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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Fundação Maurício Grabois discute agenda para Pessoas com Deficiência - Blog do Renato rabelo

Fundação Grabois discute agenda para Pessoas com Deficiência

Nesta quinta-feira, 22 de janeiro, o presidente da Fundação Maurício Grabois, Adalberto Monteiro, reuniu-se com os ativistas do Movimento Nacional de Pessoas com Deficiência (PcD), Alisson Azevedo e Deni Carlos Freitas. Foram discutidos os temas de maior relevância para o movimento na atualidade e a contribuição possível da Fundação para ampliar o debate sobre políticas públicas para esta população.
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Os ativistas do Movimento Nacional de Pessoas com Deficiência, Alisson Azevedo, à esquerda, e Deni Freitas são recebidos pelo presidente da Fundação Maurício Grabois, Adalberto Monteiro
Ativistas em Goiás, ambos lutam pelo protagonismo das PcD, visando dirigir as ações e políticas públicas voltadas para esta população. Segundo eles, muitas medidas são elaboradas por gestores públicos que não conhecem as demandas específicas desta população, o que acaba por implicar em gastos públicos com políticas ineficientes.

Freitas comemora os inúmeros avanços, desde o Governo Dilma, quando as Conferências Nacionais de Pessoas com Deficiência foram consolidando uma política de governo neste sentido. O grande aliado dos ativistas no Governo Federal é o secretário nacional de Pessoas com Deficiência, Antonio José Ferreira.
As políticas para esta população são transversais e incidem sobre ministérios como o da Educação, da Saúde, de Cidades, entre outros. O tema da acessibilidade urbana é, talvez, aquele que mais atende aos anseios dessas pessoas. Do mesmo modo, com a liderança do comunista Aldo Rebelo sobre o Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação, o tema da tecnologia assistiva pode avançar.
“A tecnologia assistiva tem avançado muito, mas a acessibilidade urbana, digital e tecnológica, é pouco produzida e inacessível para a população em geral. A articulação com o ministro Aldo pode ser um momento privilegiado para avançar essas políticas públicas”, diz Freitas. Azevedo acrescenta que o MCTI já conta com uma Secretaria de Inclusão Tecnologia, que desenvolve um Programa Nacional de Tecnologia Assistiva.
Monteiro, por sua vez, colocou a Fundação a disposição para a articulação de debates e agregar militância sobre o tema da tecnologia assistiva, no decorrer de 2015. “Podemos divulgar, por meio do Portal Grabois, da revista Princípios e das redes sociais da Fundação, o debate sobre políticas públicas para Pessoas com Deficiência e, assim, articular melhor a militância deste segmento”, afirmou o dirigente.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Seminário Política de Defesa e projeto Nacional de Desenvolvimento - 04 de junho em Brasília




Data: 4 de Junho
Local: Escola do Legislativo da
Câmara dos Deputados - CEFOR
Horário: 9h às 17h


Manhã
9h - PAINEL DE ABERTURA
“Defesa e o Cenário Internacional”
Presidente da Fundação Perseu Abramo (PT): Nilmário Miranda
Presidente da Fundação João Mangabeira (PSB): Carlos Siqueira
Presidente da Fundação Maurício Grabois (PCdoB): Adalberto Monteiro
Presidente da Fundação Leonel Brizola - Alberto Pasqualini (PDT): Manoel Dias
9h30 - Conferência do Ministro da Defesa, Celso Amorim:
Tema: “Política Brasileira de Defesa e as Tendências do Cenário Internacional”

10h30 - Mesa 1: “Estratégia Nacional de Defesa”
Palestrantes
Renato Rabelo – Presidente Nacional do PCdoB
Rui Falcão – Presidente Nacional do PT
Roberto Amaral – Vice-Presidente Nacional do PSB
Francisco das Chagas Leite Filho - Jornalista e Analista Politico -
Representante do PDT
11h30 - Debate
12h30 - Almoço

Tarde
14h - Mesa 2: “Projetos Estratégicos de Defesa”
A) Projeto Aeroespacial:
Palestrantes:
Marco Antonio Raupp – Ministro da Ciência, Tecnologia e
Inovação
Roberto Amaral – Vice-presidente Nac. do PSB, Ex-Ministro da
C,T&I e Ex-Diretor Presidente da Alcântara Cyclone Space

B) Projeto Nuclear:
Palestrantes:
Othon Luiz Pinheiro da Silva – Presidente da Eletronuclear
Rex Nazaré – Físico e especialista em energia nuclear –
Diretor de Tecnologia da FAPERJ

C) Defesa Cibernética:
Palestrantes:
General de Divisão José Carlos dos Santos – Comandante do
CDCiber (Centro de Defesa Cibernética)
Samuel César da Cruz Júnior – Pesquisador do IPEA,
especialista em Cibernética
16h - Debate
17h - Encerramento

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Esquerdismo, doença senil dos sectários - Por Altamiro Borges - Entenda a esquerda que a direita gosta! Fundação Maurício Grabois


Princípio 81 - 2005
www.grabois.org.br 
Na atual crise, as forças conservadoras contam com os aliados de discurso esquerdista.
Na grave crise política instalada no Brasil há cinco meses, os campos estão cada vez mais delimitados e a polarização se exacerba. Num pólo, as forças democráticas e populares que apóiam o governo Lula e que, mesmo criticando seus equívocos e contradições, enxergam nesta experiência sui generis a chance de o país superar o cancro do neoliberalismo. No outro lado, o bloco liberal-conservador que, derrotado na sucessão em 2002, agora investe sujo para retornar ao governo e para impor uma vingança maligna às forças populares que ousaram apeá-lo do poder. Ele almeja, de forma hipócrita e golpista, ver-se “livre desta raça pelos próximos 30 anos”, segundo a confissão fascistóide e racista do banqueiro Jorge Bornhausen, presidente do PFL.

No meio desse fogo cruzado, dois partidos procuram se firmar como “a autêntica” oposição de esquerda — o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), organizado em 1992, e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que obteve seu registro legal em setembro último. Apesar da tímida diferença com a oposição liberal-conservadora, na prática, ambas organizações concentram sua artilharia contra o governo Lula e fazem de tudo para fustiga-lo em cada batalha. Elas gastam bem mais energias, recursos e verves nesta oposição inflexível do que na crítica às manobras sorrateiras da direita. Não é para menos que a mídia burguesa, sob o controle de nove famílias, tem dado generosos espaços para estes agrupamentos!

A recente eleição para a presidência da Câmara Federal evidenciou gritantes contradições dessa “tática”. Enquanto o bloco liberal-conservador se unificou em torno do candidato do PFL e o prefeito de São Paulo e presidenciável tucano, José Serra, chegou a liberar dois secretários para votar , o PSOL orientou seus deputados a se absterem; já o PSTU repetiu o slogan “Fora Todos”. A apertada vitória do deputado Aldo Rebelo (PCdoB/SP), que conteve a sanha direitista pelo impeachment do presidente, talvez até tenha sido motivo de tristeza para alguns que padecem há tempos do esquerdismo, a doença senil dos sectários! Partidários do quanto pior, melhor, eles lamentaram o adiamento da “revolução”... ou da próxima eleição.

Enquanto o bloco PSDB-PFL lidera a oposição de direita ao governo Lula, pregando o seu “sangramento” ou “morte prematura”, PSTU e PSOL encabeçam uma agressiva campanha “de esquerda” com o mesmo intento. Eles até já se uniram em atos de rua com este objetivo, sempre com o alarde da mídia. A oposição é intransigente, sem perdão. Para o PSTU, agora é a hora de “pôr para fora este governo, este Congresso, o PT e a oposição burguesa. Fora Todos! Uma alternativa real para este país só virá com um novo tipo de governo e regime, com uma revolução socialista” . Já o PSOL propões um mecanismo institucional para derrotar o governo Lula. Defende a “convocação de um plebiscito nacional para que o povo decida pela antecipação ou não das eleições de 2006. A posição do PSOL é pelas antecipações das eleições” .

Posição principista

Em linhas gerais, PSTU e PSOL têm avaliações similares sobre a natureza do governo Lula e a correlação de forças no Brasil e no mundo. Entretanto, divergem sobre a tática, a estratégia e a forma de organização partidária. Tanto que os dois partidos desenvolvem verdadeira guerra fratricida na disputa pela liderança da chamada “oposição de esquerda”. Nesta refrega, sobram discursos radicalizados. Mas, como já ensinou Vladimir Ilitch Lênin, “a fraseologia revolucionária é a repetição de palavras de ordem sem relação com as circunstâncias objetivas, ao sabor dos últimos acontecimentos... Palavras de ordem excelentes, que arrastam e embriagam, mas desprovidas de base sólida, tal é a essência da fraseologia revolucionária”

No caso do PSTU, a oposição frontal ao presidente Lula se manifestou antes mesmo de este tomar posse. Já em novembro de 2002, num libelo principista, Mariúcha Fontana, editora do jornal deste partido, anteviu: “O governo Lula, por suas alianças e programa, será um governo burguês de submissão ao imperialismo”. Ela também não poupou o PT, que ainda abrigava os futuros idealizadores do PSOL. “Antes de chegar ao governo central, o PT já era um obstáculo para uma ruptura das massas com a recolonização imperialista, a exploração e a institucionalidade burguesa. Hoje, no governo central, o partido sofreu uma mudança de qualidade: passou a ser o agente direto da aplicação do projeto burguês e imperialista no país” .

Desde o início, o PSTU apostou todas as suas fichas no rápido desgaste do governo Lula, na súbita ascensão do movimento de massas e, lógico, no seu crescimento. Chegou a teorizar que, da mesma forma como os metalúrgicos do ABC paulista foram responsáveis pela retomada da onda grevista e pela criação do PT e da CUT, o funcionalismo público seria a vanguarda de um novo ascenso revolucionário que, como efeito, desaguaria no PSTU. A partir deste “otimismo voluntarista”, ele fez de tudo para demarcar campos no interior das esquerdas, visando principalmente estimular fraturas no PT. Nem mesmo o MST, reconhecido por sua capacidade de mobilização social, foi poupado das ácidas críticas . O ápice desta demarcação hostil se deu com a criação da Conlutas, numa ação tresloucada de divisão do sindicalismo brasileiro .

A tática de “forjar um partido revolucionário de massas alternativo ao PT”, porém, não deu os resultados almejados. Os primeiros dissidentes petistas, que se rebelaram no triste processo de votação da regressiva reforma da Previdência, optaram por criar um partido próprio, num encontro realizado em junho de 2004, e decidiram excluir o PSTU, tachando-o de “seita sectária” adepta de uma organização “fossilizada, rígida e cristalizada” . Para piorar, algumas lideranças do funcionalismo aderiram ao novo partido e o PSTU ainda perdeu vários quadros, inclusive de sua direção. O projeto de eleger a senadora Heloísa Helena em 2006 parecia mais exeqüível e sedutor! As diferenças táticas e organizativas se tornaram abissais.

Diante do fiasco da iniciativa e dos estragos na sua base, o PSTU voltou as baterias contra o PSOL. De possíveis aliados, os dissidentes petistas viraram inimigos figadais. Eduardo Almeida, um dos ideólogos da organização, não se cansa de rotular o novo partido de reformista, “sem opção programática de ruptura anticapitalista”, e eleitoreiro, “a serviço da candidatura de Heloísa Helena” . José Maria de Almeida, presidente do PSTU, também critica a cópia do modelo petista de organização com base nas tendências. “A única liberdade é a dos dirigentes, parlamentares e figurões para fazer o que bem entendem, enquanto a base é chamada para fazer campanha eleitoral a cada dois anos” .

Pretensões eleitorais

Diferentemente do PSTU, que é uma organização ultracentralizada, o PSOL é quase um partido frentista. No seu interior convivem , nem sempre harmoniosamente, umas dez correntes. Na sua executiva nacional provisória — composta por 15 integrantes —, ao menos oito deles já tiveram ligação com a mesma matriz do PSTU — a Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT), criada em 1982 pelo trotskista argentino Nahuel Moreno. Com dupla militância, atuam no Movimento de Esquerda Socialista (MÊS), da deputada Luciana Genro, na Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST), do deputado Babá, no Movimento Terra, Trabalho de Liberdade (MTL) e no Socialismo e Liberdade (SOL) — o mais recente agrupamento a deixar o PSTU.

Repetindo a controversa experiência do PT, do partido de tendências, o PSOL reúne desde intelectuais adeptos da luta processual pela hegemonia na sociedade, como os gramscianos Carlos Nelson Coutinho e Leandro Konder, até seitas trotskistas ultraesquerdistas. “Dentro do partido temos setores que se declaram reformistas e outros que se declaram revolucionários”, explicou Luciana Genro ao Correio da Cidadania. Já no encerramento do prazo eleitoral para trocas de partidos, em 30 de setembro, o PSOL ainda recebeu cinco deputados federais e outras vertentes frustradas com o Processo de Eleições Diretas (PED) do PT.

Para evitar traumas, sua executiva nacional decidiu flexibilizar o estatuto, inventando uma tal de “filiação democrática” que permite aos novos integrantes não seguirem automaticamente as decisões partidárias. “O PSOL deixou claro que programa, estatuto e manifesto são provisórios, para ficar mais flexíveis para o ingresso de pessoas que queiram discutir a nova agremiação. É uma filiação generosa que nos ofereceram, sem que isto implique desde já um compromisso definitivo, porque nem eles têm cristalizadas as suas posições”, revelou Plínio de Arruda Sampaio, que ficou em quarto lugar na eleição petista e, logo depois, deixou o partido Tal decisão gerou mal-estar nos filiados que votaram na sua chapa e duras críticas.

Para o teólogo Leonardo Boff, os que saem do partido “agravam a dispersão das forças de esquerda que ficam enfraquecidas como alternativa às forças conservadoras”. Já o sociólogo Emir Sader acusou-os de “tomarem uma decisão eleitoralista, submetendo a sua decisão de saída do PT ao calendário eleitoral, para poder inscrever-se em outra sigla e eventualmente conseguir se reeleger” . E o deputado Raul Pont, candidato ao segundo turno do PED, lamentou a precipitação. “Em vários debates, Plínio disse que apoiaria a candidatura da esquerda no segundo turno. As outras candidaturas desse campo firmaram o mesmo compromisso, caso ele fosse para a disputa. Ao retirar seu nome, ele enfraquece a unidade.”

Em decorrência destes e de outros arranjos, o PSOL tem uma estrutura organizativa bastante frouxa, um programa genérico e uma estratégia difusa. O que garante o amálgama ao novo partido parece ser o projeto eleitoral de 2006, com o açodado lançamento da senadora Heloísa Helena para a Presidência da República. Essa “estranha combinação de ultra-esquerdismo e eleitoralismo” , ainda aposta na adesão de vários petistas desiludidos com o PT e o governo Lula. Enquanto algumas correntes internas mais esquerdistas já sonham em “aproveitar a crise para lutar pela ruptura democrática e anticapitalista” , outras bem mais pragmáticas ficam excitadas com os índices de popularidade de sua presidenciável no Ibope. Apesar das divergências latentes, todas vivem um clímax temporário! Arapuca da direita

O problema é que a burguesia também está atenta e as ilusões de classe costumam ser desastrosas. Por enquanto, o PSOL e mesmo o desidratado PSTU podem servir aos objetivos das elites de satanizar o PT e desgastar o governo. Enquanto o primeiro prega a convocação de um referendo revogatório do mandato do presidente Lula o segundo esbraveja “Fora Todos”, tudo bem; está dentro do script golpista da elite. Nesta hora, como fulmina Emir Sader, a direita eleva “os dissidentes do PT a novos queridinhos da mídia, cedendo-lhes o espaço que negam ao MST, para o ataque ao neoliberalismo e ao capitalismo, contra o imperialismo e suas guerras, bancos e especuladores. E essas pessoas se deixam manipular pela mídia”.

Os que padecem do esquerdismo senil e os antipetistas desiludidos parecem não perceber que a estratégia da direita não se limita a trucidar o PT e a desgastar o governo Lula; ela deseja mesmo é aniquilar toda a esquerda política e social brasileira. Na hora certa, ela tentará colocar no seu devido cantinho os setores que hoje esbanjam a “fraseologia revolucionária” e que investem na construção da chamada “oposição de esquerda”, sem levar em conta a brutal ofensiva do bloco liberal-conservador, a natureza contraditória do governo Lula e a adversa correlação de forças.

Neste rumo, vale sugerir aos companheiros a leitura do editorial de agosto da revista Primeira Leitura, o mais influente e hidrófobo panfleto dos tucanos: “[Heloísa Helena] é o Jair Bolsonaro da esquerda. Só que ele é tratado como débil mental ideológico; ela como pensadora alternativa... Boa parte do que HH diz junta ignorância de causa com bobagem. Com mais rigor do jornalismo, teria uma reputação à altura do desempenho: não é menos folclórica do que o Dr. Enéas... [Mas] quero que ela saia candidata e leve os votos da esquerda — ou sei lá que gente é essa” . O artigo grosseiro deveria, ao menos, servir de alerta para os desiludidos, os inocentes e os sectários.

Notas

Kennedy Alencar. “Intervenção do governo definiu a vitória”. Folha de S.Paulo, 29/09/05
Eduardo Almeida. “Por um governo socialista dos trabalhadores”. Jornal Opinião Socialista, 15/09/05.
“Resolução Política da Executiva Nacional do P-SOL”, 18/08/05.
Vladimir Lênin. Esquerdismo, doença infantil do comunismo. Estampa, Portugal, 1971.
Mariúcha Fontana. “Governo Lula e os desafios da esquerda revolucionária”. Revista Marxismo Vivo, novembro de 2002.
Altamiro Borges. “O governo Lula e a ‘tática’ do PSTU”. Portal Vermelho, 1º/07/03.
Altamiro Borges. “Trotsky, o PSTU e a cisão da CUT”. Revista Espaço Acadêmico, maio de 2005.
Ruy Polly. “O velho sectarismo e o novo partido”; Guilherme Vargues, “Porque um novo partido de esquerda socialista e democrática”; André Ferrari, “Construir um partido de esquerda de massas”; Pedro Fuentes, “Uma respuesta necesaria a ‘um vendaval oportunista recorre el mundo’”.
Eduardo Almeida. “O novo partido velho”, “Sobre reformistas e revolucionários” e “O novo partido, cada vez mais parecido com o PT”. Jornal Opinião Socialista.
José Maria de Almeida. editorial do jornal Opinião Socialista, fevereiro de 2004.
Verena Glass. “Quatro deputados federais, Plínio Sampaio e Hélio Bicudo deixam o PT”. Agência Carta Maior, 26/09/05.
Emir Sader, “O PT morreu? Viva o PT”. Agência Adital, 27/09/05.
Marco Aurélio Weissheimer. “Pont quer novos rumos para o PT”. Agência Carta Maior, 27/09/05.
Emir Sader. “A esquerda e o governo Lula”. Outro Brasil, maio de 2005.
Roberto Robaina e Pedro Fuentes. “Aproveitar a crise para lutar pela ruptura democrática e anticapitalista”. Portal do PSOL.
Reinaldo Azevedo. “HH”. Revista Primeira Leitura, agosto de 2005.

EDIÇÃO 81, OUT/NOV, 2005, PÁGINAS 38, 39, 40, 41

Mídia e democracia - Por Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo - Princípios 81 - 2005 - Fundação Maurício Grabois


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A liberdade de opinião e de informação vem se ampliando e favorecendo o esclarecimento dos cidadãos ou se transformando em seu contrário, num exercício do poder monopolista que viola os direitos reconhecidos como essenciais?
Em 1947, a Comissão sobre a Liberdade de Imprensa, nomeada pelo Congresso dos Estados Unidos, advertiu em seu relatório final: existe uma razão inversamente proporcional entre a vasta influência da imprensa na atualidade e o tamanho do grupo que pode utilizá-la para expressar suas opiniões. Enquanto a importância da imprensa para o povo aumentou enormemente com o seu desenvolvimento como meio de comunicação de massa, “diminuiu em grande escala a proporção de pessoas que podem expressar suas opiniões e idéias através da imprensa.”

O relatório procurou apontar “o que a sociedade tem direito de exigir de sua imprensa.” Definiu duas regras essenciais para o legítimo exercício da liberdade de informação e de opinião: 1) “Todos os pontos de vista importantes e todos os interesses da sociedade devem estar representados nos organismos de comunicação de massa”. 2) “É necessário que a imprensa dê uma idéia dos grupos que constituem a sociedade. Dizer a verdade a respeito de qualquer grupo social — sem excluir suas debilidades e vícios — inclui também reconhecer seus valores, suas aspirações, seu caráter humano”.

As recomendações exageradas nesse relatório refletem o espírito do tempo nos Estados Unidos e na Europa Ocidental: a aposta no aperfeiçoamento dos processos de controle democrático do Estado e do poder privado. O trauma das duas guerras mundiais e da Grande depressão saturou o ambiente intelectual dos anos 40 do século XX da rejeição ao mercado descontrolado e ao totalitarismo.

O sociólogo Karl Mannheim, um pensador representativo de sua época, escreveu, em 1950, no livro Liberdade, poder e planejamento democrático: “Não devemos restringir o nosso conceito de poder ao poder político. Trataremos do poder econômico e administrativo, assim como do poder de persuasão que se manifesta através da religião, da educação e dos meios de comunicação de massa, tais como a imprensa, o cinema e a radiodifusão”. Para ele, devemos temer menos os governos — que podemos controlar e substituir — e muito mais os poderes privados que exercem sua influência no “interior” das sociedades capitalistas.

Na aurora do século XXI, as forças democráticas sobreviventes — os que ainda conseguem respirar no “admirável mundo novo” construído pelo capitalismo da era Bush —mal conseguem defender o que restou dos direitos sociais e econômicos obtidos pelos subalternos no imediato pós-guerra. O leitor atilado há de julgar se a liberdade de opinião e de informação vem se ampliando e favorecendo o esclarecimento dos cidadãos ou se transformando em seu contrário: num exercício do poder monopolista que viloa os direitos reconhecidos como essenciais no relatório da Comissão sobre a Liberdade de Imprensa.

O filósofo Paulo Virilio chegou a uma conclusão drástica: a mídia contemporânea é o único poder com a prerrogativa de editar suas próprias leis, ao mesmo em que sustenta a pretensão de não se submeter a nenhuma outra. A justificativa para tal procedimento trafega entre o cinismo e a treva: uma vez afetada a liberdade de imprensa, todas as liberdades estarão em perigo. Cinismo, diz ele, porque essa reivindicação agressiva trata de negar o óbvio: os meios de divulgação e formação de opinião vêm se concentrando, de forma brutal, no mundo inteiro, nas mãos de grandes empresas capitalistas. O objetivo natural e legítimo do ganho monetário está, mais do que em qualquer outra atividade, acumpliciado de forma inexorável ao desejo de ampliar a influência e o poder sobre a sociedade, a administração pública e a política.

É neste sentido muito especial que deve ser interpretada a pretensão à superioridade da liberdade de opinião e de informação. Ela exprime hoje a generalização do controle social e político exercido pelos grande produtores de informação e de opinião sobre os direitos dos cidadãos. Exercem os seus privilégios com eficiência crescente, numa sociedade encantada com a “inversão” de significados e pelo ilusionismo da liberdade de escolha do indivíduo consumidor. A censura de opinião e até do silêncio alheios e a intimidação sistemática devem “aparecer” aos olhos do público consumidor como legítimo exercício dos direitos de opinar, de informar e de defender os interesses da comunidade.

Mas não é sábio exagerar no pessimismo: nos próximos anos, a luta política é que vai decidir se as tecnologias de comunicação da terceira revolução Industrial vão nos conduzir ao totalitarismo consentido, à moda de George Orwell, ou ao aperfeiçoamento democrático, à ágora informatizada, processos decisórios de democracia direta capazes de corrigir as distorções dos regimes representativos de hoje, infestados pelo poder da grana e pelos vícios do privatismo.

Luiz Gonzada Belluzzo é professor da Unicamp. Este artigo foi publicado originalmente na revista CartaCapital, nº362.

EDIÇÃO 81, OUT/NOV, 2005, PÁGINAS 20, 21

Democracia mutilada - Princípios 81 de 2005 - Fundação Maurício Grabois


www.grabois.org.br 
Editorial* da Princípios 81, de 2005
Esta edição de Princípios procura dissecar um tema que de tempos em tempos irrompe-se no Brasil: as crises políticas — que não são senão a luta pelo poder.

Toda vez que um governo e um bloco de forças políticas e sociais unem-se em torno de um projeto de construção de um país soberano, democrático, desenvolvido, as forças conservadoras entram em ação com todo o seu poder de fogo para, primeiro, cooptarem-no, e, não sendo possível, passam a impedir o governo de governar ou pô-lo abaixo através de mecanismos golpistas de feição variada.

De onde vem tanta força? Nos dias de hoje, a oposição se constitui num sistema que abarca desde amplos setores do poder econômico, financeiro, até o complexo de empresas de comunicação. Este sistema põe em ação todo o seu poderio visando levar à falência o governo das forças progressistas e, dessa maneira, criar condições para reconquistar o governo da República.

Aliás, o engajamento, quase que total, dos veículos de comunicação na ofensiva da direita contra o governo Lula e a esquerda brasileira eleva a importância do tema mídia & poder. Nos últimos meses, a mídia tem sido uma espécie de garganta eletrônica do PSDB e do PFL. Descaradamente, ela manipula e despreza os fatos, adultera a verdade e promove linchamento da reputação de partidos e personalidades. Não publica análises, proclama veredictos. Julga-se um poder supremo. Ai de quem criticá-la!

Esta luta acirrada pelo poder trouxe à tona outro fato tão recorrente quanto as investidas da direita: o esquerdismo atuando como linha auxiliar da reação nas ofensivas que aquela empreende contra as forças avançadas.

No longevo histórico desse confronto, a eleição do deputado federal do PCdoB Aldo Rebelo à presidência da Câmara teve repercussões de potencialidades múltiplas: coesionou, novamente, PT, PCdoB e PSB e iniciou a reaglutinação dos demais partidos e segmentos políticos da base aliada. E isso tudo somado resulta numa determinada contenção à agressiva investida da direita contra o governo. A crise, obviamente, está longe de se findar, mas daqui por diante ela passa por uma inflexão que favorece ao governo.

Mas, logo após a posse de Aldo —numa espécie de revide —, a oposição conservadora desencadeou, no bojo do debate sobre a reforma política, uma campanha contra a pluralidade partidária. Ao agir desse modo, a hipocrisia da mídia e da oposição se desnuda: ao se voltarem contra a reforma política demonstram que no fundo o que mais desejam é a continuidade do atual sistema partidário e eleitoral eivado de mazelas e falhas — que mais incentiva do que coíbe a corrupção. A todo custo querem perpetuar o sistema de campanhas eleitorais financiadas e cevadas pelo poder econômico e financeiro. Modelo forjado pelas classes dominantes, pelas elites conservadoras, para terem o controle quase absoluto dos processos eleitorais.

Ao mesmo tempo, PSDB e PFL e a mídia assumiram a postura de restringir a democracia, de golpear as conquistas democráticas da Constituição de 1988 que assegurou a livre organização partidária. O fim da ditadura militar e a conquista da liberdade, como decorrentes da luta de uma ampla frente democrática, fizeram prevalecer logo após a redemocratização, em 1985, a concepção de que a nascente democracia brasileira iria se consolidar com base na pluralidade partidária e no fortalecimento dos partidos.

O PSDB e o PFL estão à frente de uma campanha virulenta contra os pequenos e médios partidos. Aferram-se à defesa da cláusula de barreira de 5%, que é excludente e exagerada. Visam barrar a liberdade de escolha do eleitor. É um artifício importado de outras realidades para mutilar um cenário partidário ainda em formação.

A oposição demonstra, desde agora, o que pretende fazer caso retorne ao governo da República. Quer um Brasil de liberdade restrita, regido por uma democracia mutilada. Quer governar sem os pequenos e médios partidos, sobretudo, sem os partidos históricos da esquerda brasileira, porque isso lhe facilitaria concretizar os planos de dar seguimento, por exemplo, à venda do que resta do patrimônio brasileiro.

Cabe às forças avançadas darem continuidade à resistência, recuperarem a iniciativa para que a esquerda, o governo Lula e seus aliados do campo democrático possam dar continuidade à luta pelas mudanças e impeçam o retorno da direita em 2006. 

EDIÇÃO 81, OUT/NOV, 2005, PÁGINAS 3

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Fundação Maurício Grabois: A guerra ao terror é uma falsificação - Por Paul Craig


http://grabois.org.br/portal/

Na década passada, Washington matou, mutilou, deslocou e tornou viúvas e órfãos milhões de muçulmanos em seis países, tudo em nome da "guerra ao terror". Os ataques de Washington a outros países constituem agressão nua e impactam primariamente em populações civis e infraestrutura – e, por isso, constituem crimes de guerra segundo a lei.


Nazis foram executados precisamente pelo que Washington está hoje a fazer. 

Além disso, as guerras e ataques militares custaram aos contribuintes americanos, em prejuízos e custos a serem incorridos no futuro, pelo menos 4 trilhões de dólares – um terço da dívida pública acumulada – o que resultou numa crise do déficit dos EUA, que ameaça a segurança social, o valor do dólar norte-americano e o seu papel de divisa de reserva, enquanto enriquece para além de tudo que já foi visto na história o complexo militar/segurança e seus apologistas. 



Talvez o mais elevado custo da "guerra ao terror" de Washington tenha sido pago pela Constituição dos Estados Unidos e as suas liberdades civis. Qualquer cidadão dos EUA que Washington acuse é privado de todos os direitos legais e constitucionais. Os regimes Bush-Cheney-Obama arruinaram a maior conquista da humanidade – a responsabilidade do governo perante a lei. 



Se olharmos em torno para o terror do qual a polícia de estado e uma década de guerra supostamente nos protegeu, o terror é difícil de descobrir. Exceto para o próprio 11/Set, assumindo que aceitamos a improvável teoria conspiratória do governo, não houve ataques terroristas nos EUA. Na verdade, como destacou o RT em 23/Agosto/2011, um programa de investigação da Universidade da Califórnia descobriu que as "tramas de terror" interno publicitadas na imprensa foram preparadas por agentes do FBI. http://rt.com/usa/news/fbi-terror-report-plot-365-899/. 



O número de agentes encobertos do FBI agora ascende a 15 mil, dez vezes o número existente durante os protestos contra a guerra do Vietnã, quando manifestantes eram acusados de simpatias comunistas. Como aparentemente não há conspirações reais de terror para esta enorme força de trabalho descobrir, o FBI justifica seu orçamento, alertas de terror e buscas invasivas de cidadãos americanos criando "tramas de terror" e descobrindo alguns indivíduos dementes para capturar.

Exemplo: a trama da bomba no Metrô de Washington DC, a trama do metrô na cidade de Nova York, a trama para explodir a Sears Tower em Chicago foram todos estratagemas organizados e geridos por agentes do FBI. 

O RT informa que apenas três destas tramas podem ter sido independentes do FBI, mas como nenhuma das três funcionou elas obviamente não foram obra de uma organização profissional de terror como se pretende que seja a Al Qaeda.

O carro bomba na Times Square não explodiu e aparentemente não podia ter explodido. 

O mais recente laço armado pelo FBI é um homem de Boston, Rezwan Ferdaus, o qual é acusado de planejar atacar o Pentágono e o Capitólio dos EUA com modelos de aviões carregados com explosivos C-4. A promotora dos EUA, Carmen Ortiz, assegurou aos americanos que eles nunca estiveram em perigo porque os agentes encobertos do FBI estavam a controlar a trama. usatoday.com/news/washington/story/2011-09-28/DC-terrorist-plot-drone/50593792/1 



A trama de Ferdaus organizada pelo FBI para explodir o Pentágono e o Capitólio com modelos de aviões provocou acusações de que ele proporcionou "apoio material a uma organização terrorista" e conspirou para destruir edifícios federais – a acusação mais grave, a qual implica 20 anos de aprisionamento por cada edifício alvejado. 



Qual é a organização terrorista a que serve Ferdaus? Certamente não a al Qaeda, que supostamente passou a perna a todos os 16 serviços de inteligência, todos os serviços de inteligência dos EUA, Otan, israelenses, Norad, o National Security Council, Air Traffic Control, Dick Cheney e a segurança de aeroportos estado-unidenses quatro vezes em uma hora na mesma manhã. Uma organização de terror tão altamente capaz não estaria envolvida numa trama tão sem sentido como explodir o Pentágono com um modelo de avião. 



Como um americano que esteve no serviço público durante anos e que sempre defendeu a Constituição, um dever patriótico, devo esperar que a pergunta já tenha disparado nas cabeças dos leitores: por que esperam que acreditemos que um pequeno avião modelo seja capaz de explodir o Pentágono quando um avião 757 carregado com jet fuel foi incapaz de efetuar a tarefa, fazendo meramente um buraco não suficientemente grande para um avião de carreira. 



Quando observo a credulidade dos meus concidadãos para com as absurdas "tramas de terror" que o governo dos EUA fabrica, isso leva-me a perceber que o medo é a mais poderosa arma que tem qualquer governo para avançar uma agenda não declarada. Se Ferdaus for levado a julgamento, não há dúvida de que um júri o condenará por uma trama para explodir o Pentágono e o Capitólio com aviões modelo. Mais provavelmente ele será torturado ou coagido a um acordo de cooperação (plea bargain). 



Aparentemente, os americanos, ou a maior parte deles, estão tão dominados pelo medo que não sofrem remorsos pelo fato de o "seu" governo assassinar e deslocar milhões de pessoas inocentes. Na mente americana, mil milhões de "cabeças de pano" (towel-heads) foram reduzidas a terroristas que merecem ser exterminados. Os EUA estão no caminho de um holocausto que tornam os terrores dos judeus face ao nacional-socialismo um mero precursor. 



Pense acerca disto: não será admirável que após uma década (2,5 vezes a extensão da II Guerra Mundial) de matança de muçulmanos, de destruição de famílias e das suas perspectivas em seis países não haja eventos terroristas reais nos EUA? 



Pense por um minuto quão fácil seria o terrorismo nos EUA se houvesse quaisquer terroristas. Será que um terrorista da Al Qaeda, a organização que alegadamente conseguiu o 11/Set – a mais humilhante derrota sofrida por uma potência ocidental, ainda mais "a única superpotência do mundo" – mesmo face a toda a filtragem ainda estaria a tentar sequestrar ou explodir um avião? 



Certamente não quando há tantos alvos fáceis. Se a América estivesse realmente infectada por uma "ameaça terrorista", um terrorista simplesmente entraria nas maciças filas de espera da "segurança" de aeroportos e largaria ali a sua bomba. Isso mataria muito mais pessoas do que poderia ser alcançado explodindo um avião e tornaria completamente claro que "segurança de aeroporto" não significa que o mesmo seja seguro. 



Seria uma brincadeira de criança para terroristas explodir subestações elétricas pois ninguém está ali, nada exceto um cadeado na cerca de arame. Seria fácil para terroristas explodirem centros comerciais. Seria fácil para terroristas despejarem caixas de pregos em ruas congestionadas e auto-estradas durante horas de ponta, interrompendo o tráfego de artérias importantes durante dias. 



Antes, caro leitor, de me acusar de dar ideias terroristas, pensa realmente que elas já não teriam ocorrido a terroristas capazes de executar o 11/Set? 



Mas nada acontece. Então o FBI prende um rapaz por planejar explodir a América com modelos de aviões. É realmente deprimente [verificar] quantos americanos acreditarão nisto. 

Considere também que neoconservadores americanos, os quais orquestraram a "guerra ao terror", não têm seja o que for de proteção e que a proteção do Serviço Secreto de Bush e Cheney é mínima.

Se a América realmente enfrentasse uma ameaça terrorista, especialmente uma tão profissional como a que executou o 11/Set, todo neoconservador juntamente com Bush e Cheney podia ser assassinados dentro de uma hora numa manhã ou numa noite. 



O fato de neoconservadores tais como Paul Wolfowitz, Donald Rumsfeld, Condi Rice, Richard Perle, Douglas Feith, John Bolton, William Kristol, Libby, Addington, et. al., viverem desprotegidos e livres do medo é prova de que a América não enfrenta ameaça terrorista. 


Pense agora acerca da trama do sapato-bomba, da trama do xampú engarrafado e da trama da bomba nas cuecas. Peritos, outros que não as prostitutas contratadas pelo governo estado-unidense, dizem que tais tramas não têm sentido.

O "sapato-bomba" e a "bomba nas cuecas" eram fogos de artifício coloridos incapazes de explodir uma lata de comida. A bomba líquida, alegadamente misturada na toilete de um avião, foi considerada pelos peritos como fantasia. 



Qual a finalidade destas tramas falsas? E recorde que todas as informações confirmam que a "bomba nas cuecas" foi trazido para dentro do avião por um oficial, apesar do fato de o "bombista de cuecas" não ter passaporte. Nenhuma investigação foi efetuada pelo FBI, CIA ou quem quer que seja quanto à razão pela qual foi permitido um passageiro sem passaporte num voo internacional. 



A finalidade destas pretensas tramas é despertar o nível de medo e criar oportunidade para o ex czar da Homeland Security, Michael Chertoff, ganhar uma fortuna a vender porno-scanners à Transportation Security Administration (TSA). 



O resultado destas publicitadas "tramas terroristas" é que todo cidadão americano, mesmo com altas posições no governo e certificados de segurança, não podem embarcar num voo comercial sem tirar os sapatos, o casaco, o cinto, submeter-se a um porno-scanner ou ser sexualmente apalpado.

Nada podia tornar as coisas mais simples do que uma "segurança de aeroporto" que não pode distinguir um terrorista muçulmano de um entusiástico patriota americano, de um senador, de um general da Marinha ou de um operacional da CIA. 



Se um passageiro precisa por razões de saúde ou outras quantidades de líquidos e cremes para além dos limites impostos à pasta de dente, xampú, alimentos ou medicamentos, ele deve obter previamente autorização da TSA, a qual raramente funciona.

Um dos mais admiráveis momentos da América é o caso, documentado no YouTube, de uma mulher moribunda numa cadeira de rodas, que exige alimentação especial, tendo o seu alimento jogado fora pela gestapo TSA apesar da aprovação escrita da Transportation Safety Administration, com a sua filha presa por protestar e a mulher moribunda abandonada sozinha no aeroporto. 



Isto é a América de hoje. Estes assaltos a cidadãos inocentes são justificados pela extrema-direita estúpida como "protegendo-nos contra o terrorismo", uma "ameaça" que toda evidência mostra que não é existente. 

Nenhum americano hoje está seguro.

Sou um antigo associado da equipe do subcomitê de da House Defense Appropriations. Requeria altas autorizações (clearances) de segurança pois tenho acesso a informação a respeito de todos os programas americanos de armas.

Como economista chefe do House Budget Committee tenho informação sobre os orçamentos militares e de segurança dos EUA. Quando secretário assistente do Tesouro dos EUA, me era fornecida toda manhã o relatório da CIA ao presidente, bem como infindável informação de segurança. 



Quando deixei o Tesouro, o presidente Reagan nomeou-me para um comitê super-secreto destinado a investigar a avaliação da CIA da capacidade soviética. Resumindo, eu era consultor do Pentágono. Tinha toda espécie de autorização de segurança. 



Apesar do meu registo das mais altas autorizações de segurança e da confiança do governo dos EUA em mim, incluindo confirmação pelo Senado numa nomeação presidencial, a polícia aérea não pode distinguir-me de um terrorista. 


Se eu brincasse com modelismo de aviões ou comparecesse a manifestações anti-guerra, há pouca dúvida de que também seria preso. 

Após o meu serviço público no último quartel do século XX, experimentei durante a primeira década do século XXI todas as conquistas da América, apesar das suas falhas serem apagadas.

No seu lugar, foi erigido um monstruoso desejo de hegemonia e de riqueza altamente concentrada. A maior parte dos meus amigos e concidadãos em geral são capazes de reconhecer a transformação da América num estado policial belicista que tem a pior distribuição de renda de qualquer país desenvolvido. 



É extraordinário que tantos cidadãos americanos, cidadãos da única superpotência do mundo, realmente acreditem que estão a ser ameaçados por povos muçulmanos que não têm unidade, nem marinha, nem força aérea, nem armas nucleares, nem mísseis capazes de cruzar os oceanos. 



Na verdade, grandes percentagens destas "populações ameaçadoras", especialmente entre os jovens, estão enamoradas da liberdade sexual que existe na América. Mesmo os iranianos tolos da "Revolução Verde" orquestrada pela CIA esqueceram a derrubada por Washington na década de 1950 do seu governo eleito.

Apesar de uma década de ações militares abusivas contra povos muçulmanos, muitos muçulmanos ainda olham para a América para a sua salvação. 

Seus "líderes" são simplesmente subornados com grandes somas de dinheiro. 



Com a "ameaça terrorista" e a Al Qaeda esvaziada com o alegado assassinato pelo presidente Obama do seu líder, Osama bin Laden, o qual fora deixado desprotegido e desarmado pela sua "organização terrorista de âmbito mundial", Washington produziu um novo bicho-papão – os Haqqanis. 



Segundo John Glaser e anônimo responsáveis da CIA, o presidente do US Joint Chiefs of Staff, Mike Mullen, "exagerou" o caso contra o grupo insurgente Haqqani quando afirmou, determinando uma invasão estadunidense do Paquistão, que os Hagganis eram um braço operacional do serviço secreto do governo do Paquistão, o ISI.

O almirante Mullen está agora a afastar-se do seu "exagero", um eufemismo para uma mentira. Seu ajudante, capitão John Kirby, disse que as acusações de Mullen foram destinadas a influenciar os paquistaneses a romper a Rede Haqqani". Por outras palavras, os paquistaneses deveriam matar mais gente do seu próprio povo para salvar os americanos de perturbações. 



Se não sabe o que é a Rede Haqqani, não fique surpreendido. Você nunca ouviu falar da Al Qaeda antes do 11/Set. O governo dos EUA cria não importa a que seja de novos bicho-papão e são necessários incidentes para prover a agenda neoconservadora de hegemonia mundial e de lucros mais altos para a indústria de armamentos. 



Durante dez anos, a população da "superpotência" americana sentou aí, sendo apavorada pelas mentiras do governo. Enquanto americanos assentam no medo de "terroristas" não existentes, milhões de pessoas em seis países tiveram suas vidas destruídas. Tanto quanto existe de evidência, a vasta maioria dos americanos não está perturbada pelo assassinato desumano de outras pessoas em países que não são capazes de localizar nos mapas. 



Realmente, a Amerika é uma luz para o mundo, um exemplo para todos.

Fonte: Resistir.info

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Bertolino:O Diário de Maurício Grabois e os devaneios de um jornalista

Bertolino: Maurício Grabois e os devaneios de um jornalista - Portal Vermelho

Por coincidência, acabo de ler o que seria o diário de Maurício Garbois, no exato momento em que a revista CartaCapital chega às bancas com este tema como matéria de capa. O texto, intitulado "Devaneio na selva" e assinado por Lucas Figueiredo, comenta “O diário do Araguaia”, tema anunciado como “exclusivo”. O assunto, no entanto, não é novo. Quando escrevi a biografia de Maurício Grabois, publicada em 2004 pela editora Anita Garibaldi, deparei com informações que davam conta desse diário.

Reprodução
carta capital - araguaia
A capa da revista CartaCapital desta semana traz a reportagem de Lucas Figueiredo sobre o diário de Maurício Grabois no Araguaia
Por Osvaldo Bertolino*

Recebi, anonimamente, trechos do que seriam as anotações do comandante militar da Guerrilha do Araguaia, mas, impossibilitado de verificar a veracidade do documento, não usei as informações.

Segundo o jornalista Hugo Studart, que escreveu o livro A Lei da Selva, trata-se uma cópia preservada por um militar. Em artigo publicado pela revista Brasil História, edição de março de 2007, ele diz que o destino e principalmente o teor do diário ficaram ocultos por três décadas. “O diário foi encontrado pelas tropas que mataram Grabois, dentro de suas roupas, já estufado pela umidade. O documento chegou a Marabá no final da tarde de 25 de dezembro de 1973, para ser encaminhado na primeira hora do dia seguinte ao Centro de Informações do Exército (CIE), em Brasília”, diz ele.

Segundo Studart, um capitão da área de informações pediu o material emprestado aos colegas para examiná-lo e, sem consultar os superiores, convocou cinco soldados para que atravessassem a madrugada copiando o conteúdo à mão. Pela manhã devolveu o documento. O diário original desapareceu dos arquivos do CIE, provavelmente destruído no crematório ocorrido em fins de 1974, por ordem do presidente Ernesto Geisel, para ocultar os combates no Araguaia. Restou a cópia (mais tarde datilografada), preservada nos arquivos pessoais daquele capitão. Três oficiais superiores, antigos membros da Comunidade de Informações que tiveram acesso aos originais antes da cremação, atestam a autenticidade do conteúdo que consta na cópia.

O último combate

O jornalista diz que Grabois começou o diário três semanas após a chegada do Exército. Ele esmerou-se nos detalhes dos crimes cometidos pela repressão no Araguaia, a principal razão que levou os generais do regime militar mandar destruir a maior parte dos documentos sobre a Guerrilha, incluindo o diário do seu comandante militar. Studart descreveu o documento como rico na descrição das receitas de alimentos e medicamentos utilizadas pelos guerrilheiros, assim como na transcrição de poemas e letras de canções invocadas no cotidiano das selvas.

Grabois escreveu até dia do seu último combate, em 25 de dezembro de 1973, quando, segundo escreveu João Quartim de Moraes no prefácio da biografia que fiz, o Brasil vivia o tempo dos assassinos, dos curiós, dos sérgios fleury e congêneres. Era “também o tempo dos verdadeiros heróis, dos que em vida se comoviam até as lágrimas com a imensa miséria e o indizível sofrimento dos humilhados, dos famélicos, dos sem-infância e sem-esperança, mas que, na hora do combate final, caem de pé, olhando a morte na cara”. Grabois morreu no grande combate que ficou conhecido como o “Chafurdo de Natal”.

Descrevi, no livro, a cena nestes termos:

“No início da operação, batizada de 'Sucuri', instalou-se na região um sujeito chamado Marco Antônio Luchini, enviado como engenheiro do Incra. Era na verdade o major Sebastião Rodrigues de Moura, o Curió, ferrenho anticomunista que em 1961, como tenente, foi preso por participar da trama que tentou impedir a posse presidencial de João Goulart. No golpe de 1964, ele participou ativamente da conspiração e chegou ao CIEx. Frio e sanguinário, ficou famoso na região por receber de pistoleiros as cabeças, mãos e dedos decepados dos guerrilheiros para os quais pagava de 10 a 50 mil cruzeiros – dependendo da importância política da vítima.

Por trás da operação estava o general Antônio Bandeira. Curió foi, possivelmente, a figura que mais encarnou o espírito da “guerra suja”, que rasgou todas as leis e princípios que regem os conflitos militares e os direitos básicos do ser humano. Curió ainda iria participar de outras atrocidades praticadas pela ditadura – como a “chacina da Lapa”, quando em 1976 a repressão assassinou dirigentes do PCdoB em São Paulo – e se estabelecer na região, onde foi eleito deputado, dominou o garimpo de Serra Pelada à força e fundou uma cidade em homenagem ao seu nome – Curionópolis.

No dia 25 de dezembro de 1973, Curió comandava a patrulha que, no final daquela manhã chuvosa, por volta das onze horas e vinte cinco minutos, encontrou o grupo de guerrilheiros. O major viu entre eles aquele que o relatório do CIEx classificou como o comandante militar da Guerrilha, que destacava-se dos demais pela idade – estava com 61 anos. Maurício Grabois recebeu um tiro de fuzil no braço esquerdo, abaixou-se, puxou o revólver e de joelhos atirou até ser atingido mortalmente na cabeça. Apropriadamente, o oficial que presenciou a cena proclamou: “Foi a morte de um lutador”.

No início do dia 25 de dezembro de 1973, exatamente seis anos depois do desembarque de Maurício Grabois no Araguaia, dos 69 guerrilheiros enviados à região 41 estavam vivos, 20 mortos, 7 presos e um – João Carlos Borgeth, o “Paulo Paquetá” – havia fugido. No tiroteio contra a Comissão Militar naquela manhã de Natal, dos 15 que estavam no grupo dez sobreviveram. Os mortos foram, além de Maurício Grabois, seu genro Gilberto Olímpio Maria, Líbero Giancarlo Castiglia, o “Joca” – que chegou com ele e Elza Monnerat à região em 1967, e possivelmente foi preso ainda com vida –, Paulo Mendes Rodrigues e Guilherme Gomes Lund. Os demais guerrilheiros estavam acampados num local mais abaixo ou realizando tarefas nas redondezas.”

Para escrever a biografia, consultei muitas fontes, conversei demoradamente com pessoas que conviveram com Grabois e mergulhei fundo em seus escritos. A impressão que fiquei é de um homem à frente do seu tempo, de rara capacidade intelectual, de caráter sólido e totalmente envolvido com a causa que embala a humanidade desde tempos imemoriais: a luta pelo futuro. É daqueles que, como disse o escritor Monteiro Lobato na carta enviada a Caio Prado Júnior quando este estava na prisão, quanto mais a gente conhece, mais admira. “A regra é ao contrário: à proporção que a gente vai conhecendo um homem, vai se decepcionando – vendo-lhe as falhinhas...”, disse.

Formulação de Karl Marx

No caso de Grabois e de seus contemporâneos que reorganizaram o Partido Comunista do Brasil em 1943, na Conferência da Mantiqueira, e em 1962, aplica-se muito bem a formulação de Karl Marx, na obra O dezoito brumário de Luis Bonaparte, de que a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. “Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado”, diz ele.

Esse é ponto: Grabois se destaca nos noticiários por ter participado até à morte naquela que é considerada a mais dura linha de resistência à ditadura de 1964, a Guerrilha do Araguaia, mas o seu legado oprime o cérebro dos que procuram esvaziar as suas ideias. O conjunto da sua obra nem sempre é devidamente valorizado – uma opção da mídia que, sabemos muito bem, não tem o menor interesse em retratar o alcance da Guerrilha do Araguaia.

Chutes teóricos de Lucas Figueiredo

O que causa estranheza é a opção de CartaCapital de entregar esse assunto ao jornalista Lucas Figueiredo, que se revelou um desconhecedor das elementares informações que possibilitariam um juízo mais em conformidade com os fatos descritos no diário. Já no início da matéria, ele deduz que Grabois ilude-se sobre o ânimo das “massas”, que seriam “a miserável população local que quer cooptar para fazer a revolução comunista no Brasil”. Devaneio maior, impossível.

Bastaria raciocinar não mais que cinco minutos para saber que uma “revolução comunista” era o que menos estava em questão naquele movimento. Se for para ser mais rigoroso, é possível dizer que Lucas Figueiredo não se deu sequer ao trabalho de evitar chutes teóricos para qualificar a luta armada no Sul do Pará. Seria o caso de perguntar: onde ele leu, ouviu ou obteve tal informação? Se diz que Grabois e seus camaradas queriam “fazer a revolução comunista”, deveria explicar o que vem a ser isso. É o velho vício da mídia, de disparar preconceitos sem a menor preocupação.

O esperto jornalista

Para Lucas Figueiredo, “tudo conspirava contra os guerrilheiros”, mas o ingênuo Grabois “julgava que a situação era ‘favorável’”. O esperto jornalista diz que “fica patente” no diário “que, entre o sonho e a realidade, Grabois abraça o primeiro e renega a segunda, um gesto bonito para um idealista, mas fatal para um comandante militar”. Bem, quando o assunto chega a esse tom professoral, é preciso tomar cuidado. Como sabemos, professores nem sempre gostam de ser contestados. Mas alguns pontos são tão falseados que, mesmo com esse risco, não dá para não comentar.

Lucas Figueiredo descreve Grabois como um ser tão incapacitado intelectualmente que passava horas de seu dia a ouvir as transmissões da Rádio Tirana e acreditava nas notícias que chegavam “da distante e fechada Albânia comunista”. “Grabois chega a acreditar que não só ele e seus companheiros ouvem a propaganda vermelha da Tirana (sic), a ‘melhor fonte de informações’”, escreve. Aqui a desinformação assusta. Bastaria um rápida busca na internet para saber que o PCdoB montara um sofisticado sistema de transmissão de informações, via Rádio Tirana, que vinham exatamente de onde Grabois estava. Dizer, como faz Lucas Figueiredo, que Grabois tomava propaganda como informação é o cúmulo do descaso.

Uma confusão primária

Para o jornalista, a capacidade do comandante “de se entregar ao autoengano parece infinita”. “O diário mostra que ele confundia o apoio logístico dado pela população local, que realmente existiu durante um tempo, com a nunca efetivada adesão à luta”, diz ele. Lucas Figueiredo poderia ter assistido ao documentário Camponeses do Araguaia – a Guerrilha vista por dentro (veja aqui do lado, na coluna da esquerda), do qual participei como responsável pelas entrevistas, para ver que Grabois tinha razão. Deveria também ler os documentos sobre o caráter daquela resistência para saber que ninguém, muito menos o comandante, queria que a população aderisse “efetivamente” à luta. É uma confusão primária, sabe-se lá com qual propósito.

O texto se lança em outros devaneios de menor intensidade, como as descrições de Grabois sobre as dificuldades enfrentadas na mata e a busca incessante por comida. Aí Lucas Figueiredo voa tão baixo que é impossível alcançá-lo. “O diário revela um guerrilheiro obcecado por comida”, diz ele. Depois dessa triste passagem, ele volta a atacar Grabois, “um comandante rigoroso, sobretudo com os outros”.

Palavreado rasteiro, chulo

Aparece novamente um ser ingênuo e incapacitado a ponto de escrever regras como “garantir o autoabastecimento” e “levar a cabo ações armadas contra o inimigo”. “Espera que os estudantes e profissionais liberais de pouca idade levados pelo PCdoB para a mata sejam verdadeiros Rambos”, escreve. “E quando não o são, Grabois os chama de ‘problema’, ‘acovardado’, ‘pouco desenvolto’ ‘ingênuo’ e ‘um tanto lerdo de raciocínio’”, diz o jornalista, fazendo citações descontextualizadas e demonstrando que leu o diário de forma artificial.

Mas, segundo Lucas Figueiredo, Garbois era tão estulto que “quando se tratava de analisar a si próprio como comandante e o PCdoB como Estado-Maior da guerrilha, era generoso”. O palavreado é rasteiro, chulo. “Se os 69 combatentes ‘inexperientes’ – pelo menos isso ele admitia – seguissem à risca as ordens emanadas da cúpula vermelha e da inspiração do ‘mestre da guerra popular' Mao Tse Tung, seria ‘impossível’ perder a luta contra o rolo compressor liderado pelo Exército e apoiado pela Aeronáutica, Marinha, Polícia Federal e as PMS de três estados”, escreve. Quantos devaneios!

Dignidade humana personalizada

Para finalizar, Lucas Figueiredo atribui às chuvas as derrotas sofridas pela repressão em suas duas primeiras campanhas. E na operação final fica-se com a impressão de que os bandos comandados por Curió é que estavam certos. “Em fevereiro de 1973, às vésperas do início da campanha definitiva dos militares, (Grabois) aceita em sua mente (sic) o jogo do tudo ou nada. ‘No final, como nos filmes de mocinho, tudo acabará bem. Se não acabar... azar nosso’”, escreve ele.

Grabois não merecia isso tudo. Se pudesse dizer algo para o comandante da Guerrilha do Araguaia, utilizaria ideias e palavras de Monteiro Lobato na carta a Caio Prado Júnior. Cada ato seu o eleva mais. Morreu por ser digno, honesto em uma era de desonestos, corajoso nesse tempo de covardes, limpo em um século de sujeiras. Eu aqui, da minha insignificância, Grabois, te beijo a mão comovido – como se beijasse a mão da própria dignidade humana personalizada.

*Osvaldo Bertolino é jornalista, pesquisador da Fundação Maurício Grabois e editor do portal desta instituição (grabois.org.br).

Fonte: Blog O outro lado da notícia

Download Leia aqui a íntegra do diário de Maurício Grabois

terça-feira, 22 de março de 2011

Fundação Maurício Grabois - O tesouro da teoria e do debate

A Fundação Maurício Grabois é de fato uma arca do tesouro da teoria e do debate contemporâneo.

O primor e a riqueza de seu conteúdo são justas homenagens, à altura a esse militante comunista de caráter inquebrantável que foi Maurício Grabois. Um dos deputados federais eleirtos pelo Partido Comunista do Brasil, Grabois foi Secretário de Organização, Líder do Partido na Câmara dos Deputados, Editor do Jornal A Classe Operária, defensor do Partido contra o revisionismo que quase o liquidou e reorganizador do Partido Comunista do Brasil, Guerrilheiro do Araguaia e mártir da luta pela democracia.

Maurício Grabois e o Barão de Itararé - Fonte Blog do Miro

TEXTOS DE MAURÍCIO GRABOIS:
Duas concepções, duas orientações políticas” 22/04/60
Quem falsifica? Quem deturpa?” 27/05/1960
“Uma defesa falsa de uma linha oportunista” 03/06/1960
 “Uma defesa falsa de uma linha oportunista” Conclusão 10/06/1960





E, por fim, mais um tesouro, os exemplares  anteriores da Revista Princípios digitalizados.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Renato Rabelo: O legado leninista e a nova luta pelo socialismo

Fala o reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira. A seu lado,
Dilermando Toni (Jornalista, CC do PC do B) e Luís Fernandes.

No Seminário Pensar Lênin: aspectos contemporâneos de sua teoria
realizado sábado em São Paulo – o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, fez uma intervenção sobre as experiências socialistas, a importância do líder russo e os desafios atuais do movimento comunista. Trazendo a análise para os dias de hoje, disse: “o grande desafio colocado para os revolucionários de todo mundo hoje é justamente vincar uma corrente marxista forte através de um partido revolucionário forte e influente”.
Acompanhe.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Em homenagem a Lênin, FMG publica especial e prepara seminário





Recordando os 140 anos de nascimento de Vladimir Ilitch Ulianov “Lênin”, comemorados no dia 22 de abril, a Fundação Maurício Grabois produziu um especial com artigos tratando da vida e da obra do revolucionário russo que tem influenciado gerações de comunistas por todo o mundo. Além disso, está preparando para o dia 8 de maio, em São Paulo, um seminário aberto a convidados intitulado “Pensar Lenin: aspectos contemporâneos de sua teoria”.

Leia mais: especial

Coletivizando no Youtube