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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

CEPPAC-UnB terá em novembro curso sobre a influência da Internacional Comunista nos Partidos Comunistas de Cuba do Brasil com a Prof.a cubana Caridad Sena

Curso: Influência da Internacional Comunista nos Partidos Comunistas de Cuba e do Brasil. Mitos e realidades.
Professora Visitante: Dra. Caridad Massón Sena
 Período de: 18 a 22 de novembro de 2013.
Horário: a definir

Sobre a influencia da Internacional Comunista no mundo, muito tem sido escrito por pesquisadores de direita e esquerda. Fantasia e realidad surgiram nas análises. O poder globalizador da Internacional Comunista (IC) no contexto latino-americano  foi  limitado em sua primera década de existência. De qualquer forma, a partir de seu VI Congresso em 1928, sua influência fez-se sentir fortemente nas projeções políticas e no acionar da maioria dos Partidos Comunistas. Suas seções cubana e brasileira foram influenciadas pelas decisões da IC que, às vezes, não se correspondiam com as características gerais das sociedades em que estavam imbricadas essas seções. Este curso pretende contribuir ao conhecimento dos resultados desse efeito pelo desempenho dos comunistas cubanos e brasileiros em suas lutas pela libertação social e nacional dos respectivos países, a revelar o quanto de mito e verdade existe nestes estudos.
Bibliografia
 AA.VV. (1929) El movimiento revolucionario latinoamericano. Versiones da Primera Conferencia Comunista Latinoamericana (Buenos Aires: La Correspondencia Sudamericana).
 ALBA, Víctor (1960) Esquema histórico del comunismo en Iberoamérica (México: Ediciones Occidentales).
AMADO, Jorge (1945) Vida de Luiz Carlos Prestes; o Cavaleiro da Esperança (São Paulo: Livraria Martins Ed.)
BARATA, Agildo (1978) Vida de um revolucionário: memórias, 2da ed. (São Paulo: Alfa-Omega).
BASBAUM, Leoncio (1976)  Uma vida em seis tempos (memórias) (São Paulo: Alfa- Omega).
BASTOS, Abguar (1946) Prestes e a Revolução Social, (Rio de Janeiro: Ed. Calvino).
BRANDÃO, Octávio (1978) Combates e Batalhas (São Paulo: Alfa Omega)
CABALLERO, Manuel (1988) La Internacional Comunista y la revolución latinoamericana (Caracas: Editorial Nueva Sociedad).
CARONE, Edgar (1975) Revoluções no Brasil Comtemporâneo, 2da Ed.(São Paulo: Difel)
---------------------(1975) O  Tenentismo; acontecimentos-personagens-programas, (São Paulo: Difel)
--------------------- (1982) O PCB (1922-1943) (São Paulo: Difel)
--------------------- (1989) Classes Sociais e Movimento Operário, Ática, São Paulo.
CHILCOTE, Ronald H (1974) The Brazilian Communist Party. Conflict and Integration 1922-1972 (Nueva York: Oxford University Press)
DIAS, Everardo (1977) História das Lutas Sociais no Brasil, 2da  ed. (São Paulo: Alfa-Omega)
DULLES, John W.F. (1973) Anarchists and Communists in Brazil, 1900-1935 (Austin Londres: University of Texas Press)
FAUSTO, Boris (1970) A  Revolução de 1930; historiografia e história, (São Paulo: Brasiliense)
FORJAZ, Maria Cecília Spina (1978) Tenentismo e Aliança Liberal (1927-1930) (São Paulo: Ed. Polis)
GONZÁLEZ CASANOVA, Pablo (coord.) (1984) Historia del movimiento obrero en América Latina (México: Siglo Veintiuno Editores)
HAJEK, Milos 1978 “La táctica de lucha de “clase contra clase” en el VI° Congreso”, en VI° Congreso de la Internacional Comunista. Primera parte (México: Pasado y Presente). Cuaderno N° 66 de Pasado y Presente.
JEIFETS, Lazar, Víctor Jeifets y Peter Huber (2004) La Internacional Comunista y América Latina, 1919-1943. Diccionario Biográfico (Moscú: Instituto de Latinoamérica de la Academia de Ciencias/Ginebra: Institut pour l´Histoire du Communisme).
KERSFFELD, Daniel (2007) “La Liga Antiimperialista de las Américas: una construcción política entre el marxismo y el latinoamericanismo”, en Crespo, Horacio et al. El comunismo. Otras miradas desde América Latina (México: Centro de Investigaciones Interdisciplinarias en Ciencias y Humanidades, UNAM/Editorial Siglo Veintiuno).
LÖWY, Michael (2000) O Marxismo na América Latina. Uma antologia de 1909 aos dias atuais (São Paulo: Fundação Perseu Abramo).
MALTA, Octávio (1969) Os Tenentes na  Revolução Brasileira, Civilização (Rio de Janeiro: Brasileira)
Morais, Fernardo, 1994 Olga, (São Paulo: Companhia das Letras)
PASADO Y PRESENTE (1978) VI° Congreso de la Internacional Comunista. Informes y discusiones (México: Siglo Veintiuno) Primera y segunda parte. Cuaderno de Pasado y Presente N° 67.
PEREIRA, Astrogildo (1979) “A formação do PCB”, en Ensaios históricos e políticos (São Paulo: Alfa-Omega)
PEREIRA, Astrogildo 1980 Construindo o PCB (1922-1924) (São  Paulo, Livraria Editora Ciencias Humanas)
PRADO JÚNIOR, Caio (1966) A Revolução Brasileira, (São Paulo: Brasiliense)
PRESTES, Anita Leocádia (1980) “A que herança os comunistas devem renunciar?” em Revista Oitenta, Porto Alegre.
PRESTES, Anita L e Lugia paz e Terra ()  Anos tormentosos. Luiz Carlos Prestes. Correspondencia da Prisão. Varios volumens.
PRESTES, Anita Locadia (2010) La Columna Prestes (La Habana: Fondo Editorial Casa de las Américas)
 (1982)Revolução de 1930: Textos e Documentos, (Brasília: Universidade de Brasília)
RODRIGUES, Edgar (¿)  Novos Rumos; história do movimento operário e das lutas sociais no Brasil (1922-1946) (Rio de Janeiro: Mundo Livre)
ZAIDAN FILHO, Michel   (1985) PCB (1922-1929); na busca das origens de um marxismo nacional, (São Paulo: Global)
WAACK, William   Camaradas. Nos arquivos de Moscou. A história secreta da revolução brasileira de 1935 (São Paulo: Companhia das Letras)
ZAIDAN FILHO, Michel   (1985) PCB (1922-1929); na busca das origens de um marxismo nacional (São Paulo: Global).
Artigos sobre o tema da professora Caridad Massón (on line):  
_ “Dos visiones sobre el nacionalismo y las alianzas: Mella y Villena”, em http://www.clacso.org/wwwclacso/espanol/html/biblioteca/sala/sala2.html;
- “Mella y el movimiento obrero mexicano” em http://168.96.200.17/ar/libros/cuba/marin/mella.rtf;
- “Los comunistas y la Constituyente del 40”, em Caliban, octubre-diciembre de 2009. www.revistacaliban.com/articulo.php?numero=5;
- “Cuba: Marxismo, Nacionalismo y Hegemonía (1925-1958)”, em La Izquierda Latinoamericana, una mirada desde la Historia 2008, Año 1, No 1, em www.izquierdas.cl;
Guiteras y el Partido Comunista”,  em www.lajiribilla.co.cu/2006/n290_11/290_13.html

O programa Mais Médicos e a luta pela saúde pública - Paulo Vinícius Silva

Para Seu Louro, meu pai.



Fui muito afetado pela proposta do Programa Mais Médicos. Não sai da minha cabeça esse poema e carta, de Mário de Andrade a Câmara Cascudo, em 1925:

Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De supetão senti uma friagem por dentro
Fiquei tremendo muito comovido.
Com o livro palerma olhando pra mim.

Não vê que me lembrei que lá no Norte,
meu Deus !,
muito longe de mim,
na escuridão ativa da noite que caiu
Um homem alado, negro de cabelo
nos olhos.
Depois de fazer uma pele com a
borracha do dia
Faz pouco se deitou, está dormindo.
Esse homem é brasileiro que nem eu.


O Mais Médicos é essa esperança para o nosso povo: de que será possível ser atendidos por um(a) médico(a), humanamente. Significará a Saúde Pública chegar às periferias a que só comparecem as balas e a violência do Estado. Será chegar às zonas rurais, ao gigantesco Norte, aos sertões, aonde se sofre sem remédio. É o sinal de que não será a pobreza e a distância a impedir a universalização do direito à saúde, e preventiva.

O bolsa família deu possibilidade à população mais vulnerável de não depender tanto, pela fome, do clientelismo municipal, aquelas "ajudas" nas mãos de cabos eleitorais, o cabresto da fome a constranger quem nada podia. O crescimento da economia e a valorização do salário mínimo possibilitaram  a ampliação da classe trabalhadora, com toda a dignidade do trabalho, que chegou até as tão exploradas empregadas domésticas. As cotas raciais e sociais nas universidades, escolas técnicas, a sua ampliação inédita; e mesmo as vagas do PROUNI mostraram que há um caminho, pelo estudo, que agora ainda mais se ampliará com a conquista da vinculação do fundo social e dos royalties do Pré-Sal que farão o investimento na Educação chegar a 10% do PIB.

Tudo isso é fruto da luta do povo. Do movimento sindical, estudantil, juvenil, negro, de mulheres,da esquerda. Foi essa a base das vitórias. Mas ainda há muito a conquistar.

E agora, como será quando milhões de pessoas se libertarem do clientelismo promovido por tantos doutores políticos que servem à direita?

Como será quando esse povo entender que tem direito a ter médico, que há muito mais médicos humanos e
solidários, no Brasil e em Cuba, Espanha, Portugal, Argentina. Como será o impacto na população pobre quando perceber tantos médicos negros e negras? sinalizando-lhes que, sim, é possível. Como será ver a integração latino-americana funcionando, com essa mão amiga, de Cuba, ao nosso povo mais carente da saúde?


Os cabrestos serão rompidos, a saúde melhorará, porque o povo não admitirá retrocessos. Isso fortalecerá a luta pelos avanços na saúde, por maior destinação do PIB, pela carreira dos médicos, valorizando-os e libertando-os dos achaques do mercado da vida. O bom não precisa ser inimigo do ótimo.Depende se gerará mais avanços, ou se acomodará. Isso está em disputa. As medidas emergenciais podem constituir importante base para mudanças cada vez maiores. Quem defende a irrelevância do emergencial para o povo, sua incompatibilidade com as mudanças profundas, longe de ser gesto revolucionário, contribui para o conservadorismo, porque a vida é movimento, é complexidade, é atalho, é desvio, nunca há linha reta para os sonhos. E o mérito do revolucionário não é o andar impossível da linha reta e burra, mas aquele que, mesmo curvo e acidentado, guarda em si a firme e inquebrantável convicção da meta em cada passo.

Os médicos(as) comprometidos com o povo devem sentir-se felizes, porque contarão com 6000 colegas  com quem poderão contar na sua difícil missão de salvar vidas, porque estão cercados pela população desesperada, diante de um estado clientelista e que não oferece condições, e submetidos ao grande esquema da ganância da medicina privada.

A percepção da saúde como direito avançará, assim como se evidenciarão as imensas dificuldades advindas do financiamento insuficiente da saúde e do peso da corrupção. Será também um duro golpe na medicina privada que nos explora, que nos adoece, que nos entope de remédios e nos mata e a nossos entes queridos sem qualquer misericórdia. Medicina privada que enriquece alguns e que adoece, enlouquece, corrompe e embrutece tantos outros profissionais da saúde. É preciso golpear o mercado de vidas, retirar-lhe essa condição de corromper, esse pode que exerce com base na sabotagem do SUS.

Para isso precisamos politizar ainda mais a luta pela saúde pública, colocar o povo no centro e combater o corporativismo. Por que? Porque o corporativismo é uma ideologia burguesa, é oposto ao classismo, ainda mais numa categoria como a dos médicos. É gêmeo siamês do economicismo, é o pai da aristocracia operária. É um completo engano para a classe trabalhadora, negando-lhe o papel de transformar o mundo pelas migalhas que a deformam.

Que história é essa que a categoria é um bloco só? É como o dono do jornal chamar o jornalista de colega. É como chamarem o trabalhador de colaborador, de nova classe média. É um estratagema para que os médicos vocacionados ao serviço público, por amor à vida, por amor às pessoas, estejam vinculados ao grande negócio comandado por laboratórios farmacêuticos internacionais, as empresas gigantescas e pequenas que atuam infinitas vezes de modo antiético, porque não pode ser ética uma medicina tão aferrada ao lucro. Não há ética sob o primado da ganância.

O corporativismo cega os médicos diante da brutal exploração de que padecem tantos deles, pela falsa esperança de serem burgueses. Fundamenta o silêncio diante da própria lógica do negócio que faz a medicina sempre correr atrás do prejuízo, que não previne, remedia com o estrago feito, e o faz mal, mas com imensos dividendos manchados em sangue e lágrimas.

Não poderemos vencer a batalha da saúde pública enquanto tanta gente boa, de bem, não perceber que o sistema impulsiona o corporativismo para separar os médicos do povo, e perpetuar a lógica do mercado, a lógica funesta que impede o SUS de funcionar, por sabotagem, por competição, por corrupção, por leniência do Estado, por falta de financiamento adequado e por falta da valorização profissional que eleve a medicina à condição de carreira de Estado, libertando os bons profissionais desse labirinto kafkiano que os impede de ver que não são a mesma coisa que os barões da medicina e seu business.

Para tudo isso, o Mais Médicos é um primeiro passo porque coloca o povo no centro do debate da saúde pública, porque amplia a consciência do direito, porque abre condições para fortalecer a luta pelo SUS e a saúde pública.

Não é à toa que o corporativismo leva a categoria ao anticomunismo, ao ódio à esquerda, à aliança com a direita, à xenofobia e à hostilidade contra a Cuba Socialista e solidária que vem em nosso auxílio. Não é toa que o corporativismo é o refúgio dos maus profissionais, da fraude ao SUS. Não surpreende que seja o esteio da insensibilidade, que considera normal o estado gastar 800 mil reais para formar um médico da classe média que tem ainda a pachorra de criticar o bolsa família. Não é à toa que inspira seres humanos a qualificarem de escravidão um programa que pagará 10 mil reais por mês, e que dará moradia e alimentação, além de R$ 20 mil reais para se mudarem para o Nordeste, e R$ 30 mil reais para o Norte. E ao mesmo tempo, motiva a vergonhosa contra-proposta de que as milhões de pessoas sem médicos devem esperar que tudo esteja perfeito para que, enfim, eles possam ir em direção ao povo. É o corporativismo que cegou parte da juventude médica avançada, que poderia liderar uma amplo movimento solidário e de fortalecimento do SUS, mas que os levou, pela condução da direita, ao torpe papel de obstáculo a uma iniciativa que salvará tantas vidas.

Por tudo isso, o corporativismo é grave obstáculo a ser batido e denunciado, porque ele cega, corrompe, insensibiliza aqueles que deveriam ser os profissionais mais humanos, a quem entregamos a nossa vida, em quem depositamos nossa esperança, e em quem as deformações morais se fazem ainda mais graves por esse imenso poder.

E esse momento é um ponto de inflexão dessa luta.A Saúde deixa de ser assunto de doutor e passa a ser tema até das populações hoje esquecidas, é uma mudança de vulto. Novas exigências e clamores imporão limites à saúde privada e criarão ambiente para pressionar ainda mais o governo para investir na saúde em vez de se dobrar à chantagem dos banqueiros e do PIG. E o povo quererá também fazer medicina.

O Brasil está mudando, e acho que essa direita e esse pedaço tão ruim da classe média, rancoroso, que fez Vargas se matar, que achincalhou JK por construir Brasília, que apoiou a Ditadura de 1964, e que tentou em vão derrubar o Lula, essa galera se expõe cada vez mais ao escárnio do povo. Povo que pressionará por mudanças ainda mais profundas, porque a consciência de que temos direitos avança. E o próprio povo ampliará sua capacidade crítica, sua possibilidade de fiscalizar.

Desejo que a direita  ataque muito o Mais Médicos, em público. Nas tribunas, nas tevês. Gravemo-lo. Veremos o veredito do povo sobre quem é contra a vinda dos médicos que salvarão vidas e minorarão o sofrimento de tanta gente.

E oxalá se fortaleçam as convicções de gestores, líderes médicos de esquerda, dos médicos humanistas, para que possam reunir-se numa corrente progressista que tenha mais apego à vida e à saúde do povo que ao sentimento corporativo. E que essa legitimidade seja o maior impulsionador das vitórias na carreira.
Oxalá possam eles se fortalecerem para não aceitar a ditadura do mercado, nem a ela se dobrarem, reforçando as convicções humanistas e apontando o difícil caminho que tem de percorrer, defendendo os direitos dos médicos e defendendo a saúde do povo, sem criar entre ambos uma barreira intransponível.

Claro que é preciso aperfeiçoar e corrigir o Mais Médicos, mas nunca o sabotar, destruir. E o primeiro passo ético é entender e apoiar a prioridade de fazer os médicos chegarem ao povo, sem a discriminação social, sem as desigualdades regionais o impedirem. Isso abrirá caminhos.

Oxalá possam entender que o Mais Médicos é um primeiro passo, que oferece oportunidades de maiores demandas, de vitórias, sobretudo contra a considerável banda podre que tem merecido tantas críticas da população, e não podia ser diferente. Representam o passado. A medicina dos filhos da elite para o povo pobrezinho, sem direitos, sem educação, sem condição nem legitimidade para falar de saúde diante de profissionais tão poderosos nessa moldura. Representam o negócio da saúde, comércio que lucra com a dor, a doença, com a vida, uma abominação.

O Mais Médicos é um primeiro e importante passo para a Reforma da Saúde, para a plena efetivação do SUS. É preciso que dê certo pelo potencial que encerra, pelas vidas que salvará, pelos direitos que afirmará. Defendamo-lo. Aperfeiçoemo-lo. E acolhamos de braços abertos os médicos do Brasil e do exterior que toparam o desafio de ir ao povo mais pobre e abandonado para mitigar a dor, para semear a saúde, para curar e salvar. Como é linda a Cuba Revolucionária que exporta a saúde e a solidariedade, em contraste com o imperialismo estadunidense que exporta a guerra, a infiltração divisionista, o terrorismo, da espionagem, que exporta a morte e a opressão.Seremos eternamente gratos.

Os médicos(as) irão em direção ao nosso povo pobre e por isso enfrentarão imensas dificuldades. Precisam do nosso carinho e apoio para cumprir uma missão de amor em nossa pátria tão grande e tão desigual. Será um passo a mais para derrubar tão imensos muros que separam os que tem tudo e os que não tem seus direitos mais básicos assegurados, brasileiros, como nós. E é uma batalha que é possível vencer, e venceremos!

domingo, 25 de agosto de 2013

"Bem-vindos, colegas cubanos". Artigo do Dr.Manoel Dias da Fonsêca Neto - Médico


Quem disse que por ser médico é preciso compactuar com a elitização, o corporativismo, a mercantilização da vida e a insensibilidade diante da população mais pobre? Nada disso. Como demonstraram os brasileiros inscritos, e os médicos que apoiam o programa - ainda que defendam mudanças - é possível remar contra a corrente. Minha esperança é que os profissionais humanistas percebam o erro de se deixar dirigir pela direita e compreendam que o Mais Médicos é uma mudança muito importante, que inspirará uma verdadeira mudança na saúde brasileira. Vejam esse artigo, por exemplo, de um médico cearense.

"Bem-vindos, colegas cubanos". (Artigo do Dr.Manoel Dias da Fonsêca Neto - Médico, Especialista em Saúde Pública e Mestre em Gestão de Sistemas Locais de Saúde)

"Estive em Cuba em 1986, junto com uma centena de brasileiros, para participarmos do I Seminário Internacional em Atención Primaria de La Salud, promovido pela Organização Panamericana de Saúde(OPS), Organização Mundial da Saúde(OMS) e Ministério de Saúde Pública de Cuba. Há quase 30 anos o Programa de Saúde da Família de Cuba era o destaque deste Seminário Internacional, exemplo de estratégia de incorporação de baixa densidade tecnológica, centrada na pessoa humana, na família e no vinculo permanente de uma equipe com a população de um território, com resultados significativos na melhoria de indicadores de saúde. Qual era o segredo desta estratégia? Os médicos cubanos aprendiam o que os nossos mestres Dr. Paulo Marcelo, Dr. Elias Salomão, Dr. Oto, Dr. Pessoa, Dr Haroldo Juaçaba nos ensinavam: ouvir o paciente e sua história familiar, examiná-lo, palpá-lo, auscultá-lo, observando sinais e sintomas, fazer, enfim, uma anamnese e exame clínico detalhado e sistemático. Respeitando o ser humano que nos procura em sofrimento, a sua individualidade, com ética e humanismo. Os médicos cubanos são excelentes médicos de família e vêm aperfeiçoando o seu conhecimento há 30 anos. Os brasileiros estarão em muito boas mãos aos seus cuidados. Fico muito triste ao presenciar expressões de xenofobia e até etnofobia, arrogância, preconceito e agressividade de presidentes de alguns CRMs, do CFM e AMB contra médicos estrangeiros, especificamente cubanos. Xenofóbico é quem demonstra temor, aversão ou ódio aos estrangeiros. Será que esta não é uma forma camuflada de expressar aversão ou ódio aos pobres do Brasil? Por que tememos os médicos cubanos? Porque são disciplinados e cumprirão a carga horária contratada? Porque são excelentes médicos de família e cuidarão com carinho, respeito e sabedoria do nosso povo. Porque se fixarão num só emprego e dedicarão todo o seu tempo às famílias sob sua responsabilidade? Espero que nossos colegas médicos cubanos e demais estrangeiros não sejam hostilizados por senhores da “casa grande e senzala” da modernidade e sejam acolhidos com simpatia e respeito, como fui por eles, quando estive em Cuba há 30 anos".

Manoel Dias da Fonsêca Neto
Médico, Especialista em Saúde Pública
Mestre em Gestão de Sistemas Locais de Saúde

UM POUCO MAIS SOBRE OS MÉDICOS CUBANOS - Hélio Doyle

Parece que o último argumento contra a contratação dos médicos cubanos é a remuneração que vão receber. Pois é ridículo, quando prevalecem fatos, indicadores internacionais e números, falar mal do sistema de saúde e da qualidade dos médicos de Cuba. A revalidação de diploma também não é argumento, pois os médicos estrangeiros trabalharão em atividades definidas e por tempo determinado, nos termos do programa do governo federal. Não tem o menor sentido, também, dizer que os cubanos não se entenderão com os brasileiros por causa da língua – primeiro, porque vários deles falam o português e o portunhol, segundo porque os médicos cubanos estão acostumados a trabalhar em países em que a língua falada é o inglês, o francês, o português e dialetos africanos, e nunca isso foi entrave.
Resta, assim, a forma de contratação e, mais uma vez sem medo do ridículo, falam até de trabalho escravo. Essa restrição também não tem procedência, nem por argumentos morais ou éticos (e em boa parte hipócritas), nem com base na legislação brasileira e internacional. Vamos a duas situações hipotéticas, embora ocorram rotineiramente.

1 – Uma empreiteira brasileira é contratada por um governo de país europeu para uma obra. Essa empreiteira vai receber euros por esse trabalho e levar àquele país, por tempo determinado, alguns engenheiros, geólogos, operários especializados e funcionários administrativos, todos eles empregados na empreiteira no Brasil. Encerrado o contrato no país europeu, todos voltarão ao Brasil com seus empregos assegurados. Quem vai definir a remuneração desses empregados da empreiteira e pagá-los, ela ou o governo do país europeu? É óbvio que é a empreiteira.

2 – Os governos do Brasil e de um país africano assinam um acordo para que uma empresa estatal brasileira envie profissionais de seu quadro àquele país para dar assistência técnica a pequenos agricultores. O governo brasileiro será remunerado em dólares pelo governo africano. A estatal brasileira designará alguns de seus funcionários para residir e trabalhar temporariamente no país africano. Quem vai definir a remuneração dos servidores da empresa estatal brasileira e lhes fará o pagamento, a estatal brasileira ou o governo do país africano? É óbvio que é a empresa estatal brasileira.

Por que, então, tem de ser diferente com os médicos cubanos? Eles não estão vindo para o Brasil como pessoas físicas, nem estão desempregados. São servidores públicos do governo de Cuba, trabalham para o Estado e por ele são remunerados. Quando termina a missão no Brasil (ou em qualquer outros dos mais de 60 países em que trabalham), voltam para Cuba e para seus empregos públicos.

Não teria o menor sentido, assim, que esses médicos, formados em Cuba e servidores públicos cubanos, fossem cedidos pelo governo de Cuba para trabalhar no Brasil como se fossem pessoas físicas sendo contratadas. Para isso, eles teriam de deixar seus postos no governo de Cuba. Como não faria sentido que os empregados da empreiteira contratada na Europa ou da estatal contratada na África assinassem contratos e fossem remunerados diretamente pelos governos desses países. Trata-se de uma prestação de serviços por parte de Cuba, feita, como é natural, por profissionais dos quadros de saúde daquele país.

A outra crítica é quanto à remuneração dos médicos cubanos. Embora menor do que a que receberão os brasileiros e estrangeiros contratados como pessoas físicas, está dentro dos padrões de Cuba e não discrepa substancialmente do que recebem seus colegas que trabalham no arquipélago. É mais, mas não muito mais. Não tem o menor sentido, na realidade cubana, que um médico de seus serviços de saúde, trabalhando em outro país, receba R$ 10 mil mensais. E, embora os críticos não aceitem, há em Cuba uma clara aceitação, pela população, de que os recursos obtidos pela exportação de bens e serviços (entre os quais o turismo e os serviços de educação e saúde) sejam revertidos a todos, e não a uma minoria. O que Cuba ganha com suas exportações de bens e serviços, depois de pagar aos trabalhadores envolvidos, não vai para pessoas físicas, vai para o Estado.

A possibilidade de ganhar bem mais é que faz com que alguns médicos cubanos prefiram deixar Cuba e trabalhar em outros países como pessoas físicas. É normal que isso aconteça, em Cuba ou em qualquer país (não estamos recebendo portugueses e espanhóis?) e em qualquer atividade (quantos latino-americanos buscam emigrar para países mais desenvolvidos?). Como é normal que muitos dos médicos cubanos aprovem o sistema socialista em que vivem e se disponham a cumprir as “missões internacionalistas” em qualquer parte do mundo, independentemente de qual é o salário. Para eles, a medicina se caracteriza pelo humanismo e pela solidariedade, e não pelo lucro.

É difícil entender isso pelos que aceitam passivamente, aprovam ou se beneficiam da privatização e da mercantilização da medicina e da assistência à saúde no Brasil.

http://www.brasil247.com/pt/247/saudeebemestar/112780/Entenda-por-que-médicos-cubanos-não-são-escravos.htm

Entrevistas com os médicos: 'Viemos para ser parceiros dos médicos brasileiros, respeitar e ser respeitados' - Rede Brasil Atual

http://www.redebrasilatual.com.br/


Cinco dos 176 médicos cubanos que desembarcaram em Brasília disseram não temer opiniões contrárias e demonstraram acreditar que, no final, trabalho será reconhecido
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 25/08/2013 12:35, última modificação 25/08/2013 15:28Comments

BRUNO PERES/RBA


Oscar Martinez considera que a resistência de segmentos vai desaparecer com o bom trabalho


Brasília – As principais expectativas dos médicos cubanos recém-chegados ao Brasil consistem em trocar experiências com os demais profissionais e contribuir para melhorar a saúde pública no país. Mas eles demonstraram, desde que apareceram no saguão do aeroporto Juscelino Kubitschek, ontem (24) à noite, cuidado ao falar dos médicos brasileiros ao ressaltar que têm, como missão principal, zelar pelo trabalho em conjunto com os colegas da terra. Os cubanos também fizeram questão de citar detalhes sobre seus currículos, diante das críticas feitas por entidades médicas brasileiras a eles, nos últimos dias.


Muitos deixaram clara, ainda, a preferência em atuar no estado do Amazonas – pela grandiosidade e diversidade daquela unidade da federação e suas populações ribeirinhas – bastante mencionada durante a entrevista (com certo ar reservado, para não causar transtornos no caso de serem escolhidos para outros locais). Assim como por áreas do semiárido nordestino, como o interior do Ceará. Mas, repetindo o tom de cautela e diplomacia, frisaram várias vezes que não farão pedidos específicos e estão prontos para atuar em qualquer local do território brasileiro.


Nesta entrevista, cinco deles – a médica Yasiel Perez e os médicos Rodolfo Garcia,Oscar Martinez, Juan Rodriguez e Angel Perez – falam sobre o que os move na empreitada:


Qual a principal expectativa do trabalho a ser realizado por vocês no Brasil?


Yasiel Perez: Sou médica, especialista em medicina geral integral. Como todos os médicos que agora estão chegando a este país, para nós é um prazer, algo muito grande para expressarmos. Sou a mais jovem da brigada, mas tenho 32 anos e muita experiência. Em meu país se estuda medicina durante seis anos consecutivos e se trabalha quatro anos com as famílias mais necessitadas, além de passar outros dois anos atuando no serviço social. Além dessa formação, trabalhei na Bolívia durante dois anos e quatro meses, com uma população muito difícil, bastante carente. Mediquei em lugares distantes, mas não é por isso que essa mulher que vocês veem hoje aqui voltou correndo para Cuba quando deparou com problemas.


Não temem protestos e manifestações de pessoas que se posicionem contrárias à vinda dos senhores ao país?


Yasiel Perez: Vi e enfrentei muitas dificuldades na Bolívia e fiquei lá até o final da missão. Retornei ao meu país com uma qualificação satisfatória e é isso que quero repetir no Brasil, ao lado de todos os colegas. Queremos vencer, estamos contentes e esperamos cumprir nossa missão aqui. Esperamos que o povo brasileiro nos respeite como respeitamos a toda a população. Somente queremos ajudar, apoiar e contribuir para melhorar a saúde, para que a população tenha mais acesso aos serviços médicos. Somente queremos dar e receber amor.


Os senhores imaginam encontrar algo diferente do que já viram em outros países no trabalho a ser realizado agora, no interior do Brasil?


Rodolfo Garcia: Tenho 36 anos como médico, já estive no Brasil e conheço bem o país. Uma turma de médicos que chega já conhece a região Norte do Brasil profundamente. Além disso, muitos dos colegas que compõem o grupo possuem mais de 20 anos formados como médicos, possuem mestrado e cursos de especialização e participaram de trabalhos diversos de cooperação em outros países da África e América Central, com participações no tratamento de vítimas de desastres naturais. Não acho que teremos qualquer dificuldade nesta missão.


Como os senhores avaliam os comentários de que médicos cubanos não estariam preparados para atender aos problemas de alta complexidade que possam vir a ser observados ao longo da missão?


Rodolfo Garcia: Viemos empolgados para a realização de um trabalho em regiões diferentes. Sabemos que no Brasil não há médicos em muitos lugares distantes. Sabemos também que há no Brasil muitos municípios carentes de médicos. Posso te assegurar que somos preparados e viemos com muita vontade de trabalhar e fazer a coisa andar. Cuba é um país pobre que não tem muitos recursos naturais, mas tem muitos médicos e especialistas que estão com disposição de ajudar o Brasil e fazer parcerias para aumentar a saúde do povo brasileiro. Estamos preparados, tenha a certeza.


E sobre a questão da remuneração que os senhores receberão, alvo de tantas polêmicas nas últimas semanas? O que têm a dizer sobre isso?


Rodolfo Garcia: A primeira coisa que queremos que vocês compreendam é que o dinheiro, para nós, neste caso em questão, fica em segundo lugar. Vamos receber uma remuneração suficiente para ficar no Brasil. O restante do dinheiro vai voltar para Cuba, para ajudar hospitais, os doentes que estão precisando porque no nosso país a saúde é de graça. O nosso dinheiro está lá, nosso salário está sendo pago lá.


Na opinião dos senhores, o programa ‘Mais Médicos’, do governo federal, foi uma escolha acertada?


Rodolfo Garcia: Não estamos a par do projeto em sua totalidade, mas reconhecemos que o governo precisa de muita coisa e deu um bom passo na vinda dos médicos estrangeiros. Por tudo o que temos lido, a percepção que temos é de que estão sendo criadas condições para melhoria da saúde pública no país. Queremos fazer todo o esforço para caminhar juntos na resolução dos problemas e pela melhoria da qualidade de vida do povo mais carente do Brasil, aquele que não tem dinheiro para pagar médicos particulares, populações como as dos interiores mais distantes do Pará, Tocantins ou Amapá, onde muitos de nós já estivemos. Sinceramente, viemos com muita vontade de ajudar as pessoas.


Esperavam encontrar tamanha receptividade por parte das pessoas que vieram ao aeroporto recebê-los?


Rodolfo Garcia: Não. É um prazer estar aqui. Estamos muito nervosos porque não esperávamos que vocês todos estivessem aqui, desse jeito. Mas estamos muito felizes também.


Como avaliam o estreitamento da cooperação entre Brasil e Cuba a partir deste trabalho?


Oscar Martinez: Sem dúvida, como bastante positivo. Sou especialista em saúde da família, sou médico há 23 anos e há 19 concluí minha especialização. Não sei para onde vou, mas vim para fazer este trabalho. Queremos agradecer ao povo brasileiro. Os povos de Cuba e Brasil são irmãos há muito tempo, mas este trabalho de agora estreita muito mais os laços de cooperação e de irmandade entre nós. Temos várias expectativas boas. A mais importante é colaborar para haja acessibilidade para todos os que carecem de um serviço de saúde neste país.


Como imaginam que será a receptividade à chegada dos senhores pelo conjunto dos médicos brasileiros com quem vão trabalhar?


Oscar Martinez: Viemos para trabalhar juntos. Nosso sentimento é de consideração para com os problemas dos médicos brasileiros. Vamos ter a oportunidade de trabalhar com eles, em lugares de acesso complicado, sabemos disso tudo, mas vamos acompanhá-los e trabalhar juntos pela nação brasileira. O principal objetivo nosso, a parte de trabalho como médicos, nesta missão, é estreitar a solidariedade do povo de Cuba com o povo brasileiro. Somos irmãos e a irmandade entre nós tem, agora, que ser mais forte.


E em relação aos protestos feitos por entidades medicas que são contrárias à chegada de médicos cubanos ao país?


Oscar Martinez: Ainda estamos chegando no Brasil, não temos todos os elementos para responder completamente à sua pergunta. Só vou falar o seguinte: todas as questões ou programas, quando iniciados, estão sujeitos a críticas e compreendemos isso. Agora, vamos ficar aqui e esperar as últimas palavras sobre o nosso trabalho depois de algum tempo, quando nos conhecerem melhor. Certamente serão bem diferentes.


Alguns dos senhores têm preferência por algum estado específico para trabalhar?


Juan Rodrigues: Conheço o Brasil, preferiria o estado do Amazonas, no Norte, ou estados nordestinos, mas tudo no Brasil nos interessa.


O que mais os incentiva na realização deste trabalho?


Angel Perez: o exercício da profissão em regiões remotas e a cooperação médica. Estive recentemente em Honduras e em lugares também distantes e repletos de dificuldades, mas sempre trabalhando duro para que as pessoas possam desfrutar de boa qualidade de vida e a mesma coisa acontecerá no Brasil. Estamos vindo com o sentimento e o coração aberto para trabalhar junto com os médicos e todo o pessoal da área de saúde brasileira. Queremos ajudar a população e contribuir para melhoria da saúde pública no país.

Médicos cubanos pedem respeito e dizem que vêm trabalhar para o povo brasileiro - Agência Brasil

Médicos cubanos pedem respeito e dizem que vêm trabalhar para o povo brasileiro - Agência Brasil

Daniel Lima - Repórter da Agência Brasil


Brasília - O primeiro grupo dos 206 médicos cubanos que vão trabalhar no Brasil desembarcou hoje (24) à tarde no país. No Recife, ficaram 30 profissionais e 176 seguiram para Brasília, onde chegaram à noite. Ao desembarcar, Oscar González Martinez, graduado há 23 anos e especialista em atenção à família, disse que tinha grande expectativa em trabalhar com a população brasileira.

Martinez disse que veio ao Brasil por várias razões, entre elas, a oportunidade de trabalhar para o povo brasileiro. Sobre a polêmica em torno do pagamento dos salários, que serão feitos por meio do governo cubano e não diretamente aos profissionais, González disse que isso é o que menos importa, pois tem o emprego garantido em seu país e parte dos recursos irá para ajudar o seu povo.

“O mais importante é colaborar com os médicos brasileiros e ajudar na qualidade de vida do povo daqui. Também é importante a irmandade entre o povo cubano e o povo brasileiro que existe há muito tempo”, disse.


A médica Jaiceo Pereira, de 32 anos, lembrou, bem-humorada, que, apesar de ser a mais jovem do grupo, tem bastante experiência profissional e no início de sua formação já trabalhava com saúde da família. Ela pediu o apoio do povo brasileiro e respeito aos profissionais de seu país. “Queremos ajudar e dar saúde a todos aqueles que não têm acesso aos serviços médicos", disse. “Queremos dar amor e queremos receber amor.” Já Alexander Del Toro destacou que veio para trabalhar junto e não competir.

Um grupo de 25 simpatizantes do socialismo e de Cuba esteve no Aeroporto Internacional de Brasília – Presidente Juscelino Kubitschek com cartazes. Durante a longa espera, que durou mais de duas horas, os manifestantes gritavam palavras de ordem como “Cubano amigo, Brasil está contigo” e “Brasil, Cuba, América Central, a luta socialista é internacional”.

Em meio às manifestações de apoio, Ana Célia Bonfim, que se identificou como médica da Secretaria de Saúde do Distrito Federal chegou a gritar entre os manifestantes que tudo não passava de uma “palhaçada”. “Profissional troca alguma coisa por bolsa. Isso não é coisa de profissional. Pelas condições que tem o médico cubano, claro que eles vão trocar isso pelas condições brasileiras. Mas isso é exploração de mão de obra”, disse.

O restante dos médicos cubanos desembarca amanhã (25) em Fortaleza, às 13h20, no Recife, às 16h, e em Salvador, às 18h, segundo o ministério. Ao todo, 644 médicos, incluindo os 400 cubanos, com diploma estrangeiro chegam ao Brasil até este domingo (25). Na sexta-feira (23), começaram a chegar os médicos inscritos individualmente em oito capitais.

Os profissionais cubanos fazem parte do acordo entre o ministério com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para trazer, até o final do ano, 4 mil médicos cubanos. Eles vão atuar nas cidades que não atraírem profissionais inscritos individualmente no Programa Mais Médicos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rebateu as críticas das entidades médicasque questionam a formação médica dos profissionais cubanos.

Na segunda-feira (26), tantos os médicos inscritos individualmente (brasileiros e estrangeiros), quanto os 400 cubanos contratados via acordo, começam a participar do curso de preparação com aulas sobre saúde pública brasileira e língua portuguesa. Após a aprovação nesta etapa, eles irão para os municípios. Os médicos formados no país iniciam o atendimento à população no dia 2 de setembro. Já os com diploma estrangeiro começam a trabalhar no dia 16 de setembro.

O curso vai ter carga de 120 horas com aulas expositivas, oficinas, simulações de consultas e de casos complexos. Também serão feitas visitas técnicas aos serviços de saúde com o objetivo de aproximar o médico do ambiente de trabalho.

* Colaborou Ana Cristina Campos
Edição: Fábio Massalli//A matéria sofreu ajuste às 14h24, do dia 25/08/2013 para corrigir a grafia do primeiro sobrenome do médico cubano Oscar González Martinez. Anteriormente, González estava grafado com a letra "s" ao final
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Conheça a nova Direção Nacional da CTB eleita no 3º Congresso, com Adilson Araújo Presidente- Portal CTB


3º Congresso Nacional da CTB elege nova Direção. Adilson Araújo assume a Presidência
24/08/2013 3º CONGRESSO NACIONAL

O 3º Congresso Nacional da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) foi encerrado neste sábado (24), em São Paulo, com a eleição da nova direção para um mandato de quatro anos (2013/2017). Adilson Araújo, bancário da Bahia, foi eleito o novo presidente. Wagner Gomes será o novo secretário-geral para o período que se inicia.



Ao longo do Congresso foram credenciados 1.258 delegados e delegadas dos 27 estados brasileiros, sendo 67,09% homens e mulheres 32,91%, ultrapassando a cota mínima.

Em seu discurso de posse, o novo presidente da CTB reforçou a disposição de luta, característica à CTB desde sua fundação, com a promessa de fazer uma gestão planejada, ousada e audaciosa. Adilson Araújo também destacou suas propostas, que incluem fortalecer a formação com a criação da Escola Sindical Nacional, ampliar a rede de comunicação e, no plano da organização, constituir uma central de apoio e logística para as entidades sindicais. "Tenham certeza de que vocês não elegeram um técnico, mas um trabalhador destemido, dedicado e comprometido com a causa da classe trabalhadora", afirmou, para em seguida sustentar sua disposição para aproximar cada vez mais dentro da CTB o sindicalismo do campo e da cidade.



LEIA AQUI UMA ENTREVISTA COM ADILSON ARAÚJO, NOVO PRESIDENTE NACIONAL DA CTB

Nova direção




Coube ao ex-presidente Wagner Gomes a leitura de todos os nomes da nova Direção Executiva, antes de anunciar ao plenário o nome de Araújo para encabeçar a chapa única, fruto do processo de discussão que envoltou todas as forças políticas da CTB. O dirigente destacou a capacidade de atuação do novo presidente e seu trabalho junto à CTB-BA. Por unanimidade, o plenário acatou a proposta de chapa apresentada.





Portal CTB - Fotos: Mauricio Morais

Nova Direção da CTB eleita no 3° Congresso:

PRESIDÊNCIA - Adilson Araújo - Bancário -BA
VICE-PRESIDÊNCIA - Nivaldo Santana - Urbanitário - SP
VICE-PRESIDÊNCIA - Maria Lúcia Moura - Rural - SE
VICE-PRESIDÊNCIA - Joilson Antônio Cardoso - Professor - RJ
VICE-PRESIDÊNCIA - Severino Almeida - Marítimo - RJ
VICE-PRESIDÊNCIA - Vicente Selistre - Sapateiro - RS
SECRETARIA GERAL - Wagner Gomes - Metroviário -SP
SECRETARIA GERAL ADJUNTA - Kátia Gaivoto - Professora -RJ
SECRETARIA DE FINANÇAS - Vilson Luiz da Silva - Trabalhador rural - MG
SECRETARIA DE FINANÇAS ADJUNTA - Gilda Almeida de Souza - Farmacêutica - SP
SEC. DE FORMAÇÃO E CULTURA - Celina Alves Arêas - Professora -MG
SEC DE POLÍTICAS SOCIAIS, ESPORTE E LAZER - Carlos Rogério Nunes - Assistente social -
CE
SECRETARIA DE POLÍTICA SINDICAL E RELAÇÕES INSTITUCIONAIS - Francisco Chagas - Funcionário público - DF
SEC DE PREVIDÊNCIA, APOSENTADOS E PENSIONISTAS - Pascoal Carneiro - Metalúrgico - BA
SEC. DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS - José Divanilton Pereira - Petroleiro -RN
SEC. DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS ADJUNTA -José Adilson Pereira - Marítimo - ES
SEC DE IMPRENSA E COMUNICAÇÃO - Raimunda Gomes - Professora - AM
SECRETARIA DE MULHERES - Ivânia Pereira - Bancária -SE
SEC DE POLÍTICAS PARA A JUVENTUDE TRABALHADORA - Vítor Espinoza - Comerciário - RS
SEC DE POLÍTICAS DE PROMOÇÃO DE IGUALDADE RACIAL - Mônica Custódio - Metalúrgica - RJ
SEC DE DEFESA DE MEIO AMBIENTE - Antoninho Rovaris - Rural -
SEC ADJUNTA DE MEIO AMBIENTE -Claudemir Nonato Santos - Professor - BA
SECRETARIO DE SAUDE DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS E SEGURANÇA NO TRABALHO - Márcia Machado - Professora - ES
SEC DE POLÍTICA AGRÍCOLA E AGRÁRIA - Sérgio de Miranda - Rural - RS
SECRETARIA DO SERVIÇO PÚBLICO E DO TRABALHADORRES PÚBLICOS - João Paulo Ribeiro - Servidor público - SP
SECRETARIAADJUNTA DO SERVIÇO PUBLICO E DO TRABALHADORES PÚBLICOS - José Gonçalves - Servidor público -PB

DIREÇÃO EXECUTIVA
Eduardo Navarro – Bancário - BA
Hildinete Rocha - Professora - MA
Raimundo Brito - Construção Civil - BA
Mário Teixeira - Marítimo - PR
Marilene Betros - Professora - BA
Ricardo Ponzi - Marítimo - RJ
João Batista Lemos - Metalúrgico - RJ
Guiomar Vidor - Comerciário - RS
Luís Penteado - Marítimo - RJ
Lucileide Mafra - Doméstica - PA
Onofre de Jesus - Metroviário - SP
Marcelino Rocha - Metalúrgico - MG
Ronaldo Leite - Correios - RJ
Aurino Pedreira do Nascimento Filho - Metalúrgico - BA
Josiel Galvão de Souza - Metalúrgico - PE
Maria do Socorro N. Barbosa - Rural - MA
Valéria Conceição da Silva - Professora - PE
Maria Marucha S.Vettorazzi - Rural - PR
Reginaldo Oliveira - Comerciário - BA
Juraci Moreira Souto - Rural - MG

DIREÇÃO PLENA
Aldemir de Carvalho Caetano - Petroleiro - AM
Ailma Maria de Oliveira - Professora - GO
Lenir Pibneto Fanton - Rural - RS
Assis Melo - Metalúrgico - RS
Ronald Ferreira dos Santos - Farmacêutico – SC
Fredson da Mata - Professor - AP
Edson de Paula Lima - Professor - MG
Edval Goes - Funcionário público - SE
Ademir Muller - Rural - PR
James Figueiredo - Policial civil - AM
Gilson Reis - Professor - MG
Paulo Vinicius Santos da Silva - Bancário - DF
Francisco de Assis - Urbanitário - PA
Nara Teixeira de Souza - Professora - MT
Jonas Rodrigues de Paula - Professor - ES
Lucia Maia - Construção \civil - BA
José Marcos Araújo - Bancário - PA
Júlio Guterres - Professor - MA
Pedro Mário - Rural - MG
Luís Cláudio de Santana - Servidor civil das FFAA - RJ
Elias David - Rural - SP
Maria Clotilde Lemos Petta - Professora – SP
Maria da Glória Borges da Silva - Rural - MT
Maurício Ramos - Metalúrgico - RJ
Leandro Clodoveu Velho - Metalúrgico - RS
Ricardo Martins Froes - Professor - MS
Elgiane Fátima Lago - Rural - RS
Risonilson de Freitas Barros - Taxista - AP
Sueli Moraes da Silva Cardoso – Servidor Público Municipal - RR
Valéria Silva - Professora - PE
Ivanir Perrone - Comerciária - RS
Paulo Sérgio da Silva - Condutores/Americana - SP
Flávio Godoy - Metroviário - SP
Madalena Guasco - Professora - SP
Rogerlan Augusta de Morais - Técnico administrativo - MG
Isis Tavares Neves - Professora - AM
Hilário Gottselig - Rural - SC
Luciano Simplício - Previdenciário - CE
Agenor Neto - Alimentação
José Aguinaldo - Alimentação - PR
Augusto Vasconcelos - Bancário - BA
Sirley Ferreira dos Santos - Rural - SE
David Wilkenson De Souza – Rural - BA
Igor Menezes – Rodoviário - RJ
José Rodrigues da Silva - Rural - PE
Cláudia Bueno - Municipal - SP
Mário Ferrari - Médico - PR
Fernando Furtado - Pescador - MA
Valdirlei Castagna - Auxiliar de enfermagem - RS
Alex da Silva Cardoso - Movimentador de mercadoria - SP
Conselho Fiscal - Titular – Ivane – Rural - BA
Conselho Fiscal - Titular - Jadirson Tadeu Paranatinga – Servidor Municipal - SP
Conselho Fiscal – Titular - Sandra Regina de Oliveira - Metalúrgicos - BA
Conselho Fiscal – Suplente - Osmar da Silva – Fluviário - SP
Conselho Fiscal - Suplente - Adriana - Rural - RJ
Conselho Fiscal - Suplente - João Batista Bruno - Gráficos -RJ

“Vou orientar meus médicos a não socorrerem erros dos colegas cubanos”, diz presidente do CRM/MG - BHAZ


A contratação de médicos estrangeiros pelo programa Mais Médicos, do Governo Federal, está longe de ter um final em que as duas partes – profissionais e União – cheguem a um acordo. A última grande polêmica gira em torno do anúncio da convocação de cubanos para atender no Brasil.

O Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG) já entrou oficialmente na briga contra a medida. Na quinta-feira (22), o presidente da entidade, João Batista Gomes Soares, anunciou que pretende denunciar os cubanos por exercício ilegal da profissão, alegando que o governo autorizou a atividade dos médicos sem que eles passem pelo processo de revalidação do diploma estrangeiro e pelo exame de proficiência em língua portuguesa.

Em entrevista ao jornal Estado de Minas, publicada nesta sexta-feira (23), João Batista garantiu que, se o governo seguir em frente com as contratações, o impasse vai virar caso de polícia. “Se ouvir dizer que existe um médico cubano atuando em Nova Lima, por exemplo, mando uma equipe do CRM-MG fiscalizar. Chegando lá, será verificado se ele tem o diploma revalidado no Brasil e a carteirinha do CRM-MG. Se não tiver, vamos à delegacia de polícia e o denunciamos por exercício ilegal da profissão, da mesma forma que fazemos com um charlatão ou com curandeiro”, afirmou Batista.


Declarações do presidente do CRM/MG reforçam polêmica
em torno do Mais Médicos
Foto: Divulgação/Conselho Regional de Medicina

O presidente do CRM/MG ainda fez uma declaração polêmica. “Nossa preocupação é com a qualidade desses médicos, que são bons apenas em medicina preventiva, não sabem tirar tomografia. Vou orientar meus médicos a não socorrerem erros dos colegas cubanos”, disse.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) também considera a adoção do programa eleitoreira, irresponsável e desrespeitosa.

Conselho ameaça profissionais que trabalham no “Mais Médicos” - Blog Tijolaço





Conselhos ameaçam profissionais que trabalham no “Mais Médicos”

O Conselho Federal e os regionais de Medicina estão ameaçando com processos ético-profissionais e com punições (que podem, no caso, chegar à suspensão do registro e do direito de clinicar) os médicos do serviço público que integrarem como gestores ou supervisores de profissionais estrangeiros.



Com o claro intuito de provocar o medo entre os médicos do serviço público que participam ou dirigem programas oficiais do Governo que utilizarem médicos estrangeiros, um e-mail do CFM, que está sendo repassado pelos Conselhos Regionais diz que “tais médicos estão passíveis de processos e penalizações de caráter ético-profissional, civil e criminal pelos atos praticados por participantes e intercambistas do Programa Mais Médicos”.

Reproduzo o e-mail que me foi enviado por um médico, chocado com a atitude intimidatória que sua entidade profissional está assumindo.

Notem que o texto não apenas exige o Revalida, mas que este seja nos seus moldes atuais.

Não aceita, portanto, o exame destes profissionais estrangeiros previsto para se realizar, a partir da semana que vem, em universidades federais brasileiras.

Apenas para lembrar, se o exame realizado pelo Cremesp, o conselho paulista, tivesse a aprovação como condicionante do registro profissional, 54,5% dos formados em medicina no Estado de S. Paulo – reprovados no teste – não poderiam clinicar.

Os conselhos de medicina precisam refletir no que estão fazendo. Vão jogar a população contra os médicos, que em sua enorme maioria são trabalhadores preocupados em atender corretamente a população.

Não podem se deixar levar pela elite da corporação médica, encastelada em suas clínicas particulares, nem por grupos imaturos de médicos jovens – aquele pessoal do “somos ricos, somos cultos” – que só vê na profissão o resultado financeiro que pretende.

Agindo com este furor e sem ponderação – ponderação, cautela e vagar que nunca lhes falta na hora de punir médicos desidiosos com a população, como aqueles da fraude do ponto com dedos de silicone, que continuam, quatro meses depois, com seus CRM ativos – vai provocar inevitavelmente a percepção, pela população mais pobre que seu dito interesse pela qualidade da medicina só tem importância quando defende suas conveniências.

Por: Fernando Brito

O “Dr. Puliça” de Minas está prejudicando os colegas… - Blog Tijolaço



A manchete do Estado de Minas, hoje, é a reação “prendo e arrebento” do Dr. João Batista Gomes, presidente do Conselho Regional de Medicina mineiro.

Ele diz que não quer nem saber: onde estiver um médico cubano, vai com a “puliça” e prende por charlatanismo…

O doutor não está nem aí com a população de Alpercata, Alvorada de Minas, Camacho, Capitão Andrade, Cedro do Abaeté, Córrego Novo, Desterro do Melo, Divinésia, Fernandes Tourinho, Gonzaga, Ibituruna, Imbé de Minas, Inimutaba, Itaverava, Marliéria, Munhoz, Naque, Nova Módica, Novorizonte Paiva, Paulistas, Pescador, Pingo-d’Água, Piracema, Queluzito, Rio Doce, Rio Manso, Santa Helena de Minas, Santana do Jacaré, Santana dos Montes, Santa Rosa da Serra, Santo Antônio do Itambé, Santo Hipólito, São Domingos das Dores, São Félix de Minas, São Francisco do Glória, São Geraldo do Baixio, São João da Lagoa, São João da Mata, São José do Mantimento, São Sebastião do Rio Preto, Senador Cortes, Serra da Saudade, Serra dos Aimorés, Taparuba, Tapiraí, Tumiritinga, Turvolândia, Vermelho Novo, Vieiras, Wenceslau Braz, os 50 municípios mineiros que, conforme publicou a Folha, em 2008, não tinham sequer um médico morando lá.

O Doutor também deveria ler o que publica nesta sexta o jornal Hoje em Dia, falando que os prefeitos do interior vão ter de aumentar os salários dos médicos de suas prefeituras, porque o Mais Médicos vai pagar mais do que pagam aos seus colegas.

Sim, porque o salário oferecido pelos Mais Médicos é maior do que muitos dos que se oferecem aos médicos mineiros, em vários casos sem férias ou décimo-terceiro.

E sem contar o fornecimento de casa para morar.

Quer a prova?

É só ir ver as ofertas de emprego no site do próprio CRM-MG que se vai encontrar a realidade dos salários médicos.

Eu reproduzi só alguns, para ilustrar, maso endereço está aqui.

Para isso o senhor vai chamar a “puliça”, Doutor?Por: Fernando Brito


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PORTUGAL TAMBÉM PROTESTA, MAS PARA MANTER MÉDICOS CUBANOS - Brasil 247


PORTUGAL TAMBÉM PROTESTA, MAS PARA MANTER MÉDICOS CUBANOS



No momento em que governo brasileiro enfrenta revolta da classe médica contra a contratação de médicos do país de Fidel Castro, portugueses lutam para mantê-los. Até o presidente da Ordem dos Médicos de Portugal, reconhece:“Naturalmente os cidadãos que receberam os médicos estrangeiros ficaram satisfeitos, porque passaram a ter um médico”



22 DE AGOSTO DE 2013 ÀS 08:23





247 – O governo de Dilma Rousseff anunciou ontem a contratação de 4 mil médicos cubanos. A inciativa levanto ainda mais polêmica na classe médica. O Conselho Federal de Medicina (CFM) classificou como "eleitoreiro, irresponsável e desrespeitoso" o anúncio pelo Ministério da Saúde. Para a entidade, a medida agride direitos individuais, humanos, do trabalhador e ainda expõe a saúde da população a situações de risco. "É uma irresponsabilidade trazer médicos de fora, sejam cubanos, sejam brasileiro formados no exterior, sem a devida verificação da competência técnica", avaliou Roberto d'Ávila, presidente do CFM.

Enquanto isso, em Portugal, população também protesta, mas para manter esses profissionais no país. Leia mais na notícia do blog Tijolaço:

Em Portugal, médicos cubanos são um problema. Ninguém quer que eles se vão

Se o caro amigo internauta fizer uma pesquisa rápida no Google verá que o que pode acontecer aqui no Brasil, no futuro, com os médicos cubanos que o Governo Federal está trazendo para atuar em municípios onde não há profissionais brasileiros dispostos a atuar.

Os problemas não são de incapacidade profissional ou de dificuldade de comunicação.

São que os contratos firmados pelo governo português estão acabando e alguns deles terão de ir embora, para desespero das populações e dos prefeitos do Alentejo, do Algarve e do Ribatejo, regiões pobres que estão ameaçadas de ficarem, outra vez, sem médicos.

O portal SulInformação noticia:

Os cinco médicos cubanos que prestavam serviço de consultas no concelho de Odemira terminaram os seus contratos e regressaram ao seu país, deixando mais de 14 mil utentes sem médico de família.

Esta situação, segundo denuncia, em comunicado, a Câmara Municipal de Odemira, «está a provocar a rotura dos serviços médicos em Odemira, S. Teotónio, Sabóia e Vila Nova de Milfontes e o descontentamento da população e da autarquia, que têm vindo a expressar o seu descontentamento junto dos responsáveis locais, regionais e governamentais sem qualquer sucesso».

A autarquia sublinha, no comunicado a que oSul Informação teve acesso, que no litoral Alentejano prestavam serviço 16 médicos cubanos, cinco dos quais no concelho de Odemira e não foram substituídos, isto apesar de há alguns meses os autarcas terem sido alertados pela direção do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Litoral Alentejano para a necessidade de garantir a substituição dos médicos cubanos que terminavam contrato no final do ano de 2011.

As prefeituras são as maiores defensoras do trabalho dos profissionais cubanos, pelos trabalhos pró-ativos de saúde pública que realizam.

Até o presidente da Ordem dos Médicos de Portugal, apesar da cantilena de que os médicos estrangeiros são “superiores” em qualidade profissional, reconhece:

“Naturalmente os cidadãos que receberam os médicos estrangeiros ficaram satisfeitos. Porque até aí não tinham médico e passaram a ter. Não com as competências adequadas e desejáveis, mas passaram a ter um médico”

Pois é, né, doutor…

Agora, para quem quiser se aprofundar mais no “choque cultural” representado pelos médicos estrangeiros em Portugal, recomendo a leitura de um trabalho de duas sociólogas e uma psicóloga na Revista Iberoamericana de Salud y Ciudadanía,coordenada pela Universidade do Porto.

Ali, são ouvidos médicos cubanos, espanhóis e colombianos que foram trabalhar em Portugal e que falaram sobre essa experiência. Trascrevo apenas um pequeno depoimento, de uma médica uruguaia que está por lá:

Tú tienes que tener un segundo para mí, dos minutos aunque sea de
camino, de acercarte al primer familiar que está y decirle „señora, está
así, hicimos esto, la cosa está así, lo voy a llevar a tal hospital,
quédese tranquila, yo lo voy a acompañar‟. Es lo mínimo. Los
médicos portugueses, entran, salen, meten el tipo y se van. Yo al
principio decía „pero esto es inhumano!‟ […] Yo hablo con los
familiares. Eso les llamó mucho la atención a los enfermeros y a los
TAE [Técnicos de Ambulância de Emergência], yo siempre busco un
minuto […]. Hay cosas que son de sensibilidad humana porque el
paciente no es una cosa o un objeto. (E2, médica uruguaia)
Talvez tenhamos alguma coisa a aprender por aqui, não é?

Por: Fernando Brito

Quem será atendido pela primeira seleção do #MaisMédicos? Conheça mais


Conheça o perfil dos médicos cubanos que vem ajudar o Brasil - #MaisMédicos


Vídeo denúncia: Nem todo médico é igual. Há humanistas e elitistas. Humanistas, juntem-se ao povo!




O exemplo acima visa somente a explicitar como é importante que os médicos humanistas assumam uma postura que não aceite a direção de quem não merece representá-los, assim como não devem conciliar com os maus comportamentos de profissionais indignos de estar na categoria. De modo algum creio que isso seja a expressão da totalidade dos médicos.

domingo, 18 de agosto de 2013

Fala de Renato Rabelo na Sessão de Devolução dos mandatos Comunistas cassados em devolução 1948 - PCdoB. O Partido do socialismo.

 Os 14 e nosso Senador, Prestes. Grabois e João Amazonas, o mais votado da capital, está à sua direita, e Maurício Grabois, à sua direita. Fora da ordem, os deputados comunistas eram Jorge Amado, Carlos Marighella, Maurício Grabóis, João Amazonas, Francisco Gomes, Agostinho Dias de Oliveira, Alcêdo de Moraes Coutinho, Gregório Lourenço Bezerra, Abílio Fernandes, Claudino José da Silva, Henrique Cordeiro Oest, Gervásio Gomes de Azevedo, José Maria Crispim e Oswaldo Pacheco da Silva. (Liderança do PCdoB)

Renato Rabelo: devolução de mandatos revigora a democracia  - PCdoB. O Partido do socialismo.
Leia a íntegra do discurso do presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, na sessão especial da Câmara dos Deputados que devolveu os mandatos cassados pela Mesa Diretora da Casa em 10 de janeiro de 1948, onde ele diz que “a reparação que ora se faz na Câmara dos Deputados, com a devolução simbólica dos mandatos comunistas da Constituinte de 1946 traz à luz dos nossos dias a memória desta importante época histórica do Brasil e revigora a democracia brasileira”. 
A devolução simbólica dos mandatos dos comunistas vai além da reparação de uma mácula jurídica e política. É o resgate da memória de um período significativo na história política brasileira.

A Constituinte de 1946 é o coroamento no Brasil da vitória da democracia e da liberdade no mundo, com a conquista das forças aliadas contra o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial. O mundo corria o risco de ser dominado pela fúria da Ditadura Nazista, durante longo período.

As forças democráticas, progressistas, e os comunistas, tiveram que enfrentar uma poderosa e gigantesca máquina de guerra (nunca vista até então): foi um tempo de arbítrio, perseguição, de campos de concentração e o extermínio hediondo de populações inteiras.

Só da União Soviética foram mais de 20 milhões de soviéticos mortos. O exército Vermelho teve um papel fundamental e heroico na destruição das divisões de guerra nazista. O Exército Vermelho foi a primeira força a entrar em Berlim e libertá-la. O impacto da vitória libertária e democrática ergueu uma grande onda de avanço civilizatório em todos os quadrantes do mundo. Nesse rastro civilizacional vieram os avanços sociais e a libertação colonial em regiões significativas da Ásia e da África.

A Constituinte de 1946 é expressão no Brasil -- considerando a realidade própria de então em nosso país – da avalanche democrática que enterrou o tenebroso terror expansionista nazista.
Sinal eloquente desse novo tempo surgido da Grande Vitória é o crescimento do Partido Comunista do Brasil e a sua vinda à tona da legalidade após longo período de clandestinidade, perseguição e prisões.

Em 29 de outubro de 1945 setores oposicionistas dominantes promoveram um golpe de Estado e depuseram o presidente Getúlio Vargas. Entre as motivações para o golpe, havia o temor de uma possível aliança entre getulistas e comunistas. Contudo a onda democrática não poderia ser facilmente detida e o PC do Brasil – que vinha com grande prestígio em função da luta contra o nazifascismo e o Estado Novo – obteve seu registro legal.

Historicamente, a Constituinte de 1946 veio para derrogar a Constituição outorgada em 1937 (expressão da ditadura estadonovista). Daí que os comunistas se empenharam na defesa imediata da revogação dessa Constituição que estava inteiramente superada pelo Novo tempo.

O centro da luta dos comunistas – expressando este novo tempo libertário que se abria – era a defesa consequente de uma nova etapa democrática para o Brasil. E o foco da sua intervenção era a defesa da plena soberania da Assembleia Constituinte.

Por conseguinte a bancada comunista logo no primeiro dia causou celeuma quando denunciou a presença na presidência da primeira sessão da Assembleia Constituinte do Ministro Waldemar Falcão, do Superior Tribunal Eleitoral.

O PC do Brasil, na Constituinte de 46, teve uma atuação marcante e influente. Além da ideologia e da opção política o que distinguia a bancada Comunista das demais era sua composição social popular e de trabalhadores, profissionais liberais, jornalistas e escritores.
A média de idade era a mais jovem entre as demais bancadas partidárias.

Os comunistas se dedicaram em toda linha pela defesa coerente da democracia, dos direitos políticos e de organização dos trabalhadores, do direito do povo, da soberania nacional e da reforma agrária.

Os comunistas foram defensores decididos das liberdades de expressão e religiosa. Lutaram pela rigorosa separação entre Estado e a Igreja. Contra qualquer forma de censura a livros, jornais e demais formas de expressão. Contra o racismo e as diversas formas de preconceitos.

Em setembro de 1946 os comunistas votaram favoravelmente ao texto constitucional, apesar da predominância de forças conservadoras, visto que a Constituinte representava um avanço democrático quando comparada com os textos constitucionais anteriores.

Numa demonstração da concepção antidemocrática das classes dominantes no Brasil, mesmo diante da força do ascenso democrático do segundo pós-guerra, essas classes não permitiam a existência legal do Partido Comunista.

Temendo o rápido crescimento do Partido, o governo Dutra iniciou uma ofensiva contra a legenda comunista e as entidades sob sua direção. Em sete de maio de 1947 o Tribunal Superior Eleitoral decidiu pela cassação do registro do PC do Brasil e o Ministro da Justiça determinou o encerramento de suas atividades em todo o território nacional.

Os mandatos comunistas foram declarados extintos pela mesa diretora da Câmara dos Deputados em 10 de janeiro de 1948. A reparação que ora se faz na Câmara dos Deputados, com a devolução simbólica dos mandatos comunistas da Constituinte de 1946 traz à luz dos nossos dias a memória desta importante época histórica do Brasil e revigora a democracia brasileira.

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