança que o Brasil precisa é o pensamento de Marcelo Gavião, presidente da UJS. Segundo Gavião, a CTB nasceu para unificar a lutados trabalhadores. “Tudo, na vida do trabalhador, sempre foi fruto de muita luta e muita mobilização. O desafio da CTB é fazer uma central jovem na sua capacidade de ação, pois é preciso repensar a forma, ser mais ousada que as demais”, frisou o militante.

Realidade do jovem

Com debates de altíssimo nível, o encontro contou com diversas mesas que trouxeram a discussão sobre os problemas vividos pelo jovem, esteja ele no mercado de trabalho ou não, e quais as possíveis medidas que a se tomar para mudar esse cenário.



Outro ponto da pauta foi a Lei do estágio tema de uma mesa coordenada por Vitor Espinoza, que explicou o funcionamento da nova lei defendida no congresso pela jovem deputada Manuela D’Avila (PCdoB - RS) e sua aplicação.

Foram debatidas também a situação da juventude rural e a unificação de uma agenda de lutas que não trate apenas das especificidades de um determinado segmento ou categoria, mas sim de toda a juventude.

Para Batista Lemos, secretário adjunto de relações internacionais da CTB, a secretaria de jovens além de ser uma instituição, deve ser um movimento de massa, deve ir onde o jovem está. “Eles não se encontram apena no ambiente de trabalho, mas também nos bairros. Não devemos ficar presos ao sindicalizados, temos que chamar essa juventude, inclusive os desempregados, para participar e organizar nos bairros. Viva esse encontro, viva a juventude da CTB!”, finalizou Lemos.

Com a palavra de ordem: “Vai avançar e vai crescer a juventude da CTB”, o encontro foi encerrado no domingo (24), com a aprovação do documento oriundo dos debates que será levado para o II Congresso Nacional da CTB e a formação de um coletivo de jovens trabalhadores, que terá a missão de unificar as forças dos trabalhadores rurais e urbanos, assim como ajudar a secretaria a direcionar as ações, mobilizando os jovens nos Estados.



Confira a composição do Coletivo de Jovens trabalhadores eleito:

VICTOR ESPINOZA – Comerciários /RS
ADROALDO NEGREIROS– Correios/SP
VANESSA – Bancários/BA
MARIA DOS REIS – Fetag/MG
ALEX BOCCIA (ABILIO) – Sintratel/SP
PAULO VINICIUSSANTOS DA SILVA – Bancários/DF
THIAGO SANTANA – Sinttel/MG
IGOR MENEZES – CTB/RJ

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Pós-98, quem somos nós?

http://bancariosclassistas.blogspot.com/



Paula Goto*
Movi
mento pela Isonomia nos Bancos Públicos Federais: Funcis Pós-98 BB/CEF/BASA/BNB.


No Brasil, a ofensiva neoliberal dirigida aos trabalhadores na década de 1990 impingiu duras derrotas à categoria bancária. Enquanto a reestruturação produtiva intensificava a exploração e diminuía os postos de trabalho, a flexibilização das leis trabalhistas se encarregava da retirada de direitos em favor do capital.


Os bancários foram particularmente atingidos e sofreram toda sorte de insegurança e humilhações. A importação do modelo toyotista de organização do chão das fábricas japonesas para o caso brasileiro foi abraçado pelos banqueiros e se deu sob a égide da maximização da exploração de seus trabalhadores. Desta forma é que, ao tempo em que os bancos desrespeitavam as jornadas de trabalho, promoviam o assédio moral aos seus funcionários e efetivavam demissões arbitrárias, se esforçavam, igualmente, por capturar a subjetividade de seus trabalhadores na tentativa de desmobilização de suas lutas.


Tendo como pressuposto a política do Estado Mínimo, a desarticulação de setores estratégicos do Estado preparava os movimentos privatistas para a perseguição ideológica e deliberada ao funcionalismo das instituições financeiras públicas federais. As táticas de desmonte do Estado intentadas pelos governos Collor e FHC intensificaram os ataques sofridos pelos funcionários dessas instituições e inauguraram os seus “anos de chumbo”.


Karoshi é como designam a morte por esgotamento físico e mental relacionada ao trabalho no Japão. Em nossa realidade nos bancos, para além das lesões e das doenças conhecidas como relacionadas diretamente ao trabalho (LER/DORT), a década de 1990 registrou um número impressionante de mortes originadas pelo estresse nos bancos, chegando ao caso extremo dos suicídios. De 1993 a 1995 o Centro de Epidemiologia do Ministério da Saúde registrou o número de 72 suicídios nos estabelecimentos bancários, perfazendo a média de 1 a cada 15 dias!


Na tentativa de ferir de morte o funcionalismo, o executivo, através do Conselho de Coordenação e Controle das Estatais – CCE/DEST e por intermédio das resoluções nº 10, de 30/05/95 e nº 9, de 08/10/96 promove o esquartejamento do plano de carreira nos Bancos Públicos Federais, com a segmentação de suas categorias em duas: pré e pós-98! Discriminados pela própria instituição e com uma série de benefícios e direitos a menos, os funcionários admitidos a partir de 1998 tiveram os salários de ingresso rebaixados e sentiram, desde o primeiro momento, que traziam tatuada a marca do não direito.


Acorrentados a uma estrutura que utiliza os pós-98 como “exército industrial de reserva”, que pressiona os salários para baixo, aceitar a precarização das condições de trabalho para os novos ingressantes é aceitar a deterioração das relações de trabalho para toda a classe. O aviltamento dos direitos dos mais novos funcionários comprovou que o ataque a um segmento ressoa em toda a categoria. Neste sentido, faz-se urgente a exigência da isonomia imediata de tratamento, benefícios e direitos no Plano de Cargos e Salários, de forma a não dependermos do sabor das negociações coletivas anuais, que não tem garantido a perenidade de direitos aos novos bancários.


Considerando que vivemos em uma conjuntura política mais favorável e sob um governo que contou com o apoio de grande parte do funcionalismo e dos trabalhadores para a sua eleição, carregando em seu nome a esperança pela mudança, é preciso que elevemos bem alto nossas bandeiras e façamos ecoar a nossa voz nas instituições, no executivo, no judiciário, no parlamento e em todos os espaços que se coloquem.


No nível do parlamento, temos o andamento de dois projetos de lei sobre a Isonomia que, aprovados, eliminarão toda a iniqüidade para os funcionários contratados a partir de 1998, dando à isonomia força de lei! O Projeto de Lei 6259/05, apresentado pelos deputados federais Inácio Arruda (PCdoB/CE) – atual senador – e Daniel Almeida (PCdoB/BA), e o PLS 77/2007, apresentado pelo senador Inácio Arruda. Temos um grande instrumento disponibilizado para a categoria. A nós, cabe a grande articulação dos movimentos sociais organizados pela aprovação dos projetos!


Se a dificuldade inicial de organização residia no fato de que no início éramos poucos, hoje, somos mais da metade do quadro funcional. Ao mesmo tempo em que isso nos fortalece, nos impõe uma responsabilidade muito maior sobre os nossos próprios destinos. O debate sobre a isonomia precisa estar na centralidade dos grandes debates e as estratégias para a mobilização pela isonomia precisam ser tratadas com prioridade pelos sindicatos, pelos representantes eleitos de nossas entidades associativistas, pelas centrais sindicais e por toda a categoria!


Pela certeza da justeza de nossa luta, convidamos todos a participarem do Movimento Pela Isonomia nos Bancos Públicos Federais!


Paula Goto é Coordenadora do GT de Isonomia na ANABB

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