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sábado, 26 de fevereiro de 2011

A ação (endinheirada) da ClA para promover a cultura apolítica

A página da Fundação Maurício Grabois é um baú de tesouros intelectuais a desvendar! Vejam a seguinte resenha de James Petras, traduzido ao Português por Luciana Cristina Ruy e que desmascara gente muito incensada na academia, literalmente a soldo da CIA.

Bom proveito!

Paulo Vinícius

A ação (endinheirada) da ClA para promover a cultura apolítica


Por James Petras*
Hannah Arendt, George Orwell, Isaiah Berlin, Sidney Hook, Daniel Bell e muitos outros, e suas revistas, foram financiados pela CIA para se oporem aos artistas e escritores engajados na luta contra o capitalismo
Foi publicado recentemente, em Londres, o livro Who Paid the Piper: The ClA and the Cultural Cold War (Quem paga a orquestra: a ClA e a guerra fria cultural), de Frances Stonor Saunders, que faz uma detalhada estimativa das formas pelas quais a CIA atuou e influenciou em um grande número de organizações culturais, através de seus agentes ou por meio de organizações filantrópicas, como as fundações Ford e Rockefeller. A autora dá detalhes de como e porque a CIA organizou congressos culturais, montou exibições de arte e organizou concertos.

A CIA também publicou e traduziu autores conhecidos que seguiam a linha de Washington, financiou a arte abstrata contra a arte com conteúdo social e, pelo mundo, subsidiou jornais que criticavam o marxismo, o comunismo e políticas revolucionárias. Justificou também, ou ignorou, as políticas imperialistas violentas e destrutivas dos EUA. A CIA criou um biombo para alguns dos principais expoentes da liberdade intelectual no Ocidente, colocando-os a seu serviço, a ponto de incluir alguns desses intelectuais em sua folha de pagamentos. Muitos eram conhecidamente envolvidos em "projetos" da CIA, e outros circulavam em sua órbita, alegando desconhecer a ligação com a CIA depois que esses financiamentos foram denunciados no final da década de 1960 e durante a guerra do Vietnã, quando a onda política virou-se para a esquerda. Publicações anticomunistas americanas e européias receberam fundos diretos e indiretos, incluindo Partisan Review, Kenyon Review, New Leader, Encounter e muitas outras.

Entre os intelectuais financiados e promovidos pela CIA estavam Irving Kristol, Melvin Lasky, Isaiah Berlin, Stephen Spender, Sidney Hook, Daniel Bell, Dwight MacDonald, Roberto Lowell, Hannah Harendt, Mary McCarthy e numerosos outros, nos EUA e na Europa. Na Europa, a CIA estava particularmente interessada em promover a "esquerda democrática" e ex-esquerdistas, como Ignacio Silone, Stephen Spender, Arthur Koestler, Ràymond Aron, Anthony Crosland, Michael Josselson e George Orwell.

Sob o estímulo de Sidney Hook e Melvin Lasky, a CIA teve importante papel no financiamento e promoção do Congresso Para a Liberdade Cultural, uma espécie de OTAN da cultura, que reuniu toda a sorte de "anti-stalinistas" de direita e de esquerda. Eles tinham toda a liberdade para defender valores políticos e culturais do Ocidente, atacar o "totalitarismo stalinista" e tagarelar suavemente sobre o racismo e o imperialismo americanos. Ocasionalmente, críticas marginais contra a sociedade de massa americana apareciam nos jornais subsidiados pela CIA.

O que era particularmente bizarro nesse conjunto de intelectuais financiados pela CIA não era só seu sectarismo político, mas a pretensão de serem pesquisadores desinteressados da verdade, humanistas iconoclastas, intelectuais de espírito livre ou artistas adeptos da arte pela arte, que se contrapunham aos artistas corrompidos, comprometidos e prostituídos pelo aparato stalinista.

É impossível acreditar quando eles juravam ignorar as ligações com a CIA. Como poderiam ignorar a ausência, em seus jornais, de qualquer crítica mesmo elementar aos numerosos linchamentos que ocorriam em todo o sul dos EUA nessa época? Como poderiam ignorar a ausência, em seus congressos culturais, de críticas à intervenção imperialista na Guatemala, Irã, Grécia e Coréia, que deixaram milhões de mortes? Como poderiam ignorar as grosseiras desculpas, nos jornais onde escreviam, para os crimes imperialistas? Eles eram soldados: alguns lisonjeiros, cáusticos, rudes e polêmicos, como Hook e Lasky; outros, ensaístas elegantes, como Stephen Spender, ou informantes donos-da-verdade, como George Orwell.

Saunders retrata como a elite wasp (sigla de White, Anglo-Saxon, Protestant, expressão que designa a elite americana, branca, protestante e anglo-saxã) manipula os cordéis da CIA; descreve também o rosnar de antigos esquerdistas contra aqueles que permanecem atuando nos movimentos de esquerda.

Quando a verdade sobre esses financiamentos da CIA veio à tona, no final da década de 1960, alguns "intelectuais" de Nova York, Paris e Londres fingiram indignação, alegando terem sido manipulados. Foram desmentidos por Tom Braden, ex-dirigente da Seção das Organizações Internacionais da CIA, que os desmascarou dando detalhes de como eles, na verdade, sabiam quem pagava seus salários e bolsas. De acordo com Braden, a CIA financiou sua "conversa fiada literária", frase usada pelo dirigente linha dura da CIA, Cord Meyer, para descrever os exercícios intelectuais antistalinistas de Hook, Kristol e Lasky. Ele revelou que as mais prestigiosas e conhecidas publicações da chamada "esquerda democrática" (Encounter, New Leader, Partisan Review) foram financiadas pela CIA, e que "um agente se tornou diretor da Encounter". Em 1953, escreveu, "estávamos operando ou influenciando organizações internacionais em todos os campos".

O livro de Saunders dá informações úteis sobre as formas como esses trabalhadores intelectuais da CIA defendiam os interesses imperialistas dos EUA nas frentes culturais, e abre uma importante discussão sobre as conseqüências a longo prazo das posições ideológicas e artísticas defendidas por esses agentes intelectuais do imperialismo.

Saunders refuta as afirmações de Hook, Kristol e Lasky de que a CIA e as fundações a ela ligadas promoviam ajuda sem exigir contrapartida. Demonstra que, ao contrário, "esperava-se que os indivíduos e instituições subsidiados pela CIA fossem ( ... ) parte de uma propaganda de guerra". A propaganda mais eficiente era definida pela CIA como aquela em que "o sujeito se move na direção em que você deseja, por razões que ele acredita serem as suas próprias". A CIA dava dinheiro para a tagarelice da esquerda democrática sobre reforma social, mas o que lhe interessava mesmo eram as polêmicas "anti-stalinistas" e as diatribes literárias contra os marxistas ocidentais e os escritores e artistas soviéticos. Os autores dessas diatribes recebiam financiamentos mais generosos e eram promovidos com maior visibilidade. Para Braden, elas refletiam a "convergência" entre a CIA e a esquerda democrática na luta contra o comunismo. A colaboração entre a esquerda democrática e a CIA incluía ações anti-greves na França, deduragem contra stalinistas (Orwell e Hook), e campanhas difamatórias disfarçadas para evitar que artistas de esquerda tivessem reconhecimento (como ocorreu quando Pablo Neruda foi indicado para o prêmio Nobel de literatura, em 1964).

A CIA, como arma do governo norteamericano mais envolvida na luta cultural durante a Guerra Fria, centrou sua o que interessava mesmo à CIA eram as polêmicas 'antistalinistas' e a verborréia literária contra marxistas ocidentais e escritores e artistas soviéticos ação na Europa após a 11 Guerra Mundial. Depois de quase duas décadas de guerra capitalista, depressão, e ocupação pós-guerra, a grande maioria dos intelectuais e sindicalistas europeus eram anticapitalistas e particularmente críticos das pretensões hegemônicas dos EUA.

Para combater a atração do comunismo e o crescimento dos partidos comunistas na Europa (especialmente na França e Itália), a CIA criou um programa de mão dupla. Por um lado, diz Saunders, certos autores europeus foram promovidos como parte de um "programa anticomunista" explícito. O critério cultural adotado pela CIA para "textos adequados" incluía "críticas contra a política externa soviética e contra o comunismo como forma de governo, desde que considerados objetivos e escritos de maneira convincente e oportuna". A CIA gostava especialmente de publicar textos de autoria de ex -comunistas desiludidos, como Silone, Koestler e Gide. A CIA promoveu escritores anticomunistas, financiando generosamente conferências em Paris, Berlim ou Bellagio, às margens do Lago Como, na Itália, onde cientistas sociais e filósofos como Isaiah Berlin, Daniel Bell e Czeslow Milosz pregavam seus valores (e as virtudes da 'liberdade e independência intelectual do Ocidente', dentro dos parâmetros anticomunista e pró-Washington definidos pelos seus patrões da CIA). Nenhum desses intelectuais de prestígio teve coragem de levantar a menor dúvida ou questionamento sobre o apoio dos EUA aos assassinatos em massa na Indonésia e na Argélia, a caça às bruxas contra intelectuais norte-americanos ou os linchamentos paramilitares promovidos pela Ku Klux Klan no sul dos EUA, assuntos "banais" que deviam ser deixados aos comunistas, segundo Sidney Hook, Melvin Lasky e o grupo do Partisan Review, que procurou avidamente recursos financeiros para evitar a falência da revista. Aliás, muitas dessas famosas revistas anticomunistas teriam falido sem o dinheiro da CIA, que comprou milhares de exemplares e, mais tarde, distribuiu-os gratuitamente.

O outro caminho usado pela CIA para a intervenção cultural foi muito mais sutil. Ele envolvia a promoção de sinfonias, exibições de artes plásticas, balé, grupos de teatro, e a apresentação de músicos de jazz famosos e cantores de ópera, com o objetivo explícito de neutralizar o sentimento antiimperialista na Europa e criar um ambiente favorável à cultura e ao governo norte-americanos. A idéia que orientava essa política era difundir a cultura norte-americana, para alcançar a hegemonia cultural em apoio ao império militar e econômico dos EUA. A CIA gostava especialmente de enviar artistas negros para a Europa particularmente cantores (como Marion Anderson), escritores e músicos (como Louis Armstrong), para neutralizar a hostilidade européia contra a política interna racista dos EUA. Se os intelectuais negros não aderiam ao script artístico e faziam críticas explícitas, eram banidos da lista, como foi o caso do escritor Richard Wright.

O nível de controle político da CIA sobre a agenda intelectual dessas atividades artísticas aparentemente apolíticas foi demonstrado claramente na reação dos editores de Encounter (Lasky e Kristol, entre outros) contra um artigo proposto por Dwight MacDonald. Ele era um dissidente anarquista e antigo colaborador do Congresso Para a Liberdade Cultural e de Encounte r para a qual escreveu, em 1958, um artigo intitulado "America America", criticando a cultura de massa americana, seu materialismo rude e falta de civilidade. Era uma negação dos valores americanos, a matéria-prima da qual era feita a propaganda da CIA e da Encounter na guerra cultural contra o comunismo. O ataque de MacDonald ao "decadente império americano" foi demais para a CIA e seus intelectuais empregados na Encounter. Embora Braden tenha escrito, nas instruções para os intelectuais, "que não se pode exigir, das organizações financiadas pela CIA, o apoio a todos os aspectos da política dos EUA", esse era geralmente o quesito mais importante quando estava em jogo a política externa dos EUA. Apesar de MacDonald ser um ex-editor de Encounter, seu artigo foi recusado, mostrando que as queixas piedosas contra a guerra fria feitas por escritores como Nicola Chiaromonte, publicadas na segunda edição de Encounter, segundo as quais "nenhum intelectual pode deixar de aceitar, sem degradar-se, o dever de desmascarar ficções, não aceitando 'mentiras úteis' apresentadas como verdades", certamente não se aplicava a Encounter e sua famosa lista de colaboradores quando se tratava de lidar com as "mentiras úteis" do Ocidente.

Uma discussão importante e fascinante no livro de Saunders revela a ação da CIA e seus aliados no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), que aplicaram muito dinheiro para promover as pinturas e os pintores do expressionismo abstrato como antídoto contra a arte de conteúdo social. Nessa ação, a CIA chocou-se com a direita no Congresso dos EUA. Ela viu nessa arte uma "ideologia anticomunista, a ideologia da liberdade e da livre empresa. Não figurativa e politicamente silenciosa, era a perfeita antítese do realismo socialista" . A CIA e o MoMA viram essa arte como a verdadeira expressão da vontade nacional americana. Para enfrentar a crítica da direita parlamentar, a CIA voltou-se para a iniciativa privada (isto é, o MoMA e seu co-fundador, Nelson Rockefeller, que se referia ao expressionismo abstrato como "a pintura da livre empresa"). Muitos diretores do MoMA tinham ligações antigas com a CIA, e apoiavam a promoção do expressionismo abstrato como arma da guerra fria cultural. Mostras dessa arte foram organizadas em toda a Europa, sendo gasto muito dinheiro para isso. Críticos de arte foram mobilizados, e revistas de arte publicaram artigos com generosos elogios. A combinação dos recursos econômicos do MoMA com a ajuda da Fundação Fairfield, ligada à CIA, assegurou a colaboração das galerias européias de maior prestígio que, por sua vez, puderam influenciar a estética em toda a Europa.

O expressionismo abstrato, como ideologia de uma "arte livre" (como disse George Kenan), foi usada para atacar politicamente os artistas engajados na Europa. O Congresso Para a Liberdade Cultural (ponta de lança da CIA) deu grande apoio à pintura abstrata, contra a estética figurativa e realista, numa atitude explicitamente política. Comentando o papel político do expressionismo abstrato, Saunders diz que "um dos papéis extraordinários que a pintura americana teve na guerra fria cultural não foi o fato de participar daquela jogada, mas sim o de um movimento tão deliberadamente apolítico ter se tomado tão intensamente politizado." A CIA associou artistas apolíticos e arte com liberdade para neutralizar os artistas da esquerda européia. A ironia aqui, é claro, era que a postura apolítica só valia para o consumo da esquerda.

A CIA e suas organizações culturais puderam, com isso, moldar profundamente a visão da arte no pós-guerra. Muitos escritores de prestígio, poetas, artistas e músicos proclamaram sua independência política, declarando sua crença na arte pela arte. O dogma do artista ou intelectual livres, isto é, sem engajamento político, ganhou força, e ainda hoje é muito difundido.

Saunders apresenta um balanço muito detalhado das ligações entre a CIA e os artistas e intelectuais do Ocidente, mas não explorou as razões estruturais pelas quais a espionagem dos EUA tinha de controlar os dissidentes. Sua discussão é amplamente emoldurada pela competição política e do conflito com o comunismo soviético, sem nenhuma tentativa séria de colocar a guerra fria cultural no contexto da luta de classes, das revoluções do Terceiro Mundo e dos desafios dos marxistas independentes à dominação do imperialismo econômico dos EUA. Isso leva Saunders a privilegiar algumas aventuras e operações da CIA em detrimento de outras. Ao invés de ver a guerra cultural da CIA como parte de um sistema imperialista, Saunders tende a criticar sua natureza reativa desigual e enganadora. A conquista cultural do Leste europeu e da ex-URSS pela OTAN deveria dissipar rapidamente a noção de que a guerra cultural foi uma ação defensiva.

As raízes da guerra fria cultural estão fincadas na luta de classes. Muito antes, a CIA e seus agentes na central sindical americana AFL-CIO, Irving Brown e Jay Lovestone (ambos ex-comunistas), usaram milhões de dólares para corromper sindicatos militantes e acabar com greves comprando sindicatos social-democratas. O Congresso para a Liberdade Cultural e seus intelectuais eruditos eram financiados pelos mesmos funcionários da CIA que em 1948 contrataram gangsters de Marselha, na França, para acabar com uma greve de estivadores.

Depois da II Guerra Mundial, com o descrédito da velha direita na Europa Ocidental (comprometida por suas ligações com o fascismo e com um sistema capitalista enfraquecido), a CIA percebeu que, para submeter os sindicatos e intelectuais contrários à política dos EUA e à OTAN era preciso encontrar (ou inventar) uma esquerda democrática disposta a se engajar na luta ideológica. Foi criada então uma seção especial da CIA para neutralizar a resistência dos políticos de direita no Congresso dos EUA. A esquerda democrática foi usada essencialmente para combater a esquerda radical e dar um verniz ideológico à hegemonia norte-americana na Europa. Mas não cabia a esses pugilistas ideológicos moldar as estratégias políticas e os interesses dos EUA. Sua tarefa não era questionar ou exigir, mas servir ao império em nome dos "valores democráticos ocidentais". Somente quando a oposição em massa à guerra do Vietnã tomou conta dos EUA e da Europa, e suas ligações com a CIA foram reveladas, muitos dos intelectuais financiados e promovidos por ela abandonaram o barco e começaram a criticar a política externa dos EUA, como Stephen Spender que, depois de passar a maior parte de sua carreira na folha de pagamentos da CIA, tomou-se um crítico da política norte-americana no Vietnã; alguns editores da Partisan Review fizeram o mesmo. Alegavam inocência, mas poucos críticos acreditaram que um namoro com tantas publicações e conferências, antigo e com um envolvimento tão profundo, pudesse ter acontecido sem um grau mínimo de conhecimento.

O envolvimento da CIA na vida cultural dos EUA, Europa e outros lugares teve importantes conseqüências em longo prazo. Muitos intelectuais foram recompensados com prestígio, reconhecimento público e dinheiro para pesquisas precisamente por trabalhar dentro do cabresto ideológico imposto pela agência. Alguns dos grandes nomes da filosofia, ética política, sociologia e arte, que ganharam visibilidade com as publicações e seminários financiados pela CIA, foram quem definiram as normas e padrões para a formação das novas gerações, seguindo os parâmetros políticos criados pela CIA. Não foi o mérito ou o talento, mas a política - a linha definida por Washington como "verdade" ou "excelência" - que abriu caminho para postos em universidades, fundações e museus de maior prestígio.

A retórica anti-stalinista dos EUA e da esquerda democrática européia e suas proclamações de fé nos valores democráticos e libertários foram uma cobertura ideológica útil para os horríveis crimes cometidos em nome do Ocidente. Isso repetiu-se na recente guerra da OTAN contra a Iugoslávia, quando muitos intelectuais da esquerda democrática puseram-se ao lado do Ocidente e do ELK (Exército de Libertação de Kosovo), apoiando o sangrento expurgo de milhares de sérvios e o assassinato em massa de civis inocentes. Se o anti-stalinismo foi o ópio da esquerda democrática durante a guerra fria, o intervencionismo a pretexto de defesa dos direitos humanos tem hoje o mesmo efeito narcotizante e ilude membros da esquerda democrática contemporânea.

As campanhas culturais da CIA criaram o protótipo de intelectuais, acadêmicos e artistas que, hoje, se dizem apolíticos, divorciados das lutas populares, e cujo valor aumenta na medida em que se distanciam das classes trabalhadoras e se aproximam das fundações de prestígio. O modelo que a CIA fixou, de profissional de sucesso, é o do leão de chácara ideológico, e exclui intelectuais críticos que escrevem sobre a luta de classes, a exploração dos trabalhadores, e o imperialismo norte-americano categorias consideradas "ideológicas" e não "objetivas", como eles dizem.

A pior e mais duradoura influência do pessoal do Congresso para a Liberdade Cultural não foi a defesa das políticas imperialistas dos EUA, mas o êxito em impor, para as gerações seguintes de intelectuais a idéia de excluir toda discussão sobre o imperialismo norte-americano, sua influência cultural e sua ação através dos meios de comunicação de massas. A questão não é se os intelectuais ou artistas podem ou não tomar partido ou assumir uma posição progressista numa ou outra questão. O problema é a crença difundida, entre escritores e artistas, de que expressões sociais e políticas antiimperialistas não devem aparecer em suas canções, pinturas e escritos, se querem ter sua obra valorizada como trabalho de substancial mérito artístico. A vitória política duradoura da CIA foi a de convencer intelectuais e artistas de que um engajamento sério e firme à esquerda é incompatível com arte e conhecimentos sérios. Hoje, na ópera, teatro, galerias de arte, nas reuniões profissionais nas universidades, aqueles valores culturais que a CIA promoveu na guerra fria cultural são visíveis: quem ousará dizer que o rei está nu?

James Petras é sociólogo norte-americano. Esta resenha foi publicada originalmente em Monlhly Review, vaI. 51, n° 6, novembro de 1999. Tradução de Luciana Cristina Ruy.

EDIÇÃO 56, FEV/MAR/ABR, 2000, PÁGINAS 70, 71, 72, 73, 74

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Cuando la CIA financiaba a los intelectuales italianos - Federico Roberti Red Voltaire - Cubadebate

Com todo o carinho para todos os inocentes úteis, intelectuais "independentes" com financiamento das fontes do imperialismo e, é claro, artistas da "arte pela arte", assim como eleitores incautos que ajudam tucanos e rorizistas.

Cuando la CIA financiaba a los intelectuales italianos
  • A modo de continuación de un artículo sobre el financiamiento a los intelectuales europeos durante la Guerra Fría, publicado en este mismo sitio en 2003, Federico Roberti aborda el caso específico de los intelectuales italianos. Lejos de ser superfluo, este breve recorrido por la historia nos demuestra que no han cambiado las cosas y que los autores de moda no son a menudo otra cosa que mercenarios de la pluma.
Federico Roberti
Red Voltaire
Sydney Hook abre el Congreso por la Libertad de la Cultura.
Sydney Hook abre el Congreso por la Libertad de la Cultura.
En plena guerra fría, el gobierno de Estados Unidos dedicó grandes recursos a un programa secreto de propaganda cultural dirigido a Europa occidental, programa que la CIA aplicaba con extrema discreción. El acto fundamental de aquel programa fue la creación del Congress for Cultural Freedom (Congreso por la Libertad de la Cultura), organizado por el agente Michael Josselson entre 1950 y 1967 [1].
En su momento culminante, el Congreso tenía oficinas en 35 países (algunos de ellos fuera de Europa) y pagaba sueldos a varias decenas de intelectuales.
Publicaba además una veintena de prestigiosas revistas, organizaba exposiciones artísticas, conferencias internacionales de alto nivel y recompensaba a músicos y otros artistas con la entrega de premios y variados reconocimientos. Su misión consistía en alejar del marxismo a los intelectuales europeos y llevarlos a adoptar posiciones más compatibles con el american way of life, favoreciendo así los intereses estratégicos de la política exterior estadounidense.
Los libros de ciertos escritores europeos llegaron al mercado editorial en el marco de un programa explícitamente anticomunista. Entre esos libros se encontraban, en el caso de Italia, Pane e Vino (Pan y vino) de Ignacio Silone, quien hizo así -del brazo del gobierno estadounidense- su primera aparición pública. Lo cierto es que, durante su exilio en Suiza, Silone había estado en contacto con Allen Dulles, en aquel entonces jefe de losservicios secretos estadounidenses en Europa y posteriormente, después de la Segunda Guerra Mundial, inspirador de Radio Free Europe, creada también por la CIA bajo la fachada del National Committee for a Free Europe.
En octubre de 1944, Serafino Romualdi, agente de la OSS (Office of Strategic Services, antecesora de la CIA), fue enviado a la frontera franco-suiza con la misión de introducir clandestinamente a Silone en Italia. Silone, con Altiero Spinelli y Guido Piovene, representó a Italia en la conferencia de fundación del Congreso por la Libertad de la Cultura, celebrada en Berlín en 1950. Michael Josselson había logrado obtener para aquella conferencia un financiamiento de 50 000 dólares provenientes de los fondos del Plan Marshall. Invitados a aquella conferencia, los conocidos intelectuales franceses Jean-Paul Sartre y Albert Camus la denunciaron públicamente y se negaron a participar.
Al principio encontramos entre los presidentes honorarios del Congreso por la Libertad de la Cultura, junto a Bertrand Russell y el italiano Benedetto Croce, a todos filósofos adeptos de un naciente pensamiento euroatlántico. A los 80 años, Benedetto Croce era venerado en Italia como un noble padre del antifascismo, por haber desafiado abiertamente a Mussolini. En el momento del desembarco en Sicilia, fue seguramente un contacto útil para William Donovan, por entonces principal responsable de losservicios de inteligencia estadounidenses.
La sección italiana del Congreso por la Libertad de la Cultura, denominada Asociación Italiana por la Libertad de la Cultura, fue creada por Ignacio Silone a finales de 1951 y se convirtió en el centro de lanzamiento, esencialmente en el plano logístico y económico, de una federación de cerca de 100 grupos culturales, como la Unione Goliardica (Unión estudiantil) en las universidades, el Movimiento Federalista Europeo de Altiero Spinelli, los Centros de Acción Democrática, el movimiento Communitá de Adriano Olivetti y otros más.
La sección italiana del Congreso publicó la prestigiosa revista TempoPresente, dirigida por el propio Silone y por Nicola Chiaromonte, y otras menos conocidas como Il MondoIl PonteIl Mulino y, más tarde, Nuovi Argomenti. Junto a laicos como Adriano Olivetti y Mario Pannunzio, el grupo dirigente incluía a Ferruccio Parri, el padre de la izquierda independiente. En posiciones menos visibles había políticos de procedencia accionista y liberal demócrata, como Ugo La Malfa.
Una de las oficinas del Congreso se hallaba en Roma, en el palacio Pecci-Blunt, donde Mimi, la dueña de la casa, organizaba uno de lossalones más cerrados y concurridos de la capital. Muy cerca de allí, en el histórico palacio Caetano, que se haría tristemente célebre por haberse desarrollado al pie de sus ventanas el último acto del secuestro de Aldo Moro, se movía otra reina de los salones, la mecenas estadounidense vinculada al Congreso, Marguerite Chapin Caetano.
Esta última, con su revista Botteghe oscure, fue la promotora de unos cuantos nombres de la literatura y la poesía italianas del siglo 20. Su yerno, como por casualidad, era Sir Hubert Howard, exoficial de los servicios secretos aliados, especializado en guerra sicológica, muy amigo del sobrino del presidente Roosevelt, el mismo Kermit Roosevelt que, primeramente en el seno de la OSS y más tarde reclutado por la CIA, fue uno de los más ardientes partidarios de la guerra sicológica.
Una de las más cercanas colaboradoras de Caetani era Elena Croce, hija del filosofo Benedetto Croce. El marido de Elena, Raimondo Craveri, agente de los servicios secretos de los partisanos, indicaba a la embajada estadounidense, después de la liberación, lospolíticos en los podía depositar su confianza.
Mientras tanto, Elena se dedicaba a seleccionar a los hombres del mundo de la cultura con los que valía la pena conversar.
Los invitados a la residencia de Elena Croce y Raimondo Craveri tenían la oportunidad de establecer allí los contactos más cosmopolitas que se pueda imaginar. Allí podían encontrarse lo mismo a Henry Kissinger que al futuro presidente de Fiat, Gianni Agnelli. Sobresalía entre todos el magnate de la finanza laica italiana y fundador de Mediabanca, don Raffaele Mattioli. Tanto confiaban los estadounidenses en el commandatore Mattioli que en 1944, aún antes del fin de la guerra, ya habían discutido con él losfuturos programas de reconstrucción. Además de financiarabundantemente la cultura, don Raffaele Mattioli prestó una atención tan discreta como poco desinteresada al mismísimo PCI, con el que ya había establecido redes durante el Ventennio [2].
Resulta entonces que en Italia, además de la Logia P2 y del Gladio [3], existía también un anticomunismo muy tenaz, pero ilustrado, progresista y hasta de izquierda. La red del Congreso por la Libertad de la Cultura era su fachada pública o, si se quiere, presentable.
Los recursos para la propaganda cultural euroatlántica se obtenían de manera verdaderamente genial. A comienzos del Plan Marshall cada uno de los países que recibían fondos tenía que aportar una contribución depositando en su propio banco central una suma equivalente a la contribución estadounidense. Un acuerdo bilateral entre ese país y Estados Unidos permitía posteriormente que el 5% de aquella suma se convirtiera en propiedad estadounidense.
Precisamente aquella porción de los «fondos de contraparte» (unos 10 millones de dólares al año de un total de 200 millones) fue lo que se puso a la disposición de la CIA para permitirle concretar sus proyectos especiales.
Alrededor de 200 000 dólares provenientes de aquellos fondos, que habían sido esenciales en las elecciones italianas de 1948, se destinaron al financiamiento de los costos administrativos del Congreso por la Libertad de la Cultura en 1951.
Por ejemplo, la filial italiana recibía 1 000 dólares mensuales que se depositaban en la cuenta de Tristano Codignola, el dirigente de la casa editorial La Nuova Italia.
La libertad cultural costó bastante caro. En 17 años, la CIA inyectó al Congreso por la Libertad de la Cultura y los proyectos a él vinculados por lo menos 10 millones de dólares. Una característica de la estrategia de propaganda cultural fue la organización sistemática de una red de grupos privados «amigos» en un consorcio no oficial. Se trataba de una coalición de fundaciones filantrópicas, empresas y particulares que trabajaba en estrecha colaboración con la CIA proporcionando a esta última una fachada y canales de financiamiento para desarrollar sus programas secretos en territorio europeo. Al conservar su condición de instituciones privadas, aportaban el capital de riesgo para la guerra fría, algo parecido a lo que vienen haciendo desde hace algún tiempo las ONGs que gozan del apoyo de Occidente a través de casi todas las regiones del mundo.
El inspirador de aquel consorcio fue Allen Dulles, quien desde el mes de mayo de 1949 había dirigido precisamente la formación del National Committee for a Free Europe, iniciativa proveniente, sólo en apariencia, de un grupo de personalidades privadas estadounidenses, pero que en realidad era uno de los más ambiciosos proyectos de la CIA. «El Departamento de Estado se siente feliz de asistir a la formación de este grupo», anunció el secretario de Estado Dean Acheson. El objetivo de esa pública bendición era ocultar los verdaderos orígenes del Comité y su control absoluto por parte de la CIA, que lo financiaba en un 90%. Ironía del destino, una cláusula del acta fundacional excluía explícitamente de sus actividades el objetivo específico para el que fue creado: hacer propaganda política.
Dulles estaba muy consciente de que el éxito del Comité dependería de su capacidad para «parecer independiente del gobierno y representativo de las convicciones espontáneas de ciudadanos amantes de la libertad».
El National Committee podía jactarse de poseer un conjunto de miembros particularmente conocidos, hombres de negocios y abogados, diplomáticos y administradores del Plan Marshall, magnates de la prensa y directores de cine: desde Henry Ford III, presidente de General Motors, hasta la señora Culp Hobby, directora del MOMA; de C.D. Jackson, miembro de la dirección deTime-Life, a John Hugues, embajador ante la OTAN; de Cecil B. De Mille a Dwight Eisenhower.
Eran todos «gente al tanto», o sea que pertenecían al club de manera consciente. Desde el primer año de su creación, el Comité contaba más de 400 miembros y su balance se elevaba a casi 2 millones de dólares. Un balance aparte, de 10 millones, estaba dedicado a Radio Free Europe, que en pocos años contaría con 29 estaciones de radio y transmitiría en 16 idiomas, participando también en la transmisión de órdenes a la red de informantes del otro lado de la Cortina de Hierro.
El nombre de la sección encargada de recoger fondos para el National Committee era Crusade for Freedom y su vocero era un joven actor llamado… Ronald Reagan [4].
La utilización de fundaciones filantrópicas resultó ser el medio más eficaz para vehicular importantes sumas de dinero destinadas a losproyectos de la CIA sin que su origen alarmara a los destinatarios. En 1976 una comisión creada para investigar las actividades de losservicios secretos estadounidenses reportó los siguientes datos sobre la penetración de la CIA en las fundaciones: durante el periodo 1963-1966, 164 fundaciones distribuyeron 700 donaciones de más de 10 000 dólares; al menos 108 de esas donaciones provenían total o parcialmente de los fondos de la CIA.
Es más significativo aún el hecho que, durante el mismo periodo y en lo tocante a las actividades internacionales, casi la mitad de las sumas que prodigaban aquellas 164 fundaciones eranfinanciamiento de la CIA. Se pensaba que las fundaciones prestigiosas, como Ford [5], Rockefeller y Carnegie, garantizaban «la mejor y más creíble forma de financiamiento oculto». Esa técnica era particularmente oportuna para las organizaciones que contaban con una administración democrática, ya que estas tenían que ser capaces de tranquilizar a aquellos de sus propios miembros y colaboradores que ignoraban la realidad así como a los críticos hostiles en cuanto a la posibilidad de contar con formas definanciamiento privado, auténtico y respetable, según subrayaba en 1966 un estudio interno de la propia CIA.
Además, en el seno de la Fundación Ford se instituyó una unidad administrativa específicamente destinada a ocuparse de las relaciones con la CIA, unidad a la que había que consultar cada vez que la agencia quería utilizar la Fundación como cobertura o canal financiero en cualquier operación. Aquella unidad se componía de dos funcionarios y del propio presidente de la Fundación Ford, John McCloy, quien ya por entonces había sido secretario de Defensa y presidente, sucesivamente, del Banco Mundial y del Chase Manhattan Bank, propiedad de la familia Rockfeller y del Council on Foreign Relations [6], así como abogado de confianza de las Siete Hermanas [7]. Tan imponente currículum no necesita comentario.
Uno de los primeros dirigentes de la CIA en aportar su apoyo al Congreso por la Libertad de la Cultura fue Frank Lindsay, veterano de la OSS, quien ya en 1977 había escrito uno de los primeros informes internos recomendando la creación en Estados Unidos de una fuerza secreta para la guerra fría. Durante los años comprendidos entre 1949 y 1951, como director adjunto del Office of Policy Coordination (OPC), departamento especial creado dentro de la CIA para ocuparse de las operaciones secretas, Lidnsay se convirtió en responsable del entrenamiento de los grupos Stay Behind en Europa, más conocidos en Italia bajo el nombre de Gladio [8]. En 1953, Lindsay pasó a la Fundación Ford, sin perder por ello sus estrechos contactos con sus ex colegas de los servicios de inteligencia.
En 1953, cuando Cecil B. De Mille aceptó convertirse en consejeroespecial del gobierno estadounidense en materia de cine en el Motion Picture Service (MPS), el conocido cineasta se presentó en la oficina de C.D. Douglas, quien más tarde escribiría: «Está completamente de nuestra parte y (…) está muy consciente del poder que las películas americanas tienen en el extranjero. Tiene una teoría, que comparto plenamente, según la cual la utilización más eficaz de las películas americanas no se obtiene con el proyecto de una película completa que aborde un problema determinado sino más bien con la introducción en una obra «normal» de un fragmento de dialogo apropiado, de una respuesta ingeniosa, una inflexión de la voz, un movimiento de los ojos. Me dijo que cada vez que yo ponga en sus manos un tema simple para un país o una región determinada, él encontrará la manera de tratarlo y de introducirlo en una película».
El Motion Picture Service, inundado de financiamientosgubernamentales al extremo de convertirse en una verdadera empresa de producción cinematográfica, daba trabajo a realizadores-productores, que eran examinados de antemano y alos que se les asignaba trabajo sobre películas que promovían objetivos de Estados Unidos y que debían llegar a un público al que había que influenciar a través del cine. El MPS aconsejaba a losorganismos secretos sobre las películas más apropiadas para su distribución en el mercado internacional.
Se ocupaba además de la participación estadounidense en losdiversos festivales que se desarrollaban en el extranjero y trabajacelosamente para excluir a los productores estadounidenses y películas que no apoyaban la política exterior del país.
El principal grupo de presión a favor de la idea de una Europa estrechamente aliada a Estados Unidos era el Movimiento Europeo, que fungía como cúpula de numerosas organizaciones y servía de fachada a una serie de actividades destinadas a la integración política, militar y cultural.
Bajo la dirección de Winston Churchill en Gran Bretaña, Paul-Henri Spaak en Francia y Altiero Spinelli en Italia, el movimiento se encontraba bajo estrecha vigilancia de la CIA a través de una fachada designada como American Committee on United Europe [9].
La rama cultural del Movimiento Europeo era el Centro Europeo de Cultura, dirigido por el escritor Denis de Rougemont. Se estableció un amplio programa de becas destinadas a asociacionesestudiantiles y de jóvenes, como la European Youth Campaign, punta de lanza de una propaganda concebida para neutralizar losmovimientos políticos de izquierda. En cuanto a los liberales internacionalistas que se atrevían a abogar por una Europa unida según sus propios principios y no conforme a los intereses estratégicos estadounidenses, no se les trataba mejor que a losneutralistas, o sea como portadores de una herejía que había que destruir.
En 1962, la notoriedad del Congreso por la Libertad de la Cultura dio lugar a algo que no tenía nada que ver con los objetivos que buscaban sus inspiradores. En el programa televisivo de la BBC «That Was The Week That Was», el Congreso fue objeto de una certera y brillante parodia de Kenneth Tynan. Comenzaba con la siguiente presentación: «Es el momento de la noticias de la Guerra Fría en la cultura». Se mostraba entonces un mapa que representaba el bloque cultural soviético, en el que se señalaba con un pequeño círculo cada posición cultural estratégica: bases teatrales, centros de producción cinematográfica, compañías de danza para la producción de misiles «balletísticos» intercontinentales, casas de edición que disparaban enormes andanadas de clásicos a millones de personas sometidas a la lectura, todo lo cual permitía observar un adoctrinamiento masivo en pleno desarrollo.
Venía después la pregunta final: ¿Tenemos nosotros, aquí en Occidente, una capacidad efectiva de respuesta?
La respuesta era afirmativa, tenemos al bondadoso Congreso por la Libertad de la Cultura, que se mantiene gracias al dinero estadounidense y que ha instalado cierta cantidad de bases de avanzada, en Europa y en el mundo, que funcionan como cabezas de playa para el lanzamiento de represalias culturales. Bases enmascaradas bajo nombres en clave como Encounter -la más conocida de las revistas apadrinadas por el Congreso-, abreviatura, según el presentador, de Encouterforce Strategy. Entraba entonces en escena un vocero del Congreso, con un paquete de revistas que representaban -según decía- una especie de OTAN cultural cuyo objetivo era el encasquillamiento cultural, o sea crear un muro de contención capaz de encerrar a los rojos.
La misión histórica consistía en lograr el liderazgo mundial sobre loslectores, pase lo que pase, aseguraba el vocero antes de señalar: «Nosotros en el Congreso sentimos que es nuestro deber mantener nuestras bases en estado de alerta roja, las 24 horas del día.»
Aguda e impecablemente documentada, la sátira fue causa de noches de insomnio para Michael Josselson, el organizador del Congreso.
Una cuestión bastante preocupante surgió en el verano de 1964. Durante una investigación parlamentaria, dirigida por Wright Patman, sobre las dispensas fiscales concedidas a las fundaciones privadas se descubrió una filtración de informaciones que identificaba a 8 de estas como fachadas de la CIA.
Aquellas fundaciones no eran más que buzones, que no representaban otra cosa que una simple dirección postal, y habían sido creadas por la CIA para recibir dinero que ella misma les haciallegar, de forma aparentemente legal.
Cuando llegaba el dinero, las fundaciones hacían una donación a otra fundación ampliamente conocida debido a sus actividades legítimas. Estas últimas contribuciones eran debidamente registradas según las normas fiscales en vigor para el sector no lucrativo, mediante planillas designadas como 990-A.
La operación se efectuaba para terminar con la entrega del dinero a la organización que la CIA había designado como destinatario final.
Las informaciones que filtró la comisión Patman abrieron, al menos por un breve momento, una brecha en la sala de máquinas de losfinanciamientos secretos. Algunos periodistas particularmente curiosos, como los del semanario The Nation, lograron reunir algunos pedazos del rompecabezas preguntando si era legal que laCIA financiara, a través de aquellos métodos indirectos, diferentes congresos y conferencias dedicados a la «libertad cultural» o que algún órgano de prensa importante, apoyado por la CIA, ofreciera cuantiosas recompensas a escritores disidentes de Europa oriental.
Lo sorprendente (¿Realmente sorprendente?) fue que ni un solo periodista siguiera investigando posteriormente. La CIA llevó a cabo una severa revisión de sus técnicas de financiamiento, pero no creyó oportuno reconsiderar la utilización de las fundaciones privadas como vehículos para el financiamiento de las operaciones clandestinas. Al contrario, según la CIA, la verdadera lección de todo el escándalo provocado por la comisión Patman era que la cobertura que las fundaciones proporcionaban a la distribución definanciamientos debía utilizarse de manera más extensa y profesional, ante todo proporcionando fondos incluso para proyectos aplicados en el territorio mismo de Estados Unidos. A partir de aquel año, Michael Josselson trató de proteger a su criatura de las revelaciones. Pensó incluso cambiarle el nombre y llegó a cortar los vínculos económicos con la CIA reemplazándolostotalmente por un financiamiento de la Fundación Ford.
Pero aquello no hizo más que retrasar un final ya inevitable. El 13 de mayo de 1967 se desarrolló en París la asamblea general del Congreso por la Libertad de la Cultura que marcó en lo esencial el fin de aquella organización, aunque sus actividades siguieron languideciendo hasta finales de los años 1970.
Lo que en realidad sucedió fue, en abril de 1967, que la revista californiana Ramparts había publicado, a pesar de una campaña de difamación en su contra, una investigación sobre las operaciones secretas de la CIA en momentos en que la agencia había logrado averiguar que la revista estaba siguiendo la pista de las organizaciones que le servían de fachada.
Rápidamente, la prensa nacional se hizo eco de lo que había descubierto Ramparts y se produjo una ola de revelaciones, que también sacaron a la luz las fachadas [de la CIA] fuera de Estados Unidos, comenzando por el Congreso por la Libertad de la Cultura y sus publicaciones. Incluso antes de las denuncias de Ramparts, el senador Mansfield había solicitado una investigación parlamentaria sobre los financiamientos clandestinos de la CIA, solicitud a la que el presidente Lyndon Johnson respondió con la creación de comisión de sólo 3 miembros.
En su informe final, emitido el 29 de marzo de 1967, la comisión Katzenbach sancionaba a toda agencia federal que hubiese proporcionado en secreto ayuda o financiamiento, de manera directa o indirecta, a cualquier organización cultural pública o privada, sin propósitos lucrativos. El informe fijaba el 31 de diciembre de 1967 como fecha límite para la conclusión de todas las operaciones de financiamiento secreto de la CIA, dándole así la oportunidad de conceder cierto número de atribuciones finales de gran importancia (en el caso de Radio Free Europe, ese aporte le permitiría continuar sus transmisiones durante 2 años más).
En realidad, como se deduce de una circular interna emitida posteriormente -ya en 1976-, la CIA no prohibía las operaciones secretas con organizaciones comerciales estadounidenses ni elfinanciamiento secreto de organizaciones internacionales con sede en el extranjero. Más que representar una nueva concepción de loslímites impuestos a las actividades secretas de los servicios deinteligencia, muchas de las restricciones que se adoptaron como respuesta a los hechos de 1967 parecen ser más bien medidas de seguridad destinadas a impedir futuras revelaciones públicas que puedan poner en peligro las delicadas operaciones de la propia CIA.
¿Se hablará nuevamente de esto?
Los datos presentados en este artículo provienen esencialmente del libro de Frances Stonor Saunders titulado Who Paid the Piper?: CIA and the Cultural Cold War, 1999, Granta (La edición francesa se titula Qui mène la danse? La CIA et la guerre froide culturelle, 2003 editor francés Denoël).
Cet article a initialement été publié en italien par Eurasia – Rivista di studi geopolitici.
[1] «Cuando la CIA financiaba a los intelectuales europeos», por Denis Boneau, Réseau Voltaire, 27 de noviembre de 2003.
[2] Los 20 años de duración del régimen fascista, NdT.
[3] «Las redes estadounidenses de desestabilización y de injerencia», por Thierry Meyssan; «El terrorismo no reconocido de la OTAN», entrevista de Daniele Ganser realizada por Silvia Cattori, Réseau Voltaire, 20 de agosto de 2001, 29 de diciembre de 2006. Rapport Andreotti sur l’Opération Gladio, documento con fecha del 26 de febrero de 1991.
[4] «La historia de Ronald Reagan y la farsa del “Imperio del Mal”», Réseau Voltaire, 7 de junio de 2004.
[5] «La Fundación Ford, fachada filantrópica de la CIA» y «Por qué la Fundación Ford subvenciona la oposición», por Paul Labarique, Réseau Voltaire, 5 y 19 de abril de 2004.
[6] «Cómo el Consejo de Relaciones Exteriores determina la diplomacia norteamericana», Réseau Voltaire, 25 de junio de 2004.
[7] Las «Siete Hermanas» son las siete empresas occidentales que controlaban prácticamente todos los mercados mundiales del petróleo. NdT.
[8] Cf. note 3.
[9] «Historia secreta de la Unión Europea», Réseau Voltaire, 28 de junio de 2004.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

'Folha' e Otavinho Frias: de rabo preso com quem?

21 DE FEVEREIRO DE 2009 - 18h37

A criação pelo jornal Folha de S. Paulo (FSP), da expressão “ditabranda” em seu editorial de 17 de fevereiro, para nomear a ditadura imposta com o golpe de 1964 e, em seguida, a agressão aos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder Comparato, expressa em nota na seção de cartas da edição de 20 de fevereiro, não podem ser atribuídas apenas aos “maus bofes” de um jovem (?) herdeiro rico, mimado, que se supõe gênio (o que diariamente lhe repete sua corte), que não conhece limites e, portanto, afeito a chiliques.

Por Alípio Freire*

Embora seja também isso, é muito mais, e só pode ser entendido a partir da história daquele jornal, e no quadro mais amplo do avanço (em nível internacional) das idéias, valores e políticas nazi-fascistas. Sobre a trajetória do pasquim da Barão de Limeira, vejamos alguns depoimentos:

“Abandono do emprego”

A jornalista Rose Nogueira, presa pelos órgãos de repressão da ditadura no dia 4 de novembro de 1969, quando estava de licença maternidade da FSP, onde trabalhava, conta:

“Vinte e sete anos depois [1997], descubro que fui punida não apenas pela polícia toda-poderosa (...), pela justiça militar (...). Ao buscar, agora, nos arquivos da Folha de S. Paulo a minha ficha funcional, descubro que, em 9 de dezembro de 1969, quando estava presa no Deops, incomunicável, ‘abandonei’ meu emprego de repórter do jornal. Escrito a mão, no alto: ABANDONO. E uma observação oficial: Dispensada de acordo com o artigo 482 – letra ‘i’ da CLT abandono de emprego’. Por que essa data, 9 de dezembro? Ela coincide exatamente com esse período mais negro, já que eles me ‘esqueceram´por um mês na cela’. (...) Todos sabiam que eu estava lá (...) Isso era – e continua sendo – ilegal em relação às leis trabalhistas e a qualquer outra lei, mesmo na ditadura dos decretos secretos. Além do mais, nesse período, se estivesse trabalhando, eu estaria em licença maternidade”. (Rose Nogueira, Em Corte Seco, in Tiradentes um Presídio da Ditadura”, Coord. Alípio Freire, Izaías Almada e J.A. de Granville-Ponce – Scipione Cultural - 1997).

Palafreneiros da ditadura

O jornalista Mino Carta, em entrevista à AOL, em 2004, quando se completavam 40 anos do golpe, comenta as relações da FSP com a ditadura:

“A Folha de São Paulo não só nunca foi censurada, como emprestava a sua C-14 [carro tipo perua, usado para transportar o jornal] para recolher torturados ou pessoas que iriam ser torturadas na Oban [Operação Bandeirante]. Isso está mais do que provado. É uma das obras-primas da Folha, porque o senhor Caldeira [Carlos Caldeira Filho], que era sócio do senhor Frias [Octavio Frias de Oliveira], tinha relações muito íntimas com os militares. E hoje você vê esses anúncios da Folha - o jornal desse menino idiota chamado Otavinho [Otavio Frias Filho] - esses anúncios contam de um jeito que parece que a Folha, nos anos de chumbo, sofreu muito, mas não sofreu nada. Quando houve uma mínima pressão, o sr. Frias afastou o Cláudio Abramo da direção do jornal. Digo que foi a "mínima pressão" porque o sr. Frias estava envolvido na pior das candidaturas possíveis, na sucessão do general Geisel. A Folha estava envolvida com o pior, apoiava o Frota [general Sílvio Frota, ministro do Exército no governo Geisel]. O Claudio Abramo foi afastado por isso.“

("A mídia implorava pela intervenção militar" Entrevista com Mino Carta. Por Adriana Souza Silva, da Redação AOL, abril de 2004)

O testemunho da pesquisadora

A historiadora e pesquisadora carioca, doutora Beatriz Kushnir, autora do mais completo trabalho sobre o comportamento da grande mídia comercial durante a ditadura, Cães de Guarda, é lembrada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, em sua Conversa Afiada de 20 de fevereiro, a propósito da FSP:

“Como demonstrou Beatriz Kushnir (...) a Folha cedia as vans para o Doi-Codi fazer diligências, levar suspeitos para as sessões de tortura e fingir que se tratava de um carro de reportagem em atividade jornalística”. ( Cães de Guarda — Jornalistas e Censores do AI-5 à Constituição de 1988, de Beatriz Kushnir, Boitempo Editorial).

Em sua coluna, Amorim reitera ainda a denúncia feita por Mino Carta a respeito do afastamento do jornalista Cláudio Abramo do comando do jornal.

Quanto ao episódio da utilização dos carros da FSP para fins repressivos – como apontam Mino Carta e Paulo Henrique – é fato que consta de diversas publicações e depoimentos. A revista Teoria & Debate – da Fundação Perseu Abramo – nos anos 1990, publicou uma carta do ex-preso político e hoje advogado de movimentos populares e causas ligadas aos direitos humanos, Aton Fon Filho, que denuncia exaustivamente essa ligação criminosa.

Um diário oficial da repressão

Mas, não pensem os leitores que a história da empresa Folha da Manhã (propriedade da família Frias), da qual a Folha de S. Paulo nos anos da ditadura era apenas um título (ainda que o carro chefe), num conjunto que somava mais de meia dúzia de outros, como os jornais Última Hora, Noticias Populares, Folha de Santos, etc., sem esquecermos, é claro, a menina-dos-olhos da repressão, a Folha da Tarde.

A Folha da Tarde (FT) é um capítulo à parte. Algo assim, como se a FSP coubesse em “obras escolhidas” e ela, a FT, merecesse “obras completas”. Até 1968 esse jornal cobria de forma razoavelmente decente o movimento estudantil, e outras manifestações de oposição à ditadura. Contava com uma equipe formada, em sua maioria esmagadora, de bons e sérios profissionais – muitos dos quais acabariam posteriormente presos, como o caso da jornalista Rose Nogueira. Na ocasião, o logotipo do jornal era vermelho. Passados alguns meses da decretação do Ato Institucional Número 5, de repente, não apenas o logotipo foi mudado para preto, como sua direção passou a ser composta de pessoas ligadas aos órgãos de repressão, inclusive à famosa Escuderie Le Coc (nome fantasia do Esquadrão da Morte) – o que facilmente qualquer neófito é capaz de perceber, folheando a coleção desse jornal. Também a essa questão se refere, com detalhes, a historiadora Beatriz Kushnir em seu livro Cães de Guarda.

Uma ameaça a todos os brasileiros

Dadas essas breves pinceladas sobre a trajetória da Ilustre Folha, cabe chamar a atenção para um importante aspecto que é o verdadeiro significado da nota e da agressão contra os professores Maria Victoria e Comparato: ao atacar tão virulenta e desrespeitosamente essas duas figuras que merecem toda a admiração do nosso povo e de todos os homens e mulheres que lutam por uma sociedade democrática e justa, onde os direitos humanos e todos os direitos dos cidadãos sejam respeitados, o que pretende a Folha de S.Paulo, sua direção, é ameaçar todos os que se oponham à sua visão de mundo e aos seus objetivos.

Aliás, entendemos que caberia ao governador José Serra, seu partido e seus aliados do DEM – de quem a FSP é deslavado cabo eleitoral, transgredindo todas as normas éticas e legislação eleitoral – manifestarem-se publicamente a respeito desse episódio que, sem dúvida alguma, os compromete.

* Alípio Freire é jornalista e escritor, foi presidente da Associação Brasileira de Imprensa – Seção São Paulo (1978-1979). Pertence hoje aos conselhos editoriais do jornal Brasil de Fato, da Editora Expressão Popular e da Revista Fórum


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