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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Rumo ao Encontro de Jovens Trabalhadores da CTB

Paulo Vinícius



Nos dias 23 e 24 de maio a CTB (Central de Trabalhadoras e Trabalhadores do Brasil) realizará o seu I Encontro de Jovens Trabalhadores em Atibaia, São Paulo. Sua realização pode lançar luzes sobre um desafio dos mais relevantes: renovar as formas e atrair para o movimento sindical a juventude brasileira.

Tal empreitada não é simples. Ressentimo-nos todavia das consequências de quase 20 anos de hegemonia das ideias individualistas, cujo corolário é a negação das respostas coletivas e a consequente esterilização do que é mais característico da condição juvenil: seu papel transformador. E para além da pressão das forças de direita, agregue-se a condição minoritária do sindicalismo classista. Assim, a disposição às respostas parciais, o pragmatismo, a falta de estímulo ao empoderamento dos trabalhadores ante sua própria representação e o esposar de idéias do inimigo de classe (como negar a ação política, as ilusões corporativistas e o carreirismo) foram ossificando o movimento sindical, desmoralizando-o como efetivo instrumento de luta para milhões de jovens que se incorporam ao mercado de trabalho, mas que ocupam um lugar periférico nas direções sindicais.

Por outro lado, na juventude, em especial entre os estudantes, a onda conservadora não encontrou cúmplices à altura durante os anos 90. A UNE e a UBES, sob a direção da UJS e das forças de esquerda mantiveram em dificílimas condições a unidade do movimento e avançaram em conquistas. E os sindicalistas classistas, resistindo bravamente, não apenas defenderam suas posições, mas avançaram ao ponto de criar a CTB, mudando o roteiro de um filme que parecia ter final manjado. E esta ousadia tem mostrado seu valor, um verdadeiro terremoto no movimento, haja vista o crescimento admirável da CTB e a liberdade com que categorias-chave se reposicionam no cenário sindical brasileiro. E o auspicioso, a exemplo do movimento bancário, é que as categorias estão repletas de jovens. Esse encontro da juventude e dos dirigentes sindicais é a pedra de toque que pode fazer da CTB a central mais juvenil do Brasil.

Atrair essa juventude para a luta dos trabalhadores é fundamental para as batalhas do socialismo no século XXI, impossível sem o protagonismo destes profissionais de perfil novo, educados sob a égide da terceira revolução tecno-científica, usuários e produtores da internet e de uma gama de avanços teconlógicos, que seguem estudando, que estão nas periferias e no campo e também na vanguarda da produção de conhecimentos.

Não são apenas especificidades, mas uma tendência inescapável. Ao desenvolvimento exponencial das forças produtivas e às mudanças no perfil da classe deve corresponder a incorporação da nova geração de trabalhadores no seu movimento não apenas para a sua continuidade, mas para darmos conta do desafio civilizacional posto à humanidade, retomar a perspectiva socialista. E a urgência desta tarefa, dramatizada pelo avanço dos sinais de barbárie, é reanimada pela crise do capitalismo, pelo retumbante fracasso de seu pútrido credo, pela sua incapacidade de dar respostas aos desejos de felicidade e bem estar da juventude, porque o capitalismo não apenas penaliza em especial os jovens, mas nega-lhes o futuro.

Deste modo, aos jovens superexplorados do presente, ante seus justificados medos acerca do futuro, o sindicalismo classista pode desfraldar a alternativa socialista, recebendo, atraindo e educando a nova geração de lutadores e lutadoras, lançando hoje as sementes da hegemonia de um futuro não tão distante – há pressa, há condições e há que ter audácia.

Temos muitas possibilidades, mas a maior de todas está na passagem para o movimento sindical da geração que fez o movimento estudantil e juvenil nos anos 90 e nesta primeira década do século XXI. Eles e elas estão por aí, nas fábricas e nos campos, no ABC e no serviço público, no telemarketing e nos bancos públicos e privados. Pintaram a cara, elegeram Lula, conheceram a UNE, a UBES e a UJS. Resta saber se fomos capazes de indicar-lhes decididamente que a luta não acabou com a chegada à vida adulta, e que o movimento sindical não precisa ser chato nem pelego. E mais: que agora, trabalhando, podemos fazer muito mais barulho! Podemos inclusive parar o funcionamento de engrenagens centrais, fazendo calar fundo nas consciência destes trabalhadores a surpresa de outro trabalhador, tão bem descrita por Vinícius:

“Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.”

É hora de reencontrar os amigos. Tendo assumido nosso lugar na construção da vida, na dura labuta cotidiana, confrontados com novas responsabilidades, não desaprendemos as lições mais doces tidas nas salas de aula e nas ruas. Que a indignação e a solidariedade são faces da única forma de ser verdadeiramente humano e de semear o futuro. A tarefa não está terminada, e quem melhor que os jovens trabalhadores para ensinar esta inédita lição? Procuremos os sindicatos, preparemos outra vez as mochilas, atendamos ao chamado da CTB!

Leia mais:

CTB anuncia 1º Encontro Nacional de Jovens Trabalhadores

terça-feira, 14 de abril de 2009

Resolução sobre Jovens Trabalhadores 14º Congresso Nacional da UJS - União da Juventde Socialista - Congresso Che Guevara


Somos jovens e somos trabalhadores.

Sofremos com trabalhos degradantes, com a precariedade e a negação de nossos direitos, com o assédio moral e sexual. Mesmo a legislação trabalhista não é cumprida e prevalecem condições degradantes para a juventude que anseia ingressar na vida adulta, ter sua independência, viver dignamente, sem medo do futuro.

Há um grande desperdício da capacidade da juventude brasileira que carece de emprego. Por 20 anos o Brasil não cresceu, e a juventude foi vítima desta ofensiva anti-nacional contra o futuro do nosso país.

Estes jovens são público privilegiado para a ação da UJS porque vivem diretamente a exploração capitalista e podem entender como ninguém a mensagem socialista.

No entanto, para dar um salto nesta frente estratégica, com imenso potencial, precisamos elaborar mais sobre o seu funcionamento. Há necessidades próprias ao organizar jovens trabalhadores. O tempo tem outro valor. Por isto, a UJS deve ter atenção em construir espaços amigáveis à organização de jovens trabalhadores, com horários, dinâmicas, responsáveis permanentes para a consolidação da frente, desenvolvendo uma dinâmica de atividades (inclusive esportivas e culturais) e linguagem que permitam a sua incorporação na UJS. É indispensável assegurar um ambiente amigável à organização dos jovens trabalhadores na UJS, adequando horários e locais de reunião desenvolvendo uma tecnologia social própria, a exemplo do que fazemos no movimento estudantil, para incorporar a nova geração de trabalhadores ao movimento sindical e apontar-lhes a perspectiva socialista.

Implementar a organização da UJS entre os trabalhadores é fundamental para completar a nossa consolidação e afirmar o caráter socialista de nossa organização, pela dimensão estratégica de formar a classe trabalhadora do presente e do futuro e para construir o socialismo. É indispensável superar esta grande lacuna de nossa organização, permitindo ao militante socialista completar todo o ciclo de sua juventude na UJS, da escola secundarista até o ingresso pelo trabalho na vida adulta. mantendo as convicções revolucionárias e legando ao movimento sindical uma nova geração de quadros para a atualidade, completando o ciclo etário da nossa escola de socialismo.

Temos avançado bastante ao ter presença de filiados da UJS em muitas categorias. É crescente a incorporação de militantes da UJS trabalhadores no movimento sindical e na Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.

O governo Lula realizou concursos que levaram milhares de jovens ao serviço público, e a UJS tem filiados em categorias estratégicas. Articular os jovens trabalhadores da UJS que estão nas fábricas, entre os metalúrgicos, no telemarketing, bancários, metroviários, trabalhadores da educação e da saúde e pesquisadores tem sentido estratégico e pode cumprir um grande papel no desafio deste período que é tornar a CTB a mais importante central na organização da juventude trabalhadora.

Neste sentido, temos de assegurar no próximo período a contribuição da UJS à luta pela redução da jornada de trabalho que pode ser aprovada e seria uma importante conquista, em especial para os jovens trabalhadores, que poderão ter mais tempo livre para o lazer, a educação, o esporte, a cultura e para a militância na UJS. Ademais a UJS deve denunciar com toda a firmeza todas as formas de violação de direitos que atingem os trabalhadores por sua condição juvenil, denunciando o capitalismo.

Mas a tarefa mais importante do próximo período é assegurar melhores condições para os jovens trabalhadores militarem na UJS. Avançamos muito em várias direções que definiram responsável para esta frente estratégica, inclusive nas executivas, e agora é hora de dar seqüência a este trabalho. Nossa ação no movimento sindical deve ser consciente, e não marcada pelo espontaneísmo, e temos o desafio de articular a frente de jovens trabalhadores nacional e localmente, construindo uma rede de coletivos nos Estados e nacionalmente que possa ter um trabalho permanente e acumule uma experiência consistente de organização da UJS entre os trabalhadores apoiando a construção da juventude da CTB, ocupando nosso lugar nos grandes batalhões da luta de classes que são as categorias estratégicas, cheias de jovens que precisam escutar a mensagem socialista para entender sob que regime de exploração vivem.

Esta missão histórica entre os jovens cabe à UJS e será decisiva para enterrar de vez o neoliberalismo e escrever as páginas gloriosas do futuro socialista em nosso país.

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