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sábado, 29 de agosto de 2009

Não devemos lamentar a queda do superávit fiscal


Umberto Martins *

O superávit primário do setor público consolidado (Banco Central, Tesouro, Previdência, governos estaduais, municipais e empresas estatais) somou R$ 3,180 bilhões em julho, valor 71,2% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado (R$ 11,057 bilhões), de acordo com informações do Banco Central (BC), divulgados nesta quarta-feira (26). A direita neoliberal chiou, mas a classe trabalhadora e as forças progressistas não têm porque lamentar.

O superávit primário é a diferença entre as receitas e as despesas do setor público, excetuando os gastos com pagamentos de juros. Na verdade, é uma economia que o Estado faz para pagar os juros (extorsivos) da dívida interna, tirando dinheiro da saúde, educação, reforma agrária, aposentadorias, infra-estrutura e outras áreas.

Transferência de riqueza

A política monetária conservadora provocou o agigantamento dos débitos (que estão concentrados nas mãos de grandes investidores) e da carga de juros. Os recursos do orçamento destinados aos serviços da dívida configuram uma custosa transferência de riqueza do conjunto da sociedade para a oligarquia financeira, em detrimento dos interesses da população. É uma forma de redistribuição perversa da renda nacional, promovida pelo poder público, que requer uma carga tributária alta.

É por esta e outras razões que a CTB e outras centrais sindicais reivindicam o fim do superávit primário, bem como a redução substancial da taxa básica de juros (que serve de parâmetro para remunerar os títulos da dívida pública) e do aberrante spread bancário (diferença entre o que os bancos pagam para captar dinheiro e o que cobram nos empréstimos). Menos dinheiro para pagamento de juros a banqueiros e especuladores insaciáveis significa mais recursos para a saúde, a educação, a reforma agrária, a infra-estrutura, o funcionalismo.

Canto de sereia

A direita, pela pena dos colunistas e editorialistas da mídia capitalista, afinados com os interesses da oligarquia financeira, criticam a redução do superávit e vociferam contra a suposta “gastança” do governo, cobrando mais cortes nas despesas públicas, que na prática significam menos saúde, menos educação, menos reforma agrária, menos infra-estrutura.
A classe trabalhadora e o movimento sindical não devem se deixar levar pelo canto de sereia neoliberal. Os problemas da economia nacional não são provocados pelos gastos e investimentos públicos, que precisam crescer mais. Resultam precisamente da hipertrofia do sistema financeiro, que suga uma parte considerável da poupança nacional, subtraída da sociedade através dos tributos e desviada para pagar dívidas. Daí provém o mal que nos incomoda e que obstrui os canais do desenvolvimento nacional.

Círculo vicioso

É conveniente lembrar que a dívida pública brasileira não foi contraída para financiar gastos e investimentos destinados a melhorar a qualidade dos serviços públicos e a vida do nosso povo. Foi produzida pela política econômica tucana, refletiu os juros altos, que criaram um círculo vicioso, levando o governo a emitir mais títulos para pagar seus credores, ou seja, a contrair dívida nova para bancar a velha, elevando o estoque de débitos.

Na verdade, o Brasil exibe uma carga tributária equiparável à europeia e um serviço público de qualidade deplorável, pois o grosso da arrecadação acaba sendo apropriado pelos credores. A demanda do movimento sindical pelo fim do superávit e uma mudança radical da política monetária, assim como da política econômica, é que pode quebrar este círculo.

Não é demais acrescentar que as despesas do setor público também têm um papel fundamental no amortecimento dos efeitos da crise econômica mundial. Não há razão para lamentar a queda do saldo entre receita e despesa primária em julho. Ademais, a sobra de 3,1 bilhões de dólares em julho não é desprezível e deveria ser canalizada para outras finalidades.

Reflexo da crise

Conforme esclarece a nota do BC, o resultado das contas públicas está associado à "queda da arrecadação das receitas federais, influenciada pelo menor nível de atividade e pelas medidas de desoneração adotadas para fazer frente à crise financeira internacional, que continua repercutindo sobre o resultado acumulado do ano".

Prudentemente, o governo resolveu ignorar a crítica dos neoliberais e reduziu a meta do superávit primário de 3,8% para 2,5% do PIB e excluiu a Petrobras do cálculo do saldo com o objetivo de aumentar a capacidade de gastos e investimentos em meio à crise internacional. Conforme admitem muitos analistas, esta orientação contribuiu para reduzir os impactos da crise. Neste sentido, o governo reconheceu implicitamente que as centrais sindicais têm razão ao criticar a política fiscal e cobrar mais gastos e investimentos do Estado.

Economia excessiva

Apesar dos pesares, o peso da economia feita pelos governos para pagar juros sobre o orçamento é grande. Nos 12 meses encerrados em julho, o superavit primário ficou em R$ 52,085 bilhões,valor que corresponde a 1,76% do PIB. Em julho, o Governo Central (Tesouro, Previdência, Banco Central) economizou R$ 1,691 bilhão. Os governos estaduais pouparam R$ 1,269 bilhão, ao passo que os municipais registraram déficit de 472 milhões.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, observou uma modesta redução do pagamento de juros neste ano, que chegou a R$ 16,169 bilhões em julho e a R$ 95,106 bilhões nos sete meses do ano. Esses valores foram menores do que os registrados nos mesmos períodos do ano passado: R$ 18,939 bilhões e R$ 107,833 bilhões, respectivamente, o que provavelmente reflete a redução da taxa básica de juros (Selic).

Em função disto, o déficit nominal do setor público (resultado entre despesas e receitas incluindo o pagamento dos juros) deve fechar o ano em torno de 3% do PIB, um dos menores do mundo neste momento de crise. Para se ter idéia, o rombo dos EUA pelo mesmo critério supera 13% e os neoliberais ficam de bicho fechado, não ousam criticar. Afinal, a conduta imperial paira acima de qualquer suspeita do ponto de vista dos súditos e lacaios.



* Jornalista, membro da Secretaria Sindical Nacional do PCdoB.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Tiro pela culatra: o papelão de Waldvogel e o fiasco da Globo

www.vermelho.org.br

A jornalista Monica Waldvogel protagonizou um dos maiores papelões da grande mídia nos últimos tempos. Para discutir, nesta terça-feira (25), a "crise da Receita", ela reuniu no programa Entre Aspas, da Globonews, um trio de entrevistados que estava simplesmente na contramão do script golpista da emissora. Eram eles o ex-secretário da Receita Federal (no governo FHC), Everardo Maciel, o presidente do SindiReceita, Paulo Antenor, e um advogado tributarista.

Waldvogel iniciou o programa com uma leitura apocalíptica sobre o "aparelhamento da Receita" pelo governo Lula, mostrando Lina Vieira como uma “vítima” de interesses poderosos (Sarney, Petrobras, etc.). Todas as teses da introdução de Waldvogel foram, no entanto, rejeitadas e rebatidas pelos participantes do programa. Segundo eles, o aparelhamento foi feito, na verdade, pela própria Lina Vieira.

Para o jornalista Luis Nassif, o comentário inicial de Waldvogel foi "vergonhoso, antijornalístico e desonesto", “a Globonews perdeu o rumo”, e a apresentadora “desrespeita os telespectadores ao antecipar conclusões falsas”. Ao final do programa, constrangida, a jornalista ainda perguntou: “Mas então houve uma manipulação da opinião pública?”. Os três entrevistados concordam.

Veja a íntegra do programa.




Leia abaixo o texto de Luis Nassif, publicado em seu blog

O comentário inicial lido por Mônica Waldvogel é vergonhoso, antijornalístico, desonesto, porque desmentido ao longo de todo o programa pelos três entrevistados convidados. A Globonews perdeu o rumo.

Os três convidados são unânimes em afirmar que politização ocorreu na fase de Lina Vieira, não agora. Mônica atropela as conclusões da mesa redonda, desrespeita os telespectadores ao antecipar conclusões falsas. Principalmente sabendo-se que a abertura sempre é feita após o programa, com base nas conclusões levantadas.

Paulo Antenor, presidente do SindiReceita, sindicato dos Analistas-Tributários da Receita Federal, denuncia o aparelhamento da Receita… por Lina. Mostra que o pedido de demissão coletiva dos antigos superintendentes foi apenas uma antecipação para demissões que ocorreriam. O advogado tributarista nega crise na Receita. Disse que está mais preocupado com as taxas de juros dos bancos e temas mais relevantes.

Mônica tenta se socorrer do ex-Secretário da Receita Everardo Maciel, da gestão FHC, pedindo que confirme a politização. Everardo diz que a politização ocorreu com Lina e que agora não há ingerência política, porque é atribuição do Ministro definir o Secretário.

Depois disso tudo, Mônica volta ao papo de que Mantega estaria pressionando para não apertar os grandes contribuintes. Os entrevistados negam. Everardo mostra que esse foco nos grandes contribuintes começou em sua gestão. Mônica diz que houve aumento na arrecadação dos grandes contribuintes na gestão Lina. Everardo desmonta com números.

Mônica vem com a história da opção do regime de caixa pela Petrobras foi manipulação. Everardo é incisivo: a Petrobras está certa. O factóide criado foi para justificar a queda da arrecadação na gestão Lina - embora admita que a queda tem muitos outros fatores deflagradores, entre os quais a crise.

Mônica: se fosse tão clara a possibilidade de mudar o regime no meio do ano, não haveria essa controvérsia.

Everardo: a regra é clara e foi feita em 1999 justamente para enfrentar o problema da desvalorização cambial.

Mônica: mas até agora a Receita está para soltar um parecer.

Everardo e os demais: já foi feito, concordando com a Petrobras. Essa prática existe há muito tempo, não existe qualquer ilegalidade ou manobra contábil.

Mônica, balbuciando: a lei foi feita. Houve então uma manipulação da opinião pública?

Todos concordam com a cabeça.

Aí ela deriva a entrevista para o caso Sarney, perguntando se é legítimo pressionar a Receita para abrandar a fiscalização.

O presidente do Sindicato disse que é impossível essa pressão, que nunca essa informação correu na Receita. Disse que sempre trabalhou próximo à chefia da Receita, tanto no governo FHC e Lula, e nunca viu esse procedimento. O chefe da Receita conversa com políticos todos os dias. Mas esse tipo de ingerência é novidade para a gente.

Everardo disse que se ocorreu, o momento certo seria na época em que foi feita. Se não fez, cometeu prevaricação.

Conclusão final dos três entrevistados: Lina foi um desastre para a imagem da Receita e caberá a todos os funcionários trabalharem para o resgate de sua imagem.

Assista o programa e depois volte à abertura.

PS - O programa é ao vivo. Então na abertura Mônica definiu conclusões que não foram avalizadas, posteriormente, pelos entrevistados.

Da Redação, com informações da Carta Maior

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

21 /08/ 2009

CTB repudia assassinato de trabalhador sem-terra no Rio Grande do Sul

Desde que a Fazenda Southall foi declarada improdutiva pelo Incra e determinada a desapropriação dos mais de 13 mil hectares de terra, os conflitos são eminentes no município de São Gabriel. O desfecho previsto há anos se consumou na manhã de hoje (21), com o covarde assassinato do trabalhador rural sem-terra Elton Brum da Silva, 44 anos, vítima de um tiro, durante a desocupação pela Brigada Militar na Fazenda Southall.

Mais uma vez o Governo do Estado demonstra que o jeito tucano de governar é através da covardia, do abuso do comando, da brutalidade sem precedentes na história dos gaúchos, um povo de tradição democrática, que se vê diante selvageria promovida pelo braço armado do Governo - a Brigada Militar – sob o comando de Yeda Crusius.

A CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil manifesta seu mais impetuoso repúdio a ação da Brigada Militar e responsabiliza o Governo do Rio Grande do Sul pelo assassinato desse trabalhador rural e exige punição.

Não aceitamos que o Estado seja instrumento para defender a propriedade privada e em contrapartida trate os movimentos sociais à bala. Nenhum tipo de repressão poderá conter nosso sonho de uma sociedade justa e igualitária. Os movimentos sociais não vão recuar no livre direito de manifestação democrática.

Reforma agrária já! Essa luta é nossa!

CTB RS - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.


quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Por lutar por aumento maior, Jeferson Tramontini sofre perseguição política no SEEB Curitiba




BANCÁRIOS QUEREM DEMOCRACIA

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) sempre pautou sua atuação pela construção da unidade de todos os segmentos da classe trabalhadora. Unidade que não pressupõe cabrestos nem adesões, mas o respeito às diferentes opiniões, visando um objetivo comum.

Da mesma forma, os militantes da CTB se mantém firmes na defesa do que acreditam ser os melhores caminhos pra as categorias onde atuam. Assim também é a ação dos organismos da CTB entre os bancários de todo o país.

Com essa visão, a CTB construiu um acordo político no Sindicato dos Bancários de Curitiba com a CUT para a eleição sindical de 2008. O acordo tratava da construção da unidade, sem adesões. Assim, com o voto da categoria e decisão de assembléia, ficou liberado o companheiro Jefferson Tramontini, pós-98 (TB) da Caixa, para o trabalho sindical.

Foi por essa razão que os sindicatos filiados e os núcleos de base da CTB pautaram, nas assembléias de aprovação da minuta de reivindicações 2009, Brasil afora, modificações substanciais no texto original. Mudanças como a elevação do índice de reajuste a um patamar mais justo (inflação+10%); a necessidade da recomposição das perdas salariais desde o plano Real; a isonomia plena entre novos e antigos; e a contrariedade ao acordo de 2 anos.

Na visão da CTB, são as assembléias de base que detém o poder de fato de decidir os rumos da categoria e seus sindicatos. Não devendo, a base, ficar reféns de questionários ou pesquisas contratadas, mas opinando e votando naquilo que realmente é seu desejo.

Mas nem todos pensam dessa maneira. Após a assembléia de 29 de julho, a diretoria executiva do Sindicato dos Bancários de Curitiba, órgão composto exclusivamente por membros da CUT, decidiu romper, unilateralmente, o acordo construído em 2008. Assim, resolveram cassar a liberação do companheiro Jefferson Tramontini (único TB liberado no estado), que também é dirigente da CTB-Paraná. Sem nenhuma cerimônia, rapidamente convocaram uma assembléia para esta quarta-feira, dia 19 de agosto, por exigência estatutária. Obviamente, pelo curto tempo, essa assembléia será muito mal convocada, pois, certamente, a maior parte da base não será comunicada.

Segundo as palavras do presidente do sindicato, a campanha salarial deste ano não será baseada nas questões econômicas. Esse é o conflito. A CTB buscou colocar o salário de cada bancário no centro da campanha. Assim, com o falso argumento de uma suposta “quebra de confiança”, a direção majoritária do sindicato (CUT) quer tentar calar as vozes que discordam, que tentam elevar a luta da categoria a um novo patamar.

Para impedir que o Sindicato dos Bancários de Curitiba tenha essa postura anti-democrática, a CTB chama todos os bancários e bancárias a defender a liberdade de expressão, comparecendo à assembléia dia 19 de agosto, mostrando à diretoria da entidade que o movimento se constrói com pluralidade, respeito às diferentes opiniões e democracia.

CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - Ramo Financeiro

Núcleo Sindical de Base - Curitiba e Região

domingo, 16 de agosto de 2009

Unidade marca Jornada dos Movimentos Sociais

Movimentos

14 de Agosto de 2009 - 17h44


Militantes dos movimentos sociais de todo o Brasil foram às ruas nesta sexta-feira (14) para defender a redução da jornada de trabalho, mais empregos e direitos, reforma agrária e urbana, ratificação das Convenções 151 e 158 da OIT, fim do superávit primário e mais investimentos em saúde, educação e moradia. A Jornada Nacional Unificada de Lutas 2009 foi marcada por muita unidade e mobilização em pelo menos 12 capitais.

Presença de diversos movimentos marcou ato político que encerrou passeata no MASP

Em São Paulo, a organização do ato anunciou a presença de 25 mil manifestantes na Avenida Paulista. A concentração do ato em São Paulo foi na Praça Oswaldo Cruz. Muitas bandeiras, faixas e militantes dos mais diversos movimentos: sindical, estudantil, do campo e da cidade, mulheres, movimento negro, por moradia, pela democratização da comunicação, partidos de esquerda, coletivos jovens e militantes sociais das mais diversas naturezas se unificaram em torno de reivindicações e de uma plataforma comum para o desenvolvimento do país. A passeata foi até o vão livre do MASP onde ocorreu o ato político final com falações das lideranças sindicais e do movimento social e teve duas paradas estratégicas: em frente à Petrobrás e em frente à FIESP.

Marcha do MST engrossa passeata

A barreira da polícia só não era maior que a belíssima marcha do MST, que se somou ao ato ainda na concentração, após mais de uma semana de marcha no estado de São Paulo. Mas não houve confronto e o trânsito não foi completamente parado, os manifestantes deixaram uma faixa da avenida paulista livre para o tráfego.

Para Wagner Gomes, presidente da CTB, o movimento já obteve uma vitória, visto que o Projeto de Lei que prevê a redução da jornada de trabalho de 44h para 40h sem redução de salários foi aprovado por unanimidade na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados. Entretanto, o sindicalista alerta que a aprovação em plenário será um grande desafio, e a forma de enfrentá-lo será uma grande campanha pública das centrais em unidade pela redução da jornada. O presidente da Força Sindical, Paulinho, disse que a idéia é colocar telões em praças públicas pelo país e mobilizar 100 mil trabalhadores no dia da votação em plenário.

Para Arthur Henrique, presidente nacional da CUT, é tempo de fazer uma campanha de convencimento dos parlamentares em defesa do PL da redução da Jornada de Trabalho. Para seguir com as manifestações, a bandeira estará presente como pauta importante em cada campanha salarial deste semestre.

Unidade marca atos pelo Brasil

Para além da pauta da redução da jornada de trabalho, a maioria das lideranças considera que a unidade construída na organização do ato já foi uma vitória importante, que abre caminho para outras manifestações desta proporção. “Mais uma vez todo o movimento social se unifica em torno de bandeiras comuns. Esta é a tradição da sociedade organizada no Brasil e é assim que conquistamos as transformações e mudanças até hoje”, comemora o presidente recém empossado da UNE Augusto Chagas. A fala do líder do MST, João Paulo Cunha, foi na mesma linha: “o MST reafirma seu compromisso de lutar pela Reforma Agrária, mas sobretudo pelos direitos dos trabalhadores, do campo e da cidade”. João Paulo fez cobranças ao governo Lula sobre verbas para garantir os assentamentos e convocou o conjunto dos movimentos sociais a realizar uma jornada permanente para debater e lutar por “um projeto popular para o Brasil”.

Em Brasília, todas as pautas

No DF, além das pautas presentes do documento de convocação da jornada, militantes de sindicatos e movimentos sociais exigiram a realização da 1º Conferência Nacional de Comunicação de forma democrática, ampla e popular. Durante a caminhada, os manifestantes realizaram atos em frente aos ministérios do Planejamento, da Agricultura, do Emprego, da Comunicação e da Fazendo, onde fizeram falações específicas sobre a pauta de reivindicação do movimento. Em frente ao Congresso Nacional, os trabalhadores aproveitaram para pedir ao governo brasileiro que se pronuncie oficialmente pelo retorno da democracia em Honduras através da volta de Manuel Zelaya, deposto da presidência do país em 28 de junho deste ano.

Os trabalhadores dos Correios também aproveitaram a marcha da Jornada Unificada de Lutas para anunciar que entrarão em campanha salarial e que exigem a melhora das condições de trabalho, além do atendimento à pauta da categoria. "Negocie (governo) com os trabalhadores porque senão em setembro nós entraremos em greve de novo", ameaçou um representante dos trabalhadores dos Correios.

No RS, Fora Yeda!

Em Porto Alegre as atividades começaram às 7h30 na frente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul – FIERGS. A situação política atual de governo instalada no Rio Grande do Sul foi destaque nas manifestações ocorridas na capital gaúcha. Já no início da manhã professores realizaram um ato no Palácio da Polícia quando entregaram à Brigada Militar nove bonecos algemados, confeccionados em tamanho natural, representando os nomes citados na ação de improbidade administrativa do Ministério Público Federal contra representantes do governo gaúcho, entre eles a Governadora Yeda Crusius. Às 11 horas, na Praça da Matriz, outro ato teve como evidência a questão estadual. Cerca de 5 mil manifestantes se reuniram em uníssono para clamar pelo "Fora Yeda já".

Jornada do RJ terminou em frente à Petrobrás

Partindo do ponto tradicional de mobilizações, a Candelária, a jornada carioca contou com cerca de 2 mil manifestantes, segundo os organizadores. Além da pauta de defesa dos direitos dos trabalhadores perante a crise do capitalismo e da pauta de redução da jornada de trabalho, a passeata no Rio de Janeiro foi marcada também pela defesa da queda dos juros e do superávit primário e pela democratização dos meios de comunicação. Os estudantes também mandaram o seu recado, manifestando-se contra a possibilidade de transferência de verbas públicas para salvar universidades privadas via BNDES, como informa o diretor da UEE-RJ Theo Rodrigues. O final do ato foi em frente à Petrobrás, onde foi realizado ato político em defesa da utilização das verbas do pré-sal para Saúde, Educação e Seguridade Social.

Em Pernambuco, ocupações de terra

Em Pernambuco, as principais mobilizações foram do MST, que ocupou três áreas na madrugada de sexta-feira (14), dentro da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, que integra a jornada unificada dos movimentos sociais. De acordo com o movimento, 960 pessoas foram mobilizadas nas ações - 800 ocuparam a Fazenda Baixa Grande, no município sertanejo de São José do Belmonte; 100 participaram da ocupação da Fazenda Ipanema, em Pesqueira, no agreste, e outras 60 reocuparam, pela terceira vez, o Engenho Xixaim, no município metropolitano de Moreno.

Trabalhadores dos Correios se destacam em ato no PR

Mais de dois mil manifestantes pararam ruas do centro de Curitiba. O protesto começou às 08h00, com concentração na Praça Santos Andrade, aonde ocorreram discursos e apresentações culturais. Uma hora mais tarde, os manifestantes saíram em caminhada até a sede estadual da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e se solidarizaram com os carteiros que iniciaram hoje a campanha salarial. Lá, também se posicionaram contra as tentativas de privatização dos serviços postais. O último protesto aconteceu por volta do meio dia, com realização de um grande ato político-cultural onde lideranças das centrais sindicais e dos movimentos sociais fizeram discursos inflamados contra a crise e suas consequências.

Houve atos ainda na Bahia, no Ceará, no Espírito Santo, no Maranhão, em Minas Gerais e no Piauí.

Por Luana Bonone, de São Paulo

terça-feira, 4 de agosto de 2009

QUE OS BANCÁRIOS(AS) DECIDAM SOBRE A CAMPANHA SALARIAL!

Quer dizer que isto é uma assembeia?!



POR UMA ASSEMBLEIA DEMOCRÁTICA, 5a. no CEBOLÃO, às 18h30

Na primeira noite eles se aproximam e colhem uma flor em nosso jardim. E não dizemos nada. // Na segunda noite, já não se escondem pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada.// Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.// E, porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada". Maiakovski

Colega bancário(a), uma torpe manipulação quer impôr à categoria reivindicações rebaixadas na campanha salarial de 2009 sem ouvir os bancários.

E não é a direção dos bancos, mas a do sindicato que faz o serviço sujo. Na última 4ª feira forjaram uma “assembléia” às pressas, sequer citada no boletim do sindicato, só exposta no site na véspera para validar a infâmia.

Não é à toa. O congresso bancário de BSB reuniu umas 120 pessoas. A conferência nacional, cerca de 600, em São Paulo, no Holliday Inn. Nestes espaços, sob a hegemonia da CUT, desenharam-se as reivindicações da categoria. Fora da cúpula, é na assembléia que o bancário real, que trabalha, que enfrenta as metas e o assédio, a hostilidade de clientes e a insegurança, é lá que podemos ver e decidir sobre o que fazem em nosso nome e com nosso dinheiro. Nós é que somos o sindicato, mais que a diretoria, e o sustentamos. Por isto eles não queriam que você participasse, que você decidisse.

Foi este o direito de nós tirado, com truculência e na cínica aposta de que nada faremos, que não ligamos, que o movimento é da minoria. Não houve debate. Menos de 100 pessoas, diretores e amigos no subsolo do sindicato – bem ilustrativo – fingem que fazem uma assembléia. Só a muito custo permitiram, aos gritos e intimidações, que uma voz se opusesse àquela ópera bufa. Tudo para fazer valer uma pauta de reivindicações que não resgata a dignidade dos bancários.

A razão destas subterrâneas decisões é simples. A CONTRAF e seus sindicatos nos empurram uma minuta rebaixada na campanha salarial de 2009:

Apenas 10% de índice. Em 2008, com mais de 30 dias em greve, tivemos 10% para a maioria. E agora, pediremos 10%? Os banqueiros, que nem viram a crise, aplaudem.

O abandono da recuperação das perdas nos 8 anos de FHC, mais de 60% nos bancos públicos. Pedir recuperá-las até 2014 foi rechaçado sem que se dissesse o porquê. Quando chegará a vez dos bancários?

Uma remuneração variável que reforça as metas e as tarifas escorchantes. Em vez de reforçar o caráter público do sistema financeiro, fazermo-nos cúmplices dos banqueiros contra a sociedade.

Entendeu a clandestinidade da Assembléia, e porque não se dá a palavra aos bancários? Exigimos um verdadeiro debate. Os(As) bancários(as) é que devem decidir. Por isso, com base no próprio estatuto do sindicato, exigimos uma assembléia democrática na praça do Cebolão nesta 5a. Feira às 18h30. Assine o edital, participe, mude esse enredo!

OPOSIÇÃO BANCÁRIA DE BRASÍLIA ESQUERDA BANCÁRIA


NÚCLEO DE BASE

terça-feira, 28 de julho de 2009

Furo do blog do Luis Nassif

Como Veja seleciona entrevistados

Entrevista de 15/06/2009

Empenho de 15/06/2009

De Paola Lima

Olá Nassif,

A nota de empenho do GDF para a editora Abril foi cancelada dois dias depois que o assunto foi publicado no blog.

Confira: http://www.blogdapaola.com.br/?p=4842

Comentário

A autora do furo foi a Paola.

Enviado por: luisnassif - Categoria(s): Mídia, Sem categoria Tags relacionadas:

terça-feira, 14 de julho de 2009

Programação do 51º Congresso da UNE

www.une.org.br

Confira a programação do 51º CONUNE

Serão 25 mesas debatendo temas de interesse nacional, atos políticos, passeatas, plenárias e atividades culturais acontecendo simultaneamente em diversos lugares da Capital Federal

Veja a Programação na íntegra

Entre os dias 15 de julho e 19 de julho, a cidade de Brasília sediará 51º Congresso da UNE (CONUNE). Durante os quatro dias, a entidade espera reunir cerca de 15 mil estudantes, entre delegados (eleitos nas universidades), observadores credenciados, personalidades políticas e convidados, reunidos em torno de uma ampla programação de debates, painéis, plenárias, passeatas, além de diversas atividades culturais.

O congresso começará às 10h da quarta-feira (15) com a sessão solene em homenagem aos 30 anos de Reconstrução da UNE. A sessão acontece na Câmara dos Deputados, no auditório Ulysses Guimarães.

Na quinta-feira (17), às 10h, acontece no Centro de Convenções de Brasília – Auditório Ruth Cardoso, um ato político no 1º Encontro Nacional dos Estudantes do PROUNI com a presença do presidente Luis Inácio Lula da Silva. Às 14h uma passeata "Em Defesa do Petróleo e da Petrobrás" segue da Catedral de Brasília e o show de abertura com Leci Brandão e Móveis Coloniais de Acaju será no Teatro de Arena UnB às 21h.

Diversas mesas debaterão assuntos relevantes para o desenvolvimento do país, inclusive para o movimento estudantil. A mesa de abertura discutirá o projeto nacional de desenvolvimento e a crise mundial, estarão presentes a vereadora de Maceió e presidente nacional do PSOL, Heloísa Helena, o deputado federal do PSB, Ciro Gomes, o deputado federal do PCdoB, Aldo Rebelo, o deputado federal e secretário geral do PT, José Eduardo Cardozo e Dilma Roussef, Ministra da Casa Civil.

Serão mais de 25 mesas debatendo diversos temas de interesse dos brasileiros, entre eles: O protagonismo da Juventude Brasileira, 30 anos de anistia no Brasil; Meio ambiente e desenvolvimento sustentável; democratização dos meios de comunicação; a reforma universitária da UNE; políticas publicas de cultura e Lei Rouanet; cultura digital, direito da mulher, entre outros.

Diversas figuras públicas estarão presentes no 51º Congresso da UNE. Já estão confirmados os nomes de Beto Cury, Secretário Nacional da Juventude; Carlos Minc, Ministro do Meio Ambiente; Celso Amorin, Ministro das Relações Exteriores; Paulo Betti e Juca Ferreira; o Ministro da Saúde, Temporão; Tarso Genro, Ministro de Justiça; o músico Marcelo Yuca; Orlando Silva, Ministro dos Esportes; entre outros não menos importantes.

O Congresso termina no domingo (19) com a Plenária Final e eleição da nova diretoria da UNE e com o ato político "50 anos da Revolução Cubana e de defesa e solidariedade aos 5 patriotas".


Da Redação do Estudantenet


15 a 19 de julho – Brasília/DF


15/07 (quarta-feira)
10 h – Sessão Solene em Homenagem aos 30 anos de Reconstrução da União
Nacional dos Estudantes – UNE
Local: Plenário Ulisses Guimarães – Câmara dos Deputados


16/07 (quinta-feira)
10 h – Encontro Nacional dos Estudantes do PROUNI/Ato com o Presidente Luis
Inácio Lula da Silva
Local: Centro de Convenções de Brasília – Auditório Ruth Cardoso
14 h – Passeata “Em Defesa do Petróleo e da Petrobrás”
Local da Concentração: Catedral de Brasília
21 h – Show: Leci Brandão/Banda Móveis Coloniais de Acaju
Local: Teatro de Arena UnB

17/07 (sexta-feira)
09 às 11 h – Debates Simultâneos
Local: Universidade de Brasília (UnB) – Minhocão

1) 30 Anos da Anistia no Brasil
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 07
- Paulo Vannuchi – Ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos
- Pedro Wilson – Deputado Federal PT-GO/Membro da Comissão dos Direitos
Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados
- Paulo Abraão – Presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça
- Laís Wendel Abramo – Diretora da OIT
- Diva Santana – Presidente do Movimento Tortura Nunca Mais
- Iulo Oiticica – Deputado Estadual PT/BA
- Amparo Araújo - Secretária de Direitos Humanos do Recife.

2) América Latina e Integração Sul-Sul
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 06
- Socorro Gomes – Presidente do CEBRAPAZ
- Renan Thiago – OCLAE
- Helgio Trindade – Reitor da Universidade da América Latina (UNILA)
- Rodrigo Cesar – Juventudes do Fórum de São Paulo/Juventude do PT

3) Democratização dos Meios de Comunicação
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 05
- Carolina Ribeiro – Coletivo Intervozes
- Renato Rovai – Editor da Revista Fórum
- Altamiro Borges – Portal Vermelho
- Aloizio Lopes – FENAJ
- Rodrigo Viana – Blog “O Escrivinhador”
- Carlos Lopes – A hora do Povo
- Milton Temer: Fundação Lauro Campos

4) AI5 Digital
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 13
- Dr. Túlio Vianna – Presidente do Instituto Brasileiro de Direito
Eletrônico/Professor da PUC-MG
- Sérgio Amadeu – Professor da Faculdade Cásper Líbero
- Gésio Passos – Coletivo Intervozes
- Ministério da Cultura

5) Juventude, Saúde e Políticas Públicas
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 11
- Helena Petta – Ministério da Saúde
- Ibiratan Pereira (Vereador do PSB/João Pessoa)
- Ermival Dalat – Diretor da UNE/Coordenador da Caravana de Saúde da UNE
- Teresa De Lamare – Conselho Nacional de Juventude/Ministério da Saúde
- Ubiratan Cassano – Secretário Geral da UNE

6) Os Desafios da Construção do Sistema Nacional de Educação
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 08
- Profº Arlindo Queiroz – Coordenador da Comissão Nacional da CONAE/MEC
- Gustavo Balduíno: Secretário Executivo da ANDIFES
- CONTEE
- Roberto Franklin Leão – Presidente da CNTE
- UNE
- Thiara Milhomen – Diretora da UBES
- Maria Auxiliadora Rezende Seabra - Secretária Estadual de Educação de Tocantins

7) Meia-Entrada: Uma Luta Histórica
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 03
- Chico Lopes – Deputado Federal PCdoB – CE/ Relator do PL da Meia-Entrada
- Ismael Cardoso – Presidente da UBES
- UNE
- Hugo Valadares – Presidente da ANPG
- Dra. Lia Carneiro – Ouvidoria da UNE
- Gabriel Alves: CPC/UMES-SP

8) Políticas Públicas de Esporte e Juventude
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 10
- Júlio Filgueira: Secretário Nacional de Esporte Educacional/Ministério do Esporte
- Gustavo Petta – Ex-presidente da UNE/Secretário Municipal de Esportes de
Campinas (SP)
- Luciano Cabral – Presidente da Confederação Brasileira de Desporto Universitário
(CBDU)
- Brenda Espíndola – Diretora de Estudos e Pesquisa do CEMJ

9) O Papel da Educação à Distância na Expansão do Ensino Superior
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 18
- Marcos Formiga – Vice-presidente da ABED
- João Vianey – Diretor do Campus Unisulvirtual
- Carlos Eduardo Bielschowsky – Secretário de Ensino à Distância do MEC
- Júlia Rizzo - EADCON

10) Assistência Estudantil: PROUNI e FIES
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 04
- Fabiana Costa – Presidente do CEMJ/Doutoranda em Educação PUC-SP
- Luiz Araújo – Coordenador do Departamento Estudantil da UNIFACS
- MEC – Paula Mello
- Adriana Ferreira - Associação Nacional dos Universitários do PROUNI (GUNA)

11) Reforma Política
Local: ICC – UnB – Anfieatro 14
- Brizola Neto – Deputado Federal PDT/RJ
- Eduardo Campos – Governador de Pernambuco*
- Ricardo Berzoini – Presidente Nacional do PT/Deputado Federal PT/SP
- Ivan Valente – Deputado Federal PSOL/SP
- Danilo Moreira – Secretário-Adjunto da Secretaria Nacional de Juventude

12) Juventude, Segurança e Políticas Públicas
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 17
- Protógenes Queiroz – Delegado da Polícia Federal
- Rapper GOG
- Marcelo Britto – Conselho Nacional de Juventude/Presidente Nacional da UJS
- Vinícius Wu – Ministério da Justiça
- Fernanda Melchionna – Vereadora Porto Alegre/P-SOL

13) A Ciência e Tecnologia e o Desenvolvimento Nacional
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 06
- Hugo Valadares – Presidente da ANPG
- Sérgio Rezende – Ministro da Ciência e Tecnologia
12 h - Almoço
13 h – Ato de Inauguração da Escultura em Homenagem à Honestino Guimarães
Local: Minhocão da UnB
14 h – Debates Simultâneos
Local: Universidade de Brasília (UnB) – Minhocão

14) Projeto Nacional de Desenvolvimento e a Crise Mundial
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 04
- Ciro Gomes – Deputado Federal PSB/CE
- José Eduardo Cardozo – Deputado Federal PT/SP
- Edmilson Valentim – Deputado Federal PCdoB/RJ
- Heloisa Helena – Vereadora de Belém/Presidente Nacional do P-SOL
- Jorge Venâncio – Vice-Presidente do Partido Pátria Livre (PPL)

15) O Protagonismo da Juventude Brasileira
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 03
- José Sanfelice – Professor da Unicamp e Autor do Livro “Movimento estudantil –
A Une na resistência ao golpe de 64”
- Mayra Avellar Neves – Prêmio Infantil da PAZ 2008
- Davi Barros – Presidente do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE)
- Danilo Otto (Vereador PSB/São Vicente/SP)

16) Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 07
- Eron Bezerra – Deputado Estadual PCdoB-AM/Secretário de Agricultura do
Governo do Estado do AM
- Ministério do Meio Ambiente
- Gabriela Barbosa Batista - Rede de Juventude e Meio Ambiente (REJUMA)
- José Néri – Senador P-SOL/PA
- Marina Silva – Senadora PT/AC

17) A Reforma Universitária da UNE
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 08
- Universidade Federal da Bahia
- Alan Barbiero – Presidente da Andifes/Reitor da Universidade Federal de
Tocantins
- Márcia Perales – Reitora da Universidade Federal do Amazonas
- José Weber Freire Macedo – Reitor da Universidade do Vale do São Francisco
- Rafael Chagas – Diretor da UNE

18) Juventude, Trabalho e Políticas Públicas
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 14
- Márcio Pochmann – Presidente do IPEA
- CTB
- Anderson Campos – Central Única dos Trabalhadores (CUT)
- Carlos Odas – Reunião Especializada da Juventude do MERCOSUL/Secretaria
Nacional de Juventude
- OIT
- Thiago Ferrari – Vereador PMDB/Campinas

19) Políticas Públicas de Cultura e a Lei Rouanet
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 05
- Ministério da Cultura
- Ângelo Vanhoni – Deputado Federal PT/PR
- Alexandre Santini – Coordenador Nacional do Circuito Universitário de Cultura e
Arte (CUCA)
- Casa da Gávea

20) Direitos das Mulheres
Local: ICC – UnB – Sala BT-260 – Bloco B
- Kátia Souto – Diretora da UBM
- Marcha Mundial de Mulheres
- Glaucia Morelli – CMB
- Louise Caroline – Secretária de Mulheres de Caruaru
- Dra. Leila Adesse – Presidente do IPAS
- Marília Arraes – Vereador PSB/Recife

21) Regulamentação do Ensino Privado
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 10
- Dra. Lia Carneiro – Ouvidoria da UNE
- Dr. Peterson Pereira – Procurador da República
- MEC
- Mário Pederneiras – Conselho Nacional de Educação
- UNE
- CONTEE
- Antonio Ananias - CONAP

22) Reforma Agrária no Brasil
Local: Local: ICC – UnB – Sala BT – 260 – Bloco B
- MST
- Francisco Canindé de França – Secretário de Estado de Assuntos Fundiários e de
Apoio à Reforma Agrária
- MDA
- CONTAG
- Plínio de Arruda Sampaio
- Severine Macedo – FETRAF

23) Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 13
- João Paulo – MST
- Central dos Trabalhadores (as) do Brasil
- Carlos Spis – Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS)
- Ubiraci Dantas – Vice-presidente da CGTB
- UNE
- UBES
- Arthur Henrique – Presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT)
- Edson França – UNEGRO

24) Em Defesa do Petróleo e da Petrobrás
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 18
- Moraes – Presidente da FUP
- Fernando Siqueira – Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET)
- CMS
- Agência Nacional do Petróleo
- Campanha “O Petróleo tem que ser nosso”

25) Descriminalização da Drogas
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 11
- Bruno Vanhoni – Ex-diretor da UNE
- Paulo Teixeira – Deputado Federal PT/
- Sérgio Vidal – Conselho Nacional Anti-Drogas
- Renato Cinco

19 h – Grupos de Discussão – GD´s
Local: Salas de Aula – ICC – UnB
Temas:
1) Conjuntura
2) Reforma do Ensino Superior
3) Políticas de Afirmativas
4) Assistência Estudantil
5) Extensão Universitária
6) Passe-Livre
7) Meia-Entrada
8) Meio-Ambiente
9) Cultura
10) Inclusão Digital/Software Livre
11) Movimento Estudantil
12) Gênero/LGBT
13) Esportes
20 h – Shows: Banda Fora de Si/ Rapper Gog/Edson Gomes
Local: Mercado Alternativo – Camping Show (Albergue da Juventude)


18/07 (sábado)
09 h às 18 – Plenária Final
10 h – Ato Político “50 anos da Revolução Cubana e de Defesa e Solidariedade aos
05 Patriotas”
- Vanessa Grazziotin – Deputada Federal PCdoB-AM/Presidente da Comissão de
Solidariedade Brasil-Cuba
- Renan Thiago – OCLAE
- Pedro Nuñez Mosquera - Embaixador de Cuba no Brasil
13 h – Passeata em Defesa da Mídia Livre
Local: Ginásio Nilson Nelson
20 h – Show: Banda CHIMAROOTS/Banda Pé de Cerrado
Local: Prainha da ASBAC


19/07 (domingo)
09 às 18 – Plenária Final e Eleição da Nova Diretoria da UNE
Ato Político “50 anos da Revolução Cubana e de defesa e solidariedade aos 5
patriotas”

domingo, 12 de julho de 2009

Onde estão nossos heróis, mortos e desaparecidos pela Ditadura?






Mártires do PC do B

http://www.vermelho.org.br/pcdob/80anos/martires/martires01.asp

Assassinados nos cárceres
da ditadura militar de 1964

Carlos Danieli

Lincoln Oest

Luís Guilhardini

Lincoln Bicalho Roque

Rui Frazão

Armando Frutuoso

Pedro Pomar

Ângelo Arroio

João Batista Drumond

Mortos em combate na
Guerrilha do Araguaia

Maurício Grabois

Dinalva Teixeira (Dina)

Osvaldo da Costa (Osvaldão)

Miguel Pereira dos Santos (Cazuza)

Hélio Luís Navarro (Edinho)

Antônio de Pádua Costa (Piauí)

Paulo Marques (Amauri da Farmácia)

Luzia Augusta Garlippe (Tuca)

Ciro Flávio Oliveira (Flávio)

André Grabois (José Carlos)

João Carlos Haas Sobrinho (Juca)

Antônio Guilherme Ribas (Ferreira)

Antônio Carlos Teixeira

Daniel Ribeiro Calado (Doca)

Manoel José Nurchis (Gil)

Nelson Lima Piauí Dourado (Nelito)

José Huberto Bronca (Ruivo)

Helenira Resende Nazaré (Fátima)

Tobias Pereira Júnior (Josias)

José Maurílio Patrício (Manuel)

Luís Renê de Oliveira e Silva (Duda)

Rodolfo Troiano (Mané)

Gilberto Olímpio Maria (Pedro)

Maria Lúcia Petit

José Toledo de Oliveira (Vítor)

Francisco Chaves (Zé Francisco)

Antônio Teodoro de Castro (Raul)

Áurea Elisa Valdão

Rosalindo de Souza (Mundico)

Uirassu de Assis Batista (Valdir)

Dinaelza Coqueiro (Mariadina)

Antônio Ferreira Pinto (Alfaiate)

Idalísio Aranha Filho (Aparício)

João Gualberto (Zebão)

Guilherme Gomes Lund (Luís)

Cleber Lemos Silva (Quelé)

Orlando Momente (Landim)

Maria Célia Correia (Rosa)

Jana Morroni Barroso (Cristina)

Líbero Giancarlo Castiglia (Joca)

Jaime Petit da Silva

Paulo Mendes Rodrigues

Sueli Yumiko Kanayama (Chica)

Elmo Correia (Lourival)

Lúcio Petit da Silva (Beto)

Telma Regina Correa (Lia)

Carretel

Pedro Alexandrino de Oliveira (Peri)

José Piauí Dourado (Ivo)

Adriano Fonseca (Chico, Queixada)

Valquíria Afonso Costa

Vandic Reidner Coqueiro (João)

Divino Ferreira de Souza (Nunes)

Clion da Cunha Brun (Comprido)

Dermeral da Silva Pereira (João)

Lúcia Maria de Souza (Sônia)

Marcos José de Lima (Ari)

Bergson Gurjão (Jorge)

Arlindo Valadão (Ari)

Custódio Saraiva Neto (Lauro)

Antônio Alfredo Campos (Alfredo)

Guerrilheiros naturais da região

Relatos cearenses de Bergson, herói do Araguaia

Blog do Carvalho

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

É o Bergson!

Ao poeta Drummond, em seu Poema De Sete Faces, a lua e o conhaque o botam comovido como o diabo. A mim, nesse dia de lua crescente a comoção veio por conta da identificação dos restos mortais do Bergson. Em maio falei aqui da minha alegria com a possibilidade de se confirmar a identificação "do respeitado líder estudantil cearense, que foi imolado na selva amazônica defendendo a liberdade, a justiça social, os direitos do povo, a soberania nacional, a democracia e o socialismo". No dia 21 de maio assisti a uma histórica sessão da Comissão de Wanda Sidou de Anistia do Ceará em que foi aprovada reparação do Estado do Ceará a Bergson por sua perseguição e morte. O presidente do PCdoB, Carlos Augusto Diógenes, o Patinhas, emocionou muitos ali presentes pela riqueza de detalhes e por revelar o quanto seu camarada de partido era querido por todos e como sua convicção revolucionária era sólida.
Bergson, se vivo fosse, teria hoje 62 anos, e com certeza estaria vivendo com muito entusiasmo a situação de avanço das forças progressistas no Brasil e na América Latina. Estaria eufórico vendo o seu glorioso partido em um novo patamar da luta política, atuando numa enorme diversidade de frentes, superando desafios de grande envergadura e respeitado por sua conduta coerente e aguerrida em todas as batalhas políticas. Essa notícia de hoje mexe com o nosso partido. Mesmo aqueles que ingressaram mais recentemente e nunca sequer ouviram falar dele e de outros heróis do Araguaia, de algum modo serão tocados por esse acontecimento histórico. Estamos vivendo o processo do 12º Congresso e espero que o exemplo de Bergson nos inspire em nosso sonho de amor Brasil.

Dentro de alguns dias Bergson estará de volta ao Ceará e nem consigo imaginar a repercussão que isso terá. Será um acontecimento com dimensões semelhantes ao retorno do Frei Tito de Alencar, quando um cortejo emocionando e cheio de fé na luta pela transformação do Brasil percorreu o centro de Fortaleza. Bergson voltará ao Ceará e aqui será acolhido por seus familiares, camaradas e amigos . Sua mãe, Dona Luzia, aos 90 anos, poderá finalmente velar o filho assassinado pela ditadura militar, mas jamais saiu da memória de todos que lhe dedicaram amor e carinho. Os amigos, e não são poucos, poderão se unir para lembrar as muitas histórias do estudante, do atleta e do amigo leal. Nós, seus camaradas, que nunca o esquecemos ou deixamos de lutar, ao lado de sua família, por sua identificação prantearemos sua memória, o envolveremos nas bandeiras vermelhas que carregamos em nossos corações e saberemos honrar seu exemplo.

Seja bem vindo, camarada Bergson Gurjão Farias, para nós aqui, ou Jorge, para aquele povo das selvas do Araguaia, que compartilhou seus últimos anos e dias de vida e viu sua inteira dedicação à libertação dos oprimidos e explorados.


Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Dia pra nunca esquecer

Gosto sempre de ilustrar com fotos, vídeos, desenhos ou algo do gênero as postagens que faço aqui, mas nada ilustra os cinquenta e poucos minutos que passei hoje, junto com o deputado Chico Lopes (PCdoB), no apartamento de Dona Luiza Gurjão Farias, mãe do Bergson. O que era apenas uma visita de cortesia do deputado comunista, como Bergson, acompanhado de seu assessor e dirigente do partido, virou um encontro cheio de emoções e surpresas.

Minha primeira surpresa foi ao ver que aquela senhora de 94 anos, lúcida e cheia de doçura, foi quem abriu a porta e foi logo dando um carão carinhoso na gente. "A Tânia (sua filha) esperou vocês até agora". Pronto, minha conclusão apressada gerou um curta frustração. Mas a fala pausada de Dona Luiza me tranquilizou: "Ela foi tomar um banho porque o calor tá demais". Alívio total. Eu, que pretendia combinar uma entrevista pro Portal Vermelho com a irmã do Bergson, temi que não conseguisse marcar o papo, saí de lá com muito mais do que desejei.

Dona Luiza, que sabia demais que o motivo da visita era a identificação de seu filho 37 anos depois de sua morte lutando na Guerrilha do Araguaia, nem esperou a filha chegar na sala e soltou uma afirmação que me comoveu logo. "O que me surpreendeu é que eu nunca desconfiei que o Bergson fosse do PCdoB. Eu dizia pra ele ter cuidado nas manifestações, que não fosse na frente porque podia aparecer um doido e agredir ele. Eu até gostava de ir naquelas passeatas e quando tinha confusão eu me escondia na Igreja do Patrocínio, ali na Praça José de Alencar. Mas o Bergson me enganou". Foi difícil, muito mais do que agora enquanto narro, segurar minha emoção. "Dona Luiza, o Bergson tava protegendo a família dele". Foi só o que consegui dizer.

A Tânia, num jeitão despachado que todo cearense autêntico tem, já veio falando antes de aparecer na sala. "Me disseram que vocês vinham a uma e meia e só agora (duas e meia da tarde) vocês chegam. Fui passar o calor". Eu já a tinha visto em várias ocasiões, mas nunca conversamos, nem sequer tínhamos sido apresentados. Mas Tânia lembrou que eu tinha feito uma foto dela entre várias pessoas que a cumprimentavam no dia em que a Comissão de Anistia Wanda Sidou fez a reparação a Bergson em nome do Estado do Ceará. "Eu sabia que já tinha lhe visto em algum lugar", falou com jeito absolutamente natural, como se me conhecesse a muito tempo.

Formalidades. Chico Lopes falou do trabalho que o PCdoB e sua bancada federal está fazendo junto ao governo pra localizar, esclarecer o paradeiro e identificar os que lutaram no Araguaia. Fala das dificuldades, desafinações em setores do governo e da necessidade de ser feita uma bela homenagem ao camarada. Enquanto isso a Dona Luiza vai na cozinha servir algo pra beber e traz também um bolinhos caseiros feitos por ela mesma. Fico ali encantado, vendo tanta doçura e firmeza.

Resolvi entrar na prosa e dizer que pretendo fazer uma entrevista sobre o Bergson, mas que fosse além do militante. A Tânia corre no computador e chama pelo skype a irmã Ielnia, que mora nos Estados Unidos, e logo abre um sorriso ao ver seu velho amigo Lopes ali na sala. Pra ser melhor ouvido e visto pela webcam sento ao lado de Dona Luiza, que vez por outra contava ali só pra mim uma historinha do Bergson. "Uma vez chegou lá em casa uma pessoa muito pobre que ao invés de pedir esmola pediu uma ajuda. O Bergson perguntou o que ela queria e ela disse que queria sangue pruma pessoa da família que tava hospitalizada. Aí ele, que nunca tinha visto aquela pessoa, saiu com ela dizendo:"Pois vamos, eu vou doar o sangue".

A Ielnia é outra criatura incrível. Simpática, doce, mas muito sincera, diz o que pensa. Do jeito que eu gosto e como eu sei ser. Cheia de idéias, trocamos várias. Há muita coisa a ser feita. Deixou claro que não quer que ninguém se apropie do seu irmão. No que eu concordo. Nessa hora assumi a posição de dirigente do PCdoB e disse que respeitaremos tudo que a família decidir - o que é óbvio - e daremos todo apoio que pudermos. Falei de algumas iniciativas e opinei sobre sobre outras.

Resultado: estou integrado, pela família, nas muitas ações que serão feitas para homenagear o Bergson daqui por diante. Tempo? Eu arrumo. Um amigo me disse certa vez, quando eu estudava pro vestibular e não saia de casa alegando falta de tempo, que não tem tempo quem não faz nada. Tava certo ele. Falei pra Ielnia num email que enviei já no final da tarde: "dedicarei ainda mais da minha energia, do meu tempo, da minha emoção, do meu amor ao povo e sua libertação, para esse projeto que você e a Tânia estão empenhadas no sentido de reconstituir a memória desse irmão que tanto amam e que merece ser muito mais conhecido por nosso povo, em especial pela juventude". Ela havia me pedido que eu mandasse um material sobre as opiniões atuais do PCdoB e eu aproveitei pra agradecer aquele momento com a família dela.

Haverá outros encontros. Segunda feira Tânia, Chico Lopes e eu teremos uma audiência com o Reitor da UFC e na terça teremos um novo momento como o de hoje, mas sem o Lopes e com a jornalista Carolina Campos e a Sonynha, é claro. Tudo vai virar uma matéria pro Portal Vermelho e é parte de dois projetos que se completam, o das irmãs e um outro do portal, de resgate da história de Bergson Gurjão Farias, herói cearense do povo brasileiro, que como sempre, está entre nós.

Bergson Gurjão Farias: Guerrilheiro do Araguaia

www.diariodonordeste.com.br

08/07/2009 - 09:58

Guerrilheiro cearense é identificado no Araguaia e será sepultado

Busca por ossadas no Araguaia começa hoje

Agência Estado / Portal Verdes Mares / Diário do Nordeste

Bergson Gurjão Farias, do PC do B, morto por tropas do Exército na guerrilha do Araguaia em maio de 1972. (Foto: Arquivo pessoal)

Começa nesta quarta-feira (8) a fase preparatória das novas buscas de corpos de integrantes da Guerrilha do Araguaia (1972-1975) no Sul do Pará. Uma equipe do Ministério da Defesa visitará a Casa Azul - principal base militar na região durante o conflito - e o cemitério São Miguel, no centro antigo de Marabá.

Cearense é um dos únicos corpos já identificados; família fará sepultamento

Dos 67 guerrilheiros mortos pelo Exército, apenas dois tiveram os corpos identificados até hoje pelo governo - Maria Lúcia Petit e do cearense Bergson Gurjão Farias.

Bergson Gurjão Farias, do PC do B, morreu em 1972

Identificado extraoficialmente em 2004, o corpo do guerrilheiro cearense Bergson Gurjão Farias, do PC do B, morto por tropas do Exército na guerrilha do Araguaia em maio de 1972, poderá enfim ser sepultado pelos familiares.

“É o dia mais importante da minha vida de pesquisadora"

O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, aceitou argumentos da pesquisadora Myrian Luiz Alves e anunciou a identificação do guerrilheiro por um laboratório de São Paulo, feita com base na análise mitocondrial. A família de Bergson foi notificada na última terça-feira (7) mesmo em Fortaleza para providenciar os funerais.

“É o dia mais importante da minha vida de pesquisadora, foram sete anos de trabalho e dedicação”, disse Myrian ao Estado, chorando, ao saber do anúncio. Ela, ligada ao PT, travou uma guerra contra setores do governo que não aceitavam seus argumentos de que o corpo era de Bergson.

FIQUE POR DENTRO Bergson foi torturado e morto a baioneta O cearense Bergson Gurjão Farias era estudante de Química da Universidade Federal do Ceará e vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), em 1967. No ano seguinte, mudou-se para Caianos, na região do Araguaia e desapareceu em 8 de maio de 1972, após ter sido ferido em combate. Seu corpo foi levado para Xambioá, todo deformado, tendo sido pendurado em uma árvore de cabeça para baixo. O desaparecimento do jovem guerrilheiro foi denunciado em juízo pelos presos políticos Genoino Neto e Dower Moraes Cavalcante. De acordo com os presos, Bergson teria sido morto a baioneta. www.opovo.com.br

Da UFC para a luta armada

16 Mai 2009 - 18h53min

Segundo dados da organização não-governamental Tortura Nunca Mais, Bergson Gurjão Farias nasceu em 17 de maio de 1947, em Fortaleza, Estado do Ceará, filho de Gessiner Farias e Luiza Gurjão Farias, e desapareceu na Guerrilha do Araguaia. Ele era estudante de Química na Universidade Federal do Ceará, e vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes, em 1967. Foi preso no Congresso da UNE, em lbiúna, em 1968 e foi expulso da Faculdade com base no Decreto-lei 477. Indiciado no inquérito por participação no XXX Congresso da UNE, foi condenado em 1° de julho de 1969 pelo CPJ do Exército a 2 anos de reclusão. Em 1968, no Ceará, foi gravemente ferido à bala na cabeça quando participava de manifestações estudantis. Refeito dos ferimentos e sob feroz perseguição, foi para o interior, indo residir na região de Caianos, onde continuou suas atividades políticas. Ferido em combate, em 8 de maio de 1972. Seu corpo foi levado para Xambioá, todo deformado, tendo sido dependurado em uma árvore, com a cabeça para baixo, a qual era chutada constantemente pelos paraquedistas mobilizados na caça aos guerrilheiros. Segundo depoimento de Dower Cavalcanti, ex-guerrilheiro já falecido, o General Bandeira de Melo lhe dissera que Bergson estaria enterrado no Cemitério de Xambioá. Seu desaparecimento foi denunciado em juízo, em 1972 e 1973 pelos presos políticos José Genoino Neto e Dower Moraes Cavalcante.(PV)

Araguaia

O acerto de contas com o passado

Trinta e sete anos depois, o Ceará reencontra a história do guerrilheiro Bergson Gurjão. Na próxima quarta-feira, dia 20, a Comissão Especial de Anistia Wanda Sidou julga o pedido de indenização para a família

Paulo Verlaine da Redação 16 Mai 2009 - 18h53min

A ossada é ou não é de Bergson Gurjão Farias? É a mais nova polêmica que se trava em Brasília. O motivo da discussão é o possível esqueleto de um guerrilheiro cearense, militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), morto em combate na Guerrilha do Araguaia (sudeste do Pará, norte de Tocantins, então Goiás, e sul do Maranhão), em 8 de maio de 1972. Ele foi o primeiro guerrilheiro a morrer em choque com o Exército. Bergson Gurjão, de 25 anos, foi mortalmente ferido numa emboscada, após uma troca de tiros com uma equipe de pára-quedistas. Antes disso, ele atirou no então tenente Álvaro Pereira, que sobreviveu e hoje é general da reserva e um dos ideólogos das Forças Armadas. Transtornados, os demais integrantes da tropa trucidaram o guerrilheiro. Relato de um sobrevivente, Dower Moraes Cavalcante, conta que, o corpo, já sem vida, foi perfurado a golpes de baioneta e, depois, pendurado de cabeça para baixo em uma árvore na região do Araguaia. Anistia A Comissão Especial de Anistia Wanda Sidou julgará no próximo dia 20, às 8h30min, no auditório da Reitoria da Universidade Federal do Ceará, o pedido de indenização para a família de Bergson Gurjão Farias. Segundo o presidente da comissão, Mário Albuquerque, o julgamento será público. “Esperamos contar com a presença de entidades e personalidades neste acontecimento”, disse Albuquerque. Enquanto isso, a família de Bergson Gurjão Farias quer uma definição sobre o caso da identificação da ossada e lamenta que assunto tão doloroso venha sendo explorado politicamente por setores da mídia, conforme disse ao O POVO Mário Albuquerque. Controvérsia Em 1996, um esqueleto foi exumado no cemitério de Xambioá (Tocantins). Peritos que examinaram a ossada admitiram que ela tem características idênticas ao do cearense oficialmente desaparecido durante o conflito. A ossada, denominada de X-2, está, até hoje, guardada num armário da Secretaria Especial de Direitos Humanos, no anexo do Ministério da Justiça, em Brasília. A confusão se estabeleceu quando a secretária-executiva da Comissão de Mortos e Desaparecidos, Vera Rotta, anunciou que dois exames de DNA feitos na ossada foram “inconclusivos”. Mas o perito Domingos Tocchetto, professor de criminalística da Escola Superior de Magistratura, apontou, na última semana, em parecer feito a pedido da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, coincidências entre as conclusões dos exames nos ossos recolhidos em 1996 e as características físicas de Bergson Gurjão Farias. Domingos Tochetto participou de casos famosos, como as mortes de PC Farias (1996) e da jornalista Sandra Gomide (2000). Tocchetto debruçou-se sobre o “Informe Antropológico Forense”, elaborado por peritos argentinos contratados pela Comissão de Mortos e Desaparecidos para tratar das ossadas da Guerrilha do Araguaia. Novos exames Na última quinta-feira, o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, divulgou nota afirmando que novos exames serão realizados na ossada. Diz o ministro, no final da mensagem: “Considerando os avanços tecnológicos, que nessa área evoluem a cada ano, e a identificação positiva de três desaparecidos políticos por empresa do Brasil, esta Secretaria realizará, com urgência, novas análises de DNA na ossada ‘X-2’, para comparar com o cadastro do Banco de DNA de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, constituído a partir de 2006 e atualmente com os perfis genéticos de familiares de 108 mortos e desaparecidos políticos do Brasil”. O advogado Benedito Bizerril, diretor estadual do PCdoB no Ceará disse ao site Portal Vermelho: “Caso a confirmação ocorra e os restos mortais de Bérgson Gurjão de Farias voltem para o Ceará, o PCdoB, junto à família do guerrilheiro, prestará homenagem ao colega”. E-MAIS >A guerrilha do Araguaia foi organizada pelo Partido Comunista do Brasil, entre os anos de 1966 e 1974. Os integrantes do PCdoB pretendiam derrubar o regime militar instituído no Brasil desde 1964, começando o movimento pelo campo, como ocorrera na China e em Cuba. > O cenário do conflito se deu no Bico do Papagaio, região onde os estados de Goiás, Pará e Maranhão fazem fronteira. O nome foi dado por se localizar às margens do rio Araguaia, próximo às cidades de São Geraldo e Marabá no Pará e de Xambioá, no norte de Goiás. Participaram da guerrilha do Araguaia cerca de 80 guerrilheiros. >A maior parte deles entrou no ano de 1970. Entre eles, o ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, José Genoíno, cearense, que foi preso pelo Exército em 1972. Outros cearenses que participaram da guerrilha, entre os quais: Custódio Saraiva Neto (desaparecido) e Dower Moraes Cavalcante, preso em 1972 e que, posteriormente se formou em Medicina, hoje falecido.

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