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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Farc anunciam fim dos sequestros e libertação de reféns - Portal Vermelho

Farc anunciam fim dos sequestros e libertação de reféns - Portal Vermelho

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram neste domingo (26) que libertarão unilateralmente 10 prisioneiros de guerra e que a partir de agora os sequestros estão proscritos.


Queremos comunicar nossa decisão de somar à anunciada libertação dos seis prisioneiros de guerra, a dos quatro restantes em nosso poder, assinala o grupo insurgente em comunicado divulgado neste domingo.

O comunicado destaca que muito se tem falado acerca das detenções de pessoas, homens ou mulheres da população civil, que efetuam com fins financeiros para manter a luta.

"Com a mesma vontade indicada acima, anunciamos também que a partir de agora proscrevemos a prática das detenções em nossa atuação revolucionária", sublinha a guerrilha.

Chegou a hora de começar a esclarecer quem e com que propósitos seqüestra hoje na Colômbia, agrega.

Em outra parte do comunicado, as Farc também solicitam que Marleny Orjuela, porta-voz do grupo da sociedade civil Colombianos e Colombianas pela Paz (CCP), receba os detidos que serão libertados.

Com esse efeito, expressa o texto, anunciamos ao grupo de mulheres do continente que trabalham ao lado do CCP, que estamos prontos para fazer o que seja necessário para agilizar este propósito.

Igualmente, a guerrilha agradece a disposição generosa do governo brasileiro, presidido por Dilma Rousseff, e assinala que aceita sem vacilação a participação brasileira no processo para as citadas libertações.

O grupo insurgente manifesta também sentimentos de admiração para com os familiares dos soldados e policiais em seu poder.

"Jamais perderam a fé em que os seus recobrariam a liberdade, mesmo em meio ao desprezo e indiferença dos distintos governos e comandos militares e policiais", afirmam.

Comissão internacional

As Farc celebram ainda os passos que vêm sendo dados rumo à conformação de uma comissão internacional que verificará as denúncias sobre as condições subumanas de reclusão em que vivem os prisioneiros de guerra e sociais nos cárceres do país.

Esperamos que o governo colombiano não tema e não obstrua este legítimo trabalho impulsionado pela comissão de mulheres do continente.

A dirigente política e social brasileira Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz, integra a comissão e se encontra na Colômbia onde participa do fórum Colômbia entre grades, em busca de um caminho para a liberdade e a Paz, evento organizado pelo grupo humanitário Colombianos e Colombianas pela Paz.

Durante esta semana, a comissão inspecionará cárceres colombianos e verificará as condições carcerárias em que vivem os prisioneiros políticos e de guerra.

Socorro Gomes declarou ao Vermelho que “é importante abrir os caminhos para a paz, a liberdade e os direitos humanos na Colômbia”. A ativista brasileira assegurou que ela e demais mulheres dirigentes políticas e sociais latino-americanas “estão à inteira dispoisção para apoiar o chamamento à negociação e à paz feito pelo grupo Colombianos e Colombianas pela Paz”.

A presidente do Conselho Mundial da Paz diz “estar convencida de que é indispensável encontrar uma saída negociada para este longo conflito armado pelo qual atravessa o país. A humanidade anseia a liberdade, a justiça e a paz”.

Socorro Gomes também chamou a atenção para a interferência do imperialismo estadunidense na América Latina: “não aceitamos que o imperialismo estadunidense e seus aliados venham militarizar nossos territórios com o argumento de combate ao narcotráfico".

"Este é o pretexto que utilizam - diz Socorro - , assim como o combate às forças insurgentes, para ampliar sua presença militar em nosso continente através da instalação de bases militares e do famigerado Plano Colômbia. Reafirmamos uma vez mais que rechaçamos com veemência as bases militares estrangeiras em nosso continente”.

A militarização não traz segurança para nossos povos e nações, o que ela faz é desrespeitar a soberania de nossos países e os direitos humanos de nossos povos.

Governo colombiano

Por sua vez, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, disse que valoriza o anúncio das Farc mas o considerou insuficiente.

"Valorizamos o anúncio das Farc de renunciar ao sequestro como um passo importante e necessário mas insuficiente na direção correta", escreveu Santos em sua coenta da rede social Twitter.

Da Redação, com Prensa Latina

Elias Cândido: “Não podemos permitir que destruam o Paulo Henrique”

Elias Cândido: “Não podemos permitir que destruam o Paulo Henrique”
Elias Cândido: “A tendência do racismo em si é aumentar. Não porque há mais racistas, mas por conta da resistência”
Conceição Lemes, no Viomundo
Nos últimos dias, assistimos na internet a uma verdadeira cruzada contra o jornalista e blogueiro Paulo Henrique Amorim, visando carimbá-lo como racista. Espalharam a informação de que teria sido condenado por racismo no processo movido pelo também jornalista Heraldo Pereira, pelo uso da expressão “negro de alma branca”.
Só que: 1) não houve condenação, mas um acordo, ainda em primeira instância; 2) o autor do processo reconheceu, ao assinar o tal acordo, que não teria havido ofensa de cunho racista.
Paulo Henrique ganhou apoio e solidariedade de leitores, jornalistas e blogueiros. Militantes do movimento negro saíram em defesa de PHA. Elias Cândido é um deles. Estudioso da história do negro no Brasil, militante de combate ao racismo, professor e presidente do PT da Vila Matilde, Zona Leste da capital paulista, ele foi taxativo num texto que postou no Facebook:
Eu, modestamente estudioso da história do negro no Brasil, conheço bem os negros de alma branca. Posso reconhecê-los à distância pela linguagem, pelo olhar medroso, pelo jeito janota de se vestir e pela sintaxe entreguista.
Reconheço o trabalho de PHA pelos negros, apoiando programas voltados a essa população e denunciando o racismo da grande mídia. Ele tem todo o meu apoio.
Que os negros e pessoas bem-intencionadas não se confundam: uma ação contra o racismo jamais viria de alguém da Rede Globo, a maior propagadora de racismo deste país.
Decidimos, então, ouvir um pouco mais Elias Cândido.
Viomundo — O que significa “negro de alma branca”?
Elias Cândido — “Negro de alma branca”, na verdade, é como alguns brancos racistas, se reportam a alguns negros. São os negros que não se rebelam, que toleram passar por humilhações e que, segundo alguns brancos, “sabem o seu lugar na sociedade”.
O negro que reivindica o seu lugar é o negro “ negro”, isso do ponto de vista do racista.
Viomundo – Chamar alguém de “negro de alma branca” seria xingamento?
Elias Cândido –Seria um xingo. Seria exatamente aquela pessoa que, por querer ser aceito por aqueles que não a aceitam, se submete a humilhações em vez de buscar o seu espaço. Assim, do ponto de vista racista, equivaleria a um xingo.
Viomundo – Paulo Henrique se referiu ao Heraldo Pereira como um “negro de alma branca”. Essa menção seria racismo?
Elias Cândido — Não seria racismo, não. Quando o Paulo Henrique usa a expressão “negro de alma branca” não é para ofender a população etnicamente negra. A intenção dele é chamar atenção para o comportamento do Heraldo Pereira, que é o comportamento daquele negro aculturado, que se submete a determinadas coisas, que se submete, por exemplo, às determinações da Rede Globo. E a instituição Globo, eu diria, tem um comportamento racista.
Viomundo – Por quê?
Elias Cândido — A Rede Globo é racista. Se olhar com atenção o quadro de seus artistas, vai notar que a maioria é branca. Se observar também o tratamento que é dado aos negros nas suas novelas, vai verificar que a Globo os coloca em posições que seriam de “negro”, que é escravo, segurança ou bandido. Isso é um comportamento completamente racista, porque induz a sociedade a enxergar o negro daquela maneira.
Já nos negros isso tem um efeito psicológico extremamente cruel. A pessoa passa a não almejar coisas maiores na sociedade a não ser aquelas coisas que lhes são impostas, dado o poder cultural das novelas da Globo sobre o nosso povo de um modo geral.
Lembra-se da época em que Xuxa tinha as Paquitas e o sonho de todas as meninas era ser Paquita, uma menina loura, de cabelos lisos? Aquilo tinha efeito devastador na cabeça das meninas negras.
Isso sem falar dos noticiários que, de forma bastante sutil, dão mais atenção aos crimes cometidos pelos negros. Aliás, o seu diretor de Jornalismo, Ali Kamel, é bastante criticado por negar o racismo no Brasil, que mesmo os racistas admitem existir.
Viomundo – Na sua opinião, por que o Heraldo entrou com a ação contra o Paulo Henrique?
Elias Cândido – Por dois motivos. Primeiro, vestiu a carapuça. Ele tem cultura e inteligência suficientes para entender o que o Paulo Henrique estava falando. Ele não fez confusão.
Agora o que possivelmente o estimulou foi a própria Central de Jornalismo da Rede Globo, que promove um combate ao Paulo Henrique Amorim, assim como promove combate aos blogueiros progressistas em geral e mesmo àqueles que não estão no seu rol de controle.
É bastante notório que alguns blogueiros, como Reinaldo Azevedo, se apressaram em acusar o Paulo Henrique, tentando impingir-lhe a pecha de racista, que, se pegasse, enfraqueceria bastante a influência do Paulo Henrique.
Daí a nossa pressa em sair em defesa dele, não só por ele não ser racista, mas principalmente pelo significado. A intenção deles era dizer que os blogueiros progressistas estavam atacando aquele negro que está fora do seu rol ideológico, como querendo dizer “esse negrinho é nosso”.
A intenção era levar a discussão para esse viés. Era levar Paulo Henrique Amorim para o sacrifício em nome de uma ideia, que é para fazer com que o negro “se coloque no seu lugar”.
Viomundo — Como avalia o racismo hoje em dia no Brasil?
Elias Cândido — É importante entender que o modelo de racismo no Brasil é extremamente jovem, que é o racismo por cor. Algo em torno de 500 anos. Antigamente os escravos tornavam-se escravos porque eram derrotados em guerras, inclusive os povos negros da África.
Aqui no Brasil, como justificativa para a escravidão, foi introduzido o racismo por tonalidade da pele. Quanto mais claro tom de pele menos preconceito você sofre, mesmo sendo afrodescendente. Quanto “melhor” o seu cabelo, menos você sofre também.
Esse processo está sendo refreado por conta de maior organização movimento negro e da ida dos negros às universidades. À medida que passamos a ir para as universidades, devido aos programas de cotas e à melhora de vida dos últimos nove anos, o racismo melhorou um pouco do ponto de vista social.
Mas ele aumenta do ponto de vista racial. Essas pessoas, que foram acostumadas a ter privilégios em relação à maioria excluída, começam a ficar mais desesperadas e mais reacionárias com o aumento de negros para as mesmas vagas, tanto na escola quanto no trabalho.
A tendência do racismo em si é aumentar. Não porque há mais racistas, mas por conta da resistência. Isso fica claro na resistência ao modelo de cotas com argumentos de que “querem regalias só para negros”. É o tipo de argumento que não dá nem para a gente discutir.
Viomundo – Outras lideranças do movimento negro pensam como você?
Elias Cândido – Estive numa reunião na sexta-feira com várias lideranças para discutir outras questões e a gente acabou conversando sobre o caso. Elas não têm nenhuma dúvida: o Paulo Henrique não é racista. Ele caiu numa armadilha armada pela própria boca. Como é vítima de perseguições, ele deve tomar um pouco mais de cuidado nos seus pronunciamentos, porque a ideia é pegá-lo numa armadilha. Foi o que restou para essas pessoas. Aliás, a pecha de racista é usada inclusive por racistas para atacar as demais pessoas.
Por tudo isso, o momento é de a gente se unificar em torno do Paulo Henrique, produzindo mais textos, fazendo moções de apoio. Não podemos permitir que destruam o Paulo Henrique.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Classe Média Sofre - MC Branco Drama (original)

Classe média - Vídeo de animação para a música do cantor brasileiro Max Gonzaga

Altamiro Borges: PIG tenta se vingar do blogueiro PHA - Portal Vermelho

Altamiro Borges: PIG tenta se vingar do blogueiro PHA - Portal Vermelho

Altamiro Borges: PIG tenta se vingar do blogueiro PHA


O jornalista Paulo Henrique Amorim tinha tudo para ser como inúmeras outras “celebridades midiáticas” – acomodadas, bajuladoras dos patrões e paparicadas pelas elites. Ele tem vasta experiência profissional, já trabalhou em vários veículos da chamada grande imprensa, comanda hoje um programa na TV Record que abocanha a audiência da Rede Globo e é respeitadíssimo pela sociedade – já presenciei enormes filas para tirar fotos com ele e para colher seu autógrafo.


Mas ele não abdicou do seu compromisso com a ética no jornalismo – como muitos mercenários fizeram. Com seu espírito crítico aguçado e irreverente, com sua “conversa afiada”, ele é hoje um dos maiores adversários dos barões da mídia, que monopolizam o setor e manipulam a informação. Através do seu blog, um dos mais acessados do país, PHA desmascara e incomoda o chamado PIG (Partido da Imprensa Golpista). Globo, Veja, Estadão e Folha temem os seus comentários ácidos e sempre bem-humorados.

Militante da democratização da comunicação

Além de escrever seus petardos, numa atividade frenética, Paulo Henrique Amorim é um militante da luta pela democratização da comunicação. Tornou-se uma referência nacional, viajando todo o país para defender a urgência da Ley de Medios. Nada recebe em troca, além do carinho de milhares de brasileiros cansados da ditadura midiática. Ele é um dos principais responsáveis pela organização do movimento dos blogueiros progressistas (BlogProg) e pela criação do Centro de Estudos Barão de Itararé.

Esta trajetória – que não anula as divergências que existem neste amplo campo da luta pela democratização da comunicação – é que explica o escarcéu que o PIG, seus “calunistas” de plantão e alguns “aloprados” tem feito nos dois últimos dias. Diante de um acordo firmado na Justiça com o jornalista Heraldo Pereira, da TV Globo, a mídia vende a imagem de que PHA “foi condenado por racismo”. O golpe é baixo, mentiroso e rasteiro, bem típico dos mercenários da mídia.

O PIG tenta se vingar do “blogueiro ansioso” que tanto o incomoda. Mas o movimento negro sabe que PHA sempre utilizou o seu blog para combater o racismo e os racistas – como Ali Kamel, o poderoso mentor da TV Globo. Os que lutam, com espírito unitário, pela democratização da comunicação no Brasil sabem os reais motivos desta campanha asquerosa. Toda a solidariedade ao jornalista, blogueiro e guerreiro Paulo Henrique Amorim! Abaixo os mercenários da mídia!

Exposição de fotos históricas na Câmara marca 90 anos do PCdoB - de 19 a 30 de março

xposição iconográfica marca comemorações dos 90 anos do PCdoB - PCdoB. O Partido do socialismo.
Como parte das comemorações por seus 90 anos, o Partido Comunista do Brasil realiza na Câmara dos Deputados (DF), entre os dias 19 e 30 de março de 2012, exposição reunindo textos, fotos, áudios e vídeos que narram os principais fatos da história de sua organização.
 Fundadores PCdoB-capa 90 anos
Fundadores do partido / foto: arquivo
Em destaque, lideranças das sucessivas gerações de militantes que o construíram. Os fundadores de 1922, com realce para Astrojildo Pereira; o líder popular Luiz Carlos Prestes – o Cavaleiro da Esperança –; e o histórico líder João Amazonas, construtor e ideólogo do Partido Comunista, que foi seu dirigente máximo de 1962 a 2002. A iniciativa também apresentará episódios que atestam a presença marcante dos comunistas na história do país e seu legado à construção da nação.

O vínculo entre os comunistas e o Brasil se projeta do passado à contemporaneidade. Em seus 90 anos de existência, o PCdoB atravessou as diferentes fases da história republicana brasileira, na maior parte períodos de autoritarismo e ditaduras. Mesmo sob férrea perseguição, ele jamais abriu mão de empunhar as bandeiras da democracia, da soberania, do progresso econômico, social e cultural e do socialismo. Contribuiu, assim, com ideias, lutas e realizações para a construção do país. É por isso que – como procura mostrar a exposição – contar a história do PCdoB é também contar a história do Brasil.

Desde 1985, com a redemocratização do país, a legenda vive seu período mais longo de existência legal. Nos últimos dez anos, presidido por Renato Rabelo, é um Partido em expansão e crescimento. Busca se capacitar para os desafios da nova luta pelo socialismo que se desenrola nos dias de hoje. Com a vitória de Lula, pela primeira vez na República passou a exercer responsabilidades na equipe ministerial do governo federal. No governo Dilma, o deputado federal Aldo Rebelo é o ministro do Esporte.

Por tudo o que representa o Partido, as comemorações pelos seus 90 anos não são apenas de seus filiados. Pertencem ao povo, aos trabalhadores e a todas as forças e personalidades democráticas. São motivo de júbilo para as instituições da República – como a Câmara dos Deputados que acolhe esta iniciativa.

Uma versão compactada da mostra percorrerá os estados e será exposta em assembleias legislativas, câmaras municipais, centros culturais, sindicatos e outros espaços destinados a diferentes públicos.

Serviço:
Exposição Partido Comunista do Brasil – 90 anos
Socialismo com a cara do Brasil
Quando: 19 a 30 de março
Onde: Hall da Taquigrafia e Corredor de Acesso ao Plenário da Câmara
Solenidade oficial de inauguração:
Quando: 21 de março às 15h00
Onde: Hall da Taquigrafia.

Carta Maior - Gilberto Maringoni - Onde está a direita brasileira?

Carta Maior - Gilberto Maringoni - Onde está a direita brasileira?

Onde está a direita brasileira?

A recomposição Serra com Kassab obriga o PT a repensar sua tática de campanha em São Paulo. Depois de uma controvertida aproximação com o prefeito, fica difícil manter uma candidatura de oposição. Se olharmos para os aliados do governo federal, não fica fácil também apostar num embate entre direita e esquerda.

José Serra está reunindo condições para entrar pesado na disputa pela prefeitura de São Paulo. A recomposição do ex-governador com sua criatura, Gilberto Kassab, pode representar um golpe de mestre contra a candidatura de Fernando Haddad. A maioria dos dirigentes petistas alimentou a hipótese de se aliar com uma parcela da direita paulistana para vencer o tucanato a qualquer custo.

A pirueta do dirigente do PSD embaralha o jogo. O PT terá de encontrar rapidamente uma linha de campanha diferente da que vinha acalentando até as tratativas com o prefeito da capital.

O partido fez, ao longo dos últimos seis anos, uma cerrada oposição a gestão de Kassab. Denunciou privatizações, aumentos de tarifas, agressões contra camadas populares, descasos com a infraestrutura, superfaturamentos de obras e outras mazelas. Esperava utilizar a munição acumulada como mote na campanha. Agora que o potencial noivo fugiu do altar após um namoro público, a tática dificilmente colará no eleitorado.

Outra arma de campanha – a denúncia das privatizações tucanas – está com a pólvora molhada desde que o governo federal decidiu privatizar os aeroportos em leilões cuja coreografia lembra muito as vendas de estatais da Era FHC. É claro que os petistas seguirão com suas manhosas explicações de que “concessão não é privatização” para tentar evidenciar diferenças com o possível adversário.

Campanha despolitizada
Uma variante na linha de ataque, caso Serra seja mesmo candidato, é insistir na tecla de que ele abandonou a prefeitura na metade do mandato para se candidatar a governador. É uma ofensiva de risco. O atual governador gaúcho Tarso Genro (PT) fez o mesmo em 2002. Desincompatibilizou-se da prefeitura de Porto Alegre para tentar o governo do estado. Perdeu na época, por outros motivos, mas levou em 2010.

A saída para o PT seria apostar na marquetagem sobre quem seria o melhor administrador para a capital. Pode colar, dado o imenso prestígio da agremiação no plano nacional. Será um duelo de máquinas eleitorais: de um lado o governo federal e de outro o governo do estado e a prefeitura.

Tudo leva a crer que esta será uma campanha despolitizada. Os contrastes entre PT e PSDB, ao longo dos anos, têm se mostrado mais como nuances de um mesmo projeto do que o embate de duas diretrizes antagônicas. No âmbito federal, ambos investiram em duros ajustes fiscais, em juros elevados, em prioridade para o pagamento das dívidas financeiras e em privatizações. Os graus variaram e isso fez a diferença em momentos de crise. O PT elevou o salário mínimo e investiu em políticas sociais focadas. O PSDB cortou mais na área social, congelou salários do funcionalismo e foi mais radical na ortodoxia. Mas nenhum rumou na direção de penalizar os que sempre ganharam na brutal desigualdade social do país.

A reforma agrária, depois de avançar um pouco nos governos de FHC e de Lula, estancou desde o ano passado. Não se fala mais em reforma tributária progressiva que taxe as grandes fortunas. A regulamentação dos meios de comunicação saiu da agenda oficial. E, entre outras medidas, a CPI da privataria segue no congelador.

Esquerda e direita?
Será ainda possível fazer uma campanha da esquerda contra a direita? Se entendermos, grosso modo, esquerda como o setor que enfrenta os mercados e defende os de baixo e direita aqueles que se aferram na defesa do capital e demonstram pouca sensibilidade social, a mensagem ficou clara nas duas últimas campanhas presidenciais. A postulação do PT representava a esquerda e a do PSDB a direita.

Mas se olharmos para a vida como ela é, as leituras ficam complicadas. Onde ou com quem está a direita brasileira?

No Brasil, pelo peso que teve a ditadura militar, quase ninguém se proclama abertamente de direita. No PSDB, todos se consideram de centroesquerda. No PMDB, no PTB, no PP e em outras legendas, a situação deve ser semelhante. Se nos pautarmos pela autodeclaração, não existe direita no Brasil.

Alguns petistas, com razão, acusam a coligação PSDB-DEM-PPS-PV de representar a direita no jogo institucional. Afinal, foi esta coalizão a responsável pela implantação a ferro e fogo do modelo neoliberal entre nós.

Mas é preciso mirar a base institucional – base parlamentar mais a composição da administração – de cada governo para tentarmos ver as cores do espectro político.

Composições de governo
O primeiro governo FHC (1995-1999) era integrado por PSDB, PFL, PMDB e PTB. O PMDB em algumas votações no Congresso apresentou-se dividido, mas a maioria era inequivocamente governista. Em seu segundo mandato (1999-2003), o tucano foi apoiado por PSDB, PFL, PMDB, PTB, PPS e PPB (atual PP). Foram essas agremiações que patrocinaram a venda acelerada de patrimônio público ao longo dos anos 1990.

O primeiro governo Lula (2003-2007) era composto por PT, PC do B, PSB, PTB, PDT e PL. Na gestão seguinte (2007-2011), a base aliada era formada por PT, PC do B, PSB, PTB, PL, PMDB, PL (atual PR). O PV não integrou formalmente as administrações, apesar de Gilberto Gil, Ministro da Cultura, ser filiado ao partido.

Quem é esquerda e quem é direita nessa sopa de letras?

Podemos, mais uma vez grosso modo, classificar como esquerda (por suas histórias) o PT, o PCdoB, o PSB e o PDT. O PSOL representa no Congresso a diminuta oposição de esquerda. A régua é muito flexível, pois seria difícil dizer que a atuação de líderes como Antonio Palocci, Paulo Bernardo, Guido Mantega (todos do PT), Paulinho da Força (PDT) ou Fernando Bezerra (PSB) tenham hoje em dia alguma coisa a ver com esquerda.

A direita, por sua vez, seria encarnada por PSDB, DEM, PMDB, PTB, PPS, PV, PSD, o PP, o PR, o PTB, o PSC, o PRB, o PTdoB, o PMN, o PHS, o PRP, o PRTB, o PSL e o PTC. Embora a maioria deles apresente declarações genéricas como programas partidários, suas atuações são marcadamente liberais e pró-mercado.

Bases parlamentares
Apesar dos petistas alardearem que a direita está toda na oposição, a afirmação não resiste a nenhuma análise séria.

Se olharmos a base parlamentar do governo, vamos verificar que a direita majoritariamente abriga-se sob as asas da situação.

Vejamos por blocos e número de deputados entre os 513 da Câmara:

Esquerda no governo (PT-PSB-PDT-PCdoB) – 154

Direita no governo (PMDB-PSD-PP-PR-PTB-PSC-PRB-PTdoB-PMN-PHS-PRP-PRTB-PSL-PTC) – 257

Direita na oposição (PSDB-DEM-PPS-PV) – 99

Esquerda na oposição (PSOL) – 3

No Senado o quadro não é diverso. O quadro assim se divide, num universo de 81 senadores:

Esquerda no governo (PT-PDT-PSB-PCdoB) – 24

Direita no governo – (PMDB-PTB-PR-PP-PSD-PRB) – 39

Direita na oposição – (PSDB-DEM-PV) – 16

Esquerda na oposição (PSOL) – 1

Sem partido – 1

Além disso, existem bancadas transversais e informais de empresários, ruralistas, evangélicos, sindicalistas e outros que se articulam acima das fronteiras partidárias. O DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) tem bons levantamentos sobre essas coalizões.

O que isso tudo quer dizer?

Muitas coisas.

Travas nas mudanças
A primeira é que o freio para a não implantação de reformas progressistas na sociedade brasileira não está na oposição, mas no governo. É a base aliada que trava o avanço da reforma agrária (ruralistas), do combate à homofobia (evangélicos), da reforma tributária (praticamente toda a base), da ampliação da comissão da verdade (figuras criadas na ditadura, como José Sarney, Paulo Maluf, Fernando Collor) e da CPI da privataria, entre outras iniciativas. Neste último caso, o governo compraria uma briga com seus apoiadores oriundas dos governos FHC.

A segunda é que os embates eleitorais não têm se dado entre projetos excludentes ou oponentes no espectro ideológico.

Divisão no conservadorismo
A direita brasileira se dividiu a partir de 2002. Uma facção resolveu ficar na oposição e dali se fortalecer para voltar ao Planalto. Está se dando mal, pois o essencial de suas diretrizes foi abraçado pelo governo. Seu discurso tornou-se disfuncional.

A partir do segundo mandato de Lula, o liberalismo ganhou o impulso de um desenvolvimentismo difuso, possibilitado pelo bom desempenho do balanço de pagamentos e pela ampliação do mercado interno. Ambos são resultados de ações governamentais. Com crescimento econômico, inclusão social e aumentos salariais, o modelo ganhou nova legitimidade e a gestão petista conheceu inéditos índices de aprovação.

Outra facção da direita – majoritária – resolveu se integrar ao governo e disputar seus rumos. Está tendo amplo sucesso, como se pode ver pelo aumento dos cortes fiscais, pela guinada da política externa em direção a um maior alinhamento com os EUA e pela volta das privatizações. Em outras palavras, a direita passou a utilizar uma das táticas caras à esquerda, o “entrismo”.

Aqui voltamos ao início. Serra – caso saia candidato – unificará o PSDB, contará com o apoio do PSD e buscará uma aliança com o PMDB, aliado de primeira hora do governo Dilma. O PCdoB deve arriscar uma candidatura apoiada pelo PDT. O PTB, o PV e o DEM lançarão candidatos, além do PSOL e do novíssimo PPL. A tática é marcar pontos para a disputa nacional.

Nesse quadro, como o PT vai se diferenciar claramente do PSDB? Competência X incompetência, éticos X antiéticos, moralistas X amorais, abortistas X carolas? O arsenal e a criatividade da marquetagem não tem limites e nem prima pelo bom gosto. Mas política de verdade pode ser artigo em falta...


Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).

Charge de Bier via Emir Sader - Ditadura? Sem ressentimentos, claro!

Carta Maior - Flávio Aguiar - Grécia: um duro problema para o povo grego...

Carta Maior - Flávio Aguiar - Grécia: um duro problema para o povo grego...

Carta Maior - Flávio Aguiar

O espectro de esquerda na política institucional grega teria uma boa chance de, explorando as tensões no campo inimigo, formar um governo de coalizão que pudesse pelo menos em parte reverter as expectativas destruidoras geradas pelo pacote de “ajuda”. Isso é possível? Nem que chova canivete.

Falamos e escrevemos muito a respeito das imposições da Troika (Comissão Européia – Banco Central Europeu – FMI) sobre o povo grego. A “austeridade” imposta vai acabar de estrangulá-lo e manietá-lo durante a próxima década: 22% a menos no salário mínimo, 12% nas aposentadorias, fome nas escolas, desespero nos hospitais. A abdicação da soberania financeira, concertada na imposição/aceitação de uma conta bloqueada sob o controle da Troika para administração dos repasses do “bailout”, se complementa pela possibilidade de que esta possa sacar as reservas em ouro do país, e pela admissão de que os tribunais de Luxemburgo serão os competentes para julgar dissídios a respeito.

E Evangelos Vanizelos, o ministro das Finanças que é o novo “boss” do PASOK, o Partido Socialista Grego, disse que assim se evitava “o pesadelo”. Mas a se ouvir a voz das ruas, o povo grego já vive o pesadelo. Por outro lado, Antonis Sâmaras, do partido conservador Nova Democracia”, esfrega as mãos preparando-se para ser o novo primeiro ministro depois das eleições de abril. E declara: “o novo acordo elimina o risco de bancarrota, assegura o futuro do país dentro da Europa, cria a possibilidade da dívida tornar-se sustentável, e abre o caminho para as eleições”.

Enquanto isso, relatórios confidenciais (mas vazados) dentro da Troika duvidam que a redução proposta da dívida de 160% do PIB para 120% (!) por volta de 2020 venha a se concretizar. E cresce a certeza entre a população de que a propalada “ajuda” é mais para os bancos do que para o próprio país e seus cidadãos. Citando Eva Kyriadou, de 55 anos, no NY Times de 23/02, em Atenas:

“Eles não querem nos matar, mas nos manter de joelhos para pagarmos a eles indefinidamente”.

Mas.. e se as eleições fossem hoje?

As pesquisas demonstram um quadro complexo:

À direita:

Nova Democracia, 31%; LAOS (Movimento Popular Ortodoxo), 5%; Chrysi Agi, Aurora Dourada, de extrema direita, 3%. Total: 39%.

À esquerda:

Dimar (Esquerda Democrática), 18%; KKE, Partido Comunista Grego, 12,5%; Syriza (Coalizão de Esquerda), tido como a ponta-esquerda do espectro, 12%. Total, 42,5%.

Ainda há os casos pendentes: o PASOK tem 8% dos votos. Embora esteja comprometido com o atual governo, há fricções e dissidências internas. O Ikologi Prasini, Partido Verde tradicional, ligado aos Euroverdes, tem 3,5%. No campo da direita também há facções e fricções: o LAOS não aprova as medidas de “austeridade”, e se o fizer no futuro será por oportunismo para abiscoitar cargos no governo.

Reza a tradição parlamentarista que o Partido que recebeu mais votos é o primeiro chamado pelo presidente para formar o novo governo. Se aqueles resultados se confirmarem, o Nova Democracia – dos conservadores que antes estavam no governo e maquiaram os números para conseguir mais empréstimos – seria o chamado e formaria um governo de minoria, mesmo que contasse com todos os votos do PASOK em do LAOS numa proposta de coalizão, o que é improvável: 47%.

Ou seja, traduzindo em graúdos: o espectro de esquerda na política
institucional grega teria uma boa chance de, explorando as tensões no campo inimigo, formar um governo de coalizão que pudesse pelo menos em parte reverter as expectativas destruidoras geradas pelo pacote de “ajuda”.

Isso é possível?

Nem que chova canivete.

Não há a menor chance. PASOK e KKE não se bicam. Syriza não se bica com os anteriores. Syriza, Dimar e PV disputam a primazia pela preocupação ecológica. E estes dois também não se bicam com os anteriores.

Enquanto isso, sobre a mesa da penúria geral, a direita dança.


Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

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Raúl Castro se reúne con senadores estadounidenses

Força, Chávez! Paulo Vinícius Silva

A notícia da recidiva do câncer que o Presidente Chávez tem na região pélvica doeu no peito de todos os internacionalistas, de todos os que entendem a importância da unidade da América Latina, de todos os que se sentem parte de um mesmo caudal desses povos que lutam por sua emancipação, das pessoas de bem, com o mínimo de caráter para não aliar-se ao câncer. Acostumados a ver em Chávez um fenômeno de vitalidade, energia, vida, a notícia caiu-nos como um frio na espinha, só minorado pelo calor no peito que nos veio com a reação do presidente do país amazônico irmão.

Chávez, tal qual Lula, tem uma identidade muito forte com seu povo, em virtudes e defeitos, mas aquelas inegavelmente superiores a estas, em especial nesses anos em que a barbárie assoma no umbral da Humanidade. Vê-los enfrentar a doença como seres humanos, e nela reconhecermos o melhor em nós, cumpre um inequívoco sentido didático e humanista, algo que já observáramos no surpreendente José Alencar, saudoso vice-presidente, brasileiro e guerreiro. Ter vivido tudo isso e, depois de um caminhar, saber dos êxitos no tratamento de Lula, fazem-nos ainda mais próximos dos venezuelanos, pois sabemos o que eles sentem. Se as dificuldades nos provam e depuram, essa atual nos irmana como nunca. Compreendemos essa quadra de dentro de nossa vida concreta.

Em quantos lares não somos atingidos pela doença, a cair como raio em céu azul, e vitimar nossos entes mais queridos, a por no horizonte de nossas vidas tempestades que nos fazem duvidar se escaparemos? A maneira como esses líderes latino-americanos (sinistra e estranhamente atingidos quase simultaneamente) enfrentam o câncer, humana e publicamente, falando a seu povo olhos nos olhos, isso nos toca e ensina.

Toca-nos ao desmistificar o tema, que até recentemente sequer podia ser dito com seu nome. Os antigos não diziam câncer, apenas CA, tamanho o medo. Isso nos ajuda a reconhecer o problema como a batalha dura, mas não imbatível, em especial com os últimos avanços da ciência. Avanços que, no entanto, não podem chegar a todos, porque mediados pelo mercado da saúde, em que a vida humana e o padecer de nossos entes queridos são um detalhe ante a centralidade do lucro e a desumanização trituradora que aflige e sevicia os profissionais da área.

E retoma a percepção desse frágil liame, essa chama luminosa, bruxuleante e efêmera da nossa vida. E, a despeito disso e de tanta treva, seu fulgor pode encarnar esperanças coletivas nobres, seculares, imprescindíveis nesse momento. O padecer desses líderes permite perceber essa ligação, essa possibilidade gloriosa e frágil, entre o frágil que é a nossa vida e a imensidão de nossos sonhos, tão à mão, mas a permanentemente escapar pelas pontas ávidas dos dedos. Ao enfrentarem o tema em praça pública, eles, voluntariamente ou não, dão-nos essa percepção de responsabilidade comum ante as conquistas arrancadas a tanto custo nesses anos. As vitórias imediatas, eleitorais, políticas, sociais e econômicas, o desenvolvimento, a libertação das cadeias do imperialismo, a emancipação humana da barbárie do capital, a paz, são frutos dessa mescla de opção individual e potencial coletivo. Necessariamente nos ultrapassam, tornando imprescindível essa atitude de compromisso e desprendimento, de assunção de responsabilidade e de aposta no coletivo e no futuro.

Esse papel didático da luta pela vida desses indivíduos tão em evidência deve também lembrar-nos da cotidianização da morte pelas guerras, das manobras do consórcio da mídia hegemônica, forças armadas imperialistas e oligarquia financeira. A subversão, o cerco, a guerra, a destruição de países e o genocídio de povos. O calculado e cínico apropriar-se do trabalho, das riquezas e da vida de povos inteiros, levados ao desespero, à miséria, como vemos com a crise capitalista. São também pessoas, vidas. E não é acaso o seu padecer, é o imperialismo. Assim, como à época da luta contra o nazismo, os campos estão nitidamente definidos. A morte e o capitalismo de um lado, a vida, a paz e a necessidade histórica inarredável do socialismo de outro.

Todavia, é tortuosa e íngreme a trilha que permitirá às massas chegarem ao entendimento dessa encruzilhada. E outra vez somos chamados a, pessoalmente, na medida modesta de nossos esforços e limitações, ocupar nosso lugar na trincheira. Cada batalha tem seu valor. E os militantes seguem imprescindíveis.

Torcemos muito pelo Presidente Chávez, que luta lindamente, está em boas mãos, tem essa inquebrantável vontade e uma fé movedora de montanhas, e está cercado de milhões de orações em seu favor, em especial dos mais humildes. Vemos de soslaio a barbárie com suas podres presas imersas em sangue, os partidários da desigualdade, da guerra, das metrópoles e da morte. E olhando sua vilania e caducidade, em meio às tempestades, sabemos que as trespassaremos. E 2012 será marcado por mais essa batalha heroica em que Chávez vencerá a doença e a direita, forjando no povo venezuelano esse protagonismo coletivo que faz das revoluções realidade. Força Chávez!

Vídeo: Hugo Chávez fala de sua saúde abertamente à multidão na Varanda do Povo, em Miraflores, quando de seu regresso de Cuba

Georges Bourdokan: Uma ou duas coisas que você precisa saber - Portal Vermelho

Georges Bourdokan: Uma ou duas coisas que você precisa saber - Portal Vermelho

Na Pérsia (Irã) de Xerxes, os condenados de crimes menores não eram castigados. Despiam suas roupas e as roupas é que eram chicoteadas.

Por Georges Bourdokan, em seu blog


Na Pérsia de Dario, os médicos recebiam enquanto os pacientes eram saudáveis.

Se o paciente ficasse doente, o médico o tratava sem nada receber.

No Iraque de Harun ar-Rachid, os médicos tratavam com música os pacientes com doenças mentais.

Nos governos islâmicos do Oriente Médio, um medico só podia ser assim considerado se dominasse a filosofia e a música.

Daí, até hoje os árabes não denominam o medico de tabib, mas hakim (Sábio).

Ibn Sina( Avicena) era um excelente musico, assim como o eram também todos os seus contemporâneos.

Omar Khayam, que o Ocidente conhece mais por suas Rubayat (Quadras) era um excepcional astrônomo.

Há uma centena de outros exemplos que dignificam esses muçulmanos que diariamente são enxovalhados pela ignorância.

O Iraque de Harun ar-Rachid, por exemplo, hoje é mais conhecido pelas masmorras de tortura ali implantadas pela “democracia” ocidental.

A Líbia de Aníbal, que fez estremecer o Império Romano, está recebendo um calabouço em cada quadra.

E o que dizer da Palestina, terra de Jesus Cristo?

Há muito que as palavras perderam qualquer significado quando se fala da Palestina.

Imprensa russa denuncia preparação de agressão à Síria - Portal Vermelho

Imprensa russa denuncia preparação de agressão à Síria - Portal Vermelho

Os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ajustam planos para uma intervenção militar contra a Síria, segundo denunciou nesta sexta-feira (24) a emissora de televisão Russia Today (RT).


Foram previstos diferentes cenários com essa finalidade, que deverão ser apresentados para a aprovação do presidente estadunidense, Barack Obama, de acordo com fontes do Pentágono às quais a agência de comunicações israelense Debka, citada em Moscou pelo RT, fez referência.

De acordo com a versão do canal de televisão russo, na chamada Conferência dos Amigos da Síria, que reune agora cerca de 80 países na Tunísia, a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, deverá sondar a todos sobre a aceitação de uma ação bélica.

Hillary conhecerá o parecer sobre uma escalada militar ocidental de países como Arábia Saudita, Egito, Catar ou Emirados Árabes Unidos, enquanto se fala da possível participação de tropas da França, Reino Unido, Itália e Turquia, indica a RT.

A informação trazida pela chefe da diplomacia estadunidense seria um aspecto de relevância para a tomada de decisão de Obama sobre uma ação bélica, de acordo com informações da Debka, ao que se remete o canal russo.

O cientista político Omar José Hassan Fariñas destacou, em declarações à RT, a parcialidade do Ocidente ao avaliar o conflito sírio, com fortes críticas ao governo.

"Não convém aos países ocidentais, em especial os pertencentes à OTAN, escutar aqueles que apoiam as reformas políticas do presidente sírio, Bashar al-Assad, porque isto vai contra seus planos de intervenção", destaca o especialista.

O RT recorda que recentemente Sibel Edmunds, um informante do Birô Federal de Investigações (FBI), revelou que, desde maio de 2011, os Estados Unidos e a Otan treinam subversivos sírios na localidade turca de Hakkari.

Outros 10 mil líbios recebem treinamento na Jordânia para participar de ações militares contra a Síria, segundo assinala o canal russo.

Damasco denuncia a todo momento que enfrenta ações violentas de grupos terroristas, dirigidas contra as autoridades e a população, em muitas ocasiões apresentadas no Ocidente como ataques das forças armadas sírias.

Fonte: Prensa Latina

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Beto Almeida: Brasil afasta-se dos Brics e vota contra a Síria - Portal Vermelho

Beto Almeida: Brasil afasta-se dos Brics e vota contra a Síria - Portal Vermelho

Às vésperas do carnaval, a representante do Brasil na ONU votou resolução de condenação ao governo sírio, afastando-se dos BRICS, dos países da ALBA , emitindo contraditória e perigosa mensagem de aproximação com as potências que sustentam intervencionismo militar crescente em escala internacional.

Por Beto Almeida*


Às vésperas do carnaval, a representante do Brasil na ONU votou resolução de condenação ao governo sírio, afastando-se dos BRICS, dos países da ALBA , emitindo contraditória e perigosa mensagem de aproximação com as potências que sustentam intervencionismo militar crescente em escala internacional, especialmente contra países com políticas independentes e emergentes. Um voto que pode ser um tiro no próprio pé futuramente.

O Brasil ficou ao lado dos EUA, Inglaterra, França, Canadá, Espanha, Austrália, Alemanha, que deram sustentação à agressão ao Iraque, ao Afeganistão e , mais recentemente, à Líbia. Contra esta resolução que tendenciosamente condena e responsabiliza apenas o governo da Síria pela escalada de violência generalizada que atinge o país - na qual há farta evidência de ingerência estrangeira - estão a Rússia, China, Índia, África do Sul, países do grupo Brics - do qual o Brasil faz parte - e nove países da Alba, além do Irã, da Argélia, do Líbano, da Coréia do Norte. Este grupo reivindica que a solução da crise síria deve ser exclusiva dos sírios, que escolherão, nos próximos dias, pelo voto popular direto, um novo modelo de Constituição.

A votação na ONU ocorre em meio a pressões das grandes potências de realizarem uma ação de armar a oposição síria. A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Victória Nulandi declarou a insatisfação de seu país diante do veto da Rússia e da China a uma intervenção militar internacional aos moldes da Fórmula Líbia. Ela afirmou, entretanto, que seu país não descarta o fornecimento de armas ao autodenominado Exército Livre da Síria, que, conforme demonstra abundante informação, conta com armamentos, apóio logístico, de comunicações, recursos financeiros e a presença de mercenários que atuaram e atuam na Líbia, com apoio dos principais aliados norte-americanos na região, especialmente da Arábia Saudita e do Qatar.

O papel intervencionista da TV Al-Jazeera

A participação da oligarquia do Qatar no conflito sírio inclui a sistemática falsificação midiática da situação síria por parte da TV Al-Jazeera, emissora que foi fundamental também na sustentação midiática da invasão neocolonial à Líbia, com sofisticada over dose de desinformação, reproduzida ad nauseun por toda a mídia comercial internacional como única fonte informativa, questionada apenas pela Telesur que informava sobre o monumental massacre promovido pela Otan. Aliás, completamente confirmado. A TV Al-Jazeera é uma emissora capturada e plenamente a serviço da oligarquia petroleira internacional e nem mesmo o elogio de certas vozes da esquerda guiada pela Otan ou de ongs internacionais metidas no movimento de democratização da mídia, podem mais evitar esta constatação. O Qatar é um enclave oligárquico onde tem sede uma das mais importantes bases militares dos EUA na região.

Estaria o Itamaraty entrando em algum desconhecido estado de hipnose para não prestar a devida atenção ao público e assumido propósito intervencionista das grandes potências ocidentais na Síria, como revelam as declarações da porta-voz do Departamento de Estado? Em entrevista recente à BBC, o Ministro de Relações Exteriores da Inglaterra, Willian Hauge, disse estar preocupado com uma guerra civil na Síria, mas, confessando o sentido e a sinceridade de sua preocupação, afirmou, na mesma entrevista: “Como todos viram, não conseguimos aprovar uma resolução no Conselho de Segurança por causa da oposição da China e da Rússia. Não podemos intervir como fizemos na Líbia, mas podemos fazer muitas coisas”. Declarações semelhantes, anunciando a disposição para apoio militar à oposição no conflito foi dada pelo Chanceler da Holanda, Uri Rosenthal. Com o emblemático silêncio do Itamaraty. Pior ainda, com a adesão do Brasil à resolução patrocinada por este grupo de países historicamente marcados pelo intervencionismo colonial.

Autorização para a matança

Sinais de que algo está se movendo negativamente no Itamaraty de Dilma Roussef surgiram quando, logo no início de seu governo, o Brasil absteve-se na votação da ONU que decidiu - tomando por base informações não confirmadas prestadas por emissoras como a Al Jazeera - pela gigantesca intervenção armada contra a Líbia. Aproveitando-se da frágil e acovardada posição da chancelaria brasileira naquele episódio, o presidente Barack Obama, o inacreditável Prêmio Nobel da Paz, desrespeitou a Presidenta Dilma e a todos os brasileiros ao declarar guerra à Líbia estando em Brasília! O que mereceu reparos posteriores da própria Dilma. E, pouco depois, uma espécie de confissão governamental sobre o trágico erro da posição brasileira então, quando o Assessor Internacional do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia, afirmou que aquela resolução foi na verdade uma “autorização para a matança”.

Foram 203 dias de bombardeios para “salvar civis”, destruindo toda a infraestrutura construída pelo povo líbio em 40 anos, o que levou aquela nação a registrar o mais elevado IDH da África. Hoje, o petróleo líbio, antes nacionalizado, e utilizado com alavanca para sustentar um sistema de eliminou o analfabetismo, socializou a educação e a saúde, já está nas mãos das transnacionais petroleiras, evidenciando a guerra de rapina. Nem mesmo a esquerda otanista, que apoiou a invasão, pode negar os 200 mil mortos líbios, as prisões abarrotadas, a dizimação sumária das populações negras em cidades totalmente calcinadas, as torturas. Qual é o balanço que o Itamaraty faz de seu próprio voto que, em última instância, encorajou semelhante massacre?

Também é sinal de involução na posição do Itaramaty em relação à gestão de Lula-Celso Amorim, o voto brasileiro na ONU contra o Irã na temática direitos humanos, sobretudo quando é conhecidíssima a descarada manipulação desta esfarrapada bandeira humanista pelo militarismo imperial.

Aliás, aquele voto contra o Irã, só não foi acrescido de vexame diplomático internacional porque o governo persa advertiu com informações objetivas ao governo brasileiro de que a tão difundida cidadã iraniana Sakhiné foi condenada por ter assassinado seu marido e não porque teria praticado adultério como tantas vezes se repetiu no sempre duvidoso jornalismo global. E também de que era apenas uma grosseira mentira a “notícia” de que os livros de Paulo Coelho eram censurados no Irã, quando são vendidos livremente, e muito, em todas as livrarias das grandes cidades persas. A ministra da cultura de um país com taxas de leituras raquíticas e analfabetismo vergonhoso quase comete o papelão de um protesto oficial. Desistiu a tempo.

Telhados de vidro

Que diferença da postura firme do Itamaraty no governo que condenou veemente a criminosa guerra imperialista contra o Iraque! Agora, observa-se uma gradual aproximação das posições do Itamaraty aos conceitos e valores daqueles países que promoveram aquelas intervenções indefensáveis contra o Iraque, o Afeganistão e a Líbia. O que indicaria uma contradição evidente também diante das próprias declarações da presidenta Dilma Roussef sobre direitos humanos em Cuba, rejeitando, com justeza, a pressão das grandes potências para a condenação unilateral e descontextualizada de países com posturas independentes.

“Todos temos telhados de vidro”, lembrou a mandatária verde-amarela. Corretíssimo! Mas por que então só o Irã foi alvo de voto da delegação brasileira na ONU? Por que não há voto brasileiro na ONU contra Guatânamo, as torturas praticadas pelos dispositivos militares dos EUA, os seqüestros de cidadãos islâmicos em várias partes do mundo, com a conivência dos países europeus que se gabam de serem professores em matéria de democracia e direitos humanos mas que oferecem seu território, seu espaço aéreo e suas instalações militares para, submissos, colaborarem com as repressivas leis exclusivas dos EUA? Será que o Itamaraty vai fazer algum protesto na ONU diante de declarações de autoridades do Pentágono de que comandos militares dos EUA que executaram Bin Laden no Paquistão poderão atuar também na América Latina?

Não estará havendo um descolamento de algumas posturas do Itamaraty em relação à posição estratégica que a política externa vem construindo ao longo de décadas, reforçada de modo mais elevado e coerente no governo Lula? Neste período, formatou-se uma estratégica prioridade para uma relação cooperativa com os países do sul, uma integração concreta com a América Latina e Caribe, agora consolidada na criação da Celac, a igual prioridade para o fortalecimento da Unasul (inclusive de seu Conselho de Defesa), a defesa da legítima soberania argentina sobre as Malvinas contra a ameaçadora pretensão colônia inglesa e, finalmente, a coordenação e inclusão do Brasil no Grupo do Brics, sem esquecer os objetivos que levaram Lula a promover a Cúpula de Países Árabes e América do Sul.

O Brasil diversificou prudentemente suas relações internacionais tendo agora como maior parceiro comercial a China e não os EUA, com quem possui perigoso e crescente déficit comercial, além de ser um país que já promoveu sanções contra o Brasil por causa do Acordo Nuclear, por causa da Projeto Nacional da Informática, , sem esquecer, claro, o nefasto golpe militar de 64, confessamente apoiado pelo Departamento de Estado dos EUA.

A sinistra mensagem da Líbia

Enquanto o Itamaraty parece hipnotizado por uma relação de aproximação com os países que mais promovem intervencionismo militar unilateral e ilegal no mundo, nos círculos militares brasileiros se ouviu e se entendeu com clareza e concretude a ameaçadora mensagem enviada pelas grandes potências com a agressão à Líbia, inclusive, aplicando arbitrariamente, ao seu bel prazer, os termos da Resolução aprovada na ONU.

Especialistas militares brasileiros já discutem em organismos superiores a abstração de uma visão política que não considera que a intervenção rapinadora sobre as riquezas da Líbia são também ensaios e testes para ações mais amplas e generalizadas que podem ser aplicadas contra todo e qualquer país que também possua riqueza energética e alguma posição independente no cenário internacional. O figurino não serve para o Brasil? Tal como Kadafi, que se desarmou, que abandonou seu programa nuclear, que se aproximou perigosamente dos carrascos de seu próprio projeto de nação, e que não pode organizar uma linha estratégica de defesa em coordenação com países como Rússia e a China, o Brasil também desarmou-se unilateralmente durante o vendaval neoliberal.

A indústria bélica brasileira foi levada ao chão praticamente, configurando-se, agora, um perigoso cenário: é possuidor de imensas reservas de petróleo descobertas, como também de urânio, de nióbio, de água, de biodiversidade, e , simultaneamente, não possuidor da mais mínima capacidade de defesa para controlar eficientemente suas fronteiras ou até mesmo a Baía da Guanabara como porta de entrada do narcotráfico internacional, cujas noticiadas vinculações com organismos como a Cia deveria merecer a preocupação extrema do Itamaraty. Será que a robusta e impactante revisão pela Rússia e China de suas posições adotadas quando admitiram a agressão imperial contra a Líbia para uma nova postura de veto a qualquer repetição da fórmula líbia que a Otan confessa pretender aplicar contra a Síria não deveria alertar os formuladores da política do Itamaraty?

Da mesma forma que se ouviu estrondoso a acovardado silêncio itamaratiano quando um avião Drone dos EUA foi capturado, em dezembro pelos sistemas de defesa iranianos quando invadia ilegalmente o espaço aéreo do Irã, agora, repercute novo silêncio brasileiro diante das jorrantes informações de infiltração de armas e de mercenários da Al-Qaeda em território, como admitem autoridades de países membros da Otan. O que pretende o Itamaraty? Defender os direitos humanos dos mercenários da Al-Qaeda subvencionados por países como a Arábia Saudita e o Qatar, que já haviam violado a soberania da Líbia, com o conivente voto brasileiro na ONU?

Manifestações populares defendem posição da Rússia e da China

Que significado terá para o Itamaraty a gigantesca manifestação popular em Damasco para receber o Chanceler russo , Sergei Lavrov, e agradecer a posição da Rússia e da China contra qualquer intervenção militar na Síria? Não estará a própria Rússia saindo de uma fase de hipnose de anos que, baseada na insustentável credulidade em torno dos acordos de redução de arsenais firmados com os EUA, levou-a, de fato, apenas a um desarmamento unilateral enquanto os orçamentos militares norte-americanos multiplicam-se e já suplantam os orçamentos militares de todos os países do mundo somados? Que significa para o Itamaraty a contundente declaração do Primeiro Ministro da China, Hu Jin Tão, propondo uma aliança militar sino-russa, após advertir que os EUA “só entendem a linguagem da força”?

Enquanto o Brasil vota com os países intervencionistas contra a Síria, a Inglaterra eleva sua presença militar nuclear no Atlântico Sul e os organismo militares brasileiros, como já tinham detectado durante da guerra das Malvinas nos anos 80, percebem que não há suficiente e adequada capacidade de defesa nacional para as riquezas do pré-sal.

Naquela época, embora posicionando-se pela neutralidade, o Brasil assumiu uma posição de neutralidade imperfeita que não o impediu de dar ajuda logística e de material de reposição militar à Argentina em sua guerra contra o imperialismo inglês, ocasião em que Cuba também ofereceu tropas ao governo portenho para lutar contra a Inglaterra. Compare-se com a posição atual no caso sírio.

Será que é motivo de preocupação concreta para o Itamaraty, tendo como base o princípio sustentado pelo Brasil, de que quantidades indeterminadas de aviões drones dos EUA vasculham o território sírio, como anunciam autoridades norte-americanas, violando, portanto, sua soberania? Esta ingerência externa não merece posicionamento formal do Brasil na ONU? Mas, na rasteira filosofia dos dois pesos e duas medidas, o Brasil vota em aliança os países intervencionistas para intimidar o Irã em matéria de direitos humanos, mesmo quando a presidenta Dilma anuncia que todos têm telhado de vidro e que a discussão sobre os direitos humanos deve iniciar-se pela sistemática câmara de torturas que os EUA mantém na base de Guantânamo. Será que as palavras de Dilma não são ouvidas no Itaramaty?

O governo do Líbano já está adotando posições políticas, que incluem manobras militares, para evitar que suas fronteiras com a Síria sejam utilizadas pelas nações que estão patrocinando o armamento e a infiltração de mercenários, com o apoio ostensivo de países intervencionistas, com o objetivo de derrubar o governo de Damasco. O mesmo está ocorrendo na Turquia, inclusive, com a ocorrência de uma grande manifestação popular em cidade turca fronteiriça à Síria, em apoio ao governo de Damasco. Em Curitiba, a Igreja Ortodoxa realizou Missa de Ação de Graças, organizada pelas comunidade sírio-libanesa e palestina, em agradecimento à Rússia e a China, gesto parecido ao ocorrido em Brasília, quando a mesma comunidade levou flores e agradecimento à embaixada da Rússia no Brasil.

Partidos e sindicatos

É importante que os partidos e sindicatos, sobretudo a aliança dos partidos progressistas e antiimperialistas que sustentam o governo Dilma, discutam atentamente as sombrias involuções da política do Itamaraty. Os militares brasileiros, certamente, já estão discutindo em seus organismos de estudo e planejamento, como indica a quantidade de textos e participações de autoridades militares brasileiras em audiências públicas e em publicações especializadas, sobretudo a partir da sinistra mensagem da Líbia.

Enquanto o Brasil é alvo de uma guerra cambial desindustrializadora, como advertem membros do governo, enquanto especialistas militares advertem para o período de nosso desarmamento unilateral frente a nossas gigantescas e cobiçadas riquezas naturais, observa-se, enigmaticamente, um reposicionamento do Itaramaty distanciando-se não apenas dos princípios e posturas aplicadas mais acentuadamente durante o governo Lula, mas, distanciando-se também do conjunto de países com os quais vem construindo uma linha de cooperação para escapar dos efeitos da crise que as nações imperialistas tentam descarregar sobre a periferia do mundo.

E aproximando-se dos sinais e valores impregnados nos discursos e atos da sinistra Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, aquela que comemorou com uma gargalhada hienística quando viu as imagens de Muamar Kadafi sendo sodomizado e executado graças a informações prestadas pelos comandos militares dos EUA, conforme denunciou Vladimir Putin.

Ponto alto da campanha eleitoral de Dilma Roussef foi a declaração de Chico Buarque em defesa de sua candidatura porque com Lula e Dilma, disse ele, “o Brasil não fala fino com os EUA e não fala grosso com a Bolívia”. O que explicaria então esta enigmática e contraditória aproximação do Itamaraty com as posturas ingerencistas de Hillary Clinton com relação à Síria e ao Irã? Seria afastamento em relação à genial síntese feita pelo poeta e revolucionário Chico Buarque?

*Beto Almeida é jornalista e membro da Junta Diretiva da Telesur.

Fonte: Carta Maior

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