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sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Wagner Gomes, Presente, Hoje e Sempre! Paulo Vinícius da Silva

Mas se cortaram o pé de Juazeiro, menina, não chore.

Se matarem o sabiá, não chore não.

Pois inda resta o sol banhando o milho seco no roçado.

Inda tem Jussara pra nos inquietar

(...) O tempo conta pra gente menina

Por isso não chore, que o tempo não para

Menina vê se acaba esse choro

Assoletre com as pedras que sabem esperar...

Consolança - Eugênio Leandro, Oswald Barroso


Não consegui entender ainda a perda do meu amigo Wagner Gomes, quem acompanhava a CTB DF e nos ajudava tanto. Era do tipo de amigo que fazemos entre camaradas. A política une e o caráter cimenta amizades verdadeiras e duradouras. Nunca conheci sua família, nem tomei um café em sua casa e, mesmo assim, digo com absoluta firmeza: querido amigo, querido camarada.

Wagner Gomes fala na 2a Conclat, no Pacaembu, em SP (01/06/2010)

Sua falas eram célebres, não apenas pela clareza com que o condutor de metrôs de São Paulo abordava a política para trabalhadores entenderem; Wagner também tinha aquela simplicidade brincalhona com que iniciava suas falas, um chiste, uma piada, e o plenário ria inteiro, seduzido pelo peão que - tendo conquistado a audiência - desdobrava seus argumentos certeiros, classistas, sinceros, unificadores. Wagner exercia sua liderança com forte espírito unitário e isso marcou a formação da CTB e seu início. Fui muito bem acolhido pelo Presidente Wagner e tive a oportunidade de conversar com vários dirigentes nacionais das centrais sindicais, presidentes, inclusive, e testemunhar os depoimentos gratuitos e afetuosos com que mencionavam nosso camarada.

Eu estava com ele no dia 24 de maio de 2017,  ato de 200 mil em Brasília,  quando fomos violentamente expulsos da Esplanada pela PM, estávamos em cima do primeiro carro de som, uma posição bem difícil. Ainda durante a Marcha, percebemos que ela se dividira, e parte grande dos caminhantes estava à frente, junto ao trio elétrico da Força. O Wagner desceu no momento exato - porque depois não ia dar pra unir e a repressão era certa. Saiu no meio do povo, abrindo caminho, o tiozinho foi ligeiro! E subiu no carro da Força, e voltou com o Juruna, de mãos dadas, e seguimos juntos. Era esse o seu exemplo de luta obstinada pela união da classe trabalhadora. Pouco depois, quando e a repressão principiava, e uma parte do ato não seguia as orientações - que visavam a garantir o ato pacífico e sua continuidade -, lá vai o Wagnão de novo, de braços abertos, bem no meio, protegendo os nossos, pedindo calma à polícia, em meio a cacetetes, escudos e gás, belo testemunho dessa generosidade que lhe marcou a vida.


Wagner tinha imenso compromisso unitário com as Centrais Sindicais e nossa luta. Não se assombrou  quando perdeu a eleição do sindicato dos Metroviários de São Paulo, e reconstruiu a volta e a renovação, sabiamente, com a proporcionalidade e a união. Do mesmo modo, Secretário Geral da CTB, sempre foi um elemento construtor e unificador, com firme disciplina militante e inquestionável compromisso coletivo. 

Doíam-lhe muito as nossas derrotas, mas não era de se queixar. A conquista da união com a CGTB tem sua digital desde há muito, e ele estava feliz com as perspectivas de unidade, nas quais se tornou mestre. Mas havia também as tristezas, duras como o ataque antissindical promovido pelo governo Tucano de Dória e pela sabida seletividade com que o judiciário trata os trabalhadores. Cúmulo da injustiça, para punir o sagrado direito de greve, querem roubar a sede dos Metroviários de São Paulo, casa dos trabalhadores e dá-la à especulação imobiliária, inclusive ameaçando a reintegração violenta. Eu tratei do assunto com ele, ao telefone, e partilhamos essa indignação que certamente lhe amargou os últimos dias. Mas ele era duro na queda. 

Leia: SEDE DOS METROVIÁRIOS: CONTRARIANDO O GOVERNO, BALDY INSISTE EM REINTEGRAÇÃO VIOLENTA

Bom demais um barzinho a seu lado, almoçar com Wagner, tomar uma branquinha de leve, só pra lavar o peritônio, era uma pessoa boa de se conviver. Tratar bem quem nos serve é outra prova de caráter, e eu me lembro como exatamente essas pessoas gostavam daquele nosso amigo, alegria dos papos, boa praça, mas valente, destemido e verdadeiro na defesa do nosso povo. Seu orgulho maior, não era ter sido candidato a Senador e recebido milhões de votos. Seus maiores orgulhos que transpareciam na risadinha conhecida (hehe) era ser peão, comunista e santista, e isso se via, de longe, e gerava a imensa admiração que sempre mereceu.  

Vô Wagner e a netinha Antonella, de Joana


Tempos duros esses que vivemos. Quando o genocídio mata mais de meio milhão de brasileiros, o Wagner, nos seus 64 anos, continuou na luta e driblou a pandemia, estava a pleno vapor.  Foi o coração tão grande do Wagner Gomes que, ardiloso, lhe faltou, talvez minado por tantos dissabores que compartilhamos nesses dias amargos. Mandei-lhe mensagem no dia funesto, liguei para ele, e me apercebo que até as notícias de sua partida segui lhe enviando, como a outros amigos queridos que partiram. Wagner formou e acompanhou com dedicação e carinho milhares de quadros, e eu tive essa sorte, militando com ele e outros queridos camaradas. Agora, resta o exemplo.

Que grande força dos trabalhadores e do povo brasileiro meu amigo Wagner Gomes foi, e seguirá sendo, por seu exemplo de dignidade e luta, até o fim, pela democracia, a união e os direitos da classe trabalhadora. Há muito ainda para fazer valer os sonhos do camarada Wagner, a luta continua!

Wagner Gomes, Presente, Hoje e Sempre!

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Luto no PCdoB - Wagner Gomes é exemplo de abnegação à luta dos trabalhadores



11 de agosto, 2021




Wagner Gomes: exemplo de abnegação à luta dos trabalhadores e à bandeira do socialismo

A morte por infarto de Wagner Gomes, aos 64 anos de idade, ocorrida em 10 de agosto de 2021, representa uma grande perda para os/as trabalhadores/as e para o Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Sua trajetória vincula-se à história centenária dos comunistas brasileiros, que sempre contaram com lideranças do povo, abnegadas, combativas e com grande capacidade política.

Wagner Gomes insere-se nessa galeria de líderes, fortemente identificado com as causas da Nação e da classe trabalhadora. Foi muito respeitado por todas as tendências sindicais, como demonstra a nota conjunta das centrais em homenagem à sua memória.

Sua história de militante comunista inicia-se no final da década de 1970, logo após chegar à cidade de São Paulo, vindo de Araçatuba, no interior paulista. Iniciou a sua atuação nos movimentos sociais da zona Leste paulistana e, como funcionário da Telecomunicações de São Paulo (Telesp), era integrante de uma chapa sindical oposicionista.

Demitido por sua atuação sindical, ingressou à Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) em 1979, iniciando também a militância no sindicalismo. Foi um dos fundadores do Sindicato dos Metroviários, no início dos anos 1980, e seu presidente em três gestões, além de ter sido uma das lideranças da Corrente Sindical Classista (CSC) desde o seu surgimento.

Nessa fase, participou com destaque de importantes lutas dos trabalhadores, como a greve geral de 21 de julho de 1983, em plena ditadura militar. Como membro da CSC, integrou a direção nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), chegando a ocupar interinamente sua presidência. Foi também um dos destacados fundadores da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), em 2007, ocupando o cargo de presidente. Atualmente, era seu secretário-geral.

Wagner Gomes tinha consciência do papel de vanguarda, de liderança política, que a classe trabalhadora é destinada e desafiada a desempenhar. Incentivava seus camaradas a ocuparem espaços políticos. Ele mesmo foi indicado candidato ao Senado Federal tendo obtido, em 2002, quase 10% dos votos válidos em São Paulo, com cerca de 3 milhões e meio de votos.

Dirigente comunista destacado, querido por sua combatividade, por seu humor e sua conduta amigável, tão própria de nosso povo, era membro do Comitê Central do PCdoB desde os anos 1990.

No momento em que os comunistas realizam seu 15º Congresso, no qual um dos objetivos é o revigoramento do Partido, vinculando-o mais ao povo, à vida e à luta da classe trabalhadora, o legado de Wagner Gomes é uma fonte inspiradora. Seu nome está gravado na galeria dos que ajudaram a edificar o PCdoB, que inclina suas bandeiras de luta em memória desse importante filho do povo brasileiro e destacada liderança do proletariado.

Toda vez que um/uma trabalhador/a liderar uma greve, erguer a bandeira da CTB, central sindical à qual ele dedicou seu suor e talento; toda vez que um/uma trabalhador/a gritar “viva o socialismo, viva o PCdoB!”, o camarada Wagner Gomes estará presente, hoje, e sempre!

Brasília, 11 de agosto de 2021

Comissão Executiva Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

CTB define como “incompreensível” novo aumento da taxa de juros

CTB define como “incompreensível” novo aumento da taxa de juros
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB classifica como “incompreensível” o novo aumento da taxa de juros, divulgado nesta quarta-feira (8) pelo Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central. Com a medida, a chamada Selic passou de 12% para 12,25% ao ano.

Para a CTB, mais uma vez o Banco Central age em desacordo com as atuais demandas econômicas da nação, agindo em contrariedade ao que defendem as centrais sindicais, a indústria e os movimentos sociais do país.

Este já o quarto aumento seguido da Selic – todos eles durante o governo Dilma. Dessa forma, o Brasil segue com o vergonhoso título de país com a maior taxa de juros real do planeta. Juros altos significam menos empregos, menos investimentos e risco de estagnação. Para a CTB, a medida é um retrocesso que coloca em risco o crescimento vislumbrado para 2011 e os próximos anos.

As centrais sindicais, quando apoiaram a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência, apostavam que a ex-ministra conduziria a política econômica do país de forma mais progressista – algo que até o momento não foi colocado em prática. Juros altos e outros agrados ao sistema financeiro do país faziam parte do projeto derrotado nas eleições passadas.

A CTB continuará a se mobilizar, ao lado das demais centrais, em torno da luta pela redução da taxa de juros. Já é hora de a presidenta Dilma Rousseff tomar o controle desse processo, em nome do crescimento e do desenvolvimento da nação.
Wagner Gomes

Presidente nacional da CTB

São Paulo, 8 de junho de 2011.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Câmara dos Deputados realiza a 07/06 Audiência sobre Práticas Antissindicais

COMISSÃO DE TRABALHO, DE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO PÚBLICO DA E A COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS  REALIZAM NO DIA 07/06/2011 
Audiência Pública com o tema:

"Discussão das Práticas Antissindicais em desacordo com o previsto na Convenção nº 98, da OIT."

(Requerimentos nºs 3/11-CTASP e 51/11-CDHM, de autoria do Deputado Assis Melo e da Deputada Manuela d' Ávila, respectivamente, com o apoiamento da Deputada Jô Moraes)

LOCAL: Câmara dos Deputados
Anexo II, Plenário 12
HORÁRIO: 14h30min


Convidados:

WAGNER GOMES - Presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil-CTB; 

ARTUR HENRIQUE DA SILVA SANTOS - Presidente da Central Única dos Trabalhadores - CUT; e

PAULO PEREIRA DA SILVA - Representante da Força Sindical.

LÉLIO BENTES CORRÊA - Ministro do Tribunal Superior do Trabalho;

RICARDO WAGNER GARCIA - Procurador do Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul;

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Lula e Dilma prometeram aumento real em campanha, não somos oportunistas, rbate Wagner Gomes da CTB


"08/02/2011


Em entrevista ao jornal O Globo, Wagner Gomes, presidente da CTB Nacional comenta a declaração do ex-presidente Lula, que vê como oportunismo dos sindicalistas a reivindicação do salário mínimo de R$ 580.

Na opinião do presidente da CTB, Lula perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado, já que agora a discussão é com a presidenta Dilma Rousseff, que em campanha eleitoral prometeu aumento real aos trabalhadores.

Confira abaixo a entrevista na íntegra:


'Lula perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado', diz presidente da CTB
07/02 às 18h49 Leila Suwwan e Marcio Allemand

SÃO PAULO e RIO - O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, reagiu à afirmação do ex-presidente Lula que, no Senegal, para participar do Fórum Social Mundial, chamou os sindicalistas de 'oportunistas' porque não concordam com o anúncio do governo, que enviará ao Congresso um projeto de lei com o valor fechado de R$ 545 para o salário mínimo.

- Ele está com a memória curta. Não somos oportunistas. Ajudamos quando ele estava no governo e ajudamos a eleger a candidata dele à presidência. Ele perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado - disse Wagner, que na manhã desta segunda-feira participou, junto com mais cinco presidentes das centrais, de uma reunião para traçar os próximos passos da negociação.

Na reunião, os sindicalistas decidiram que aceitam adiantar parte do reajuste de 2012 e fechar em torno de R$ 560 o valor do mínimo, mas se chatearam ao perceber que estavam esperando à toa um novo encontro com o governo.

- Lula pode falar o que quiser. Ele não é mais o presidente. Nós queremos falar com a Dilma. Na campanha, quando o Serra prometeu aumentar o salário mínimo para R$ 600, Lula veio com Dilma a um comício em São Miguel Paulista e os dois garantiram que o mínimo teria aumento real. Portanto, oportunistas foram eles e não nós, sindicalistas - afirmou o presidente da CTB.

O presidente da CUT, Artur Henrique, disse que não comentaria diretamente uma fala do ex-presidente Lula, mas afirmou que ninguém está querendo mudar a regra do jogo.

- Só queremos ser tratados da mesma forma que os empresários e o setor financeiro foram tratados durante a crise. Da mesma forma que a crise exigiu medidas excepcionais, especialmente para os bancos privados, queremos que os trabalhadores sejam tratados da mesma forma - disse Artur, que mesmo sendo um dos menos hostis na negociação, deixou claro que existe disposição em negociar, mas a intransigência do governo com os R$ 545 está empatando tudo.

Para Antonio Neto, da CGTB, a briga no Congresso pode ser pior para o governo, lembrando da aprovação do fim do fator previdenciário que Lula teve que vetar, com grande desgaste.

- Eu topo adiantar o reajuste de 2012, a nossa deliberação é que pode ser isso, na faixa de R$ 560. Mas agora vamos aguardar - afirmou.

Para o presidente da CTB, combater a pobreza é dividir a renda e o salário mínimo é o maior instrumento para esta distribuição.

- Lamentamos muito que a Dilma esteja começando seu governo com este tipo de atitude de não conversar com as centrais - encerrou Wagner Gomes.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Salário mínimo: o outro lado da moeda - Por Wagner Gomes



Publicado na Agência Sindical http://twixar.com/RjkqL5y

O governo da presidente Dilma Rousseff convive em seus primeiros dias com duas “verdades” que soam como absolutas, embora uma delas esteja muito distante dessa definição. A primeira mostra que é preciso cortar os gastos públicos, como forma de se conter a inflação e colocar as contas do governo federal nos eixos; a outra evoca o fato de que a política de valorização do salário mínimo foi uma das responsáveis pelo bom momento econômico vivido pelo Brasil, a despeito da crise internacional que ainda assombra diversos países.

Diante de tais “dogmas”, como deveria agir o governo recém-instalado no Palácio do Planalto para definir o valor do salário mínimo para 2011? Por que interromper a política iniciada durante o governo Lula? Por que a falta de diálogo com a classe trabalhadora em torno dessa questão?

A imprensa vem noticiando nos últimos dias que as centrais sindicais têm sido muito duras com o novo governo, mas não é esse o ponto crucial do debate. O fato é que a proposta de reajuste para R$ 545,00 está na contramão daquilo que foi colocado em prática – com sucesso – nos últimos anos. É frustrante acompanhar o ressurgimento da tese de que os salários deterioram as contas públicas, especialmente porque esse ideário não fez parte do programa com o qual a presidente Dilma foi eleita – ao contrário, fazia parte do discurso da oposição.

Estudos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) demonstram que 47 milhões de pessoas são diretamente beneficiadas pelo aumento do salário mínimo. É nesse universo que está um dos principais pilares de sustentação do crescimento da economia brasileira, responsável pelas excelentes perspectivas para o curto, médio e longo prazos do país.

Setores do governo argumentam que o reajuste para R$ 545,00 corresponde ao valor acordado com as centrais sindicais, a partir da fórmula que utiliza a variação do Produto Interno Bruto e a inflação anual. Esse é um viés bastante discutível, pois não é essa a expectativa criada por um governo comprometido com o desenvolvimento do país. O PIB negativo de 2009 foi um ponto fora da curva, que não pode servir de pretexto para interromper o ciclo de crescimento real dos salários.

Essa discussão não pode ser encerrada por meio de uma medida provisória, conforme demonstra a equipe econômica do novo governo. É preciso mais diálogo com a sociedade e com os movimentos sociais em geral. Se as centrais sindicais hoje pressionam por um reajuste maior do salário mínimo, isso é mero reflexo do que anseia a classe trabalhadora do país, setor que apoiou em massa a continuidade do projeto iniciado pelo presidente Lula e viu em Dilma Rousseff a líder ideal para conduzir o Brasil a um novo patamar de desenvolvimento.
Wagner Gomes é presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)

domingo, 9 de janeiro de 2011

A CTB E O NOVO SALÁRIO MÍNIMO



A CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – manifesta sua posição contrária à Medida Provisória nº 516/10, que fixa o novo valor do salário mínimo para 2011 em R$ 540,00. Publicada na última edição do ano do Diário Oficial da União, a MP caminha na contramão da política permanente de valorização do salário mínimo, prevista para durar até 2023.

O último reajuste do salário mínimo no governo Lula foi o mais baixo dos seus dois mandatos, jogando uma ducha de água fria nos trabalhadores. A elevação nominal proposta pelo governo, de 5,88%, ficou aquém da própria inflação do período (INPC de 6,47%). O valor consagra uma perda real, portanto, de 0,55%.

A CTB lutará, em unidade com as outras centrais sindicais, para que o Congresso Nacional, depois do recesso, altere para R$ 580,00 o novo salário mínimo. Na nossa compreensão, esse reajuste deve levar em conta que o PIB negativo de 2009 foi um ponto fora da curva e, a exemplo do que ocorreu com as concessões a diversos setores empresariais, não pode servir de pretexto para interromper o ciclo de crescimento real dos salários.

Estudos do Dieese demonstram que 47 milhões de pessoas são diretamente beneficiadas pelo aumento do salário mínimo, com a vantagem adicional de fortalecer o mercado interno – uma das âncoras essenciais para o crescimento sustentado da economia. Ressuscitar a desmoralizada tese de que os salários deterioram as contas públicas não fez parte do programa com o qual a presidente Dilma Rousseff foi eleita.

A CTB, que tem como programa a luta por um projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho, conclama o Congresso Nacional a rever a MP 516/00 e a estabelecer um novo salário mínimo em R$ 580,00, ao mesmo tempo em que conclama o novo governo, neste gesto inaugural e simbólico, a reafirmar seu compromisso com a valorização do salário mínimo como um dos pilares da luta pela erradicação da miséria no país.

São Paulo, 5 de janeiro de 2011
WAGNER GOMES
Presidente da CTB

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

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