Dói sim, a saudade...
domingo, 11 de junho de 2023
"Teríamos tomado conta, teríamos conseguido todo aquele petróleo": Donald Trump sobre a Venezuela
É sobre isso, Brasil 🇧🇷
— Naldo Valença (@NaldoValenca) June 11, 2023
"Quando saí, a Venezuela 🇻🇪 estava prestes a entrar em colapso. Teríamos tomado conta, teríamos conseguido todo aquele petróleo", Donald Trump 🇺🇸 https://t.co/tcWLlpqGRG
sábado, 10 de junho de 2023
Lula se solidariza no Twitter com Julian Assange - Bravo, Presidente Lula!
Vejo com preocupação a possibilidade iminente de extradição do jornalista Julian Assange. Assange fez um importante trabalho de denúncia de ações ilegítimas de um Estado contra outro. Sua prisão vai contra a defesa da democracia e da liberdade de imprensa. É importante que todos…
— Lula (@LulaOficial) June 10, 2023
Roger Waters: artista da luta antifascista desde o berço, perseguido e caluniado - do Twitter, com @vermelho_sim
Erich F. Waters morreu aos 30 anos, em Anzio, na Itália, combatendo os nazistas, em 18/02/1944. Roger Waters ficou órfão aos 8 meses de idade, o bebê no colo da mãe. Ao lado do pai e do irmão John.
— Antifascismo não é radicalismo (@vermelhos_sim) June 10, 2023
Por sua defesa dos palestinos os sionistas o acusam de apologia do nazismo. pic.twitter.com/X5FtEYPJ7j
Vídeo de baiano no mercado viraliza ao agradecer o Presidente Lula! Há muito mais a conquistar!
FOI PRA ISSO QUE FIZ O L pic.twitter.com/KIQ1NC1vHl
— Harlen Carvalho (@carvalho_harlen) June 8, 2023
Jornalistas mostram um mapa de bases dos EUA na África, Oriente Médio, Europa e em TODA COSTA DA CHINA e a China e Russia são ameaça? - Twitter @pueblopatriota)
Los periodistas muestran un mapa de la ubicación de las bases militares estadounidenses en todo el planeta
— En la Retaguardia (@pueblopatriota) June 10, 2023
📝 "África, medio Oriente, Europa, bases a lo largo de toda la costa China".
Y con todo esto, "China y Rusia son una amenaza" 🤦 ️
(https://t.co/JQL5kJBgLL) 🤯 pic.twitter.com/D8mddBPW5y
Ouça ou leia a Resolução do CC do PCdoB - 290523 - Lutar pelo êxito do Governo Lula
"Tio, você não teria um podcast pra gente ouvir essa parada aí?!"
Sim, o tio tem:
Texto em PDF - Resolução do CC do PCdoB - 290523 - Lutar pelo êxito do Governo Lula
ÁUDIO, narração Paulo Vinícius da Silva
PARTE 1- Resolução do CC do PCdoB - 290523 - Lutar pelo êxito do Governo Lula
PARTE 2 - Resolução do CC do PCdoB - 290523 - Lutar pelo êxito do Governo Lula
PARTE 3 - Resolução do CC do PCdoB - 290523 - Lutar pelo êxito do Governo Lula
quarta-feira, 7 de junho de 2023
Sobre a gravidade da atual encruzilhada histórica - Paulo Vinícius da SIlva
"O fascismo no Poder (...) é a ditadura terrorista descarada dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas e mais imperialistas do capital financeiro." E ainda: "O fascismo é o Poder do próprio capital financeiro. (...) Dimitrov, "A luta pela unidade da classe operária contra o fascismo", VII Congresso Mundial da Internacional Comunista, 2 de agosto de 1935
Se é verdade que a passagem das mudanças quantitativas lentas a mudanças qualitativas bruscas e rápidas é uma lei do desenvolvimento, é claro que as revoluções realizadas pelas classes oprimidas constituem um fenômeno absolutamente natural, inevitável. Consequentemente, a passagem do capitalismo ao socialismo e a libertação da classe operária do jugo capitalista podem ser efetuadas, não por transformações lentas, não por reformas, mas somente por uma mudança qualitativa do regime capitalista, pela revolução. Assim, para não nos enganarmos em política, é preciso sermos revolucionários e não reformistas. (Materialismo Dialético e Materialismo Histórico, 1938)
Um certo empresário desdisse há poucos dias seu apoio ao bolsonarismo; arrependeu-se, premido pela crise de suas empresas. Sempre creio mais sinceras as críticas "na alta", que os mea culpa "na baixa", especialmente quando há interesses em jogo. Vejo o júbilo entre nós diante de vitórias no judiciário, e me pergunto se é justificado, porque fui ensinado a olhar o horizonte, que promete raios e tempestades.
A perda de intenções de voto durante todo o ano de 2022, que levou à margem reduzida da vitória de Lula e de toda a Frente Ampla sobre Bolsonaro, o cenário legislativo adverso decorrente dessa mesma eleição, o cerco da mídia e do capital financeiro, a força eleitoral, bélica e de massas da extrema direita, seus arreganhos contra o MST, a nossa dependência e fé no judiciário brasileiro, a ausência de um poder moderador da classe trabalhadora quando os têm tantos a burguesia, tais são os elementos que alertam contra ilusões quanto à fortaleza de nossas posições e da própria Frente Ampla. Maquiavel ensinava há cinco séculos, que o único problema da vitória obtida graças a exércitos mercenários estrangeiros, é que, depois da vitória eles e suas armas ficam, não vão embora...
Se tais fatores são verdadeiros para o PT, que lidera nossa Federação, aonde várias lideranças problematizam os limites da Frente Ampla, creio que ainda mais deveriam preocupar o PCdoB, que tem vivido uma curva eleitoral nacional descendente. Há um descompasso entre nossa autoimagem e representação político-institucional e a percepção de nossa classe e eleitorado. Alguns "gênios" descobriram que a fórmula mágica para enfrentar o anticomunismo é deixar de ser comunista. Outros, já estão na clandestinidade, escondendo o que somos, com o recurso à jardinagem - "Bota uma florzinha aí", vai que cola. Não colou. Talvez, tais atitudes expliquem, mais que qualquer pesquisa, como foi possível ampliarmos exponencialmente nossa representação político- institucional desde 2004, e perder votos... Não era para crescermos com essa participação? Para muitos, hoje, a última coisa é o Partido.
É preciso acumular, sim, amplas forças, e isso passa por construir força e convicções próprias que possam impedir um novo retrocesso para o Brasil. Se, de 2015 a 2022, retrocedemos tanto, o que pode acontecer se não nos entricheirarmos com o povo para garantir nossa atual vantagem?
Para mim, a encruzilhada histórica está diante de nós, assustadora ou alvissareira, a depender de como a enfrentemos. Pêia vai ter de qualquer jeito. Veremos com nossos próprios olhos a decomposição do Brasil ou a sua libertação, no curso da mudança do mapa do mundo. A ilusão do caminho pacífico e a fé irrestrita na "institucionalidade" são más conselheiras, basta ver a nossa História.
Estamos diante do dilema de vida e morte vivido por países periféricos, que lutaram contra a aniquilação e afirmaram a sua opção de ser Nações. Foi essa opção por ser livres que tornou inevitável a alternativa socialista, única via para a salvação nacional. Por isso é atual a consigna do Programa Socialista do PCdoB: O fortalecimento da Nação é o caminho, o Socialismo é o rumo. Contudo, mesmo em muitos entre nós, falta a perspectiva socialista. Segundo eles, "coisa para a próxima geração". Curioso. Afinal, boa parte do esforço da mídia ocidental é precisamente negar que haverá a próxima geração.
Conte você, leitor, leitora, os filmes, séries, novelas, histórias, podcasts, que têm o seguinte enredo: o mundo vai se acabar sob o capitalismo. Você pode escolher o jeito, até: a volta de Jesus, cometa, terremoto, vírus, fungo, bactéria, zumbi, ET, Inteligência Artificial, bomba atômica; mas segundo eles, vai acabar com certeza. Só sobrarão de 1 a 2% de humanos de verdade. Quem não for, atire na cabeça, porque nem gente é. Quando foi que a fina flor das histórias da indústria cultural ocidental - propriedade dos 1% que detém mais riqueza que os 99%, e dirigem o capital financeiro - passou a ser esse roteiro bizarro, e por que? Como podemos ignorar uma "dica" dessas? No polo oposto, o próprio Fidel dedicou seus últimos escritos a alertar-nos sobre "O destino incerto da espécie humana". A urgência e a responsabilidade devem marcar de nossos gestos e ideias, um olhar de mais ampla perspectiva e desprendimento, em vez da tábula rasa do pragmatismo.
Não se confundam minhas posições com a negativa da participação política, eleitoral, com um esquerdismo qualquer. Sou é contra o rabo balançar o cachorro, o sequestro da consciência avançada pelo pragmatismo e por grupos de interesse. Eu nunca fui um reformista, não acredito no caminho pacífico, nem sou um leigo. Sou um sociólogo marxista, um intelectual orgânico da classe trabalhadora, um trabalhador bancário, e fiz uma opção cotidiana, que seguirei honrando. Tenta-se passar o requentado reformismo pela única via, mas não é verdade.
A presente época foi aberta em 1998, por Hugo Chávez e pela Revolução Bolivariana, que superou o dilema Reforma/Eleição X Insurreição/Revolução por um caminho inusual. Ele dizia: revolução pacífica, mas armada. Ele mudou o jogo e deu o "drible da vaca" no imperialismo. Desde 1998, seguimos o rumo de busca de unidade de frentes político-sociais heterogêneas lideradas pela esquerda, capazes de chegar a vitórias eleitorais e, a partir delas e da crescente participação popular organizada, assumir os vetores estratégicos do desenvolvimento e do Estado, e da Defesa Nacional, buscando a ruptura com o neoliberalismo. Necessário é diferenciar tais processos da mera aderência ao reformismo e à cooptação pelo Estado burguês. A pedra de toque é a capacidade de resistir aos ataques da guerra híbrida, capacidade indissociável da Unidade Popular.
O momento presente é de encruzilhada e transição. Ou apostaremos na defesa intransigente do Brasil, no caráter classista contemporâneo dos movimentos sindicais, de juventude, de moradia, populares, da luta pela emancipação das mulheres e pela igualdade racial, como lastro da Frente Popular, ou dependeremos exclusivamente do Lula para impedir um novo retrocesso. Vejo com admiração infinita cada gesto desafiador de Lula, que pode se afigurar como um Getúlio Vargas dessa época. Mas confesso o meu coração aflito, pois olho para um lado, olho para o outro, e não vejo nossa condição de o salvaguardar diante do funesto destino reservado pelo imperialismo, sempre que de apenas uma pessoa dependeu a libertação de uma Nação. Vivemos sob o impacto da nova ascensão do fascismo e da transição do polo dinâmico da economia mundial para a Ásia. Não vai acalmar.
A nova ascensão do fascismo no mundo não é casual, mas decorrência do próprio desenvolvimento capitalista sob o imperialismo, é reação à ascensão da China sob a Reforma e a Abertura, ao novo caminho aberto por Chávez para nossa libertação do domínio estadunidense na América Latina e à recomposição do Estado nacional Russo.
O fascismo é filho da concentração inacreditável do poder financeiro sob o imperialismo, das crises múltiplas do capitalismo, de uma nova revolução tecnológica que possibilita-lhes dirigir até a classe trabalhadora contra si própria, e da mudança do mapa do mundo. Tais fenômenos, presentes na década de 30 do século XX, ressurgem no século XXI, e seu sinal, para nós, foram as marchas de junho de 2013. É preciso pensamento e ação revolucionários para enfrentar essa quadra. Não cultivemos o negacionismo político, nem o oportunismo entre nós. Desafiadora ante nos, há uma encruzilhada. Precisamos saber nosso papel e como agir de acordo para, adiante, afirmar a Nação Brasileira, que é nosso povo, e dar nossa contribuição nacional para uma nova época da Humanidade, um mundo multipolar, em que possamos como Brasil e América Latina, contribuir com a magna tarefa de lutar pelo futuro da espécie humana, indissociável da perspectiva socialista.
Leia também: Coração duro de faraó - Paulo Vinícius da Silva
terça-feira, 6 de junho de 2023
domingo, 4 de junho de 2023
E eu ri, lendo o Bhagavad Gita - Paulo Vinicius da Silva
O povo acha ruim eu ligar, mandar msg, tentar ser delegado, pedir a palavra, fazer emendas. Há ligações prometidas há mais de ano que ainda esperava...
Olha, havia tanta doçura, tanto sacrificio pessoal em cada gesto desses...
Tirei muita grana do bolso, perdi oportunidades, fui humílimo diante de gente descarada, despreparada ou burra.
Não mais. Agora vai aguentar nos peitos umas opiniões minhas escritas não com teclado, nem caneta tinteiro, mas com pimba de boi, cabeça de cearense e alma de guerrilheiro.
Ante a iminente Guerra, em Kurukshetra
Arjuna olhou todos os seus entes queridos que constavam do outro lado. Ele tremia e dizia: como vou matar minha familia nessa guerra?
E o Sr. Krishna respondeu:
fí, você é Ksathria, a guerra é minha, pode matar.
E o PV riu, lendo o Bhagavad Gita.
Coração duro de faraó - Paulo Vinícius da Silva
"Dixi et salvavi animam meam". (Disse, e salvei minha alma.) Marx, no Crítica ao Programa de Gotha, provavelmente crendo não seria ouvido pelos dirigentes sindicais de sua época.
"Mas, vendo o faraó que havia descanso, endureceu o coração; e, como o Senhor havia predito, não ouviu Moisés e Aarão". (Êxodo 8, 11)
Presidentes-executivos e especialistas levantam "risco de extinção" imposto por Inteligência Artificial - Reuters, 30/5/23
A metáfora "coração de faraó" refere-se à insensibilidade do faraó citado no Êxodo, face aos avisos e, por fim, até mesmo diante das pragas do Egito que no texto bíblico sobre ele se abativeram. Ao ler o documento do 9o. Encontro Sindical Nacional do PCdoB, a analogia que me surgiu à mente foi esta, precisamente: "coração de faraó", e explico.
Entre o 8o. e o 9o. Encontro Sindical Nacional do PCdoB, o Brasil perdeu 700 mil mortos pela COVID. A derrota diante da Deforma Trabalhista se aprofundou e a realidade da classe trabalhadora e dos sindicatos piorou assustadoramente. A terceirização foi estendida ao "infinito e além". O fenômeno do trabalho por plataformas se impôs com a força que o tempo e a tecnologia tem, tornando a terceirização uma aspiração para milhões de trabalhadores que vivem uma neo-escravidão, cujas chibatadas são avaliações de clientes, a senzala se ampliou para o mundo, e com uma Casa Grande invisível, intocável. Pior: não apenas não se vê o Sinhô, nem o capataz, mas o quilombo não existe. Não há quem fale por eles. E a mentira de que estão sozinhos, em meio à condição comum que partilham, repete-se num loop infinito, tornando-se "verdade" no triste espaço que é reservado à comprovação, a própria vida.
A maioria da classe trabalhadora é a acima citada, longe, muito longe dos sindicatos. Talvez por isso, sua importância não cabe, nem a dureza dos seus dramas, no documento do 9o. Encontro Sindical do PCdoB. Dedica-se inexplicável tempo à análise do passado de quem o escreveu, e modestas linhas, nenhuma estatística, pouco debate aos principais fenômenos do passado recente, do presente e do futuro imediato. Confunde-se o texto com uma reivindicação cartista, no sentido do Cartismo sindical, com reivindicações que não deveriam constar em um texto que deveria elevar nossa capacidade de organização e ação. Parece, mostrar o que interessa - pouco - e silenciar sobre o que complica - muito. Como os desafios sempre serão mais importantes que as loas ao passado, ilustra o esgotamento de nossa política sindical desde a criação de uma central própria, a CTB. Se, em 2004, não aceitamos o "deixa o homem trabalhar" dito ao movimento sindical, hoje parece que somos nós quem o predicamos. Precisamos decidir se desejamos ter futuro, ou opinar se é corretamente executada a partitura, no convés do Titanic.
Afinal, como não ter no centro que os sindicatos hoje são uma fração do que eram e representaram no passado? Como ignorar o que houve nos últimos anos, e só houve porque fomos derrotados? Como ignorar nosso envelhecimento e a falência das direções "políticas", que estariam nucleadas nos secretários sindicais e presidentes e tesoureiros dos sindicatos âncoras? Como ignorar a desvalorização pelas frações sindicais das bases que deveriam dirigi-las? Como ignorar que a renovação não se aplica sequer nas mais altas direções? Como ignorar derrota após derrota? É como se a eleição de Lula tivesse nos remido de todas as culpas, é como o repouso do faraó em meio às pragas, a trégua que cala os ouvidos para as decisões incontornáveis que rugem diante de nós.
Na real, reuniremos em nosso 9o. Encontro uma parcela minoritária da esquerda, extraída de uma fração da classe composta pelos trabalhadores e trabalhadoras FORMAIS e que ao mesmo tempo são FILIADOS aos sindicatos que sobreviveram à Deforma Trabalhista. É um lugar muito limitado para falar à classe trabalhadora. Se ela ignorar, acho que devemos compreender o porquê. Nosso lugar é o de dirigentes sindicais já esbaforidos diante da tarefa de representar essa parcela minoritária da classe trabalhadora. Coração de faraó.
Em 2012 eu ainda era um "jovem brioso" (segundo os generosos critérios da Organização Internacional do Trabalho, que considera juventude até 35 anos). O único canto em que eu era tratado de jovem era no movimento sindical, embora eu me sentisse, no mais das vezes, tratado como menino. Talvez por isso eu tenha escrito o documento "Mudanças no Brasil, no mercado de trabalho e na juventude", e alertava, antes do Golpe e do desatar grave da Guerra Híbrida:
Segundo o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, a pirâmide populacional concentra na faixa etária de 15 a 34 anos mais de 35% da população brasileira (2),ou quase 67 milhões de pessoas. A População Economicamente Ativa (PEA), segundo dados do mesmo Instituto, reunia mais de 95 milhões de brasileiros(as).
Os dados eram de 2010, ainda, e essa realidade já era claríssima, e simples: a juventude já era maioria da classe, e se estendêssemos a faixa etária até meados de 40 anos, era a amplíssima maioria da classe. E era uma maioria em sofrimento, pois verificávamos - então eu era do Conselho nacional de Juventude-, que exatamente entre 15 e 29 anos estavam os precarizados, sem acesso à saúde, na luta para construir suas famílias após a gravidez adolescente, e os que NEM estudavam, NEM trabalhavam. Ou seja, uma insuficiente incorporação ao trabalho, à educação, à assistência social, às políticas públicas e à organização sindical.
O coração de faraó, contudo, duro, era insensível à realidade. Eu ainda citei o Che, pra ver se quebrava o iceberg, vã esperança: "Que possamos, ao olhar para as transformações em curso, nos preparar para não menos que a vitória, dizendo corajosamente, como Che: “O alicerce fundamental de nossa obra é a juventude. Nela depositamos nossa esperança e a preparamos para tomar a bandeira de nossas mãos”. Apostamos, ao contrário, no sólido alicerce das entidades sindicais existentes no tabuleiro da mesa das centrais sindicais nacionais e de seus sindicatos mais fortes, em que a CUT é a maior central (porque nos anos 80 apostou nuns meninos, e não no Joaquinzão - que ninguém sabe hoje quem é - uma ideia do Lula).
Aparentemente, nossos ouvidos moucos eram apenas nossos. Aparentemente nosso protagonismo na juventude só existe no terreno seguro dos congressos estudantis, não servindo para muito mais que isso, sacramente de dois em dois anos. Se o início do refrão da canção Años, "el tiempo pasa, nos vamos poniendo viejos" atemorizava já a muitos dentre nós, do lado de lá, nos círculos do imperialismo, a história era outra.
Não apenas a internet se desenvolveu com foco na turma de quem eu falava, mas lá das catacumbas mais soturnas, figuras decrépitas em ideias e discurso, a exemplo de Olavo de Carvalho, Bolsonaro, as igrejas do pentecostalismo de negócios, e a fina flor da juventude trabalhadora foi dia e noite disputada pelos patrões, que lhes vendiam o empreendedorismo e muito mais... O velho que investe no novo, sobrevive. O velho que investe no passado, simplesmente morre.
Esses fenômenos se tornaram invisíveis, pois estava assegurada a chegada pacífica ao poder, e a via institucional-eleitoral assegurava perspectivas animadoras. Uma miopia típica do funcionário, tipicidade que vem sempre em conjunto: desprezo pela teoria, pragmatismo, conformação de grupos de interesse; tijolos solidamente unidos com cimento, erigindo a dureza no coração do faraó, retirando a plasticidade e a sensibilidade, a inteligência e o tirocínio da alma do guerrilheiro e da guerrilheira, nublando os propósitos de "servir ao povo" e de "ser entre o povo como o peixe n'água", citando de cabeça Mao Tsetung.
O que houve desde então?
O imperialismo sabe de estatística, de pré-sal e geopolítica. Fomos colhidos pela Guerra Híbrida, e já em junho de 2013, há dez anos, perdemos as ruas para a direita, diante do olhar pasmado de sindicalistas e líderes da juventude, eu, na época, inclusive. A Petrobras e o Pré-Sal foram pilhados pelo lavajatismo, em sua sanha destrutiva que privatizou refinarias, arrancou o couro do povo, destruiu as grandes empresas de construção pesada, naval e até civil, venderam a ELETROBRAS. Os sindicatos foram caindo um a um, como pinos, num macabro boliche, restando apenas entidades que tiveram recursos e gestão capazes de resistir a tamanho flagelo. As ideias atrasadas, mentirosas, absurdas, depuseram Dilma, justificaram Temer, prenderam Lula. E aquela geração, que já estava precária quando escrevi o texto, em 2012, foi afundada ainda mais no charco de miséria e do desespero que envolveu o Brasil. Em vez da incorporação ao Projeto Nacional de Desenvolvimento, ganharam um aplicativo para sobreviver, o crack para sonhar e um lugar assegurado nas estatísticas mais assustadoras. E a pandemia.
Assim, o que acontecerá com o Brasil diante do desperdício de um bônus demográfico único em nossa História?
Como vencer a irrelevância do movimento sindical sucessivamente demonstrada em 3 pleitos nacionais, marcados pelo declínio de sua representação parlamentar, sem esperança de reversão? Parece, sinceramente que, sequer para o Partido cuja razão de ser é representá-la, a classe trabalhadora real é importante, haja vista o papel decorativo de nossos secretários sindicais, sobejamente ignorados e inclusive limados sem pudor, tão logo haja qualquer atrito entre a "frente institucional" e as demandas dos trabalhadores e trabalhadoras. Os únicos problemas até para o pragmatismo da derrota são: quem em nós votará? E a frase do Chapolin Colorado, diante da próxima intentona golpista: e agora, quem poderá nos defender? Pergunta inconveniente, resposta nula.
Quase se pede desculpas, no texto, ao se mencionar a pirâmide invertida. Creio seja um duplo constrangimento. Primeiro, de se repetir o que não se aplica, fenômeno crescente entre nós. Segundo, porque o cupulismo, o burocratismo, o envelhecimento e a inalcançável distância entre direções sindicais e a maioria de suas próprias bases- sem citar quem está fora dos sindicatos - são fenômenos tão gritantes que, até mitigada, a expressão tem a força de uma bomba.
Enquanto isso, o camarada Xi Jinping, em cujos ombros se depositam tantas esperanças da Humanidade, em 31/5, diante da primeira reunião da Comissão de Segurança Nacional do 20º Comitê Central do PCCh
"pediu plena consciência das circunstâncias complicadas e desafiadoras que a segurança nacional enfrenta e a abordagem correta das principais questões de segurança nacional. Ele pediu esforços para salvaguardar o novo padrão de desenvolvimento da China com uma nova arquitetura de segurança e para abrir novos caminhos no trabalho de segurança nacional." (Reuters, 31/5)
Um tal alerta, em chinês bem dito, deveria tensionar-nos diante dos dilemas vividos pelo mundo e pelo Brasil. Nossa autocongratulação é como a tranquilidade do faraó na trégua que precedia o afogamento no Mar Vermelho. Não fazem falta as loas, os salamaleques. Carecemos é da boa e velha crítica e auto crítica e de compromisso com a perspectiva socialista e com o Brasil. Se não, para isso o PT é suficiente.
Nosso documento, ao contrário, está fora do tempo, de costas para a classe trabalhadora real e muito atrasado na arte do CTRL + V, CTRL + C, vulgo copia e cola. Até para isso, melhor faz, hoje, o chat GPT. Como disse um prócer conhecido meu outro dia, "quem lê essas resoluções"? Eis um sinal incontornável de degenerescência, doeu-me como uma pisa de fio elétrico. Comunista dá a vida pelo povo, por sua política, pelos camaradas.
Lendo os textos de Cláudio Campos, espantei-me com seu brilho, aquele bom humor, a coragem de quem defendia o Brasil e o Socialismo com chamas apaixonadas a queimar cada palavra. O mais lindo no João Amazonas, era ele poder parecer ter dois mil anos, e ainda assim apostar todas as suas cartas, na juventude e na classe trabalhadora, para ouvir, entender e agir de acordo com a sua época e com a sobrevivência do PCdoB, função de sua relevância para a libertação do Brasil e a emancipação da classe trabalhadora. Não quero para mim outra medida. O silêncio e o envenenamento são as armas dos traidores. "Disse, e salvei minha alma".
sábado, 3 de junho de 2023
Escolha e foco, ainda dando essa força aqui, na base - Paulo Vinícius da SIlva
Informo que por decisão política minha, com grandes repercussões pessoais, renunciei a meus cargos de direção no PCdoB, para continuar minha trajetória no sentido de sair ou me reposicionar no DF.
Ao longo de 32 anos de militância comunista, desde os 14 anos - que minha filha completará terça, 6/6 -, não me lembro quando não tive tarefas partidárias de grande responsabilidade. Desse modo, não lamento.
Contudo, por responsabilidade com vocês, e seguindo a escolha feita quando decidi voltar para meu lugar de trabalho, como simples bancário, em pleno governo Bolsonaro, ainda darei uma contribuição ao nosso núcleo de base da CTB bancários DF e a alguns espaços de trabalho de base no PCdoB, apenas enquanto concluo as transições em curso, notadamente em favor dos camaradas Rafael Guimarães, Érica mendonça, Renato Rabelo e Cláudio, cuja confiança e paciência muito me honram. Em 2007 era terra arrasada, só eu, Ailton Baiano e Nei Rios, então foi um passo adiante isso que temos construído.
Triste não é mudar de tarefa, é aferrar-se a ela, crendo-se imprescindível; triste é não ter formado ninguém digno do exemplo que vimos e tentamos aplicar, triste é esquecer o que somos e pelo que lutamos. O zen surfismo de Lulu Santos ensina, "tudo passa, tudo passará", e nem tudo depende dessa ilusão de importância que aninhamos em nosso ego. Nada mais triste que o oportunismo, o arrivismo, a triste ilusão de que podemos parar a roda do tempo e da História e de que ficaremos com qualquer coisa que não tenhamos semeado dentro de nós e dos amores que granjeamos nessa vida.
Muito em breve, também, no que de mim dependa, essas últimas tarefas sindicais de base e de partido, serão integralmente assumidas por vocês. Oxalá possa ainda dar essa contribuição, singela, mas decisiva, que me trouxe e guiou há 32 anos de luta comunista no movimento social no Brasil e no mundo.
Ufano-me do que fiz, mas anseio ainda mais pelo que ainda poderei fazer, fora de minha zona de conforto e com tanto que aprenderei.
Até dezembro, sem tais anéis, talvez possa vestir outros e zelar um pouco mais pela possibilidade de ajudar por mais tempo, com saúde física, mental e espiritual e em outros campos de batalha. Para isso, conto com vocês, e por isso vou jogar mais os "meninos" no fogo. Se me ouvirem bem, se não, também, mas se depender apenas de mim, que pereça, pois é em cima do que fenece que o novo nasce e cresce.
Paulo Vinicius da Silva
Renúncia ao comitê regional, à comissão política e à Presidência do Distrital Brasília, Plano Piloto do PCdoB-DF
Camaradas, renuncio por razões exclusivamente políticas à minha participação no Comitê Regional no DF e à Presidência do Comitê Distrital do PCdoB Brasília, Plano Piloto.
Não posso desejar sorte a essa direção regional, pois divirjo frontalmente do rumo a que tem conduzido nosso Partido no DF. O rebaixamento do projeto eleitoral do DF, - que rasgou novamente o acordado e abandonou sua representatividade junto à classe trabalhadora e à juventude -, fato que à época não contou com minha cumplicidade, e já explicitava o beco sem saída para que rumávamos, ademais de demonstrar como se buscava e se efetivou a reversão de todos os avanços da unificação PCdoB-PPL e CTB CGTB, razão de nossas derrotas, cegueiras e da crescente perda de unidade interna, que ao longo dos anos vem sendo erodida pela ação coordenada de forças estranhas ao Partido, que cooptaram sucessivas lideranças e seguem a fazê-lo, interessadas em nossa subalternização e quadros para servir a projetos em nada vinculados à perspectiva socialista e à emancipação do Brasil.
Meu lugar de militante e minha contribuição ao debate se darão independentemente desses cargos, mesuras e salamaleques, indignos e esterilizadores da única maneira de superar os dilemas atuais: uma firme convicção revolucionária, firmes e estreitos laços com o povo e a clarividência que a teoria e o conhecimento da realidade trazem. Não me submeterei ao charco do oportunismo, à olímpica indiferença diante do sofrimento do povo comum entre burocratas de "coração de faraó", muito menos a me fazer de besta ou burro. quando rasgamos tudo que sabíamos, que escrevemos e predicamos. Para isso, não se poderá jamais contar comigo. Paulo Vinícius da Silva
quinta-feira, 1 de junho de 2023
9º Encontro Sindical Nacional do PCdoB – documento para debate e Convocatória
Leia a íntegra do texto em debate durante o 9º Encontro Sindical Nacional do PCdoB, que acontece nos dias 16 e 17 de junho de 2023 em Salvador.
Bárbara LuzData: 21/04/2023
Luciana durante abertura do 8º Encontro Sindical Nacional do PCdoB, realizado em Recife, em 2019 | Foto: reprodução/PCdoBO Partido Comunista do Brasil (PCdoB) realiza nos dias 16 e 17 de junho de 2023 o 9º Encontro Nacional de sindicalistas da legenda, no Fiesta Bahia Hotel, em Salvador-BA. O evento terá dois pontos na pauta, que serão debatidos em cada dia: “O Governo Lula e o papel dos comunistas no movimento sindical” e “Construção partidária entre os trabalhadores, com ênfase no trabalho de base”. A taxa de inscrição, no valor de R$ 400,00, dá direito a duas reservas no hotel e refeições (café da manhã, almoço e jantar), e deverá ser paga até o dia 28 de maio devido às obrigações contratuais com o hotel.
Os secretários sindicais são orientados a organizar Encontros Estaduais durante o mês de maio, e a Comissão de Redação deve apresentar o documento-base para instruir os debates a partir dos Estados. A quantidade de delegados e delegadas de cada Estado será definida com base na delegação presente no encontro anterior, realizado em Recife.
Para a organização da atividade, é essencial que cada Estado confirme o tamanho de sua delegação antecipadamente. Todas as atividades, incluindo plenárias, alimentação e hospedagem, serão realizadas no Fiesta Bahia Hotel, e quem desejar prolongar a estadia deverá acertar diretamente com o hotel.
Leia a íntegra da convocatória abaixo.
9º ENCONTRO SINDICAL NACIONAL DO PCDOB
Camaradas, em aditamento à convocação do 9º Encontro Sindical Nacional do PCdoB, passamos as seguintes informações:
1) Está confirmada a realização do 9º Encontro Sindical nos dias 16 de junho (sexta-feira) e 17 de junho (sábado), das 09h às 18h.
2) A pauta do Encontro terá dois pontos: dia 16/6 – “O Governo Lula e o papel dos comunistas no movimento sindical”; 17/6 – “Construção partidária entre os trabalhadores, com ênfase no trabalho de base”.
3) Orientamos aos secretários Sindicais organizarem Encontros Estaduais durante o mês de maio. A Comissão de Redação deve apresentar em tempo hábil o documento-base para instruir os debates a partir dos Estados.
4) O 9º Encontro será realizado no Fiesta Bahia Hotel, localizado na Av. Antônio Carlos Magalhães, 741 – Itaigara, Salvador – BA. Todas as atividades serão realizadas neste hotel – plenárias, alimentação e hospedagem.
5) A taxa de inscrição, subsidiada, será de R$ 400,00 (quatrocentos reais) para cada delegado ou delegada. A taxa dará direito a duas diárias no hotel (do dia 15/6 até o dia 17/6 e refeições (café da manhã, almoço e jantar). Quem desejar prolongar a estadia deverá acertar diretamente com o hotel.
6) Devido às obrigações contratuais com o hotel, que incluem, além das diárias, a locação do auditório, equipamento de som e restaurante para cerca de quatrocentos participantes, a taxa de inscrição deverá ser paga até o dia 28 de maio :
Banco do Brasil – Agência 303-4
– Conta Corrente 112153-7
– CNPJ 08.742.211/0001-01 –
chave PIX 119593101125 (Centro de Estudos Sindicais).
7) Cópia do depósito bancário e o nome completo do delegado ou delegada e respectiva entidade sindical ou seção partidária devem ser enviados para Márcia Viotto – cel/whatsApp 11 98497-5295. A partir do pagamento, definiremos com o hotel o alojamento em quartos triplos e, excepcionalmente, duplos para casais.
8) A quantidade de delegados e delegadas de cada Estado terá como parâmetro a delegação presente ao Encontro anterior, realizado em Recife. Para a boa organização da atividade, cada Estado precisa confirmar com a maior brevidade o tamanho de sua delegação. Essa informação é essencial para os ajustes finais com o hotel e deverá ser feita com antecedência.
São Paulo, 19 de abril de 2023
Nivaldo Santana
Secretário Sindical Nacional
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