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sábado, 8 de novembro de 2014

Dialéticos, Flávio Dino e o Programa do PCdoB desconcertam e apontam caminhos - Paulo Vinícius Silva

"Ampliar radicalizando e radicalizar ampliando"
Diógenes Arruda

"O fortalecimento da Nação é o caminho, o socialismo é o rumo"
Programa Socialista do PCdoB


Muito bonita a entrevista de Flávio Dino ao agora - alvíssaras! - demitido Fernando Rodrigues, no UOL. Seu preâmbulo foi a defesa do PCdoB - Partido Comunista do Brasil -, seu nome, valores e História, indissociável do seu compromisso com os desafios diante da ampla frente política e com o povo maranhense. E só por esse começo, já valeria.

Ademais, alinhado na prática e na teoria com o Programa Socialista para o Brasil, Flávio Dino apresenta com absoluta fidelidade a visão contemporânea dos caminhos ao socialismo, intrinsecamente ligados à questão nacional, ao estágio do desenvolvimento econômico real, ao período de luta de resistência que ainda vivemos. Sendo um governador com minoria na assembleia e cercado por 50 anos de influência econômica e política da mais longeva das oligarquias, encastelada de alto a baixo na máquina estadual, ele não larga a utopia, mas aponta um horizonte factível, recusando-se às armadilhas da interpretação que a direita tem do socialismo, que ignora sobejamente ou falsifica os desenvolvimentos da teoria e da construção concreta do socialismo, liderada hoje pela experiência chinesa. Flávio Dino desmonta essas armadilhas, sem permitir aprisionar-se naquilo que o adversário diz de nós, numa notável demonstração de domínio de si e da linha partidária, assim como da realidade local.

Desse modo, não alisa, alinha as possibilidades do Maranhão e de seu mandato no horizonte de uma revolução democrático-burguesa, no seu sentido clássico, haja vista o terrível atraso do Maranhão, cuja riqueza em meio século de oligarquia só pôde deixar o povo mais pobre. A luta que ele enfrenta é concretamente contra o clientelismo, a negação da cidadania, a ausência do republicanismo, o descumprimento flagrante da legalidade, e é diante dela que se posta, sem tergiversações, sem vender o que não poderia fazer, mas, ao mesmo tempo, propondo um desafio cuja concretude não o faz menos grandioso, desafiador e necessário à mudança no Brasil.

Nesse sentido, há opções difíceis, é certo, mas que ele não originou. Infelizmente, a falta de apoio histórica que o PT não nos deu - e não apenas no Maranhão, mas sempre aonde o Partido pôde alçar-se ao Executivo - acabou por levá-lo às concretas escolhas da disputa que liderou e venceu - e que é apenas o começo de uma guerra com incontáveis batalhas. Sempre divergi dos que o queriam "enquadrar", negando a realidade concreta do papel titânico que teve de assumir, de mudar o Maranhão como estamos a mudar o Brasil, mas sem o apoio daqueles que lideram esse processo no país. Ora, a vida é cheia de contradições, e também a política, e não vejo porque não as reríamos, nem aceito tantas respostas fáceis de quem não pisou aquele barro. Preferi confiar no taco dos camaradas e de nossa direção, achando na verdade cada vez mais ridículo essa ingenuidade política tão presente  ao sermos tanta vez mais realistas que o rei, meros instrumentos ou trampolins para quem quer que seja.  Pagamos terrível preço por essa "bondade", que pode até nos levar ao céu, mas jamais ao poder e ao socialismo num país da complexidade do Brasil. Aprendamos com Niemeyer a beleza da curva no concreto, e quereremos linhas retas na política?!

A linha, além de curva, é tênue muitas vezes na política. E para as críticas aos silêncios tópicos a que as circunstâncias o obrigaram - por ser o fiador da frente que lidera - vejo o tirocínio dos distintos papéis de cada um, expressa na posição clara do Comitê Estadual maranhense, cujo resultado no Estado foi a maior votação do país para a Presidenta Dilma. Para quem aprendeu no PCdoB que a confusão entre Partido, Governo e Movimento foi uma das principais causas do fim do socialismo europeu, o Maranhão deu uma aula que pode ser muito útil à esquerda, ao PT e ao PCdoB, e ao Brasil. Quem tiver ouvidos, ouça o grito dessa justa e efetiva tática e do direito inalienável de uma posição própria do nosso Partido, que contribua, mas não se confunda, nem abdique de nosso próprio protagonismo, a despeito das armadilhas no caminho.

Quando comparamos esse posicionamento com o de outras legendas de esquerda, confrontadas com dilemas muito mais simples, é que devemos tirar o chapéu para esse camarada ainda tão jovem, mas dotado de uma capacidade impressionante, que será posta à prova não apenas nos turnos da eleição presidencial, mas ao longo do épico desafio de mudar profundamente o Maranhão, alinhando-o ao Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento pelo qual tanto temos lutado nesse país gigantesco, complexo, mestiço e decisivo, o nosso Brasil. E digo mais, Flávio Dino é a própria expressão de uma contribuição dada por Lênin, mas cuja síntese foi tão genialmente dita por Diógenes Arruda: "Ampliar radicalizando e radicalizar ampliando". Ora, sem dialética, sem paciência, sem tática e estratégia, sem compromisso com o povo real, é melhor brincar de outra coisa, talvez a literatura, certamente a estéril ou temerária demagogia, mas jamais a política. Vladimir Lenin, Deng Xiao Pin e João Amazonas precisam ser entendidos como o que de fato são, referências essenciais para deslindar os caminhos sumamente complexos de construir o socialismo em países como a Rússia, a China e o Brasil.

E para o Brasil, os dilemas dos próximos quatro anos - com o rescaldo das eleições de 2014 - demandarão firmeza, é certo; povo mobilizado, sem dúvida; mas também tática, maleabilidade, e o desarme da extrema direita. Assim, as pistas que dá sobre a Reforma Política merecem grande atenção.

Flávio Dino dá um show de elegância e simpatia, mostra-se  sem rancores, centrado nos objetivos maiores de seu povo, capaz de liderar todas as forças possíveis com vistas à consecução de um programa transformador. E diferencia-se habilmente tanto dos estigmas com que se busca definir os comunistas, como também de uma visão seguidista, sem identidade, simplista tanto da política nacional, quanto da própria esquerda, afirmando um pensamento próprio, que é, sim, o do PCdoB.

Confira no link a seguir essa memorável entrevista que abre um novo ciclo para a contribuição destacada do PCdoB para mudar o Brasil, agora à frente desse imenso desafio no Executivo:

Entrevista de Flávio Dino a Fernando Rodrigues no UOL

E para quem não conhece - como o próprio Fernando Rodrigues demonstrou -, sugiro a leitura do Programa Socialista do PCdoB

sábado, 11 de outubro de 2014

Dilma x Aécio; Lula x FHC; Jango x ditadura; Juscelino x UDN; etc.- Revista Fórum


Revista Fórum

A história mostra que mais além de partidos políticos, a principal disputa na política é entre progressismo e conservadorismo; no dia 26, o Brasil vai decidir se continua a arrancada rumo ao futuro que começou em 2002 ou se a interrompe, como aconteceu em 1964
Por Nicolas Chernavsky, em culturapolitica.info

Finalmente chegou a hora. Depois de uma abrupta guinada para o conservadorismo em 1964, gradualmente o Brasil conseguiu sair das trevas para chegar à predominância do progressismo a partir da eleição de Lula em 2002. Nestes 12 anos, o Brasil conseguiu avanços extraordinários, como retirar 36 milhões de pessoas da miséria e ascender 40 milhões de seres humanos para a classe média. Saímos do mapa da fome no mundo. Reduzimos o desemprego à metade com aumentos consideráveis de salários. Estamos conseguindo realizar o sonho de muitas gerações de brasileiros. Estamos deixando de ser um país pobre e virando um país de classe média! Não era isso o que queríamos?

Já houve outro momento assim. Entre 1945 e 1964, finalmente tivemos um período duradouro de democracia no Brasil. Ao longo destas duas décadas, passando pelos governos de Dutra, Getúlio, Juscelino e Jango (com alguns meses de Jânio antes deste) gradualmente as forças progressistas foram conquistando mais e mais votos, inclusive no parlamento nacional. Getúlio criou a Petrobras, 

Juscelino criou Brasília e Jango impulsionava as reformas de base. O Brasil era uma das maiores democracias do mundo. Mas isso acabou em 1964, quando o governo dos Estados Unidos, junto com os setores mais conservadores do Brasil, inclusive nos meios de comunicação e nas Forças Armadas, organizaram um golpe de Estado que acabou com a democracia e instaurou a predominância do conservadorismo no país que só veio a ser vencida com a eleição de Lula em 2002, depois de um crescimento do progressismo através do movimento pelas Diretas Já, da Constituição de 88 e do crescimento eleitoral dos partidos mais progressistas.

Chegamos a 2014, quando o conservadorismo apresenta um candidato sedutor, com boa lábia, talvez até simpático pessoalmente, mas que traz a carga da história às suas costas, com décadas sendo um elemento central no espectro mais conservador da política brasileira. Aécio foi presidente da Câmara de Deputados durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, na coalizão conservadora liderada pelo PSDB que governou o Brasil entre 1995 e 2002. Em 1994, o presidente Itamar Franco havia implementado o Plano Real, que estava controlando a inflação, e como Fernando Henrique Cardoso era ministro de Economia de Itamar, acabou surfando no fim da inflação e se elegendo presidente em 1994. De 1995 a 2002, apesar da inflação ficar controlada, o país assistiu ao aumento vigoroso do desemprego, com a venda a preços baixíssimos de inúmeras empresas estatais, inclusive de grande parte das ações da Petrobras. Do ponto de vista da redução da pobreza, o país caminhava lentamente, endividando-se exponencialmente em relação ao PIB e tendo que apelar a um empréstimo de grande valor do Fundo Monetário Internacional (FMI), que reduziu fortemente de maneira temporária a liberdade do Brasil para escolher sua política econômica.

Quando Lula venceu as eleições em 2002, iniciou um extraordinário esforço de comércio exterior, multiplicando nosso saldo comercial e reconquistando aos poucos a nossa liberdade para decidir nossa política econômica, ao devolver ao FMI o dinheiro que este havia emprestado. Ao mesmo tempo, o governo Lula colocou o Estado para aliviar o sofrimento de dezenas de milhões de pessoas que não tinham o suficiente para comer e viviam na miséria, enquanto diminuía o desemprego e aumentava o salário mínimo. A Petrobras aumentou exponencialmente de valor e a Caixa Econômica Federal passou a permitir a muito mais brasileiros e brasileiras ter uma casa própria, pois o volume de empréstimos habitacionais também se multiplicou. Um turbilhão de ascensão social tomou conta do Brasil, elevando para a classe média 40 milhões de pessoas, tirando o Brasil do mapa mundial da fome e tornando nosso país uma esperança para o mundo, que sofreu com a crise econômica mundial de 2008 e olhava para o Brasil tentando entender como nosso país passou pela crise gerando empregos e distribuindo renda.

O governo Dilma manteve a coalizão política e os princípios norteadores progressistas do governo Lula, com o aprofundamento da redução da miséria e da redução do desemprego, e a continuação do aumento da renda das famílias, mesmo com o crescimento do PIB sendo atingido pela maior crise econômica mundial em mais de 80 anos. Com Dilma, o Brasil protegeu a liberdade na Internet aprovando um marco legal para o setor que abre caminho para que o mundo crie instituições democráticas para gerir a Internet, para que ela não continue basicamente sendo gerida pelos Estados Unidos e alguns países próximos. Com Dilma, a Petrobras começou a gerar bilhões, que se tornarão trilhões de reais, para que o Estado democrático brasileiro possa investir naquilo que a sociedade ainda não consegue fazer sem ele, que é garantir o acesso a todos ao conhecimento em escolas e universidades, um atendimento à saúde para todos de boa qualidade, empréstimos para compra de casas e apartamentos, avanços na ciência e tecnologia, assistência emergencial a quem estiver na miséria e não tiver o que comer, crédito e seguro para a produção agrícola, policiamento e segurança pública, proteção do meio ambiente e tantas outras áreas.

Nossa democracia nos dá a maravilhosa possibilidade de somente eleger uma presidenta ou um presidente se esta ou este tiver mais de 50% dos votos, diferentemente de muitos outros países em que os sistemas políticos permitem que um chefe de governo chegue ao poder com 35% ou 40% dos votos. Assim, Dilma e Aécio disputarão essa maioria. O progressismo e o conservadorismo disputarão aos olhos da história, e os olhos da história somos nós. Junte-se à jornada daqueles que acreditam na Humanidade. Vamos progressismo! Vamos Dilma!

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Armínio Fraga - o salário mínimo subiu demais - Conversa Afiada, O Cafezinho



Publicado em 09/10/2014



Do Cafezinho:




Armínio Fraga defende redução dos bancos públicos


Tem apenas 1 minuto.


Escute o áudio de Armínio Fraga, já “nomeado” por Aécio Neves como seu eventual ministro da Fazenda, defendendo redução do papel dos bancos públicos. Ao final, uma frase com reverberações sinistras: “não sei bem o que vai sobrar ao final da linha, talvez não muito”.

É importante destacar que Fraga mente ao falar da “história” do crescimento.

Todos os países desenvolvidos cresceram com enormes investimentos públicos. E hoje, os países que mais crescem, são os que tem bancos públicos fortes, como China.

E os bancos privados são justamente os principais responsáveis pelas periódicas crises financeiras que vem drenando recursos do Estado para mãos de algumas instituições bancárias.

A acusação de que os bancos públicos são capturados por interesses “públicos e privados” é inconsequente, porque finge ignorar que o mesmo acontece, numa escala infinitamente superior, com os bancos privados.

Os bancos públicos são a salvaguarda da nossa soberania econômica e, portanto, também política.

Os bancos públicos são o único instrumento do povo para reduzir o spread bancário e os juros reais, coisas com as quais Fraga não se preocupa.

O Brasil já conhece Armínio Fraga. Ele foi presidente do Banco Central, e sua primeira medida foi elevar os juros para 45%.

Armínio Fraga foi um dos braços direitos de George Soros, apelidado de o “destruidor de países”.
É, meus amigos e amigas, os abutres estão vindo para cá.

O argumento de Armínio, de que é preciso guardar relação entre a produtividade e o salário, é uma falácia, porque o aumento do salário estimula, justamente, o aumento da produtividade do trabalhador. Não é culpa do mesmo se o empresário não investe em tecnologias que elevem a produtividade da firma.

Ao contrário, salários historicamente baixos sempre fizeram os empresários preferirem contratar “escravos” a investir em criatividade e inovação.

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