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sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Tecnoblog Vazamento que expôs 220 milhões de brasileiros é pior do que se pensava - Felipe Ventura


Fonte: Tecnoblog

Exclusivo: vazamento que expôs 220 milhões de brasileiros é pior do que se pensava
Vazamento inclui CPF, foto de rosto, endereço, telefone, e-mail, score de crédito, salário e mais; dados podem ser da Serasa Experian
Por Felipe Ventura
22/01/2021 às 14:10
NEWS


Esta semana, surgiu a notícia de um vazamento enorme que expôs o CPF de mais de 220 milhões de brasileiros. O Tecnoblog descobriu que o caso é mais grave: esse conjunto de dados pessoais, oferecido de graça em um fórum de internet, está associado a uma base ainda maior que inclui foto de rosto, endereço, telefone, e-mail, score de crédito, salário, renda e muito mais. O arquivo parece estar associado à Serasa Experian, mas a empresa nega ser a fonte.

Exclusivo: o que há no vazamento que afetou 40 milhões de CNPJs
O que é LGPD? [Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais]


Bandeira do Brasil (Imagem: ilanwet/Pixabay)
Dois vazamentos de dados

Temos aqui dois casos distintos, mas relacionados. O primeiro vazamento inclui somente nome completo, CPF, data de nascimento e gênero: ele está disponível para download gratuito em um fórum bastante conhecido por divulgar esse tipo de informação.

O arquivo de 14 GB possui dados de 223,74 milhões de CPFs distintos, e aparentemente foi compilado em agosto de 2019. Ele está disponível na internet aberta, não na dark web: o link até foi indexado pela busca do Google. O número de pessoas afetadas é maior do que a população brasileira porque a base de dados também inclui falecidos.


Por sua vez, o segundo vazamento traz informações dos mesmos 223,74 milhões de pessoas e também teria sido compilado em agosto de 2019. Ele foi divulgado pelo mesmo usuário no fórum, e inclui os CPFs na mesma ordem, como ilustra a imagem abaixo:


Comparação dos dois vazamentos (Imagem: Reprodução)

Neste caso, só a prévia está disponível de graça: quem quiser o pacote completo tem que gastar dinheiro. Os preços variam de US$ 0,075 a US$ 1 por CPF, dependendo da quantidade comprada. O pagamento é feito somente em bitcoin.

No total, são 37 bases que incluem todo tipo de dado pessoal, incluindo RG, estado civil, lista de parentes, endereço completo (com latitude e longitude), nível de escolaridade, salário, renda, poder aquisitivo, status na Receita Federal e INSS, entre muitos outros.

Vazamento veio da Serasa Experian?

O vazamento maior é intitulado “Serasa Experian”, e existem alguns indícios de que estes dados podem estar relacionados à empresa:
uma das bases traz dados do Mosaic, serviço da Serasa Experian que classifica os consumidores em 11 grupos e 40 segmentos, a fim de fazer anúncios segmentados e prospecção de clientes;
outras duas bases possuem informações sobre modelos de afinidade e propensão, algo que também é oferecido pela Serasa, a chance de que uma pessoa tem de comprar determinado produto ou serviço como seguro, previdência privada, cartão de crédito, jogos, viagens, artigos de luxo, entre outros;
há ainda uma lista de scores de crédito, produto pelo qual a Serasa é mais conhecida.

Em comunicado ao Tecnoblog, a Serasa Experian diz: “estamos cientes de alegações de terceiros sobre dados disponibilizados na dark web; conduzimos uma investigação e neste momento não vemos nada que indique que a Serasa seja a fonte”.

E a LGPD?

A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), que está valendo desde setembro de 2020, prevê sanções que vão desde uma advertência até uma multa de 2% sobre o faturamento anual até o máximo de R$ 50 milhões.

No entanto, as punições só devem ser aplicadas a partir de agosto de 2021. Isso ficará a cargo da ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados), que ainda está definindo seus principais cargos técnicos.
O que foi exposto no vazamento de 220 milhões


Parte das pastas inclusas no vazamento (Imagem: Reprodução)

O Tecnoblog contou com a ajuda do DataBreaches.net para descobrir os detalhes deste conjunto de dados, que está à venda na internet desde a semana passada.

Reunimos abaixo as principais informações que constam no vazamento maior:
  • básico: nome, CPF, gênero, data de nascimento, nome do pai, nome da mãe
  • estado civil (casado, solteiro, divorciado, viúvo, outros)
  • vínculo familiar: categoriza pessoas de acordo com vínculo de 1º grau (mãe, pai, filho, filha, irmão, irmã, cônjuge) ou 2º grau (avô, neto, tio, sobrinho, primo etc.)
  • e-mail
  • telefone: DDD, número, operadora, plano, tipo de linha (fixa, pré-paga, pós-paga), data de instalação
  • endereço: logradouro, número, bairro, cidade, estado, CEP, tipo (residencial / comercial), latitude e longitude
  • domicílios: CPF do chefe de família, número de pessoas, faixa de renda, endereço completo
  • escolaridade: nível (analfabeto / fundamental / técnico / superior etc.)
  • universitários: 1.643.105 pessoas com nome da faculdade, curso, ano de entrada e ano de conclusão
  • ocupação: cargo, número CBO (Classificação Brasileira de Ocupações)
  • emprego: CNPJ e razão social do empregador, número do PIS/PASEP/NIT, número do CTPS, tipo de vínculo (CLT, autônomo, servidor, aprendiz etc.), data de admissão, salário, horas de trabalho por semana
  • salário: valor, tipo (mensal, quinzenal, semanal etc.), horas por semana
  • renda: valor mensal (inclui salário, aluguéis, recebimento de juros etc.), classe social (baixa, média, alta), faixa de renda
  • classe social (A1, A2, B1, B2, C1, C2, D, E)
  • poder aquisitivo: nível (baixo, médio, alto), renda, salário
  • Bolsa Família: valor, situação do benefício (liberado / bloqueado), status do benefício (ativo / inativo), número e nome dos dependentes, NIS (Número de Identificação Social)
  • título de eleitor: número de inscrição, zona, seção, endereço, município, estado
  • RG
  • FGTS: número do PIS
  • CNS (Cartão Nacional de Saúde)
  • NIS (Número de Identificação Social)
  • PIS/PASEP
  • INSS: nome do segurado, número do benefício, data de início, espécie (aposentadoria, pensão, salário-maternidade etc.)
  • IRPF (imposto de renda): nome da instituição bancária, código da agência, lote de restituição
  • Receita Federal: situação cadastral (regular / suspensa / cancelada / titular falecido)
  • score de crédito: atividade de crédito, score de risco, nível de risco (baixo / médio / alto)
  • devedores: nome, tipo do devedor (principal, corresponsável), situação (ativa, em cobrança, ajuizada), tipo de dívida (multa, imposto de renda, PIS etc.), valor, foi parar na Justiça? (sim / não)
  • cheques sem fundos: código e agência do banco, motivo (sem fundos / conta encerrada)
  • Mosaic: grupo e subgrupo de segmentação
  • afinidade: nível de precisão, percentil
  • modelo analítico: prevê chance de consumidor ter afinidade para comprar um produto ou serviço
  • fotos de rostos: 1.176.157 imagens JPEG com datas entre 2012 e 2020; o nome de arquivo é o CPF da pessoa correspondente
  • LinkedIn: 5.051.553 perfis da rede social com número ID e URL de acesso
  • empresarial: nome do sócio de uma empresa, participação (ações e %), razão social e nome fantasia da empresa, CNPJ, data de entrada na sociedade
  • servidores públicos: descrição do cargo, lotação, exercício, renda bruta, estado, vínculo, afastamento (sim / não)
  • conselhos: 2.260.960 pessoas que prestam consultoria no âmbito público ou privado, incluindo situação, especialidade e código de ocupação
  • óbitos: data de falecimento, idade, data da certidão de óbito, nome e endereço do cartório

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Setembro de 2013 - "Brasil é o principal alvo dos EUA", diz jornalista americano que recebeu documentos de Snowden


"Brasil é o principal alvo dos EUA", diz jornalista americano
Jornalista do The Guardian que obteve documentos de Edward Snowden promete revelar novas denúncias e assegura que o Brasil é o "grande alvo" dos EUA; entenda

Jornalista do “Guardian”, Glenn Greenwald garante que Brasil é o grande alvo dos EUA (Foto: Huffington Post)

O jornalista norte-americano Glenn Greenwald, que revelou os documentos secretos obtidos por Edward Snowden, disse que o Brasil é o maior alvo das tentativas de espionagem dos Estados Unidos. “Não tenho dúvida de que o Brasil é o grande alvo dos Estados Unidos”, disse o jornalista, que promete trazer novas denúncias. “Vou publicar todos os documentos até o último documento que deva ser publicado. Estou trabalhando todo dia.”

Greenwald revelou esta semana, em reportagem em conjunto com o programa “Fantástico”, da TV Globo, que o governo americano espionou inclusive os e-mails da presidente Dilma Rousseff e de seus assessores próximos.

Snowden era técnico da NSA, a agência de segurança americana, e revelou ao jornal britânico “The Guardian”, onde Greenwald é colunista, o escândalo de espionagem norte-americano.
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O governo brasileiro já cobrou uma resposta formal e por escrito à Casa Branca. Em nota, o Departamento de Estado americano disse na terça-feira (3) que “responderá pelos canais diplomáticos” aos questionamentos do Brasil. O departamento não comenta publicamente as denúncias, mas afirma que os EUA “sempre deixaram claro que reúnem inteligência estrangeira”. Para o jornalista, o Brasil tem de dar uma resposta “enérgica” e “menos vaga” aos EUA.

Segundo Greenwald, o que motiva os EUA a espionar até mesmo aliados é o desejo por poder. “Todos os governos, na história, que quiseram controlar o mundo, controlar a população, usam a espionagem para fazer isso. Quando você sabe muito sobre o que outros líderes estão pensando, planejando, comunicando, você pode controlá-los muito mais porque você sempre sabe o que eles estão fazendo. O motivo é o poder. Sempre que os Estados Unidos estão fazendo espionagem, o poder deles aumenta muito. Além disso, o sistema brasileiro de telecomunicação, como é um alvo grande, um alvo forte, eles podem coletar dados de comunicações de muitos outros países. Por exemplo, se tem alguém na China que está mandando e-mails para alguém na Rússia, muitas vezes pode atravessar o sistema do Brasil. Na internet funciona assim. Então, para saber tudo o que eles querem fazer, coletam tudo o que for possível. Mas com certeza é para obter vantagens industriais e também por questões de segurança nacional.”

“Não tenho dúvida de que o Brasil é o grande alvo dos Estados Unidos. Talvez tenham outros líderes que eles estão fazendo isso, mas é raro fazer isso com aliados, países amigos, como Brasil e México. Eles têm muito interesse no Brasil por várias razões. Acho que tem outros países, mas o Brasil é um dos principais”, completou.

com UOL

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