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quinta-feira, 10 de julho de 2025

RESPOSTA DO BRASIL AO NEOCOLONIALISMO ESTADUNIDENSE - Presidente Lula



Tendo em vista a manifestação pública do presidente norte-americano Donald Trump apresentada em uma rede social, na tarde desta-quarta (9), é importante ressaltar:

O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém. 

O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais. 

No contexto das plataformas digitais, a sociedade brasileira rejeita conteúdos de ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, discursos contra os direitos humanos e a liberdade democrática.

No Brasil, liberdade de expressão não se confunde com agressão ou práticas violentas. Para operar em nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras estão submetidas à legislação brasileira.

É falsa a informação, no caso da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, sobre o alegado déficit norte-americano. As estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de 410 bilhões de dólares ao longo dos últimos 15 anos. 

Neste sentido, qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica. 

A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo.

https://x.com/LulaOficial/status/1943081801548992707

sábado, 5 de julho de 2025

Os objetivos de luta da Juventude Sindicalista (2009) - Contribuição da CTB-Brasil à Conferência Internacional da Juventude Sindicalista da Federação Sindical Mundial. Lima, Peru, 20 de novembro 2009.

 Paulo Vinícius da Silva


Contribuição da CTB-Brasil à Conferência Internacional da Juventude Sindicalista da Federação Sindical Mundial. Lima, Peru, 20 de novembro 2009.


Dedico essa intervenção a dois heróis do povo brasileiro, Zumbi dos Palmares - em cuja homenagem nessa d
ata celebramos em marchas por todo o Brasil o Dia da Consciência Negra -, e Diógenes Arruda Câmara - bravo lutador pela democracia no Brasil - cuja morte completa 30 anos neste 25 de novembro.

Sindicalismo para a juventudejuventude para o sindicalismo.
Nesses dias em que as mentiras do "pensamento único" perderam a legitimidad
e arrogante do passado, é fundamental que o movimento sindical fale ao conjunto da juventude. Na triste noite neoliberal, os apologistas do individualismo cínico intentaram destroçar a principal característica nossa condição juvenil: a busca da construção de uma nova realidade em que caibam as novas gerações e a nossa rebeldia. A juventude luta principalmente por causas, não por coisas.

Todavia, essa ofensiva de direita tem cobrado um terrível preço ao movimento sindical. É necessário reconhecer que a defensiva estratégica de princípios dos noventa, a ênfase no individuo, o poder da grande mídia, o consumismo e suas ilusões foram responsáveis pelo afastamento de importante parte da juventude do movimento sindical. Reconhecer isso é fundamental para entender o desafio atual do movimento sindical classista: abrir as portas dos sindicatos aos jovens como condi
ção de nosso próprio futuro e da nova luta pelo socialismo.

Ademais, a terceira revolução técnico-científica tem posto os jovens como protagonistas do processo produtivo em setores estratégicos e tem mudado a composição do proletariado. A juventude tem papel decisivo em categorias importantíssimas e temos que valorizar as oportunidades de crescimento nesses setores. O capital, hipocritamente, diz que deseja um "novo profissional", que tenha iniciativa, consciência crítica para interferir e melhorar o processo produtivo, que trabalhe em equipes e tenha compromisso com os resultados coletivos, domínio de idiomas, filosofia, constante capacitação, etc.

Mas, como os jovens podem aceitar isso, se é feito somente em função dos mesmos capitalistas que destroem nossos sonhos de juventude, que nos excluem do emprego, que nos 
exploram brutalmente, que destroem sem pudores a natureza, que nos discriminam e separam por nossa condição de indígenas, negros, migrantes, mulheres e até por nossa opção sexual, a maneira de vestir e falar?

Em verdade, a produção mesma pede estes novos 
profissionais, sim, e não apenas ela, porque a produção, a natureza ameaçada, a própria subjetividade humana negam as relações sociais capitalistas. Persiste vigente a lei da correspondência necessária entre as forças produtivas e as relações de produção, anunciando o anacronismo do capitalismo, cujas relações sociais baseadas na prevalência do lucro acima de qualquer coisa, colocando em risco a própria humanidade. Assim, há que dizer claramente que só o socialismo pode garantir aos jovens de hoje e de manhã o futuro. E temos que dizer isso à juventude que trabalha sob uma alienação brutal e não compreende as razões de seu desemprego e frustrações.

A redução da Jornada e a luta contra a Precarização do Trabalho
"A alienação do trabalhador em seu objeto é expressa da maneira seguinte, nas leis da Economia Política: quanto mais o traba
lhador produz, tanto menos tem para consumir; quanto mais valor ele cria, tanto menos valioso se torna; quanto mais aperfeiçoado o seu produto, tanto mais grosseiro e informe o trabalhador; quanto mais civilizado o produto, tão mais bárbaro o trabalhador; quanto mais poderoso o trabalho, tão mais frágil o trabalhador; quanto mais inteligência revela o trabalho, tanto mais o trabalhador decai em inteligência e se torna um escravo da natureza." Marx, Manuscritos Econômicos e filosóficos, O Trabalho Alienado.

Diante dessa realida
de, é indispensável que todo o movimento sindical tenha como bandeiras centrais - pelo sentido especial que têm para toda a classe e em especial para a juventude - a defensa da redução da jornada de trabalho e a luta contra a precarização do trabalho. Desde os anos setenta do século passado com o advento da 3ª. revolução técnico-científica, avançou exponencialmente a produtividade do trabalho. Um(a) operário(a), um(a) campesino(a) , um(a) trabalhador( a) dos serviços hoje em dia produz muito mais, sob um brutal ritmo de trabalho, e sua paga é exatamente a precarização das relações de trabalho. Não recebem mais, muito ao contrário, especialmente se levarmos em conta as proporções entre o produzido e recebido. E nas mesmas horas de trabalho - que muitas vezes são ampliadas - produz-se um mais valor cuja consequência é a demissão de seus colegas e novas moléstias laborais, inclusive psicológicas. E a juventude que realiza o mesmo trabalho dos demais, recebe menos e está sempre ameaçada com a demissão que intenta calar seu potencial rebelde.

Assim, a luta para incorporar as novas gerações à luta sindical é indissociável da defesa da redução da jornada e da luta contra a precarização. Reduzir a jornada e lutar contra a precarização é defender as mesmas condições e remuneração para o mesmo trabalho; é garantir ao jovem mais tempo para ser jovem, tempo para namorar, descansar, estudar, ter direito ao esporte e à cultura, estar com a família, fazer arte e, sobretudo, fazer política sem medo.



"Convido-te a crer em mim quando digo futuro".
Silvio Rodríguez




É indispensável falar e escutar a juventude. É preciso abrir caminho ao protagonismo juvenil no movimento sindical como condição de seu futuro. Se o capitalismo disputa os jovens com tanto cinismo e hipocrisia, mas também com imensos recursos, qual deve ser o investimento necessário do sindicalismo em seu trabalho de juventude neste momento estratégico em que a luta do povo outra vez avança, como o demonstra o avanço das forças progressistas na América Latina?

O principal investimento é o político. Ensinar as lições de luta da historia e ouvir-lhes seus anseios, dúvidas, confusões, não como quem apenas ensina, mas sobretudo como quem estuda o idioma que permitirá vencer e garantir o futuro, não apenas do movimento sindical e operário, mas da própria humanidade.

Princípios e programa.
· O classismo: o capitalismo não oferece nenhum futuro à juventude. E nosso movimento expressa as verdadeiras mudanças de que carece a sociedade para atender aos anseios da juventude: a construção do socialismo, sociedade em que os produtores da riqueza possam compartilhá-la para o bem de todos. Essa é garantia de um futuro de felicidade, p
az, democracia e liberdade, sem a opressão capitalista. E é uma bandeira de uma classe, a dos trabalhadores e trabalhadoras, cuja libertação tem o potencial para romper as cadeias de todas as opressões.

· A participação protagônica da juventude no movimento sindical merece o decidido apoio de todo o movimento. Isso significa que é necessário promover a liderança juvenil no movimento sindical, constituir instâncias e direções que tratem do tema em todos os níveis e a sua articulação a partir dos próprios jovens. A promoção de um crescente debate sobre a sucessão geracional no movimento. É necessário formar, apoiar e empoderar a juventude;


· A defesa de uma ampla unidade da juventude trabalhadora, explorada pelo capitalismo que lhes nega o futuro;

· A democracia, representativa e participativa, essencial à unidade. Sem a participação ativa dos jovens trabalhadores nas entidades sindicais não é possível desejar sua incorporação ativa. É necessário aperceber-se das portas à participação abertas pelo uso da internet, a evolução das formas de convocatória, as possibilidades de envolver amplos setores nas decisões dos sindicatos com as novas tecnologias para que os jovens sejam parte da definição das reivindicações, mobilização, eleição de representantes, fortalecendo a liberdade de expressão e o debate;

· Liberdade e autonomia sindical que todavia não se confundem com neutralidade, mas com a afirmação dos interesses da classe. Trata-se da garantia de organização sindical no local de trabalho e do combate às práticas anti-sindicais. E autonomia tanto para apoiar governos que representem o interesse da classe como para disputar a agenda política através da mobilização social, sem alinhamento automático;

· Solidariedade e internacionalismo. A humanidade é uma. À hipocrisia da globalização da barbárie e da rapina capitalistas há que aprofundar a luta em cada país e ao nível internacional através de um ativo internacionalismo de massas. Os seres humanos não podem ser ilegais. Não à guerra e ao imperialismo!

· Não aceitamos a discriminação nem as intolerâncias, seja por cor, raça, etnia, credo, origem, geração, gênero ou orientação sexual. Lutaremos com vigor por uma soci
edade totalmente livre do machismo, do racismo, da homofobia, divisões que debilitam os ideais de igualdade e justiça social na luta contra o imperialismo e a exploração capitalista;

· A defesa do meio ambiente e do desenvolvimento são incompatíveis com uma sociedade subordinada exclusivamente ao mercado e aos lucros. Ademais, o capitalismo necessita da guerra para, ao fim de cada uma de suas crises, tentar impedir sua tendência de queda da taxa de lucro. Por isso destroem milhões de vidas, forças produtivas e a natureza. Também a dominância do capitalismo impede o desenvolvimento racional com respeito ao meio ambiente, impondo - pela pressão econômica e militar - grandes dificuldades às nações pobres que não podem optar livremente por um modelo de desenvolvimento mais avançado. Assim, sem ilusões, defendemos o direito ao desenvolvimento e a busca de alternativas de desenvolvimento que respeitem o meio ambiente, e sabemos que há distintos níveis de responsabilidade na degradação ambiental, diretamente proporcionais ao poderio econômico de algumas nações que são as maiores responsáveis pela crise ambiental, e que tentam ao mesmo tempo impor suas receitas aos países pobres.

Paulo Vinícius, é Cientista Social e Bancário, secretário de Juventude Trabalhadora da CTB e diretor de Imprensa da CTB-DF.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009 

Especial: I Conferência Internacional da Juventude Sindicalista da Federação Sindical Mundial 

terça-feira, 1 de julho de 2025

Sarau do Cebolão – Forró, Cordel e Cangaço🎶📜🔥 Sexta, 4/7, 18h, SBS, Praça do Cebolão





Sarau do Cebolão – Forró, Cordel e Cangaço🎶📜🔥  

📅 Data: sexta, 04/07 | 

🕕 Horário: 18h às 22h  


📍Local: Praça do Cebolão (SBS Quadra 01, em frente ao antigo BB)  

Atrações imperdíveis:

🎵 Cangaceiros do Cerrado – O melhor forró pé de serra!  

🎤 Andréa Aiko & Trio – Voz e musicalidade de encantar.  

📜 Sr. Arnaldo Barbosa – Cordelista lendário, 106 anos de histórias!  

💃 Mary Jane e o boneco Eduardo – Dança e diversão garantidas.  

✒️ Vinícius Borba – Poesia que emociona.  

✨ E ainda:


- Decoração temática  

- Área kids com pula-pula  

- Bebidas e petiscos  

- Evento gratuito! Chegue cedo para garantir lugar.  


Uma realização do Sindicato dos Bancários de Brasília, apoio da CUT e CTB Bancários DF.  


Produção: Helder Cangaceiro  


🔍 Mais info:  


@saraudocebolão | @bancarios.df  

@cangaceirosdocerrado | @andreaaiko  


Simbora, família! 💃🕺🎉 #SarauDoCebolão  


https://www.instagram.com/reel/DLhyR8wuwVF/?igsh=MTM1OHRpMDI1bW50eA==  

Meus artigos na Forum https://revistaforum.com.br/autor/paulo-vinicius-da-silva.html

Meus artigos na Forum

https://revistaforum.com.br/autor/paulo-vinicius-da-silva.html



domingo, 29 de junho de 2025

Sobre Lealdades e Inconfidências - Paulo Vinicius da Silva - Artigos selecionados

Pólo de lazer da Barra do Ceará. Foto de Sílvia Montenegro.


Inconfidentes são heróis apenas no Brasil. Afinal, inconfidente é quem trai uma confidência, ainda que seja um segredo de polichinelo, mesmo que o rei esteja nu.

Tiradentes, quem jamais traiu o Brasil, inocentou a Inconfidência Mineira, e passou à História com o ato supremo de lealdade ao Brasil. Assim, uma "Inconfidência" pode ser fiel, assim como a lealdade pode ser meramente canina. Salve o mensageiro quer dizer ter ouvidos para a mensagem, e não a confundir com o mensageiro. Ser intelectual de classe tem esse compromisso militante e científico, é inegociável. 

Pelo menos desde 2019, apresento minhas opiniões sobre a realidade brasileira, nossos dilemas e a luta para libertar o Brasil com um tom dolorido. Tal discussão foi pública e internamente travada, nesse blog, por inúmeras mensagens, em outros sites, nas redes sociais e internamente, sempre quando possível.

Avalio que perdemos muito mais que a Presidência, em 2018. Perdemos uma geração, a turma do ano 2000, o maior bônus demográfico de nossa história. Nunca tantos foram tão jovens. E as causas  remontam a um cenário que eclodiu em junho de 2013, e reflete a dinâmica da luta de classes no Brasil e no mundo.

De 2013 a 2022, tivemos a mais acachapante série de derrotas, só comparável aos piores anos do Estado Novo e da Ditadura de 1964. 

O Golpe contra a Dilma, que violou o maior diploma, o voto soberano; o maior ataque à CLT, ao direito do trabalho, à Previdência, à organização sindical a venda da Eletrobras, do pré-sal, a dominância privada nas estatais. A desmoralização, a perda das ruas, da juventude, a prisão de Lula, a derrota para Bolsonaro.

Esse foi o desenlace dos nossos acertos e erros desde 2003, quando aceitamos o desafio de governar o Brasil com o Presidente Lula. Nós acumulamos por 10 anos, mas, à medida que o jogo recrudesceu, desacumulamos.  O jogo mudou, muda e mudará. Há grande mérito em ter chegado aqui, mas mais vale o que será.  É aí que divergimos. 

Mudou o quadro mundial. De uma onda vermelha na América Latina, iniciada por Chávez en 1998, a onda progressista quebrou numa ressurgência pútrida do fascismo, em meio da mudança do mapa do mundo em direção aos BRICS e à China. 

A ascensão neofascista ganha corpo com a união de quatro circunstâncias, todas a luzir, ainda que como vela finados do capitalismo. 

São elas: 

1) a convergência de crises que o capitalismo não pode vencer;

2) um novo nível de concentração das finanças o e do imperialismo;

3) uma revolução tecnológica/comunicacional capaz de impor sua ideologia, e dirigir a Classe Trabalhadora contra seus próprios interesses;

4) a iminente alternativa socialista a mudar o mapa do mundo.

É notável a convergência que assegura fôlego - curto, eu acredito - ao irracional, à burrice e à mentira. A História não se repete. Podemos superar o fascismo e abrir novos caminhos à emancipação humana. E o que hoje nos assombra, pode nos fazer florescer, como mostra a China. Não posso apostar na derrota. Sou inimigo da derrota. 

 A contribuição brasileira à humanidade ainda não foi dada, e não será feita de soja, gado, ferro, nem do sangue e do suor de nossos irmãos, escravizados. A minha geração tampouco realizou as manhãs de sol e socialismo. Sigo almejando pela aurora. Vemos os perigos diante do Brasil e da humanidade, que tanto a Palestina representa.

A primavera é inexorável, disse o poeta. Um mundo dominado por menos de 1%, a deter mais riqueza que os 99% restantes não se sustenta, nem é sustentável. Nosso papel é de transição para que a nova geração traga a sua própria contribuição. Nossa oportunidade é passar o bastão com as lições e os sonhos, e não os erros e a burocracia. 

É Oxotocanxoxô. A expressão Iorubá fala da missão quase impossível, e de Oxossi saber usar com maestria a única chance do caçador de uma flecha só. Temos ainda uma chance, por isso Lula voltou. Não é a tarefa apenas do líder, de um partido, precisamos de mais união para salvar o Brasil das perigosas tensões que o ameaçam.

Uma revolução tecnológica, a mudança do eixo do mundo, a ascensão dos BRICS, e nós na fita. Nem remotamente está dado o resultado, ou sequer penso que esteja favorável. Mas sempre acreditei na consciência avançada e no papel da verdade na mudança da realidade, para o bem e para o mal. Acredito sobretudo na política, que se reveste de duas faces: a linha justa e a prática justa, que reconhecemos nos camaradas e na vida. Pasmem: a linha justa une e dá certo! É possível!

Lealdade tem a ver com algumas as coisas, ser leal à linha e à classe, ao Brasil, à humanidade. Lealdade pessoal e espírito sectário são o que há de mais atrasado em política. Crítica e autocrítica é coisa de comunista. É “mágico” o encontro do camarada. Entendedores entenderão. A gente concordar sem se conhecer, agir com o melhor, e jamais desistir são gestos de amor que cintilam em meio ao oportunismo e à burrice. 

Diz Celino Bezerra: onde há dois comunistas, não há dois partidos. É verdade. 

Sempre encontrei camaradas em outras organizações: os e as melhores onde estavam. Gentes boas, bem intencionada, lutadoras, a gente se reconhece. Essa é a vanguarda ainda dispersa, e tanto mais comunista será quem possa aportar para a união dessa parcela que dá a vida pela democracia, pelo Brasil, pelos direitos do povo, pelo Socialismo Brasileiro. 

E acredito em círculos concêntricos de unidade, até a Frente Popular. É essa unidade popular quem poderá dirigir uma Frente Ampla de todos os brasileiros, pois a Frente Ampla é necessária. O Plebiscito Popular é uma bela iniciativa! 

Cheio de esperanças com o nosso povo brasileiro e com o Presidente Lula, mantenho minhas opiniões e ampliarei minha formulação e praxis, no curso do 16° Congresso do PCdoB e da luta pela vitória do Brasil com Lula em 2026. 

Vejam aqui alguns artigos, antes de propriamente escrever â Tribuna de Debates:

Os objetivos de luta da Juventude Sindicalista (2009) - Contribuição da CTB-Brasil à Conferência Internacional da Juventude Sindicalista da Federação Sindical Mundial. Lima, Peru, 20 de novembro 2009.


Mudanças no Brasil, no mercado de trabalho e na juventude - 4º Encontro Sindical do PCdoB - 2011 Paulo Vinícius Santos da Silva


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Para a Tribuna de Debates do 13° Congresso do PCdoB - Harmonizar luta de ideias, de massa e eleitoral-institucional no PCdoB de hoje - Paulo Vinícius Silva


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Para a Tribuna de Debates do 13° Congresso do PCdoB - Harmonizar luta de ideias, de massa e eleitoral-institucional no PCdoB de hoje - Paulo Vinícius Silva - Parte 2


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O PCdoB, a juventude e a Classe Trabalhadora - I - Paulo Vinícius Silva - Tribuna de Debates do 14º Congresso do PCdoB 


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O PCdoB, a Juventude e a Classe Trabalhadora – II - Paulo Vinícius Silva - Tribuna de Debates do 14º Congresso do PCdoB


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O PCdoB, a Juventude e a Classe Trabalhadora – III - Paulo Vinícius Silva - Tribuna de Debates do 14º Congresso do PCdoB


terça-feira, 16 de março de 2021

O tripé torto e as nossas desventuras - Paulo Vinícius da Silva


quinta-feira, 12 de março de 2020

Nada a perder, um mundo a ganhar! - Paulo Vinícius da Silva


sexta-feira, 30 de julho de 2021

Frente Ampla e Unidade Popular - Paulo Vinícius da Silva


sábado, 4 de dezembro de 2021

Frente Ampla e Unidade Popular? Paulo Vinícius da Silva


quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Frente Ampla e Unidade Popular! Paulo Vinícius da Silva


domingo, 4 de junho de 2023

Coração duro de faraó - Paulo Vinícius da Silva



sábado, 16 de novembro de 2024

Unir a juventude e a classe trabalhadora pela Redução da Jornada e pela Valorização do Trabalho - Paulo Vinícius da Silva

sexta-feira, 27 de junho de 2025

TÁ NO AR🗳 O site do Plebiscito Popular

 


Vamos perguntar ao povo brasileiro:


1) E a redução da jornada de  trabalho? E a escala 6x1?

 2) Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5 mil? 

3)Os super-ricos vão continuar sem pagar imposto?

📲 Conheça a página, divulgue, participe, vote! 


http://plebiscitopopular.org.br

terça-feira, 3 de junho de 2025

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Lágrima de urubu?! Não tenho pena, não! Paulo Vinícius da Silva



A 270ª reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária) ocorrerá nos dias 6 e 7 de maio de 2025 e definirá a taxa de juros SELIC, acreditem, no patamar de 14,25%,  com viés de alta! 

 "O Comitê segue avaliando que o cenário-base prospectivo envolve uma desaceleração da atividade econômica, a qual é parte do processo de transmissão de política monetária e elemento necessário para a convergência da inflação à meta." (Ata da 269° Reunião do COPOM.)

Observe: "o cenário-base prospectivo envolve uma desaceleração da atividade econômica, a qual é parte do processo de transmissão de política monetária e elemento necessário para a convergência da inflação à meta." 

Ou seja: o cenário permite ver a desaceleração da atividade econômica, que desacelera graças aos juros da política monetária. E explica: reduzir a atividade econômica é elemento necessário para a  inflação entrar na meta.

Então, é assim:

- O COPOM atende ao mercado, em defesa do desemprego, por um crescimento menor e contra os salários. Isso não é "Independência", isso é sabotagem descarada.      

- O Congresso pega o dinheiro do governo Lula e não permite que ele execute, sendo o Poder Executivo;  -  As estatais seguem sob a cartilha neoliberal, sob as mais diversas pressões, de acionistas privados, de interesses privados, sob duro escrutínio para não cumprirem seu papel fundamental de impulsionar o desenvolvimento e a industrialização do Brasil;

 - A Imprensa é o primeiro nível de fake news contra o governo. Os grandes veículos de Imprensa, no geral, são parte de conglomerados econômicos no Brasil e no exterior, primeiros interessados nos JUROS ALTOS, pois a mesma taxa Selic que remunera o investimento dos mais ricos é a taxa que impactará nos juros cobrados, o custo do crédito, que onera os mais pobres. Por isso, o grande êxito do Real e do capitalismo financeiro, rentista parasitário brasileiro é esse: eles lucram com renda, e nós, trabalhamos.

Estamos sob guerra híbrida , que no campo comunicacional funciona a la gabinete do ódio. As plataformas digitais ocidentais são dos 1% mais ricos, então eles lêem o que quiserem sobre nós. Funcionamos dentro da rede "deles". Nenhum estado pode ser soberano hoje sem ter sua própria soberania digital. Não definimos as curtidas, eles definem. E ainda há um terceiro nível, que é o das milícias digitais, sempre associadas a interesses estrangeiros, a exemplo dos Bolsonaro.

- O "mercado" empareda o governo explícitamente para que não distribua renda, não gere empregos, não diminua a desigualdade, não dê os direitos aos trabalhadores, não se reduza a jornada. E o mercado é pouca gente, mesmo. E tá "dominado, tá tudo dominado" de tal modo, que esses possíveis consultáveis do Boletim Focus, tornam isso "ortodoxia", "responsabilidade fiscal". E até o Galípolo aplica. O consenso econômico é de extrema direita antes do seu despontar, em junho de 2013. O fascismo é função do imperialismo e da concentração de capital, da desigualdade. Eles não precisam mais da democracia, eles querem o Coringa na Presidência. É grana. É por isso que o COPOM tem a pachorra de dizer que seu papel na luta contra a inflação é jogar água fria na economia, diminuir o surgimento de empregos, não crescer o salário, e assim eles soam como a música de Baiano e os Novos Caetanos (Chico Anísio e Arnaud Rodrigues):

"Urubu tá com raiva do boi

E eu já sei que ele tem razão

É que o urubu tá querendo comer

Mas o boi não quer morrer

Não tem alimentação

O mosquito é engolido pelo sapo

O sapo a cobra lhe devora

Mas o urubu não pode devorar o boi

Todo dia chora, todo dia chora".

Claro que essa elite financeira odeia o Lula. Odeia-nos a todos que trabalhamos, produzimos, fazemos o Brasil. Eles parasitam a economia real e têm lucros imorais que vêm do trabalho e do endividamento do povo. Não podia jamais o COPOM virar um ente que em plena luz do dia, pudesse dizer impunemente que a saída é tirar dos pobres, dar mais aos ricos, essa agenda de horror e morte que eles querem eterna. Precisamos nos insurgir contra esse novo regime colonial de escravização do povo brasileiro. A agenda do Primeiro de Maio ilumina o caminho a seguir: 

- Redução da jornada, sem redução salarial;

– Fim da carestia;

– Isenção do IR até R$ 5 mil;

– Menos juros, mais empregos;

– Igualdade salarial entre homens e mulheres (lei 14.111).

É preciso ampliar a unidade no campo popular para assegurar a Frente Ampla. Sem a luta do povo, os obstáculos são intransponíveis para qualquer governo. O neoliberalismo é a própria forma do capitalismo nessa época. Precisamos de ambas: a unidade ampla de todas as forças sociais que apoiam o governo - sem ilusões -  e a mobilização das forças populares em defesa de uma agenda econômica de desenvolvimento, soberania, democracia e emprego, salário, uma vida melhor para todos. 

Lágrimas de urubus não devem nos comover. Muito bem ensina A Internacional: 

"Abomináveis na grandeza/ 

Os reis da mina e da fornalha / 

edificaram a riqueza / sobre o suor de quem trabalha. // 

Todo o produto de quem sua/ 

a corja rica o recolheu / 

querendo que ela o restitua/ quer só o que é seu. 

Menos Juros, Mais Empregos! Classe Trabalhadora, vamos nos unir!

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Soneto da volta - Paulo Vinícius da Silva

Volto pr’onde está minha força

Volto pr’onde quero a vida

Se me quer bem, por mim torça.

Se não me quer, melhor ainda!


Perto do mar foram me achar e

Volto, decerto pabo e fagueiro,

Aos braços mansos de Iemanjá

De Iracema e Soares Moreno.


Cearense viajor, quer um dia voltar

à comida, o sabor, as belezas, o amar.

Confesso, aqui deixo muito de mim


Meu pranto, inda não terá fim.

Mas, perto do mar, sob sol e lua

A luta, esteja certo, continua.



quarta-feira, 9 de abril de 2025

Roberto dos Santos lança 2° livro de poesia Quinta, 10/4, no BaoBar, em Brasília


O professor Dr., Sociólogo e dirigente sindical Classista, Roberto dos Santos lança seu segundo livro de poesia em Brasília, o Homo Liricus, pela editora Trevo, quinta-feira, 10/4/25, às 19h, no Baobar, sito à CLN 411 Norte Bloco B.


O livro custa R$ 40 e pode ser adquirido pelo pix:

  robertosdasilva@gmail.com 

 (indicar nome para autógrafo do autor).

O livro é prefaciado pelo Prof. Anderson Batista (Batistão), que foi editor e presidiu a Câmara do Livro no DF e a capa do livro é reprodução de pintura do artista cearense (e veterano nosso da Viração /UJS), Carlos Décimo, também um cearense viajor radicado no Planalto Central. 

Homo Liricus sucede o primeiro livro, o bem feito e pungente Nomear é preencher o vazio.

Roberto dos Santos apenas começa sua trajetória poética pública, e já mostra refinamento, força e o desprezo pela futilidade. Alguns trechos dos poemas já preambulam uma jornada de fôlego, forma e lirismo:


carregando

nas mãos flagelos, espelhos retorcidos e sementes mor -tas

e não tenho como sair do

sonho que todos os meus despertares teceram

do poema E O QUE É O MUNDO


vejo minha sombra

sozinha a caminhar

ao longe

a ver

a fantasmagórica marcha das homs invisíveis

do poema TELÚRICO 


Falta que se faz presente

escalas de dor em camadas

é triste e não se sabe

amarga, queima

adormece e não acalma

do poema SAUDADE


O véu do mundo vai se descortinando

Cada queda é um passo

para se pôr em pé

toda a promessa de uma vida


do poema CRIANÇA



quinta-feira, 3 de abril de 2025

Brasília recebe o filme Doutor Araguaia, no Liberty, dia 8/4, 20h, GRATUITO


João Carlos Haas Sobrinho (Juca)
Médico do povo e Guerrilheiro do Araguaia

No próximo dia 08 de abril de 2025, às 20h, no Cinema Cultura do Liberty Mall, teremos a exibição GRATUITA do DOUTOR ARAGUAIA.

O documentário é um convite à reflexão sobre a luta pela democracia e os horrores da ditadura militar no Brasil.

A produção retrata a trajetória de João Carlos Haas Sobrinho, jovem médico gaúcho que, movido pelo compromisso com a justiça social, uniu-se ao PCdoB e às Forças Guerrilheiras do Araguaia. Como profissional de saúde, prestou atendimento a camponeses das regiões de Porto Franco (MA) e Xambioá (TO), tornando-se uma figura admirada pela população local. Perseguido pelo regime militar, foi assassinado pelo Exército em setembro de 1972. Até hoje, seus restos mortais nunca foram entregues à família.

Dirigido por Edson Cabral e com roteiro de Sônia Haas, irmã do protagonista, o documentário é uma realização independente da TG Economia Criativa, com gravações em diversos estados do país e depoimentos de ex-guerrilheiros, camponeses, amigos e estudiosos. 

São 90 minutos de narrativa intensa, com cinco músicas inéditas e cerca de 50 entrevistas, costurando o legado de um homem que dedicou sua vida à causa do povo.



Entrada Gratuita mediante Sympla.

https://www.sympla.com.br/evento/exibicao-do-documentario-doutor-araguaia--a-historia-de-joao-carlos-haas-sobrinho/2885538


Fundação Maurício Grabois :: João Carlos Haas Sobrinho: homenagens ao médico guerrilheiro 

segunda-feira, 31 de março de 2025

Aquele 1º de abril, eu vivi - Trajano Jardim - Dirigente cetebista no SINPROEP - Nosso decano


 O artigo abaixo foi escrito vice-presidente do Sinproep-DF, Trajano Jardim, integrante da Comissão da Verdade dos Trabalhadores em Educação do Setor Privado de Ensino, instaurada pela Contee. É um testemunho vivo do que aconteceu há 61 anos. O golpe de 1º de abril de 1964, não pode jamais se repetir.

Trajano Jardim*

Alberto Broch, Chaparral, Victor Frota (CTB DF) e Trajano Jardim que do nosso lado enfrentou o negacionismo e o Bolsonarismo

Nos dias que antecederam o 1º de abril (de 1964), a agitação deixava todos dirigentes sindicais e políticos tensos. O comício da Central do Brasil, de 13 de março, criara um misto de confiança e ao mesmo tempo de preocupação sobre que rumo o País tomaria. Cada setor da sociedade tinha uma avaliação particular de qual seria o caminho. A imprensa corporativa, como sempre, semeavam provocações e boatos sacudiam os noticiários dos jornais, do rádio e da televisão, que nessa época ainda engatinhava.  O Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), de há muito, vinha se reunindo com regularidade, com o objetivo de avaliar a situação e organizar a resistência ao golpe que, na opinião de vários diigentes, “estava em marcha”.

Na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), a maior organização laboral da América Latina, o entra e sai era constante. A cada minuto chegava nova informação sobre a situação. Os dirigentes do CGT, o portuário Osvaldo Pacheco, os tecelões Clodesmidt Riani, e Hércules Correia, o marceneiro Roberto Morena, o metalúrgico Benedito Cerqueira e o ferroviário e deputado federal Batistinha, estavam em contato permanente com o comitê de crise formado pelos partidos políticos e pela Frente Parlamentares Nacionalistas e representantes do governo, com o objetivo de se informar sobre o andamento da crise.

Em vista do agravamento da situação, o CGT convocou uma reunião de emergência no dia 29 de março, para avaliar a correlação de forças em relação aos setores golpistas, na Guanabara liderados pelo governador Carlos Lacerda, que no dia 19 liderara a “Marcha com Deus pela Família” e se articulavam para derrubar o presidente João Goulart e instituir uma ditadura no País. Participei dessa reunião como representante dos gráficos do então Estado da Guanabara. Naquela reunião foi discutida a proposta do deputado Leonel Brizola, - líder da Rede da Legalidade em 196 - de implantação do Estado de Sítio pelo governo João Goulart. A maioria das principais lideranças das forças democráticas e progressistas se posicionou contra tal proposta, endossando a argumentação do líder do PCB, Luis Carlos Prestes, de que “historicamente o Estado de Sítio sempre foi contra a classe trabalhadora”.

O Comando Geral dos Trabalhadores, na reunião da noite de 30 de março, avaliou que o golpe era iminente. Assim, foi aprovada a deflagração da Greve Geral Nacional no dia 1º de abril. Na nota dirigida à Nação, o CGT afirmava que “só a resistência dos trabalhadores nas ruas poderia barrar o golpe”. Afinal, só na Guanabara o movimento sindical tinha conseguido mobilizar mais de 100 mil pessoas no comício de 13 de março.

O trabalho de mobilização foi intenso. O transporte de massa, que naquela época era feito pelos trens da Central do Brasil e da Leopoldina. No dia 1º foram totalmente paralisados. A Rádio Nacional foi ocupada pelos funcionários liderados PE ló radialista Emilson Froes, presidente do sindicato. A rádio abriu espaço para os dirigentes sindicais convocarem os trabalhadores de suas categorias a apoiar à greve geral. Fui indicado pela diretoria do Sindicato dos Gráficos para conclamar os trabalhadores gráficos ao movimento grevista.

Deixei a rádio com alguns companheiros e quando chegamos ao Sindicato soubemos que a polícia e o exército haviam ocupado a Rádio Nacional e prendido os radialistas e funcionários que estavam no comando da emissora e que o presidente Jango tinha embarcado para Brasília, com o objetivo de organizar a resistência ao golpe.

Ficamos de vigília no Sindicato esperando alguma orientação para lutar contra o golpe. Corriam boatos de que o almirante Aragão comandante do Corpo de Fuzileiros Navais iria organizar grupos de voluntários. O local de encontro seria na Cinelândia. Nós, os militantes comunistas, vimos que a situação estava sob o controle do exército e da polícia. Algumas dezenas de pessoas se manifestavam com palavras de ordem de “fora Lacerda”, “viva Jango”. Sabia-se que o prédio da UNE fora incendiado pelo “Comando de Caça aos Comunistas” e que em Brasília os militares favoráveis ao golpe de Estado tinham pretensões de prender o presidente Jango e este, por segurança, embarcara para o Rio Grande do Sul. Nossas esperanças se esvaíram com a fina chuva daquela fatídica quarta-feira.

A movimentação de carros da polícia era intensa. Naquele momento éramos cinco, talvez seis gráficos militantes comunistas, desnorteados em pleno centro da cidade do Rio de Janeiro. Um deles, Francisco Nunes, que era secretário da base dos gráficos do PCB, o “Velho Partidão” morava na Piedade, um bairro de classe média, distante 30 km do centro do Rio.

Começamos a caminhar pela Avenida Rio Branco vagarosamente fazendo as nossas conjecturas do que seria o dia seguinte. Como não tínhamos informações do desfecho daquela situação, a nossa expectativa era de que o esquema militar do Jango funcionaria a partir do Rio Grande do Sul, onde o comandante do Exército general Ladário Teles, era fiel a João Goulart. Essa nossa esperança esvaiu-se. Nos dias que se seguiram mostrou-se que não passava de vã esperança. Jango não aceitou o enfrentamento. Hoje temos conhecimento que fora aconselhado pelo ministro das Relações Exteriores Santiago Dantas, a não tomar este caminho, tendo em vista que o governo estadunidense havia postado a Quarta Frota no litoral brasileiro em apoio ao golpe. Caminhávamos sob a fina chuva há algumas horas. Não havíamos nos alimentado por todo o dia e não sentíamos fome nem sede. Francisco Nunes instintivamente seguia rumo a Piedade.

Analisando a situação de cada um de nós do grupo, concluímos que o mais visado era eu. Por este motivo não deveria ir para minha casa naquela noite. O Nunes aconselhou-me ir com ele para a sua. Todos aceitaram a ideia. Os demais companheiros tomaram seu rumo e eu segui com o camarada Francisco Nunes. Chegamos à piedade por volta das 10,30 horas. Tínhamos saído da Cinelândia às 15 horas. Caminhamos 7 horas e meia e estávamos molhados até os ossos.

A nossa preocupação maior era saber das notícias pela televisão, que naquela época era em preto e branco. Na telinha, ainda oval, aparecia o governador da Guanabara, Carlos Lacerda, (um dos líderes da UDN, partido que era o esteio civil do movimento golpista), com uma metralhadora em cima da bancada. Ele se apresentava como o grande responsável de ter livrado o Brasil de ser dominado pelos comunistas. Para nossa decepção, os noticiários davam conta de que o Congresso, sob a presidência do senador Auro Moura Andarade, embora o presidente constitucionalmente eleito estivesse ainda em território nacional, considerou vaga a presidência da República, destituindo de forma ilegal o mandatário do País e colocado na presidência o deputado Ranieri Mazili.

Naquela noite, por motivos óbvios, não pregamos os olhos. As emissoras eram poucas. TV Tupi, Rio, Excelsior e as rádios.  Ficamos freneticamente girando os botões da televisão e do rádio, em busca de notícias que pudessem nos dar algum alento. Para nossa decepção, tanto nas TVs quanto nas rádios davam conta de que estávamos sendo derrotados. O golpe se consolidava. Algumas lideranças sindicais já apareciam como procuradas. Principalmente os dirigentes do Comando Geral dos Trabalhadores. O dia amanheceu. E só aí a “ficha caiu”. E agora, o que fazer? (voltávamos a Lênin, na derrota de 1905 na Rússia).

Naquela época a comunicação não tinha as facilidades de hoje. Os contatos eram interpessoais e institucionais. Francisco Nunes e eu resolvemos ir até o centro da cidade – agora de condução – ver como estava a situação do Sindicato. No prédio onde funcionava a sede fizemos contato com o Fabrício, que era o nosso companheiro que administrava a entidade. Ele nos colocou a par da situação e disse que só havia feito contato com Walter Torres, diretor-tesoureiro do Sindicato.

Walter Torres era de família religiosa e conservadora, mas era um companheiro leal e solidário. Com o golpe militar nossas relações estreitaram-se de forma muito forte. Ele sabia que, pelas minhas atividades políticas partidárias, a qualquer momento eu poderia ser preso e ele, junto comigo, por certo, iria ter complicações. Mas Torres resolveu enfrentar e nós garantimos a continuidade do Sindicato dos Gráficos, enquanto todos os demais diretores desapareceram.

Torres tinha um parente que era o pároco da Igreja Nossa Senhora da Lampadosa, na Avenida Passos, 15, perto da Praça Tiradentes, próximo ao Sindicato. Por três meses fizemos da igreja o nosso local de funcionamento do sindicato. Ajudávamos a fazer velas e outros trabalhos na igreja. A polícia ocupou o Sindicato por cinco dias, Revirou tudo. Perguntou aos funcionários pelos diretores e levaram uma bandeira da CGT argentina que viram pendurada na parede.

A poeira baixou e retornamos ao Sindicato. Eu voltei para a empresa onde trabalhava desde 1959. Em 1966, a com a repressão cada vez mais intensa e com inclusão do meu nome no IPM da imprensa, fui demitido por razões óbvias, embora a empresa tenha me pago todos os direitos. A partir daquele instante concluí que a minha vida iria virar “de ponta a cabeça”.

Não queria acreditar nas previsões do velho Erasmo, camarada que me filiou ao Partidão, quando dizia “esse é um golpe para 20 anos”. Infelizmente ele acertou em cheio. Foram 20 anos, dos quais sete eu vivi na clandestinidade  e por quase dois exilado na saudosa União Soviética.

Hoje fui reconhecido como “perseguido político” e recebi as “desculpas do Estado brasileiro”. Um sofisma que jamais trará de volta milhares de militantes mortos, alguns fraternos camaradas, como Itaí Veloso, (considerado meu querido irmão pela nossa semelhança física), João Macena Melo, e muitos outros, que sofreram torturas físicas e psicológicas, perderam aa sua vidas, por terem como crime a esperança de construir uma sociedade justa, fraterna e igualitária.

Deixaram pela estrada da vida seus sonhos, interrompidos pela violência absurda e cruel, que esperamos ver reparada de fato, sem sofismas. Com a condenação dos criminosos torturadores. Embora, sessenta anos depois, presenciemos cenas como a de oito de janeiro de 2023.

Aquele 1º de abril, eu vivi e sobrevivi.

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*Trajano Jardim é jornalista profissional, militante comunista há 65 anos. Atualmente filiado ao PCdoB-DF. É diretor do Sinproep-DF e integrante da Comissão da Verdade dos Trabalhadores em Educação do Setor Privado de Ensino, instaurada pela Contee.



terça-feira, 25 de março de 2025

Onde houver dois comunistas, não haverá dois partidos! Celino Bezerra


Os comunistas do Brasil nesta data efêmera de hoje completam 103 anos! Várias siglas reivindicam sua tradição, seus princípios e seu legado. No mar de um século o Partido Comunista do Brasil foi fundado em 25 de março de 1922, na cidade de Niterói, Guanabara, então.

Um fato marcante para história política do pais, fincou sua base e de lá pra cá, construiu um corpo ideológico, uma metodologia e filosofia de mundo; diferente da estrutura do estado burguês e liberal.

Durante esse século a classe operária se organizou por esta orientação e resistiu a vários golpes no trem da história, sob a ditadura Vargas; o revisionismo que criou o PCB - Partido Comunista Brasileiro; a ditadura militar por 20 anos; a resistência armada do Araguaia; as fragmentações de siglas, confundindo o povo e a classe operária, absorvendo acriticamente a luta dos direitos civis estadunidenses em sua orientação esquerdista identitária.

Novos desafios se apresentam para os comunistas do Brasil, o primeiro deles é o refluxo da esquerda, o avanço do fascismo e a luta por um pais desenvolvimentista sob uma frente ampla.

Poucas siglas que se intitulam compreendem esta tática, estao sob o fogo doentio do esquerdismo identitário, tentam isolar os trabalhadores de sua missão, por interesses mesquinhos de disputas de militancia e versões "marxistas".

Esse é o quadro que os comunistas do Brasil tem a enfrentar, buscando a unidade na luta, fortalecendo a frente ampla, a luta antiimperialista e chamando o povo para puxar o governo Lula - em disputa - para o lado de cá.

Mas para essa engenharia, o caminho não é se fundir e nem se confundir; é crescer com o povo, porque nossas idéias são povo, o valor do trabalho; os comunistas do Brasil continuam na encruzilhada histórica, a essência não se confunde, se une!


Viva o PCdoB!


Nas ruas, nas praças; da luta não fugiu!

E viva o Partido Comunista do Brasil!


Celino Bezerra 

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