segunda-feira, 23 de março de 2020
sexta-feira, 20 de março de 2020
Não é presidente mais, é parte da crise - Paulo Vinícius SIlva
Você não é Presidente mais.
Temos dificuldade de mensurar o que é real e ficção, à medida que a comunicação assumiu essa transcendência e passamos a ficar conectados 24 horas por dia. A tela e a vida se confundem. E é através das telas de celulares e computadores e TVs que nos vem chegando a narrativa do fim como parte dessa cultura de massas. A indústria cultural já nos vem preparando espiritualmente há tempos, ao pontuar o fim do mundo como hipótese em suas superproduções, séries, vídeo games, músicas e toda a produção artística e no trabalho que as subjaz, permitindo assim a construção dessas obras de propaganda, filosofia, entretenimento, peças feitas, principalmente, para ganhar dinheiro. Então, normaliza-se a hecatombe como um produto a mais, mas uma mercadoria especial, a partitura no convés do Titanic.
É a indústria cultural quem nos diz que o mundo vai acabar. Mas não precisa ser assim. Há que ouví-los, tirar as conclusões, e refutá-los.
Eles nos entretém propondo-nos eleger dentre as formas aquela que mais nos "agrada", mas o The End é incontornável. Pode-se escolher as formas: Zumbis, doenças pandêmicas, invasão alienígena, guerra, catástrofes naturais as mais diversas, apocalipse nuclear, a colisão de outro cometa, tempestades solares. Mas, o certo é que:
1) segundo eles, o mundo vai acabar;
2) parte desse "acabar" é a perda dos valores humanos mais básicos, dentre eles, o do reconhecimento humano universal.
3) a separação da natureza se converte em guerra de extermínio, já que o mundo se volta contra a humanidade, sendo assim uma vingança diante do agir maligno da espécie humana. Assim, o homem, a mulher, ao se constituírem como senhores da natureza, erigiram uma dinâmica caótica contra a natureza, que se vinga sobre a humanidade.
Essas tragédias ficcionais e faccionais pontuam sempre que o processo levará a uma seleção na humanidade. Pela tragédia em si, seria reduzida enormemente a quantidade de pessoas, uma situação em que haveria humanos e humanos de segunda classe, desumanizados - zumbis, infectados, vítimas já perecidas diante das catástrofes. Haveria, portanto, uma moratória moral diante do nosso dever com o ser humano universal, que se resumiria a uma parcela ínfima da humanidade, em luta contra todo o restante.
E querem que a gente aceite isso, de boa. E parece que o problema é que vai ter pane na internet. Querem-nos espectadores comportados do espetáculo dantesco do capitalismo suicida. Precisamos insurgir-nos contra esse roteiro, desnaturalizar a tragédia, precisamos agir. Se eles querem que vejamos como um roteiro de ficção uma hecatombe, temos de romper com essa farsa e saber que cada um, cada uma vale a pena.
E querem que a gente aceite isso, de boa. E parece que o problema é que vai ter pane na internet. Querem-nos espectadores comportados do espetáculo dantesco do capitalismo suicida. Precisamos insurgir-nos contra esse roteiro, desnaturalizar a tragédia, precisamos agir. Se eles querem que vejamos como um roteiro de ficção uma hecatombe, temos de romper com essa farsa e saber que cada um, cada uma vale a pena.
O capitalismo é a crise. Isso se desnuda face ao que se exige da humanidade para superar as crises econômica e de saúde, a pandemia. Urge cada vez mais ver a comunidade humana interdependente, a vida em sociedade. As informações de onde se vence a epidemia dão conta exatamente da união e da solidariedade como única alternativa. O individualismo é a morte.
A China está vencendo o Coronavírus. O caminho foi a união nacional sob a égide do Socialismo de Mercado, que reúne em um país dois sistemas, sob a liderança do Partido Comunista Chinês. O Presidente Xi Jin Pin chama o enfrentamento à epidemia do coronavírus de Guerra Popular; essa união de esforços do Partido, do Estado, da Academia, das FFAA, dos Movimentos Sociais, dos Trabalhadores e do Mercado numa economia em guerra contra o coronavírus. Isso se materializa numa vitória no controle dos casos no país e na busca de um tratamento e de formas de superar a epidemia.
Nessa batalha, vemos a necessidade de um olhar solidário como pré-requisito para a vitória. Olho por olho e ficaremos todos cegos, só cuidando uns dos outros é que poderemos evitar uma tragédia. Tolhidos no toque, no abraço e no beijo, sob quarentena, enfrentando a destruição da Saúde Pública, precisamos reforçar a solidariedade e o apoio mútuo, até porque a pandemia ocorre em cenário de tragédia econômica e sob um desgoverno jamais visto na História do Brasil. As medidas anunciadas são pífias e mesmo contraproducentes. Não só o papel do presidente, sua capacidade, mas o seu modelo, o neoliberalismo acabou, e é preciso enterrá-lo, se possível de cabeça para baixo. Todas as medidas de combate à crise econômica passam por rasgar as receitas neoliberais uma a uma. Exige-se uma forte política anticíclica, massivos investimentos sociais, proteção aos trabalhadores precarizados, desempregados, aos idosos, às famílias.
Mas sob Bolsonaro, o remédio é mais veneno. Propor cortar pela metade o salário de 39 milhões de trabalhadores e trabalhadoras formais é destruir sem remissão a economia brasileira e promover o genocídio na classe trabalhadora. Duzentos Reais matarão de fome os "empreendedores", em verdade trabalhadores expulsos do mercado de trabalho pela destruição politiqueira, fascista e entreguista da economia nacional. Cortar salários pela metade é um crime contra as famílias, parte do descalabro promovido no país, despreparado e sem comando. Enquanto nos Estados Unidos, Meca dos fascistas liberais, há o apoio econômico e social, aqui, o pernicioso delirante propõe a cova e o abandono e debocha diante da iminente doença e morte a grassar em nossos lares. É inaceitável, tem de acabar. Crimes de responsabilidade não faltam e veremos desenhar-se diante de nós a mais insana política higienista nazista da história, porque é o DNA perverso desse desgoverno a incompetência e o abandonar os pobres, a população de rua, os mais vulneráveis à própria sorte. É preciso deter esse genocídio e não deve haver hesitação em recomposições que permitam criar as condições políticas para isso.
Sem comando não se vence uma guerra. E é a total falta de comando que o país vive. Longe de baixar a bandeira, somos chamados à reafirmar a Frente Ampla e a União Nacional contra o coronavírus e a crise, que passa por unir todas as pessoas no cuidado coletivo e na prevenção, ampliando as redes de apoio e solidariedade, verdadeiro abraço necessário nos tempos de hoje. União em defesa da economia nacional, da saúde das famílias, do cuidado com os mais pobres, de uma saúde pública que proteja a população, sem dar lucro, mas salvando vidas. Contudo, se prevalecerem a falta de coordenação, de autoridade, de capacidade técnica e de medidas econômicas, veremos aterrados uma tragédia nacional.
O momento é gravíssimo, o cientista Miguel Nicolelis alerta, o tsunami está chegando. E a transmissão em escala geométrica e a mortalidade do coronavírus situa-nos diante da aterradora escala dos milhões de almas. Uma tragédia sem precedentes não poderá ser vencida sob o comando de uma súcia de sociopatas, corruptos, entreguistas e incompetentes totais. Não será possível. Bolsonaro precisa acabar porque o Brasil está em grave perigo. Profético foi o jovem haitiano que disse que Bolsonaro não é presidente, porque não é mais presidente naquilo que mais importa, ele não nos ajudará a vencer o coronavírus, Bolsonaro é a máxima incompetência e a maldade em tempos de tragédia. Será incontornável superá-lo, a realidade política mudará drasticamente.
Amparemo-nos no SUS, na solidariedade, na ciência e promovamos a união nacional, os esteios que podem nos salvar, e cuidar-se e do próximo é dever de todos e todas. É política distribuir a correta informação sobre a prevenção e a quarentena, seguir as orientações sanitárias é um dever cívico, humano, é preciso deter a progressão do contágio contando com a consciência das pessoas. É preciso, no entanto, entrar em quarentena, mas sem deixar a solidariedade jamais. É preciso reconectar-nos de outros modos, mas estar mais unidos que nunca. As urgências, o crescimento, o sentido próprio do labirinto mudou radicalmente e somos desafiados a defender nossas vidas e a resgatar a utopia, a solidariedade.
E em nada disso poderemos contar com o Presidente da República, diante dessa hora tão crítica. Para o que interessa, salvar vidas, ele não é presidente mais, é um estorvo, parte do problema. Ele é a confluência humana da crise econômica e sanitária, é um obstáculo diante do Brasil ameaçado. São as nossas vidas, as vidas dos que amamos que sua irresponsabilidade ameaça. É preciso isolá-lo e ao vírus. E a consciência nacional avança nesse rumo, celeremente, a Frente Ampla é a única saída.
Amparemo-nos no SUS, na solidariedade, na ciência e promovamos a união nacional, os esteios que podem nos salvar, e cuidar-se e do próximo é dever de todos e todas. É política distribuir a correta informação sobre a prevenção e a quarentena, seguir as orientações sanitárias é um dever cívico, humano, é preciso deter a progressão do contágio contando com a consciência das pessoas. É preciso, no entanto, entrar em quarentena, mas sem deixar a solidariedade jamais. É preciso reconectar-nos de outros modos, mas estar mais unidos que nunca. As urgências, o crescimento, o sentido próprio do labirinto mudou radicalmente e somos desafiados a defender nossas vidas e a resgatar a utopia, a solidariedade.
E em nada disso poderemos contar com o Presidente da República, diante dessa hora tão crítica. Para o que interessa, salvar vidas, ele não é presidente mais, é um estorvo, parte do problema. Ele é a confluência humana da crise econômica e sanitária, é um obstáculo diante do Brasil ameaçado. São as nossas vidas, as vidas dos que amamos que sua irresponsabilidade ameaça. É preciso isolá-lo e ao vírus. E a consciência nacional avança nesse rumo, celeremente, a Frente Ampla é a única saída.
Unamos a todos contra o coronavírus, defendamos o país da irresponsabilidade de Bolsonaro e vamos salvar o Brasil!
terça-feira, 17 de março de 2020
João Amazonas e a política internacionalista do PCdoB - Ricardo Abreu (Alemão)
Os 20 anos do texto “Pela unidade do movimento comunista”, pronunciamento de João Amazonas logo após o 8º Congresso do PCdoB, em 1992, o seu significado e a sua expressão atual na atividade internacionalista do PCdoB
Por Ricardo Abreu (Alemão) * Publicado 07/04/2012 22:06 no Vermelho
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| Renato Rabelo, Dinéias Aguiar, Rogério Lustosa, João Amazonas, Batista Lemos, Ronald Freitas |
Este ano de 2012, em que o Partido Comunista do Brasil comemora 90 anos de existência e de atividade internacionalista, é um momento propício para a reflexão acerca da história de lutas dos comunistas brasileiros e de sua política, inclusive de sua política internacional e de suas relações internacionais com o movimento comunista e anti-imperialista.
Conhecer o passado é essencial para compreender o presente das ideias e da política do Partido Comunista do Brasil. Nesse sentido, a evolução mais recente da política de relações internacionais tem no mês de fevereiro de 1992 um marco importante. Refiro-me ao texto “Pela unidade do movimento comunista”, escrito por João Amazonas, que agora completa 20 anos.
João Amazonas em 1992 tinha então 80 anos de vida, e o mais impressionante é que talvez a parte mais importante de sua contribuição teórica ao marxismo ele a tenha escrito entre 1991 e 2001, já com 89 anos de vida. Este texto também é uma singela homenagem ao centenário de nascimento de João Amazonas, e aos 70 anos, também completados em fevereiro deste ano, de um camarada, bem mais jovem, que o acompanhou desde 1972, quando ingressou no PCdoB, e dá seguimento, no século 21, ao seu trabalho dirigente: o atual presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo.
Após o 8º Congresso do PCdoB, realizado de 3 a 8 de fevereiro de 1992, foi feita uma reunião com as delegações internacionais presentes ao Congresso. Nesta reunião João Amazonas, reeleito então presidente nacional do Partido, apresentou o texto “Pela unidade do movimento comunista” aos partidos e organizações revolucionárias de diversos continentes.
O contexto em que Amazonas escreve é o do desaparecimento da União Soviética e dos regimes do Leste Europeu, e do desmanche final do “sistema socialista mundial”. A situação era de grande ofensiva anticomunista, de degeneração e de traição de muitos partidos comunistas pelo mundo afora. Os ideólogos do capitalismo-imperialismo proclamavam a sua vitória final, o “fim da história”. Não sem razão, o 8º Congresso do PCdoB teve como lema “O tempo não para. O Socialismo vive!”.
A questão da unidade do movimento comunista
No texto, que trata de “duas questões”, João Amazonas aborda “o internacionalismo proletário, a questão fundamental da unidade do movimento operário e comunista” como primeira questão, e se refere “à crise do marxismo, à crise do socialismo”, como segunda questão.
A unidade e a solidariedade internacional entre os trabalhadores e suas organizações revolucionárias na luta pela superação do capitalismo e contra o imperialismo foi “uma bandeira levantada, desde o século passado, por Marx e Engels, no Manifesto do Partido Comunista – ‘Proletários de todos os países, uni-vos’. É assunto estratégico de enorme importância”, diz Amazonas.
Pela unidade e contra o oportunismo
Afirmando que a unidade dos comunistas e revolucionários se dá na luta contra o oportunismo – em um momento de abandono do marxismo-leninismo e de seus princípios revolucionários por parte de muitos quadros políticos e mesmo de partidos no Brasil e em vários países –, Amazonas observa que “é preciso estabelecer o limite da fronteira, no campo ideológico, para abordar a luta pela unidade do proletariado mundial”.
O oportunismo de direita, para Lênin, é a política reformista de conciliação de classes, a subordinação dos objtetivos maiores de emancipação dos trabalhadores aos objetivos menores e imediatos.
Logo a seguir, no texto que estamos analisando, Amazonas cita dois casos concretos de traição à classe operária e ao movimento comunista, “o Partido da ‘Sinistra’, da Itália [surgido da dissolução, pela maioria, do antigo Partido Comunista Italiano] e, no Brasil, do “Partido Popular Socialista [PPS], herdeiro do Partido Comunista Brasileiro [PCB], que renegou os símbolos, o marxismo-leninismo; e se tranformou em um partido de traição aberta ao comunismo”.
Naquele momento de catarse anticomunista (1989-1993) por todo o globo terrestre, a reafirmação da identidade comunista e a redelimitação de campos com o novo oportunismo e o novo revisionismo que surgia com força e pressão colossal, foi uma atitude coerente e corajosa do PCdoB.
Entretanto, como em toda situação de crise, dialeticamente há contradições que resultam em desenvolvimentos novos. Exatamente nesse momento de dificuldades, de crise do marxismo e do socialismo, de exame crítico e autocrítico das experiências socialistas do século 20, de reafirmação de princípios e de lançamento de um esforço teórico-ideológico e político para superar tal crise, que Amazonas propõe o que considero uma reorientação da política de relações internacionais do PCdoB.
O conteúdo dessa nova orientação da política de relações internacionais dos comunistas brasileiros toma como exemplo, no texto de Amazonas, o Congresso da 3º Internacional, que faz “uma flexão tática na questão da unidade, devido às mudanças que se operavam na situação mundial (…) fundamentada no informe de Dimitrov [dirigente comunista búlgaro, secretário-geral da Internacional Comunista de 1935 a 1943], que combateu as posições fechadas, sectárias, a incompreeensão de que o processo de luta pela unidade mundial da classe operária passa por uma série de transformações até chegar a seu objetivo final”.
Mudança na forma de luta pela unidade
Amazonas percebe, com agudeza, que “os acontecimentos da União Soviética e do Leste europeu (…) criam situação nova”, e afirma que “se não compreendermos isso, não seremos capazes de lutar corretamente pela construção da unidade”. E conclui: “Penso que há mudança na forma de luta pela unidade da classe operária.”
Baseado nessa compreensão, Amazonas propõe “alargar os horizontes” das relações internacionais do PCdoB. Diz que a nossa arma contra a ofensiva anticomunista “tem de ser a unidade dos revolucionários, dos povos do mundo. Essa, uma grande tarefa do movimento comunista mundial”.
Declara, portanto, que o PCdoB “está decidido a buscar, sem preconceitos, contato com todas as forças que combatem o revisionismo contemporâneo, tentando abrir caminho à unidade do movimento proletário mundial”.

A questão da crise do marxismo
A segunda questão abordada por João Amazonas neste texto seminal é a necessidade da superação da crise do marxismo. Partindo da constatação de que “a teoria [marxista-leninista] entrou numa fase de estagnação”, Amazonas aponta que os comunistas não estiveram, nas décadas anteriores, “à altura teórica de interpretar os fenômenos novos que surgiam do processo de desenvolvimento da construção socialista”.
Diante de tão grave crise do marxismo e do socialismo, Amazonas assinala que o caminho de superação dessa crise demandará “grandes esforços no campo teórico, ligado à prática revolucionária”, para “formular de maneira nova – não no sentido burguês, revisionista –, nova no sentido marxista, a ciência em constante evolução”. Confiante, prevê que os partidos que conseguirem isso “alcançarão êxitos significativos”.
“A revolução futura”, dizia Amazonas no pronunciamento, “vai ocorrer onde existem condições favoráveis relacionadas às contradições internas e externas, mas, sobretudo, onde se conseguir enfrentar corretamente a solução dessa crise”. No caso da revolução brasileira, portanto, deduz-se que esse também é um esforço primordial.
Ao finalizar seu pronunciamento aos partidos presentes na reunião de fevereiro de 1992, Amazonas avalia que a tarefa de atualizar a teoria marxista é “tarefa de significação histórica a ser realizada. Nós, do Partido Comunista do Brasil, sentimo-nos pequenos diante da magnitude dessa tarefa. Impõem-se a conjugação de esforços no plano mundial”.
A atual política internacionalista do PCdoB
No período atual, além de maior unidade entre os comunistas, especialmente na ação, é necessária a construção de amplas frentes políticas e sociais, de caráter anti-imperialista, tendo em vista a conquista da paz, da independência nacional, e do desenvolvimento econômico e social.
O conjunto de ideias acima, formuladas por Amazonas em seu pronunciamento em 1992, tem sido a baliza e a fonte da linha geral orientadora do trabalho teórico-político e da atuação internacionalista do PCdoB durante esses 20 anos, e até hoje são idéias atuais.
O Partido Comunista do Brasil tem uma rica experiência acumulada desde 1922 na atividade internacionalista de amizade, solidariedade, intercâmbio e cooperação. Nessa fase nova do trabalho de relações internacionais do PCdoB, de 1992 para cá, demos passos enormes, sobretudo na última década, e o marco desses êxitos é a realização, pela primeira vez fora da Europa e da Eurásia, do Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, realizado em São Paulo, em 2008.
Desde 1992 a atividade internacional do PCdoB vem adquirindo cada vez mais densidade teórica e política, e mais amplas e variadas relações com forças políticas comunistas, revolucionárias, progressistas e anti-imperialistas.
O internacionalismo proletário e a as amplas alianças anti-imperialistas internacionais são fundamentais para os comunistas. Ao mesmo tempo em que valorizamos muito a necessidade de aumentar as relações de amizade e de cooperação com as forças políticas comunistas, progressistas e anti-imperialistas, ressaltamos que as relações entre essas forças deve se dar na base da igualdade, do respeito mútuo (inclusive pela orientação política e programática de cada partido), e da não interferência em assuntos internos.

A ação internacionalista hoje abrange dirigentes do Partido, parlamentares e gestores de governo, quadros e militantes do movimento sindical, estudantil e popular, comunistas dedicados à luta de ideias, enfim, todo o coletivo partidário.
O PCdoB hoje tem relações com mais de 180 partidos, de mais de 100 países de todos os continentes; participa do processo dos Encontros Internacionais de Partidos Comunistas e Operários; participa do Foro de São Paulo, que reúne a esquerda latino-americana e caribenha; marca presença em importantes eventos, seminários e congressos promovidos bilateral ou multilateralmente por essas forças políticas amigas, como o Seminários do PT do México e do PTB da Bélgica, e dos encontros anuais do ALNEF, sigla em inglês do Fórum da Esquerda Africana.
O PCdoB promove e incentiva a ação de massas internacionalista, de conteúdo anti-imperialista, faz um esforço no sentido de conscientizar e mobilizar os trabalhadores e o povo brasileiro em ações de solidariedade internacional. Os comunistas brasileiros também ajudam a impulsionar as entidades de massa em nível internacional como a Federação Sindical Mundial, a Federação Mundial da Juventude Democrática, e a Federação Democrática Internacional de Mulheres, entre outras, e as instâncias unitárias como o Fórum Social Mundial e as Assembleias de Movimentos Sociais.
Nessa atividade de massas tem papel decisivo a atuação dos comunistas no Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) e no Conselho Mundial da Paz, presidido pela camarada Socorro Gomes.
O desafio do presente, 20 anos depois do texto seminal de Amazonas, é desenvolver ainda mais essa atividade internacionalista em termos teóricos, políticos e práticos, em consonância com o novo Programa Socialista do PCdoB.
– O texto de João Amazonas “Pela unidade do movimento comunista” faz parte do livro Os desafios do socialismo no século 21, que reúne artigos, palestras e informes de João Amazonas, publicado em 1999 pela Editora Anita Garibaldi.
*Ricardo Alemão Abreu é economista e secretário nacional de Relações Internacionais do PCdoB
**Texto publicado originalmente na revista Princípios.
quinta-feira, 12 de março de 2020
Centrais Sindicais exigem a proteção dos trabalhadores ante o Coronavirus
São Paulo, 12 de março de 2020
As Centrais Sindicais reunidas nesta quinta-feira, 12/03/2020, em São Paulo para discutir a declaração de pandemia global pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em decorrência do novo coronavírus se coloca na defesa de ações coletivas de prevenção à propagação do vírus e seus impactos sociais e econômico.
As entidades entendem que esse momento demanda do Estado brasileiro, em seus três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), a compreensão de sua excepcionalidade e a importância da ampla concentração das ações em medidas emergências para o enfrentamento da crise.
Ao mesmo tempo, as Centrais reivindicam a suspensão das discussões de medidas que atacam os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras no Congresso Nacional, como por exemplo, a MP 905/2019, a Carteira Verde e amarela. Nesse sentido, propomos um amplo diálogo com a sociedade e com o Congresso Nacional para definir as medidas necessárias para conter a crise do coronavírus e a crise econômica.
As Centrais Sindicais também reafirmam que é fundamental a abertura do debate para elaborar medidas emergenciais para a proteção de todos os trabalhadores e trabalhadoras, formais e informais, e de seus empregos e renda, no período que a pandemia estiver decretada, além de medidas específicas para os trabalhadores e trabalhadoras da saúde, educação e transporte público que estão mais expostos ao contágio.
As entidades reforçam a relevância do fortalecimento da saúde pública, dos serviços públicos e de seus trabalhadores e trabalhadoras, considerando que nessa crise é fundamental para a mitigação dos riscos e o controle da doença, que ameaça se ampliar em nosso país. Esse fortalecimento é fundamental para a proteção individual e coletiva e para a efetivação da tarefa social dos serviços públicos.
As Centrais Sindicais se mantêm em avaliação permanente, com uma reunião agendada na próxima segunda, as 10h, na sede do DIEESE, para discutir a crise sanitária e econômica em curso no país e para tomar as decisões que se fizerem necessárias nesse momento. As Centrais reforçam a importância das mobilizações da classe trabalhadora.
CUT - Central Única dos Trabalhadores
FS - Força Sindical
CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
NCST - Nova Central Sindical dos Trabalhadores
UGT - União Geral dos Trabalhadores
CGTB - Central Geral dos Trabalhadores do Brasil
CSB - Central dos Sindicatos Brasileiros
CSP – Conlutas - Central Sindical e Popular - Conlutas
Intersindical – Central da Classe Trabalhadora
“Decisivo na luta de ideias”, Augusto Buonicore é sepultado em SP - Portal Vermelho
“Decisivo na luta de ideias”, Augusto Buonicore é sepultado em SP
12 de Março, 2020
O último adeus ao historiador Augusto Buonicore foi marcado por emoção e lembranças de camaradas do Partido Comunista do Brasil, amigos e familiares. Augusto tinha 59 anos e faleceu nesta quarta-feira (11), após nove meses de tratamento de um linfoma no intestino.
Membro do Comitê Central do PCdoB, Buonicore publicou numerosos artigos sobre o marxismo. Mesmo em tratamento, continuava a produzir conteúdos para a Fundação Maurício Grabois e já trabalhava em artigos sobre o fundamentalismo e identitarismo, segundo a companheira Sônia.
O presidente da Fundação, Renato Rabelo, destacou que será difícil ocupar a lacuna deixada por Buonicore. Para ele, “serão necessárias quatro ou cinco pessoas trabalhando para fazer o que Augusto fazia na Fundação”.
Rabelo (foto ao lado) também destacou a amplitude do discurso de Augusto, que conversava e ouvia todas as correntes “Um estudioso do marxismo, um grande militante comunista. Ele estava no seu melhor momento como intelectual e fará uma falta enorme, sobretudo nesse momento que mais precisávamos dele. Um participante decisivo na luta de ideias quando a gente busca saídas”.
Em fevereiro, Buonicore publicou, em sua página no Facebook, lembranças da militância no PCdoB, que havido completado 40 anos. “Ele foi um dos principais quadros do partido que interpretou com justeza a importância da luta das ideias e implementou métodos para isso”, lembrou Walter Sorrentino, vice-presidente nacional do PCdoB e amigo de Buonicore desde o início da militância partidária.
Autor do livro Meu Verbo É Lutar – A Vida e o Pensamento de João Amazonas, biografia do ideólogo e construtor do PCdoB, Augusto era conhecido pela formação teórica no partido. Diversas lideranças partidárias passaram pelas aulas de Augusto, que ajudou a fundar a escola nacional de formação do PCdoB.
“Além da elaboração da escola, a grande contribuição dele era o modo simples e didático que ele trabalhava. Ele exerceu um papel muito além de professor e militante. Além de professor, ele formava professores”, lembrou Nereide Saviani, diretora da Escola Nacional João Amazonas.
Os artigos do historiador nortearam diversas lutas dos comunistas. “Os artigos que ele escreveu sobre a relação da questão racial e o marxismo são referências para quem pensa uma sociedade sem racismo no Brasil”, destacou Edson França, presidente da União de Negros e Negras do Brasil (Unegro).
Amigos de Augusto Buonicore – que era militante do partido em Campinas, interior de São Paulo – lembraram a postura de homem culto e simples. “Cresci admirando seu conhecimento como historiador e coerência política, mas também o exemplo e legado enquanto ser humano que luta por uma sociedade mais justa”, disse o vereador comunista de Campinas, Gustavo Petta.
Para a presidenta do PCdoB Campinas, Márcia Quintanilha, Buonicore, “com seu trabalho deu visibilidade ao Museu da Imagem e Som (MIS) e ao Museu da Cidade. Intelectualmente, estava no seu melhor momento de elaboração da nossa política, principalmente no que diz respeito à Frente Ampla. Por aqui, continuaremos seu legado de investir na formação política e ideológica dos nossos militantes e construir a unidade política para derrotar o conservadorismo”.
Durante a trajetória na cidade, Buonicore organizou a Associação dos Secundaristas de Campinas (ASC). Depois, participou da reconstrução da União Campineira dos Estudantes Secundaristas (Uces) e, posteriormente, da Upes e da Ubes. Formado em história pela PUC-Campinas, onde atuou no movimento universitário, passou a militar no movimento sindical e participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Campinas (STMC).
Jadirson Tadeu, atual coordenador do sindicato, destacou que Augusto “deixa uma riqueza tremenda para o sindicalismo e o partido”. Riqueza essa destacada pelo presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo: “A classe trabalhadora sempre pode nutrir da preocupação de Buonicore pela produção de conteúdo e ideias”.
Sepultado na manhã desta quinta-feira (12), Augusto Buonicore deixou a mãe, Dolores, a esposa, Sônia, e a filha, Clara.
Ideias permanecem – Abraçada a Clara, Sônia estava muito emocionada, mas com a voz firme. Recordou que ao longo dos nove meses de tratamento, de luta contra o linfoma, o marido se manteve esperanço de que poderia vencer a doença. Ela agradeceu e elogiou a equipe de saúde que tratou dele, “tanto do ponto de vista técnico quanto humano ”.
Sublinhou que Buonicore tinha consciência de que poderia haver recidiva da doença. Apesar disso, o que queria, contou, era mais algum tempo de vida para realizar seus projetos, escrever ensaios e artigos. Mesmo sob tratamento quimioterápico pesado, escreveu três trabalhos. Na última etapa, quando ficou totalmente isolado no hospital, levou uma pilha de livros. Os médicos ficaram admirados ao vê-lo lendo e fazendo anotações, registrou Sônia. Segundo ela, mais do que nunca, o historiador estava convicto do valor da batalha de ideias, da necessidade de se elaborar textos densos e acessíveis, sobretudo para a juventude.
Sônia destacou o vínculo, o compromisso inquebrantável de Augusto Buonicore, com o Partido dele, o PCdoB. Falou ainda da indispensabilidade da legenda para o processo transformador. E destacou um traço marcante da militância dele: a disciplina. Era entusiasta do debate, das discussões, mas desde que fossem travadas nos fóruns adequados do Partido.
Sonia ainda destacou as qualidades de Buonicore como companheiro amoroso, pai carinhoso e que cultivava o bom humor. E finalizou: “agora, ficaram as ideias dele e ele continuará pulsando em nossos corações”.
De Campinas, Henrique Brazão (texto e fotos)
12 de Março, 2020
O último adeus ao historiador Augusto Buonicore foi marcado por emoção e lembranças de camaradas do Partido Comunista do Brasil, amigos e familiares. Augusto tinha 59 anos e faleceu nesta quarta-feira (11), após nove meses de tratamento de um linfoma no intestino.
Membro do Comitê Central do PCdoB, Buonicore publicou numerosos artigos sobre o marxismo. Mesmo em tratamento, continuava a produzir conteúdos para a Fundação Maurício Grabois e já trabalhava em artigos sobre o fundamentalismo e identitarismo, segundo a companheira Sônia.
O presidente da Fundação, Renato Rabelo, destacou que será difícil ocupar a lacuna deixada por Buonicore. Para ele, “serão necessárias quatro ou cinco pessoas trabalhando para fazer o que Augusto fazia na Fundação”.
Rabelo (foto ao lado) também destacou a amplitude do discurso de Augusto, que conversava e ouvia todas as correntes “Um estudioso do marxismo, um grande militante comunista. Ele estava no seu melhor momento como intelectual e fará uma falta enorme, sobretudo nesse momento que mais precisávamos dele. Um participante decisivo na luta de ideias quando a gente busca saídas”.
Em fevereiro, Buonicore publicou, em sua página no Facebook, lembranças da militância no PCdoB, que havido completado 40 anos. “Ele foi um dos principais quadros do partido que interpretou com justeza a importância da luta das ideias e implementou métodos para isso”, lembrou Walter Sorrentino, vice-presidente nacional do PCdoB e amigo de Buonicore desde o início da militância partidária.
Autor do livro Meu Verbo É Lutar – A Vida e o Pensamento de João Amazonas, biografia do ideólogo e construtor do PCdoB, Augusto era conhecido pela formação teórica no partido. Diversas lideranças partidárias passaram pelas aulas de Augusto, que ajudou a fundar a escola nacional de formação do PCdoB.
“Além da elaboração da escola, a grande contribuição dele era o modo simples e didático que ele trabalhava. Ele exerceu um papel muito além de professor e militante. Além de professor, ele formava professores”, lembrou Nereide Saviani, diretora da Escola Nacional João Amazonas.
Os artigos do historiador nortearam diversas lutas dos comunistas. “Os artigos que ele escreveu sobre a relação da questão racial e o marxismo são referências para quem pensa uma sociedade sem racismo no Brasil”, destacou Edson França, presidente da União de Negros e Negras do Brasil (Unegro).
Amigos de Augusto Buonicore – que era militante do partido em Campinas, interior de São Paulo – lembraram a postura de homem culto e simples. “Cresci admirando seu conhecimento como historiador e coerência política, mas também o exemplo e legado enquanto ser humano que luta por uma sociedade mais justa”, disse o vereador comunista de Campinas, Gustavo Petta.
Para a presidenta do PCdoB Campinas, Márcia Quintanilha, Buonicore, “com seu trabalho deu visibilidade ao Museu da Imagem e Som (MIS) e ao Museu da Cidade. Intelectualmente, estava no seu melhor momento de elaboração da nossa política, principalmente no que diz respeito à Frente Ampla. Por aqui, continuaremos seu legado de investir na formação política e ideológica dos nossos militantes e construir a unidade política para derrotar o conservadorismo”.
Durante a trajetória na cidade, Buonicore organizou a Associação dos Secundaristas de Campinas (ASC). Depois, participou da reconstrução da União Campineira dos Estudantes Secundaristas (Uces) e, posteriormente, da Upes e da Ubes. Formado em história pela PUC-Campinas, onde atuou no movimento universitário, passou a militar no movimento sindical e participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Campinas (STMC).
Jadirson Tadeu, atual coordenador do sindicato, destacou que Augusto “deixa uma riqueza tremenda para o sindicalismo e o partido”. Riqueza essa destacada pelo presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo: “A classe trabalhadora sempre pode nutrir da preocupação de Buonicore pela produção de conteúdo e ideias”.
Sepultado na manhã desta quinta-feira (12), Augusto Buonicore deixou a mãe, Dolores, a esposa, Sônia, e a filha, Clara.
Ideias permanecem – Abraçada a Clara, Sônia estava muito emocionada, mas com a voz firme. Recordou que ao longo dos nove meses de tratamento, de luta contra o linfoma, o marido se manteve esperanço de que poderia vencer a doença. Ela agradeceu e elogiou a equipe de saúde que tratou dele, “tanto do ponto de vista técnico quanto humano ”.
Sublinhou que Buonicore tinha consciência de que poderia haver recidiva da doença. Apesar disso, o que queria, contou, era mais algum tempo de vida para realizar seus projetos, escrever ensaios e artigos. Mesmo sob tratamento quimioterápico pesado, escreveu três trabalhos. Na última etapa, quando ficou totalmente isolado no hospital, levou uma pilha de livros. Os médicos ficaram admirados ao vê-lo lendo e fazendo anotações, registrou Sônia. Segundo ela, mais do que nunca, o historiador estava convicto do valor da batalha de ideias, da necessidade de se elaborar textos densos e acessíveis, sobretudo para a juventude.
Sônia destacou o vínculo, o compromisso inquebrantável de Augusto Buonicore, com o Partido dele, o PCdoB. Falou ainda da indispensabilidade da legenda para o processo transformador. E destacou um traço marcante da militância dele: a disciplina. Era entusiasta do debate, das discussões, mas desde que fossem travadas nos fóruns adequados do Partido.
Sonia ainda destacou as qualidades de Buonicore como companheiro amoroso, pai carinhoso e que cultivava o bom humor. E finalizou: “agora, ficaram as ideias dele e ele continuará pulsando em nossos corações”.
De Campinas, Henrique Brazão (texto e fotos)
Nada a perder, um mundo a ganhar! - Paulo Vinícius da Silva
Completam-se 98 anos desde que aqueles trabalhadores, em Niterói fundaram o Partido Comunista do Brasil, em 25 de março de 1922. E essa bandeira, esse nome, esse símbolo seguem marcados na luta, nos destinos e na história da classe trabalhadora, no Brasil, e no mundo. Face ao centenário que se aproxima, vemos a pátria, a democracia e os direitos dos trabalhadores(as) mais ameaçados que nunca. Nessa hora, não basta a suprema orgia dos banqueiros, querem ainda nos convencer que a vida só pode ser assim, que é impossível mudar. E, para que a mudança, à la Lula, seja mera gestão da crise, há que exorcizá-la, exorcizar o socialismo, o comunismo, a foice e o martelo.
A foice e o martelo sempre me comoverão exatamente por isso. Esse universal símbolo do projeto emancipador dos oprimidos de todo o mundo tremula em todos os países, e incomoda. Quando há uma luta, uma greve, se o povo assume o poder, como na China, tremula altivo o pavilhão da aliança do campo e da cidade, a união dos que trabalham e, com o seu trabalho, constroem a humanidade. Uma foice e martelo que tremulou também ao fim da derrota do nazismo, em 1945, no Reichstag.
Um tal símbolo só pode ser maldito em tempos atuais, de desespero, de incerteza, tempos de hegemonia absoluta do capital financeiro e, por decorrência, tempos de fascismo. Nessa hora soturna, são os e as comunistas os impulsionadores da mais generosa tese, a Frente Ampla. E é nesse contexto que somos questionados, e à nossa simbologia, e nome. É um questionamento normal, porque o anticomunismo é uma realidade. Então, o que pensam os comunistas? Vocês ainda são comunistas, perguntam-nos.
Esse é o paradoxo. O passado nos questiona sobre a oportunidade do futuro. A antiguidade do símbolo não pode escamotear a tardança dos sonhos, que seu manifesto, ancorado no século XIX, vige em pleno século XXI. Mas porque perguntar se não muda o sonho, se a realidade é de pesadelo? É o capitalismo que atrasa o gênero humano. Ainda vigora a sociedade do trabalho assalariado, elevada ao precariado universal. Há algo de podre nesse papo de mercado sob tanto oligopólio e as guerras. Mandam os 1%, super ricos que detém mais riqueza que 99% da humanidade. Persistem ainda a acumulação do capital e a mais-valia, contudo as asas do capital financeiro levaram a acumulação a um grau inédito de luxúria rentista, parasitária e autoritária. Submetida está a humanidade inteira e seu futuro ao poder dos oligopólios. As fomes, as guerras, o tráfico de seres humanos, a sociedade da adicção, nada disso é à toa, casa perfeitamente com o sistema capitalista decadente que vivemos e que ameaça o planeta. O que tem de mudar?
O que tem de mudar é o capitalismo, este sim o problema que definirá o futuro da humanidade. O capitalismo precisa ser superado. A oligopolização, o rentismo parasitário, a hipertrofia do capital financeiro, o grande irmão aliado ao grande capital e as hordas de manipulados pelo ódio e pela fé, é isso que tem de acabar. Porque se continua, nós estamos vendo que a degradação não terá limites.
E hoje, só o Socialismo de Mercado Chinês tem mostrado poder regular um mercado pujante e produtivo, submetendo as finanças à produtividade e promovendo um movimento inverso ao mundial. Sob o rentismo parasitário do capital financeiro especulativo não há lógica que não o lucro, e a produção é um detalhe. A especulação movimenta recursos imensamente maiores que a economia produtiva. E o rentismo sufoca a produção ao tempo que promove o consumismo irracional e daninho. No gigante asiático, esse capital especulativo é dirigido à produção, a partir de sólidas instituições financeiras estatais e de um estado forte e eficiente, e uma forte economia privada, promovendo o avanço em todos os níveis. E sobre esse imenso experimento, que tirou 830 milhões de cidadão da linha da pobreza, tremula a bandeira vermelha da foice e o martelo. Ante o museu de velhas novidades denunciado por Cazuza, por que a grande mídia anseia por abandonarmos a perspectiva futura? E que virtude haveria em ser mais um partido reformista? Amplitude sem radicalidade só serve às elites.
Deixado à sua própria sanha, o capitalismo promove guerras, concentra riqueza, escraviza através de juros, submete todas as dimensões humanas ao frio interesse egoísta, propõe a criação de um sistema crescente de insatisfações, promove o consumismo irracional e as adicções levando ao desperdício criminoso de recursos finitos das futuras gerações. O capitalismo já é a barbárie, a guerra, a fome, a ignorância e a ganância com repercussões planetárias devastadoras. É um suicídio universal. É preciso derrotar o capitalismo pra salvar a humanidade. O problema não é o comunismo, e sim o capitalismo oligopolista e sua ditadura.
E ser comunista hoje é em parte uma a maneira de ver o mundo, iluminado por esse fato inegável de que é o trabalho humano que cria a riqueza, e mais que isso, que mantém e dá sentido à vida. Há essa irmandade objetiva, nosso destino é comum, somos classe trabalhadora. Mas é mais, ser comunista é um jeito especial de lutar, e um objetivo sumamente elevado a cumprir.
O socialismo é essa necessidade histórica. É o desafio da nossa geração. Os que querem vender os ingressos do fim do mundo não querem alternativa a sua distopia. Que perigo ser comunista, acreditar nas pessoas comuns, trabalhadoras, no coletivo, e no direito a uma vida feliz e em paz. "Muda isso", dizem ha muito quem acha melhor a vida como está. Nós, não.
E foi o nosso partido forjado por essa multidão de militantes, muitos anônimos, que trouxe essa bandeira vermelha da foice e do martelo, da união dos que trabalham, no campo e na cidade, para o mundo ser de todos. Tão perseguida, caluniada, ela segue sendo o supremo símbolo de rebeldia e a utopia de um novo mundo, uma terra sem amos. Dizia o John Lennon: "Pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não estou sozinho, e eu espero que um dia você se junte a nós, e o mundo então será um só". Ora, a vida anda tão ruim, que mudá-la é um imperativo ético e de sobrevivência. Para mim, mais que nunca, o que faz todo sentido está escrito num livrinho de 1848: "Podem as classes dominantes tremer ante uma revolução comunista! Nela os proletários nada têm a perder a não ser as suas cadeias. Têm um mundo a ganhar.".
A foice e o martelo sempre me comoverão exatamente por isso. Esse universal símbolo do projeto emancipador dos oprimidos de todo o mundo tremula em todos os países, e incomoda. Quando há uma luta, uma greve, se o povo assume o poder, como na China, tremula altivo o pavilhão da aliança do campo e da cidade, a união dos que trabalham e, com o seu trabalho, constroem a humanidade. Uma foice e martelo que tremulou também ao fim da derrota do nazismo, em 1945, no Reichstag.
Um tal símbolo só pode ser maldito em tempos atuais, de desespero, de incerteza, tempos de hegemonia absoluta do capital financeiro e, por decorrência, tempos de fascismo. Nessa hora soturna, são os e as comunistas os impulsionadores da mais generosa tese, a Frente Ampla. E é nesse contexto que somos questionados, e à nossa simbologia, e nome. É um questionamento normal, porque o anticomunismo é uma realidade. Então, o que pensam os comunistas? Vocês ainda são comunistas, perguntam-nos.
Esse é o paradoxo. O passado nos questiona sobre a oportunidade do futuro. A antiguidade do símbolo não pode escamotear a tardança dos sonhos, que seu manifesto, ancorado no século XIX, vige em pleno século XXI. Mas porque perguntar se não muda o sonho, se a realidade é de pesadelo? É o capitalismo que atrasa o gênero humano. Ainda vigora a sociedade do trabalho assalariado, elevada ao precariado universal. Há algo de podre nesse papo de mercado sob tanto oligopólio e as guerras. Mandam os 1%, super ricos que detém mais riqueza que 99% da humanidade. Persistem ainda a acumulação do capital e a mais-valia, contudo as asas do capital financeiro levaram a acumulação a um grau inédito de luxúria rentista, parasitária e autoritária. Submetida está a humanidade inteira e seu futuro ao poder dos oligopólios. As fomes, as guerras, o tráfico de seres humanos, a sociedade da adicção, nada disso é à toa, casa perfeitamente com o sistema capitalista decadente que vivemos e que ameaça o planeta. O que tem de mudar?
O que tem de mudar é o capitalismo, este sim o problema que definirá o futuro da humanidade. O capitalismo precisa ser superado. A oligopolização, o rentismo parasitário, a hipertrofia do capital financeiro, o grande irmão aliado ao grande capital e as hordas de manipulados pelo ódio e pela fé, é isso que tem de acabar. Porque se continua, nós estamos vendo que a degradação não terá limites.
E hoje, só o Socialismo de Mercado Chinês tem mostrado poder regular um mercado pujante e produtivo, submetendo as finanças à produtividade e promovendo um movimento inverso ao mundial. Sob o rentismo parasitário do capital financeiro especulativo não há lógica que não o lucro, e a produção é um detalhe. A especulação movimenta recursos imensamente maiores que a economia produtiva. E o rentismo sufoca a produção ao tempo que promove o consumismo irracional e daninho. No gigante asiático, esse capital especulativo é dirigido à produção, a partir de sólidas instituições financeiras estatais e de um estado forte e eficiente, e uma forte economia privada, promovendo o avanço em todos os níveis. E sobre esse imenso experimento, que tirou 830 milhões de cidadão da linha da pobreza, tremula a bandeira vermelha da foice e o martelo. Ante o museu de velhas novidades denunciado por Cazuza, por que a grande mídia anseia por abandonarmos a perspectiva futura? E que virtude haveria em ser mais um partido reformista? Amplitude sem radicalidade só serve às elites.
Deixado à sua própria sanha, o capitalismo promove guerras, concentra riqueza, escraviza através de juros, submete todas as dimensões humanas ao frio interesse egoísta, propõe a criação de um sistema crescente de insatisfações, promove o consumismo irracional e as adicções levando ao desperdício criminoso de recursos finitos das futuras gerações. O capitalismo já é a barbárie, a guerra, a fome, a ignorância e a ganância com repercussões planetárias devastadoras. É um suicídio universal. É preciso derrotar o capitalismo pra salvar a humanidade. O problema não é o comunismo, e sim o capitalismo oligopolista e sua ditadura.
E ser comunista hoje é em parte uma a maneira de ver o mundo, iluminado por esse fato inegável de que é o trabalho humano que cria a riqueza, e mais que isso, que mantém e dá sentido à vida. Há essa irmandade objetiva, nosso destino é comum, somos classe trabalhadora. Mas é mais, ser comunista é um jeito especial de lutar, e um objetivo sumamente elevado a cumprir.
O socialismo é essa necessidade histórica. É o desafio da nossa geração. Os que querem vender os ingressos do fim do mundo não querem alternativa a sua distopia. Que perigo ser comunista, acreditar nas pessoas comuns, trabalhadoras, no coletivo, e no direito a uma vida feliz e em paz. "Muda isso", dizem ha muito quem acha melhor a vida como está. Nós, não.
E foi o nosso partido forjado por essa multidão de militantes, muitos anônimos, que trouxe essa bandeira vermelha da foice e do martelo, da união dos que trabalham, no campo e na cidade, para o mundo ser de todos. Tão perseguida, caluniada, ela segue sendo o supremo símbolo de rebeldia e a utopia de um novo mundo, uma terra sem amos. Dizia o John Lennon: "Pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não estou sozinho, e eu espero que um dia você se junte a nós, e o mundo então será um só". Ora, a vida anda tão ruim, que mudá-la é um imperativo ético e de sobrevivência. Para mim, mais que nunca, o que faz todo sentido está escrito num livrinho de 1848: "Podem as classes dominantes tremer ante uma revolução comunista! Nela os proletários nada têm a perder a não ser as suas cadeias. Têm um mundo a ganhar.".
quarta-feira, 11 de março de 2020
PCdoB homenageia o camarada Augusto Buonicore - Luto
O PCdoB ressalta “a monumental contribuição para o resgate e o registro da história do PCdoB, do marxismo e do pensamento progressista em geral”.
por Vermelho
Publicado 11/03/2020 20:21 | Editado 11/03/2020 20:50
Augusto Buonicore é homenageado pelo PCdoB
A presidenta nacional do PCdoB, Luciana Santos e o presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo, divulgaram nota de pesar pelo falecimento dos historiador Augusto Buonicore, ocorrido nesta quarta-feira (11) em que destacam sua trajetória e contribuição militante, em especial no debate de ideias.
Os dirigentes comunistas citam as obras e atuação do historiador e cientista político no Centro de Documentação e Memória da Função Maurício Grabois e no Comitê Central do PCdoB. “Com suas posições claras e bem definidas, conquistou respeito e simpatia em amplos setores da intelectualidade”, afirmam.
Leia também: Coluna de Augusto Buonicore no Portal Vermelho
A nota afirma também que Augusto “foi um incansável batalhador pelo desenvolvimento da nova luta pelo socialismo. Seu legado certamente muito contribuirá para o desdobramento desse processo”. Ao final, presta condolências à família e reverenciam a luta e o legado de Augusto
Augusto, à esquerda, em debate com João Amazonas (de pé)
Confira a íntegra a seguir:
Nota de pesar pelo falecimento do camarada Augusto Cesar Buonicore
O falecimento do camarada Augusto Cesar Buonicore deixa a militância e os amigos do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) profundamente entristecidos. Ele falece aos 59 anos de idade, em pleno auge da sua produção teórica, depois de uma profícua atuação como intelectual, escritor, militante estudantil e sindical.
Historiador e cientista político, foi membro do Comitê Central do PCdoB e dirigente da Fundação Maurício Grabois. Foi também um dos coordenadores da Escola Nacional João Amazonas.
Suas obras “Marxismo, história e a revolução brasileira: encontros e desencontros”; “Meu Verbo é Lutar: a vida e o pensamento de João Amazonas”; e “Linhas Vermelhas: marxismo e os dilemas da revolução” – além de artigos, palestras e entrevistas – enriqueceram o pensamento marxista brasileiro e ajudaram significativamente na compreensão do Brasil e dos seus dilemas.
À frente do Centro de Documentação e Memória (CDM) da Fundação Maurício Grabois, Augusto Buonicore deu uma monumental contribuição para o resgate e o registro da história do PCdoB, do marxismo e do pensamento progressista em geral. Com suas posições claras e bem definidas, conquistou respeito e simpatia em amplos setores da intelectualidade.
Augusto Buonicore era reverenciado pelo rigor com que tratava suas pesquisas e, também, por ter sido um camarada de dedicação a toda prova às causas do povo, sempre modesto e fraterno. Criador e difusor de ideias avançadas, foi um incansável batalhador pelo desenvolvimento da nova luta pelo socialismo. Seu legado certamente muito contribuirá para o desdobramento desse processo.
Nossas fraternas e sentidas condolências à esposa, Sônia Regina de Oliveira; à filha, Clara Oliveira Buonicore; e à mãe, Dolores Buonicore!
Inclinamos nossas bandeiras revolucionárias do PCdoB, de fraternidade e justiça social, à memória de Augusto Buonicore!
Reverenciamos sua luta e seu legado!
São Paulo, 11 de março de 2020
sábado, 22 de fevereiro de 2020
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020
A crise de segurança no Ceará e o atentado a Cid Gomes pelos tweets - compreenda o que aconteceu
Mais um episódio do Brasil miliciano. https://t.co/4fz1TAhJ3u— JornalismoWando (@JornalismoWando) February 19, 2020
A caminho de Sobral (CE), Cid Gomes explicou por que estava indo para lá. "Estou chocado ao ver cenas de quem devia dar segurança para o povo promovendo a insegurança, a desordem", falou. "Vamos definir coletivamente uma solução para dar paz para Sobral", pediu #Metrópoles pic.twitter.com/aoPY09FDYC— Metrópoles (@Metropoles) February 19, 2020
Senador Cid Gomes (PDT), sobre vídeo de viaturas mandando fechar o comércio em Sobral: "Eu tô aqui desarmado, e vou enfrentar quem armado estiver, sob o custo da minha vida. Mas ninguém vai fazer o que esses bandidos estão fazendo aqui em Sobral" (Foto: Veríssimo Barroso) pic.twitter.com/8QNrt64Ah7— Carlos Mazza (@CCMazza) February 19, 2020
O ex-governador do Ceará Cid Gomes levou um tiro de bala de borracha, nesta quarta-feira (19/2), e foi encaminhado para um hospital. Em Sobral (CE), o senador estava em cima de uma retroescavadeira quando foi atingido. Pessoas que estavam no local filmaram a cena #Metrópoles pic.twitter.com/ZSNxM48O31— Metrópoles (@Metropoles) February 19, 2020
Meu irmao Cid Gomes foi vitima de dois tiros de arma de fogo por parte de policiais militares amotinados e mascarados em Sobral, nossa cidade. Até aqui as informações médicas são de que as balas não atingiram órgãos vitais apesar de terem mirado seu peito esquerdo. (...)— Ciro Gomes (@cirogomes) February 19, 2020
Boletim médico atualizado! pic.twitter.com/erkubZxRlo— Cid Gomes (@senadorcidgomes) February 19, 2020
Equipes do Cotar ocupam quartel em que Cid Gomes foi baleado https://t.co/HSn4vamfk0 pic.twitter.com/31ExJqb4fU— Diário do Nordeste (@diarioonline) February 20, 2020
Cid Gomes enfrentou o motim de uma corporação armada que, sob a inspiração de Bolsonaro, se comporta como uma milícia e ameaça o estado brasileiro. Fez bem. O Brasil tem que parar as milícias. É preciso coragem para isso.— Evilázio (@Evilzio5) February 20, 2020
Fotógrafo alega ter sido roubado por policial mascarado em Sobral, na confusão que o Cid Gomes se envolveu... tempos sombrios pic.twitter.com/ecJI2FcpmG— Nathalia Danielle (@Nathalia_D97) February 19, 2020
Secretário diz que encapuzados que atacaram batalhões no Ceará 'se autointitulam como policiais militares' | Ceará | G1 https://t.co/62RMTP0b2m
— 🚩 sonia 🚩 (@sonia_divinaa) February 20, 2020
Manifesto minha solidariedade ao Sen. Cid Gomes vítima de um atentado na cidade de Sobral.— Inácio Arruda (@inacioarruda) February 20, 2020
Vídeo flagra a dolosa tentativa de homicídio contra o senador.— Walter Augusto✊🏼🌹 (@WalterAugustoF) February 20, 2020
Detalhe, a retroescavadeira estava parada. pic.twitter.com/11iWe2Fewa
terça-feira, 18 de fevereiro de 2020
Flávio Dino: “É preciso extrair lições de 2018" - Frente Ampla contra o fascismo
Flávio Dino: “É preciso extrair lições de 2018” https://t.co/Wjf0miRCyj pic.twitter.com/U8XAeDwfdJ— Portal Vermelho (@portalvermelho) February 17, 2020
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020
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