Policial chuta parte do tapete devocional da Semana Santa dedicado à Marielle pic.twitter.com/X0tcGW3G8l— Marina Miyazaki A. (@MarinaMiyazaki) 21 de abril de 2019
segunda-feira, 22 de abril de 2019
Policial chuta parte do tapete devocional da Semana Santa dedicado à Marielle
Por que Bolsonaro ataca Mourão e os militares? Leonardo Atuch - Portal 247
Por que Bolsonaro ataca Mourão e os militares?:
Confira também:
21 de Abril de 2019

A notícia mais importante deste domingo de Páscoa foi publicada pelo colunista Lauro Jardim, no Globo, que recebeu áudios em que o presidente Jair Bolsonaro incentiva seus aliados a atacar o vice-presidente Hamilton Mourão (saiba mais aqui). Já parecia óbvio e ululante, como diria Nelson Rodrigues, que os ataques do "guru" Olavo de Carvalho ao vice e também a outros militares não ocorriam sem o aval de Bolsonaro. No entanto, os áudios agora fornecem uma prova material de que o presidente conspira contra seu vice – o que, de certa forma, contraria a lógica. "Normal", na tradição brasileira, é que vices conspirem contra seus chefes e o exemplo maior de traição na nossa história foi recentemente protagonizado por Michel Temer. Bolsonaro, no entanto, subverte a lógica.
Se não bastassem os ataques do "guru" da Virgínia, Bolsonaro também incentivou o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) a pedir o impeachment de Mourão. Ao decidir não puni-lo pela iniciativa, Bolsonaro também deixou claro que aprova suas ações. Não por acaso, o "pastor" Feliciano aproveitou o sábado de Aleluia para malhar seu Judas particular e foi ao twitter para rotular Mourão como "traidor" (saiba mais aqui).
Há, no entanto, alguma evidência de que Mourão esteja mesmo traindo Bolsonaro? Até agora, não. O que existe, objetivamente, é uma tentativa da ala militar do governo de conter movimentos de Bolsonaro que representam uma traição à pátria. Sim, porque embora diga "Brasil acima de tudo", Bolsonaro bate continência para a bandeira dos Estados Unidos e tenta promover uma política de ataque aos interesses nacionais. Mais do que isso, ele próprio já declarou que chegou para destruir – e não para construir absolutamente nada.
Se dependesse unicamente de Bolsonaro, o Brasil já teria se metido em diversas enrascadas, que atenderiam apenas aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos e de Israel. Nosso chanceler trumpista Ernesto Araújo chegou a oferecer um corredor de passagem para tropas estadunidentes, numa eventual guerra contra a Venezuela. Graças a uma viagem de Mourão à Colômbia, no entanto, o risco de guerra no continente foi afastado. Foram também os militares que impediram a insanidade da transferência da embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém. A solução salomônica encontrada – de um escritório de negócios – foi ruim, mas menos grave do que a transferência da embaixada em si. E foi também Mourão quem fez movimentos de aproximação com países árabes e com a China, que vêm sendo alvo de ataques pela política externa de Araújo – um chanceler que segue a cartilha de Washington.
O que Feliciano classifica como traição, portanto, é a defesa dos interesses econômicos da burguesia nacional, assunto que certamente passa longe das preocupações da bancada evangélica, que mobiliza fiéis pelo Brasil com a promessa de que Jesus Cristo retornará quando o povo de Israel se converter ao cristianismo – uma das maiores fake news já propagadas. Aliás, no que depender dos israelenses, onde o cristianismo é uma religião inexpressiva, Jesus Cristo jamais retornará.
Na sua guerra contra os militares de alta patente, Bolsonaro utiliza diversos instrumentos. De um lado, reforça sua associação com o baixo oficialato. Notícia publicada neste domingo pela Folha de S. Paulo indica que o Brasil ampliou gastos com pessoal militar, mas reduziu investimentos em defesa – ou seja, mais salários e menos proteção (leia mais aqui). Por outro lado, o "guru" Olavo, que já atacou tanto Mourão como o general Santos Cruz, diz que os militares devem se contentar com os cargos que receberam na máquina pública. A mensagem é clara: não ousem querem impedir o processo de entrega do Brasil aos Estados Unidos. Em paralelo, os filhos de Bolsonaro também mobilizam suas redes sociais contra os "traidores" de farda.
Há, portanto, uma guerra não declarada em Brasília entre o bolsonarismo e as Forças Armadas. Os generais imaginavam que conseguiriam cavalgar Bolsonaro, mas o presidente reage. Ocorre que nenhuma de suas ações terá êxito se ele não conseguir entregar o essencial: empregos, crescimento econômico e paz social. E até agora nada indica que a política econômica de Paulo Guedes e a política externa de Ernesto Araújo tenham qualquer capacidade de fazer o Brasil voltar a crescer. Ou seja: por mais que conspire contra seu vice, Bolsonaro será fatalmente inviabilizado se não conseguir apresentar respostas concretas aos problemas da população que o elegeu.
Unir o Brasil e rejeitar as provocações do Desgoverno Bolsonaro - Paulo Vinícius Silva
21 de Abril de 2019

A notícia mais importante deste domingo de Páscoa foi publicada pelo colunista Lauro Jardim, no Globo, que recebeu áudios em que o presidente Jair Bolsonaro incentiva seus aliados a atacar o vice-presidente Hamilton Mourão (saiba mais aqui). Já parecia óbvio e ululante, como diria Nelson Rodrigues, que os ataques do "guru" Olavo de Carvalho ao vice e também a outros militares não ocorriam sem o aval de Bolsonaro. No entanto, os áudios agora fornecem uma prova material de que o presidente conspira contra seu vice – o que, de certa forma, contraria a lógica. "Normal", na tradição brasileira, é que vices conspirem contra seus chefes e o exemplo maior de traição na nossa história foi recentemente protagonizado por Michel Temer. Bolsonaro, no entanto, subverte a lógica.
Se não bastassem os ataques do "guru" da Virgínia, Bolsonaro também incentivou o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) a pedir o impeachment de Mourão. Ao decidir não puni-lo pela iniciativa, Bolsonaro também deixou claro que aprova suas ações. Não por acaso, o "pastor" Feliciano aproveitou o sábado de Aleluia para malhar seu Judas particular e foi ao twitter para rotular Mourão como "traidor" (saiba mais aqui).
Há, no entanto, alguma evidência de que Mourão esteja mesmo traindo Bolsonaro? Até agora, não. O que existe, objetivamente, é uma tentativa da ala militar do governo de conter movimentos de Bolsonaro que representam uma traição à pátria. Sim, porque embora diga "Brasil acima de tudo", Bolsonaro bate continência para a bandeira dos Estados Unidos e tenta promover uma política de ataque aos interesses nacionais. Mais do que isso, ele próprio já declarou que chegou para destruir – e não para construir absolutamente nada.
Se dependesse unicamente de Bolsonaro, o Brasil já teria se metido em diversas enrascadas, que atenderiam apenas aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos e de Israel. Nosso chanceler trumpista Ernesto Araújo chegou a oferecer um corredor de passagem para tropas estadunidentes, numa eventual guerra contra a Venezuela. Graças a uma viagem de Mourão à Colômbia, no entanto, o risco de guerra no continente foi afastado. Foram também os militares que impediram a insanidade da transferência da embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém. A solução salomônica encontrada – de um escritório de negócios – foi ruim, mas menos grave do que a transferência da embaixada em si. E foi também Mourão quem fez movimentos de aproximação com países árabes e com a China, que vêm sendo alvo de ataques pela política externa de Araújo – um chanceler que segue a cartilha de Washington.
O que Feliciano classifica como traição, portanto, é a defesa dos interesses econômicos da burguesia nacional, assunto que certamente passa longe das preocupações da bancada evangélica, que mobiliza fiéis pelo Brasil com a promessa de que Jesus Cristo retornará quando o povo de Israel se converter ao cristianismo – uma das maiores fake news já propagadas. Aliás, no que depender dos israelenses, onde o cristianismo é uma religião inexpressiva, Jesus Cristo jamais retornará.
Na sua guerra contra os militares de alta patente, Bolsonaro utiliza diversos instrumentos. De um lado, reforça sua associação com o baixo oficialato. Notícia publicada neste domingo pela Folha de S. Paulo indica que o Brasil ampliou gastos com pessoal militar, mas reduziu investimentos em defesa – ou seja, mais salários e menos proteção (leia mais aqui). Por outro lado, o "guru" Olavo, que já atacou tanto Mourão como o general Santos Cruz, diz que os militares devem se contentar com os cargos que receberam na máquina pública. A mensagem é clara: não ousem querem impedir o processo de entrega do Brasil aos Estados Unidos. Em paralelo, os filhos de Bolsonaro também mobilizam suas redes sociais contra os "traidores" de farda.
Há, portanto, uma guerra não declarada em Brasília entre o bolsonarismo e as Forças Armadas. Os generais imaginavam que conseguiriam cavalgar Bolsonaro, mas o presidente reage. Ocorre que nenhuma de suas ações terá êxito se ele não conseguir entregar o essencial: empregos, crescimento econômico e paz social. E até agora nada indica que a política econômica de Paulo Guedes e a política externa de Ernesto Araújo tenham qualquer capacidade de fazer o Brasil voltar a crescer. Ou seja: por mais que conspire contra seu vice, Bolsonaro será fatalmente inviabilizado se não conseguir apresentar respostas concretas aos problemas da população que o elegeu.
domingo, 21 de abril de 2019
A Organização do Partido entre os Trabalhadores - 4° Encontro Sindical Nacional do PCdoB - 2011
O principal elo do Partido com as massas trabalhadoras deve ser os sindicatos. Por intermédio delesa política e a organização do Partido podem evoluir crescentemente. Duas questões essenciais servem de premissa para o debate a respeito da organização do Partido entre os trabalhadores:
1. A centralidade do trabalho; e
2. que a classe trabalhadora deva ser a força social mais avançada e numerosa na luta contra o capitalismo e pela edificação do socialismo. Essa realidade coloca no topo da agenda do Partido
a necessidade de avançar em sua organização entre os trabalhadores.
O Programa Socialista do PCdoB destaca a luta por um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento (NPND). Acumular forças para conquistar a hegemonia na sociedade ocorre, fundamentalmente, em três áreas: na luta político-eleitoral, na luta de ideias e na luta social. Neste último aspecto,
os sindicatos são a principal e mais importante organização de massas dos trabalhadores. O crescimento dos comunistas na frente sindical é uma âncora essencial para elevar a influência do Partido entre os trabalhadores. O aprimoramento da ação sindical do PCdoB, por isso, deve ser tarefa prioritária. Como em outras áreas, também na frente sindical o Partido enfrenta problemas, dentro de um quadro geral de avanços. O êxito mais importante dos comunistas nos últimos anos foi, sem
dúvida alguma, a fundação da CTB e sua afirmação no cenário sindical brasileiro. Com a CTB, o sindicalismo brasileiro passou a contar com uma importante ferramenta paraconstruir sua unidade e difundir uma concepção classista. Os comunistas estão presentes em mais de 500 entidades sindicais em todos os níveis e em todos os estados do Brasil. A singularidade do atual período é o ingresso no Partido de importantes lideranças sindicais vinculadas a outras centrais sindicais – fato que pode contribuir para o avanço das nossas concepções classistas e para a unidade do movimento sindical brasileiro.
Este 4º Encontro Sindical Nacional deve aprovar medidas para fortalecer o trabalho intersindical do Partido. Ao lado disso, deve também priorizar nossas Organizações de Base (OB). Na esfera estritamente sindical, a OB é a estruturação do Partido nos locais de trabalho, embora haja um amplo campo a ser explorado, que é a organização dos trabalhadores também nos locais de estudo e moradia, organização a partir das relações de trabalho.
Uma primeira medida organizativa é a constituição, em todos os comitês estaduais e nos maiores comitês municipais, das secretarias sindicais. Estas precisam atuar em sintonia com a área política, de organização e de formação dos comitês partidários. O esforço conjugado do núcleo principal de direção no acompanhamento da frente sindical deve ser uma grande prioridade
do PCdoB.
O principal elo do Partido com as massas trabalhadoras deve ser os sindicatos. Por intermédio deles a política e a organização do Partido podem evoluir crescentemente. Mas outras ferramentas partidárias (parlamentares, membros de governo, intelectuais) precisam ser acionadas para multiplicar a capacidade de avanço do PCdoB nessa área estratégica.
Com relação aos sindicatos, surge a necessidade de enfrentar um problema que vimos chamando de “pirâmide invertida”. Trata-se de um desvio cupulista, um problema que afeta boa parte dos sindicatos em que os comunistas atuam. Essa debilidade se traduz na situação
anômala em que uma grande parte dos nossos camaradas se concentra na direção dos sindicatos, havendo poucos militantes intermediários e reduzida organização sindical e partidária na base.
Pouca organização nas bases, nos locais de trabalho e insuficiente renovação geram rebaixamento do funcionamento partidário. O resultado acaba sendo poucas novas filiações ao Partido, esgarçamento da vida militante e precarização do trabalho sindical. Quando a rotina se impõe, a tendência é a substituição das discussões políticas por intermináveis debates sobre a gestão do sindicato.
Muitos comunistas que têm a responsabilidade de dirigir sindicatos se consideram autossuficientes. Um aprimoramento nos critérios para a definição de seus papeis partidários constitui uma necessidade. A manutenção do comando das entidades, nessa falsa visão, dispensa um trabalho permanente de organização de base e ampliação do número de recrutamentos para o PCdoB. Com isso, novas filiações se realizam a conta-gotas. Registre- se também uma confusão organizativa: praticamente desaparecem as fronteiras entre a fração sindical e os comitês partidários. Formas organizativas improvisadas buscam mais equacionar os problemas sin- dicais do que tratar das demandas partidárias.
A pirâmide invertida (muitos militantes na cúpula sindical e poucos na base) acaba sendo o caldo de cultura para o burocratismo sindical, para o espírito de rotina e o rebaixamento do trabalho sindical. Esse engessamento da vida partidária e sindical afunila os espaços para o surgimento de novas lideranças e estimula a prática da reeleição indefinida dos mesmos dirigentes. Em alguns casos, esse fenômeno gera fadiga de material, desgaste na base e mesmo derrotas eleitorais.
Outra debilidade é a pouca participação de jovens e mulheres nas direções sindicais, em flagrante contradição com o aumento desses segmentos entre os trabalhadores.
São múltiplas as causas desse fenômeno. A atual juventude trabalhadora não se sente motivada para a
vida sindical e as mulheres enfrentam barreiras para potencializar sua participação. Pela importância
que tem a juventude – hoje (2011) cerca de 67 milhões de pessoas na PEA, com inegável presença em categorias fundamentais –, devemos ser ousados na incorporação do(a) jovem trabalhador(a), investindo na sua organização e no seu papel de ponte indispensável para o contato com a
classe trabalhadora.
Devemos ainda incentivar os jovens atuantes no movimento estudantil a atuarem na frente sindical quando de seu ingresso no mundo do trabalho. A CTB deverá fomentar o ingresso desses jovens, principalmente nas categorias de importância estratégica para a Central, lançando mão, inclusive, da realização de cursos preparatórios para concursos públicos para os jovens militantes comunistas e socialistas, com vistas a interromper o hiato entre o término da militância estudantil e o
início da militância sindical.
Em conjunto, esses sintomas negativos provocam rebaixamento da ação intersindical, falta de solidariedade entre os trabalhadores das diversas categorias e destas com o movimento social, negligência com o fortalecimento da central sindical e com o próprio Partido. Por isso,
os comunistas buscam, neste 4º Encontro, detectar esses fenômenos negativos e cuidar de sua superação.
As tarefas de estruturação partidária devem privilegiar a organização do Partido entre os trabalhadores. Embora sejam instâncias distintas, há uma relativa relação de causa e efeito entre o avanço sindical e partidário. Por isso, a questão sindical não pode ficar circunscrita às secretarias sindicais e aos militantes da frente sindical.
1. A centralidade do trabalho; e
2. que a classe trabalhadora deva ser a força social mais avançada e numerosa na luta contra o capitalismo e pela edificação do socialismo. Essa realidade coloca no topo da agenda do Partido
a necessidade de avançar em sua organização entre os trabalhadores.
O Programa Socialista do PCdoB destaca a luta por um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento (NPND). Acumular forças para conquistar a hegemonia na sociedade ocorre, fundamentalmente, em três áreas: na luta político-eleitoral, na luta de ideias e na luta social. Neste último aspecto,
os sindicatos são a principal e mais importante organização de massas dos trabalhadores. O crescimento dos comunistas na frente sindical é uma âncora essencial para elevar a influência do Partido entre os trabalhadores. O aprimoramento da ação sindical do PCdoB, por isso, deve ser tarefa prioritária. Como em outras áreas, também na frente sindical o Partido enfrenta problemas, dentro de um quadro geral de avanços. O êxito mais importante dos comunistas nos últimos anos foi, sem
dúvida alguma, a fundação da CTB e sua afirmação no cenário sindical brasileiro. Com a CTB, o sindicalismo brasileiro passou a contar com uma importante ferramenta paraconstruir sua unidade e difundir uma concepção classista. Os comunistas estão presentes em mais de 500 entidades sindicais em todos os níveis e em todos os estados do Brasil. A singularidade do atual período é o ingresso no Partido de importantes lideranças sindicais vinculadas a outras centrais sindicais – fato que pode contribuir para o avanço das nossas concepções classistas e para a unidade do movimento sindical brasileiro.
Este 4º Encontro Sindical Nacional deve aprovar medidas para fortalecer o trabalho intersindical do Partido. Ao lado disso, deve também priorizar nossas Organizações de Base (OB). Na esfera estritamente sindical, a OB é a estruturação do Partido nos locais de trabalho, embora haja um amplo campo a ser explorado, que é a organização dos trabalhadores também nos locais de estudo e moradia, organização a partir das relações de trabalho.
Uma primeira medida organizativa é a constituição, em todos os comitês estaduais e nos maiores comitês municipais, das secretarias sindicais. Estas precisam atuar em sintonia com a área política, de organização e de formação dos comitês partidários. O esforço conjugado do núcleo principal de direção no acompanhamento da frente sindical deve ser uma grande prioridade
do PCdoB.
O principal elo do Partido com as massas trabalhadoras deve ser os sindicatos. Por intermédio deles a política e a organização do Partido podem evoluir crescentemente. Mas outras ferramentas partidárias (parlamentares, membros de governo, intelectuais) precisam ser acionadas para multiplicar a capacidade de avanço do PCdoB nessa área estratégica.
Com relação aos sindicatos, surge a necessidade de enfrentar um problema que vimos chamando de “pirâmide invertida”. Trata-se de um desvio cupulista, um problema que afeta boa parte dos sindicatos em que os comunistas atuam. Essa debilidade se traduz na situação
anômala em que uma grande parte dos nossos camaradas se concentra na direção dos sindicatos, havendo poucos militantes intermediários e reduzida organização sindical e partidária na base.
Pouca organização nas bases, nos locais de trabalho e insuficiente renovação geram rebaixamento do funcionamento partidário. O resultado acaba sendo poucas novas filiações ao Partido, esgarçamento da vida militante e precarização do trabalho sindical. Quando a rotina se impõe, a tendência é a substituição das discussões políticas por intermináveis debates sobre a gestão do sindicato.
Muitos comunistas que têm a responsabilidade de dirigir sindicatos se consideram autossuficientes. Um aprimoramento nos critérios para a definição de seus papeis partidários constitui uma necessidade. A manutenção do comando das entidades, nessa falsa visão, dispensa um trabalho permanente de organização de base e ampliação do número de recrutamentos para o PCdoB. Com isso, novas filiações se realizam a conta-gotas. Registre- se também uma confusão organizativa: praticamente desaparecem as fronteiras entre a fração sindical e os comitês partidários. Formas organizativas improvisadas buscam mais equacionar os problemas sin- dicais do que tratar das demandas partidárias.
A pirâmide invertida (muitos militantes na cúpula sindical e poucos na base) acaba sendo o caldo de cultura para o burocratismo sindical, para o espírito de rotina e o rebaixamento do trabalho sindical. Esse engessamento da vida partidária e sindical afunila os espaços para o surgimento de novas lideranças e estimula a prática da reeleição indefinida dos mesmos dirigentes. Em alguns casos, esse fenômeno gera fadiga de material, desgaste na base e mesmo derrotas eleitorais.
Outra debilidade é a pouca participação de jovens e mulheres nas direções sindicais, em flagrante contradição com o aumento desses segmentos entre os trabalhadores.
São múltiplas as causas desse fenômeno. A atual juventude trabalhadora não se sente motivada para a
vida sindical e as mulheres enfrentam barreiras para potencializar sua participação. Pela importância
que tem a juventude – hoje (2011) cerca de 67 milhões de pessoas na PEA, com inegável presença em categorias fundamentais –, devemos ser ousados na incorporação do(a) jovem trabalhador(a), investindo na sua organização e no seu papel de ponte indispensável para o contato com a
classe trabalhadora.
Devemos ainda incentivar os jovens atuantes no movimento estudantil a atuarem na frente sindical quando de seu ingresso no mundo do trabalho. A CTB deverá fomentar o ingresso desses jovens, principalmente nas categorias de importância estratégica para a Central, lançando mão, inclusive, da realização de cursos preparatórios para concursos públicos para os jovens militantes comunistas e socialistas, com vistas a interromper o hiato entre o término da militância estudantil e o
início da militância sindical.
Em conjunto, esses sintomas negativos provocam rebaixamento da ação intersindical, falta de solidariedade entre os trabalhadores das diversas categorias e destas com o movimento social, negligência com o fortalecimento da central sindical e com o próprio Partido. Por isso,
os comunistas buscam, neste 4º Encontro, detectar esses fenômenos negativos e cuidar de sua superação.
As tarefas de estruturação partidária devem privilegiar a organização do Partido entre os trabalhadores. Embora sejam instâncias distintas, há uma relativa relação de causa e efeito entre o avanço sindical e partidário. Por isso, a questão sindical não pode ficar circunscrita às secretarias sindicais e aos militantes da frente sindical.
Leia a Revista do 4º Encontro Sindical Nacional do PCdoB (2011)
Alan García e a carta deixada em seu suicídio - Jornal GGN
A carta que Alan García deixou antes de cometer suicídio
"Nestes tempos de rumores e ódios repetidos que as maiorias creem serem verdadeiros, eu vi como se utilizam de procedimentos para humilhar, causar vexame e não para encontrar verdades"
Por Jornal GGN
- 19/04/2019
Alan Garcia, ex-presidente do Peru (Reprodução)Jornal GGN – O ex-presidente do Peru, Alan García, deixou uma carta antes de cometer suicídio. Ele morreu no último dia 17 de abril após atirar contra a própria cabeça, quando policiais chegarem em sua residência para executar um mandado de prisão preventiva.
García, líder do Partido Aprista, de centro-esquerda, estava sendo acusado de receber propina da construtora Odebrecht, quando presidente do país, cargo que ocupou por duas vezes: entre 1985 e 1990 e 2006 e 2011.
Na última mensagem que deixou, o ex-presidente reafirmou sua inocência indicando a perseguição que sofreu pelos 30 anos de política como uma tentativa frustrada de a derrotá-lo.
Ele seguiu na carta dizendo que não iria se submeter a humilhações, concluindo: “deixo aos meus filhos a dignidade das minhas decisões; aos meus colegas, um sinal de orgulho. E meu cadáver como sinal desprezo para os meus adversários porque já cumpri a missão que impus a mim mesmo”.
Leia a seguir o texto na íntegra.
“Cumpri a missão de conduzir o Aprista ao poder em duas ocasiões e impulsionamos outra vez sua força social. Eu acho que essa foi a missão da minha existência, tendo raízes no sangue desse movimento.
Por essa razão e por causa dos reveses do poder, nossos oponentes optaram pela estratégia de me criminalizar por mais de trinta anos. Mas eles nunca encontraram nada e eu os derrotei novamente, porque eles nunca encontrarão mais do que suas especulações e frustrações.
Nestes tempos de rumores e ódios repetidos que as maiorias creem serem verdadeiros, eu vi como se utilizam de procedimentos para humilhar, causar vexame e não para encontrar verdades.
Por muitos anos me coloquei acima dos insultos, me defendi e a homenagem dos meus inimigos foi argumentar que Alan García era esperto o suficiente para que eles não pudessem provar sua calúnia.
Não havia contas, nem subornos, nem riqueza. A história tem mais valor do que qualquer riqueza material. Nunca existirá preço suficiente para quebrar meu orgulho como membro aprista e peruano. Por isso que eu repeti: outros vendem, eu não.
Cumpri meu dever em minha política e nas obras feitas em favor do povo, tendo alcançado as metas que outros países ou governos não conseguiram, não tenho que aceitar humilhações. Já vi outros desfilarem algemados guardando sua existência miserável, mas Alan García não precisa sofrer essas injustiças e circos.
Por essa razão, deixo aos meus filhos a dignidade das minhas decisões; aos meus colegas, um sinal de orgulho. E meu cadáver como sinal de desprezo para os meus adversários porque já cumpri a missão que impus a mim mesmo.
Que Deus, a quem eu vou com dignidade, proteja os de bom coração e os mais humildes”.
O texto no original, em espanhol:
“Cumplí la misión de conducir el aprismo al poder en dos ocasiones e impulsamos otra vez su fuerza social. creo que esa fue la misión de mi existencia, teniendo raíces en la sangre de ese movimiento.
Por eso y por los contratiempos del poder, nuestros adversarios optaron por la estrategia de criminalizarme durante más de treinta años. Pero jamás encontraron nada y los derroté nuevamente, porque nunca encontrarán más que sus especulaciones y frustraciones.
En estos tiempos de rumores y odios repetidos que las mayorías creen verdad, he visto cómo se utilizan los procedimientos para humillar, vejar y no para encontrar verdades.
Por muchos años me situé por sobre los insultos, me defendí y el homenaje mis enemigos era argumentar que Alan García era suficientemente inteligente como para que ellos no pudieran probar sus calumnias.
No hubo ni habrá cuentas, ni sobornos, no riqueza. La historia tiene más valor que cualquier riqueza material. nunca podrá haber precio suficiente para quebrar mi orgulho de aprista y de peruano. Por eso repetí: otros se venden, yo no.
Cumpido mi deber en mi política y en las obras hechas en favor de pueblo, alcanzadas las metas que otros países o gobiernos no han logrado, no tengo por qué aceptar vejámenes. He visto a otros desfilar esposados guardando su miserable existencia, pero Alan García no tiene por qué sufrir esas injusticias y circos.
Por eso, le dejo a mis hijos la dignidad de mis decisiones; a mis compañeros, una señal de orgulho. Y mi cadáver como una muestra de mi desprecio hacia mis adversarios porque ya cumplí la misión que me impuse.
Que Dios, al que voy con dignidad, proteja a los de buen corazón y a los más humildes”.
quinta-feira, 18 de abril de 2019
Fim da Unasul representa o ocaso do ciclo progressista da América Latina do princípio do século - Ana Prestes - Notas Internacionais
Fim da Unasul representa o ocaso do ciclo progressista da América Latina do princípio do século XXI ANA PRESTES 16 ABRIL 2019
Destruição da organização é um gesto político contra um recente passado de construção da integração sul-americana, através das presidências de Chávez (Venezuela), Lula (Brasil), Kirchner (Argentina), Evo (Bolívia), Correa (Equador) e Lugo (Paraguai)
Por Ana Prestes
– Uma imagem emocionou o mundo nesta segunda-feira (15). A catedral de Notre Dame, em Paris, em chamas. O fogo começou por volta das 19h, horário de Paris. A igreja de estilo gótico, que data de 1163, passava por obras de restauração. Outro incêndio já a havia atingido em 1871. “Nós vamos reconstruir Notre Dame”, disse Macron às portas da catedral. Na medida em que o fogo avançava, a preocupação dos bombeiros era de que a estrutura não desabasse, e parece que não há risco de desabamento. As duas torres também ficaram preservadas. O teto e a agulha principal (de 93 metros e marca da catedral) foram destruídos. O presidente Trump dos EUA, que sempre gosta de roubar a cena, tuitou durante o incêndio que era preciso usar tanques de água aéreos e rápido, ao que os bombeiros franceses (quando questionados) responderam que seria colapsar de vez toda a estrutura e os imóveis adjacentes. Enfim, o monumento é o mais visitado da Europa, segundo o Le Monde, recebendo cerca de 13 milhões de visitantes por ano e foi imortalizado na literatura mundial através da obra de Victor Hugo, “O Corcunda de Notre Dame”.
– Uma nota do Itamaraty emitida nesta segunda (15) informou que o governo brasileiro denunciou o Tratado Constitutivo da Unasul, formalizando assim sua saída da organização. A decisão já havia sido comunicada ao Equador que é o país depositário do acordo e onde está a sede da organização, próxima ao monumento Mitad del Mundo e que é um dos mais modernos edifícios do Equador. A nota informa que data de abril de 2018 a decisão de Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru de romper com a Unasul, por fim também se juntou a Guiana. Está em andamento a construção de outra entidade, o Foro para o Progresso da América do Sul (Prosul). Segundo a nota, o Prosul “terá estrutura leve e flexível, com regras de funcionamento claras e mecanismo ágil de tomada de decisões”. A destruição da Unasul é um gesto político contra um recente passado de construção da integração sul-americana, através das presidências de Chávez (Venezuela), Lula (Brasil), Kirchner (Argentina), Evo (Bolívia), Correa (Equador) e Lugo (Paraguai). Acabar com a Unasul é acabar com um legado do ciclo progressista da América Latina do princípio do século XXI.
– O Grupo de Lima se reuniu nesta segunda (15). Estiveram Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, observadores do Equador e representantes da oposição venezuelana. A nota oficial do encontro é um texto sobre a Venezuela em que pedem para o secretário-geral da ONU, a Agnu (Assembleia Geral) e o CS (Conselho de Segurança) para que “tomem medidas para evitar maior deterioração da paz e segurança na região”. Pedem também assistência humanitária para o país. Apelam para Rússia, China, Cuba e Turquia para que deixem de apoiar Maduro. Convidam México, Uruguai e Bolívia a se juntarem ao grupo. Rejeitam qualquer ameaça ou ação que implique intervenção militar na Venezuela e condenam “ingerência estrangeira” (Rússia e China) e pedem retirada dos serviços de inteligência, segurança e forças militares mobilizados sem respaldo dos venezuelanos (recado para Rússia e China). Próxima reunião deve ser na Guatemala.
– Bolsonaro não será mais homenageado no Museu de História Natural de Nova Iorque. O museu emitiu nota nesta segunda (15) dizendo que não vai aceitar sediar uma cerimônia em homenagem ao presidente Bolsonaro. Na nota, a direção alega que alugou o espaço sem saber quem seria homenageado. O evento para o qual o espaço seria destinado é a premiação da “Pessoa do Ano” da Câmara de Comércio Brasil-EUA a ser realizado no dia 14 de maio. O evento é anual desde 1970 e conta com cerca de mil convidados que pagam até 30 mil dólares por entrada para o jantar de gala. O prefeito de Nova Iorque, Bill de Blasio, do Partido Democrata, também já havia se pronunciado contrariamente à homenagem no museu ao chamar Bolsonaro de “um ser humano perigoso”. Em resposta, um assessor internacional de Bolsonaro, Filipe Martins, chamou De Blasio de “toupeira” e de “comunista”. Ano passado o brasileiro homenageado pelo prêmio foi Sérgio Moro.
– Apesar de comemorar a vitória do Partido Social Democrata (SPD) na Finlândia, muitos finlandeses estão preocupados com a ascensão do partido de extrema direita Verdadeiros Finlandeses, que ficou apenas uma cadeira parlamentar atrás do SPD. O foco do partido é o movimento anti-imigração. A Finlândia assume a presidência da União Europeia no próximo mês de julho.
– Na corrida para o parlamento europeu, o partido Verdadeiros Finlandeses já anunciou sua aliança com os partidos de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), Partido Popular Dinamarquês (DPP) e Liga (Itália). Segundo Matteo Salvini, líder da Liga, a ideia é “fazer da “Aliança Europeia dos Povos e das Nações” o grupo europeu mais numeroso, vencer e mudar a Europa”.
– Foi revelada nos últimos dias uma reunião do “think tank” norte-americano Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos (CSIS) no último 10 de abril, em que foi realizada uma mesa intitulada “Avaliando o uso da força militar na Venezuela”. A lista de cerca de 40 convidados conta com funcionários de alto nível de embaixadas da Colômbia e do Brasil. A revelação foi feita pelo jornalista Max Blumenthal, que teve acesso à lista de convidados. O diplomata brasileiro presente seria Carlos Velho. Cópia da lista de convidados está disponível no twitter do jornalista @MaxBlumenthal.
quarta-feira, 17 de abril de 2019
17 de abril, dia da vergonha nacional, o dia do Golpe - Portal Vermelho
17 de abril, dia da vergonha nacional - Portal Vermelho:
Há três anos, num domingo, o Brasil parou para assistir, na TV, a votação do impeachment de Dilma Rousseff. Foi o início do desastre que o país vive desde então.
Por José Carlos Ruy*
17 de abril, dia da vergonha nacional - nesta quarta-feira (17) se completa o terceiro aniversário da estarrecedora sessão da Câmara dos Deputados que, em 2016, aprovou o início do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff.
Era o golpe de estado - agora midiático-judicial-parlamentar - em pleno andamento. Manipulado por dois criminosos que, pouco tempo depois, foram desmascarados e presos pelos atentados que cometeram em suas funções públicas: o então vice-presidente da República Michel Temer, traidor não só de Dilma, sua companheira de chapa, mas do Brasil e do povo brasileiro. E Eduardo Cunha, que se comportou como verdadeiro chefe de gangue na presidência da Câmara dos Deputados.
Aquela sessão escandalosa foi programada para ser um verdadeiro espetáculo de propaganda do golpe. Como uma atração circense, foi marcada para um domingo e a Rede Globo, protagonista da ação contra Dilma, a democracia e o governo democrático-progressista, foi mobilizada para transmitir as longas horas que durou aquele espetáculo deprimente. Chegaram ser instalados telões nas praças de muitas cidades, para que todos pudessem acompanhar.
As declarações hipócritas de voto "pela família", "por Deus", "pelo Brasil", feitas naquela sessão começaram a ser desmentidas já no dia seguinte, 18 de abril, com a prisão, acusado de desvio de dinheiro público, do prefeito de Montes Claros (MG), Ruy Muniz, marido da deputada federal Raquel Muniz que, ao votar contra Dilma, disse: “Meu voto é pra dizer que o Brasil tem jeito, o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão." Em 30 de abril, poucos dias após a malfadada sessão, foi preso também Nárcio Rodrigues, pai do deputado Caio Nárcio (PSDB), acusado de crime semelhante.
Soube-se depois, pelo próprio Eduardo Cunha - em delação premiada logo depois de sua condenação, em 30 de março de 2017, a 15 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas - que a maioria dos deputados que votaram pelo impeachment foram comprados: receberam dinheiro para isso!
O atentado contra Dilma e a democracia foi cometido pelos 367 deputados que votaram pelo impeachment, mesmo que a presidenta não tenha praticado nenhum delito ou crime de responsabilidade.
As ações vexatórias se multiplicaram, envergonhando mesmo pessoas que, no meio do povo, eram contrárias ao PT e governo da presidenta Dilma. Uma dessas ações foi protagonizada pelo então deputado Jair Bolsonaro, que homenageou o mais notório torturador da ditadura militar, e não teve a vergonha de dizer: ''Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.''
Dilma Rousseff, lembrando aqueles acontecimentos, disse recentemente que foi o início do desastre que o Brasil e os brasileiros vivem. Ela tem razão, e o mero exame de alguns números sobre a economia, o nível de emprego, a situação do povo demonstra isso - sem falar na vergonha internacional a que o Brasil, de joelhos perante o imperialismo dos EUA, vive desde o golpe de 2016, submissão agravada sob o mando de Jair Bolsonaro.
O golpe teve consequências arrasadoras para os brasileiros, que empobreceram devido aos maus governos que o sucederam. Agravou as dificuldades que o Brasil já vivia desde 2015. Em 2016 a queda no PIB foi de 3,5%, e a "recuperação" de 2017 e 2018 foi pífia - em torno de 1% por ano. O IBGE registrou o tamanho do desastre. Em 2015 havia 20,4 milhões de pessoas em situação de pobreza. Em 2016 esse número mais que dobrou: 53,1 milhões, atingindo quase 26% dos brasileiros. Pobreza causada principalmente pelo desemprego, que era de 8,5% em 2015 (10 milhões de trabalhadores) e pulou para 11,5% (12,3 milhões) em 2016, e superou os 13 milhões em 2017 (12,7% dos trabalhadores).
Estes dados lembram que a vergonha do dia 17 de abril foi cometida por aqueles que, insatisfeitos com os rumos democráticos que o país vivia, mesmo enfrentando problemas, tomaram o governo para assaltar os cofres públicos, comprometer o desenvolvimento nacional e subordinar o Brasil às ordens de Washington.
*José Carlos Ruy é jornalista, escritor e colaborador do Portal Vermelho
A delação que levou o ex-presidente do Peru ao suicídio - Portal Vermelho
A delação que levou o ex-presidente do Peru ao suicídio - Portal Vermelho:
Alan García teve as contas reviradas e apresentou provas da lisura das palestras e conferências que realizou ao redor do mundo. Mas a que teve patrocínio da Odebrecht acabou criminalizada com base em delação
Por Jornal GGN
Foi uma denúncia apresentada com base em delação de executivo da Odebrecht, desdobramento da Operação Lava Jato, que levou ao suicídio o ex-presidente do Peru Alan García, nesta quarta-feira (17). O político atirou na própria cabeça quando a polícia bateu em sua porta com uma ordem de prisão. Chegou a ser levado para o hospital e foi operado, mas não resistiu.
García já havia sido impedido, no final do ano passado, de deixar o País em decorrência das investigações. Temendo a prisão, chegou a pedir asilo político ao Uruguai, que não comprou a tese de que a Lava Jato peruana está fazendo perseguição com seus ex-presidentes – são pelo menos 4 no meio das delações.
O caso de García envolve principalmente a delação do advogado brasileiro José Américo Spinola, que afirmou no Brasil ter pago US$ 100 mil ao peruano a pedido da Odebrecht.
García não só negou a acusação como explicou que recebeu o dinheiro por uma palestra feita na Fiesp, em São Paulo, em maio de 2012. Para afastar de si as suspeitas, concedeu acesso a contas bancárias, contratos e outros meios de prova, na tentativa de atestar sua inocência.
Em nota ao GGN, a Fiesp esclareceu que não remunera as autoridades e palestrantes que recebe em suas dependências. (Veja mais abaixo)
No ano de 2013, o pente fino foi feito nas contas de García, levando em consideração o período de 2006 a 2011, e os anos seguintes à sua saída do governo. As informações deram conta de que o ex-presidente, assim como diversos outros ex-chefes de Estado, de fato recebeu dinheiro por conferências realizadas ao redor do mundo, principalmente na América Latina. Situação semelhante a do ex-presidente Lula, que também teve as atividades de sua empresa de palestras criminalizadas pela Lava Jato.
Somente entre agosto de 2011 e dezembro de 2012, García ministrou 18 palestras e, por elas, recebeu ao todo US$ 830 mil. A mais bem paga das atividades foi a da Fiesp. O ex-presidente apresentou contrato, recibo e cópia da transferência do dinheiro.
Na época, a apresentação das provas deteve as investigações. Mas a delação de Spinola serviu para contrariar García. O colaborador da Lava Jato afirmou que a palestra era fraude e que o pagamento era um dos subornos da Odebrecht ao ex-presidente.
Os investigadores peruanos passaram a construir a tese de que a propina a García foi dada em função da construção de um trem na capital peruana pela Odebrecht. A delação da empreiteira apontava o pagamento de US$ 4 milhões “ao ex-braço-direito e amigo de García no Palácio do Governo: o ex-secretário da Presidência e ex-ministro Luis Nava, que nega qualquer irregularidade”, anotou O Globo.
A Odebrecht firmou acordo com o Peru e se comprometeu a pagar US$ 182 milhões “como compensação civil” ao País, por conta de quatro licitações em que a empresa assume ter feito pagamento de subornos a autoridades locais.
Impacto político
García governou o Peru como nacionalista de 1985 a 1990. Depois, se reinventou como liberal e venceu a eleição em 2006. Além dele, a Lava Jato peruana investiga os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018).
Kuczynski, de 80 anos, foi preso preventivamente por 10 dias no início do mês. Nesta quarta, segundo O Globo, foi hospitalizado após sofrer uma crise de hipertensão arterial.
Toledo, que supostamente recebeu US$ 20 milhões da empreiteira pela construção de uma rodovia, vive nos Estados Unidos.
As ex-candidatas Lourdes Flores e Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), também foram presas, em outubro passado.
Com a palavra: Fiesp
“A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) é a maior entidade empresarial do Brasil e representa o setor produtivo. Em função de sua política interna, não remunera palestrantes e convidados e nem cobra ingresso para as centenas de eventos que realiza anualmente. A Fiesp rotineiramente recebe chefes de Estado e personalidades políticas e foi nessa condição que Alan Garcia esteve presente em eventos na Federação.”
Fonte: GGN
Coletivizando: Veja as declarações de dezembro de 2018 do ex-presidente Alan García sobre a situação de Perú e as acusações contra si.
POLÍCIA ENTRA NO INSTITUTO FEDERAL DE GOIÁS E FAZ PRISÃO POLÍTICA DE PROFESSORA - BRASIL 247
A professora Camila Marques foi presa dentro da sala de aula no IFG Aguas Lindas (GO) onde leciona; de acordo com as primeiras informações, a docente foi acusada de doutrinação; depois, outras notícias dizem que ela havia sido presa por desacato por ter se recusado a obedecer ordens de policiais que faziam uma operação na porta da escola; operação policial resultou na apreensão de 3 alunos que teriam feito ameaças sobre a realização de um suposto atentado no IFG
15 DE ABRIL DE 2019 ÀS 13:55
247 - A professora Camila Marques foi presa dentro da sala de aula na manhã desta segunda-feira (15) no IFG Aguas Lindas (GO) onde leciona. De acordo com as primeiras informações, a docente teria sido acusada de doutrinação. Depois, outras notícias dizem que ela havia sido presa por desacato por ter se recusado a obedecer ordens de policiais que faziam uma operação na porta da escola. Ela foi liberada.
Segundo a página Professores contra Escola Sem Partido, no Facebook, "as ultimas noticias são que Camila estava sim em sala de aula e a polícia que teve a sua entrada permitida no campus foi até a sala de aula atrás de alguns alunos e a professora impediu a entrada da polícia. A professora está agora prestando esclarecimentos e será liberada em seguida".
Leia mais sobre o assunto na reportagem da Agência Brasil.
Polícia apura ameaça de atentado no Instituto Federal de Goiás
Alex Rodrigues, repórter da Agência Brasil - Policiais civis apreenderam, hoje (15), três alunos do Instituto Federal de Goiás (IFG), que compartilharam ameaças de um atentado na escola. Segundo o delegado Danilo Victor Nunes, responsável pela Delegacia da Criança e do Adolescente de Águas Lindas de Goiás (GO), a cerca de 50 quilômetros de Brasília, ao que parece tudo não passou de um "brincadeira de péssimo gosto", que acabou alarmando funcionários do campus do IFG na cidade.
A existência das mensagens foi denunciada pelo responsável pela unidade. "Ontem (14), o diretor do IFG compareceu à delegacia e contou sobre boatos de que, possivelmente, haveria um atentado no campus do instituto na segunda-feira [hoje]", disse Nunes à Agência Brasil.
Equipes de policiais foram deslocados para o instituto nas primeiras horas da manhã de hoje. Após identificarem os três adolescentes suspeitos de divulgar as ameaças, os agentes revistaram o estabelecimento e os pertences dos três estudantes. Nada foi encontrado.
"Coletamos prints [imagens] das mensagens veiculadas por estes jovens ameaçando outros estudantes. Diligenciamos o estabelecimento com cautela, incluindo alojamentos, e não encontramos nenhum material suspeito", informou o delegado, explicando que os pais dos jovens foram chamados para acompanhar os filhos à Delegacia da Criança e do Adolescente, onde, até as 14h, os três estavam sendo ouvidos.
"Eles já disseram que se tratava de uma brincadeira, e os pais estão colaborando. Ainda estamos verificando tudo. Não há indícios de que se tratasse de algo sério, mas, por cautela, os domicílios desses adolescentes possivelmente serão alvo de buscas", disse o delegado, lembrando que, mesmo que fique comprovado que tudo não passou de uma brincadeira infantil de mau gosto, uma história para tentar chamar a atenção, fatos como esse são "muito sérios" e têm consequências.
Desobediência
Durante a ação policial, uma professora do Instituto Federal de Goiás (IFG) foi detida por desobedecer a ordem dos policiais. Segundo o delegado Danilo Victor Nunes, a professora insistiu em filmar os agentes e os jovens, mesmo tendo sido advertida de que o diretor do campus e os pais dos três adolescentes já estavam cientes do caso. (Leia no Brasil 247)
"Os agentes relataram tê-la advertido várias vezes de que ela não poderia filmar a diligência, principalmente por haver adolescentes envolvidos. Ela insistiu e continuou capturando as imagens até que os agentes lhe deram voz de prisão", disse Nunes.
A docente foi liberada pouco depois das 13h, após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência – boletim usado para tipificar infrações de menor potencial ofensivo ou crimes de menor relevância. "Se ela tivesse acatado a ordem policial, não precisaríamos ter chegado a isto", acrescentou o delegado.
O advogado Bruno Conti, que acompanhou a professora, disse à Agência Brasil que a professora disse ter decidido filmar toda a ação após reclamar com os policiais da forma como estavam tratando os três adolescentes. "Segundo ela, eles agiram de forma muito incisiva, quase truculenta. Como não foi ouvida, ela decidiu registrar com o celular. Mas ela estava filmando os agentes, não os jovens. Houve uma discussão, ela retrucou, e eles, então, decidiram conduzi-la à delegacia", explicou o advogado.
Previdência: Oposição e Centrão vencem primeira batalha na Câmara - Portal Vermelho
Previdência: Oposição e Centrão vencem primeira batalha na Câmara
Votação de proposta de reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania(CCJC) da Câmara dos Deputados foi adiada para a próxima semana. Os partidos do Centrão e a oposição articulam mudanças no texto da proposta de reforma da Previdência, que está na primeira etapa da tramitação no Congresso.
Foto: Richard Silva/PCdoB na Câmara
Depois uma semana intensa de articulações e muita obstrução, a Oposição conseguiu uma nova vitória nesta quarta-feira (17): o adiamento da votação do relatório do deputado Delegado Marcelo Freitas (PSL-GO) sobre a Reforma da Previdência (PEC 6/2019). Após 40 minutos de suspensão da reunião do colegiado, o relator pediu ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), Felipe Francischini (PSL-PR), mais uma sessão para analisar “cuidadosamente os temas apresentados pelos parlamentares” e, talvez, apresentar uma complementação de voto na próxima terça-feira (23).
Contrariado, Francischini acatou o pedido e encerrou a sessão, que vinha, até então, muito tumultuada.
“Foi uma grande vitória. Agora vamos trabalhar para conseguir tirar pontos inconstitucionais e que prejudicam muito a sociedade. Ainda não vejo a possibilidade de derrota inteira do relatório. Por isso, nosso esforço agora será para alterar o conteúdo. Não podemos chegar na comissão especial com este relatório”, afirmou.
Foram 13 votos em separado apresentados no colegiado, além de uma exaustiva argumentação feita pela Oposição durante o debate do relatório de Freitas, que indicou a admissibilidade integral da proposta enviada pelo governo. No entanto, pontos sensíveis como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a aposentadoria de trabalhadores rurais terão dificuldade de avançar, visto que a Oposição já conta com o apoio do chamado Centrão para derrubada dos trechos.
Reunião tumultuada
A reunião foi convocada para esta quarta-feira, após quebra de acordo. Diferentemente da postura adotada até então, Francischini assumiu o modo “tratoraço” na reta final. Atropelou regimento da Câmara, impediu questões de ordem de parlamentares não-membros da comissão, considerou prejudicados requerimentos da Oposição sem dar chance de questionamentos aos deputados.
Francischini passava por cima das regras da Casa sob aplausos dos aliados do governo. "Vossa excelência está mutilando o regimento. Estamos vendo uma série de arbitrariedades aqui na CCJC. O regimento da Casa é efetivamente rompido a toda hora. Mas não queremos reforma agora, porque queremos que os devedores sejam procurados, que os sonegadores sejam presos. Essa reforma é cruel, pois retira direitos básicos. Eles querem decretar o fim da aposentadoria", protestou a deputada Alice Portugal, vice-líder da Minoria.
Às vésperas de feriado e sem votações no Plenário da Câmara, a CCJC estava lotada de parlamentares favoráveis e contrários à matéria. E apesar da pressa e interesse do governo, a própria base aliada contribuía para o atraso dos trabalhos na comissão.
"Peço que quem é favorável ao projeto colabore", pedia Francischini sem sucesso.
A ausência do relator no colegiado elevou os ânimos e levou à suspensão da reunião. “Relator nem estava presente e os deputados queriam votar seu texto? Regimento proíbe essa manobra”, alertou Jandira.
Foram 40 minutos de negociações até que o relator pediu prazo para analisar possíveis mudanças.
Modificações
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o líder do PSL na Câmara, o Delegado Waldir (PSL-GO), afirmou que o governo está sensível em acatar mudanças em relatório da Proposta de Emenda à Constituição, mas afirmou que a capitalização e a idade mínima continuarão no parecer do texto.
O relator da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania(CCJC) da Câmara, Marcelo Freitas (PSL-MG), chegou a sair do plenário do colegiado para discutir seu parecer, o que incomodou os parlamentares da oposição, que pediu a suspensão da sessão, oque acabou ocorrendo por falta de acordo quanto ao texto a ser votado. No próximos dias, o relator, deve se reunir com parlamentares e líderes partidários para analisar eventuais mudanças em seu parecer. Foram apresentados 13 votos em separado, em contraponto ao parecer apresentado no último dia 9.
Impasses
Vários integrantes da CCJC contestam o parecer e questionam pontos da reforma que podem ser considerados inconstitucionais ou então estão desvinculados da Previdência Social – como o fim do abono salarial para quem ganha mais de um salário mínimo e o fim da multa do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quem se aposenta e continua no emprego.
A decisão de adiar a votação e retomar as discussões foi tomada após Francischini suspender a reunião. Até aquele momento, parlamentares contrários às mudanças nas aposentadorias conseguiam adiar o andamento dos trabalhos por mais de uma hora e nove minutos, valendo-se de dispositivos do Regimento Interno, como questões de ordem sobre atas e demais trabalhos. Na véspera, estratégia semelhante estendeu os debates por mais de 12 horas.
Mudanças
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/19 pretende reformar o sistema de Previdência Social para os trabalhadores do setor privado e para os servidores públicos de todos os Poderes e de todos os entes federados (União, estados e municípios). A idade mínima para aposentar será de 65 anos para os homens e 62 para as mulheres. Há regras de transição para os atuais contribuintes. O texto retira da Constituição vários dispositivos que hoje regem a Previdência Social, transferindo a regulamentação para lei complementar.
Tramitação
A CCJC é o primeiro passo para a tramitação da PEC 6/2019. Caso o texto seja admitido pelos parlamentares, uma comissão especial será formada para tratar do mérito da matéria. Só após a análise no colegiado, o texto vai para o Plenário da Câmara, onde será votado em dois turnos.
Da redação, com informações de agências e do PCdoB na Câmara
Extrema-direita intensifica ataque ao STF - Editorial do Portal Vermelho
Batalha tem como pano de fundo a defesa do Estado Democrático de Direito.
Intensificou-se, nesta semana, o choque entre instituições e poderes da República. Nesta terça-feira (16), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, decidiu arquivar o inquérito aberto em março pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, para apurar fake news contendo ameaças e ofensas a ministros da Corte e ao próprio STF como instituição. Prontamente, o ministro Alexandre de Moraes repeliu a decisão da procuradora, por considerar o arquivamento ilegal e inconstitucional. Toffoli decidiu prorrogar por 90 dias as investigações.
O presidente Bolsonaro, que hostiliza a imprensa e os profissionais que nela atuam, e que diz que na ditadura militar não houve censura, tomou posição nesta contenda. “...Minha posição sempre será favorável à liberdade de expressão, direito legítimo e inviolável”, tuitou. Depois dessa fala do trono, com certeza seguirá volumosa a onda de mentiras contra o inimigo da vez: o STF, em especial alguns de seus ministros.
Houve, também, a determinação do ministro Alexandre Moraes para retirar uma reportagem da revista Crusoé e o site O Antagonista que associam o ministro Toffoli à Odebrecht, a partir de hipotético vazamento de conteúdo de inquérito da Lava Jato. A revista protestou e acusou a decisão do ministro como censura. Um elenco de parlamentares, a absoluta maioria da direita e da extrema direita, aproveitou o episódio para recrudescer o ataque ao STF. Voltou-se a falar da CPI Lava Toga.
Campanha corrosiva
A liberdade de imprensa é, de fato, uma conquista cara da democracia brasileira, um valor inquestionável. Ela foi um dos pontos principais das forças progressistas no processo de luta contra a ditadura militar, assegurada na Constituição de 1988. As forças democráticas seguem coerentemente na sua defesa.
Dito isto, vamos ao principal no assunto em pauta: o pano de fundo desse acirramento, desse confronto entre Poderes, deriva da luta que se trava entre a restauração do Estado Democrático de Direito ou a continuidade de reiteradas práticas típicas de Estado de exceção por parte da Operação Lava Jato.
No mérito, é fato, é verdade sim que o STF vem sendo alvo de campanha corrosiva, mentirosa, tanto pelas matilhas do submundo das redes quanto por expoentes da extrema-direita em suas contas oficiais.
Por que o STF se tornou a bola da vez da ira bolsonariana? De um período para cá, há uma tomada de posição relevante de um conjunto de ministros do STF, num momento crítico para a vida democrática do país. Uma parte da Corte se posiciona contra a escalada de desmandos da Operação Lava Jato, que desarticulou a independência entre os Poderes da República. Isto é um fato de grande relevância.
Pedido de Habeas Corpus
Por certo, não se olvida que em boa parte de sua atuação a Lava Jato contou com a complacência do STF, para dizer o mínimo. Com isso, setores do Judiciário e do Ministério Público Federal (MPF) ganharam protagonismo e passaram a atuar de forma partidarizada, constituindo parte importante dos agentes que formaram o clima favorável à vitória eleitoral da extrema direta nas eleições presidenciais de 2018.
A comprovação mais evidente desse envolvimento foi a nomeação do principal ator da Operação Laja Jato, o ex-juiz Sérgio Moro, para o posto de ministro da Justiça e de Segurança Pública do governo do presidente Jair Bolsonaro. Nesse processo, a Lava Jato atuou progressivamente e de maneira sequenciada na prática de ações típicas de um Estado de exceção, sem que o STF tomasse atitudes para a defesa e restauração do Estado Democrático de Direito.
Essa tendência, contraditoriamente, começou a ser revertida em abril de 2018 com a decisão do plenário do STF, por seis votos a cinco, de dar outra interpretação à Constituição sobre a formulação de que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória”. A Corte fora acionada por um pedido de Habeas Corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reafirmou, por um voto de diferença, a decisão casuísta de fevereiro de 2016, no auge da ofensiva da Lava Jato, que alterou a jurisprudência de 2009, quando o STF interpretou a questão conforme a letra e o espírito da Constituição — ninguém poderia ser preso, salvo as determinações constitucionais, antes da fase final do julgamento.
Prisão de Lula
A prisão do ex-presidente Lula se deu nesse contexto. Mas a seção de abril de 2018 possibilitou um debate memorável sobre o mérito das garantias constitucionais. Um episódio emblemático naquele momento foi a reação do então comandante das Forças Armadas, general Eduardo Villas Bôas, que deu a entender, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo e em sua conta no Twitter, que algo poderia acontecer caso o Supremo concedesse Habeas Corpus ao ex-presidente Lula.
Desde então, um setor significativo do STF tem atuado com um claro viés de defesa do Estado Democrático de Direito. A decisão sobre a competência da Justiça Eleitoral para agir em casos eleitorais, conforme estipula a Constituição, foi a mais emblemática. Contudo, a extrema direita reagiu, acionando o submundo das redes sociais para atacar a instituição e os ministros que enfrentaram os abusos da Lava Jato — prática que incluiu até membros do MPF. Em resposta, um manifesto assinado por 161 entidades representativas da sociedade civil repudiou “os ataques contra o guardião da Constituição da República”.
Portanto, para que se queira compreender o real motivo do agravamento das relações entre os Poderes, bem como as razões que levam expoentes da extrema-direita, casuisticamente, a defenderem a liberdade de expressão, é preciso entender que a raiz da cena em tela é a necessária luta em defesa do Estado Democrático de Direito, hoje encurralado pelo autoritarismo. E o STF é um importante campo de batalha dessa causa democrática. Por isto, é atacado.
A hora da filosofia (que fazer?) - Elias Jabbour e Alexis Dantas - Brasil Debate
Brasil Debate
Hegel ensinou que quando tudo parece dividido é a hora da filosofia, do grande pensamento, de construir uma outra lógica e subverter os sentidos do discurso oficial. É preciso mostrar ao Brasil um caminho de futuro
16/04/2019
Não é mais segredo para ninguém que teremos mais um ano de crescimento pífio. O desemprego voltou a subir e a capacidade ociosa na indústria já beira os 40%. A taxa de investimentos (um ótimo indicador à verificação do nível de barbárie social) está em 15,5%. Este índice na China, que necessita gerar 13 milhões de empregos urbanos ao ano, está acima dos 40% há anos. No caso brasileiro uma taxa mínima para somente manter o atual nível de (des) emprego seria de 18%.
Liberais protofascistas aterrorizam a sociedade com a necessidade de uma propalada reforma da previdência e a venda de mais patrimônio público. Os bancos estatais já são fustigados publicamente por um ministro da economia que parece viver sob pressão da vida e da morte para entregar a abutres o futuro de 210 milhões de pessoas. Nem economistas ortodoxos alemães, nem tampouco nossos amigos economistas liberais chineses entenderiam essa obsessão por abrir mão de ativos bancários em épocas de certeza zero por parte dos investimentos privados.
A mentira virou verdade. Desde alunos de economia até donas de casa são levados a acreditar que o problema do país é o Estado. Afinal o Estado está longe das pessoas. E quando comparece é para matar, de forma seletiva, negros e pobres. A urbis, no capitalismo periférico sem perspectivas, transforma-se num Moloch que a tudo devora. Inclusive os sonhos que só podem ser renovados no momento em que o empresário olhar para o orçamento público e decidir investir sozinho e solitário, pois o Estado está fazendo sua parte ao se abster de gerar demanda efetiva. Certamente os empresários varejistas afeitos ao fascismo que hoje financiam uma blitz pela reforma da previdência não utilizaram este argumento para tomar emprestado dezenas de bilhões de reais de nosso BNDES.
O que restou de consciência na sociedade se bate em questões caras aos revolucionários russos do início do século 20. Que fazer? Se render diante da realidade, esbravejar e eleger o vizinho como inimigo? Aceitar a pauta e o campo de debate proposto pelo presidente como parece ser o rumo também escolhido pela “resistência”? Ou, o mais difícil, que é fazer política grande e aceitar o desafio de unir o país? E desde já dizemos que unir um país heterogêneo como o Brasil é tarefa de gigantes que não aceitam a pauta de “resistência” como variável estratégica. Aceitar este desafio é colocar o particular no plano da totalidade. É fazer política dentro e fora da bolha, não se utilizando da gritaria e do ódio como argumentos. Este método de ação deixemos para os nossos inimigos.
Lembrando de nosso amigo Cristiano Capovilla, percebemos Hegel que nos ensinou acerca do momento em que tudo parece dividido e cindido ser a hora da filosofia, do grande pensamento. Não aceitar o jogo vigente é construir uma outra lógica para nomearmos novos valores e verdades para os fenômenos. O que significa, em linha de continuidade com o mesmo Hegel, subverter os sentidos do discurso oficial em sua essência. Logo, não aceitando a polarização proposta como algo dado, imutável.
Logo, a tarefa é óbvia. Pela filosofia chegamos à necessidade de um novo léxico de caráter nacional e popular, adequado aos tempos de hoje no Brasil. No concreto isso significa unir os mais amplos setores da sociedade contra o atual estado de coisas. Não existe saída fora da política, ainda mais quando liberais não neoclássicos já começam a serem chamados de comunistas e perseguidos por convicções democráticas. Mas não chegaremos longe com bandeiras do passado. Não fazemos história sob condições escolhidas por nós e devemos saber que a tarefa de unir o país e reconstruí-lo não será tarefa simples a ser executada, por esta ou aquela força política “iluminada”.
Ignacio Rangel, o maior pensador da brasilidade, nos alertara sobre os riscos das nações que se negaram o direito de se desenvolver. Todas elas pereceram. O Brasil corre este risco. Logo, devemos construir e mostrar à sociedade um caminho de futuro. Uma rota por onde seguir. E como seguir. É crível a necessidade de não aceitarmos o jogo e os termos do jogo propostos pelo inimigo sob forma de uma polarização que só interessa, em Clausevitz, a quem tem a iniciativa de combate. Não é o nosso caso: estamos em franco processo de isolamento desde 2016. A única saída é a amplitude. Observamos o grande jogo que está sendo jogado. Ninguém mira em jogar na descrença do poder legislativo e do STF sem nenhuma boa carta na manga.
Existe método na loucura, sim. O que virá poderá ser um 1964 sem o instituto da correção monetária e, muito menos, um 2° PND. Poderemos acordar num Chile miserável com mais de 200 milhões de habitantes. A nação está em perigo. A bandeira nacional e o lema “Brasil Acima de Tudo” deve ser honraria nossas. Não deles.
Crédito da foto da página inicial: Reprodução/Vídeo Chico Prado/Revista Fórum
Hegel ensinou que quando tudo parece dividido é a hora da filosofia, do grande pensamento, de construir uma outra lógica e subverter os sentidos do discurso oficial. É preciso mostrar ao Brasil um caminho de futuro
16/04/2019
Não é mais segredo para ninguém que teremos mais um ano de crescimento pífio. O desemprego voltou a subir e a capacidade ociosa na indústria já beira os 40%. A taxa de investimentos (um ótimo indicador à verificação do nível de barbárie social) está em 15,5%. Este índice na China, que necessita gerar 13 milhões de empregos urbanos ao ano, está acima dos 40% há anos. No caso brasileiro uma taxa mínima para somente manter o atual nível de (des) emprego seria de 18%.
Liberais protofascistas aterrorizam a sociedade com a necessidade de uma propalada reforma da previdência e a venda de mais patrimônio público. Os bancos estatais já são fustigados publicamente por um ministro da economia que parece viver sob pressão da vida e da morte para entregar a abutres o futuro de 210 milhões de pessoas. Nem economistas ortodoxos alemães, nem tampouco nossos amigos economistas liberais chineses entenderiam essa obsessão por abrir mão de ativos bancários em épocas de certeza zero por parte dos investimentos privados.
A mentira virou verdade. Desde alunos de economia até donas de casa são levados a acreditar que o problema do país é o Estado. Afinal o Estado está longe das pessoas. E quando comparece é para matar, de forma seletiva, negros e pobres. A urbis, no capitalismo periférico sem perspectivas, transforma-se num Moloch que a tudo devora. Inclusive os sonhos que só podem ser renovados no momento em que o empresário olhar para o orçamento público e decidir investir sozinho e solitário, pois o Estado está fazendo sua parte ao se abster de gerar demanda efetiva. Certamente os empresários varejistas afeitos ao fascismo que hoje financiam uma blitz pela reforma da previdência não utilizaram este argumento para tomar emprestado dezenas de bilhões de reais de nosso BNDES.
O que restou de consciência na sociedade se bate em questões caras aos revolucionários russos do início do século 20. Que fazer? Se render diante da realidade, esbravejar e eleger o vizinho como inimigo? Aceitar a pauta e o campo de debate proposto pelo presidente como parece ser o rumo também escolhido pela “resistência”? Ou, o mais difícil, que é fazer política grande e aceitar o desafio de unir o país? E desde já dizemos que unir um país heterogêneo como o Brasil é tarefa de gigantes que não aceitam a pauta de “resistência” como variável estratégica. Aceitar este desafio é colocar o particular no plano da totalidade. É fazer política dentro e fora da bolha, não se utilizando da gritaria e do ódio como argumentos. Este método de ação deixemos para os nossos inimigos.
Lembrando de nosso amigo Cristiano Capovilla, percebemos Hegel que nos ensinou acerca do momento em que tudo parece dividido e cindido ser a hora da filosofia, do grande pensamento. Não aceitar o jogo vigente é construir uma outra lógica para nomearmos novos valores e verdades para os fenômenos. O que significa, em linha de continuidade com o mesmo Hegel, subverter os sentidos do discurso oficial em sua essência. Logo, não aceitando a polarização proposta como algo dado, imutável.
Logo, a tarefa é óbvia. Pela filosofia chegamos à necessidade de um novo léxico de caráter nacional e popular, adequado aos tempos de hoje no Brasil. No concreto isso significa unir os mais amplos setores da sociedade contra o atual estado de coisas. Não existe saída fora da política, ainda mais quando liberais não neoclássicos já começam a serem chamados de comunistas e perseguidos por convicções democráticas. Mas não chegaremos longe com bandeiras do passado. Não fazemos história sob condições escolhidas por nós e devemos saber que a tarefa de unir o país e reconstruí-lo não será tarefa simples a ser executada, por esta ou aquela força política “iluminada”.
Ignacio Rangel, o maior pensador da brasilidade, nos alertara sobre os riscos das nações que se negaram o direito de se desenvolver. Todas elas pereceram. O Brasil corre este risco. Logo, devemos construir e mostrar à sociedade um caminho de futuro. Uma rota por onde seguir. E como seguir. É crível a necessidade de não aceitarmos o jogo e os termos do jogo propostos pelo inimigo sob forma de uma polarização que só interessa, em Clausevitz, a quem tem a iniciativa de combate. Não é o nosso caso: estamos em franco processo de isolamento desde 2016. A única saída é a amplitude. Observamos o grande jogo que está sendo jogado. Ninguém mira em jogar na descrença do poder legislativo e do STF sem nenhuma boa carta na manga.
Existe método na loucura, sim. O que virá poderá ser um 1964 sem o instituto da correção monetária e, muito menos, um 2° PND. Poderemos acordar num Chile miserável com mais de 200 milhões de habitantes. A nação está em perigo. A bandeira nacional e o lema “Brasil Acima de Tudo” deve ser honraria nossas. Não deles.
Crédito da foto da página inicial: Reprodução/Vídeo Chico Prado/Revista Fórum
segunda-feira, 15 de abril de 2019
Flávio Dino sai em defesa do Papa Francisco contra Steve Bannon - Portal Vermelho
Flávio Dino sai em defesa do Papa Francisco contra Steve Bannon - Portal Vermelho:
O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), fez declarações de apoio ao Papa Francisco, que classificado como "inimigo" pelo influenciador do governo de Jair Bolsonaro, Steve Bannon.
Brasil 247
"Um tal Steve Bannon, que posa de guru de meia dúzia de delirantes, atacou o Papa Francisco, um dos maiores líderes religiosos e humanistas desse nosso tempo. Espero que o Papa Francisco prossiga por muitos anos com suas palavras em favor dos mais pobres e da justiça social", disse Dino pelo Twitter.
Segundo o jornal The Guardian, Steve Bannon declarou ao ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, que o Papa Francisco "é o inimigo" e deve ser atacado.
O ex-estrategista chefe de Donald Trump, mentor do bolsonarismo, aconselhou o ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, a atacar o Papa Francisco sobre a questão da migração, segundo fontes próximas à extrema direita italiana.
"Bannon aconselhou o próprio Salvini que o papa atual é uma espécie de inimigo. Ele sugeriu, com certeza, atacar frontalmente ", disse o jornal inglês The Guardian, citando declaração de um representante Liga Anti-imigração da Itália.
Guardian resgata uma reunião entre Steve Bannon e Matteo Salvini em 2016, em Washington. Depois disso, Salvini começou a atacar mais duramente o Papa Francisco.
Bannon, em entrevista à NBC e à Source Material, que será transmitida às 21h do horário de Brasília nos EUA no domingo, critica as advertências do papa sobre os movimentos populistas ressurgentes. "Você pode ir ao redor da Europa e é [o populismo] pegando fogo e o papa está completamente errado", disse Bannon.
Com o mais recente ataque de Bannon ao Papa, como ficam os cristãos da família brasileira que apoiaram Bolsonaro?
Fonte: Brasil 247
sexta-feira, 12 de abril de 2019
Quero Viver Depois de Trabalhar A CTB na luta pelo direito à aposentadoria digna
FOI DADA A LARGADA
“Quero Viver Depois de Trabalhar” é a campanha nacional da CTB pelo direito à aposentadoria digna para o povo brasileiro. Temos o objetivo de sensibilizar todas as classes com o retrocesso que a Reforma da Previdência proposta por Bolsonaro pode causar. Nas redes e nas ruas, através de panfletos, folhetos, redes sociais e um site preparado para tirar todas as dúvidas, vamos dialogar com toda a sociedade. 👊🏻
Para a grande largada dessa sexta-feira, PEÇO QUE COMPARTILHE com o máximo de pessoas possíveis essa imagem abaixo👇🏻
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Vamos à luta a favor do nosso futuro e das próximas gerações!
“Quero Viver Depois de Trabalhar” é a campanha nacional da CTB pelo direito à aposentadoria digna para o povo brasileiro. Temos o objetivo de sensibilizar todas as classes com o retrocesso que a Reforma da Previdência proposta por Bolsonaro pode causar. Nas redes e nas ruas, através de panfletos, folhetos, redes sociais e um site preparado para tirar todas as dúvidas, vamos dialogar com toda a sociedade. 👊🏻
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