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quarta-feira, 31 de julho de 2019

Que fim teve Fernando Santa Cruz? História, verdade e justiça - Paulo Vinícius Silva

Os esclarecimentos prestados (https://twitter.com/i/status/1156299487142404096 …) em 2014 pelo agente da repressão Cláudio Guerra, que denunciou e repudiou seus crimes, no chocante depoimento à Comissão Nacionalda Verdade. Lá se informou o destino do pai do Presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, filho do desaparecido político, o militante o militante da Ação Poplar (AP) Fernando Augusto Santa Cruz. Há que sublinhar o mórbido de destruir a vida em tortura e incinerar os corpos, negando à família o direito inclusive de o velar e sepultar. Imensa crueldade e vergonha. Ilustra a ferocidade covarde contra jovens brasileiros, gente de valor, um tesouro aniquilado, terrível descaminho da Nação Brasileira.

Interesses estrangeiros e oligárquicos associados à maioria das FFAA de então cometeram crimes que violam inclusive convenções internacionais aplicáveis às guerras. Ora, somos todos brasileiros. É motivo de luto e de reflexão. As indignas declarações do malfadado presidente dão azo a que se debata o assunto, e o depoimento que apareceu no Twitter é valioso pela sua crueza.

Neste sentido, não há mistério, mas há a vileza torpe, o desrespeito e o escárnio diante da familia enlutada de Fernando Santa Cruz e de todos os vitimados pela repressão da ditadura de 1964. Nós já tivemos a Anistia, tivemos a Constituição de 1988, já tivemos Lula Presidente. Nós fomos muito longe e sabemos o quanto caminhamos. O Brasil fez as pazes com a democracia, pensávamos, mas persistiu impedindo-o  a lista de crimes e injustiças cometidos e que, enfim se desvelam, inclusive com a colaboração de elementos que repudiam seus crimes pretéritos, que dão satisfação às famílias e à História. É prciso debater o assunto, pois está provado que a mentira e a ignorância são as armas que usam para nos negar a nossa própria História, a história de inúmero heróis e heroínas sacrificados. É preciso debater o assunto. É por isso que Bolsonaro quer fazer da Comissão da Verdade, a comissão da mentira.

Há contas a acertar com a História sobre essa crueldade do estado com os que questionam uma ordem social profundamente injusta. Contra os indígenas e os escravos. Contra os pobres e a população negra e da periferia. Violenta e cruel contra aqueles que questionam a ordem estabelecida, assentada no domínio colonial. É uma elite contra o povo, cujo coração está na casa grande, a separar os brasileiros entre escravos e senhores. Por isso, o inimigo é sempre interno, e ao longo da História foram inúmeras as vezes em que se desrespeitaram os corpos e as memórias dos aparentemente derrotados, mas que deram a volta por cima pela História, pela Verdade de seu sublime e excruciante sacrifício pelas nossas liberdade e soberania. Tiradentes, Zumbi, Lampião e Maria Bonita, Osvaldão e Dina, Fernando Santa Cruz, tantos são os nomes, e é decisivo saber de sua História, o tanto que nos deram, suas próprias vidas. Essa consciência liberta-nos e precisa ser compartilhada.

Bolsonaro fala barbaridades vis e busca fazer-se de oráculo de quem não representa. Não devemos aceitar as provocações que ele faz para semear a confusão e a discórdia e blindar seus apoios. Gente verdadeiramente representativa de nossas FFAA que estava no comando do Golpe de 1964 foi parte de uma saída nacional pactuada que abriu caminho à retomada da democracia, ainda que com as deformações inerentes à desigualdade social e à nossa história escravocrata. O que importa é, ainda que com falhas, a Abertura aqui houve, e Bolsonáro, à época já, fora derrotado e desautorizado por quem podia falar por aquele período histórico. Assim, não tem representatividade de puxar nossas FFAA para esse buraco. Ao contrário, milita contra a imagem de nossas FFAA, busca mostrá-las como de fato não são. Não devemos colocar as FFAA na conta de Bolsonaro, é tudo que ele quer, é uma provocação. E o dano maior é contra o papel transcendente que devem cumprir as FFAA brasileiras de nos defender do ataque brutal à nossa soberania, inclusive territorial, em curso. Quem ameaça o Brasil, senão o imperialismo estadunidense?! Não é papel defender-nos, todos, brasileiros, contra isso?! A artimanha desse velho político é a do abraço de afogado, ele tenta contrapor a sociedade brasileira, ele promove a desunião do Brasil. Serve, claramente ao interesse estrangeiro mais nocivo. Seus atos desmoralizam o Brasil para abrir caminho para a intervenção estrangeira, faz parte do jogo contra a soberania brasileira e nossas imensas riquezas. Seus patrões estão lá fora, em Washington, eles o assumem.

Desse modo, o repúdio às declarações rancorosas e vis não deve igualá-lo à totalidade das FFAA, esse mistério quanto à opinião e à sua vocação. É uma nova geração, não pode ser culpada pelos crimes nem deve ser blocada automaticamente. Somos chamados ainda a contar o que houve para que a verdade e a justiça permitam unir o Brasil e superar esse trauma. Quem faz o inverso, trabalha contra o país, busca tripudiar sobre as chagas, as tensões no seio do povo, faz o jogo do imperialismo quem divide o Brasil. Por isso, por esse compromisso com a Democracia, a Frente Ampla é tão importante. É preciso diferenciar-se de monstros, de escravocratas, de vende-pátrias.

Rendamos homenagens aos nossos mártires assassinados covardemente sob tortura e que, mesmo na morte, foram agredidos e fraudados em seu direito a uma sepultura digna, INCINERADOS os corpos, na usina de Cambaíba de:
+ João Batista Rita - https://cemdp.sdh.gov.br/modules/desaparecidos/acervo/ficha/cid/246
+ Joaquim Pires Cerveira - https://cemdp.sdh.gov.br/modules/desaparecidos/acervo/ficha/cid/257
+ Ana Rosa Kucinski - https://cemdp.sdh.gov.br/modules/desaparecidos/acervo/ficha/cid/96
+ David Capistrano - https://cemdp.sdh.gov.br/modules/desaparecidos/acervo/ficha/cid/203
+ João Massena - https://cemdp.sdh.gov.br/modules/desaparecidos/acervo/ficha/cid/253
+ Fernando Augusto Santa Cruz https://cemdp.sdh.gov.br/modules/desaparecidos/acervo/ficha/cid/121
+ Eduardo Collier Filho - http://memoriasdaditadura.org.br/memorial/eduardo-collier-filho/
+ José Roman - https://cemdp.sdh.gov.br/modules/desaparecidos/acervo/ficha/cid/274
+ Luís Ignácio Maranhão - https://cemdp.sdh.gov.br/modules/desaparecidos/acervo/ficha/cid/158
+ Armando Teixeira Frutuoso - http://www.desaparecidospoliticos.org.br/pessoa.php?id=258&m=3
+ Tomás Antônio Meireles - https://cemdp.sdh.gov.br/modules/desaparecidos/acervo/ficha/cid/304


sábado, 27 de abril de 2013

Frias, ditadura: o ministro que mercadeja - Portal Vermelho - Rodrigo Viana

Frias, ditadura: o ministro que mercadeja - Portal Vermelho

Quando os blogueiros foram processados, pela Globo e pela Folha, Aloisio Mercadante não apareceu para prestar solidariedade. Nem em público, nem em privado. Requião (PMDB-PR) foi à tribuna. Paulo Pimenta (PT-RS) também foi. Outros tiveram a atitude (discreta, mas compreensível pelo cargo que ocupam) de mandar mensagens por telefone ou internet, manifestando solidariedade.

Por Rodrigo Vianna, no Blog Escrevinhador
Mercadante não. Mercadeja. Fraqueja. Quando o governo Lula passou pela pior crise de sua história, durante a CPI do Mensalão, lá estava ele – o corajoso senador petista, histérico, tentando salvar a pele (e a imagem) junto aos eleitores de classe média em São Paulo. Quase chorou na tribuna. Não defendeu Lula. E tampouco saiu do PT (como fizeram aqueles que consideraram o “Mensalão” inaceitável). Mercadante ficou no meio do caminho, oportunisticamente.

Agora, Mercadante aparece para se dizer “perplexo” com as afirmações de que o dono da “Folha” era um colaborador estreito da ditadura. Mercadante. Penso nesse nome. Mercadante, mercador, comerciante. Aquele que mercadeja, troca…

Em busca de que está Mercadante? Ninguém escreve uma carta patética como essa (leia aqui o texto de Edu Guimarães, que reproduz a carta na íntegra) à toa. É um recado do governo Dilma (afinal, ele assina como “ministro da Educação”) para a velha mídia? Algo assim: “Fiquem tranquilos, Dilma e a Comissão da Verdade não irão atrás dos pecados que Frias, Marinhos e outros cometeram, em sua associação com a ditadura” – é isso? Há gente que não aceitaria mandar um recado desses…

Ou seria um recado pessoal: “turma da Folha, eu sou confiável, estou com vocês, lembrem-se disso quando eu for candidato a governador (ou a presidente, pois este é o novo delírio a embalar as pretensões do ministro, pelo que dizem em Brasília).

Seja como for, Mercadante ficou pequeno. Minúsculo.

Muitos na direção do PT vão-se afastando de sua história. O partido cedeu muito para governar. Compreensível, trata-se de governo de coalizão. Foi-se entregando a práticas comuns na política brasileira. Era a busca pela tal “governabilidade”. Quem acompanha (e eu o faço) as entranhas de uma investigação como a “Operação Fratelli” (realizada pela PF e o MPF em São Paulo) encontra deputados petistas confortavelmente próximos de lobistas e empreiteiras. Tucanos e petistas, juntos.

É o percurso da social-democracia no mundo inteiro. Ceder para governar? Ou manter-se fiel aos princípios, mas sem intervir na gestão do aparato de Estado? PSOE na Espanha, PS francês, Labour Party inglês e outros preferiram a primeira hipótese. Avalio que o PT até cedeu menos do que os congêneres europeus. Não se entregou totalmente ao programa liberal. Fortaleceu o Estado, distribuiu renda, favoreceu a unidade latino-americana. E tem uma base (operária, sindical, nos movimentos sociais) que empurra o partido um pouco pra esquerda – apesar de tudo.

Mas na direção, os sinais são de que os mercadores avançam. Há muitas exceções, há muita gente boa entre parlamentares e lideranças petistas. Tenho certeza que a maioria absoluta, inclusive, não aprova a carta patética de Mercadante. Mas essa carta é mais um sintoma evidente da doença que vai minando o PT: a doença dos que mercadejam tudo para ficar de bem com os velhos donos do poder.

Uma coisa, diga-se, é fazer acordos para governar. Outra é se lambuzar nas maõs de empreiteiras e lobistas. E outra, ainda pior, é mercadejar a História, aceitando reescrever a História para ficar de bem com dono de jornal. Patético.

Por último, uma observação. Mercadante cometeu, parece-me, um ato falho na carta à “Folha”. Ele diz, ao mercadejar solidariedade ao jornal, que a coluna de “Perseu Abramo” era uma referência dos que lutavam contra a ditadura. Perseu, de fato, era uma referência. Jornalista, combativo, crítico dos meios de comunicação em que havia trabalhado: ele tem uma obra clássica sobre a manipulação midiática (os petistas costumavam lê-la, nos velhos tempos). A Fundação partidária mantida pelo PT foi batizada com o nome de Perseu.

Mas a coluna na “Folha” que era “referência” (e de fato era) no período de transição democrática no Brasil (anos 70 e 80) trazia a assinatura de outro Abramo: Cláudio. Depois de afastá-lo da direção do jornal (para satisfazer a sanha da linha-dura do regime militar, que não aceitava um “esquerdista”), Frias entregou a Claudio Abramo a coluna na página 2. Prêmio de consolação? Se foi, Cláudio honrou o prêmio com textos inteligentes e combativos. Mercadante lembra-se disso? Eu lembro.

Mercadante talvez tenha preferido esquecer que era petista - no momento de escrever a carta. Mas na forma de um ato falho clássico, a condição de petista brotou. Ele quis falar de Claúdio, mas o nome de Perseu é que veio à tona. Mercadante mercadejou quase tudo. Mas o inconsciente pregou-lhe uma peça.


A carta de Mercadante no painel do Leitor da “Folha” [registre-se que o jornal teve, ao menos, a dignidade de publicar a informação – confirmada por várias fontes – de que Frias e a "Folha" tinham grande proximidade com a ditadura e os torturadores; Mercadante escreve para comentar o texto que leu sobre isso na própria "Folha"]

A Folha publicou notícia de que o empresário Octavio Frias de Oliveira visitou frequentemente o Dops e era amigo pessoal do delegado Sérgio Paranhos Fleury, um dos mais ativos agentes da repressão.

A denúncia partiu do ex-agente da repressão, Cláudio Guerra. Recebi a informação perplexo e incrédulo. Especialmente porque militei contra a ditadura militar na dura década de 70 e tive a oportunidade de testemunhar o papel desempenhado pelo jornal, sob o comando de “seu Frias”, na luta pelas liberdades democráticas.

A coluna de Perseu Abramo sempre foi referência da luta estudantil nos dias difíceis de repressão. A página de “Opinião” abriu espaço para o debate democrático e pluralista. A Folha contribuiu decisivamente para a campanha das Diretas Já.

Ao longo desses 40 anos de militância política, mesmo com opiniões muitas vezes opostas às da Folha, testemunho que o jornal sempre garantiu o debate e a pluralidade de ideias, que ajudaram a construir o Brasil democrático de hoje.

E “seu Frias” merece, por isso, meu reconhecimento. Acredito que falo por muitos da minha geração.

Aloizio Mercadante, ministro de Estado da Educação (Brasília, DF)

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Cláudio Guerra Ex-delegado do DOPS: Folha financiava repressão; Frias visitava o DOPS - Viomundo

Ex-delegado: Folha financiava repressão; Frias visitava o DOPS - Viomundo - O que você não vê na mídia




Cláudio Guerra afirmou que os recursos vinham de bancos, como o Banco Mercantil do Estado de São Paulo, e empresas, como a Ultragas e o jornal Folha de S. Paulo. “Frias (Otávio, então dono do jornal) visitava o DOPS, era amigo pessoal de Fleury”
do portal Terra

O ex-delegado da Polícia Civil Claudio Guerra afirmou nesta terça-feira, à Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, que foi o autor da explosão de uma bomba no jornal O Estado de S. Paulo, na década de 1980, e afirmou que a ditadura, a partir de 1980, decidiu desencadear em todo o Brasil atentados com o objetivo de desmoralizar a esquerda no País.

“Depois de 1980 ficou decidido que seria desencadeada em todo o País uma série de atentados para jogar a culpa na esquerda e não permitir a abertura política”, disse o ex-delegado em entrevista ao vereador Natalini (PV), que foi ao Espírito Santo conversar com Guerra.

No depoimento, Guerra afirmou que “ficava clandestinamente à disposição do escritório do Sistema Nacional de Informações (SNI)” e realizava execuções a pedido do órgão.

Entre suas atividades na cidade de São Paulo, Guerra afirmou ter feito pelo menos três execuções a pedido do SNI. “Só vim saber o nome de pessoas que morreram quando fomos ver datas e locais que fiz a execução”, afirmou o ex-delegado, dizendo que, mesmo para ele, as ações eram secretas.

Guerra falou também do Coronel Brilhante Ustra e do delegado Sérgio Paranhos Fleury, a quem acusou de tortura e assassinatos. Segundo ele, Fleury “cresceu e não obedecia mais ninguém”. “Fleury pegava dinheiro que era para a irmandade (grupo de apoiadores da ditadura, segundo ele)”, acusou.

O ex-delegado disse também que Fleury torturava pessoalmente os presos políticos e metralhou os líderes comunistas no episódio que ficou conhecido como Chacina da Lapa, em 1976.

“Eu estava na cobertura, fiz os primeiros disparos para intimidar. Entrou o Fleury com sua equipe. Não teve resistência, o Fleury metralhou. As armas que disseram que estavam lá foram ‘plantadas’, afirmo com toda a segurança”, contou.

Guerra disse que recebia da irmandade “por determinadas operações bônus em dinheiro”. O ex-delegado afirmou que os recursos vinham de bancos, como o Banco Mercantil do Estado de São Paulo, e empresas, como a Ultragas e o jornal Folha de S. Paulo. “Frias (Otávio, então dono do jornal) visitava o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), era amigo pessoal de Fleury”, afirmou.

Segundo ele, a irmandade teria garantido que antigos membros até hoje tivessem uma boa situação financeira.

‘Enterrar estava dando problema’
Segundo Guerra, os mortos pelo regime passaram a ser cremados, e não mais enterrados, a partir de 1973, para evitar “problemas”. “Enterrar estava dando problema e a partir de 1973 ou 1974 começaram a cremar. Buscava os corpos da Casa de Morte, em Petrópolis, e levava para a Usina de Campos”, relatou.

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