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sábado, 23 de novembro de 2024

Presidente Lula e presidente Xi Jinping durante assinatura de atos e declaração conjunta à imprensa - EBC

 


Declaração à imprensa do presidente Lula na visita de Estado do presidente chinês, Xi Jinping
 
Declaração lida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita de Estado do presidente da República Popular da China, Xi Jinping, em 20 de novembro de 2024, no Palácio da Alvorada, em Brasília

Em um de seus ditados, Confúcio nos fala sobre a alegria de receber amigos de terras distantes.

Esse é o sentimento que tenho ao receber o presidente Xi Jinping em Visita de Estado e poder retribuir a hospitalidade de que Janja e eu desfrutamos em nossa visita a Pequim, no ano passado.

Nos reunimos nesta ocasião para celebrar o cinquentenário do estabelecimento de relações diplomáticas.

Apesar de distantes na geografia, há meio século China e Brasil cultivam uma amizade estratégica, baseada em interesses compartilhados e visões de mundo próximas.
A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009. Em 2023, o comércio bilateral atingiu recorde histórico de 157 bilhões de dólares.

O superávit com a China é responsável por mais da metade do saldo comercial global brasileiro.

O país também figura como uma das principais origens de investimentos no Brasil.

Empresas chinesas vêm participando de licitações de projetos de infraestrutura e têm sido parceiras em empreendimentos como a construção de usinas hidrelétricas e ferrovias.

Isso representa emprego, renda e sustentabilidade para o Brasil.

Indústrias brasileiras também estão ampliando sua presença na China, como a WEG, a Suzano e a Randon.

Ao mesmo tempo, o agronegócio continua a garantir a segurança alimentar chinesa. O Brasil é, desde 2017, o maior fornecedor de alimentos para a China.

Nesse contexto, a BRF deverá investir cerca de US$ 80 milhões na aquisição de uma moderna fábrica para processamento de carnes na província de Henan, na China.

A dimensão estratégica de nossa relação é antiga.

Há 40 anos, teve início o Projeto Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, fundamental para que dominássemos tecnologias aeroespaciais.

Essa foi, durante muito tempo, a maior parceria de cooperação entre países do Sul Global.

Esta Visita de Estado reforça a ambição e renova o pioneirismo do nosso relacionamento.

O presidente Xi e eu decidimos elevar a Parceria Estratégica Global ao patamar de Comunidade de Futuro Compartilhado por um Mundo mais Justo e um Planeta Sustentável.
Estamos determinados a alicerçar nossa cooperação pelos próximos 50 anos em áreas como infraestrutura sustentável, transição energética, inteligência artificial, economia digital, saúde e aeroespacial.

Por essa razão, estabeleceremos sinergias entre as estratégias brasileiras de desenvolvimento, como a Nova Indústria Brasil (NIB), o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Programa Rotas da Integração Sul-Americana, e o Plano de Transformação Ecológica, e a Iniciativa Cinturão e Rota.

Para dar concretude às sinergias, uma Força-Tarefa sobre Cooperação Financeira e outra sobre Desenvolvimento Produtivo e Sustentável serão estabelecidas e deverão apresentar projetos prioritários em até 2 meses.

Queremos adensar a cadeia de valor em nosso território, além de ampliar e diversificar a pauta com nosso maior parceiro comercial.

No contexto desta visita, quase 40 atos internacionais foram assinados em áreas como comércio, agricultura, indústria, investimentos, ciência e tecnologia, comunicações, saúde, energia, cultura, educação e turismo.

Vamos realizar o Ano Cultural Brasil-China em 2026, para promover e aproximar nossas sociedades, ambas reconhecidas internacionalmente por sua rica diversidade e criatividade.

No plano regional, trabalharemos juntos para dar seguimento ao Diálogo MERCOSUL-China e discutir o aprofundamento da cooperação na área de investimentos.

O que China e Brasil fazem juntos, reverbera no mundo.

Mantemos profícua coordenação na ONU, na OMC e em arranjos como o G20, o BRICS e o BASIC.

Defendemos a reforma da governança global e um sistema internacional mais democrático, justo, equitativo e ambientalmente sustentável.
Em um mundo assolado por conflitos armados e tensões geopolíticas, China e Brasil colocam a paz, a diplomacia e o diálogo em primeiro lugar.

Agradeci o engajamento no Chamado à Ação pela Reforma da Governança Global que o Brasil lançou no âmbito do G20.

Os “Entendimentos Comuns entre o Brasil e a China para uma Resolução Política para a Crise na Ucrânia" são exemplo da convergência de visões em matéria de segurança internacional

Jamais venceremos o flagelo da fome em meio à insensatez das guerras.

A Aliança Global contra a Fome, lançada oficialmente há dois dias, é uma das iniciativas mais importantes da presidência brasileira do G20.

A China foi parceiro de primeira hora nessa empreitada para devolver a dignidade aos 733 milhões de pessoas que passam fome no mundo, em pleno século 21.

Sem paz, o planeta tampouco estará em condições de construir soluções para a crise climática.

O interesse chinês pelo Fundo Florestas Tropicais para Sempre, proposto pelo Brasil para remunerar a preservação desses biomas, confirma que há alternativas eficazes para financiar o desenvolvimento sustentável.
Senhoras e senhores,

Estou confiante de que a Parceria que o presidente Xi e eu firmamos hoje excederá todas as expectativas e pavimentará o caminho para uma nova etapa do relacionamento bilateral.

Espero receber o presidente Xi Jinping no Brasil no ano que vem, para a Cúpula do BRICS, em julho, e para a COP-30, em novembro.

E estou ansioso para visitar a China novamente, por ocasião do Fórum China-CELAC.

Muito obrigado.

Atos adotados por ocasião da visita ao Brasil do presidente da China, Xi Jinping

Atos adotados e anúncios no contexto da visita de estado ao Brasil do Presidente da China, Xi Jinping, em diferentes áreas. da agricultura e finanças, até educação e cultura



quarta-feira, 10 de março de 2021

Pepe Escobar debate a China: Um País, Duas Sessões, Tantos Alvos - Brasil 247

 

Um País, Duas Sessões, Tantos Alvos

O novo Plano Quinquenal da China visa uma reforma econômica de "alta qualidade", um salto tecnológico e uma nova era de prosperidade comum, analisa o jornalista Pepe Escobar

Xi Jinping
Xi Jinping (Foto: Xinhua, Brasil 247)

Por Pepe Escobar, para o Asia Times

Tradução de Patricia Zimbres, para o 247

É tempo de  Lianghui ("Duas Sessões") – o rito anual da liderança política, em Pequim. As estrelas do show são o principal órgão de consultoria política, a Conferência Política Consultiva Popular Chinesa, e a tradicional apresentação de um relatório de trabalho pelo primeiro-ministro ao primeiro escalão da legislatura, o Congresso Nacional do Povo (NPC).

A análise do projeto preliminar do 14º Plano Quinquenal da China se prolongará até 15 de março. Mas, nas atuais circunstâncias, não se trata apenas de 2025 (lembrem-se do Made in China 2025, que permanece em vigor). O planejamento é de longo prazo e mira alvos do projeto Vision 2035  (alcançar a "modernização socialista básica"), e até mesmo além de 2049, o 100º aniversário da República Popular da China.

O premier Li Keqiang, apresentando o relatório de trabalho governamental para 2021, ressaltou que a meta de crescimento do PIB é de "mais de 6%" (o FMI, anteriormente, havia projetado 8,1%). Incluída aí está a criação de pelo menos 11 milhões de empregos urbanos.

Quanto à política externa, o contraste traçado por Li entre a China e o Hegêmona não poderia ser mais nítido: "A China seguirá uma política externa independente e pacífica" e promoverá a construção de um novo tipo de relações internacionais". 

Isso é linguagem-código significando que Pequim irá trabalhar com Washington em questões específicas mas, acima de tudo, enfocará o fortalecimento das relações de comércio/investimentos/finanças com a União Europeia, a ASEAN, o Japão e o Sul Global. 

As linhas gerais do 14º Plano Quinquenal (2021-2025) para a economia chinesa já haviam sido traçadas em outubro último, na reunião plenária do Partido Comunista Chinês. O Congresso Nacional do Povo irá agora ratificá-lo. O foco principal é a política de "dupla circulação", cuja melhor definição, traduzida do mandarim, é uma "dinâmica de duplo desenvolvimento ".

Isso significa um esforço coordenado para consolidar e expandir o mercado interno e, ao mesmo tempo, continuar a fomentar o comércio e os investimentos externos – como ocorre nos inúmeros projetos da Iniciativa Cinturão e Rota (ICR). Em termos conceituais, isso representa um equilíbrio yin-yang muito sofisticado, muito taoísta.    

Em inícios de 2021, o presidente Xi Jinping, ao louvar a "convicção e resiliência chinesas, bem como nossa determinação e confiança", fez questão de ressaltar que a nação enfrenta "desafios e oportunidades sem precedentes". Ele afirmou ao Politburo que "condições sociais favoráveis" têm que ser criadas por todos os meios disponíveis até 2025, 2035 e 2049.
O que nos leva ao próximo estágio do desenvolvimento chinês.

O alvo principal a observar é a "prosperidade em comum" (ou, melhor ainda, a prosperidade compartilhada), a ser implementada concomitantemente com inovações tecnológicas, respeito ao meio ambiente e enfrentamento pleno da "questão rural". 

Xi tem sido contundente: há desigualdade excessiva na China - regional, urbano-rural e disparidades de renda. 

É como se, em uma leitura fria do motor dialético do materialismo histórico na China, chegássemos ao seguinte modelo. Tese: as dinastias imperiais. Antítese: Mao Tsetung. Síntese: Deng Xiaoping, seguido por algumas derivações (em especial Jiang Zemin) até chegarmos à verdadeira síntese: Xi. 

Sobre a "ameaça" chinesa

Li ressaltou o sucesso chinês na contenção interna do covid-19, na qual o país gastou pelo menos 62 bilhões de dólares. Isso deve ser visto como uma mensagem sutil, dirigida principalmente ao Sul Global, sobre a eficácia do sistema de governança da China para projetar e executar não apenas planos de  desenvolvimento complexos, mas também lidar com emergências graves. 

O que, em última análise, está em questão na comparação entre as cambaleantes democracias (neo)liberais do Ocidente e o "socialismo com características chinesas" (copyright Deng Xiaoping) é a capacidade de gerir e melhorar a vida das pessoas. Os acadêmicos chineses têm grande orgulho do ethos de seu plano de desenvolvimento nacional, definido como SMART (sigla em inglês para específico, mensurável, alcançável, relevante e com prazo determinado).

Um excelente exemplo é o de como a China, em menos de duas décadas, conseguiu retirar 800 milhões de pessoas da pobreza: uma experiência absolutamente única na história. 

Tudo o que foi dito acima raramente é mencionado, uma vez que os círculos atlanticistas vivem atolados em uma histeria de incessante demonização da China. Wang Huiyao, diretor do Centro para a China e a  Globalização, sediado em Pequim, ao menos teve o mérito de trazer para a discussão o sinólogo Kerry Brown, do King’s College, de Londres.

Baseando-se em comparações entre Leibniz - próximo a estudiosos jesuítas interessados no confucionismo - e Montesquieu – que só via um sistema despótico, autocrático e imperial – Brown reexamina 250 anos de posições extremadas sobre a China no Ocidente, observando que hoje "é mais difícil que nunca" manter um debate racional.

Ele identifica três grandes problemas.

1. Ao longo de toda a história moderna, o Ocidente jamais reconheceu a China como uma nação forte e poderosa, e tampouco admitiu a restauração de sua importância histórica. A mentalidade ocidental não está preparada para lidar com isso. 

2. O Ocidente moderno nunca pensou na China como uma potência global, no máximo como uma potência territorial. A China nunca foi vista como uma potência marítima, capaz de exercer poder fora de suas fronteiras. 

3. Propelido por uma férrea certeza quanto a seus valores, entra em cena o tão aviltado conceito de "verdadeira democracia" - o Ocidente Atlanticista não faz a mínima ideia sobre  os valores chineses. Em última análise, o Ocidente não tem o menor interesse em compreender a China. O que prevalece é a confirmação de preconceitos, reafirmando que a China representa uma "ameaça" ao Ocidente. 

Brown aponta o principal problema que atormenta qualquer acadêmico ou analista político que tente explicar a China: como comunicar sua extremamente complexa visão de mundo e como resumir a história da China em poucas palavras. Clipes de podcasts não vêm ao caso. 

Exemplos: explicar como, na China, um estarrecedor contingente de 1,3 bilhões de pessoas consegue ter acesso a algum tipo de segurança de saúde, e como 1 bilhão delas se beneficia de alguma espécie de seguridade social. Ou, também, explicar os intrincados detalhes das políticas étnicas chinesas. 

O premier Li, ao apresentar seu relatório, prometeu "forjar um forte senso de comunidade em meio ao povo chinês e incentivar todos os grupos étnicos da China a trabalharem conjuntamente para a prosperidade e o desenvolvimento coletivos". Ele não mencionou especificamente Xinjiang ou o Tibé. É uma tarefa ingrata explicar as enormes dificuldades de integrar minorias étnicas em  um projeto nacional em meio a constante histeria existente em Xinjiang, Taiwan, no Mar do Sul da China e em Hong Kong. 

Venham participar da festa 

Sejam quais forem os caprichos do Ocidente Atlanticista, o que é importante para as massas chinesas é como o novo Plano Quinquenal irá fornecer, na prática, aquilo que Xi já havia descrito como uma reforma econômica de "alta-qualidade". 

As perspectivas parecem ser muito boas para as potências econômicas de Xangai e Guangdong – que já tinham como alvo um crescimento de 6%. Hubei – onde surgiram os primeiros casos de covid-19 - já vem trabalhando com uma meta de 10%. 

Baseando-se em uma frenética atividade das mídias sociais, a confiança da opinião pública permanece sólida, levando em conta uma série de fatores. A China ganhou a "guerra sanitária" contra a covid-19 em tempo recorde; o crescimento econômico voltou; a pobreza absoluta foi erradicada, cumprindo os prazos originalmente previstos; o estado-civilização está firmemente estabelecido como uma "sociedade moderadamente próspera" 100 anos após a fundação do Partido Comunista. 

Desde o início do milênio, o PIB da China cresceu em onze vezes. Nos últimos dez anos, o PIB mais que dobrou, de 6 a 15 trilhões de dólares. Nada menos que 99 milhões de camponeses, em 832 municípios e 128 mil aldeias rurais, são os que mais recentemente foram  resgatados da pobreza absoluta.

Essa complexa economia híbrida agora se dedica a montar uma armadilha "suave" para as empresas ocidentais. Sanções? Não sejam tolos, venham para cá fazer bons negócios em um mercado de pelo menos 700 milhões de consumidores. 

Como observei no ano passado, o processo sistêmico em operação é como uma  sofisticada mistura de internacionalismo marxista e confucionismo (privilegiando a harmonia e abominando o conflito): o arcabouço de uma "comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade". Um país - aliás, um estado-civilização, focado em sua renovada missão histórica de reemergir como uma superpotência. Duas sessões. E tantos alvos - e todos eles alcançáveis.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Xi Jinping: Que o multilateralismo ilumine o caminho da humanidade - Discurso completo em Davos - Portal Vermelho

“A história avança e o mundo não voltará a ser o que era no passado”.


por Wevergton Brito

PORTAL VERMELHO
Publicado 25/01/2021 21:16 | Editado 26/01/2021 13:00


O presidente chinês, Xi Jinping, participou, nesta segunda-feira (25), do Evento Virtual da Agenda de Davos do Fórum Econômico Mundial (FEM) a convite do fundador e presidente executivo do FEM, Klaus Schwab e fez um discurso especial via link de vídeo, diretamente de Pequim. Foi, sem dúvida, um discurso para a história, focado nos “valores centrais e os princípios básicos do multilateralismo”.

Direito ao desenvolvimento, ecologia, reforma da governança global, vacina contra a Covid-19 como bem público, defesa da paz e dos países mais fracos, nada ficou ausente, inclusive o anúncio de uma China mais assertiva no cenário internacional em prol desses princípios.

Destaco trechos do discurso, sugerindo, no entanto, que o internauta leia a íntegra que está publicada logo depois dos trechos selecionados.


A diversidade de modelos sociais

“Não haverá civilização humana sem diversidade, e essa diversidade continuará a existir por tanto tempo quanto podemos imaginar. A diferença em si não é motivo para alarme. O que soa o alarme é a arrogância, o preconceito e o ódio; é a tentativa de impor hierarquia à civilização humana ou de impor a própria história, cultura e sistema social aos outros.”

Em defesa do planeta terra, cooperação global


“A Terra é nossa única casa. Aumentar os esforços para lidar com as mudanças climáticas e promover o desenvolvimento sustentável afeta o futuro da humanidade. Nenhum problema global pode ser resolvido por um único país. Deve haver ação global, resposta global e cooperação global.”

Uma nova guerra fria é o caminho para o confronto

“Construir pequenos círculos ou iniciar uma nova Guerra Fria, rejeitar, ameaçar ou intimidar os outros, impor deliberadamente dissociação, interrupção do fornecimento ou sanções e criar isolamento ou estranhamento apenas empurrará o mundo para a divisão e até para o confronto.”


Importância do Direito Internacional e da ONU

“Precisamos ser enérgicos em defender o estado de direito internacional e firmes em nossa determinação de salvaguardar o sistema internacional centrado na ONU e na ordem internacional baseada no direito internacional.”

Um recado para Biden?


Comentário: Como se sabe, os governos democratas utilizam, na arena internacional, o que alguns analistas chamam de “multilateralismo assertivo”, que seria uma forma mais branda, mas por vezes não menos agressiva, de impor os interesses unilaterais dos EUA combinando a instrumentalização de espaços multilaterais com o uso da força ou a ameaça ao uso da força. Embora em nenhum momento do seu discurso Xi Jinping faça referência direta aos EUA, o trecho abaixo pode ser identificado como um recado para o recém empossado governo democrata.

“O forte não deve intimidar o fraco. A decisão não deve ser tomada simplesmente pela exibição de músculos fortes ou com o aceno de um punho grande (…) O ‘multilateralismo seletivo’ não deve ser nossa opção (…) digamos não às políticas mesquinhas e egoístas de empobrecer o vizinho e acabemos com a prática unilateral de manter as vantagens do desenvolvimento só para nós. Direitos iguais ao desenvolvimento devem ser garantidos a todos os países para promover o desenvolvimento comum e a prosperidade. Devemos defender a competição justa, como competir uns com os outros pela excelência em um campo de corrida, não derrotar uns aos outros em uma arena de luta livre”.

Mudança climática

“Precisamos cumprir o Acordo de Paris sobre mudança climática e promover o desenvolvimento verde. Precisamos dar prioridade contínua ao desenvolvimento, implementar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e garantir que todos os países, especialmente os em desenvolvimento, compartilhem dos frutos do desenvolvimento global”.


China terá novo paradigma de desenvolvimento

“A China está em vias de terminar de construir uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos. Obtivemos ganhos históricos ao erradicar a pobreza extrema e embarcamos em uma nova jornada rumo à construção plena de um país socialista moderno. À medida que a China entra em um novo estágio de desenvolvimento, seguiremos uma nova filosofia de desenvolvimento e promoveremos um novo paradigma de desenvolvimento com a circulação doméstica como o esteio e as circulações doméstica e internacional reforçando-se mutuamente. A China trabalhará com outros países para construir um mundo aberto, inclusivo, limpo e bonito que desfrute de paz duradoura, segurança universal e prosperidade comum.

Pandemia, a tarefa mais urgente


“Conter o coronavírus é a tarefa mais urgente para a comunidade internacional. Isso porque as pessoas e suas vidas devem ser sempre colocadas antes de qualquer coisa. É também o que é necessário para estabilizar e reanimar a economia. Mais solidariedade e cooperação, mais compartilhamento de informações e uma resposta global mais forte são o que precisamos para derrotar o COVID-19 em todo o mundo (…) É especialmente importante aumentar a cooperação em Pesquisa e Desenvolvimento, produção e distribuição de vacinas e torná-las bens públicos que sejam verdadeiramente acessíveis e economicamente viáveis ​​para as pessoas em todos os países”.

Cooperação Sul-Sul e postura mais ativa


“Como membro constante dos países em desenvolvimento, a China aprofundará ainda mais a cooperação Sul-Sul e contribuirá para os esforços dos países em desenvolvimento para erradicar a pobreza, reduzir o peso da dívida e alcançar mais crescimento. A China se envolverá mais ativamente na governança econômica global e pressionará por uma globalização econômica que seja mais aberta, inclusiva, equilibrada e benéfica para todos”.

Abaixo, a íntegra do discurso.

Professor Klaus Schwab,


Senhoras e senhores,

Amigos,

O ano passado foi marcado pelo ataque repentino da pandemia COVID-19. A saúde pública global enfrentou grave ameaça e a economia mundial entrou em uma recessão profunda. A humanidade encontrou-se diante de múltiplas crises raramente vistas na história.


O ano passado também testemunhou a enorme determinação e coragem de pessoas ao redor do mundo no combate ao coronavírus mortal. Guiado pela ciência, razão e espírito humanitário, o mundo alcançou um progresso inicial no combate ao COVID-19. Dito isso, a pandemia está longe de terminar. O recente ressurgimento dos casos COVID nos lembra que devemos continuar a luta. No entanto, continuamos convencidos de que o inverno não pode impedir a chegada da primavera e as trevas nunca podem ocultar a luz do amanhecer. Não há dúvida de que a humanidade vencerá o vírus e sairá ainda mais forte deste desastre.

Senhoras e senhores,

Amigos,


A história avança e o mundo não voltará a ser o que era no passado. Cada escolha e movimento que fizermos hoje moldarão o mundo do futuro. É importante abordarmos adequadamente as quatro principais tarefas que as pessoas enfrentam em nosso tempo.

A primeira é intensificar a coordenação da política macroeconômica e, em conjunto, promover o crescimento forte, sustentável, equilibrado e inclusivo da economia mundial. Estamos passando pela pior recessão desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Pela primeira vez na história, as economias de todas as regiões foram duramente atingidas ao mesmo tempo, com a indústria global e as cadeias de suprimentos bloqueadas e o comércio e os investimentos em crise. Apesar dos trilhões de dólares em pacotes de ajuda em todo o mundo, a recuperação global é bastante instável e as perspectivas permanecem incertas. Precisamos nos concentrar nas prioridades atuais e equilibrar a resposta ao COVID e o desenvolvimento econômico. O apoio à política macroeconômica deve ser intensificado para tirar a economia mundial fora de perigo o mais cedo possível. Mais importante, precisamos olhar além do horizonte e fortalecer nossa vontade e determinação para a mudança. Precisamos mudar as forças motrizes e os modelos de crescimento da economia global e melhorar sua estrutura, de modo a definir o curso de longo prazo, com desenvolvimento sólido e estável da economia mundial.

A segunda tarefa é abandonar o preconceito ideológico e, em conjunto, seguir um caminho de coexistência pacífica, benefício mútuo e cooperação ganha-ganha. Não existem duas folhas no mundo idênticas e nenhuma história, cultura ou sistema social é igual. Cada país é único com sua própria história, cultura e sistema social, e nenhum é superior ao outro. Os melhores critérios são se a história, a cultura e o sistema social de um país se ajustam à sua situação específica, se contam com o apoio do povo, se servem para proporcionar estabilidade política, progresso social e vidas melhores e se contribuem para o progresso humano. As diferentes histórias, culturas e sistemas sociais são tão antigos quanto as sociedades humanas e representam características inerentes da civilização humana. Não haverá civilização humana sem diversidade, e essa diversidade continuará a existir por tanto tempo quanto podemos imaginar. A diferença em si não é motivo para alarme. O que soa o alarme é a arrogância, o preconceito e o ódio; é a tentativa de impor uma hierarquia à civilização humana ou de impor a própria história, cultura e sistema social aos outros. A escolha certa é que os países busquem uma coexistência pacífica baseada no respeito mútuo e na expansão de bases comuns, enquanto arquivam as diferenças, para promover o intercâmbio e o aprendizado mútuo. Esta é a forma de impulsionar o progresso da civilização humana.


A terceira tarefa é eliminar a divisão entre países desenvolvidos e em desenvolvimento e, em conjunto, gerar crescimento e prosperidade para todos. Hoje, a desigualdade continua a crescer, a lacuna Norte-Sul ainda precisa ser superada e o desenvolvimento sustentável enfrenta sérios desafios. À medida que os países lutam com a pandemia, suas recuperações econômicas seguem trajetórias divergentes, e o hiato Norte-Sul corre o risco de se ampliar e até mesmo se perpetuar. Os países em desenvolvimento aspiram por mais recursos e espaço para o desenvolvimento e clamam por uma representação e voz mais fortes na governança econômica global. Devemos reconhecer que, com o crescimento dos países em desenvolvimento, a prosperidade e a estabilidade globais serão colocadas em bases mais sólidas, e os países desenvolvidos poderão se beneficiar desse crescimento. A comunidade internacional deve manter seus olhos no longo prazo, honrar seu compromisso, e fornecer o apoio necessário aos países em desenvolvimento e salvaguardar seus legítimos interesses de desenvolvimento. Direitos iguais, oportunidades iguais e regras iguais devem ser fortalecidos, para que todos os países se beneficiem das oportunidades e frutos do desenvolvimento.

A quarta tarefa é a união contra os desafios globais para, juntos, criarmos um futuro melhor para a humanidade. Na era da globalização econômica, as emergências de saúde pública como o COVID-19 podem muito bem ocorrer, e a governança global da saúde pública precisa ser aprimorada. A Terra é nossa única casa. Aumentar os esforços para lidar com as mudanças climáticas e promover o desenvolvimento sustentável afeta o futuro da humanidade. Nenhum problema global pode ser resolvido por um único país. Deve haver ação global, resposta global e cooperação global.

Senhoras e senhores,


Amigos,

Os problemas que o mundo enfrenta são intrincados e complexos. A saída é defender o multilateralismo e construir uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade.

Primeiro, devemos permanecer comprometidos com a abertura e a inclusão, em vez de isolamento e exclusão. Multilateralismo significa ter assuntos internacionais tratados por meio de consultas e o futuro do mundo decidido por todos trabalhando juntos. Construir pequenos círculos ou iniciar uma nova Guerra Fria, rejeitar, ameaçar ou intimidar os outros, impor deliberadamente dissociação, interrupção do fornecimento ou sanções e criar isolamento ou estranhamento apenas empurrará o mundo para a divisão e até para o confronto. Não podemos enfrentar desafios comuns em um mundo dividido, e o confronto nos levará a um beco sem saída. A humanidade aprendeu lições da maneira mais difícil e essa história não acabou. Não devemos retornar ao caminho do passado.


A abordagem certa é agir de acordo com a visão de uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade. Devemos defender os valores comuns da humanidade, ou seja, paz, desenvolvimento, equidade, justiça, democracia e liberdade, superar o preconceito ideológico, tornar os mecanismos, princípios e políticas de nossa cooperação tão abertos e inclusivos quanto possível e, em conjunto, salvaguardar a paz mundial e estabilidade. Devemos construir uma economia mundial aberta, defender o regime de comércio multilateral, descartar padrões, regras e sistemas discriminatórios e excludentes e derrubar barreiras ao comércio, investimento e intercâmbio tecnológico. Devemos fortalecer o G20 como o principal fórum para a governança econômica global, nos engajar em uma coordenação mais estreita da política macroeconômica e manter as cadeias industriais e de fornecimento globais estáveis ​​e abertas. Devemos garantir o funcionamento correto do sistema financeiro global, promover reformas estruturais e expandir a demanda agregada global em um esforço para buscar maior qualidade e maior resiliência no desenvolvimento econômico global.

Em segundo lugar, devemos permanecer comprometidos com o direito internacional e as regras internacionais, em vez de buscar a supremacia. Os antigos chineses acreditavam que “a lei é a base da governança”. A governança internacional deve ser baseada nas regras e consensos alcançados entre nós, não na ordem dada por um ou por poucos. A Carta das Nações Unidas são as normas básicas e universalmente reconhecidas que regem as relações entre os Estados. Sem o direito internacional e as regras internacionais que são formadas e reconhecidas pela comunidade global, o mundo pode voltar para a lei da selva, e a consequência seria devastadora para a humanidade.

Precisamos ser enérgicos em defender o estado de direito internacional e firmes em nossa determinação de salvaguardar o sistema internacional centrado na ONU e na ordem internacional baseada no direito internacional. As instituições multilaterais, que fornecem as plataformas para colocar o multilateralismo em ação e que são a arquitetura básica que sustenta o multilateralismo, devem ter sua autoridade e eficácia protegidas. As relações entre os Estados devem ser coordenadas e regulamentadas por meio de instituições e regras adequadas. O forte não deve intimidar o fraco. A decisão não deve ser tomada simplesmente exibindo músculos fortes ou acenando com o punho grande. O multilateralismo não deve ser usado como pretexto para atos de unilateralismo. Os princípios devem ser preservados e as regras, uma vez feitas, devem ser seguidas por todos. O “multilateralismo seletivo” não deve ser nossa opção.


Terceiro, devemos permanecer comprometidos com a consulta e cooperação, em vez de conflito e confronto. As diferenças de história, cultura e sistema social não devem ser uma desculpa para antagonismo ou confronto, mas sim um incentivo à cooperação. Devemos respeitar e acomodar as diferenças, evitar interferir nos assuntos internos de outros países e resolver divergências por meio de consulta e diálogo. A história e a realidade deixaram claro, uma e outra vez, que a abordagem equivocada de antagonismo e confronto, seja na forma de guerra fria, guerra quente, guerra comercial ou guerra tecnológica, acabaria prejudicando os interesses de todos os países e minando o bem de todos.

Devemos rejeitar a Guerra Fria desatualizada e a mentalidade de jogo de soma zero, aderir ao respeito mútuo e à busca pelo consenso, aumentando a confiança política por meio da comunicação estratégica. É importante que nos atenhamos ao conceito de cooperação baseado no benefício mútuo, digamos não às políticas mesquinhas e egoístas de empobrecer o vizinho e acabemos com a prática unilateral de manter as vantagens do desenvolvimento só para nós. Direitos iguais ao desenvolvimento devem ser garantidos a todos os países para promover o desenvolvimento comum e a prosperidade. Devemos defender a competição justa, como competir uns com os outros pela excelência em um campo de corrida, não derrotar uns aos outros em uma arena de luta livre.

Quarto, devemos permanecer comprometidos em acompanhar os tempos em vez de rejeitar as mudanças. O mundo está passando por mudanças nunca vistas em um século, e agora é a hora de grande desenvolvimento e grande transformação. Para defender o multilateralismo no século XXI, devemos promover sua nobre tradição, assumir novas perspectivas e olhar para o futuro. Precisamos defender os valores centrais e os princípios básicos do multilateralismo. Também precisamos nos adaptar ao cenário internacional em mudança e responder aos desafios globais à medida que eles surgem. Precisamos reformar e melhorar o sistema de governança global com base em ampla consulta e construção de consenso.


Precisamos desenvolver plenamente o papel da Organização Mundial da Saúde na construção de uma comunidade global de saúde para todos. Precisamos promover a reforma da Organização Mundial do Comércio e do sistema financeiro e monetário internacional de uma forma que estimule o crescimento econômico global e proteja os direitos, interesses e oportunidades de desenvolvimento dos países em desenvolvimento. Precisamos seguir uma orientação política centrada nas pessoas e baseada em fatos ao explorar e formular regras sobre governança digital global. Precisamos cumprir o Acordo de Paris sobre mudança climática e promover o desenvolvimento verde. Precisamos dar prioridade contínua ao desenvolvimento, implementar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e garantir que todos os países, especialmente os em desenvolvimento, compartilhem dos frutos do desenvolvimento global.

Senhoras e senhores,

Amigos,

Após décadas de esforços extenuantes do povo chinês, a China está em vias de terminar de construir uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos. Obtivemos ganhos históricos ao erradicar a pobreza extrema e embarcamos em uma nova jornada rumo à construção plena de um país socialista moderno. À medida que a China entra em um novo estágio de desenvolvimento, seguiremos uma nova filosofia de desenvolvimento e promoveremos um novo paradigma de desenvolvimento com a circulação doméstica como o esteio e as circulações doméstica e internacional reforçando-se mutuamente. A China trabalhará com outros países para construir um mundo aberto, inclusivo, limpo e bonito que desfrute de paz duradoura, segurança universal e prosperidade comum.

– A China continuará a participar ativamente da cooperação internacional no combate ao COVID-19. Conter o coronavírus é a tarefa mais urgente para a comunidade internacional. Isso porque as pessoas e suas vidas devem ser sempre colocadas antes de qualquer coisa. É também o que é necessário para estabilizar e reanimar a economia. Mais solidariedade e cooperação, mais compartilhamento de informações e uma resposta global mais forte são o que precisamos para derrotar o COVID-19 em todo o mundo. É especialmente importante aumentar a cooperação em Pesquisa e Desenvolvimento, produção e distribuição de vacinas e torná-las bens públicos que sejam verdadeiramente acessíveis e economicamente viáveis ​​para as pessoas em todos os países. Até agora, a China forneceu assistência a mais de 150 países e 13 organizações internacionais, enviou 36 equipes de especialistas médicos a países necessitados e manteve um forte apoio e um envolvimento ativo na cooperação internacional em vacinas COVID. A China continuará a compartilhar sua experiência com outros países, a fazer o seu melhor para ajudar os países e regiões que estão menos preparados para a pandemia e a trabalhar para maior acessibilidade e disponibilidade das vacinas COVID nos países em desenvolvimento. Esperamos que esses esforços contribuam para uma vitória rápida e completa sobre o coronavírus em todo o mundo.

– A China continuará a implementar uma estratégia de abertura onde todos ganham. A globalização econômica atende à necessidade de crescimento da produtividade social e é um resultado natural do avanço científico e tecnológico. Não interessa a ninguém usar a pandemia como desculpa para reverter a globalização e buscar o isolamento e o desacoplamento. Como apoiadora de longa data da globalização econômica, a China está empenhada em seguir sua política fundamental de abertura. A China continuará a promover a liberalização e a facilitação do comércio e do investimento, ajudará a manter as cadeias industriais e de abastecimento globais escorreitas e estáveis ​​e promoverá a cooperação de alta qualidade no âmbito do projeto “Um Cinturão e uma Rota”. A China promoverá a abertura institucional que abrange regras, regulamentos, gestão e padrões. Promoveremos um ambiente de negócios baseado nos princípios do mercado, regidos por lei e de acordo com os padrões internacionais, visando liberar o potencial do enorme mercado da China e da enorme demanda interna. Esperamos que esses esforços tragam mais oportunidades de cooperação a outros países e deem mais ímpeto à recuperação e ao crescimento econômico global.

– A China continuará a promover o desenvolvimento sustentável. A China implementará integralmente a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Ela fará mais na frente ecológica, transformando e melhorando sua estrutura industrial e matriz energética em um ritmo mais rápido e promovendo um modo de vida e produção verdes e de baixo carbono. Anunciei a meta da China de se esforçar para atingir a meta das emissões de dióxido de carbono antes de 2030 e alcançar a neutralidade de carbono antes de 2060. O cumprimento dessas metas exigirá um trabalho árduo da China. No entanto, acreditamos que quando os interesses de toda a humanidade estão em jogo, a China deve dar um passo à frente, agir e fazer o trabalho. A China está elaborando planos de ação e já tomando medidas específicas para garantir o cumprimento das metas estabelecidas. Estamos fazendo isso como uma ação concreta para defender o multilateralismo e como uma contribuição para proteger nossa casa comum e realizar o desenvolvimento sustentável da humanidade.

– A China continuará avançando em ciência, tecnologia e inovação científica, tecnologia e inovação são um motor fundamental para o progresso humano, uma arma poderosa para enfrentar muitos desafios globais e a única maneira de a China promover um novo paradigma de desenvolvimento e alcançar um desenvolvimento de alta qualidade. A China investirá mais em ciência e tecnologia, desenvolverá um sistema que possibilite a inovação como prioridade, transformará avanços em ciência e tecnologia em produtividade real em um ritmo mais rápido e aumentará a proteção da propriedade intelectual, tudo com o propósito de promover maior inovação e crescimento de qualidade. Os avanços científicos e tecnológicos devem beneficiar toda a humanidade, em vez de serem usados ​​para barrar e conter o desenvolvimento de outros países. A China pensará e agirá com mais abertura no que diz respeito ao intercâmbio e cooperação internacional em ciência e tecnologia. Trabalharemos com outros países para criar um ambiente justo, equitativo e não discriminatório para o avanço científico e tecnológico que seja benéfico a todos e compartilhado por todos.

– A China continuará a promover um novo tipo de relações internacionais. O jogo de soma zero ou de “o vencedor leva tudo” não é a filosofia que norteia o povo chinês. Como seguidora convicta de uma política externa independente e de paz, a China está trabalhando duro para superar as diferenças por meio do diálogo e resolver disputas por meio da negociação e para buscar relações amigáveis ​​e cooperativas com outros países com base no respeito mútuo, igualdade e benefício mútuo. Como membro constante dos países em desenvolvimento, a China aprofundará ainda mais a cooperação Sul-Sul e contribuirá para os esforços dos países em desenvolvimento para erradicar a pobreza, reduzir o peso da dívida e alcançar mais crescimento. A China se envolverá mais ativamente na governança econômica global e pressionará por uma globalização econômica que seja mais aberta, inclusiva, equilibrada e benéfica para todos.

Senhoras e senhores,

Amigos,

Existe apenas uma Terra e um futuro compartilhado para a humanidade. Enquanto enfrentamos a crise atual e nos esforçamos para que venham dias melhores para todos, precisamos permanecer unidos e trabalhar juntos. Foi-nos mostrado uma e outra vez que empobrecer o próximo, seguir sozinho e cair em um isolamento arrogante sempre falhará. Vamos todos dar as mãos e deixar que o multilateralismo ilumine nosso caminho em direção a uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade.

Obrigado.

Tradução livre da Redação


Wevergton Brito
Jornalista, vice-presidente nacional do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade ao Povos e Luta pela Paz)

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Xi Jinping - Discurso em Davos - áudio traduzido em Espanhol e texto em inglês

 


(Translation)

XINHUA

Let the Torch of Multilateralism Light up Humanity’s Way Forward

Special Address by H.E. Xi Jinping 

President of the People’s Republic of China 

At the World Economic Forum Virtual Event of the Davos Agenda

25 January 2021

Professor Klaus Schwab, 

Ladies and Gentlemen, 

Friends,

The past year was marked by the sudden onslaught of the COVID-19 pandemic. Global public health faced severe threat and the world economy was mired in deep recession. Humanity encountered multiple crises rarely seen in human history.

The past year also bore witness to the enormous resolve and courage of people around the world in battling the deadly coronavirus. Guided by science, reason and a humanitarian spirit, the world has achieved initial progress in fighting COVID-19. That said, the pandemic is far from over. The recent resurgence in COVID cases reminds us that we must carry on the fight. Yet we remain convinced that winter cannot stop the arrival of spring and darkness can never shroud the light of dawn. There is no doubt that humanity will prevail over the virus and emerge even stronger from this disaster.

Ladies and Gentlemen, 

Friends,

History is moving forward and the world will not go back to what it was in the past. Every choice and move we make today will shape the world of the future. It is important that we properly address the four major tasks facing people of our times.

The first is to step up macroeconomic policy coordination and jointly promote strong, sustainable, balanced and inclusive growth of the world economy. We are going through the worst recession since the end of World War II. For the first time in history, the economies of all regions have been hit hard at the same time, with global industrial and supply chains clogged and trade and investment down in the doldrums. Despite the trillions of dollars in relief packages worldwide, global recovery is rather shaky and the outlook remains uncertain. We need to focus on current priorities, and balance COVID response and economic development. Macroeconomic policy support should be stepped up to bring the world economy out of the woods as early as possible. More importantly, we need to look beyond the horizon and strengthen our will and resolve for change. We need to shift the driving forces and growth models of the global economy and improve its structure, so as to set the course for long-term, sound and steady development of the world economy.

The second is to abandon ideological prejudice and jointly follow a path of peaceful coexistence, mutual benefit and win-win cooperation. No two leaves in the world are identical, and no histories, cultures or social systems are the same. Each country is unique with its own history, culture and social system, and none is superior to the other. The best criteria are whether a country’s history, culture and social system fit its particular situation, enjoy people’s support, serve to deliver political stability, social progress and better lives, and contribute to human progress. The different histories, cultures and social systems are as old as human societies, and they are the inherent features of human civilization. There will be no human civilization without diversity, and such diversity will continue to exist for as long as we can imagine. Difference in itself is no cause for alarm. What does ring the alarm is arrogance, prejudice and hatred; it is the attempt to impose hierarchy on human civilization or to force one’s own history, culture and social system upon others. The right choice is for countries to pursue peaceful coexistence based on mutual respect and on expanding common ground while shelving differences, and to promote exchanges and mutual learning. This is the way to add impetus to the progress of human civilization. 

The third is to close the divide between developed and developing countries and jointly bring about growth and prosperity for all. Today, inequality continues to grow, the North-South gap remains to be bridged, and sustainable development faces severe challenges. As countries grapple with the pandemic, their economic recoveries are following divergent trajectories, and the North-South gap risks further widening and even perpetuation. For developing countries, they are aspiring for more resources and space for development, and they are calling for stronger representation and voice in global economic governance. We should recognize that with the growth of developing countries, global prosperity and stability will be put on a more solid footing, and developed countries will stand to benefit from such growth. The international community should keep its eyes on the long run, honor its commitment, and provide necessary support to developing countries and safeguard their legitimate development interests. Equal rights, equal opportunities and equal rules should be strengthened, so that all countries will benefit from the opportunities and fruits of development.

The fourth is to come together against global challenges and jointly create a better future for humanity. In the era of economic globalization, public health emergencies like COVID-19 may very well recur, and global public health governance needs to be enhanced. The Earth is our one and only home. To scale up efforts to address climate change and promote sustainable development bears on the future of humanity. No global problem can be solved by any one country alone. There must be global action, global response and global cooperation.

Ladies and Gentlemen, 

Friends,

The problems facing the world are intricate and complex. The way out of them is through upholding multilateralism and building a community with a shared future for mankind.

First, we should stay committed to openness and inclusiveness instead of closeness and exclusion.Multilateralism is about having international affairs addressed through consultation and the future of the world decided by everyone working together. To build small circles or start a new Cold War, to reject, threaten or intimidate others, to willfully impose decoupling, supply disruption or sanctions, and to create isolation or estrangement will only push the world into division and even confrontation. We cannot tackle common challenges in a divided world, and confrontation will lead us to a dead end. Humanity has learned lessons the hard way, and that history is not long gone. We must not return to the path of the past.

The right approach is to act on the vision of a community with a shared future for mankind. We should uphold the common values of humanity, i.e. peace, development, equity, justice, democracy and freedom, rise above ideological prejudice, make the mechanisms, principles and policies of our cooperation as open and inclusive as possible, and jointly safeguard world peace and stability. We should build an open world economy, uphold the multilateral trading regime, discard discriminatory and exclusionary standards, rules and systems, and take down barriers to trade, investment and technological exchanges. We should strengthen the G20 as the premier forum for global economic governance, engage in closer macroeconomic policy coordination, and keep the global industrial and supply chains stable and open. We should ensure the sound operation of the global financial system, promote structural reform and expand global aggregate demand in an effort to strive for higher quality and stronger resilience in global economic development.

Second, we should stay committed to international law and international rules instead of seeking one’s own supremacy. Ancient Chinese believed that “the law is the very foundation of governance”. International governance should be based on the rules and consensus reached among us, not on the order given by one or the few. The Charter of the United Nations is the basic and universally recognized norms governing state-to-state relations. Without international law and international rules that are formed and recognized by the global community, the world may fall back to the law of the jungle, and the consequence would be devastating for humanity.

We need to be resolute in championing the international rule of law, and steadfast in our resolve to safeguard the international system centered around the UN and the international order based on international law. Multilateral institutions, which provide the platforms for putting multilateralism into action and which are the basic architecture underpinning multilateralism, should have their authority and effectiveness safeguarded. State-to-state relations should be coordinated and regulated through proper institutions and rules. The strong should not bully the weak. Decision should not be made by simply showing off strong muscles or waving a big fist. Multilateralism should not be used as pretext for acts of unilateralism. Principles should be preserved and rules, once made, should be followed by all. “Selective multilateralism” should not be our option.

Third, we should stay committed to consultation and cooperation instead of conflict and confrontation.Differences in history, culture and social system should not be an excuse for antagonism or confrontation, but rather an incentive for cooperation. We should respect and accommodate differences, avoid meddling in other countries’ internal affairs, and resolve disagreements through consultation and dialogue. History and reality have made it clear, time and again, that the misguided approach of antagonism and confrontation, be it in the form of cold war, hot war, trade war or tech war, would eventually hurt all countries’ interests and undermine everyone’s well-being.

We should reject the outdated Cold War and zero-sum game mentality, adhere to mutual respect and accommodation, and enhance political trust through strategic communication. It is important that we stick to the cooperation concept based on mutual benefit, say no to narrow-minded, selfish beggar-thy-neighbor policies, and stop unilateral practice of keeping advantages in development all to oneself. Equal rights to development should be guaranteed for all countries to promote common development and prosperity. We should advocate fair competition, like competing with each other for excellence in a racing field, not beating each other on a wrestling arena.

Fourth, we should stay committed to keeping up with the times instead of rejecting change. The world is undergoing changes unseen in a century, and now is the time for major development and major transformation. To uphold multilateralism in the 21st century, we should promote its fine tradition, take on new perspectives and look to the future. We need to stand by the core values and basic principles of multilateralism. We also need to adapt to the changing international landscape and respond to global challenges as they arise. We need to reform and improve the global governance system on the basis of extensive consultation and consensus-building.

We need to give full play to the role of the World Health Organization in building a global community of health for all. We need to advance reform of the World Trade Organization and the international financial and monetary system in a way that boosts global economic growth and protects the development rights, interests and opportunities of developing countries. We need to follow a people-centered and fact-based policy orientation in exploring and formulating rules on global digital governance. We need to deliver on the Paris Agreement on climate change and promote green development. We need to give continued priority to development, implement the 2030 Agenda for Sustainable Development, and make sure that all countries, especially developing ones, share in the fruits of global development.

Ladies and Gentlemen, 

Friends,

After decades of strenuous efforts by the Chinese people, China is on course to finish building a moderately prosperous society in all respects. We have made historic gains in ending extreme poverty, and have embarked on a new journey toward fully building a modern socialist country. As China enters a new development stage, we will follow a new development philosophy and foster a new development paradigm with domestic circulation as the mainstay and domestic and international circulations reinforcing each other. China will work with other countries to build an open, inclusive, clean and beautiful world that enjoys lasting peace, universal security and common prosperity.

— China will continue to take an active part in international cooperation on COVID-19. Containing the coronavirus is the most pressing task for the international community. This is because people and their lives must always be put before anything else. It is also what it takes to stabilize and revive the economy. Closer solidarity and cooperation, more information sharing, and a stronger global response are what we need to defeat COVID-19 across the world. It is especially important to scale up cooperation on the R&D, production and distribution of vaccines and make them public goods that are truly accessible and affordable to people in all countries. By now, China has provided assistance to over 150 countries and 13 international organizations, sent 36 medical expert teams to countries in need, and stayed strongly supportive and actively engaged in international cooperation on COVID vaccines. China will continue to share its experience with other countries, do its best to assist countries and regions that are less prepared for the pandemic, and work for greater accessibility and affordability of COVID vaccines in developing countries. We hope these efforts will contribute to an early and complete victory over the coronavirus throughout the world.

— China will continue to implement a win-win strategy of opening-up. Economic globalization meets the need of growing social productivity and is a natural outcome of scientific and technological advancement. It serves no one’s interest to use the pandemic as an excuse to reverse globalization and go for seclusion and decoupling. As a longstanding supporter of economic globalization, China is committed to following through on its fundamental policy of opening-up. China will continue to promote trade and investment liberalization and facilitation, help keep the global industrial and supply chains smooth and stable, and advance high-quality Belt and Road cooperation. China will promote institutional opening-up that covers rules, regulations, management and standards. We will foster a business environment that is based on market principles, governed by law and up to international standards, and unleash the potential of the huge China market and enormous domestic demand. We hope these efforts will bring more cooperation opportunities to other countries and give further impetus to global economic recovery and growth.

— China will continue to promote sustainable development. China will fully implement the 2030 Agenda for Sustainable Development. It will do more on the ecological front, by transforming and improving its industrial structure and energy mix at a faster pace and promoting a green, low-carbon way of life and production. I have announced China’s goal of striving to peak carbon dioxide emissions before 2030 and achieve carbon neutrality before 2060. Meeting these targets will require tremendous hard work from China. Yet we believe that when the interests of the entire humanity are at stake, China must step forward, take action, and get the job done. China is drawing up action plans and taking specific measures already to make sure we meet the set targets. We are doing this as a concrete action to uphold multilateralism and as a contribution to protecting our shared home and realizing sustainable development of humanity.

— China will continue to advance science, technology and innovation. Science, technology and innovation is a key engine for human progress, a powerful weapon in tackling many global challenges, and the only way for China to foster a new development paradigm and achieve high-quality development. China will invest more in science and technology, develop an enabling system for innovation as a priority, turn breakthroughs in science and technology into actual productivity at a faster pace, and enhance intellectual property protection, all for the purpose of fostering innovation-driven, higher-quality growth. Scientific and technological advances should benefit all humanity rather than be used to curb and contain other countries’ development. China will think and act with more openness with regard to international exchange and cooperation on science and technology. We will work with other countries to create an open, fair, equitable and non-discriminatory environment for scientific and technological advancement that is beneficial to all and shared by all.

— China will continue to promote a new type of international relations. Zero-sum game or winner-takes-all is not the guiding philosophy of the Chinese people. As a staunch follower of an independent foreign policy of peace, China is working hard to bridge differences through dialogue and resolve disputes through negotiation and to pursue friendly and cooperative relations with other countries on the basis of mutual respect, equality and mutual benefit. As a steadfast member of developing countries, China will further deepen South-South cooperation, and contribute to the endeavor of developing countries to eradicate poverty, ease debt burden, and achieve more growth. China will get more actively engaged in global economic governance and push for an economic globalization that is more open, inclusive, balanced and beneficial to all.

Ladies and Gentlemen, 

Friends,

There is only one Earth and one shared future for humanity. As we cope with the current crisis and endeavor to make a better day for everyone, we need to stand united and work together. We have been shown time and again that to beggar thy neighbor, to go it alone, and to slip into arrogant isolation will always fail. Let us all join hands and let multilateralism light our way toward a community with a shared future for mankind.

Thank you.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Discurso de Xi Jinping de Feliz 2021 - completo e traduzido para o português e o inglês


Fonte: CRI Português e CGTN no Youtube



Nesta véspera de ano novo, o presidente da China, Xi Jinping, proferiu um discurso pela passagem do ano novo de 2021, através do Grupo de Mídia da China (CMG, sigla em inglês) e da Internet.

Camaradas, amigos, senhoras e senhores,

Olá a todos! O ano de 2021 está se aproximando. Gostaria de enviar a todos meus melhores votos do ano novo daqui de Beijing.

O ano de 2020 foi realmente extraordinário. Diante do surto de novo coronavírus, nós encarnamos o grande amor da Humanidade com a noção de supremacia do povo e da vida, escrevendo a epopeia heroica com o espírito de solidariedade e persistência. Nesses dias em que enfrentamos em conjunto as dificuldades, testemunhamos a coragem de marchar ao epicentro da epidemia, a persistência de ser valente e perseverante, a responsabilidade de compartilhar as penalidades e as dificuldades, o sacrifício sem vacilo e comoção de ajudas mútuas. Desde médicos e enfermeiros a soldados do povo, pesquisadores e cientistas a trabalhadores de comunidades residenciais, voluntários a construtores, e idosos com idade superior a 70 anos a jovens que nasceram nas décadas de 1990 e 2000, inúmeras pessoas arriscaram suas vidas para completar sua missão e salvar outros com amor. Os esforços individuais são concentrados em uma força maior, como uma parede de ferro para defender a vida. O grande espírito de luta contra a pandemia reside nas figuras que avançam desafiando o perigo, no revezamento de corações unidos e de mãos dadas, e nas cenas que comoveram a todos.

A grande causa nasce do ordinário e heróis vêm do povo. Todos são extraordinários! Gostaria de expressar condolências a todos os infectados e mostrar meu respeito às pessoas comuns, mas heroicas. Estou orgulhoso com a nossa grande pátria, o grande povo e o espírito da nação que busca constantemente pelo autofortalecimento.

A coragem tenaz nasce da dificuldade e o jade perfeito vem do polimento. Obtivemos grande conquista na prevenção e controle da epidemia e no desenvolvimento socioeconômico, ao superar os impactos trazidos pela doença. Concluímos com sucesso o 13º Plano Quinquenal, dando início ao delineamento completo do 14º Plano Quinquenal. A nova estrutura de desenvolvimento tem sido estabelecida de forma acelerada e o desenvolvimento de alta qualidade continua sendo implementado. Somos o primeiro país entre as principais economias do mundo a conseguir o crescimento do PIB com a previsão de atingir um novo patamar de 100 trilhões de yuans no ano de 2020. A produção agrícola conseguiu safra em 17 anos consecutivos, enquanto as explorações científicas conquistaram um grande avanço com o lançamento bem-sucedido da sonda de Marte “Tianwen-1”, sonda lunar “Chang’e-5” e submersível tripulado “Fendouzhe”. A construção do porto de livre comércio de Hainan tem sido promovida de forma robusta. Neste ano, superamos a grave inundação e diminuímos ao máximo os danos, graças à solidariedade entre setores civil e militar. Em visita a 13 províncias, regiões autônomas e municípios, fiquei contente em ver os trabalhos meticulosos de colocar em prática as medidas de prevenção e controle da epidemia, os esforços de recuperar a produção aproveitando cada segundo, e a determinação de fazer tudo possível em busca da inovação e da criatividade. O país conta com uma atmosfera de autoconfiança, autofortalecimento, persistência, senso de urgência e vigor.

Em 2020, o país obteve conquistas notáveis históricas na construção de uma sociedade moderadamente próspera e um sucesso decisivo na luta de alívio da pobreza. Promovemos a batalha final às fortalezas da pobreza profunda, conseguindo roer os ossos mais duros. Com esforços de oito anos, toda a população rural com cerca de 100 milhões se livrou da pobreza de acordo com o padrão vigente enquanto 832 distritos empobrecidos deixaram de ter rótulo de “distrito pobre”. Visitei nestes anos, 14 áreas contíguas intensivas de pobreza absoluta. Surgiram sempre na minha cabeça, as imagens dos aldeões locais com vontade de persistir e dos quadros que deram todas as contribuições ao ajudar os pobres. Devemos ater-nos firme e resolutamente às nossas metas e trabalhar duro com os pés no chão, nos esforçando para pintar uma imagem bela e gigantesca da vitalização das zonas rurais, rumo à prosperidade comum a passos firmes.

Este ano, celebramos solenemente os 40 anos do estabelecimento de zonas econômicas especiais, incluindo a de Shenzhen e o 30º aniversário da Abertura e Desenvolvimento da Nova Área de Pudong. Ficando no litoral sul do país, com marés da primavera, e na beira do rio Huangpu, com aparência diversificada, fiquei com sentimentos e emoções misturados ao ver que as zonas pilotos se tornaram pioneiros e exemplares e a exploração da inovação se transformou em liderança pela inovação. A Reforma e Abertura criou um milagre de desenvolvimento e vamos continuar a escrever mais “histórias da primavera” por meio do aprofundamento da reforma e a ampliação da abertura com maior coragem.

Com boa qualidade moral, ninguém vai ficar sozinho e todo o mundo sob o céu é uma família. Ao experimentar todas as dificuldades decorrentes deste ano, compreendemos o significado da comunidade de futuro compartilhado para Humanidade de forma mais profunda, comparando com qualquer outro momento histórico. Conversei muito com velhos amigos no âmbito internacional e participei de várias reuniões pela internet, ocasiões em que o tema mais discutido foi ajuda mútua e a união na luta contra a pandemia. Ainda temos tarefas pesadas e um caminho longo no combate à pandemia. Os povos de todos os países devem ficar de mãos dadas aos superar as dificuldades e tempestades em prol da dissipação de neblinas epidêmicas o quanto antes e construir um lar na Terra ainda mais feliz.

O ano 2021 marcará os 100 anos de aniversário do Partido Comunista da China. O caminho nestes 100 anos é notável e a inspiração inicial neste centenário resiste ao teste do tempo e fica ainda mais forte. De Shikumen, em Shanghai, para Nanhu, em Jiaxing, uma barca vermelha pequenina, carregando a grande missão conferida pelo povo e esperança da nação, rompeu torrentes e corredeiras traiçoeiras e atravessou ondas agitadas, se transformando em um navio gigantesco que lidera a China a navegar estavelmente para longe. Devemos levar em consideração a causa eterna do Partido que está ainda no seu auge apesar de completar um centenário. Ao sustentar o conceito de desenvolvimento centrado no povo, manter a inspiração original e ter a missão em mente, navegando em mares violentos, conseguiremos com certeza a grande revitalização da nação chinesa.

Em um ponto de convergência histórica de dois centenários, vamos começar em breve a nova marcha para construção abrangente de um país socialista modernizado. Neste caminho longo, a luta é a única escolha. A luta nos fez superar todos os obstáculos e passar milhares de rios e montanhas e vai nos levar a continuar progredindo corajosamente em busca de um futuro ainda mais brilhante.

Neste momento, com luzes ornamentais que acabaram de acender e a reunião de milhares de famílias, desejo sinceramente, às vésperas do ano novo, a permanência da paisagem pitoresca das montanhas e rios, prosperidade à nação e segurança ao povo. Espero que a harmonia traga boa sorte e a vida seja feliz.

Obrigado a todos!

terça-feira, 22 de julho de 2014

Fidel Castro: É hora de conhecer um pouco mais a realidade - Fidel Castro sobre a Cúpula dos BRICS

 Blog da Resistência

Pedi aos editores do “Granma” que me dispensem nesta ocasião da honra de publicar o que vou escrever na primeira página do órgão oficial de nosso Partido, pois penso expressar pontos de vista pessoais sobre temas que, por conhecidas razões de saúde e de tempo, não pude apresentar nos órgãos coletivos de direção do Partido e do Estado, como os Congressos do Partido, ou as reuniões pertinentes da Assembleia Nacional do Poder Popular.

Por Fidel Castro, no jornal “Granma”



Em nossa época os problemas são cada vez mais complexos e as notícias se propagam com a velocidade da luz, como muitos sabem. Nada ocorre hoje em nosso mundo que não nos ensine algo a todos os que desejamos e ainda somos capazes de compreender novas realidades.
O ser humano é uma estranha mistura de instintos cegos, por um lado, e de consciências, por outro.

"Presidentes dos países Brics"



Somos animais políticos, como não sem razão afirmou Aristóteles, que quiçá influiu mais do que nenhum outro filósofo da antiguidade no pensamento da humanidade através de quase 200 tratados, segundo se afirma, dos quais se conservaram apenas 31. Seu mestre foi Platão, o qual legou para a posteridade sua famosa utopia sobre o Estado Ideal, que em Siracusa, onde tratou de aplicá-lo, quase lhe custa a vida.

Sua Teoria Política ficou como apelativo para qualificar as ideias como más ou boas. Os reacionários a utilizaram para qualificar tanto Marx, como Lênin, de teóricos, sem tomar em conta que suas utopias inspiraram a Rússia e a China, os dois países chamados a encabeçar um mundo novo que permitiria a sobrevivência humana se o imperialismo não desatar antes uma criminosa e exterminadora guerra.

A União Soviética, o Campo Socialista, a República Popular da China e a Coreia do Norte nos ajudaram a resistir com abastecimentos essenciais e armas, ao bloqueio econômico implacável dos Estados Unidos, o império mais poderoso de todos os tempos. Apesar de seu imenso poder, não pôde esmagar o pequeno país que a poucas milhas de suas costas resistiu durante mais de meio século às ameaças, aos ataques piratas, sequestros de barcos pesqueiros e afundamentos de navios mercantes, destruição em pleno voo do avião da Cubana de Aviação em Barbados, incêndio de escolas e outros delitos. Quando tentou invadir nosso país com forças mercenárias na vanguarda, transportadas em barcos de guerra dos Estados Unidos como primeira etapa, foi derrotado em menos de 72 horas. Mais tarde os bandos contrarrevolucionários, organizados e equipados por eles, cometeram atos de vandalismo que provocaram a perda da vida ou da integridade física de milhares de compatriotas.

No estado da Flórida se localizou a maior base de atividades contra outro país que existia naquele momento. Com o passar do tempo o bloqueio econômico se estendeu aos países da Otan e outros muitos aliados da América Latina, que foram durante os primeiros anos cúmplices da criminosa política do império, que despedaçou os sonhos de Bolívar, Martí e centenas de grandes patriotas de irredutível conduta revolucionária na América Latina.

A nosso pequeno país não só se negava seu direito a ser uma nação independente, como a qualquer outro dos numerosos Estados da América Latina e do Caribe, explorados e saqueados por eles, mas também o direito à independência de nossa Pátria que seria totalmente despojado, quando o destino manifesto concluía sua tarefa de anexar nossa ilha ao território dos Estados Unidos da América do Norte.

Na recém concluída reunião de Fortaleza se aprovou uma importante Declaração entre os países que integram o grupo Brics.

Os Brics propõem uma maior coordenação macroeconômica entre as principais economias, em particular no G-20, como um fator fundamental para o fortalecimento das perspectivas de uma recuperação efetiva e sustentável em todo o mundo.

"Presidentes dos Brics reúnem-se com presidentes de países da Unasul"



Anunciaram a assinatura do Acordo constitutivo do Novo Banco de Desenvolvimento, com a finalidade de mobilizar recursos para projetos de infraestrutura e de desenvolvimento sustentável dos países Brics e outras economias emergentes e em desenvolvimento.

O Banco terá um capital inicial autorizado de 100 bilhões de dólares. O capital inicial subscrito será de 50 bilhões de dólares, dividido em partes iguais entre os membros fundadores. O primeiro presidente da Junta de Governadores será da Rússia. O primeiro presidente do Conselho de Administração será do Brasil. O primeiro presidente do Banco será da Índia. A sede do Banco será em Xangai.

Anunciaram também a assinatura de um Tratado para o estabelecimento de um Fundo Comum de Reservas de Divisas para situações de contingência, com um tamanho inicial de 100 bilhões de dólares.

Reafirmam o apoio a um sistema multilateral de comércio aberto, transparente, inclusivo e não discriminatório; assim como a conclusão exitosa da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Reconhecem o importante papel que as empresas estatais desempenham na economia; assim como o das pequenas e médias empresas como criadores de emprego e riqueza.

Reafirmam a necessidade de uma reforma integral das Nações Unidas, incluído seu Conselho de Segurança, com a finalidade de torná-lo mais representativo, eficaz e eficiente, de maneira que possa responder adequadamente aos desafios globais.

Reiteraram sua condenação ao terrorismo em todas as suas formas e manifestações, onde quer que ocorra; e expressaram preocupação pela contínua ameaça do terrorismo e do extremismo na Síria, ao mesmo tempo que chamaram todas as partes sírias a que se comprometam a pôr fim aos atos terroristas perpetrados pela Al-Qaeda, seus filiados e outras organizações terroristas.

Condenaram energicamente o uso de armas químicas em qualquer circunstância; e deram boas-vindas à decisão da República Árabe Síria de aderir à Convenção sobre Armas Químicas.

Reafirmaram o compromisso de contribuir a uma justa e duradoura solução global do conflito árabe-israelense sobre a base do marco legal internacional universalmente reconhecido, incluindo as resoluções pertinentes das Nações Unidas, os Princípios de Madri e a Iniciativa de Paz Árabe; e expressaram apoio à convocação, na data mais próxima possível, da Conferência sobre o estabelecimento de uma zona do Oriente Médio livre de armas nucleares e outras armas de destruição em massa.

Reafirmaram a vontade de que a exploração e utilização do espaço extraterrestre deve ser para fins pacíficos.

"Reunião da cúpula do Brics"



Reiteraram que não há alternativa a uma solução negociada para a questão nuclear iraniana e reafirmaram apoio a sua solução através de meios políticos e diplomáticos.

Expressaram preocupação pela situação no Iraque e apoiaram o governo iraquiano em seus esforços para superar a crise, defender a soberania nacional e a integridade territorial.

Expressaram preocupação pela situação na Ucrânia e fizeram um chamamento por um diálogo amplo, a diminuição do conflito e a moderação de todos os atores envolvidos, com a finalidade de encontrar uma solução política pacífica.

Reiteraram a firme condenação ao terrorismo em todas as suas formas e manifestações. Assinalaram que as Nações Unidas têm um papel central na coordenação da ação internacional contra o terrorismo, que deve ser levada a cabo conforme o direito internacional, incluída a Carta das Nações Unidas, e o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais.

Reconheceram que a mudança climática é um dos maiores desafios que a humanidade enfrenta, e fizeram um chamamento a todos os países a construir sobre as decisões adotadas na Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (CMNUCC), com vistas a chegar a uma conclusão exitosa para o ano de 2015 das negociações no desenvolvimento de um protocolo, outro instrumento legal ou um resultado acordado com força legal sob a Convenção aplicável a todas as Partes, de conformidade com os princípios e disposições da CMNUCC, em particular o princípio das responsabilidades comuns mas diferenciadas e suas respectivas capacidades.

Expressaram a importância estratégica da educação para o desenvolvimento sustentável e o crescimento econômico inclusivo; assim como destacaram o vínculo entre a cultura e o desenvolvimento sustentável.

A próxima Cúpula dos Brics será na Rússia, em julho de 2015.

Pareceria que se trata de mais um acordo entre os muitos que aparecem constantemente nos despachos das principais agências ocidentais de imprensa. Contudo, o significado é claro e rotundo: A América Latina é a área geográfica do mundo onde os Estados Unidos impuseram o sistema mais desigual do planeta, o desfrute de suas riquezas internas, o fornecimento de matérias primas baratas, comprador de suas mercadorias e o depositante privilegiado de seu ouro e seus fundos que escapam de seus respectivos países e são investidos pelas companhias norte-americanas no país ou em qualquer lugar do mundo.

Nunca ninguém encontrou uma resposta capaz de satisfazer as exigências do mercado real que hoje conhecemos, mas tampouco poderia duvidar-se de que a humanidade marcha para uma etapa mais justa do que até nossos tempos tem sido a sociedade humana.

Repugnam os abusos cometidos ao longo da história. Hoje o que se avalia é o que sucederá em nosso planeta globalizado em um futuro próximo. Como poderiam escapar os seres humanos da ignorância, da carência de recursos elementares para alimentação, saúde, educação, habitação, emprego decente, segurança e remuneração justa. O que é mais importante, se isto será possível ou não, neste minúsculo rincão do Universo. Se meditar sobre isto serve para algo, será para garantir na realidade a supremacia do ser humano.

Por minha parte, não abrigo a menor dúvida de que quando o presidente Xi Jinping termine as atividades para concluir seu giro neste hemisfério, assim como o presidente da Federação Russa, Vladimir Pútin, ambos os países estarão culminando uma das maiores proezas da história humana.

Na Declaração dos Brics, aprovada em 15 de julho de 2014 em Fortaleza, defende-se uma maior participação de outros países, especialmente os que lutam por seu desenvolvimento com vistas a fomentar a cooperação e a solidariedade com os povos e de modo particular com os da América do Sul, assinala-se em um significativo parágrafo que os Brics reconhecem em particular a importância da União das Nações Sul-americanas (Unasul) na promoção da paz e da democracia na região, na conquista do desenvolvimento sustentável e na erradicação da pobreza.

Já fui bastante extenso, apesar de que a amplitude e a importância do tema demandavam a análise de importantes questões que requeriam alguma réplica.

Pensava que nos dias subsequentes haveria um pouco mais de análise séria sobre a importância da Cúpula dos Brics. Bastaria somar os habitantes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul para compreender que totalizam neste momento a metade da população mundial. Em poucas décadas o Produto Interno Bruto da China superará o dos Estados Unidos; muitos Estados já solicitam iuans e não dólares, não só o Brasil, mas vários dos mais importantes da América Latina, cujos produtos como a soja e o milho competem com os da América do Norte. O aporte que a Rússia e a China podem fazer na ciência, na tecnologia e no desenvolvimento econômico da América do Sul e do Caribe é decisivo.

Os grandes acontecimentos da história não se forjam em um dia. Enormes provas e desafios de crescente complexidade se vislumbram no horizonte. Entre a China e a Venezuela foram assinados 38 acordos de cooperação. É hora de conhecer um pouco mais as realidades.

Fidel Castro Ruz

21 de julho de 2014, às 22h15

Fonte: Jornal "Granma"

Tradução: José Reinaldo Carvalho, editor do Portal Vermelho

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