Precisamos ter um Natal de solidariedade e de respeito por tanta dor que nosso povo tem passado, precisamos nos engajar numa grande corrente de amor, caridade e união pelo Brasil que padece de fome, desemprego, dor e tristeza.
Aonde a gente estiver, vamos estimular uma onda de solidariedade acolha aquele menino na manjedoura, de pais migrantes, perseguidos, e que tão bem representa esse momento terrível no nosso país, tantas casas com a saudade dos seus, tanta gente sem casa, sem emprego, com fome.
Essa sim é a atitude de um Natal Comunista, e nela, todas as fés e os ateus se unem, como dizia Ary dos Santos:
José Carlos Ary dos Santos foi o mais consequente poeta da Revolução de Abril de 1975 em Portugal, o que esteve sempre, fraterno e cúmplice, na primeira linha do combate; o poeta generoso e lúcido, que mascarava, com o manto diáfano dos excessos, a sua íntima, profunda solidão.
Ary dos Santos: Bandeira Comunista - Portal Vermelho O poeta português José Carlos Pereira Ary dos Santos, conhecido apenas como Ary dos Santos, deixou sua marca na história da música portuguesa por participar várias vezes do Festival Eurovisão da Canção e ter sua obra interpretada por cantores renomados da cultura lusa.
Reprodução - José Carlos Pereira Ary dos Santos
Militante do Partido Comunista Português, atuava diretamente na área cultural do partido e publicava com periodicidade na sessão de poesia intitulada Canto livreperseguido. Uma de suas homenagens foi o poema Bandeira Comunista, que transcrevemos na íntegra nesta edição do Prosa, Poesia e Arte sobre os 93 anos do Partido Comunista do Brasil.
Leia o poema Bandeira comunista:
Foi como se não bastasse tudo quanto nos fizeram como se não lhes chegasse todo o sangue que beberam como se o ódio fartasse apenas os que sofreram como se a luta de classe não fosse dos que a moveram.
Foi como se as mãos partidas ou as unhas arrancadas fossem outras tantas vidas outra vez incendiadas.
À voz de anticomunista o patrão surgiu de novo e com a miséria à vista tentou dividir o povo.
E falou à multidão tal como estava previsto usando sem ter razão a falsa ideia de Cristo.
Pois quando o povo é cristão também luta a nosso lado nós repartimos o pão não temos o pão guardado.
Por isso quando os burgueses nos quiserem destruir encontram os portugueses que souberam resistir.
E a cada novo assalto cada escalada fascista subirá sempre mais alto a bandeira comunista.