Valdemar Menezes
Jornalista, analista político
Adital
A execução de Muammar Kadhafi, segundo é corrente nos meios informados, foi uma operação planejada com muita antecedência. As potências ocidentais não queriam que ele tivesse uma tribuna de onde pudesse falar sobre acertos constrangedores, no passado, com seus atuais carrascos. Quando foram encontrados os arquivos secretos, no seu palácio, revelando as operações conjuntas com serviços de inteligência dos Estados Unidos e países europeus, sua sentença de morte teria sido definida. Não se deveria dar oportunidade para ele revelar tais segredos diante de um Tribunal Penal Internacional. Daí porque os aviões da Otan foram empregados para matá-lo, quando fugia do cerco de seus inimigos num comboio. Caso escapasse, os rebeldes se encarregariam de completar o serviço - como de fato aconteceu. Só que a ação da Otan foi totalmente ilegal. Aliás, toda a sua intervenção, nos moldes em que se deu, violou os limites do mandato recebido do Conselho de Segurança da ONU. O cinismo e o descaramento, já observados no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão (vide a morte e o desaparecimento do cadáver de Osama Bin Laden) repetiram-se agora, na justificativa da operação contra o dirigente líbio.
TRAVE NOS OLHOS
Agora que Kadhafi foi acolhido (quer se queira ou não) no panteão dos mártires da causa árabe, se transformará, provavelmente, numa grande força simbólica a alimentar a luta dos que são movidos pela defesa do interesse nacional. Muito pior (do ponto de vista moral) do que o primitivismo de seu regime é o escândalo de se flagrar um Estado que se diz democrático e civilizado, como os EUA, torturando prisioneiros, instalando prisões clandestinas, bombardeando populações civis e liberando seu serviço secreto para assassinar desafetos (chefes de estado, lideranças políticas e comunitárias estrangeiras) sem que seus dirigentes sejam julgados por crimes contra a humanidade, como, aliás, pede a Anistia Internacional. Por que deixar de acentuar também que a Líbia apresentava o mais alto IDH da África (sem que isso absolva os crimes do regime derrubado)?
AÇODAMENTO
Uma denúncia contra o PCdoB é um prato feito para todos os preconceitos arraigados contra os comunistas e a esquerda em geral. Faltou apenas esperar pelas provas, antes de se tentar desmoralizar um dos mais respeitáveis partidos do Brasil, com uma história de 90 anos (se tomada como referência a data de fundação também reivindicada pelo PCB) de dedicação à causa da justiça social (e que pagou um alto preço em termos morte, tortura e exílio de vários quadros por conta desses ideais). Claro, nenhum partido sério é absolutamente imune a uma traição pelas costas, cometida por algum integrante mal intencionado ("plantado” ou não). Mas, os açuladores contra os comunistas se traem em seu açodamento exagerado. Mandam às favas a presunção de inocência, e ainda se apresentam como guardiães do Estado Democrático de Direito. É por essa e por outras que eles têm naufragado fragorosamente no empenho de levar gente à rua contra o atual governo, sob o pretexto de combater a corrupção. Não têm credibilidade.
Mostrando postagens com marcador Kadafi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Kadafi. Mostrar todas as postagens
sábado, 29 de outubro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Conversa Afiada:Santayana e Kadafi: chega de sangue | Conversa Afiada
Santayana e Kadafi: chega de sangue | Conversa Afiada
O Conversa Afiada republica texto de Mauro Santayana, extraído do JB:
Chega de sangue
por Mauro Santayana
Diante da imagem de Kadafi trucidado, e dos aplausos de Mrs. Clinton e de dirigentes franceses, ao ver o homem seminu e ensangüentado, recorro a um testemunho indireto de Henri Beyle – o grande Stendhal, autor de Le Rouge e le Noir – de um episódio de seu tempo. Beyle foi oficial de cavalaria e secretariou Napoleão por algum tempo. Em 1816, em Milão, Beyle ficou conhecendo dois viajantes ingleses, o poeta Lord Byron e o jovem deputado whig John Hobhouse. Coube a Hobhouse relatar o encontro, no qual Beyle impressionou a todos os circunstantes, narrando fatos da vida de Napoleão. São vários, mas o que nos interessa ocorreu logo depois da volta do general a Paris, em seguida à derrota em Moscou. Durante uma reunião do Conselho de Estado, da qual Beyle foi o relator, descobriu-se que Talleyrand havia escrito três cartas a Luís de Bourbon, que restauraria, dois anos mais tarde, o trono. As cartas, que se iniciavam com o reconhecimento de vassalagem, no uso do pronome “Sire”, revelavam que o bispo já conspirava contra o Imperador. Os membros do Conselho decidiram que Talleyrand devia ser castigado com rigor – ou seja, condenado à morte. Só um homem, e com a autoridade de “arquichanceler” do Império, Cambacérès, se opôs, com voz firme: Comment? toujours de sang? Napoleão, que estava deprimido com as cenas de seus soldados mortos no campo de batalha, ficou em silêncio.
O sangue que se verteu no século passado devia ter bastado, mas não bastou. Iniciamos este novo milênio com muito sangue e a promessa de novas carnificinas. O cinismo dos que exultam agora com a morte de Kadafi, ao que tudo indica linchado pelos seus inimigos, após a captura, dá engulhos aos homens justos. Os que levaram a ONU a aprovar os bombardeios brutais da OTAN contra a população líbia haviam sido, até pouco tempo antes, parceiros do coronel na exploração de seu petróleo, indiferentes a que houvesse ou não liberdade naquele país. Mas Kadafi não era apenas o ditador megalômano, que vivia no luxo de seus palácios e que promovia festas suntuosas para o jet-set internacional. Ele fizera radical redistribuição de renda em seu país, mediante uma política social exemplar, com a criação de universidades gratuitas, a construção de hospitais modernos e com a assistência à saúde universal e gratuita. Quanto à repressão, ele não foi muito diferente da Arábia Saudita e de outros governos da região, e foi muito menos obscurantista para com as mulheres do que os sauditas.
Apesar das cenas horripilantes de Sirte, que fazem lembrar as de Saddam Hussein aprisionado e, mais tarde, enforcado, além das usuais que chegam da África, há sinais de que os homens começam a sentir nojo de tanto sangue. É alentador, apesar de tudo, que o governo de Israel tenha aceitado acordo com os palestinos, para a troca de prisioneiros. É também alentador que os bascos hajam renunciado à luta armada e preferido o combate político em busca de sua independência. E é bom ver as multidões reunidas, em paz, em todos os paises do mundo, contra os ladrões do sistema financeiro internacional – não obstante a violência, de iniciativa de agentes provocadores, como ocorreu em Roma,e a costumeira brutalidade policial, na Grécia, na Grã Bretanha e nos Estados Unidos.
Há, sem dúvida, os que sentem a volúpia do cheiro de sangue, associado à voracidade do saqueio. A reação atual dos povos provavelmente interrompa essa ânsia predadora dessas elites européias e norte-americanas – exasperadas pela maior crise econômica dos últimos oitenta anos e ávidas de garantir-se o suprimento de energia de que necessitam e a preços aviltados.
É preciso estancar a sangueira. O fato de que sempre tenha havido guerras não significa que devemos aceitá-las entre as nações e entre facções políticas internas. Como mostra a História, o recurso às armas tem sido iniciativa dos mais fortes, e diante dele só cabe a resistência, com todos os sacrifícios.
No fundo das disputas há sempre os grandes interesses econômicos, que se nutrem do trabalho semi-escravo dos povos periféricos, como se nutriram grandes firmas alemãs, ao usar judeus, eslavos e comunistas, como escravos, em aliança com Hitler.
A frase é um lugar comum, mas só o óbvio é portador da razão: os que trabalham e sofrem só querem a paz, para que usufruam da vida com seus amigos, seus vizinhos, suas famílias.
O odor do sangue é semelhante ao odor do dinheiro, e excita os assassinos para que trucidem e se rejubilem com a morte – como se rejubilaram ontem, diante do corpo humilhado de Kadafi, a Secretária de Estado dos Estados Unidos e os arrogantes franceses. Há três dias, em Trípoli, a senhora Clinton disse a estudantes líbios, que esperava que Kadafi fosse logo capturado ou morto. Nem Condoleeza Rice, nem Madeleine Albright seriam capazes de tamanho desprezo pelos direitos de qualquer homem a um julgamento justo. Esse direito lhe foi negado pelas hordas excitadas por Washington e Paris, com a cumplicidade das Nações Unidas – e garantidas pelas armas da OTAN.
Não que Kadafi tenha sido santo: era um homem insano, e tão insano que acreditou, realmente, que os americanos, italianos e franceses, quando o lisonjeavam, estavam sendo sinceros.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Julgamento? Democracia? Humanidade? Olhe o que foi classificado como dia histórico pela imprensa fascista: o assassinato de Kaddafi.
Imagens verdadeiramente obscenas e tristes, que só divulgo por um dever de consciência.
Os criminosos nazistas foram julgados em Nuremberg.
O mundo é cada vez mais assustador e a barbárie é agora. Assista as imagens e veja o que a imprensa mundial celebra como dia histórico. Pense detidamente se o que vê corresponde a seus valores de justiça, democracia e humanidade. A mim me causa asco e revolta, independentemente de quem fosse. Nem de longe posso celebrar a barbárie.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Filho de Kadafi não está preso e a luta contra a OTAN segue em Tripoli
Do Blog Na Práxis
Mais uma barrigada do PIG internacional: Saif Al Islam, que supostamente estaria preso e para ser deportado para Haia, aparece nas ruas da capital Líbia... A qual estaria sob controle, quase que total, dos tais "rebeldes"
La batalla del petróleo libio comienza ahora
Infografía de Ria Novosti
Por Iñigo Sáenz de Ugarte
Guerra Eterna
Guerra Eterna
Los italianos han sido los más rápidos. ¿Para qué disimular? Italia ya tiene planes para el petróleo libio antes de que sepa exactamente quién gobernará ese país. El ministro italiano de Exteriores, Franco Frattini, ha sido muy claro. La petrolera Eni “será la número 1 en el futuro” de Libia. Frattini ha llegado a decir que técnicos de Eni están ya en la zona oriental para examinar cuándo se puede reanudar la producción de crudo. La empresa italiana lo ha desmentido después.
Assinar:
Postagens (Atom)
Coletivizando no Youtube
-
Dilma vence debate da Globo e aumenta chances de vitória no dia 3 - Portal Vermelho Aconteceu tudo ao contrário do que a oposição esperava. ...
-
A unidade é a bandeira da esperança. João Amazonas ¿Por qué no unirnos? Y luchamos como hermanos Por la Patria que está herida Nuestra Patr...