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domingo, 14 de fevereiro de 2010

Prisão de Arruda é grande vitória, mas falta secundarista na rua!

Paulo Vinícius



A prisão do escroque José Roberto Arruda trouxe um alento à sociedade no DF, enojada e farta ante tamanha cara-de-pau desse vilão que merece um filme, dado seu cinismo e desfaçatez, e o desprezo seu e dos asseclas pela opinião pública.

A Polícia Federal, a OAB-DF, o Ministro Fernando Gonçalves e a corte do STF, apoiados pelo Ministro Marco Aurélio Melo deram contribuição imensa à cidadania, ao resgate da percepção de que é possível sim haver justiça, ainda que seja uma primeira, mas importante vitória.

A CTB-DF se somou aos demais manifestantes que na noite de 11 de fevereiro se reuniram na frente do Supremo, na expectativa da decisão sobre o habeas corpus que, se deferido fosse, resguardaria unicamente a liberdade desse malfeitor intimidar, chantagear, subornar e utilizar todas as prerrogativas do GDF para tentar impedir o avanço das investigações. Naquela decisão estava contida a possibilidade de um carnaval de júbilo ou de impunidade e tristeza. Não à toa, fizemos a marchinha que segue:

"A Justiça acertou/
ao prender o marginal
o Arruda tá bonito/
na Polícia Federal.
Deixa esse cabra preso/
bem depois do Carnaval!
Não libera o habeas corpus, isso aí vai pegar mal.
Prendeu, prendeu, prendeu, prendeu, prendeu e mereceu!
Prendeu, prendeu, prendeu, prendeu, prendeu e mereceu!"

Mas, já na sexta, o Ministro Marco Aurélio - reafirmando outras decisões de igual sentido democrático e independente que honram a magistratura, como a que proferiu sobre a Cláusula de Barreira antidemocrática, legada pelo governo de FHC - decidiu por negar o habeas corpus, dando ao povo do DF um grande presente de carnaval que enche de esperança a sociedade. Alegra-nos sinceramente estar na folia e o Arruda no xilindró, mas falta muita gente ainda.

No entanto, o imenso protagonismo do judiciário e da PF no caso explicitam por outro lado a dificuldade de a sociedade civil organizada trazer amplas parcelas da população para essa luta, o que fragiliza o seu completo desenlace, que só pode ser a decretação da intervenção federal no DF, que deve ser autorizada pelo Supremo e decretada pelo presidente Lula.

O comprometimento do Executivo e do Legislativo, salvo as honrosas e decisivas exceções, e mesmo de setores do judiciário, expõe o problema de fundo, o domínio conservador de uma plutocracia parasitária do Estado, principal responsável pelo apartheid e aos obstáculos ao avanço da democracia no DF, que negam o sonho generoso de Brasília. Essa hegemonia só teve interregno no governo de Cristóvam Buarque. Arruda, Roriz, Abadia expressaram apenas variações dessa mesma estrutura que pode se perpetuar se não ocorra a intervenção que permita estancar a sangria dos recursos públicos e do uso do poder público para manter esse mesmo esquema após as eleições de 2010 através de um acordão.

A chantagem feita por Arruda - e infelizmente comprada por uma parcela ingênua da sociedade - sobre as obras é inadmissível e me envergonha ter de respondê-la. Que eu saiba, os contratos estão assinados, e a deposição desses marginais, em vez de comprometer o andamento do governo, é o único que pode assegurá-lo, pois é anormal defender qualquer normalidade institucional com uma máfia desmoralizada dirigindo a vida pública no DF.

Também por isso precisamos de um governo que não esteja comprometido pelos vícios e as negociatas, que possa zelar pelo dinheiro público e pela qualidade e continuidade dos serviços e obras, sem que nisso esteja embutida a torpe e inaceitável barganha de tirarem sua parte e de assim poderem negociar sua continuidade através de um outro governo conservador à frente do GDF. Exatamente por isso a intervenção federal é imprescindível.

Mas, para que isso ocorra, é preciso povo na rua e unidade das forças progressistas. Na debilidade destas últimas é que reside, no entanto, a maior fragilidade do movimento, seara fértil para o protagonismo de posições equivocadas e infantis, de uma radicalização inversamente proporcional à sua representatividade e à capacidade que têm de abrir caminhos para uma alternativa no DF. O período de festas e de recesso, que retirou os estudantes das escolas acabou por conferir, com o apoio da grande mídia, a esses setores ultra-esquerdistas, especialmente na juventude, um protagonismo artificial - dada sua incipiente representatividade - melhor explicado pela comodidade com que se amoldam ao fato jornalístico. Lamentavelmente, isso é insuficiente e corre o risco de ser utilizado para outros fins que não estão sobre o controle dos atores sociais, mas da própria imprensa conservadora.

Dada a envergadura do esquema mafioso encontrado no DF, a envolver amplas parcelas do serviço público, os três poderes, parcela relevante do empresariado, a saída será política e difícil. mais que isso, é preciso gestar uma alternativa realista e ampla, unitária, que permita ao sentimento popular se expressar nas urnas em 2010 para que tenhamos uma nova Câmara e um novo Governo que sejam pelo menos democráticos, que tenham respeito pelo dinheiro público, que permitam debater um projeto de verdade para o DF. Sem isso, não bastam as boas intenções. Revolucionário mesmo é mudar a realidade e a vida das pessoas, não é um figurino.

Mais que um grito de revolta, arvorarem para si a condição de "sem partido" é a expressão de estarem muito perdidos ante um cenário político tão complexo, desarmados para interferir como atores de primeira grandeza nesse jogo tão pesado. Expressa também a necessidade de demarcação pela negativa exatamente com as forças que são suas aliadas, o único campo político que pode derrotar o esquema de Arruda - numa miopia política imperdoável que pode ter como consequência a volta de um Roriz, por exemplo.

Não à toa se critica o "esquerdismo infantil" por abrir espaço às vitórias da direita... Sua oposição às organizações consagradas pela história da luta do povo, seu gosto por uma visibilidade que não é coletiva, mas pessoal, a ingenuidade de suas expectativas - afinal parece que estamos às vésperas do fim do Estado, de uma nova sociedade, "o poder para o povo" - repetem os erros clássicos do anarquismo e do trotsquismo, erros esse que são ao mesmo tempo a sua caracterização mais clássica e caricatural e a condição de seu repetitivo fracasso em qualquer momento em que surgem reais oportunidades de mudança, como o que agora se verifica.

É, repito, repetitivo, pois já vimos esse filme inúmeras vezes. Ele permite fotos e imagens, boas recordações, uma afirmação cristã da ética, beleza, um sentimento de dever cumprido tão valorizado pela classe média, mesmo a avançada, mas não muda as coisas em profundidade.

Mudança mesmo, só com povo na rua e força política real propondo alternativa realista. E o povo sabe quando o negócio é sério ou quando é aventureirismo, voluntarismo, manifestações típicas da infãncia política. Às vezes acha até bonito e apoia, mas não vai. E aí, nos perguntamos, nas ocupações, ou em meio ao esterco, "por que o povo não está aqui"? E no final, conclui-se muita vez que a culpa é do povo, ai, ai...

Há algum erro. Grandes momentos de mobilizações de massas, como o Fora Collor, souberam fazer o justo diálogo entre as formas criativas e espontâneas da juventude e a necessária amplitude e justeza política que entendeu qual era a vitória possível naquela batalha política. E foi a partir dessa fusão que tivemos a deposição de Collor, que seria impossível sem o movimento estudantil brasileiro ser unitário, ter a UNE e a UBES, e ser dirigido por forças conseqüentes. Como disse Diógenes Arruda, é preciso sempre entender a dialética entre "ampliar radicalizando e radicalizar ampliando", senão acabamos irremediavelmente sós.

A verdade está lá fora, e para impulsionar as mudanças no DF, para assegurar um outro ambiente político, para pôr na defensiva os setores conservadores, para demonstrar a necessidade de unidade das forças progressistas e ensejar a intervenção federal tão necessária, não tenho dúvida em dizer que faltam secundaristam nas ruas. A juventude mais combativa e representativa do povo, os filhos dos trabalhadores e trabalhadores, as maiores vítimas dos desmandos dessa máfia, os excluídos desses governos conservadores, essa moçada precisa entender o seu papel e conferir aos protestos no DF a característica de massas tão necessária para que as grandes mudanças aconteçam.

Afinal, malgrado a PF cumpra com brilhantismo ímpar seu papel, o judiciário corretamente interprete o sentimento da sociedade, alguns deputados destemidos enfrentem a cara-de-pau de cúmplices que envergonham o legislativo no DF, ainda que uma parcela combativa e abnegada da juventude (mas não necessariamente correta) encarne essa revolta, tudo isso é apenas o preâmbulo do que verdadeiramente decide, que é povo na rua.

Secundarista, teu nome é povo na rua, a brotar das salas de aula do DF, os filhos e filhas do povo, gente jovem que precisa ser chamada a puxar com sua alegria e combatividade o cordão da verdadeira mudança que permita derrubar Arruda, Paulo Otávio e toda a gangue, abrindo novos e melhores caminhos para o Distrito Federal. As aulas começaram e a lição agora é nas ruas.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Cenas de guerra no Palácio do Buriti

http://horadopc.zip.net/


Crédito: Carlos Silva e Bruno Peres

A manifestação em frente ao Palácio do Buriti vai fazer história no dia Mundial contra a corrupção. Há muito tempo estudantes não se mobilizavam para protestar como ocorreu. A reação da Polícia Militar só alimenta ainda mais o clima de revolta no Distrito Federal.

A PM afirma que a mobilização impedia o trânsito na Esplanada dos Ministérios, mas o resultado da ação policial só piora o já complicado quadro político e a tentativa de retomar a governabilidade.

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Panfletagem do Fora Arruda! na feira de Planaltina

Mesmo a chuva constante não impediu que a militância se manifestasse no domingo, dia 6, na feira de Planaltina. A cor vermelha tomou conta da feira, com a foice e o martelo da bandeira do PCdoB.

Planaltina ativa contra corrupção

Além do PCdoB, estavam presentes a UJS, PT, o PSTU e o PRB. No carro de som se fazia a denúncia da corrupção no governo Arruda. O sentimento da população é de revolta e indignação. Ninguém concorda com os escândalos que aparecem na televisão todos os dias. Os deputados de Planaltina, envolvidos no esquema, eram constantemente citados.
Para o PCdoB as investigações devem ser apuradas e os participantes punidos. O PCdoB também cobrava e explicava para a população de Planaltina a necessidade do Congresso aprovar uma reforma política que institua financiamento público de campanha, sendo isso uma forma de coibir o caixa dois nas campanhas.
Na segunda-feira (dia 7) haverá uma lavagem simbólica em frente a Administração Regional de Planaltina. E na quarta-feira o Partido estará mobilizando para o ato no Buritinga.

PCdoB apresenta pedido de impeachment do governador Arruda

www.vermelho.org.br

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) protocolou nesta quarta-feira (9), na Câmara Legislativa do Distrito Federal, o pedido de impeachment do governador da capital federal, José Roberto Arruda e seu vice Paulo Octávio, ambos do DEM. Na peça protocolada nesta tarde, o PCdoB "requer o processamento da presente Representação, de forma que seja admitida, afastando-se os Representados de seus cargos, conforme previsto no inciso II do § 1º do art. 103 da Lei Orgânica do Distrito Federal."

Servidores que protestavam na porta da Câmara Legislativa, aplaudiram quando souberam que se tratava de mais um pedido para a saída de Arruda e de Paulo Octávio do governo.

"Não podemos pedir somente a saída de Arruda. Contra o vice existem provas robustas no inquérito policial. Ele participava de todo esquema montado no governo do Distrito Federal", afirmou o presidente regional do PCdoB, Augusto Madeira.

O PCdoB foi representado na entrega do impeachment na presidência da Câmara Legislativa pelo seu presidente e pelo vice-presidente Apolinário Rebelo, acompanhados do advogado Paulo Machado Guimarães e militantes do partido.

PM agride manifestantes do Fora Arruda




Também nesta quarta-feira, manifestantes que protestavam pedindo o impeachment de Arruda, foram violentamente reprimidos pela Polícia Militar em frente ao Tribunal de Justiça do DF. Homens da cavalaria bateram em estudantes e militantes com cassetete e atiraram bombas de efeito moral e balas de borracha.

Um estudante que deitou no meio da pista foi pisoteado por cavalos. Outro rapaz, levado para o gramado, sofreu várias agressões. Os policiais usaram gás de pimenta para afastar os jornalistas que filmavam a ação.

Entre os agredidos está uma menina de 12 anos, moradora de Valparaíso, que acompanhava a irmã no protesto. Estava na calçada, em frente ao tribunal, e foi atingida nas pernas por cacetete.

Segundo informações da PM, 400 policiais participam da ação. Parte do efetivo fez um cordão de isolamento em volta do Palácio do Buriti (sede oficial do governo). Soldados do Batalhão de Operações Especiais (Bope) também estavam posicionados.


Clique aqui para ver mais fotos do confronto da PM com os manifestantes

Da sucursal de Brasília com agências

Leia também: Um novo governo para o DF, um pacto por Brasília

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