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domingo, 30 de abril de 2017

Assembleia Geral da CNBB lança mensagem aos trabalhadores e trabalhadoras

AOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DO BRASIL

MENSAGEM DA CNBB

“Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho” (Jo 5,17)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunida, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida – SP, em sua 55ª Assembleia Geral Ordinária, se une aos trabalhadores e às trabalhadoras, da cidade e do campo, por ocasião do dia 1º de maio. Brota do nosso coração de pastores um grito de solidariedade em defesa de seus direitos, particularmente dos 13 milhões de desempregados.

O trabalho é fundamental para a dignidade da pessoa, constitui uma dimensão da existência humana sobre a terra. Pelo trabalho, a pessoa participa da obra da criação, contribui para a construção de uma sociedade justa, tornando-se, assim, semelhante a Deus que trabalha sempre. O trabalhador não é mercadoria, por isso, não pode ser coisificado. Ele é sujeito e tem direito à justa remuneração, que não se mede apenas pelo custo da força de trabalho, mas também pelo direito à qualidade de vida digna.

Ao longo da nossa história, as lutas dos trabalhadores e trabalhadoras pela conquista de direitos contribuíram para a construção de uma nação com ideais republicanos e democráticos. O dia do trabalhador e da trabalhadora é celebrado, neste ano de 2017, em meio a um ataque sistemático e ostensivo aos direitos conquistados, precarizando as condições de vida, enfraquecendo o Estado e absolutizando o Mercado. Diante disso, dizemos não ao “conceito economicista da sociedade, que procura o lucro egoísta, fora dos parâmetros da justiça social” (Papa Francisco, Audiência Geral, 1º. de maio de 2013).

Nessa lógica perversa do mercado, os Poderes Executivo e Legislativo reduzem o dever do Estado de mediar a relação entre capital e trabalho, e de garantir a proteção social. Exemplos disso são os Projetos de Lei 4302/98 (Lei das Terceirizações) e 6787/16 (Reforma Trabalhista), bem como a Proposta de Emenda à Constituição 287/16 (Reforma da Previdência). É inaceitável que decisões de tamanha incidência na vida das pessoas e que retiram direitos já conquistados, sejam aprovadas no Congresso Nacional, sem um amplo diálogo com a sociedade.

Irmãos e irmãs, trabalhadores e trabalhadoras, diante da precarização, flexibilização das leis do trabalho e demais perdas oriundas das “reformas”, nossa palavra é de esperança e de fé: nenhum trabalhador sem direitos! Juntamente com a Terra e o Teto, o Trabalho é um direito sagrado, pelo qual vale a pena lutar (Cf. Papa Francisco, Discurso aos Movimentos Populares, 9 de julho de 2015).

Encorajamos a organização democrática e mobilizações pacíficas, em defesa da dignidade e dos direitos de todos os trabalhadores e trabalhadoras, com especial atenção aos mais pobres.

Por intercessão de São José Operário, invocamos a benção de Deus para cada trabalhador e trabalhadora e suas famílias.

Aparecida, 27 de abril de 2017.

Dom Sergio da Rocha

Arcebispo de Brasília

Presidente da CNBB

Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ

Arcebispo São Salvador da Bahia

Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário-Geral da CNBB

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Cláudio Bastos, Presidente da FETAG-BA:"Temos casos na área rural da Bahia de trabalho escravo"

Cláudio Bastos:"Temos casos na área rural da Bahia de trabalho escravo"


de_Claudio_BastosCláudio Bastos, natural de Bom Jesus da Serra, sudoeste baiano, muito jovem começou a atuar no MSTTR juntamente com o seu pai, também dirigente sindical. Pela sua atuação junto ao MSTTR, alcançou grande destaque no cenário político-sindical assumindo a Secretaria de Formação e Organização Sindical da Fetag-BA em 2002 e em 2006 assumiu o cargo de vice-presidente e também após assumiu o cargo de secretário de Finanças e Administração.
Atualmente faz parte da Diretoria Plena da CTB-BA e ocupa o cargo de presidente da Fetag no mesmo estado, federação que completou 48 anos em setembro e que tem como principal proposta a luta dos trabalhadores rurais e dos agricultores familiar, atuando na defesa da reforma agrária no estado. Cláudio Bastou concedeu entrevista ao Portal CTB.
Portal CTB: Qual é a característica marcante da Fetag Bahia e suas grandes bandeiras de luta?
Cláudio Bastos:
A Fetag-BA tem hoje 404 sindicatos filiados à Federação, tem 18 regionais organizadas que fazem a ponte entre a federação e os sindicatos. A federação está estruturada em todo o interior do estado que busca incessantemente fortalecer a agricultura familiar, porque achamos que a agricultura familiar tem potencial muito importante na geração de empregos, porque a cada dez postos de trabalho gerados no campo hoje do Brasil, sete vêm da agricultura familiar, então para nós é fundamental a democratização do acesso à terra que está diretamente associada à realização de uma ampla e massiva reforma agrária.
Portal CTB: Em sua opinião quais medidas devem acompanhar a reforma agrária para que traga benefícios à produção de alimentos?
Cláudio Bastos:
A reforma agrária tem que acontecer na sua plenitude e tem que acontecer acompanhada de investimentos, com politicas públicas, politicas estruturantes que possa fazer que o agricultor se consolide e consequentemente trabalhador rural tenha acesso a politicas sociais, como saúde e educação.
A realização de obras importantes como programa “Luz para Todos”, que realmente o programa de “Habitação Rural” seja eficiente e abrangente para o homem do campo. Tudo isso é muito essencial para consolidar a agricultura familiar em nosso país e em nosso estado.
Portal CTB: Como você compara os incentivos do governo federal para a produção agrícola do trabalhador rural e agricultor familiar e o volume maior ao agronegócio?
Cláudio Bastos
: Em primeiro lugar quero destacar que a nossa grande bandeira é em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras rurais assalariados, como é chamado popularmente, operários do campo. Com a força do seu trabalho ajudam os grandes empresários do país a conseguir grandes produções agrícolas e pecuárias que são exportadas. O agronegócio tem atuação forte nas exportações e a agricultura familiar no processo de garantia da soberania alimentar, que hoje passa de 70% do alimento produzido no país que chaga à mesa do brasileiro.
Portal CTB: Como a Fetag-BA combate a precarização do trabalha no campo?
Cláudio Bastos:
Defendemos fundamentalmente a redução da jornada de trabalho no campo também, uma bandeira prioritária nossa e temos uma secretaria especifica que faz esse trabalho dos assalariados rurais e que está concentrado em pólos diferentes, como o vale do São Francisco na região do Juazeiro que é forte na produção de fruticultura e também da produção da cana. O polo da Chapada Diamantina que está concentrada no Sudoeste baiano a produção hortifruticultura e a produção de café, que tem muito assalariado rural, e no Sul e extremo sul do estado onde se concentra a grande agricultura com diversidade de produção que vai inclusive a produção de eucalipto, de madeira e celulose. E a região oeste que é grande área do agronegócio, principalmente com a produção de soja.
É permanente o nosso trabalho nessas regiões fazendo que a gente fortaleça a organização do trabalho, fazendo com que a gente fortaleça também as convenções coletivas, para garantir os melhores salários, a diminuição da jornada e condições de trabalho.
Portal CTB: Qual é o quadro do trabalhador rural que a Federação e as regionais encontram no campo?
Cláudio Bastos:
Temos enfrentado na Bahia, por exemplo, a precarização da condição de trabalho no campo é muito forte, temos combatido isso. Mas, nós temos casos nas áreas rurais na Bahia de escravidão realmente de fato, de trabalho escravo. Pressionamos o Ministério Público do Trabalho para fiscalizar este tipo de ação, mas ainda é realidade existência do trabalho escravo, principalmente na região oeste do estado onde se concentra o agronegócio, onde enfrentamos situações precárias de trabalho.
Celso Jardim - Portal CTB

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Portal CTB: As Margaridas estão chegando


As Margaridas estão chegando

Poucas horas antes do início das atividades da 4ª Marcha das Margaridas, o Parque da Cidade, em Brasília, já respira a grande festa. Sons de martelo misturam-se a árvores cenográficas, com flores em tons de roxo, rosa, branco e amarelo.
O palco principal recebe os últimos retoques. Os estandes com as mostras das 27 Federações do País já estão enfeitados. Se dentro do parque, o movimento é para não deixar nenhum detalhe esquecido, no aeroporto Juscelino Kubitschek e nas estradas que dão acesso à capital federal não é diferente. Há uma mistura de sotaques que não deixa dúvidas: as Margaridas estão chegando!
A coordenadora de mulheres da Fetag, Inque Schneider, em Brasília desde a manhã de hoje (15), conta que as mulheres das regionais Quarta Colônia e Litoral já estão no Distrito Federal. E que as demais delegações devem chegar, na sua maioria, hoje à noite. No primeiro dia, as mulheres participam de oficinas e palestras – algumas terão a oportunidade de participar de homenagem no Congresso Nacional (15 por Fetag).
A tarde haverá visitação à mostra de artesanato e à noite, show da cantora Margareth Menezes, além de apresentações culturas – o Rio Grande do Sul vai representar os três estados do sul do Brasil com apresentação de música folclórica da Regional Baixo Jacuí.
No dia seguinte, 17, acontece a marcha propriamente dita, com saída do Parque da Cidade às 7h, num percurso de 6km até a Esplanada dos Ministérios. A Fetag-RS será a penúltima delegação a desfilar.
Quanta à mostra dos produtos dos diferentes estados brasileiros, a Fetag é representada por Maria Regina, de Presidente Lucena, que trouxe cinco variedades de biscoitos caseiros. Amanhã, quando a mostra estiver aberta ao público, ela estará vestida de prenda, representado milhares de trabalhadoras rurais do RS, que descobriram uma forma de agregar renda à família.
Se sobrar algum biscoito, Regina promete doar, pois se diz recompensada pela oportunidade de participar da Marcha das Margaridas.
Fonte: Fetag-RS

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