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sábado, 1 de dezembro de 2012

Sérgio Miranda: da luta à posteridade - Luiz Carlos Antero

Era o ensolarado dia seis de outubro de 2009. Encontramo-nos no funeral de Bergson Gurjão Farias. Zó saudou o amigo sob aplausos e forte emoção, nos jardins da Reitoria da Universidade Federal do Ceará. Transitamos lado a lado ao longo do velório até o sepultamento. Ao falar do Partido Comunista do Brasil e dos que tombaram, suas emoções afloravam compulsórias, inapeláveis.

Por Luiz Carlos Antero, especial para o Vermelho
Depois o levei à residência de seus familiares. O inédito e surpreendente ósculo de um experimentado combatente na fronte de um dos seus pares pareceu-me apenas a distinção — comenda de honra conferida por sua firme e solidária determinação ao bom combate. E foi assim nesse dia. Despedimo-nos ali sem saber que seria nosso derradeiro encontro.

Dia 26 de novembro de 2012. Dor muito forte é aquela que, incômoda e latente, chega ou permanece depois, às vezes no dia seguinte ou dias a fio depois da pancada — alguns costumam dizer. Zó, o indômito Sérgio Miranda de Matos Brito, nos deixou na madrugada de um dia que as pessoas costumam enfrentar meio desanimadas, às vezes detestando até o crepúsculo do domingo — a fatídica véspera.

Foi uma noticia e uma sequencia de cenas inimagináveis que marcaram nossa segunda-feira, eu me vendo num avião rumo ao encontro da dor.

Uma noticia que o distanciamento do tempo, depois de tudo, ao invés de atenuar somente reproduz e multiplica a inconformidade e impacto. É quando “cai a ficha”: não encontraremos mais o Zó, nem “marcando o ponto” ou ao sabor do acaso. Aquele sorriso maroto, largo, aberto, divertido, nas piores e nas melhores situações, o mesmo começo de conversa: “E aí?” As perguntas curiosas ao se situar e o jeito sereno ao confrontar tensões, os braços largados ao longo do torso.

Não vai dar mais para vê-lo descortinar seus amplos, exaustivos e cuidadosos exames da conjuntura, da estratégia e da tática, da necessidade de seguir sempre além dos limites, de lançar o olhar mais largo ao horizonte, de ampliar radicalizando e radicalizar ampliando, da linha ampla e flexível a serviço do povo, dos trabalhadores, da classe operária, da necessidade de assimilar a unidade na diversidade, de oferecer o bom combate ao reformismo e à acomodação, de nunca aceitar a injustiça, de praticar a indomável rebeldia com aquela insofismável naturalidade dos justos.

Nem vai dar mais para ouvi-lo a contar prosaicas histórias da vida e da luta para todas as idades e gerações, de brincar com as crianças como se fosse seu próprio mundo, ou encantar os adultos com a “Lenda do boi do Maranhão”, aos mais castos ou formais; ou as poesias fesceninas do proscênio barroco “boca do inferno”, Gregório de Mattos Guerra, somente aos mais afeitos à arte ou afoitos às estripulias da vida, as gozações sempre prontas para aproximar as pessoas e o permanente cuidado em não ferir, as farras poéticas nas quais versejando a gente pegava o sol com a mão, em diversos momentos a bordo de um bugre, no pós-ditadura.

Mesmo quem não conhecia sua intimidade, podia perceber sua dimensão nas atitudes. Assisti, noutra longa madrugada, “cobrindo” como repórter do jornal Movimento ao seu julgamento, à revelia, em 1977, numa auditoria militar. Foi condenado pelos fascistas a três anos de prisão mas (sonoras gargalhadas) nunca conseguiram colocar as mãos nele. Na clandestinidade, familiares nossos o acoitavam da perseguição política impressionados com seu faro ao perceber a proximidade da repressão.

Tudo isso vivi depois que o Zé Auri, chegando de Paris, nos rearticulou, em novos capítulos da luta, na segunda metade dos anos 1970. Pois em tudo isso somente agora, ainda mais embargado, posso escrever algumas primeiras linhas e somente quando Zó, muito vivo na memória, segura a mão do amigo leal. Como se guiasse o batuque dos dedos no teclado, tão marcante sua presença, sua amizade, sua ressonância na vivência e na política, no descortino de sua capacidade teórica e política, de sua firmeza ideológica, do dirigente responsável e estimulante da ação inteligente, criativa e revolucionária.

Nas lembranças e nas incontidas lágrimas que pranteiam um amigo e um camarada com destacado lugar no panteão dos inigualáveis.

Que, também na condição de parlamentar honrou e orgulhou o Brasil sem perder a marcante simplicidade e o afeto dos que o conheceram e reconheceram. Deputado federal por Minas Gerais em quatro mandatos (1993-2006) destacou-se no cenário político — e como um dos mais influentes parlamentares na avaliação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) por seu exaustivo e dedicado trabalho às frentes orçamentária, previdenciária, dos direitos sociais e trabalhistas.

Entretanto, sua marcante trajetória decorreu de sua militância ao longo de meio século na luta pelas liberdades democráticas e pelos avanços sociais e políticos no Brasil. Um grande e completo brasileiro, de atitude única, sincero e adversário antagônico da hipocrisia. De comunista “pai d’égua” — única condição paterna posta por “Seu” Jorge à opção de Zó.

Agora Zó estava irreconhecível, ali estirado, muito magro e sem aquele astral do gigante de feições generosas e rosto vivaz. E quem via, sentenciava: “não é ele!”, “ele nunca foi assim”. E foi sua presença viva que mais uma vez proferiu-se em choque aberto a favor da vida.
Naquela noite tão reprovada, detestada segunda-feira, naquele trânsito incessante de muitas gerações, nos diálogos funestos, mas também nas conversas animadas acerca de um roteiro marcante de incontáveis e inesquecíveis episódios, uma longa e dolorida madrugada movimentou o Salão Nobre da Câmara dos Deputados.

Mais uma vez estava ali Sérgio Miranda de Matos Brito, agregando numerosos reaparecidos que há muito não se viam, alguns há décadas, outros que não esperavam mais se ver ou que nem se imaginavam, entre si, subsistir às fatalidades.

Ali prostrado, Zó contagiou mais uma vez a inquietude que parecia agitar até o espelho d’água com inesgotáveis histórias. Reunidas, todas compõem uma enciclopédia de muitos contos, poemas, livros, mas sobretudo uníssono e apreciado exemplo da mais elevada saga humana.
Muitos de nós talvez, tantos quantos foram seus amigos e camaradas, escreveremos como se de alhures guiasse o batuque dos nossos dedos sobre o teclado, tão notável sua presença, sua afeição, sua ressonância no conteúdo e na essência deste épico pranto. De um modo e não de outro Zó permanece nessas vidas, em nossas vidas, na perseguição à utopia dos comuns que leva adiante os seus e os libertários sonhos de todos que animam e reanimam a capacidade de sonhar e agir.

Sérgio Miranda, Presente! Com nossas saudades! De um bravo que permanece perpetuado na plenitude da integridade, lucidez, sensibilidade e heroísmo dos bons.

*Luiz Carlos Antero é sociólogo, jornalista, escritor, membro da Equipe de Pautas Especiais do Portal Vermelho, assessor parlamentar no Senado Federal, filiado ao Partido Comunista do Brasil em 1969.

domingo, 12 de julho de 2009

Onde estão nossos heróis, mortos e desaparecidos pela Ditadura?






Mártires do PC do B

http://www.vermelho.org.br/pcdob/80anos/martires/martires01.asp

Assassinados nos cárceres
da ditadura militar de 1964

Carlos Danieli

Lincoln Oest

Luís Guilhardini

Lincoln Bicalho Roque

Rui Frazão

Armando Frutuoso

Pedro Pomar

Ângelo Arroio

João Batista Drumond

Mortos em combate na
Guerrilha do Araguaia

Maurício Grabois

Dinalva Teixeira (Dina)

Osvaldo da Costa (Osvaldão)

Miguel Pereira dos Santos (Cazuza)

Hélio Luís Navarro (Edinho)

Antônio de Pádua Costa (Piauí)

Paulo Marques (Amauri da Farmácia)

Luzia Augusta Garlippe (Tuca)

Ciro Flávio Oliveira (Flávio)

André Grabois (José Carlos)

João Carlos Haas Sobrinho (Juca)

Antônio Guilherme Ribas (Ferreira)

Antônio Carlos Teixeira

Daniel Ribeiro Calado (Doca)

Manoel José Nurchis (Gil)

Nelson Lima Piauí Dourado (Nelito)

José Huberto Bronca (Ruivo)

Helenira Resende Nazaré (Fátima)

Tobias Pereira Júnior (Josias)

José Maurílio Patrício (Manuel)

Luís Renê de Oliveira e Silva (Duda)

Rodolfo Troiano (Mané)

Gilberto Olímpio Maria (Pedro)

Maria Lúcia Petit

José Toledo de Oliveira (Vítor)

Francisco Chaves (Zé Francisco)

Antônio Teodoro de Castro (Raul)

Áurea Elisa Valdão

Rosalindo de Souza (Mundico)

Uirassu de Assis Batista (Valdir)

Dinaelza Coqueiro (Mariadina)

Antônio Ferreira Pinto (Alfaiate)

Idalísio Aranha Filho (Aparício)

João Gualberto (Zebão)

Guilherme Gomes Lund (Luís)

Cleber Lemos Silva (Quelé)

Orlando Momente (Landim)

Maria Célia Correia (Rosa)

Jana Morroni Barroso (Cristina)

Líbero Giancarlo Castiglia (Joca)

Jaime Petit da Silva

Paulo Mendes Rodrigues

Sueli Yumiko Kanayama (Chica)

Elmo Correia (Lourival)

Lúcio Petit da Silva (Beto)

Telma Regina Correa (Lia)

Carretel

Pedro Alexandrino de Oliveira (Peri)

José Piauí Dourado (Ivo)

Adriano Fonseca (Chico, Queixada)

Valquíria Afonso Costa

Vandic Reidner Coqueiro (João)

Divino Ferreira de Souza (Nunes)

Clion da Cunha Brun (Comprido)

Dermeral da Silva Pereira (João)

Lúcia Maria de Souza (Sônia)

Marcos José de Lima (Ari)

Bergson Gurjão (Jorge)

Arlindo Valadão (Ari)

Custódio Saraiva Neto (Lauro)

Antônio Alfredo Campos (Alfredo)

Guerrilheiros naturais da região

Bergson Gurjão Farias: Guerrilheiro do Araguaia

www.diariodonordeste.com.br

08/07/2009 - 09:58

Guerrilheiro cearense é identificado no Araguaia e será sepultado

Busca por ossadas no Araguaia começa hoje

Agência Estado / Portal Verdes Mares / Diário do Nordeste

Bergson Gurjão Farias, do PC do B, morto por tropas do Exército na guerrilha do Araguaia em maio de 1972. (Foto: Arquivo pessoal)

Começa nesta quarta-feira (8) a fase preparatória das novas buscas de corpos de integrantes da Guerrilha do Araguaia (1972-1975) no Sul do Pará. Uma equipe do Ministério da Defesa visitará a Casa Azul - principal base militar na região durante o conflito - e o cemitério São Miguel, no centro antigo de Marabá.

Cearense é um dos únicos corpos já identificados; família fará sepultamento

Dos 67 guerrilheiros mortos pelo Exército, apenas dois tiveram os corpos identificados até hoje pelo governo - Maria Lúcia Petit e do cearense Bergson Gurjão Farias.

Bergson Gurjão Farias, do PC do B, morreu em 1972

Identificado extraoficialmente em 2004, o corpo do guerrilheiro cearense Bergson Gurjão Farias, do PC do B, morto por tropas do Exército na guerrilha do Araguaia em maio de 1972, poderá enfim ser sepultado pelos familiares.

“É o dia mais importante da minha vida de pesquisadora"

O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, aceitou argumentos da pesquisadora Myrian Luiz Alves e anunciou a identificação do guerrilheiro por um laboratório de São Paulo, feita com base na análise mitocondrial. A família de Bergson foi notificada na última terça-feira (7) mesmo em Fortaleza para providenciar os funerais.

“É o dia mais importante da minha vida de pesquisadora, foram sete anos de trabalho e dedicação”, disse Myrian ao Estado, chorando, ao saber do anúncio. Ela, ligada ao PT, travou uma guerra contra setores do governo que não aceitavam seus argumentos de que o corpo era de Bergson.

FIQUE POR DENTRO Bergson foi torturado e morto a baioneta O cearense Bergson Gurjão Farias era estudante de Química da Universidade Federal do Ceará e vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), em 1967. No ano seguinte, mudou-se para Caianos, na região do Araguaia e desapareceu em 8 de maio de 1972, após ter sido ferido em combate. Seu corpo foi levado para Xambioá, todo deformado, tendo sido pendurado em uma árvore de cabeça para baixo. O desaparecimento do jovem guerrilheiro foi denunciado em juízo pelos presos políticos Genoino Neto e Dower Moraes Cavalcante. De acordo com os presos, Bergson teria sido morto a baioneta. www.opovo.com.br

Da UFC para a luta armada

16 Mai 2009 - 18h53min

Segundo dados da organização não-governamental Tortura Nunca Mais, Bergson Gurjão Farias nasceu em 17 de maio de 1947, em Fortaleza, Estado do Ceará, filho de Gessiner Farias e Luiza Gurjão Farias, e desapareceu na Guerrilha do Araguaia. Ele era estudante de Química na Universidade Federal do Ceará, e vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes, em 1967. Foi preso no Congresso da UNE, em lbiúna, em 1968 e foi expulso da Faculdade com base no Decreto-lei 477. Indiciado no inquérito por participação no XXX Congresso da UNE, foi condenado em 1° de julho de 1969 pelo CPJ do Exército a 2 anos de reclusão. Em 1968, no Ceará, foi gravemente ferido à bala na cabeça quando participava de manifestações estudantis. Refeito dos ferimentos e sob feroz perseguição, foi para o interior, indo residir na região de Caianos, onde continuou suas atividades políticas. Ferido em combate, em 8 de maio de 1972. Seu corpo foi levado para Xambioá, todo deformado, tendo sido dependurado em uma árvore, com a cabeça para baixo, a qual era chutada constantemente pelos paraquedistas mobilizados na caça aos guerrilheiros. Segundo depoimento de Dower Cavalcanti, ex-guerrilheiro já falecido, o General Bandeira de Melo lhe dissera que Bergson estaria enterrado no Cemitério de Xambioá. Seu desaparecimento foi denunciado em juízo, em 1972 e 1973 pelos presos políticos José Genoino Neto e Dower Moraes Cavalcante.(PV)

Araguaia

O acerto de contas com o passado

Trinta e sete anos depois, o Ceará reencontra a história do guerrilheiro Bergson Gurjão. Na próxima quarta-feira, dia 20, a Comissão Especial de Anistia Wanda Sidou julga o pedido de indenização para a família

Paulo Verlaine da Redação 16 Mai 2009 - 18h53min

A ossada é ou não é de Bergson Gurjão Farias? É a mais nova polêmica que se trava em Brasília. O motivo da discussão é o possível esqueleto de um guerrilheiro cearense, militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), morto em combate na Guerrilha do Araguaia (sudeste do Pará, norte de Tocantins, então Goiás, e sul do Maranhão), em 8 de maio de 1972. Ele foi o primeiro guerrilheiro a morrer em choque com o Exército. Bergson Gurjão, de 25 anos, foi mortalmente ferido numa emboscada, após uma troca de tiros com uma equipe de pára-quedistas. Antes disso, ele atirou no então tenente Álvaro Pereira, que sobreviveu e hoje é general da reserva e um dos ideólogos das Forças Armadas. Transtornados, os demais integrantes da tropa trucidaram o guerrilheiro. Relato de um sobrevivente, Dower Moraes Cavalcante, conta que, o corpo, já sem vida, foi perfurado a golpes de baioneta e, depois, pendurado de cabeça para baixo em uma árvore na região do Araguaia. Anistia A Comissão Especial de Anistia Wanda Sidou julgará no próximo dia 20, às 8h30min, no auditório da Reitoria da Universidade Federal do Ceará, o pedido de indenização para a família de Bergson Gurjão Farias. Segundo o presidente da comissão, Mário Albuquerque, o julgamento será público. “Esperamos contar com a presença de entidades e personalidades neste acontecimento”, disse Albuquerque. Enquanto isso, a família de Bergson Gurjão Farias quer uma definição sobre o caso da identificação da ossada e lamenta que assunto tão doloroso venha sendo explorado politicamente por setores da mídia, conforme disse ao O POVO Mário Albuquerque. Controvérsia Em 1996, um esqueleto foi exumado no cemitério de Xambioá (Tocantins). Peritos que examinaram a ossada admitiram que ela tem características idênticas ao do cearense oficialmente desaparecido durante o conflito. A ossada, denominada de X-2, está, até hoje, guardada num armário da Secretaria Especial de Direitos Humanos, no anexo do Ministério da Justiça, em Brasília. A confusão se estabeleceu quando a secretária-executiva da Comissão de Mortos e Desaparecidos, Vera Rotta, anunciou que dois exames de DNA feitos na ossada foram “inconclusivos”. Mas o perito Domingos Tocchetto, professor de criminalística da Escola Superior de Magistratura, apontou, na última semana, em parecer feito a pedido da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, coincidências entre as conclusões dos exames nos ossos recolhidos em 1996 e as características físicas de Bergson Gurjão Farias. Domingos Tochetto participou de casos famosos, como as mortes de PC Farias (1996) e da jornalista Sandra Gomide (2000). Tocchetto debruçou-se sobre o “Informe Antropológico Forense”, elaborado por peritos argentinos contratados pela Comissão de Mortos e Desaparecidos para tratar das ossadas da Guerrilha do Araguaia. Novos exames Na última quinta-feira, o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, divulgou nota afirmando que novos exames serão realizados na ossada. Diz o ministro, no final da mensagem: “Considerando os avanços tecnológicos, que nessa área evoluem a cada ano, e a identificação positiva de três desaparecidos políticos por empresa do Brasil, esta Secretaria realizará, com urgência, novas análises de DNA na ossada ‘X-2’, para comparar com o cadastro do Banco de DNA de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, constituído a partir de 2006 e atualmente com os perfis genéticos de familiares de 108 mortos e desaparecidos políticos do Brasil”. O advogado Benedito Bizerril, diretor estadual do PCdoB no Ceará disse ao site Portal Vermelho: “Caso a confirmação ocorra e os restos mortais de Bérgson Gurjão de Farias voltem para o Ceará, o PCdoB, junto à família do guerrilheiro, prestará homenagem ao colega”. E-MAIS >A guerrilha do Araguaia foi organizada pelo Partido Comunista do Brasil, entre os anos de 1966 e 1974. Os integrantes do PCdoB pretendiam derrubar o regime militar instituído no Brasil desde 1964, começando o movimento pelo campo, como ocorrera na China e em Cuba. > O cenário do conflito se deu no Bico do Papagaio, região onde os estados de Goiás, Pará e Maranhão fazem fronteira. O nome foi dado por se localizar às margens do rio Araguaia, próximo às cidades de São Geraldo e Marabá no Pará e de Xambioá, no norte de Goiás. Participaram da guerrilha do Araguaia cerca de 80 guerrilheiros. >A maior parte deles entrou no ano de 1970. Entre eles, o ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, José Genoíno, cearense, que foi preso pelo Exército em 1972. Outros cearenses que participaram da guerrilha, entre os quais: Custódio Saraiva Neto (desaparecido) e Dower Moraes Cavalcante, preso em 1972 e que, posteriormente se formou em Medicina, hoje falecido.

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