quinta-feira, 11 de outubro de 2018
sábado, 6 de outubro de 2018
Tudo, menos o PT”. Antipetismo empedernido ou o perfeito bode expiatório das forças conservadoras. - Daniela Gontijo
Como uma pessoa que estuda violência há 15 anos eu tenho algumas coisas a dizer sobre o momento político que estamos vivendo. Fiz uma tese de doutorado sobre violência, mímesis, contágio. Estudei a estratégia do bode expiatório que, para mim, vem tomando proporções escabrosas no Brasil.
Entendo a estratégia do bode expiatório como um dos pilares do golpe que podemos sintetizar no Grande Acordo Nacional – “Tem que mudar o governo para estancar essa sangria", disse Romero Jucá. Trocando em miúdos, trata-se de uma estratégia para desmontar o estado de bem estar social que já era capenga, para servir aos interesses do grande capital.
Não sou petista e fiz muita oposição ao Governo Dilma e às escolhas catastróficas de um modelo econômico conservador e predatório. Mas é tão óbvio que o PT se tornou um bode expiatório e que o ódio ao PT é um catalisador de temores e insatisfações, projeto das elites e da grande mídia pra manipular pessoas. Eu tenho visto tanta gente conhecida que já não reconheço: de uns tempos pra cá enrubesce ao falar, trava o queixo, baba de ódio. O fenômeno tem sido relatado por amigas/os também sobre familiares e colegas.
Não tem nada com mais força na sociedade que catalisar os ódios num insígnia única. É densamente amalgamador e se potencializa numa espécie de tautologia, como se tudo passasse a justificar esse ódio e o ódio também passasse a balizar tudo.
Um sinal contundente do êxito da estratégia do bode expiatório é a relativização de todo o resto. Quem comprou o “Ódio ao PT” não odeia, não de um modo contundente e avassalador, o Jair Bolsonaro, o Michel Temer, o Aécio Neves, o Gilmar Mendes, o golpe jurídico-midiático, o “grande acordo nacional, com Supremo, com tudo”. Não discursa, com indignação contra nenhum deles. PEC do congelamento, retrocesso de direitos, fascismo, homofobia, racismo, machismo, apologia ao estupro, apologia à tortura. Não odeia nada disso. As coisas mais hediondas não cabem na indignação de quem comprou o ódio único ao PT. Mas o antipetismo empedernido é nada mais, nada menos que um projeto de manipulação feito em modelos consolidados historicamente.
O antropólogo René Girard dedicou uma vida ao estudo do tema com centenas de livros publicados. Em sociedades em crise, as massas, focadas no bode expiatório, elegem a vítima sacrificial, que nunca é a verdadeira culpada. Hordas sociais catapultam o ódio e expurgam a vítima. Apesar de parecer um movimento espontâneo, há sempre o interesse de uma elite por trás, que precisa poupar o verdadeiro culpado e zelar pelo status quo. Por isso, a vítima sacrificial é sempre uma figura que foi marginalizada, que carrega um estigma, o que torna mais fácil sua designação como bode expiatório.
Evidente que o PT não é uma quadrilha, tampouco o partido que mais roubou na história do país. Muito pelo contrário, tirou o país do mapa da fome e estamos aí, nesse exato momento, vendo retrocessos na educação, na saúde, na assistência social etc. Teve Fies, teve Prouni, teve “Ciência sem fronteira”, teve “Fome zero”, teve “Minha casa, minha vida” e tanta política pública acertada que o Lula tem recolhido reconhecimento em todo canto do mundo e acaba de ganhar seu 35o honoris causa. Teve problema? Teve muito! Mas nada diferente nem pior do que os que sempre estiveram no poder. E certamente nada que justifique catalisar ódios num partido só. E em geral, quando a pessoa vem com o “fora todos”, é eleitora do inominável, se não no 1o, no 2o turno, e sequer se dá conta de como seu ódio segue exclusivista. Porque outro sintoma que constato do bode expiatório e da onda de ódio é o ofuscamento para o restante.
O ódio, já dizia Sara Ahmed, é pegajoso. Mobiliza-se mais gente que se junta contra algo do que a favor. O ódio tem essa potência do expurgo. Nada é mais agregador que o ódio. E a estratégia de manipulação via bode expiatório tem dado certo por toda a história mundial. No Brasil, agora vemos no “tudo, menos PT”, a ascensão do autoritarismo, o declínio do diálogo e o escalonamento da intolerância e agressividade. Pra quem brinca com fogo e acha que Jair não fará o que diz, Jessé Souza já nos relembrou que Hitler já avisara tudo que faria. Se você é do tipo “tudo, menos PT”, você cogita votar num ser extremamente perigoso, que propaga e estimula o ódio, banaliza a violência e cuja propaganda é uma mão em forma de arma. Um ser que diz que “o erro da ditadura foi torturar e não matar”, e que já deveria estaria preso, se nosso país fosse sério. Se você cogita votar nele, você certamente foi tomado/a pelo Ódio Único e anda relativizando o oco. O oco é a cara do fascismo. O oco tem a cara de uma pessoa que não articula nem o bê-a-bá da economia, que já foi condenado por apologia ao estupro e comentário racista, que tem como herói um torturador sanguinolento, responsável por 45 mortes e desaparições, exaltado pelo Jair em rede nacional. O oco é a cara do seu ídolo Brilhante Ustra, que torturou uma mulher grávida de 7 meses e levou duas crianças, uma de 4, outra de 5 anos, para assistir os pais torturados, sujos de fezes e vômito.
Horror não se relativiza. Não queiramos ver o oco. Todo mundo perde.
Muçulmanos e judeus se unem no Brasil em manifesto - #eleNAO
Uma dúzia de entidades das comunidades judaica e muçulmana divulgou uma declaração conjunta nesta sexta-feira contra o candidato do Partido Social Liberal (PSL) à presidência do Brasil, Jair Bolsonaro.
"Nós, muçulmanos e judeus, sabemos os horrores da islamofobia e antissemitismo, temos a sensibilidade aguçada para perceber que de todas as barbaridades proferidas por este candidato, o mais emblemático, afetando diversos segmentos, foi que a as minorias devem se curvar à maioria", diz um fragmento da nota.
Os signatários do manifesto enfatizam que estão unidos "contra o inimigo comum" de muitos setores de minoria, mas o estresse que sua luta não se limita ao candidato presidencial", e sim "tudo o que ele representa e todos que reproduzem seu discurso".
"Nossa bandeira comum, como muçulmanos e judeus, é parar todas as formas de violência, preconceito e qualquer outro elemento que baseie o projeto fascista daquele homem e seus seguidores", disseram eles.
Entre os signatários do manifesto são organizações "muçulmanos contra Bolsonaro", "manifesto muçulmano contra o fascismo", a mesquita Sumayyah Bint Khayyat de Embu das Artes (São Paulo), a delegação do Brasil do partido sionista de esquerda Meretz judaica, e o Fórum dos Judeus-Sionistas-Socialistas Pró-Palestina.
Em 29 de setembro, membros de alguns desses grupos participaram das manifestações que as mulheres organizaram em todo o país e em várias cidades do mundo contra o candidato de direita.
Bolsonaro lidera as intenções de voto antes das eleições que acontecem no domingo, 7 de outubro. De acordo com a pesquisa divulgada pelo Datafolha, ele tem 35% de apoio, bem à frente do segundo colocado Fernando Haddad (PT), que tem o apoio de 22%.
"Nós, muçulmanos e judeus, sabemos os horrores da islamofobia e antissemitismo, temos a sensibilidade aguçada para perceber que de todas as barbaridades proferidas por este candidato, o mais emblemático, afetando diversos segmentos, foi que a as minorias devem se curvar à maioria", diz um fragmento da nota.
Os signatários do manifesto enfatizam que estão unidos "contra o inimigo comum" de muitos setores de minoria, mas o estresse que sua luta não se limita ao candidato presidencial", e sim "tudo o que ele representa e todos que reproduzem seu discurso".
"Nossa bandeira comum, como muçulmanos e judeus, é parar todas as formas de violência, preconceito e qualquer outro elemento que baseie o projeto fascista daquele homem e seus seguidores", disseram eles.
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Em 29 de setembro, membros de alguns desses grupos participaram das manifestações que as mulheres organizaram em todo o país e em várias cidades do mundo contra o candidato de direita.
Bolsonaro lidera as intenções de voto antes das eleições que acontecem no domingo, 7 de outubro. De acordo com a pesquisa divulgada pelo Datafolha, ele tem 35% de apoio, bem à frente do segundo colocado Fernando Haddad (PT), que tem o apoio de 22%.
A imprensa mundial denuncia o fascismo defendido pela imprensa brasileira - Manchetes de jornais do mundo todo
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O fascista popular. Até agora, os políticos brasileiros são considerados corruptos e ineficientes, mas ideologicamente flexíveis e educados. Isso mudou com Jair Bolsonaro - o populista poderia até se tornar presidente. Uma história mundial.
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sexta-feira, 5 de outubro de 2018
Carta à comunidade da UnB em defesa da democracia
UnB-http://noticias.unb.br/publicacoes/69-informe/2543-carta-a-comunidade-em-defesa-da-democracia
Administração superior ressalta valores e fundamentos da sociedade brasileira e incentiva reflexão sobre o voto nas eleições deste fim de semana
Do Gabinete da Reitoria
05/10/2018
Hoje, quando celebramos o trigésimo aniversário da promulgação da Constituição Cidadã, estamos a exatos dois dias de uma eleição crucial para os destinos da jovem democracia brasileira. Estamos diante de um novo momento histórico, sendo convocados a reafirmar a liberdade, a dignidade humana, a democracia e a justiça social, como fundamentos do Estado e da sociedade brasileira.
A Constituição Federal de 1988 encerrou 21 anos de ditadura, um passado doloroso que não podemos esquecer, sob pena de retrocedermos na história. A Universidade de Brasília sofreu a violência e o horror da ditadura, tendo sido palco de invasões policiais, prisões de estudantes, demissões arbitrárias de professores e intervenções constantes, em uma escalada repressiva contra seu projeto de vanguarda para a educação superior e às mobilizações estudantis pela democracia. Perdemos 238 docentes brilhantes, dos 305 que a UnB tinha em 1965, e, entre outros, Honestino Guimarães, estudante de Geologia da UnB, líder do movimento estudantil e desaparecido político desde outubro de 1973.
Embora difícil e doloroso, é de extrema importância que nós nos recordemos do horror vivido. Nosso Estado demorou muito para olhar para essa ferida e para buscar meios de repará-la – que, sob alguns aspectos, não foi e jamais será passível de remissão.
Quando hoje nos deparamos com manifestações públicas que atentam contra a democracia brasileira ou com atos que contrariam os valores estabelecidos em um Estado democrático de direito, não podemos ignorar. Não podemos aceitar a negação de nosso passado autoritário. Tampouco podemos relativizar tais declarações e atos, que, em sua essência, ameaçam direitos tão duramente conquistados pela sociedade brasileira.
A Universidade de Brasília, que nasceu alicerçada sobre os ideais libertários e humanistas de Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, e que tem como um dos seus princípios estatutários o compromisso com a paz e com a defesa dos direitos humanos, deve continuar firme na defesa dos princípios e valores constitucionais e atuando para honrar seus fundadores. Anísio e Darcy conceberam uma universidade única, na qual um projeto pedagógico inovador se aliou à missão de formar cidadãos conscientes e comprometidos com a transformação da sociedade brasileira.
Por isso, conclamamos docentes, estudantes, técnicos e terceirizados a fazer valer o direito de voto por nós conquistado e não poupar esforços para fazer emergir das urnas neste domingo uma democracia mais forte, voltada para a emancipação social e alinhada com a defesa dos direitos humanos.
Márcia Abrahão
Reitora
Enrique Huelva
Vice-reitor
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