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domingo, 14 de fevereiro de 2010

Prisão de Arruda é grande vitória, mas falta secundarista na rua!

Paulo Vinícius



A prisão do escroque José Roberto Arruda trouxe um alento à sociedade no DF, enojada e farta ante tamanha cara-de-pau desse vilão que merece um filme, dado seu cinismo e desfaçatez, e o desprezo seu e dos asseclas pela opinião pública.

A Polícia Federal, a OAB-DF, o Ministro Fernando Gonçalves e a corte do STF, apoiados pelo Ministro Marco Aurélio Melo deram contribuição imensa à cidadania, ao resgate da percepção de que é possível sim haver justiça, ainda que seja uma primeira, mas importante vitória.

A CTB-DF se somou aos demais manifestantes que na noite de 11 de fevereiro se reuniram na frente do Supremo, na expectativa da decisão sobre o habeas corpus que, se deferido fosse, resguardaria unicamente a liberdade desse malfeitor intimidar, chantagear, subornar e utilizar todas as prerrogativas do GDF para tentar impedir o avanço das investigações. Naquela decisão estava contida a possibilidade de um carnaval de júbilo ou de impunidade e tristeza. Não à toa, fizemos a marchinha que segue:

"A Justiça acertou/
ao prender o marginal
o Arruda tá bonito/
na Polícia Federal.
Deixa esse cabra preso/
bem depois do Carnaval!
Não libera o habeas corpus, isso aí vai pegar mal.
Prendeu, prendeu, prendeu, prendeu, prendeu e mereceu!
Prendeu, prendeu, prendeu, prendeu, prendeu e mereceu!"

Mas, já na sexta, o Ministro Marco Aurélio - reafirmando outras decisões de igual sentido democrático e independente que honram a magistratura, como a que proferiu sobre a Cláusula de Barreira antidemocrática, legada pelo governo de FHC - decidiu por negar o habeas corpus, dando ao povo do DF um grande presente de carnaval que enche de esperança a sociedade. Alegra-nos sinceramente estar na folia e o Arruda no xilindró, mas falta muita gente ainda.

No entanto, o imenso protagonismo do judiciário e da PF no caso explicitam por outro lado a dificuldade de a sociedade civil organizada trazer amplas parcelas da população para essa luta, o que fragiliza o seu completo desenlace, que só pode ser a decretação da intervenção federal no DF, que deve ser autorizada pelo Supremo e decretada pelo presidente Lula.

O comprometimento do Executivo e do Legislativo, salvo as honrosas e decisivas exceções, e mesmo de setores do judiciário, expõe o problema de fundo, o domínio conservador de uma plutocracia parasitária do Estado, principal responsável pelo apartheid e aos obstáculos ao avanço da democracia no DF, que negam o sonho generoso de Brasília. Essa hegemonia só teve interregno no governo de Cristóvam Buarque. Arruda, Roriz, Abadia expressaram apenas variações dessa mesma estrutura que pode se perpetuar se não ocorra a intervenção que permita estancar a sangria dos recursos públicos e do uso do poder público para manter esse mesmo esquema após as eleições de 2010 através de um acordão.

A chantagem feita por Arruda - e infelizmente comprada por uma parcela ingênua da sociedade - sobre as obras é inadmissível e me envergonha ter de respondê-la. Que eu saiba, os contratos estão assinados, e a deposição desses marginais, em vez de comprometer o andamento do governo, é o único que pode assegurá-lo, pois é anormal defender qualquer normalidade institucional com uma máfia desmoralizada dirigindo a vida pública no DF.

Também por isso precisamos de um governo que não esteja comprometido pelos vícios e as negociatas, que possa zelar pelo dinheiro público e pela qualidade e continuidade dos serviços e obras, sem que nisso esteja embutida a torpe e inaceitável barganha de tirarem sua parte e de assim poderem negociar sua continuidade através de um outro governo conservador à frente do GDF. Exatamente por isso a intervenção federal é imprescindível.

Mas, para que isso ocorra, é preciso povo na rua e unidade das forças progressistas. Na debilidade destas últimas é que reside, no entanto, a maior fragilidade do movimento, seara fértil para o protagonismo de posições equivocadas e infantis, de uma radicalização inversamente proporcional à sua representatividade e à capacidade que têm de abrir caminhos para uma alternativa no DF. O período de festas e de recesso, que retirou os estudantes das escolas acabou por conferir, com o apoio da grande mídia, a esses setores ultra-esquerdistas, especialmente na juventude, um protagonismo artificial - dada sua incipiente representatividade - melhor explicado pela comodidade com que se amoldam ao fato jornalístico. Lamentavelmente, isso é insuficiente e corre o risco de ser utilizado para outros fins que não estão sobre o controle dos atores sociais, mas da própria imprensa conservadora.

Dada a envergadura do esquema mafioso encontrado no DF, a envolver amplas parcelas do serviço público, os três poderes, parcela relevante do empresariado, a saída será política e difícil. mais que isso, é preciso gestar uma alternativa realista e ampla, unitária, que permita ao sentimento popular se expressar nas urnas em 2010 para que tenhamos uma nova Câmara e um novo Governo que sejam pelo menos democráticos, que tenham respeito pelo dinheiro público, que permitam debater um projeto de verdade para o DF. Sem isso, não bastam as boas intenções. Revolucionário mesmo é mudar a realidade e a vida das pessoas, não é um figurino.

Mais que um grito de revolta, arvorarem para si a condição de "sem partido" é a expressão de estarem muito perdidos ante um cenário político tão complexo, desarmados para interferir como atores de primeira grandeza nesse jogo tão pesado. Expressa também a necessidade de demarcação pela negativa exatamente com as forças que são suas aliadas, o único campo político que pode derrotar o esquema de Arruda - numa miopia política imperdoável que pode ter como consequência a volta de um Roriz, por exemplo.

Não à toa se critica o "esquerdismo infantil" por abrir espaço às vitórias da direita... Sua oposição às organizações consagradas pela história da luta do povo, seu gosto por uma visibilidade que não é coletiva, mas pessoal, a ingenuidade de suas expectativas - afinal parece que estamos às vésperas do fim do Estado, de uma nova sociedade, "o poder para o povo" - repetem os erros clássicos do anarquismo e do trotsquismo, erros esse que são ao mesmo tempo a sua caracterização mais clássica e caricatural e a condição de seu repetitivo fracasso em qualquer momento em que surgem reais oportunidades de mudança, como o que agora se verifica.

É, repito, repetitivo, pois já vimos esse filme inúmeras vezes. Ele permite fotos e imagens, boas recordações, uma afirmação cristã da ética, beleza, um sentimento de dever cumprido tão valorizado pela classe média, mesmo a avançada, mas não muda as coisas em profundidade.

Mudança mesmo, só com povo na rua e força política real propondo alternativa realista. E o povo sabe quando o negócio é sério ou quando é aventureirismo, voluntarismo, manifestações típicas da infãncia política. Às vezes acha até bonito e apoia, mas não vai. E aí, nos perguntamos, nas ocupações, ou em meio ao esterco, "por que o povo não está aqui"? E no final, conclui-se muita vez que a culpa é do povo, ai, ai...

Há algum erro. Grandes momentos de mobilizações de massas, como o Fora Collor, souberam fazer o justo diálogo entre as formas criativas e espontâneas da juventude e a necessária amplitude e justeza política que entendeu qual era a vitória possível naquela batalha política. E foi a partir dessa fusão que tivemos a deposição de Collor, que seria impossível sem o movimento estudantil brasileiro ser unitário, ter a UNE e a UBES, e ser dirigido por forças conseqüentes. Como disse Diógenes Arruda, é preciso sempre entender a dialética entre "ampliar radicalizando e radicalizar ampliando", senão acabamos irremediavelmente sós.

A verdade está lá fora, e para impulsionar as mudanças no DF, para assegurar um outro ambiente político, para pôr na defensiva os setores conservadores, para demonstrar a necessidade de unidade das forças progressistas e ensejar a intervenção federal tão necessária, não tenho dúvida em dizer que faltam secundaristam nas ruas. A juventude mais combativa e representativa do povo, os filhos dos trabalhadores e trabalhadores, as maiores vítimas dos desmandos dessa máfia, os excluídos desses governos conservadores, essa moçada precisa entender o seu papel e conferir aos protestos no DF a característica de massas tão necessária para que as grandes mudanças aconteçam.

Afinal, malgrado a PF cumpra com brilhantismo ímpar seu papel, o judiciário corretamente interprete o sentimento da sociedade, alguns deputados destemidos enfrentem a cara-de-pau de cúmplices que envergonham o legislativo no DF, ainda que uma parcela combativa e abnegada da juventude (mas não necessariamente correta) encarne essa revolta, tudo isso é apenas o preâmbulo do que verdadeiramente decide, que é povo na rua.

Secundarista, teu nome é povo na rua, a brotar das salas de aula do DF, os filhos e filhas do povo, gente jovem que precisa ser chamada a puxar com sua alegria e combatividade o cordão da verdadeira mudança que permita derrubar Arruda, Paulo Otávio e toda a gangue, abrindo novos e melhores caminhos para o Distrito Federal. As aulas começaram e a lição agora é nas ruas.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Um novo governo para o DF, um pacto por Brasília


Entramos na segunda semana do escândalo que sacudiu Brasília. As denúncias se sucedem e a crise política se agrava. Dezenas de fitas circulam pela internet. As investigações avançam colocando mais luzes sobre os bastidores do GDF. O Brasil escandalizado, os brasilienses envergonhados, a Câmara Distrital ocupada por manifestante e o GDF paralisado.

O particular do escândalo em Brasília é que pela primeira vez na história estão envolvidos membros de várias esferas do Poder. No Executivo as denúncias atingem o governador Arruda, o vice-Paulo
Otávio e vários secretários de Estado. No legislativo já são oito deputados distritais, 1/3 da Câmara Distrital. As investigações também atingem membros do Tribunal de Justiça do DF.

Brasília desgovernada e paralisada

Brasília está paralisada, acéfala. Arruda é um ex-governador no Poder, não tem autoridade moral, política, administrativa para dirigir o DF. Sua permanência à frente do governo ofende a honra e a dignidade da população. Só há sentido em sua insistência de ficar à frente do GDF se for
para tentar encobrir ou dificultar as investigações ou mesmo dar prosseguimento aos negócios escusos.

Outro aspecto grave é que a linha sucessória ao GDF está contaminada. Além do governador, as denúncias atingem, em cheio, o vice-governador Paulo Octávio. O presidente licenciado da Câmara Legislativa Distrital, deputado Leonardo Prudente, também foi filmado colocando dinheiro por todo o corpo. Prudente está licenciado, mas ainda não renunciou a presidência da Casa.

Mas pode haver um crime ainda maior contra a capital do país e seu povo. É deixar Brasília paralisada. A cidade fará 50 anos em abril de 2010. Temos a Copa do Mundo de 2014, aqui será uma das sedes e precisa de providências. Mais de R$ 1 bilhão em obras espalhadas pela cidade. As obras do PAC, os programas de assistência à população, os serviços essenciais, as decisões governamentais, os
projetos que tramitam na Câmara Distrital, os novos contratos, convênios, investimentos, protocolos. A análise do Orçamento do DF para 2010 está parada na Câmara Distrital. Enfim a cidade não pode
parar enquanto o governador e o vice tentam ganhar tempo para se defender do indefensável.

Há uma grande ansiedade na cidade. Muitos empresários e fornecedores do GDF já reclamam de atraso nos pagamentos dos contratos. A reação é em cadeia. O GDF não paga, o empresário não recebe e também não paga. O trabalhador sem seu salário tem dificuldades de honrar seus compromissos. O comerciante não recebe, vende menos, vem o desemprego. Enfim esse ciclo perverso tem que ser estancado.


Um governo de transição para o GDF

Que o DF não pode continuar assim é praticamente um consenso. Mas o que fazer? É preciso um novo governo, um pacto em defesa do DF. Repor a autoridade pública, manter o governo e a cidade em funcionamento. É preciso alguém com condições política, moral, capacidade administrativa, experiência, trânsito político e capacidade técnica. Se possível que não seja não filiado a nenhum partido e que também não seja candidato a nenhum cargo político em 2010. Alguém que tenha capacidade de dialogar, que possa recompor o governo, tenha capacidade para governar, tocar as obras, manter a cidade em funcionamento e acompanhar com independência a apuração e a punição dos responsáveis por esse desastre contra Brasília.

Os partidos, os empresários, os trabalhadores, a OAB, as entidades e lideranças políticas da cidade tem essa obrigação com o futuro de Brasília. Todos devem buscar se unir num Pacto por Brasília. Construir
uma saída que contemple uma maioria sólida capaz de realizar as eleições de 2010 em segurança e transparência. E por fim conduzir o DF até a posse do novo governo em janeiro de 2011.

Sectarismo, partidismo, intransigência, arrogância, estrelismo, tentativas de surfar na crise para se beneficiar do escândalo de forma eleitoreira. Nada disso condiz com as necessidades de Brasília.
Nada disso ajuda Brasília. O preço que a cidade paga nacional e mundialmente com esse escândalo já é duro demais.

É preciso grandeza na solução da crise. Apurar e punir não são suficientes. É imprescindível que a cidade retome sua vida e temos a obrigação de trabalhar para que Brasília se recupere e prossiga crescendo e se desenvolvendo com dignidade e respeito ao seu povo.




Apolinário Rebelo é jornalista, escritor e vice-presidente do PCdoB/DF

Correio Braziliense acoberta Escândalo Arruda

8 de Dezembro de 2009 - 16h25

"Existem situações em que manchetes de jornais, ao serem cotejadas em determinado período de tempo, oferecem uma visão clara sobre os compromissos deste ou daquele veículo de comunicação. As leituras das manchetes denunciam também o grau de independência e profissionalismo dos veículos." Em uma semana, o Correio Braziliense fez uma leitura "gritante" e "desconcertante" do 'Mensalão do DEM' em sua cidade, escreve Washington Araújo, no Observatório da Imprensa.

Uma semana é tempo suficiente para fazer muita coisa. Este período de tempo ficou mais famoso com a descrição da criação do mundo em seis dias de trabalho – e quanta coisa se pode fazer! – ficando o sétimo dia para o descanso, que ninguém é de ferro. A descrição da semana mais famosa de que se tem notícia está registrada bem no início da Bíblia no livro de Gênesis, capítulos 1 ao 3, e o autor é ninguém menos que Moisés. Seu relato é sucinto, objetivo e substantivo, nada de grandiloqüência.

"1º Dia – Deus fez a luz; 2º Dia – Deus fez o céu; 3º Dia – Deus fez a terra, os mares, as árvores e as plantas; 4º Dia – Deus fez o sol, a lua e as estrelas; 5º Dia – Deus fez os pássaros e peixes; 6º Dia – Deus fez os animais e Adão e fez também Eva, a primeira mulher; e no 7º Dia – Deus descansou!"

Pois bem, voltemos ao que interessa. Se em uma semana tudo foi criado e até descanso foi contemplado, uma semana não foi tempo suficiente para que o principal jornal de Brasília (o mais influente e renomado por sua detalhada cobertura política) conseguisse tratar do caso que, desde seu início, em 28 de novembro de 2009, recebeu ampla cobertura dos grandes jornais brasileiros, no eixo Rio-São Paulo e até mesmo no exterior.

É gritante, salta aos olhos e é, por todos os motivos, desconcertante o jornalismo praticado pelo Correio Braziliense entre os 28/11 e 3/12/2009. Moradores de Brasília ficariam bem informados do que se passava em sua cidade, e também capital de todos os brasileiros, se estivessem lendo O Globo, O Estado de S. Paulo e a Folha de S.Paulo ou se estivessem com os olhos sempre grudados nos telejornais que foram ao ar nesse período. O chamado panetonegate emergiu com a força da imagem em movimento, com dezenas de vídeos, sempre muito bem produzidos, com bom áudio, imagens focadas, ângulos e planos de quem parece entender bem do código audiovisual.

Cara de paisagem


Vamos por partes porque o assunto demanda detalhamento.

No primeiro dia em que o escândalo no Governo do Distrito Federal (GDF) foi noticiado – 28 de novembro –, o Correio Braziliense optou por manchete genérica, dando ares de normalidade ao que tinha tudo para estar fora da curva da normalidade. O título que foi para sua capa: GDF e Distritais são alvo de investigação. E adiantava no subtítulo o tom da cobertura: "PF e justiça apuram suposto esquema de propinas a parlamentar". Enquanto isso os jornais mais influentes do país trouxeram em suas capas:

** O Globo: Governador do DEM é suspeito de pagar propina a deputados. E diz que "PF grava José Roberto Arruda negociando repasse de dinheiro com assessor".

Folha de S.Paulo: Governo do DF é acusado de corrupção.

O Estado de S. Paulo: Polícia flagra `mensalão do DEM´ no governo do DF. E diz que o esquema "teria até mesmo participação do governador Arruda".

Logo no primeiro dia, o nome do governador do Distrito Federal estava nas manchetes. Menos no Correio Braziliense. E estava nas capas por uma razão muito simples: temos diante de nossos olhos e ouvidos o escândalo de corrupção mais detalhado e filmado da história política brasileira.

No dia 29/11, O Globo teve como manchete principal PF: Arruda distribuía R$ 600 mil todo mês; a Folha de S.Paulo optou por Documento liga vice-governador do DF a esquema de corrupção e O Estado de S.Paulo não deixou por menos: Em vídeo, Arruda recebe R$ 50 mil. Novamente, o Correio fez cara de paisagem: OAB-DF pede explicações sobre denúncias.

Mais espaço na imprensa nacional

Em 30/11, O Globo abriu sua edição com a manchete Arruda: TSE vê indício de caixa 2; a Folha de S.Paulo destacou na capa: Vídeos mostram aliados de Arruda recebendo dinheiro e O Estado de S. Paulo abriu manchete com Vídeos `letais´ levam DEM a preparar expulsão de Arruda, destacando em subtítulo que "Provas contundentes da PF deixam governador em situação insustentável". Até o fluminense Jornal do Brasil passou a tratar do assunto com a importância que o assunto requeria: Aliados deixam Arruda isolado. O Correio uma vez mais evitou citar o nominalmente o governador José Roberto Arruda e preferiu socializar ao máximo o escândalo. Sua manchete: Novos vídeos expõem base aliada do GDF. Vale conferir o que o Correio achou por bem destacar:

"Gravações feitas pelo ex-secretário de Relações Institucionais do Governo do Distrito Federal Durval Barbosa, entregues à Polícia Federal, mostram deputados distritais da base aliada, integrantes e assessores do GDF recebendo dinheiro do próprio Durval, que denunciou um suposto esquema de corrupção no governo local. Em um dos vídeos, o atual presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente, aparece colocando maços de notas nos bolsos do paletó e nas meias. Diante das acusações, a cúpula nacional do partido Democratas se reúne com o governador José Roberto Arruda – que também apareceu em uma gravação – e espera que ele dê explicações públicas ainda hoje. Em Brasília, o PDT e o PSB anunciaram que não querem mais vínculo com o GDF. A direção dos dois partidos já decidiu que vai entregar os cargos que ocupam na atual administração." (Págs. 1 e 19 a 21)

No mês de dezembro, esse mês que parece uma sexta-feira alargada por 30 dias, o escândalo de corrupção recebeu maior espaço da imprensa nacional. Vejamos as manchetes do 1º de dezembro de 2009:

** O GloboEm vídeo, empresário reclama da alta propina cobrada pelo governo Arruda

** Folha de S.PauloEx-secretário liga tucano a mensalão

** O Estado de S. Paulo – "overnador do DF ameaça e DEM adia expulsão

** Jornal do Brasil – Arruda tentou barrar operação - Governador pediu, em vão, ajuda ao STJ e a Aécio Neves

Manchete risível


O Correio Braziliense parece divorciado da sempre aguardada objetividade e sua opção de manchete aposta na diluição das responsabilidades criminais: Democratas divididos. Arruda se defende. Quebra de decoro na Câmara. Em 2 de dezembro, temos as seguintes manchetes:

** O Globo – Imagem de políticos recebendo propina `não fala por si´, diz Lula

** Folha de S.Paulo – Fita expõe ação de Arruda no mensalão

** O Estado de S. Paulo – DEM marca expulsão de Arruda para o dia 10


Para os leitores do Correio Braziliense, o viés é outro. Chega a ser paroquial para dizer o mínimo. Temos este primor de manchete: Arruda: Roriz quer ganhar no tapetão. Leva às suas páginas entrevista exclusiva com o governador Arruda. O tom é de defesa e desvio de foco sempre presente. Aqui a abertura da reportagem:

"Em entrevista exclusiva ao Correio, o governador José Roberto Arruda afirma que as acusações de um suposto esquema de propinas no Distrito Federal são uma tentativa do grupo ligado a Roriz de inviabilizar sua candidatura nas eleições de 2010. `Quero ter a chance de, num processo eleitoral aberto, sem tapetão, sem uso de ardis como esse, poder enfrentar o debate, poder dizer às pessoas o que o meu governo fez e o mal que Roriz fez a Brasília´, diz. Segundo Arruda, as revelações de Durval Barbosa fazem parte da estratégia do ex-governador. `O Roriz sabe que para ele voltar ele precisa me tirar de campo´, comenta. Arruda se considera `aliviado´ com a saída do ex-secretário e faz uma analogia com o trânsito ao analisar a crise. `Sofri um grave acidente de carro, mas não morri. Estou mais vivo do que nunca´" (pág.1).

Fica patente a falta de simetria entre a cobertura dos jornais paulistas e cariocas e o principal jornal do Distrito Federal. Os "de fora" parecem estar em posto de observação (e análise) privilegiado. Suas matérias não titubeiam, ficam de pé por si sós. Os jornais impressos querem estar à altura do conteúdo apresentado nos telejornais e nas emissoras de rádio. Menos o Correio. É o que iremos constatar após escrutinar as manchetes de capa dos 6º e 7º dias do escândalo.

3 de dezembro de 2009:

** O Globo – Grupo que negociava propina chamava Arruda de `big boss´

** Folha de S.Paulo – Para mensalão do DEM, PT propõe impeachment

** O Estado de S. Paulo – Arruda licitou panetones no dia da operação da PF - Compra foi o argumento do governador para justificar recebimento de R$ 50 mil.


Chega a ser risível a manchete escolhida pelo Correio Braziliense: Durval acusado de desviar R$ 432 mi.

Demonstração de desconforto

Finalmente, no sétimo dia, os jornais "de fora" decidiram não descansar. Quem tirou o dia para repouso foi o Correio Braziliense. Vamos às manchetes do dia 4 de dezembro de 2009:

** O Globo – Processo contra Arruda para na Câmara do DF

** Folha de S.Paulo – PF apura se pacote com dinheiro era para Arruda

** O Estado de S. Paulo – Planilha detalha doações para caixa 2 de Arruda


O Correio Braziliense, embora estivesse (presumo) acompanhando a cobertura de O Globo, o Estadão e a Folha para o escândalo das imagens em movimento, deve ter observado que no sétimo dia todas as manchetes incluíam o nome "Arruda". O Correio, numa espécie de infame trocadilho... foi imprudente ao escolher sua manchete: Como Prudente fez o pé-de-meia.

Existem situações em que manchetes de jornais, ao serem cotejadas em determinado período de tempo, oferecem uma visão clara sobre os compromissos deste ou daquele veículo de comunicação. As leituras das manchetes denunciam também o grau de independência e profissionalismo dos veículos. E revelam, acima de tudo, os diversos níveis de compromissos.

Alguns escancaram desde suas capas a vitalidade de seus compromissos com a missão de bem informar o leitor. Enquanto outros demonstram seu desconforto ao ver, no centro de sua Redação, no lugar da tradicional árvore natalina, um prosaico panetone.

Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br



domingo, 29 de novembro de 2009

Vídeo mostra governador do DF recebendo dinheiro



Vídeo mostra governador do DF recebendo dinheiro
da Folha de S.Paulo, em Brasília

A Folha teve acesso neste sábado (28) a cinco DVDs, entre os quais um que mostra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), recebendo dinheiro. O vídeo foi feito pelo então presidente da Codeplan (empresa do DF), Durval Barbosa, que era, até sexta-feira, secretário de Relações Institucionais de Arruda.

O secretário de Ordem Pública do DF, Roberto Giffoni, nega que o dinheiro seja propina. Seria uma colaboração recebida, em 2005, pelo então deputado José Roberto Arruda para financiar ações sociais, entre as quais a compra de panetones e brinquedos, alega.



PT do DF deve apresentar pedido de CPI para investigar governo local
Câmara DF só se manifesta após conhecer processo
Alvos de investigação já foram denunciados por corrupção

No vídeo de 30 minutos e 31 segundos, Arruda recebe um maço de notas de Barbosa. "Deixa eu pegar um negócio antes que eu me esqueça", diz Barbosa para Arruda que logo em seguida aparece com o um maço de dinheiro. "Ah, ótimo. Me dá uma cesta, um negócio", diz o governador.




Em seguida, Barbosa aparece com um envelope pardo onde o maço é guardado. Depois entra na sala uma pessoa chamada de Rodrigo e pega a sacola. A Folha obteve informação que trata-se de Rodrigo Arantes, filho adotivo de Arruda. No vídeo, Arruda e Barbosa conversam sobre a campanha.
Os outros vídeos mostram Barbosa manuseando dinheiro. O assessor de imprensa Omézio Pontes também aparece num outro vídeo recendo grande quantia de dinheiro. Arruda é o centro das investigações da operação Caixa de Pandora, deflagrada pela Polícia Federal na última sexta-feira, quando foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão de equipamentos, dinheiro e documentos em Brasília, Goiânia e Belo Horizonte.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Furo do blog do Luis Nassif

Como Veja seleciona entrevistados

Entrevista de 15/06/2009

Empenho de 15/06/2009

De Paola Lima

Olá Nassif,

A nota de empenho do GDF para a editora Abril foi cancelada dois dias depois que o assunto foi publicado no blog.

Confira: http://www.blogdapaola.com.br/?p=4842

Comentário

A autora do furo foi a Paola.

Enviado por: luisnassif - Categoria(s): Mídia, Sem categoria Tags relacionadas:

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