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quinta-feira, 26 de junho de 2014

ASSÉDIO MORAL E SOFRIMENTO NO TRABALHO - Por Wilza Meireles





Os conceitos de assédio moral podem ser diferenciados por palavras, mas todos concordam ser uma conduta abusiva manifestada por comportamentos, palavras, atos, gestos e escritos, com exposição prolongada e repetitiva, propagada em relações hierárquicas e sem ética e que traz danos à personalidade, à dignidade ou à integridade física e/ou psíquica da pessoa, pondo em risco seu emprego e degradando o ambiente de trabalho.

Afeta negativamente a comunicação, as relações interpessoais, a identidade, a saúde profissional, social, emocional e moral do trabalhador. De forma geral ocorre entre aquele que detêm e aquele que é submetido ao poder, mas também ocorre entre indivíduos que detêm o mesmo grau de poder e
participação na hierarquia. No Brasil, alguns governos federais têm trabalhado no sentido de criar uma legislação própria a respeito do assédio moral, embora não há um estudo profundo sobre os efeitos nocivos no trabalhador.

Alguns indícios apontam para a ocorrência de assédio moral, tais como: isolamento, proibição de conversas paralelas, exclusão de atividades sociais comum à todos na empresa, comentários maliciosos e desrespeitosos, referências desrespeitosas quanto ao aspecto físico, caráter, costumes, crenças, condutas, família e outros, responsabilização de erros que outros cometeram, transmissão e ocultação de informações erradas visando prejuízo, rumores sobre a vida privada, delegação de tarefas impossíveis ou degradantes e chegando ao cúmulo, em alguns casos, limitação do número de vezes que o trabalhador vai ao banheiro.

A prática do assédio moral visa a desestabilização profissional da vítima, enquanto o algoz demonstra seu poder, fortalece sua própria auto estima e afasta de si a probabilidade de competição honesta.Sintomas psicossomáticos como dores de cabeça, cansaço crônico, insônia, irritabilidade, ansiedade, obsessões, fobias, apatias, crises de choro, déficit cognitivo, sentimento de indefesa e culpa, vergonha, injustiça e desconfiança, perplexidade, confusão e desorientação, crises de auto estima, aumento de peso ou emagrecimento exagerado, aumento da pressão arterial, propensão ao abuso de fumo, álcool ou outras drogas, pensamentos negativos, desesperança e pessimismo.

Os prejuízos não atingem apenas a vítima, mas também a organização, sua imagem, produção, absenteísmo, qualidade e sanções, e atinge paralelamente a sociedade, tendo em vista conseqüências como a precarização da qualidade de vida, as crises em família e comunitárias, os custos por alguma enfermidade, os riscos de suicídio, aborto e divórcios e acima de tudo o desemprego.

As pessoas se comportam dessa maneira não por serem perversos em suas estruturas, mas porque desenvolvem esses comportamentos inconscientemente devido às gestões do trabalho e aos modos de produção. Para a Psicologia Organizacional o mais relevante é o sofrimento como conseqüência, principalmente quando a ameaça é invisível e torna mais difícil o enfrentamento, devido, muitas vezes, o comportamento ser banalizado, ignorado e oculto, gerando gradativamente o adoecimento ao constatar-se a completa falta de estratégias para enfrentá-lo.

  Por: Wilza Meireles - Psicóloga, Responsável Técnica, Instituto ChamaeleonInstituto de Promoção da Cidadania e do Bem-Estar Social e Emocional.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Conciliação dos estudos, trabalho e vida familiar - Agenda Nacional do Trabalho Decente para a Juventude

Os dados evidenciam uma ampliação do número de jovens que busca conciliar suas experiências no mundo do trabalho, sua escolarização e qualificação profissional. Educação e trabalho não são situações que se anulam na vida dos jovens, especialmente a partir dos 18 anos, onde de maneira mais intensa é possível perceber a busca por conciliar formação e experiência no mundo do trabalho. No entanto, não são poucas as dificuldades para esta conciliação, bem como para dedicação a outras atividades particularmente fundamentais neste momento do ciclo da vida, considerando a extensa, intensa e flexível jornada no mercado de trabalho brasileiro.

Este aspecto é ainda mais acentuado entre moças e rapazes que já possuem responsabilidades familiares, particularmente para jovens grávidas ou que já são mães. Também são necessárias ações no interior das escolas, universidades e ambientes de trabalho na perspectiva de contribuir para que os e as jovens que precisam ou desejam trabalhar possam fazê-lo sem prejuízos da elevação de sua escolaridade e qualificação
profissional. Ao mesmo tempo, são importantes ações específicas na perspectiva de ampliar 
as chances de combinação do emprego, estudo e responsabilidades familiares.


Linhas de ação e programas sugeridos: 

1) Compatibilização de jornadas de trabalho e permanência na escola:
a. Induzir a organização de jornadas de trabalho que permitam o acesso e a permanência dos/as jovens trabalhadores e estudantes na educação básica, profissional e superior, ou que garantam seu retorno às atividades escolares; 
b. Aplicar a Convenção 140 concernente  à Licença Remunerada para Estudos, 1974 (n. 140) da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil em 17/9/1992, que trata da concessão de licença remunerada aos trabalhadores/as para fins de estudos e qualificação profissional por tempo 
determinado;  
c. Criar mecanismos de inibição de jornadas extraordinárias para jovens e estudantes, como horas extras e bancos de horas, mediante convenções ou acordos coletivos de trabalho; 
d. Criar mecanismos que viabilizem jornadas de trabalho reduzidas para jovens; 
e. Apoiar as possibilidades de inserção de jovens estudantes em oportunidades de trabalho próximas de suas residências e de suas escolas. 

2) Ampliar as oportunidades para jovens  de ambos os sexos compatibilizarem trabalho, estudos e vida familiar 
a. Garantir a instalação de creches públicas em condições adequadas e de qualidade no interior ou em locais próximos a instituições escolares visando ao cuidado de filhos de jovens mães e pais trabalhadores/as e/ou estudantes;  
b. Fiscalizar o cumprimento da lei 8.212-91 que garante a concessão do auxílio creche;  
c. Fortalecer o debate de mecanismos  e estratégias sobre a importância da ampliação das licenças paternidade e paternidade, mediante convenções e acordos coletivos de trabalho;
d. Garantir no local de trabalho a igualdade de oportunidades e tratamento aos trabalhadores/ as com responsabilidades familiares, sem prejuízo do cumprimento das respectivas obrigações.  

Conheça o texto integral da Agenda Nacional do Trabalho Decente para a Juventude, definida na 2ª Conferência Nacional da Juventude - por consenso - como prioritária para a luta juvenil no Brasil.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

RESOLUÇÃO DA I PLENÁRIA NACIONAL DA JUVENTUDE DA CTB

Soberania, trabalho e educação contra a crise

Somos jovens, e vemos preocupados a crise capitalista avançar pelo planeta. O Brasil deve enfrentá-la com uma aposta em seu povo e juventude, fortalecendo o mercado interno, a integração latino-americana e com os países do Sul. Avançar na Educação, combater o desemprego juvenil, apoiar o campo, investir nas periferias e zonas rurais dependem de um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento que valorize o trabalho. Não nos contentamos em disputar a periferia do orçamento, é preciso romper com a ditadura do capital financeiro e dos barões da mídia: reduzir os juros e o superávit primário, defender-nos contra a especulação cambial e democratizar a mídia.

Tais são as causas estruturais de uma realidade inaceitável, em que a juventude compõe a maioria da PEA e vive os piores indicadores sociais, vítima da precarização do trabalho, da terceirização, do desemprego endêmico. É preciso assegurar os direitos da juventude ingressar qualificada no mercado de trabalho e seguir a estudar para que ela seja a fortaleza de nosso projeto nacional soberano.

Isso significa defender milhões de jovens pobres expulsos dos bancos de escola porque precisam trabalhar e enfrentar jornadas extensas. Jovens que assumem os cuidados e o sustento das suas famílias (em especial as mulheres), sobretudo nas periferias e no campo, sem qualquer apoio do Estado, privados pela necessidade do direito de decidir o seu futuro.

Por isso solidarizamo-nos com os(as) jovens que ocupam as praças no mundo árabe, na Europa, e nos Estados Unidos, contra a crise capitalista, que cobra dos trabalhadores(as) o preço da orgia financeira. Denunciamos as manobras do imperialismo, cuja repressão e a infiltração, apoiados pela imprensa oligopolista, e através da guerra quer impedir os povos de decidir seus destinos.

Essa luta ganha expressão em nosso país com o #OcupeBrasília na Esplanada dos Ministérios, mobilizado pela UNE, a UBES e a ANPG, e que conta com nosso apoio. Também lutamos pela aprovação do Estatuto da Juventude, por um novo Plano Nacional de Educação com 10% do PIB para a área, e pelo PL dos 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação, Ciência e Tecnologia. Cada centavo para o povo é um a menos a alimentar o rentismo parasita.

O caminho é a mobilização e a pressão política

Aprofundar as mudanças exige enfrentar interesses e precisa de participação e mobilização. É decisiva a luta nas praças, ruas e locais de trabalho, como nas greves, uma pressão fundamental para não nos determos na democracia participativa. Como vimos no lançamento e na abertura da 2ª Conferência Nacional de Juventude, a representação da sociedade civil se resumiu a um membro do Conselho Nacional, ignorando as maiores organizações brasileiras, e sinalizando para o lugar que caberia à juventude na Conferência.

Apesar disso, a mobilização, a autonomia e a amplitude da juventude se impuseram, exigindo que as políticas públicas sejam pra valer, o que se expressa no orçamento. Saudamos as resoluções adotadas que, na maioria dos casos, são sinais de protagonismo, ousadia e unidade por aprofundar as mudanças. Será preciso muita luta para torná-las realidade!

Lutaremos pela Agenda Nacional do Trabalho Decente, para os(as) jovens integrarem educação e trabalho na sua vida, para o que o ensino técnico, articulado à educação formal, é indispensável. Lutaremos por investimento no campo e nas periferias. Somamo-nos às críticas contra a inoperância desde a I Conferência quanto ao extermínio da juventude negra. Lutamos por uma política de cultura para a juventude que assegure a meia para os estudantes, o vale-cultura para os trabalhadores e medidas ainda mais atrativas para a juventude que está fora do trabalho e da escola, e além disso, a juventude não quer apenas consumir cultura, como mostraram os Pontos de Cultura, que possibilitam o protagonismo da juventude e o acesso do campo e das periferias. E somos parte da grande unidade construída pela aprovação do Estatuto da Juventude.

A juventude trabalhadora exige condições iguais de salário e trabalho - em especial para as mulheres -, e o direito à participação no movimento sindical, ameaçado pelas patronais que visam a intimidar ou cooptar a juventude. Consideramos a luta das mulheres pelo empoderamento, contra o machismo e a violência uma dimensão fundamental da luta da juventude trabalhadora. Nosso coletivo passa a ter uma responsável para essa importante luta, que passa pelo próprio movimento sindical assegurar espaços para as crianças nas atividades deliberativas, para não reproduzir a exclusão feminina pela dupla ou tripla jornada.

Juventude da CTB convoca seu II Encontro Nacional para abril de 2013

A Juventude da CTB fortaleceu sua rede em 2011, e nesse caminho convoca seu 2º Encontro Nacional para abril de 2013. Pedimos ao movimento classista da CTB um apoio simples e concreto:
a) Criar a Secretaria de Jovens nos sindicatos e nas direções estaduais com vacância;
b) Encaminhar os contatos de jovens para a juventude da CTB;
c) Apoiar política e financeiramente os coletivos estaduais e nacional favorecendo a interação sindical juvenil dos estados.

Saudamos o ingresso das FETAG de Sergipe, São Paulo e Acre na CTB, e convidamos a juventude rural a ampliar sua força e integração na CTB. Também é nossa a luta por educação no campo, crédito, assistência técnica, acesso à terra, à cultura, ao lazer e ao esporte no campo. O Brasil precisa da sucessão rural e da modernização do campo, com reforma agrária, integração das diferentes formas de propriedade, respeito ao meio ambiente e valorização do trabalho assalariado no campo. São bandeiras da nossa soberania alimentar e nacional, contra os interesses do imperialismo, que cobiça a Amazônia e quer travar o desenvolvimento do Brasil.

Estamos fortalecidos para impulsionar a juventude trabalhadora no movimento sindical como espaço intergeracional que mescla experiência e renovação, ainda que seja a renovação o principal desafio dos experientes. A juventude é um caminho necessário para a CTB crescer ainda mais e ser referência para essa parcela com inegável representatividade. A burguesia disputa a juventude. O movimento sindical não pode vacilar em atrair milhões para a vocação da juventude trabalhadora: mudar o Brasil a favor das maiorias, para um futuro de democracia e direitos, um futuro socialista!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Juventude da CTB participa de reunião do CONJUVE às vésperas da II Conferência Nacional da Juventude




www.portalctb.org.br




O Conselho Nacional de Juventude realiza nos dias 24 e 25 no Instituto Chico Mendes, em Brasília, a sua 27ª reunião, a última antes da 2ª Conferência Nacional de Juventude, que acontecerá no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, também na capital federal.

A CTB é representada pelo Secretário Nacional de Juventude, Paulo Vinícius Silva, que é membro titular no CONJUVE, representando os trabalhadores urbanos.

A reunião debaterá a 2ª Conferência, os programas da Secretaria Nacional de Juventude (Estação da Juventude, Observatório da Juventude) e a própria reestruturação do CONJUVE. Debaterá também o Plano de Enfrentamento à Mortalidade da Juventude Negra.

Estatuto da Juventude ganha apoios
Um tema que polarizará o debate será a luta pela aprovação do Estatuto da Juventude, que tramita no Senado. A proposta que veio da Câmara, apresentada por Comissão presidida pelo deputado Lobbe Neto (PSDB-SP) e relatada pela Deputada Manuela D'Ávila (PCdoB-SP), cujo relatório contou com apoio quase unânime, com o voto contrário apenas do ultrarreacionário Jair Bolsonaro (PP-RJ). A proposta enfrenta resistências por garantir questões fundamentais, como a meia entrada cultural e a meia passagem para os jovens estudantes, a defesa do Trabalho Decente, a luta contra a discriminação e instituir o Sistema Nacional de Juventude, cuja implantação demandará investimentos do governo federal, de Estados e municípios, além de fortalecer o CONJUVE.

Na audiência pública realizada no Senado na última terça-feira mostrou grandes possibilidades para os jovens brasileiros. Chamou atenção a ausência do Senador Demóstenes Torres (DEM-GO), cuja virulenta invectiva em seu blog contra o Estatuto não se converteu em um debate democrático com os jovens e demais senadores, já que o Senador não foi apresentar de viva voz suas posições contrárias ao Estatuto.

No geral, o tom da Audiência foi de apoio à matéria, com a novidade de o setor cultural se somar à luta aprovação do Estatuto, defendendo em unidade com as entidades estudantis a defesa da meia, bastando que se respeite a cota de 40% que foi acordada já há 4 anos no próprio Congresso, o que fortalece a defesa da manutenção da meia entrada para os jovens estudantes. Essa política pública fundamental, que chama a juventude para a educação e a cultura ganha um relevo ainda maior nesse momento em que tramita o Plano Nacional de Educação, que conta com a possibilidade de ter as propostas dos 10% do PIB para investimento em educação.

Tais proposições em pauta podem significar grande incremento na inclusão social e na emancipação econômica da juventude, que representa a maior parcela da População Economicamente Ativa, com 52 milhões de jovens entre 15 e 29 anos, e que vivem os piores indicadores sociais no Brasil. Junto com o PRONATEC, tais políticas públicas podem ser uma nova fase para a juventude, preparando-a para, através do trabalho qualificado e decente, e ocupar um papel central e benfazejo no desenvolvimento brasileiro.

A Conferência reunirá 2300 jovens em Brasília - a CTB estará presente e realizará sua I Plenária nos dias 12 e 13 de dezembro. A 2ª Conferência Nacional de Juventude será no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade de 09 a 12 de dezembro. A juventude da CTB elegeu delegados e delegadas em vários Estados e falará aos participantes com material próprio, para contribuir com as opiniões da juventude classista ao debate nacional. E ao final da 2ª Conferência, nos dias 12 e 13, a Juventude da CTB realizará a sua I Plenária Nacional na sede da CONTAG, em que pretende reunir 80 jovens sindicalistas do maior número de Estados presentes, fechando com chave de ano 2011 e preparando um 2012 de mais organização e vitórias para a juventude da CTB.

Secretaria da Juventude Trabalhadora da CTB

sábado, 1 de outubro de 2011

CTB-DF participa com êxito da I Conferência do Trabalho Decente do DF

Paulo Vinícius


A CTB do Distrito Federal participou nos dias 28 e 29 de setembro da Conferência do Trabalho Decente do Distrito Federal, que reuniu cerca de 300 pessoas vindas de todo DF. Foi um processo democrático e participativo que envolveu o Governo -  através da Secretaria do Trabalho, sob a liderança de Glauco Rojas -, os Trabalhadores -  através das Centrais Sindicais -,  e empregadores. O acompanhamento da construção da Conferência no DF pela CTB ficou a cargo do Professor Mário Lacerda, diretor do SAEP (Sindicato dos Auxiliares da Educação Privada do DF) e Secretário de Formação da CTB-DF.

A Conferência do Trabalho Decente do Distrito Federal ocorreu no Parlamundi, um espaço agradável e bem estruturado, e o papel da Secretaria do Trabalho foi muito importante, na medida em que teve uma postura democrática e de diálogo, como se esperava do Governo Agnelo, e representada pela capacidade mediadora do secretário adjunto, Eduardo Augusto Lopes.

A conferência teve etapas nas cidades satélites, que elegeram delegados à etapa distrital. Da Conferência do DF nove delegados(as) seguirão para a Conferência Nacional do Trabalho Decente, prevista para maio de 2012. Na abertura da atividade falou Joilson Cardoso, secretário de Política Sindical e Relações Institucionais da CTB e nosso representante no Comitê Nacional. O vice-presidente da CTB, Nivaldo Santana também se fez presente no dia 29, num encontro com os delegados e delegadas.

Dois focos de tensão foram claros no debate. O primeiro e mais importante, opondo empregadores e trabalhadores. Para os iludidos com o suposto fim da luta de classes, a experiência foi esclarecedora ao revelar uma visão retrógrada - na verdade de classe - da bancada patronal, que levantou destaques em uma impressionante quantidade de propostas, em qualquer coisa que significasse a garantia de trabalho decente para os trabalhadores, como se evidenciou na oposição a proposições como a extensão da licença maternidade para seis meses, as cotas nas instituições privadas, e mesmo o fortalecimento da averiguação dos acidentes de trabalho com base no Nexo Técnico Epidemiológico (NTEP), que vincula as atividades laborais e as doenças mais comuns, nova metodologia que diminui as injustiças das perícias do INSS.

O segundo foi a postura da CUT-DF, parte de uma orientação nacional, em pautar como proposta sua o fim do imposto sindical, a despeito da matéria nada ter a ver com trabalho decente. A CTB manifestou-se contra a atitude anti-unitária, vocalizando o sentimento das demais centrais, e a proposta foi derrotada por maioria no  debate do eixo sobre Princípios e Direitos, o que não impediu que ambas (a rejeição da proposta e a sua manutenção) fossem remetidas à Conferência Nacional. Todavia, em outro eixo, a proposição de manutenção do imposto e da unicidade passou por consenso, o que mostra a falta de apoio ao temário divisionista.

A despeito dessa divergência, foi possível unificar a ampla maioria das proposições na bancada dos trabalhadores, num importante  exercício de unidade que marcou toda a construção da Conferência. Nisso contribuiu a participação qualificada e permanente da CTB através de seu representante no Comitê Gestor, que muito contribuiu para a aproximação das centrais sindicais. Em reconhecimento a esse fato, por unanimidade, o companheiro Mário Lacerda foi indicado pela CTB para ser delegado à Conferência Nacional, tendo como suplente a tesoureira da central candanga, a companheira Maria José Correia (Zezé), do SINPRO. Ademais, foi possível às centrais sindicais apoiar uma chapa de integrantes da sociedade civil que também saiu vitoriosa por ampla maioria, com a eleição de três delegados, dentre os quais o companheiro Rumaldo, de São Sebastião, cujo apreço pela CTB causou até certa ciumeira.

O resultado geral foi de maior articulação entre as centrais sindicais no DF e de fortalecimento político e sindical da CTB, além de uma contribuição importante dos trabalhadores do Distrito Federal à Conferência Nacional do Trabalho Decente.

Clique aqui para ver as fotos da Conferência.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Plenária do Trabalho Decente em Brasília nesse sábado 17/09 às 8h00 na 907 Sul



O evento ocorrerá na EAPE- Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais de Educação



PROGRAMAÇÃO - IV PLENÁRIA REGIONAL - BRASÍLIA
Agenda Brasiliense do Trabalho Decente


Data: Sábado, 17/09/2011
Local: EAPE – Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação – SGAS 907 –
Conjunto A – Asa Sul – Brasília / DF
8:00 às 10:00
CREDENCIAMENTO
9:00 às 10:00
Abertura
10:00 às 12:00
Painéis
12:00 às 13:30
Almoço
13:30 às 16:00
Discussão dos Eixos Temáticos e levantamento de propostas
16:00 às 17:00
Plenária
17:00 às 18:00
Eleição de Delegados da Sociedade Civil
18:00
Encerramento
CIDADES PARTICIPANTES
Brasília, Núcleo Bandeirante, Guará, Cruzeiro, Lago Sul, Lago Norte, Candangolândia, Jardim Botânico, Sudoeste-Octogonal, Varjão e SIA (11 delegados)

Eixos-Temas-Palestrantes 
IV PLENÁRIA REGIONAL - BRASÍLIA
Agenda Brasiliense do Trabalho Decente

Eixo I. Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho

1. Princípios fundamentais da democracia moderna: Trabalho decente, igualdade de oportunidades especialmente para negros, mulheres, jovens e grupos socialmente vulneráveis, valorização do salário mínimo e direito à negociação coletiva Palestrante: Mário Lúcio Souto Lacerda (Diretor de Formação da CTB-DF e do SAEP)

2. Dimensões do trabalho decente: Saúde e segurança no trabalho. Palestrante: Paulo Vinícius Silva (Secretário Nacional de Juventude da CTB e Secretário Geral da CTB-DF)
Eixo II. Proteção Social

1. Desafios ao trabalho decente: Prevenção e erradicação do trabalho infantil, escravo e ao tráfico de pessoas. Palestrante: Andrea Bolzon (Organização Internacional do Traballho).
2. Combate à informalidade e migração para o trabalho formal. Palestrante: Francisco das Chagas Firmino (Secretário de Relações Sindicais da CTB-DF)
Eixo III. Trabalho e Emprego

1. Fomento ao desenvolvimento Sustentável: Políticas de crédito, ampliação da cadeia produtiva, com geração de mais e melhores empregos e investimento contínuo em educação profissional. Palestrante:  Max Coelho da Secretaria do Trabalho do GDF

2. Economia solidária como alternativa ao desemprego estrutural: Cooperativismo, empreendedorismo e pilares fundamentais na geração de trabalho decente, ocupação e renda. Palestrante:  Nelcy Cordenonsi

3. Economia verde: empresas sustentáveis, emprego rural, agricultura familiar e orgânica e desenvolvimento territorial sustentável. Palestrante: Maurício Ferreira da Silva (CGTB)
Eixo IV. Fortalecimento do Tripartismo e do Diálogo Social como Instrumento de Governabilidade Democrática
1. O papel dos acordos coletivos e das convenções trabalhistas na criação das condições sociais para a construção do trabalho decente.Palestrante: Marcos Velaine (DIAP)
2. O papel estratégico dos conselhos tripartites para o processo de governabilidade democrática. Palestrante: Roberto Miguel (CUT)


Informação: Conferência do Trabalho Decente, SETRAB e CTB

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Jovens sindicalistas do Cone-Sul debatem na UGT Educação e Trabalho em Seminário Internacional em São Paulo nos dias 30 e 31




A Comissão de Juventude da  Coordenadora de Centrais Sindicais do Cone-Sul (CCSCS) realizará nos dias 30 e 31 de agosto em São Paulo o Seminário Internacional  “Educação e Trabalho – desafios para a Juventude”,  com a presença de representantes da juventude sindicalista de várias centrais sindicais da nossa região e das Centrais Sindicais brasileiras.

“Educação e Trabalho – desafios para a Juventude”, que ocorrerá nos próximos dias 30 e 31 de agosto promovido pela Comissão de Jovens da Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSCS).


Reunião da Comissão de Jovens em Assunção, Paraguai, agosto de 2010

O Seminário debaterá à luz do Trabalho Decente as dificuldades e possibilidades de jovens trabalhadores da região. "É fundamental os sindicatos da CTB São Paulo contribuírem com esse debate importante para a região e o país, em especial porque o evento acontece numa das maiores cidades do mundo, com importante peso da juventude trabalhadora e forte presença de imigrantes dos países irmãos. Em São Paulo a integração se faz na prática, mas é preciso lutar pelo trabalho decente, posto que recentemente tivemos claros indícios de trabalho, atingindo em especial bolivianos. Assim, cabe-nos debater uma integração solidária, o trânsito não só de bens, mas de pessoas e a plena garantia de direitos a todos os trabalhadores, entre outros temas, destaca o Secretário de Juventude da CTB, Paulo Vinícius, que acompanhará a atividade.
Delegação Brasileira na reunião da CCSCS em Assunção, Paraguai, em agosto de 2010.



Este Seminário será realizado em São Paulo, na União Geral dos Trabalhadores – UGT. R. Aguiar de Barros 144 – Bela Vista.

Programação:

Terça-feira - 30/08
14:30 – 15:00  - Abertura do Seminário
Rafael Freire – Secretário de Política Econômica e Desenvolvimento Sustentável da CSA
Rosana Sousa – Coordenadora da Comissão de Juventude da CCSCS
Moderador: Jefferson Tiego – Secretário de Juventude da Força Sindical

15:00- 17:00 -Mesa “Juventude Trabalhadora do Cone Sul e suas perspectivas sobre educação”
Mesa: José Renato Martins (Secretário Geral UNILA)
          Gonzalo Berrón (Secretaria de Integração Regional CSA)
          Roberto Leão (Setor Educação CCSCS)
          Maria Carla Carrochano (Ação Educativa)
          Moderador: João Vidal – Secretário de Juventude da UGT

17:00 – 18:00 Debate em Plenário
18:00 – 18:30 Fechamento do dia


Quarta-feira - 31/08
09:00 – 11:00 - Mesa sobre “Educação e Trabalho Decente: Prioridades da Juventude Trabalhadora”
Mesa: 1 representante por Central de cada país
Moderador: CGTB
Participação da CTB

11:00 – 12:30 Debate em Plenário
12:30 – 13h

Encerramento da atividade

Este Seminário será realizado em São Paulo, na União Geral dos Trabalhadores – UGT. R. Aguiar de Barros 144 – Bela Vista.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Oficina do Congresso debate trabalho decente e erradicação do trabalho infantil


25/09/2009

Trabalho infantil foi o tema de uma das oficinas realizadas ao final da plenária do segundo dia do 2º Congresso Nacional da CTB, contando com a presença do coordenador do Programa Internacional para Eliminação do Trabalho Infantil, Renato Mendes, Isabel Rêgo, coordenadora do Fórum Paulista de Erradicação do Trabalho Infantil, Sônia Latgê, Políticas Sociais e Previdência, Márcia Viotto, socióloga e assessora da CTB e Rogério Nunes, secretário de imprensa e Comunicação.


Em sua explanação, Mendes deu diversos exemplos de trabalho que prejudicam a vida das crianças, citando as atividades de contato com agrotóxico e tabaco até exploração para prostituição e tráfico. Em todas as situações, Renato destacou que sempre deve haver a consciência de que o limite para o trabalho infantil é a preservação da saúde e da vida da criança.

Para ele, não é possível expropriá-las do tempo de criança, de brincar e se divertir, pois é neste momento que a criança se desenvolve.

Neste contexto, Renato enfatizou a importância de o movimento sindical participar mais ativamente desta luta, priorizando estratégias para valorizar a qualidade da educação das crianças e, como consequência, contribuir com a formação de um Brasil mais justo.

Representantes do campo e da cidade enfatizaram a importância da implementação de políticas públicas que garantiam educação de qualidade e opções de lazer para a criança e o adolescente. Outra necessidade discutida foi a da distribuição de renda para que as famílias encontrem condições de se sustentar sem contar com a mão de obra de infantil.


Isabel Rêgo revelou que a complexão é complexa por isso a necessidade de participar dos Fóruns de discussões nos Estados para que haja a interação e discussão com a sociedade. Ela revelou que o Fórum tem somado esforços com entidades voltados para promoção do trabalho descente e erradicação do trabalho infantil.

Preocupada com a questão, a OIT está promovendo uma agenda que vai desde o trabalho descente passando pelos problemas dos trabalhadores e aposentados, até a questão do meio ambiente. Ele foi enfático ao afirmar que as pessoas precisam participar e motivar essa discussão dentro dos sindicatos, onde o tema é pouco promovido. E exigir que esse ponto, a proteção da criança e da família faça parte dos acordos coletivos fechados.

Sônia Latgê, que fechou os trabalhos, reafirmou o compromisso da secretaria com o tema e garantiu que será construída uma agenda nesse sentido, com planejamento e ações para o próximo ano. “Essa foi a CTB que a gente idealizou em 2007. Onde a participação da militância dentro dos sindicatos define a pauta de luta. A questão do trabalho digno e a proteção de nossas crianças e jovens é principal programático da central. E esse mandato que se inicia deve cumprir um papel no sentido de alimentar as ações políticas e as interlocuções de nossa Central com todas as esferas de controle social existente no nosso país”, finalizou a secretária de políticas sociais da central.

(Portal CTB - Fotos João Zinclar)

Coletivizando no Youtube