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quinta-feira, 26 de julho de 2012

CTB participa de lançamento do comitê e campanha "Brasil está com Chávez"

CTB participa de lançamento do comitê e campanha "Brasil está com Chávez"

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) participou, na noite da última terça-feira (24), do lançamento do "Comitê Brasil está com Chávez", que contou com a presença de diversas entidades e partidos políticos, em São Paulo, no ato celebrado como o Dia de Solidariedade à Revolução Bolivariana.

A capital paulista, ao lado de 100 cidades em todo o mundo, expressou seu respaldo ao processo que está sendo conduzido na Venezuela pelo presidente Hugo Chávez, que concorre a reeleição em outubro.



No ato de lançamento do comitê foi ressaltada a importância que a reeleição de Chávez tem não só para o povo Venezuelano e para o país, mas para toda a América Latina. A frase de Lula “Chávez, sua vitória será nossa vitória”, — enviada em um vídeo no encerramento do Fórum de São Paulo no começo do mês— também foi lembrada reiteradas vezes.

“A formação do comitê em prol do presidente Hugo Chávez é fundamental, como apoio as eleições venezuelanas para que tudo ocorra bem. A base de apoio construído pelos movimentos sociais espalhados pelo mundo irá fortalecer para que Chávez possa governar a Venezuela com soberania e liberdade”, destacou Gilda Almeida, secretária adjunta das Finanças da CTB.



Já João Pedro Stédile, integrante da direção nacional do MST, destacou a importância estratégica da Venezuela. “Nesses meses estamos conscientes das forças de direita que retomaram a ofensiva para tentar frear os avanços que o continente está vivendo seja, com governos progressistas, seja com iniciativas multilaterais de integração como a Celac [Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos], Unasul [União das Nações Sul-Americanas], Alba [Aliaça Bolivariana para os Povos da Nossa América]. A eleição na Venezuela, mais do que a necessária reeleição de Chávez é o centro da disputa do poder em nosso continente, por isso o império vai centrar forças para derrubar esse processo”, ressaltou.

Resoluções

Entre as resoluções tomadas pelo Comitê Brasil Está com Chávez, que será sediado na Barão de Itararé, estão a realização de um ato e uma nova reunião em Brasília no dia 31 de julho. Também será estimulada a criação de novos comitês, sobretudo no Rio de Janeiro e em Brasília.

As entidades discutem a construção de um ato político-cultural da campanha no final de agosto em São Paulo e prometem fazer um esculacho se o candidato Henrique Capriles, da oposição de Chávez, visitar o Brasil.

Estiveram presentes no evento: PCdoB, PT, PSOL, PSUV, Movimento Consulta Popular, CUT, CTB, UBM, UJS, MST, Tirem as Mãos da Venezuela, Japayke, Cebrapaz, Levante Popular da Juventude, Barão de Itararé, Portal Vermelho, Fórum de São Paulo, Fepal, Brasil de Fato, Telesur, Via Campesina, Consulado da Venezuela em São Paulo.

Portal CTB com Portal Vermelho e MST (fotos: Douglas Mansur)

Estados Unidos, Venezuela e Paraguai - Samuel Pinheiro Guimarães - Portal CTB

Estados Unidos, Venezuela e Paraguai - Samuel Pinheiro Guimarães

Não há como entender as peripécias da política sul-americana sem levar em conta a política dos Estados Unidos para a América do Sul. Os Estados Unidos ainda são o principal ator político na América do Sul e pela descrição de seus objetivos devemos começar.

Na América do Sul, o objetivo estratégico central dos Estados Unidos, que apesar do seu enfraquecimento continuam sendo a maior potência política, militar, econômica e cultural do mundo, é incorporar todos os países da região à sua economia. Esta incorporação econômica leva, necessariamente, a um alinhamento político dos países mais fracos com os Estados Unidos nas negociações e nas crises internacionais.

O instrumento tático norte-americano para atingir este objetivo consiste em promover a adoção legal pelos países da América do Sul de normas de liberalização a mais ampla do comércio, das finanças e investimentos, dos serviços e de “proteção” à propriedade intelectual através da negociação de acordos em nível regional e bilateral.

Este é um objetivo estratégico histórico e permanente. Uma de suas primeiras manifestações ocorreu em 1889 na I Conferência Internacional Americana, que se realizou em Washington, quando os EUA, já então a primeira potência industrial do mundo, propuseram a negociação de um acordo de livre comércio nas Américas e a adoção, por todos os países da região, de uma mesma moeda, o dólar.

Outros momentos desta estratégia foram o acordo de livre comércio EUA-Canadá; o NAFTA (Área de Livre Comércio da América do Norte, incluindo além do Canadá, o México); a proposta de criação de uma Área de Livre Comércio das Américas - ALCA e, finalmente, os acordos bilaterais com o Chile, Peru, Colômbia e com os países da América Central.

Neste contexto hemisférico, o principal objetivo norte-americano é incorporar o Brasil e a Argentina, que são as duas principais economias industriais da América do Sul, a este grande “conjunto” de áreas de livre comércio bilaterais, onde as regras relativas ao movimento de capitais, aos investimentos estrangeiros, aos serviços, às compras governamentais, à propriedade intelectual, à defesa comercial, às relações entre investidores estrangeiros e Estados seriam não somente as mesmas como permitiriam a plena liberdade de ação para as megaempresas multinacionais e reduziria ao mínimo a capacidade dos Estados nacionais para promover o desenvolvimento, ainda que capitalista, de suas sociedades e de proteger e desenvolver suas empresas (e capitais nacionais) e sua força de trabalho.


A existência do Mercosul, cuja premissa é a preferência em seus mercados às empresas (nacionais ou estrangeiras) instaladas nos territórios da Argentina, do Brasil, do Paraguai e do Uruguai em relação às empresas que se encontram fora desse território e que procura se expandir na tentativa de construir uma área econômica comum, é incompatível com objetivo norte-americano de liberalização geral do comércio de bens, de serviços, de capitais etc que beneficia as suas megaempresas, naturalmente muitíssimo mais poderosas do que as empresas sul-americanas.


De outro lado, um objetivo (político e econômico) vital para os Estados Unidos é assegurar o suprimento de energia para sua economia, pois importam 11 milhões de barris diários de petróleo sendo que 20% provêm do Golfo Pérsico, área de extraordinária instabilidade, turbulência e conflito.


As empresas americanas foram responsáveis pelo desenvolvimento do setor petrolífero na Venezuela a partir da década de 1920. De um lado, a Venezuela tradicionalmente fornecia petróleo aos Estados Unidos e, de outro lado, importava os equipamentos para a indústria de petróleo e os bens de consumo para sua população, inclusive alimentos.


Com a eleição de Hugo Chávez, em 1998, suas decisões de reorientar a política externa (econômica e política) da Venezuela em direção à América do Sul (i.e. principal, mas não exclusivamente ao Brasil), assim como de construir a infraestrutura e diversificar a economia agrícola e industrial do país viriam a romper a profunda dependência da Venezuela em relação aos Estados Unidos.


Esta decisão venezuelana, que atingiu frontalmente o objetivo estratégico da política exterior americana de garantir o acesso a fontes de energia, próximas e seguras, se tornou ainda mais importante no momento em que a Venezuela passou a ser o maior país do mundo em reservas de petróleo e em que a situação do Oriente Próximo é cada vez mais volátil.


Desde então desencadeou-se uma campanha mundial e regional de mídia contra o Presidente Chávez e a Venezuela, procurando demonizá-lo e caracterizá-lo como ditador, autoritário, inimigo da liberdade de imprensa, populista, demagogo etc. A Venezuela, segundo a mídia, não seria uma democracia e para isto criaram uma “teoria” segundo a qual ainda que um presidente tenha sido eleito democraticamente, ele, ao não “governar democraticamente”, seria um ditador e, portanto, poderia ser derrubado. Aliás, o golpe já havia sido tentado em 2002 e os primeiros lideres a reconhecer o “governo” que emergiu desse golpe na Venezuela foram George Walker Bush e José María Aznar.


À medida que o Presidente Chávez começou a diversificar suas exportações de petróleo, notadamente para a China, substituiu a Rússia no suprimento energético de Cuba e passou a apoiar governos progressistas eleitos democraticamente, como os da Bolívia e do Equador, empenhados em enfrentar as oligarquias da riqueza e do poder, os ataques redobraram orquestrados em toda a mídia da região (e do mundo).


Isto apesar de não haver dúvida sobre a legitimidade democrática do Presidente Chávez que, desde 1998, disputou doze eleições, que foram todas consideradas livres e legítimas por observadores internacionais, inclusive o Centro Carter, a ONU e a OEA.


Em 2001, a Venezuela apresentou, pela primeira vez, sua candidatura ao Mercosul. Em 2006, após o término das negociações técnicas, o Protocolo de adesão da Venezuela foi assinado pelos Presidentes Chávez, Lula, Kirchner, Tabaré e Nicanor Duarte, do Paraguai, membro do Partido Colorado. Começou então o processo de aprovação do ingresso da Venezuela pelos Congressos dos quatro países, sob cerrada campanha da imprensa conservadora, agora preocupada com o “futuro” do Mercosul que, sob a influência de Chávez, poderia, segundo ela, “prejudicar” as negociações internacionais do bloco etc. Aquela mesma imprensa que rotineiramente criticava o Mercosul e que advogava a celebração de acordos de livre comércio com os Estados Unidos, com a União Européia etc, se possível até de forma bilateral, e que considerava a existência do Mercosul um entrave à plena inserção dos países do bloco na economia mundial, passou a se preocupar com a “sobrevivência” do bloco.


Aprovado pelos Congressos da Argentina, do Brasil, do Uruguai e da Venezuela, o ingresso da Venezuela passou a depender da aprovação do Senado paraguaio, dominado pelos partidos conservadores representantes das oligarquias rurais e do “comércio informal”, que passou a exercer um poder de veto, influenciado em parte pela sua oposição permanente ao Presidente Fernando Lugo, contra quem tentou 23 processos de “impeachment” desde a sua posse em 2008.


O ingresso da Venezuela no Mercosul teria quatro consequências: dificultar a “remoção” do Presidente Chávez através de um golpe de Estado; impedir a eventual reincorporação da Venezuela e de seu enorme potencial econômico e energético à economia americana; fortalecer o Mercosul e torná-lo ainda mais atraente à adesão dos demais países da América do Sul; dificultar o projeto americano permanente de criação de uma área de livre comércio na América Latina, agora pela eventual “fusão” dos acordos bilaterais de comércio, de que o acordo da Aliança do Pacifico é um exemplo.


Assim, a recusa do Senado paraguaio em aprovar o ingresso da Venezuela no Mercosul tornou-se questão estratégica fundamental para a política norte americana na América do Sul.


Os líderes políticos do Partido Colorado, que esteve no poder no Paraguai durante sessenta anos, até a eleição de Lugo, e os do Partido Liberal, que participava do governo Lugo, certamente avaliaram que as sanções contra o Paraguai em decorrência do impedimento de Lugo, seriam principalmente políticas, e não econômicas, limitando-se a não poder o Paraguai participar de reuniões de Presidentes e de Ministros do bloco.


Feita esta avaliação, desfecharam o golpe. Primeiro, o Partido Liberal deixou o governo e aliou-se aos Colorados e à União Nacional dos Cidadãos Éticos - UNACE e aprovaram, a toque de caixa, em uma sessão, uma resolução que consagrou um rito super-sumário de “impeachment”.


Assim, ignoraram o Artigo 17 da Constituição paraguaia que determina que “no processo penal, ou em qualquer outro do qual possa derivar pena ou sanção, toda pessoa tem direito a dispor das cópias, meios e prazos indispensáveis para apresentação de sua defesa, e a poder oferecer, praticar, controlar e impugnar provas”, e o artigo 16 que afirma que o direito de defesa das pessoas é inviolável.


Em 2003, o processo de impedimento contra o Presidente Macchi, que não foi aprovado, levou cerca de 3 meses enquanto o processo contra Fernando Lugo foi iniciado e encerrado em cerca de 36 horas. O pedido de revisão de constitucionalidade apresentado pelo Presidente Lugo junto à Corte Suprema de Justiça do Paraguai sequer foi examinado, tendo sido rejeitado in limine.


O processo de impedimento do Presidente Fernando Lugo foi considerado golpe por todos os Estados da América do Sul e de acordo com o Compromisso Democrático do Mercosul o Paraguai foi suspenso da Unasur e do Mercosul, sem que os neogolpistas manifestassem qualquer consideração pelas gestões dos Chanceleres da UNASUR, que receberam, aliás, com arrogância.


Em consequência da suspensão paraguaia, foi possível e legal para os governos da Argentina, do Brasil e do Uruguai aprovarem o ingresso da Venezuela no Mercosul a partir de 31 de julho próximo. Acontecimento que nem os neogolpistas nem seus admiradores mais fervorosos - EUA, Espanha, Vaticano, Alemanha, os primeiros a reconhecer o governo ilegal de Franco - parecem ter previsto.


Diante desta evolução inesperada, toda a imprensa conservadora dos três países, e a do Paraguai, e os líderes e partidos conservadores da região, partiram em socorro dos neogolpistas com toda sorte de argumentos, proclamando a ilegalidade da suspensão do Paraguai (e, portanto, afirmando a legalidade do golpe) e a inclusão da Venezuela, já que a suspensão do Paraguai teria sido ilegal.

Agora, o Paraguai procura obter uma decisão do Tribunal Permanente de Revisão do Mercosul sobre a legalidade de sua suspensão do Mercosul enquanto, no Brasil, o líder do PSDB anuncia que recorrerá à justiça brasileira sobre a legalidade da suspensão do Paraguai e do ingresso da Venezuela.


A política externa norte-americana na América do Sul sofreu as consequências totalmente inesperadas da pressa dos neogolpistas paraguaios em assumir o poder, com tamanha voracidade que não podiam aguardar até abril de 2013, quando serão realizadas as eleições, e agora articula todos os seus aliados para fazer reverter a decisão de ingresso da Venezuela.


Na realidade, a questão do Paraguai é a questão da Venezuela, da disputa por influência econômica e política na América do Sul e de seu futuro como região soberana e desenvolvida.


Samuel Pinheiro Guimarães é diplomata brasileiro

Governo quer fura-greves contra paralisação dos servidores - Portal Vermelho

Governo quer fura-greves contra paralisação dos servidores - Portal Vermelho


Greve dos servidores federais
18 de julho, Brasilia: marcha dos servidores federais em greve
Governo federal publica decreto antigreve que orienta ministros e outros dirigentes de órgãos públicos a realizar convênios com estados e municípios para encontrar fura-greves. É uma atitude antissindical, repudiada por dirigentes de entidades de trabalhadores

Por José Carlos Ruy


O movimento sindical não esperava este tipo de atitude de um governo como o atual – foi assim que o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Wagner Gomes, reagiu à publicação, pelo governo da presidenta Dilma Rousseff, do verdadeiro decreto antigreve que está estampado no Diário Oficial da União desta quarta-feira (25) e que determina providencias contra os servidores federais paralisados.

O centro do decreto, diz Wagner Gomes, é a tentativa de mobilizar fura-greves contra os funcionários públicos: os ministros em cujas áreas ocorram paralisações são orientados a garantir o funcionamento dos serviços públicos. A norma orienta ministros de Estado, supervisores dos órgãos ou entidades onde ocorram greves, a buscar alternativas para a continuidade do serviço mesmo que, para isso, tenham que fechar parcerias com estados e municípios que assegurem o fornecimento de trabalhadores para manter os serviços paralisados.

Isto é, em poucas palavras, são orientados procurar fura-greves. Esta é uma atitude antissindical, cujo objetivo é procurar trabalhadores substitutos aos grevistas para esvaziar sua luta e, jogando trabalhador contra trabalhador, enfraquecer seu movimento; o governo age, desta forma, como um patrão capitalista, pensa Wagner Gomes.

O decreto recomenda inclusive, aos ministros e demais autoridades, a adoção, “mediante mediante ato próprio”, de “procedimentos simplificados necessários à manutenção ou realização da atividade ou serviço.” Para o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams (que assina o decreto, juntamente com a presidenta Dilma Rousseff), o foco do decreto anti-greve é o funcionamento dos portos, mas ele deixa claro também que trata-se de uma resposta do governo à paralisação.

Embora assegure que o decreto não enfraquece o processo de negociação com os servidores em greve, que continua sendo conduzido pelo Ministério do Planejamento, Luís Inácio Adams não disfarça a ameaça embutida no decreto. O governo não descarta, disse, a possibilidade de medidas judiciais para garantir a prestação de serviços públicos prejudicados pela paralisação. Ele defendeu também o corte de ponto dos grevistas alegando ser uma obrigação do governo tomar esta medida punitiva. “É um dever fazer o desconto. O que acontece na greve, é que, por conta da negociação, você pode abonar a falta, compensar as faltas, mas isso é uma faculdade do processo de negociação. No decurso da greve, o corte de ponto é uma obrigação”, disse.

Há 25 categorias em greve no país, em 25 estados e no Distrito Federal, e a disposição de resistência dos trabalhadores é grande; está previsto para o próximo dia 31 o Dia Nacional de Luta, com manifestações nas principais cidades do país em defesa de melhorias salariais.

A atitude de endurecimento do governo, representada pelo decreto antigreve publicado nesta quarta feira, é repudiada pelos dirigentes sindicais para quem, ao contrário, a solução para greves passa pela negociação e pelo atendimento das reivindicações dos trabalhadores, como disse Wagner Gomes. E nunca por ameaças e cerceamento do direito de greve. “O movimento sindical repudia esse tipo de atitude”, disse ele, de forma taxativa.

Com informações da Agência Brasil

terça-feira, 24 de julho de 2012

Sangue sírio risca nova linha na areia - Pepe Escobar, Asia Times Online - Coletivo Vila Vudu

25/7/2012, Pepe Escobar, Asia Times Online
http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/NG25Ak02.html

Era uma vez, no começo do século passado, riscou-se uma linha na areia, de Acra a Kirkuk. Duas potências coloniais – Grã-Bretanha e França – desdenhosamente dividiram entre elas o Oriente Médio; tudo, ao norte da linha, era da França; tudo, ao sul, da Grã-Bretanha.

Muitos golpes – e tragédias concêntricas – depois, uma nova linha está sendo riscada na areia, por Arábia Saudita e Qatar. Tudo, entre Síria e Iraque, é deles. Pode-se falar do retorno do reprimido; agora, integrados ao composto Conselho de Cooperação do Golfo-Organização do Tratado do Atlântico Norte (CCGOTAN), amancebaram-se com os ex-patrões colonialistas.

Golpe a golpe

Não importa o que diga a imprensa-empresa ocidental militarizada, o jogo não está acabado na Síria – ainda não. Ao contrário: o jogo sectário está só começando.

É o Afeganistão dos anos 1980s, tudo outra vez. As mais de 100 gangues pesadamente armadas que se matam em guerra civil na Síria só fazem aumentar, cevadas com dinheiro do CCG que lhes compram RPGs no mercado negro. Magotes de jihads salafistas estão entrando na Síria – vindos não só do Iraque, mas também do Kuwait, Argélia, Tunísia e Paquistão, respondendo às conclamações iradas de seus imãs. Sequestro, estupro e morticínio generalizado de civis favoráveis ao regime de Assad estão convertidos em lei da terra.

Para vingar-se, caçam cristãos. [1] Expulsam exilados iraquianos que viviam em Damasco, sobretudo os de Sayyida Zainab, bairro predominantemente xiita, cujo nome é homenagem à neta do Profeta Maomé enterrada na bela mesquita local. A BBC, diga-se a favor dela, afinal decidiu cobrir a história. [2]

Há execuções sumárias: o vice-ministro do Interior do Iraque Adnan al-Assadi disse à AFP que guardas de fronteira iraquianos viram o Exército Sírio Livre [orig. Free Syrian Army (FSA)] ocupar um posto de fronteira e imediatamente “executar 22 soldados sírios ante os olhos de soldados iraquianos.”

O posto de passagem de fronteira em Bab al-Hawa, entre Síria e Turquia, foi invadido por nada menos que 150 autodenominados mujahideen [3] de várias nacionalidades – vindos de Argélia, Egito, Arábia Saudita, Tunísia, Emirados Árabes Unidos, Chechnya e até da França, que proclamam a própria afiliação à Al-Qaeda no Maghreb Islâmico [orig. Al-Qaeda in the Islamic Maghreb (AQIM)].

Queimaram vários caminhões turcos. Filmaram o próprio vídeo de propaganda. Desfilaram ante as câmeras a própria bandeira da al-Qaeda [em http://www.youtube.com/watch?v=U_m0NqL7Ulc]. E declararam Estado Islâmico toda a área de fronteira.

Entreguem seus documentos de identidade terrorista

Não há como entender a dinâmica síria sem saber que praticamente nenhum dos comandantes do Exército Sírio Livre é sírio: quase todos são sunitas iraquianos. O ESL só conseguiu capturar a passagem de fronteira em Abu Kamal entre Síria e Iraque, porque toda a área é controlada por tribos sunitas que fazem oposição visceral ao governo de al-Maliki em Bagdá. O livre fluxo de mujahideen, de jihads linha duríssima e de armas, entre o Iraque e a Síria, está agora plenamente, completamente, totalmente estabelecido.

A ideia da Liga Árabe – que age como porta-voz em traje completo do CCGOTAN – de oferecer exílio a Bashar al-Assad é tão ridícula quanto a CIA ser encarregada de decidir quais os grupos de mujahideen e jihadi que podem ter acesso às armas financiadas pelos sauditas e pelo Qatar.

À primeira vista, talvez não tenha passado de piada sem graça. Afinal, a oferta de exílio foi feita por aqueles exemplares paradigmáticos de democracia, a Casa de Saud e o Qatar, que mandam na Liga Árabe e estão financiando a jihad e os mujahideen anti-Síria.

Mas Bagdá condenou publicamente a oferta de exílio. Os desenvolvimentos – de fato, aconteceu no mesmo dia – foram dignos do Coringa (aquele, o arqui-inimigo do Batman): uma onda de bombas antixiitas no Iraque, com mais de 100 mortos, cuja autoria foi reivindicada pelo Estado Islâmico do Iraque, franquia local da al-Qaeda. O porta-voz Abu Bakr al-Baghdadi ordenou energicamente que as tribos sunitas em Anbar e Nineveh unam-se à jihad e derrubem o governo “infiel”, em Bagdá.

O infindável vai-e-vem de mujahideen/jihadi entre Síria e Iraque está mais do que confirmado por Izzat al-Shahbandar, alto membro do Parlamento do Iraque e assessor próximo do primeiro-ministro al-Maliki. Bagdá tem até listas atualizadas. Esse trânsito só faz deflagrar discursos cada vez mais frenéticos, em fala cada vez mais orwelliana, como aponta a página de internet Moon of Alabama [Lua sobre o Alabama]. [4]

Mujahideen e jihadis ativos no Iraque chamam-se agora “insurgentes iraquianos”. E mujahideen e jihadis ativos na Síria continuam a ser os “rebeldes sírios” de sempre. Todos foram rebaixados: perderam o título de “terroristas”. Seguindo essa lógica, o atirador Batman-do-Colorado pode também ser apresentado como um “insurgente”.

Sigam o dinheiro

No pé em que estão as coisas, os romanticizados “rebeldes” sírios plus os neo “insurgentes” (ex-“terroristas”) não podem vencer o exército sírio – nem se os sauditas e qataris fizerem chover sobre eles cataratas de dinheiro e armas.

Nem há qualquer sinal de que o regime esteja considerando a possibilidade de retirada rumo às montanhas alawitas no norte da Síria, como sugerido num blog de discussão sobre política externa (em http://www.gatestoneinstitute.org/3189/the-call-for-july-22-2012-russian-ambitions-in). Afinal de contas, os “rebeldes” não controlam nem um palmo de território.

De garantido, só quem lucrará mais com a progressiva balcanização da Síria. A Casa de Saud e o Qatar adorariam ver a guerra civil exportada para o Iraque e o Líbano: nos seus rasos cálculos estratégicos, daí nasceriam regimes sunitas amigos (deles).

Por isso, contem com muito dinheiro saudita e qatari comprando todo e qualquer apparatchik bem relacionado que encontrem no regime sírio – mesmo no caso de a burguesia sunita urbana ainda não ter abandonado o barco.

E, com a guerra civil alastrando-se, um tsunami de armas continuará a inundar a Jordânia, o Líbano, o Iraque e, claro, a Turquia, e chegarão às mãos de todas as griffes, uniformes e fantasias de gangues armadas, inclusive aos curdos – e a mais de uma faceta da já descartada Turquia neo-otomana que assiste, impotente, ao esmagamento dos estados-nação que foram riscados na areia, naquela linha colonial dos anos 1920s.

Estrategicamente, sempre será guerra por procuração: na essência, é Arábia Saudita versus Irã. A Casa de Saud (que financia islamistas fanáticos de linha duríssima de todas as cores) versus o Qatar (que apoia a Fraternidade Muçulmana “deles”). Mas, sobretudo, é CCG-OTAN-EUA versus Irã.

Os motivos de Israel vão bem além da sanha sectária de sauditas e qataris. O primeiro-ministro de Israel “Bibi” Netanyahu acaba de desenterrar um Bushismo: definiu Irã-Síria-Hezbollah como um “eixo do mal”. O sonho de longo prazo de Telavive é claro: que Washington, com governo Obama ou sem, detone o tal “eixo”.

Ter claro um objetivo de longo prazo não impediu o absoluto enlouquecimento do ministro da Defesa de Israel: pôs-se a especular sobre uma invasão à Síria que se explica(ria) porque a Síria estar(ia) repassando mísseis antiaéreos e até armas químicas ao Hezbollah.

Washington, por sua vez, adoraria por no governo em Damasco um regime-fantoche sunita, no mínimo; para turbinar o cerco ao Irã – sem aumentar demais o pânico existencial de Israel.

Mas o que se faz passar por “poder esperto” [orig. “smart power”] nada é, além de delírio-desejante & autoglorificação. Na nota [5], abaixo, os que se interessem encontrarão informação sobre o que há na cabeça de alguns funcionários do governo dos EUA que trabalham a favor de Israel e planejam hoje o que eles mesmos chamam de “Síria pós-Assad”.

Entra em cena um neo-Bane*

Apesar do muito dinheiro já gasto na produção, a jihad da OTAN – associada à al-Qaeda, afiliados e periguetes adjuntas – ainda não conseguiu mudar regime algum na Síria. Não haverá sanções do Conselho de Segurança da ONU, como Pequim e Moscou já disseram (e mostraram) três vezes. Por isso, vai e vem, sempre aparece algum Plano B. O mais recente parece copiado do Manual usado no Iraque: Damasco usou armas químicas em ataque contra civis. Não sobreviveu sequer até o ‘noticiário’ de televisão do dia seguinte.

O presidente Vladimir Putin da Rússia já disse: mudança de regime é anátema, especialmente por uma razão que praticamente ninguém percebe no ocidente – jihadis nas portas de Damasco implica que estariam a uma pedrada do Cáucaso, a possível nova pérola do letal colar planejado para desestabilizar a Rússia muçulmana.

A volta do chicote, enquanto isso, está pronta a ferir novamente, como a Medusa. Os, para todos os efeitos práticos, esquadrões da morte, de mujahideen/jihadi do CCGOTAN, adorariam deixar sangrar a Síria até a morte, por cem cortes sectários – sobre a areia e especialmente nas cidades. Está aberta a temporada de caça: caçam-se alawitas mas também cristãos (10% da população).

Uma política externa que privilegie os jihadis sunitas (antes chamados de “terroristas”), na criação de um estado “democrático” no Oriente Médio é ideia que parece brotada da cabeça de Bane – bandidão que é a soma de Hannibal Lecter com Darth Vader, e estrela de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012), último capítulo da trilogia de Batman. Ah, sim, nós o criamos. Aos melhores falta qualquer convicção. Os piores estão tomados de paixão intensa. Enquanto isso, um super-homem sunita jihadi mascarado rasteja rumo a Damasco, onde nascerá.

Notas:

1. 9/6/2012, Vatican Insider, http://vaticaninsider.lastampa.it/en/homepage /world-news/detail/articolo/siria-syria-15868/

2. 20/6/2012, BBC, http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-18930876

3. 22/7/2012, Al-Arabiya, http://english.alarabiya.net/articles/2012/07/22/227739.html

4. 23/7/2012, Moon of Alabama: “Mudança de política: Os “terroristas” viraram “insurgentes”. É a mais impressionante retradução orwelliana que jamais se viu. Durante anos, as expressões “AlQaeda” e “grupo terrorista” foram usadas praticamente como sinônimas.Mas agora, sob comando do governo Obama, o New York Times reescreveu o Manual da Redação: “Al-Qaeda” designa agora uma espécie de “insurgência neutra” (em http://www.moonofalabama.org/2012/07/nyt-terrorists-are-now-insurgents.html#comment) [NTs].

5. 20/7/2012, The Cable, http://thecable.foreignpolicy.com/posts/2012/07/20/inside_the_secret_effort_to_plan_for_a_post_assad_syria: “Planejando a Síria pós-Assad”. Ao longo dos últimos seis meses, 40 altos representantes de vários grupos de oposição da Síria têm-se reunido discretamente na Alemanha, sob coordenação do US Institute of Peace (USIP), para planejar o que deve ser um governo sírio pós-Assad. O projeto, do qual não participam funcionários do governo dos EUA, mas que é parcialmente pago pelo Departamento de Estado começa a ganhar importância, agora que a espiral de violência alastra-se pela Síria e evanescem as últimas esperanças de que se possa alcançar transição pacífica de poder na mudança de regime. (...) O grupo assessorou os funcionários do governo também nas reuniões dos “Amigos da Síria”, em Istanbul, mês passado. O projeto é chamado “O dia seguinte: apoio à transição democrática na Síria” [NTs].


* “Bane” é um dos super arqui inimigos de “Batman”, que teve vida curta, num seriado de 1994, e sumiu para sempre. Mas causou terrível dano ao Batman. Mais sobre Bane em http://batman.wikia.com/wiki/Bane [NTs].

Inácio Arruda: "Pesquisa aponta que hoje estaríamos no 2º turno" - PCdoB. O Partido do socialismo.

Inácio Arruda: "Pesquisa aponta que hoje estaríamos no 2º turno" - PCdoB. O Partido do socialismo.

Inácio Arruda e Chico Lopes, candidatos a prefeito e a vice-prefeito pelo PCdoB, receberam com otimismo o resultado da primeira pesquisa de intenção de voto para as eleições municipais em Fortaleza, após o início da campanha eleitoral. Inácio aparece em segundo lugar, em percentual absoluto, com 14% das intenções de voto, segundo o Datafolha, em levantamento publicado neste final de semana.
“A pesquisa é positiva, pois indica que, hoje, estaríamos no segundo turno, o que está de acordo com nosso objetivo”, afirma Inácio. “Esse é um levantamento de hoje. No dia da eleição, é outra coisa. Vamos continuar trabalhando muito, na certeza de que continuaremos bem e ampliaremos nosso apoio até lá”, acrescenta.

Para Inácio, a leitura positiva da pesquisa é reforçada pela disparidade entre as condições de campanha em Fortaleza, até o momento. “Estamos na campanha com o povo, na rua, nos bairros, nas feiras, nas praças, nos terminais de ônibus, sempre recebendo muito apoio e muito otimismo por parte das pessoas. Caminhando dia a dia, conversando sobre os problemas de Fortaleza, recebendo sugestões e levando nossas propostas, que têm sido muito bem aceitas”, aponta, citando a adoção de mais planejamento para a cidade, a organização e melhoria dos serviços públicos, a transformação dos Frotinhas em “Frotões”, melhorados e ampliados, a recuperação das escolas municipais, com a adoção do programa Segundo Tempo, e a criação de três novos terminais de ônibus, integrados com a Região Metropolitana.

“Estamos acompanhando o cenário e temos convicção da receptividade de nossa candidatura por parte do povo”, enfatiza Inácio. “Esse acompanhamento é reforçado pelo diálogo direto com as pessoas, nas atividades que temos feito diariamente, em três turnos, em uma campanha intensa que, mesmo sem estrutura e recursos das candidaturas milionárias, vem tendo uma ótima acolhida por parte de quem decide a eleição: o cidadão e a cidadã. Estamos firmes na luta para crescer cada vez mais”.

Domingo de campanha


Neste domingo, Inácio e Chico Lopes deram prosseguimento à campanha visitando comerciantes e clientes no Mercado São Sebastião e levando suas propostas aos fortalezenses que aproveitam o dia ensolarado na Praia do Futuro.

Outro destaque da Campanha 65 no final de semana foi a inauguração do principal Comitê de Campanha, na Avenida da Universidade, 3215, Benfica, em uma grande festa, que contou com a presença do ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, ressaltando a ligação de Inácio, Chico Lopes e do PCdoB com Lula, Dilma e os preparativos para a Copa do Mundo de 2014, em sintonia com o melhor legado para Fortaleza e nossa gente.

Fonte: Assessoria Inácio 65 

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Inácio Arruda e Chico Lopes Inauguram Comitê 65 amanhã na Avenida da Universidade, participe!

Saul Leblon: Mídia joga a tolha e entrega Perillo à própria sorte - Portal Vermelho

Saul Leblon: Mídia joga a tolha e entrega Perillo à própria sorte - Portal Vermelho

Tucanos e demos ainda esperneiam e se agarram à estaca fixada por José Serra, em abril: "Sinceramente, eu dou meu voto de confiança ao Marconi Perillo", disse então o ex-governador de São Paulo ao Estadão (14-04-2012).

Por Saul Leblon*, na Carta Maior


Os fatos diluvianos despejados esta semana na CPI do Cachoeira, porém, romperam o dique político demarcado por Serra, cujo objetivo era impedir que a água caudalosa vertida de Goiás dissolvesse o plano de utilizar o julgamento do mensalão, em plena campanha municipal de 2012, como alicerce aglutinador do udenismo antipetista, já de olho na disputa de 2014. Inútil. O vertedouro das evidências contra Perillo tornou-se incontrolável.

Um relatório da PF enviado à Procuradoria Geral da República, e publicado pela revista Época, elucida as etapas da triangulação – até agora tortuosa – da venda de imóvel do governador de Goiás ao contraventor Cachoeira. Fica claro que o dinheiro saído dos cofres do estado serviu a três senhores simultaneamente – e nenhum deles era o interesse público do povo goiano.

Em abril do ano passado, Perillo liberou cerca de R$ 9,6 milhões de pagamentos atrasados referentes a obras supostamente realizadas pela Delta no estado (cabe à CPI avaliar e identificar essas obras); ato contínuo a Delta depositou R$ 5,4 milhões na conta de empresas de fachada do bicheiro (o que reforça as suspeitas de que o ubíquo Cachoeira é sócio-proprietário da Delta, assim como fermentam sinais de que é uma espécie de dublê de governador no Palácio das Esmeraldas); das empresas do bicheiro migraram três cheques no valor total de R$ 1,4 milhão para uma confecção de um sobrinho de Cachoeira, que em seguida 'comprou' a citada casa de Perillo, teoricamente avaliada em R$ 900 mil e na qual Cachoeira foi preso.

Enfim, o dinheiro público viajou dos cofres do estado para os bolsos das diferentes instâncias do 'condomínio goiano', garantindo ainda um 'plus' a Perillo na venda do imóvel. Serra e Cia vão continuar falando grosso na tentativa de evitar a derrocada do dominó que tem em Perillo uma peça de posicionamento estratégico. Mas, sintomático do isolamento de Perillo, se ressentem da âncora midiática. Hoje, dois pilares do dispositivo conservador  – jornais O Globo e O Estado De S. Paulo – jogaram a toalha em notas editoriais nas quais entregam o tucano à própria sorte.

Os textos utilizam termos idênticos, como se fossem reciclagens de uma mesma matriz. Diz o Estadão: "Reduzido aos seus termos básicos, tratou-se de um acordo, intermediado por Cachoeira, pelo qual o governo de Goiás pagaria R$ 9,6 milhões devidos à Delta em troca de um pedágio de R$ 500 mil para o governador. Quase tão antigo como o Brasil, é o clássico esquema de criar dificuldades para vender facilidades. O alegado suborno de Perillo se materializou no bojo de uma transação imobiliária".

Reitera o Globo: "O relatório (da PF) desfaz a confusão, e dele não sai bem o governador. Em linhas gerais, na versão da PF, sustentada por sugestivos diálogos grampeados, Perillo vendeu a casa a Cachoeira, em cujo preço foram incluídos R$ 500 mil, pagos pela Delta e entregues ao governador para facilitar a liberação de pagamentos do estado (...) caso indiscutível de corrupção, com a criação de dificuldades para a venda de facilidades".


*Saul Leblon é colunista da Carta Maior

Título original: Perillo: mídia joga a toalha

CTB defende políticas públicas para continuidade da escolarização da juventude trabalhadora, durante seminário na Bahia

CTB defende políticas públicas para continuidade da escolarização da juventude trabalhadora, durante seminário na Bahia
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Na última quarta-feira (18) a Secretaria do Trabalho da Bahia promoveu o seminário “Juventude e o Mundo do Trabalho”, no auditório do Ministério Público do Trabalho (MPT), em Salvador.
A abertura contou com a presença do secretário estadual do Trabalho e Esporte, Nilton Vasconcelos, do procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho (MPT) na Bahia, Pacífico Rocha, da Socióloga Laís Abramo, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de representante do Conselho Estadual da Juventude e de Paulo Vinícius Silva, da Juventude da CTB e do Conselho Nacional de Juventude e da FSM.
PV
O evento que teve a participação de sindicalistas, associações empresariais, estudantes e pesquisadores, por iniciativa da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) como parte das atividades que a Secretaria tem realizado debatendo juventude, trabalho decente e emprego juvenil, ao lado de vários estudos da realidade baiana.
O secretário Nilton Vasconcelos acompanhou todo o evento, abrindo-o com a observação de ser um desafio para o poder público enfrentar as dificuldades da juventude em face do mundo do trabalho, apontando para a relevância da educação para o tema.
Pela CTB, Paulo Vinícius Silva destacou a necessidade de políticas públicas que favoreçam a continuidade da escolarização à juventude trabalhadora, que precisa manter seu trajeto formativo a partir do ingresso no mercado de trabalho, dificuldade que afeta sobretudo os mais pobres. Citando a concomitância do estudo e do trabalho como um dos pontos fundamentais da Agenda Juvenil do Trabalho Decente, apontou para o desafio de vincular o investimento na juventude, maioria da população economicamente ativa, como peça central do projeto nacional de desenvolvimento. E questionou se a polêmica tese de que a juventude não deveria trabalhar não abandona a juventude trabalhadora real, mais pobre, ante as mazelas do capital, negando ademais a dimensão do trabalho como conquista da autonomia.
Em sua exposição, a economista Ana Georgina Dias (Dieese Bahia), apresentou dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) que destaca, apesar de avanços recentes, o desafio de superar os quase 20% dos jovens que não trabalham nem estudam, além de observar a necessidade de persistir na política de recuperação do salário mínimo que passoou por décadas de depreciação.
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Augusto Vasconcelos, jovem vice-presidente do Sindicato dos Bancários, abordou a “Crise econômica e o contexto dos jovens trabalhadores”, observando que a despeito da importância inegável do investimento na educação, há variáveis macroeconômicas que definem muito do ambiente empresarial e das possibilidades concretas de incorporar a juventude no mercado de trabalho, sendo fundamental persistir no rumo da redução dos jurios e diminuir o superávit primário para que haja recursos para investimentos na economia brasileira.
A professora Ângela Borges, da Universidade Católica de Salvador, ao abordar “Desenvolvimento, trabalho e as novas gerações”, observou que as tendências de mercado, que na educação favorecem profissões em moda, não necessariamente se convertem em postos efetivos de trabalho. Por outro lado, carreiras muitas vezes subestimadas são fundamentais para a vida e a economia reais.
A diretora da OIT no Brasil, Laís Abramo, lembrou que a conciliação do trabalho e da educação como partes concomitantes não só é fundamental, mas também tem a dimensão da vida familiar, o que tem peso ainda maior para as jovens mães. Observou que a juventude brasileira pelos dados atuais é uma juventude trabalhadora e reafirmou a observação da CTB de que o trabalho é parte do desejo da juventude por sua autonomia, atentando que a Lei de Aprendizagem tem uma abrangência limitada no mercado de trabalho onde ainda se veem mascaradas as piores formas de trabalho infantil e adolescente.
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Já Flávia Rodrigues, economista do Observatório do Trabalho da Bahia destacou que há muito a fazer para superar a maior fragilidade da juventude face ao mercado de trabalho.
A coordenadora da Agenda Bahia do Trabalho Decente, Patrícia Lima, observou a riqueza do seminário, cuja discussão constitui uma base, mas não o esgota, apontando para a necessidade de um novo momento que possa abordar de modo ainda mais específico o acesso ao emprego juvenil na Bahia diante do seu contexto econômico.
Fonte: Assessoria de Comunicação da SETRE e Juventude da CTB
Fotos: Marcelo Reis

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Em defesa da Síria, do Brasil e do multilateralismo - Paulo Vinícius Silva

Existe uma opinião supostamente fiadora do marxismo-leninismo, pretende-se comunista, portanto, que nega a importância de um mundo multipolar. Segundo essa visão, a defesa de um mundo multipolar seria uma espécie de reformismo nacionalista vindo dessa vez do Sul. Destaque-se sua origem no Norte. Pois bem, essa opinião chega a denominar articulações de integração regional tais como a Alba, Mercosul, Unasul, CELAC como rearranjos imperialistas.
A Síria de Saladino, o grande general que retomou Jerusalém para dela fazer uma cidade aberta

Na verdade, infelizmente, tal opinião é antileninista. Assemelha-se ao mais limitado trotsquismo em seu quantopiormelhorismo, só que ao nível das relações internacionais. E é antileninista porque o "corifeu da filosofia da praxis" era tão antidogmático que mandou os donos do marxismo de então para as cucuias e não se deteve ante a oportunidade da Revolução Russa, e sobre a dialética, o contexto e a correlação de forças encontrou o caminho marxista para a revolução, mudando a face da Terra.
A Mesquita dos Omíadas, no centro de Damasco, primeira visitada pelo Papa João Paulo Segundo, exposta à guerra.

Por que o paralelo? Porque não paro há muitos dias de pensar nas ruas de Damasco, Síria. Não me esqueço do Castelo que foi fortalezade Saladino, nem de sua imagem em Damasco. Não me esqueço sobretudo dessa foto, que mostra um grupo de jovens palestinos que dançavam no referido castelo, celebrando a vida e falando da Palestina ocupada. Eu estive nas favelas para onde foram os palestinos após o massacre de Sabra e Shatilla em Beirute. Eu vi a divisão dos libaneses, cindidos entre credos e incapazes de se verem como nação. E na Síria eu vi uma Nação a se colocar como ponto de unidade entre diversos credos, vi xiitas, sunitas, cristãos, lado a lado, numa vida boa, num país lindo.
Com meus camaradas em Damasco na sede do Partido Comunista Sírio Khaled Bagdash

E eu percebo nesse padrão estadunidense o quanto de crime e monstruosidade há e os riscos que nos oferece. Eles fazem uma defesa hipócrita da democracia, estimulam cisões étnicas, promovem a insurgência interna baseando-se no fundamentalismo e em interesses mercenários. E depois, vem a ONU para legalizar o crime, e se não vem, foda-se a ONU, vem a OTAN e as tropas.

Na Síria há uma frente popular e uma sincera solidariedade anti-imperialista que forjou um país soberano que sempre apoiou a causa palestina e a resistência libanesa às manipulações de Israel e EUA. Esse é o maior crime de Hafez el Assad e de Bashar el Assad e de seu povo. Não tenho dúvida do meu lado e louvo a coragem de China e Rússia ao se contraporem às "sanções" da ONU. É o fim da picada... o governo Sírio e a população são vítimas de inúmeros e cotidianos ataques terroristas e a ONU chancela o terrorismo made in USA e na Turquia, com clara infiltração, financiamento.
Era um hospital na região do Golan,veja como o imperialismo tem senso humanitário.

E depois? Depois o massacre, a divisão sectária, mais terrorismo, inúmeras vítimas, a destruição do país de Saladino, crimes e mais crimes. E então, o Irã. E outra vez veremos a pusilanimidade da esquerda liberal se somar ao imperialismo para preparar o caminho para o mesmo script da Líbia, do Iraque, do Afeganistão e da Síria. Profundo asco da cumplicidade dessa esquerda que a direita ama...

Aí, com a vanguarda posicionada, mirando China e Rússia, nesse mapa geopolítico da energia assegurado, os EUA voltar-se-ão para assegurar sua retaguarda. Observemos atentamente como o imperialismo joga em múltiplas arenas, desde a suposta defesa do meio ambiente, desde a infiltração na Amazônia, desde o golpe no Paraguai e a subversão mercenária na Bolívia. O mundo é um grande tabuleiro. Por isso mesmo, melhor se multipolar, melhor se for possível aproveitar as contradições, melhor se se puder impedir essa sanha guerreira e genocida, melhor se com múltiplos jogadores. O quantopiormelhorismo em relações internacionais só favorece o imperialismo, e devia se reivindicar trotsquista, por partilhar sua tacanha visão política em que tudo é preto e branco. O leninismo é criativo, baseia-se em princípios sim, mas também em contexto e correlação de forças. Jamais num contexto tão difícil como o que vivemos, um leninista diria que tanto faz um mundo multipolar ou não porque tudo é imperialismo.
Igreja Cristã alvo de bombardeio na Guerra dos seis Dias

Ao votar contra as "sanções" da ONU, Rússia e China cumprem papel de grande vulto na defesa dos interesses da Humanidade e do povo Sírio. Unamos ainda mais a América Latina, libertemo-nos, isso sim, do absurdo tributo que nos cobra o capital financeiro, parasita, poluidor e belicoso, que sustenta não apenas a poluição, mas a guerra, com o suor de nosso povo, graças à jogatina que alimenta a SELIC e o superávit primário. São recursos que poderiam preservar nosso meio ambiente, educar nosso povo, mudar a face do Brasil com grandes e inovadoras obras, gerando empregos para todos e todas, e preparando as nossas defesas econômicas, com a integração solidária com nossos vizinhos, e militar, porque não dá mais para deixar Pré-Sal e a Amazônia sob o olhar de forças armadas desarmadas ante um mundo em convulsão.
Juventude Palestina nas ruas de Bosra

Como dizia o Che, "ao imperialismo não se deve conceder um tantinho assim, nada!". É hora de ser internacionalista, de defender a Síria, de denunciar tanta agressividade imperialista. Não nos iludamos. O silêncio pusilânime pela mídia estimulado é o compromisso inaceitável com os inimigos que hoje miram a Síria, mas que amanhã se voltarão contra o Brasil.

"Greve no setor público federal é reflexo da falta de negociação coletiva", destaca dirigente da CTB

"Greve no setor público federal é reflexo da falta de negociação coletiva", destaca dirigente da CTB

O Brasil vem enfrentando uma onda de greves em diversos setores do serviço público. Agora o setor federal é o que está paralisado. Trabalhadores técnico-administrativos das Universidades federais e docentes, totalizando 58 universidades, e os trabalhadores dos Institutos Federais de Ensino, totalizando 207 unidades de ensino, estão em greve.
Ainda há os órgãos da  Funasa, Incra, Agricultura, Arquivo Nacional, Saúde, Ministério do Desenvolvimento Agrário, da Justiça, Trabalho e Emprego e Previdência Social também aderiram a greve unificada do funcionalismo público federal. Já os trabalhadores da  Funa, Fisco, Policiais Federais e da Fundação Oswaldo Cruz, realizaram várias paralisações, antecedendo a deflagração da greve.
E pela primeira vez na sua história, o Itamaraty enfrentou uma greve dos seus servidores, afetando as atividades de 92 postos de atendimento brasileiros no exterior. Os trabalhadores do judiciário também paralisaram suas atividades entre os dias 4 e 5, com foco na Justiça Eleitoral, o que foi denominado como “Apagão” do Judiciário Federal e MPU.
De acordo com João Paulo Ribeiro (JP), secretário de Serviços Públicos e do Trabalhador Público da CTB, o que justifica esse movimento grevista em todo o país é justamente a ausência de um marco regulatório do direito a negociação coletiva e do direito de greve.
De acordo com o sindicalista, o setor federal ainda não obteve êxito nas negociações devido à falta de sensibilidade do Ministério do Planejamento em apresentar propostas concretas às demandas dos servidores, não propondo nenhum tipo de política salarial que trate efetivamente de correção das distorções ou perdas salariais das categorias, no último período.
"A lentidão, ou falta de interesse, em negociar com os trabalhadores públicos federais fica evidente, pois o governo realiza inúmeras reuniões, mas sem qualquer efetividade em relação às pautas de reivindicações. Estes trabalhadores, mais de 1 milhão de trabalhadores entre ativos, aposentados e pensionistas, lutam para que sejam incluídos no orçamento de 2013, pois, o prazo legal para que o governo envie ao Congresso Nacional o produto final das negociações é até o 31 de agosto. Caso o governo não envie o orçamento, os trabalhadores ficaram 2013 sem aumento, principalmente os servidores da saúde, educação, saneamento, meio ambiente, entre outros. O que é inadmissível”, afirma João Paulo.
Na opinião de JP, essa demora do governo em apresentar uma saída para o impasse só agrava a situação. "Já que o governo se comporta de forma indiferente em relação à pauta de reivindicações as greves se tornam prolongadas, muitas vezes, com poucas conquistas, com desgastes políticos e até mesmo com a judicialização do movimento”, declara o dirigente da CTB.
Marcha a Brasília
Wagner Gomes, presidente da CTB, destaca é necessário que o governo dê atenção especial aos trabalhadores do setor e ao cenário de desvalorização enfrentado pela categoria, que inclui defasagem salarial, péssimas condições de trabalho, entre outros pontos. "O governo precisa atentar para a realidade do funcionalismo público em todas as esferas, para os problemas enfrentados diariamente pela categoria. E isso só se dará a partir de um canal de diálogo aberto e com a apresentação de propostas que atendam às demandas destes trabalhadores",alertou Gomes.
O presidente da CTB deve, inclusive, participar do Acampamento, que faz parte da Marcha a Brasília, promovida pelos servidores.  A mobilização que teve inicio na última segunda-feira (16) e vai até sexta-feira (20), deve mobilizar milhares de trabalhadores em Brasília. Na quarta-feira (18), acontece a Marcha dos Servidores na Esplanada dos Ministérios, quando são esperados 50 mil trabalhadores. A programação da semana se encerra com a Plenária Aberta do Fórum de Entidades, na sexta-feira (20).
Leia mais: Servidores públicos federais em greve organizam acampamento em Brasília
Portal CTB

CTB lamenta falecimento de dirigente bancário Josias Galeno

Gostaria de me solidarizar com a família, os amigos do Camarada Josias Galeno que fará muita falta.
Paulo Vinícius


CTB lamenta falecimento de dirigente bancário Josias Galeno

josias galenoA CTB lamenta o falecimento do sindicalista, Josias Galeno Santiago de Oliveira, presidente da Associação do Pessoal da Caixa Econômica em Pernambuco (APCEF-PE) e diretor da CTB-PE.
Josias faleceu na manhã desta quarta-feira (18), em decorrência de problemas provocados por um aneurisma da aorta. O sindicalista chegou a ser socorrido após um mau súbito no último domingo (15), porém não resistiu após procedimento cirúrgicos.
Empregado da Caixa Econômica desde 1979, Josias Galeno tinha 54 anos e era lotado na GIRET-RE (Retaguarda das Agências Recife), mas estava liberado para exercer a presidência da APCEF-PE pelo segundo mandato consecutivo.
Galeno, que também era militante do Partido Comunista do Brasil ( PC do B), tem sua história ligada ao movimento sindical bancários desde sua admissão ao quadro funcional da empresa.
Seu corpo será velado a partir das 15 horas desta quarta, no Cemitério Morada da Paz, localizado na Avenida Rodolfo Aureliano, S/N - PE 15 Km 3,5 Vila Torres Galvão, em Paulista, Região Metropolitana do Recife. Às 11 horas da manhã da quinta-feira, 19, será realizada uma missa de corpo presente seguida da cerimônia de cremação.
A diretoria da CTB se junta a familiares e amigos neste momento de dor pela perda do estimado sindicalista, que deixa esposa, dois filhos e uma neta.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Evo Morales: Hoje a Bolívia é politicamente forte e soberana - Portal Vermelho

Evo Morales: Hoje a Bolívia é politicamente forte e soberana - Portal Vermelho

O presidenteda Bolívia, Evo Morales, confirmou neste sábado (13) sua lealdade ao processo de mudança que a Bolívia e disse que o país vai continuará adiante e terá ao seu lado o apoio de movimentos sociais e do povo.
 


Em declaração à imprensa latino americana, Evo Morales reafirmou sua fidelidade ao povo boliviano e ressaltou a força de seus princípios. "Nós temos projetos e valores políticos, econômicos e um programa concreto para a Bolívia".

Evo destacou ainda que e qualquer tentativa de desestabilizar seu país será combatida por ele, pelos os movimentos sociais e pelo povo boliviano.

Para o mandatário as oligarquias, bem como as nações imperialistas, sempre tentaram desestabilizar e tirar proveito de qualquer situação, afirmou ao lembrar do golpe empreendido no Paraguai.

"Não só lamento o que aconteceu no Paraguai, como não reconhecemos o atual governo deste país", reafirmou o primeiro presidente indío da América Latina.

Porém, Morales diz que o golpe ocorrido no Paraguai "permite uma reflexão: é difícil mudar um país, após anos de ditadura, sobretudo um país com muitos proprietários. Nosso respeitado e admirado presidente Fernando Lugo começou a mudar a política agrícola e, em seguida, vieram os proprietários para tirá-lo do poder. Tentaram aqui na Bolívia, mas nós tínhamos o povo ao nosso lado", lembrou.

"A consciência do povo boliviano, expressada em diversas lutas sociais permitiram parar  pelo menos três tentativas golpes: em 2008, 2011 e 2012", disse Morales, acrescentando que aqueles que tentaram derrubar seu governo foram derrotados.

O presidente exemplificou sua reflexão lembrado da última marcha indígena para a capital do país e da forma como este ato foi usado pelos partidos de direita, especialmente pelo Movimento Sem Medo e pelo seu líder Juan del Granado. "Esta organização apoiou o movimento, mas o povo não acompanhou, o que acabou se tornando mais um triunfo deste processo de mudança, na revolução democrática e cultural, por que passa a Bolívia", disse ele.

Para Morales, "o povo de La Paz é sábio e sabe como e quando ser solidário. E se o governo não mente, não usa interesses pessoais ou sectários, sempre consegue sair vitorioso. A verdade é uma grande força", comentou o chefe de Estado, que lembrou que há 30 anos as forças opressoras diziam que para salvar a Bolívia da morte era preciso privatizar os recursos naturais e serviços básicos.

Hoje a Bolívia se apresenta com muita força, economicamente estável, politicamente forte e sobenara e culturalmente invencível", externou Morales.

Para o líder boliviano, "este processo não será parado. Então, vamos continuar essa luta, apesar de algumas dificuldades que podem surgir sempre."

A força de Cuba e da Venezuela

Ele também destacou a inspiração do líder cubano Fidel Castro e do comandante Hugo Chávez no processo vivo de mudança na Améria Latina. E esclareceu que somente leva a cabo uma tarefa deixada pelos antepassados, de Tupac Katari e Bartolina Sisa para os mineiros, os trabalhadores indígenas originários e vítimas ditaduras militares.

"Vou reconhecer a grande presença de Fidel, bem como o governo e povo cubano. E também o exemplo de Hugo Chávez, pois o governo venezuelano nos apresenta duas questões fundamentais e de amplo avanço: a saúde e educação", disse ele.

O mandatário rememorou a Missão Milagre. "É impressionante a solidariedade do povo cubano de Fidel e seu governo. É inestimável e parece inatingível. Também no campo da educação, com o apoio de Cuba e da Venezuela, em pouco tempo conseguimos erradicar o analfabetismo", disse ele.

Ele lembou que "antes muitos tentaram e nunca conseguiram, mas a solidariedade de dois países irmãos, como Cuba e Venezuela, ajudou a avançar. E organizações como a Alba (Alternativa Bolivariana para os Povso de Nossa América), se converteram como uma política latino-americana com definições ideológicas, com programa concreto e anti-capitalista. E já colhemos os resultados".

Finalmente, ele lembrou que "a luta é permanente. Uma batalha econômica, uma luta ideológica, com uma grande vantagem: o nosso movimento de bases das forças sociais, é baseado na lei cósmica que nossos antepassados ​​nos deixaram: não roubar, mentir, ou ser preguiçoso ".

"Constitucionalizamos estes valores de nossos antepassados, mas eu notei que haverá provocações, internas e externos, geralmente engendradas e impostas de fora, financiada pelas nações capitalistas com o objetivo de minar as profundas mudanças que fizemos na Bolívia. Mas nós temos o povo ao nosso lado", destacou Morales.

Fonte: Prensa Latina

Tradução: Joanne Mota

Elias Jabbour: China, desaceleração e/ou transição? - Portal Vermelho

Elias Jabbour: China, desaceleração e/ou transição? - Portal Vermelho

Sem uma boa filosofia, uma boa análise da realidade tem a grande tendência de se perder na concentração do que é “estático” em detrimento da “dinâmica”, dinâmica esta que compreende a análise da própria história de uma certa realidade.

Por Elias Jabbour*


Pois bem, abstraindo o conjuntural, é correto advogar o termo “desaceleração” a um país que cresceu nos últimos 30 anos a uma taxa média de 9,9% - sendo que em 2011 este crescimento foi de 9,2 e as projeções mais pessimistas para 2012 cravam algo em torno de 8%?

A resposta não é fácil como muitos creem. De fato, este crescimento acelerado foi acompanhado por um crescente do coeficiente “comércio exterior” em relação ao PIB, coeficiente este que cresceu de forma mais acelerada que o próprio PIB entre 1980 e 2010. Desta forma, se tomarmos a história das crises econômicas como a história – numa relação de causa e efeito – das crises do comércio exterior, chega-se sim à conclusão de que o país encontra-se em desaceleração cuja causa primária está no fechamento relativo de mercados externos aos seus produtos.

Mas se tomarmos os dados disponíveis para os meses de abril e maio, a dúvida sobre o processo de “desaceleração” pode aumentar. Em abril verificou-se deflação no Índice de Preços ao Produtor (PPI) que passou de 0,3% em março, para 0,7% em abril. E em relação à produção industrial, o mês de abril apresentou um crescimento inferior ao esperado pelos analistas. Após avançar 11,9% em março, a produção industrial desacelerou e registrou um crescimento de 9,3% em abril, enquanto as expectativas esperavam alta de 12,2%.

Por outro lado, conforme noticiado no Wall Street Journal (11/06/2012), as exportações subiram 15,3% em maio ante um ano atrás, informou ontem a Administração Geral da Alfândega da China, superando o modesto crescimento de 4,9% registrado em abril e bem acima da previsão de 6,9% resultante de uma pesquisa com economistas. Do mesmo modo, as importações cresceram 12,7% em maio contra 0,3% em abril, sendo que a previsão era de que cresceriam 3%.

Dados de uma associação de caráter semioficial (Associação de Fabricantes de Automóveis da China) dão conta de um crescimento nas vendas de automóveis em maio. As vendas de carros de passeio subiram 22,6% frente ao ano anterior, para 1,28 bilhão de veículos. O crescimento ficou acima dos 12,5% de abril, uma recuperação significativa em relação à queda de 1,3% nas vendas registrada no primeiro trimestre em relação a 2011. Sinal claro de que as medidas de expansão ao consumo e ao investimento, replicadas ciclicamente desde 2008, estão surtindo efeitos.

O que significam esses simples números? Variáveis para uma matemática tosca com carapaça de ciência dita econômica? Creio que não. Concentrarmo-nos na contradição inerente dos números pode servir a uma absolutização que não coopera em nada para o que é importante no momento: a China vive uma grande transição que se confunde com um longo processo histórico indicativo da formação de uma economia continental pós-fordista, numa réplica da formação e consolidação do território norte-americano na segunda metade do século XIX. Agregar este caráter estratégico do curso atual da Revolução Chinesa sugere também perceber quais são os atributos presentes no chamado “modelo chinês”, notadamente nas potencialidades de seu mercado interno.

Altos coeficientes de abertura e um quase inelástico mercado interno são as duas pontas de um compasso. O “externo” e o “interno” funcionam de forma quase sincrônica sob o lastro de um poderoso Estado socialista onde o Princípio da Demanda Efetiva é expressão da fusão da Grande Empresa (149 conglomerados estatais concentrados nos setores estratégicos da economia) com o Grande Banco (16 grandes bancos estatais e investimentos).

A mediação desta fusão pode estar presente tanto na estatização dos instrumentos cruciais do processo de acumulação, quanto na planificação do próprio comércio exterior. Novas e superiores formas de planejamento se impõem diante desta “grande fusão” e se concretizam na capacidade deste Estado em transferir centenas de bilhões de dólares de um canto do país.

Logo, a realidade estratégica da já dita formação de uma economia continental é a espinha dorsal num lugar onde o Princípio da Demanda Efetiva torna-se algo como uma lei geral do processo de desenvolvimento do país. Uma quase antítese e relação ao capitalismo norte-americano e europeu onde a Preferência pela Liquidez, há muito, transformou-se em objetiva do funcionamento do sistema.

Diante de uma estratégia capaz de manter expectativas internas e externas atrativas ao investimento, podemos vaticinar boas perspectivas para o Brasil e o mundo. O preço das commodities e outras matérias-primas devem voltar ao estado de normalidade na mesma proporção em que as taxas de investimento com relação ao PIB (na China) devem se manter num patamar entre 37% e 42% para os próximos anos. Isso é possível na medida em que 53% dos investimentos em ativos fixos são concentrados em novas infraestruturas.

Portanto, as comparações – neste campo – com economias como a do Japão e da Coreia carecem de fundamento. Nem a Coreia, nem o Japão têm a demanda de interligar um território das dimensões da China, muito menos uma população de centenas de milhões a serem alçadas ao consumo. E o processo de unificação do território econômico chinês tardará ainda pelo menos 30 anos.

Bom assinalar que pela primeira vez (2011), desde o lançamento do Programa de Desenvolvimento do Grande Oeste em 1999, a renda rural cresceu de forma mais acelerada que a urbana e mesmo diante de um cenário de “desaceleração” (sic) a produção de cereais da China cresceu pelo oitavo ano consecutivo e bateu um novo recorde em 2011, chegando a 571,21 milhões de toneladas, uma alta anual de 4,5%. As possibilidades futuras são mais amplas do que a vã e pobre ortodoxia econômica pode aferir.

Enquanto o Príncipe Moderno (Partido Comunista da China) conduz uma locomotiva que na atualidade é a maior provedora de crédito líquido no planeta e que se apresenta no centro de gigantescos processos de fusões e aquisições, sobretudo na Europa, no Brasil o “Rei” (Plano Real) - criado em algum escritório da Universidade de Chicago, mas com paternidade reconhecida por um “Príncipe da Moeda” (FHC) -, está em plena nudez.

A crise desnudou e a realidade denuncia a necessidade de proscrição do “esquemão” surgido em 1994. O golpe (com o mesmo grau de letalidade do ocorrido em 1964) que se baseou na troca da inflação pela dívida pública chegou ao seu limite. O seu limite “progressista” residiu num cenário externo positivo entre os anos de 2003 e 2010.

Mas hoje a taxa de investimentos decresce de forma mais rápida que a taxa de juros. O objetivo estratégico de “combate à inflação” (ampliada com a quebra da última fronteira da indexação, a poupança) está aí. O pior pode estar por vir: ainda temos seis meses para frente o que significa que novas acomodações para baixo na expectativa de crescimento são amplamente possíveis.

À luz tanto da impetuosidade chinesa quanto da capacidade de nosso povo, o momento é de coragem intelectual para denunciar a verdadeira natureza do Plano Real. Infelizmente, patriotas da estatura e coragem de Ignacio Rangel (1914-1994) não estão tão disponíveis assim neste verdadeiro mercado que se transformou o “debate de ideias”.

Quem sofre é o Brasil. É cada vez mais evidente que somos, conforme o citado gênio maranhense, “um país de cegos guiados por cegos no rumo do abismo”. Ou não. Que a história nos demonstre o contrário. E torço para isso.

* Elias Jabbour é autor de “China: Infra-Estruturas e Crescimento Econômico” (Anita Garibaldi, 2006, 256 p.) e “China Hoje: Projeto Nacional, Desenvolvimento e Socialismo de Mercado” (Anita Garibaldi/EDUEPB, 2012, 456p.).

Fonte: Fundação Mauricio Grabois

Livro revela que a ditadura executou 41 guerrilheiros no Araguaia - Portal Vermelho

Livro revela que a ditadura executou 41 guerrilheiros no Araguaia - Portal Vermelho

Enquanto acontecia, entre 1966 e 1974, a Guerrilha do Araguaia esteve envolta pelo manto do silêncio imposto pela censura da ditadura militar. Mais tarde, com a redemocratização, a história começaria a ser contada em reportagens e livros.


Publicações como a  "Guerrilha do Araguaia: a esqueda em armas", de Romualdo Pessoa Campos Filho, deram um passo importante para o conhecimento do que ocorreu nas matas do Pará, com a avaliação do resultado de toda a ação de repressão há época.


Sob a ditadura militar implantada em 1964, diversas organizações e partidos de esquerda buscavam maneiras de resistir à violência do regime. A perseguição nas cidades e a necessidade de se arregimentar um contingente disposto a lutar pela democracia e pela igualdade levaram dezenas de militantes do PCdoB às matas da região do Araguaia. Nascia assim, no começo dos anos 1970, a principal resistência guerrilheira ao autoritarismo, somente derrotado depois de as Forças Armadas deslocarem para a selva o seu maior efetivo desde a Segunda Guerra Mundial.

O Livro "MATA! O MAJOR CURIÓ E AS GUERRILHAS NO ARAGUAIA" resulta da pesquisa do jornalista, Leonencio Nossa, que ouviu dezenas de depoimentos que reveleram a ação militar de Sebastião Rodrigues de Moura, o Curió, "um dos cem homens da política de extermínio" do presidente Emílio Garrastazu Médici (1969-1974).

Segundo o autor, a obra foi concebida a partir do acesso ao arquivo pessoal de Curió, 32 pastas, cinco mapas, seis álbuns de fotografias e muitos papéis soltos, tudo guardado numa mala de couro vermelho. O livro é ancorado nesse material, "o único que se conhece sobre fuzilamento de presos políticos na ditadura militar".

A obra revela que teria havido pelo menos 41 execuções, e não 25, como se imaginava. O livro traz a lista dos nomes das vítimas, com data e local das mortes. São informações relevantes, sobretudo porque emergem logo após a instalação da Comissão da Verdade.



Com informações da Folha

Denúncia do presidente Mujica desata crise no partido colorado - Portal Vermelho

Denúncia do presidente Mujica desata crise no partido colorado - Portal Vermelho

A denúncia do presidente uruguaio, José Mujica, sobre vínculos de setores do Partido Colorado do Paraguai com o narcotráfico, desatou uma profunda crise nessa organização, principal protagonista na destituição do presidente Fernando Lugo.



Em suas declarações, que causaram um grande impacto no setor político paraguaio, Mujica assinalou que o "narcocoloradismo" foi o autor da conspiração para materializar o golpe parlamentar destinado a tirar o chefe de Estado eleito pela população de seu cargo.

Isso se converteu no sinal para que, em meio a violenta disputa pela candidatura presidencial para as eleições de 2013, na qual o partido está envolvido, todas os olhares se dirigissem para um dos candidatos presidenciais, o opulento empresário Horacio Cartes.

Já o presidente Lugo havia assinalado que Cartes foi o principal organizador do golpe ao realizar um pacto com o então vice-presidente da República, Federico Franco, dirigente do Partido Liberal, que ocuparia a presidência da República até as próximas eleições em troca de apoiar seu plano.

A direção dos colorados, da qual fazem parte outros dois candidatos, Lilian Samaniego e Ivier Zacarías, exigiu publicamente de Cartes uma declaração na qual esclareça publicamente suas relações com o narcotráfico e com a lavagem de dinheiro.

O pedido de Samaniego e Zacarías, além de fazer parte da luta interna na entidade pela candidatura presidencial, baseou-se em elementos públicos sobre a conduta de Cartes que, imediatamente, voltaram a sair à luz nos debates realizados pelos representantes das duas partes nos meios de comunicação.

Segundo esses dados apresentados pelos adversários de Cartes, este esteve foragido da justiça durante quatro anos acusado de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, até que se entregou na década dos 90, foi condenado em várias instâncias, mas surpreendentemente seu caso foi depois arquivado.

Foi acusado também, disseram seus colegas de partido, de tráfico de cigarros e drogas, enquanto um telegrama difundido pelo Wikileaks o situou sob a mira de agências antidrogas pelo mesmo delito de facilitar através de seu banco Amambay a lavagem de dinheiro.

A polêmica no interior do Partido Colorado subiu de tom nos últimos dias enquanto acerca-se a data estabelecida pelo Tribunal de Justiça Eleitoral para a apresentação oficial da lista de candidatos para as próximas eleições.

O tom das acusações e os elementos apresentados, dos quais Cartes se defende atacando contra seus oponentes, dão cada vez mais valor à denúncia do presidente Mujica sobre a vinculação do famoso narcocoloradismo com o golpe contra Lugo que, concretamente, não é condenado pelos Estados Unidos.

Fonte: Prensa Latina

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