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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Nossos peitos, nossos braços são muralhas do Brasil! - Paulo Vinícius da Silva

 

Essa bandeira sempre foi nossa!


"Não temais ímpias falanges

  que apresentam face hostil.

Vossos peitos, vossos braços

são muralhas do Brasil!"

Hino da independência do Brasil, Evaristo da Veiga (letra), D. Pedro I (melodia)


O dinamitar da ordem mundial pactuada ao fim da Segunda Guerra segue a desafiar nosso entendimento, sob a batuta de Donald Trump, abusador, delinquente, chantagista, sequestrador e perigoso detentor de arsenal nuclear capaz de acabar com o mundo inúmeras vezes. A ordem multipolar não significa propriamente "ordem", a guerra é a realidade da época. O que não se sabe é se evoluirá para uma confrontação geral e nuclear ou se haverá um acordo amplíssimo, a exemplo do proposto pelo Presidente da China Xi Jinping em seu discurso no Fórum Econômico de Davos em 25/01/2021, "Que o multilateralismo ilumine o caminho da humanidade". Sim, como alertáva-nos Fidel, o futuro da espécie humana está em risco. São tantos os fatores destrutivos a ameaçar-nos que não é fácil manter uma atitude esperançosa. Contudo, é a própria decadência do imperialismo estadunidense a medida dos seus limites, de seu desespero e das possibilidades de termos mudanças, inclusive nos EUA, que apontem outro caminho que não a mútua destruição assegurada.

Recordo-me da expressão de João Amazonas sobre o século XXI, que seria no princípio mais trevas do que luz, e que somando-se as luzes que surgiriam aqui e ali, poderíamos viver um período de grandes esperanças, que é a própria perspectiva socialista, a conciliação da vida do ser humano com o planeta Terra, em busca da harmonia, ou ao menos da sobrevivência do gênero humano e do ecossistema tão maltratado. Mas é preciso defender tão pouca luz diante de tanta treva, e nisso nos estimulam os exemplos de Lula, mas também de Nicolás Maduro, com sua tranquilidade de esfinge mesmo sequestrado pelo imperialimo, como experiente motorista de ônibus que é, sangue frio, que mostra como há que se desviar dos problemas, não apenas confrontá-los. Não está morto quem peleia.

O "novo normal" de Trump é inaceitável, e visa a alargar os limites de ação do imperialismo estadunidense, tem natureza didática e exemplar. Com as big techs a seu serviço, suas ações violadoras da soberania das nações se somam ao que o Partido Democratas fez com a sua hipocrisia, com a Guerra ao Terror e a defesa do "feminismo" e da "democracia" que chega com as tropas estadunidenses. Trump testa os limites e arma seus instrumentos no interior das nações. 

Lula mais uma vez foi campeão na leitura do sentimento do povo e dos perigos que enfrentamos. Ao zombar do Bananinha com a célebre mofa "Ô Trampi, defende meu pai!", armou o povo brasileiro para a defesa da soberania. Mas, seja no Brasil, no Irã, na Venezuela, em Cuba, o exemplo foi dado, e vemos como a denúncia desses traidores das nações em que vivem é decisiva para afirmar as frentes amplas que isolem o inimigo principal, que é o imperialismo estadunidense, o fascismo, e que possui como ponta de lança as Big techs e o rentismo parasitário. 

Esse bloco histórico do 1% que quer lucrar com o fim do mundo precisa ser isolado, e os cordões que Trump puxa são exatamente aqueles que em cada país, clamam: "ô Trampi", "defende a Venezuela", "bombardeia a Baía de Guanabara", "defende a democracia e as mulheres no Irã", promovendo a traição nacional descarada como posição política legítima - que não é. Assim como a extrema direita ganhou espaço no campo político, o "jalabolismo macunche" denunciado por Chávez, ou em tradução livre, o "babaovismo fuleragem" dos lambe-botas do imperialismo, inimigos de seu próprio povo, traidores, Silvérios dos Reis, que querem ter legitimidade para crimes de lesa-pátria, terrorismo, subversão armada contra a democracia, assassinatos e conspiração com potência estrangeira para nos impôr um neocolonialismo descarado. 

Tanto é falsa a polarização entre extrema-direita x esquerda, quanto é ilegítima a posição dos traidores da Nação. A extrema direita se opõe à democracia, e não apenas à esquerda. Por isso a Frente Ampla é incontornável, na defesa da democracia e da Nação Brasileira, ameaçadas. Crime de lesa-pátria não é posição política legítima. Pior, na Constituição de 1988 e no Brasil, são crimes de lesa-pátria os únicos que admitem a possibilidade de pena de morte, em caso de guerra, em conluio com potência estrangeira.

Então, abusador como é, alhures e aqui, Trump avança os limites para violar o que não deve ser admitido jamais, e encontra quem lhe dê guarida, aberta ou veladamente. É preciso desmascarar essa súcia, é preciso unir o povo, é preciso transcender do individualismo perverso e irracional, do medo e do ódio, para alcançar o sentimento de coletivo, fratria, pátria, que nos países subdesenvolvidos é inseparável da defesa do multilateralismo, da solidariedade, razão pela qual a luta pela soberania representa o proletariado, e não o ufanismo de direita. Essa é a diferença entre o nacionalismo de mentira de um Bolsonaro e a defesa do Brasil pelo Presidente Lula. A Nação é o Povo.

É preciso defender a soberania do Brasil e dos povos do mundo. Não podemos jamais atribuir ao imperialismo estadunidense a possibilidade de intervir em qualquer país, seja sob que pretexto for. E é preciso tomar lições sobre o eixo da defesa da soberania e da paz, diante de quem resiste ao imperialismo, assim como tirar lições do que pode acontecer com o Brasil, se ignorarmos os perigos diante de nós. A Líbia, o Haiti, a Palestina e a Síria nos demonstram o que se prepara para o Brasil. Ao mesmo tempo, vemos que é possível resistir.

Ao contrário do que muitos creram e divulgaram, o imperialismo não tem vida fácil em suas ações criminosas. Trump busca juntar a blitzkrieg - guerra relâmpago - e as mentiras dessa época, com o apoio dos "mercados" para dobrar as Nações. Propaga o pessimismo, o babaovismo, as mentiras e a ignorância, a impressão que não é possível resistir aos seus intentos de abuso, violação, que sequer se deve gritar, muito menos reagir, quando é precisamente do que se trata. Mas quebrou a cara três vezes.

Na Venezuela, longe de atemorizar, tocou os brios do povo que há tantos anos resiste ao bloqueio, à mentira e às agressões. No Irã, aproveitando-se das dificuldades que causa ao povo iraniano, não hesitou em infiltrar MOSSAD e a CIA, injetar dinheiro, promover o terrorismo e assassinar pessoas para derrubar a República Islâmica e devastar o país. E em Cuba, suas ameaças e bravatas não encontraram eco, pois a Revolução Cubana e seu líder, Díaz-Canel, há tempos tem sabido esclarecer ao seu povo do que se trata. É Pátria ou Morte.

Também o Brasil enfrenta esse desafio existencial. Também aqui se alimentam os traidores da Nação a cumprir o triste papel de conspirar contra nosso próprio povo. E querem ser aceitos como se fizessem política, como se não cometessem crimes, como os promovidos no 8/1/2023, entre atos terroristas, depredação de patrimônios nacionais, ações armadas, mentiras, conspirações e sabotagem da democracia em aliança com potência estrangeira. Eles mostram que não há limites, que têm lado. Não devemos ignorar, muito menos crer que os limites da nossa democracia mutilada são suficientes para os enfrentar. É preciso lançar pontes para a undade do povo.

Em todos esses países que conseguiram resistir até o momento ao acosso imperialista para destruir as suas nações, vemos que se impôs a vontade do povo nas ruas, aos milhões, mobilizado por frentes políticas e sociais firmemente entranhadas nos territórios e no coração das multidões. Não apenas um partido, ou o movimento sindical, ou os instrumentos da democracia burguesa, não apenas a representação. Há uma unidade superior que desarma mesmo a direita e a oposição, e arma de política as amplas massas populares, que passam a se ver como povo, como Nação. E são pautas civilizatórias aquelas que inserem a classe trabalhadora, mulheres, negros, a população LGBTQIAPN+ como legítimos filhos da Nação Brasileira, merecedores de direitos e deveres iguais. 

Diz-nos o nosso Hino da Independência o que Venezuela, Cuba e Irã fizeram na prática, vencendo tudo, impedindo a destruição e a entrega de suas nações aos canalhas traidores. O Brasil também o ensaiou, a despeito da desarticulação de que padece o campo popular. Nós também temos um líder - ainda. Nós também temos um povo. Mas precisaremos de uma sólida unidade entre as forças de esquerda para resisitirmos a tanto poder, tanta mentira, tanta violência. E ao defender nossa Nação, reelegendo o presidente Lula e mudando o Congresso, transcenderemos os interesses particulares, unindo as forças consequentes e necessárias na luta contra o imperialismo, em especial as forças populares, a frente popular. Assim contribuiremos para a paz, para o multilateralismo, para tempos de grandes esperanças. Nossos peitos, nossos braços são muralhas do Brasil.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Dilma repõe Orlando Silva nos devidos termos | Conversa Afiada e Blog do Planalto

Dilma repõe Orlando Silva nos devidos termos | Conversa Afiada

Trechos da entrevista da Presidenta pouco antes de voltar ao Brasil – a íntegra esta no Blog do Planalto:


Presidenta: Olha, eu acho que é importantíssimo que nós, que somos um país democrático, aprendamos que não se faz apedrejamento moral de ninguém. Eu li, com muita preocupação, as notícias do Brasil. Primeiro, pelo grau de imprecisão nas observações a respeito do governo. O governo não fez, não fará nenhuma avaliação e julgamento precipitado de quem quer que seja. E eu acho que fontes, vazamentos… é interessante, porque vazam frases com aspas minhas. Eu não falei com ninguém e vazam aspas minhas. Então, eu acho o seguinte: acho que a gente tem de ter um processo sistemático de investigação, de apuração de todos os malfeitos. Agora, tem sempre de supor a presunção da inocência das pessoas. Eu vou olhar tudo com imensa tranquilidade e tomarei as posições necessárias para preservar não só o governo, mas preservar os interesses do país.

Jornalista: Em relação à Copa (incompreensível)

Jornalista: (incompreensível)

Presidenta: Isso é uma tolice. Dizer que o governo está fazendo julgamento de um partido é uma tolice. O meu governo respeita o Partido Comunista do Brasil, acha que tem quadros absolutamente importantes para o país. Nós não vamos entrar nesse processo, que é um processo absolutamente irracional. Nós temos de apurar os fatos, nós temos de investigar e nós, se apurada a culpa das pessoas, puni-las. Agora, isso não significa demonizar quem quer que seja e, muito menos, partidos que lutaram, no Brasil, pela democracia e tem de ser respeitados.



Íntegra da entrevista, do Blog do Planalto, 1ª e 2ª partes





Conversa Afiada:Santayana e Kadafi: chega de sangue | Conversa Afiada

Santayana e Kadafi: chega de sangue | Conversa Afiada


WOW !
O Conversa Afiada republica texto de Mauro Santayana, extraído do JB:

Chega de sangue


por Mauro Santayana


Diante da imagem de Kadafi trucidado, e dos aplausos de Mrs. Clinton e de dirigentes franceses, ao ver o homem seminu e ensangüentado, recorro a um testemunho indireto de Henri Beyle – o grande Stendhal, autor de Le Rouge e le Noir – de um episódio de seu tempo. Beyle foi oficial de cavalaria e secretariou Napoleão por algum tempo. Em 1816, em Milão, Beyle ficou conhecendo dois viajantes ingleses, o poeta Lord Byron e o jovem deputado whig John Hobhouse. Coube a Hobhouse relatar o encontro, no qual Beyle impressionou a todos os circunstantes, narrando fatos da vida de Napoleão. São vários, mas o que nos interessa ocorreu logo depois da volta do general a Paris, em seguida à derrota em Moscou. Durante uma reunião do Conselho de Estado, da qual Beyle foi o relator, descobriu-se que Talleyrand havia escrito três cartas a Luís de Bourbon, que restauraria, dois anos mais tarde, o trono. As cartas, que se iniciavam com o reconhecimento de vassalagem, no uso do pronome “Sire”, revelavam que o bispo já conspirava contra o Imperador. Os membros do Conselho decidiram que Talleyrand devia ser castigado com rigor – ou seja, condenado à morte. Só um homem, e com a autoridade de “arquichanceler” do Império, Cambacérès, se opôs, com voz firme: Comment? toujours de sang? Napoleão, que estava deprimido com as cenas de seus soldados mortos no campo de batalha, ficou em silêncio.


O sangue que se verteu no século passado devia ter bastado, mas não bastou. Iniciamos este novo milênio com muito sangue e a promessa de novas carnificinas. O cinismo dos que exultam agora com a morte de Kadafi, ao que tudo indica linchado pelos seus inimigos, após a captura, dá engulhos aos homens justos. Os que levaram a ONU a aprovar os bombardeios brutais da OTAN contra a população líbia haviam sido, até pouco tempo antes, parceiros do coronel na exploração de seu petróleo, indiferentes a que houvesse ou não liberdade naquele país. Mas Kadafi não era apenas o ditador megalômano, que vivia no luxo de seus palácios e que promovia festas suntuosas para o jet-set internacional. Ele fizera radical redistribuição de renda em seu país, mediante uma política social exemplar, com a criação de universidades gratuitas, a construção de hospitais modernos e com a assistência à saúde universal e gratuita. Quanto à repressão, ele não foi muito diferente da Arábia Saudita e de outros governos da região, e foi muito menos obscurantista para com as mulheres do que os sauditas.


Apesar das cenas horripilantes de Sirte, que fazem lembrar as de Saddam Hussein aprisionado e, mais tarde, enforcado, além das usuais que chegam da África, há sinais de que os homens começam a sentir nojo de tanto sangue. É alentador, apesar de tudo, que o governo de Israel tenha aceitado acordo com os palestinos, para a troca de prisioneiros. É também alentador que os bascos hajam renunciado à luta armada e preferido o combate político em busca de sua independência. E é bom ver as multidões reunidas, em paz, em todos os paises do mundo, contra os ladrões do sistema financeiro internacional – não obstante a violência, de iniciativa de agentes provocadores, como ocorreu em Roma,e a costumeira brutalidade policial, na Grécia, na Grã Bretanha e nos Estados Unidos.


Há, sem dúvida, os que sentem a volúpia do cheiro de sangue, associado à voracidade do saqueio. A reação atual dos povos provavelmente interrompa essa ânsia predadora dessas elites européias e norte-americanas – exasperadas pela maior crise econômica dos últimos oitenta anos e ávidas de garantir-se o suprimento de energia de que necessitam e a preços aviltados.


É preciso estancar a sangueira. O fato de que sempre tenha havido guerras não significa que devemos aceitá-las entre as nações e entre facções políticas internas. Como mostra a História, o recurso às armas tem sido iniciativa dos mais fortes, e diante dele só cabe a resistência, com todos os sacrifícios.


No fundo das disputas há sempre os grandes interesses econômicos, que se nutrem do trabalho semi-escravo dos povos periféricos, como se nutriram grandes firmas alemãs, ao usar judeus, eslavos e comunistas, como escravos, em aliança com Hitler.


A frase é um lugar comum, mas só o óbvio é portador da razão: os que trabalham e sofrem só querem a paz, para que usufruam da vida com seus amigos, seus vizinhos, suas famílias.


O odor do sangue é semelhante ao odor do dinheiro, e excita os assassinos para que trucidem e se rejubilem com a morte – como se rejubilaram ontem, diante do corpo humilhado de Kadafi, a Secretária de Estado dos Estados Unidos e os arrogantes franceses. Há três dias, em Trípoli, a senhora Clinton disse a estudantes líbios, que esperava que Kadafi fosse logo capturado ou morto. Nem Condoleeza Rice, nem Madeleine Albright seriam capazes de tamanho desprezo pelos direitos de qualquer homem a um julgamento justo. Esse direito lhe foi negado pelas hordas excitadas por Washington e Paris, com a cumplicidade das Nações Unidas – e garantidas pelas armas da OTAN.


Não que Kadafi tenha sido santo: era um homem insano, e tão insano que acreditou, realmente, que os americanos, italianos e franceses, quando o lisonjeavam, estavam sendo sinceros.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Julgamento? Democracia? Humanidade? Olhe o que foi classificado como dia histórico pela imprensa fascista: o assassinato de Kaddafi.

Imagens verdadeiramente obscenas e tristes, que só divulgo por um dever de consciência.



Os criminosos nazistas foram julgados em Nuremberg.
O mundo é cada vez mais assustador e a barbárie é agora. Assista as imagens e veja o que a imprensa mundial celebra como dia histórico. Pense detidamente se o que vê corresponde a seus valores de justiça, democracia e humanidade. A mim me causa asco e revolta, independentemente de quem fosse. Nem de longe posso celebrar a barbárie.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Quem salva a Líbia dos seus salvadores ocidentais? - Portal Vermelho

Quem salva a Líbia dos seus salvadores ocidentais? - Portal Vermelho



Em Março, uma coligação de potências ocidentais e de autocracia árabes uniram-se para promover o que era apresentado como uma espécie de pequena operação militar para "proteger os civis líbios".

Por Jean Bricmont, Diana Johnstone, em Resistir.info


A 17 de Março, o Conselho de Segurança da ONU adotou a resolução 1973 que dava a esta "coligação de voluntários" um tanto particular o sinal verde para começar a sua pequena grega, controlando primeiro o espaço aéreo líbio, o que permitiu a seguir bombardear o que a OTAN quis bombardear.

Os dirigentes da coligação esperavam manifestamente que os cidadãos líbios reconhecidos aproveitariam a ocasião fornecida por esta "proteção" vigorosa para derrubar Muamar Kadafi o qual, pretendia-se, queria "matar o seu próprio povo". Baseando-se na ideia de que a Líbia estava dividida de modo claro entre "o povo" de um lado e "o mau ditador" do outro, esperava-se que este derrube ocorresse em alguns dias.

Ao olhos ocidentais, Kadafi era um ditador pior que Ben Ali na Tunísia ou Mubarak no Egipto, que caíram sem intervenção da OTAN. Kadafi deveria portanto cair muito mais rapidamente. 



Cinco meses mais tarde, tornou-se evidente que todas as suposições nas quais se fundamentava esta guerra eram mais ou menos falsas. As organizações de defesa dos direitos do homem não conseguiram encontrar provas dos ditos "crimes contra a humanidade" cometidos por Kadafi contra "o seu próprio povo".

O reconhecimento do Conselho Nacional de Transição (CNT) como "único representante legítimo do povo líbio" por parte dos governos ocidentais, que era no mínimo prematuro, tornou-se grotesco. A OTAN empenhou-se numa guerra civil, exacerbando-a, e sem fazê-la sair do impasse. 



Mas por mais absurda e destituída de justificação que esta guerra possa ser, ela continua. E quem é que pode travá-la? 



Um dos melhores livros para ler neste Verão foi a excelente nova obra de Adam Hochschild, To End All Wars , sobre a Primeira Guerra Mundial e os movimentos pacifistas daquela época. Há muitas lições de atualidade que se podem encontrar neste livro, mas a mais pertinente é sem dúvida o fato de que uma vez começada uma guerra é muito difícil pará-la. 



Os homens que começaram a primeira guerra mundial também pensavam que ela seria curta. Mas mesmo quando milhões de pessoas foram lançadas na tormenta assassina e quando o caráter absurdo do empreendimento tornou-se claro como água límpida, a guerra continuou durante quatro anos trágicos. A própria guerra engendra o ódio e uma vontade de retaliação. Quando uma grande potência começa uma guerra, ela "deve" ganhá-la, qualquer que seja o custo – para ela própria e sobretudo para os outros. 



Até o presente, para os agressores da OTAN o custo da guerra contra a Líbia é puramente financeiro e isso é compensado pela esperança de um pilhagem do país, quando ele for "libertado" e de que ele pagará para reembolsar aqueles que o bombardearam. Não é senão o povo líbio que perde vidas, bem como a sua infraestrutura. 



Durante a primeira guerra mundial existia um corajoso movimento de oposição à guerra que enfrentou a histeria e o chauvinismo deste período e que advogava em favor da paz. Seus membros arriscavam-se a ataques físicos, assim como à prisão. O modo como Hochchild conta a luta pela paz destes homens e destas mulheres na Grã-Bretanha deveria servir de inspiração – mas para quem? Os riscos implicados pela oposição à guerra na Líbia são mínimos em comparação com os que existiam aquando a guerra de 1914-1918. Mas no momento, uma oposição ativa é apenas visível. 

Isto é particularmente verdadeiro em França, país cujo presidente, Nicolas Sarkozy, teve a iniciativa de começar esta guerra. 



Acumulam-se os testemunhos das mortes de civis líbios, inclusive crianças, provocadas pelos bombardeios da OTAN (ver por exemplo o vídeo http://www.youtube.com/watch?v=vtS2qJeeXUA ). Estes bombardeios visam a infraestrutura civil, a fim de privar a maioria da população que vive na parte do país leal a Kadafi dos bens de primeira necessidade, da alimentação e da água, a fim de pressionar o povo a derrubar Kadafi. A guerra para "proteger os civis" já se tornou uma guerra para aterrorizá-los e atormentá-los de modo a que o CNT apoiado pela OTAN possa tomar o poder. 



Esta pequena guerra na Líbia mostra que a OTAN é ao mesmo tempo criminosa e incompetente. 

Mas ela mostra igualmente que as organizações de esquerda nos países da OTAN são totalmente inúteis. 

Provavelmente jamais houve uma guerra à qual fosse mais fácil opor-se. Mas a esquerda na Europa não se opõe. 



Há três meses, quando a histeria mediática a propósito da Líbia foi lançada pela televisão do Qatar, Al-Jazeera, a esquerda não hesitou em tomar posição. Algumas dezenas de organizações de esquerda francesas e norte-africanas assinaram um apelo por "uma marcha de solidariedade com o povo líbio" em Partis, a 26 de Março ( menilmontant.typepad.fr/... ).

Mostrando a sua total ausência de coerência, estas organizações exigiram, simultaneamente, por um lado "o reconhecimento do CNT, único representante legítimo do povo líbio" e, por outro, "a proteção dos residentes estrangeiros e dos migrantes" que, na realidade, deviam precisamente ser protegidos dos rebeldes representados por este conselho. Apoiando implicitamente operações militares de ajuda ao CNT, estes grupos apelavam também à "vigilância" a propósito da "duplicidade dos governos ocidentais e da Liga Árabe", bem como a uma "escalada" possível das operações militares. 



As organizações que assinavam este apelo incluíam grupos de oposições no exílio da Líbia, Síria, Tunísia, Marrocos e Argélia, assim como os Verdes franceses, o NPA, o Partido Comunista Francês, o Partido de Esquerda, o movimento anti-racista MRAP, o partido dos Indígenas da República e o ATTAC. Estes grupos representavam praticamente tudo o que há de organizado à esquerda do Partido Socialista – que, pelo seu lado, (com excepção de Emmanueli) apoiava a guerra sem sequer fazer apelo à "vigilância". 



Agora que aumenta o número de vítimas civis dos bombardeios da OTAN, não há nenhuma manifestação da vigilância prometida "a propósito da escalada da guerra" que saísse do quadro das resoluções do Conselho de Segurança da ONU. 



Os militantes que, em Março, insistiam em dizer que "devemos fazer alguma coisa" para travar um massacre hipotético hoje nada fazem para travar um massacre que não é hipotético mas sim muito real e visível, e perpetrado exatamente porque aqueles "fizeram alguma coisa". 



O erro fundamental daqueles que, à esquerda, dizem "nós devemos fazer alguma coisa" reside na ambiguidade da palavra "nós". Se eles querem dizer "nós" literalmente, então a única coisa que poderiam fazer seria por de pé espécies de brigadas internacionais para combater com os rebeldes. Mas naturalmente, apesar das grandes declarações segundo as quais "nós" devemos fazer "tudo" para apoiar o "povo líbio", esta possibilidade nunca foi seriamente considerada. 



Portanto o "nós" significa na prática as potências ocidentais, a OTAN e, sobretudo, os Estados Unidos, pois só eles possuem as "capacidades únicas" necessárias para travar uma tal guerra. 



As pessoas que gritam "devemos fazer alguma coisa" geralmente misturam duas espécies de exigências: uma que podem esperar de modo realista ser aceite pelas potências ocidentais – apoio aos rebeldes, reconhecimento do CNT como único representante legítimo do povo líbio – e outra que não podem absolutamente esperar de modo realista que seja aceite pelas grandes potências e que são elas próprias totalmente incapazes de executar: limitar os bombardeios a alvos militares e à proteção dos civis, assim como permanecer escrupulosamente no quadro das resoluções da ONU. 



Estes dois tipos de exigências contradizem-se uma à outra. Numa guerra civil, nenhuma das duas partes está preocupada principalmente com as sutilezas das resoluções da ONU ou com a proteção dos civis. Cada parte quer muito simplesmente ganhar e a vontade de retaliação leva muitas vezes a atrocidades. Se se "apoia" os rebeldes, dá-se-lhes na prática um cheque em branco para fazer o que eles considerarem necessário a fim de ganhar a guerra. 



Mas dá-se igualmente um cheque em branco aos aliados ocidentais e à OTAN, que talvez estejam menos ávidos de sangue que os rebeldes mas que têm à sua disposição meios de destruição muito maiores. E a OTAN é uma imensa burocracia – um dos fins essenciais da mesma é sobreviver. Ela deve absolutamente ganhar, senão terá um problema de "credibilidade", assim como os políticos que apoiaram esta guerra. E este problema poderia levar a uma perda de financiamento e de recursos. Uma vez que a guerra começou não há simplesmente nenhuma força no Ocidente, na ausência de movimentos anti-guerra determinados, que possa obrigar a OTAN a limitar-se ao que é autorizado pelas resoluções da ONU.

Em consequência, a segunda espécie de exigências da esquerda cai na orelha de um surdo. Estas exigências servem simplesmente para provar que a esquerda pró intervenção tem intenções puras. 

Ao "apoiar" os rebeldes, esta esquerda matou de facto o movimento anti-guerra. Com efeito, não tem sentido apoiar numa guerra civil um campo que quer desesperadamente ser ajudados por intervenções externas e, ao mesmo tempo, opor-se a tais intervenções. A direita pró intervenção é bem mais coerente. 



O que a esquerda e a direita pró intervenção têm em comum é a convicção de que "nós" (isto é, "o ocidente democrático civilizado") temos o direito e a capacidade de impor nossa vontade a outros países. Certos movimentos franceses (como o MRAP) que vivem literalmente da exploração da culpabilidade a propósito do racismo e do colonialismo, parecem ter esquecido que muitas das conquistas coloniais foram feitas contra sátrapas, príncipes indianos e reis africanos que eram denunciados como autocratas (o que de facto eram) e não parecem dar-se conta de que há alguma coisa de um tanto incongruente, para organizações francesas, em decidir quem são os "representantes legítimos" do povo líbio. 



Apesar dos esforços de alguns indivíduos isolados, nenhum movimento popular na Europa é capaz de travar ou mesmo enfraquecer o ataque da OTAN. A única esperança poderia ser um colapso dos rebeldes, ou uma oposição nos Estados Unidos, ou uma decisão da parte das oligarquias dominantes de limitar as despesas. Enquanto isso, a esquerda europeia perdeu uma ocasião de renascer opondo-se a uma das guerra manifestamente mais injustificáveis da história. A Europa inteira sofrerá com esta derrota moral.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Líbia: Parem a matança!

Diante da agressão imperialista e do assassinatos de inocentes por tropas estrangeiras, diante do saque e da tentativa de esquartejar uma nação, um revolucionário, por mais críticas que tenha, não tem dúvida de que lado escolher. OTAN, fora da Líbia!!!
A seguir um artigo muito bom, desde África para o mundo em defesa da Líbia.
Paulo Vinícius


1/8/2011, Alla Korusun, New Eastern Outlook – http://journal-neo.com/?q=node/8169 


Temos de reconhecer que nem todos os governantes africanos são covardes. O coronel Gaddafi, da Líbia, não se assustou com ameaças de EUA e OTAN. Não abandonou o país em busca de lugar sossegado onde se esconder e esconder a família.

O mais ignorante dos africanos já aprendeu, hoje, que ao tentar impor alguma ‘democracia’ na África, os EUA só fazem impor o próprio domínio para, em seguida, cuidar de resolver seus problemas de energia; e, também, porque interessa aos EUA bloquear a expansão econômica dos chineses que lançam olhos para o continente africano.

Ninguém pode não ver que, diferente de muitos outros governantes em todo mundo, Gaddafi nunca esqueceu as promessas que fez aos líbios. Gaddafi fez mais pela integração dos países africanos que toda a ONU. Sempre trabalhou para fazer da África interlocutor capaz de conversar em pés de igualdade com o ocidente colonizador e branco. Seu esforço foi limitado pelos interesses paroquiais e excessos de corrupção de vários de seus assessores; e pela falta de visão política de outros. Mas hoje, quanto mais cresce a violência da agressão estrangeira à Líbia, mais os cidadãos africanos vão abrindo os olhos.

Hoje constroem barricadas na própria terra, mas amanhã, quando os lacaios de Tio Sam lhes derem as costas – porque quem ande à caça de dinheiro fácil solidariza-se, com a mesma facilidade com que dá as costas e trai –  e forem deixados sozinhos, entregues às suas misérias econômicas, sociais e políticas, os povos africanos, embora tarde e por mais tarde que seja, com certeza se levantarão contra os “patrões” europeus e norte-americanos. E outra vez o mundo estará às voltas com mais guerras.

O problema será deixado aqui às nossas portas, para que a África resolva. E o Tio Sam esconder-se-á, fugindo da terrível ameaça para o outro lado do Oceano Atlântico, de onde continuará a enviar mercenários, armas, aviões e explosivos para sua cabeça-de-praia afroeuropeia.

Mais cedo ou mais tarde – tarde demais, como sempre – os EUA e seus satélites sairão da África, como sempre saem, como saíram do Vietnã, de Angola e do Afeganistão, sem dar ouvidos à condenação da comunidade internacional. E deixarão a Europa e a África a lamber as próprias feridas. E longe, bem longe, os EUA já se estarão preparando para recolher os lucros de mais uma (nova) guerra.

O neocolonialismo não acontecerá! Os países africanos não podem ser controlados ou pressionados! Os cidadãos africanos nunca o admitirão. E, não, não desejo para a África, que viu tantos homens e mulheres partir escravizados pelos oceanos, ter de relembrar aquele passado!

Não mencionei deliberadamente as várias fés religiosas, que já lutam ou em breve estarão lutando entre elas. Não são fator determinante, mas só até que os regimes que hoje governam os países africanos sejam obrigados a realinhar-se, a fazer algum “reset”, por artificial ou falso ou forçado que seja. O pretexto só superficialmente válido – a democracia – é “a pior forma de governo, exceto todas as demais que se tentaram” (Winston Churchill). Nesse caso, armas de precisão e bombas teleguiadas por GPS e laser são usadas como ferramentas de democratização.

Mas como já se vê, até as “bombas” mais confiáveis “erram” e matam civis inocentes. Se Muammar Gaddafi for morto, resolver-se-á talvez a questão de democratizar a Líbia e a África?

Mais dia menos dia, conheceremos a verdade dos novos pactos secretos de repartição do mundo. Haverá mais segredos revelados por atores como WikiLeaks, e não tenho dúvida de que haverá revelações sensacionais.

Europeus e todos os demais têm de entender que sua ‘democracia’ está pisando nos calos de muitos povos. Esses povos jamais esquecerão. Os povos têm memória muito mais longa que seus governantes. Relembrem o passado, cavalheiros. Considerem o futuro e parem imediatamente a matança!

Pode-se pôr fim à guerra com uma bandeira branca. E o primeiro a levantá-la pode ainda entrar para a história como verdadeiro pacificador e legítimo herói da democracia.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Bombardeio da Otan mata 31 civis em Trípoli

O portavoz da Líbia denunciou que 31 pessoas foram mortas nesta terça-feira no bombardeio mais violento da Otan (aliança militar ocidental) sobre a Líbia desde o início da intervenção internacional no país, que vitimou até agora mais de 700 civis.

"A Otan realizou um ataque vingativo sobre Trípoli, que foi bombardeada com mais de 60 bombas", afirmou o portavoz do da Jamahiriya (Poder Popular) Árabe Líbia Musa Ibrahim.

Ele afirmou que os principais alvos da aviação da Otan foram o complexo residencial de Kadafi no bairro de Bab al Azizia e a estrada ao sul de Trípoli que leva ao aeroporto internacional. Até meses atrás uma empresa brasileira estava construindo o novo aeroporto de Trípoli, o maior e mais moderno do mundo árabe. As obras foram interrompidas por causa dos bombardeios criminosos dos EUA, França e Inglaterra.

Os recentes bombardeios aconteceram durante o dia, indicando que a aviação estrangeira ocidental está pouco preocupada com a população civil líbia, contrariando a decisão da ONU e desafiando todas as leis internacionais.

Muamar Kadafi disse nesta terça-feira que irá "lutar até o fim", em uma mensagem de áudio transmitida ao vivo pela TV estatal.

As declarações foram feitas depois que a Otan intensificou os ataques aéreos em Trípoli.

"Nós temos só uma escolha: vamos ficar em nossa terra, vivos ou mortos", disse Kadafi.

Ao descrever os bombardeios e sobrevoos da Otan em torno do complexo presidencial, Kadafi desafiou: "Nós somos mais fortes que seus mísseis, mais fortes que seus aviões e a voz do povo líbio é mais alta que as suas explosões", disse.

Esses ataques demonstram que as Nações Unidas fracassaram totalmente em seus objetivos de promover a paz no mundo, colocando-se a serviço de potências ocidentais criminosas que promovem ataques terroristas contra a população civil líbia, para roubar petróleo. E o que é muito pior, revelam que a comunidade internacional é covarde ou cúmplice de assassinatos em massa quando praticados por países poderosos.

Artigo publicado no site www.amarchaverde.blogspot.com

terça-feira, 29 de março de 2011

TeleSURtv.net - Libia nombra a nicaragüense Miguel D` Escoto como su representante ante la ONU

TeleSURtv.net - Libia nombra a nicaragüense Padre Miguel D` Escoto como su representante ante la ONU:

El Gobierno libio nombró este martes como representante del país norteafricano ante la Organización de las Naciones Unidas (ONU) al ex canciller de Nicaragua, Padre Miguel D' Escoto.

“El Comité Popular General de Enlace Exterior y Cooperación Internacional comunicar a vuestra Excelencia que la Jamahiria ha decidido nombrar al Señor Miguel D’Escoto Brockmann, ex Ministro del Exterior de Nicaragua como su representante de las Naciones Unidas en Nueva York”, anunció el canciller libio, Moussa Kusa, en una carta enviada al Secretario General de la ONU, Ban ki-moon.

La minuta informa que D`Escoto está autorizado para hablar en nombre del pueblo libio ante los órganos del Sistema de Naciones Unidas.

Precisa que la decisón se toma luego que Ali Abdussalam Treki, que fue nombrado representante de Libia en una carta del pasado 4 de marzo, no pudiera iniciar sus obligaciones como representante de Libia por no conseguir visa de entrada al territorio de Estados Unidos de América.

Por su parte, el presidente de Nicaragua, Daniel Ortega pidio a D' Escoto aceptar el nombramiento y representar al pueblo y al Gobierno libio en su lucha por restablecer la Paz y defender su legítimo derecho a resolver sin injerencia externa sus conflictos nacionales.

El pasado 24 de marzo, D' Escoto había viajado a Nueva York a fin de coordinar en la ONU los esfuerzos de Nicaragua con otros países para tratar de poner fin a la agresión contra Libia.

El viaje respondía a instrucciones precisas del presidente nicaragüense,que le indicó "luchar de la forma más efectiva para buscar que se detenga la masacre en Libia", declaró el padre D'Escoto antes de partir, reportó la emisora capitalina La Nueva Radio Ya en su sitio Web.

"Vamos en manifestación de solidaridad con el gran pueblo libio, a encontrar la paz a través de la justicia y los métodos pacíficos", dijo el sacerdote de la orden de los Maricknoll, de acuerdo con la misma fuente.

Destacó que la masacre que está cometiendo Estados Unidos, Reino Unido, Francia y otros aliados contra Libia, "nos incumbe a todos porque es un quebrantamiento de la paz, es una violación al derecho internacional y no lo podemos dejar pasar".

Según D' Escoto, el presidente estadounidense, Barack Obama, excedió a su predecesor, George W. Bush, y Washington, por sus prácticas imperiales y su política exterior, "constituye la peor amenaza a la paz y a la seguridad internacional, llevando a la humanidad al borde de la extinción".

D' Escoto fue presidente del sexagésimo tercer período de sesiones de la Asamblea General de las Naciones Unidas, de junio de 2008 a septiembre de 200, por lo que conoce al detalle las estructuras y el funcionamiento de la organización y aboga por la reforma y la democratización de esa organización mundial.

teleSUR-Prensa Latina/ nh- MM


El Gobierno libio nombró este martes como representante del país norteafricano ante la Organización de las Naciones Unidas (ONU) al ex canciller de Nicaragua, Padre Miguel D' Escoto.

“El Comité Popular General de Enlace Exterior y Cooperación Internacional comunicar a vuestra Excelencia que la Jamahiria ha decidido nombrar al Señor Miguel D’Escoto Brockmann, ex Ministro del Exterior de Nicaragua como su representante de las Naciones Unidas en Nueva York”, anunció el canciller libio, Moussa Kusa, en una carta enviada al Secretario General de la ONU, Ban ki-moon.

La minuta informa que D`Escoto está autorizado para hablar en nombre del pueblo libio ante los órganos del Sistema de Naciones Unidas.

Precisa que la decisón se toma luego que Ali Abdussalam Treki, que fue nombrado representante de Libia en una carta del pasado 4 de marzo, no pudiera iniciar sus obligaciones como representante de Libia por no conseguir visa de entrada al territorio de Estados Unidos de América.

Por su parte, el presidente de Nicaragua, Daniel Ortega pidio a D' Escoto aceptar el nombramiento y representar al pueblo y al Gobierno libio en su lucha por restablecer la Paz y defender su legítimo derecho a resolver sin injerencia externa sus conflictos nacionales.

El pasado 24 de marzo, D' Escoto había viajado a Nueva York a fin de coordinar en la ONU los esfuerzos de Nicaragua con otros países para tratar de poner fin a la agresión contra Libia.

El viaje respondía a instrucciones precisas del presidente nicaragüense,que le indicó "luchar de la forma más efectiva para buscar que se detenga la masacre en Libia", declaró el padre D'Escoto antes de partir, reportó la emisora capitalina La Nueva Radio Ya en su sitio Web.

"Vamos en manifestación de solidaridad con el gran pueblo libio, a encontrar la paz a través de la justicia y los métodos pacíficos", dijo el sacerdote de la orden de los Maricknoll, de acuerdo con la misma fuente.

Destacó que la masacre que está cometiendo Estados Unidos, Reino Unido, Francia y otros aliados contra Libia, "nos incumbe a todos porque es un quebrantamiento de la paz, es una violación al derecho internacional y no lo podemos dejar pasar".

Según D' Escoto, el presidente estadounidense, Barack Obama, excedió a su predecesor, George W. Bush, y Washington, por sus prácticas imperiales y su política exterior, "constituye la peor amenaza a la paz y a la seguridad internacional, llevando a la humanidad al borde de la extinción".

D' Escoto fue presidente del sexagésimo tercer período de sesiones de la Asamblea General de las Naciones Unidas, de junio de 2008 a septiembre de 200, por lo que conoce al detalle las estructuras y el funcionamiento de la organización y aboga por la reforma y la democratización de esa organización mundial.

teleSUR-Prensa Latina/ nh- MM

terça-feira, 1 de março de 2011

EUA movimentam forças militares para cercar a Líbia - Portal Vermelho

EUA movimentam forças militares para cercar a Líbia - Portal Vermelho

Horas depois de a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, ter afirmado que uma intervenção militar na Líbia é uma opção considerada por seu país, as Forças Armadas dos Estados Unidos começaram a ser reposicionadas nos arredores do país africano.

O porta-voz do Departamento de Defesa, coronel Dave Lapan, disse que a equipe de planejamento do Pentágono trabalha com várias opções e planos de contingência e, como parte desses, estava reposicionando suas forças navais e aéreas.

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O porta-voz Lapan não negou que os EUA estão considerando intervir militarmente na Líbia. Os EUA contam com força militar poderosa no Mar Mediterrâneo e têm dois porta-aviões mais ao sul, na área do golfo Pérsico.

"Nós temos planejadores trabalhando e vários planos de contenção e eu acho que é seguro dizer que como parte disso estamos reposicionando nossas forças para sermos capazes de dar esta flexibilidade assim que as decisões forem tomadas", disse.

Congelamento de bens

O presidente americano, Barack Obama, assinou uma ordem executiva para congelar todos os ativos de Muamar Kadafi, sua família e membros de seu regime, algo que não foi feito em relação aos regimes de países árabes que também estão sacudidos por revoltas populares, como o Iêmen e o Barein.

Durante uma reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, admitiu que a opção de declarar uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia "está sobre a mesa", entre outras medidas.

"A zona de exclusão aérea é uma opção que estamos considerando atualmente. Todas as opções estão sobre a mesa", disse em entrevista coletiva.

A secretária de Estado alegou que a zona de exclusão aérea é uma das opções consideradas para "pressionar o regime" de Kadafi e que há "um número de ações potenciais" que poderiam ser aplicadas nos próximos dias, "especialmente do lado europeu". Além da Itália, a Austrália já manifestou apoio à aplicação da zona de exclusão aérea.

Outra medida discutida no encontro de Genebra foi a possibilidade de um calote nos pagamentos à Líbia durante 60 dias. A opção foi proposta pela Alemanha e, apesar de ter mais apoios que a da "exclusão aérea", não obteve consenso para ser adotada a curto prazo.

"Está na hora de Kadafi sair”, trovejou Hillary. "Queremos que a violência acabe. Se Kadafi saísse e a violência acabasse, seria um bom passo, mas não devemos esquecer que ele deve pagar por seus atos", afirmou a chefe da diplomacia americana.

Hillary não pronunciou uma palavra sobre a repressão violenta que a monarquia de Barein tem cometido contra os manifestantes na capital do país, Manama, e na revolta popular do Egito o regime americano só mostrou um débil apoio à iniciativa popular depois da certeza de que o regime Mubarak era caso perdido.

No Barein, o exército Real disparou, com munição real ou usando armamento antiaéreo, contra manifestantes que protestavam com flores. Helicópteros Bell, de fabricação americana, sobrevoaram, perseguiram e assassinaram pessoas. Mesmos crimes que são atribuídos a Kadafi na repressão às manifestações na Líbia. No entanto, nenhuma voz de protesto ou a favor da condenação do regime bareinita foi levantada nos Estados Unidos ou nos seus aliados.

O Barein é um satélite importante dos Estados Unidos no Oriente Médio por abrigar a 5.ª Frota da Marinha americana, que vigia a região do Golfo Pérsico ao Mar Vermelho e leste da África. A frota americana inclui porta-aviões e destróieres, além de embarcações menores de assalto. Cerca de 4.500 americanos, civis e militares, moram na base de Juffairare, na periferia da capital Manama.

Critérios diferentes

Os líderes revolucionários latino-americanos, Fidel Castro e Hugo Chávez, já tinham advertido para os critérios diferentes utilizados pelo imperialismo norte-americano e seus aliados da União Europeia relativamente aos diferentes cenários do que se convencionou chamar de Revolta Árabe.

A brutalidade da ação imperialista para com a Líbia é tamanha, a ofensiva é tão forte que parece muito provável a queda do regime de Kadafi.

A esta altura a situação da Líbia é muito complexa e nenhuma solução parece satisfatória a quem se preocupa pela paz no mundo e por uma saída política para os conflitos. A tal ponto que o secretário-geral da ONU, Ban ki-moon despachou nesta segunda-feira com o presidente dos Estados Unidos na Casa Branca, examinando conjuntamente as “opções” que madame Clinton diz não descartar. É bem o sinal da decadência das instituições multilaterais, inteiramente instrumentalizadas pelo imperialismo.

É algo sobre o que as forças progressistas e amantes da paz teriam que refletir profundamente para não cair no conto do multilateralismo retórico que apenas serve de biombo para o unilateralismo e a política de força.

As possíveis saídas para a situação da Líbia são dramáticas. A permanência de Kadafi no poder será combustível ao fogo da guerra civil. Sua resistência à base de atitudes de desespero, poderá dar o pretexto à invasão das tropas norte-americanas, da Otan ou dos capacetes azuis. A ameaça de que tal intervenção se concretize é hoje o maior fator de pressão do imperialismo sobre Kadafi.

Rebelião pré-ordenada

A evolução dos acontecimentos na Líbia nas duas últimas semanas mostrou que muito ao contrário do que se passou na Tunísia e no Egito, onde houve uma explosão popular espontânea, ali ocorreu uma espécie de rebelião pré-ordenada, combinada com uma estrepitosa cisão do governo e das forças armadas apoiadas por forças reacionárias internas e pelas potências externas.

O grupo dirigente, chefiado pelo coronel Kadafi, outrora um líder nacionalista e anticolonialista, degenerou no poder, transformou-se numa espécie de autocracia familiar ou oligárquica e ultimamente se perdeu em atitudes erráticas, que culminaram no estabelecimento de relações ambíguas com as potências imperialistas.

Num ambiente de dificuldades para a imensa maioria do povo, de concentração de riqueza, corrupção, divisões tribais e em meio à montagem de um cenário para uma sucessão dinástica que desagradou as forças armadas, convergiram diferentes tipos de descontentamentos que tiveram a oportunidade de explodir a partir dos acontecimentos nos demais países do norte da África, principalmente Tunísia e Egito.

Os acontecimentos na Líbia são emblemáticos de como agem o imperialismo e a sua mídia. Desde os primeiros dias, não eram apenas manifestações pacíficas e democráticas, conduzidas por jovens, intelectuais e políticos democráticos, como no Egito e na Tunísia.

Na verdade, logo no início da rebelião na Líbia, surgiram focos de um conflito armado, uma guerra civil, com tanques e armas pesadas dos dois lados. Os Estados Unidos e a Europa, que posam de democráticos, e a sua mídia da “liberdade de expressão” deram voz, força e o status de “oposição” aos remanescentes do poder tribal, da monarquia retrógrada derrubada há mais de quatro décadas e aos representantes do que há de mais obscurantista não só no Magreb mas também no Mashrek, como são designados o Ocidente e o Oriente no mundo árabe.

Disputa entre potências?

Certamente, estas são apenas as primeiras escaramuças de uma história sem fim previsível. Seu leitmotiv e sua “moral” é o petróleo cada vez mais escasso. Pela mesma razão as potências imperialistas, com os EUA à frente, ameaçam o regime dos aiatolás no Irã, desde que o fantoche pró-americano, o xá Reza Pahlevi, foi destronado há 32 anos pela revolução popular. No Iraque já vão na segunda guerra de agressão e lá os imperialistas se encontram empantanados e desmoralizados.

É preciso estudar a fundo as razões por que os Estados Unidos e seus aliados europeus se pronunciam com tamanha virulência e estão prontos para intervir militarmente. A Líbia é grande fornecedora de petróleo também para a China.

Nos últimos dias, 30 mil chineses que trabalhavam em diferentes atividades foram evacuados do país. É um numero surpreendentemente revelador da intensa atividade econômica chinesa na Líbia. O mesmo se passa em quase toda a África, que pode estar se tornando no novo alvo de uma disputa entre uma potência declinante e outra emergente.

Não é à toa que os Estados Unidos estão instalando o Comando Africano, apelidado de Africom, um dispositivo militar múltiplo envolvendo bases militares e instalação de equipamentos bélicos. Pode ter o mesmo sentido a preocupação dos think tanks ligados ao Pentágono com a disputa pela hegemonia militar no Oceano Índico, que banha precisamente o lado oriental da África.

José Reinaldo Carvalho e Humberto Alencar, com informações das agências

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