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sábado, 10 de junho de 2023

Lula se solidariza no Twitter com Julian Assange - Bravo, Presidente Lula!


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

"Reitor exilado" - Luiz Carlos Cancellier - Reitor da UFSC

A humilhação e o vexame a que fomos submetidos — eu e outros colegas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) — há uma semana não tem precedentes na história da instituição. No mesmo período em que fomos presos, levados ao complexo penitenciário, despidos de nossas vestes e encarcerados, paradoxalmente a universidade que comando desde maio de 2016 foi reconhecida como a sexta melhor instituição federal de ensino superior brasileira; avaliada com vários cursos de excelência em pós-graduação pela Capes e homenageada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Nos últimos dias tivemos nossas vidas devassadas e nossa honra associada a uma “quadrilha”, acusada de desviar R$ 80 milhões. E impedidos, mesmo após libertados, de entrar na universidade.

Quando assumimos, em maio de 2016, para mandato de quatro anos, uma de nossas mensagens mais marcantes sempre foi a da harmonia, do diálogo, do reconhecimento das diferenças. Dizíamos a quem quisesse ouvir que, “na UFSC, tem diversidade!”. A primeira reação, portanto, ao ser conduzido de minha casa para a Polícia Federal, acusado de obstrução de uma investigação, foi de surpresa.

Ao longo de minha trajetória como estudante de Direito (graduação, mestrado e doutorado), depois docente, chefe do departamento, diretor do Centro de Ciências Jurídicas e, afortunadamente, reitor, sempre exerci minhas atividades tendo como princípio a mediação e a resolução de conflitos com respeito ao outro, levando a empatia ao limite extremo da compreensão e da tolerância. Portanto, ser conduzido nas condições em que ocorreu a prisão deixou-me ainda perplexo e amedrontado.

Para além das incontáveis manifestações de apoio, de amigos e de desconhecidos, e da união indissolúvel de uma equipe absolutamente solidária, conforta-me saber que a fragilidade das acusações que sobre mim pesam não subsiste à mínima capacidade de enxergar o que está por trás do equivocado processo que nos levou ao cárcere. Uma investigação interna que não nos ouviu; um processo baseado em depoimentos que não permitiram o contraditório e a ampla defesa; informações seletivas repassadas à PF; sonegação de informações fundamentais ao pleno entendimento do que se passava; e a atribuição, a uma gestão que recém completou um ano, de denúncias relativas a período anterior.

Não adotamos qualquer atitude para abafar ou obstruir a apuração da denúncia. Agimos, isso sim, como gestores responsáveis, sempre acompanhados pela Procuradoria da UFSC. Mantivemos, com frequência, contatos com representantes da Controladoria-Geral da União e do Tribunal de Contas da União. Estávamos no caminho certo, com orientação jurídica e administrativa. O reitor não toma nenhuma decisão de maneira isolada. Tudo é colegiado, ou seja, tem a participação de outros organismos. E reitero: a universidade sempre teve e vai continuar tendo todo interesse em esclarecer a questão.

De todo este episódio que ganhou repercussão nacional, a principal lição é que devemos ter mais orgulho ainda da UFSC. Ela é responsável por quase 100% do aprimoramento da indústria, dos serviços e do desenvolvimento do estado, em todas as regiões. Faz pesquisa de ponta, ensino de qualidade e extensão comprometida com a sociedade. É, tenho certeza, muito mais forte do qualquer outro acontecimento".

Sobre o reitor da UFSC, Dr. Cancellier: Investigado, difamado, exilado e sepultado - Rogério Christofoletti*



OBJETHOS - Observatório da Ética Jornalística

*Professor da UFSC e pesquisador no objETHOS

A morte trágica e repentina do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, é o resultado mais visível desses tempos terríveis que vivemos. Dias de julgamentos e condenações apressadas. Dias de espetacularização, de soberba e vaidade. Dias odiosos e punitivos. Dias em que somos tragados para um turbilhão que massacra reputações e que pouco se preocupa com as consequências humanas e sociais dos nossos atos. Os acontecimentos das últimas três semanas apontam para diversos erros e exageros cometidos pelas autoridades judiciais e policiais e pela mídia. Analisar o noticiário e refletir sobre seu papel na construção de uma opinião pública é uma maneira de tentar evitar novos linchamentos sociais.

Há alguns dias, eu me preparava para escrever sobre a cobertura jornalística do caso Cancellier. A exemplo do que fazemos no Observatório da Ética Jornalística (objETHOS), pretendia analisar como a mídia local abordava um assunto tão trepidante, afinal, em 57 anos de história, nunca a UFSC tinha assistido à prisão de um reitor. Colecionei algumas matérias e me contive para escrever, já que o assunto parecia longe do seu desfecho. Não posso me deter agora. Em mais de uma ocasião, disse em sala de aula que nenhuma notícia seria tão amplamente disseminada sobre Cancellier depois do festival que cercou sua prisão em 14 de setembro. Eu me referia a um comportamento frequente no jornalismo de priorizar a denúncia ao desmentido, a acusação à retificação. Infelizmente, eu estava errado, e a notícia de sua morte não apenas pegou a todos de surpresa como também escancarou um processo bárbaro de perseguição que ainda não cessou.

Dificuldades de apuração

Em dezoito dias apenas, acompanhamos a prisão, a negação dos crimes, a soltura, o afastamento do cargo, o isolamento e o pior final. Vimos também a disseminação da suspeita com um grau muito maior de empenho do que propriamente a disposição de se refinar a verdade, a fidelidade aos fatos. Denúncias motivaram a Polícia Federal a iniciar uma investigação na UFSC com a suposição de que recursos públicos teriam sido desviados em um programa educacional. O reitor Cancellier e outras pessoas chegaram a ser presos sob a acusação de que estariam dificultando o trabalho de apuração policial ou estariam envolvidos na possível fraude. A exemplo de outras vezes, as ações da Polícia Federal tiveram ampla cobertura da imprensa, ampliando o círculo de desconfiança sobre os acusados. A pressa na apuração aliada à negativa por parte da PF de dar mais informações provocou um vendaval sobre a reputação das pessoas envolvidas.

Os jornalistas que cobriam o caso estavam com muitas dificuldades iniciais para verificar as informações: não tiveram acesso à denúncia e as próprias autoridades evitaram dar detalhes. Na entrevista coletiva concedida na manhã de 14 de setembro, é possível ver como os repórteres tentam extrair as informações e como as fontes resistiam em dizer até mesmo qual era a natureza da detenção, se condução coercitiva ou prisão preventiva ou temporária (Veja a íntegra da coletiva e os questionamentos dos repórteres a partir dos 20 minutos no vídeo: https://www.facebook.com/jornalzero/videos/848009365381285/). As informações eram muito desencontradas e havia lacunas na história. Isso levou a um primeiro erro fatal na cobertura: como rastilho de pólvora, a informação de que havia um desvio de 80 milhões de reais agitou as redes sociais e levou inclusive um grupo de estudantes a protestar na reitoria. O jornal Notícias do Dia cobriu a manifestaçãoe chegou a mencionar a estimativa policial do rombo, R$ 20 milhões, informação ainda não totalmente sustentada em provas ou perícias sobre o caso. Isso mesmo! Nem a PF sabe ainda quanto teria sido desviado…

A pressa em dimensionar o mal feito fez com que algumas paredes na UFSC aparecessem pixadas cobrando os tais 80 milhões e espalhou publicamente uma informação ainda não completamente apurada nem pela polícia nem pelos jornalistas.

Em praticamente todas as emissoras de TV, jornais e sites da imprensa catarinense, o reitor Cancellier teve seu nome divulgado e imagem exposta, vinculando-o à investigação. Na edição de 15 de setembro, o Diário Catarinense reservou amplo espaço em sua primeira página com a manchete “A operação policial que abalou a UFSC”. Em uma das chamadas, mencionou a prisão temporária do reitor, mas não chegou a citar seu nome ou fotografia. O concorrente Notícias do Dia não teve o mesmo cuidado. Sua manchete não dá margem para dúvida, o crime aconteceu: “Fraude com recursos do ensino a distância”. No complemento, o texto reforça o erro da informação: “Investigação apura desvios de dinheiro na UFSC, que somam R$ 80 milhões”. No Diário do Litoral, jornal que circula em Itajaí e Balneário Camboriú, a chamada na primeira página faz uma perigosa vinculação: “Reitor da UFSC é preso em operação de delegada que iniciou a Lava-Jato”. A informação não está incorreta, mas ela contribui para outro contexto, mais inflamável.



Reputação em frangalhos


A cobertura dos dias seguintes tentou se reequilibrar, e não se pode negar que houve alguns esforços para que o mais visível acusado se defendesse. Entrevistas com o reitor Cancellier foram publicadas, mas o estrago à sua reputação estava feito e a imagem da própria UFSC bastante abalada.

A difamação é um processo rápido, insidioso e necrosante. Quando um conjunto de suspeitas recai sobre uma pessoa ou organização e quando essas suposições ganham caráter público na mídia, a potencialidade do dano sobre a imagem é avassaladora. Não há controle para deter a avalancha de pré-julgamentos e de condenações apressadas. Nas redes sociais, o festival de linchamento moral de Cancellier já estava acontecendo. Não só isso. A UFSC, seus docentes, técnicos e alunos foram motivo de comentários de escárnio, intolerância e ódio, abrindo espaço para críticas à educação pública e gratuita e ao papel da universidade na sociedade.

De forma majoritária, a presunção de inocência foi simplesmente deixada de lado. E Luiz Carlos Cancellier de Olivo, mesmo depois de libertado por ordem judicial, colheu os frutos estragados da intensa exposição de seu nome e imagem a uma suspeita de crime. Afastado de suas funções, não podia nem frequentar o seu local de trabalho. Sob observação e escrutínio público e policial, ficou isolado. Queixou-se na semana passada em artigo publicado em O Globo, dizendo que se sentia exilado. Negou que tivesse atrapalhado as investigações, mas a turba sedenta por “justiça” preferiu sua condição de réu. Percebam: ele foi julgado e condenado antes mesmo de ter sido completamente investigado.


Na segunda-feira, 2 de outubro, minutos após a confirmação de sua morte, os principais portais noticiosos vinculavam o fato à sua condição de investigado, alimentando ainda mais os odiosos de plantão que podem ter visto naquele desfecho a justiça sendo feita. Não foi. Nenhuma justiça se faz com cadáveres. Nenhuma notícia vale uma vida. Nenhuma sanha de investigação deve produzir vítimas fatais.

Como cobrir?

As circunstâncias da morte – um suicídio – e o contexto que a cercam – uma espalhafatosa operação policial, respaldada pela justiça e alimentada pela condenação precipitada de parte da imprensa – chacoalham todas as convicções. É ainda mais trágico que Cancellier tenha recorrido ao último gesto dois dias após o chamado Setembro Amarelo, mês que vem se consagrando para desmitificar e combater o suicídio, um tabu social que todos precisamos enfrentar. Não existe no jornalismo brasileiro um consenso sobre como cobrir casos como esse. Durante décadas, as redações evitavam dar notícias de suicídios temendo que isso contribuísse para novos atos semelhantes de desespero.

Felizmente, o jornalismo vem se abrindo para discutir seus procedimentos. Um exemplo é a reportagem de Emerson Gasperin e Karine Wenzel para o caderno Nós, do Diário Catarinense, publicada há poucos anos. Em 2009, a Associação Brasileira de Psiquiatria publicou uma cartilha que orienta jornalistas e a população em geral a como lidar com situações extremas e que necessitam de intervenção.

Apesar dessas iniciativas, a cobertura sobre a morte de Cancellier apresenta diversos problemas, que vão do dispensável detalhamento da morte (informam o local preciso e a forma adotada) à mais abjeta exploração sensacionalista. Na primeira página do Diário do Litoral, por exemplo, a manchete desumana e insensível é “Protestou com a vida: Reitor da UFSC se mata em shopping”, acompanhada de foto que ajuda a estigmatizar a pessoa e sua família.




Não bastasse tudo isso, a notícia da morte trágica ainda ressalta a condição de investigado de Cancellier. No rodapé da primeira página da Folha de S.Paulo, a chamada é “Investigado, reitor afastado da UFSC é achado morto”. Em O Globo, “Reitor investigado é achado morto”. Sim, é verdadeiro dizer que Luiz Carlos Cancellier de Olivo estava sendo investigado, mas é também verdade afirmar que ele negava a participação em crimes ou a descontinuação das investigações. Isto é, as manchetes negam ao acusado que se defenda, impedem que ele contradiga a acusação, enfim, que fale.

Como disse antes, a difamação é um processo rápido, insidioso e necrosante. Ela se espalha como um vírus, perverte, corrompe, esgarça e destrói os tecidos que ajudam a formar um nome, uma imagem, o reconhecimento de uma personalidade. O colunista do Notícias do Dia, Carlos Damião, corajosamente, pergunta quem matou o reitor da UFSC. Seu texto expressa uma indignação e uma fúria que precisam alimentar a sociedade e as redações a buscarem formas para reencontrar respostas. Que essa disposição para responder não se deixe alimentar por um tom justiceiro, de assassinato de reputações, de linchamento social e de condenação prévia.

sexta-feira, 25 de março de 2016

A liberdade de imprensa está privatizada - Encontr de Juristas - Francisco Cavalcanti- Diretor da Faculdade de Direito do Recife



Publicado em 22 de mar de 2016
O diretor da Faculdade de Direito do Recife, Francisco de Queiroz Bezerra Cavalcanti, afirmou que grandes grupos empresariais do setor de comunicação podem por em risco a democracia da Nação. Para ele, “a liberdade de imprensa está privatizada”. A declaração foi feita durante o encontro com Juristas pela legalidade e em defesa da democracia, nesta terça (22/03), em Brasília.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Unir o povo, denunciar a direita, disputar a nova arrancada pelas mudanças! Paulo Vinícius Silva

Unir o povo, denunciar a direita, disputar a nova arrancada pelas mudanças!
Paulo Vinícius


“Mais fortes são os poderes do Povo”
Glauber Rocha


“O Povo, unido, jamais será vencido!”


Mao dizia que basta uma fagulha para incendiar uma pradaria. Nunca sabemos quando um fato, um símbolo, acenderá as paixões das ruas. Quando isso acontece, dias valem anos de aprendizado e de tempo histórico, a realidade muda rápida e impressionantemente, e sempre se coloca a questão de como dirigir essa grande luta às vitórias. 
No Brasil, tal quadro se agudiza. No ano anterior às eleições, em meio à crise capitalista, é inevitável, diante do fato novo das mobilizações, a necessidade de disputar a agenda da sociedade, e o quadro atual impõe que essa disputa seja feita no plano da comunicação e com a imprensa golpista e a direita.
O fato central é que o nosso povo está na ruas! Isso é básico, a nossa responsabilidade de nos vermos como parte dos anseios mais avançados de luta expressos nas mobilizações, que tem quatro preocupações principais:
  1. O povo não aguenta mais ser massacrado pelo transporte público, e exige o direito à cidade, em especial para os mais pobres, estudantes, trabalhadoras e trabalhadores, e quer o massivo financiamento do transporte público, a preço baixo, subsidiado, o que recoloca o debate da força do estado no tema;
  2. A prioridade do gasto público com saúde e educação. São bandeiras nossas. Lutamos pelos 10% do PIB para a Educação e para a Saúde, que sofreu dura derrota quando a direita impediu que a CPMF destinasse 50 bilhões à saúde pública. Dilma reapresentou o Projeto de Lei que assegura 100% dos Royalties do Pré-Sal para a Educação. O povo apoiará com certeza as NOSSAS bandeiras, que são as formas concretas de atender ao anseio das manifestações;
  3. Questiona os grandes eventos esportivos que o Brasil conseguiu, porque efetivamente se menosprezou a necessidade disputar o sentido avançado dessa vitória. E há que publicizar a transparência com o gasto público, e punir qualquer desvio.
    Mas, principalmente, pouco se defendeu a importância desse investimento. Por 40 anos, em grande medida, as arenas esportivas ficaram em clara degradação, lembrem do dramático desabamento no Estádio da Fonte Nova, em Salvador, que cobrou vidas. Em tão poucos anos se renovarem as arenas, melhorar o transporte e as malhas viárias e aeroportos, precisa ser justificado diante do povo, que canta o Hino Nacional e leva as bandeiras do Brasil para os protestos.
    O que esse mesmo povo acharia, se soubesse que há um gasto muito pior, quase metade do orçamento reservado ao imposto do capital financeiro que a mídia defende? Como enfrentar os gargalos ao investimento e aos serviços públicos se não mudarmos essa realidade? Como disputar a legitimidade do investimento público?
  4. Questiona a política brasileira, na crítica à corrupção e aos partidos. Diante dos dilemas de dez anos de governos de centro-esquerda, essa crítica não tem apenas a versão que interessa à direita, que descaradamente assume ares golpistas e quer dirigir o movimento. Temos de denunciar que a imprensa golpista e da ditadura quer disputar a agenda de luta do povo, denunciar seu golpismo! Mas também temos de ouvir a exigência de maior nitidez na aliança política que leve o Brasil à solução efetiva dos dilemas do desenvolvimento, incluindo o bem estar do povo como sua prioridade.
    Temos que enfrentar o tema da Reforma Política e da construção de maioria, disputando de modo mais nítido a consciência da Nação. Desse modo, é indispensável a máxima amplitude e unidade do nosso campo, e uma Reforma Política que dê poderes ao povo nas eleições, e não apenas aos ricos.


O povo tem sua agenda, e ela também se expressa, de modo mais nítido em três linhas:
  1. Na luta do movimento Passe Livre, das Entidades Estudantis e do Movimento Comunitário pela melhoria e gratuidade do transporte público para o povo, agenda histórica e permanente, que assume importância central e que pode constituir uma grande vitória política;
  2. Na pauta da Marcha das Centrais Sindicais que reuniu 50 mil em Brasília esse ano;
  3. Na pauta de reivindicações entregue pela Jornada de Lutas da Juventude Brasileira à Presidenta Dilma.
Conhece o povo essas bandeiras, essa luta? O bloqueio midiático impede o povo de saber o que querem as tantas marchas que temos feito ao longo dos anos. Há uma tremenda luta política em curso e a imprensa golpista disputa em tempo integral a direção e as bandeiras do movimento, assim como vendeu, por mais de dez anos, a sua própria agenda.
É preciso separar o nosso povo em luta da pretensão da direita e da imprensa golpista dirigirem o movimento. É preciso ter humildade para estar junto com o povo e a juventude nessa hora de aprendizado, muitos pela primeira vez conhecem manifestações públicas. É preciso acompanhar como o povo faz a sua própria experiência, e por isso é preciso estar com o povo e a juventude. Eles já percebem que as marchas organizadas por nós são SEMPRE pacíficas! Nós somos os que temos as propostas para resolver as demandas! É esse experiência que pode ajudar esse movimento, afirmando uma luta massiva, unida, com propostas que levem a vitórias! 
A juventude e os estudantes, por sua denúncia da imprensa golpista são deliberadamente ocultados de toda a cobertura jornalística. O PIG – Partido da |Imprensa Golpista - quer assumir a voz do movimento. É um escândalo! Eles querem eleger os líderes e a agenda, a direita e a imprensa golpista quer tomar de assalto o movimento. Digamos não! Como é importante apoiar as entidades estudantis e a juventude nessa hora! 
Cabe-nos entrar na disputa com toda a nossa força, organização, didática, propostas e apontar um rumo de vitória para o povo, demarcando com a imprensa hipócrita da Ditadura, com os provocadores de direita e irresponsáveis que desejam o caos. Apontemos saídas que unifiquem o campo das mudanças pela sua aceleração, por uma nova arrancada, nas propostas, na utopia e na mobilização de massas pelas mudanças de sentido avançado do Brasil. E, por isso mesmo, os nossos governos tem de ter a coragem de propor saídas que signifiquem a nossa própria vitória e do movimento.
Nunca saímos das ruas, e o nosso povo quer o melhor para o nosso país, falemos com ele, disputemos apaixonadamente a agenda de mudanças no Brasil. É preciso apresentar as nossas ideias para o povo nas ruas!


sábado, 22 de outubro de 2011

Tarso rechaça editorial da RBS e diz que empresa manipulou conteúdo de conferência




Com Carta Maior http://cartamaior.com.br/


Governador do RS rechaça editorial publicado pelo jornal Zero Hora que o acusa de querer "censurar o jornalismo investigativo" e "restringir a liberdade de imprensa. Em conferência realizada no MP gaúcho, Tarso criticou jornalismo que quer julgar e condenar, substituindo trabalho das instituições que têm essas atribuições. Governador acusa empresa de manipular conteúdo de sua conferência e de omitir o que ele disse sobre liberdade de imprensa.

O jornal Zero Hora publicou um editorial neste sábado (22) manifestando “estarrecimento” pelo que chama de “ataque desfechado pelo governador Tarso Genro ao jornalismo investigativo”. O editorial acusa o governador de sustentar uma posição que “tende a interessar mais aos corruptos do que aos cidadãos”. ZH acusa Tarso também de querer “restringir preventivamente a liberdade de imprensa” e o trabalho da “imprensa livre e independente”, no momento em que “o país passa por uma limpeza ética”.

Na quinta-feira (20), em meio a uma conferência proferida no Congresso do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Tarso Genro criticou as práticas jornalísticas que denunciam, julgam e condenam, pretendendo substituir as instituições republicanas que têm essas atribuições. A RBS reagiu no mesmo dia, acusando o governador gaúcho de querer "censurar o jornalismo investigativo". (A íntegra da conferência de Tarso Genro está disponível aqui. A íntegra do editorial de ZH só está disponível para assinantes)

“A reação violenta da RBS”, declarou o governador Tarso Genro à Carta Maior, “parece querer interditar o debate e o faz através da manipulação da informação sobre a conferência que proferi no Congresso do Ministério Público”. “Essa conferência versa sobre um tema que vem sendo debatido em todo o mundo há mais de vinte anos e que aqui no Brasil ocorre no âmbito da academia e em setores da intelectualidade fora da academia: a superposição das instituições “de fato”, oriundas da força econômica do capital financeiro - agora em crise - sobre as instituições do Estado”. “Ela sequer versava”, acrescentou, “sobre alguma empresa de comunicação em particular ou sobre alguma investigação jornalística, ou, ainda, sobre a liberdade de informar. Tanto é que eu digo claramente na minha exposição:

(...) Não proponho, em absoluto, qualquer controle da informação por parte do Estado. Nem a sonegação de informações relevantes, para que os processos e as investigações tenham ampla publicidade pela mídia que, de resto, pode cumprir o papel político que quiser dentro da democracia. Nem se trata, também, de alegar a existência de uma “conspiração” dos meios de comunicação contra a democracia e o devido processo legal. Trata-se de compreender que já vivemos um período da sociedade da informação em que os poderes de fato, no capitalismo tardio, estão se sobrepondo aceleradamente ao poder das instituições formais do Estado. Isso não ocorre somente em relação à mídia, mas também em relação a outros poderes fáticos oriundos da força econômica dos grupos privados.

O governador acusou a RBS de querer interditar o debate manipulando o conteúdo de sua conferência ao “não publicar nem mencionar o trecho acima que dá sentido à toda a exposição”. “O que proponho - e isto está escrito também no texto da conferência - é uma união das instituições do Estado com os políticos sérios e honestos (que são a maioria em todos os partidos) para combater a corrupção, com mais condições técnicas para os inquéritos, reformas legais que acelerem os processos e os cumprimentos de pena”, afirmou Tarso. E acrescentou:

“O que faz reduzir a corrupção é a punição pelo Estado e não o justiçamento paralelo da mídia, nem as investigações dos repórteres, que obviamente podem ser feitos e devem ser feitos. Mas o produto destas investigações é matéria jornalística e é, portanto, mercadoria-notícia, não prova de crime”.

"Esta atitude da RBS, pretendendo interditar o debate com ameaças de campanhas difamatórias que estão subjacentes no mesmo editorial, marca o ápice da petulância e da arrogância que poucas empresas de comunicação têm a coragem de expor publicamente. Mentem, quando dizem que sou contra o jornalismo investigativo, quando o que sou contra é julgamento sumário de pessoas, independentemente de que sejam culpadas ou não. Mentem quando contrastam dois textos meus sobre assuntos diferentes, mesmo tendo, na Conferência, manifestação explícita da minha parte que confirma a minha posição de princípio a favor da total liberdade da imprensa e de respeito irrestrito ao trabalho dos jornalistas," disse ainda o governador gaúcho.

Ainda segundo a avaliação do governador, “o sentido da avalanche de críticas que recebi está muito bem exposto no editorial de ZH desta manhã”. Mais precisamente, explicou, “está contido na expressão “limpeza ética”, de origem e marca bem conhecidos na história”. Recentemente na Europa Oriental se falava em “limpeza étnica”. Limpeza se faz num lugar sujo (a política e o país) e quem faz a “limpeza” é o virtuoso (a mídia), nós, humanos sujamos, por isso nem temos o direito de dizer que o processo judicial, o inquérito do Ministério Público e dos órgãos de controle, não podem ser superpostos por justiçamentos e linchamentos públicos, que transformam crimes comuns em crimes políticos e consequentes condenações políticas, sem direito de defesa com a mesma exposição e intensidade das acusações”.

“O editorial”, prosseguiu o governador, “chega a sugerir que estou tentando me proteger de futuras denúncias”. “É jogo sujo: eu poderia dizer, se fizesse o mesmo raciocínio, que quando eles atacam quem quer fortalecer o MP e o Judiciário, para evitar linchamentos públicos, eles estão protegendo corruptos que eles apoiam ou apoiaram. Mas, sinceramente não penso assim. Acho que eles não leram a integralidade da minha conferência e pensaram que ela era dedicada a eles”.

Por fim, Tarso Genro afirmou que não mudará um milímetro a relação que mantém com a RBS e nem com a imprensa em geral. “Essas controvérsias são boas para a democracia. Todos fulminaram sistematicamente Lula e o PT e a esquerda em geral, às vezes até com razão, e nós continuamos vivos e crescendo. Enfrentei seguidas manipulações da imprensa sobre as minhas posições quando Ministro da Justiça: caso da punição dos torturadores, caso Daniel Dantas, caso Battisti, caso Cacciola e nunca perdi a serenidade”. E concluiu:

“Na verdade o que temos com a grande mídia é uma divergência histórica de fundo: no ocaso do modelo neoliberal eles têm que substituir o alvo dos seus ataques, que era o “gigantismo” do Estado, agora é a corrupção e a política em abstrato, sem avaliar as suas origens e fundamentos, que, na verdade estão contidos na fraqueza das leis e das instituições, geradas pelo modelo econômico neoliberal, para combater o crime, a corrupção e o aparelhamento do Estado pelos grandes grupos econômico-financeiros, em detrimento da ampla maioria dos próprios empresários e sociedade em geral”.


Fotos: Governador Tarso Genro, durante conferência proferida no Ministério Público do RS (Caco Argemi/Palácio Piratini) 

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

CTB convoca base para ato contra o golpismo midiático


CTB convoca base para ato contra o golpismo midiático
A campanha eleitoral de 2010, que começou como uma ótima oportunidade de a população escolher,
democraticamente, o melhor candidato (a) a governar o país pelos próximos quatro anos, em sua reta
final tomou ares de campanha midiática conjunta prol direita conservadora.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Correio Braziliense acoberta Escândalo Arruda

8 de Dezembro de 2009 - 16h25

"Existem situações em que manchetes de jornais, ao serem cotejadas em determinado período de tempo, oferecem uma visão clara sobre os compromissos deste ou daquele veículo de comunicação. As leituras das manchetes denunciam também o grau de independência e profissionalismo dos veículos." Em uma semana, o Correio Braziliense fez uma leitura "gritante" e "desconcertante" do 'Mensalão do DEM' em sua cidade, escreve Washington Araújo, no Observatório da Imprensa.

Uma semana é tempo suficiente para fazer muita coisa. Este período de tempo ficou mais famoso com a descrição da criação do mundo em seis dias de trabalho – e quanta coisa se pode fazer! – ficando o sétimo dia para o descanso, que ninguém é de ferro. A descrição da semana mais famosa de que se tem notícia está registrada bem no início da Bíblia no livro de Gênesis, capítulos 1 ao 3, e o autor é ninguém menos que Moisés. Seu relato é sucinto, objetivo e substantivo, nada de grandiloqüência.

"1º Dia – Deus fez a luz; 2º Dia – Deus fez o céu; 3º Dia – Deus fez a terra, os mares, as árvores e as plantas; 4º Dia – Deus fez o sol, a lua e as estrelas; 5º Dia – Deus fez os pássaros e peixes; 6º Dia – Deus fez os animais e Adão e fez também Eva, a primeira mulher; e no 7º Dia – Deus descansou!"

Pois bem, voltemos ao que interessa. Se em uma semana tudo foi criado e até descanso foi contemplado, uma semana não foi tempo suficiente para que o principal jornal de Brasília (o mais influente e renomado por sua detalhada cobertura política) conseguisse tratar do caso que, desde seu início, em 28 de novembro de 2009, recebeu ampla cobertura dos grandes jornais brasileiros, no eixo Rio-São Paulo e até mesmo no exterior.

É gritante, salta aos olhos e é, por todos os motivos, desconcertante o jornalismo praticado pelo Correio Braziliense entre os 28/11 e 3/12/2009. Moradores de Brasília ficariam bem informados do que se passava em sua cidade, e também capital de todos os brasileiros, se estivessem lendo O Globo, O Estado de S. Paulo e a Folha de S.Paulo ou se estivessem com os olhos sempre grudados nos telejornais que foram ao ar nesse período. O chamado panetonegate emergiu com a força da imagem em movimento, com dezenas de vídeos, sempre muito bem produzidos, com bom áudio, imagens focadas, ângulos e planos de quem parece entender bem do código audiovisual.

Cara de paisagem


Vamos por partes porque o assunto demanda detalhamento.

No primeiro dia em que o escândalo no Governo do Distrito Federal (GDF) foi noticiado – 28 de novembro –, o Correio Braziliense optou por manchete genérica, dando ares de normalidade ao que tinha tudo para estar fora da curva da normalidade. O título que foi para sua capa: GDF e Distritais são alvo de investigação. E adiantava no subtítulo o tom da cobertura: "PF e justiça apuram suposto esquema de propinas a parlamentar". Enquanto isso os jornais mais influentes do país trouxeram em suas capas:

** O Globo: Governador do DEM é suspeito de pagar propina a deputados. E diz que "PF grava José Roberto Arruda negociando repasse de dinheiro com assessor".

Folha de S.Paulo: Governo do DF é acusado de corrupção.

O Estado de S. Paulo: Polícia flagra `mensalão do DEM´ no governo do DF. E diz que o esquema "teria até mesmo participação do governador Arruda".

Logo no primeiro dia, o nome do governador do Distrito Federal estava nas manchetes. Menos no Correio Braziliense. E estava nas capas por uma razão muito simples: temos diante de nossos olhos e ouvidos o escândalo de corrupção mais detalhado e filmado da história política brasileira.

No dia 29/11, O Globo teve como manchete principal PF: Arruda distribuía R$ 600 mil todo mês; a Folha de S.Paulo optou por Documento liga vice-governador do DF a esquema de corrupção e O Estado de S.Paulo não deixou por menos: Em vídeo, Arruda recebe R$ 50 mil. Novamente, o Correio fez cara de paisagem: OAB-DF pede explicações sobre denúncias.

Mais espaço na imprensa nacional

Em 30/11, O Globo abriu sua edição com a manchete Arruda: TSE vê indício de caixa 2; a Folha de S.Paulo destacou na capa: Vídeos mostram aliados de Arruda recebendo dinheiro e O Estado de S. Paulo abriu manchete com Vídeos `letais´ levam DEM a preparar expulsão de Arruda, destacando em subtítulo que "Provas contundentes da PF deixam governador em situação insustentável". Até o fluminense Jornal do Brasil passou a tratar do assunto com a importância que o assunto requeria: Aliados deixam Arruda isolado. O Correio uma vez mais evitou citar o nominalmente o governador José Roberto Arruda e preferiu socializar ao máximo o escândalo. Sua manchete: Novos vídeos expõem base aliada do GDF. Vale conferir o que o Correio achou por bem destacar:

"Gravações feitas pelo ex-secretário de Relações Institucionais do Governo do Distrito Federal Durval Barbosa, entregues à Polícia Federal, mostram deputados distritais da base aliada, integrantes e assessores do GDF recebendo dinheiro do próprio Durval, que denunciou um suposto esquema de corrupção no governo local. Em um dos vídeos, o atual presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente, aparece colocando maços de notas nos bolsos do paletó e nas meias. Diante das acusações, a cúpula nacional do partido Democratas se reúne com o governador José Roberto Arruda – que também apareceu em uma gravação – e espera que ele dê explicações públicas ainda hoje. Em Brasília, o PDT e o PSB anunciaram que não querem mais vínculo com o GDF. A direção dos dois partidos já decidiu que vai entregar os cargos que ocupam na atual administração." (Págs. 1 e 19 a 21)

No mês de dezembro, esse mês que parece uma sexta-feira alargada por 30 dias, o escândalo de corrupção recebeu maior espaço da imprensa nacional. Vejamos as manchetes do 1º de dezembro de 2009:

** O GloboEm vídeo, empresário reclama da alta propina cobrada pelo governo Arruda

** Folha de S.PauloEx-secretário liga tucano a mensalão

** O Estado de S. Paulo – "overnador do DF ameaça e DEM adia expulsão

** Jornal do Brasil – Arruda tentou barrar operação - Governador pediu, em vão, ajuda ao STJ e a Aécio Neves

Manchete risível


O Correio Braziliense parece divorciado da sempre aguardada objetividade e sua opção de manchete aposta na diluição das responsabilidades criminais: Democratas divididos. Arruda se defende. Quebra de decoro na Câmara. Em 2 de dezembro, temos as seguintes manchetes:

** O Globo – Imagem de políticos recebendo propina `não fala por si´, diz Lula

** Folha de S.Paulo – Fita expõe ação de Arruda no mensalão

** O Estado de S. Paulo – DEM marca expulsão de Arruda para o dia 10


Para os leitores do Correio Braziliense, o viés é outro. Chega a ser paroquial para dizer o mínimo. Temos este primor de manchete: Arruda: Roriz quer ganhar no tapetão. Leva às suas páginas entrevista exclusiva com o governador Arruda. O tom é de defesa e desvio de foco sempre presente. Aqui a abertura da reportagem:

"Em entrevista exclusiva ao Correio, o governador José Roberto Arruda afirma que as acusações de um suposto esquema de propinas no Distrito Federal são uma tentativa do grupo ligado a Roriz de inviabilizar sua candidatura nas eleições de 2010. `Quero ter a chance de, num processo eleitoral aberto, sem tapetão, sem uso de ardis como esse, poder enfrentar o debate, poder dizer às pessoas o que o meu governo fez e o mal que Roriz fez a Brasília´, diz. Segundo Arruda, as revelações de Durval Barbosa fazem parte da estratégia do ex-governador. `O Roriz sabe que para ele voltar ele precisa me tirar de campo´, comenta. Arruda se considera `aliviado´ com a saída do ex-secretário e faz uma analogia com o trânsito ao analisar a crise. `Sofri um grave acidente de carro, mas não morri. Estou mais vivo do que nunca´" (pág.1).

Fica patente a falta de simetria entre a cobertura dos jornais paulistas e cariocas e o principal jornal do Distrito Federal. Os "de fora" parecem estar em posto de observação (e análise) privilegiado. Suas matérias não titubeiam, ficam de pé por si sós. Os jornais impressos querem estar à altura do conteúdo apresentado nos telejornais e nas emissoras de rádio. Menos o Correio. É o que iremos constatar após escrutinar as manchetes de capa dos 6º e 7º dias do escândalo.

3 de dezembro de 2009:

** O Globo – Grupo que negociava propina chamava Arruda de `big boss´

** Folha de S.Paulo – Para mensalão do DEM, PT propõe impeachment

** O Estado de S. Paulo – Arruda licitou panetones no dia da operação da PF - Compra foi o argumento do governador para justificar recebimento de R$ 50 mil.


Chega a ser risível a manchete escolhida pelo Correio Braziliense: Durval acusado de desviar R$ 432 mi.

Demonstração de desconforto

Finalmente, no sétimo dia, os jornais "de fora" decidiram não descansar. Quem tirou o dia para repouso foi o Correio Braziliense. Vamos às manchetes do dia 4 de dezembro de 2009:

** O Globo – Processo contra Arruda para na Câmara do DF

** Folha de S.Paulo – PF apura se pacote com dinheiro era para Arruda

** O Estado de S. Paulo – Planilha detalha doações para caixa 2 de Arruda


O Correio Braziliense, embora estivesse (presumo) acompanhando a cobertura de O Globo, o Estadão e a Folha para o escândalo das imagens em movimento, deve ter observado que no sétimo dia todas as manchetes incluíam o nome "Arruda". O Correio, numa espécie de infame trocadilho... foi imprudente ao escolher sua manchete: Como Prudente fez o pé-de-meia.

Existem situações em que manchetes de jornais, ao serem cotejadas em determinado período de tempo, oferecem uma visão clara sobre os compromissos deste ou daquele veículo de comunicação. As leituras das manchetes denunciam também o grau de independência e profissionalismo dos veículos. E revelam, acima de tudo, os diversos níveis de compromissos.

Alguns escancaram desde suas capas a vitalidade de seus compromissos com a missão de bem informar o leitor. Enquanto outros demonstram seu desconforto ao ver, no centro de sua Redação, no lugar da tradicional árvore natalina, um prosaico panetone.

Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br



terça-feira, 16 de junho de 2009

Israel condena jornalistas por noticiar invasão em Gaza

Uma corte israelense condenou dois jornalistas a dois meses de prisão por noticiar as movimentações de tropas em Israel uma hora antes do início da incursão israelense na Faixa de Gaza em janeiro, informou a Reuters nesta segunda-feira.

Os dois homens, ambos palestinos moradores da região árabe de Jerusalém, ocupada por Israel, foram condenados no domingo por violar regulações de censura militar em suas reportagens sobre a movimentação de tropas para a mídia iraniana do lado israelense da fronteira com Gaza no dia 3 de janeiro.

Jornalistas que trabalham em Israel são, a princípio, proibidos legalmente de noticiar qualquer evento militar ou de segurança antes de submeter suas reportagens a um censor militar. Khader Shahine e Mohammed Sarhan foram acusados de noticiar as movimentações de tropas dentro de Israel que, segundo eles, indicavam a iminência de uma invasão terrestre, antes das tropas israelenses cruzarem a fronteira.

As primeiras informações na imprensa internacional confirmando a invasão foram dadas por testemunhas palestinas dentro da Faixa de Gaza, que avistaram tanques e infantaria dentro do território. Um advogado dos dois jornalistas descreveu a sentença como "severa". A corte civil em Jerusalém disse em nota que tem intenção de condenar outros jornalistas.

Fonte: Reuters

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