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segunda-feira, 2 de agosto de 2021
terça-feira, 15 de junho de 2021
segunda-feira, 14 de junho de 2021
domingo, 13 de junho de 2021
Yuri Castro, líder do Peru Livre exalta vitória de Castillo: “Nunca mais colônia” - Portal Vermelho - por Leonardo Wexell Severo
Líder do Peru Livre exalta vitória de Castillo: “Nunca mais colônia”
Para Yuri Castro, é preciso romper com a camisa de força da dependência, imposta pela desindustrialização e desnacionalização da indústria.
por Leonardo Wexell Severo
Publicado 12/06/2021 10:50 | Editado 12/06/2021 17:24
Yuri Castro - Foto: DivulgaçãoMembro do comando nacional do Partido Peru Livre, secretário de Organização em Lima, Yuri Castro, afirmou nesta entrevista exclusiva que “a chegada de Pedro Castillo à presidência fortalece o sonho de Bolívar de uma América Latina unida frente a um império que nos trata como seu quintal”. “É hora de avançarmos juntos para nunca mais sermos colônia”, destacou Yuri, para quem é fundamental ampliar a arrecadação fiscal do Estado, revertendo a lógica neoliberal que repassa às mineradoras transnacionais de 70% a 80% dos lucros.
“Nós propomos inverter este cálculo e que o país fique com a maior parte”, frisou o dirigente, apontando que é daí que virá o dinheiro necessário para investimentos públicos tão necessários, e dos quais o povo peruano é tão carente, como educação e saúde.
Para avançar, Yuri enfatizou a necessidade de romper com a camisa de força da dependência, imposta pela desindustrialização/desnacionalização. “No Peru praticamente não há indústrias, porque repetindo o conto de que ‘o Estado é um mau administrador’ os neoliberais deixaram que tudo fosse sendo quebrado. Nós temos o compromisso de investir na industrialização”.
Confira a entrevista:
Na sua avaliação, qual o significado da eleição de Pedro Castillo para a história do Peru?
Na realidade está é a primeira vez em 200 anos que o nosso país escolheu um homem do povo, vindo da área rural, que soube canalizar de maneira brilhante o sentimento popular para realizar as transformações que o nosso país tanto precisa. Pedro Castillo chega à Presidência conectado com os mais esquecidos, com os que menos têm, precisamente por sua origem andina e por ser um professor de escola. Esta vitória é um ato histórico, pois não é somente a eleição do primeiro presidente de esquerda da história do Peru, mas do primeiro presidente camponês.
E do ponto de vista da integração latino-americana?
Nós acreditamos que a América morena, a América Latina precisa estar coesa, unida, para seguir em frente. Há pouco estivemos reunidos com os companheiros da Argentina, com quem sempre estamos compartilhando, da mesma forma que com vocês [brasileiros], valorizando os encontros entre os nossos povos.
Para nós, o projeto da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) é extremamente importante porque a Comunidade Andina de Nações (CAN) não cumpriu com o seu papel. Precisamos impulsionar uma integração latino-americana muito maior, para podermos competir em condições de igualdade e ter uma posição muito mais forte frente às grandes potências. Neste sentido, acredito que a vitória do Peru Livre fortalece o sonho de Bolívar de uma América Latina unida frente a um império que nos trata como seu quintal. É hora de avançarmos juntos para nunca mais sermos colônia.
Durante a campanha, Pedro Castillo reiterou a importância do papel do Estado, a fim de garantir melhores condições de vida para os peruanos. Como fazer para tirar do papel a agenda de mudanças e os compromissos assumidos?
Nós temos apontado, claramente, que a atual Constituição do Peru tem uma concepção neoliberal, criada pela ditadura de Alberto Fujimori (1990-2000) para presentear as empresas transnacionais com recursos que são de todos. Consideramos essencial recuperar estes recursos, ampliando a arrecadação fiscal para garantir mais benefícios à população, principalmente aos mais necessitados.
Antes, quando as mineradoras cobravam preços extorsivos todos os superlucros extraídos por estas transnacionais eram transferidos para fora do país, servindo para enriquecer as potências mundiais.
Na atualidade, lastimosamente, entre 70 a 80% dos lucros destes conglomerados ainda vão para o estrangeiro, deixando o país com somente 20% ou 30%. Nós propomos inverter este cálculo e que o povo peruano fique com a maior parte, uma vez que o recurso é nosso, o subsolo de onde este minério é extraído é nosso e não há nenhum sentido na manutenção desta lógica. Por isso, precisamos renegociar cada um desses contratos e fazer uma mudança constitucional.
Quais os passos a serem dados para garantir esta mudança e romper com as amarras impostas pela atual Constituição fujimorista?
Nós temos duas alternativas, legalmente falando. A primeira é que o Congresso aprove a mudança constitucional por meio de uma moção. A segunda é modificar a Constituição por meio de um referendo. Esperamos que o Congresso saiba captar a voz do povo peruano, que está majoritariamente a favor da mudança constitucional, e facilite a transformação. Se isso não ocorrer, precisaremos fazer as alterações por um caminho mais longo.
Para este processo de avanços políticos, econômicos e sociais, qual o papel da industrialização?
Nós, como Peru Livre, defendemos que se deve priorizar a industrialização, a fim de fortalecer a independência. Em nosso país temos uma indústria manufatureira incipiente, instalada pelo governo de Juan Velasco Alvarado (1968-1975) com as montadoras de veículos vindos do Japão. Com a queda de Velasco e a passagem dos demais governos até a chegada de Alberto Fujimori (1990-2000) foi destruído o pouco que até então havia e se preferiu a importação de produtos acabados, agora fundamentalmente da China.
Inclusive a indústria têxtil peruana, que chegou a ser uma das mais importantes, encontra-se extremamente golpeada porque as produtoras de tecido foram obrigadas a fechar por não ter havido a proteção necessária, não terem sido colocadas barreiras protecionistas.
Em muitas eleições os assentos do parlamento foram tomados por representantes de um conjunto de lobistas para favorecer as transnacionais.
Na área têxtil, por exemplo, trazem roupas importadas por um dólar o quilo. Desta forma, atualmente, apenas uma em cada dez peças é nacional. Assim uma das nossas indústrias mais importantes encontra-se sucateada. Uma indústria que era resultado de puro empreendimento nacional quebrou porque os governos não investiram, o Estado se “esqueceu” de proteger os seus.
E é importante frisar que temos um dos melhores algodões do mundo, mas com a indústria têxtil extremamente golpeada. Então os empresários se queixam constantemente de que não lhes é dado apoio. E nós daremos.
No nosso país há uma lei, que não se cumpre, que determina que os grandes supermercados, atacadistas e lojas deveriam vender pelo menos 40% de roupa peruana e que os outros 60% poderiam ser importadas. E isso não é cumprido, embora seja lei.
Isso tem levado à quebradeira da indústria nacional. Somente Gamarra [um conjunto de pequenas e microempresas de confecção e do ramo têxtil] chegou a gerar quase dois milhões de empregos, muita mão de obra e renda, e um comércio muito grande. Havia centenas de unidades de produção, milhares de lojas, que simplesmente desapareceram. Essas pessoas a única coisa que pedem é que olhem para eles e que deixem de ser mantidos à margem, no esquecimento.
No Peru não há refinarias, não há absolutamente nada de indústrias, porque repetindo o conto de que “o Estado é um mau administrador” os neoliberais deixaram que tudo fosse sendo quebrado. Nós temos o compromisso de investir na industrialização.
Na mesma semana da eleição, fomos informados de que o número de mortos pelo coronavírus no país supera os 180 mil mortos, mais do que o dobro do anteriormente anunciado. O que fazer para enfrentar a pandemia?
Como partido Peru Livre, já tivemos conversações com o governo da Rússia para a compra de 20 milhões de vacinas Sputnik e o atual presidente [Francisco Sagasti, interino desde novembro de 2020] também informou que já há um contrato de compra de 60 milhões de vacinas. Esperamos uma vacinação rápida e eficiente para evitar a multiplicação de mortes.
Com este compromisso, temos ao nosso lado a presidente do Sindicato das Enfermeiras, que são as que trabalham, se dedicam ao tema da vacinação e o conhecem muito bem.
A vacina Sputnik serve para chegar aos locais mais distantes do país, porque não necessita um sistema de refrigeração muito avançado, podendo se manter com gelo seco e durar vários dias. E esta questão da temperatura é importante.
Nós também temos a intenção de passar a fabricar uma vacina própria, que se desenvolva com investimentos do Estado em ciência e tecnologia, para deixarmos de depender da indústria farmacêutica internacional.
Uma palavra aos brasileiros.
Que estejamos cada vez mais unidos e mobilizados para combater o imperialismo, que é o nosso inimigo comum. Que nossa experiência sirva para fortalecer a imprensa alternativa, comprometida com os fatos, com a verdade e a libertação dos nossos povos.
AUTOR
Leonardo Wexell Severo
Jornalista e analista internacional
terça-feira, 2 de julho de 2019
quinta-feira, 2 de maio de 2019
domingo, 11 de dezembro de 2011
Primeiro-ministro renuncia no Peru; novo gabinete se instala hoje - Portal Vermelho
Primeiro-ministro renuncia no Peru; novo gabinete se instala hoje - Portal Vermelho
O presidente do Peru, Ollanta Humala, instalará na noite deste domingo (11) um novo gabinete ministerial, depois de aceitar a renúncia do primeiro-ministro, Salomon Lerner, e nomear para como seu substituto o titular do Interior, Oscar Valdés.
O próprio Valdés anunciou na noite de sábado a formação da nova equipe governamental, depois de uma longa reunião na qual analisou com o chefe de Estado a recomposição do governo.
Valdés negou a existência de uma crise política pela renúncia de Lerner, que, de acordo com as normas constitucionais, determinou a demissão de todo o gabinete.
Não há nenhuma crise, afirmou ex-tenente coronel do Exército e empresário que esteve as cargo do estado de emergência decretado pelo governo no domingo passado em quatro províncias da região andina do norte do país, Cajamarca, diante de uma greve contra um projeto mineiro aurífero.
O ministro assinalou que a gestão governamental mantém continuidade e prossegue o “mapa do caminho”, um programa da última fase da campanha eleitoral do hoje presidente Ollanta Humala, roteiro que deu o toque final no plano d etransformações do bloco Ganha Peru.
Sobre as mudanças no governo, adiantou que foram confirmados nos cargos os ministros da Economia, Miguel Castilla, e Inclusão Social, Carolina Trivelli.
Fontes próximas ao Executivo adiantaram que serão substituídos a maioria dos ministros, incluindo os titulares do Ambiente, Ricardo Giesecke, e Energia e Minas, Carlos Herrera, que tiveram contradições no conflito de Cajamarca, motivado por temores de que o projeto de mineração aurífera prejudique a ecología.
A renúncia coletiva foi precipitada pela demissão irrevogável de Lerner, em uma carta na qual resume o trabalho cumprido pelo governo desde sua instalação, em julho passado.
Destaca que "nossa linha foi o diálogo e a busca dee consenso, evitando a confrontação confrontação entre peruanos e que reafirma nossa vida e vocação democrática" e assinala que se demite porque se abre uma nova etapa de governo que requer ajustes na condução governamental.
Lerner se caracterizou pelo diálogo e como negociador dos conflitos sociais e políticos e no domingo passado não conseguiu chegar a um acordo com os dirigentes do protesto de Cajamarca.
Naquele mesmo dia o presidente Humala decretou o estado de emergência em quatro províncias, sob a condução de Valdés como ministro do Interior, e dias depois seis dirigentes da greve de Cajamarca foram detidos por várias horas.
Prensa Latina
O presidente do Peru, Ollanta Humala, instalará na noite deste domingo (11) um novo gabinete ministerial, depois de aceitar a renúncia do primeiro-ministro, Salomon Lerner, e nomear para como seu substituto o titular do Interior, Oscar Valdés.
O próprio Valdés anunciou na noite de sábado a formação da nova equipe governamental, depois de uma longa reunião na qual analisou com o chefe de Estado a recomposição do governo.
Valdés negou a existência de uma crise política pela renúncia de Lerner, que, de acordo com as normas constitucionais, determinou a demissão de todo o gabinete.
Não há nenhuma crise, afirmou ex-tenente coronel do Exército e empresário que esteve as cargo do estado de emergência decretado pelo governo no domingo passado em quatro províncias da região andina do norte do país, Cajamarca, diante de uma greve contra um projeto mineiro aurífero.
O ministro assinalou que a gestão governamental mantém continuidade e prossegue o “mapa do caminho”, um programa da última fase da campanha eleitoral do hoje presidente Ollanta Humala, roteiro que deu o toque final no plano d etransformações do bloco Ganha Peru.
Sobre as mudanças no governo, adiantou que foram confirmados nos cargos os ministros da Economia, Miguel Castilla, e Inclusão Social, Carolina Trivelli.
Fontes próximas ao Executivo adiantaram que serão substituídos a maioria dos ministros, incluindo os titulares do Ambiente, Ricardo Giesecke, e Energia e Minas, Carlos Herrera, que tiveram contradições no conflito de Cajamarca, motivado por temores de que o projeto de mineração aurífera prejudique a ecología.
A renúncia coletiva foi precipitada pela demissão irrevogável de Lerner, em uma carta na qual resume o trabalho cumprido pelo governo desde sua instalação, em julho passado.
Destaca que "nossa linha foi o diálogo e a busca dee consenso, evitando a confrontação confrontação entre peruanos e que reafirma nossa vida e vocação democrática" e assinala que se demite porque se abre uma nova etapa de governo que requer ajustes na condução governamental.
Lerner se caracterizou pelo diálogo e como negociador dos conflitos sociais e políticos e no domingo passado não conseguiu chegar a um acordo com os dirigentes do protesto de Cajamarca.
Naquele mesmo dia o presidente Humala decretou o estado de emergência em quatro províncias, sob a condução de Valdés como ministro do Interior, e dias depois seis dirigentes da greve de Cajamarca foram detidos por várias horas.
Prensa Latina
sábado, 19 de novembro de 2011
Discurso de João Batista Lemos vice-presidente da Federação Sindical Mundial no Congresso da CGTP, no Peru
Discurso de João Batista Lemos no Congresso da CGTP, no Peru
Elevar o protagonismo da classe trabalhadora na luta por uma alternativa ao capitalismo em crise
Elevar o protagonismo da classe trabalhadora na luta por uma alternativa ao capitalismo em crise
Companheiros e companheiras,
Presenciamos, hoje, uma das mais graves crises do sistema capitalista e da ordem imperialista mundial. Uma crise que, em seu movimento, promove notável acirramento da luta de classes em todo o globo e especialmente nos países mais afetados, cabendo destacar os EUA e integrantes da chamada Zona do Euro.
Há muito se sabe que crises econômicas como a que está em curso, em que pese suas particularidades, são inevitáveis sob o capitalismo, pois têm por causa contradições inerentes a este modo de produção, traduzidas agora em desequilíbrios e excessos gerados no interior dos EUA e demais potências capitalistas, principalmente no sistema financeiro, e no padrão de relacionamento destas com as nações consideradas em desenvolvimento.
Malgrado seja uma crise do capitalismo, a classe trabalhadora é quem paga a conta, juntamente com pequenos e médios empresários. A recessão que começou nos EUA em dezembro de 2007, antes de se transformar num problemão mundial que ainda está longe de ser debelado, já elevou a pelo menos 200 milhões o número de desempregados no mundo, de acordo com estimativas da Organização Mundial do Trabalho (OIT).
Seria necessário gerar 80 milhões de novos postos de trabalho para voltar ao patamar pré-crise, segundo a entidade. Todavia, a perspectiva é de agravamento da situação nos próximos anos. A OIT alerta para o risco de convulsão social em 45 países. A tragédia do desemprego tende a piorar, mas não é o único flagelo que castiga e ameaça os trabalhadores e trabalhadoras.
A pretexto de fazer frente à crise da dívida na Europa, governos subordinados aos interesses do capital financeiro impõe à classe trabalhadora programas de ajuste fiscal ditados pelo FMI que significam um retrocesso social provavelmente sem paralelo na história moderna e objetivam, pura e simplesmente, o desmantelamento do Estado de Bem Estar Social. Ao lado do desemprego em massa avança a precarização dos contratos, o arrocho dos salários e a redução de direitos.
O resultado lógico da crise e da ofensiva reacionária dos Estados capitalistas é o acirramento da luta de classes entre capital e trabalho. Isto transparece nos movimentos de ocupação de praças e vias públicas, iniciados em Wall Street; nas manifestações dos indignados; em marchas e atos políticos; em greves gerais e locais contra o desemprego e em defesa dos direitos e dos salários.
A luta é particularmente intensa no continente europeu. Na Grécia, há mais de três anos em recessão e com uma taxa de desemprego superior a 16%, foram realizadas 15 greves gerais desde 2010. Portugal, Espanha (com taxa de desemprego superior a 20%), Itália, Inglaterra, França e outros países também são palco de ruidosos protestos e crises políticas.
A ofensiva da burguesia financeira contra o chamado Estado de Bem Estar Social, que consagra conquistas históricas da classe trabalhadora, não é apenas uma resposta pontual à crise da dívida e do euro, mas uma iniciativa que visa reduzir substancialmente o custo do trabalho e elevar o grau de exploração dos trabalhadores na região para enfrentar a concorrência estrangeira, sobretudo asiática. Aqui cabe considerar outro aspecto da conjuntura, que diz respeito à convergência da crise econômica com a crise da ordem capitalista internacional fundada na hegemonia dos EUA em aliança com as potências da Europa e o Japão.
Não restam dúvidas de que a atual crise, comparada por muitos economistas à Grande Depressão que atravessou os anos 1930, é a mais global da história do capitalismo. Mas uma de suas características fundamentais é a diversidade. Ela se manifesta de maneira diferente nos países e regiões. Impulsiona, com isto, o processo de desenvolvimento desigual das nações, que já vinha se verificando anteriormente.
Os impactos da crise são bem maiores nos Estados Unidos, na Europa e no Japão do que na China e nos Brics. Dentro da Europa, a crise é generalizada, mas a situação da Grécia, elo mais frágil da cadeia imperialista, não é a mesma da Alemanha ou da França.
A China sofreu com a contração do mercado nos Estados Unidos e na Europa, em 2008. Muitas empresas faliram e milhões de operários foram demitidos. Mas a economia reagiu aos estímulos do Estado e se recuperou. Em 2009, quando o PIB mundial caiu 0,6% (os EUA recuaram 2,6%, a zona do euro 4% e o Japão 6,3%), a China cresceu 9,2%. Em 2010, mesmo com as economias européia e norte-americana estagnadas, o país avançou 10,3%. Estima-se que, neste ano, deve crescer mais de 9%.
O crescimento desigual não veio com a crise, apenas foi acentuado por ela. Ao longo das últimas décadas o PIB chinês progrediu em média cerca de 10% ao ano enquanto os EUA e outras potências ocidentais cresceram entre 2 e 3%. O resultado deste desenvolvimento desigual foi uma revolução silenciosa na geografia econômica mundial, com o deslocamento da produção industrial, e por extensão do poder econômico, do Ocidente para o Oriente e dos EUA para a China.
Ao lado da China, em simbiose com seu crescimento, emergiram outras economias nacionais do antigo Terceiro Mundo como a Índia, o Brasil, a Rússia e a África do Sul, que hoje integram o dinâmico BRICs, um grupo que, pelo menos até o momento, tem reagido relativamente bem à crise e cresce a taxas mais elevadas que as registradas nas velhas potências capitalistas. A mudança na geografia econômica decorrente desses acontecimentos objetivos fortalece e evidencia a necessidade de uma nova ordem mundial.
Na América Latina, a evolução do cenário político também aponta a necessidade de uma nova ordem internacional e transformações sociais mais profundas e radicais. A ascensão de forças progressistas aos governos de muitos países, a partir de 1998 com a eleição de Chávez na Venezuela, impôs ao mesmo uma derrota à direita neoliberal, partidária do Consenso de Washington, e ao império norte-americano.
Projetos como a ALCA, através do qual os EUA pretendiam ampliar seu domínio econômico da região, foram rejeitados. Os novos líderes optaram por um caminho de integração latino-americana sem EUA e Canadá, criando a CELAC- Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, a ALBA, a UNASUL, fortalecendo o MERCOSUL e buscando caminhos alternativos e soberanos de desenvolvimento.
A dependência comercial e financeira dos países da região em relação ao mercado estadunidense e europeu diminuiu significativamente. Esta realidade transparece, entre outros, no fato de a China ser, desde 2009, a maior parceira comercial do Brasil, depois de superar os Estados Unidos, e realizar nos últimos anos vultosos investimentos externos na América Latina.
A experiência progressista dos governos da região é diferenciada. Com Cuba à frente, se desenvolvem com êxito outras experiências avançadas na Venezuela, Bolívia e Equador, cada uma com as suas particularidades. Mas há em comum o objetivo de buscar uma maior integração econômica e política das nações latino-americanas e procurar um modelo de desenvolvimento alternativo ao chamado Consenso de Washington. Trata-se de um processo de mudança que confronta objetivamente a hegemonia dos EUA e aponta na direção de uma nova ordem mundial.
Cabe registrar que, diferentemente do que ocorre na Europa, os governantes latino-americanos não estão adotando receitas recessivas ditadas pelo FMI para descarregar o ônus da crise sobre a classe trabalhadora. Os indicadores revelam uma relativa valorização do trabalho e redução das desigualdades sociais em grande número de países da região, embora persista uma escandalosa concentração da renda e a maioria dos povos ainda viva em situações precárias.
No Brasil, o governo Dilma dá continuidade às mudanças iniciadas por Lula nesta direção e enfrenta a resistência das forças conservadoras e do imperialismo. A direita neoliberal se refugia principalmente nos poderosos meios de comunicação, monopolizados por meia dúzia de famílias capitalistas, que procuram ditar a agenda política do país e não medem esforços para desmoralizar e desestabilizar o governo, tendo por bandeira o (falso) combate à corrupção.
Companheiras e companheiros,
Os fatos mostram que a reposta da classe dominante e do imperialismo à crise é a guerra, é mais neoliberalismo, mais capitalismo e uma redobrada ofensiva contra a classe trabalhadora e os direitos sociais por ela arrancados através de lutas seculares. É um caminho no rumo da barbárie.
A nossa resposta, a resposta da classe trabalhadora e da nossa Federação Sindical Mundial, a FSM, tem sido:
1- A intensificação da luta de classes em defesa dos direitos sociais e para que os ricos paguem efetivamente pelos prejuízos da crise que criaram; a denúncia do capitalismo e da defesa do socialismo; a luta pela Paz, pelo reconhecimento do Estado da Palestina e pelo fim do bloqueio a Cuba; a rejeição do neoliberalismo e ampliação das conquistas trabalhistas. Isto também pressupõe lutar por uma nova ordem mundial, efetivamente multilateral e solidária, e por novos projetos de desenvolvimentos nacionais, fundados na valorização do trabalho e na soberania, capazes de abrir caminho à superação do capitalismo e construção de uma nova sociedade sem explorados nem exploradores.
2- Defender os interesses da classe trabalhadora nos processos de integrações em nosso continente. Penso que devemos não só apoiar as iniciativas de integração como participar ativamente deste processo, nele intervindo com o objetivo de avançar no sentido de uma integração dos povos apoiado na complementaridade das Nações, manter e ampliar as conquistas da classe trabalhadora, resgatar o papel do Estado no processo de desenvolvimento e abrir caminho para o socialismo.
O Encontro Sindical Nossa América (ESNA) se orienta nesta direção. É uma experiência vitoriosa do sindicalismo de classe, de construção da unidade de ação, antineoliberal e antiimperialista. O ESNA, que realizou recentemente na Nicarágua a sua quarta versão, já identificou o grande desafio dos trabalhadores e suas organizações em nosso tempo: elevar o protagonismo da classe trabalhadora nas lutas políticas em curso. Alem de desenvolver um programa de formação e investigação na região está realizando duas campanhas que tem conteúdo político e de solidariedade, pela Liberdade dos CINCO patriotas cubanos e contra a instalação das Bases Militares estadunidenses em Nosso Continente.
3-A orientação da FSM que apontou, no seu 16º Congresso, a necessidade de internacionalização das lutas e convocou um dia mundial de mobilização em 3 outubro, lembrando o dia de sua fundação em 1945 em Paris, envolveu entidades sindicais de dezenas de países em defesa dos trabalhadores e dos povos. As bandeiras de outubro apontam para a unidade da classe trabalhadora em todo o mundo: Seguridade Social Pública para Todos – Negociação Coletiva e Convênios Coletivos – Liberdades Sindicais e Democráticas - Semana de trabalho de 35 horas-7horas ao dia – 5 dias na semana - Melhores Salários. E demarca com a orientação colaboracionista da CSI, que se resume à campanha pelo trabalho decente sem ao menos denunciar o caráter excludente e espoliador do capitalismo e do imperialismo, numa tática que busca acomodar a luta dos trabalhadores aos marcos dos interesses dominantes.
4-A experiência revela que o movimento sindical, apesar de suas fragilidades e contradições, tem grande papel a desempenhar, especialmente neste momento de crise. Devemos rejeitar como falsa a noção de que a forma sindical está superada e o sindicalismo não tem mais papel relevante na vida atual, devendo ceder espaço a novos atores sociais e movimentos. O que se faz necessário é renovar os sindicatos diante da nova realidade, ampliar sua representatividade por ramo de atividade e no local de trabalho, onde são mais sensíveis e diretas as contradições entre capital e trabalho. E atuar em estreita aliança com os movimentos sociais em torno dos interesses imediatos e futuros do proletariado, o que é estratégico para a formação de uma correlação de forças mais favorável aos trabalhadores e trabalhadoras na luta contra a exploração.
No Brasil consideramos fundamental atuar em unidade com outras tendências políticas do sindicalismo para potencializar a força da classe trabalhadora, cuja centralidade é indiscutível. A experiência do fórum das centrais sindicais e da coordenação dos movimentos sociais tem sido muito positiva para impulsionar o governo de Dilma no sentido das mudanças e conquistar alguns direitos importantes para o povo trabalhador.
Aprendemos a enxergar a crise e as perspectivas da civilização através de uma ótica classista, ou seja, de acordo com o ponto de vista e os interesses da classe trabalhadora. A crise está empurrando a humanidade para uma encruzilhada histórica entre a barbárie (capitalista) e o socialismo. Daí a necessidade urgente e indeclinável de elevar a consciência, a mobilização e o protagonismo da classe trabalhadora, transformando a crise em oportunidade de mudança. É este o nosso grande desafio.
Viva a Unidade da CTB e a CGTP!
Viva a Unidade dos Trabalhadores!
Viva o Socialismo!
Muito obrigado.
João Batista Lemos
Secretario Adjunto de Relações Internacionais da CTB e vice-presidente da Federação Sindical Mundial.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Os objetivos de luta da juventude sindicalista - 1ª Parte - Paulo Vinícius
Dedico essa intervenção a dois heróis do povo brasileiro, Zumbi dos Palmares - em cuja homenagem nessa data celebramos em marchas por todo o Brasil o Dia da Consciência Negra -, e Diógenes Arruda Câmara - bravo lutador pela democracia no Brasil - cuja morte completa 30 anos neste 25 de novembro.
Sindicalismo para a juventude, juventude para o sindicalismo.
Nesses dias em que as mentiras do "pensamento único" perderam a legitimidade arrogante do passado, é fundamental que o movimento sindical fale ao conjunto da juventude. Na triste noite neoliberal, os apologistas do individualismo cínico intentaram destroçar a principal característica nossa condição juvenil: a busca da construção de uma nova realidade em que caibam as novas gerações e a nossa rebeldia. A juventude luta principalmente por causas, não por cosas.
Todavia, essa ofensiva de direita tem cobrado um terrível preço ao movimento sindical. É necessário reconhecer que a defensiva estratégica de princípios dos noventa, a ênfase no individuo, o poder da grande mídia, o consumismo e suas ilusões foram responsáveis pelo afastamento de importante parte da juventude do movimento sindical. Reconhecer isso é fundamental para entender o desafio atual do movimento sindical classista: abrir as portas dos sindicatos aos jovens como condição de nosso próprio futuro e da nova luta pelo socialismo.
Ademais, a terceira revolução técnico-científica tem posto os jovens como protagonistas do processo produtivo em setores estratégicos e tem mudado a composição do proletariado. A juventude tem papel decisivo em categorias importantíssimas e temos que valorizar as oportunidades de crescimento nesses setores. O capital, hipocritamente, diz que deseja um "novo profissional", que tenha iniciativa, consciência crítica para interferir e melhorar o processo
Mas, como os jovens podem aceitar isso, se é feito somente em função dos mesmos capitalistas que destroem nossos sonhos de juventude, que nos excluem do emprego, que nos exploram brutalmente, que destroem sem pudores a natureza, que nos discriminam e separam por nossa condição de indígenas, negros, migrantes, mulheres e até por nossa opção sexual, a maneira de vestir e falar?
Em verdade, a produção mesma pede estes novos profissionais sim, e não apenas ela, porque a produção, a natureza ameaçada, a própria subjetividade humana negam as relações sociais capitalistas. Persiste vigente a lei da correspondência necessária entre as forças produtivas e as relações de produção, anunciando o anacronismo do capitalismo, cujas relações sociais baseadas na prevalência do lucro acima de qualquer coisa, colocando em risco a própria humanidade. Assim, há que dizer claramente que só o socialismo pode garantir aos jovens de hoje e de manhã o futuro. E temos que dizer isso à juventude que trabalha sob uma alienação brutal e não compreende as razões de seu desemprego e frustrações.
A redução da Jornada e a luta contra a Precarização do Trabalho
"A alienação do trabalhador em seu objeto é expressa da maneira seguinte, nas leis da Economia Política: quanto mais o trabalhador produz, tanto menos tem para consumir; quanto mais valor ele cria, tanto menos valioso se torna; quanto mais aperfeiçoado o seu produto, tanto mais grosseiro e informe o trabalhador; quanto mais civilizado o produto, tão mais bárbaro o trabalhador; quanto mais poderoso o trabalho, tão mais frágil o trabalhador; quanto mais inteligência revela o trabalho, tanto mais o trabalhador decai em inteligência e se torna um escravo da natureza." Marx, Manuscritos Econômicos e filosóficos, O Trabalho Alienado.
Diante dessa realidade, é indispensável que todo o movimento sindical tenha como bandeiras centrais - pelo sentido especial que têm para toda a classe e em especial para a juventude - a defensa da redução da jornada de trabalho e a luta contra a precarização do trabalho. Desde os anos setenta do século passado com o advento da 3ª. revolução técnico-científica, avançou exponencialmente a produtividade do trabalho. Um(a) operário(a), um(a) campesino(a) , um(a) trabalhador( a) dos serviços hoje em dia produz muito mais, sob um brutal ritmo de trabalho, e sua paga é exatamente a precarização das relações de trabalho. Não recebem mais, muito ao contrário, especialmente se levarmos em conta as proporções entre o produzido e recebido. E nas mesmas horas de trabalho - que muitas vezes são ampliadas - produz-se um mais valor cuja consequência é a demissão de seus colegas e novas moléstias laborais, inclusive psicológicas. E a juventude que realiza o mesmo trabalho dos demais, recebe menos e está sempre ameaçada com a demissão que intenta calar seu potencial rebelde.
Assim, a luta para incorporar as novas gerações à luta sindical é indissociável da defesa da redução da jornada e da luta contra a precarização. Reduzir a jornada e lutar contra a precarização é defender as mesmas condições e remuneração para o mesmo trabalho; é garantir ao jovem mais tempo para ser jovem, tempo para namorar, descansar, estudar, ter direito ao esporte e à cultura, estar com a família, fazer arte e, sobretudo, fazer política sem medo.
"Convido-te a crer em mim quando digo futuro".
Silvio Rodríguez
É indispensável falar e escutar a juventude. É preciso abrir caminho ao protagonismo juvenil no movimento sindical como condição de seu futuro. Se o capitalismo disputa os jovens com tanto cinismo e hipocrisia, mas também com imensos recursos, qual deve ser o investimento necessário do sindicalismo em seu trabalho de juventude neste momento estratégico em que a luta do povo outra vez avança, como o demonstra o avanço das forças progressistas na América Latina?
O principal investimento é o político. Ensinar as lições de luta da historia e ouvir-lhes seus anseios, dúvidas, confusões, não como quem apenas ensina, mas sobretudo como quem estuda o idioma que permitirá vencer e garantir o futuro, não apenas do movimento sindical e operário, mas da própria humanidade.
Princípios e programa.
· O classismo: o capitalismo não oferece nenhum futuro à juventude. E nosso movimento expressa as verdadeiras mudanças de que carece a sociedade para atender aos anseios da juventude: a construção do socialismo, sociedade em que os produtores da riqueza possam compartilhá-la para o bem de todos. Essa é garantia de um futuro de felicidade, paz, democracia e liberdade, sem a opressão capitalista. E é uma bandeira de uma classe, a dos trabalhadores e trabalhadoras, cuja libertação tem o potencial para romper as cadeias de todas as opressões.
· A participação protagônica da juventude no movimento sindical merece o decidido apoio de todo o movimento. Isso significa que é necessário promover a liderança juvenil no movimento sindical, constituir instâncias e direções que tratem do tema em todos os níveis e a sua articulação a partir dos próprios jovens. A promoção de um crescente debate sobre a sucessão geracional no movimento. É necessário formar, apoiar e empoderar a juventude;
· A defesa de uma ampla unidade da juventude trabalhadora, explorada pelo capitalismo que lhes nega o futuro;
· A democracia, representativa e participativa, essencial à unidade. Sem a participação ativa dos jovens trabalhadores nas entidades sindicais não é possível desejar sua incorporação ativa. É necessário aperceber-se das portas à participação abertas pelo uso da internet, a evolução das formas de convocatória, as possibilidades de envolver amplos setores nas decisões dos sindicatos com as novas tecnologias para que os jovens sejam parte da definição das reivindicações, mobilização, eleição de representantes, fortalecendo a liberdade de expressão e o debate;
· Liberdade e autonomia sindical que todavia não se confundem com neutralidade, mas com a afirmação dos interesses da classe. Trata-se da garantia de organização sindical no local de trabalho e do combate às práticas anti-sindicais. E autonomia tanto para apoiar governos que representem o interesse da classe como para disputar a agenda política através da mobilização social, sem alinhamento automático;
· Solidariedade e internacionalismo. A humanidade é uma. À hipocrisia da globalização da barbárie e da rapina capitalistas há que aprofundar a luta em cada país e ao nível internacional através de um ativo internacionalismo de massas. Os seres humanos não podem ser ilegais. Não à guerra e ao imperialismo!
· Não aceitamos a discriminação nem as intolerâncias, seja por cor, raça, etnia, credo, origem, geração, gênero ou orientação sexual. Lutaremos com vigor por uma soci
edade totalmente livre do machismo, do racismo, da homofobia, divisões que debilitam os ideais de igualdade e justiça social na luta contra o imperialismo e a exploração capitalista;· A defesa do meio ambiente e do desenvolvimento são incompatíveis com uma sociedade subordinada exclusivamente ao mercado e aos lucros. Ademais, o capitalismo necessita da guerra para, ao fim de cada uma de suas crises, tentar impedir sua tendência de queda da taxa de lucro. Por isso destroem milhões de vidas, forças produtivas e a natureza. Também a dominância do capitalismo impede o desenvolvimento racional com respeito ao meio ambiente, impondo - pela pressão econômica e militar - grandes dificuldades às nações pobres que não podem optar livremente por um modelo de desenvolvimento mais avançado. Assim, sem ilusões, defendemos o direito ao desenvolvimento e a busca de alternativas de desenvolvimento que respeitem o meio ambiente, e sabemos que há distintos níveis de responsabilidade na degradação ambiental, diretamente proporcionais ao poderio econômico de algumas nações que são as maiores responsáveis pela crise ambiental, e que tentam ao mesmo tempo impor suas receitas aos países pobres.
Paulo Vinícius, é Cientista Social e Bancário, secretário de Juventude Trabalhadora da CTB e diretor de Imprensa da CTB-DF.
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