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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

PCdoB: lutar com consequência em busca da Frente Ampla - Paulo Vinícius Silva




Eu estranho muito essa análise de que "nos conspurcamos" se fizermos alianças. Objetivamente, isso não se sustenta.Exatamente forças que nos criticam são useiras e vezeiras em apoios claros e encobertos, acordos inconfessos. Por exemplo: o aceitar sem luta que se percam os espaços legislativos que vão favorecer a resistência. É um acordo também. Gravíssimo. É o WO. Essa grande atitude revolucionária contra o Maia significa o que? Nada. Desiste dos espaços que servirão ao entrincheiramento do povo na disputa pelos seus direitos. Nega a importância do que efetivamente se decide pelo fetiche do símbolo, da dureza do "não conciliar jamais". Nega à minoria parlamentar sob ataque, direito sagrado de fazer manobras parlamentares. Confunde moralismo com uma batalha de início de jogo, de regramento e de estabelecimento de relações. Joga todo o centro político para o lado de lá, com o risco de maioria qualificada, de exclusão, de perseguição, sem pejo.

Ninguém fica apavorado com o desprendimento de uma minoria parlamentar que tem como grande ato inaugural de ação no parlamento a derrota e o auto-isolamento e a exclusão, às vésperas de uma guerra?
  


Um erro tático dessa natureza não é aceitável. Toda a paixão, a emoção, o jogar para a platéia, deve ceder lugar à fria análise dos custos imensos de uma decisão temerária. Mesmo a composição atual com o Maia nos achará em uma situação frágil na correlação de forças. É um dado estrutural que saiu das urnas. Faremos o que? Desconheceremos os poderes da república? É preciso ser consequente.

Os ataques à honra de nosso partido escondem anticomunismo, despeito, arrogância, o firme propósito de nos tratar como partido de segunda, o desconhecimento da nossa história e cabedal tático, a infâmia pura e simples de querer nos jogar do lado de lá. Ainda assim, por compromisso com o nosso povo, antes, hoje e sempre estaremos todos juntos mobilizando contra a privatização, contra a perda de direitos, a favor do povo, lado a lado com esses mesmos companheiros equivocados. Mas não naturalizemos esses ataques desrespeitosos de quem se diz companheiro. Bom é ser apoiado. Aí nós somos lindos.

E tem gente aí nos xingando, questionando como se não lutássemos pela democracia, pela Nação e pelo trabalhador, pela classe na sua diversidade. Ora, é preciso mesmo que se respeite o PCdoB. Até porque o PCdoB está sendo questionado por uma opção tática clara e honesta: não é hora de polarizar a eleição da Câmara. Por que? Porque o PCdoB sabe contar.

O PCdoB defende a Frente Ampla. Está ameaçada a legalidade. Se os comunistas dão um sinal de cautela, desse modo, é preciso levar em conta. Em momentos de grande dificuldade que o PT viveu, o PCdoB jamais o atacou. Em momentos em que a esquerda se engalfinhava, o PCdoB chamava a unidade. Na hora de retirar a candidatura da gigante Manuela D'Ávila, para unir, só o PCdoB foi capaz. Jamais se calou diante da prisão injusta de Lula. Então, quero registrar muito concretamente que esse episódio serviu para fins didáticos de quadros do Partido. Reafirma a responsabilidade de nossa posição, porque sabemos fazer conta. Ao mesmo tempo ilustra o nível da divergência tática que envolve PCdoB e PT e PSOL.

 


Claramente o PCdoB deplora a estreiteza de uma frente só de esquerda, porque insuficiente para deter o momento sombrio que toma conta do país. Assoma no horizonte a recidiva da crise mundial do capitalismo e levamos em conta a situação internacional perigosa. O PCdoB defende a Frente Ampla, defende a Política, defende o respeito a tudo que signifique a Constituição de 1988, a CLT, a Previdência, o SUS, o patrimônio do povo brasileiro e sua soberania. Isso nos move. Provamos isso todos os dias, e com esse trabalho duro vamos rumo ao nosso centenário.

Há muita ignorância e mais ainda, muita religião, nessa visão da classe média sobre o que é o comunismo, o militante comunista, em parte por ignorância. Não serão as fake news nem a ignorância que nos definirão, nós conhecemos a nossa história e fizemos movimentos muito claros de renovação, face à crise do socialismo. Querem definir os comunistas como uma força sectária, martirizada, derrotada, uma lembrança do passado. Vã ilusão.

Os comunistas sempre fizeram alianças e acordos dificílimos e incompreendidos e que se mostraram decisivos para o Brasil e o mundo. Quem acha que ser revolucionário e comunista é não fazer acordos desconhece a alma do guerrilheiro, a importância da flexibilidade tática, a imposição da realidade, e não de nossos anseios, mas da correlação de forças. Esses movimentos não são abandono da luta, muito ao contrário, mas assumir a complexidade concreta da batalha e jamais dar-se por vencido. Nós acumulamos é para resistir. E não aconselho menosprezar nossa capacidade de luta. Para a complexidade dessa guerra de múltiplos movimentos, em que cada um é cada um e estamos todos com o mesmo objetivo, precisamos educar a nossa juventude, nossa classe e nossos intelectuais para serem quadros, incorporarem as premissas de nossa ação politica, coerentes com nossos pressupostos, e convencidos da justeza da posição da nossa direção e dos nossos parlamentares, gente da melhor qualidade, bastiões da resistência. Não somos enfeite, não aceitamos WO, fazemos luta com as condições que temos. Vamos dar trabalho.

E a saída é a frente ampla.


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Sobre a Eleição da Câmara e o apoio do PCdoB à candidatura de Rodrigo Maia - Paulo Vinícius



Li sobre o apoio a JK, com o Amazonas fazendo o meio de campo. Li sobre o apoio ao Getúlio, que liderou o Brasil contra os Fascistas depois de tantos crimes, inclusive contra os comunistas. Li também como erramos com o mesmo Getúlio, antes de sua morte, e a reação do povo. E, depois, como erramos em relação ao Jango, e o que veio depois. E sei quem foi mais consequente no apoio a Lula e Dilma, sem recuar das críticas ao hegemonismo, à política econômica, ao conluio com o PIG, à rendição ao financiamento empresarial, que nos trouxe até aqui.

Lembro da eleição da Câmara após o Aldo - e por consequência o Glorioso PCdoB - ter sido decisivo para deter o Golpe. Deu Chinaglia, por menos de dez votos, para pôr o PMDB no centro do poder, até ter chegado onde chegou. Lembro de quem, lastreado no exclusivismo e no hegemonismo, pavimentou a vitória de Eduardo Cunha à Presidência da Câmara e nos trouxe até aqui, com a mesma expertise tática de quem não apoiou Tancredo, nem assinou a CF de 1988. Lembro de quem ficou no colo das oligarquias, cujo exemplo de Sarney, no Maranhão, é lapidar, afora as facadas nas costas contra Inácio e Manuela e tantos que não podiam crescer sob o aliado eucaliptino. Lembro de quem "defende" a democracia, mas com cláusula de barreira e o fim das coligações proporcionais.
Lembro de quem deixou a Dilma e o PCdoB sozinhos defendendo as diretas, enquanto era tempo.

E tenho anotado no meu caderninho vermelho os nomes dos golpistas arrependidos do bico vermelho, que esperaram os 49 minutos do segundo tempo para seguir com seu oportunismo de quinta coluna, posando de esquerda.

Então, é do alto dessa sucessão de cagadas que, açulados pela Folha e a Globo, vejo as críticas pseudo-esquerdistas ao PCdoB, que luta pela democracia e pela legalidade, conquistas feitas à sangue e bala, e muita política.

Já dizia o Lênin:

"Fazer a guerra para derrotar a burguesia internacional, uma guerra cem vezes mais difícil, prolongada e complexa que a mais encarniçada das guerras comuns entre Estados, e renunciar de antemão a qualquer manobra, a explorar os antagonismos de interesses (mesmo que sejam apenas temporários) que dividem nossos inimigos, renunciar a acordos e compromissos com possíveis aliados (ainda que provisórios, inconsistentes, vacilantes, condicionais), não é, por acaso, qualquer coisa de extremamente ridículo? Isso não será parecido com o caso de um homem que na difícil subida de uma montanha, onde ninguém jamais tivesse posto os pés, renunciasse de antemão a fazer zigue-zagues, retroceder algumas vezes no caminho já percorrido, abandonar a direção escolhida no início para experimentar outras direções?"

E também:
"Os partidos revolucionários têm de completar sua instrução. Aprenderam a desencadear a ofensiva. Agora têm que compreender que essa ciência deve ser completada pela de saber recuar ordenadamente. É preciso compreender - e a classe revolucionária aprende a compreendê-la através de sua própria e amarga experiência - que não se pode triunfar sem saber atacar e empreender a retirada com ordem. De todos os partidos revolucionários e de oposição derrotados, foram os bolcheviques que recuaram com maior ordem, com menores perdas para seu “exército”, conservando melhor seu núcleo central, com cisões menos profundas e irreparáveis, menos desmoralização e com maior capacidade para reiniciar a ação de modo mais amplo, justo e vigoroso. E se os bolcheviques conseguiram tal resultado foi exclusivamente porque desmascararam impiedosamente e expulsaram os revolucionários de boca, obstinados em não compreender que é necessário recuar, que é preciso saber recuar, que é obrigatório aprender a atuar legalmente nos mais reacionários parlamentos e nas organizações sindicais, cooperativas, nas organizações de socorros mútuos e outras semelhantes, por mais reacionárias que sejam".

O PCdoB diz que a batalha na Câmara é para assegurar o cumprimento do regimento interno, condições mínimas de disputa da agenda do país, condições mínimas para a defesa da democracia, mantendo suas posições em favor da Nação, da Democracia e dos Trabalhadores. A derrota é a única certeza, e há quem a aspire, achando bonito se lascar, como se tivesse mudado a correlação de forças, os votos na Câmara etc. Não mudou, piorou. Apoio sem pestanejar a posição da bancada do PCdoB em apoiar a reeleição do Rodrigo Maia, sabendo que isso não representa, em nada, compromisso programático, nem ilusões. A Câmara não mudou um voto. O PCC está sendo mobilizado para aprofundar o estado de exceção na cara de pau. Há em curso gravíssimos movimentos que podem nos levar a uma situação coerente com os tempos em que Trump ascende à presidência dos EUA. A soberania tá indo pelo buraco. Se isso não é um quadro de resistência, não sei o que é. E, nesse cenário, bravata não serve de porra nenhuma. 90 anos não são noventa dias. Só lamento, mas em nada me surpreendo, com os estrebuchamentos de quem pôs tudo a perder e posa de sapiente.

O Comitê Central e a bancada contam com meu apoio integral. E é preciso ampliar ao máximo, ter uma tática complexa para um momento tão difícil como esse. O amadorismo e o isolamento são a morte, e essa é uma batalha, uma só, no meio de muitas que teremos de travar para retomar as condições mínimas de uma virada.

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domingo, 14 de fevereiro de 2010

Prisão de Arruda é grande vitória, mas falta secundarista na rua!

Paulo Vinícius



A prisão do escroque José Roberto Arruda trouxe um alento à sociedade no DF, enojada e farta ante tamanha cara-de-pau desse vilão que merece um filme, dado seu cinismo e desfaçatez, e o desprezo seu e dos asseclas pela opinião pública.

A Polícia Federal, a OAB-DF, o Ministro Fernando Gonçalves e a corte do STF, apoiados pelo Ministro Marco Aurélio Melo deram contribuição imensa à cidadania, ao resgate da percepção de que é possível sim haver justiça, ainda que seja uma primeira, mas importante vitória.

A CTB-DF se somou aos demais manifestantes que na noite de 11 de fevereiro se reuniram na frente do Supremo, na expectativa da decisão sobre o habeas corpus que, se deferido fosse, resguardaria unicamente a liberdade desse malfeitor intimidar, chantagear, subornar e utilizar todas as prerrogativas do GDF para tentar impedir o avanço das investigações. Naquela decisão estava contida a possibilidade de um carnaval de júbilo ou de impunidade e tristeza. Não à toa, fizemos a marchinha que segue:

"A Justiça acertou/
ao prender o marginal
o Arruda tá bonito/
na Polícia Federal.
Deixa esse cabra preso/
bem depois do Carnaval!
Não libera o habeas corpus, isso aí vai pegar mal.
Prendeu, prendeu, prendeu, prendeu, prendeu e mereceu!
Prendeu, prendeu, prendeu, prendeu, prendeu e mereceu!"

Mas, já na sexta, o Ministro Marco Aurélio - reafirmando outras decisões de igual sentido democrático e independente que honram a magistratura, como a que proferiu sobre a Cláusula de Barreira antidemocrática, legada pelo governo de FHC - decidiu por negar o habeas corpus, dando ao povo do DF um grande presente de carnaval que enche de esperança a sociedade. Alegra-nos sinceramente estar na folia e o Arruda no xilindró, mas falta muita gente ainda.

No entanto, o imenso protagonismo do judiciário e da PF no caso explicitam por outro lado a dificuldade de a sociedade civil organizada trazer amplas parcelas da população para essa luta, o que fragiliza o seu completo desenlace, que só pode ser a decretação da intervenção federal no DF, que deve ser autorizada pelo Supremo e decretada pelo presidente Lula.

O comprometimento do Executivo e do Legislativo, salvo as honrosas e decisivas exceções, e mesmo de setores do judiciário, expõe o problema de fundo, o domínio conservador de uma plutocracia parasitária do Estado, principal responsável pelo apartheid e aos obstáculos ao avanço da democracia no DF, que negam o sonho generoso de Brasília. Essa hegemonia só teve interregno no governo de Cristóvam Buarque. Arruda, Roriz, Abadia expressaram apenas variações dessa mesma estrutura que pode se perpetuar se não ocorra a intervenção que permita estancar a sangria dos recursos públicos e do uso do poder público para manter esse mesmo esquema após as eleições de 2010 através de um acordão.

A chantagem feita por Arruda - e infelizmente comprada por uma parcela ingênua da sociedade - sobre as obras é inadmissível e me envergonha ter de respondê-la. Que eu saiba, os contratos estão assinados, e a deposição desses marginais, em vez de comprometer o andamento do governo, é o único que pode assegurá-lo, pois é anormal defender qualquer normalidade institucional com uma máfia desmoralizada dirigindo a vida pública no DF.

Também por isso precisamos de um governo que não esteja comprometido pelos vícios e as negociatas, que possa zelar pelo dinheiro público e pela qualidade e continuidade dos serviços e obras, sem que nisso esteja embutida a torpe e inaceitável barganha de tirarem sua parte e de assim poderem negociar sua continuidade através de um outro governo conservador à frente do GDF. Exatamente por isso a intervenção federal é imprescindível.

Mas, para que isso ocorra, é preciso povo na rua e unidade das forças progressistas. Na debilidade destas últimas é que reside, no entanto, a maior fragilidade do movimento, seara fértil para o protagonismo de posições equivocadas e infantis, de uma radicalização inversamente proporcional à sua representatividade e à capacidade que têm de abrir caminhos para uma alternativa no DF. O período de festas e de recesso, que retirou os estudantes das escolas acabou por conferir, com o apoio da grande mídia, a esses setores ultra-esquerdistas, especialmente na juventude, um protagonismo artificial - dada sua incipiente representatividade - melhor explicado pela comodidade com que se amoldam ao fato jornalístico. Lamentavelmente, isso é insuficiente e corre o risco de ser utilizado para outros fins que não estão sobre o controle dos atores sociais, mas da própria imprensa conservadora.

Dada a envergadura do esquema mafioso encontrado no DF, a envolver amplas parcelas do serviço público, os três poderes, parcela relevante do empresariado, a saída será política e difícil. mais que isso, é preciso gestar uma alternativa realista e ampla, unitária, que permita ao sentimento popular se expressar nas urnas em 2010 para que tenhamos uma nova Câmara e um novo Governo que sejam pelo menos democráticos, que tenham respeito pelo dinheiro público, que permitam debater um projeto de verdade para o DF. Sem isso, não bastam as boas intenções. Revolucionário mesmo é mudar a realidade e a vida das pessoas, não é um figurino.

Mais que um grito de revolta, arvorarem para si a condição de "sem partido" é a expressão de estarem muito perdidos ante um cenário político tão complexo, desarmados para interferir como atores de primeira grandeza nesse jogo tão pesado. Expressa também a necessidade de demarcação pela negativa exatamente com as forças que são suas aliadas, o único campo político que pode derrotar o esquema de Arruda - numa miopia política imperdoável que pode ter como consequência a volta de um Roriz, por exemplo.

Não à toa se critica o "esquerdismo infantil" por abrir espaço às vitórias da direita... Sua oposição às organizações consagradas pela história da luta do povo, seu gosto por uma visibilidade que não é coletiva, mas pessoal, a ingenuidade de suas expectativas - afinal parece que estamos às vésperas do fim do Estado, de uma nova sociedade, "o poder para o povo" - repetem os erros clássicos do anarquismo e do trotsquismo, erros esse que são ao mesmo tempo a sua caracterização mais clássica e caricatural e a condição de seu repetitivo fracasso em qualquer momento em que surgem reais oportunidades de mudança, como o que agora se verifica.

É, repito, repetitivo, pois já vimos esse filme inúmeras vezes. Ele permite fotos e imagens, boas recordações, uma afirmação cristã da ética, beleza, um sentimento de dever cumprido tão valorizado pela classe média, mesmo a avançada, mas não muda as coisas em profundidade.

Mudança mesmo, só com povo na rua e força política real propondo alternativa realista. E o povo sabe quando o negócio é sério ou quando é aventureirismo, voluntarismo, manifestações típicas da infãncia política. Às vezes acha até bonito e apoia, mas não vai. E aí, nos perguntamos, nas ocupações, ou em meio ao esterco, "por que o povo não está aqui"? E no final, conclui-se muita vez que a culpa é do povo, ai, ai...

Há algum erro. Grandes momentos de mobilizações de massas, como o Fora Collor, souberam fazer o justo diálogo entre as formas criativas e espontâneas da juventude e a necessária amplitude e justeza política que entendeu qual era a vitória possível naquela batalha política. E foi a partir dessa fusão que tivemos a deposição de Collor, que seria impossível sem o movimento estudantil brasileiro ser unitário, ter a UNE e a UBES, e ser dirigido por forças conseqüentes. Como disse Diógenes Arruda, é preciso sempre entender a dialética entre "ampliar radicalizando e radicalizar ampliando", senão acabamos irremediavelmente sós.

A verdade está lá fora, e para impulsionar as mudanças no DF, para assegurar um outro ambiente político, para pôr na defensiva os setores conservadores, para demonstrar a necessidade de unidade das forças progressistas e ensejar a intervenção federal tão necessária, não tenho dúvida em dizer que faltam secundaristam nas ruas. A juventude mais combativa e representativa do povo, os filhos dos trabalhadores e trabalhadores, as maiores vítimas dos desmandos dessa máfia, os excluídos desses governos conservadores, essa moçada precisa entender o seu papel e conferir aos protestos no DF a característica de massas tão necessária para que as grandes mudanças aconteçam.

Afinal, malgrado a PF cumpra com brilhantismo ímpar seu papel, o judiciário corretamente interprete o sentimento da sociedade, alguns deputados destemidos enfrentem a cara-de-pau de cúmplices que envergonham o legislativo no DF, ainda que uma parcela combativa e abnegada da juventude (mas não necessariamente correta) encarne essa revolta, tudo isso é apenas o preâmbulo do que verdadeiramente decide, que é povo na rua.

Secundarista, teu nome é povo na rua, a brotar das salas de aula do DF, os filhos e filhas do povo, gente jovem que precisa ser chamada a puxar com sua alegria e combatividade o cordão da verdadeira mudança que permita derrubar Arruda, Paulo Otávio e toda a gangue, abrindo novos e melhores caminhos para o Distrito Federal. As aulas começaram e a lição agora é nas ruas.

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