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quinta-feira, 1 de maio de 2014

Primeiro de Maio em Cuba e dois dos Cinco Heróis livres dos cárceres dos EUA!

Estive num primeiro de maio em Havana. Coisa mais linda. 800 mil, um milhão de pessoas nas ruas em Havana e muitos mais por todo o país, com toda essa alegria, prova indestrutível do apoio popular em favor da Revolução e do Socialismo em Cuba. ‪#‎osreaçapira‬ e o povo nas ruas a celebrar o Dia Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras‪#‎quelindo‬

E para completar, dois dos Cinco heróis Cubanos estão hoje na tribuna de honra da Praça da Revolução. Gente que honra a melhor tradição de revolucionário cubanos, amargando cerca de 15 anos de prisão por lutar contra o terrorismo de estados dos EUA contra Cuba, que já ceifou centenas de vítimas, sabotou incontáveis vezes a economia de Cuba, afora o bloqueio genocida.

Esse pequenino país que manda milhares de médicas e médicos para salvar as vidas dos brasileiros e brasileiras das periferias, do campo, da floresta, abandonados pela classe mérdia, mas pela primeira vez tendo a atenção do governo de nosso país. Viva Cuba Socialista, país irmão que nos ajuda, e a quem devemos retribuir toda a sua solidariedade!


Desfile por el Primero de Mayo en La Habana. Más información en: http://goo.gl/tRFV9v

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Fernando Brito: E a médica cubana vai morar em Miami…

Com o Viomundo

O vídeo acima, que nos foi sugerido pelo Jair de Souza, mostra o programa dos Estados Unidos criado especialmente para sabotar a solidariedade cubana

Que coisa feia, Dra. Ramona…Dizer que quer asilo no Brasil só depois de ir à embaixada dos EUA?

5 de fevereiro de 2014 | 17:30

Fernando Brito, no Tijolaço

Ainda não apareceu tudo, mais vai aparecer.

A médica cubana do Caiado mentiu ontem descaradamente aos brasileiros.

Não disse que tinha ido, assim que chegou a Brasília, pedir asilo nos Estados Unidos.

(Os Estados Unidos, ao contrário do Brasil, não pagam a Cuba por ter educado uma multidão de médicos de povão, o que falta na terra do Tio Sam. Eles estimulam a fuga de médicos cubanos, concedendo visto de imigração preferencial e usando uma organização chamada Solidariedad sin fronteras, que paga uma bolsa de sete mil dólares para os que abandonarem o país e fizeram um cursinho para a revalidação do diploma. Mais barato que formar médico, não é?)

Mentiu também ao dizer que foi a Caiado porque estava sendo perseguida pela Polícia Federal brasileira. Estava – se é que estava – sendo procurada porque desaparecera.

Aliás, a história ainda está mal contada. Agora ela saiu cedo de Pacajá (7h) e foi a Marabá pegar um avião até Brasília.

Neste caso, só pode ter chegado a Brasília no final da tarde de um sábado e, a menos que já tivesse tudo combinado por alguém, não ia ter atendimento na missão diplomática, se é que teve.

A doutora não quer morar no Brasil, está na cara. Muito menos em Pacajá.

Ela quer ir para Miami.

Tem todo o direito de querer.

A dona Ramona pode querer ir morar em qualquer lugar do mundo, por nós, mas não venha de historinha mentirosa de que policiais brasileiros a estão perseguindo e nem de usar as instituições brasileiras como trampolins para os Estados Unidos, mentindo.

Ninguém a está perseguindo, e a sua situação não precisa de nada além de uma hipótese para ser entendida.

Se um brasileiro entrar na Imigração americana dizendo que assinou um contrato de trabalho que acha que paga pouco e por isso quer asilo nos EUA o que farão com ele? Convidam ele a sair ou o põe para fora direto, sem mais delongas?

Ainda vai aparecer mais coisa sobre as intenções da Dra. Ramona. Aguardem.

PS. Mais vergonhoso ainda foi o presidente do Conselho Federal de Medicina aplaudir essa manobra e dizer que ela deve mesmo se asilar em outro país. Então o problema não é sua qualidade médica, mas não fazer concorrência aos médicos brasileiros. Porque o salário de R$ 10 mil que brasileiros recebem no “Mais Médicos”, não é de fome, é?

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O Mais Médicos e a hora de dizer basta à manipulação da direita e do mercado de vidas - Paulo Vinícius Silva



Aos meus amigos profissionais de saúde

Ainda que possamos ter divergências sobre o Programa Mais Médicos, penso que os infames acontecimentos havidos em Fortaleza na data de ontem, em que 50 playboys promoveram um ignominioso linchamento moral contra os médicos que vieram atender nossa gente mais sofrida, esse fato constitui um ponto de inflexão no debate. Aquilo me doeu muito, porque eu me indigno com as injustiças, e porque me orgulho de ser cearense. Foi triste, e o que senti vendo aquilo foi que observava, em pleno século XXI, os tetranetos morais da Casa Grande a agredir os tetranetos das senzalas, que só porque Cuba é Socialista puderam ser médicos e vem em nosso auxílio como gesto de amor e solidariedade ao povo mais pobre. E foi por isso que foram vaiados e agredidos, chamados de escravos como um xingamento, o que é típico do pensar contemporâneo desses sinhozinhos. Veja: é a chance de marcar uma diferença fundamental no seio da categoria: a que separa os profissionais éticos e humanistas daqueles que envergonham a categoria e que tem práticas absolutamente contrárias ao juramento de Hipócrates. É a chance que muitos médicos, confusos com os acontecimentos, precisam para ver qual o seu lado, e tomar o partido do povo.

É argumento corrente na categoria que o Mais Médicos teria caráter eleitoreiro. Na verdade, qualquer governo executa ações que tem nexo com suas perspectivas de projeto de poder. Difícil é que o projeto de poder se baseie na ampliação de direitos, na distribuição de renda, na construção de pontes para que os mais pobres possam encontrar os caminhos da dignidade advinda do trabalho valorizado e da universalização de direitos.
Muito menos comum é que os médicos percebam a manipulação de que estão sendo alvo, e ela é política e de mercado. A direita e os empresários do comércio de vidas, os medalhões, nada tem em comum com os médicos que amam a população e fazem da medicina um sacerdócio. No entanto, o corporativismo - essa ilusão de que opressores e oprimidos são a mesma coisa por uma categoria - tem servido apenas para o descrédito da própria carreira e de seus profissionais, e para estimular os mais torpes sentimentos encrustados numa formação que sempre privilegiou a elite e nunca incorporou o povo, desde os filhos da Casa Grande, até as vagas públicas que há três, quatro gerações, pertencem às mesmas famílias.

É a direita e o grande business da saúde que é responsável pela desmoralização da categoria, ao utilizar a xenofobia, o preconceito, a insensibilidade como respostas à proposta do Governo, colocando como incompatíveis os direitos dos médicos e o direito da população à Saúde, essa sim uma contradição falsa, que visa a favorecer a Direita. Na verdade, o Mais Médicos é grande oportunidade para que a categoria mostre sua relevância e o direito negado à Saúde, legitimando a carreira de Estado, e a ampliação do investimento na Saúde da campanha Saúde + 10, que apoiamos.

A reação da direita e do mercado é outra. Sua virulência e insensibilidade não pode ser a voz de quem tem compromisso com a saúde pública e o povo. É preciso que uma nova geração de líderes se apresente ao país como parte da solução, e não amplificadora dos problemas, e isso só será possível se cada médico(a) perceber que há muito mais que política atrás dos posicionamentos de seus Conselhos e Sindicatos. Há política de Direita, há clientelismo com a carência do direito à Saúde, há tolerância com as fraudes e corrupção no SUS, há insensibilidade social, há corporativismo e, portanto, interesses inconfessáveis que jamais se alinharam aos interesses da categoria, e sempre lucraram com a exploração dos profissionais da Saúde e de nosso povo.

É por isso que o movimento caminha para a xenofobia, o racismo social, a defesa descarada da elite, o ódio à esquerda, ao socialismo e a Cuba. São expressões do caminho que se seguirá com a liderança da direita. E esse imenso dano à categoria tem inegáveis interesses de politicagem e de mercado. São políticos, portanto, mas políticos para negar direitos, para afirmar privilégios. para separar os médicos da população, para constranger e cooptar profissionais éticos e humanos ao serviço dos inimigos da Saúde Pública e do país.

A população está tirando conclusões. Não aceite a direção da direita e dos mercadores de sangue e vidas. Não compactue com o fascismo que se mostrou de cara limpa em Fortaleza, na data de ontem, envergonhando a terra aonde primeiro se libertou os escravos no Brasil, a terra de Antônio Conselheiro, Miguel Arraes, Dom Hélder Câmara, Padre Cícero, Bárbara de Alencar, Patativa do Assaré, Rodolfo Theófilo, Bezerra de Meneses, de Dragão do Mar, e tantos outros cuja vida e obra foram escritas a partir do compromisso com o povo. Os coxinhas pertencem a outra tradição, a de Gustavo Barroso, célebre fascista de triste memória. Representam quem nunca pôde representar o meu Ceará, humilhado por aquele gesto vil.

Tenhamos coragem de denunciar, de sair desse lado e somar com aqueles que hoje lutam para que todos saibam que tem direito à saúde. Esse é só o primeiro momento. É possível, tendo a preocupação com o povo como centro, defender muitas vitórias para saúde pública e a carreira, se a categoria tiver uma postura diferente dos atos e declarações que tanto tem envergonhado os médicos comprometidos com o SUS e o país. Quem apoiará as causas justas dos médicos, se o seu semblante para a sociedade for esse que vimos no vídeo, de ódio, branco, de costas para o povo?! O corporativismo e a manipulação política e de mercado estão causando gravíssimo dano da categoria e às suas aspirações legítimas. Essa legitimidade de ir ao povo é que ampliará a luta pelas bandeiras dos médicos e de todos os profissionais da saúde, na contramão dos interesses privados, na contramão do mercado de sangue, dor e morte, na contramão dos elitistas que não tem compromisso, na contramão dos que fraudam o SUS, na contramão da direita que jamais fez nada pela Saúde, muito ao contrário, sempre se utilizou da posição social dos médicos na sociedade para políticas clientelistas que se baseiam na negação e não na afirmação de direitos.

Essa é a hora de afirmar a ética, o compromisso com a sociedade, a sincera defesa da saúde pública, a competência e a qualidade de nossos profissionais. Para que isso aconteça, no entanto, é preciso coragem. Coragem para romper com o corporativismo. Coragem de denunciar a manipulação, a estreiteza política, o elitismo, coragem para denunciar a indústria da dor, do sangue e da morte que tanto machuca, adoece e corrompe gente de bem, sinceramente preocupada com seu semelhante. Sem que esses profissionais assumam as bandeiras do povo, como será possível mudar a Saúde, defender a categoria, como será possível assegurar os direitos a Saúde Pública? Coragem! O povo, o Brasil, nós precisamos de vocês, de cabeça erguida, mostrando que há outros valores e profissionais, sendo parte da titânica batalha em curso para aifrmar o direito universal à saúde, apenas o começo, mas um começo importante, e que precisa de cada médico progressista, humanista, de esquerda, para afirmar uma corrente progressista na Saúde.


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O programa Mais Médicos e a luta pela saúde pública - Paulo Vinícius Silva

Para Seu Louro, meu pai.



Fui muito afetado pela proposta do Programa Mais Médicos. Não sai da minha cabeça esse poema e carta, de Mário de Andrade a Câmara Cascudo, em 1925:

Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De supetão senti uma friagem por dentro
Fiquei tremendo muito comovido.
Com o livro palerma olhando pra mim.

Não vê que me lembrei que lá no Norte,
meu Deus !,
muito longe de mim,
na escuridão ativa da noite que caiu
Um homem alado, negro de cabelo
nos olhos.
Depois de fazer uma pele com a
borracha do dia
Faz pouco se deitou, está dormindo.
Esse homem é brasileiro que nem eu.


O Mais Médicos é essa esperança para o nosso povo: de que será possível ser atendidos por um(a) médico(a), humanamente. Significará a Saúde Pública chegar às periferias a que só comparecem as balas e a violência do Estado. Será chegar às zonas rurais, ao gigantesco Norte, aos sertões, aonde se sofre sem remédio. É o sinal de que não será a pobreza e a distância a impedir a universalização do direito à saúde, e preventiva.

O bolsa família deu possibilidade à população mais vulnerável de não depender tanto, pela fome, do clientelismo municipal, aquelas "ajudas" nas mãos de cabos eleitorais, o cabresto da fome a constranger quem nada podia. O crescimento da economia e a valorização do salário mínimo possibilitaram  a ampliação da classe trabalhadora, com toda a dignidade do trabalho, que chegou até as tão exploradas empregadas domésticas. As cotas raciais e sociais nas universidades, escolas técnicas, a sua ampliação inédita; e mesmo as vagas do PROUNI mostraram que há um caminho, pelo estudo, que agora ainda mais se ampliará com a conquista da vinculação do fundo social e dos royalties do Pré-Sal que farão o investimento na Educação chegar a 10% do PIB.

Tudo isso é fruto da luta do povo. Do movimento sindical, estudantil, juvenil, negro, de mulheres,da esquerda. Foi essa a base das vitórias. Mas ainda há muito a conquistar.

E agora, como será quando milhões de pessoas se libertarem do clientelismo promovido por tantos doutores políticos que servem à direita?

Como será quando esse povo entender que tem direito a ter médico, que há muito mais médicos humanos e
solidários, no Brasil e em Cuba, Espanha, Portugal, Argentina. Como será o impacto na população pobre quando perceber tantos médicos negros e negras? sinalizando-lhes que, sim, é possível. Como será ver a integração latino-americana funcionando, com essa mão amiga, de Cuba, ao nosso povo mais carente da saúde?


Os cabrestos serão rompidos, a saúde melhorará, porque o povo não admitirá retrocessos. Isso fortalecerá a luta pelos avanços na saúde, por maior destinação do PIB, pela carreira dos médicos, valorizando-os e libertando-os dos achaques do mercado da vida. O bom não precisa ser inimigo do ótimo.Depende se gerará mais avanços, ou se acomodará. Isso está em disputa. As medidas emergenciais podem constituir importante base para mudanças cada vez maiores. Quem defende a irrelevância do emergencial para o povo, sua incompatibilidade com as mudanças profundas, longe de ser gesto revolucionário, contribui para o conservadorismo, porque a vida é movimento, é complexidade, é atalho, é desvio, nunca há linha reta para os sonhos. E o mérito do revolucionário não é o andar impossível da linha reta e burra, mas aquele que, mesmo curvo e acidentado, guarda em si a firme e inquebrantável convicção da meta em cada passo.

Os médicos(as) comprometidos com o povo devem sentir-se felizes, porque contarão com 6000 colegas  com quem poderão contar na sua difícil missão de salvar vidas, porque estão cercados pela população desesperada, diante de um estado clientelista e que não oferece condições, e submetidos ao grande esquema da ganância da medicina privada.

A percepção da saúde como direito avançará, assim como se evidenciarão as imensas dificuldades advindas do financiamento insuficiente da saúde e do peso da corrupção. Será também um duro golpe na medicina privada que nos explora, que nos adoece, que nos entope de remédios e nos mata e a nossos entes queridos sem qualquer misericórdia. Medicina privada que enriquece alguns e que adoece, enlouquece, corrompe e embrutece tantos outros profissionais da saúde. É preciso golpear o mercado de vidas, retirar-lhe essa condição de corromper, esse pode que exerce com base na sabotagem do SUS.

Para isso precisamos politizar ainda mais a luta pela saúde pública, colocar o povo no centro e combater o corporativismo. Por que? Porque o corporativismo é uma ideologia burguesa, é oposto ao classismo, ainda mais numa categoria como a dos médicos. É gêmeo siamês do economicismo, é o pai da aristocracia operária. É um completo engano para a classe trabalhadora, negando-lhe o papel de transformar o mundo pelas migalhas que a deformam.

Que história é essa que a categoria é um bloco só? É como o dono do jornal chamar o jornalista de colega. É como chamarem o trabalhador de colaborador, de nova classe média. É um estratagema para que os médicos vocacionados ao serviço público, por amor à vida, por amor às pessoas, estejam vinculados ao grande negócio comandado por laboratórios farmacêuticos internacionais, as empresas gigantescas e pequenas que atuam infinitas vezes de modo antiético, porque não pode ser ética uma medicina tão aferrada ao lucro. Não há ética sob o primado da ganância.

O corporativismo cega os médicos diante da brutal exploração de que padecem tantos deles, pela falsa esperança de serem burgueses. Fundamenta o silêncio diante da própria lógica do negócio que faz a medicina sempre correr atrás do prejuízo, que não previne, remedia com o estrago feito, e o faz mal, mas com imensos dividendos manchados em sangue e lágrimas.

Não poderemos vencer a batalha da saúde pública enquanto tanta gente boa, de bem, não perceber que o sistema impulsiona o corporativismo para separar os médicos do povo, e perpetuar a lógica do mercado, a lógica funesta que impede o SUS de funcionar, por sabotagem, por competição, por corrupção, por leniência do Estado, por falta de financiamento adequado e por falta da valorização profissional que eleve a medicina à condição de carreira de Estado, libertando os bons profissionais desse labirinto kafkiano que os impede de ver que não são a mesma coisa que os barões da medicina e seu business.

Para tudo isso, o Mais Médicos é um primeiro passo porque coloca o povo no centro do debate da saúde pública, porque amplia a consciência do direito, porque abre condições para fortalecer a luta pelo SUS e a saúde pública.

Não é à toa que o corporativismo leva a categoria ao anticomunismo, ao ódio à esquerda, à aliança com a direita, à xenofobia e à hostilidade contra a Cuba Socialista e solidária que vem em nosso auxílio. Não é toa que o corporativismo é o refúgio dos maus profissionais, da fraude ao SUS. Não surpreende que seja o esteio da insensibilidade, que considera normal o estado gastar 800 mil reais para formar um médico da classe média que tem ainda a pachorra de criticar o bolsa família. Não é à toa que inspira seres humanos a qualificarem de escravidão um programa que pagará 10 mil reais por mês, e que dará moradia e alimentação, além de R$ 20 mil reais para se mudarem para o Nordeste, e R$ 30 mil reais para o Norte. E ao mesmo tempo, motiva a vergonhosa contra-proposta de que as milhões de pessoas sem médicos devem esperar que tudo esteja perfeito para que, enfim, eles possam ir em direção ao povo. É o corporativismo que cegou parte da juventude médica avançada, que poderia liderar uma amplo movimento solidário e de fortalecimento do SUS, mas que os levou, pela condução da direita, ao torpe papel de obstáculo a uma iniciativa que salvará tantas vidas.

Por tudo isso, o corporativismo é grave obstáculo a ser batido e denunciado, porque ele cega, corrompe, insensibiliza aqueles que deveriam ser os profissionais mais humanos, a quem entregamos a nossa vida, em quem depositamos nossa esperança, e em quem as deformações morais se fazem ainda mais graves por esse imenso poder.

E esse momento é um ponto de inflexão dessa luta.A Saúde deixa de ser assunto de doutor e passa a ser tema até das populações hoje esquecidas, é uma mudança de vulto. Novas exigências e clamores imporão limites à saúde privada e criarão ambiente para pressionar ainda mais o governo para investir na saúde em vez de se dobrar à chantagem dos banqueiros e do PIG. E o povo quererá também fazer medicina.

O Brasil está mudando, e acho que essa direita e esse pedaço tão ruim da classe média, rancoroso, que fez Vargas se matar, que achincalhou JK por construir Brasília, que apoiou a Ditadura de 1964, e que tentou em vão derrubar o Lula, essa galera se expõe cada vez mais ao escárnio do povo. Povo que pressionará por mudanças ainda mais profundas, porque a consciência de que temos direitos avança. E o próprio povo ampliará sua capacidade crítica, sua possibilidade de fiscalizar.

Desejo que a direita  ataque muito o Mais Médicos, em público. Nas tribunas, nas tevês. Gravemo-lo. Veremos o veredito do povo sobre quem é contra a vinda dos médicos que salvarão vidas e minorarão o sofrimento de tanta gente.

E oxalá se fortaleçam as convicções de gestores, líderes médicos de esquerda, dos médicos humanistas, para que possam reunir-se numa corrente progressista que tenha mais apego à vida e à saúde do povo que ao sentimento corporativo. E que essa legitimidade seja o maior impulsionador das vitórias na carreira.
Oxalá possam eles se fortalecerem para não aceitar a ditadura do mercado, nem a ela se dobrarem, reforçando as convicções humanistas e apontando o difícil caminho que tem de percorrer, defendendo os direitos dos médicos e defendendo a saúde do povo, sem criar entre ambos uma barreira intransponível.

Claro que é preciso aperfeiçoar e corrigir o Mais Médicos, mas nunca o sabotar, destruir. E o primeiro passo ético é entender e apoiar a prioridade de fazer os médicos chegarem ao povo, sem a discriminação social, sem as desigualdades regionais o impedirem. Isso abrirá caminhos.

Oxalá possam entender que o Mais Médicos é um primeiro passo, que oferece oportunidades de maiores demandas, de vitórias, sobretudo contra a considerável banda podre que tem merecido tantas críticas da população, e não podia ser diferente. Representam o passado. A medicina dos filhos da elite para o povo pobrezinho, sem direitos, sem educação, sem condição nem legitimidade para falar de saúde diante de profissionais tão poderosos nessa moldura. Representam o negócio da saúde, comércio que lucra com a dor, a doença, com a vida, uma abominação.

O Mais Médicos é um primeiro e importante passo para a Reforma da Saúde, para a plena efetivação do SUS. É preciso que dê certo pelo potencial que encerra, pelas vidas que salvará, pelos direitos que afirmará. Defendamo-lo. Aperfeiçoemo-lo. E acolhamos de braços abertos os médicos do Brasil e do exterior que toparam o desafio de ir ao povo mais pobre e abandonado para mitigar a dor, para semear a saúde, para curar e salvar. Como é linda a Cuba Revolucionária que exporta a saúde e a solidariedade, em contraste com o imperialismo estadunidense que exporta a guerra, a infiltração divisionista, o terrorismo, da espionagem, que exporta a morte e a opressão.Seremos eternamente gratos.

Os médicos(as) irão em direção ao nosso povo pobre e por isso enfrentarão imensas dificuldades. Precisam do nosso carinho e apoio para cumprir uma missão de amor em nossa pátria tão grande e tão desigual. Será um passo a mais para derrubar tão imensos muros que separam os que tem tudo e os que não tem seus direitos mais básicos assegurados, brasileiros, como nós. E é uma batalha que é possível vencer, e venceremos!

domingo, 25 de agosto de 2013

"Bem-vindos, colegas cubanos". Artigo do Dr.Manoel Dias da Fonsêca Neto - Médico


Quem disse que por ser médico é preciso compactuar com a elitização, o corporativismo, a mercantilização da vida e a insensibilidade diante da população mais pobre? Nada disso. Como demonstraram os brasileiros inscritos, e os médicos que apoiam o programa - ainda que defendam mudanças - é possível remar contra a corrente. Minha esperança é que os profissionais humanistas percebam o erro de se deixar dirigir pela direita e compreendam que o Mais Médicos é uma mudança muito importante, que inspirará uma verdadeira mudança na saúde brasileira. Vejam esse artigo, por exemplo, de um médico cearense.

"Bem-vindos, colegas cubanos". (Artigo do Dr.Manoel Dias da Fonsêca Neto - Médico, Especialista em Saúde Pública e Mestre em Gestão de Sistemas Locais de Saúde)

"Estive em Cuba em 1986, junto com uma centena de brasileiros, para participarmos do I Seminário Internacional em Atención Primaria de La Salud, promovido pela Organização Panamericana de Saúde(OPS), Organização Mundial da Saúde(OMS) e Ministério de Saúde Pública de Cuba. Há quase 30 anos o Programa de Saúde da Família de Cuba era o destaque deste Seminário Internacional, exemplo de estratégia de incorporação de baixa densidade tecnológica, centrada na pessoa humana, na família e no vinculo permanente de uma equipe com a população de um território, com resultados significativos na melhoria de indicadores de saúde. Qual era o segredo desta estratégia? Os médicos cubanos aprendiam o que os nossos mestres Dr. Paulo Marcelo, Dr. Elias Salomão, Dr. Oto, Dr. Pessoa, Dr Haroldo Juaçaba nos ensinavam: ouvir o paciente e sua história familiar, examiná-lo, palpá-lo, auscultá-lo, observando sinais e sintomas, fazer, enfim, uma anamnese e exame clínico detalhado e sistemático. Respeitando o ser humano que nos procura em sofrimento, a sua individualidade, com ética e humanismo. Os médicos cubanos são excelentes médicos de família e vêm aperfeiçoando o seu conhecimento há 30 anos. Os brasileiros estarão em muito boas mãos aos seus cuidados. Fico muito triste ao presenciar expressões de xenofobia e até etnofobia, arrogância, preconceito e agressividade de presidentes de alguns CRMs, do CFM e AMB contra médicos estrangeiros, especificamente cubanos. Xenofóbico é quem demonstra temor, aversão ou ódio aos estrangeiros. Será que esta não é uma forma camuflada de expressar aversão ou ódio aos pobres do Brasil? Por que tememos os médicos cubanos? Porque são disciplinados e cumprirão a carga horária contratada? Porque são excelentes médicos de família e cuidarão com carinho, respeito e sabedoria do nosso povo. Porque se fixarão num só emprego e dedicarão todo o seu tempo às famílias sob sua responsabilidade? Espero que nossos colegas médicos cubanos e demais estrangeiros não sejam hostilizados por senhores da “casa grande e senzala” da modernidade e sejam acolhidos com simpatia e respeito, como fui por eles, quando estive em Cuba há 30 anos".

Manoel Dias da Fonsêca Neto
Médico, Especialista em Saúde Pública
Mestre em Gestão de Sistemas Locais de Saúde

UM POUCO MAIS SOBRE OS MÉDICOS CUBANOS - Hélio Doyle

Parece que o último argumento contra a contratação dos médicos cubanos é a remuneração que vão receber. Pois é ridículo, quando prevalecem fatos, indicadores internacionais e números, falar mal do sistema de saúde e da qualidade dos médicos de Cuba. A revalidação de diploma também não é argumento, pois os médicos estrangeiros trabalharão em atividades definidas e por tempo determinado, nos termos do programa do governo federal. Não tem o menor sentido, também, dizer que os cubanos não se entenderão com os brasileiros por causa da língua – primeiro, porque vários deles falam o português e o portunhol, segundo porque os médicos cubanos estão acostumados a trabalhar em países em que a língua falada é o inglês, o francês, o português e dialetos africanos, e nunca isso foi entrave.
Resta, assim, a forma de contratação e, mais uma vez sem medo do ridículo, falam até de trabalho escravo. Essa restrição também não tem procedência, nem por argumentos morais ou éticos (e em boa parte hipócritas), nem com base na legislação brasileira e internacional. Vamos a duas situações hipotéticas, embora ocorram rotineiramente.

1 – Uma empreiteira brasileira é contratada por um governo de país europeu para uma obra. Essa empreiteira vai receber euros por esse trabalho e levar àquele país, por tempo determinado, alguns engenheiros, geólogos, operários especializados e funcionários administrativos, todos eles empregados na empreiteira no Brasil. Encerrado o contrato no país europeu, todos voltarão ao Brasil com seus empregos assegurados. Quem vai definir a remuneração desses empregados da empreiteira e pagá-los, ela ou o governo do país europeu? É óbvio que é a empreiteira.

2 – Os governos do Brasil e de um país africano assinam um acordo para que uma empresa estatal brasileira envie profissionais de seu quadro àquele país para dar assistência técnica a pequenos agricultores. O governo brasileiro será remunerado em dólares pelo governo africano. A estatal brasileira designará alguns de seus funcionários para residir e trabalhar temporariamente no país africano. Quem vai definir a remuneração dos servidores da empresa estatal brasileira e lhes fará o pagamento, a estatal brasileira ou o governo do país africano? É óbvio que é a empresa estatal brasileira.

Por que, então, tem de ser diferente com os médicos cubanos? Eles não estão vindo para o Brasil como pessoas físicas, nem estão desempregados. São servidores públicos do governo de Cuba, trabalham para o Estado e por ele são remunerados. Quando termina a missão no Brasil (ou em qualquer outros dos mais de 60 países em que trabalham), voltam para Cuba e para seus empregos públicos.

Não teria o menor sentido, assim, que esses médicos, formados em Cuba e servidores públicos cubanos, fossem cedidos pelo governo de Cuba para trabalhar no Brasil como se fossem pessoas físicas sendo contratadas. Para isso, eles teriam de deixar seus postos no governo de Cuba. Como não faria sentido que os empregados da empreiteira contratada na Europa ou da estatal contratada na África assinassem contratos e fossem remunerados diretamente pelos governos desses países. Trata-se de uma prestação de serviços por parte de Cuba, feita, como é natural, por profissionais dos quadros de saúde daquele país.

A outra crítica é quanto à remuneração dos médicos cubanos. Embora menor do que a que receberão os brasileiros e estrangeiros contratados como pessoas físicas, está dentro dos padrões de Cuba e não discrepa substancialmente do que recebem seus colegas que trabalham no arquipélago. É mais, mas não muito mais. Não tem o menor sentido, na realidade cubana, que um médico de seus serviços de saúde, trabalhando em outro país, receba R$ 10 mil mensais. E, embora os críticos não aceitem, há em Cuba uma clara aceitação, pela população, de que os recursos obtidos pela exportação de bens e serviços (entre os quais o turismo e os serviços de educação e saúde) sejam revertidos a todos, e não a uma minoria. O que Cuba ganha com suas exportações de bens e serviços, depois de pagar aos trabalhadores envolvidos, não vai para pessoas físicas, vai para o Estado.

A possibilidade de ganhar bem mais é que faz com que alguns médicos cubanos prefiram deixar Cuba e trabalhar em outros países como pessoas físicas. É normal que isso aconteça, em Cuba ou em qualquer país (não estamos recebendo portugueses e espanhóis?) e em qualquer atividade (quantos latino-americanos buscam emigrar para países mais desenvolvidos?). Como é normal que muitos dos médicos cubanos aprovem o sistema socialista em que vivem e se disponham a cumprir as “missões internacionalistas” em qualquer parte do mundo, independentemente de qual é o salário. Para eles, a medicina se caracteriza pelo humanismo e pela solidariedade, e não pelo lucro.

É difícil entender isso pelos que aceitam passivamente, aprovam ou se beneficiam da privatização e da mercantilização da medicina e da assistência à saúde no Brasil.

http://www.brasil247.com/pt/247/saudeebemestar/112780/Entenda-por-que-médicos-cubanos-não-são-escravos.htm

Médicos cubanos pedem respeito e dizem que vêm trabalhar para o povo brasileiro - Agência Brasil

Médicos cubanos pedem respeito e dizem que vêm trabalhar para o povo brasileiro - Agência Brasil

Daniel Lima - Repórter da Agência Brasil


Brasília - O primeiro grupo dos 206 médicos cubanos que vão trabalhar no Brasil desembarcou hoje (24) à tarde no país. No Recife, ficaram 30 profissionais e 176 seguiram para Brasília, onde chegaram à noite. Ao desembarcar, Oscar González Martinez, graduado há 23 anos e especialista em atenção à família, disse que tinha grande expectativa em trabalhar com a população brasileira.

Martinez disse que veio ao Brasil por várias razões, entre elas, a oportunidade de trabalhar para o povo brasileiro. Sobre a polêmica em torno do pagamento dos salários, que serão feitos por meio do governo cubano e não diretamente aos profissionais, González disse que isso é o que menos importa, pois tem o emprego garantido em seu país e parte dos recursos irá para ajudar o seu povo.

“O mais importante é colaborar com os médicos brasileiros e ajudar na qualidade de vida do povo daqui. Também é importante a irmandade entre o povo cubano e o povo brasileiro que existe há muito tempo”, disse.


A médica Jaiceo Pereira, de 32 anos, lembrou, bem-humorada, que, apesar de ser a mais jovem do grupo, tem bastante experiência profissional e no início de sua formação já trabalhava com saúde da família. Ela pediu o apoio do povo brasileiro e respeito aos profissionais de seu país. “Queremos ajudar e dar saúde a todos aqueles que não têm acesso aos serviços médicos", disse. “Queremos dar amor e queremos receber amor.” Já Alexander Del Toro destacou que veio para trabalhar junto e não competir.

Um grupo de 25 simpatizantes do socialismo e de Cuba esteve no Aeroporto Internacional de Brasília – Presidente Juscelino Kubitschek com cartazes. Durante a longa espera, que durou mais de duas horas, os manifestantes gritavam palavras de ordem como “Cubano amigo, Brasil está contigo” e “Brasil, Cuba, América Central, a luta socialista é internacional”.

Em meio às manifestações de apoio, Ana Célia Bonfim, que se identificou como médica da Secretaria de Saúde do Distrito Federal chegou a gritar entre os manifestantes que tudo não passava de uma “palhaçada”. “Profissional troca alguma coisa por bolsa. Isso não é coisa de profissional. Pelas condições que tem o médico cubano, claro que eles vão trocar isso pelas condições brasileiras. Mas isso é exploração de mão de obra”, disse.

O restante dos médicos cubanos desembarca amanhã (25) em Fortaleza, às 13h20, no Recife, às 16h, e em Salvador, às 18h, segundo o ministério. Ao todo, 644 médicos, incluindo os 400 cubanos, com diploma estrangeiro chegam ao Brasil até este domingo (25). Na sexta-feira (23), começaram a chegar os médicos inscritos individualmente em oito capitais.

Os profissionais cubanos fazem parte do acordo entre o ministério com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para trazer, até o final do ano, 4 mil médicos cubanos. Eles vão atuar nas cidades que não atraírem profissionais inscritos individualmente no Programa Mais Médicos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rebateu as críticas das entidades médicasque questionam a formação médica dos profissionais cubanos.

Na segunda-feira (26), tantos os médicos inscritos individualmente (brasileiros e estrangeiros), quanto os 400 cubanos contratados via acordo, começam a participar do curso de preparação com aulas sobre saúde pública brasileira e língua portuguesa. Após a aprovação nesta etapa, eles irão para os municípios. Os médicos formados no país iniciam o atendimento à população no dia 2 de setembro. Já os com diploma estrangeiro começam a trabalhar no dia 16 de setembro.

O curso vai ter carga de 120 horas com aulas expositivas, oficinas, simulações de consultas e de casos complexos. Também serão feitas visitas técnicas aos serviços de saúde com o objetivo de aproximar o médico do ambiente de trabalho.

* Colaborou Ana Cristina Campos
Edição: Fábio Massalli//A matéria sofreu ajuste às 14h24, do dia 25/08/2013 para corrigir a grafia do primeiro sobrenome do médico cubano Oscar González Martinez. Anteriormente, González estava grafado com a letra "s" ao final
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“Vou orientar meus médicos a não socorrerem erros dos colegas cubanos”, diz presidente do CRM/MG - BHAZ


A contratação de médicos estrangeiros pelo programa Mais Médicos, do Governo Federal, está longe de ter um final em que as duas partes – profissionais e União – cheguem a um acordo. A última grande polêmica gira em torno do anúncio da convocação de cubanos para atender no Brasil.

O Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG) já entrou oficialmente na briga contra a medida. Na quinta-feira (22), o presidente da entidade, João Batista Gomes Soares, anunciou que pretende denunciar os cubanos por exercício ilegal da profissão, alegando que o governo autorizou a atividade dos médicos sem que eles passem pelo processo de revalidação do diploma estrangeiro e pelo exame de proficiência em língua portuguesa.

Em entrevista ao jornal Estado de Minas, publicada nesta sexta-feira (23), João Batista garantiu que, se o governo seguir em frente com as contratações, o impasse vai virar caso de polícia. “Se ouvir dizer que existe um médico cubano atuando em Nova Lima, por exemplo, mando uma equipe do CRM-MG fiscalizar. Chegando lá, será verificado se ele tem o diploma revalidado no Brasil e a carteirinha do CRM-MG. Se não tiver, vamos à delegacia de polícia e o denunciamos por exercício ilegal da profissão, da mesma forma que fazemos com um charlatão ou com curandeiro”, afirmou Batista.


Declarações do presidente do CRM/MG reforçam polêmica
em torno do Mais Médicos
Foto: Divulgação/Conselho Regional de Medicina

O presidente do CRM/MG ainda fez uma declaração polêmica. “Nossa preocupação é com a qualidade desses médicos, que são bons apenas em medicina preventiva, não sabem tirar tomografia. Vou orientar meus médicos a não socorrerem erros dos colegas cubanos”, disse.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) também considera a adoção do programa eleitoreira, irresponsável e desrespeitosa.

Conselho ameaça profissionais que trabalham no “Mais Médicos” - Blog Tijolaço





Conselhos ameaçam profissionais que trabalham no “Mais Médicos”

O Conselho Federal e os regionais de Medicina estão ameaçando com processos ético-profissionais e com punições (que podem, no caso, chegar à suspensão do registro e do direito de clinicar) os médicos do serviço público que integrarem como gestores ou supervisores de profissionais estrangeiros.



Com o claro intuito de provocar o medo entre os médicos do serviço público que participam ou dirigem programas oficiais do Governo que utilizarem médicos estrangeiros, um e-mail do CFM, que está sendo repassado pelos Conselhos Regionais diz que “tais médicos estão passíveis de processos e penalizações de caráter ético-profissional, civil e criminal pelos atos praticados por participantes e intercambistas do Programa Mais Médicos”.

Reproduzo o e-mail que me foi enviado por um médico, chocado com a atitude intimidatória que sua entidade profissional está assumindo.

Notem que o texto não apenas exige o Revalida, mas que este seja nos seus moldes atuais.

Não aceita, portanto, o exame destes profissionais estrangeiros previsto para se realizar, a partir da semana que vem, em universidades federais brasileiras.

Apenas para lembrar, se o exame realizado pelo Cremesp, o conselho paulista, tivesse a aprovação como condicionante do registro profissional, 54,5% dos formados em medicina no Estado de S. Paulo – reprovados no teste – não poderiam clinicar.

Os conselhos de medicina precisam refletir no que estão fazendo. Vão jogar a população contra os médicos, que em sua enorme maioria são trabalhadores preocupados em atender corretamente a população.

Não podem se deixar levar pela elite da corporação médica, encastelada em suas clínicas particulares, nem por grupos imaturos de médicos jovens – aquele pessoal do “somos ricos, somos cultos” – que só vê na profissão o resultado financeiro que pretende.

Agindo com este furor e sem ponderação – ponderação, cautela e vagar que nunca lhes falta na hora de punir médicos desidiosos com a população, como aqueles da fraude do ponto com dedos de silicone, que continuam, quatro meses depois, com seus CRM ativos – vai provocar inevitavelmente a percepção, pela população mais pobre que seu dito interesse pela qualidade da medicina só tem importância quando defende suas conveniências.

Por: Fernando Brito

O “Dr. Puliça” de Minas está prejudicando os colegas… - Blog Tijolaço



A manchete do Estado de Minas, hoje, é a reação “prendo e arrebento” do Dr. João Batista Gomes, presidente do Conselho Regional de Medicina mineiro.

Ele diz que não quer nem saber: onde estiver um médico cubano, vai com a “puliça” e prende por charlatanismo…

O doutor não está nem aí com a população de Alpercata, Alvorada de Minas, Camacho, Capitão Andrade, Cedro do Abaeté, Córrego Novo, Desterro do Melo, Divinésia, Fernandes Tourinho, Gonzaga, Ibituruna, Imbé de Minas, Inimutaba, Itaverava, Marliéria, Munhoz, Naque, Nova Módica, Novorizonte Paiva, Paulistas, Pescador, Pingo-d’Água, Piracema, Queluzito, Rio Doce, Rio Manso, Santa Helena de Minas, Santana do Jacaré, Santana dos Montes, Santa Rosa da Serra, Santo Antônio do Itambé, Santo Hipólito, São Domingos das Dores, São Félix de Minas, São Francisco do Glória, São Geraldo do Baixio, São João da Lagoa, São João da Mata, São José do Mantimento, São Sebastião do Rio Preto, Senador Cortes, Serra da Saudade, Serra dos Aimorés, Taparuba, Tapiraí, Tumiritinga, Turvolândia, Vermelho Novo, Vieiras, Wenceslau Braz, os 50 municípios mineiros que, conforme publicou a Folha, em 2008, não tinham sequer um médico morando lá.

O Doutor também deveria ler o que publica nesta sexta o jornal Hoje em Dia, falando que os prefeitos do interior vão ter de aumentar os salários dos médicos de suas prefeituras, porque o Mais Médicos vai pagar mais do que pagam aos seus colegas.

Sim, porque o salário oferecido pelos Mais Médicos é maior do que muitos dos que se oferecem aos médicos mineiros, em vários casos sem férias ou décimo-terceiro.

E sem contar o fornecimento de casa para morar.

Quer a prova?

É só ir ver as ofertas de emprego no site do próprio CRM-MG que se vai encontrar a realidade dos salários médicos.

Eu reproduzi só alguns, para ilustrar, maso endereço está aqui.

Para isso o senhor vai chamar a “puliça”, Doutor?Por: Fernando Brito


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PORTUGAL TAMBÉM PROTESTA, MAS PARA MANTER MÉDICOS CUBANOS - Brasil 247


PORTUGAL TAMBÉM PROTESTA, MAS PARA MANTER MÉDICOS CUBANOS



No momento em que governo brasileiro enfrenta revolta da classe médica contra a contratação de médicos do país de Fidel Castro, portugueses lutam para mantê-los. Até o presidente da Ordem dos Médicos de Portugal, reconhece:“Naturalmente os cidadãos que receberam os médicos estrangeiros ficaram satisfeitos, porque passaram a ter um médico”



22 DE AGOSTO DE 2013 ÀS 08:23





247 – O governo de Dilma Rousseff anunciou ontem a contratação de 4 mil médicos cubanos. A inciativa levanto ainda mais polêmica na classe médica. O Conselho Federal de Medicina (CFM) classificou como "eleitoreiro, irresponsável e desrespeitoso" o anúncio pelo Ministério da Saúde. Para a entidade, a medida agride direitos individuais, humanos, do trabalhador e ainda expõe a saúde da população a situações de risco. "É uma irresponsabilidade trazer médicos de fora, sejam cubanos, sejam brasileiro formados no exterior, sem a devida verificação da competência técnica", avaliou Roberto d'Ávila, presidente do CFM.

Enquanto isso, em Portugal, população também protesta, mas para manter esses profissionais no país. Leia mais na notícia do blog Tijolaço:

Em Portugal, médicos cubanos são um problema. Ninguém quer que eles se vão

Se o caro amigo internauta fizer uma pesquisa rápida no Google verá que o que pode acontecer aqui no Brasil, no futuro, com os médicos cubanos que o Governo Federal está trazendo para atuar em municípios onde não há profissionais brasileiros dispostos a atuar.

Os problemas não são de incapacidade profissional ou de dificuldade de comunicação.

São que os contratos firmados pelo governo português estão acabando e alguns deles terão de ir embora, para desespero das populações e dos prefeitos do Alentejo, do Algarve e do Ribatejo, regiões pobres que estão ameaçadas de ficarem, outra vez, sem médicos.

O portal SulInformação noticia:

Os cinco médicos cubanos que prestavam serviço de consultas no concelho de Odemira terminaram os seus contratos e regressaram ao seu país, deixando mais de 14 mil utentes sem médico de família.

Esta situação, segundo denuncia, em comunicado, a Câmara Municipal de Odemira, «está a provocar a rotura dos serviços médicos em Odemira, S. Teotónio, Sabóia e Vila Nova de Milfontes e o descontentamento da população e da autarquia, que têm vindo a expressar o seu descontentamento junto dos responsáveis locais, regionais e governamentais sem qualquer sucesso».

A autarquia sublinha, no comunicado a que oSul Informação teve acesso, que no litoral Alentejano prestavam serviço 16 médicos cubanos, cinco dos quais no concelho de Odemira e não foram substituídos, isto apesar de há alguns meses os autarcas terem sido alertados pela direção do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Litoral Alentejano para a necessidade de garantir a substituição dos médicos cubanos que terminavam contrato no final do ano de 2011.

As prefeituras são as maiores defensoras do trabalho dos profissionais cubanos, pelos trabalhos pró-ativos de saúde pública que realizam.

Até o presidente da Ordem dos Médicos de Portugal, apesar da cantilena de que os médicos estrangeiros são “superiores” em qualidade profissional, reconhece:

“Naturalmente os cidadãos que receberam os médicos estrangeiros ficaram satisfeitos. Porque até aí não tinham médico e passaram a ter. Não com as competências adequadas e desejáveis, mas passaram a ter um médico”

Pois é, né, doutor…

Agora, para quem quiser se aprofundar mais no “choque cultural” representado pelos médicos estrangeiros em Portugal, recomendo a leitura de um trabalho de duas sociólogas e uma psicóloga na Revista Iberoamericana de Salud y Ciudadanía,coordenada pela Universidade do Porto.

Ali, são ouvidos médicos cubanos, espanhóis e colombianos que foram trabalhar em Portugal e que falaram sobre essa experiência. Trascrevo apenas um pequeno depoimento, de uma médica uruguaia que está por lá:

Tú tienes que tener un segundo para mí, dos minutos aunque sea de
camino, de acercarte al primer familiar que está y decirle „señora, está
así, hicimos esto, la cosa está así, lo voy a llevar a tal hospital,
quédese tranquila, yo lo voy a acompañar‟. Es lo mínimo. Los
médicos portugueses, entran, salen, meten el tipo y se van. Yo al
principio decía „pero esto es inhumano!‟ […] Yo hablo con los
familiares. Eso les llamó mucho la atención a los enfermeros y a los
TAE [Técnicos de Ambulância de Emergência], yo siempre busco un
minuto […]. Hay cosas que son de sensibilidad humana porque el
paciente no es una cosa o un objeto. (E2, médica uruguaia)
Talvez tenhamos alguma coisa a aprender por aqui, não é?

Por: Fernando Brito

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