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terça-feira, 26 de maio de 2009

Encontro de Jovens da CTB: a juventude se posiciona no novo cenário do sindicalismo brasileiro

Paulo Vinícius

A CTB não é um ou mais prédios, carros de som, jornais, esta ou aquela categoria em si mesmas; mais que isto, é uma grande mudança que ainda não mensuramos totalmente. reafirmei esta convicção neste final de semana, ao participar do I Encontro de Jovens Trabalhadores da CTB, realizado nos dias 23 e 24 de maio em Atibaia, São Paulo.

Graças ao esforço do coletivo de juventude, ao apoio da direção e dos funcionários da CTB e aos 16 estados que enviaram representantes, o encontro superou as expectativas. Mais de 130 jovens, metalúrgicos, marceneiros, operadores de telemarketing, trabalhadores rurais,
comerciários, bancários, funcionários dos Correios, servidores públicos e estagiários estiveram reunidos para refletir e se unir tendo uma mesma aspiração: despertar a juventude para o sindicalismo classista.

Aqueles jovens compreenderam na dura labuta que é indispensável lutar contra a exploração capitalista, e reuniram-se por que sabem ser necessário fazê-lo com a ousadia e a criatividade da juventude. Dispuseram-se a formar uma mesma corrente, chegar a todos os estados
do Brasil, fazendo com que em cada categoria se levante uma voz que chame os outros jovens trabalhadores a tomar seu lugar no movimento e mudar o seu enredo. A juventude se posiciona no novo cenário do sindicalismo brasileiro e o seu potencial revolucionário encontra um
canal privilegiado entre os classistas.

Não era à toa o sorriso nos rostos de alguns de militantes antigos das lutas dos trabalhadores presentes ao encontro. Era visível o seu alento ao perceber que jovens que militavam na CSC e na SSB na UJS, na JSB, no movimento estudantil, independentes, no campo e na cidade se
reuniam assumindo seu posto de combate, dispostos a contribuir com a mudança da prática e da correlação de forças do movimento sindical. O poder dos que produzem a riqueza aliado à garra, irreverência e criatividade da nova geração podem abrir os olhos de milhões de jovens
que são explorados especialmente por sua condição juvenil.

Os jovens querem um futuro melhor. E percebem, em especial agora, quando a máscara neoliberal caiu, o cinismo decadente de um sistema econômico cuja continuidade representa claramente um risco ao futuro. Não acreditamos nas mentiras do capitalismo de que o egoísmo de cada um é a razão da felicidade de todos. A esta mentira, contrapomos a luta por uma mudança verdadeira e profunda, política e econômica, que nos assegure um lugar digno na vida. E, determinados a impedir qualquer retrocesso, queremos apressar as mudanças, aprofundar as
mudanças e abrir caminho ao socialismo. Esta mensagem adquire nova dimensão após se esboroarem vários mitos caros ao sistema, como a teleológica eficiência das forças de mercado e sua mão invisível na alocação de recursos – de fato, o que vimos foi a mão bem visível do
Estado, inclusive no Brasil.

Atentos, concluíram que o sistema penaliza em especial os jovens. São cerca de metade dos desempregados, os primeiros demitidos da crise, expostos à precarização e a condições e salários piores. No campo, sem políticas públicas, crédito e investimentos, espremidos pelo
latifúndio, seguem o cortejo de seus, de nossos, pais e avós, tangidos para as cidades. Vítimas de falsos estágios, penalizados por jornada de trabalho incompatível com o exponencial crescimento da produtividade do trabalho, vêem-se impedidos de prosseguir os estudos,
de viver sua juventude. Submetidos ao assédio moral e também vítimas do assédio sexual, rebelam-se e exigem seu lugar de direito como o futuro do proletariado. Preocupados com o meio ambiente vêem a voracidade irracional do capital que devora vidas, sonhos e a natureza
ameaçando a vida na Terra.

Com tudo isto, sabem que carecem de organização para florescer na luta e desenvolver seu poder mobilizador. E, lado a lado com os atuais dirigentes classistas percebem que podem fazer muito para responder à exploração capitalista e afirmar a alternativa socialista. Batista
Lemos entendeu bem e deu a pista, afirmando que a juventude na CTB não pode ser apenas sindicato, mas deve ser também movimento. E Pascoal Carneiro não hesitou ao afirmar a necessidade imperiosa de a juventude ocupar seu lugar no movimento sindical como condição de sua atualização e futuro.

Já retornamos aos estados com as alegrias e reflexões destes dois dias inesquecíveis. Armados com este mesmo ímpeto, temos agora o desafio de mobilizar a juventude para ocupar seu lugar no 2º Congresso Nacional da CTB, em setembro. O coletivo de jovens eleito definiu uma agenda de organização dos coletivos de jovens trabalhadores em todos os Estados, para compartilhar as reflexões, mobilizar para os cursos de formação da CTB que ocorrem em todo o país e preparar uma grande participação juvenil no congresso. São os primeiros passos, e decerto haverá
dificuldades, mas são decisivos para construir no presente a hegemonia do futuro, fazer da CTB uma central onde a juventude faça a diferença. Beneficiando-se dos egressos do movimento estudantil, unidos aos jovens sindicalistas, campo e cidade, com uma mesma garra classista e
com o rumo socialista, fazer da CTB a central mais juvenil do Brasil.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

1º Encontro da Juventude Trabalhadora da CTB

25/05/2009
www.ctb.org.br

Aconteceu no último final de semana (23 e 24), em Atibaia - SP, o 1º Encontro Nacional da Juventude Trabalhadora da CTB. Com a participação de mais de 130 jovens trabalhadores de diversas categorias do campo e cidade em 16 Estados, o desafio do encontro é debater e definir iniciativas que orientarão as lutas da juventude trabalhadora representada pela Central na cidade e no campo.




A mesa de abertura coordenada pela secretária de Jovens da CTB, Ana Rita Miranda, contou com a presença de Nivaldo Santana, vice presidente da CTB, Danilo Moreira, membro do Conselho Nacional da Juventude Socialista (Conjuve), Marcelo Gavião, presidente da União da Juventude Socialista (UJS) e Igor Menezes – Juventude Socialista Brasileira (JSB).



Unir para avançar

Ao saudar os presentes, Nivaldo Santana, reforçou o caráter classista da CTB, que aposta num processo de renovação e fortalecimento do movimento sindical através da mobilização da juventude. “Nós temos que renovar o sindicalismo, os de “cabelos brancos” têm muito a ensinar para essa juventude, que tem que ocupar seu lugar nos sindicatos. Temos que unir as forças, afinar os pensamentos”, explicou.



Para Nivaldo, essa união entre experientes e jovens sindicalistas é necessária e urgente para tentar mudar a realidade enfrentada pelo jovem. “Os dados mostram uma realidade cruel existente, onde milhares de trabalhadores foram demitidos, afetando em sua maioria os jovens com menos de um ano de registro em carteira. Trabalhadores estes que, além da pouca experiência, se submetem a baixos salários e condições precárias de trabalho”, afirmou vice presidente.

Para Danilo Moreira, membro do Conjuve, é necessário pensar na geração de metas a serem cumpridas pelo governo, fomentando o investimento na juventude. “Nesse momento além da luta, precisamos assegurar a autonomia do movimento. Estamos prestes a encerrar um ciclo político de nosso país, temos que pensar nesse ambiente e de como transformamos isso em possibilidade de mudança. E temos duas possibilidades: uma é a PEC da juventude, a aprovação de uma emenda à constituição que inclua a juventude. E a segunda é um plano nacional da juventude, criando metas a serem cumpridas pelo governo, para que o estado continue investindo em políticas da juventude” concluiu.

Mobilizar a juventude e continuar avançando para fazer a mudança que o Brasil precisa é o pensamento de Marcelo Gavião, presidente da UJS. Segundo Gavião, a CTB nasceu para unificar a lutados trabalhadores. “Tudo, na vida do trabalhador, sempre foi fruto de muita luta e muita mobilização. O desafio da CTB é fazer uma central jovem na sua capacidade de ação, pois é preciso repensar a forma, ser mais ousada que as demais”, frisou o militante.

Realidade do jovem

Com debates de altíssimo nível, o encontro contou com diversas mesas que trouxeram a discussão sobre os problemas vividos pelo jovem, esteja ele no mercado de trabalho ou não, e quais as possíveis medidas que a se tomar para mudar esse cenário.



Outro ponto da pauta foi a Lei do estágio tema de uma mesa coordenada por Vitor Espinoza, que explicou o funcionamento da nova lei defendida no congresso pela jovem deputada Manuela D’Avila (PCdoB - RS) e sua aplicação.

Foram debatidas também a situação da juventude rural e a unificação de uma agenda de lutas que não trate apenas das especificidades de um determinado segmento ou categoria, mas sim de toda a juventude.

Para Batista Lemos, secretário adjunto de relações internacionais da CTB, a secretaria de jovens além de ser uma instituição, deve ser um movimento de massa, deve ir onde o jovem está. “Eles não se encontram apena no ambiente de trabalho, mas também nos bairros. Não devemos ficar presos ao sindicalizados, temos que chamar essa juventude, inclusive os desempregados, para participar e organizar nos bairros. Viva esse encontro, viva a juventude da CTB!”, finalizou Lemos.

Com a palavra de ordem: “Vai avançar e vai crescer a juventude da CTB”, o encontro foi encerrado no domingo (24), com a aprovação do documento oriundo dos debates que será levado para o II Congresso Nacional da CTB e a formação de um coletivo de jovens trabalhadores, que terá a missão de unificar as forças dos trabalhadores rurais e urbanos, assim como ajudar a secretaria a direcionar as ações, mobilizando os jovens nos Estados.



Confira a composição do Coletivo de Jovens trabalhadores eleito:

VICTOR ESPINOZA – Comerciários /RS
ADROALDO NEGREIROS– Correios/SP
VANESSA – Bancários/BA
MARIA DOS REIS – Fetag/MG
ALEX BOCCIA (ABILIO) – Sintratel/SP
PAULO VINICIUSSANTOS DA SILVA – Bancários/DF
THIAGO SANTANA – Sinttel/MG
IGOR MENEZES – CTB/RJ

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