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domingo, 12 de abril de 2009

ECONOMIA - Em vez de crédito, títulos públicos

www.correioweb.com.br


Bancos aplicam os R$ 100 bilhões liberados pelo BC dos depósitos compulsórios em papéis do governo, quando deveriam destinar o dinheiro para financiamentos a empresas e consumidores

Vicente Nunes
Da equipe do Correio

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, tem alardeado que o crédito no Brasil já está voltando à normalidade, depois da forte retração provocada pela crise econômica mundial. Mas o que se pode depreender dos números divulgados pelo próprio BC é que, mesmo com todos os estímulos dados pelo governo, em vez de emprestar a empresas e consumidores, os bancos estão preferindo o conforto dos títulos públicos. Praticamente, todos os R$ 100 bilhões liberados dos depósitos compulsórios que as instituições mantêm nos cofres do BC com o intuito de destravar o crédito foram destinados à compra de papéis do governo por meio das chamadas operações de mercado aberto, com vencimento médio de três meses.
Entre setembro e novembro do ano passado, o período mais crítico de falta de liquidez no mercado, os compulsórios caíram de R$ 272,1 bilhões para R$ 187,4 bilhões. Curiosamente, a partir daí, o volume de operações de curtíssimo prazo com títulos públicos deu um salto de R$ 269,6 bilhões, em novembro, para R$ 381,3 bilhões em janeiro. "Não há dúvidas de que os bancos preferiram não correr riscos. Com o mercado nervoso e o medo da inadimplência, quase todo o dinheiro dos compulsórios foi para o overnight (operações de um dia). E isso aconteceu sem que o BC emitisse qualquer sinal no sentido de aplicar algum tipo de punição às instituições financeiras, o que considero uma falha", diz o economista Carlos Thadeu de Freitas Gomes, ex-diretor da Dívida Pública do BC.

Algo de errado
Pelos cálculos do Banco Central, de novembro de 2008 para fevereiro de 2009, as aplicações de um dia com títulos públicos (go around) cresceram de R$ 86,6 bilhões para R$ 101,8 bilhões. Já as transações com vencimento entre duas semanas e três meses pularam de R$ 150,7 bilhões para R$ 240,7 bilhões. "Está uma festa. Os grandes bancos, incluindo os públicos (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal), que ficaram com o grosso dos compulsórios, não querem saber de emprestar para o setor produtivo nem para os consumidores. Mas esse dinheiro que está no overnight é vital para a retomada do crescimento do país. Sem crédito, a economia não anda", afirma José Luiz Rodrigues, sócio da Consultoria JL Rodrigues.
Para mostrar o quanto está fácil a vida dos bancos, Rodrigues recorreu a informações do BC para comprovar como o crédito está escasso, mesmo com a injeção de R$ 100 bilhões promovida pelo governo com a liberação dos compulsórios. Em setembro, quando explodiu a crise, com a quebra do banco americano Lehman Brothers, as concessões acumuladas de empréstimos e financiamentos com recursos livres (sem obrigatoriedade de direcionamento para algum segmento) totalizaram R$ 162,2 bilhões. Em janeiro desde ano, as concessões haviam encolhido para R$ 123,4 bilhões e caíram ainda mais em fevereiro, para R$ 123,4 bilhões.
"Ou seja, na mesma proporção em que os compulsórios foram sendo liberados, as operações de curtíssimo prazo dispararam e as concessões de crédito caíram. Algo está errado", assinala Freitas Gomes. Ele reconhece, porém, que, em fevereiro, já sob o reflexo do corte de um ponto percentual da taxa básica de juros (Selic), de 13,75% para 12,75% ao ano, que remunera os títulos negociados no overnight, houve redução nas aplicações do mercado aberto - de R$ 381,3 bilhões para R$ 366,3 bilhões. Os mais espertos migraram para papéis com taxas pré-fixadas, que garantem juros mais altos por um prazo mais longo.

Sentados na grana
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, reconhece a forte migração dos compulsórios liberados pela instituição para o overnight. "Mas nem todo o crescimento dessas operações foi dinheiro dos compulsórios. Nesse período, o Tesouro resgatou parcela importante da dívida pública. E o dinheiro que ficou sobrando na economia foi retirado pelo BC", argumenta. Tal justificativa, porém, não convence José Luiz Rodrigues. "É verdade que a liberação dos compulsórios foi importantíssima para que o sistema financeiro se mantivesse de pé. Mas o certo seria que o dinheiro pegasse os grandes bancos com apetite para emprestar. O que não foi o caso. No máximo, essas instituições se dispuseram a comprar algumas carteiras de crédito dos bancos médios e pequenos, o que só contribuiu para aumentar a concentração do mercado", destaca.
Mesmo os bancos de menor porte que receberam compulsórios não liberaram recursos para crédito. Preferiram ficar sentados em cima do dinheiro, aplicados em títulos públicos. Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos, acredita que esses bancos devem voltar a emprestar diante da decisão do governo de criar um seguro especial para depositantes no valor de até R$ 20 bilhões. Com esse seguro, os fundos de pensão, que sacaram todo o dinheiro que tinham nessas instituições, voltarão a operar com elas, pois sabem que, em caso de quebra, receberão os respectivos valores do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Investimentos menores reduzem demanda
Apesar da farra dos bancos com os recursos liberados dos depósitos compulsórios, o BC já não vê mais problema na oferta de crédito. Agora, o que se observa é a redução na demanda, sobretudo por parte das empresas. Como muitas companhias suspenderam investimentos, já não estão precisando tanto de financiamentos. "A demanda por crédito leva em conta a confiança dos empresários, que foi afetada pela crise", diz o diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita. "Além de a demanda interna ter diminuído, os preços internacionais também caíram (devido à recessão internacional)", acrescenta.
Para José Luiz Rodrigues, sócio da Consultoria JLRodrigues, não foi somente a perspectiva de vender menos que travou os investimentos e a demanda por crédito pelas empresas. "O problema é que os juros estão altos demais. Não há como uma companhia arcar com taxas de 30,8% ao ano, ainda mais em períodos de forte contração", frisa. A seu ver, é possível que, com a volta dos pequenos e médios bancos ao mercado, ampliando a concorrência, os juros caiam mais depressa. Ele acrescenta ainda que não se pode esquecer que a taxa básica de juros (Selic) continuará em baixa, podendo ficar entre 8% e 9% ao ano, um estímulo para que o custo final do crédito fique mais acessível.
Mais pessimista, o economista-chefe da Gap Asset Management, Alexandre Mais, é taxativo: "Só veremos os investimentos produtivos de volta quando as empresas retomarem a confiança e estiverem certas de que vão poder produzir, pois haverá compradores para suas mercadorias". (VN)

Fonte: Correio Braziliense
http://www.anabb.org.br/mostraPaginaClippingTodos.asp?dataClipping=4/6/2009&codServico=33

www.uol.com.br

08/04/2009 18h28

Banco do Brasil: Lima Neto nega pressão política




08/04/2009 - 13:18

Luis Nassif On Line: As mudanças no BB

Por Roberto São Paulo/SP

da Agência Brasil , Última modificação em 8 de Abril de 2009 - 13h05

Funcionário de carreira do Banco do Brasil é o novo presidente da instituição

Daniel Lima e Kelly Oliveira \Repórteres da Agência Brasil

Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou há pouco que Aldemir Bendine é o novo presidente do Banco do Brasil. Ele substitui Antônio Francisco de Lima Neto, que assumiu o cargo em dezembro de 2006. Bendine é funcionário de carreira do BB há 30 anos, e, até então, era vice-presidente de Cartões e Novos Negócios de Varejo da instituição.

Neste momento, Mantega concede entrevista sobre a saída de Lima Neto da presidência do Banco do Brasil. Pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia confirmado que ele deixaria o cargo, mas o nome do substituto não tinha sido anunciado…………………………………

Comentário

O Banco do Brasil tem essa dupla personalidade, de banco público e banco com capital em Bolsa, disputando mercado com bancos privados.

Tem vantagens de ser banco público, como acesso a depósitos públicos, repasse de recursos públicos, folha de pagamentos dos funcionários e o aval do Tesouro. Quando eclodiu a crise, por exemplo, o BB foi amplamente beneficiado por depósitos que fugiram de outros bancos.

A contrapartida é ser um instrumento de políticas públicas. É evidente que há limites para essa utilização do banco. Não se pode afetar seu desempenho, tem que se mensurar o custo de qualquer pedido que fira sua lógica econômica.

Mas não há nenhuma incompatibilidade entre cumprir a função pública e a privada.

Por exemplo, o governo definiu como prioritária a consolidação da agricultura familiar como fornecedora de biodiesel. O BB tem o Pronaf, para financiamento da agricultura familiar. Montou uma área social, importante para a imagem do banco e importante para a inclusão de novos clientes. Portanto, pode casar atuação social com busca de resultados.

Quando recebe a ordem de reduzir os juros, não há nada que fira seus interesses. Pelo contrário, o banco foi beneficiário de aumento de depósito e, com a redução, poderia avançar na conquista de market-share.

Os problemas do BB foram de outra ordem. No primeiro governo Lula, houve ampla infiltração política no banco, que causou enormes dissabores à corporação BB. Depois dos escândalos - que culminaram com a demissão do Diretor de Marketing, da diretoria da Cobra Informática, entre outros - a corporação sentiu-se fortalecida. E aí o corporativismo falou mais alto que a interlocução com a área econômica.

Deixou-se de lado a visão estratégica, a busca de market share e falou mais alto a competição com o setor privado - especialmente nos indicadores de rentabilidade. O banco se fechou em si, como se tivesse se sentido humilhado pela perda da liderança histórica do mercado bancário brasileiro, após a fusão Itau-Unibanco.

O banco manteve a rentabilidade, mas sua participação, na luta contra a crise, acabou sendo ofuscada pela Caixa Econômica Federal.

Aparentemente, a mudança irá promover ajustes de conduta que seguramente serão benéficas ao país, e provavelmente benéficas para o banco.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Spread: a gravidade da política de juros no Brasil






8 DE ABRIL DE 2009 - 18h47


A decisão do governo de trocar o presidente do Banco do Brasil mostra, de forma concreta, a disposição da equipe econômica de atacar um dos focos que travam a aplicação de políticas contra os efeitos da crise econômica global no país. Ao assumir o posto de Antônio Francisco de Lima Neto, o novo presidente do banco, Aldemir Bendine, terá pela frente, como disse o ministro da Fazenda Guido Mantega, um “contrato de gestão” — sua missão consiste em elevar o volume de crédito e reduzir o spread (a diferença entre o custo do banco para captar dinheiro e a taxa cobrada dos clientes). O episódio chama a atenção para a gravidade da política de juros no Brasil.

Por Osvaldo Bertolino



A “obsessão” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de reduzir o spread bancário é um alento. Os lucros dos bancos — inclusive do Banco do Brasil —, não é de hoje, atingiram dimensões de escândalo. Dinheiro que poderia irrigar a economia entra nos cofres das instituições financeiras de uma forma inaceitável. Segundo cálculos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), só em 2008 os brasileiros pagaram R$ 134,5 bilhões em spread. Uma comparação sobre o custo do crédito no Brasil e em outros países demonstra que as taxas brasileiras são bem mais altas do que as cobradas no exterior, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O estudo indica que o empréstimo para pessoa física no Brasil chega a custar dez vezes mais do que em uma agência européia do mesmo banco. No caso de pessoa jurídica, o brasileiro tem que pagar quatro vezes pelo empréstimo em relação ao valor cobrado nos Estados Unidos e na chamada Zona do Euro. O valor pago em spread em 2008 corresponde, por exemplo, a mais que o dobro do Orçamento anual do Ministério da Saúde ou a 289 milhões de salários mínimos. A maior parte dos R$ 134,5 bilhões foi paga nos empréstimos de pessoas físicas. No ano, os consumidores pagaram aos bancos R$ 85,4 bilhões e as empresas, R$ 49,1 bilhões, segundo a Fecomercio-SP.

A barreira do spread não se justifica diante do esforço do governo para elevar o volume de crédito. Recentemente, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma medida que oferece como garantia, para os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) emitidos pelos bancos de menor porte, os recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), com o objetivo de prover liquidez. A expectativa da equipe econômica é que os bancos tenham cerca de R$ 40 bilhões a mais para emprestar. Segundo informou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o valor poderia ser superior a R$ 100 bilhões se todos os bancos fizessem a operação.

Transferência brutal de recursos

A aposta de Mantega é que, com maior crédito disponível na economia brasileira, haverá uma redução dos juros e, consequentemente, do spread. “Nós temos uma oferta de crédito maior. Isso significa que esses bancos que estão captando a taxas mais elevadas vão captar a taxas menores (CDB mais 1%) e isso diminui a taxa dos empréstimos. A tendência é que caia o spread por causa disso. Acredito que é um mecanismo que vai ser usado e que vai ajudar pequenas e médias empresas”, afirmou. Meirelles disse que as medidas do CMN objetivam a competição dos bancos para baixar juros.

São medidas louváveis, mas de pequeno alcance diante do tamanho do problema. O Brasil convive com a anomalia de uma agiotagem financeira oficializada, dirigida pelo Banco Central, alimentada pela indexação de juros instituída em 1964 — TR, TJLP, TBF, CDB, CDI, over, spread, Selic etc. A Assembléia Nacional Constituinte de 1988 pretendeu corrigir a anomalia existente estipulando juros máximos, para qualquer modalidade, de 12% ao ano, como era antes de 1964. Mas o poder granjeado pela direita com o Plano Real passou por cima do espírito da Constituição.

O governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) abriu as portas para a transferência brutal de recursos públicos para os bancos ao adotar a constante elevação dos juros como esteio da política de “estabilidade” da moeda. A medida provisória que instituiu o Plano Real anunciou o ''Fundo de Amortização da Dívida Mobiliária Federal'', o embrião do superávit primário que até hoje inferniza a vida brasileira. Os neoliberais venderam ações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e cortaram despesas orçamentárias para formar o ''Fundo de Estabilização Fiscal''.

Juros poderia ser caso de polícia

Antevendo o estrago que a turma de FHC promoveria, o então presidente da República Itamar Franco, que nunca foi o paspalhão que a mídia tentou pintar, pediu ao Congresso Nacional que agilizasse a regulamentação do artigo da Constituição que determina o limite de 12% ao ano para a taxa de juros. Ele, no entanto, era quase uma voz isolada no país. Mas logo se veria que sua preocupação tinha razão de ser — no primeiro dia útil do Real, a taxa de juros, puxada pelo Banco Central, disparou, chegando aos 12%. Um ano depois, já estava em 60%.

Poderia ser um caso de polícia. Antes de 1964, havia no Brasil crédito diferenciado e juro máximo de 12% ao ano. A agricultura levantava empréstimo no Banco do Brasil a 3,5% e 4% ao ano; a indústria, a 5% e 6% ao ano; o comércio e o transporte, a 6% e 7% ao ano. Como lembra o economista Ney Bassuino Dutra em artigo no Monitor Mercantil, na Rua do Ouvidor, na cidade do Rio de Janeiro, a polícia volta e meia corria procurando prender dois tipos de contraventores: um, que vendia “rabinho de coelho” para dar sorte; outro, agiota que emprestava dinheiro a juros aos funcionários públicos a 14% ao ano.

Além desse problema estrutural da economia brasileira, os juros do financiamento à produção incidem sobre os custos das mercadorias, elevando os preços. Essa elevação o Banco Central não considera inflação. Segundo Ney Bassuino Dutra, hoje respeitáveis organizações bancárias emprestam a 500% e 600% ao ano, amparadas pelo Banco Central, a institução criada para ser “o guardião da moeda nacional”. Ele lembra que outrora o Banco do Brasil, na condição de supridor de dinheiro, controlava os juros e o dinheiro emprestado, dentro do estabelecido pela “Lei da Usura” vigente, à produção, ao consumo e ao financiamento da casa própria, com juros compatíveis com a dignidade humana.

Liberdade para os bancos

Marcos Cintra, outro economista de renome, em artigo no jornal Diário do Grande ABC disse que um dos principais problemas do Brasil são os escandalosos spreads cobrados pelos bancos. “Através deles ocorre uma absurda transferência de riqueza das empresas e dos trabalhadores para o setor financeiro”, escreveu. Segundo Marcos Cintra, o Brasil tem um dos maiores spreads do mundo. “A diferença entre o que os bancos pagam para captar dinheiro e o que cobram nos empréstimos fechou em dezembro do ano passado em 30,6 pontos percentuais. Em média os bancos pagam 12,6% quando um investidor faz uma aplicação e cobram 43,2% quando emprestam aos seus clientes. Quando o spread se refere apenas às pessoas físicas ele é superior a 45 pontos percentuais”, disse.

O economista afirmou ainda que problema do custo do dinheiro no Brasil era equivocadamente focado quase que exclusivamente na redução da taxa Selic. “Porém, gradualmente os analistas perceberam que os juros que sufocam a economia brasileira são os aplicados ao tomador final. Para as empresas as taxas anuais ultrapassam 38% para o financiamento do capital de giro, 45% no desconto de duplicatas e 76% na conta garantida. Para as pessoas físicas superam 60% no crédito pessoal e 175% no cheque especial. Ou seja: os bancos multiplicam a Selic de três a catorze vezes quando emprestam para seus clientes”, escreveu.

Uma das propriedades do mercado financeiro brasileiro é oferecer liberdade para que os bancos decidam quanto irão cobrar sobre cada tarifa — e, inclusive, decidir quais serão as tarifas existentes. Há algum tempo, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) disse que há desconfiança de que os bancos brasileiros agem como um cartel na hora de estabelecer o preço de tarifas. O Banco Central, que deveria pôr freio nessa farra — a instituição, sob as ordens do banqueiro Henrique Meirelles, controla com exclusividade a Casa da Moeda (emissão de dinheiro), a entrada e saída de capitais, o câmbio, o juro, o balanço de pagamento das contas externas, entre outras atribuições —, na prática finge que nada vê.

Resposta de Henry Ford

A rigor, o Banco Central é o principal patrocinador dessa farra. A economista Sandra Quintela, do Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs), revelou ao Monitor Mercantil que só em 2009 a gastança com juros e amortizações da dívida consumirá R$ 234 bilhões, mais R$ 756 bilhões com amortizações via emissão de títulos, o que significa a metade de todo o Orçamento. ''Enquanto isso, para toda a folha de pessoal estão previstos R$ 169 bilhões, incluindo todos professores, médicos e demais servidores ativos, aposentados e pensionistas'', afirma. A economista destaca que a crise torna claro como a dívida pública é o centro dos problemas nacionais.

O cidadão Jonathan Teixeira resumiu a ópera ao revelar como funciona a farra financeira, em carta publicada no ''Painel do Leitor'' do jornal Folha de S. Paulo no dia 26 de agosto 2002. ''Deixa eu ver se entendi: os bancos pegam meu dinheiro, que pagam quando muito a 6%, e emprestam a 12% para os exportadores. Os exportadores, em vez de produzir, exportar e gerar empregos, emprestam o meu dinheiro para o governo a 25% e embolsam a diferença. O governo paga a eles com o meu dinheiro, dos meus impostos, e isso não é ilegal?!'', escreveu. Muito tempo antes, Henry Ford, industrial norte-americano que revolucionou a indústria automobilística no começo do século 20, resolveu a equação. ''Sabe-se muito bem que o povo não entende nada do sistema bancário e monetário, porque, se entendesse, acredito que haveria uma revolução antes de amanhã cedinho”, disse.

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