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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Manifestação reúne 15 mil pessoas em defesa da Reforma Política - Portal Vermelho

Manifestação reúne 15 mil pessoas em defesa da Reforma Política - Portal Vermelho

Os movimentos
sociais e os partidos de esquerda “pintaram de vermelho” a Avenida
Paulista novamente. Apesar da chuva que dificultou o percurso em
diversas regiões da cidade, mais de 15 mil pessoas participaram de uma
manifestação em defesa da Reforma Política democrática na tarde desta
quinta-feira (13) na capital paulista.




Mariana Serafini
Mais de 15 mil pessoas se reuniram na Avenida Paulista
Mais de 15 mil pessoas se reuniram na Avenida Paulista


Mas não só a luta pela Reforma Política agitou os movimentos
sociais, que também foram para a rua mostrar aos setores conservadores a
força do povo brasileiro. “Estamos na rua por mais direitos e contra a
direita”, disse um dirigente do MTST. Isso porque, há poucos dias uma
parcela ultra conservadora da sociedade se reuniu no mesmo lugar, no vão
livre do Masp, para exigir um impeachment e um golpe militar. Em
resposta o povo tomou as ruas para consolidar a vitória nas urnas.



No percurso da Avenida Paulista, os mais de 15 mil manifestantes foram
embalados pelo som alto do carro de som.. A música Da ponte pra cá, dos
Racionais, fez muitos cantarem juntos, afinal na periferia a banda toca
diferente, e esse recado também foi dado. “Não adianta querer ser tem
que ter para trocar, o mundo é diferente da ponte pra cá”, diz o refrão.




Mas diferente das manifestações que tradicionalmente percorrem apenas a
Avenida Paulista, desta vez os manifestantes decidiram mudar o percurso e
passar por uma das regiões mais ricas da capital, conhecida como
Jardins, onde o candidato Aécio Neves teve cerca de 80% dos votos. O
objetivo foi, literalmente “dançar na cara da elite”. Ao som de Asa
Branca os manifestantes dançaram na rua Jaú, em frente a um hotel de
luxo. “Estamos aqui nesta região rica para mostrar para essa elite
branca que São Paulo é uma das cidades mais nordestinas do país”.



Um misto de desprezo e simpatia tomou conta das ruas nobres de São
Paulo. Enquanto alguns moradores olhavam assustados do alto dos prédios
luxuosos, porteiros, manobristas e outros funcionários sorriam e
acenavam, alguns até aproveitaram para registrar a grande manifestação
com seus smartphones.

Para o dirigente José Bitelli, da CTB, essa manifestação foi uma
“intervenção do povo”, ao contrário da direita que pede uma intervenção
militar. Ele ressaltou a importância de os setores progressistas tomarem
as ruas para garantir os direitos já conquistados e seguir com novas
vitórias populares.



A CUT também defendeu a participação popular para garantir direitos e,
principalmente, para fortalecer a luta pela Reforma Política e outras
reformas estruturantes, entre elas as reformas urbanas e agrárias.



Os movimentos que lutam por moradia, entre eles o MTST e o FLM
compareceram em peso na manifestação, milhares de pessoas das mais
distantes ocupações fizeram questão de marcar participar da luta pela
Reforma Política. Entre as comunidades presentes estavam a Nova
Palestina e a Faixa de Gaza, reconhecidas pela resistência popular em
defesa do direito à moradia digna.

A UJS também fez questão de participar e levou sua bandeira, a reforma
da mídia. Desde a manifestação realizada em frente a Editora Abril
contra a revista Veja, a entidade vem engrossando o coro da
democratização dos meios de comunicação por acreditar que este setor é
importante no processo de conscientizar a população em defesa das demais
reformas necessárias.



O presidente municipal do PCdoB da capital paulista, Jamil Murad,
afirmou que para garantir mais mudanças e fortalecer o governo da
presidenta Dilma, os movimentos sociais devem estar nas ruas, ele vê
este momento como um “fator novo na vida politica nacional para
impulsionar as reformas estruturais democráticas”.



Ao contrário da direita que defende intervenção militar, e outros
regimes antidemocráticos, “os trabalhadores, os estudantes, as mulheres,
os partidos políticos de esquerda, os movimentos sociais, e os
patriotas que lutam por um país melhor, estão na rua pela democracia”,
explicou Jamil.



De acordo com Jamil, a direita “não sabe perder”, porque apesar da
derrota, querem impor medias governamentais como escolher o ministro da
Fazenda, e o diretor do Banco Central, além de impor o corte de gastos
com programas sociais. “Eles perderam, mas querem que a Dilma aplique a
política deles, isso é uma coisa esquizofrênica”, diz.

Já o presidente do PCdoB em Pirituba, Donizetti Cunha, classificou o
local escolhido para a manifestação como “um bom recorte, iniciar a
manifestação do vão do Mas, no mesmo lugar onde a turma do Aécio, essa
elite branca, provou que não sabe perder”. Segundo ele, o povo não está
disposto a voltar ao passado, e por isso elegeu pela quarta vez um
presidente progressista.



A manifestação contou com a participação de diversos movimentos sociais,
entre eles UJS, CUT, CTB, Ubes, UEE-SP, MTST, FLM, Coletivo Fora do
Eixo, Coletivo Rua, Levante Popular da Juventude e outros. Os
manifestantes deram o recado, uma vaia ao preconceito, à polarização do
Brasil e às medias reacionárias que os setores conservadores querem
impor.





Do Portal Vermelho,

Mariana Serafini

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

É meu dever dizer aos jovens o que é um Golpe de Estado - Portal Vermelho

É meu dever dizer aos jovens o que é um Golpe de Estado - Portal Vermelho

Há cheiro de
1964 no ar. Não apenas no Brasil, mas também nas vizinhanças. Acho então
que é chegada a hora de dar o meu depoimento. Dizer a vocês, jovens de
20, 30, 40 anos de meu Brasil, o que é de fato uma ditadura.



Por Hildegard Angel*, em seu blog





 Diretas Já!
 Diretas Já!


Se a Ditadura Militar tivesse sido contada na escola, como são a
Inconfidência Mineira e outros episódios pontuais de usurpação da
liberdade em nosso país, eu não estaria me vendo hoje obrigada a passar
sal em minhas tão raladas feridas, que jamais pararam de sangrar.



Fazer as feridas sangrarem é obrigação de cada um dos que sofreram naquele período e ainda têm voz para falar.



Alguns já se calaram para sempre. Outros, agora se calam por vontade
própria. Terceiros, por cansaço. Muitos, por desânimo. O coração tem
razões…



Eu falo e eu choro e eu me sinto um bagaço. Talvez porque a minha
consciência do sofrimento tenha pegado meio no tranco, como se eu
vivesse durante um certo tempo assim catatônica, sem prestar atenção,
caminhando como cabra cega num cenário de terror e desolação, apalpando o
ar, me guiando pela brisa. E quando, finalmente, caiu-me a venda, só vi
o vazio de minha própria cegueira.



Meu irmão, meu irmão, onde estás? Sequer o corpo jamais tivemos.



Outro dia, jantei com um casal de leais companheiros dele. Bronzeados,
risonhos, felizes. Quando falei do sofrimento que passávamos em casa, na
expectativa de saber se Tuti estaria morto ou vivo, se havia corpo ou
não, ouvi: “Ah, mas se soubessem como éramos felizes… Dormíamos de mãos
dadas e com o revólver ao lado, e éramos completamente felizes”. E se
olharam, um ao outro, completamente felizes.

Ah, meu deus, e como nós, as famílias dos que morreram, éramos e somos completamente infelizes!



A ditadura militar aboletou-se no Brasil, assentada sobre um colchão de
mentiras ardilosamente costuradas para iludir a boa fé de uma classe
média desinformada, aterrorizada por perversa lavagem cerebral da mídia,
que antevia uma “invasão vermelha”, quando o que, de fato, hoje se
sabe, navegava célere em nossa direção, era uma frota americana.



Deu-se o golpe! Os jovens universitários liberais e de esquerda não
precisavam de motivação mais convincente para reagir. Como armas, tinham
sua ideologia, os argumentos, os livros. Foram afugentados do mundo
acadêmico, proibidos de estudar, de frequentar as escolas, o saber
entrou para o índex nacional engendrado pela prepotência.



As pessoas tinham as casas invadidas, gavetas reviradas, papéis e livros
confiscados. Pessoas eram levadas na calada da noite ou sob o sol
brilhante, aos olhos da vizinhança, sem explicações nem motivo, bastava
uma denúncia, sabe-se lá por que razão ou partindo de quem, muitas para
nunca mais serem vistas ou sabidas. Ou mesmo eram mortas à luz do dia.
Ra-ta-ta-ta-tá e pronto.



E todos se calavam. A grande escuridão do Brasil. Assim são as
ditaduras. Hoje ouvimos falar dos horrores praticados na Coreia do
Norte. Aqui não foi muito diferente. O medo era igual. O obscurantismo
igual. As torturas iguais. A hipocrisia idêntica. A aceitação da
sobrevivência. Ame-me ou deixe-me. O dedurismo. Tudo igual. Em número
menor de indivíduos massacrados, mas a mesma consistência de terror, a
mesma impotência.



Falam na corrupção dos dias de hoje. Esquecem-se de falar nas de ontem.
Quando cochichavam sobre “as malas do Golbery” ou “as comissões das
turbinas”, “as compras de armamento”. Falavam, falavam, mas nada se
apurava, nada se publicava, nada se confirmava, pois não havia CPI, não
havia um Congresso de verdade, uma imprensa de verdade, uma Justiça de
verdade, um país de verdade.



E qualquer empresa, grande, média ou mínima, para conseguir se manter,
precisava obrigatoriamente ter na diretoria um militar. De qualquer
patente. Para impor respeito, abrir portas, estar imune a perseguições.
Se isso não é um tipo de aparelhamento, o que é, então? Um Brasil de
mentirinha, ao som da trilha sonora ufanista de Miguel Gustavo.



Minha família se dilacerou. Meu irmão torturado, morto, corpo não
sabido. Minha mãe assassinada, numa pantomima de acidente, só
desmascarada 22 anos depois, pelo empenho do ministro José Gregory, com a
instalação da Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticos no governo
Fernando Henrique Cardoso.



Meu pai, quatro infartos e a decepção de saber que ele, estrangeiro, que
dedicou vida, esforço e economias a manter um orfanato em Minas,
criando 50 meninos brasileiros e lhes dando ofício, via o Brasil
roubar-lhe o primogênito, Stuart Edgar, somando no nome homenagens aos
seus pai e irmão, ambos pastores protestantes americanos – o irmão,
assassinado por membro louco da Ku Klux Klan. Tragédia que se repetia.



Minha irmã, enviada repentinamente para estudar nos Estados Unidos,
quando minha mãe teve a informação de que sua sala de aula, no curso de
Ciências Sociais, na PUC, seria invadida pelos militares, e foi, e os
alunos seriam presos, e foram. Até hoje, ela vive no exterior.



Barata tonta, fiquei por aí, vagando feito mariposa, em volta da
fosforescência da luz magnífica de minha profissão de colunista social,
que só me somou aplausos e muitos queridos amigos, mas também uma
insolente incompreensão de quem se arbitrou o insano direito de me
julgar por ter sobrevivido.



Outra morte dolorida foi a da atriz, minha verdadeira e apaixonada
vocação, que, logo após o assassinato de minha mãe, precisei abdicar de
ser, apesar de me ter preparado desde a infância para tal e já ter então
alcançado o espaço próprio. Intuitivamente, sabia que prosseguir
significaria uma contagem regressiva para meu próprio fim.



Hoje, vivo catando os retalhos daquele passado, como acumuladora, sem
espaço para tantos papéis, vestidos, rabiscos, memórias, tentando me
entender, encontrar, reencontrar e viver apesar de tudo, e promover
nessa plantação tosca de sofrimentos uma bela colheita: lembrar os meus
mártires e tudo de bom e de belo que fizeram pelo meu país, quer na
moda, na arte, na política, nos exemplos deixados, na História, através
do maior número de ações produtivas, efetivas e criativas que eu consiga
multiplicar.



E ainda há quem me pergunte em quê a Ditadura Militar modificou minha vida!



*Hildegard Angel é jornalista e blogueira



**O primeiro parágrafo original deste texto, que fazia referência à
possível iminente tomada do poder de um governo eleito democraticamente,
na Venezuela, foi trocado pela frase sucinta aqui vista agora, às
15h06m deste dia 24/02/2014, porque o foco principal do assunto (a
ditadura brasileira) foi desviado nos comentários. Meus ombros já são
pequenos para arcarem com a nossa tragédia. Que dirá com a da Venezuela!



*** Pelo mesmo motivo acima exposto, os comentários que se referiam à
questão na Venezuela referida no antigo primeiro parágrafo foram
retirados pois perderam o sentido no contexto. Pedindo desculpa aos
autores dos textos, muitos deles objeto de reflexão honesta e profunda, e
merecedores de serem conhecidos, mas não há motivação para mantê-los
aqui no ar. O nível de truculência a que levou a discussão não me
permite estimulá-la.



domingo, 9 de novembro de 2014

Conceição Lemes - o Mais Médicos em Novo Hamburgo: “Os médicos cubanos tocam na gente para examinar” - Blog VioMundo

Viomundo e o Mais Médicos em Novo Hamburgo

Conceição Lemes: “Os médicos cubanos tocam na gente para examinar”

publicado em 6 de novembro de 2014 às 21:04
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O secretário Luiz Carlos Bolzan e o médico cubano Antonio Betancourt fazem  a diferença. Fotos: Robson Nunes 
por Conceição Lemes
Novo Hamburgo, capital nacional do Calçado, fica a 40 km de Porto Alegre (RS).
Até o ano passado, como a maioria das cidades brasileiras, esse município gaúcho tinha falta de médicos.
Não era por escassez de recursos, mas por falta de profissionais para contratar.
Eram 160 para cuidar de 240 mil habitantes. Cobriam apenas 28% da população.
Em setembro de 2013, Novo Hamburgo recebeu os três primeiros médicos do programa Mais Médicos: duas argentinas e um brasileiro formado em Cuba.
Hoje, são 40, dos quais 29 cubanos. Os demais são dois brasileiros formados fora do país (um em Cuba e uma na Venezuela), quatro argentinos, três uruguaios, um dominicano e um venezuelano.
O doutor Antonio Betancourt Léon é um deles. Foi o primeiro médico cubano a atender na Vila Palmeira, uma das áreas mais carentes da cidade. Chegou no início de 2014.
Antes, trabalhou durante dois anos na Guiana Inglesa, num programa de Saúde da Família, parecido com o Mais Médicos, que visa à atenção básica de saúde, ou atenção primária.
Jaci da Silva Carvalho (69), Santa Emília Alves de Almeida (75 anos) e Roseline Quadros Abreu (35) são algumas das dezenas de pacientes que já passaram em consulta com ele. As três moram na Vila Palmeira.
Dona Jaci padece com uma ferida na perna, diagnosticada como úlcera varicosa, há seis anos.
– Quando começa a doer, fico louca. Me tratei no Hospital Operário. Depois, no posto de saúde Santo Afonso. Aí, faziam curativos a cada 15 dias. Não davam nenhum remédio para eu aguentar a dor na hora do curativo. Eu tinha que suportar tudo ali, no osso… Pior é que não melhorava. Eu pedia pra eles trocarem a pomada que eu usava em que casa, porque custava caro, eles não ligavam.
Dona Jaci: "Doutor Antonio tirou uma parte dos remédios que eu tomava. Não é que a minha dor no estômago está melhorando"Dona Jaci: "Doutor Antonio tirou uma parte dos remédios que eu tomava. Não é que a minha dor no estômago está melhorando"
Dona Jaci: “Doutor Antonio tirou uma parte dos remédios que eu tomava. Não é que a minha dor no estômago está melhorando?”
– Hoje em dia, estou me tratando no posto mais ali para baixo, com o doutor Antonio,  do Mais Médicos. Eles tratam a gente com mais carinho. As gurias são muito boas.
– Agora, faço curativo todo dia. Engraçado…devido ao jeito de a guria fazer o curativo, não dói tanto como antes… Estou com muita esperança de que agora vai dar certo…Ah, ia me esquecendo. Não preciso mais comprar a pomada, eles dão pra mim.
-- Se eu entendo o que o doutor Antônio fala? Entendo um pouco, sim, mas levo sempre o meu filho que entende melhor do que eu.
– Guria, tu acreditas que eu estava tomando 25 comprimidos por dia?!  Eu já nem podia mais comer de tanta dor no estômago. O doutor Antonio achou que era muito remédio. Tirou uma parte. Não é que a minha dor no estômago está melhorando?
Dona Santa Emília está muito empolgada:
– Os do Mais Médicos atendem, mesmo, bem melhor. Dão mais atenção ao que gente sente do que os outros médicos. Eu tenho diabetes, hipertensão arterial e problema de coluna, que toda pessoa velha tem…
Roseline tem quatro filhos: 15, 14, 13 e 4 anos de idade:
– Para a minha família, o atendimento está sendo ótimo. Eles examinam a gente!
– Até achei que a comunicação com eles [os médicos cubanos] iria ser difícil. Mas está muito tranquilo. Eles falam bem devagar.
– No outro posto que a gente frequentava antes, às vezes, eu chegava lá com o meu gurizinho de 4 anos com febre, dor de garganta…Os médicos nem examinavam, davam direto ampicilina [um tipo de antibiótico]!
– O meu filho de 15 anos tem muita acne, também está se tratando. O rosto estava se deformando. Ele se sentia tão mal que se fechava em casa. O resultado está bem bom.
– Um dia desses, levei o meu gurizinho. Precisa ver como eles são atenciosos. Eles examinam os olhos, a barriguinha, abrem a boca para ver como estão os dentinhos, garganta…
– A gente não tinha isso antes! Os médicos do Mais Médicos são mais humanos. Eles trabalham com gosto. Eles tocam na gente para examinar! Já os outros a gente percebe não gostam de pôr a mão na gente; às vezes nem olham para o nosso rosto.
AGENTE DE SAÚDE: “TODO MUNDO QUER SE CONSULTAR COM OS CUBANOS”
Emília, Jaci e Roseline estão entre as 215 famílias que a agente de saúde Altiva Motta dos Santos acompanha mensalmente em casa.
Atuando há cinco anos na Vila Palmeira, Altiva tem a mesma percepção das suas pacientes, como mostra esta breve entrevista que fizemos com ela:
– Como está sendo trabalhar com os médicos cubanos? 
– Muito boa. Eles são muito atenciosos. Examinam bem as pessoas. Todo mundo está gostando muito. Eles falam com calma para as pessoas entenderem.
– Algum paciente recusou ser atendido por eles?
– Nããããããão! Todo mundo quer se consultar com eles.  Não é propaganda, falo a verdade.
– O que os pacientes te contam?
– Sobre os outros médicos, era comum eu ouvir: “Fulano não examina, sicrano atende a gente em pé, até na porta; não faz isso, não faz  aquilo…”
Já sobre cubanos, eles dizem: “perguntam tudo sobre a saúde da gente, ouvem o que estamos sentindo, examinam bem, tiram a pressão, colocam a gente na maca…”
– Mudou alguma coisa?
– Melhorou bastante a adesão ao tratamento, às orientações. Os usuários estão mais felizes. E eles estando mais felizes, nós, agentes de saúde, também ficamos mais felizes.
Em casa, Dona Emília recebe a visita mensal da agente de saúde Altiva: "Os médicos do Mais Médicos dão mais atenção ao que gente sente do que os outros"
Em casa, Dona Emília recebe a visita mensal da agente de saúde Altiva: “Os médicos do Mais Médicos dão mais atenção ao que gente sente do que os outros”
DR. ANTONIO: “A GENTE TEM DE LEMBRAR QUE O PACIENTE NÃO É UMA DOENÇA”
Entrevistando o doutor Antonio, fica claro por que tanto as usuárias quanto a agente de saúde derramam-se em elogios à sua atuação.
Principais observações do médico cubano às minhas perguntas:
– Eu fico muito contente com a reação dos pacientes. O acolhimento foi muito bom.
– No início, por causa da língua diferente, tivemos algumas incongruências, mas agora a comunicação está muito boa. Além disso, a relação médico-paciente é muito, muito, muito legal!
– Eu falo devagar para eles. Ao final da consulta, pergunto se entenderam tudo. E, ainda, peço para eles repetirem pra mim.
– Nós estamos trabalhando com uma população muito pobre. Eles precisam de mais atenção e amor, nós estamos fazendo o possível para dar isso.
– A reação dos médicos brasileiros contra nós, cubanos, foi também político-ideológica e não apenas corporativa.
– Logo que cheguei, fui trabalhar com uma médica brasileira totalmente contrária ao Mais Médicos. Ela não queria saber  da gente. Mas, depois de algum tempo, mudou de opinião e me disse: “Eu gosto de trabalhar com os médicos cubanos. Vocês dão mais atenção aos pacientes e nós temos de aprender como vocês fazem isso”. Hoje somos muito bons colegas. Eu acho que com o tempo a opinião dos médicos brasileiros em relação a nós vai mudar.
– Qual a principal diferença entre a nossa escola de medicina e a brasileira?Pelo que eu detectei até agora, a nossa preconiza fazer muita clínica médica. Ensina-nos a conversar bastante com o paciente, o que é muito importante.  É, para mim, a principal diferença.
– A gente tem que lembrar que o paciente não é uma doença. Às vezes só de conversar com conosco, ele melhora. O entorno dele é quase sempre complicado e nós não podemos ignorar isso.
– Em minha modesta opinião, no Brasil, é preciso fortalecer a atenção básica à saúde.  E o primeiro contato com a população tem de ser o melhor possível. Estamos aqui para ajudar como irmãos, para que o primeiro contato da população com o sistema de saúde seja o melhor possível.
Em Novo Hamburgo, experiência inédita no país: os profissionais dos Mais Médicos usam tablet para acessar o prontuário dos pacientes e acrescentar novas informações. Doutor Antonio foi o primeiro a aprender. Nessa foto, durante a capacitação dos médicos, ele faz uma demonstração às colegas cubanas Susete Villarreal (de azul) e Ilena Isabel Cabrales (de laranja) e à uruguaia Gabriela Varini 
Em Novo Hamburgo, experiência inédita no Brasil: os profissionais dos Mais Médicos usam tablet para acessar o prontuário dos pacientes e acrescentar novas informações. Doutor Antonio foi o primeiro a aprender. Na foto, durante uma capacitação, ele faz demonstração às colegas cubanas Susete Villarreal (de blusa azul) e Ilena Isabel Cabrales (de laranja) e à uruguaia Gabriela Varini
FIM DA CONSULTA DE TRÊS MINUTOS E ASSISTÊNCIA MAIS HUMANA
Pesquisa realizada de janeiro a julho de 2014 pela Secretaria de Saúde de Novo Hamburgo com 564 usuários do programa revela o êxito do Mais Médicos junto à população: 98,6% estão satisfeitos, sendo que 90% deram-lhe notas 9 e 10.
“É o serviço público mais bem avaliado pelos usuários, supera o Samu, os correios e os bombeiros”, observa Luiz Carlos Bolzan, secretário de Saúde do município e presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (Consems/ RS).
Os gestores também estão satisfeitos:
* Os médicos do programa estão oito horas por dia na comunidade.
* Têm o perfil para trabalhar com saúde da família e atenção básica.
* Se propõem a atuar em equipe e fazer visitas domiciliares.
Resultado: em Novo Hamburgo, a cobertura da assistência à população saltou de 30% para 76%.
Além disso, a pesquisa feita em Novo Hamburgo já permite detectar alguns resultados positivos Mais Médicos.
O secretário Luiz Carlos Bolzan destaca três:
1. Resgate da prática clínica e da assistência mais humana nos serviços públicos de saúde
Antes a consulta durava três a cinco minutos e se resumia à prescrição de medicamentos a partir de uma queixa, sem fazer qualquer exame clínico. Os pacientes diziam que às vezes o médico nem olhava no rosto deles.
Essa prática está sendo deixada de lado.
Agora, a consulta demora de 20, 30, 40 minutos, permitindo ao médico fazer realmente uma avaliação clínica do pacientes, discutir e prescrever o tratamento.
É justamente a clínica que permite a criação do vínculo médico-paciente.
E se isso acontece, é maior a possibilidade de o paciente seguir as recomendações e retornar à reconsulta. Consequentemente, maior possibilidade de sucesso do tratamento em relação à queixa apresentada.
2. Prescrição mais criteriosa de medicamentos
A pesquisa realizada em Novo Hamburgo revela que os profissionais do Mais Médicos dão menos remédios por receita do que fora do programa.
E quanto menos medicamentos, menor o risco de danos colaterais e maior a possibilidade de o paciente seguir o tratamento recomendado.
3. Aumento das imunizações que não fazem parte das campanhas de vacinação
Por exemplo, a vacina contra a febre amarela, recomendada para quem mora ou vai viajar para áreas de risco da infecção.
Em Novo Hamburgo, o pico coincidiu com a chegada do Mais Médicos.
Isso tem muito a ver com a maior atenção na consulta e no enfoque da prevenção de doenças. Afinal, faz parte uma consulta bem feita, o médico perguntar a todo paciente se está em dia com as vacinas.
SE AÉCIO TIVESSE SIDO ELEITO, MAIS MÉDICOS ACABARIA; IMPOSSÍVEL SEM OS CUBANOS
Não é à toa que, quando questionadas por mim, Conceição Lemes, sobre a hipótese do fim do Mais Médicos e os cubanos irem embora, Jaci, Emília e Rosilene foram taxativas: “De jeito, nenhum!”
Rosilene, mãe de quatro filhos, argumenta: “Todos nós só ganhamos com a vinda deles. Eu acho que eles deveriam ficar aqui para sempre”.
Não é o que aconteceria se Aécio Neves, candidato do PSDB à presidência, tivesse ganhado as eleições.
Explico.
Em julho, durante ato, em Brasília, na Associação Médica Brasileira (AMB), quando recebeu apoio de representantes da entidade, Aécio afirmou, sob os aplausos: “Os cubanos têm prazo de validade, ficarão aqui por três anos.
O número de médicos existentes hoje no Brasil é insuficiente para atender às necessidades do país.
Novos cursos de Medicina estão sendo abertos. Porém, como a formação é demorada – 6 anos de graduação, mais 2 ou 3 de Residência Médica –, esses novos médicos só estarão disponíveis no mercado por volta de 2022.
Cuba é o único país do mundo que forma grande número de médicos. Os cubanos estão sendo fundamentais na epidemia de ebola, na África.
Consequentemente, sem os cubanos é impossível manter o Mais Médicos. Haveria um hiato entre os médicos que estão se formando aqui e as necessidades da população brasileira.
Novo Hamburgo é a prova. Sem o programa, no mínimo 12 mil consultas por mês deixariam de ser feitas, retardando  a sequência de atendimento.
Repercutiria, aliás, em todo o Rio Grande do Sul, onde 76% dos municípios aderiram aos Mais Médicos, que hoje chega a pessoas que antes não tinham acesso à assistência médica: populações rurais, indígenas, de assentamentos dos trabalhadores sem terra, quilombolas, periferias das grandes cidades, pessoas atingidas por barragens.
“O Mais Médicos está democratizando o acesso à assistência médica como nunca se viu antes no país”, avalia Bolzan.
“Contudo, por má-fé ou motivos político-ideológicos, dirigentes de entidades médicas continuam difundindo informações equivocadas. Pena que eles tenham uma visão corporativa tão limitada, a ponto de relegar a saúde da população a segundo plano.”
Em tempo 1: Convictamente. durante anos e anos, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) bateram na mesma tecla: no Brasil não havia falta de médicos, mas má distribuição deles pelo país.
O Mais Médicos provou que essa afirmação era corporativista e não baseada em evidências científicas: no Brasil, os médicos estão mal distribuídos, sim, mas também faltam muitos profissionais.
O primeiro especialista a mostrar a realidade foi o professor Mílton de Arruda Martins, titular de Clínica Médica da Faculdade de Medicina (FMUSP), em entrevista, aqui no Viomundo.
Em tempo 2: Como repórter especializada na área de saúde há 34 anos e usuária do SUS, observo que, no Brasil, a prática da clínica médica é cada vez menos valorizada, prejudicando os pacientes. Há médicos que sequer ouvem direito as queixas dos doentes. Nesse particular,acredito eu, muitos profissionais brasileiros têm a aprender com os cubanos.
Em tempo 3: Se a presidenta Dilma Rousseff  teve a ousadia de bancar o Mais Médicos – afinal, quem precisa de assistência médica, não pode esperar a solução ideal, que é a criação da carreira de Estado –, Novo Hamburgo tem a sorte de contar com um secretário da Saúde exemplar.
Luiz Carlos Bolzan é competente, ótimo gestor, humano e ético. Além disso tudo, 100% comprometido com o SUS, ao contrário de uns e outros que se fantasiam de “susetes” para ficar bem na fita com o pessoal da saúde pública.

Direita em surto: Mamãe, tem um bolivariano embaixo da minha cama! - Com CArta Capital e Viomundo

Viomundo

publicado em 8 de novembro de 2014 às 13:51
simon-bolivar
Maldito bolivariano!
A tendência de chamar desafetos de ‘bolivariano’ conta com a ignorância alheia. O termo precisa ser mais bem definido antes de ser berrado a plenos pulmões

por Gilberto Maringoni, na CartaCapital — publicado 08/11/2014 02:30
Pronto, inventaram um novo xingamento.
Depois de comunista e terrorista de um lado e de coxinha de outro, epítetos que já entediavam a todos, a tendência do verão é chamar os desafetos de “bolivariano”.
– O que quer dizer?
– Não sei muito bem, mas tá bombando.
– Estão querendo transformar o Brasil num País bolivariano.
– Bolivariano? Transformar o Brasil na Bolívia?
– Não. Bolivariano, aquele troço do Chávez.
Aquele troço do Chávez precisa ser mais bem definido, antes que se encha a boca para berrar “bolivariano!” a plenos pulmões.
O que é ser “bolivariano”, termo que tanta repulsa causa a Gilmar Mendes, ao infatigável deputado Eduardo Cunha e aos soberbos editoriais do Estadão, que dia sim, dia não, botam o qualificativo para ralar?
O presidente venezuelano Hugo Chávez não se cansava de repetir: o ideário que movia seu governo era o legado político e histórico de Simón Bolívar (1783-1830).
O próprio nome do país foi alterado, a partir da Constituição de 1999, para República Bolivariana da Venezuela.
Chávez não foi o único a reivindicar o personagem. O nome de Bolívar foi apropriado por um sem número de lideranças e movimentos políticos na América Latina nos quase 200 anos que nos separam de sua morte.
Seus seguidores estão espalhados pelas mais diversas vertentes do espectro ideológico.
Até que ponto as apropriações de tal legado são fiéis ao pensamento original do chamado Libertador?
É difícil dizer. A “ideologia bolivariana” tem contornos vagos e imprecisos. Bolívar é possivelmente o personagem histórico mais complexo e de maior influência no imaginário político continental. Sua obra é colossal.
Além de liderar guerras de independência e de exercer influência direta em pelo menos cinco dos atuais países da região – Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia -, ele deixou vastíssima obra escrita, constituída por artigos, cartas e discursos.
Culto, refinado e viajado, Bolívar era sobretudo um intelectual de ação. Estava longe de ser um líder oriundo das classes populares.
Era destacado membro da elite criolla, brancos e mestiços de posses que, entre os séculos XVI e XIX, se opunham ao domínio espanhol em diversos países do continente.
Bolívar teve sua vida política marcada pela luta contra o colonialismo, pela república, pelo fim da escravidão e pela defesa de um sistema de educação pública, entre diversas outras iniciativas.
Tendo visitado a França por três vezes na primeira década do século XIX, foi fortemente influenciado por correntes iluministas e antiabsolutistas.

O culto a Bolívar
O historiador venezuelano Germán Carrera Damas escreveu um livro fundamental para se entender não apenas o personagem histórico, mas o Bolívar simbólico, que segue existindo.
O título é preciso: El culto a Bolívar, nunca lançado no Brasil.
Carrera Damas destaca que a admiração despertada por Bolívar em seu tempo e após sua morte não é fruto apenas de laboriosa pregação.
Os feitos que liderou repercutiram concretamente na vida de milhões de pessoas.
Não sem razão, Bolívar tornou-se objeto de culto, realizado, ao longo dos anos, com os mais diversos propósitos políticos.
Segundo outro historiador, Domingo Felipe Maza Zavala, já no governo de Eleazar López Contreras (1936-1941), na Venezuela, “o culto a Bolívar foi elevado à significação de um fundamento político”.
Através de variadas interpretações, a figura do Libertador foi reivindicada por todas as classes sociais do país como uma espécie de fator de unidade nacional ou até como símbolo da manutenção de determinada ordem.
Assim, existe um bolivarianismo conservador, traduzido na profusão das estátuas equestres disseminadas nas praças de praticamente todos os municípios venezuelanos, bem como na sacralização estática de lugares e feitos do pai da Pátria.
Essa vertente tenta esvaziar a figura de Bolívar de seu conteúdo transformador e anticolonialista, destinando-a à veneração estéril.
E há um bolivarianismo  de esquerda, que busca nas lutas contra o domínio espanhol a inspiração para ações tidas como antiimperialistas.
As duas visões envolvem um sem-número de nuances. O ideário bolivariano sempre foi elástico e flexível o bastante para permitir leituras de um lado e de outro.
O culto a Bolívar não é uma criação ficcional, fruto de um patriotismo exacerbado em alguns países. É mais do que isso.
Ele se constitui em uma necessidade histórica e em um recurso destinado a compensar o desalento causado pela frustração de uma emancipação nacional que não se completaria.
Bolívar seria o elo histórico com um ideal de soberania, liberdade e justiça. Daí sua força, tanto política, quanto como veneração quase religiosa.

A ignorância alheia

A acusação de bolivariano feita por Gilmar Mendes e outras figuras do mesmo nível parte de quem conta com a ignorância alheia.
E é bradado especialmente por aqueles que omitem um pequeno detalhe dessa história: na Venezuela, o contrário de bolivariano é uma oposição que não vacilou em patrocinar um destrambelhado golpe de Estado, em 2002, que retirou Chávez do poder por três dias e, de quebra, todas as referências a Simón Bolívar dos símbolos nacionais.
A intentona foi um fracasso e, como se sabe, desmoralizou a oposição por vários anos.
A omissão é mais do que interessada.
*Gilberto Maringoni é professor de Relações Internacionais da UFABC autor de A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez (Editora Fundação Perseu Abramo) e ex-candidato a governador de SP pelo PSOL.
Leia também:

Uma madrugada de terror em Belém do Pará - Chacina ignorada pelo PIG - Pragmatismo Político

Uma madrugada de terror em Belém

“Vamos fazer limpeza!”. O relato estarrecedor de uma blogueira que conta como foi a (inesquecível) madrugada de 4 para 5 de novembro de 2014 em Belém

belém chacina pará madrugada novembro
Horror em Belém: uma madrugada para nunca mais ser esquecida (Imagem: Pragmatismo Político)
Thiane Neves Barros, DCM
Madrugada de 4 para 5 de novembro de 2014. Por volta de 21h no bairro da Terra Firme (TF) em Belém, ouvem-se fogos de artifício. Homenagem religiosa? Não. Festa de aparelhagem? Não. Partida decisiva entre Remo e Paysandu? Também não. O foguetório era a comemoração da morte de um cabo da polícia militar do Pará, miliciano, de licença médica e investigado pela corporação por associação “ao crime organizado” da capital paraense. Resultado: “vingança” da polícia militar em cima da favela. E o aviso foi bem nítido: “vamos fazer limpeza!”
Eu fui acordada pela minha mãe, em algum momento da madrugada, com a seguinte abordagem: “está tendo tiroteio pela cidade, tome cuidado, não saia de casa”. Eu não tenho televisão nem internet em casa, então voltei a dormir, tomada pela banalização que dei à expressão “tiroteio”. Ao amanhecer fui conferir as mensagens no aplicativo de mensagens para celular e li os depoimentos estarrecedores de meus colegas de trabalho, indignados, tomados pela dor e muito confusos com tantas versões.
Sem saber ao certo o que estava acontecendo, tomei um táxi e segui para a labuta. Ao chegar, fui abordada da portaria, aos corredores, aos colegas depondo: chacina em Belém! Acessei meu e-mail pessoal e uma amiga da Alemanha clamava por notícias: “preta, dá notícias, soubemos de uma chacina em Belém, é verdade…?”. Sim, infelizmente era.
Começamos a caça por informações, por fontes confiáveis, por alguma verdade. Passei a mão no telefone e liguei pra minha melhor fonte, uma amiga que mora na quebrada da TF: “Lu, vocês estão bem? A comunidade está bem? As crianças estão bem?”. Ao que ela responde: “Estamos vivos, sim. Mas não dormimos a noite toda. Foi horrível. Ficamos no meio do fogo cruzado. Pedi aos meus filhos que não voltassem pra casa, que dormissem por onde estivessem. Mataram um rapaz aqui na entrada da rua, ele não tava fazendo nada. Montes de homens encapuzados, carros sem placas, muita viatura também e moto. A gente sabe que eram os milicianos se vingando”.
SAIBA MAIS: Número de mortos de chacina em Belém pode chegar a 35
Reativei minha conta em uma das mídias sociais e também verifiquei outras informações: TF, Guamá, Jurunas, Bengui, Sideral, Marco … 20, 30, 100 mortos… Toque de recolher, vingança, continuação da chacina, bandido bom é bandido morto, gente inocente, bala perdida … Aguardem informações oficiais, informações oficiais, informações oficiais…. E as informações oficiais vinham das corporações militares, apenas. Nenhuma fala coletiva das favelas atingidas, nenhuma voz do lado de quem estava no centro desse filme de terror.
O repórter aparece no telejornal do meio-dia vestindo um colete à prova de balas, ao fundo uma viatura da polícia militar e lança: “por aqui está tudo tranquilo”. O telejornal segue obedecendo os discursos da ordem de quem está no poder: “vamos reforçar a segurança nas ruas, aumentar o número de viaturas em ronda”. E nada da favela falar. A única pessoa entrevistada, timidamente afirma: “todo mundo gostava do pm, ele vai fazer falta”. Controle de discursos?
Em um segundo momento liguei para minha família que mora no bairro do Guamá para conferir as informações de que estavam ateando fogo nos ônibus: “não é verdade, mas tem muito pm nas vielas, aqui em casa estamos de portas e janelas fechadas, já viste né, todo mundo bebe conosco, quem rouba, quem mata e os de farda, não temos como prestar contas disso, crescemos juntos”. E crescemos mesmo. Eu cursei universidade, o mano da porta esquerda bate carteira e o outro mano lá da ponte virou pastor. Favela sitiada, quarto de despejo. Imprensa lucrando audiencia. Juventude com o sangue exposto na calçada. Carne barata. Estado de opressão.
Novembro em Belém inicia homenageando a gente preta da cidade. Etnia predominante entre os mortos, especialmente da TF. Mas o mesmo estado está com a agenda cheia de eventos pelo dia da consciência negra. Consciência de folhinha: calendário promocional pra fazer anúncio de jornal e imprimir cartilha educativa.
Belém surgiu nos TTs do Brasil de uma mídia social. Figurou entre o quinto e o terceiro lugar com a hashtag #ChacinaemBelem. O Estado contabilizou 10 mortos, incluindo o pm. A favela ainda está contabilizando os corpos, além de contabilizar décadas de baculejo, interdição e rejeição. A polícia policia a favela. E quem policia a polícia?
Na noite do dia 5 havia silêncio na cidade. Silêncio e medo nas favelas. Terreiros fechados. Anunciei que visitaria a comunidade e de lá fui orientada: “não vem hoje, a pm está aqui”. E já vimos como a pm socorre mulher preta, né? Não porta-malas, hoje não. Hoje já choramos bastante.
Escrevo na madrugada do dia 5 pro dia 6. Me resta pedir ao meu pai Oxóssi que nos acolha em sua paciência.
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sábado, 8 de novembro de 2014

Dialéticos, Flávio Dino e o Programa do PCdoB desconcertam e apontam caminhos - Paulo Vinícius Silva

"Ampliar radicalizando e radicalizar ampliando"
Diógenes Arruda

"O fortalecimento da Nação é o caminho, o socialismo é o rumo"
Programa Socialista do PCdoB


Muito bonita a entrevista de Flávio Dino ao agora - alvíssaras! - demitido Fernando Rodrigues, no UOL. Seu preâmbulo foi a defesa do PCdoB - Partido Comunista do Brasil -, seu nome, valores e História, indissociável do seu compromisso com os desafios diante da ampla frente política e com o povo maranhense. E só por esse começo, já valeria.

Ademais, alinhado na prática e na teoria com o Programa Socialista para o Brasil, Flávio Dino apresenta com absoluta fidelidade a visão contemporânea dos caminhos ao socialismo, intrinsecamente ligados à questão nacional, ao estágio do desenvolvimento econômico real, ao período de luta de resistência que ainda vivemos. Sendo um governador com minoria na assembleia e cercado por 50 anos de influência econômica e política da mais longeva das oligarquias, encastelada de alto a baixo na máquina estadual, ele não larga a utopia, mas aponta um horizonte factível, recusando-se às armadilhas da interpretação que a direita tem do socialismo, que ignora sobejamente ou falsifica os desenvolvimentos da teoria e da construção concreta do socialismo, liderada hoje pela experiência chinesa. Flávio Dino desmonta essas armadilhas, sem permitir aprisionar-se naquilo que o adversário diz de nós, numa notável demonstração de domínio de si e da linha partidária, assim como da realidade local.

Desse modo, não alisa, alinha as possibilidades do Maranhão e de seu mandato no horizonte de uma revolução democrático-burguesa, no seu sentido clássico, haja vista o terrível atraso do Maranhão, cuja riqueza em meio século de oligarquia só pôde deixar o povo mais pobre. A luta que ele enfrenta é concretamente contra o clientelismo, a negação da cidadania, a ausência do republicanismo, o descumprimento flagrante da legalidade, e é diante dela que se posta, sem tergiversações, sem vender o que não poderia fazer, mas, ao mesmo tempo, propondo um desafio cuja concretude não o faz menos grandioso, desafiador e necessário à mudança no Brasil.

Nesse sentido, há opções difíceis, é certo, mas que ele não originou. Infelizmente, a falta de apoio histórica que o PT não nos deu - e não apenas no Maranhão, mas sempre aonde o Partido pôde alçar-se ao Executivo - acabou por levá-lo às concretas escolhas da disputa que liderou e venceu - e que é apenas o começo de uma guerra com incontáveis batalhas. Sempre divergi dos que o queriam "enquadrar", negando a realidade concreta do papel titânico que teve de assumir, de mudar o Maranhão como estamos a mudar o Brasil, mas sem o apoio daqueles que lideram esse processo no país. Ora, a vida é cheia de contradições, e também a política, e não vejo porque não as reríamos, nem aceito tantas respostas fáceis de quem não pisou aquele barro. Preferi confiar no taco dos camaradas e de nossa direção, achando na verdade cada vez mais ridículo essa ingenuidade política tão presente  ao sermos tanta vez mais realistas que o rei, meros instrumentos ou trampolins para quem quer que seja.  Pagamos terrível preço por essa "bondade", que pode até nos levar ao céu, mas jamais ao poder e ao socialismo num país da complexidade do Brasil. Aprendamos com Niemeyer a beleza da curva no concreto, e quereremos linhas retas na política?!

A linha, além de curva, é tênue muitas vezes na política. E para as críticas aos silêncios tópicos a que as circunstâncias o obrigaram - por ser o fiador da frente que lidera - vejo o tirocínio dos distintos papéis de cada um, expressa na posição clara do Comitê Estadual maranhense, cujo resultado no Estado foi a maior votação do país para a Presidenta Dilma. Para quem aprendeu no PCdoB que a confusão entre Partido, Governo e Movimento foi uma das principais causas do fim do socialismo europeu, o Maranhão deu uma aula que pode ser muito útil à esquerda, ao PT e ao PCdoB, e ao Brasil. Quem tiver ouvidos, ouça o grito dessa justa e efetiva tática e do direito inalienável de uma posição própria do nosso Partido, que contribua, mas não se confunda, nem abdique de nosso próprio protagonismo, a despeito das armadilhas no caminho.

Quando comparamos esse posicionamento com o de outras legendas de esquerda, confrontadas com dilemas muito mais simples, é que devemos tirar o chapéu para esse camarada ainda tão jovem, mas dotado de uma capacidade impressionante, que será posta à prova não apenas nos turnos da eleição presidencial, mas ao longo do épico desafio de mudar profundamente o Maranhão, alinhando-o ao Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento pelo qual tanto temos lutado nesse país gigantesco, complexo, mestiço e decisivo, o nosso Brasil. E digo mais, Flávio Dino é a própria expressão de uma contribuição dada por Lênin, mas cuja síntese foi tão genialmente dita por Diógenes Arruda: "Ampliar radicalizando e radicalizar ampliando". Ora, sem dialética, sem paciência, sem tática e estratégia, sem compromisso com o povo real, é melhor brincar de outra coisa, talvez a literatura, certamente a estéril ou temerária demagogia, mas jamais a política. Vladimir Lenin, Deng Xiao Pin e João Amazonas precisam ser entendidos como o que de fato são, referências essenciais para deslindar os caminhos sumamente complexos de construir o socialismo em países como a Rússia, a China e o Brasil.

E para o Brasil, os dilemas dos próximos quatro anos - com o rescaldo das eleições de 2014 - demandarão firmeza, é certo; povo mobilizado, sem dúvida; mas também tática, maleabilidade, e o desarme da extrema direita. Assim, as pistas que dá sobre a Reforma Política merecem grande atenção.

Flávio Dino dá um show de elegância e simpatia, mostra-se  sem rancores, centrado nos objetivos maiores de seu povo, capaz de liderar todas as forças possíveis com vistas à consecução de um programa transformador. E diferencia-se habilmente tanto dos estigmas com que se busca definir os comunistas, como também de uma visão seguidista, sem identidade, simplista tanto da política nacional, quanto da própria esquerda, afirmando um pensamento próprio, que é, sim, o do PCdoB.

Confira no link a seguir essa memorável entrevista que abre um novo ciclo para a contribuição destacada do PCdoB para mudar o Brasil, agora à frente desse imenso desafio no Executivo:

Entrevista de Flávio Dino a Fernando Rodrigues no UOL

E para quem não conhece - como o próprio Fernando Rodrigues demonstrou -, sugiro a leitura do Programa Socialista do PCdoB

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

PCdoB-PA emite nota sobre o terror na noite de Belém - PCdoB. O Partido do socialismo.

PCdoB-PA emite nota sobre o terror na noite de Belém - PCdoB. O Partido do socialismo.

Na noite de terça-feira (4), um cabo da Polícia
Militar (PM) do Pará, que não estava em serviço, foi morto a tiros no
bairro Guamá. Na madrugada, nove pessoas foram assassinadas em bairros
diferentes de Belém, depois de serem abordadas em vias públicas por
pessoas em motos, causando terror e insegurança na população. Em nota, o
PCdoB do Pará critica "a incompetência do governo do Estado que deixa o
seu povo a mercê da ação de grupos de extermínios e de bandidos". Segue
a íntegra abaixo:

Bandeira PCdoB
Nota do Partido Comunista do Brasil - Pará


Nota do Partido Comunista do Brasil - Pará



Terror na noite de Belém



Mais uma vez a população foi vítima da completa falta de segurança que
reina no Estado do Pará e na capital Belém. O que se viu ontem[4] foram
cenas de barbárie transmitidas quase que em tempo real pelas redes
sociais. O terror se espalhou com uma velocidade impressionante, a
população ficou refém da insegurança, várias universidades e escolas
suspenderam as aulas com medo de que algo de pior possa acontecer.



O assassinato de um Policial Militar foi o estopim para a onda de
violência que assolou nossa cidade durante toda a madrugada de ontem.
Segundo dados oficiais foram registrados 10 homicídios, fontes afirmam
que pelo menos 07 desses assassinatos tem características de execução.
Não é de hoje que nosso Estado é noticia pelo caos na segurança pública,
a incompetência do governo do Estado deixa o povo a mercê da sorte, a
mercê da ação de grupos de extermínios e dos bandidos. Nossa polícia é
mal remunerada e com poucas condições logísticas para enfrentar a guerra
instalada na cidade.



O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) rechaça a onda de insegurança e
medo que impera em nosso Estado, exigimos imediata ação do Governo do
Estado e o apoio da Força Nacional de Segurança para contribuir na luta
contra a Barbárie.



Secretariado Estadual do Partido Comunista do Brasil-Pará

Belém - 5/11/2014

 

Presidente do PCdoB-CE avalia resultado das Eleições 2014 - PCdoB. O Partido do socialismo.

Presidente do PCdoB-CE avalia resultado das Eleições 2014 - PCdoB. O Partido do socialismo.

A entrevista com Luís Carlos Paes, presidente
estadual do PCdoB-CE, concedida ao caderno cearense do Portal Vermelho
foi logo após a reunião da Comissão Política do Partido, realizada no
último sábado (01/11). Leia a seguir a íntegra da entrevista:
Vermelho-CE:
Uma semana após o término das eleições, a Comissão Política do PCdoB no
Ceará esteve reunida na sede estadual do Partido. Como foi a reunião e
qual a avaliação que você faz do resultado da batalha eleitoral deste
ano?




Luís Carlos: O encontro foi uma primeira reunião do coletivo partidário
que abre um processo de debates que se expandirá por todo o Partido e
culminará com uma reunião do pleno do Comitê Estadual a se realizar no
último final de semana de novembro deste ano, quando esperamos tirar
todos os ensinamentos deste processo eleitoral. Creio, entretanto, que
podemos adiantar algumas avaliações e opiniões que acredito que se
consolidarão no curso do debate.



Saímos de uma grande batalha em que obtivemos grandes vitórias, mas
também acumulamos algumas perdas importantes. No plano nacional, a
reeleição de Dilma para a presidência tem um significado extremamente
valioso na luta por um País mais desenvolvido, mais democrático, mais
soberano e menos desigual social e geograficamente, ou seja, a antítese
do ideário oposicionista e conservador, subserviente aos Estados Unidos e
às antigas potências europeias. É a vitória do projeto que combate a
crise sem cortar empregos, salários e políticas sociais que reduziram a
fome e a miséria em nosso País.



A vitória de Dilma consolida o projeto iniciado por Lula e extrapola
nossas fronteiras. Fortalece a luta por um mundo multipolar onde não
existe espaço para uma superpotência hegemônica e a paz possa prevalecer
entre as nações. Contribui para uma maior integração entre os países
irmãos da América do Sul e do Caribe, historicamente explorados pela
velha Europa e pelos Estados Unidos. Significa também garantia de
continuidade do BRICS e da efetivação das decisões adotadas em seu
último encontro de cúpula realizado em Fortaleza no mês de julho deste
ano. Nesta reunião foram criados um Banco de Desenvolvimento e um fundo
com o objetivo de socorrer países com dificuldades no seu balanço de
pagamentos, sem que precisem se submeter à agenda perversa do FMI.



No plano nacional, além de contribuir para a eleição de Dilma, o PCdoB,
com a vitória de Flávio Dino no Maranhão, consegue pela primeira vez em
sua história eleger um governador de Estado, acontecimento de grande
alcance e que coloca o Partido entre as nove siglas que comandarão as 27
unidades da federação a partir de primeiro de janeiro de 2015. O
Partido também elegeu o vice-governador do Rio Grande do Norte e ampliou
a sua representação nas assembleias legislativas estaduais em 38,9%,
elegendo 25 deputados. Infelizmente, como corolário da não candidatura
de quatro dos atuais deputados federais (Aldo Rebelo, João Ananias,
Manuela D’Ávila e Perpétua Almeida), de problemas no curso da batalha e,
principalmente, em decorrência da forte campanha midiática de
criminalização da política, de desconstrução do governo Dilma e do PT,
combinados com um decréscimo de participação dos movimentos sociais
organizados nas lutas políticas reduz-se o voto de opinião favorável à
esquerda nos grandes centros urbanos, repercutindo negativamente em
nossa votação. O resultado foi a eleição, para os próximos quatro anos,
de um Congresso mais conservador e com um menor número de representantes
ligados aos trabalhadores e aos movimentos sociais.



E no Ceará, como você enxerga o resultado eleitoral?



O Ceará, governado por Cid Gomes nos últimos oito anos, com uma visão
desenvolvimentista muito clara, conseguiu tirar proveito da parceria com
o governo federal e foi um dos estados que mais cresceu nos últimos
oito anos. Além das grandes ações em obras de infraestrutura, foram oito
anos de muitos investimentos em Saúde, dotando o Ceará de um rede de
equipamentos (hospitais, policlínicas, centros de tratamento
odontológico e UPAs), principalmente no interior mais carente, que faz
inveja a grande maioria dos estados brasileiros.



Na Educação não foi diferente, o Programa de Alfabetização na Idade
Certa (PAIC) é referência nacional e mais de cem escolas
profissionalizantes de tempo integral de nível médio foram inauguradas. O
resultado da eleição significa a vitória desse projeto apesar da
divisão da base do governo, com a candidatura de Eunício Oliveira
(PMDB), que contou com o apoio de parte do PT (o grupo da ex-prefeita
Luizianne Lins) e da oposição conservadora, constituída pelo PSDB, DEM e
SDD, entre outros. Conseguiram eleger Tasso (PSDB) para o Senado e
levaram a disputa de governador para o segundo turno. O PCdoB se
empenhou na campanha de Mauro Filho (PROS) para o Senado e ajudamos a
eleger Camilo Santana (PT) para o governo do Estado.



Em relação aos nossos objetivos próprios, reelegemos Chico Lopes
deputado federal e dois deputados estaduais, Augusta Brito e Carlos
Felipe, dois quadros novos com experiência de gestão, ex-prefeitos de
suas cidades (Graça e Crateús) e que agora representarão nossa legenda
na Assembleia Legislativa. Por outro lado, não conseguimos eleger Inácio
Arruda para a Câmara Federal. Mas este já era um resultado mais ou
menos esperado.



Como assim? Já era esperada a não eleição de Inácio?



Não é bem isso. A não eleição de Inácio significa uma perda para o
Partido e um grande prejuízo para o Ceará e o Brasil. O Congresso
Nacional vai ficar privado de um quadro de grande valor e que muito
ajudou o nosso Estado e o País nos últimos vinte anos. A questão é que
Inácio não era candidato a deputado federal. Nosso projeto era
candidatá-lo à reeleição para um novo mandato no Senado. Infelizmente,
nosso pleito não foi atendido e o nosso bloco de aliados decidiu pelo
apoio a Mauro Filho, que foi derrotado. É uma questão ainda a ser melhor
avaliada. Nossos candidatos a deputado federal eram Chico Lopes e João
Ananias. Este último, após o registro de sua candidatura, depois de uma
semana em São Paulo, fazendo exames no Instituto do Coração, por
recomendação médica, teve que retirar sua candidatura.



Diante deste fato, com a campanha já em andamento, o Partido analisou a
gravidade da situação e, mesmo considerando a dificuldade que seria
lançar um candidato de última hora, sem que tivesse se preparado para
isso, concluiu que deveria enfrentar mais esse desafio e não perder a
segunda vaga, deixando de disputá-la. Tomada essa decisão, o melhor nome
que tínhamos para a disputa era o de Inácio que, mesmo tendo opinião
que o mais provável seria a derrota, como bom combatente aceitou a
decisão do coletivo, desenvolveu uma campanha ampla e obteve 55 mil
votos, à frente de outros parlamentares destacados como Eudes Xavier
(PT) e Edson Silva (PROS), com possibilidade de assumir no decorrer do
mandato.



Quais as perspectivas e o que espera o PCdoB com a posse de Camilo Santana a partir de 2015?



Camilo tem origem em uma família que lutou contra a ditadura, ele
próprio participou do movimento estudantil, foi secretário de duas
pastas importantes no governo Cid Gomes e tem se mostrado um homem
sério, honesto, de capacidade de gestão e de diálogo. Esperamos que ele
possa dar continuidade e aprofundar o projeto desenvolvimentista de Cid e
realizar um governo com maior participação.



Na nossa opinião, os partidos, a sociedade civil organizada, os
servidores públicos precisam ser mais ouvidos, o governo precisa ter uma
maior interlocução com os mais diversos segmentos e nós estamos
dispostos a contribuir nessa direção. No último dia 31 de outubro,
Camilo convidou os presidentes dos partidos aliados para um café da
manhã, onde, junto com sua vice, Izolda Cela, se comprometeu em criar um
conselho político e aprofundar o diálogo com sua base durante a gestão.
Achamos que é uma sinalização positiva da parte do governador eleito.



Da redação local

Roberto Amaral: A imprensa como o principal partido da oposição Carta Capital e Portal Vermelho



Roberto Amaral: A imprensa como o principal partido da oposição - Portal Vermelho
Os fenômenos políticos exigem longa e lenta gestação; quase sempre trata-se de gravidez imperceptível. A construção ideológica demanda tempo. Como o fenômeno social, é desenhada, passo a passo, traço por traço. O fato social, embora venha a lume muitas vezes como uma explosão, inesperada, não nasce quando se manifesta: antes, a História lhe cobrou demorada fermentação. Há sempre um fato detonador, a gota d’água, que só é conhecido a posteriori.

Por Roberto Amaral*, na Carta Capital

Reprodução Uma crise estudantil na Universidade de Nanterre – provocada pela resistência da reitoria em permitir que rapazes frequentassem os alojamentos das moças, foi o gatilho da irrupção estudantil de 1968, que, partindo de Paris, tomou o mundo. Em entrevista recente a jornal brasileiro, Daniel Cohn-Bendit, o revolucionário daquela época, declara que uma semana antes da "explosão" era insuportável a modorra universitária. Tivemos, recentemente, a "primavera árabe" que terminou sentando-se nos jardins de Wall Street. Mas, no século passado, os melhores exemplos de "irrupção imprevista" são oferecidos pela queda do muro de Berlim e a dissolução da União Soviética, na verdade conclusões de processos políticos há muito em andamento, corroendo as entranhas do socialismo real como o caruncho que silenciosamente devora a árvore.

A chamada ascendência do pensamento conservador, que surpreendeu os desavisados na manifestação eleitoral de direita que tomou conta de setores ponderáveis das camadas médias de São Paulo e de outras cidades, também não é filha do acaso, embora não atenda a uma necessidade histórica, o que poderá decretar a brevidade de sua existência.

Mas a semente foi plantada e está sendo bem regada.

Trata-se de fenômeno que vem sendo trabalhado há anos. Nada é fruto do acaso ou efeito sem causa.

Há décadas – desde os idos da ditadura e malgrado ela – sociólogos da comunicação e outros pesquisadores preocupados com a política vêm tentando alertar o pensamento liberal sobre as consequências, já antevistas naquela altura – da ação ideológica goebeliana dos meios de comunicação, de especial os meios eletrônicos, sobre as massas. Notadamente quando o sistema, caso brasileiro, caracteriza-se pela concentração empresarial e o monopólio ideológico.

Assim, a questão posta na mesa, já então, ia para além da denúncia do oligopólio que controla as empresas de comunicação no país (quatro a cinco famiglias) e de seu significado para a gestão democrática da cultura e da informação; tratava-se de pôr a nu – tarefa de fácil demonstração – o monopólio do conteúdo dos meios, presos ao discurso único, uma das expressões mais contundentes do autoritarismo. Os liberais, que sempre defenderam a liberdade das empresas (de seus donos) pensando que defendiam a liberdade de imprensa, não cuidaram de defender a liberdade de opinião, inexistente, se não há diversidade ideológica. E na imprensa brasileira não há.

Aqui se casam dois fenômenos gratos ao autoritarismo. De um lado, a concentração de empresas, de início imposta pelo capitalismo financeiro-monopolista; a redução do número de meios e dos veículos, impondo as cadeias nacionais de rádio, de televisão e de jornais, centralizando as fontes de opinião e informação, assegurando o monopólio ideológico – facilitado ademais, pelo desenvolvimento tecnológico que impediu ou reduziu a concorrência a um jogo entre poucas empresas donas dos veículos sobreviventes. As indústrias jornalísticas passaram a depender, fundamentalmente, de investimentos maciços de capital, enquanto a produção intelectual passou a ter custo irrelevante, com a emissão em rede ou em cadeia e a reprodução nacional do material gráfico gestado no centro hegemônico.

Hoje, neste país de extensão continental e de extraordinária diversidade cultural e regional, possui nossa população apenas algo como três jornais nacionais (ditando a pauta dos demais), umas poucas cadeias de rádio (operando em nível nacional), algo como quatro redes nacionais de televisão (expulsas as programações locais) e uma só informação, e uma só orientação ideológica, porque os meios periféricos reproduzem o pensamento dos meios centrais, produtores, que articulam e distribuem a mesma visão ideológica. A saber, o ideário de direita.

Esse pensamento único, destilado diariamente por todos os veículos e por todos os meios, nas reportagens, nos artigos, nos editoriais, nos noticiários, no entretenimento, haveria de ter resposta no comportamento da opinião pública (que já se diz "opinião publicada") e atingir profundamente as camadas urbanas e nelas principalmente os segmentos superiores das diversas classes médias que, eleição após eleição, vêm se apartando do voto progressista. Mas a esses setores, que conservam poder de influência sobre os demais estratos sociais, não ficou adstrita, prova-o a votação que nesta eleição, um recorde desde 2002, obteve o candidato da direita à presidência da República.

Se é verdade que as grandes massas apoiaram, majoritariamente, a candidatura progressista de Dilma Rousseff, não é menos verdade que a votação de Aécio Neves compreende setores que vão muito além das classes-médias. Embora assumindo os interesses da burguesia e do grande capital, a candidatura do PSDB conquistou segmentos expressivos das camadas populares, de trabalhadores e assalariados em geral, que, por óbvio, se identificaram com seu discurso reacionário, e assim votaram contra seus próprios interesses.

A exegese do fenômeno deixo para os doutos. Nos limites deste artigo apenas pondero que entre as muitas com-causas – fragilidade das organizações populares, fracasso político dos partidos de esquerda no poder, crise do sindicalismo, desmoralização da política, e mais isso e mais aquilo – há que se considerar o papel ideológico dos meios de comunicação de massa.

Essas considerações me ocorreram após assistir a vídeo sobre manifestação de sábado último na Avenida Paulista (SP), nos pilotis do Masp. Na melhor escola fascista, a provocação política associa a violência oral à brutalidade física, cenas que podem ser conferidas neste vídeo (ver aqui).

Não se trata de ato trivial, nem isolado. Fatos como este não haviam sido vistos no Brasil nem mesmo durante os duros embates de 1963-1964, na meticulosa preparação do golpe de 1º de abril. Naqueles idos, é sempre bom lembrar, a grande imprensa foi fator decisivo na desestabilização do governo João Goulart e na construção do discurso aglutinador das oposições, que logo transitaria para a defesa pura e simples da intervenção militar. E naqueles anos a imprensa ainda não era um oligopólio de poucas empresas, nem haviam as redes e as cadeias nacionais, recurso que facilitaria a mobilização popular e a construção de um clima antigoverno.

Nos nossos dias, a imprensa transformou-se no principal partido da oposição, oposição que se instala nos primórdios do governo, atravessa seus primeiros três anos, se fortalece na campanha eleitoral e, finda esta, não ensarilha as armas: mantendo hoje o combate de sempre, e crescentemente mais aguerrido, faz oposição a um governo que sequer se instalou!

Está à vista o conluio entre a direita partidária e os meios de comunicação visando à desestabilização do governo, na tentativa, quase desesperada, de criar clima emocional para o pleito do impeachment, pois, a partir dele, todas as cartas podem ser jogadas. Há perfeita confluência entre o pedido de recontagem dos votos formulado oficialmente pelo PSDB, a postulação absurda e antirrepublicana do impeachment, e os atos de 1.º de novembro na capital paulista.

Nas manifestações paulistanas o analista encontrará todos os elementos clássicos do fascismo: anticomunismo arcaico, xenofobia, preconceito regional, exaltação do militarismo (surge até um "Partido Militar Brasileiro") e da violência, defesa da ditadura, ódio disseminado, desprezo pela democracia e profundo desrespeito à soberania popular. Os cartazes anunciam seu programa: intervenção militar como reprimenda a um povo que "não sabe votar". O vídeo revela que o público da manifestação é formado, em sua esmagadora maioria, por jovens (e até crianças) de classe média bem posta.

Sem comparações forçadas ou ilações ou previsões, lembro que na Alemanha nazista também foi assim: o maior campo de ação da propaganda nazista foi a classe média.

É preciso fazer gorar o ovo da serpente.

Roberto Amaral* é colunista da Carta Capital, Cientista político, ex-ministro da Ciência e Tecnologia entre 2003 e 2004 e ex-presidente do PSB.

Dino: Desenvolver o Maranhão como o PCdoB defende desenvolver o Brasil - Portal Vermelho


Dino: Desenvolver o Maranhão como o PCdoB defende desenvolver o Brasil - Portal Vermelho
O primeiro governador eleito pelo PCdoB, Flávio Dino (Maranhão), em entrevista concedida ao programa Poder e Política, da Folha de S.Paulo e UOL, destacou que a vitória nas urnas no estado foi uma conquista do povo que derrotou as oligarquias que se instalaram por mais de cinco décadas.



Reprodução Folha online



Eleito pelo PCdoB, Flávio Dino afirma que o Maranhão será governado "de modo soberano e independente" Na entrevista divulgada nesta terça-feira (4) na edição da online da Folha, Flávio Dino apontou a direção do seu governo: “Desenvolver o Maranhão como o PCdoB defende desenvolver o Brasil, de modo soberano, independente, com ciência, tecnologia. Não há incoerência entre aquilo que vamos fazer no Maranhão e aquilo que o meu partido acredita”.

Flávio Dino ressaltou que as eleições no estado tiveram um papel histórico por conta da ofensiva das forças populares contra um grupo que representava o coronelismo à moda dos anos 50. Indagado se ele estava se referindo à família Sarney, Dino respondeu: “Sim. Como todo o Brasil sabe, é a família e o grupo político constituído a partir desse núcleo familiar que hegemonizou a política maranhense nas últimas cinco décadas”.

A família de José Sarney dominava o cenário político da região desde 1965, quando Sarney, hoje senador pelo Amapá, foi eleito governador do Estado. Atualmente, a sua filha, Roseana Sarney (PMDB), é a governadora do estado, e o adversário de Dino, Edinho Lobão, era o candidato da família.

Segundo Dino, o desafio é pôr fim ao “sistema de formação de clientelas, de negação da cidadania” imposto pelo grupo sarneysista ao logo dos anos. “Estamos procurando superar esse momento. Afirmar os valores da República, a separação do público com a esfera privada, garantir que todos tenham oportunidades. Garantir o cumprimento do princípio da legalidade. Isso é absolutamente imprescindível para o Maranhão no que se refere a compras governamentais, contratos, obras e contratação de servidores públicos. Princípio da impessoalidade, valorização do mérito de cada um. São esses desafios que estão postos sobre a mesa”, argumentou Dino.

Na entrevista, ele fez um balanço da campanha, das alianças que o levaram à vitória e das propostas de governo. “Apresentamos um programa baseado na noção da honestidade, transparência, romper com o patrimonialismo, enfrentar o ciclo de corrupção na política maranhense e melhorar a vida das pessoas. Garantir que esse dinheiro público, hoje apropriado por pequenos grupos, possa se traduzir em políticas sociais para todos. Fizemos uma aliança plural, ampla e democrática, que era necessária para dar esse salto adiante”, pontuou.

Dino, que concedeu a entrevista na segunda (3) em Brasília, afirmou que o objetivo de seu governo é garantir o desenvolvimento econômico do Maranhão, mas com participação popular e inclusão. “Garantir o cumprimento da lei, dos contratos, incentivar os investidores privados. Novas formas de organização do estado que contemplem a participação popular, mas que permitam também o desenvolvimento daqueles que querem empreender, investir, que venham para o Maranhão, acreditem no nosso porto, na nossa infraestrutura. Qualificar os recursos humanos”, detalhou o governador eleito.

Reeleição de Dilma ajuda o Maranhão

Sobre uma possível rusga política que a imprensa tenta criar por conta do fato da presidenta Dilma Rousseff não ter participado da campanha no estado porque o partido de seu adversário, Edinho Lobão (PMDB), compunha a chapa nacional da campanha pela reeleição, Dino destacou: “Eles [família Sarney] fazem uma análise segundo a qual uma das principais responsáveis pela derrota no Maranhão foi a presidenta Dilma. Eles verbalizam isso no âmbito do próprio grupo e às vezes publicamente dão a entender. O próprio candidato [Edinho Lobão, do PMDB], que foi o meu adversário, disse isso expressamente”.

Flávio Dino reafirmou que o saldo das urnas é de vitória do campo progressista. “O mais importante é que nós conseguimos fazer esta aliança, vencemos, a presidenta Dilma [Rousseff] foi eleita. O que nós queremos é que a presidenta Dilma, o governo federal, ajude o Maranhão. E espero que a bancada do PT no Congresso, onde tenho muitos amigos, também me ajude nesse processo... E tenho certeza que a presidenta Dilma vai ajudar muito o Maranhão”.

Entre as principais medidas que vai tomar ao assumir o governo do Maranhão a partir de 1º de janeiro de 2015, está a criação da Secretaria da Transparência e Controle e o aperfeiçoamento do Portal da Transparência. “São medidas práticas que demonstram o nosso total compromisso com as ações preventivas em relação ao mau uso do dinheiro público. Vamos executar o Orçamento que está sendo debatido na Assembleia com a visão de que nós precisamos melhorar a vida do povo do Maranhão”.

Habitação, falta d'água e presídios


Outra prioridade, segundo Dino, é investir na habitação e combater a falta de água. “Temos um déficit habitacional no Maranhão de 450 mil moradias. Água na casa das pessoas. O Maranhão é cortado por rios perenes, mas tem um problema de abastecimento de água crônico. Eu diria que muito mais impressionante do que a situação de São Paulo, com o sistema Cantareira. Essa situação aguda vivida agora em São Paulo, nós vivemos isso há décadas, de escassez de água, de negação de fornecimento, de racionamento”, declarou.

Flávio Dino também falou sobre a grave crise do sistema penitenciário maranhense, que culminou em rebeliões como a do presídio de Pedrinhas, com a morte de dezenas de presos, inclusive por decapitação. Dino, que já foi juiz e membro do Conselho Nacional de Justiça, afirmou: “Precisamos, em primeiro lugar, recuperar a autoridade sobre o sistema [penitenciário]. Hoje quem controla o sistema são dois grupos organizados de criminosos. Controlam o crescimento da criminalidade intramuros e também fora dos muros de Pedrinhas. Hoje temos praticamente três assassinatos por dia na região metropolitana de São Luís, muito em razão do crescimento do tráfico de drogas, do crack”.

Dino afirma que é necessário também concluir a implantação de novas estruturas físicas, de modo a descentralizar a execução penal. “A execução penal hoje é basicamente centralizada em São Luís e essa é uma das razões pelas quais aconteceram tantos problemas”, disse Dino, enfatizou que é necessário solucionar o déficit prisional. “Nós temos um déficit que não é dramático, mas deve ser enfrentado até para humanizar o cumprimento da execução penal”, completou.

Elevar o IDH é compromisso


Sobre o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) em que o Maranhão detém o segundo pior do Brasil, Dino explicou: “A resposta para este fosso está exatamente na política. Como a política concentrou riqueza pela via do patrimonialismo e da corrupção, essa riqueza não chegou até a casa das pessoas”.

Flávio Dino destacou que é inaceitável que o estado que tem o 16º maior PIB do Brasil apresente tais índices. Finalizou destacando que o seu compromisso é mudar essa realidade. “Mais do que uma promessa, é um compromisso de vida. Tenho convicção que isso é possível”.

Da redação do Portal Vermelho
Com informações da Folha

Janio de Freitas: “pode-se ter certeza” de fraude no caso Youssef - Portal Vermelho

Janio de Freitas: “pode-se ter certeza” de fraude no caso Youssef - Portal Vermelho
O colunista da Folha de S.Paulo, Janio de Freitas, na edição desta quinta-feira (30), abre o seu texto com a seguinte afirmação: “Antes mesmo de alguma informação do inquérito, em início na Polícia Federal, sobre o “vazamento” da acusação a Lula e Dilma Rousseff pelo doleiro Alberto Youssef, não é mais necessário suspeitar de procedimentos, digamos, exóticos nesse fato anexado à eleição para o posto culminante deste país. Pode-se ter certeza”.



Janio de Freitas é colunista da Folha de S.Paulo



É notório que a revista Veja pratica, no mínimo, o jornalismo tendencioso, usando um critério não mais inocente dos mundos. Mas agora, diante do claro golpe que tentou praticar às vésperas do segundo turno das eleições, o panfleto da oligarquia fica cada vez mais isolado.

Janio tenta aliviar, sem sucesso, a tentativa de golpe midiático da Veja dizendo que a Polícia Federal suspeita que Alberto Youssef tenha sido induzido a fazer as acusações a Dilma e Lula, entre o depoimento dado na terça (21) e a alegada “retificação” que teria sido feita pelo advogado. Essa retificação, isto é, mudança no texto do depoimento, foi negada pelo advogado de Youssef, Antônio Figueiredo Basto, que afirma que “ou a fonte da matéria mentiu ou é má-fé mesmo”, pois o depoimento que a revista cita nunca aconteceu.

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Segundo a Veja, um dos advogados de Youssef teria feito pedido de retificação em depoimento prestado por seu cliente. A revista disse que no depoimento de Youssef, ao ser questionado sobre quem mais sabia dos desvios na Petrobras, ele teria dito: “Lula e Dilma”.

A manipulação da informação por parte da Veja e outros veículos, para tentar o golpe nas urnas, foi tão escancarado que Janio citou a notícia de queima de arquivo. “Youssef foi levado da cadeia para um hospital em Curitiba. O médico, que se restringiu a essa condição, não escondeu nem enfeitou que encontrara um paciente "consciente, lúcido e orientado", cujos exames laboratoriais "estão dentro da normalidade". Mas alguém "vazou" de imediato que Youssef, mesmo socorrido, morrera por assassinato”, pontuou ele.

Janio completa: “O boato da queima de arquivo pela campanha de Dilma ia muito bem, entrando pela noite, quando alguém teve a ideia de telefonar para a enlutada filha da vítima, que disse, no entanto, estar o papai muito bem. O jornalista Sandro Moreyra já tinha inventado, para o seu ficcionado Garrincha, a necessidade de combinação prévia com os russos”.

Outra demonstração de isolamento da Veja diante de sua farsa foi a carta enviada pelo diretor de jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, à Folha de S. Paulo. A emissora da família Marinho diz que não repercutiu a reportagem da Veja porque a revista “não provou a denúncia com suas fontes”. Como dizem: a casa está caindo, Veja.

Da redação do Portal Vermelho

Advogado de Youssef diz que Veja mentiu: nunca houve depoimento dia 22 - Portal Vermelho





Advogado de Youssef diz que Veja mentiu: nunca houve depoimento dia 22 - Portal Vermelho

Como o Portal Vermelho tem reafirmado nos últimos dias, a mentira tem pernas curtas e o golpismo midiático da revista Veja não ficará impune.



Reprodução Reprodução do site do jornal Valor Econômico desta quinta-feira (30). Depois da Veja lançar acusação contra a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às vésperas do segundo turno da eleição, afirmando em matéria de capa que os dois sabiam da corrupção na Petrobras e, subliminarmente, apontar que são cúmplices, o advogado Antônio Figueiredo Basto, que representa o doleiro réu Alberto Youssef, volta a público para dizer que “ou a fonte da matéria mentiu ou é má-fé mesmo”.



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A declaração do advogado foi feita ao jornal Valor Econômico e publicada nesta quinta-feira (30) e revela que o verdadeiro escândalo, como também já havíamos apontando, foi praticado pela Veja. O “depoimento” que a revista disse ter ocorrido no dia 22 de outubro e que também disse ter tido acesso para justificar a manchete “Eles sabiam de tudo” nunca existiu.



“Nesse dia não houve depoimento no âmbito da delação. Isso é mentira. Desafio qualquer um a provar que houve oitiva da delação premiada na quarta-feira”, declarou o advogado ao Valor. Segundo Basto, é falsa a informação de que o depoimento teria ocorrido no dia 22 para que fosse feito um “aditamento” ou retificação sobre o que o doleiro afirmara no dia anterior. “Não houve retificação alguma. Ou a fonte da matéria mentiu ou isso é má-fé mesmo”, reafirmou Basto.



Desde o primeiro dia da divulgação da capa da revista – que geralmente é no sábado, mas foi adiantada para quinta (24) por conta da eleição –, o advogado tem refutado as afirmações da revista. A declaração de Basto vai ao encontro do que a presidenta Dilma Rousseff disse em seu último programa da campanha eleitoral e durante o debate de TV na Rede Globo, na sexta-feira (25): a revista Veja mentiu e cometeu crime eleitoral para mudar o resultado das urnas, que nas pesquisas davam vantagem para a presidenta Dilma.


Vazamento?




Além de desmentir a Veja, o advogado Antonio Figueiredo Basto reafirmou que a sua equipe não teve nenhum envolvimento no suposto vazamento. “Asseguro que eu e minha equipe não tivemos nenhuma participação nessa divulgação distorcida”, afirmou Basto. O delegado Rosalvo Ferreira Franco, da superintendência da Polícia Federal no Paraná, determinou abertura de inquérito para apurar o caso.



“Acho mesmo que isso tem que ser investigado. Queremos uma apuração rigorosa”, garante Basto. Alguns veículos de comunicação lançaram suspeitas sobre Basto por ter integrado o conselho da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). O estado é governado por Beto Richa, do PSDB, que foi reeleito este ano. “Eu não tenho nenhuma relação com o PSDB. Me desliguei em 2002 do conselho da Sanepar [controlada pelo governo do estado]. Não tenho vínculo partidário e nem pretendo ter. Nem com PSDB, nem com PT, nem com partido algum”, disse.


Imprensa esconde




A capa da Veja foi destaque durante todos os dias que antecederam a eleição do segundo turno, principalmente nos veículos impressos, com manchete de capa inclusive. No entanto, as declarações do advogado de que a Veja mentiu sobre o depoimento ganhou matéria de duas colunas no jornal Valor Econômico, na página 8, com o seguinte título: “Advogado de Youssef nega participação em ‘divulgação distorcida’”. Pelo jeito, tucanaram o significado de mentira.



E como era de se esperar, nos demais veículos, pelo menos até o fechamento dessa matéria, nenhum palavra sobre o assunto, com exceção do Portal Brasil 247 e do Vermelho.



Derrotada nas urnas, agora só falta os tribunais



A revista já tinha sofrido um primeiro revés ao ser obrigada a publicar um direito de resposta de Dilma em seu site, em pleno dia de votação, o que também poderá ocorrer na publicação impressa deste fim de semana. A decisão está nas mãos do ministro Teori Zavascki.



Da Redação do Portal Vermelho, Dayane Santos

Com informações do Valor Econômico


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Viva Marighella! Postagem no Facebook de Osvaldo Bertolino - 1969

Osvaldo Bertolino Nota do PCdoB sobre o assassinato covarde de Carlos Marighella 
 
“Vítima de torpe cilada, vilmente fuzilado em plena rua pela polícia, morreu Carlos Marighella. O assassinato deste conhecido revolucionário é mais uma ação vergonhosa e covarde que se acrescenta à onda de inomináveis violências que a ditadura militar vem cometendo. A história do Brasil registra poucos crimes políticos tão infames, tão friamente planejados como o perpetrado na Alameda Casa Branca, em São Paulo. Dezenas de beleguins, poderosamente armados, à traição, levaram a cabo um homicídio puro e simples. Esse monstruoso crime da ditadura é parte de todo um plano visando amedrontar, através do terror e do banditismo, os democratas e patriotas. Desesperados, inteiramente repudiados pelas massas, cada vez mais isolados, os generais que assaltaram o poder intensificam a repressão em todo o país, realizam toda sorte de arbitrariedades e praticam crimes os mais selvagens (…).”
 
A nota acima é do jornal A Classe Operária — à época dirigido e editado por Carlos Nicalou Danielli, que também seria cruelmente assassinado pela repressão —, do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
A fuzilaria ocorreu no dia 4 de novembro de 1969, enquanto jogavam Santos e Corinthians no estádio do Pacaembu pelo torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão.

Não distante dali, em frente ao número 806 da Alameda Casa Branca, Marighella caia na arapuca armada pelo bando chefiado pelo delegado do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Dops), Sérgio Paranhos Fleury.
O facínora montou uma equipe que se disfarçou de trabalhadores — o local era uma área de edifícios em construção —, namorados e passantes para fuzilar Marighella dentro de um Fusca, sem nenhuma chance de defesa. Líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), o revolucionário foi atraído para a arapuca por meio de padres dominicanos com quem mantinha contato, submetidos ao terror do bando de Fleury.
A fuzilaria atingiu, além do alvo, uma policial que se passava por namorada do chefe do Dops; um protético que teve a infelicidade de passar pelo local na hora do crime (ambos morreram); e um delegado, que nunca mais se recuperaria dos ferimentos na coxa direita. O bando deixou o corpo de Mariguella dentro do Fusca até às 23h15, quando foi recolhido pelo Instituto Médico Legal (IML).
Coincidentemente, dois dias antes o dirigente máximo do PCdoB, João Amazonas — antigo companheiro de Marighella na militância comunista — estivera próximo ao local, em um encontro com sua mulher, Edíria.

Os dirigentes do PCdoB que estavam em São Paulo passaram o dia reunidos e à noite souberam, pela televisão, do ocorrido na Alameda Casa Branca.

Carlos Marighella nasceu em Salvador, em dezembro de 1911.

Ainda adolescente despertou para as lutas sociais, tornando-se militante do Partido Comunista do Brasil aos 18 anos e dedicando sua vida à causa dos trabalhadores, da independência nacional e do socialismo.
Foi preso pela primeira vez em 1932, após escrever um poema contendo críticas ao interventor do governo federal na Bahia Juracy Magalhães.

Em maio de 1936 Marighella foi novamente preso e torturado, durante 23 dias.
Marighella passou a agir em torno de dois eixos: a reorganização dos revolucionários comunistas e o combate ao terror imposto pela ditadura do Estado Novo.

Anistiado em abril de 1945, participou do processo de redemocratização do país e da reorganização do Partido Comunista do Brasil na legalidade.

Eleito deputado para a Assembléia Nacional Constituinte de 1946 pelo Estado da Bahia, mas teve seu mandato cassado.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Immanuel Wallerstein: As Consequências Mundiais da Vitória de Dilma Rousseff - Jornal GGN

Immanuel Wallerstein: As Consequências Mundiais da Vitória de Dilma Rousseff

Immanuel Wallerstein: as consequências mundiais da vitória de Dilma Rousseff

Intelectual ressalta o papel do Brasil na construção de instituições latino e sul-americanas, o que manteve os EUA e seu poder mais distantes da região
Por Immanuel Wallerstein, em seu site | Tradução: Vinicius Gomes
Em 26 de outubro, a presidenta do Brasil Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), foi reeleita no segundo turno por uma estreita margem contra Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Apesar do nome do PSDB, esse foi um claro embate entre esquerda-direita, onde os eleitores votaram – de maneira genérica – de acordo com sua classe social, apesar de os programas de governo dos dois partidos serem, em muitas frentes, mais centristas do que de esquerda ou direita.
Para compreender o que isso significa, nós precisamos analisar as particularidades políticas do Brasil, que em muitos aspectos estão muito mais próximas da Europa Ocidental e da América do Norte do que qualquer outro país do Sul Global. Como os países do Norte, os confrontos eleitorais acabam, no fim, se tornando uma batalha entre um partido de centro-esquerda e um partido de centro-direita. As eleições são regulares e os eleitores tendem a votar de acordo com os interesses de sua classe, apesar das políticas de centro dos dois principais partidos que geralmente se alternam no poder. O resultado é a constante insatisfação dos eleitores com o “seus” partidos e constantes tentativas das verdadeiras esquerda ou direita para forçarem políticas em suas direções.
Como esses grupos de esquerda e direita perseguem seus objetivos dependem um pouco da estrutura formal das eleições. Muitos países têm um sistema de fato de dois turnos. Isso permite que a esquerda e a direita escolham seus próprios candidatos no primeiro turno e então votem no candidato dos principais partidos no segundo. A maior exceção a esse sistema de dois turnos são os EUA, que forçam a esquerda e a direita a entrarem nos principais partidos e depois passem a lutar de dentro (com as primárias).
O Brasil possui um traço excepcional: enquanto em todos esses países os políticos mudam de partido de tempos em tempos, na maioria dos países estes formam um pequeno grupo. No Brasil, tal mudança de partido é virtualmente uma ocorrência cotidiana na legislatura nacional, isso força os principais partidos a gastar enormes quantidades de energia em reestruturar alianças constantemente e corresponde a uma maior visibilidade em corrupção.
Nessa eleição, o PT estava sofrendo de grande desilusão de seus eleitores. A candidata Marina Silva tentou oferecer uma terceira via. Ela era conhecida por três características: ambientalista, evangélica e uma “não-branca” de origem muito pobre. No começo, ela pareceu decolar. Mas enquanto começava a propor um programa muito neoliberal, sua popularidade entrou em colapso e os eleitores se voltaram para Aécio Neves, um direitista mais tradicional.
As desilusões com o PT eram principalmente sobre sua falha em cortar relações estruturais com a ortodoxia econômica, além do fracasso em cumprir suas promessas sobre reforma agrária, preocupações ambientais e a defesa dos direitos dos povos indígenas. Ele também reprimiu demonstrações populares de movimentos de esquerda, notoriamente os de junho de 2013. Apesar disso, os movimentos sociais da esquerda uniram forças de maneira muito forte com o partido no segundo turno.
Por que? Por conta das mudanças positivas de 12 anos de governos do PT. Primeiramente, havia a grande expansão do programa Bolsa Família, que paga subsídios mensais ao mais pobres da população brasileira – que tiveram melhoras significativas em suas vidas. Em seguida, e pouco mencionado na imprensa ocidental, havia o enorme sucesso do Brasil em sua política externa – seu enorme papel na construção de instituições latino e sul-americanas que manteve longe o poder dos EUA na região. A esquerda tinha certeza que Neves iria reduzir as políticas de bem estar social do PT e se aliar novamente aos EUA no cenário internacional. A esquerda do Brasil votou por esses dois pontos positivos, apesar de todos os pontos negativos.
No mesmo final de semana, ocorreram três grandes eleições no mundo: Uruguai, Ucrânia e Tunísia. A eleição no Uruguai foi bem similar à brasileira. Era o primeiro turno e o partido de situação no poder desde 2004, a Frente Ampla, tem como candidato Tabaré Vázquez. Esse partido é bem amplo – indo de centro-esquerdistas para comunistas a ex-guerrilheiros. Vásquez encarou um clássico candidato de direita, Luis Lacalle Pou do Partido Nacional, mas também Pedro Bordaberry do Partido Colorado, um dos dois partidos que governaram o país de maneira repressiva por mais de meio século.
No primeiro turno, Vázquez conseguiu 46,5%, enquanto Lacalle contou com 31%, ou seja, não o suficiente para não haver o segundo turno. Bordaberry, que teve cerca de 13%, anunciou seu apoio a Lacalle, mas é provável que Vázquez vença por conta, mais ou menos, das mesmas razões que levaram Dilma Rousseff à vitória. Além disso, ao contrário do Brasil, seu partido possui o controle do Legislativo uruguaio, assim sendo, o Uruguai também reafirmará o esforço para construir uma estrutura geopolítica autônoma na América Latina.
O caso da Ucrânia é totalmente diferente. Longe de estar estruturada em um embate de esquerda-direita com dois partidos centrais tentando vencer as eleições, a política na Ucrânia tem agora como base uma divisão regional etnico-linguística. Nessas eleições, o governo pró-Ocidente realizou eleições excluindo qualquer participação dos supostos movimentos separatistas do leste da Ucrânia. Estes, então, boicotaram as eleições e anunciaram que manteriam suas administrações regionais autônomas. Na capital Kiev, parece que aqueles que agora governam: o presidente Petro Poroshenko aliado a seu rival, o primeiro-ministro Arseniy Yatsenyuk, irão se manter no poder, excluindo o verdadeiro ultranacionalista Setor Direito de qualquer papel.
Finalmente, na Tunísia o que ocorreu foi bem diferente. A Tunísia foi vista como a propulsora da chamada Primavera Árabe e hoje, parece ser sua única remanescente. Ennahda, o partido islâmico que venceu as primeiras eleições, perdeu consideravelmente sua força ao correr atrás de um programa de islamização da política tunisiana. Acabaram forçados, alguns meses atrás, a dar lugar a um governo interino tecnocrata e perdeu muitos eleitores (até mesmo de islamitas) na segunda eleição.
O partido vencedor foi Nadaa Tunis (O Chamado da Tunísia). Suas políticas são de certa maneira claras: é um partido secular. Seu líder é venerado político de 88 anos chamado Beji Caid Essebsi, que serviu nos governos Destourian que governou o país após a independência até que por fim se tornou um grande dissidente. Seu problema é manter unido a coalizão que conta com enormes variedades de forças secularistas – principalmente os jovens que lideraram o levante contra o presidente Zine el Abidine Bem Ali, em 2011, e diversos membros daquele governo que agora retornaram à arena política.
De qualquer maneira, Nadaa Tunis conta com 85 assentos parlamentares dos 217, enquanto o Ennahda foi reduzido a 69, sendo que os outros estão espalhados entre partidos menores. Será necessário um governo de coalizão, envolvendo praticamente todos os partidos. Então, enquanto os jovens revolucionários da Tunísia estão celebrando a vitória contra o Ennahda, ninguém sabe ao certo aonde isso terminará.
Eu digo “urra!” para o Brasil, onde aconteceu a mais importante dessas quatro eleições. Mas lá, assim em como em outros lugares, o jogo ainda não terminou. Não mesmo!
Foto de Capa: Reprodução
http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/11/immanuel-wallerstein-consequencias-mundias-da-vitoria-de-dilma-rousseff/

Presidente da UJS fala de ação na Abril e sobre grande imprensa - UJS

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