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terça-feira, 16 de agosto de 2016

Impeachment está para democracia como drones estão para guerra - MARIO SERGIO CONTI

A destituição de Dilma está para a democracia assim como os drones para a guerra. Ambos reduzem os danos colaterais causados por tanques atirando nas ruas. Têm legalidade frágil e se estribam em evidências manipuláveis. Destroem inimigos, mas provocam revides.

Em 5 de março, drones atacaram a 200 quilômetros de Mogadíscio, na Somália. Eles mataram 150 pessoas, cuja existência poria em perigo assessores americanos da camarilha que controla parte do país. Não apareceram provas de que os mortos fossem criminosos. Seria difícil: as evidências provinham da interceptação de celulares, que, ninguém ignora, passam de mão em mão. Por isso, um drone atacou uma festa de casamento no Iêmen, matando 12 convidados. Grampear também é ilegal, o que não impediu a Casa Branca, bem como a Lava Jato, de gravar conversas de Dilma.

Obama dispara drones porque dispõe de uma decisão legislativa, concedida a Bush Jr., que autoriza o presidente a golpear a Al Qaeda e similares, estejam eles onde estiverem. Com ela na mão, nunca um presidente foi à guerra por tanto tempo, em tantas frentes. O Nobel da Paz mata no Afeganistão, Iraque, Síria, Paquistão, Líbia, Iêmen e Somália –nos últimos quatro, só vai de drones.

São armas politicamente contraproducentes. Quem sustenta isso é o general Stanley McChrystal, ex-comandante das forças americanas no Afeganistão. Ele disse que os drones criam uma "percepção de arrogância americana", geram um ódio "visceral". Obama dizimou a Al Qaeda, mas o Estado Islâmico surgiu das suas cinzas.

Os drones reduziram as baixas americanas. Como há menos soldados que voltam para casa em sacos negros, diminuiu a oposição interna a aventuras imperiais. Os drones também são baratos. Os "made in China" custam US$ 1 milhão.

A sua propagação foi mais célere que a das armas nucleares. Israel, Reino Unido, Irã, Iraque, Nigéria e Paquistão usam drones. Logo, logo eles estarão na mão dos seus inimigos. (Quatro livros sobre drones foram resenhados no último "The New York Review of Books", de onde se tirou as informações aqui publicadas.)

Do mesmo modo que os drones misturam guerra e paz, levando-as para um lodaçal jurídico, no Brasil se embaralharam política e polícia. Dilma está prestes a cair por força da democracia ou de um golpe de força? É impeachment ou putsch?

Ninguém defende que esteja em curso um impedimento com crimes cristalinos, como seria o de Collor se ele não tivesse renunciado. Fala-se, isso sim, do conjunto da obra dilmesca; de corrupção sistêmica; de ruína econômica; do PT 16 anos no Planalto.

Como nada disso é motivo para impeachment, recorreu-se a drones jurídicos. Eles foram calibrados pelas manifestações de rua e pela coesão burguesa. Puderam riscar o céu porque Dilma desdisse o que defendera dias antes, na campanha.

A presidente não analisou o que lhe fizeram nem o que ela mesma fez. Limitou-se a papagaiar "golpe", "golpe", como se 1964 e 2016 fossem semelhantes. Jamais discutiu se traiu seus eleitores e, assim, sabotou a soberania popular.

Com isso, parlamentares corruptos julgaram, e voltarão a julgar, uma presidente contra a qual não se achou nada. Já as figuras-chave do governo interino, de Temer a Serra, dependem de delatores da Lava Jato.

Por meio do golpe gambiarra chegou-se à democracia drone. Ele será acionado sempre que necessário. Pelo jeito, inimigos não lhe faltarão.

A versão e o fato - Senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)


De uma coisa todos temos certeza, Dilma não está sendo afastada do governo por ter cometido qualquer crime de responsabilidade, mesmo porque os decretos e as tais pedaladas nem sequer podem ser tipificados como tal.

A verdadeira razão é política, aguçada por motivação ideológica e preconceito machista.

Querem destruir o legado de avanços políticos construído nos últimos 13 anos e mudar radicalmente o rumo da economia e da política; impedir que uma ideologia de centro-esquerda se viabilize como alternativa de poder e solapar a primeira mulher a presidir o Brasil, reforçando o estigma de que as mulheres devem ser apenas "belas, recatadas e do lar".

Por esse motivo, os defensores do golpe se apegam ao chamado "conjunto da obra". Alegam que Dilma governou de modo irresponsável, que teria feito uma verdadeira farra fiscal, levando o país à ruína financeira. Na prática, propõem um voto de desconfiança, que não se aplica ao presidencialismo.

Coerência é que o menos importa. Se um deficit primário de R$ 90 bilhões no governo Dilma era irresponsabilidade, é absolutamente normal aprovar um deficit de R$ 170 bilhões para o interino Michel Temer (PMDB).

O malabarismo retórico, entretanto, não se sustenta quando confrontados com os números do IBGE relativos ao Brasil real de 2016 e 2002 do governo de Fernando Henrique Cardoso. Vejamos.

O investimento estrangeiro direto foi de R$ 72 bilhões no governo Dilma (abril/2016), contra mirrados R$ 14 bilhões no de FHC (2002).

As reservas cambiais, mecanismo que garante nossa solidez financeira, saltaram de R$ 37 bilhões com FHC para R$ 376 bilhões com Dilma.

A taxa anual de inflação era 12,53% (2002) com FHC e 10,67% com Dilma (2015).

A taxa básica de juros era 19,1% na era FHC e 14% no governo Dilma.

Sobre a taxa de desemprego, em torno de 11,5% da população economicamente ativa estava desempregada no fim do governo FHC, contra 9,28% no governo Dilma (abril/2016).

Se os indicadores macroeconômicos falam a favor de Dilma, os sociais são avassaladores: expansão das universidades públicas; 36 milhões de brasileiros saíram da situação de extrema pobreza; e o crescimento real de 76% do valor do salário mínimo.

Assim como Dilma, FHC também enfrentou uma forte crise econômica internacional que abalou a economia do país, mas teve um tratamento muito diferenciado por parte do Congresso Nacional. Em apenas seis meses aprovou todas as suas medidas, inclusive a CPMF. A Dilma restaram a traição, as armações, a pauta bomba, cujo objetivo era assaltar o governo para abrir caminho à velha, derrotada e superada política neoliberal.      

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vanessa-grazziotin/2016/08/1803330-a-versao-e-o-fato.shtml

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Com Lugo e contra o Golpe de Estado no Paraguai!





La ministra de Salud paraguaya, Esperanza Martínez, acompañó aAl menos dos mil 500 personas amanecieron en la Plaza de Armas frente al Congreso para manifestar en contra del juicio político contra el presidente Lugo, quien ha calificado el proceso judicial como "un golpe de Estado express"

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Direita tenta dar golpe no Paraguai - Altamiro Borges - Portal CTB

Direita tenta dar golpe no Paraguai

A Câmara dos Deputados do Paraguai, controlada pela oposição de direita, aprovou na manhã desta quinta-feira (21) a abertura de processo de impeachment contra o presidente Fernando Lugo. O motivo alegado é o confronto ocorrido em Curuguaty, a 350 km de Assunção, que resultou na morte de onze camponeses e seis policiais. A proposta golpista agora será votada no Senado.

O clima no país vizinho, vítima de longos anos da ditadura militar de Alfredo Stroessner, é de forte tensão. Organizações camponesas e de esquerda agendaram para hoje protestos em Assunção contra o golpe. O comércio e as escolas na capital, segundo as agências de notícias, estão fechados e a polícia já ocupou o centro da capital. A direita também acionou os partidários do impeachment. Há risco de choques violentos.

Dilma e Unasul apreensivas
Diante do grave perigo de retrocesso na região, a União das Nações Sul-americanas (Unasul) convocou uma reunião emergencial no Rio de Janeiro, onde se encontram vários presidentes em função da Rio+20. A presidente Dilma Rousseff também já manifestou a sua “apreensão” com a situação do Paraguai. Em Brasília há consenso de que se trata de uma tentativa de golpe de estado.

A própria direita paraguaia não esconde o seu intento golpista. O conflito agrário é apenas um pretexto. Há muito que os partidos conservadores, controlados por saudosas da ditadura e poderosos ruralistas, sabotam o governo. Numa tentativa de conciliação, Fernando Lugo até cedeu em várias propostas de mudanças, o que só atiçou a direita e gerou frustração no campo popular.

Apesar das dificuldades, o presidente garante que não cederá. Em nota oficial, Lugo afirmou que não apresentará a sua renúncia e que aguarda a manifestação da sociedade, que o elegeu democraticamente. Ele garantiu que vai “honrar a vontade das urnas” para evitar que “mais uma vez na história da República um fato político tire privilégio e soberania da suprema decisão do povo”.

Ruralistas violentos e golpistas

A elite paraguaia é uma das mais reacionárias da América Latina. Durante décadas, ela comandou o país, que tem 6,3 milhões de habitantes e um PIB cem vezes menor que o brasileiro. No cruel reinado de Alfredo Stroessner (1954-1989), ela acumulou ainda mais riquezas. Terras públicas foram doadas aos latifundiários, incluindo o ex-senador Blás Riquelme, do Partido Colorado, grileiro da área onde ocorrem os conflitos sangrentos da semana passada.

Atualmente, 2% dos proprietários controlam 78% das terras agricultáveis no país. Com a exploração do gado e da soja, inclusive por empresários brasileiros, o Paraguai teve um forte crescimento econômico. Em 2010, ele registrou uma alta de 15,4%. Mas a concentração nas mãos dos ruralistas só agravou os problemas sociais no Paraguai, com milhares de famílias de sem terra.

Paraíso do estado mínimo neoliberal
Como explica o jornalista César Felício, do jornal Valor, “o Paraguai é o paraíso do Estado mínimo” neoliberal. As elites não pagam impostos – a carga tributária atual é de 13% sobre o PIB, a mais baixa da América do Sul, e o imposto de renda da pessoa jurídica só foi criado em 2004. O Estado só é máximo para os ricaços, com todos seus privilégios. Os pobres vegetam na miséria.

Segundo estudo da Cepal divulgado no ano passado, 69% dos lares paraguaios não contam atualmente com nenhum mecanismo de proteção social, nem mesmo da previdência. É o mais alto percentual entre os 13 países pesquisados, que não inclui o Brasil. Um terço da população está abaixo da linha de pobreza.

Tentativa de castrar a mudança
Fernando Lugo, um ex-bispo católico seguidor da Teologia da Libertação, foi eleito presidente em 2008 como expressão do desejo de mudança deste sofrido povo – no rastro da guinada à esquerda na América Latina. Ele não possuía forte estrutura partidária e nem contava com um sólido movimento social, vitima dos cruéis anos da ditadura. Minoritário no Congresso Nacional, Lugo não conseguiu aprovar sequer um projeto social similar ao Bolsa Família, o “Tekoporá”, que beneficiaria apenas 83 mil famílias carentes.

O seu governo também patinou na promessa de promover uma limitada reforma agrária no país, que previa inclusive o pagamento de indenizações aos grileiros. “Os conflitos rurais, que caíram entre 2008 e 2010, voltaram a crescer no ano passado. Sem ter o que oferecer aos movimentos organizados, Lugo não os atende e não os reprime”, relata César Felício. O sangrento confronto em Curuguaty foi fruto desta situação tão complexa e contraditória e agora serve de pretexto para uma nova tentativa de golpe das elites.


Altamiro Borges é jornalista e presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Zelaya llega a El Salvador


http://www.telesurtv.net/


 Zelaya llega a El Salvador
Una gran multitud esperaba en Tegucigalpa a Zelaya, quien tuvo que desviarse a El Salvador, pues se le impidió aterrizar (Foto:teleSUR)
El presidente legítimo de Honduras, Manuel Zelaya, aterrizó este domingo en El Salvador, luego de que las autoridades de facto le impidieran arribar al aeropuerto de Toncontín, en Tegucigalpa, donde planeaba llegar en horas de la tarde para recuperar sus funciones constitucionales, interrumpidas abruptamente por el golpe de Estado del pasado 28 de junio.

Ortega negó que su país haya movilizado tropas hacia la frontera con Honduras.(Foto: Archivo) El presidente de Nicaragua, Daniel Ortega, negó este domingo que se estén movilizando tropas nicargüaneses a territorio hondureño reiteró, que su Gobierno sólo desdea el retorno por la vía pacífica del presidente constitucional Manuel Zelaya, quien viaja en este momento rumbo a su país.
Vista del aeropuerto Toncontín, en Tegucigalpa, donde este domingo aterrizará el presidente Zelaya. (Foto: teleSUR) Las miles de personas que rodean el aeropuerto de Toncontín en Tegucigalpa para recibir al presidente constitucional, Manuel Zelaya, fueron atacadas brutalmente por los militares y policías apostados en la zona que responden a las órdenes del gobierno de facto y reprimen con bombas lacrímogenas a los manifestantes desarmados. Hasta el momento se reportan dos muertos, uno de ellos un menor de edad.
El avión que transportaba a Zelaya dio varias vueltas sobre la pista pero no le permitieron aterrizar. (Foto: teleSUR) El presidente legítimo de Honduras, Manuel Zelaya, denunció que el avión donde se trasladaba tuvo que abandonar el aeropuerto de Tegucigalpa porque no pudo aterrizar ante los obstáculos colocados en la pista y por las amenazas de interceptar la aeronave emitida por las Fuerzas Armadas desplegadas en el lugar por orden del gobierno de facto. Zelaya viaja en este momento a El Salvador.

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