SIGA O COLETIVIZANDO!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

UnB recebe hoje debates sobre Cuba a partir das 19h00 no V Curso do Jornal de Fato em Brasília

V Curso do Jornal de Fato em Brasília
(Programação de 20/11/2012)


1ª mesa: A atualização do modelo econômico em Cuba e os rumos da revolução

2ª mesa: O ingresso da Venezuela no Mercosul e as perspectivas pós eleições presidenciais

Maria Auxiliadora Cesar
Coordenadora do Núcleo de Estudos Cubanos / UnB

Rafael Hidalgo
Embaixada de Cuba em Brasília

Raphael Seabra
Pesquisador e autor da tese "A primeira revolução do século XXI? bolivarianismo e socialismo na Venezuela"

Carlos Ron
Conselheiro Político da Embaixada da Venezuela no Brasil.

HORÁRIO:  19h00 as 22h00
LOCAL: Auditório do CEAM (Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares) – Prédio Multiuso 1, bloco A, 1º andar (em frente ao BrB, próximo a Praça Chico Mendes).
PÚBLICO ALVO: aberto a todos os interessados
NÚMERO DE VAGAS: 80 (oitenta), com direito a i) material de apoio e ii) certificado de participação de 20 horas, emitido pela Escola Nacional Florestan Fernandes e Jornal Brasil de Fato


MAIORES INFORMAÇÕES - ccpbdf@gmail.com
Laura – 8119-5875 / Acácio – 8240-4746 / Marcius – 8274-3983

Israel bombardeó centro deportivo para personas con discapacidad en Gaza

Israel bombardeó centro deportivo para personas con discapacidad en Gaza

Credito: Archivo

19/11/12.-La Fuerza Aérea de Israel arremetió este lunes contra zonas densamente pobladas de la franja de Gaza, en el marco de la operación “Pilar Defensivo”. En medio de los ataques bombardeó un centro deportivo para personas con capacidades especiales.

El ataque causó una gran explosión reduciendo a escombros el complejo deportivo, en el sexto día consecutivo de las agresiones del régimen israelí contra el enclave costero, que hasta el momento ha dejado cerca de 100 muertos y más de 800 heridos.

El bombardeo tuvo lugar después que la aviación de Israel confirmó que “hubo un equívoco” entre los objetivos al atacar la vivienda de una familia que cobró la vida de 10 personas, entre ellas cinco niños y dos mujeres.

El enviado especial de teleSUR a Gaza, Oskar Epelde, reportó que este lunes están enterrando a los niños víctimas de los ataques israelíes.

El periodista destacó que pese a que el equipo médico de Gaza es bueno y está apoyado por médicos egipcios, “hay dificultades para la atención de los heridos porque hay cortes eléctricos y mucha carencia de medicinas”.

Epelde indicó que instituciones internacionales han anunciado ayudas económicas que de alguna manera ayudarán a respirar a los palestinos. Sin embargo, acotó, que es necesario que esta ayuda se complemente con otras gestiones más políticas.

Con respecto al ultimátum de Israel por 36 horas antes de ampliar ofensiva militar, el periodista expresó que “no me parece que pueda surgir efecto el día de hoy que es un día de emociones en que la gente se concentra en la idea de continuar un poco hacia la solución de Gaza, la que vienen arrastrando desde hace años (…) Aspiran a lograr una solución política”.

Según precisan las Fuerzas de Defensa, desde el inicio de los ataques el pasado 14 de noviembre, día en que falleció el jefe militar del movimiento Hamas, Ahmed Jabari, las fuerzas militares israelíes han bombardeado mil 350 objetivos en Gaza.

Estos ataques han sido perpetrados por Israel por vía aérea y marítima. Los palestinos temen una arremetida terrestre.

Está previsto que este lunes el secretario general de la Organización de Naciones Unidas (ONU, Ban Ki Moon, viaje a El Cairo (capital de Egipto), para apelar personalmente al final de la violencia y contribuir a los esfuerzos en marcha con ese fin.

En su visita Ban mantendrá reuniones con el ministro francés de Asuntos Exteriores, Laurent Fabius (de visita en los territorios ocupados palestinos) y el presidente de la Autoridad Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbás, en un intento por alcanzar el alto del fuego.

Racismo, raça, etnia e marxismo - Edson França -Portal Vermelho

Racismo, raça, etnia e marxismo - Portal Vermelho
Edson França *

Reconhecidamente, há um grande déficit teórico do marxismo em relação às questões raciais. O socialismo científico, a mais libertária e conseqüente teoria sociológica, nasce contemporâneo à radicalização do abolicionismo na Inglaterra, França e Estados Un


Apesar do momento sombrio que se avizinhava à ciência polítcia, Marx e Engels não avançaram os limites colocados em seu tempo histórico, para eles a questão étnica e racial não se impôs claramente. Outros importantes teóricos marxistas não desenvolveram reflexões sobre esse tema, isso explica as lacunas teóricas e alguns erros políticos do movimento comunista. Ainda assim, o marxismo é o melhor método científico tanto para entender como para combater o racismo.



Ciente do limite teórico ora explicitado, as correntes liberais e pós-modernas, algumas se auto-intitulam pós-marxistas, como mais um meio de propagar o fim do marxismo e a consolidação de um novo tempo histórico, desenvolve reflexões nefastas ao desenvolvimento do socialismo. Acusam o marxismo de ter fracassado na resolução das contradições relacionadas à raça, gênero e etnia existentes no interior das classes; argumentam que as experiências do socialismo no leste europeu foi um fiasco, sufocou as nacionalidades, essas só expressaram suas aspirações e singularidades com plena liberdade após a “democratização” da região. Advogam que a ênfase marxista nas classes sociais é reducionista, pois as classes estão dissolvendo. A política contemporânea responde a impulsos enraizados em identidades diversas (raça, gênero, etnia, nacionalidade, orientação sexual, etc.), cujos interesses políticos não se esgotam nos limites dado pelas divisões de classes.


Hipocritamente omitem que o racismo está enraizado, desde sua gênese, em base econômica, sempre serviu a interesses sociais, econômicos e políticos de Estados e das classes dominantes, por isso imbrica-se na luta de classes, na luta contra o colonialismo e contra o imperialismo. Segundo Libero Della Piana, presidente do Partido Comunista dos Estados Unidos, “o racismo em nosso país é a maior ferramenta do capitalismo, ferramenta número um para dividir os trabalhadores. O racismo faz os capitalistas mais ricos” .


Essa mesma corrente não esconde sua verdadeira intenção quando apregoa a minimização do Estado e plena liberdade aos mercados; associam as experiências socialistas com autoritarismo e corrupção; propõe a solidariedade entre as classes, fim do antiiperialismo e fortalecimento do conceito de interdependência entre ricos e pobres. Resumidamente estão na contramão do anti-racismo, pois propõe uma agenda conservadora que deve ser combatida, porque beneficia exclusivamente a burguesia internacional e os Estados nacionais ricos.


As manifestações culturais subjacentes no racismo - estereotipo negativo e preconceito - sobrevivem as mudanças estruturais econômicas e políticas. Para construção do socialismo haverá necessidade de um longo período de transição após a classe operária ascender ao poder político, ou seja, a mudança estrutural deverá ser processual. Quanto a superestrutura o processo é idêntico, mudando a estrutura material a sociedade processualmente se divorciará das idéias dominantes anterior. O racismo não putrefará na inércia, haverá necessidade de atuar sobre ele, reeducar o povo contra os resquícios culturais e psicológicos oriundos do racismo. Por essa razão a luta contra o racismo é compatível e deve organizar-se em concomitância e unidade com a luta do proletariado para tomada do poder político e construção do socialismo. O que exige dos comunistas, em especial dos brasileiros pelo histórico de miscigenação e multiculturalidade do país, protagonismo na formulação de ferramentas teóricas e políticas, sempre sintonizadas a nossa experiência histórica, assim  erradicaremos o atraso do racismo no Brasil.



Conceito de raça e etnia   

No marxismo, raças / etnia são elementos irrelevantes para explicar as diferenças políticas, grupos homogêneos competem por recurso comum disponíveis, para isso lutam politicamente entre si. No entanto, em certos contextos políticos, a percepção de equivalências sócio-econômicas contribui na formação vínculos políticos para atuação na luta de classe, fenômeno invariavelmente confundido com lutas raciais – a grande rebelião da comunidade negra em Los Angeles em 1992 e o levante nos subúrbios de Paris em 2007 são exemplos da luta de classe subjacente em conflitos raciais. “Os diferentes grupos étnicos são colocados em relações de cooperação, simbiose ou conflito, pelo fato de que como grupos têm diferentes funções econômicas e políticas” .


O conceito de raça é inoperante para explicar a variabilidade humana, não tem amparo na ciência biológica. A sociedade humana é uma espécie que não subdivide em raças ou sub-raças diferentes, “mas em seis bilhões de indivíduos genomicamente diferentes entre si, mas com graus maiores ou menores de parentesco em suas variadas linhagens genealógicas. (...) Em outras palavras, pode ser fácil distinguir fenotipicamente um europeu de um africano ou asiático, mas tal facilidade desaparece por completo quando se procuram evidências dessas diferenças ´raciais’ no genoma das pessoas” . Raça não é uma realidade biológica, é uma construção sócio-política, carregada de ideologia, como tal, não proclama seu verdadeiro sentido: relação de poder e dominação .


Na forma “científica” o conceito foi elaborado e desenvolvido pelas elites burguesas européias em finais do século 18 e 19, com objetivo de legitimar filosoficamente dominação e sujeição política e econômica entre classes sociais, através da colonização, escravidão, discriminação, diversas formas de exploração e atrocidades. A elaboração anterior proposta pela Igreja não se sustentava racionalmente, o racismo científico foi uma chave fundamental para as mudanças estruturais impostas pela burguesia - classe social que acabara de assumir definitivamente o poder político – e para o desenvolvimento do capitalismo enquanto modo de produção globalmente dominante.


A partir do século 16, época das grandes navegações, colonização da América, fase inicial do encontro e trocas comerciais entre os povos europeus, africanos e asiáticos, as populações negras, em todo planeta, vivem com acúmulos de desvantagens provocadas pela violência, saques e exploração insana da sua mão de obra. No imaginário do senso comum negro é sinônimo de pobre e marginal, os negros compartilham histórico de discriminação negativa e subalternidade. Esse lugar social secularmente imposto, teórica e filosoficamente sustentado determinou identidades comuns, racializou a humanidade.


Desde finais da segunda guerra mundial as teorias racistas baseadas em pseudos ciências foram rejeitadas pela comunidade cientifica internacional, ainda assim, se mantêm a desigualdade herdada do racismo científico e do histórico de exploração direcionada as populações não brancas. Provando que o racismo, na atualidade, não necessita de uma teoria para legitimá-lo nem da proclamação científica de existência das raças, o pensamento coletivo a convencionou, há forças políticas e econômicas lucrando com sua vitalidade, será necessário tempo para que sua sustentação mental seja aniquilada e luta política para sua superação. As variedades fenotípicas entre os seres humanos são empiricamente incontestáveis, não se confunde visualmente um esquimó da Groenlândia com um aborígine australiano, por isso a noção social de raça dispensa critérios genótipos, é na “raça biologicamente fictícia” que se assenta a classificação hierárquica, se assentam os estereótipos e o racismo sobrevive vigorosamente.


Etnia é um conceito de caráter sócio-cultural, histórico, psicológico, lingüístico e de identidade, está em constante desenvolvimento, tem se fortalecido na mesma medida da inviabilidade científica das raças. Se para a ciência a hierarquização biológica é uma fraude, então se substitui pela cultura, assim mantem a respeitabilidade teórica da desigualdade produzida pelo racismo e legitima a dominação política anterior. As identidades étnicas tomam lugar das raças, prendendo as populações representantes das culturas “menos desenvolvidas”, “atrasadas” e “primitivas” nas franjas da sociedade moderna. Marx nos alertou ao peso negativo para luta emancipacionista do proletariado a inobservância da opressão direcionada a setores ou camadas dos trabalhadores e o quanto a opressão etnorracial divide a luta e beneficia os algozes:


“Cada centro industrial e comercial na Inglaterra possui uma classe trabalhadora dividida em dois campos hostis, proletários ingleses e proletários irlandeses. O trabalhador inglês comum odeia o trabalhador irlandês como um competidor que rebaixa seu padrão de vida. Em relação ao trabalhador irlandês ele se sente um membro da nação dominante, e assim torna-se num instrumento dos aristocratas e capitalista de seu país contra a Irlanda, fortalecendo a sua dominação sobre ele próprio. Ele aprecia os preconceitos sociais, religiosos e nacionais contra os trabalhadores irlandeses. A sua atitude é muito parecida a dos ‘brancos pobres’ em relação aos negros nos antigos estados escravagistas dos EUA. O irlandês lhe paga com juros na mesma moeda. Ele vê no trabalhador inglês ao mesmo tempo o cúmplice e o instrumento estúpido do domínio inglês na Irlanda.”  


Nessas palavras de Marx são possíveis duas deduções, uma que o racismo e a discriminação estabelecem desvantagem material a segmentos étnicos, raciais ou nacionais no interior do proletariado, divide a classe e fortalece a burguesia. Outra que a parcela dos trabalhadores que não recebe o impacto direto do racismo e da discriminação se sente psicologicamente superior, esse sentimento conforta a angústia da miséria em que se encontra, arrefecida pela facilidade em despejar-la sobre seu bode expiatório: o discriminado. A mensagem racista seduz parcela dos trabalhadores, pois está implícita uma promessa de solução imaginária ao problema real, como a pobreza, desemprego, exploração, que os defronta cotidianamente. Segundo Alcir Lenharo o nazismo triunfou na Alemanha porque “... a ideologia racista oficial era de fato acatada e subassumida, e servia de ponto norteador da conduta individual e coletiva da população.” Silenciar e subestimar o racismo enquanto uma proposta política social reacionária para benefício de uma minoria, equivale a apoiar tacitamente a própria dominação. Por isso combate-lo é uma tarefa revolucionária, cabe ao proletariado e seu Partido, a quem está dada a tarefa da transformação social, ações com objetivo de desarticular, enfraquecer e superar o racismo.


Os comunistas e a compreensão do povo brasileiro


Os comunistas reconhecem a existência do racismo e da desigualdade racial no Brasil, compreendem que dispomos de condições e instrumentos positivos para melhor combate-lo. Somos um povo uno, unidade formada pelo encontro assimétrico e miscigenação de três povos: os colonizadores portugueses, os índios nativos da terra e os africanos utilizados como mão de obra escrava. Unidade forjada na luta popular contra a opressão imperialista e das elites locais. Não há em todo território nacionalidades em conflitos, movimentos ou forças separatistas conseqüentes, etnias reivindicando território e autodeterminação. Somos um povo profundamente miscigenado - compreendendo miscigenação não apenas como intercurso sexual para procriação, mas encontro de valores humanísticos que envolvem religião, mitos de criação, culturas, folclores, etc. -, falamos apenas um idioma, enquanto povo-nação, o povo brasileiro é um todo indivisível.


A compreensão da existência de um povo uno no Brasil, não ignora e nem subtrai da unidade contradições de diversas dimensões que devem ser tratadas: gênero, etnia/ raça, desigualdades regionais, dentre outras. Encontramos-nos entre as sociedades mais desiguais do planeta; convivemos com índices alarmantes de violência, onde a juventude negra é o principal alvo; temos uma classe média racista e conservadora, tenaz atuante contra os avanços sociais propostos; a elite mais mesquinha, gananciosa e antipatriota do mundo. Estamos diante de uma unidade doente, sob suspeita, em situação de risco, inconclusa, mas, contraditoriamente em processo de aperfeiçoamento. Daí a importância das forças progressistas ocuparem os governos para aprofundarem a mudança, dando prioridade na universalização da intervenção do Estado junto a população, sem prejuízo do olhar atento sobre as especificidades. A manutenção das contradições no interior do povo favorece a desagregação da sociedade e dificulta o processo de construção – ainda em curso – da Nação brasileira.     

*
Historiador e Coordenador Geral da Un

Farc anunciam cessar-fogo unilateral  - Portal Vermelho

Farc anunciam cessar-fogo unilateral  - Portal Vermelho


 As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram nesta segunda-feira (19) a implementação de um cessar-fogo unilateral até o dia 20 de janeiro. A informação foi divulgada em Havana pelo principal porta-voz da guerrilha nos diálogos de paz com o governo colombiano, Iván Márquez.


EFE
Farc Representantes do governo colombiano chegaram no domingo em Cuba para diálogos de paz
“O secretariado das Farc ordena às unidades guerrilheiras de todo o território nacional a suspensão das operações militares ofensivas contra a força pública e os atos de sabotagem da infraestrutura pública ou privada”, afirmou Márquez.

Leia também:
Colômbia e membros das Farc mantêm negociações em Cuba

Desde o início de setembro, quando o presidente Juan Manuel Santos anunciou a negociação entre as partes, a guerrilha propõe um cessar-fogo até que um acordo seja alcançado. O governo, no entanto, recusou essa proposta e disse que não fará concessões.

A nova rodada de diálogo entre as Farc e os representantes de Santos será iniciada nesta segunda-feira, em Havana.O primeiro tema de discussão será a questão agrária, que já representou discordâncias durante os diálogos de Oslo, em outubro.

Veja o especial do Vermelho sobre os Diálogos de Paz aqui

Fonte: Opera Mundi

Dia da Consciência Negra - Abolicionismo do século 21 - Edson França - Portal Vermelho

Abolicionismo do século 21 - Edson França - Portal Vermelho
Edson França *

Completamos no dia 13 de maio 123 anos da assinatura da Lei Áurea, lei que extinguiu a legalidade da escravidão no Brasil, dando fim aos longos 388 anos mais lúgubre da história nacional.


A assinatura da lei foi precedida por um grande movimento social envolvendo escravos e ex-escravos, as camadas populares e médias da população, intelectuais, liberais e a pequena burguesia que emergia, foi um marco pioneiro na luta por direitos humanos, o movimento abolicionista foi o mais pujante, importante e vitorioso movimento de massa que uniu o povo brasileiro.

Não há dúvida que o fim da escravidão no Brasil foi um fato positivo, esse era o objetivo do movimento abolicionista, avançamos institucionalmente ao livrar o país do anacrônico regime.

Com a abolição seguida da República, viramos o primeiro ciclo civilizacional na construção da nação brasileira, fomos o último país de toda a América a romper com esse criminoso regime.

Ocorre que a classe dominante brasileira nunca foi inepta na defesa de seus interesses, ao contrário, sempre projetou seus objetivos com décadas de antecedência.

Conhecia todo processo político que culminou na abolição da escravidão de todos os países da América. Sabia a resposta para os principais impasses que as elites escravocratas enfrentaram antes e após abolirem os escravos.

Nas experiências abolicionistas, fatos ocorridos em duas acachapantes derrotas dos escravocratas preocupavam: a protagonizada pelos escravos em 1804 (Haiti) e o profundo trauma provocado pela guerra civil e divisão do país entre 1861 a 1865 (Estados Unidos).

Preocupava, também, que a transição do escravismo ao trabalho livre custasse a acomodação das forças políticas divergentes na direção de um novo projeto de desenvolvimento para o Brasil, até então estava em vigor um projeto engendrado pela oligarquia agrária.

A oligarquia brasileira estava disposta a lançar mão de todas as medidas necessárias para se manter hegemonicamente no poder. Por isso, disputaram a condução do processo abolicionista, não projetava uma abolição completa que transformasse escravos em cidadãos.

O objetivo era garantir a gradualidade na transição para o impacto da mudança não afetar a produção e os lucros; exigirem indenização pecuniária pela perda de escravos, considerados propriedade privada; manter a posse da terra, sob inspiração da experiência australiana, instituíram a Lei da Terra em 1850 tornando-a mercadoria, escolha infeliz, pois consolidou o latifúndio no Brasil.

Assegurar uma maioria branca na demografia brasileira após a transição da mão de obra escrava para livre. Para isso atraíram o trabalhador europeu e incentivaram a miscigenação, pois viam os negros como potenciais inimigos do Brasil e responsáveis exclusivos pelo seu perpétuo subdesenvolvimento.

Segundo os censos de 1872 e de 1940 a população brasileira triplica e os brancos passam de 38% para 63% da população em apenas 50 anos. Tudo isso sustentado por teorias e ideologias em voga nas academias, sempre contando com a sustentação do braço forte do Estado.

A condução da transição do trabalho escravo para o livre sob a condução de uma elite colonizada, impatriótica e gananciosa só poderia engendrar uma nação injusta, desigual, dividida e violenta.

Felizmente a oligarquia brasileira não concluiu integralmente seu projeto, apesar do arrefecimento da luta abolicionista após a assinatura da lei, o povo sempre esteve no caminho dos poderosos.

Projetaram um país demograficamente branco e semi analfabeto, conduzido com punhos fortes por uma minúscula elite, com vocação exclusivamente agrícola, dependente dos impérios.

Para os grandes cafeicultores e os outros setores da elite nacional de finais do século 19, a assinatura da Lei Áurea deveria ser um evento burocrático e não um processo político de mudança de rumo da nação.

Coube, e ainda está na ordem do dia, aos movimentos sociais e as forças partidárias progressistas e democráticas a tarefa da mudança para completar a abolição ainda inconclusa.

Somente concluiremos a abolição se formos capazes de impor um novo projeto de desenvolvimento capaz de mudar a nação, subverter o projeto da classe dominante, superar as desigualdades e tornar o Brasil justo para todos.

É nessa tarefa que o movimento negro deve empreender todo seu esforço, compreendendo a complementaridade da luta de combate ao racismo para construção de um país socialmente próspero.

As vitórias pequenas e pontuais conquistadas na luta popular não nos desviam de um rumo revolucionário, ao contrário, são importantes, pois mantém o povo unido na luta.

De modo que o movimento negro tem que continuar sua luta por inclusão da população negra, ao mesmo tempo em que se soma aos trabalhadores, às forças revolucionárias e conseqüentes que disputam o poder político no Brasil.

Na atualidade completar a abolição exige que construamos um país soberano, capaz de desenhar seu projeto, perseguir com altivez seu destino, defender seu território, defender a população, oferecer justiça e dar melhor qualidade de vida ao povo.

Exigirá mais democracia, mais participação do povo na escolha dos rumos do país, acesso a saúde, educação, emprego, moradia digna. Por isso, a pauta das reformas populares – reforma política, reforma agrária, reforma tributária, reforma educacional - é fundamental, pois poderão garantir mais direitos para aos trabalhadores.

Temos que garantir mais progresso social, combater a tensão no seio do povo, lutando para superação do racismo, do machismo, da homofobia e outras formas de opressão. Todo esse esforço deve ser irmanado com nossos vizinhos no continente.

A abolição do século 21 exigirá a mesma unidade nacional que foi às ruas e impôs a assinatura da Lei Áurea em finais do século 19. O mesmo ímpeto de Zumbi e de todos os heróis e heroínas anônimas que bravamente entregaram suas vidas contra um regime criminoso que lhes negava a humanidade. Essa é a tarefa histórica dada ao povo brasileiro, negros e brancos, homens e mulheres.

*
Historiador e Coordenador Geral da Unegro

Semana Marighella destaca atuação do líder revolucionário - Portal Vermelho

Semana Marighella destaca atuação do líder revolucionário - Portal Vermelho


O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura realiza, de 21 a 23 de novembro, a Semana Marighella. O evento busca reconstituir a trajetória de Carlos Marighella, líder comunista, perseguido ditadura Vargas, constituinte de 1946, que atuou nos principais acontecimentos políticos do Brasil entre a década de 1930 e o ano de 1969, quando foi assinado numa emboscada em São Paulo. Quarenta anos da sua morte ainda é lembrado como símbolo de resistência à ditadura no Brasil.


Carlos Marighella
A programação da Semana Marighela tem início na próxima quarta-feira (21), às 19h, no Espaço Multiuso do CDMAC, com a bertura  a exposição “Marighella”, com curadoria de Vladimir Sacchetta e Isa Ferraz. A mostra, que passou pelo Memorial da Resistência de São Paulo, traça o perfil e a trajetória de vida de Carlos Marighella apresentando cartas, livros, imagens de arquivo, iconografia variada, depoimentos, além de textos do próprio Marighella.

Na quinta-feira (22), às 20h, no hall do Teatro Dragão do Mar, será lançado o livro “Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo”. O lançamento será precedido de debate entre o autor Mário Magalhães, o curador Vladimir Sacchetta e a cineasta Isa Ferraz, que além de produzir o documentário “Marighella”, é sobrinha do guerrilheiro. O debate terá início às 19h.

Sexta-feira (23), às 19h, no Teatro Dragão do Mar, os visitantes do CDMAC poderão assistir ao documentário “Marighella”, ocasião em que a cineasta Isa Ferraz fala sobre o processo de resgate histórico e afetivo desse personagem tão contraditório. Enquanto muitos o veem como um terrorista, relatos mostram um homem carinhoso, sensível e sonhador. “Ele entregou a vida por uma ideia”, afirma Isa Ferraz. A trajetória política e revolucionária de Marighella é destacada por contemporâneos do líder da Aliança Nacional Libertadora, como Armênio Guedes, ex-dirigente do PCB, o historiador Jacob Gorender e outros antigos militantes. A falta de imagens de Marighella em movimento é compensada por imagens de arquivo do período estudado e fotografias familiares. Muito material foi perdido durante as invasões policiais aos locais onde ele vivia, ou mesmo destruído por ele, por motivos de segurança. A música que encerra o filme foi composta pelo rapper Mano Brown.



Fonte: Assessoria do CDMAC

Manifestação de solidariedade à Gaza em BRASÍLIA - DF! 23/11, meio di na Praça dos três Poderes


Manifestação de solidariedade à Gaza em BRASÍLIA - DF!

Dia: 23/11

Horário: horário do Salat ul'Zuhr (para não muçulmanos: meio dia no horário de brasília).

Local: Praça dos Três Poderes!
Uma manifestação liderada pela comunidade islâmica de Brasília e que chama todos e todas que repudiam o genocídio do povo palestino!

domingo, 18 de novembro de 2012

CHOMSKY: Basta um dia em Gaza Gaza para sentir como é tentar sobreviver na maior prisão a céu aberto do mundo | Maria Frô

CHOMSKY: Basta um dia em Gaza Gaza para sentir como é tentar sobreviver na maior prisão a céu aberto do mundo | Maria Frô

CHOMSKY: Basta um dia em Gaza Gaza para sentir como é tentar sobreviver na maior prisão a céu aberto do mundo

novembro 18th, 2012 by mariafro

Saldo da última ofensiva sionista até dia 17 de novembro de 2012: ataques israelense atingiram 180 alvos, deixaram 39 palestinos mortos, os 40 foguetes do Hamas deixaram três israelenses feridos.
Chomsky é judeu.
População de Gaza tem de conviver com sistema precário de saúde em meio a humilhações impostas pela ocupação israelense
Por: NOAM CHOMSKY, UOL/Blogs, Tradutor: George El Khouri Andolfato
08/11/2012
E dificilmente é preciso mais do que um dia em Gaza para sentir como é tentar sobreviver na maior prisão a céu aberto do mundo, onde cerca de 1,5 milhão de pessoas, em uma faixa de terra de aproximadamente 360 quilômetros quadrados, são submetidas a terror aleatório e punição arbitrária, sem nenhum propósito a não ser humilhar e degradar. (grifos nossos)
Essa crueldade visa assegurar que as esperanças palestinas por um futuro decente sejam esmagadas, e que o apoio global esmagador por um acordo diplomático que conceda direitos humanos básicos seja anulado. A liderança política israelense ilustrou dramaticamente esse compromisso nos últimos dias, alertando que “enlouquecerá” caso os direitos palestinos recebam até mesmo um reconhecimento limitado pela ONU.
Essa ameaça de “enlouquecer (“nishtagea”) –isto é, lançar uma resposta dura– é profundamente enraizada, remontando os governos trabalhistas dos anos 50, juntamente com o “Complexo de Sansão” relacionado: Se formos frustrados, nós derrubaremos as paredes do Templo à nossa volta.
Trinta anos atrás, líderes políticos israelenses, incluindo alguns “falcões”, apresentaram ao primeiro-ministro Menachem Begin um relatório chocante sobre como os colonos na Cisjordânia cometiam regularmente “atos terroristas” contra os árabes dali, com total impunidade.
Enojado, o proeminente analista político-militar Yoram Peri escreveu que a tarefa do exército israelense, ao que parecia, não era defender o Estado, mas sim “demolir os direitos de pessoas inocentes só porque são araboushim (um epíteto racial rude) vivendo em territórios que nos foram prometidos por Deus”.
Os moradores de Gaza foram vítimas de uma punição particularmente cruel. Há 30 anos, em seu livro de memórias “The Third Way”, Raja Shehadeh, um advogado, descreveu a tarefa impossível de tentar proteger os direitos humanos fundamentais dentro de um sistema legal projetado para assegurar o fracasso, e sua experiência pessoal como um “samid”, “um inabalável”, que assistiu sua casa ser transformada em uma prisão por uma ocupação brutal sem poder fazer nada, mas que de algum modo “suportava”.
De lá para cá, a situação se tornou muito pior. O Acordo de Oslo, celebrado com muita pompa em 1993, determinava que Gaza e a Cisjordânia são uma única entidade territorial. Naquela época, os Estados Unidos e Israel já tinham iniciado seu programa para separar Gaza e a Cisjordânia, para bloquear um acordo diplomático e punir os araboushim em ambos os territórios. (grifos nossos)
A punição aos moradores de Gaza se tornou ainda mais severa em janeiro de 2006, quando eles cometeram um grande crime: eles votaram “errado” na primeira eleição livre no mundo árabe, elegendo o Hamas. (grifos nossos)
Exibindo seu “anseio pela democracia”, os Estados Unidos e Israel, apoiados pela tímida União Europeia, impuseram imediatamente um sítio brutal, juntamente com ataques militares. Os Estados Unidos recorreram ao seu procedimento operacional padrão quando uma população desobediente elege o governo errado: eles prepararam um golpe militar para restaurar a ordem.
Os moradores de Gaza cometeram um crime ainda maior um ano depois, ao impedirem a tentativa de golpe, levando a uma forte escalada do sítio e dos ataques. Eles culminaram no final de 2008 e início de 2009, com a Operação Chumbo Fundido, um dos usos mais covardes e perversos de força militar na memória recente: uma população civil indefesa, presa, foi submetida a um ataque impiedoso por um dos sistemas militares mais avançados do mundo, que emprega armas americanas e é protegido pela diplomacia americana. (grifos nossos)
É claro, havia pretextos – sempre há. O habitual, apregoado quando necessário, é a “segurança”: neste caso, contra os foguetes caseiros de Gaza. (grifos nossos)
Em 2008, uma trégua foi estabelecida entre Israel e o Hamas. Nenhum foguete do Hamas foi disparado até que Israel rompeu a trégua sob cobertura da eleição americana em 4 de novembro, invadindo Gaza sem nenhum motivo e matando meia dúzia de membros do Hamas. (grifos nossos)
O governo israelense foi aconselhado por suas mais altas autoridades de inteligência que a trégua poderia ser renovada por meio do alívio do bloqueio criminoso e com o fim dos ataques militares. Mas o governo de Ehud Olmert –supostamente uma “pomba”– rejeitou essas opções, recorrendo à sua imensa vantagem na violência: a Operação Chumbo Fundido.
Raji Sourani, natural de Gaza e um defensor dos direitos humanos respeitado internacionalmente, analisou o padrão de ataque da Operação Chumbo Fundido. O bombardeio era concentrado no norte, visando civis indefesos nas áreas mais densamente povoadas, sem nenhuma razão militar possível. A meta, sugere Sourani, talvez fosse empurrar a população intimidada para o sul, para perto da fronteira egípcia. Mas os samidin permaneceram no lugar. (grifos nossos)
Outra meta poderia ser empurrá-los para além da fronteira. Desde o início da colonização sionista foi argumentado que os árabes não tinham motivo real para estarem na Palestina: eles poderiam ser felizes em qualquer outro lugar e deveriam partir –educadamente “transferidos”, como sugeriram as “pombas”.
Isso certamente é motivo de preocupação para o Egito, e talvez o motivo para o país não abrir sua fronteira livremente para os civis, nem mesmo para os suprimentos desesperadamente necessários.
Sourani e outras fontes com conhecimento observaram que a disciplina dos samidin esconde um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento, inesperadamente, como a primeira Intifada em Gaza em 1987, após anos de repressão.
Uma impressão necessariamente superficial após passar vários dias em Gaza é admiração, não apenas pela capacidade de seus moradores de prosseguir com suas vidas, mas também com a vibração e vitalidade dos jovens, particularmente na universidade, onde participei de uma conferência internacional.
Mas é possível detectar sinais de que a pressão pode estar se tornando insuportável. Relatos indicam que há uma crescente frustração entre os jovens –um reconhecimento de que sob a ocupação americana-israelense o futuro não lhes reserva nada.
Gaza tem a aparência de um país de Terceiro Mundo, com bolsões de riqueza cercados por pobreza abjeta. Mas não é subdesenvolvida. Em vez disso, ela é “desdesenvolvida”, e de modo sistemático, tomando emprestado o termo cunhado por Sara Roy, a principal especialista acadêmica em Gaza.
A faixa de Gaza poderia ter se tornado uma região mediterrânea próspera, com rica agricultura e uma florescente indústria pesqueira, praias maravilhosas e, como foi descoberto há uma década, com boas perspectivas de amplas fontes de gás natural dentro de suas águas territoriais. Por coincidência ou não, foi quando Israel intensificou seu bloqueio naval. As perspectivas favoráveis foram abortadas em 1948, quando a faixa teve de absorver a enxurrada de refugiados palestinos que fugiam em terror ou foram expulsos à força do que se tornaria Israel –em alguns casos meses depois do cessar-fogo formal. As conquistas de Israel em 1967 e suas consequências desferiram golpes adicionais, com os crimes terríveis prosseguindo até hoje.
Os sinais são fáceis de ver, mesmo em uma breve visita. Sentado em um hotel próximo do litoral, é possível ouvir o fogo de metralhadora das canhoneiras israelenses expulsando os pescadores das águas territoriais de Gaza e de volta para terra, os forçando a pescarem em águas altamente poluídas por causa da recusa americana e israelense de permitir a reconstrução dos sistemas de tratamento de esgoto e de energia que eles destruíram. (grifos nossos)
O Acordo de Oslo continha planos para duas usinas de dessalinização, uma necessidade nessa região árida. Uma, uma instalação avançada, foi construída: em Israel. A segunda é em Khan Yunis, no sul de Gaza. O engenheiro encarregado em KhanYunis explicou que a usina foi projetada para que não possa usar água do mar, mas sim dependa de águas subterrâneas, um processo mais barato que degrada ainda mais o aquífero limitado, garantindo problemas severos no futuro.
A oferta de água ainda assim é severamente limitada. A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (Unrwa, na sigla em inglês), que cuida dos refugiados, mas não dos demais moradores de Gaza, divulgou recentemente um relatório alertando que os danos ao aquífero podem em breve se tornar “irreversíveis”, e que sem uma ação rápida, Gaza pode deixar de ser um local habitável em 2020. (grifos nossos)
Israel permite a entrada de concreto para projetos da Unrwa, mas não para os moradores de Gaza envolvidos nos grandes esforços de reconstrução. O equipamento pesado limitado permanece em grande parte ocioso, já que Israel não permite materiais para reparo. (grifos nossos)
Tudo isso faz parte do programa geral que Dov Weisglass, um conselheiro do primeiro-ministro Olmert, descreveu depois que os palestinos não seguiram as ordens nas eleições de 2006: “A ideia”, ele disse, “é submeter os palestinos a uma dieta, mas não deixá-los morrer de fome”. (grifos nossos)
Recentemente, após vários anos do esforço, a organização israelense de direitos humanos Gisha teve sucesso em obter uma ordem judicial para que o governo divulgue seus documentos detalhando os planos para a “dieta”. Jonathan Cook, um jornalista baseado em Israel, os resumiu: “As autoridades de saúde forneceram cálculos do número mínimo de calorias necessárias para os 1,5 milhão de habitantes de Gaza não ficarem desnutridos. Esses números foram então transformados em caminhões de comida que Israel supostamente permite que entrem diariamente –uma média de apenas 67 caminhões, muito menos da metade do mínimo necessário– em Gaza. Em comparação, eram mais de 400 caminhões antes do início do bloqueio”. (grifos nossos)
O resultado da dieta imposta, observa o acadêmico de Oriente Médio, Juan Cole, é que “cerca de 10% das crianças palestinas em Gaza com menos de 5 anos tiveram seu crescimento atrofiado pela desnutrição. (…) Além disso, a anemia é disseminada, afetando mais de dois terços das crianças pequenas, 58,6% das crianças em idade escolar e mais de um terço das mães grávidas”.
Sourani, o defensor de direitos humanos, observa que “o que é preciso ter em mente é que a ocupação e o cerco absoluto é um ataque contínuo à dignidade humana da população de Gaza, em particular, e de todos os palestinos, em geral. É uma degradação, humilhação, isolamento e fragmentação sistemática da população palestina”.
Essa conclusão foi confirmada por muitas outras fontes. Na “The Lancet”, uma importante revista médica, Rajaie Batniji, um médico visitante de Stanford, descreve Gaza como “uma espécie de laboratório para observar a ausência de dignidade”, uma condição que tem efeitos “devastadores” no bem-estar físico, mental e social.
“A vigilância constante do céu, a punição coletiva por meio do bloqueio e do isolamento, a invasão de lares e das comunicações, e as restrições a aqueles que tentam viajar, casar ou trabalhar tornam difícil viver uma vida digna em Gaza”, escreve Batniji. Os araboushim precisam ser ensinados a não levantarem suas cabeças.
Havia esperança de que o novo governo de Mohammed Mursi no Egito, que é menos escravizado a Israel do que a ditadura de Hosni Mubarak apoiada pelo Ocidente, poderia abrir a Travessia de Rafah, o único acesso de Gaza ao exterior que não está sujeito ao controle israelense direto. Houve uma leve abertura, mas não muito.
A jornalista Leila el Haddad escreve que a reabertura sob Mursi “é simplesmente um retorno ao status quo de anos anteriores: apenas os palestinos portando identidades de Gaza aprovadas pelos israelenses podem usar a Travessia de Rafah”. Isso exclui um grande número de palestinos, incluindo a própria família de El Haddad, onde apenas um cônjuge tem uma carteira de identidade.
Além disso, ela continua, “a travessia não leva à Cisjordânia, nem permite o transporte de bens, que são restringidos às travessias controladas pelos israelenses e estão sujeitos às proibições a materiais de construção e exportação”. (grifos nossos)
A Travessia de Rafah restrita não muda o fato de “Gaza permanecer sob forte sítio marítimo e aéreo, e permanecer fechada para capitais culturais, econômicos e acadêmicos palestinos do restante dos territórios ocupados por Israel, em violação às obrigações americanas e israelenses segundo o Acordo de Oslo”.
Os efeitos são dolorosamente evidentes. O diretor do hospital de Khan Yunis, que também é o chefe de cirurgia, descreve com fúria e paixão a falta até mesmo de medicamentos, o que deixa os médicos impotentes e os pacientes em agonia.
Uma jovem relata sobre a doença de seu pai falecido. Apesar do orgulho dele por ela ter sido a primeira mulher no campo de refugiados a obter um diploma avançado, ela diz, “ele faleceu depois de seis meses de luta contra um câncer, aos 60 anos”.
“A ocupação israelense lhe negou a permissão para receber tratamento em hospitais israelenses. Eu tive que suspender meus estudos, meu trabalho e minha vida para ficar ao lado de seu leito. Todos nós ficamos, incluindo meu irmão, o médico, e minha irmã, a farmacêutica, impotentes e sem esperança, assistindo seu sofrimento. Ele morreu durante o bloqueio desumano de Gaza em meados de 2006, com muito pouco acesso ao serviço de saúde.” (grifos nossos)
“Eu acho que a sensação de impotência e desesperança é o pior sentimento que um ser humano pode sentir. Ele mata o espírito e parte seu coração. Você pode lutar contra a ocupação, mas não pode lutar contra seu sentimento de impotência. Não dá nem mesmo para dissolver esse sentimento.”
Um visitante a Gaza não pode deixar de se sentir enojado com a obscenidade da ocupação, somada com a culpa, porque está dentro de nosso poder colocar um fim a esse sofrimento e permitir que os samidin tenham as vidas de paz e dignidade que merecem. (grifos nossos)

O PT E O JULGAMENTO DA AÇÃO PENAL 470 - Nota Oficial,

O PT, amparado no princípio da liberdade de expressão, critica e torna pública sua discordância da decisão do Supremo Tribunal Federal que, no julgamento da Ação Penal 470, condenou e imputou penas desproporcionais a alguns de seus filiados.

1. O STF não garantiu o amplo direito de defesa
O STF negou aos réus que não tinham direito ao foro especial a possibilidade de recorrer a instâncias inferiores da Justiça. Suprimiu-lhes, portanto, a plenitude do direito de defesa, que é um direito fundamental da cidadania internacionalmente consagrado.

A Constituição estabelece, no artigo 102, que apenas o presidente, o vice-presidente da República, os membros do Congresso Nacional, os próprios ministros do STF e o Procurador Geral da República podem ser processados e julgados exclusivamente pela Suprema Corte. E, também, nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os ministros de Estado, os comandantes das três Armas, os membros dos Tribunais superiores, do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática em caráter permanente.

Foi por esta razão que o ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, logo no início do julgamento, pediu o desmembramento do processo. O que foi negado pelo STF, muito embora tenha decidido em sentido contrário no caso do “mensalão do PSDB” de Minas Gerais.

Ou seja: dois pesos, duas medidas; situações idênticas tratadas desigualmente.

Vale lembrar, finalmente, que em quatro ocasiões recentes, o STF votou pelo desmembramento de processos, para que pessoas sem foro privilegiado fossem julgadas pela primeira instância – todas elas posteriores à decisão de julgar a Ação Penal 470 de uma só vez.

Por isso mesmo, o PT considera legítimo e coerente, do ponto de vista legal, que os réus agora condenados pelo STF recorram a todos os meios jurídicos para se defenderem.

2. O STF deu valor de prova a indícios

Parte do STF decidiu pelas condenações, mesmo não havendo provas no processo. O julgamento não foi isento, de acordo com os autos e à luz das provas. Ao contrário, foi influenciado por um discurso paralelo e desenvolveu-se de forma “pouco ortodoxa” (segundo as palavras de um ministro do STF). Houve flexibilização do uso de provas, transferência do ônus da prova aos réus, presunções, ilações, deduções, inferências e a transformação de indícios em provas.

À falta de elementos objetivos na denúncia, deducões, ilações e conjecturas preencheram as lacunas probatórias – fato grave sobretudo quando se trata de ação penal, que pode condenar pessoas à privação de liberdade. Como se sabe, indícios apontam simplesmente possibilidades, nunca certezas capazes de fundamentar o livre convencimento motivado do julgador. Indícios nada mais são que sugestões, nunca evidências ou provas cabais.

Cabe à acusação apresentar, para se desincumbir de seu ônus processual, provas do que alega e, assim, obter a condenação de quem quer que seja. No caso em questão, imputou-se aos réus a obrigação de provar sua inocência ou comprovar álibis em sua defesa—papel que competiria ao acusador. A Suprema Corte inverteu, portanto, o ônus da prova.

3. O domínio funcional do fato não dispensa provas

O STF deu estatuto legal a uma teoria nascida na Alemanha nazista, em 1939, atualizada em 1963 em plena Guerra Fria e considerada superada por diversos juristas. Segundo esta doutrina, considera-se autor não apenas quem executa um crime, mas quem tem ou poderia ter, devido a sua função, capacidade de decisão sobre sua realização. Isto é, a improbabilidade de desconhecimento do crime seria suficiente para a condenação.

Ao lançarem mão da teoria do domínio funcional do fato, os ministros inferiram que o ex-ministro José Dirceu, pela posição de influência que ocupava, poderia ser condenado, mesmo sem provarem que participou diretamente dos fatos apontados como crimes. Ou que, tendo conhecimento deles, não agiu (ou omitiu-se) para evitar que se consumassem. Expressão-síntese da doutrina foi verbalizada pelo presidente do STF, quando indagou não se o réu tinha conhecimento dos fatos, mas se o réu “tinha como não saber”…

Ao admitir o ato de ofício presumido e adotar a teoria do direito do fato como responsabilidade objetiva, o STF cria um precedente perigoso: o de alguém ser condenado pelo que é, e não pelo que teria feito.

Trata-se de uma interpretação da lei moldada unicamente para atender a conveniência de condenar pessoas específicas e, indiretamente, atingir o partido a que estão vinculadas.

4. O risco da insegurança jurídica

As decisões do STF, em muitos pontos, prenunciam o fim do garantismo, o rebaixamento do direito de defesa, do avanço da noção de presunção de culpa em vez de inocência. E, ao inovar que a lavagem de dinheiro independe de crime antecedente, bem como ao concluir que houve compra de votos de parlamentares, o STF instaurou um clima de insegurança jurídica no País.

Pairam dúvidas se o novo paradigma se repetirá em outros julgamentos, ou, ainda, se os juízes de primeira instância e os tribunais seguirão a mesma trilha da Suprema Corte.

Doravante, juízes inescrupulosos, ou vinculados a interesses de qualquer espécie nas comarcas em que atuam poderão valer-se de provas indiciárias ou da teoria do domínio do fato para condenar desafetos ou inimigos políticos de caciques partidários locais.

Quanto à suposta compra de votos, cuja mácula comprometeria até mesmo emendas constitucionais, como as das reformas tributária e previdenciária, já estão em andamento ações diretas de inconstitucionalidade, movidas por sindicatos e pessoas físicas, com o intuito de fulminar as ditas mudanças na Carta Magna.

Ao instaurar-se a insegurança jurídica, não perdem apenas os que foram injustiçados no curso da Ação Penal 470. Perde a sociedade, que fica exposta a casuísmos e decisões de ocasião. Perde, enfim, o próprio Estado Democrático de Direito.

5. O STF fez um julgamento político

Sob intensa pressão da mídia conservadora—cujos veículos cumprem um papel de oposição ao governo e propagam a repulsa de uma certa elite ao PT – ministros do STF confirmaram condenações anunciadas, anteciparam votos à imprensa, pronunciaram-se fora dos autos e, por fim, imiscuiram-se em áreas reservadas ao Legislativo e ao Executivo, ferindo assim a independência entre os poderes.

Único dos poderes da República cujos integrantes independem do voto popular e detêm mandato vitalício até completarem 70 anos, o Supremo Tribunal Federal – assim como os demais poderes e todos os tribunais daqui e do exterior – faz política. E o fez, claramente, ao julgar a Ação Penal 470.

Fez política ao definir o calendário convenientemente coincidente com as eleições. Fez política ao recusar o desmembramento da ação e ao escolher a teoria do domínio do fato para compensar a escassez de provas.

Contrariamente a sua natureza, de corte constitucional contra-majoritária, o STF, ao deixar-se contaminar pela pressão de certos meios de comunicação e sem distanciar-se do processo político eleitoral, não assegurou-se a necessária isenção que deveria pautar seus julgamentos.

No STF, venceram as posições políticas ideológicas, muito bem representadas pela mídia conservadora neste episódio: a maioria dos ministros transformou delitos eleitorais em delitos de Estado (desvio de dinheiro público e compra de votos).

Embora realizado nos marcos do Estado Democrático de Direito sob o qual vivemos, o julgamento, nitidamente político, desrespeitou garantias constitucionais para retratar processos de corrupção à revelia de provas, condenar os réus e tentar criminalizar o PT. Assim orientado, o julgamento convergiu para produzir dois resultados: condenar os réus, em vários casos sem que houvesse provas nos autos, mas, principalmente, condenar alguns pela “compra de votos” para, desta forma, tentar criminalizar o PT.

Dezenas de testemunhas juramentadas acabaram simplesmente desprezadas. Inúmeras contraprovas não foram sequer objeto de análise. E inúmeras jurisprudências terminaram alteradas para servir aos objetivos da condenação.

Alguns ministros procuraram adequar a realidade à denúncia do

Procurador Geral, supostamente por ouvir o chamado clamor da opinião pública, muito embora ele só se fizesse presente na mídia de direita, menos preocupada com a moralidade pública do que em tentar manchar a imagem histórica do governo Lula, como se quisesse matá-lo politicamente. O procurador não escondeu seu viés de parcialidade ao afirmar que seria positivo se o julgamento interferisse no resultado das eleições.

A luta pela Justiça continua

O PT envidará todos os esforços para que a partidarização do Judiciário, evidente no julgamento da Ação Penal 470, seja contida. Erros e ilegalidades que tenham sido cometidos por filiados do partido no âmbito de um sistema eleitoral inconsistente – que o PT luta para transformar através do projeto de reforma política em tramitação no Congresso Nacional – não justificam que o poder político da toga suplante a força da lei e dos poderes que emanam do povo.

Na trajetória do PT, que nasceu lutando pela democracia no Brasil, muitos foram os obstáculos que tivemos de transpor até nos convertermos no partido de maior preferência dos brasileiros. No partido que elegeu um operário duas vezes presidente da República e a primeira mulher como suprema mandatária. Ambos, Lula e Dilma, gozam de ampla aprovação em todos os setores da sociedade, pelas profundas transformações que têm promovido, principalmente nas condições de vida dos mais pobres.

A despeito das campanhas de ódio e preconceito, Lula e Dilma elevaram o Brasil a um novo estágio: 28 milhões de pessoas deixaram a miséria extrema e 40 milhões ascenderam socialmente.

Abriram-se novas oportunidades para todos, o Brasil tornou-se a 6a.economia do mundo e é respeitado internacionalmente, nada mais devendo a ninguém.

Tanto quanto fizemos antes do início do julgamento, o PT reafirma sua convicção de que não houve compra de votos no Congresso Nacional, nem tampouco o pagamento de mesada a parlamentares. Reafirmamos, também, que não houve, da parte de petistas denunciados, utilização de recursos públicos, nem apropriação privada e pessoal.

Ao mesmo tempo, reiteramos as resoluções de nosso Congresso Nacional, acerca de erros políticos cometidos coletiva ou individualmente.

É com esta postura equilibrada e serena que o PT não se deixa intimidar pelos que clamam pelo linchamento moral de companheiros injustamente condenados. Nosso partido terá forças para vencer mais este desafio. Continuaremos a lutar por uma profunda reforma do sistema político – o que inclui o financiamento público das campanhas eleitorais – e pela maior democratização do Estado, o que envolve constante disputa popular contra arbitrariedades como as perpetradas no julgamento da Ação Penal 470, em relação às quais não pouparemos esforços para que sejam revistas e corrigidas.

Conclamamos nossa militância a mobilizar-se em defesa do PT e de nossas bandeiras; a tornar o partido cada vez mais democrático e vinculado às lutas sociais. Um partido cada vez mais comprometido com as transformações em favor da igualdade e da liberdade.

São Paulo, 14 de novembro de 2012.

Comissão Executiva Nacional do PT.

Seis motivos para um julgamento de exceção | Conversa Afiada

Seis motivos para um julgamento de exceção | Conversa Afiada

SEIS MOTIVOS PARA UM
JULGAMENTO DE EXCEÇÃO

“Na falta de ‘atos de ofício’ que vinculem réus às supostas ações criminosas, os ministros – como Rosa Weber e Celso de Mello – têm se valido da teoria do ‘domínio do fato’”







Saiu na Carta Maior:



MENSALÃO’: OS 6 ARGUMENTOS DOS QUE ACUSAM O STF DE PROMOVER UM JULGAMENTO DE EXCEÇÃO

Críticas ao Supremo Tribunal Federal se intensificam à medida que julgamento da ação penal 470 avança para decidir futuro da antiga cúpula do PT. Ao analisar essas manifestações, a Carta Maior encontrou seis principais linhas argumentativas. São elas: 1) Pressão da grande imprensa; 2) Protagonismo da teoria do “domínio do fato”; 3) Nova interpretação do crime de lavagem de dinheiro; 4) Tratamento distinto do “mensalão tucano”; 5) Julgamento em pleno período eleitoral; 6) Preconceito contra a política e o campo popular.

Marcel Gomes*

São Paulo – À medida que avança o julgamento do chamado ‘mensalão’ no Supremo Tribunal Federal (STF), também se avolumam manifestações de intelectuais, juristas e outros nomes públicos sobre as decisões dos ministros. Nesta quarta-feira (26), uma “carta aberta ao povo brasileiro”, assinada por dezenas de personalidades, se espalha pela internet. E comentaristas como o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos já falam que o STF pode estar conduzindo um “julgamento de exceção”.

As críticas recaem sobre diversas questões que envolvem a análise do processo até aqui. Passam pelo ambiente externo ao julgamento, no qual a grande imprensa assume abertamente posição pró-punição, e chegam às teses empregadas pelos ministros nas condenações, consideradas em alguns casos como reinterpretação de posições anteriores da corte.

A Carta Maior reuniu, a seguir, as seis principais linhas argumentativas utilizadas pelos críticos do STF em artigos de jornais, entrevistas e outras manifestações públicas nas últimas semanas. Em geral, eles não tratam da inocência ou culpa dos réus, mas cobram respeito ao devido processo legal – o abrangente conceito constitucional que é uma das bases do estado democrático de direito. Confira:

1) Pressão da grande imprensa: antes do início do julgamento, o jurista Celso Antonio Bandeira de Mello já alertava para o risco de que o STF tomasse uma decisão “política” e não “técnica”, diante da enorme pressão da grande imprensa pela condenação dos réus. Conforme essa linha crítica, a corte, poderia atropelar direitos dos réus, como o duplo grau de jurisdição (o que foi negado no início do julgamento, quando se recusou o desmembramento) e o princípio do contraditório (uso de declarações à imprensa e à CPI pelos réus). Vale lembrar que em 2007, quando o STF aceitou a denúncia, o ministro Ricardo Lewandowski foi flagrado em uma conversa telefônica em que dizia que a “imprensa acuou o Supremo” e “todo mundo votou com a faca no pescoço”.

2) Protagonismo da teoria do “domínio do fato”: na falta de “atos de ofício” que vinculem réus às supostas ações criminosas, os ministros – como Rosa Weber e Celso de Mello – têm se valido da teoria do “domínio do fato”, que busca fundamentar a punição de mandantes que por ventura não tenham deixado rastros. O problema é que essa teoria é de rara utilização no STF, e não costuma servir de base única para condenações, segundo o professor da USP Renato de Mello Jorge Silveira, pesquisador do assunto. Diante da ausência de provas e da fragilidade dos indícios contra o ex-ministro José Dirceu, chamado de “chefe da quadrilha” na denúncia do Ministério Público Federal, especula-se que os ministros terão de se valer dessa tese para condená-lo.

3) Nova interpretação do crime de lavagem de dinheiro: pelo entendimento pacificado até antes do “mensalão”, a materialidade da lavagem de dinheiro pressupunha ao menos duas etapas – a prática de um crime antecedente e a conduta de ocultar ou dissimular o produto oriundo do ilícito penal anterior. A entrega dos recursos provenientes dos “empréstimos fictícios” do Banco Rural foi considerada lavagem, e não exaurimento do crime antecedente de gestão fraudulenta de instituição financeira. Da mesma forma, e por apenas um voto de diferença, o saque do dinheiro na boca do caixa foi considerado lavagem, e não exaurimento do crime de corrupção. Para os advogados, esse novo entendimento superdimensionará o crime de lavagem, já que sempre que alguém cometer qualquer delito com resultados financeiros e os entregar a outro, incorrerá, automaticamente, nesta prática.

4) Tratamento distinto do “mensalão tucano”: o suposto esquema de financiamento ilegal de campanhas políticas do PSDB de Minas Gerais, montado pelo publicitário Marcos Valério, aconteceu em 1998, portanto cinco antes do caso que envolve o PT. Entretanto, não há previsão de quando haverá o julgamento. O chamado “mensalão tucano” tem 15 pessoas como rés e acabou desmembrado entre STF e Justiça mineira pelo ministro Joaquim Barbosa, que, no entanto, recusou esse mesmo pedido dos advogados no caso em julgamento. O tratamento do Ministério Público Federal também foi distinto: na ação penal contra o PT, o MPF entendeu que o repasse de dinheiro para saldar dívidas de campanha configura crimes como corrupção ativa, peculato e quadrilha. Já no processo contra o PSDB, o entendimento foi de que era mero caixa dois eleitoral. Por causa disso, no caso mineiro o MPF pediu o arquivamento do inquérito contra 79 deputados e ex-deputados que receberam recursos.

5) Julgamento em pleno período eleitoral: ao decidir fazer o julgamento no período das eleições municipais, o STF tornou-se um dos protagonistas das campanhas dos adversários do PT. As decisões dos ministros têm sido amplamente divulgadas nos programas de rádio e televisão, que pretendem gerar danos à imagem de candidatos do partido sem qualquer relação com o processo do “mensalão”. Os efeitos eleitorais das decisões da corte podem ser ainda mais intensos porque a maioria dos réus petistas deve ser julgada na semana anterior às eleições municipais.

6) Preconceito contra a política e o campo popular: ainda que os ministros do STF estejam fundamentando juridicamente suas decisões, conforme o princípio da ampla defesa, algumas manifestações durante o julgamento revelam “preconceito” contra os políticos, em especial os do campo popular. O cientista político Wanderley Guilherme dos Santos tratou do assunto em entrevista à Carta Maior, ao dizer que há um “discurso paralelo contra a atividade política profissional” nas falas de alguns ministros. Não é surpresa que esse discurso é o mesmo daquele da grande mídia, em que o tom acusatório sempre reverberou contra os réus do suposto “mensalão”.

*Colaborou Najla Passos, de Brasília

sábado, 17 de novembro de 2012

A cobertura da mídia sobre Gaza: nós sabemos! - Portal Vermelho

A cobertura da mídia sobre Gaza: nós sabemos! - Portal Vermelho

Em texto manifesto, linguistas denunciam a manipulação do notíciário pela grande imprensa para camuflar o massacre do povo palestino, apelam a jornalistas para que não sirvam de joguetes e para que as pessoas se informem pela mídia independente. Entre os signatários, Noam Chomsky. Confira a íntegra.


Enquanto países na Europa e América do Norte relembravam as baixas militares das guerras presentes e passadas, em 11 de Novembro, Israel estava alvejando civis. Em 12 de novembro, leitores que acordavam para uma nova semana tiveram já no café da manhã o coração dilacerado pelos incontáveis relatos das baixas militares passadas e presentes.

Leia também:
Faixa de Gaza: Israel autoriza convocação de 30 mil reservistas
Faixa de Gaza: Israel intensifica ofensiva militar

Não havia, porém, nenhuma ou quase nenhuma menção ao fato de que a maioria das baixas das guerras modernas de hoje são civis. Era também difícil alguma menção, nessa manhã de 12 de novembro, aos ataques militares à Gaza, que continuaram pelo final de semana. Um exame superficial comprova isso na CBC do Canada, Globe and mail, na Gazette de Montreal e na Toronto Star. A mesma coisa no New York Times e na BBC

De acordo com o relato do Centro Palestino para os Direitos Humanos (PCHR, pela sigla em inglês) de domingo, 11 de Novembro, cinco palestinos, entre eles três crianças, foram assassinados na Faixa de Gaza, nas 72 horas anteriores, além de dois seguranças. Quatro das mortes resultaram das granadas de artilharia disparadas pelos militares israelenses contra jovens que jogavam futebol. Além disso, 52 civis foram feridos, seis dos quais eram mulheres e 12 crianças. (Desde que este texto começou a ser escrito, o número de mortos palestinos subiu, e continua a aumentar.)

Artigos que relatam os assassinatos destacam esmagadoramente a morte de seguranças palestinos. Por exemplo, um artigo da Associated Press publicado no CBC em 13 de novembro, intitulado "Israel estuda retomada dos assassinatos de militantes de Gaza", não menciona absolutamente nada de civis mortos e feridos. Ele retrata as mortes como alvos "assassinados". O fato de que as mortes têm sido, na imensa maioria, de civis, mostra que Israel não está tão engajado em "alvos" quanto em assassinatos "coletivos". Assim, mais uma vez, comete o crime de punição coletiva.

Outra notícia de AP na CBC de 12 de novembro diz que os foguetes de Gaza aumentam a pressão sobre o governo de Israel. Traz a foto de uma mulher israelense olhando um buraco no teto de sua sala. Novamente, não há imagens, nem menção às numerosas vítimas sangrando ou cadáveres em Gaza. Na mesma linha, a manchete da BBC diz que Israel é atingido por rajadas de foguetes vindos de Gaza. A mesma tendência pode ser vista nos grandes jornais da Europa.

A maioria esmagadora das noiticias enfatizam que os foguetes foram lançados de Gaza, nenhum dos quais causaram vítimas humanas. O que não está em foco são os bombardeios sobre Gaza, que resultaram em numerosas vítimas graves e fatais. Não é preciso ser um especialista em ciências da mídia para entender que estamos, na melhor das hipóteses, diante de relatos distorcidos e de má qualidade e, na pior, de manipulação propositadamente desonesta.

Além disso, os artigos que se referem à vítimas palestinas em Gaza relatam consistentemente que as operações israelenses se dão em resposta ao lançamento de foguetes a partir de Gaza e à lesão de soldados israelenses. No entanto, a cronologia dos eventos do recente surto começou em 5 de novembro, quando um inocente, aparentemente mentalmente incapaz, homem de 20 anos, Ahmad al-Nabaheen, foi baleado quando passeava perto da fronteira. Os médicos tiveram que esperar seis horas até serem autorizados a buscá-lo. Eles suspeitam que o homem pode ter morrido por causa desse atraso. Depois, em 08 de novembro, um menino de 13 anos que jogava futebol em frente de sua casa foi morto por fogo do IOF, que chegou ao território de Gaza em tanques e helicópteros. O ferimento de quatro soldados israelenses na fronteira em 10 de novembro, portanto, já era parte de uma cadeia de eventos que começou quando os civis de Gaza foram mortos.

Nós, os signatários, voltamos recentemente de uma visita à Faixa de Gaza. Alguns de nós estamos agora conectados aos palestinos que vivem em Gaza através de mídias sociais. Por duas noites seguidas, palestinos em Gaza foram impedidos de dormir pela movimentação contínua de drones, F16, e bombardeios indiscriminados sobre vários alvos na densamente povoada Faixa de Gaza . A intenção clara é de aterrorizar a população, e com sucesso, como podemos verificar a partir de relatos dos nossos amigos. Se não fosse pelas postagens no Facebook, não estaríamos conscientes do grau de terror sentido pelos simples civis palestinos em Gaza. Isto contrasta totalmente com a consciência mundial sobre cidadãos israelenses chocados e aterrorizados.

O trecho de um relato enviado por um médico canadense que esteva em Gaza, servindo no hospital Shifa ER no final de semana, diz: " os feridos eram todos civis, com várias perfurações por estilhaços: lesões cerebrais, lesões no pescoço, hemo-Pneumo tórax, tamponamento cardíaco, ruptura do baço, perfurações intestinais, membros estraçalhados, amputações traumáticas. Tudo isso sem monitores, poucos estetoscópios, uma máquina de ultra-som. .... Muitas pessoas com ferimentos graves, mas sem a vida ameaçada foram mandadas para casa para ser reavaliadas na parte da manhã, devido ao grande volume de baixas. Os ferimentos por estilhaços penetrantes eram assustadores. Pequenas feridas com grandes ferimentos internos. Havia muito pouca Morfina para analgesia."

Aparentemente, tais cenas não são interessantes para o New York Times, a CBC, ou a BBC.

Preconceito e desonestidade com relação à opressão dos palestinos não é nada novo na mídia ocidental e tem sido amplamente documentado. No entanto, Israel continua seus crimes contra a humanidade com a anuência plena e apoio financeiro, militar e moral de nossos governos, os EUA, o Canadá e a União Europeia. Netanyahu está ganhando apoio diplomático ocidental para operações adicionais em Gaza, que nos fazem temer que outra operação Cast Lead esteja no horizonte. Na verdade, os novos acontecimentos são a confirmação de que tal escalada já começou, como a contabilização das mortes de hoje que aumenta.

A falta generalizada de indignação pública a estes crimes é uma conseqüência direta do modo sistemático em que os fatos são retidos ou da maneira distorcida que esses crimes são retratados.

Queremos expressar nossa indignação com a cobertura repreensível desses atos pela mainstream mídia (grande imprensa corporativa). Apelamos aos jornalistas de todo o mundo que trabalham nessas mídias que se recusem a servir de instrumentos dessa política sistemática de camuflagem. Apelamos aos cidadãos para que se informem através de meios de comunicação independentes, e exprimam a sua consciência por qualquer meio que lhes seja acessível.

Hagit Borer, linguist, Queen Mary University of London (UK)

Antoine Bustros, composer and writer, Montreal (Canada)

Noam Chomsky, linguist, Massachussetts Institute of Technology, US

David Heap, linguist, University of Western Ontario (Canada)

Stephanie Kelly, linguist, University of Western Ontario (Canada)

Máire Noonan, linguist, McGill University (Canada)

Philippe Prévost, linguist, University of Tours (France)

Verena Stresing, biochemist, University of Nantes (France)

Laurie Tuller, linguist, University of Tours (France)

Foto: Morre uma criança de 7 anos durante o bombardeio israelense a Gaza

Fonte: Ciranda da Informação Independente




sábado, 10 de novembro de 2012

Adital - Ubes convoca 2º Encontro Nacional de grêmios com agenda no Nordeste do Brasil

Adital - Ubes convoca 2º Encontro Nacional de grêmios com agenda no Nordeste do Brasil
Programação unirá encontro de mulheres e Festival de Cultura da entidade
O saldo dessa quarta-feira (7) fechou em uma agenda vitoriosa de atividades aos secundaristas brasileiros para o próximo semestre com a decisão unificada da diretoria Executiva da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas - UBES, que em reunião, convocou para 18 a 21 de janeiro de 2013, o maior encontro de grêmios estudantis de todos os estados do país, o 2° Encontro Nacional de Grêmios da entidade que acontecerá em Recife.
Com programação que busca alcançar todas as esferas do movimento secundaristas, por tamanha organização, pretendendo ocupar o nordeste brasileiro com as pautas secundaristas, o evento alcança prestígio sem precedentes na história da entidade que programa realizar na mesma data o 2° Encontro de Mulheres Estudantes e Festival de Cultura da UBES.
"Vivemos um momento único na história do Brasil, acabamos de aprovar uma luta histórica que foi a aprovação das cotas sociais e raciais nas universidades e o ensino técnico cada vez mais é popularizado, mas é preciso mudar radicalmente a escola. O 2º Encontro de grêmios aprovará a resolução da Nova Escola, uma escola que dialogue com a realidade e os anseios dos estudantes”.
O 2° Encontro Nacional de Grêmios será o ponto norteador de todo o evento encaminhando para o centro das discussões os três principais temas da educação pautados pelos estudantes, sendo estes: a construção da Nova Escola nas salas de aula de todo país; a luta incessante da entidade pelo Passe Livre, e em destaque, a defesa do Ensino Técnico no Brasil.
Jovens mulheres estudantes entram para o debate
Articulando ainda mais a participação das jovens secundaristas, a entidade também firma dentro da programação o debate de gênero dentro dos grupos de discussão, buscando integrar toda base do movimento secundarista.
"A educação é a principal forma de transformar a sociedade, apesar das mulheres cada vez mais ocuparem postos de destaque, ainda enfrentamos muitas discriminação nas salas de aula, no estágio, no trabalho e na política. Discutir a participação da mulher na sociedade significa – obrigatoriamente, incluir essa discussão transversalizada na escola”.
Criando um espaço exclusivo para o debate de mulheres, a juventude secundarista terá a oportunidade de aumentar a interlocução, a interação entre culturas e agregar a força e representatividade do movimento estudantil secundarista, que é de enfatizar a valorização das jovens mulheres que atuam no mercado de trabalho e na política, construir uma pauta de implementação seja na educação não sexista dentro da sala de aula, na sexualidade e na saúde.
Festival de cultura da UBES
Aproveitando a estadia em solo nordestino, os secundaristas se apropriando da cultura e comemorando o centenário de Luiz Gonzaga, preparam como atividades integradas ao Encontro de Grêmios e de Mulheres, o Festival de Cultura da UBES em Recife, em breve com definição da agenda.
A notícia é da Ubes

Grabois e Amazonas são citados como exemplos da causa comunista - Portal Vermelho

Grabois e Amazonas são citados como exemplos da causa comunista - Portal Vermelho

O centenário dos dois líderes comunistas Maurício Grabois e João Amazonas reuniu, em sessão solene, nesta sexta-feira (9), na Câmara dos Deputados, em Brasília, parlamentares e dirigentes do PCdoB, militantes e simpatizantes da bandeira socialista, que lotaram o plenário da Câmara. Deputados constituintes de 1946, a vida política e partidária dos dois líderes inspira os comunistas de hoje.
 


Agência Câmara
Grabois e Amazonas são citados como exemplos da causa comunista De punho erguido, a plateia grita: “Um, dois, três/ Quatro, cinco mil/ E viva o Partido Comunista do Brasil”.
Todos os oradores – comunistas, socialistas e petistas – destacaram a contribuição dos dois líderes no enfrentamento das ditaduras, na recondução do país á democracia e acima de tudo na luta pela construção de um país justo e desenvolvido.

O senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) fez um discurso inflamado, onde destacou que “Maurício Grabois e João Amazonas não são patrimônio só de vocês, do PCdoB, mas de todos os brasileiros que sonham com uma pátria justa e democrática”.

A líder do PCdoB na Câmara, deputada Luciana Santos (PE-foto), que requereu a realização da sessão solene, levou um trio de cordas para tocar a Internacional. Como ocorre tradicionalmente nos eventos do Partido, a apresentação foi finalizada com o grito de “Um, dois, três/ Quatro, cinco mil/ E viva o Partido Comunista do Brasil”.

Luciana Santos, que é também a vice-presidente nacional do Partido, foi quem primeiro discursou. Ela destacou a luta dos dois líderes comunistas pela democracia, soberania nacional e valorização dos trabalhadores e do povo brasileiro.

Citando nominalmente os familiares de João Amazonas que estiveram presentes à sessão, Luciana Santos disse que os dois líderes comunistas são exemplos de combatividade, incansáveis defensores do proletariado e colaboraram com a construção do PCdoB.

Ela leu uma carta do sobrinho-neto de Grabois. Carlos Augusto Grabois Gadelha, justificando a ausência e reafirmando a luta do tio-avô pela construção de uma nação socialista. O que fez também a deputada que, ao encerrar sua fala, disse que o PCdoB está em franco crescimento, com atuação em todas as áreas – negros, mulheres, sindical etc – e que a bancada dá voz aos anseios da população.

“Todo esse êxito é resultado do trabalho desses dois líderes”, assegurou, acrescentando que “vamos honrar esse legado em cada uma das nossas ações firmes na luta pela construção de mundo de justiça social e de respeito”.

Papel destacado

A fala de encerramento da solenidade foi do presidente nacional do Partido, Renato Rabelo. Ele falou sobre a convivência com João Amazonas, a quem definiu como “um gigante político”, que desempenhou importante papel no terreno político, ideológico e na prática.

“Esses dois grandes líderes comunistas tiveram papel destacado no legado da segunda geração do nosso partido cujo líder central dessa geração foi Luís Carlos Prestes, enfrentando a ditadura do Estado Novo, fizeram parte da conferência da Mantiqueira, para reestruturar a direção nacional do Partido que tinha sido desmantelada pela feroz repressão do Estado Novo".

Segundo Renato Rabelo, naquela ocasião, eles reafirmaram o caráter revolucionário do Partido permitindo a sua existência até nossos dias. “A trajetória dos dois se confundem com a trajetória do PCdoB. Suas lutas são expressões do caráter do Partido”, afirmou.

O dirigente do PCdoB lembrou também a luta de João Amazonas para reerguer o Partido no final da década de 1980 e de enterrar a ditadura militar. “Ele teve papel fundamental - contou Renato Rabelo -, quando foi derrotada a proposta das eleições diretas, ele entendeu que devia derrotar a ditadura com as armas da ditadura e foi ao Colégio Eleitoral”.

E ao encerrar sua fala, dizendo que por tudo isso o PCdoB referencia a memória gloriosa e o exemplo triunfante de João Amazonas e Maurício Grabois, levou a plateia a gritar novamente as palavras de ordem do Partido: “Um, dois, três/ Quatro, cinco mil/ E viva o Partido Comunista do Brasil”.

A solenidade seguiu com discursos que reafirmavam “o exemplo de coragem, solidariedade e capacidade de luta que engrandece trajetória dos comunistas como defensores intransigentes da justiça social”, como disse o Presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), em discurso lido pelo deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO).

Para Marco Maia, os dois líderes comunistas são “exemplo maior para os que são conduzidos aqui (parlamento) pelos eleitores”. E lembrou que quando as relações humanas estão marcadas pelo dinheiro, é importante beber na fonte da ideologia de Grabois e Amazonas, que pensaram no interesse da coletividade e dedicaram a vida a árdua tarefa de educar seus filhos e contemporâneos na construção da sociedade em que a riqueza seja distribuída igualmente, sem privilégios, uma bela sociedade sem luta de classe, sem ser guiada pela ganância.

“A Câmara dos Deputados muito se orgulha de tê-los em sua luta aguerrida pela justiça social”, finalizou o deputado petista.

Homens imprescindíveis

Para o senador Randolfe Rodrigues, que falou em nome dos convidados, a poesia de Brecht se encaixa perfeitamente aos dois comunistas. Diz Brecht na poesia citada: "Há homens que lutam um dia e são bons/ há outros que lutam um ano e são melhores/ há os que lutam muitos anos e são muito bons/ mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis".

João Amazonas e Maurício Grabois estão entre os lutadores que o povo brasileiro têm, os dois se dedicaram a mais belas das causas humanas, a do socialismo, disse o senador socialista, destacando que “todas as conquistas do povo brasileiro nos últimos 20 anos não seriam possíveis sem João Amazonas e Maurício Grabois".

O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) também destacou a formação dos dois líderes e suas escolhas pela causa comunista. “Esses homens, que se formaram no ardor da causa social, que precisavam resolver problemas do povo brasileiro, e assim construíram o nosso partido e ajudaram a história do Brasil, procurando o caminho da democracia”.

A deputada Jô Moraes (PCdoB-MG) e o deputado Assis Melo também discursaram. Eles saudaram a militâncias que esteve presente ao evento. E, a exemplo da líder do Partido na Câmara, destacaram que a sessão solene não era apenas de homenagem aos dois heroicos brasileiros, mas para reafirmação de seus compromissos, que é luta pelo socialismo, pela transformação desse país.

O deputado Amaury Teixeira (PT-BA) chegou ao final da sessão, mas fez questão de discursar para destacar a aliança do PT com o PCdoB, que garantiu a construção da nova história do Brasil. Ele destacou a presença da militância que encheu todo o plenário e disse que se unia aos comunistas no reconhecimento e homenagem aos dois grandes comunistas que lutaram para mudar a história do Brasil.

Na abertura da sessão, foi exibido um vídeo com depoimentos e imagens, que contavam a vida dos dois líderes comunista - desde o encontro deles com a causa comunista, que os aproximou, até as eleições dos dois como deputados constituintes em 1946. Quando foram cassados, Grabois disse que quando a democracia voltasse ao Brasil os comunistas voltariam ao parlamento e realmente voltaram.

Ao final da sessão, houve o lançamento dos livros Meu verbo é lutar – A vida e o pensamento de João Amazonas, de Augusto Buonicore; e Maurício Grabois – Uma vida de combates, de Osvaldo Bertolino. Renato Rabelo autografou o livro PCdoB: 90 anos em defesa do Brasil, da democracia e do socialismo.



De Brasília
Márcia Xavier

PCdoB manifesta solidariedade ao povo cubano - Portal Vermelho

PCdoB manifesta solidariedade ao povo cubano - Portal Vermelho


Em nota divulgada nesta sexta-feira (9), pela Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil, que se reuniu em Brasília, manifestou solidariedade ao povo cubano e ao governo daquele país em decorrência dos acontecimentos que se sucederam à passagem do furacão Sandy pelo território da ilha caribenha.
"Para enfrentar o furacão evacuaram-se mais de 330.000 pessoas e destas mais de 300.000 em casas de família. Houve onze mortos, muitos danos a mais de 130.000 moradias", diz a nota.

"O Governo do Brasil já fez uma doação inicial para a Cruz Vermelha Internacional, e o movimento brasileiro de solidariedade a Cuba também já trabalha nesse sentido", ressalta o Partido, que também convoca todos os brasileiros a ajudarem Cuba.

"Fazemos um chamado a todo o povo brasileiro, nossas instituições estatais e nossas organizações populares, partidos e movimentos sociais, e em particular à militância do PCdoB, a manifestarem-se em solidariedade concreta ao povo cubano neste momento difícil", diz a nota.


Resolução da Comissão Política Nacional do PCdoB

Brasília, 9 de novembro de 2012

O Partido Comunista do Brasil manifesta a sua solidariedade ao povo cubano e ao Governo de Cuba, que se empenham para superar os trágicos danos causados pela passagem do furacão Sandy pelo região oriental de Cuba, especialmente pelas províncias de Santiago de Cuba, Holguín e Guantânamo, na madrugada de 25 de outubro.

O furacão Sandy, que passou por Cuba com ventos superiores a 175 quilometros por hora, converteu-se em um dos mais devastadores que já afetaram o país caribenho.

Para enfrentar o furacão evacuaram-se mais de 330.000 pessoas e destas mais de 300.000 em casas de família. Houve onze mortos, muitos danos a mais de 130.000 moradias, ao sistema de geração elétrica, às comunicações e ao setor agropecuário, a 375 instituições de saúde e a 1.475 centros educacionais foram afetados.

O Governo de Cuba trabalha, liderado pelo camarada Raúl Castro, Presidente do Conselho de Estado e de Ministros, e faz grandes esforços para garantir, com o apoio e a participação popular, o abastecimento alimentar, o transporte, combustíveis, e materiais de construção e equipamentos para executar o plano de reconstrução.

Muitos governos e iniciativas populares de dezenas de países mobilizaram-se para apoiar de diversas formas os esforços do povo cubano para reconstruir as áreas atingidas pelas tempestades. O Governo do Brasil já fez uma doação inicial para a Cruz Vermelha Internacional, e o movimento brasileiro de solidariedade a Cuba também já trabalha nesse sentido.

Fazemos um chamado a todo o povo brasileiro, nossas instituições estatais e nossas organizações populares, partidos e movimentos sociais, e em particular à militância do PCdoB, a manifestarem-se em solidariedade concreta ao povo cubano neste momento difícil.

Reafirmamos nossa amizade e nossa mais profunda solidariedade ao povo cubano e sua Revolução, e ao Partido Comunista de Cuba, que saberão vencer os atuais desafios, como fazem desde 1959, defendendo sua Pátria e o Socialismo.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Juventudes pelo Brasil: fórum juvenil promete um 2013 de lutas e vitórias!

Paulo Vinícius Silva

Uma data por si histórica, o sete de novembro de 2012, 95º aniversário da Revolução Socialista na Rússia, acolheu um evento que pode marcar época também no Brasil. Refiro-me ao fato de a Juventude da CTB ter participado naquele dia de uma importante reunião das juventudes sociais, sindicais, estudantis e políticas na sede da UNE e da UBES em São Paulo. A reunião JUVENTUDE PELO BRASIL. 

O encontro chamou atenção pela representatividade e os propósitos ousados que o motivaram. Se a Coordenação dos Movimentos Sociais sempre se viu limitada ao aspecto gremial, pelas organizações que a congregam, o fórum juvenil se fortaleceu por ser fruto de uma mobilização que, liderada pelas entidades estudantis e o MST, tem a presença de juventudes como a União da Juventude Socialista, a Juventude do PT e a Juventude Pátria Livre. Mas não apenas: Consulta Popular, Juventude da CUT, ANPG, Levante da Juventude, UBM e MMM, o Barão de Itararé, a Nação Hip Hop Brasil, jovens ecumênicos, um amplo espectro de organizações que lembra o exitoso Fórum Nacional de Lutas que existiu até começo dos anos 2000 e que tanto contribuiu para a presente situação de avanços sociais e políticos no Brasil. 




O que querem as juventudes? Muita coisa, é óbvio! Veja-se a identidade que marcou o encontro quando foi tomando nome o horizonte de mudanças que aspiram. Naturalmente, mesmo sem definição prévia, logo, logo, surgiu na boca dos representantes a palavra secular que ainda fala ao coração: socialismo. É certo que um socialismo com as esperanças e a face da juventude de hoje. Não um socialismo de cátedra, não um socialismo de passado, mas um socialismo feito das bandeiras do passado e do presente, compreendido na luta para avançar os processos de mudança no Brasil e na América Latina, reconhecendo os limites atuais e propondo que, a partir da luta do povo se avancem para as conquistas que governos não podem dar, mas que a mobilização unitária pode atingir.


Deter-se-ão os e as jovens aonde param os governos? Poderão imprimir uma salutar e rebelde pressão para acelerar as mudanças em curso ou serão apenas mais do mesmo? Exercerão seu viés crítico e próprio, ou se manterão nos marcos existentes da mudança que, de tão negociada, é marcada por inaceitáveis continuidades? Não está definido, e a presença de organizações políticas é decisiva para esse tipo de reflexão e para a abrangência final que terá o espaço. Não há dúvidas que foi convocado sob o signo da luta. A juventude tem pressa.

Concretamente, é a defesa da juventude abandonada, sobretudo, o que caracteriza essa união. Uma grande preocupação com a situação da juventude oprimida pela miséria, pelo racismo, pela homofobia, pela super exploração no trabalho, pelo acesso desigual e elitista à educação, pelo machismo e a violência sexista contra as mulheres, pela propagação da intolerância, inclusive religiosa e as ameaças ao Estado laico, pela manipulação das grandes empresas de mídia, pela poluição nas cidades e o abandono das populações do campo que se soma à ausência de uma reforma agrária e a um modelo de desenvolvimento que respeite o meio ambiente e garanta nossa soberania. Como reflexão dos trabalhadores e trabalhadoras, a Juventude da CTB propôs que as organizações ali reunidas incorporassem à sua reflexão a Agenda Nacional da Classe Trabalhadora aprovada por milhares de trabalhadores e trabalhadoras em São Paulo no ano de 2010.
As juventudes reunidas passaram a limpo em poucas horas os principais problemas do desenvolvimento no Brasil e problematizaram como atuar num sentido unitário, como aprender juntas, como ampliar a sua capacidade de intervir na realidade atual. Indignante e ilustrativa da necessidade de uma Reforma Política é o descaso com a a situação da juventude expresso na decisão da Câmara que na noite anterior rejeitara a aplicação de 100% dos royalties do Pré-Sal na Educação. E entre todas as organizações ali presentes não havia qualquer dúvida que a educação é uma bandeira de todos, pilar importantíssimo da emancipação e do resgate da juventude brasileira. Também o encontro foi marcado pela indignação ante os preocupantes dados de assassinatos de jovens negros e da periferia, em especial em São Paulo. 

O cenário político é marcado também pela tentativa da direita, desesperada com seu declínio eleitoral, de judicializar a cena política e de criar condições para intervir na cena política sem o mandato das urnas, situação perigosa, como demonstraram acontecimentos semelhantes recentes em Honduras e no Paraguai. Chama atenção sobretudo pela virulência, expressa no intento de atingir o Ex-Presidente Lula, como observou André Tokarski, pela UJS. Assim, a união do povo e da juventude para ocupar as ruas pode assumir aspecto decisivo num futuro próximo, na defesa da democracia e dos avanços conquistados.

Foi ainda um primeiro encontro. E, que decidiram os jovens ali reunidos? Primeiro, seguir juntos. Um calendário próprio permitirá ampliar a integração das agendas e das ideias dessa juventude que buscará superar as especificidades nas pautas em busca de um sentido geral emancipador para sua luta na sociedade brasileira. Nesse sentido, orientou-se que os Estados reproduzissem durante novembro e dezembro essa reunião. A 19 de dezembro está previsto um outro encontro nacional em São Paulo. No dia 20 de fevereiro a esperança é uma Plenária Nacional. E o objetivo inicial é a unificação de grande e variada uma jornada de lutas da juventude brasileira para o mês de março de 2013 com atos de rua e conscientização para sacudir o país.


Coletivizando no Youtube