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domingo, 18 de janeiro de 2015

(Muitos) Médicos brasileiros estão revoltados com estímulo ao parto normal? Cauê Madeira*, Brasil Post - Pragmatismo Político


Redação Pragmatismo

Médicos revoltados parto normal brasil saúde
Cauê Madeira, Brasil Post
Mais essa agora! Acabo de desligar o telefone após longa conversa com um amigo meu, médico-obstetra. Ele está revoltado com os desmandos desse governo. Pois agora, depois da absurda medida que trouxe médicos estrangeiros para nossa pátria amada Brasil, querem acabar de vez com seu ganha-pão: criaram novas normas para estimular o parto normal. Como primeira atitude, os planos de saúde poderão deixar de pagar por cirurgias cesarianas desnecessárias.
Desnecessário, para o governo, é todo parto cirúrgico agendado. Caramba, e como fica o meu amigo? E o obstetra que fez o parto da minha primeira filha? Coitados, eles também são gente.
Qual é a medida agora? Respeitar as regras do corpo da mulher? Esperar um trabalho de parto por horas e horas? Como fica a vida social do meu amigo? Não dá, isso vai prejudicar a atribulada agenda dele, com dez a quinze partos agendados por semana, tudo bonitinho. Essa história é muito caótica, ele tem contas a pagar, afinal de contas. E se um bebê resolve nascer no meio de suas férias no Caribe, como é que fica?
Meu amigo está muito ofendido, pois Arthur Chioro, o ministro da Saúde, chamou de epidemia a quantidade de cesáreas que vêm ocorrendo no país. Só porque 84,5% dos partos na rede privada são cirúrgicos. A Organização Mundial da Saúde – OMS recomenda no máximo 15%, mas quem confia nela, não é mesmo? É a mesma organização que diz que o ideal é que se amamente até os dois anos de idade, mas alguns médicos não se fazem de rogados em mandar tascar o leite em pó no bebê aos quatro meses, não é isso? Ah, não dá pra confiar, prefiro continuar ouvindo o médico da minha família, o mesmo que mandou ela tomar suco de laranja aos três meses para já se acostumar.
Minha filha, por exemplo, nasceu de 36 semanas, em um parto cirúrgico agendado. Pela idade gestacional ela poderia ser considerada quase prematura.
Ao ser arrancada da barriga da minha mulher ela não chorou. Talvez quisesse dormir mais um pouquinho. Mas não tem problema, meu amigo explicou que Deus ajuda quem cedo madruga.
Quem quer uma filha preguiçosa?
Claro, ela teve uns probleminhas respiratórios por causa disso, precisou ficar 14 horas longe dos pais. Infelizmente isso impossibilitou que pudéssemos pegá-la no colo no momento do nascimento. Ela ficou no oxigênio o tempo todo e minha esposa, impossibilitada de se levantar por conta da cirurgia, só pôde vê-la no dia seguinte, enquanto todos os parentes já tinham visitado o berçário e conhecido nossa filha.
Mas como meu amigo disse, ossos do ofício… “Ela tá bem hoje, não tá?”. É verdade. Ela está. Mas ouvi dizer que parto cesariana triplica o risco de morte materna e aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido (como minha filha teve). “Isso é coisa de esquerdista, intriga dos opositores“, bradou meu amigo.
Para ele, o parto cesárea agendado é melhor pra todo mundo.
É melhor para ele, que consegue deixar a agenda organizadinha, bem como a conta bancária. É melhor para os parentes, que conseguem se preparar para vir em caravana visitar o bebê. É melhor para a família, que consegue montar o enxoval em Miami sem dor de cabeça. Só não é muito bom para o bebê. Nem para a mulher. Como minha esposa, que teve uma leve hemorragia na hora da cirurgia, e que por isso me deixaram na sala de espera, sem poder vê-la, em cerca de 90% do procedimento. Quando cheguei à sala de parto minha filha já estava nascendo.
Basicamente, não acompanhei nada. Nem ela, que estava passando mal e não podia virar de lado para se livrar das náuseas.
O parto normal é muito bom, mas é quase impossível de atingir as condições ideais. O bebê pode estar sentado, o cordão umbilical pode estar enrolado no pescoço dele, a mãe pode desenvolver a bactéria streptococcus. Aí não tem jeito, tem que ser cesárea, disse meu amigo.
Estranhei um pouco, pois já tinha lido que nenhuma dessas situações tornava obrigatório um procedimento cirúrgico. E mais, expliquei a ele que 70% das mães em início de gestação têm preferência pelo parto normal, mas que acabavam em uma cesárea no fim das contas, provavelmente convencidas “amigavelmente” por alguém. Talvez pelo médico? Meu amigo ficou nervoso com essa suposição.
Pedi para colocar a mão na consciência. Veja bem, meu amigo, procure entender.
Expliquei para ele a situação da minha família. Nosso obstetra, por exemplo, falou que o parto normal era uma maravilha mesmo, e que ele sabia como conduzir um. Mas conforme a gestação avançou, foram surgindo vários pequenos motivos para que não ocorresse. E nós, pais de primeira viagem, sem muita orientação, acreditamos. Aliás, ficamos com medo. Pois o ponto não é dar uma escolha: é amedrontar mesmo. É fazer parecer que a escolha é nossa. Ou, como ele mesmo disse, “se fosse minha filha, eu faria cesárea“. Aí não tem como fazer diferente, né?
Claro, depois descobrimos que era tudo balela. Que todos os partos que ele fez e faz são cesáreas, assim como os do meu amigo obstetra. Nisso ele murchou um pouquinho. Por fim, revelou: eu não sei mais como se conduz um parto normal. Esqueci. Mas é que cesárea realmente é melhor, me disseram na faculdade.
Não tenho dúvidas, meu amigo.
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* (Muitos) é ressalva de Coletivizando

sábado, 17 de agosto de 2013

800 MIL REAIS PARA FORMAR UM MÉDICO NA UNIVERSIDADE PÚBLICA: CONSERVADORISMO DE BRANCO É ATRASO, BRENO ALTMAN - BRASIL 247




Procure os negros na foto, por favor

Em análise exclusiva para o 247, o jornalista Breno Altman comenta os protestos de médicos contra o programa do governo federal que visa ampliar a oferta de profissionais no SUS; "sua natureza reside em defender privilégios corporativos, contrapostos aos interesses do país e aos direitos da cidadania", diz ele; Altman lembra que a formação de um médico custa R$ 800 mil à União; "Parte expressiva da categoria, diplomada em instituições do Estado, não está nem aí para a hora do Brasil e se acha no direito de pensar apenas em carreira pessoal e montar um rentável consultório privado em alguma metrópole"



Por Breno Altman, especial para o 247As manifestações de médicos, nessa última terça-feira, revelam um núcleo duro e mobilizado das elites brasileiras. Sua influência nos meios de comunicação, na sociedade e nas instituições já ameaça o programa de saúde recentemente lançado pelo governo. A julgar pelas emendas apresentadas na Câmara dos Deputados, a desfiguração desse projeto será inevitável.
O Palácio do Planalto pode estar pagando um preço por ter agido de forma atabalhoada, sem consultar e articular as correntes mais progressistas da medicina, o que seria obrigatório para batalha dessa envergadura. Mas a reação não é contra eventuais falhas de interlocução: sua natureza reside em defender privilégios corporativos, contrapostos aos interesses do país e aos direitos da cidadania.
As três principais bandeiras nas marchas dos jalecos brancos são elucidativas. São contra a extensão da residência em dois anos, com obrigatoriedade de servir o Sistema Único de Saúde. Não concordam com a vinda de doutores estrangeiros para cobrir déficit de profissionais, especialmente nos rincões do país. Reivindicam a derrubada do veto presidencial sobre o chamado Ato Médico, que fixava supremacia da categoria em relação a outros trabalhadores do universo sanitário.
São reivindicações de quem olha para o próprio umbigo. Insuflada pelos extratos mais ricos e articulados com o conservadorismo, a mobilização médica não entra na briga para a melhoria da saúde pública. Seus maiores aliados são os que comandaram campanha para eliminar a CPMF e retiraram cerca de 40 bilhões de reais anuais para o financiamento do setor.
Não passa de deslavada hipocrisia quando se afirma que o problema não é a falta de médicos, mas a carência de estrutura nos hospitais e centros de atendimento. As dificuldades são inegáveis, isso é fato. No contexto deste embate, porém, não passam de álibi para que o andar de cima possa fazer sua vida sem reciprocidade com os milhões de brasileiros que suaram a camisa e pagaram impostos para garantir a existência de boas faculdades públicas de medicina.
O Brasil tem um número pífio de médicos, na proporção de 1,8 para cada mil habitantes. Na Inglaterra, esse índice é de 2,7. Em Cuba, de 6. Nos últimos dez anos, surgiram 147 mil novas vagas no mercado de trabalho, mas apenas 93 mil profissionais foram formados. Há 1,9 mil municípios com menos de um médico por 3 mil habitantes. Em outras 700 cidades, não há doutores com residência fixa. Nem é preciso dizer que esses 2,6 mil municípios sem assistência adequada estão entre os mais pobres e distantes dos grandes centros.
O governo criou o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), para levar médicos ao interior e aos subúrbios. A demanda era de 13 mil trabalhadores, mas apenas 3,8 mil postos foram preenchidos, apesar do salário de 8 mil reais que é oferecido, agora aumentado para 10 mil no Programa Mais Médicos. Até mesmo bairro periféricos de cidades importantes, como Porto Alegre e São Paulo, não conseguem atrair interessados.
Parte expressiva da categoria, diplomada em instituições do Estado, não está nem aí para a hora do Brasil. Não quer sair de sua zona de conforto e se acha no direito de pensar apenas em carreira pessoal e montar um rentável consultório privado em alguma metrópole.
Entidades da área, especialmente o Conselho Federal de Medicina, fazem de tudo para impedir a ampliação do número de faculdades (em nome da qualidade de ensino, é claro) e a contratação de médicos estrangeiros ou formados no exterior. A reserva de mercado, para essa gente, está acima da saúde pública.
E essa gente é muito diferenciada. Enquanto 40% do total de alunos da Universidade de São Paulo frequentaram colégios públicos, na Faculdade de Medicina essa origem restringe-se a 2% dos matriculados. Na turma de 2013, nenhum deles era negro. Médicos ricos querem ficar mais ricos atendendo os ricos. Como os pobres têm bem menos chances de ganhar o canudo, esses que se lasquem.
O governo tentou resolver o problema apenas por métodos de atração. Não encontrou auditório. Resolveu, então, adotar um modelo semelhante àquele adotado, há décadas, por países tão distintos quanto Israel e Cuba, instituindo uma variante de serviço civil obrigatório, ainda que bem remunerado.
A formação de um médico, na universidade pública, custa ao redor de 800 mil reais para o tesouro da União e dos estados. Nada mais justo que haja alguma forma de retribuição pelo aporte realizado por toda a sociedade para cada indivíduo que virou doutor. Dois anos de reembolso, com um razoável contracheque, é uma bagatela. Vale lembrar que o dever do Estado é com o povo, não com os médicos.
Talvez os estudantes das faculdades privadas pudessem estar isentos dessa medida, mas todo o cuidado é pouco para evitar que os endinheirados aproveitem brechas para escapar de sua obrigação social, trocando de curso. Uma ou outra correção cabe ser feita, mas o ministro da Saúde e a presidente Dilma Rousseff estão cumprindo sua tarefa constitucional.
O que falta, além de mobilizar os setores da saúde favoráveis às providências adotadas, é travar uma batalha de valores mais firme sobre o programa em discussão. Por enquanto, parece que a preocupação principal é acalmar a ira de médicos ensandecidos pelo egoísmo de classe. O objetivo principal deveria ser debater os deveres de solidariedade dos que recebem privilégios e os direitos de todos a receber assistência médica de qualidade.
Não se pode dar moleza a porta-vozes da ignorância e má fé. Quando personagens como Cláudio Lottenberg e Miguel Srougi se voltam contra a vinda de médicos cubanos, há pouco o que acrescentar. Mentem descaradamente sobre a qualidade desses especialistas, cuja proficiência é atestada pela Organização Mundial da Saúde e pelas 65 nações nas quais trabalham para suprir deficiências locais.
Afinal, seria um horror para o reacionarismo de branco assistir médicos da ilha de Fidel, muitos entre eles negros, pegando no batente em locais para os quais seus colegas brasileiros viram as costas e tapam o nariz. A nudez de seu comportamento lhes seria insuportável.
Breno Altman é diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O Programa Mais Médicos e as mensagens do corporativismo à população - Paulo Vinícius Silva

As mudanças sociais profundas demandam uma grande luta, cuja expressão na forma dos valores é decisiva. Em muitas batalhas, até para além de campos políticos, os valores humanistas, a solidariedade e o compromisso com o povo e o país fazem toda a diferença. E, claro, a opção que fazemos define quem somos. Infelizmente, a sociedade burguesa mercantiliza tudo. E as nossas vidas, a nossa dor, a nossa saúde, e de nossos entes mais queridos também submergem nesse rodamoinho do capital. É assustadora a nossa fragilidade diante desse escândalo.

Nem sempre a juventude é avançada. Como categoria policlassista, tem embutida em si a divisão que caracteriza as sociedades marcadas pela exploração dos seres humanos pelos seres humanos através dos interesses de classe. Assim, e por isso mesmo, a militância de esquerda na juventude, em especial se revolucionária, busca aproveitar essa fase de transição na vida para marcá-la indelevelmente com os valores do humanismo, da solidariedade, da indignação contra a injustiça, do amor pelos oprimidos. As forças dominantes tem uma enormidade de meios que se somam para incorporar a juventude ao discurso da ordem: é a juventude após o fim do socialismo europeu, marcada pela negação da política como projeto coletivo, pelo individualismo, o hedonismo, o consumismo, a negação das organizações coletivas como partidos e sindicatos.

Para além de manter acesas na juventude as chamas da revolução, é preciso mostrar-lhe a opção pela sua classe na sua constituição como adultos. Quando essa força juvenil se encontra com o povo, a sua contribuição poderá brilhar e aquecer por toda a vida. E, dentre todas as profissões, qual poderia fazê-lo com o poder da medicina?

Nos últimos meses, creio que tem havido uma batalha quanto ao sentido da saúde e da medicina, em torno do programa Mais Médicos. Penso que a questão central no debate não pode ser obnubilada pelas críticas: é preciso ter médicos em todas as unidades públicas, em todo o país, para democratizar a saúde, em especial para os mais pobres. 

Diante dessa consigna, no entanto, foram tantos óbices e oposições que o tema central parece ter perdido importância. Mas não. E, a despeito das pretensões iluminadas da nossa classe mérdia, a população entende-o perfeitamente. As mães e pais com seus filhos o entendem, e também os filhos, com seus pais idosos e doentes. O povo sabe o que é a dor sem remédio. O descuido no atendimento que limita para sempre. O trabalhador sabe o que é a insensibilidade do perito médico. O povo sabe o que é perder um ente querido por não haver remédio, atendimento, nem consolo, nem dignidade.

Por isso, acredito que as ações dos conselhos e sindicatos - não todos, espero, mas duvido - de Medicina e seus impactos sobre a sua base, na mobilização contra o programa Mais Médicos, foram imenso desserviço à categoria. Acho que eles não entendem isso. Não percebem, mas o povo os olha de modo distinto daquela sacralidade atribuída ao médico, a quem se confia tanto sobre nossas vidas, e muitas vezes com tantas decepções. Acho que a categoria entrou num beco sem saída quanto aos valores que tradicionalmente encarna diante da opinião pública.

Dos problemas da saúde o povo já sabe. Talvez não soubesse do extremo corporativismo, da insensibilidade social, do sentido de elite e do conluio com a medicina privada. No fim das contas, o que fica é que a Dilma tentou levar os médicos aos mais pobres e necessitados, e a maioria da juventude formada nas escolas de medicina com o dinheiro público e seus mestres, em vez de se somar a esse esforço, propor melhoras que cumprissem o que o povo demanda, acabaram fazendo o pior:

1) Disseram claramente, "o problema da saúde não é nosso". Invista, mude tudo e depois a gente conversa. Poderiam, ao inverso, ser parte da mudança, mas não. Curiosamente, nem uma palavra sobre o comércio da vida e da saúde, e o impacto dos interesses econômicos. Curioso.
2) Explicitaram um padrão profissional que a gente já conhece. Interesses tão claramente privados e de elite que colocam a urgência de democratizar socialmente os cursos de medicina e o currículo. A universidade pública, infelizmente, forma gente com esse nível de compromisso com o Brasil e o povo. Para que formar os filhos da elite, de costas para o povo, na universidade pública?
3) Declararam tão enfaticamente que não podem fazer nada, desmerecendo a sua profissão e também mentindo. Os fatos o provarão, quando os profissionais estrangeiros (que vergonha, né?) chegarem nas periferias e, defrontados com os problemas, darão um mapa ainda mais preciso do que deve ser mudado, e eles mesmos, em contato com o povo, minorarão muita dor e sofrimento, darão esperanças e ajudarão à consciência do direito à saúde que abrirá novos caminhos.
4) Apesar dos médicos (as) bons na sua técnica, faltam aqueles dedicados ao povo, corajosos. O que fica, infelizmente, é essa generalizada percepção da falta de compromisso, da insensibilidade, do individualismo, do carreirismo que tão grotescamente marcou a geração que nasceu sobre o neoliberalismo.
5) Mostraram que estão dispostos à sabotagem, à aliança com a direita e a imprensa golpista, a qualquer coisa, exceto ir atender o povo pobre e isolado.  Nem vão, nem querem que se vá. É o cúmulo.
João Carlos Haas Sobrinho, o Doutor Juca, enfrentou clandestinidade, falta de recursos, mas venceu, sendo amado pelo povo do Araguaia por seu exemplo profissional e humano.

É muito triste. Poderia ser outro o quadro. A Dilma tem erros, com certeza, e também o programa. Mas o sentido avançado da iniciativa - levar médicos a todo país acabando com a discriminação social e regional, enfrentar o problema -  poderia ter gerado outra reação, uma mobilização de médicos militantes a favor do SUS e por um imenso Projeto Rondon de médicos. Poderiam ter-se Inspirado nos exemplos de um Che, no leprosário de San Pablo, em plena Amazônia peruana. Ou de um João Carlos Haas sobrinho, jovem médico, um menino branco de São Leopoldo-RS, que foi para a Guerrilha do Araguaia, e cujo carinho, atenção, solidariedade e capacidade em enfrentar adversidades marcaram tão profundamente a população, que até hoje rende-lhe homenagens. Pergunto-me, aonde foram parar os profissionais que se inspiram nesse tipo de exemplo. Por que não cumpriram papel nessa realidade?

Oxalá venham muitos médicos de Cuba Socialista. Essa minoria de médicos comprometidos com o povo e o país, brasileiros(as), com certeza precisa de ajuda, e, em especial, necessita-o a população abandonada. Mas o que fica claro é a urgência de mudar não apenas a saúde, o financiamento, mas os cursos, e quem está lá. E a necessidade de mudanças estruturais que coíbam o comércio de vidas que é a saúde privada. Pelo visto, há muitos médicos explorados, trabalhando horas a fio, plantões e plantões, tomando remédios, pirando, e ainda achando que são sócios desse grande negócio.

Bons profissionais num, sentido mais profundo, humanista, solidário, existem. Dedicados, gente de bem, anjos. Mas estão assim como as inscrições do programa Mais Médicos: uma minoria, a enfrentar o elitismo, o corporativismo, a insensibilidade social, os apelos do mercado, as manipulações da imprensa golpista e da direita para sabotar qualquer iniciativa de Dilma. Fica a impressão de claro descompromisso com o que deveria ser o verdadeiro objetivo da medicina, objetivo revolucionário que une salvar vidas e contribuir com o fim das injustiças sociais, um papel de vanguarda nas mudanças da saúde no Brasil cujo potencial revolucionário eles nem entenderam. Ou pior, entenderam sim, e claramente disseram: afasta de mim esse cálice.

João Carlos Haas Sobrinho, um herói brasileiro

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Cuba apresenta resultados de vacina contra câncer de pulmão - Portal Vermelho

Cuba apresenta resultados de vacina contra câncer de pulmão - Portal Vermelho

Especialistas de vários países participam nesta terça (22) do 4º seminário Internacional sobre a vacina CIMAvax-EGF, a primeira do mundo destinada ao tratamento de câncer de pulmão. Desenvolvida em Cuba, ela está sendo utilizada desde janeiro com a finalidade de inibir o crescimento do tumor em pacientes com esse diagnóstico de câncer. O evento debaterá os resultados clínicos já alcançados.

Organizado pelo Centro de Imunologia Molecular (CIM) e pela fabricante de biofármacos Cimab, o encontro avaliará a performance da vacina em pacientes cubanos e de outros países que tiveram acesso ao medicamento.

CIMAvax-EGF é a primeira vacina no mundo a atuar contra o câncer de pulmão e já foi patenteada em Cuba, Canadá, Estados Unidos, Japão e Sul da África, entre outros países, declarou Norkis Arteaga, gerente general de Cimab, à Prensa Latina.

Na nação cubana a vacina alcançou resultados acima da expectativa. Sem causar efeitos colaterais graves, fortaleceu o sistema imunológico e aumentou a sobrevida dos pacientes tratados, que obtiveram melhora também na qualidade de vida.

Atualmente, o produto se encontra em um projeto piloto que visa expandir a distribuição da vacina para todo o sistema público de saúde. Esta será uma experiência que será apresentada durante o seminário.

A reunião, que termina amanhã, conta com a presença internacional de especialistas do Peru, Brasil, Argentina, Colômbia, França, Bélgica, Sérvia, Coréia e Alemanha.

Com informações da Prensa Latina e agências

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