Dói sim, a saudade...
domingo, 11 de junho de 2023
sexta-feira, 10 de dezembro de 2021
Canção do exílio cearense - Paulo Vinícius da Silva
"Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá" Gonçalves Dias
Minha terra tem coqueiros,
O seu nome é Ceará.
Terra de índios, vaqueiros,
Do verde e bravio mar
Serra, sertão, branca areia,
Nossos risos, nossas dores,
Nossa música e poesias
Aliviam os dissabores.
Minha terra tem uma brisa
Que nunca pude encontrar.
Dançam forrós, os amores
Que a saudade deixou lá,
Minha terra tem coqueiros,
O seu nome é Ceará.
Em cismar, bem longe, penso,
Um dia, hei de voltar!
Minha terra tem coqueiros,
O seu nome é Ceará.
Por ti eu não fico triste, e
Mesmo se a tristeza vem,
Sou valente e digo um chiste,
Faço um riso e vou além,
Meu trabalho, gênio e brilho,
Só dizem de querer bem.
Rogo à Virgem, meu Padim,
Menino Jesus: vou voltar?
Nem a seca poderia
Fazer deixar de te amar,
Ó Terra da Liberdade,
O seu nome é Ceará.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Terra Bárbara - Jáder de Carvalho
- Na minha terra,
- as estradas são tortuosas e tristes
- como o destino de seu povo errante.
- Viajor,
-
se ardes em sede,
-
se acaso a noite te alcançou,
-
bate sem susto no primeiro pouso:
- — terás água fresca para sua sede,
—
- rede cheirosa e branca para o teu sono.
- Na minha terra,
- o cangaceiro é leal e valente:
- jura que vai matar e mata.
- Jura que morre por alguém — e morre.
(Brasil, onde mais energia:
na água, que tem num só destino
do teu Salto das Sete Quedas
ou na vida, que tem mil destinos,
do teu jagunço aventureiro e nômade?)
Ah, eu sou da terra do seringueiro, —
o intruso
que foi surpreender a puberdade da Amazônia.
Eu sou da terra onde o homem, seminu,
planta de sol a sol o algodão para vestir o Brasil.
Eu nasci nos tabuleiros mansos de Quixadá
e fui crescer nos canaviais do Cariri,
entre caboclos belicosos e ágeis.
Filho de gleba, fruto em sazão ao sol dos trópicos,
eu sou o índice do meu povo:
se o homem é bom — eu o respeito.
Se gosta de mim — morro por ele.
Se, porque é forte, entender de humilhar-me, — ai, sertão!
Eu viveria o teu drama selvagem,
eu te acordaria ao tropel do meu cavalo errante,
como antes te acordava ao choro da viola...
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