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domingo, 9 de novembro de 2014

Direita em surto: Mamãe, tem um bolivariano embaixo da minha cama! - Com CArta Capital e Viomundo

Viomundo

publicado em 8 de novembro de 2014 às 13:51
simon-bolivar
Maldito bolivariano!
A tendência de chamar desafetos de ‘bolivariano’ conta com a ignorância alheia. O termo precisa ser mais bem definido antes de ser berrado a plenos pulmões

por Gilberto Maringoni, na CartaCapital — publicado 08/11/2014 02:30
Pronto, inventaram um novo xingamento.
Depois de comunista e terrorista de um lado e de coxinha de outro, epítetos que já entediavam a todos, a tendência do verão é chamar os desafetos de “bolivariano”.
– O que quer dizer?
– Não sei muito bem, mas tá bombando.
– Estão querendo transformar o Brasil num País bolivariano.
– Bolivariano? Transformar o Brasil na Bolívia?
– Não. Bolivariano, aquele troço do Chávez.
Aquele troço do Chávez precisa ser mais bem definido, antes que se encha a boca para berrar “bolivariano!” a plenos pulmões.
O que é ser “bolivariano”, termo que tanta repulsa causa a Gilmar Mendes, ao infatigável deputado Eduardo Cunha e aos soberbos editoriais do Estadão, que dia sim, dia não, botam o qualificativo para ralar?
O presidente venezuelano Hugo Chávez não se cansava de repetir: o ideário que movia seu governo era o legado político e histórico de Simón Bolívar (1783-1830).
O próprio nome do país foi alterado, a partir da Constituição de 1999, para República Bolivariana da Venezuela.
Chávez não foi o único a reivindicar o personagem. O nome de Bolívar foi apropriado por um sem número de lideranças e movimentos políticos na América Latina nos quase 200 anos que nos separam de sua morte.
Seus seguidores estão espalhados pelas mais diversas vertentes do espectro ideológico.
Até que ponto as apropriações de tal legado são fiéis ao pensamento original do chamado Libertador?
É difícil dizer. A “ideologia bolivariana” tem contornos vagos e imprecisos. Bolívar é possivelmente o personagem histórico mais complexo e de maior influência no imaginário político continental. Sua obra é colossal.
Além de liderar guerras de independência e de exercer influência direta em pelo menos cinco dos atuais países da região – Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia -, ele deixou vastíssima obra escrita, constituída por artigos, cartas e discursos.
Culto, refinado e viajado, Bolívar era sobretudo um intelectual de ação. Estava longe de ser um líder oriundo das classes populares.
Era destacado membro da elite criolla, brancos e mestiços de posses que, entre os séculos XVI e XIX, se opunham ao domínio espanhol em diversos países do continente.
Bolívar teve sua vida política marcada pela luta contra o colonialismo, pela república, pelo fim da escravidão e pela defesa de um sistema de educação pública, entre diversas outras iniciativas.
Tendo visitado a França por três vezes na primeira década do século XIX, foi fortemente influenciado por correntes iluministas e antiabsolutistas.

O culto a Bolívar
O historiador venezuelano Germán Carrera Damas escreveu um livro fundamental para se entender não apenas o personagem histórico, mas o Bolívar simbólico, que segue existindo.
O título é preciso: El culto a Bolívar, nunca lançado no Brasil.
Carrera Damas destaca que a admiração despertada por Bolívar em seu tempo e após sua morte não é fruto apenas de laboriosa pregação.
Os feitos que liderou repercutiram concretamente na vida de milhões de pessoas.
Não sem razão, Bolívar tornou-se objeto de culto, realizado, ao longo dos anos, com os mais diversos propósitos políticos.
Segundo outro historiador, Domingo Felipe Maza Zavala, já no governo de Eleazar López Contreras (1936-1941), na Venezuela, “o culto a Bolívar foi elevado à significação de um fundamento político”.
Através de variadas interpretações, a figura do Libertador foi reivindicada por todas as classes sociais do país como uma espécie de fator de unidade nacional ou até como símbolo da manutenção de determinada ordem.
Assim, existe um bolivarianismo conservador, traduzido na profusão das estátuas equestres disseminadas nas praças de praticamente todos os municípios venezuelanos, bem como na sacralização estática de lugares e feitos do pai da Pátria.
Essa vertente tenta esvaziar a figura de Bolívar de seu conteúdo transformador e anticolonialista, destinando-a à veneração estéril.
E há um bolivarianismo  de esquerda, que busca nas lutas contra o domínio espanhol a inspiração para ações tidas como antiimperialistas.
As duas visões envolvem um sem-número de nuances. O ideário bolivariano sempre foi elástico e flexível o bastante para permitir leituras de um lado e de outro.
O culto a Bolívar não é uma criação ficcional, fruto de um patriotismo exacerbado em alguns países. É mais do que isso.
Ele se constitui em uma necessidade histórica e em um recurso destinado a compensar o desalento causado pela frustração de uma emancipação nacional que não se completaria.
Bolívar seria o elo histórico com um ideal de soberania, liberdade e justiça. Daí sua força, tanto política, quanto como veneração quase religiosa.

A ignorância alheia

A acusação de bolivariano feita por Gilmar Mendes e outras figuras do mesmo nível parte de quem conta com a ignorância alheia.
E é bradado especialmente por aqueles que omitem um pequeno detalhe dessa história: na Venezuela, o contrário de bolivariano é uma oposição que não vacilou em patrocinar um destrambelhado golpe de Estado, em 2002, que retirou Chávez do poder por três dias e, de quebra, todas as referências a Simón Bolívar dos símbolos nacionais.
A intentona foi um fracasso e, como se sabe, desmoralizou a oposição por vários anos.
A omissão é mais do que interessada.
*Gilberto Maringoni é professor de Relações Internacionais da UFABC autor de A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez (Editora Fundação Perseu Abramo) e ex-candidato a governador de SP pelo PSOL.
Leia também:

Uma madrugada de terror em Belém do Pará - Chacina ignorada pelo PIG - Pragmatismo Político

Uma madrugada de terror em Belém

“Vamos fazer limpeza!”. O relato estarrecedor de uma blogueira que conta como foi a (inesquecível) madrugada de 4 para 5 de novembro de 2014 em Belém

belém chacina pará madrugada novembro
Horror em Belém: uma madrugada para nunca mais ser esquecida (Imagem: Pragmatismo Político)
Thiane Neves Barros, DCM
Madrugada de 4 para 5 de novembro de 2014. Por volta de 21h no bairro da Terra Firme (TF) em Belém, ouvem-se fogos de artifício. Homenagem religiosa? Não. Festa de aparelhagem? Não. Partida decisiva entre Remo e Paysandu? Também não. O foguetório era a comemoração da morte de um cabo da polícia militar do Pará, miliciano, de licença médica e investigado pela corporação por associação “ao crime organizado” da capital paraense. Resultado: “vingança” da polícia militar em cima da favela. E o aviso foi bem nítido: “vamos fazer limpeza!”
Eu fui acordada pela minha mãe, em algum momento da madrugada, com a seguinte abordagem: “está tendo tiroteio pela cidade, tome cuidado, não saia de casa”. Eu não tenho televisão nem internet em casa, então voltei a dormir, tomada pela banalização que dei à expressão “tiroteio”. Ao amanhecer fui conferir as mensagens no aplicativo de mensagens para celular e li os depoimentos estarrecedores de meus colegas de trabalho, indignados, tomados pela dor e muito confusos com tantas versões.
Sem saber ao certo o que estava acontecendo, tomei um táxi e segui para a labuta. Ao chegar, fui abordada da portaria, aos corredores, aos colegas depondo: chacina em Belém! Acessei meu e-mail pessoal e uma amiga da Alemanha clamava por notícias: “preta, dá notícias, soubemos de uma chacina em Belém, é verdade…?”. Sim, infelizmente era.
Começamos a caça por informações, por fontes confiáveis, por alguma verdade. Passei a mão no telefone e liguei pra minha melhor fonte, uma amiga que mora na quebrada da TF: “Lu, vocês estão bem? A comunidade está bem? As crianças estão bem?”. Ao que ela responde: “Estamos vivos, sim. Mas não dormimos a noite toda. Foi horrível. Ficamos no meio do fogo cruzado. Pedi aos meus filhos que não voltassem pra casa, que dormissem por onde estivessem. Mataram um rapaz aqui na entrada da rua, ele não tava fazendo nada. Montes de homens encapuzados, carros sem placas, muita viatura também e moto. A gente sabe que eram os milicianos se vingando”.
SAIBA MAIS: Número de mortos de chacina em Belém pode chegar a 35
Reativei minha conta em uma das mídias sociais e também verifiquei outras informações: TF, Guamá, Jurunas, Bengui, Sideral, Marco … 20, 30, 100 mortos… Toque de recolher, vingança, continuação da chacina, bandido bom é bandido morto, gente inocente, bala perdida … Aguardem informações oficiais, informações oficiais, informações oficiais…. E as informações oficiais vinham das corporações militares, apenas. Nenhuma fala coletiva das favelas atingidas, nenhuma voz do lado de quem estava no centro desse filme de terror.
O repórter aparece no telejornal do meio-dia vestindo um colete à prova de balas, ao fundo uma viatura da polícia militar e lança: “por aqui está tudo tranquilo”. O telejornal segue obedecendo os discursos da ordem de quem está no poder: “vamos reforçar a segurança nas ruas, aumentar o número de viaturas em ronda”. E nada da favela falar. A única pessoa entrevistada, timidamente afirma: “todo mundo gostava do pm, ele vai fazer falta”. Controle de discursos?
Em um segundo momento liguei para minha família que mora no bairro do Guamá para conferir as informações de que estavam ateando fogo nos ônibus: “não é verdade, mas tem muito pm nas vielas, aqui em casa estamos de portas e janelas fechadas, já viste né, todo mundo bebe conosco, quem rouba, quem mata e os de farda, não temos como prestar contas disso, crescemos juntos”. E crescemos mesmo. Eu cursei universidade, o mano da porta esquerda bate carteira e o outro mano lá da ponte virou pastor. Favela sitiada, quarto de despejo. Imprensa lucrando audiencia. Juventude com o sangue exposto na calçada. Carne barata. Estado de opressão.
Novembro em Belém inicia homenageando a gente preta da cidade. Etnia predominante entre os mortos, especialmente da TF. Mas o mesmo estado está com a agenda cheia de eventos pelo dia da consciência negra. Consciência de folhinha: calendário promocional pra fazer anúncio de jornal e imprimir cartilha educativa.
Belém surgiu nos TTs do Brasil de uma mídia social. Figurou entre o quinto e o terceiro lugar com a hashtag #ChacinaemBelem. O Estado contabilizou 10 mortos, incluindo o pm. A favela ainda está contabilizando os corpos, além de contabilizar décadas de baculejo, interdição e rejeição. A polícia policia a favela. E quem policia a polícia?
Na noite do dia 5 havia silêncio na cidade. Silêncio e medo nas favelas. Terreiros fechados. Anunciei que visitaria a comunidade e de lá fui orientada: “não vem hoje, a pm está aqui”. E já vimos como a pm socorre mulher preta, né? Não porta-malas, hoje não. Hoje já choramos bastante.
Escrevo na madrugada do dia 5 pro dia 6. Me resta pedir ao meu pai Oxóssi que nos acolha em sua paciência.
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sábado, 8 de novembro de 2014

Dialéticos, Flávio Dino e o Programa do PCdoB desconcertam e apontam caminhos - Paulo Vinícius Silva

"Ampliar radicalizando e radicalizar ampliando"
Diógenes Arruda

"O fortalecimento da Nação é o caminho, o socialismo é o rumo"
Programa Socialista do PCdoB


Muito bonita a entrevista de Flávio Dino ao agora - alvíssaras! - demitido Fernando Rodrigues, no UOL. Seu preâmbulo foi a defesa do PCdoB - Partido Comunista do Brasil -, seu nome, valores e História, indissociável do seu compromisso com os desafios diante da ampla frente política e com o povo maranhense. E só por esse começo, já valeria.

Ademais, alinhado na prática e na teoria com o Programa Socialista para o Brasil, Flávio Dino apresenta com absoluta fidelidade a visão contemporânea dos caminhos ao socialismo, intrinsecamente ligados à questão nacional, ao estágio do desenvolvimento econômico real, ao período de luta de resistência que ainda vivemos. Sendo um governador com minoria na assembleia e cercado por 50 anos de influência econômica e política da mais longeva das oligarquias, encastelada de alto a baixo na máquina estadual, ele não larga a utopia, mas aponta um horizonte factível, recusando-se às armadilhas da interpretação que a direita tem do socialismo, que ignora sobejamente ou falsifica os desenvolvimentos da teoria e da construção concreta do socialismo, liderada hoje pela experiência chinesa. Flávio Dino desmonta essas armadilhas, sem permitir aprisionar-se naquilo que o adversário diz de nós, numa notável demonstração de domínio de si e da linha partidária, assim como da realidade local.

Desse modo, não alisa, alinha as possibilidades do Maranhão e de seu mandato no horizonte de uma revolução democrático-burguesa, no seu sentido clássico, haja vista o terrível atraso do Maranhão, cuja riqueza em meio século de oligarquia só pôde deixar o povo mais pobre. A luta que ele enfrenta é concretamente contra o clientelismo, a negação da cidadania, a ausência do republicanismo, o descumprimento flagrante da legalidade, e é diante dela que se posta, sem tergiversações, sem vender o que não poderia fazer, mas, ao mesmo tempo, propondo um desafio cuja concretude não o faz menos grandioso, desafiador e necessário à mudança no Brasil.

Nesse sentido, há opções difíceis, é certo, mas que ele não originou. Infelizmente, a falta de apoio histórica que o PT não nos deu - e não apenas no Maranhão, mas sempre aonde o Partido pôde alçar-se ao Executivo - acabou por levá-lo às concretas escolhas da disputa que liderou e venceu - e que é apenas o começo de uma guerra com incontáveis batalhas. Sempre divergi dos que o queriam "enquadrar", negando a realidade concreta do papel titânico que teve de assumir, de mudar o Maranhão como estamos a mudar o Brasil, mas sem o apoio daqueles que lideram esse processo no país. Ora, a vida é cheia de contradições, e também a política, e não vejo porque não as reríamos, nem aceito tantas respostas fáceis de quem não pisou aquele barro. Preferi confiar no taco dos camaradas e de nossa direção, achando na verdade cada vez mais ridículo essa ingenuidade política tão presente  ao sermos tanta vez mais realistas que o rei, meros instrumentos ou trampolins para quem quer que seja.  Pagamos terrível preço por essa "bondade", que pode até nos levar ao céu, mas jamais ao poder e ao socialismo num país da complexidade do Brasil. Aprendamos com Niemeyer a beleza da curva no concreto, e quereremos linhas retas na política?!

A linha, além de curva, é tênue muitas vezes na política. E para as críticas aos silêncios tópicos a que as circunstâncias o obrigaram - por ser o fiador da frente que lidera - vejo o tirocínio dos distintos papéis de cada um, expressa na posição clara do Comitê Estadual maranhense, cujo resultado no Estado foi a maior votação do país para a Presidenta Dilma. Para quem aprendeu no PCdoB que a confusão entre Partido, Governo e Movimento foi uma das principais causas do fim do socialismo europeu, o Maranhão deu uma aula que pode ser muito útil à esquerda, ao PT e ao PCdoB, e ao Brasil. Quem tiver ouvidos, ouça o grito dessa justa e efetiva tática e do direito inalienável de uma posição própria do nosso Partido, que contribua, mas não se confunda, nem abdique de nosso próprio protagonismo, a despeito das armadilhas no caminho.

Quando comparamos esse posicionamento com o de outras legendas de esquerda, confrontadas com dilemas muito mais simples, é que devemos tirar o chapéu para esse camarada ainda tão jovem, mas dotado de uma capacidade impressionante, que será posta à prova não apenas nos turnos da eleição presidencial, mas ao longo do épico desafio de mudar profundamente o Maranhão, alinhando-o ao Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento pelo qual tanto temos lutado nesse país gigantesco, complexo, mestiço e decisivo, o nosso Brasil. E digo mais, Flávio Dino é a própria expressão de uma contribuição dada por Lênin, mas cuja síntese foi tão genialmente dita por Diógenes Arruda: "Ampliar radicalizando e radicalizar ampliando". Ora, sem dialética, sem paciência, sem tática e estratégia, sem compromisso com o povo real, é melhor brincar de outra coisa, talvez a literatura, certamente a estéril ou temerária demagogia, mas jamais a política. Vladimir Lenin, Deng Xiao Pin e João Amazonas precisam ser entendidos como o que de fato são, referências essenciais para deslindar os caminhos sumamente complexos de construir o socialismo em países como a Rússia, a China e o Brasil.

E para o Brasil, os dilemas dos próximos quatro anos - com o rescaldo das eleições de 2014 - demandarão firmeza, é certo; povo mobilizado, sem dúvida; mas também tática, maleabilidade, e o desarme da extrema direita. Assim, as pistas que dá sobre a Reforma Política merecem grande atenção.

Flávio Dino dá um show de elegância e simpatia, mostra-se  sem rancores, centrado nos objetivos maiores de seu povo, capaz de liderar todas as forças possíveis com vistas à consecução de um programa transformador. E diferencia-se habilmente tanto dos estigmas com que se busca definir os comunistas, como também de uma visão seguidista, sem identidade, simplista tanto da política nacional, quanto da própria esquerda, afirmando um pensamento próprio, que é, sim, o do PCdoB.

Confira no link a seguir essa memorável entrevista que abre um novo ciclo para a contribuição destacada do PCdoB para mudar o Brasil, agora à frente desse imenso desafio no Executivo:

Entrevista de Flávio Dino a Fernando Rodrigues no UOL

E para quem não conhece - como o próprio Fernando Rodrigues demonstrou -, sugiro a leitura do Programa Socialista do PCdoB

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

PCdoB-PA emite nota sobre o terror na noite de Belém - PCdoB. O Partido do socialismo.

PCdoB-PA emite nota sobre o terror na noite de Belém - PCdoB. O Partido do socialismo.

Na noite de terça-feira (4), um cabo da Polícia
Militar (PM) do Pará, que não estava em serviço, foi morto a tiros no
bairro Guamá. Na madrugada, nove pessoas foram assassinadas em bairros
diferentes de Belém, depois de serem abordadas em vias públicas por
pessoas em motos, causando terror e insegurança na população. Em nota, o
PCdoB do Pará critica "a incompetência do governo do Estado que deixa o
seu povo a mercê da ação de grupos de extermínios e de bandidos". Segue
a íntegra abaixo:

Bandeira PCdoB
Nota do Partido Comunista do Brasil - Pará


Nota do Partido Comunista do Brasil - Pará



Terror na noite de Belém



Mais uma vez a população foi vítima da completa falta de segurança que
reina no Estado do Pará e na capital Belém. O que se viu ontem[4] foram
cenas de barbárie transmitidas quase que em tempo real pelas redes
sociais. O terror se espalhou com uma velocidade impressionante, a
população ficou refém da insegurança, várias universidades e escolas
suspenderam as aulas com medo de que algo de pior possa acontecer.



O assassinato de um Policial Militar foi o estopim para a onda de
violência que assolou nossa cidade durante toda a madrugada de ontem.
Segundo dados oficiais foram registrados 10 homicídios, fontes afirmam
que pelo menos 07 desses assassinatos tem características de execução.
Não é de hoje que nosso Estado é noticia pelo caos na segurança pública,
a incompetência do governo do Estado deixa o povo a mercê da sorte, a
mercê da ação de grupos de extermínios e dos bandidos. Nossa polícia é
mal remunerada e com poucas condições logísticas para enfrentar a guerra
instalada na cidade.



O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) rechaça a onda de insegurança e
medo que impera em nosso Estado, exigimos imediata ação do Governo do
Estado e o apoio da Força Nacional de Segurança para contribuir na luta
contra a Barbárie.



Secretariado Estadual do Partido Comunista do Brasil-Pará

Belém - 5/11/2014

 

Presidente do PCdoB-CE avalia resultado das Eleições 2014 - PCdoB. O Partido do socialismo.

Presidente do PCdoB-CE avalia resultado das Eleições 2014 - PCdoB. O Partido do socialismo.

A entrevista com Luís Carlos Paes, presidente
estadual do PCdoB-CE, concedida ao caderno cearense do Portal Vermelho
foi logo após a reunião da Comissão Política do Partido, realizada no
último sábado (01/11). Leia a seguir a íntegra da entrevista:
Vermelho-CE:
Uma semana após o término das eleições, a Comissão Política do PCdoB no
Ceará esteve reunida na sede estadual do Partido. Como foi a reunião e
qual a avaliação que você faz do resultado da batalha eleitoral deste
ano?




Luís Carlos: O encontro foi uma primeira reunião do coletivo partidário
que abre um processo de debates que se expandirá por todo o Partido e
culminará com uma reunião do pleno do Comitê Estadual a se realizar no
último final de semana de novembro deste ano, quando esperamos tirar
todos os ensinamentos deste processo eleitoral. Creio, entretanto, que
podemos adiantar algumas avaliações e opiniões que acredito que se
consolidarão no curso do debate.



Saímos de uma grande batalha em que obtivemos grandes vitórias, mas
também acumulamos algumas perdas importantes. No plano nacional, a
reeleição de Dilma para a presidência tem um significado extremamente
valioso na luta por um País mais desenvolvido, mais democrático, mais
soberano e menos desigual social e geograficamente, ou seja, a antítese
do ideário oposicionista e conservador, subserviente aos Estados Unidos e
às antigas potências europeias. É a vitória do projeto que combate a
crise sem cortar empregos, salários e políticas sociais que reduziram a
fome e a miséria em nosso País.



A vitória de Dilma consolida o projeto iniciado por Lula e extrapola
nossas fronteiras. Fortalece a luta por um mundo multipolar onde não
existe espaço para uma superpotência hegemônica e a paz possa prevalecer
entre as nações. Contribui para uma maior integração entre os países
irmãos da América do Sul e do Caribe, historicamente explorados pela
velha Europa e pelos Estados Unidos. Significa também garantia de
continuidade do BRICS e da efetivação das decisões adotadas em seu
último encontro de cúpula realizado em Fortaleza no mês de julho deste
ano. Nesta reunião foram criados um Banco de Desenvolvimento e um fundo
com o objetivo de socorrer países com dificuldades no seu balanço de
pagamentos, sem que precisem se submeter à agenda perversa do FMI.



No plano nacional, além de contribuir para a eleição de Dilma, o PCdoB,
com a vitória de Flávio Dino no Maranhão, consegue pela primeira vez em
sua história eleger um governador de Estado, acontecimento de grande
alcance e que coloca o Partido entre as nove siglas que comandarão as 27
unidades da federação a partir de primeiro de janeiro de 2015. O
Partido também elegeu o vice-governador do Rio Grande do Norte e ampliou
a sua representação nas assembleias legislativas estaduais em 38,9%,
elegendo 25 deputados. Infelizmente, como corolário da não candidatura
de quatro dos atuais deputados federais (Aldo Rebelo, João Ananias,
Manuela D’Ávila e Perpétua Almeida), de problemas no curso da batalha e,
principalmente, em decorrência da forte campanha midiática de
criminalização da política, de desconstrução do governo Dilma e do PT,
combinados com um decréscimo de participação dos movimentos sociais
organizados nas lutas políticas reduz-se o voto de opinião favorável à
esquerda nos grandes centros urbanos, repercutindo negativamente em
nossa votação. O resultado foi a eleição, para os próximos quatro anos,
de um Congresso mais conservador e com um menor número de representantes
ligados aos trabalhadores e aos movimentos sociais.



E no Ceará, como você enxerga o resultado eleitoral?



O Ceará, governado por Cid Gomes nos últimos oito anos, com uma visão
desenvolvimentista muito clara, conseguiu tirar proveito da parceria com
o governo federal e foi um dos estados que mais cresceu nos últimos
oito anos. Além das grandes ações em obras de infraestrutura, foram oito
anos de muitos investimentos em Saúde, dotando o Ceará de um rede de
equipamentos (hospitais, policlínicas, centros de tratamento
odontológico e UPAs), principalmente no interior mais carente, que faz
inveja a grande maioria dos estados brasileiros.



Na Educação não foi diferente, o Programa de Alfabetização na Idade
Certa (PAIC) é referência nacional e mais de cem escolas
profissionalizantes de tempo integral de nível médio foram inauguradas. O
resultado da eleição significa a vitória desse projeto apesar da
divisão da base do governo, com a candidatura de Eunício Oliveira
(PMDB), que contou com o apoio de parte do PT (o grupo da ex-prefeita
Luizianne Lins) e da oposição conservadora, constituída pelo PSDB, DEM e
SDD, entre outros. Conseguiram eleger Tasso (PSDB) para o Senado e
levaram a disputa de governador para o segundo turno. O PCdoB se
empenhou na campanha de Mauro Filho (PROS) para o Senado e ajudamos a
eleger Camilo Santana (PT) para o governo do Estado.



Em relação aos nossos objetivos próprios, reelegemos Chico Lopes
deputado federal e dois deputados estaduais, Augusta Brito e Carlos
Felipe, dois quadros novos com experiência de gestão, ex-prefeitos de
suas cidades (Graça e Crateús) e que agora representarão nossa legenda
na Assembleia Legislativa. Por outro lado, não conseguimos eleger Inácio
Arruda para a Câmara Federal. Mas este já era um resultado mais ou
menos esperado.



Como assim? Já era esperada a não eleição de Inácio?



Não é bem isso. A não eleição de Inácio significa uma perda para o
Partido e um grande prejuízo para o Ceará e o Brasil. O Congresso
Nacional vai ficar privado de um quadro de grande valor e que muito
ajudou o nosso Estado e o País nos últimos vinte anos. A questão é que
Inácio não era candidato a deputado federal. Nosso projeto era
candidatá-lo à reeleição para um novo mandato no Senado. Infelizmente,
nosso pleito não foi atendido e o nosso bloco de aliados decidiu pelo
apoio a Mauro Filho, que foi derrotado. É uma questão ainda a ser melhor
avaliada. Nossos candidatos a deputado federal eram Chico Lopes e João
Ananias. Este último, após o registro de sua candidatura, depois de uma
semana em São Paulo, fazendo exames no Instituto do Coração, por
recomendação médica, teve que retirar sua candidatura.



Diante deste fato, com a campanha já em andamento, o Partido analisou a
gravidade da situação e, mesmo considerando a dificuldade que seria
lançar um candidato de última hora, sem que tivesse se preparado para
isso, concluiu que deveria enfrentar mais esse desafio e não perder a
segunda vaga, deixando de disputá-la. Tomada essa decisão, o melhor nome
que tínhamos para a disputa era o de Inácio que, mesmo tendo opinião
que o mais provável seria a derrota, como bom combatente aceitou a
decisão do coletivo, desenvolveu uma campanha ampla e obteve 55 mil
votos, à frente de outros parlamentares destacados como Eudes Xavier
(PT) e Edson Silva (PROS), com possibilidade de assumir no decorrer do
mandato.



Quais as perspectivas e o que espera o PCdoB com a posse de Camilo Santana a partir de 2015?



Camilo tem origem em uma família que lutou contra a ditadura, ele
próprio participou do movimento estudantil, foi secretário de duas
pastas importantes no governo Cid Gomes e tem se mostrado um homem
sério, honesto, de capacidade de gestão e de diálogo. Esperamos que ele
possa dar continuidade e aprofundar o projeto desenvolvimentista de Cid e
realizar um governo com maior participação.



Na nossa opinião, os partidos, a sociedade civil organizada, os
servidores públicos precisam ser mais ouvidos, o governo precisa ter uma
maior interlocução com os mais diversos segmentos e nós estamos
dispostos a contribuir nessa direção. No último dia 31 de outubro,
Camilo convidou os presidentes dos partidos aliados para um café da
manhã, onde, junto com sua vice, Izolda Cela, se comprometeu em criar um
conselho político e aprofundar o diálogo com sua base durante a gestão.
Achamos que é uma sinalização positiva da parte do governador eleito.



Da redação local

Roberto Amaral: A imprensa como o principal partido da oposição Carta Capital e Portal Vermelho



Roberto Amaral: A imprensa como o principal partido da oposição - Portal Vermelho
Os fenômenos políticos exigem longa e lenta gestação; quase sempre trata-se de gravidez imperceptível. A construção ideológica demanda tempo. Como o fenômeno social, é desenhada, passo a passo, traço por traço. O fato social, embora venha a lume muitas vezes como uma explosão, inesperada, não nasce quando se manifesta: antes, a História lhe cobrou demorada fermentação. Há sempre um fato detonador, a gota d’água, que só é conhecido a posteriori.

Por Roberto Amaral*, na Carta Capital

Reprodução Uma crise estudantil na Universidade de Nanterre – provocada pela resistência da reitoria em permitir que rapazes frequentassem os alojamentos das moças, foi o gatilho da irrupção estudantil de 1968, que, partindo de Paris, tomou o mundo. Em entrevista recente a jornal brasileiro, Daniel Cohn-Bendit, o revolucionário daquela época, declara que uma semana antes da "explosão" era insuportável a modorra universitária. Tivemos, recentemente, a "primavera árabe" que terminou sentando-se nos jardins de Wall Street. Mas, no século passado, os melhores exemplos de "irrupção imprevista" são oferecidos pela queda do muro de Berlim e a dissolução da União Soviética, na verdade conclusões de processos políticos há muito em andamento, corroendo as entranhas do socialismo real como o caruncho que silenciosamente devora a árvore.

A chamada ascendência do pensamento conservador, que surpreendeu os desavisados na manifestação eleitoral de direita que tomou conta de setores ponderáveis das camadas médias de São Paulo e de outras cidades, também não é filha do acaso, embora não atenda a uma necessidade histórica, o que poderá decretar a brevidade de sua existência.

Mas a semente foi plantada e está sendo bem regada.

Trata-se de fenômeno que vem sendo trabalhado há anos. Nada é fruto do acaso ou efeito sem causa.

Há décadas – desde os idos da ditadura e malgrado ela – sociólogos da comunicação e outros pesquisadores preocupados com a política vêm tentando alertar o pensamento liberal sobre as consequências, já antevistas naquela altura – da ação ideológica goebeliana dos meios de comunicação, de especial os meios eletrônicos, sobre as massas. Notadamente quando o sistema, caso brasileiro, caracteriza-se pela concentração empresarial e o monopólio ideológico.

Assim, a questão posta na mesa, já então, ia para além da denúncia do oligopólio que controla as empresas de comunicação no país (quatro a cinco famiglias) e de seu significado para a gestão democrática da cultura e da informação; tratava-se de pôr a nu – tarefa de fácil demonstração – o monopólio do conteúdo dos meios, presos ao discurso único, uma das expressões mais contundentes do autoritarismo. Os liberais, que sempre defenderam a liberdade das empresas (de seus donos) pensando que defendiam a liberdade de imprensa, não cuidaram de defender a liberdade de opinião, inexistente, se não há diversidade ideológica. E na imprensa brasileira não há.

Aqui se casam dois fenômenos gratos ao autoritarismo. De um lado, a concentração de empresas, de início imposta pelo capitalismo financeiro-monopolista; a redução do número de meios e dos veículos, impondo as cadeias nacionais de rádio, de televisão e de jornais, centralizando as fontes de opinião e informação, assegurando o monopólio ideológico – facilitado ademais, pelo desenvolvimento tecnológico que impediu ou reduziu a concorrência a um jogo entre poucas empresas donas dos veículos sobreviventes. As indústrias jornalísticas passaram a depender, fundamentalmente, de investimentos maciços de capital, enquanto a produção intelectual passou a ter custo irrelevante, com a emissão em rede ou em cadeia e a reprodução nacional do material gráfico gestado no centro hegemônico.

Hoje, neste país de extensão continental e de extraordinária diversidade cultural e regional, possui nossa população apenas algo como três jornais nacionais (ditando a pauta dos demais), umas poucas cadeias de rádio (operando em nível nacional), algo como quatro redes nacionais de televisão (expulsas as programações locais) e uma só informação, e uma só orientação ideológica, porque os meios periféricos reproduzem o pensamento dos meios centrais, produtores, que articulam e distribuem a mesma visão ideológica. A saber, o ideário de direita.

Esse pensamento único, destilado diariamente por todos os veículos e por todos os meios, nas reportagens, nos artigos, nos editoriais, nos noticiários, no entretenimento, haveria de ter resposta no comportamento da opinião pública (que já se diz "opinião publicada") e atingir profundamente as camadas urbanas e nelas principalmente os segmentos superiores das diversas classes médias que, eleição após eleição, vêm se apartando do voto progressista. Mas a esses setores, que conservam poder de influência sobre os demais estratos sociais, não ficou adstrita, prova-o a votação que nesta eleição, um recorde desde 2002, obteve o candidato da direita à presidência da República.

Se é verdade que as grandes massas apoiaram, majoritariamente, a candidatura progressista de Dilma Rousseff, não é menos verdade que a votação de Aécio Neves compreende setores que vão muito além das classes-médias. Embora assumindo os interesses da burguesia e do grande capital, a candidatura do PSDB conquistou segmentos expressivos das camadas populares, de trabalhadores e assalariados em geral, que, por óbvio, se identificaram com seu discurso reacionário, e assim votaram contra seus próprios interesses.

A exegese do fenômeno deixo para os doutos. Nos limites deste artigo apenas pondero que entre as muitas com-causas – fragilidade das organizações populares, fracasso político dos partidos de esquerda no poder, crise do sindicalismo, desmoralização da política, e mais isso e mais aquilo – há que se considerar o papel ideológico dos meios de comunicação de massa.

Essas considerações me ocorreram após assistir a vídeo sobre manifestação de sábado último na Avenida Paulista (SP), nos pilotis do Masp. Na melhor escola fascista, a provocação política associa a violência oral à brutalidade física, cenas que podem ser conferidas neste vídeo (ver aqui).

Não se trata de ato trivial, nem isolado. Fatos como este não haviam sido vistos no Brasil nem mesmo durante os duros embates de 1963-1964, na meticulosa preparação do golpe de 1º de abril. Naqueles idos, é sempre bom lembrar, a grande imprensa foi fator decisivo na desestabilização do governo João Goulart e na construção do discurso aglutinador das oposições, que logo transitaria para a defesa pura e simples da intervenção militar. E naqueles anos a imprensa ainda não era um oligopólio de poucas empresas, nem haviam as redes e as cadeias nacionais, recurso que facilitaria a mobilização popular e a construção de um clima antigoverno.

Nos nossos dias, a imprensa transformou-se no principal partido da oposição, oposição que se instala nos primórdios do governo, atravessa seus primeiros três anos, se fortalece na campanha eleitoral e, finda esta, não ensarilha as armas: mantendo hoje o combate de sempre, e crescentemente mais aguerrido, faz oposição a um governo que sequer se instalou!

Está à vista o conluio entre a direita partidária e os meios de comunicação visando à desestabilização do governo, na tentativa, quase desesperada, de criar clima emocional para o pleito do impeachment, pois, a partir dele, todas as cartas podem ser jogadas. Há perfeita confluência entre o pedido de recontagem dos votos formulado oficialmente pelo PSDB, a postulação absurda e antirrepublicana do impeachment, e os atos de 1.º de novembro na capital paulista.

Nas manifestações paulistanas o analista encontrará todos os elementos clássicos do fascismo: anticomunismo arcaico, xenofobia, preconceito regional, exaltação do militarismo (surge até um "Partido Militar Brasileiro") e da violência, defesa da ditadura, ódio disseminado, desprezo pela democracia e profundo desrespeito à soberania popular. Os cartazes anunciam seu programa: intervenção militar como reprimenda a um povo que "não sabe votar". O vídeo revela que o público da manifestação é formado, em sua esmagadora maioria, por jovens (e até crianças) de classe média bem posta.

Sem comparações forçadas ou ilações ou previsões, lembro que na Alemanha nazista também foi assim: o maior campo de ação da propaganda nazista foi a classe média.

É preciso fazer gorar o ovo da serpente.

Roberto Amaral* é colunista da Carta Capital, Cientista político, ex-ministro da Ciência e Tecnologia entre 2003 e 2004 e ex-presidente do PSB.

Dino: Desenvolver o Maranhão como o PCdoB defende desenvolver o Brasil - Portal Vermelho


Dino: Desenvolver o Maranhão como o PCdoB defende desenvolver o Brasil - Portal Vermelho
O primeiro governador eleito pelo PCdoB, Flávio Dino (Maranhão), em entrevista concedida ao programa Poder e Política, da Folha de S.Paulo e UOL, destacou que a vitória nas urnas no estado foi uma conquista do povo que derrotou as oligarquias que se instalaram por mais de cinco décadas.



Reprodução Folha online



Eleito pelo PCdoB, Flávio Dino afirma que o Maranhão será governado "de modo soberano e independente" Na entrevista divulgada nesta terça-feira (4) na edição da online da Folha, Flávio Dino apontou a direção do seu governo: “Desenvolver o Maranhão como o PCdoB defende desenvolver o Brasil, de modo soberano, independente, com ciência, tecnologia. Não há incoerência entre aquilo que vamos fazer no Maranhão e aquilo que o meu partido acredita”.

Flávio Dino ressaltou que as eleições no estado tiveram um papel histórico por conta da ofensiva das forças populares contra um grupo que representava o coronelismo à moda dos anos 50. Indagado se ele estava se referindo à família Sarney, Dino respondeu: “Sim. Como todo o Brasil sabe, é a família e o grupo político constituído a partir desse núcleo familiar que hegemonizou a política maranhense nas últimas cinco décadas”.

A família de José Sarney dominava o cenário político da região desde 1965, quando Sarney, hoje senador pelo Amapá, foi eleito governador do Estado. Atualmente, a sua filha, Roseana Sarney (PMDB), é a governadora do estado, e o adversário de Dino, Edinho Lobão, era o candidato da família.

Segundo Dino, o desafio é pôr fim ao “sistema de formação de clientelas, de negação da cidadania” imposto pelo grupo sarneysista ao logo dos anos. “Estamos procurando superar esse momento. Afirmar os valores da República, a separação do público com a esfera privada, garantir que todos tenham oportunidades. Garantir o cumprimento do princípio da legalidade. Isso é absolutamente imprescindível para o Maranhão no que se refere a compras governamentais, contratos, obras e contratação de servidores públicos. Princípio da impessoalidade, valorização do mérito de cada um. São esses desafios que estão postos sobre a mesa”, argumentou Dino.

Na entrevista, ele fez um balanço da campanha, das alianças que o levaram à vitória e das propostas de governo. “Apresentamos um programa baseado na noção da honestidade, transparência, romper com o patrimonialismo, enfrentar o ciclo de corrupção na política maranhense e melhorar a vida das pessoas. Garantir que esse dinheiro público, hoje apropriado por pequenos grupos, possa se traduzir em políticas sociais para todos. Fizemos uma aliança plural, ampla e democrática, que era necessária para dar esse salto adiante”, pontuou.

Dino, que concedeu a entrevista na segunda (3) em Brasília, afirmou que o objetivo de seu governo é garantir o desenvolvimento econômico do Maranhão, mas com participação popular e inclusão. “Garantir o cumprimento da lei, dos contratos, incentivar os investidores privados. Novas formas de organização do estado que contemplem a participação popular, mas que permitam também o desenvolvimento daqueles que querem empreender, investir, que venham para o Maranhão, acreditem no nosso porto, na nossa infraestrutura. Qualificar os recursos humanos”, detalhou o governador eleito.

Reeleição de Dilma ajuda o Maranhão

Sobre uma possível rusga política que a imprensa tenta criar por conta do fato da presidenta Dilma Rousseff não ter participado da campanha no estado porque o partido de seu adversário, Edinho Lobão (PMDB), compunha a chapa nacional da campanha pela reeleição, Dino destacou: “Eles [família Sarney] fazem uma análise segundo a qual uma das principais responsáveis pela derrota no Maranhão foi a presidenta Dilma. Eles verbalizam isso no âmbito do próprio grupo e às vezes publicamente dão a entender. O próprio candidato [Edinho Lobão, do PMDB], que foi o meu adversário, disse isso expressamente”.

Flávio Dino reafirmou que o saldo das urnas é de vitória do campo progressista. “O mais importante é que nós conseguimos fazer esta aliança, vencemos, a presidenta Dilma [Rousseff] foi eleita. O que nós queremos é que a presidenta Dilma, o governo federal, ajude o Maranhão. E espero que a bancada do PT no Congresso, onde tenho muitos amigos, também me ajude nesse processo... E tenho certeza que a presidenta Dilma vai ajudar muito o Maranhão”.

Entre as principais medidas que vai tomar ao assumir o governo do Maranhão a partir de 1º de janeiro de 2015, está a criação da Secretaria da Transparência e Controle e o aperfeiçoamento do Portal da Transparência. “São medidas práticas que demonstram o nosso total compromisso com as ações preventivas em relação ao mau uso do dinheiro público. Vamos executar o Orçamento que está sendo debatido na Assembleia com a visão de que nós precisamos melhorar a vida do povo do Maranhão”.

Habitação, falta d'água e presídios


Outra prioridade, segundo Dino, é investir na habitação e combater a falta de água. “Temos um déficit habitacional no Maranhão de 450 mil moradias. Água na casa das pessoas. O Maranhão é cortado por rios perenes, mas tem um problema de abastecimento de água crônico. Eu diria que muito mais impressionante do que a situação de São Paulo, com o sistema Cantareira. Essa situação aguda vivida agora em São Paulo, nós vivemos isso há décadas, de escassez de água, de negação de fornecimento, de racionamento”, declarou.

Flávio Dino também falou sobre a grave crise do sistema penitenciário maranhense, que culminou em rebeliões como a do presídio de Pedrinhas, com a morte de dezenas de presos, inclusive por decapitação. Dino, que já foi juiz e membro do Conselho Nacional de Justiça, afirmou: “Precisamos, em primeiro lugar, recuperar a autoridade sobre o sistema [penitenciário]. Hoje quem controla o sistema são dois grupos organizados de criminosos. Controlam o crescimento da criminalidade intramuros e também fora dos muros de Pedrinhas. Hoje temos praticamente três assassinatos por dia na região metropolitana de São Luís, muito em razão do crescimento do tráfico de drogas, do crack”.

Dino afirma que é necessário também concluir a implantação de novas estruturas físicas, de modo a descentralizar a execução penal. “A execução penal hoje é basicamente centralizada em São Luís e essa é uma das razões pelas quais aconteceram tantos problemas”, disse Dino, enfatizou que é necessário solucionar o déficit prisional. “Nós temos um déficit que não é dramático, mas deve ser enfrentado até para humanizar o cumprimento da execução penal”, completou.

Elevar o IDH é compromisso


Sobre o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) em que o Maranhão detém o segundo pior do Brasil, Dino explicou: “A resposta para este fosso está exatamente na política. Como a política concentrou riqueza pela via do patrimonialismo e da corrupção, essa riqueza não chegou até a casa das pessoas”.

Flávio Dino destacou que é inaceitável que o estado que tem o 16º maior PIB do Brasil apresente tais índices. Finalizou destacando que o seu compromisso é mudar essa realidade. “Mais do que uma promessa, é um compromisso de vida. Tenho convicção que isso é possível”.

Da redação do Portal Vermelho
Com informações da Folha

Janio de Freitas: “pode-se ter certeza” de fraude no caso Youssef - Portal Vermelho

Janio de Freitas: “pode-se ter certeza” de fraude no caso Youssef - Portal Vermelho
O colunista da Folha de S.Paulo, Janio de Freitas, na edição desta quinta-feira (30), abre o seu texto com a seguinte afirmação: “Antes mesmo de alguma informação do inquérito, em início na Polícia Federal, sobre o “vazamento” da acusação a Lula e Dilma Rousseff pelo doleiro Alberto Youssef, não é mais necessário suspeitar de procedimentos, digamos, exóticos nesse fato anexado à eleição para o posto culminante deste país. Pode-se ter certeza”.



Janio de Freitas é colunista da Folha de S.Paulo



É notório que a revista Veja pratica, no mínimo, o jornalismo tendencioso, usando um critério não mais inocente dos mundos. Mas agora, diante do claro golpe que tentou praticar às vésperas do segundo turno das eleições, o panfleto da oligarquia fica cada vez mais isolado.

Janio tenta aliviar, sem sucesso, a tentativa de golpe midiático da Veja dizendo que a Polícia Federal suspeita que Alberto Youssef tenha sido induzido a fazer as acusações a Dilma e Lula, entre o depoimento dado na terça (21) e a alegada “retificação” que teria sido feita pelo advogado. Essa retificação, isto é, mudança no texto do depoimento, foi negada pelo advogado de Youssef, Antônio Figueiredo Basto, que afirma que “ou a fonte da matéria mentiu ou é má-fé mesmo”, pois o depoimento que a revista cita nunca aconteceu.

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Segundo a Veja, um dos advogados de Youssef teria feito pedido de retificação em depoimento prestado por seu cliente. A revista disse que no depoimento de Youssef, ao ser questionado sobre quem mais sabia dos desvios na Petrobras, ele teria dito: “Lula e Dilma”.

A manipulação da informação por parte da Veja e outros veículos, para tentar o golpe nas urnas, foi tão escancarado que Janio citou a notícia de queima de arquivo. “Youssef foi levado da cadeia para um hospital em Curitiba. O médico, que se restringiu a essa condição, não escondeu nem enfeitou que encontrara um paciente "consciente, lúcido e orientado", cujos exames laboratoriais "estão dentro da normalidade". Mas alguém "vazou" de imediato que Youssef, mesmo socorrido, morrera por assassinato”, pontuou ele.

Janio completa: “O boato da queima de arquivo pela campanha de Dilma ia muito bem, entrando pela noite, quando alguém teve a ideia de telefonar para a enlutada filha da vítima, que disse, no entanto, estar o papai muito bem. O jornalista Sandro Moreyra já tinha inventado, para o seu ficcionado Garrincha, a necessidade de combinação prévia com os russos”.

Outra demonstração de isolamento da Veja diante de sua farsa foi a carta enviada pelo diretor de jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, à Folha de S. Paulo. A emissora da família Marinho diz que não repercutiu a reportagem da Veja porque a revista “não provou a denúncia com suas fontes”. Como dizem: a casa está caindo, Veja.

Da redação do Portal Vermelho

Advogado de Youssef diz que Veja mentiu: nunca houve depoimento dia 22 - Portal Vermelho





Advogado de Youssef diz que Veja mentiu: nunca houve depoimento dia 22 - Portal Vermelho

Como o Portal Vermelho tem reafirmado nos últimos dias, a mentira tem pernas curtas e o golpismo midiático da revista Veja não ficará impune.



Reprodução Reprodução do site do jornal Valor Econômico desta quinta-feira (30). Depois da Veja lançar acusação contra a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às vésperas do segundo turno da eleição, afirmando em matéria de capa que os dois sabiam da corrupção na Petrobras e, subliminarmente, apontar que são cúmplices, o advogado Antônio Figueiredo Basto, que representa o doleiro réu Alberto Youssef, volta a público para dizer que “ou a fonte da matéria mentiu ou é má-fé mesmo”.



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A declaração do advogado foi feita ao jornal Valor Econômico e publicada nesta quinta-feira (30) e revela que o verdadeiro escândalo, como também já havíamos apontando, foi praticado pela Veja. O “depoimento” que a revista disse ter ocorrido no dia 22 de outubro e que também disse ter tido acesso para justificar a manchete “Eles sabiam de tudo” nunca existiu.



“Nesse dia não houve depoimento no âmbito da delação. Isso é mentira. Desafio qualquer um a provar que houve oitiva da delação premiada na quarta-feira”, declarou o advogado ao Valor. Segundo Basto, é falsa a informação de que o depoimento teria ocorrido no dia 22 para que fosse feito um “aditamento” ou retificação sobre o que o doleiro afirmara no dia anterior. “Não houve retificação alguma. Ou a fonte da matéria mentiu ou isso é má-fé mesmo”, reafirmou Basto.



Desde o primeiro dia da divulgação da capa da revista – que geralmente é no sábado, mas foi adiantada para quinta (24) por conta da eleição –, o advogado tem refutado as afirmações da revista. A declaração de Basto vai ao encontro do que a presidenta Dilma Rousseff disse em seu último programa da campanha eleitoral e durante o debate de TV na Rede Globo, na sexta-feira (25): a revista Veja mentiu e cometeu crime eleitoral para mudar o resultado das urnas, que nas pesquisas davam vantagem para a presidenta Dilma.


Vazamento?




Além de desmentir a Veja, o advogado Antonio Figueiredo Basto reafirmou que a sua equipe não teve nenhum envolvimento no suposto vazamento. “Asseguro que eu e minha equipe não tivemos nenhuma participação nessa divulgação distorcida”, afirmou Basto. O delegado Rosalvo Ferreira Franco, da superintendência da Polícia Federal no Paraná, determinou abertura de inquérito para apurar o caso.



“Acho mesmo que isso tem que ser investigado. Queremos uma apuração rigorosa”, garante Basto. Alguns veículos de comunicação lançaram suspeitas sobre Basto por ter integrado o conselho da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). O estado é governado por Beto Richa, do PSDB, que foi reeleito este ano. “Eu não tenho nenhuma relação com o PSDB. Me desliguei em 2002 do conselho da Sanepar [controlada pelo governo do estado]. Não tenho vínculo partidário e nem pretendo ter. Nem com PSDB, nem com PT, nem com partido algum”, disse.


Imprensa esconde




A capa da Veja foi destaque durante todos os dias que antecederam a eleição do segundo turno, principalmente nos veículos impressos, com manchete de capa inclusive. No entanto, as declarações do advogado de que a Veja mentiu sobre o depoimento ganhou matéria de duas colunas no jornal Valor Econômico, na página 8, com o seguinte título: “Advogado de Youssef nega participação em ‘divulgação distorcida’”. Pelo jeito, tucanaram o significado de mentira.



E como era de se esperar, nos demais veículos, pelo menos até o fechamento dessa matéria, nenhum palavra sobre o assunto, com exceção do Portal Brasil 247 e do Vermelho.



Derrotada nas urnas, agora só falta os tribunais



A revista já tinha sofrido um primeiro revés ao ser obrigada a publicar um direito de resposta de Dilma em seu site, em pleno dia de votação, o que também poderá ocorrer na publicação impressa deste fim de semana. A decisão está nas mãos do ministro Teori Zavascki.



Da Redação do Portal Vermelho, Dayane Santos

Com informações do Valor Econômico


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Viva Marighella! Postagem no Facebook de Osvaldo Bertolino - 1969

Osvaldo Bertolino Nota do PCdoB sobre o assassinato covarde de Carlos Marighella 
 
“Vítima de torpe cilada, vilmente fuzilado em plena rua pela polícia, morreu Carlos Marighella. O assassinato deste conhecido revolucionário é mais uma ação vergonhosa e covarde que se acrescenta à onda de inomináveis violências que a ditadura militar vem cometendo. A história do Brasil registra poucos crimes políticos tão infames, tão friamente planejados como o perpetrado na Alameda Casa Branca, em São Paulo. Dezenas de beleguins, poderosamente armados, à traição, levaram a cabo um homicídio puro e simples. Esse monstruoso crime da ditadura é parte de todo um plano visando amedrontar, através do terror e do banditismo, os democratas e patriotas. Desesperados, inteiramente repudiados pelas massas, cada vez mais isolados, os generais que assaltaram o poder intensificam a repressão em todo o país, realizam toda sorte de arbitrariedades e praticam crimes os mais selvagens (…).”
 
A nota acima é do jornal A Classe Operária — à época dirigido e editado por Carlos Nicalou Danielli, que também seria cruelmente assassinado pela repressão —, do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
A fuzilaria ocorreu no dia 4 de novembro de 1969, enquanto jogavam Santos e Corinthians no estádio do Pacaembu pelo torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão.

Não distante dali, em frente ao número 806 da Alameda Casa Branca, Marighella caia na arapuca armada pelo bando chefiado pelo delegado do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Dops), Sérgio Paranhos Fleury.
O facínora montou uma equipe que se disfarçou de trabalhadores — o local era uma área de edifícios em construção —, namorados e passantes para fuzilar Marighella dentro de um Fusca, sem nenhuma chance de defesa. Líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), o revolucionário foi atraído para a arapuca por meio de padres dominicanos com quem mantinha contato, submetidos ao terror do bando de Fleury.
A fuzilaria atingiu, além do alvo, uma policial que se passava por namorada do chefe do Dops; um protético que teve a infelicidade de passar pelo local na hora do crime (ambos morreram); e um delegado, que nunca mais se recuperaria dos ferimentos na coxa direita. O bando deixou o corpo de Mariguella dentro do Fusca até às 23h15, quando foi recolhido pelo Instituto Médico Legal (IML).
Coincidentemente, dois dias antes o dirigente máximo do PCdoB, João Amazonas — antigo companheiro de Marighella na militância comunista — estivera próximo ao local, em um encontro com sua mulher, Edíria.

Os dirigentes do PCdoB que estavam em São Paulo passaram o dia reunidos e à noite souberam, pela televisão, do ocorrido na Alameda Casa Branca.

Carlos Marighella nasceu em Salvador, em dezembro de 1911.

Ainda adolescente despertou para as lutas sociais, tornando-se militante do Partido Comunista do Brasil aos 18 anos e dedicando sua vida à causa dos trabalhadores, da independência nacional e do socialismo.
Foi preso pela primeira vez em 1932, após escrever um poema contendo críticas ao interventor do governo federal na Bahia Juracy Magalhães.

Em maio de 1936 Marighella foi novamente preso e torturado, durante 23 dias.
Marighella passou a agir em torno de dois eixos: a reorganização dos revolucionários comunistas e o combate ao terror imposto pela ditadura do Estado Novo.

Anistiado em abril de 1945, participou do processo de redemocratização do país e da reorganização do Partido Comunista do Brasil na legalidade.

Eleito deputado para a Assembléia Nacional Constituinte de 1946 pelo Estado da Bahia, mas teve seu mandato cassado.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Immanuel Wallerstein: As Consequências Mundiais da Vitória de Dilma Rousseff - Jornal GGN

Immanuel Wallerstein: As Consequências Mundiais da Vitória de Dilma Rousseff

Immanuel Wallerstein: as consequências mundiais da vitória de Dilma Rousseff

Intelectual ressalta o papel do Brasil na construção de instituições latino e sul-americanas, o que manteve os EUA e seu poder mais distantes da região
Por Immanuel Wallerstein, em seu site | Tradução: Vinicius Gomes
Em 26 de outubro, a presidenta do Brasil Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), foi reeleita no segundo turno por uma estreita margem contra Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Apesar do nome do PSDB, esse foi um claro embate entre esquerda-direita, onde os eleitores votaram – de maneira genérica – de acordo com sua classe social, apesar de os programas de governo dos dois partidos serem, em muitas frentes, mais centristas do que de esquerda ou direita.
Para compreender o que isso significa, nós precisamos analisar as particularidades políticas do Brasil, que em muitos aspectos estão muito mais próximas da Europa Ocidental e da América do Norte do que qualquer outro país do Sul Global. Como os países do Norte, os confrontos eleitorais acabam, no fim, se tornando uma batalha entre um partido de centro-esquerda e um partido de centro-direita. As eleições são regulares e os eleitores tendem a votar de acordo com os interesses de sua classe, apesar das políticas de centro dos dois principais partidos que geralmente se alternam no poder. O resultado é a constante insatisfação dos eleitores com o “seus” partidos e constantes tentativas das verdadeiras esquerda ou direita para forçarem políticas em suas direções.
Como esses grupos de esquerda e direita perseguem seus objetivos dependem um pouco da estrutura formal das eleições. Muitos países têm um sistema de fato de dois turnos. Isso permite que a esquerda e a direita escolham seus próprios candidatos no primeiro turno e então votem no candidato dos principais partidos no segundo. A maior exceção a esse sistema de dois turnos são os EUA, que forçam a esquerda e a direita a entrarem nos principais partidos e depois passem a lutar de dentro (com as primárias).
O Brasil possui um traço excepcional: enquanto em todos esses países os políticos mudam de partido de tempos em tempos, na maioria dos países estes formam um pequeno grupo. No Brasil, tal mudança de partido é virtualmente uma ocorrência cotidiana na legislatura nacional, isso força os principais partidos a gastar enormes quantidades de energia em reestruturar alianças constantemente e corresponde a uma maior visibilidade em corrupção.
Nessa eleição, o PT estava sofrendo de grande desilusão de seus eleitores. A candidata Marina Silva tentou oferecer uma terceira via. Ela era conhecida por três características: ambientalista, evangélica e uma “não-branca” de origem muito pobre. No começo, ela pareceu decolar. Mas enquanto começava a propor um programa muito neoliberal, sua popularidade entrou em colapso e os eleitores se voltaram para Aécio Neves, um direitista mais tradicional.
As desilusões com o PT eram principalmente sobre sua falha em cortar relações estruturais com a ortodoxia econômica, além do fracasso em cumprir suas promessas sobre reforma agrária, preocupações ambientais e a defesa dos direitos dos povos indígenas. Ele também reprimiu demonstrações populares de movimentos de esquerda, notoriamente os de junho de 2013. Apesar disso, os movimentos sociais da esquerda uniram forças de maneira muito forte com o partido no segundo turno.
Por que? Por conta das mudanças positivas de 12 anos de governos do PT. Primeiramente, havia a grande expansão do programa Bolsa Família, que paga subsídios mensais ao mais pobres da população brasileira – que tiveram melhoras significativas em suas vidas. Em seguida, e pouco mencionado na imprensa ocidental, havia o enorme sucesso do Brasil em sua política externa – seu enorme papel na construção de instituições latino e sul-americanas que manteve longe o poder dos EUA na região. A esquerda tinha certeza que Neves iria reduzir as políticas de bem estar social do PT e se aliar novamente aos EUA no cenário internacional. A esquerda do Brasil votou por esses dois pontos positivos, apesar de todos os pontos negativos.
No mesmo final de semana, ocorreram três grandes eleições no mundo: Uruguai, Ucrânia e Tunísia. A eleição no Uruguai foi bem similar à brasileira. Era o primeiro turno e o partido de situação no poder desde 2004, a Frente Ampla, tem como candidato Tabaré Vázquez. Esse partido é bem amplo – indo de centro-esquerdistas para comunistas a ex-guerrilheiros. Vásquez encarou um clássico candidato de direita, Luis Lacalle Pou do Partido Nacional, mas também Pedro Bordaberry do Partido Colorado, um dos dois partidos que governaram o país de maneira repressiva por mais de meio século.
No primeiro turno, Vázquez conseguiu 46,5%, enquanto Lacalle contou com 31%, ou seja, não o suficiente para não haver o segundo turno. Bordaberry, que teve cerca de 13%, anunciou seu apoio a Lacalle, mas é provável que Vázquez vença por conta, mais ou menos, das mesmas razões que levaram Dilma Rousseff à vitória. Além disso, ao contrário do Brasil, seu partido possui o controle do Legislativo uruguaio, assim sendo, o Uruguai também reafirmará o esforço para construir uma estrutura geopolítica autônoma na América Latina.
O caso da Ucrânia é totalmente diferente. Longe de estar estruturada em um embate de esquerda-direita com dois partidos centrais tentando vencer as eleições, a política na Ucrânia tem agora como base uma divisão regional etnico-linguística. Nessas eleições, o governo pró-Ocidente realizou eleições excluindo qualquer participação dos supostos movimentos separatistas do leste da Ucrânia. Estes, então, boicotaram as eleições e anunciaram que manteriam suas administrações regionais autônomas. Na capital Kiev, parece que aqueles que agora governam: o presidente Petro Poroshenko aliado a seu rival, o primeiro-ministro Arseniy Yatsenyuk, irão se manter no poder, excluindo o verdadeiro ultranacionalista Setor Direito de qualquer papel.
Finalmente, na Tunísia o que ocorreu foi bem diferente. A Tunísia foi vista como a propulsora da chamada Primavera Árabe e hoje, parece ser sua única remanescente. Ennahda, o partido islâmico que venceu as primeiras eleições, perdeu consideravelmente sua força ao correr atrás de um programa de islamização da política tunisiana. Acabaram forçados, alguns meses atrás, a dar lugar a um governo interino tecnocrata e perdeu muitos eleitores (até mesmo de islamitas) na segunda eleição.
O partido vencedor foi Nadaa Tunis (O Chamado da Tunísia). Suas políticas são de certa maneira claras: é um partido secular. Seu líder é venerado político de 88 anos chamado Beji Caid Essebsi, que serviu nos governos Destourian que governou o país após a independência até que por fim se tornou um grande dissidente. Seu problema é manter unido a coalizão que conta com enormes variedades de forças secularistas – principalmente os jovens que lideraram o levante contra o presidente Zine el Abidine Bem Ali, em 2011, e diversos membros daquele governo que agora retornaram à arena política.
De qualquer maneira, Nadaa Tunis conta com 85 assentos parlamentares dos 217, enquanto o Ennahda foi reduzido a 69, sendo que os outros estão espalhados entre partidos menores. Será necessário um governo de coalizão, envolvendo praticamente todos os partidos. Então, enquanto os jovens revolucionários da Tunísia estão celebrando a vitória contra o Ennahda, ninguém sabe ao certo aonde isso terminará.
Eu digo “urra!” para o Brasil, onde aconteceu a mais importante dessas quatro eleições. Mas lá, assim em como em outros lugares, o jogo ainda não terminou. Não mesmo!
Foto de Capa: Reprodução
http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/11/immanuel-wallerstein-consequencias-mundias-da-vitoria-de-dilma-rousseff/

Presidente da UJS fala de ação na Abril e sobre grande imprensa - UJS

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Renato Rabelo: Elogio à militância que não foge à luta - PCdoB. O Partido do socialismo.

Renato Rabelo: Elogio à militância que não foge à luta - PCdoB. O Partido do socialismo.

O presidente nacional do Partido Comunista do
Brasil, Renato Rabelo, emitiu na tarde desta segunda-feira (27) nota em
que enaltece o papel da militância na campanha que resultou na reeleição
de Dilma Rousseff à Presidência da República. Leia a íntegra:

 
A direção nacional do PCdoB enaltece com estima e louvor esse
coletivo de milhares e milhares que – com entusiasmo, dedicação e
criatividade – ocuparam as ruas e as redes sociais


A reeleição da presidenta Dilma Rousseff é fruto de um
conjunto de fatores, entre os quais se ressalta o papel destacado da
militância dos partidos e dos movimentos sociais. A direção nacional do
PCdoB enaltece com estima e louvor esse coletivo de milhares e milhares
que – com entusiasmo, dedicação e criatividade – ocuparam as ruas e as
redes sociais para que o povo conquistasse esta histórica quarta vitória
consecutiva.



Em especial, nosso Partido aplaude sua militância, seus quadros e nossa
rede de amigos e amigas que se empenharam de modo redobrado neste
segundo turno, enfrentando o poderio do consórcio oposicionista, dando,
assim, sua efetiva contribuição ao triunfo alcançado.

Para conter e vencer a investida reacionária, o povo se levantou e junto
com ele a militância de esquerda, popular e patriótica. Os
trabalhadores, através da maioria das centrais sindicais que os
representam – entre elas, a CTB, a CUT – apoiaram Dilma com suas
bandeiras e mobilizações. Do mesmo modo, as mulheres tendo por canal um
elenco de entidades nas quais se destaca a União Brasileira de Mulheres
(UBM); assim como os ativistas do movimento comunitário entre os quais
os que atuam na Confederação Nacional de Associações de Moradores
(CONAM); também os que batalham por uma sociedade sem racismo e
preconceitos como os companheiros da União de Negros pela Igualdade
(Unegro) e os ativistas dos movimentos LGBT.





Merece especial destaque pela garra e a criatividade, por sua atuação
intrépida em todo o país, a atuação valiosa da União da Juventude
Socialista (UJS). O trabalho da UJS contribuiu para que a mensagem da
campanha da presidenta Dilma Rousseff chegasse a amplas camadas da
juventude, principalmente nas universidades e escolas nas quais a UNE e a
Ubes tiveram papel muito significativo. A campanha também se estendeu
aos jovens da periferia, com o movimento Hip Hop. “Renovar a esperança”
foi a bandeira de campanha da UJS, e além disso a entidade criou
slogans, imagens, mensagens, que se disseminaram nas ruas e nas redes
sociais, tais como: “no meu país, eu boto fé, porque ele é governado por
uma mulher”; “Para o Brasil seguir em frente, eu vou com Dilma, coração
valente”.





No final deste segundo turno, a direita e a grande mídia sentiram o
cheiro da derrota e radicalizaram suas ações golpistas. No âmbito desse
desespero tentaram, via distorção e manipulação de fatos, criminalizar a
UJS; atitude, aliás, corriqueira deles contra os movimentos sociais.
Tentativa que será inócua pela seriedade, pelo valor da UJS, amplamente
reconhecido, enquanto entidade que mobiliza os jovens pelos seus
direitos e que os forma para a luta política e social transformadora.







Uma vez mais nosso aplauso, nosso elogio à militância comunista que suou
a camisa, que, armada de argumentos e entusiasmo, se irmanou com o povo
e, efetivamente, deu importante contribuição para a reeleição da
presidenta Dilma Rousseff. Para realizar as mudanças e as reformas
estruturais com as quais está compromissada nesse novo mandato, a
presidenta precisará do apoio impulsionador dessa militância “que não
foge à luta”.





São Paulo, 27 de outubro de 2014



Renato Rabelo

Presidente do Partido Comunista do Brasil – PCdoB

Derrotados, rentistas lançam plano B: ministro da Fazenda independente - Portal Vermelho

Derrotados, rentistas lançam plano B: ministro da Fazenda independente - Portal Vermelho

Passados apenas
dois dias do resultado de uma eleição de acirrada disputa, em que os
representantes da oligarquia financeira saíram derrotados, agora o
cassino da especulação tenta criar um terceiro turno das eleições, para
emplacar um ministro da Fazenda que atenda os seus interesses.



Da redação do Portal Vermelho, Dayane Santos




Agência Brasil
A presidenta Dilma já deixou claro que não vai se render à chantagem
A presidenta Dilma já deixou claro que não vai se render à chantagem


A economia foi um dos principais temas dessa campanha, tanto no
primeiro como no segundo turno das eleições. Os adversários de Dilma
disputaram quem apresentaria o plano de governo que mais atenderia aos
desejos do mercado. Marina Silva (PSB) propôs a independência do Banco
Central e o mercado aplaudiu. Aécio Neves (PSDB) não perdeu tempo e,
além da garantia de “medidas impopulares”, tratou logo de dizer que o
seu governo já tinha um ministro da Fazenda: Armínio Fraga,
ex-presidente do Banco Central no governo FHC e homem credenciado pelos
especuladores como George Soros, de quem Fraga já foi funcionário.



Na bolsa, a cada subida da candidata nas pesquisas, o índice Ibovespa
despencava e o dólar subia. Na imprensa, uma enxurrada de estimativas
pessimistas foi lançada para respaldar a ideia de que a inflação estava
descontrolada e o desemprego estava batendo a porta dos brasileiros. Na
campanha, a pressão contra Dilma foi para que ela dissesse quais seriam
as mudanças na economia no segundo mandato. A única coisa que
conseguiram arrancar foi que, por uma decisão pessoal do ministro, Guido
Mantega não ficaria na Fazenda no segundo mandato.



Dilma não cedeu à chantagem rentista e a realidade atropelou o terror
inflacionário. A estratégia neoliberal foi recorrer ao caso Petrobras.
Às vésperas do segundo turno, a revista Veja publicou matéria de capa em
que afirmava que, de acordo com depoimento do doleiro preso Alberto
Youssef, Lula e Dilma sabiam dos desvios na Petrobras.



Golpe da Veja desmascarado



A mentira de pernas curtas foi desmascarada. A intenção da Veja de interferir no resultado das eleições foi denunciada a tempo pela própria presidenta em seu último programa de TV da campanha.



O golpismo midiático foi tão explícito que os demais veículos da grande
imprensa não quiseram embarcar na onda da Veja. O diretor de jornalismo
da TV Globo, Ali Kamel, informou em carta enviada à Folha de S. Paulo
que a emissora não repercutiu a reportagem porque a revista “não provou
a denúncia com suas fontes”. Na carta, Kamel explica que noticiou os
protestos em frente à sede da revista porque ”não poderia ser ignorado”.



A repercussão veio em efeito bumerangue. Matéria publicada no Portal Brasil 247 desta segunda (27), afirma que a direção da Editora Abril
estava irritada com os efeitos da matéria. Segundo a matéria, o diretor
de redação Eurípedes Alcântara teria sido chamado a um jantar na casa
do presidente do Grupo Abril, Fábio Barbosa, ao qual também
compareceram os redatores-chefes Lauro Jardim, Fabio Altman, Policarpo
Jr. e Thaís Oyama, para dar explicações.



Nariz torcido



Derrotada nas urnas, a oligarquia financeira torce o nariz, mas é
obrigada a aceitar Dilma como presidenta. E como o plano de um Banco
Central independente foi por água abaixo, agora joga todas as suas
fichas num “ministro da Fazenda independente”. Um ministro que tenha
mais poderes que a presidenta Dilma, cujo papel seria reduzido à mera
formalidade protocolar, sem interferência nas decisões da economia
brasileira.



A
Bolsa de Valores, que na segunda (27) caiu em 2,77%, nesta terça (28)
opera em alta, sinalizando uma breve trégua, enquanto a presidenta não
anuncia o nome que eles querem para o ministério. E como num cassino, as
apostas e blefes crescem a cada instante, principalmente pela imprensa.




A manchete do jornal Valor Econômico desta terça (28) chega a dizer que o
ex-presidente Lula teria feito três indicações para a pasta da Fazenda:
Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco; Henrique Meirelles,
ex-presidente do Banco Central; e Nelson Barbosa, ex-secretário
executivo do Ministério da Fazenda. Essa informação que mais parece um
boato, nada mais é que uma tentativa de emplacar um ministro ligado ao
mercado.



O colunista político Kennedy Alencar, em seu comentário na rádio CBN,
diz que dos 39 ministros, Dilma pretende manter apenas dez, sendo que “a
principal peça é a equipe econômica”. Segundo ele, foi “infeliz” a
declaração de Guido Mantega, de que com a reeleição o povo aprovou a
política econômica do governo. “Ora, a presidente quase perdeu por causa
da política econômica. O mercado financeiro e o empresariado torceram
contra a petista”, disse ele.



A coação do mercado financeiro é porque durante toda a campanha, a
presidenta Dilma reafirmou que a sua preocupação é com o emprego, a
melhoria da renda do trabalhador e da vida das pessoas. “Não somos
aqueles que só pensam nos banqueiros e nos juros. Somos aqueles que
querem melhorar a vida de cada família”, asseverou Dilma em campanha no
Rio de Janeiro, dia 20 de outubro.



Sem chance



Para o mercado financeiro, como apontou a revista The Economist -
panfleto dos rentistas – as conquistas sociais “não são palpáveis”. A
medida concreta que eles querem é ajuste fiscal e juros na estratosfera
para pagamento da dívida pública à custa da estagnação econômica,
desemprego em massa.



O presidente do PT, Rui Falcão, em coletiva de imprensa nesta segunda
(27), afirma que o eventual indicado precisará apenas de uma coisa:
“comungar e manter a atual linha econômica do governo, mais voltada ao
mercado consumidor e ao mercado de trabalho. Não podemos nos pautar pelo
mercado financeiro”.



Dilma, por sua vez, em entrevista também nesta segunda (27), um dia após
a vitória nas urnas, manteve o tom da campanha e mostrou que não vai
ceder a chantagem: “Não tenho o menor interesse em fazer essa discussão
agora. No tempo exato, eu darei os nomes”.

Nordestinos sofrem preconceito na internet após vitória de Dilma - Como denunciar - Artigo - Com Mundo Bit e Coletivizando

Nordestinos sofrem preconceito na internet após vitória de Dilma - Mundo Bit

 Saiba o que fazer em casos de difamação, calúnia e cyberbulling na internet - Mundo Bit


Texto de 2010, após a vitória de Dilma, quando latiu o preconceito anti-nordestino do eleitorado de direita que votou Serra e agora votou Aécio. 

O Nordeste é o Brasil (e em todo lugar). Paulo Vinícius Silva (2010)





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