A CTB Bancários repudia com veemência a escalada de ameaças promovida pela direção da Caixa contra seus empregados e suas entidades representativas. Depois de conduzir uma negociação incapaz de responder aos problemas centrais apresentados pela categoria e de empurrar os trabalhadores para a greve, a empresa tenta agora substituir a negociação pelo medo. Cartas aos empregados e aos sindicatos, ameaças de ajuizamento e sucessivas advertências sobre os efeitos do fim da ultratividade passaram a compor uma estratégia de pressão sobre uma categoria que exerceu democraticamente seu direito de rejeitar uma proposta considerada insuficiente.
A legislação estabelece limites à duração dos instrumentos coletivos e veda a ultratividade. O que a CTB Bancários repudia é a tentativa da Caixa de transformar essa realidade jurídica em instrumento de intimidação. Em vez de concentrar esforços na construção de uma proposta capaz de superar o impasse, a empresa proclama repetidamente a possibilidade de perda de direitos e benefícios conquistados ao longo de décadas de luta, procurando fazer do receio dos trabalhadores diante dessas consequências um instrumento para forçar a aceitação da proposta rejeitada. Isso é terrorismo negocial e é ainda mais grave quando parte de uma empresa 100% pública.
A categoria, entretanto, conhece esse método e não deve se deixar intimidar. Em outros momentos de sua história, sob gestões de orientação neoliberal e privatista, os empregados da Caixa já enfrentaram tentativas de retirar direitos, enfraquecer a organização coletiva e impor retrocessos utilizando a insegurança e a pressão sobre os trabalhadores. Essas ofensivas foram enfrentadas e derrotadas com aquilo que sempre constituiu a maior força dos empregados da Caixa: unidade, organização sindical e forte mobilização nacional. Portanto, as ameaças atuais não devem produzir medo, mas reforçar a necessidade de organização da categoria para defender suas conquistas e exigir uma solução negociada.
A GREVE NÃO VEIO POR ACASO
Os empregados não decidiram parar a Caixa sem que houvesse um longo processo anterior. A categoria apresentou reivindicações, participou das negociações, mobilizou-se, avaliou as propostas e exerceu soberanamente, em suas assembleias, o direito de rejeitar aquilo que considerou insuficiente. Houve sucessivas oportunidades para que a administração compreendesse os motivos da insatisfação e construísse uma saída capaz de evitar o conflito. A greve é consequência desse processo e, por isso, é irresponsável tentar transferir agora para os trabalhadores a responsabilidade por um impasse que a própria direção da Caixa ajudou a produzir.
A condução desse impasse chega diretamente ao presidente Carlos Vieira. Como presidente da Caixa, cabe a ele responder pelo que acontece na empresa, pela orientação de sua administração e pela relação institucional com seus trabalhadores. Quem dirige uma empresa da dimensão e da importância da Caixa tem a obrigação de buscar soluções quando uma negociação chega a um impasse dessa magnitude. Não é aceitável que a resposta seja ampliar ameaças de medidas judiciais e produzir insegurança sobre direitos justamente quando a situação exige iniciativa política, capacidade de negociação e disposição efetiva para construir uma saída.
SAÚDE CAIXA NÃO É ARMA DE NEGOCIAÇÃO
É especialmente grave produzir insegurança sobre o futuro do Saúde Caixa. Estamos falando da assistência à saúde de empregados, aposentados e dependentes, de milhares de pessoas que contribuíram durante décadas para construir e sustentar esse patrimônio coletivo e que não podem ser submetidas à incerteza como consequência de uma disputa negocial. O Saúde Caixa não pode ser colocado sobre a mesa como elemento de pressão para quebrar uma greve ou constranger trabalhadores a aceitar uma proposta. Assistência à saúde é direito conquistado e não pode ser convertida em instrumento de chantagem.
A CAIXA É PÚBLICA E DEVE RESPEITAR SEUS TRABALHADORES
A Caixa não é um banco qualquer. É uma empresa 100% pública, patrimônio do povo brasileiro e instrumento fundamental para o desenvolvimento do país e para a execução de políticas sociais. São seus empregados que fazem essa instituição funcionar diariamente nas agências, unidades administrativas, áreas digitais e em todos os espaços onde a Caixa atende milhões de brasileiros. Tratar esses trabalhadores como adversários a serem acuados pelo medo da perda de direitos é incompatível com o papel social e institucional de quem dirige uma empresa pública dessa importância.
A CTB Bancários fala como parte dessa categoria. Somos bancários e bancárias de diferentes instituições, inclusive empregados e empregadas da própria Caixa, que vivem diretamente os problemas que levaram à greve e participam da luta pela construção de uma empresa pública que respeite seus trabalhadores. Por isso, não aceitamos tentativas de intimidação contra a categoria ou suas entidades representativas, nem que o legítimo exercício do direito de greve seja respondido com ameaças destinadas a produzir medo e divisão entre os empregados.
PRESIDENTE CARLOS VIEIRA: PARE AS AMEAÇAS E NEGOCIE
Ainda existe uma saída para o conflito, mas ela não virá de cartas intimidatórias, ameaças de ajuizamento ou da repetição permanente de que direitos poderão desaparecer com o fim da vigência do acordo. A saída está na mesa de negociação. A direção da Caixa precisa abandonar essa escalada, respeitar as decisões soberanas das assembleias e apresentar respostas capazes de enfrentar as razões concretas que levaram os empregados à greve. A responsabilidade pelo impasse não pode ser jogada sobre quem trabalha: quem dirige tem a obrigação de construir soluções.
Os empregados da Caixa já demonstraram muitas vezes que direitos não são preservados pelo medo, mas pela capacidade coletiva de defendê-los. É hora de fortalecer a unidade, ampliar a mobilização e responder às ameaças com organização. Presidente Carlos Vieira: chega de ameaças. A Caixa precisa voltar a negociar.
Nenhum direito a menos. Saúde Caixa para todos. Unidade, mobilização e respeito à negociação coletiva.
CTB BANCÁRIOS
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