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sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Quem era o homem que se recusou a saudar Hitler? História em Rede




História em Rede
Jul 17, 2019

Não é difícil perambular pelas redes sociais e se deparar com uma foto icônica sobre o nazismo: o homem que se recusou a saudar Hitler em meio a multidão, cruzando os braços. A saudação, associada a uma demonstração de lealdade ao Führer e de comprometimento com a nação alemã, era entoada junto à expressão sieg hiel, cujo significado em uma tradução livre seria “viva a vitória”. Famosa por celebrizar uma manifestação de resistência, a foto se tornou referência obrigatória para os que se interessam pela história do nazismo, servindo ainda como inspiração para movimentos contrários a governos autoritários no tempo presente. Mas, afinal, quem era o homem que ousou desafiar Hitler e o nazismo?

A primeira pista sobre a sua identidade surgiu muitos anos após a Segunda Guerra Mundial. Isso porque a fotografia veio a público por meio de um artigo veiculado no jornal Die Zeit, em 22 março de 1991. A publicação chegou até Irene Eckler, que não teve dúvidas quando observou o homem de braços cruzados: era o seu pai, August Landmesser. A trágica história de sua família, que durante tanto tempo manteve-se sufocada, finalmente poderia alcançar alguma redenção. Reunindo diversos documentos pessoais, Irene lançou em 1996 um livro que contava a trajetória de seu pai. E quem diria que por trás do famoso ato de resistência estaria uma história de amor?

A vida de August Landmesser (1910–1944), porém, nem sempre esteve do lado oposto ao nazismo. Na verdade, como muitos alemães que viveram nas décadas de 1920 e 1930, ele foi simpático ao nazismo. Chegou, inclusive, a fazer parte do Partido de Hitler. Com dificuldades para conseguir um trabalho, August juntou-se aos nazistas na esperança de remediar os seus problemas. Ele, obviamente, não foi o único. Os nazistas apresentavam-se como a salvação de uma Alemanha que vivia atormentada após os prejuízos da Primeira Guerra Mundial, prometendo o fim do desemprego e melhorias sociais. Crescendo em meio a desolação, as ideias radicais do nazismo foram encaradas como uma solução por muitos. E não foi diferente com Landmesser, que se converteu rapidamente em um típico seguidor de Hitler.
Foto de August Landmesser, em 1935. Fonte: ECKLER, Irene. A Family Torn Apart by “Rassenschande”. Schwetzingen, 1998.

A sua relação com o nazismo não demoraria a estremecer. Em 1934, o rapaz se apaixonou. Mas, ironicamente, a sua amada era proibida: Irma Eckler era uma mulher judia. É difícil saber como Landmesser lidou com essa questão. Provavelmente a sua mente debateu-se entre os princípios nazistas e os sentimentos por Irma. No fim, venceu o amor e o casal se envolveu estreitamente. A sua escolha, contudo, cobrou um preço. Em 1935, o relacionamento chegou ao conhecimento de membros do Partido e August acabou expulso. Esta não seria a única consequência de sua escolha apaixonada. Quando o casal se registrou para confirmar o matrimônio em Hamburgo, ainda em 1935, o pedido foi negado. Era reflexo das Leis de Nuremberg, estabelecidas em 16 de setembro de 1935. As leis, de caráter anti-semita, procuravam resguardar a honra e a pureza racial dos alemães, estabelecendo uma série de restrições aos judeus, negando-lhes a cidadania. Uma das medidas, e que atingiu diretamente Landmesser, proibia casamentos entre alemães e judeus. Vítimas da política descriminatória que ganhava forma na Alemanha, August e Irma permaneceram juntos, mesmo sem ser casados. Em 29 de outubro daquele mesmo ano nasceria a primeira filha do casal, Ingrid.

Chegamos, então, ao ano de 1936, quando a famosa fotografia foi tirada. Mais precisamente no dia 13 de junho. A foto retrata uma grande concentração de trabalhadores do estaleiro Blohm & Voss, em Hamburgo. August Landmesser, empregado no local, estava entre eles. Realizava-se então um comício nazista para celebrar o lançamento do navio Horst Wessel. Dentre todos os presentes, August teria sido o único a se recusar a fazer a saudação, cruzando os braços em meio a multidão. Um gesto corajoso e ousado, devidamente motivado por sua própria trajetória pessoal.
A famosa foto, cujo autor é desconhecido

Apesar da nobre demonstração de resistência, a vida de Landmesser continuava a ser atormentada pelo governo nazista. Em 1937, o relacionamento que ele possuía com Irma, cada vez mais sólido, era público e notório. Ela, a propósito, estava grávida da segunda filha, Irene. Segundo a política racial que vigorava na Alemanha, isto era uma verdadeira afronta à raça ariana, sendo passível de condenação. Temendo pelo futuro de sua família, August tentou fugir com sua esposa e filha para a Dinamarca em julho daquele ano. Não deu certo. Ambos acabaram presos, mas, alegando que não sabiam da origem judia de Irma, o casal acabaria absolvido por falta de provas. Eles foram instruídos, no entanto, a não manterem mais qualquer relação.
Foto de August Landmasser, Irma Eckler e suas filhas, Irma e Ingrid, em 1938. Fonte: ECKLER, Irene. A Family Torn Apart by “Rassenschande”. Schwetzingen, 1998.

O amor de August falou mais alto do que o medo da punição e ele continuou amasiado com Irma, mesmo diante da determinação proferida. A filha recém-nascida, concebida pouco depois da fracassada tentativa de fuga, também deve ter pesado em sua decisão. Mas o risco era alto e novamente eles seriam denunciados apesar dos cuidados adotados para que o relacionamento ficasse em segredo. Dessa vez os nazistas não foram tão complacentes. Em julho de 1938, ao ser constatado que ele se recusava a deixar a esposa e as filhas, August Landmesser acabou condenado por seu ato. Ele foi enviado para um campo de trabalhos forçados em Borgermoor por 30 meses, separando-se de sua família, o que August tanto havia relutado. Acostumado com os dessabores causados pelos nazistas, provavelmente ele manteve a esperança de reencontrá-las. No entanto, o momento da despedida foi a última vez que ele esteve com sua companheira e filhas.
Foto enviada por Irma Eckler para August Landmesser quando ele estava preso. Fonte: ECKLER, Irene. A Family Torn Apart by “Rassenschande”. Schwetzingen, 1998.

Pouco depois da prisão de August, Irma foi vítima da perseguição nazista. Como a lei previa que a mulher de um homem condenado por “desonrar a raça” também seria presa, ela caiu nas garras da Gestapo, a temida polícia secreta nazista. Transitando entre presídios e campos de concentração, Irma seria privada da convivência com as filhas. A filha mais velha, Ingrid, foi mandada para um orfanato por um curto período, até que teve autorização para viver com os avós paternos. Irene, por sua vez, foi concedida a pais adotivos. A agonia de Irma no campo de concentração se estendeu até fevereiro de 1942, quando ela foi morta na câmara de gás em Bernburg. Estima-se que 14 mil pessoas morreram nessa oportunidade.
Cartão de identificação de Irma Eckler. O governo nazista obrigou que os judeus portassem tal cartão de identificação, o qual deveria ser apresentado sempre que uma autoridade solicitasse. Fonte: ECKLER, Irene. A Family Torn Apart by “Rassenschande”. Schwetzingen, 1998.

August Landmesser foi libertado em janeiro de 1941, mas jamais conseguiu se reunir novamente com sua mulher ou filhas. Novamente em liberdade, August conseguiu emprego como capataz em uma empresa de transporte, na cidade de Warnemünde. Mesmo assim, a sua vida jamais seria a mesma. É possível que ele tenha se esforçado para entrar em contato com os seus familiares, sem sucesso. O seu destino, entretanto, seria trágico. Em fevereiro de 1944, diante da enorme demanda de soldados por parte do Exército Alemão, cada vez mais esgotado e em franca decadência, ele foi convocado para compor um batalhão penal. Pouco se sabe sobre a sua participação na guerra, mas ele foi dado como desaparecido em 17 de outubro de 1944, quando lutava na Croácia. O seu corpo nunca foi encontrado, mas ele foi considerado morto em 1949.

A história trágica foi em grande parte narrada no livro que Irene publicou após reconhecer o seu pai na fotografia. E o título da obra, A Lei de Tutela 1935–1958: perseguição de uma família por “desonrar a raça”, não poderia ter sido mais adequado. Como muitos sobreviventes do Holocausto, as filhas Irma e Irene carregaram marcas profundas da perseguição e da descriminação impostas pelo governo de Hitler. Vivendo em orfanatos ou junto à famílias adotivas, restavam apenas breves lembranças da vida com seus verdadeiros pais. O amor do casal, porém, desafiou a morte: em 1951, o Senado de Hamburgo reconheceu o casamento de August Landmesser e Irma Eckler, eternizando a relação condenada pelos nazistas.

O livro de Irene Eckler, publicado em 1996, e que apresentou fotos e documentos sobre a sua família

Não há consenso, porém, quanto à identidade do homem que se recusou a fazer a saudação nazista. Isso porque a família Wegert reivindica que quem está de braços cruzados é Gustav Wegert (1890–1959). Esse sujeito também trabalhou no estaleiro Blohm & Voss na mesma época em que a foto foi tirada, apresentando semelhança física significativa com o retrato famoso quando comparado com outras de suas fotos. E, ainda mais relevante, ele jamais fazia a saudação nazista. Mas o motivo não era o mesmo de August Landmesser. Cristão convicto, Gustav se recusava a venerar Hitler ou os nazistas, dizendo que “deve-se obedecer a Deus mais do que aos homens”. Sua esposa, inclusive, temia que o marido poderia acabar preso por se recusar a fazer a saudação, razão pela qual ele já havia sido advertido algumas vezes. Mas Gustav a acalmava: por precisar de trabalhadores especializados no estaleiro, a punição nunca ia além da advertência. A sua importância no estaleiro Blohm & Voss o favoreceu inclusive durante a guerra, já que ele nunca chegou a ser alistado.
Foto de Gustav Wegert (de sobretudo, com a mão no bolso). Arquivo pessoal da família Wegert. Disponível em: http://wegert-familie.de

Até hoje há dúvidas quanto a verdadeira identidade do homem de braços cruzados. A sua atitude de recusa à veneração ultranacionalista típica dos nazistas, porém, é inquestionável. E de algum modo a foto remete tanto a vida de August Landmesser quanto a de Gustav Wegert. Isso porque eles, cada um a sua maneira, ousaram dizer não ao nazismo. Em meio ao fanatismo, ao radicalismo e à violência aviltada em relação àqueles que não concordavam com Hitler ou seus seguidores, era preciso muita coragem para dizer não quando a imensa maioria dizia sim.


Luís Rafael Araújo Corrêa é professor do Colégio Pedro II e Doutor em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Autor de artigos e livros sobre História, como a obra Feitiço Caboclo: um índio mandingueiro condenado pela Inquisição.

PSOL- RESOLUÇÃO SOBRE FEDERAÇÃO PARTIDÁRIA - Bancada na Câmara e Executiva Nacional

1. A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados apoiou o projeto que cria as federações partidárias. Reconhecemos que essa é uma medida democrática diante das novas restrições da legislação eleitoral.

2. Consideramos que as federações permitem, ainda, o enfrentamento da cláusula de barreira, medida antidemocrática criada para asfixiar os partidos ideológicos com a justificativa de combater a “pulverização” do sistema partidário brasileiro.

3. Assim sendo, a Executiva Nacional do PSOL aprova a instauração de conversas formais com Rede Sustentabilidade e PCdoB, com vistas a avaliar a conveniência de uma federação entre um ou mais partidos de esquerda.

4. Propostas de diálogo com outras agremiações de esquerda serão apreciadas oportunamente pela Executiva Nacional do PSOL.




Executiva Nacional do PSOL

10 de dezembro de 2021

Canção do exílio cearense - Paulo Vinícius da Silva




"Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá" Gonçalves Dias

Minha terra tem coqueiros,
O seu nome é Ceará.
Terra de índios, vaqueiros,
Do verde e bravio mar
Que o valente jangadeiro
domou pra nos libertar.

Serra, sertão, branca areia,
Nossos risos, nossas dores,
Nossa música e poesias
Aliviam os dissabores.

Minha terra tem uma brisa
Que nunca pude encontrar.
Dançam forrós, os amores
Que a saudade deixou lá,
Minha terra tem coqueiros,
O seu nome é Ceará.

Em cismar, bem longe, penso,
Um dia, hei de voltar!
Minha terra tem coqueiros,
O seu nome é Ceará.

Por ti eu não fico triste, e
Mesmo se a tristeza vem,
Sou valente e digo um chiste,
Faço um riso e vou além,
Meu trabalho, gênio e brilho,
Só dizem de querer bem.

Rogo à Virgem, meu Padim,
Menino Jesus: vou voltar?
Nem a seca poderia
Fazer deixar de te amar,
Ó Terra da Liberdade,
O seu nome é Ceará.



Papo Reto - CTB Bancários DF - 10/12 - A luta pela Saúde Continua!





Graças à pressão de toda a categoria e dos sindicatos, conseguimos liminares inclusive em Brasília. Negociação em mesa sustou por agora a volta dos funcis com comorbidade. Demora mostra limites da estratégia exclusivamente jurídica e o papel da mobilização e da união para a pressão.

COMBATA O SURTO NEGACIONISTA.

Documente sua situação e entregue ao gestor imediato e nos informe se houver problemas.

Rede de solidariedade e denúncias de riscos nos locais de trabalho por falta de EPI e atitudes isoladas. SESMT e CIPAS essenciais.

A luta pela Saúde continua!

LEIA A RESOLUÇÃO DA DIREÇÃO NACIONAL DA CTB (9/12)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Com Belchior e Darcy Ribeiro

Como o diabo gosta - Belchior

Não quero regra nem nada
Tudo 'tá como o diabo gosta, 'tá
Já tenho este peso, que me fere as costas
E não vou, eu mesmo, atar minha mão
O que transforma o velho no novo
Bendito fruto do povo será
E a única forma que pode ser norma
É nenhuma regra ter
É nunca fazer nada que o mestre mandar
Sempre desobedecer
Nunca reverenciar





terça-feira, 7 de dezembro de 2021

O SINDICATO DOS BANCÁRIOS DE SERGIPE CONSEGUE LIMINAR CONTRA O RETORNO IMEDIATO AO TRABALHO PRESENCIAL DE PESSOAS COM COMORBIDADES

 07/12/2021

O Sindicato dos Bancários de Sergipe  CONSEGUE LIMINAR CONTRA O RETORNO IMEDIATO AO TRABALHO PRESENCIAL DE PESSOAS COM COMORBIDADES

 



O Sindicato dos Bancários de Sergipe através de seu departamento jurídico com a assessoria do advogado Denis Arciere conseguiu liminar contra o Banco do Brasil que suspende todo e qualquer retorno ao trabalho presencial dos trabalhadores do grupo de risco, de forma imediata, até o julgamento final da presente demanda, sob pena de multa diária em razão do descumprimento, no importe de R$ 1.000,00 por empregado prejudicado.

A decisão foi proferida no dia de hoje, 07/12. Para o diretor do Departamento Jurídico do SEEB/SE, Everton Castro, esta decisão evidencia a presença do requisito de probabilidade do direito, considerando que há norma coletiva que diz ser prioritário o trabalho não presencial para aqueles empregados que fazem parte de grupo de risco, além de ausente a autorização para mudança do acordado em assembleia e, ainda, presente o perigo da demora. Esta ação ajuizada tem sólidos argumentos na legislação e na jurisprudência. “O Sindicato tem se empenhado em proteger os direitos dos trabalhadores. Portanto, a justiça foi feita”, completou”. Everton chama ainda a atenção dos colegas para no caso de descumprimento da decisão por parte do banco, entrar em contato imediatamente com o jurídico para que possamos tomar as providencias cabíveis.

CAMPANHA EM DEFESA DA VIDA E DE UM AMBIENTE SEGURO NO TRABALHO BANCÁRIO - CTB BANCÁRIOS DF

 

























Renato Rabelo: Luta ideológica numa nova ordem mundial de transição


O presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo, durante intervenção no 15o. Congresso Nacional do PCdoB. Foto: Richard Silva

O presidente da Fundação Maurício Grabois assinala o cenário internacional de disputas ideológicas, com o Brasil em franco retrocesso, e como a instituição contribui para a compreensão da conjuntura para elaboração tática e estratégica na atuação política.

O presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo, apresentou um informe sobre a atuação da instituição, nesta sexta-feira (15), durante o início da plenária final do 15º Congresso do PCdoB, rumo ao centenário do partido. Ele abordou a importância do debate de ideias em meio a uma nova ordem mundial conturbada, na abertura da plenária do congresso, que pela primeira vez aconteceu de maneira virtual devido à pandemia, com a participação de mais de 600 delegados de todo o país.

Ele considera importante que a partido compreenda plenamente o papel da Fundação, nesses 13 anos, disseminando ideias e formando quadros e a militância. “[A fundação] empreendeu um espaço de confluência do pensamento marxista, revolucionário e progressista, e tem se dedicado às questões chave no enfrentamento do curso da luta de ideias na atualidade do nosso período histórico”, afirmou, lembrando o papel protagonista do jornalista Adalberto Monteiro, desde sua origem.

Na concepção da Fundação, a luta de ideias, como assinala o programa socialista do PCdoB, é uma luta que se dá no sentido de acumulação de forças, visando a conquista do poder político. “Portanto, não é uma atividade acadêmica, mas é voltada aos objetivos programáticos e ao ideário da luta política e revolucionária do partido comunista em nosso país”, explicou. Para Renato, essa é a tarefa essencial da Fundação.

Leia a íntegra da intervenção: Renato Rabelo faz balanço da atividade da FMG no 15º Congresso do PCdoB

A experiência do socialismo nas entranhas do capitalismo

Para ele, a luta de ideias tem relevância ainda maior na contemporaneidade, em que a transição na ordem mundial se intensifica e acelera na pandemia. Renato observa que, com o distanciamento do período mais agudo do fim da União Soviética (URSS), projeta-se o ascenso da República Popular da China e o declínio relativo da potência hegemônica dos EUA. Este é, para ele, um fato de grande significado histórico e um fato estrutural do sistema internacional, com repercussão no mundo todo.

“Neste novo contexto geopolítico mundial, os países socialistas remanescentes estruturam projetos nacionais de orientação socialista incorporando formas de renovação contemporâneas, destacadamente a China, no âmbito da própria economia capitalista mundial, superando o modelo soviético próprio de uma época”, destaca ele. Renato salienta o fato desses projetos não se apresentarem “edificando um sistema mundial socialista”, como foi o esforço da URSS, contudo estão em evolução favorável às experiências socialistas, contando com as lições do século XX.

Além disso, nas condições presentes, diversos estados estruturam projetos nacionais de desenvolvimento, em que adquirem centralidade as tarefas nacional e democrática, distinguem nova oportunidade histórica de resguardar sua soberania e seguir caminho próprio, impondo-se uma situação favorável à realização de projetos nacionais contra-hegemônicos.

Em contrapartida, o dirigente do PCdoB considera que o capitalismo estadunidense hegemônico responde ao seu próprio declínio com mais ação agressiva e bélica. “Mobiliza seus aliados fieis para conter a China, utilizando todas as formas e meios, especificamente os militares, buscando isolar a Rússia e desarranjar sua aliança estratégica com os chineses”, analisa ele, lembrando que, durante um período avançado da URSS, o imperialismo conseguiu criar uma contradição com a China, que contribuiu para sua fragilização.

O retrocesso brasileiro em meio à transição mundial

De acordo com Renato, o capitalismo financeirizado rentista e sua ortodoxia neoliberal têm sido cada vez mais incapazes de responder aos desafios do mundo atual, do desenvolvimento das nações, em cooperação mútuas, e do bem estar dos povos.

“O tempo presente e o futuro clamam pelo socialismo. Esta é a questão que evolui num processo moldado numa alternativa contemporânea. A China é o exemplo maior dessa alternativa contemporânea”, declara.

A experiência chinesa, conforme distingue ele, adquire uma forma histórica. “Não se trata de teses subjetivas ou desejos. O desafio, portanto, é como conduzir uma sociedade, que, nascida pela revolução, se desenvolve nas entranhas de um mundo dominado por outro modo de produção”, analisa Renato, citando os remanescentes socialistas China, Vietnã, Cuba e Coreia, com o gigante asiático à frente, por sua dimensão.

Renato situa o lugar histórico do Brasil nessa ordem mundial em transição, em que ocorre imposição de projetos desenvolvimentistas para os estados nacionais. Num momento favorável para o desenvolvimento nacional, “o Brasil atravessa um período de tanto retrocesso, de obscurantismo, boicotes do próprio presidente da República à ação pandêmica criada pela ciência, caracterizando uma atitude genocida contra o povo levando a crise sanitária a condição de tragédia nacional, sem semelhança de tais acontecimentos na historia da própria República”.

Diante deste cenário de resistência do governo brasileiro a acompanhar a nova ordem de fragilização neoliberal e afirmação de estados nacionais, o dirigente comunista aponta que a orientação de Frente Ampla, defendida pelo PCdoB, baseada na história política do Brasil, “é, hoje, o caminho para a vitória, sendo meio insofismável para desmascarar, isolar e derrotar Bolsonaro”. Esta é, para ele, a questão premente para salvar o país.

Renato destacou a aprovação recente da lei das federações partidárias como uma vitória da democracia e do pluripartidarismo. “Foi num contexto muito adverso que se conseguiu esta vitória extraordinária”, lembrou ele, considerando a dominância bolsonarista no Congresso Nacional. “Esse conjunto de medidas no sentido estratégico e ação tática demonstra a lucidez e o protagonismo do PCdoB”, celebrou.

Ação coordenada da Fundação Maurício Grabois

Renato passou, então, a pontuar as ações da Fundação Maurício Grabois para o enfrentamento deste cenário histórico, a partir de um trabalho de pesquisa e estudo que estabelecesse uma nova fase em sua trajetória. “[Uma nova fase que] exige assumir os meios modernos da tecnologia de informação e da formação, e novas ferramentas e metodologias, para não ficarmos a margem da luta de ideias. A luta ideológica tem os meios modernos e temos que absorver essa tecnologia e ter nosso espaço”, enfatizou.

A atualização da atuação da Fundação se deu, portanto, a partir da linha de pesquisa de temas candentes desse início do século XXI. Ele citou a preocupação em compreender em profundidade as singularidades do capitalismo contemporâneo financeirizado. Outros temas constantes são as tendências do sistema internacional, a luta por uma nova ordem mundial, as experiências revolucionarias do século XX, ressaltando o estudo das contribuições de Lênin e o papel dos países de orientação socialista, destacadamente a China, que desempenha um lugar central na nova luta pelo socialismo. Junto com isso, ocorre a atualização do programa socialista do PCdoB, centrado no seu caminho relativo ao ideário nacional desenvolvimentista.

Para isso, Renato citou iniciativas significativas da Fundação, como a adaptação dos cursos da Escola João Amazonas, para versão virtual, atualizando currículos, por meio de seus núcleos de ensino e pesquisa. “[A escola] continua a todo o vapor, em grande mobilização do partido”.

Citou ainda a instituição da Cátedra Claudio Campos, que coroa a homenagem ao líder do PPL e a integração entre os partidos. O papel fundamental da cátedra agrega a concentração no estudo do nacional-desenvolvimentismo. Foi através dela que se editou o livro Pensamento Nacional-Desenvolvimentista, com 31 textos de 16 autores, além da realização do Seminário O Nacional-Desenvolvimentismo e o Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, com 11 mesas e dezenas de especialistas.

Renato explica que esta série de debates foi fundamental para a elaboração das propostas que têm sido feitas sobre a plataforma emergencial, nesse período, chegando ao Congresso do partido.

Ele mencionou ainda que, neste período de apropriação tecnológica para formação, ocorreram diversos cursos, tematizando a obra O Capital de Karl Marx e o pensamento de Antonio Gramsci, assim como os temas da saúde e socialismo e a imprescindibilidade do SUS, com participação de 5 mil alunos inscritos e a parceira com a Escola Castro Alves, da UJS (União da Juventude Socialista). Para ele, o êxito de visualizações e participação é espetacular.

Foram publicados oito livros, finalizados outros três e novas edições de obras anteriormente publicadas. Ele destacou a publicação de livro, em parceria com a ADJC (Associação de Advogados e Advogadas pela Democracia, Justiça e Cidadania), sob o tema Reconstruir a Democracia – União de Amplas Forças Políticas e Sociais.

Na opinião de Renato, o livro China, O Socialismo do Século XXI, de Elias Jabbour e o economista italiano Alberto Gabrielli, é uma das mais avançadas obras sobre o assunto a ser publicada internacionalmente.

Outro investimento na modernização tecnológica da intervenção da Fundação, assinalada pelo dirigente, foi a TV Grabois, que ganhou forte impulso em 2021, sob o comando de Manuela D’Ávila, que formou e capacitou cinco youtubers, que tratam de temas específicos como China, América Latina, gênero e antiracismo, cultura e comunicação. “Este foi um projeto que aprofundou nossa presença nas redes, com perfis nas mais importantes, com conteúdo próprio e crescimento acelerado de dezenas de milhares de visualizações, mesmo nesse trabalho inicial”.

Junto com isso, ocorre a nova atualização do portal Grabois, sob a direção da jornalista Renata Mielli. Ele também destacou o protagonismo de Júlio Vellozo e Fábio Palácio na reformulação da revista Princípios, que completou 40 anos de circulação, em nova fase com renovação de projeto editorial e gráfico. Agora, ela é indexada com revistas científicas nacionais e internacionais, para construir pontes de relações com universidades e centros de pesquisa. “Uma iniciativa inédita em todos os partidos nessa dimensão”.

O Centro de Documentação e Memória (CDM) continua com seu grande acervo, num “trabalho consistente e perseverante”, voltado para o centenário do PCdoB, em pesquisa por documentos inéditos e elaboração do livro iconográfico sobre a história do Partido.

Outra iniciativa importante da Fundação, foi o Observatório da Democracia, que agregou a parceria da Fundação Perseu Abramo, para mobilizar a ação conjunta de dez fundações partidárias do campo progressista. Renato ainda citou o esforço de capilaridade ativa da Grabois nos estados para intensificar este debate de ideias por todo o país. Com tudo isso, a Fundação tem cumprido o papel de contar com a colaboração de grandes intelectuais e quadros do partido, agregando personalidades do mundo acadêmico para além das fronteiras de filiação.

A Fundação ainda organizará uma comissão para atualização do programa do PCdoB de 2009, após o 15º. Congresso, que deverá demandar a realização de uma conferência para aprovação dessa atualização.

Renato concluiu homenageando a memória de dois grandes quadros, que deixam um grande legado intelectual, e um grande vazio, para a Fundação Maurício Grabois e o PCdoB: o historiador Augusto Buonicore e o jornalista José Carlos Ruy, falecidos no último período. “Quero aproveitar com muita emoção e alegria de dizer que este Congresso tem como patrono Haroldo Lima, camarada da minha geração e um dos maiores quadros do nosso partido”.

(por Cezar Xavier)

Acompanhe abaixo a intervenção de Renato Rabelo e a homenagem à militância feita por Aldo Arantes e Rozana Barroso ( a fala de Renato Rabelo inicia por volta dos 10 min do vídeo - Coletivizando)


Luciana Santos e Carlos Lopes na despedida de Sérgio Rubens,emocionante - Hora do Povo no Youtube

 HORA DO POVO

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Na tarde desta segunda-feira (6), muitos companheiros, amigos e familiares do dirigente revolucionário Sérgio Rubens de Araújo Torres, vice-presidente do PCdoB, fizeram uma ato em sua despedida no cemitério da Vila Alpina, em São Paulo. Ele que nos deixou na noite de domingo, vitima de um aneurisma.
Sérgio Rubens discursa no Congresso do PCdoB e PPL (Foto: PCdoB) 

Carlos Lopes, diretor de redação da Hora do Povo, iniciou a despedida, apontando as caraterísticas que fizeram de Sérgio Rubens “um grande homem”. “Durante 20 ou 30 anos, eu discuti diariamente com ele. Sérgio era, e até agora foi, a alma do Hora do Povo”. “Ele era um homem extremamente inteligente, extremamente comprometido e rigoroso”, disse Carlos.

Assista aos dois pronunciamentos 

CARLOS: “SÉRGIO NÃO TEVE UM INIMIGO PESSOAL DURANTE TODA A SUA VIDA” 

“Eu sabia perfeitamente que quando as coisas publicadas no jornal não estavam rigorosamente exatas, eu ia receber um telefonema que não ia ser agradável, E, no entanto, meus amigos, era o que ele devia fazer mesmo e isso foi extremamente bom para todos nós”, prosseguiu o chefe de redação do HP.

Carlos Lopes

“Que qualidades o Sérgio tinha que tornavam ele tão especial, além da inteligência, e de outras qualidades que ele tinha? É fundamentalmente a identificação dele com tudo que é humano”, destacou Carlos Lopes, citando um verso latino que Marx reproduziu, “nada do que é humano me é estranho”. “É exatamente o que o Sérgio achava”, acrescentou.

“Vocês podem dizer, mas ele achava que tudo que os seres humanos fazem é bom? Não, ele não achava isso. Mas o que os seres humanos fazem de errado e ruim é exatamente aquilo que não é humano. Exatamente aquilo que os desumanizam e que desumanizam os outros. E era isso que ele não suportava”, apontou o jornalista.

“Desde cedo, desde secundarista, na ligação dele com a cultura, na ligação com a luta do povo brasileiro, ele foi um homem de partido. Brecht, poeta que ele gostava muito, escreveu uma coisa muito importante: ‘um homem sem partido é um homem medíocre’. E isso, Sérgio compreendia muito bem. Ele sempre foi um homem de partido”, destacou o dirigente do PCdoB.

“E isso não tem nenhuma contradição com o amor que ele dedicava à sua família, o amor que ele dedicava aos seus filhos”, prosseguiu. “Eu como amigo pessoal dele, várias vezes conversamos sobre os netos. E em tudo era aquele sentimento de humanidade e de humor. Era um homem severo, mas ao mesmo tempo um homem de uma compreensão imensa”, assinalou.

“Eu o conheci pessoalmente em 1978, durante as conferências regionais para o II Congresso do MR8. Na conferência, realizada na cidade baiana de Lagoinhas, eu estava bastante mal e disse algumas besteiras. No intervalo ele me chamou e começou a fazer perguntas. A capacidade do Sérgio de fazer perguntas que ninguém tinha pensado ainda para descobrir a verdade, para fazer com que a gente estudasse era impressionante”, contou. 

“Porque era isso que estava na cabeça dele. Se a classe operária, se os trabalhadores, se os setores progressistas não estudarem, não tiverem conhecimento, eles nunca vão chegar ao poder. E isso era uma questão ultra presente para ele”, completou.

“Se a classe operária, se os trabalhadores, se os setores progressistas não estudarem, não tiverem conhecimento, eles nunca vão chegar ao poder. E isso era uma questão ultra presente para Sérgio” 

Carlos Lopes enfatizou que “nós perdemos um grande homem”. “Engels, no enterro de Marx, disse que uma das qualidades impressionantes de Marx é que ele nunca teve um inimigo pessoal. E a mesma coisa nós podemos dizer do Sérgio. Era preciso ser um canalha para ser inimigo pessoal do Sérgio. Ele não teve um inimigo pessoal durante a sua vida”, concluiu o jornalista.

LUCIANA : SÉRGIO ERA UM IDEÓLOGO, UM FORMADOR DE GERAÇÕES 

Luciana Santos

“Falar de Sérgio Rubens, um homem como este, não é simples. De um brasileiro, um revolucionário que eu tive a honra de conhecer há três anos atrás, lá no escritório da Hora do Povo. Sabe aquela primeira impressão? A primeira impressão que eu tive foi de apaixonamento”, revelou Luciana. 

“Um homem tranquilo, sereno, com ideias consistentes, denso. Nós nos encontramos num momento muito adverso. Nada mais nada menos do que a vitória de Jair Bolsonaro em que as nossas duas legendas, PPL e PCdoB, não tinham alcançado a cláusula de barreira”, lembrou.

“E ali”, prosseguiu Luciana, “nós estávamos exercitando o que é que nos unia”, observou a vice-governadora de Pernambuco. 

“Ele, um homem de ideias, que conhecia bem a trajetória do PCdoB, e a gente também conhecia o MR8, depois o PPL. Ali a gente fez esse exercício de unidade. E ele dizia assim. Nós, num momento como este, temos que buscar muito as nossas convergências e nós temos muitas coisas em comum. Nós desejamos o mesmo para o Brasil, para os brasileiros e brasileiras. Nós queremos nada mais do que construir o socialismo no Brasil. E nós temos formulações, os caminhos para chegar nisso. Nós somos marxistas, defendemos o socialismo científico. E as nossas diferenças táticas, elas são secundárias neste momento”.

“E assim ele agiu, praticou”.

“E ao longo do tempo eu tive a honra de conviver com ele e admirá-lo cada vez mais. Pela sua consistência, pela sua capacidade de elaboração e, antes de tudo, pelo espírito partidário, o espírito de unidade. Ele, em qualquer que seja a circunstância do momento, ele é honesto intelectualmente. Ele nunca deixou de firmar as suas posições, mas ele sempre procurava o caminho de harmonizar”.

“Sérgio nunca deixou de firmar as suas posições, mas ele sempre procurava o caminho de harmonizar” 

“Sei depois o quanto cada um e cada uma de vocês, que conviveram com ele desde esse tempo, têm memória da afetividade, da generosidade dele. Isso parece óbvio, mas, o verdadeiro comunista é aquele que, ao entender que esse mundo tem jeito, ele procura cuidar, formar, dar consistência ideológica, persistir. Ele era um formador de gerações, um educador de gerações”.

APAIXONADO POR CINEMA

“Eu sei o quanto ele primava por isso. Apaixonado pelo cinema. Não tinha uma semana que Sérgio Rubens não me mandasse um filme para eu poder assistir. E agora mais recentemente, cuidadoso que ele é, estava cuidando de criar, ele estava montando com a CTB, um cineclube para passar os filmes que refletissem o debate sobre a luta dos trabalhadores”.

“Então, camaradas, Sérgio Rubens era um homem de perspectivas, e as suas ideias, elas estão entre nós. Elas permanecerão como uma necessidade de um futuro que ele sempre lutou para que nós percorrêssemos e alcançássemos. Então, nessas horas é fato que a gente se sente órfão. A gente se sente órfão porque essas são pessoas que são insubstituíveis”.

Amigos, familiares e companheiros se despediram de Sérgio Rubens nesta segunda-feira 

“Mas que essa convicção que sempre moveu ele, desse mundo que a gente tanto persegue, então, numa hora como essa, ele recai sobre nós com mais responsabilidade ainda. Quando a gente perde um guerreiro, a gente não enterra ele, a gente planta ele. A gente planta para que floresçam mais e mais guerreiros dessa luta, que é a luta por justiça, a luta pela humanidade”.

“Ainda mais ele que era um desses quadros políticos. Porque muitos de nós temos qualidades, defeitos, mas é impressionante como Sérgio era um quadro acima da média. Ele conseguia reunir muitas qualidades, qualidades difíceis de serem desenvolvidas por uma pessoa só. Além de grande capacidade de elaboração teórica, ele tinha opinião própria, ele era ideólogo e de uma densa cultura. Por isso, falava com fundamento, com consistência. Não tinha nada que ele falasse que não fosse fruto de alguma reflexão daquela circunstância, daquele determinado momento”.

Muita emoção na despedida

“Então, eu sei o quanto ele é amado e vocês podem ter certeza que eu passei a admirá-lo e amá-lo com tudo isso que a gente tem construído juntos”.

“Porque ele fez um gesto de grandeza num momento que não é fácil encontrar. Porque, afinal, ele foi sucessor de Cláudio Campos, ele é sucessor de um grande legado, de uma grande história. Não é uma história recente do povo brasileiro, é de feitos extraordinários, de grande momentos de virada da conjuntura brasileira. Ele podia simplesmente não engrossar essa fileira e ele fez um gesto político de grandeza, do tamanho das ideias dele, do tamanho da estatura que ele é”.

“E vocês podem ter certeza, camaradas, esse legado que Sérgio deixou para a gente, nós vamos fazer jus a ele. Vamos cada vez mais jogar luz, dar o peso e o tamanho que ele tem. E servir de referência pra gente, pra nossa perspectiva. Sérgio Rubens, camarada, presente!”


CTB BANCÁRIOS - DF - NÃO AO NATAL DA COVID - A VOLTA AO TRABALHO PRESENCIAL DE PESSOAS COM COMORBIDADES E O PROCESSO/MOMENTO DA REFORMA DO ESTATUTO SINDICAL DO SINDICATO DO DF


O núcleo de base CTB bancários e reuniu-se nesta segunda-feira, dia 6 de dezembro, para analisar a luta sindical e as graves ameaças à saúde dos bancários e bancárias. Essa é a nossa posição, fruto do debate e atingida com consenso.







Só a Luta de bancários e bancárias pode proteger a vida. Não ao Natal da COVID.

A CTB Bancários do DF e a categoria foram surpreendidas pela mudança do Estatuto Sindical sem a devida comunicação e debate na diretoria, entre delegados(as) sindicais e filiados(as). Importante conhecer do que se trata, antes de pensar em votar. Somos críticos à forma como o movimento sindical em Brasília apropriou a tecnologia. Em vez de aumentar, diminuiu a participação. 

Será o caso de consolidar a participação virtual, reduzir quórum, quando isso resume a assembleia a um link de votação, sem comunicação, debate nem escuta à categoria sobre as mudanças estatutárias? 

Votar SIM ou NÃO, é decisão pessoal, mas precisamos saber no que votamos. Toda votação exige quórum. Hoje, até votar pelo NÃO valida a diminuição da participação. Não recomendamos em Brasília a extensão de mandato sindical para quatro anos, nem dar quórum ao que nos prejudica. 

Somos favoráveis à Proporcionalidade Qualificada, pois permite a participação de todos no sindicato, não só na votação, nem só para a maioria, mas de todo mundo. Todavia, não há canais democráticos para essa ou outra proposta, já que não houve consulta ampla à categoria. 

Sobretudo, é insuficiente o combate dado ao retorno obrigatório e imediato de todos(as), unicamente na esfera jurídica. A mesma falta de participação de uma votação on line, sem divulgação e debate (no Estatuto!) alimenta a passividade e mata o movimento, ajuda os patrões e nos desarma, talvez ao custo da saúde, da vida.

Não é racional pôr a vida em risco para ser bonito(a) para o Banco. 

Os lucros são feitos do nosso trabalho, da economia que fazem e nós pagamos no home office, e dos juros absurdos que destroem a economia produtiva em favor de um sistema financeiro de costas para a economia real, cúmplice do genocídio que mata o Brasil. 

Quem protegerá os colegas do vírus e do risco do negacionismo? Há respeito às medidas de proteção nos locais de trabalho? São inúmeras as denúncias que não. Há respeito aos bancários e bancárias e proteção efetiva nas instalações e locais de trabalho? 

O mais importante, sempre foi proteger a vida de bancários(as) e clientes. O açodamento e a irresponsabilidade são característicos de um governo negacionista que expõe o povo e a categoria ao risco. 

A saída é unir a categoria que faz os lucros, e também tem a força para lutar. 

Há caminhos: reforçar o EPI, exigir vistoria, que o sindicato abra um canal efetivo de denúncias. Há imprensa, ouvidorias internas, as ruas, as redes e a justiça. Só com luta e união protegeremos nossas vidas. 

O ideal seria que o sindicato assumisse a insuficiência da comunicação e mobilização, suspendesse esse processo e apostasse na base. Senão, a responsabilidade é nossa. Não devemos dar quórum a essa mudança estatutária, mas apostar num verdadeiro debate que amplie a democracia. 

A prioridade deve ser ampliar a participação para salvar vidas.







 

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