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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Dirigente da CTB recebe título de cidadão de Salvador - Portal CTB

Dirigente da CTB recebe título de cidadão de Salvador

 
 30 Julho 2014
batista1
“Batista, guerreiro do povo brasileiro”. Foi com esta saudação, que o dirigente nacional da CTB, João Batista Lemos, foi recepcionado no plenário da Câmara de Municipal de Salvador, na noite desta terça-feira (29), onde recebeu o título de cidadão soteropolitano. A homenagem, de iniciativa do vereador Everaldo Augusto (PCdoB), atendeu a um anseio do movimento sindical classista na Bahia, que recebeu grande colaboração de Batista para o seu fortalecimento.

A relevância da contribuição de Batista foi tema da fala de todos os oradores do evento, que ressaltaram a influência positiva e a sensatez das intervenções do sindicalista em momentos importantes da luta dos trabalhadores baianos. “Nós estamos aqui homenageando um operário, que mesmo em difíceis condições se arriscou para defender os interesses da classe operária. Batista não se abateu com as ameaças e perseguições da ditadura militar, persistindo na luta. Ele é um dos quadros mais destacados do movimento sindical do Brasil”, afirmou o vereador Everaldo Augusto.

O presidente nacional da CTB, Adilson Araújo, também destacou a importância da atuação do homenageado. “Batista é um homem imprescindível, seja pelo caráter e personalidade ou pelo papel que exerce junto ao movimento operário deste país. Ele é do tempo em que os dirigentes sindicais eram fichados e perseguidos. Passou por etapas importantes da luta dos trabalhadores e foi fundamental na construção da CTB, que hoje tem 1.121 sindicatos filiados e atua como protagonista no movimento sindical brasileiro. Batista sempre fez crer que poderíamos dar um passo a diante na luta pela construção de um mundo novo e melhor. Esta é uma justa homenagem”.

“Eu me sinto muito honrado com esta homenagem. Quando olhei para o plenário e a mesa, passou um filme na minha cabeça e lembrei de muitas lutas aqui no estado, com lideranças que estão aqui e outras que já se foram, como Washington de Souza, Paulo Colombiano e Wilson Furtado. Eu sempre me inspirei na atuação do movimento sindical da Bahia. Quando queria saber para onde a gente estava caminhando, eu vinha aqui primeiro. Por isso, me sinto mais honrado com este título”, agradeceu Batista Lemos.

Batista afirmou ainda que a homenagem revigorou suas forças para continuar lutando para tornar o Brasil uma nação socialista. ”Nesta luta tem muita adversidade. Então, quando a gente é homenageado, revigora as forças. Ainda mais aqui na Bahia, que foi vanguarda na construção na construção da Corrente Sindical Classista, na criação da CTB”.

Ascom CTB Bahia

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Tentativa de cerceamento à democracia fracassa e Ato Político da Convenção do PCdoB-RJ reúne milhares - PCdoB RJ



Ao chegar ao Via Show, local da Convenção Eleitoral do PCdoB-RJ ocorrida hoje em São João de Meriti, três faixas gigantescas anunciavam a disposição de luta dos comunistas fluminenses: Avançar nas Mudanças com Dilma e Lindberg. Os comunistas, em clima de grande unidade aprovaram todas as resoluções por unanimidade e o ato político já estava em preparação, com centenas de pessoas chegando, militantes do Partido e convidados do PT, PSB e do PV, quando, em atitude inédita, um batalhão de fiscais do TRE tentou, em vão, fazer o ato ser cancelado, pretextando, “propaganda eleitoral antecipada”. O que chama a atenção, entre outras coisas, é que nos dias anteriores e no próprio dia 26 ocorreram diversas convenções, sendo que em nenhuma houve qualquer coisa parecida. O presidente do PMDB-RJ promoveu o AEZÃO, com a presença de mais de 60 prefeitos para fazer campanha para o candidato tucano à presidência e o TRE não considerou isso “propaganda antecipada”.

É claro que tão descabida tentativa de cerceamento à democracia foi derrotada e a convenção foi um sucesso, tendo o ato político reunido quase cinco mil militantes e tendo a presença do Senador Lindberg Farias (candidato ao governo) e do deputado Romário (candidato ao senado). João Batista Lemos, presidente estadual do PCdoB-RJ, afastado temporariamente para se recuperar de um problema de saúde, enviou uma carta à convenção que emocionou todos os militantes. José Reinaldo, Secretário Nacional de Comunicação, representou o Comitê Central.

Jandira coordenou convenção e ato político
A Convenção foi coordenada pela deputada federal e vice-presidente do PCdoB-RJ, Jandira Feghali, devido à ausência do presidente estadual do Partido, João Batista Lemos, por motivos de saúde. Entretanto, o líder comunista fez questão de saudar a militância e enviou uma carta em que destacou:

"É preciso dizer que me sinto confortado porque o rumo político para o nosso Partido foi dado e construído coletivamente em nossa 18ª Conferência Estadual. A vida está mostrando que acertamos. Lançamos a pré-candidatura de Jandira ao governo do Estado para construir um campo de esquerda. Hoje esse campo, com a Frente Popular, está sendo concretizado. Agora em outubro o que está em jogo é o futuro do Brasil, até mesmo da América Latina, com repercussão mundial. São dois projetos. Um, liderado por Aécio Neves, representa os interesses das elites dominantes do país e do capital financeiro internacional. Outro, liderado por Dilma Rousseff, representa o avanço para a transformação social pacífica que está em curso em nossa nação. Com isso, aqui no Rio de Janeiro, o cenário aponta para a polarização. De um lado está a Frente Popular, liderada por Lindberg Farias, com forças históricas que lutaram pelo processo de mudança iniciado com Lula e continuado por Dilma. Na Frente está o PT, PSB, PV e o PCdoB, parte do trabalhismo e forças sociais progressistas. É muito bom ver a Frente Popular unida no Rio de Janeiro", dizia um trecho da carta redigida pelo líder dos comunistas no estado (No fim da matéria, confira na íntegra a carta de João Batista Lemos).

O nome de João Batista Lemos foi aprovado por unanimidade para ocupar o posto de primeira suplência no cargo de senador, pela Frente Popular.

O encerramento da Convenção foi o momento mais marcante. Um grande ato político foi realizado com a Frente Popular do Rio de Janeiro, com a presença do candidato dessa unidade de esquerda ao governo do estado, o senador Lindberg Farias (PT); o candidato a vice na chapa, Roberto Rocco (PV); o candidato ao senado pela Frente, o tetra campeão do mundo, Romário. Além de diversos parlamentares, lideranças políticas e partidárias, e militantes dos partidos presentes.

O evento aconteceu no município de São João de Meriti, na Via Show, na Baixada Fluminense. Milhares de trabalhadores,trabalhadoras, militantes e dirigentes partidários foram ao local para saudar e fortalecer a Frente Popular. O prefeito de São João de Meriti, Sandro Mattos (PDT), também esteve presente, e é um dos quadros políticos do estado que tem se empenhado para eleger Lindberg governador.

O evento foi grandioso, marcado por um clima unitário e em um ambiente vitorioso. Apesar do fato do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) ter tentado, de forma truculenta e arbitrária, impedir a realização do ato político.

Fiscais do TRE-RJ, munidos de uma intimação assinada pela juíza Daniela Barbosa Assumpção, obstruíram as portas de entrada e, inclusive, tentaram controlar a saída de militantes dos ônibus que chegavam ao evento. É importante salientar que a convenção de um partido é um espaço público e democrático, sendo permitida a participação de qualquer cidadão ou cidadã.

Contudo, a democracia prevaleceu, o ato foi realizado até o fim (apesar das ameaças de corte de luz e som) e os quase 5 mil presentes puderam saudar os nomes que liderarão a Frente Popular do Rio de Janeiro.

O primeiro a falar no ato foi o Secretário Nacional de Comunicação do PCdoB, José Reinaldo, representando a direção nacional comunista, que destacou o apoio dos comunistas à Frente Popular:

"Em nome da direção nacional do PCdoB venho trazer nosso firme e indeclinável apoio. E também garantir que todos os militantes do Partido Comunista do Brasil no Rio de Janeiro cerrarão fileiras nessa campanha que será liderada por Lindberg Farias".

A líder da bancada federal do PCdoB, Jandira Feghali (que abriu mão da candidatura ao senado para apoiar Romário e fortalecer politicamente a unidade da Frente), valorizou a aliança construída do estado:

"Nós somos aliados históricos da luta democrática. Nosso alvo central é o capital financeiro. Nós formamos aquilo que oxigena, que consegue mostrar ao povo do nosso Rio de Janeiro que é possível mudar, que é possível avançar, que é possível ouvir, que é possível se irmanar de forma generosa e solidária politicamente, e em nome do povo desse estado. O atual governo governa pra poucos, governa pra um pedaço do estado, e deixou esquecida a Baixada, a Região Metropolitana e o interior. Nós sabemos que é preciso mudar. E essa é a Frente de Esquerda que vai mudar o estado. O outro lado que se segure, pois nós vamos ganhar essas eleições, porque aqui do nosso lado está o povo", enfatizou a deputada comunista.

Na sequência o candidato ao senado pela Frente, Romário, fez uso da palavra e frisou que:

"Essa Frente é a única maneira de, definitivamente, mudarmos esse estado. O que tem acontecido na nossa política estadual nos últimos anos não é o bem do Rio de Janeiro. Nós vamos mudar isso, nós temos confiança de que essa Frente tem condições de tirar do poder essas pessoas que durante anos não vêm representando o nosso povo. Nós estamos aqui para cuidar do povo do Rio de Janeiro, esse é o nosso grande objetivo", afirmou Romário.

Lindberg Farias foi o último a falar e foi aclamado pelas milhares de pessoas presentes ao ato. O senador petista destacou a bravura de Jandira Feghali e salientou:

"Tem muita gente apavorada porque nós nos unimos, mas não vamos aceitar dois pesos e duas medidas. Aqui nós temos uma turma determinada, com garra, e que vai para as ruas, e é com toda essa determinação que nós vamos começar nossa campanha em julho. O outro lado está esquecendo que quem decide a eleição é o povo".

Lindberg continuou a fala e fez questão de enfatizar:

"Essa aliança é dos partidos de esquerda. Essa é a nossa Frente Popular, e nós já estamos juntos há muito tempo. E essa aliança foi um fato político tão forte que já mexeu no tabuleiro político estadual. Eu sinto que é o momento de vitória dessa Frente Popular no Rio de Janeiro. O outro lado se afastou das vidas das pessoas, da vida do povo. Mas nós colocamos a qualidade de vida das pessoas, a qualidade de vida do povo trabalhador, como nossa grande prioridade".

Candidatos do PCdoB
A Convenção Eleitoral do PCdoB/RJ aprovou de forma unânime a nota apresentada pela Comissão Política do Partido; a nominata de candidatos (as) a deputado (a) estadual em chapa própria e a nominata para deputado (a) federal em coligação; bem como o apoio à candidatura de Romário ao senado, com a primeira suplência para o presidente do partido, João Batista Lemos; e o apoio à candidatura de Lindberg Farias ao governo do estado. O objetivo dos comunistas, além de eleger seus candidatos majoritários, é o de eleger, no mínimo, dois deputados federais e três estaduais. Os delegados da convenção também aprovaram por unanimidade a delegação de poderes expressos à Comissão Política Estadual para ajustes de atualização diante de novos fatos, no período pós-convenção.

*Por Bruno Ferrari

Confira na íntegra a carta de João Batista Lemos:
MENSAGEM DO PRESIDENTE JOÃO BATISTA LEMOS À CONVENÇÃO ESTADUAL DO PCDOB DO RJ

Camaradas,

Vocês sabem que esse é um momento fundamental para o nosso Partido e o quanto eu precisaria estar presente. Devido a um problema de saúde e por orientação médica fui impedido de comparecer a esta importante Convenção.

Comunico a todos que a recuperação de minha saúde está indo muito bem. Sinto que vou voltar mais revigorado. Os companheiros podem ficar tranquilos que tão logo estarei na luta junto com vocês para fazer vitoriosa a reeleição de Dilma Rousseff presidenta do Brasil, Lindberg Farias governador, Romário Senador e uma qualificada bancada comunista da Frente Popular na Assembleia de nosso estado e no Congresso Nacional.

Neste sentido, quero agradecer ao carinho, à solidariedade e ao apoio de todos vocês. A nossa deputada, líder do Partido na Câmara dos Deputados e vice-presidenta, Jandira Feghali – figura que se agigantou no processo da construção da Frente Popular – assume o meu posto.

É preciso dizer que me sinto confortado porque o rumo político para o nosso Partido foi dado e construído coletivamente em nossa 18o Conferência Estadual. A vida está mostrando que acertamos. Lançamos a pré-candidatura de Jandira ao governo do Estado para construir um campo de esquerda. Hoje esse campo, com a Frente Popular, está sendo concretizado.

Agora em outubro o que está em jogo é o futuro do Brasil, até mesmo da América Latina, com repercussão mundial. São dois projetos. Um, liderado por Aécio Neves, representa os interesses das elites dominantes do país e do capital financeiro internacional. Outro, liderado por Dilma Rousseff, representa o avanço para a transformação social pacífica que está em curso em nossa nação.

Com isso, aqui no Rio de Janeiro, o cenário aponta para a polarização.

De um lado está a Frente Popular, liderada por Lindberg Farias, com forças históricas que lutaram pelo processo de mudança iniciado com Lula e continuado por Dilma. Na Frente está o PT, PSB, PV e o PCdoB, parte do trabalhismo e forcas sociais progressistas. É muito bom ver a Frente Popular unida no Rio de Janeiro.

De outro lado está Luiz Fernando Pezão, que apesar de declarar apoio à Dilma, agregou forças retrógradas da política fluminense e está compondo com o projeto liderado por Aécio Neves.

Não há dúvidas de que a Frente Popular é a mais identificada com o projeto de transformação nacional pacífica liderado por Dilma.

Isso porque o nosso vínculo com a transformação do Brasil não é conjuntural, é histórico.

Para tanto, precisamos do nosso Partido cada vez mais unido e militante com o povo. Nossa Copa das Copas também vai ser nas ruas e nas urnas. O grande desafio histórico é constituir, ao mesmo tempo, um Partido Comunista de massas e de quadros, com feição brasileira, sem perder o caráter ideológico.

Neste sentido, é fundamental que estejamos muito unidos, que tenhamos iniciativa política e firmeza em torno do nosso projeto de eleger dois deputados federais e três estaduais.

A partir das deliberações desta Convenção devemos ser um só para nos tornarmos milhões.

A luta não vai ser fácil. Não podemos nunca subestimar os adversários. Por isso, vamos trabalhar coletivamente, com eficiência, com garra, com vontade de fazer o nosso time ganhar o jogo. Um atacante sozinho não vira artilheiro.

Tudo indica que a polarização aqui no Rio favorecerá aqueles que mais souberem interpretar e defender os interesses mudancistas das massas populares.

Por isso estou muito confiante. Confiante na vitória da Frente Popular e também em nossas pré-candidaturas. Os que se elegerão darão uma grande contribuição na Assembleia e na Câmara. E os que não se elegerem serão fundamentais para a nossa acumulação de forças nesta eleição e para as eleições municipais de 2016.

Camaradas, politicamente já ganhamos a Copa. Eliminados são os que torceram contra o Brasil. Tudo indica que essa vai ser mesmo a Copa das Copas e chegaremos confiantes rumo ao Hexa!

Ousar lutar, ousar vencer!

Viva o Brasil!

Viva o Partido Comunista!

sábado, 19 de novembro de 2011

Discurso de João Batista Lemos vice-presidente da Federação Sindical Mundial no Congresso da CGTP, no Peru

Discurso de João Batista Lemos no Congresso da CGTP, no Peru

Elevar o protagonismo da classe trabalhadora na luta por uma alternativa ao capitalismo em crise
Companheiros e companheiras,



Presenciamos, hoje, uma das mais graves crises do sistema capitalista e da ordem imperialista mundial. Uma crise que, em seu movimento, promove notável acirramento da luta de classes em todo o globo e especialmente nos países mais afetados, cabendo destacar os EUA e integrantes da chamada Zona do Euro.

Há muito se sabe que crises econômicas como a que está em curso, em que pese suas particularidades, são inevitáveis sob o capitalismo, pois têm por causa contradições inerentes a este modo de produção, traduzidas agora em desequilíbrios e excessos gerados no interior dos EUA e demais potências capitalistas, principalmente no sistema financeiro, e no padrão de relacionamento destas com as nações consideradas em desenvolvimento.

Malgrado seja uma crise do capitalismo, a classe trabalhadora é quem paga a conta, juntamente com pequenos e médios empresários. A recessão que começou nos EUA em dezembro de 2007, antes de se transformar num problemão mundial que ainda está longe de ser debelado, já elevou a pelo menos 200 milhões o número de desempregados no mundo, de acordo com estimativas da Organização Mundial do Trabalho (OIT).

Seria necessário gerar 80 milhões de novos postos de trabalho para voltar ao patamar pré-crise, segundo a entidade. Todavia, a perspectiva é de agravamento da situação nos próximos anos. A OIT alerta para o risco de convulsão social em 45 países. A tragédia do desemprego tende a piorar, mas não é o único flagelo que castiga e ameaça os trabalhadores e trabalhadoras.

A pretexto de fazer frente à crise da dívida na Europa, governos subordinados aos interesses do capital financeiro impõe à classe trabalhadora programas de ajuste fiscal ditados pelo FMI que significam um retrocesso social provavelmente sem paralelo na história moderna e objetivam, pura e simplesmente, o desmantelamento do Estado de Bem Estar Social. Ao lado do desemprego em massa avança a precarização dos contratos, o arrocho dos salários e a redução de direitos.

O resultado lógico da crise e da ofensiva reacionária dos Estados capitalistas é o acirramento da luta de classes entre capital e trabalho. Isto transparece nos movimentos de ocupação de praças e vias públicas, iniciados em Wall Street; nas manifestações dos indignados; em marchas e atos políticos; em greves gerais e locais contra o desemprego e em defesa dos direitos e dos salários. 

A luta é particularmente intensa no continente europeu. Na Grécia, há mais de três anos em recessão e com uma taxa de desemprego superior a 16%, foram realizadas 15 greves gerais desde 2010. Portugal, Espanha (com taxa de desemprego superior a 20%), Itália, Inglaterra, França e outros países também são palco de ruidosos protestos e crises políticas. 

A ofensiva da burguesia financeira contra o chamado Estado de Bem Estar Social, que consagra conquistas históricas da classe trabalhadora, não é apenas uma resposta pontual à crise da dívida e do euro, mas uma iniciativa que visa reduzir substancialmente o custo do trabalho e elevar o grau de exploração dos trabalhadores na região para enfrentar a concorrência estrangeira, sobretudo asiática. Aqui cabe considerar outro aspecto da conjuntura, que diz respeito à convergência da crise econômica com a crise da ordem capitalista internacional fundada na hegemonia dos EUA em aliança com as potências da Europa e o Japão.

Não restam dúvidas de que a atual crise, comparada por muitos economistas à Grande Depressão que atravessou os anos 1930, é a mais global da história do capitalismo. Mas uma de suas características fundamentais é a diversidade. Ela se manifesta de maneira diferente nos países e regiões. Impulsiona, com isto, o processo de desenvolvimento desigual das nações, que já vinha se verificando anteriormente. 

Os impactos da crise são bem maiores nos Estados Unidos, na Europa e no Japão do que na China e nos Brics. Dentro da Europa, a crise é generalizada, mas a situação da Grécia, elo mais frágil da cadeia imperialista, não é a mesma da Alemanha ou da França.

A China sofreu com a contração do mercado nos Estados Unidos e na Europa, em 2008. Muitas empresas faliram e milhões de operários foram demitidos. Mas a economia reagiu aos estímulos do Estado e se recuperou. Em 2009, quando o PIB mundial caiu 0,6% (os EUA recuaram 2,6%, a zona do euro 4% e o Japão 6,3%), a China cresceu 9,2%. Em 2010, mesmo com as economias européia e norte-americana estagnadas, o país avançou 10,3%. Estima-se que, neste ano, deve crescer mais de 9%. 

O crescimento desigual não veio com a crise, apenas foi acentuado por ela. Ao longo das últimas décadas o PIB chinês progrediu em média cerca de 10% ao ano enquanto os EUA e outras potências ocidentais cresceram entre 2 e 3%. O resultado deste desenvolvimento desigual foi uma revolução silenciosa na geografia econômica mundial, com o deslocamento da produção industrial, e por extensão do poder econômico, do Ocidente para o Oriente e dos EUA para a China.

Ao lado da China, em simbiose com seu crescimento, emergiram outras economias nacionais do antigo Terceiro Mundo como a Índia, o Brasil, a Rússia e a África do Sul, que hoje integram o dinâmico BRICs, um grupo que, pelo menos até o momento, tem reagido relativamente bem à crise e cresce a taxas mais elevadas que as registradas nas velhas potências capitalistas. A mudança na geografia econômica decorrente desses acontecimentos objetivos fortalece e evidencia a necessidade de uma nova ordem mundial.

Na América Latina, a evolução do cenário político também aponta a necessidade de uma nova ordem internacional e transformações sociais mais profundas e radicais. A ascensão de forças progressistas aos governos de muitos países, a partir de 1998 com a eleição de Chávez na Venezuela, impôs ao mesmo uma derrota à direita neoliberal, partidária do Consenso de Washington, e ao império norte-americano. 

Projetos como a ALCA, através do qual os EUA pretendiam ampliar seu domínio econômico da região, foram rejeitados. Os novos líderes optaram por um caminho de integração latino-americana sem EUA e Canadá, criando a CELAC- Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, a ALBA, a UNASUL, fortalecendo o MERCOSUL e buscando caminhos alternativos e soberanos de desenvolvimento.

A dependência comercial e financeira dos países da região em relação ao mercado estadunidense e europeu diminuiu significativamente. Esta realidade transparece, entre outros, no fato de a China ser, desde 2009, a maior parceira comercial do Brasil, depois de superar os Estados Unidos, e realizar nos últimos anos vultosos investimentos externos na América Latina.

A experiência progressista dos governos da região é diferenciada. Com Cuba à frente, se desenvolvem com êxito outras experiências avançadas na Venezuela, Bolívia e Equador, cada uma com as suas particularidades. Mas há em comum o objetivo de buscar uma maior integração econômica e política das nações latino-americanas e procurar um modelo de desenvolvimento alternativo ao chamado Consenso de Washington. Trata-se de um processo de mudança que confronta objetivamente a hegemonia dos EUA e aponta na direção de uma nova ordem mundial.

Cabe registrar que, diferentemente do que ocorre na Europa, os governantes latino-americanos não estão adotando receitas recessivas ditadas pelo FMI para descarregar o ônus da crise sobre a classe trabalhadora. Os indicadores revelam uma relativa valorização do trabalho e redução das desigualdades sociais em grande número de países da região, embora persista uma escandalosa concentração da renda e a maioria dos povos ainda viva em situações precárias.

No Brasil, o governo Dilma dá continuidade às mudanças iniciadas por Lula nesta direção e enfrenta a resistência das forças conservadoras e do imperialismo. A direita neoliberal se refugia principalmente nos poderosos meios de comunicação, monopolizados por meia dúzia de famílias capitalistas, que procuram ditar a agenda política do país e não medem esforços para desmoralizar e desestabilizar o governo, tendo por bandeira o (falso) combate à corrupção.

Companheiras e companheiros,

Os fatos mostram que a reposta da classe dominante e do imperialismo à crise é a guerra, é mais neoliberalismo, mais capitalismo e uma redobrada ofensiva contra a classe trabalhadora e os direitos sociais por ela arrancados através de lutas seculares. É um caminho no rumo da barbárie. 

A nossa resposta, a resposta da classe trabalhadora e da nossa Federação Sindical Mundial, a FSM, tem sido:

1- A intensificação da luta de classes em defesa dos direitos sociais e para que os ricos paguem efetivamente pelos prejuízos da crise que criaram; a denúncia do capitalismo e da defesa do socialismo; a luta pela Paz, pelo reconhecimento do Estado da Palestina e pelo fim do bloqueio a Cuba; a rejeição do neoliberalismo e ampliação das conquistas trabalhistas. Isto também pressupõe lutar por uma nova ordem mundial, efetivamente multilateral e solidária, e por novos projetos de desenvolvimentos nacionais, fundados na valorização do trabalho e na soberania, capazes de abrir caminho à superação do capitalismo e construção de uma nova sociedade sem explorados nem exploradores. 

2- Defender os interesses da classe trabalhadora nos processos de integrações em nosso continente. Penso que devemos não só apoiar as iniciativas de integração como participar ativamente deste processo, nele intervindo com o objetivo de avançar no sentido de uma integração dos povos apoiado na complementaridade das Nações, manter e ampliar as conquistas da classe trabalhadora, resgatar o papel do Estado no processo de desenvolvimento e abrir caminho para o socialismo.

O Encontro Sindical Nossa América (ESNA) se orienta nesta direção. É uma experiência vitoriosa do sindicalismo de classe, de construção da unidade de ação, antineoliberal e antiimperialista. O ESNA, que realizou recentemente na Nicarágua a sua quarta versão, já identificou o grande desafio dos trabalhadores e suas organizações em nosso tempo: elevar o protagonismo da classe trabalhadora nas lutas políticas em curso. Alem de desenvolver um programa de formação e investigação na região está realizando duas campanhas que tem conteúdo político e de solidariedade, pela Liberdade dos CINCO patriotas cubanos e contra a instalação das Bases Militares estadunidenses em Nosso Continente.

3-A orientação da FSM que apontou, no seu 16º Congresso, a necessidade de internacionalização das lutas e convocou um dia mundial de mobilização em 3 outubro, lembrando o dia de sua fundação em 1945 em Paris, envolveu entidades sindicais de dezenas de países em defesa dos trabalhadores e dos povos. As bandeiras de outubro apontam para a unidade da classe trabalhadora em todo o mundo: Seguridade Social Pública para Todos – Negociação Coletiva e Convênios Coletivos – Liberdades Sindicais e Democráticas - Semana de trabalho de 35 horas-7horas ao dia – 5 dias na semana - Melhores Salários. E demarca com a orientação colaboracionista da CSI, que se resume à campanha pelo trabalho decente sem ao menos denunciar o caráter excludente e espoliador do capitalismo e do imperialismo, numa tática que busca acomodar a luta dos trabalhadores aos marcos dos interesses dominantes.

4-A experiência revela que o movimento sindical, apesar de suas fragilidades e contradições, tem grande papel a desempenhar, especialmente neste momento de crise. Devemos rejeitar como falsa a noção de que a forma sindical está superada e o sindicalismo não tem mais papel relevante na vida atual, devendo ceder espaço a novos atores sociais e movimentos. O que se faz necessário é renovar os sindicatos diante da nova realidade, ampliar sua representatividade por ramo de atividade e no local de trabalho, onde são mais sensíveis e diretas as contradições entre capital e trabalho. E atuar em estreita aliança com os movimentos sociais em torno dos interesses imediatos e futuros do proletariado, o que é estratégico para a formação de uma correlação de forças mais favorável aos trabalhadores e trabalhadoras na luta contra a exploração.

No Brasil consideramos fundamental atuar em unidade com outras tendências políticas do sindicalismo para potencializar a força da classe trabalhadora, cuja centralidade é indiscutível. A experiência do fórum das centrais sindicais e da coordenação dos movimentos sociais tem sido muito positiva para impulsionar o governo de Dilma no sentido das mudanças e conquistar alguns direitos importantes para o povo trabalhador.

Aprendemos a enxergar a crise e as perspectivas da civilização através de uma ótica classista, ou seja, de acordo com o ponto de vista e os interesses da classe trabalhadora. A crise está empurrando a humanidade para uma encruzilhada histórica entre a barbárie (capitalista) e o socialismo. Daí a necessidade urgente e indeclinável de elevar a consciência, a mobilização e o protagonismo da classe trabalhadora, transformando a crise em oportunidade de mudança. É este o nosso grande desafio.

Viva a Unidade da CTB e a CGTP!
Viva a Unidade dos Trabalhadores!
Viva o Socialismo! 

Muito obrigado.




João Batista Lemos

Secretario Adjunto de Relações Internacionais da CTB e vice-presidente da Federação Sindical Mundial.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Batista: Classe trabalhadora deve tomar consciência de sua força - PCdoB. O Partido do socialismo.

Batista: Classe trabalhadora deve tomar consciência de sua força - PCdoB. O Partido do socialismo.

Batista: Classe trabalhadora deve tomar consciência de sua força

Não foram poucos os avanços dos comunistas na área sindical em 2010. A consolidação e o crescimento da CTB, a realização de Conferência Nacional da Classe Trabalhadora e a intensa participação do PCdoB junto aos trabalhadores na luta pela eleição de Dilma Rousseff foram alguns dos fatos mais marcantes. Mas, para o secretário sindical do PCdoB, João Batista Lemos, é preciso ir além e, diante da nova realidade brasileira, fazer com que a classe desperte para o seu próprio poder transformador.
Batista

Batista: classe trabalhadora precisa ter papel protagonista no processo de transformação

Para 2011, as preocupações estarão voltadas para a defesa de uma nova política econômica que garanta um desenvolvimento robusto com justiça social e para bandeiras específicas dos trabalhadores como o fim do fator previdenciário e a redução da jornada de trabalho, entre outros pontos, mas também para a busca da formação da consciência de classe.

Segundo João Batista Lemos, os desafios serão grandes, mas extremamente importantes para fortalecer a luta dos trabalhadores brasileiros diante de um novo contexto econômico-social e com base nas novas características da classe. “Com o desenvolvimento do país e as inovações tecnológicas, está ocorrendo uma mudança muito rápida no perfil da classe trabalhadora, que hoje conta com mais jovens e mais mulheres. E isso não está ainda alterando as direções sindicais e sua forma de atuação”, diz.

Nesta entrevista, o dirigente fala sobre as vitórias e os revezes de 2010 e sobre o plano de ação para 2011. Confira.

Partido Vivo: Que avaliação você faz do trabalho sindical do PCdoB no ano de 2010?
João Batista Lemos: O balanço é positivo. Do ponto de vista político, tivemos influência decisiva na convocação da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), realizada em junho, e que reuniu quase 30 mil trabalhadores. Esta proposta foi feita pelos comunistas através da CTB. Durante a Conferência, foi construída uma plataforma, que chamamos de Agenda Nacional da Classe Trabalhadora, e que define um projeto nacional com base na soberania, na valorização do trabalho e na democracia. Seu conteúdo tem muita identidade com o Programa Socialista do PCdoB aprovado em seu último congresso e defende uma política macroeconômica voltada para o desenvolvimento interno e para a economia nacional, as reformas educacional, agrária, tributária, política, de democratização da mídia e o aprofundamento da democracia com o fortalecimento dos partidos. É uma agenda bastante atual, um instrumento do movimento sindical para lutar pelo êxito do governo Dilma Rousseff e fazer com que, durante sua gestão, seja posta em prática ao menos parte dessa agenda. É uma luta importante porque o governo Dilma também estará sob a pressão do mercado financeiro e a classe trabalhadora precisa ter papel protagonista nesse processo de transformação.

Partido Vivo: Mas há também algumas bandeiras prioritárias...
JBL: Sim, estamos trabalhando com cinco bandeiras que foram definidas pelas centrais para concentrarmos nossa ação: a luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário; a reforma agrária com o fortalecimento da agricultura familiar, à agroindústria e à educação no campo; pelo fim do fator previdenciário – e neste caso, se for para buscar alguma negociação, tem que ser para ampliar e não para reduzir os direitos –; conquistar a valorização do salário mínimo por lei porque não existe ainda um mecanismo constitucional que garanta sua valorização e a aprovação da Convenção 158.

Outra questão que merece atenção é a da rotatividade no mercado de trabalho. O ano de 2011 será de muito emprego – há até quem fale em pleno emprego –, mas ao mesmo tempo em que é admitido 1,5 milhão de pessoas, praticamente o mesmo número é demitido. Ou seja, é preciso inibir essas demissões e fazer com que haja mais e melhores empregos. O ponto alto dessas lutas pode ser o 1º de Maio. Somada a essas bandeiras, devemos ainda lutar para mudar a política macro-econômica que deve estar voltada para o desenvolvimento interno com redução de juros, desvalorização e controle do câmbio.

Partido Vivo: E no que diz respeito à ação orgânica?

JBL: Do ponto de vista do partido, o ano de 2010 também foi importante em termos orgânicos: conseguimos construir várias frações de funcionários públicos, professores universitários, metalúrgicos, trabalhadores da construção civil, bancários etc. Mas, também tivemos um importante revés: a derrota no Sindicato dos Metroviários de São Paulo, que era dirigido pelos comunistas e pela CTB. Estamos tirando lições desse processo, mas desde já podemos levantar três questões principais que levaram a essa derrota. A primeira foi na condução política: não soubemos enfrentar o governo estadual que buscou renovar o quadro de funcionários com salários mais baixos; não conseguimos dar resposta a essa ação, nem assumir a demanda dos trabalhadores que ingressaram na empresa com salários rebaixados. Em segundo lugar, houve certo afastamento do sindicato com sua base: deixamos de fazer reuniões setoriais e debater as propostas do sindicato e não percebemos o processo de renovação da própria base. A terceira foi a subestimação do papel do coletivo: questões complexas deveriam passar pela fração do partido para serem debatidas; a fração não substitui a diretoria do sindicato, mas ela discute e poderia, assim, ter apontado rumos e colocado questões estratégicas da luta dos trabalhadores. Por outro lado, tivemos vitórias importantes nos Correios, com margem grande de diferença e outros sindicatos importantes vieram para a CTB. Vamos fechar 2010 como a terceira maior central sindical do Brasil.

Partido Vivo: E quais são as perspectivas para 2011?
JBL: Em nível partidário, estamos convocando um encontro nacional para o final de abril para discutir prática e concepção dos comunistas na frente sindical; precisamos dar uma sacudida no partido nessa área tanto do ponto de vista político como ideológico, elevar o nível de consciência dos nossos dirigentes sindicais e o seu compromisso ideológico com a luta da classe trabalhadora. Vamos fazer esse debate dentro de um quadro novo, examinando melhor o novo perfil da classe trabalhadora brasileira. Com o desenvolvimento do país e as inovações tecnológicas, está ocorrendo uma mudança muito rápida no perfil da classe trabalhadora, que hoje conta com mais jovens e mais mulheres. E isso não está ainda alterando as direções sindicais e sua forma de atuação.

Precisamos, portanto, debater como defender melhor os interesses dessa classe e ver qual linguagem devemos usar. Esse novo perfil cria um impacto nas estratégias sindicais e partidárias de relação com a classe.

Partido Vivo: Esse novo perfil dificulta a mobilização?

JBL: Dificulta na medida em resulta na desconcentração da classe trabalhadora. Por exemplo, o ABC, hoje, está mais esvaziado. A Ford de São Bernardo do Campo se desmembrou em duas ou três no Brasil. A Volks também; se há anos atrás ela tinha 42 mil trabalhadores numa mesma unidade, hoje deve ter 16 mil. Ou seja, houve deslocamento de muitos setores que, somado à desconcentração, dificulta a mobilização dos trabalhadores. O ABC Paulista ou mesmo a capital do estado não tem mais o peso relativo que tinha na década de 1980 e hoje há um grande crescimento no setor de serviços. Em 1980, quando a gente parava quatro empresas em São Bernardo do Campo, colocávamos 100 mil trabalhadores nas ruas. Hoje não.

Por outro lado, temos hoje uma classe trabalhadora mais bem informada; esses jovens vão para a universidade, usam a internet. Será que isso não vai ajudar na luta por sua emancipação? Eu acho que sim. O problema é como fazer essa classe social tomar consciência da força que ela tem. E isso é um processo. Assim como houve várias revoluções industriais e várias classes operárias foram surgindo e tomando consciência da sua exploração, acho que vamos ter, logo, uma classe mais informada, com um nível maior de escolaridade e uma juventude que pode também levar sua rebeldia para dentro da empresa porque o sujeito das transformações sociais é a classe trabalhadora. Essa classe deve ser chamada, pelo lugar que ocupa no processo de produção, a lutar de forma mais concreta pelo socialismo, por uma sociedade sem explorados e exploradores. O encontro servirá para aprimorarmos a atuação sindical dos comunistas. Outro ponto importante é o combate ao processo de burocratização e corporativismo comuns no movimento sindical.

Partido Vivo: E com relação à atuação dos comunistas na CTB?
JBL: A CTB é nosso centro, mas não é um projeto apenas dos comunistas. Por isso, estamos propondo três desafios. O primeiro é político e consiste em nos posicionarmos de forma combativa, correta e buscando o protagonismo nas lutas por essas bandeiras já mencionadas e pelo êxito do governo Dilma, mas mantendo independência de classe e autonomia. O segundo ponto é continuar fazendo com que a CTB cresça. Então, como secretário sindical do PCdoB, ressalto o papel das comissões sindicais nos estados, que devem ajudar as direções estaduais da CTB a se consolidar, a dar resposta às lutas locais, crescer e disputar hegemonia. Nesse sentido, a filiação é um desafio permanente. E a terceira questão é a formação: é preciso dedicar boa parte do orçamento da Central para formar seus dirigentes, elevando seu nível de consciência política, social e cultural, e construir um sistema de comunicação da CTB. Temos uma experiência muito positiva com os metalúrgicos de Caxias do Sul (RS). Lá, eles conseguiram criar um sistema de comunicação que possibilita ao sindicato falar com o trabalhador, mas também com a sociedade como um todo. E ainda não conseguimos isso com a CTB.

Em nível partidário, fizemos uma reunião com membros da Escola do PCdoB para estabelecermos uma semana de formação dos dirigentes sindicais comunistas, o que está sendo construído junto à Fundação Maurício Grabois. E também vamos ter um curso para os operários de base conforme seus locais de trabalho. Podemos, por exemplo, dar um curso para os operários comunistas da GM de São Caetano do Sul, do Estaleiro Brasfel em Angra dos Reis ou para os operários da Ford de Camaçari.

Partido Vivo: Há outras ações sendo planejadas?
JBL: Queremos começar a preparar o 1º de Maio com antecedência, talvez em março, fazendo debates sobre o dia e a luta dos trabalhadores, levantando as bandeiras, fazendo panfletagens, de maneira que o 1º de Maio seja o coroamento de toda uma série de atividades que eduquem e mobilizem a classe trabalhadora. Para o final de 2011, propusemos à CTB fazer um seminário para discutir a estrutura sindical no Brasil – a estrutura que temos e a que queremos – para darmos respostas a essa nova classe trabalhadora. A estrutura sindical no Brasil vem desde Getúlio, com a Consolidação das Leis Trabalhistas (1943); depois passou por uma mudança na Constituinte de 1988 e desde então, não se alterou mais, ou seja, é preciso atualizá-la. É importante ressaltar, por fim, que nossa preocupação é fazer com que os comunistas ajudem a fortalecer a CTB tendo a consciência de que ela é plural, tem sua própria institucionalidade, sua própria vida e que a atuação dos comunistas deve se dar através das defesa de nossas ideias no seio da Central .

De São Paulo,
Priscila Lobregatte

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