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domingo, 27 de março de 2022

PCdoB celebra cem anos e anuncia apoio a Lula - Portal Vermelho

Leia o Vermelho


Cidade recebeu reunião extraordinária do Comitê Central na data do centenário do partido mais antigo do Brasil


por André Cintra

Publicado 25/03/2022 18:39 | Editado 26/03/2022 12:41
Comitê Central do PCdoB fez uma reunião extraordinária para comemorar seu centenário l Foto: Rebeca Belchior

Cem anos depois, o PCdoB voltou, literalmente, às origens. A cidade de Niterói (RJ) – que abrigou, em 25 de março de 1922, o Congresso de Fundação do Partido Comunista do Brasil – recebeu agora a reunião extraordinária do Comitê Central. O encontro precedeu o Festival Vermelho – Florescer a Esperança e aconteceu na tarde desta sexta-feira (25), exatamente a data do centenário do partido mais antigo do Brasil.

“Há exatos cem anos, aqui onde estamos, começou a nossa jornada. Nesta bela cidade de Niterói, a ousadia da classe operária fundou o Partido Comunista do Brasil”, enfatizou a presidenta nacional do PCdoB e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos. Desta vez, além das celebrações, os dirigentes aprovaram, por aclamação, o apoio do PCdoB à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.

“O Partido está empenhado, com os movimentos de frente ampla, na tarefa de libertar o país do governo Bolsonaro, de restaurar a democracia e promover uma reconstrução nacional. Uma reconstrução que abra perspectiva a um novo ciclo de prosperidade, desenvolvimento soberano em harmonia com a proteção do meio ambiente e de progresso social”, afirmou Luciana. “Para liderar este projeto, o PCdoB apoiará a construção da candidatura de Lula, credenciada pelo respaldo de uma frente ampla, para conquistar a maioria dos brasileiros e brasileiras, e assim disputar, vencer e governar.”

Ao abrir a reunião, Walter Sorrentino, vice-presidente nacional do PCdoB, saudou a militância partidária. Em 1922, nove delegados representaram cerca de 50 membros de grupos comunistas de diversas regiões do País. Agora, segundo Walter, o Partido chega a seu primeiro século de vida com 450 mil filiados.

História arrebatadora

Contar um século de lutas em pouco mais de 30 minutos foi o desafio de Luciana Santos. “Rendemos nossa homenagem às gerações de bravos e bravas que trouxeram o Partido Comunista do Brasil ao seu centenário. Eles e elas continuam vivos no coração das novas gerações. São, para nosso povo, motivo de imenso orgulho e inspiram os/as comunistas e lutadores/as progressistas contemporâneos.”

A presidenta do PCdoB lembrou que os primeiros 63 anos do PCdoB foram tempos bicudos, de perseguição aos comunistas e atuação clandestina. “Em mais da metade de nossa trajetória, tivemos de atuar nos subterrâneos da liberdade, como disse nosso camarada e notável romancista Jorge Amado”, agregou. “Mesmo com essa adversidade, a resultante de nossa trajetória é realizadora. Por isso, nossa história é arrebatadora.” Luciana Santos ao se pronunciar na reunião l Foto: Receba Belchior

Diversos capítulos nesta trajetória tiveram a participação decisiva dos comunistas. Nomes como Astrojildo Pereira, Luís Carlos Prestes e João Amazonas lideraram as três primeiras gerações de militantes do PCdoB. Todos eles enfrentaram o arbítrio dos regimes de plantão – da República Velha à ditadura militar, passando pelo Estado Novo.

Mesmo na clandestinidade, os comunistas lutaram causas como “O Petróleo É Nosso”, a paz mundial, a soberania nacional, os direitos dos trabalhadores, a organização sindical, a democracia, entre outras. Depois da Conferência Extraordinária de 1962 – que reorganizou o Partido –, veio a resistência ao regime militar, que inclui a Guerrilha do Araguaia, “uma epopeia pela liberdade”.

Dos governos progressistas ao golpe

De acordo com Luciana, “o Partido pagou um elevado tributo em vidas e sacrifícios, sobretudo no enfrentamento à ditadura – mas nunca, nunca abaixou a bandeira da democracia”, sublinhou Luciana. Assim, foi grande seu envolvimento na redemocratização e na “Constituição Cidadã” de 1988. A conquista da legalidade, em 1985, assentou ainda mais o Partido nos movimentos sociais, nas lutas políticas e nas disputas eleitorais – com destaque para a construção da Frente Brasil Popular, em 1989, e a vitória de Lula nas eleições 2002.

Em meio a isso, ocorre o 10º Congresso do PCdoB, em 2001, em que Amazonas passa a presidência Renato Rabelo. “Renato apontou a forte possibilidade da vitória das forças progressistas em 2002. Porém, com a ressalva de que somente uma ampla frente, apoiada por extenso movimento social, seria capaz de vencer e governar”, lembrou Luciana.

São 14 anos seguidos de governos democráticos e progressistas. “O PCdoB particip de ministérios e agências, de cujo desempenho deixou um rico legado. Ao mesmo tempo, ampliou sua inserção nas lutas populares, reforçando sua atuação no sindicalismo e demais movimentos sociais.”

Luciana Santos assume PCdoB em 2015. No ano seguinte, um golpe de Estado interrompe o ciclo democrático, recolocando forças conservadores e neoliberais no poder – primeiro sob a gestão ilegítima de Michel Temer, depois sob o governo de destruição de Jair Bolsonaro. De volta à resistência, o PCdoB se fortalece com a incorporação do PPL, em 2019.

“O Partido desencadeou um movimento para sua revitalização, que está em curso sobretudo na renovação da linha de massas, no fortalecimento de sua comunicação e da construção de sua estrutura orgânica. Esta revitalização demanda também renovar e abrasileirar crescentemente sua imagem e fortalecer sua identidade, ao mesmo tempo em que aperfeiçoa seu sistema de direção”, analisa Luciana.

Parafraseando o poeta amazonense Thiago de Mello, que faleceu neste ano, Luciana questionou: “O que são cem anos para quem pretende edificar um milênio? O que é século para quem tem como essência conquistar e construir o futuro radioso e socialista que virá?”. Foto: Bruno Bou Haya

Corrente revolucionária

Por videoconferência e, depois, por gravação, Renato Rabelo saudou os dirigentes em Niterói. “Por uma medida preventiva, não pude estar presente a esta reunião histórica”, afirmou Renato, que fez uma intervenção baseada no documento “PCdoB: um século de lutas em defesa do Brasil, da democracia e do socialismo”, aprovado neste pela Comissão Política Nacional do Partido.

“Não se pode compreender a história do Partido Comunista do Brasil sem entender a história do Brasil. Mas também não se pode entender a história brasileira sem levar em conta a ação dos comunistas”, disse Renato. Em sua exposição, ele destacou a Conferência Extraordinária de 1962 – um “grande evento político” em que, segundo o dirigente, o partido se reafirmou.

Hoje presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato lembrou duas conquistas democráticas propostas pelo PCdoB que contaram com “amplos apoios”: o Colégio Eleitoral, de 1985, e a federação partidária, aprovada no Congresso Nacional em 2021. Recordou também como a incorporação de outras forças marxistas ajudaram a fortalecer o Partido Comunista em momentos adversos: foi assim na união com a AP (Ação Popular Marxista-Leninista), em 1972, e com o PPL, há três anos.

A seu ver, o PCdoB foi fundamental para “a inserção dos trabalhadores e do povo na vida política do País. Sempre lutamos pela paz, a solidariedade entre os povos, contra a guerra e a espoliação capitalista. Somos o partido que faz a defesa categórica dos interesses da Nação e dos direitos do povo.”

Outro ponto destacado por Renato foi o “trabalho intelectual de estudos, pesquisas e interpretações sobre temas das lutas transformadoras do País”. Para Renato, “o PCdoB forjou uma corrente revolucionária preservando a identidade comunista”. Diante da debacle da União Soviética e do socialismo, “teve a maturidade de rejuvenescer e renovar a luta pelo socialismo”. Em 2009, aprovou o Programa Socialista, que aponta a aplicação de um novo projeto nacional de desenvolvimento como “caminho estratégico para a transição para o socialismo”.

Agora, o PCdoB abraça “o desafio de se abrasileirar”, enquanto está na linha de frente da oposição a Bolsonaro. Uma das contribuições mais recentes dos comunistas é o documento “Diretrizes para uma plataforma emergencial de reconstrução nacional”, debatido sobretudo no processo do 15º Congresso.

Os vices e o líder

Os quatro vice-presidentes nacionais do PCdoB também se pronunciaram. Walter Sorrentino afirmou que o partido fundado em Niterói, há cem anos, “introduziu o provo trabalhador, organizado, no destino de nossa nação, por uma pátria livre, democrática e próspera. Os comunistas são o sal da terra das ideias avançadas – o sal que influenciou cinco gerações de militantes”.

Para Carlos Lopes, é preciso deixar claro que os nove fundadores do Partido Comunistas tinham tanto “os ideais do socialismo” quanto “a elaboração de um projeto de Brasil”. Se de 1922 até hoje ocorreram a industrialização, o ciclo nacional-desenvolvimentismo e um pujante crescimento (entre 1930 e 1980), “os comunistas estiveram em todas essas lutas no sentido de impulsionar o progresso e o desenvolvimento do País”.
Foto: Bruno Bou Haya

Para Manuela d’Ávila, a foto tirada nesta sexta pela direção nacional, em Niterói, tem uma dimensão histórica – será “vista e lembrada” daqui para frente. “O Brasil não precisa ser um sonho não realizado”, declarou. “Esta reunião, em pleno centenário do PCdoB, deve ser de reflexão profunda sobre os anos que virão. Como construir o Partido Comunista de acordo com as exigências históricas de nosso tempo?”, indagou Manu, sugerindo que o PCdoB hasteie a “a bandeira da coragem e do amor – mas também da esperança”.

Jandira Feghali, que também é a coordenadora do Festival Vermelho, declarou-se “emocionada” em receber “tantos camaradas” no estado do Rio de Janeiro. “Não é simples, mas esse festival já deu certo. É uma oportunidade para revermos a nossa própria história”, afirmou, Jandira, a militante do PCdoB e a mulher com o maior número de mandatos no Congresso Nacional. “As mulheres não são algo falso no PCdoB. nós existimos e cumprimos papel no Partido Comunista do Brasil.”

O líder da bancada na Câmara Federal, deputado Renildo Calheiros (PE), também reverenciou os fundadores do Partido. “Estamos celebrando o fato de que, cem anos atrás, um grupo de revolcuonários compreendeu que a luta sindical não era suficiente e fundaram uma organização para a construção do socialismo no Brasil”, disse o parlamentar. “Nosso partido construiu páginas gloriosas na História do Brasil – e continuamos escrevendo a História. Nem sempre vencemos, mas sempre lutamos”.

A reunião homenageou o revolucionário Sérgio Rubens, que faleceu em 2021, quando ocupava o posto de vice-presidente do PCdoB. Um vídeo produzido especialmente para a reunião resumiu a trajetória militante de Sério, que liderou o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro) e o PPL. “Devemos a ele muito da incorporação do PPL ao PCdoB”, afirmou Márcio Cabreira, dirigente nacional do Partido. “Bolsonaro havia acabado de ganhar a eleição, e era preciso criar um polo, integrar e fortalecer um único partido, se incorporar ao PCdoB vivamente, de corpo e alma. Sérgio defendeu que o PCdoB fosse o instrumento para derrotar o fascismo que está no poder.

Houve, ainda, cultura e arte na reunião dos cem anos. Jorge Mautner, autor de A Bandeira do Meu Partido, adotado na década passada como um dos hinos oficiais do PCdoB, enviou uma gravação especial à reunião. No vídeo, o cantor e compositor carioca executa, ao violino, o outro hino do Partido, A Internacional. Já a poeta Cida Pedrosa, vereadora no Recife pelo PCdoB, recitou trecho de seu poema Arara Vermelha. A reunião se encerrou ao som de uma das mais conhecidas palavras de ordem da militância: “Um, dois, três / Quatro, cinco mil / E viva o Partido Comunista do Brasil”.
Tags 100 anos do PCdoB, PCdoB

Autor

André Cintra
Jornalista

terça-feira, 21 de abril de 2020

PCdoB - Basta de Bolsonaro! Mensageiro da Morte - Por uma ampla Frente de Salvação nacional!

 Unir amplas forças em defesa da vida e da democracia para salvar o Brasil
Bolsonaro é mensageiro da morte
A pandemia da Covid-19 agudiza as tensões e a instabilidade no mundo. A economia mundial, que já vinha se desacelerando, com a pandemia passa da semiestagnação a uma profunda recessão imediatamente, segundo previsões do próprio Fundo Monetário Internacional (FMI). A crise é tão grave que mesmo governos ultraliberais, embora, como sempre, despejando trilhões de dólares dos Estados nacionais no sistema financeiro, agora são forçados a socorrer, ainda que limitadamente, o povo e a economia real. Ela revela por inteiro os efeitos danosos da globalização neoliberal e financeira e a fragilidade dos países no que se refere a cuidar de suas populações. Mesmo nos chamados países desenvolvidos, as estruturas de proteção social do Estado estão debilitadas. Essa realidade ressalta a importância dos Estados nacionais, em suas múltiplas dimensões, especialmente na esfera econômica e social.
A lógica do sistema capitalista desnuda dois campos antagônicos: um defende a vida e outro, banqueiros e grandes monopólios. Os países do centro do sistema capitalista, como Estados Unidos, Itália e Espanha, mostraram vulnerabilidades: subestimaram a pandemia e a logística médico-hospitalar não suporta a demanda.
A solidariedade e cooperação internacionais têm sido escassas e frágeis. Merece destaque positivo a Organização Mundial de Saúde (OMS), que tem desempenhado de forma proativa a coordenação geral da luta contra a pandemia. Do mesmo modo, se ressaltam as ações solidárias desenvolvidas por China, Rússia e Cuba. A China socialista, primeira vítima da Covid-19, agigantou-se – apoiada na mobilização do povo, na ciência e em grandes investimentos – por sua resposta corajosa e eficaz à pandemia, está dando inestimável contribuição à humanidade.
Os Estados Unidos, a principal potência imperialista, tendo o reacionário Donald Trump como presidente, subestimaram a pandemia, que está penalizando o povo estadunidense com milhares de mortes. As medidas econômicas privilegiam o socorro às instituições financeiras. Os Estados Unidos, além de não demonstrarem solidariedade a nenhum país, atacam a OMS e confiscam arbitrariamente cargas de insumos hospitalares. E desencadeiam manobra militar contra a Venezuela e fazem campanha de fake news contra a China. Os mais atingidos pela pandemia são os trabalhadores, sobretudo os mais pobres, negros e latinos.
O Brasil é atingido fortemente pela pandemia. Os impactos dos cortes orçamentários do Sistema Único de Saúde (SUS) e a conduta irresponsável de Bolsonaro cobram um duro preço em número de mortos. No front, expostos a cargas virais extremas, os profissionais da saúde desempenham, em condições precárias, com notável dedicação, seu dever ético-profissional. No entanto, a eles, até hoje desde a criação do SUS, não foi organizada uma carreira que contemple o dever constitucional sobre os profissionais que, na prática, garantem o direito à saúde. O presidente realiza uma continuada campanha contra o isolamento social e expõe a população ao contágio ao novo coronavírus. Demitiu o ministro da Saúde, no meio da pandemia, para prosseguir com essa ação criminosa de forma ainda mais agressiva. Nomeou um novo ministro, ligado ao setor privado, que disse estar “em completo alinhamento” com seu chefe. O presidente sabota, de todas as formas, as medidas sanitárias anunciadas por governadores e prefeitos, e não libera, ou retarda, os recursos aprovados pelo Congresso Nacional. Promove o caos na condução da crise, atitude rechaçada no Brasil e criticada no exterior.
Nessa trajetória irresponsável, Bolsonaro confronta-se com o Congresso Nacional, a Justiça, os governadores, e as autoridades médicas e os cientistas brasileiros. Perde autoridade e legitimidade e se isola crescentemente. O presidente atua como mensageiro da morte em meio a uma crise sanitária sem precedentes. Revela, assim, que não tem condições de continuar no comando do país. Impõe-se dar sequência à luta política em várias dimensões para desmascarar Bolsonaro.
As medidas do governo federal, supostamente de proteção ao emprego e às empresas, estão muito aquém das necessidades e se realizam com lentidão. Além disso, ele propõe um novo corte de direitos trabalhistas com a Medida Provisória n. 905. Pretendia impor uma ajuda de apenas R$ 200 para autônomos, desempregados e subempregados. A oposição, em conjunto com amplas forças do Congresso, conseguiu elevá-la para R$ 600/1.200. Bolsonaro atrasou ao máximo o pagamento e agora tenta se apresentar como autor exclusivo da ajuda; essa conquista é do povo e das forças democráticas, que devem continuar exigindo o pagamento imediato do benefício. O governo, também, retarda o socorro às micro, pequenas e médias empresas, enquanto privilegia os bancos.
A verdade é que o governo Bolsonaro já ostentava um fracasso em decorrência da sua agenda ultraliberal e neocolonial, e as ações agora anunciadas são limitadíssimas em face da grande envergadura da crise. Isso empurra o país a uma recessão gravíssima. Bolsonaro privilegia a disputa política, apresentando-se como defensor do emprego e das empresas, e ataca os governadores, setores do Congresso, o Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo ele, se preocupariam apenas com a pandemia; o que é uma grande mentira. O campo democrático entende que o Estado nacional deve, a um só tempo, defender a vida e proteger os empregos e as empresas e socorrer os estados e munícipios, e não o setor financeiro. É preciso desmascarar essa falsa contraposição entre vida e economia, essa criminosa demagogia bolsonarista.
Nesse quadro, amplia-se a oposição ao governo. Diferentes correntes políticas colocam em questão a própria continuidade do mandato presidencial. Pregam a necessidade de um líder equilibrado para unir o povo e respeitar as instituições. O presidente, no entanto, ainda conta com respaldo de grandes grupos econômicos, de setores militares e de segmentos sociais mais conservadores.
Bolsonaro aposta no caos, na radicalização e no confronto. Faz a semeadura da desordem, cenário que julga propício à escalada golpista que visa à ruptura com o regime democrático. A tentativa, repelida pelas forças democráticas, de adiar as eleições municipais para 2022 se insere nesse contexto, bem como a ameaça de veto ao Projeto de Lei aprovado pela Câmara dos Deputados de ajuda aos estados e munícipios, posto que sem ajuda da União os entes federados seriam empurrados para uma situação de falência e desordem.
O Partido Comunista do Brasil (PCdoB), solidário com o povo, está totalmente engajado nesta grande luta nacional para que o país possa enfrentar e superar essa crise múltipla: sanitária, social, econômica e política. Para tanto, divulgou um Plano Nacional de Emergência no qual detalha suas propostas e aponta as fontes para seu financiamento.
O PCdoB reafirma, em primeiro lugar, seu compromisso em defesa da vida e da saúde das pessoas. Batalha pela defesa do emprego, do salário, da renda dos trabalhadores e do povo – indispensável para a defesa da vida. Empenha-se para assegurar socorro às micro, pequenas e médias empresas e em defender a economia nacional.
Para atingir esse objetivo, o Partido conta com sua atuante bancada na Câmara dos Deputados, sob a liderança da deputada Perpétua Almeida, com o governador Flávio Dino (MA) e com a ação conjunta dos governadores. Apoia-se também nos seus quadros e militantes, na mobilização do povo, na ação com as centrais sindicais, os movimentos estudantil, comunitário e sociais.
Neste contexto, o Partido mobiliza a sociedade para as medidas de prevenção, de continuidade do isolamento social; realiza firme combate às atitudes irresponsáveis e criminosas de Bolsonaro; empreende a defesa da vida, da democracia e da Constituição Federal; luta para que o Estado nacional libere os recursos necessários ao conjunto das necessidades para o país enfrentar e vencer a crise e a pandemia. E define as seguintes orientações para a atual conjuntura.
a) Persistir na articulação de uma ampla frente de salvação nacional, em defesa da vida, da democracia, do emprego e do Brasil. Uma frente capaz de impedir que Bolsonaro promova o caos e crie condições para o país livrar-se da crise e vencer a pandemia. Com esse propósito, o Partido deve intensificar o seu diálogo com amplas forças da sociedade, partidos, entidades, personalidades e lideranças. Nessa frente de salvação nacional, têm protagonismo o Congresso Nacional, os governadores, o STF, entidades e instituições da sociedade civil, como CNBB, Comissão Arns, OAB-Federal, SPBC, ABC, ABI, hoje conjugadas no Pacto pela Vida e pelo Brasil. Devem participar os partidos e parlamentares de um largo espectro político, personalidades do mundo da cultura e da ciência, as centrais sindicais, a UNE, a UBES, a Conam, a UBM, a CMB e um elenco de movimentos sociais e frentes desse setor.
b) Batalhar, tendo a vida como prioridade, por mais recursos e fortalecimento do SUS público, integral e universal – seriamente enfraquecido pela política ultraliberal de Paulo Guedes e Bolsonaro – e pelo fim da Emenda Constitucional nº 95. Reforçar o setor de Atenção Primária do SUS, em especial a Estratégia da Saúde da Família, que pode cumprir decisiva tarefa no combate à pandemia. Garantir o acesso universal à internet para as ações sanitárias e econômicas de combate à Covid-19. Estabelecer, em articulação com o setor privado, a utilização, o controle e gerenciamento pelo poder público de toda a capacidade hospitalar existente no país, especialmente leitos de internação e UTI de hospitais privados e planos de saúde, para o tratamento universal dos casos graves da Covid-19. Importar, licenciar (quebrar patentes) e reconverter setores da indústria nacional para produzirem materiais, medicamentos e equipamentos hospitalares estratégicos para salvar vidas e proteger os profissionais de saúde; para combater a pandemia, com base na ciência, é imperativo apoiar as diretrizes da OMS e da ampla maioria das autoridades da saúde do país na continuidade do isolamento social, da testagem em massa, e na adoção de medidas protetoras para o trabalho essencial, em especial os trabalhadores da saúde.
c) Lutar em defesa do emprego, dos direitos dos trabalhadores, contra a redução de salários; batalhar pela ampliação da renda da população carente; assegurar as necessidades básicas da população, isentando-a de pagamento aos serviços públicos essenciais; lutar por políticas públicas em defesa dos direitos das mulheres. Nesse momento, em especial, batalhar contra a violência doméstica, em defesa do emprego e da renda, com prioridade para as mulheres mães e chefes de família.
d) Proteger a economia nacional, em especial as micro, pequenas e médias, que geram mais da metade dos empregos com carteira assinada no setor privado, as médias empresas, com isenção e parcelamento de tributos, além de linhas de crédito subsidiadas, com garantia do Tesouro Nacional, para capital de giro, folha de pagamento e manutenção de empregos e estímulos à produção nacional de insumos para a saúde.
e) Defender a plataforma emergencial dos estudantes e da juventude, garantir auxílio-merenda aos estudantes do ensino básico e médio da rede pública; suspender as cobranças do Financiamento Estudantil (FIES) e a cobrança de mensalidades para alunos de baixa renda; manter as Bolsas dos programas de pós-graduação e de estagiários.
f) Apoiar os governadores e os prefeitos: suspender o pagamento da dívida com a União, com os bancos públicos e com organismos internacionais; autorizar empréstimos para investimentos; garantir os níveis de repasses dos fundos de participação, acrescidos de parcelas extras para enfrentar a pandemia e seus impactos sociais, além de ampliação dos gastos em saúde e compensar a queda de arrecadação de impostos.
g) Intensificar as ações em todas frentes de atuação do Partido com as bandeiras já assinaladas; criar e apoiar movimentos de solidariedade, sobretudo às parcelas pobres da população, e também aqueles em defesa dos profissionais de saúde; fortalecer a batalha de ideias, nas redes sociais e em outras atividades possíveis pela internet. Por esta via, o Partido e seus militantes podem manter e ampliar sua atividade, jogando o papel que a atualidade impõe. Participar e incentivar as iniciativas criativas que se multiplicam, como os panelaços, que ecoam pelas janelas do país o “Fora, Bolsonaro!”.
Com essas orientações, o PCdoB reitera a convicção de que com a união de amplas forças sociais e políticas o país superará a pandemia, derrotará Bolsonaro e abrirá novas e promissoras perspectivas para o nosso povo.

Basta de Bolsonaro! Mensageiro da Morte
Por uma ampla Frente de Salvação nacional!

Brasília, 18 de abril de 2020
Comitê Central do Partido Comunista do Brasil-PCdoB

terça-feira, 19 de março de 2019

Novo ciclo de lutas em defesa da democracia, do Brasil e do povo - PCdoB

Reunido entre os dias 15 e 16 de março, em São Paulo, o Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) aprovou resolução política intitulada “Um novo ciclo de lutas em defesa da democracia, do Brasil e dos direitos do povo”. Nele, a direção nacional decorre sobre o cenário mundial em que ocorreu a eleição de um governo de extrema-direita no Brasil, analisa a formação e os primeiros passos do governo Bolsonaro.

O documento aponta como estratégia para barrar as tentativas de desmonte e retrocesso ao Brasil e dos direitos da população tendo como centralidade o reconhecimento do papel da esquerda política e social.
Para enfrentar o novo ambiente político, o PCdoB propõe a união de amplas forças tendo a democracia como bandeira central. “Deve reger a constituição dessa frente a união de todas as forças possíveis de serem unidas, com o objetivo de isolar e derrotar o governo da extrema-direita. Essa é a tática geral da luta atual”, diz a nota.

Uma viragem política de grande envergadura
1- A eleição de Jair Bolsonaro representa o término do ciclo político iniciado em 1985, com o fim da ditadura militar, que teve na Constituição de 1988 um marco da consolidação da redemocratização do país, da conquista de direitos ao povo brasileiro, passando pela resistência ao neoliberalismo na década de 1990, pelos avanços protagonizados pelos governos progressistas desde 2003, até o golpe jurídico-parlamentar de agosto de 2016.
2- Com o resultado da disputa político-eleitoral de 2018, abre-se, desde 1985, um novo período político, marcado pelo ineditismo da ascensão de uma força de extrema-direita à presidência da República. Um governo determinado a realizar, a ferro e fogo, uma agenda ultraliberal, neocolonial e anticivilizacional. Tal feito representa uma derrota política, ideológica e estratégica para o conjunto das forças progressistas, patrióticas e democráticas, em especial as forças da esquerda política e social.
3- A eleição de Bolsonaro é resultante de múltiplas causas. Foi respaldada pelo imperialismo estadunidense e faz parte, como se explicitará adiante, de um fenômeno mundial. No âmbito interno, deriva de uma frente constituída pela ampla maioria das classes dominantes, pelos monopólios econômicos e financeiros, e por um arranjo político que coesionou a direita com setores do centro do espectro político nacional. Sua campanha milionária mobilizou recursos materiais, ideológicos e midiáticos, fazendo intensa “guerra digital”. A massiva distribuição de fake news criou factoides e tirou do centro do debate eleitoral as propostas e os projetos para o Brasil, manipulando a opinião pública e o eleitorado. Eleitorado que, por longo período, foi alvo de intensa campanha midiática que demonizou a política como um todo e desmoralizou sobretudo a esquerda com o estigma da corrupção. Foi, portanto, vitoriosa a tática – adotada em vários países – de golpes de novo tipo, ditos “brandos”, que abarcam a conquista da hegemonia cultural e ideológica.
4- Teve ainda importante destaque no desfecho da disputa eleitoral a participação ativa – e partidarizada – de expoentes do Poder Judiciário e do aparato policial que, a partir da operação Lava Jato, têm interferido intensamente nos rumos da política nacional.
5- Entretanto, apesar da derrota, na reta final da disputa eleitoral formou-se em torno da chapa Fernando Haddad, Manuela D’Ávila um amplo movimento cívico e democrático contra a candidatura de Bolsonaro que obteve 47 milhões de votos.
Não se trata de um fenômeno isolado
6- A ascensão ao poder como a de Bolsonaro não é um fato isolado, é a expressão brasileira desse fenômeno maior do crescimento de forças de ultradireita ao redor do mundo. Este fato se desenvolve em um complexo e intrincado quadro de transformações do cenário internacional, onde a crise do liberalismo e a questão nacional emergem com força.
7- Deste quadro se sobressaem a continuidade da crise capitalista, as transformações no processo produtivo com a chamada 4ª revolução tecnológica e uma luta intensa em torno do reordenamento do sistema internacional.
8- O velho liberalismo político e econômico se encontra em crise. O modelo de globalização neoliberal, regido pelo prisma da financeirização, as medidas de austeridade implantadas como resposta à crise do capitalismo, somadas às transformações produtivas decorrentes das inovações tecnológicas, têm ampliado o fosso entre o capital e o trabalho, produzindo a retirada de direitos e a desvalorização do trabalho, e gerado uma enorme massa de desempregados.
9- Em busca de saídas para enfrentar a crise e o descarte da massa crescente dos deserdados – tidos como “imprestáveis” ao capital nesta atual etapa –, as classes dominantes se encontram divididas. De um lado, os que querem enfrentar a situação mantendo os fundamentos do liberalismo político, ainda que enfraquecidos pela incompatibilidade crescente entre neoliberalismo e democracia. De outro, o robusto número de países, onde forças da extrema-direita já exercem o poder, ou parcela dele, revelando que frações relevantes das classes dominantes aderiram ao extremismo de direita. Há, ainda, outro polo que apresenta como perspectiva para o enfrentamento do atual quadro de crise da globalização liberal o fortalecimento de seus projetos nacionais autônomos, como China e Rússia, e coloca no centro a luta pelo desenvolvimento soberano e compartilhado e a defesa da paz.
10 – É neste contexto de disputa em torno do reordenamento do cenário internacional que as potências imperialistas se movimentam para conter a emergência de novos polos de poder. E, dentro dessa chave, pode-se compreender a chamada guerra comercial deflagrada pelos EUA contra a China.
11- De igual modo, é o que se observa com a adesão de parcelas significativas das classes dominantes brasileiras ao projeto de Bolsonaro. Para elas, se impõe a necessidade de um governo autoritário para tornar realidade seu programa ultraliberal e neocolonial. Nesta mesma ótica, somente um governo deste naipe seria capaz de produzir um novo alinhamento do Brasil aos interesses dos Estados Unidos na arena internacional, contribuindo para conter o processo de transição em curso.
12- A moldura internacional que contribuiu para a vitória de Bolsonaro se completa com um contexto regional, no qual a América Latina se transformou em um laboratório de experimento do imperialismo, do uso do poder Judiciário com fins políticos, com vistas a conter processos políticos direcionados a promover a democracia, o desenvolvimento soberano e os direitos sociais.

II – O caráter do governo Bolsonaro
13- A eleição de Bolsonaro instaura um novo ciclo político no país. E os traços iniciais de sua gestão comprovam que seu governo é de caráter autoritário na política, ultraliberal na economia, retrógrado nos costumes e com forte viés neocolonialista.
14- Trata-se de uma aliança entre reacionários, conservadores e liberais de direita, corporações do Estado que, sob a égide direta dos setores rentistas, buscam consolidar a nova ordem política, econômica e social, para alterar o regime político democrático garantido pela Constituição.
15- Tal aliança possui raízes na história política brasileira e soube construir a vitória de Bolsonaro a partir do golpe jurídico-parlamentar de agosto de 2016. Empreendeu um trabalho sistemático, de fôlego, de caráter ideológico-político-cultural. As forças progressistas não perceberam, ou menosprezaram, esse trabalho que resultou na vitória do que se convencionou chamar de “nova direita”, que nada mais é do que a extrema-direita.
16- O discurso desta nova direita expressa a exacerbação de um falso nacionalismo, de um engodo de que o corte de direitos é capaz de alavancar o desenvolvimento, e de um moralismo com traços inquisitoriais, e faz da intolerância e do ódio contra a esquerda, contra a população LGBT e contra os negros uma de suas marcas. Dissemina o obscurantismo cultural e a intolerância religiosa, manipula a religiosidade do povo, exalta a negação da política e o individual sobre o social.
17- O discurso e o programa de Bolsonaro são marcados por uma ação corrosiva, destrutiva até de conquistas civilizatórias, como o elenco de direitos sociais, o conjunto de políticas públicas e as instituições focadas nos direitos e no bem-estar do povo que o país constrói desde a década de 1930. Um governo que se volta contra os fatores positivos e potencialidades de um país que, pelo seu gigante território, abundante riqueza e laborioso e criativo povo, poderia se encaminhar a um novo patamar de sua construção como nação soberana, desenvolvida e democrática. Pela sua agenda e o seu caráter, o governo se apresenta como uma ameaça real para desestabilizar a nação, enfraquecer sua capacidade de produção, empobrecer e dividir o povo, aumentar o desemprego e o trabalho precário, os conflitos e a desesperança.
18- Bolsonaro tem buscado se apresentar como um governo de ruptura com as características do atual sistema político e partidário brasileiro. Segue midiaticamente satanizando “a velha política”, mantém os partidos relativamente à margem da constituição de seu ministério; mas, aos poucos, é impelido a dialogar com sua base parlamentar, sobretudo em relação aos cargos federais nos estados.
19- Apesar dos desgastes iniciais, como as crises envolvendo os filhos do presidente – como as graves denúncias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro – e dirigentes do PSL, os desencontros no núcleo do governo e na sua base de sustentação, o governo tem força e não pode ser subestimado. Saiu das eleições com um capital político grande, com amplo respaldo dos setores econômicos e financeiros, de parcela expressiva do poder Judiciário, com a complacência de grande parte dos meios de comunicação, além de ter todas as condições para formar uma forte base parlamentar.
O resultado eleitoral não dá carta branca a Bolsonaro
20- No entanto, é necessário pontuarmos que, apesar dessa vitória, o eleitorado brasileiro não é largamente de direita. Muito menos de extrema-direita. Ele assiste ao desgaste da atividade política, não vê solução para seus problemas, sente os impactos da crise, encontrou uma força, com um discurso mobilizador, que promete colocar as coisas no lugar e impor certa ordem no caos.
21- Do mesmo modo, não é possível afirmar que os votos dados a Bolsonaro sejam um referendo ao projeto de privatizações e de desmonte do Estado. Dados do Datafolha apontam que a maior parcela dos eleitores de Bolsonaro, 30%, optou por esta candidatura motivada pelo sentimento de Renovação/alternância; a segunda maior parcela, 25%, o escolheu porque rejeitava o PT; apenas 12% dos seus eleitores o apoiou por avaliar que ele possuía as melhores propostas. Outra pesquisa, do mesmo Instituto, confirma este entendimento ao indicar que 60% dos brasileiros se dizem contrários às privatizações e 57% rejeitam a redução das leis trabalhistas.

Os polos de poder do governo
22- A coalizão de Bolsonaro abriga em si distintos núcleos, polos de poder não homogêneos, com agenda própria e em disputa pelos rumos e a visão do governo. Apesar de não possuírem consenso em torno de um projeto de país, tais polos se unificam em torno da agenda econômica ultraliberal – que opera sem intermediários – sob o prisma do rentismo.

O Clã
23- É o círculo ideológico que expressa o pensamento de fundo do presidente e de seu entorno político. É composto pelo núcleo familiar (filhos), lideranças evangélicas e expoentes da bancada da bala. E conta ainda com Olavo de Carvalho e Steven Bannon como ideólogos e estrategistas do neoconservadorismo. Busca incidir de fato no governo, indicando nomes para ministérios, como o de Relações Exteriores, da Educação, da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. É dele a responsabilidade de manter mobilizado o setor mais extremista da base social e política de apoio do governo. Embora expresse força, o Clã, enquanto núcleo político, é também o mais vulnerável e se tornou o alvo predileto da imprensa.

A Farda
24- É o núcleo composto por expoentes das Forças Armadas que, após 34 anos, retomam o protagonismo na vida política do país com a eleição do capitão da reserva, Jair Bolsonaro, e do vice-presidente, general Hamilton Mourão. Não se produziu um momento com a presença tão extensiva de militares em funções de governo, com destaque para o Exército desde a redemocratização.
25- Mais de uma centena de militares de alta patente, com destaque para oficiais do Exército, ocupam postos no governo, entre os quais, nove no primeiro escalão. Um dos motivos para tamanha presença é a falta de quadros políticos no entorno de Bolsonaro que, sem alternativa, teve de se apoiar na expertise de quadros das Forças.
26- As Forças Armadas têm uma visão de país, mas não são homogêneas e predominantemente na história desvincularam a questão democrática da luta pelos interesses da nação,  Nesta nova realidade, resta saber como irão se posicionar diante de um projeto ultraliberal, de privatizações e de um alinhamento aos EUA, que se acerca a vassalagem.
27- O vice-presidente, general Mourão, criticado abertamente por expoentes do Clã, se movimenta com protagonismo, mantém intensa agenda de encontros, inclusive com lideranças e entidades do campo da oposição, e faz contraposição pública a opiniões do presidente Bolsonaro e de ministros, se apresentando contra a intervenção militar na Venezuela e a transferência da Embaixada do Brasil para Jerusalém, o que leva à necessidade de melhor análise do significado político dessa movimentação.

A Toga
28- Trata-se do expoente jurídico e policial do governo. Envolve, em essência, setores do Judiciário de primeira e segunda instâncias e do Ministério Público da União e da Polícia Federal, que ganharam protagonismo na Operação Lava Jato, e possuem como referência principal o ex-juiz e atual ministro, Sergio Moro.
29- Entre os pontos da agenda de Moro, destacam-se o Pacote Anticrime e a aprovação das Dez Medidas de combate à corrupção que, no fundo, buscam revisar a dimensão garantista de nossa Constituição, como presunção de inocência, limite do uso do habeas corpus e ampliação de penas. E ainda manterá sob mira “inimigos internos”, tendendo a atuar na criminalização de movimentos, lideranças e partidos políticos, sobretudo da esquerda.
30- A participação de Sergio Moro é um trunfo importante para o governo Bolsonaro. Contudo, a auréola de superministro já foi crispada, tendo de demitir uma assessora por exigência de Bolsonaro. Será o mais cobrado pelos deslizes de membros do governo e terá de apresentar resultados para além do combate à corrupção. Até o momento, tem havido um silêncio ensurdecedor sobre as sérias acusações contra um dos filhos do presidente.

O Mercado
31- Os agentes do mercado financeiro já não atuam por intermediários. Escalaram para postos-chave do governo, sobretudo da Fazenda, um time dos sonhos do rentismo: agentes do próprio mercado, como se vê na nomeação de um funcionário do Santander para presidente do Banco Central.
32- Sob a batuta de Paulo Guedes, discípulo da Escola de Chicago e com passagem pela ditadura de Pinochet, o fiador da aliança de Bolsonaro com os círculos financeiros internacionais e nacionais, a agenda econômica a ser implementada consiste em: dar uma guinada ultraliberal na orientação econômica brasileira, direcionar o Orçamento Federal para assegurar os ganhos fabulosos da banca, implementar um ambicioso projeto de privatização, reduzir impostos, zerar o déficit público e realizar reformas consideradas regressivas e de caráter conservador – como a da Previdência, prioridade número um do novo governo.
33- É o núcleo com maior nitidez de objetivos em torno de sua agenda, conta com vasto apoio entre os setores econômicos, a grande mídia e as elites do país. O ministro da Economia tem atuado de forma independente do articulador político do Congresso, o que tem criado atrito com o ministro da 

Casa Civil, Onyx Lorenzoni.
e) Forças que atuam no Congresso Nacional
34- Entre os parlamentares e partidos que apoiam o governo Bolsonaro, estão núcleos que representam expoentes da política tradicional, notadamente da direita e da extrema-direita. Não é um bloco coeso, mas um agrupamento de matizes políticos diversos, com distintos interesses corporativos, que atua no Congresso por intermédio de frentes parlamentares, como a ruralista, a evangélica e a da bala.

III – As primeiras ações do governo Bolsonaro confirmam seu caráter
35- Mesmo com desencontros e improvisações, o caráter autoritário, antipovo e entreguista do governo Bolsonaro se expressa nas primeiras iniciativas adotadas pelo presidente e os principais núcleos do governo. Apesar da força que preserva, em menos de três meses, já há evidências de perda de prestígio do presidente, seja pelos números das pesquisas de opinião, seja pelo humor das ruas, como veio à tona no Carnaval e nos protestos do 8 de março, marcados por manifestações de protesto e rechaço a Bolsonaro. Os escândalos do PSL e o presidente com uma conduta que ora provoca vergonha, ora demonstra incapacidade, vão – mais cedo do que se imaginava – revelando a verdadeira estatura de Bolsonaro.
36- A determinação de aumentar ainda mais a exploração da classe trabalhadora, de cortar os direitos do povo, está patente não só na reforma da Previdência, mas no fim do Ministério do Trabalho, no reajuste menor do salário-mínimo. Ao mesmo tempo, o governo atua para debilitar a capacidade de mobilização e resistência dos(as) trabalhadores(as), apertando o cerco para estrangular as finanças dos sindicatos, com a Medida Provisória 873/2019 e a proposta de fim da unicidade sindical.
37- A política externa do governo Bolsonaro realiza uma profunda reorientação diplomática do Itamaraty, levando o país a se afastar de diretrizes como a não ingerência em assuntos internos, a autodeterminação e a busca da solução mediada dos conflitos; preceitos caros à tradição diplomática brasileira. Essa nova orientação visa a estabelecer um alinhamento automático do Brasil com as ações dos EUA, distanciando-o do movimento de desconcentração de poder na arena internacional. São expressões práticas disto o envolvimento ativo do Brasil na desestabilização do governo da Venezuela e a promessa de mudança da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém – ambas com graves repercussões geopolíticas para o país.
38- O caso da Embraer merece destaque por seu papel estratégico para o país e pelos projetos na esfera da defesa que estão associados à empresa. A empresa de maior valor agregado no Brasil será vendida por uma pechincha de pouco mais de US$ 4 bilhões, que correspondem à parte de suas encomendas. Segundo Bolsonaro, a proposta “preserva a soberania e os interesses nacionais”, por mais que, após dez anos, a Boeing possa comprar os 20% restantes de ações, nas mãos dos acionistas controladores da Embraer. Chama a atenção a anuência dos militares para a realização desta venda, pois a operação pode comprometer o projeto KC-390, avião de transporte militar.
39- É muito danoso na agenda do novo governo o descompromisso com a exigência de reindustrialização do país; ao contrário, a desindustrialização já está sendo aprofundada com danos irreversíveis aos interesses nacionais. Mesmo com apoio ao governo, o empresariado industrial se viu desatendido por completo nessa agenda, expressando a completa dominância rentista e fiscalista de 

Paulo Guedes no comando da Economia.
40- O Pacote Anticrime apresentado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, é a expressão de uma concepção autoritária, punitivista, que usa da violência para combater a violência. Tal medida é um remendo ao arcabouço legal do país, violando preceitos constitucionais, como a presunção de inocência, ao defender a prisão em segunda instância. No conjunto das propostas, não há indicações sobre a realização de investimentos em inteligência e infraestrutura de segurança, em valorização e capacitação dos profissionais da área. Tais medidas ampliarão a população carcerária e darão licença para matar – o que atingirá a população mais pobre e jovens em situação de vulnerabilidade e as mulheres, alvo de crescente feminicídio. Em essência, essas medidas ficam longe de responder às demandas efetivas da sociedade, que exige o direito à paz, à segurança, num país que na última década perdeu 553 mil vidas por mortes violentas – ou 153 pessoas por dia.
41- Por sua ineficácia, por conter elementos que uma vez mais atacam o Estado Democrático de Direito, a jornada dentro e fora do Parlamento para se contrapor a este pacote pode aglutinar amplos setores da sociedade, do mundo jurídico, do movimento de direitos humanos.

IV – Nova tática: união de amplas forças tendo a democracia como bandeira central
42- Para o PCdoB, a tática deve emanar da nova realidade imposta pelo resultado das eleições de 2018. Diante do vasto reagrupamento das forças reacionárias no país, a questão principal é a união de amplas forças políticas, sociais, econômicas e culturais, do campo democrático, patriótico e popular, para se opor ao governo Bolsonaro, impor derrotas e reveses à sua agenda. É no caminhar de uma ativa resistência nas ruas, no parlamento, na luta de ideias, que se reverterá as atuais adversidades, acumulando forças e descortinando perspectivas de vitórias vindouras.
43- Deve reger a constituição dessa frente a união de todas as forças possíveis de serem unidas, com o objetivo de isolar e derrotar o governo da extrema-direita. Essa é a tática geral da luta atual.
44- O objetivo estratégico de derrotar a hegemonia política dessas forças reacionárias, e conquistar a hegemonia das forças democráticas, populares e progressistas, se encontra, diante dessa nova realidade, num horizonte distante. Dessa análise se conclui que o campo da nação e da classe trabalhadora se encontra num período de defensiva estratégica.
45- Essa nova tática tem como foco emergencial: a defesa da democracia ameaçada. Isto decorre das ameaças explícitas à liberdade política e às liberdades  aos aspectos básicos do Estado Democrático de Direito, por ação de um governo com ímpeto saliente de autoritarismo e tendência fascistizante. O fato de o Estado Democrático de Direito ter sido mutilado por inúmeras violações abre caminho e expõe o país a um grave risco: a mudança do regime político democrático instituído pela Constituição de 1988.
46- Essa flexão que aponta a democracia como foco da tática não desdiz, nem colide, o Programa do PCdoB que concebe como vértice a questão nacional (soberania nacional) da luta por um novo projeto de nacional de desenvolvimento, relacionando-a com a causa democrática e o progresso social. Conjunturalmente, ganha centralidade a bandeira democrática, visto que as liberdades definem as circunstâncias e as condições nas quais se realizará a resistência.
47- Trata-se, então, de formar uma frente de perfil democrático marcante, de características antifascistas, podendo assim combinar uma relação de ação comum desde a esquerda, centro-esquerda, setores populares, personalidades liberais e do centro político. Exemplos da prática política recente demonstram a possibilidade desse tipo de convergência, como alianças no Nordeste nas eleições presidenciais de 2018, o arquivamento da proposta do execrável projeto que institui a Escola Sem Partido, e a aliança pela restauração do Estado Democrático de Direito.
48- A aplicação da tática geral para alcançar essa união ampla requer uma conduta política que escolha e direcione as lutas que sejam capazes de acumular forças, tendo em conta o quadro muito desfavorável ao campo progressista. Seria errado, portanto, num momento político com tais características, ter como centro a radicalização de posições; ao contrário, é preciso ter presente quais ações, quais combates proporcionam a ampliação de forças.
49- Para ser efetivamente combativa, o pressuposto é ser uma tática ampla, flexível, capaz de reunir um leque vasto de forças e pô-las em movimento na ação oposicionista. A radicalização eficaz e consequente virá do grau dessa ampliação e de uma viragem na correlação de forças que seja favorável à oposição.

O papel da esquerda política e social
50- A esquerda se destaca como principal núcleo de oposição a Bolsonaro, e no curso da jornada oposicionista está chamada a desempenhar papel de destaque na construção da frente ampla. Todavia, a divisão que a debilitou na campanha eleitoral persiste. Ela está desafiada a construir sua convergência num quadro em que já não há uma força hegemônica em seu âmbito. Sua necessária unidade poderá ser construída dentro e fora do parlamento a partir de composições e formas distintas às do ciclo anterior.
51- Têm surgido diferenças e divergências entre os partidos de esquerda, como é comum quando emergem ciclos políticos novos. Exemplo disto se deu na eleição à presidência da Câmara dos Deputados. Para o PCdoB, tais discordâncias devem ser superadas pelo debate, pelo exame crítico e respeitoso das diferenças e sem que nenhuma legenda se arrogue detentora do monopólio da oposição. Iniciativas como o Observatório da Democracia, projeto conformado pelas Fundações do PT, PCdoB, PSB, PDT, PSOL e Pros contribuem para a gestação de entendimento em outras esferas da vida política.
52- Para o PCdoB é equivocado contrapor frente de esquerda e frente ampla. Uma ampla e forte oposição necessita do protagonismo do povo, da classe trabalhadora, da mobilização das massas, da ascendente ação dos movimentos sociais e entidades classistas.
53- A pressão popular, a luta política nas ruas, será um elemento de grande relevância. Outra tarefa de grande importância é conseguir, a partir do diálogo, construir convergência com entidades de representação, como a OAB, setores da igreja católica e de outras religiões, juristas, acadêmicos, artistas, em torno da defesa da democracia, do Estado de direito e das conquistas históricas do nosso povo. A Frente Brasil Popular, a Frente Povo Sem Medo e o Fórum das Centrais Sindicais, entre outras articulações, atuam no campo da frente oposicionista com sua autonomia e bandeiras – buscando sempre, é claro, convergências que resultem em massivas mobilizações respaldadas por amplas forças. Sempre que amplas coalizões políticas e sociais ganharam as ruas, o Brasil e sua gente saíram vencedores.

Resistência, Amplitude e Sagacidade
54- Com amplitude, sagacidade e flexibilidade, o campo da oposição pode explorar as tensões e contradições de interesses e ideias que existem no governo Bolsonaro e na sua base de sustentação no Congresso Nacional e na sociedade. Na base de sustentação, há quem respalde integralmente a pauta da agenda ultraliberal e neocolonial, mas tem restrições ao crescente sufocamento do Estado Democrático de Direito pelo Estado de Exceção. Neste cenário, manobras, alianças pontuais e passageiras podem ocorrer para explorar fissuras no campo adversário, como fator de reforço da jornada oposicionista.
55- A dinâmica da atuação da frente, por sua heterogeneidade e composição policlassista, rege-se pelo binômio unidade e luta; sobretudo agora, no seu nascedouro, se a ênfase for na luta, isto é, na exacerbação das divergências e na demarcação de posições, sua constituição terá enorme dificuldade. Essa disparidade de matizes das oposições – que abarca forças resolutas no enfrentamento ao governo, forças intermediárias e mesmo vacilantes – demanda coesão da esquerda e das forças populares para que a frente tenha uma direção política consequente, cumpra sua missão de isolar e impor derrotas ao governo.

As principais bandeiras
56- Para o PCdoB, a frente ampla se constituirá, no percurso das batalhas, em torno destas bandeiras: Defesa da democracia, da soberania nacional e do patrimônio público, dos direitos do povo e da classe trabalhadora. Como já destacado, a bandeira democrática ganha centralidade.
a) A defesa da democracia se materializa nas jornadas em defesa das liberdades, dos direitos civis e sociais contidos na Constituição; do Estado Democrático de Direito, contra o Estado de Exceção. Nesse sentido, reveste-se de grande importância a posição do STF, que decidiu, por 6 votos a 5, que crimes comuns conexos a delitos eleitorais devem ser processados e julgados em tribunais especializados em questões relacionadas a eleições. Foi uma decisão que restaurou aspectos importantes do Estado Democrático de Direito, alvo da ascensão da extrema direita. A defesa da democracia se materializa, ainda, na luta pela autonomia das universidades, pela existência da Justiça do Trabalho, seriamente ameaçadas; pela liberdade de imprensa e de expressão; e pela liberdade de cátedra, alvos de restrições, chantagens e ameaças. Somam-se, ainda, às batalhas para restabelecer o equilíbrio entres os Poderes da República, notadamente recompondo prerrogativas do Legislativo; contra a censura às manifestações artísticas; e o rechaço às ameaças autoritárias do presidente Bolsonaro no sentido de criminalizar, e mesmo banir, os partidos de esquerda e os movimentos sociais. Além disso, é preciso se contrapor à agenda reacionária que ataca os direitos humanos individuais e coletivos. O governo vem promovendo o desmonte das políticas de direitos humanos, de enfrentamento às discriminações, de ampliação de oportunidades, de garantia da proteção aos territórios e povos indígenas e de outras populações tradicionais. A extinção de tais políticas hoje aprofunda desigualdades e alavanca as estatísticas de mortes e violências contra as mulheres, a população pobre, negra, LGBT e indígena.
b) Defesa do desenvolvimento soberano do país e do patrimônio nacional
Ganham relevância as jornadas em defesa das empresas e dos bens estratégicos do país, em especial da Petrobras, do pré-sal e do regime de partilha, contra a entrega dessa riqueza às petroleiras estrangeiras; a oposição firme à política externa subserviente aos EUA; defesa dos princípios da diplomacia brasileira de respeito à soberania e à autodeterminação dos países, e não ingerência em assuntos internos; e busca de soluções pacíficas e negociadas para os conflitos.
c) A defesa dos direitos do povo e da classe trabalhadora. Com a política ultraliberal do ministro Paulo Guedes, os principais alvos serão saúde, educação, segurança, assistência social, direitos básicos, que seguirão sob ameaça de um processo crescente de cortes, de queda de qualidade e abrangência, em consequência do arrocho orçamentário advindo da Emenda do Teto do Gasto e outras medidas da chamada austeridade. Já foi anunciado que haverá um novo giro no corte dos direitos trabalhistas, inclusive aqueles assegurados pelo artigo 7º da Constituição (13º salário, FGTS, férias, repouso remunerado).

Defesa do direito à aposentadoria: grande batalha
57- A jornada contra a reforma da Previdência, em andamento, apresenta-se como uma grande batalha em torno da concepção de Estado e da defesa dos direitos. Essa reforma está vinculada às imposições da Emenda do Teto do Gasto e encerra uma concepção de Estado nacional. Estado mínimo, fraco para impulsionar o desenvolvimento nacional e assegurar ao povo e aos trabalhadores os direitos conquistados em lutas ao longo dos últimos cem anos. E Estado “forte” para canalizar o grosso do Orçamento Federal para os rentistas, banqueiros e especuladores.
58- A PEC da Previdência de Bolsonaro quebra o conceito de seguridade social, suprime direitos previdenciários da Carta Magna, impõe  a idade mínima (65 anos para os homens e 62 para as mulheres), eleva o tempo de contribuição para 40 anos, retira a variação da inflação do reajuste dos benefícios e reduz para R$ 400 o benefício para idosos pobres. É sobretudo perversa para com os pobres, as mulheres e os trabalhadores rurais. Visa a privatizar a Previdência pública, com a instituição do regime de capitalização e assegurar R$ 1 trilhão – que sai da aposentadoria da classe trabalhadora –, para pagar os juros da dívida pública.
59- A defesa dos direitos dos trabalhadores, portanto, a uma aposentadoria justa e digna se apresenta como a principal batalha a ser enfrentada neste primeiro semestre de governo. Ela será travada dentro do Congresso Nacional e ecoará nas demais Casas Legislativas, e nas ruas com as mobilizações unitárias lideradas pelas centrais dos trabalhadores e trabalhadoras e pelo conjunto dos movimentos. É preciso desde agora engajamento e preparação para que se realize com êxito uma agenda de mobilização das centrais e dos movimentos, com atos de rua – cuja próxima agenda está marcada para 22 de março e seguirá com novas iniciativas rumo à greve geral. Intensa luta de ideias deverá ser empreendida em todos os espaços possíveis, sobretudo nas redes.

Reconstruir a hegemonia das ideias progressistas
60- A análise do golpe de 2016 e da vitória da extrema-direita mostra que o campo da Nação e da classe trabalhadora sofreu não só uma dura derrota política, mas também um revés de fundo ideológico e cultural. Os setores progressistas, de forma articulada, necessitam elaborar um plano de luta ideológica e cultural em torno de valores que unifiquem amplamente a sociedade. Questões como a defesa de uma sociedade solidária, da distribuição da renda, da justiça social, do respeito às múltiplas manifestações religiosas, o combate à utilização política da fé, a defesa dos interesses do país, do patrimônio público e o combate à corrupção, e das reformas estruturais de caráter democrático, entre outros pontos, poderiam estar incorporados a esta agenda.

Lula Livre
61- As forças reacionárias, para vencer as eleições, tiveram de, arbitrariamente, prender o ex-presidente Lula com o objetivo de excluí-lo da disputa presidencial de 2018. Em decorrência dessa afronta ao Estado Democrático de Direito, na esfera democrática, destaca-se, entre as tarefas das forças progressistas, uma campanha nacional e internacional pela libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sofre uma prisão arbitrária e injusta.

V – Preparar o PCdoB para um novo ciclo político
62- A construção partidária requer a compreensão pulsante da realidade da sociedade brasileira, e de suas transformações e implicações na vida partidária. A questão está em colocar o PCdoB à altura dos desafios que o novo ciclo político nos exige, traçando novas linhas de acumulação, novos caminhos, a partir da atualização da tática.

Construir o Partido em conjunto com a resistência
63- A situação concreta exige resistência, amplitude e sagacidade, e, apesar dos ataques à esquerda, é possível crescer na luta pela democracia. Desse modo, tem lugar a necessidade de compactar a ação da direção partidária e promover a atuação das diferentes frentes em sincronia e com foco no planejado coletivamente.
64- Essa nova realidade exige um partido forte, coeso e influente nos parlamentos, nos movimentos sociais, nas lutas das mulheres, dos trabalhadores e da juventude. E, ainda, protagonizar o debate de ideias na sociedade, com condições de cumprir seu papel aglutinador das forças democráticas.
65- Além das formas tradicionais de mobilização, o uso adequado das novas tecnologias de comunicação e informação pode contribuir para fortalecer a organização partidária e a propaganda das nossas ideias, em diálogo direto com a sociedade, para mobilização e engajamento de filiados, militantes, simpatizantes, amigos e eleitores.
Fortalecer as direções partidárias
66- Na luta político-ideológica, é preciso persistir no desenvolvimento da teoria de Partido, na divulgação e defesa do Programa Socialista do PCdoB e na atualização da política de estruturação partidária. É estratégico o papel das direções partidárias em todos os níveis, com funcionamento regular e dinamismo para dar respostas aos desafios apresentados por essa nova realidade, além de serem o polo organizador de toda a nossa ação. É no âmbito das direções que o binômio ação política/estruturação partidária, alicerçado na ação planejada, ganha existência efetiva e, por isso, assume importância estratégica.
67- Só assim poderemos unir forças para alcançar êxitos políticos e eleitorais nas eleições municipais de 2020, preparando desde já os comitês municipais para esta batalha – a antessala de 2022 –, atraindo quadros políticos, lideranças do povo, trabalhadores, mobilizando militantes e filiados para enfrentar os desafios presentes.
A luta pela superação da cláusula de barreira e a incorporação do PPL
68- A adoção em 2016 da cláusula de barreira, um instrumento autoritário que cerceia a liberdade organizativa dos partidos políticos, constituiu importante obstáculo para a vida democrática. O não cumprimento desta cláusula pelo PCdoB, na eleição de 2018, representou um revés importante sobre o qual a direção nacional buscou atuar de forma efetiva.
69- Como resultado deste esforço, o PCdoB e o PPL desencadearam um elevado diálogo político programático, buscando uma solução política e jurídica para atender às exigências, na forma da lei, de superação da cláusula de desempenho e assim criar as condições para que sigam desempenhando um papel relevante na resistência democrática e na busca de soluções de fundo para que o Brasil se torne uma nação próspera, democrática, soberana e socialista.
70- Desse diálogo frutífero, veio a convicção de que as duas legendas possuem afinidades e convergências programáticas e, em face ao presidente eleito da extrema-direita, têm o entendimento comum: a visão tática confluente de que é preciso agregar um leque amplo de forças para empreender a resistência e a oposição democrática, anunciando assim a unificação do PCdoB e PPL.
71- Com a realização do nosso congresso extraordinário, novas tarefas surgiram no trabalho cotidiano das comissões de enlace, nos níveis nacional, estadual e municipal. A unidade entre PPL e PCdoB resultará no reforço ao enfrentamento das medidas autoritárias, antidemocráticas e de lesa-pátria em curso. De igual modo, reforça o papel das forças revolucionárias e patrióticas que lutam no Brasil por uma Pátria Livre, Democrática e Socialista.
72- Caminhamos para o Centenário do PCdoB, e as diretrizes aprovadas no 14º Congresso abordam com abrangência e atualidade as diferentes frentes da estruturação partidária.
VI – A jornada da oposição se fortalecerá crescentemente
73- O Partido Comunista do Brasil, legenda quase centenária, desde a República Velha em conjunto com as demais forças progressistas do país, lutou contra todos os governos e regimes autoritários e tiranos que infestaram a história da República. Com base nessa experiência, transmite ao povo brasileiro a certeza e a confiança de que, apesar das graves ameaças que pairam sobre o país, não será fácil a Bolsonaro realizar a obsessão de sepultar a democracia brasileira. Ela deitou raízes profundas no solo pátrio, custou à nação muitas lutas e vidas.
74- A resistência rumo a uma oposição vigorosa realiza seus primeiros passos, e tem potencial para se efetivar no âmbito de toda a vida política e social do país, a começar pelo Congresso Nacional e outras casas legislativas, se estendendo para os movimentos sociais, as organizações da classe trabalhadora, segmentos do empresariado, o universo acadêmico, a intelectualidade, os artistas, o mundo jurídico, setores religiosos, e inclusive os integrantes de instituições da República. Os governadores e os prefeitos do campo democrático terão importante papel nesta empreitada, tal como têm atuado o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, e o governador do Maranhão Flávio Dino.
74 a – Um importante componente da atual conjuntura é a reunião dos governadores do Nordeste, em São Luís, Maranhão, dia 14 de março, que aprovou o protocolo que resultará na criação do Consórcio Nordeste, uma entidade que terá funções políticas e jurídicas. A ideia é unir as ações dos chefes de Poderes Executivos da região. Na carta conjunta assinada pelos governadores contam críticas sobre questões importantes, como a PEC da “reforma” da Previdência Social, desvinculação de receitas, defesa do Estatuto do Desarmamento.
75- O PCdoB está convicto de que, no curso das mobilizações e da resistência, uma maioria progressivamente se levantará para defender a democracia, os interesses do Brasil e os direitos do povo e da classe trabalhadora.

São Paulo, 16 de março de 2019.
O Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)


domingo, 11 de dezembro de 2011

Renato Rabelo, Presidente do PCdoB ao Comitê Central: baixar os juros e regulamentar a mídia já!

Renato Rabelo: baixar os juros e regulamentar a mídia já! - Portal Vermelho

Realiza-se neste final de semana a 9ª reunião plenária do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil. A direção comunista analisa ampla pauta política sobre temas da conjuntura nacional e internacional, bem como as tarefas da construção partidária e o plano eleitoral para 2012. Na ocasião o presidente do partido, Renato Rabelo, apresentou um informe de abertura, cuja íntegra publicamos.

Intervenção de Renato Rabelo na 9ª. reunião do Comitê Central do PCdoB

Crise oferece oportunidade de persistir na queda dos juros e de enfrentar a regulamentação da mídia
A grande crise mundial do capitalismo que, neste momento, se espalha pelo mundo e se agrava na Europa também atinge a economia brasileira. Contudo, contraditoriamente, essa crise descortina oportunidades para o Brasil superar duas barreiras que freiam o desenvolvimento e a construção da democracia: a política macroeconômica balizada em juros altos e defensiva fiscal constante e o cerceamento do direito da sociedade à informação – direito este sufocado pelos oligopólios que controlam os veículos e o sistema de comunicação. Romper obstáculo s para acelerar o desenvolvimento nacional é o desafio inadiável do governo Dilma Rousseff quando ele completa seu primeiro ano.

Um mundo em transição cada vez mais instável, imponderável e perigoso

O mundo vive uma recidiva da crise de 2007/08, uma nova fase aguda da crise, cujo epicentro agora se encontra na Europa e tende a se prolongar. O próximo ano deve ser de recessão no Velho Continente, provavelmente com uma Alemanha estagnada e a França em recessão.

Politicamente, a oligarquia financeira mantém o seu domínio e procura impor pacotes de austeridade fiscal, privatizações, cortes de salários e direitos dos trabalhadores. Saídas políticas têm sido conservadoras com forças de direita ou centro-direita. A Itália e a Grécia passam a ter primeiros- ministros, mantendo uma aparência de técnicos, mas são homens ligados diretamente ao sistema financeiro, de sua estrita confiança. O “circuito da crise” transborda para o plano político e social. Cresce a resistência popular, revelada nas poderosas manifestações e greves, principalmente na Grécia, Portugal, reprimidas com violência.

A crise europeia realimenta a já difícil situação econômica dos EUA, marcada por um quadro de estagnação, sem solução para os enormes déficits e dívidas. A dívida atingiu 15 trilhões de dólares. O governo Obama está envolto em acirrada polarização política, com forças de extrema direita, refletidas na disputa eleitoral presidencial de 2012.

Diante da profundidade da crise as forças de direita incrustadas no aparato de poder tomam uma posição ofensiva para defender sem limites seus interesses. O imperialismo estadunidense em resposta ao declínio relativo de sua hegemonia se torna mais agressivo. Intensifica sua escalada de guerra. Demonstração disto é que seus gastos militares em 2010 atingiram o maior patamar da história consumindo 690 bilhões de dólares. É um sistema que é mais dependente da guerra. Realmente, sua essência é a guerra. Utilizando-se de seu vasto aparato de propaganda política e ideológica, “vende” suas guerras de agressão, domínio e pilhagem como sendo “justas”, “humanitárias”, em “defesa” da população. Agora, atolados no Iraque e Afeganistão, sua linha de investida depois da Líbia, segue o roteiro de atacar a Síria e intensificar as ameaças contra o Irã.

Neste quadro de crise global os BRICs e outros países em desenvolvimento de uma maneira geral encontram-se em situação diversa, mais favorável, mantendo suas economias em crescimento. Importante destacar que a economia chinesa passa por uma desaceleração que, embora não seja severa, pode trazer dificuldades ao comércio externo brasileiro.

Prevendo um período de estagnação mundial prolongado, o governo chinês anunciou que prepara medidas de estímulo à sua economia envolvendo US$ 1,7 trilhão. “Progresso desequilibrado é melhor do que declínio equilibrado”, disse o vice primeiro ministro chinês Wang Qishan, referindo-se às medidas. Este pacote representa quase 3 vezes o de 2008 e seria dirigido a áreas prioritárias como energia alternativa, biotecnologia, tecnologia da informação e produção de equipamentos avançados.

Os BRICs vão formando novos polos dinâmicos na geografia política e econômica mundial se transformam em potências, sobretudo a China, e se articulam para influenciar no curso dos conflitos. Em recente reunião de vice-ministros de Relações Exteriores dos países dos BRICs, em Moscou, num comunicado conjunto, defendem a não-intervenção (citam casos explícitos da Síria e Irã), a paz e o direito das nações ao desenvolvimento soberano.

Nas Américas, em contraste, avança na América Latina e no Caribe a onda democrática, patriótica e antiimperialista. A criação, em Caracas, na Venezuela, da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, a Celac, formada por 33 países e sem a presença dos EUA, é um coroamento histórico que simboliza a dimensão desse ciclo atual virtuoso.

No quadro de conjunto, a realidade vem indicando o acirramento do quadro político e agravamento crescente da situação econômica, sobretudo na Europa, com possibilidade de uma recidiva da recessão em escala mundial, particularmente nos países de capitalismo desenvolvido. Ainda não há saída à vista na Zona do Euro e poderá até ser desconstruída. Este é o resultado da falência completa das forças políticas dirigentes europeias, inclusive da social- democracia. As forças da resistência popular ainda não conseguiram se constituir em alternativa política viável às forças conservadoras, que, apesar dos impasses, se reciclam, trocam de nome e de aparência e continuam a dominar. Os países ricos procuram jogar o ônus da crise sobre os países em desenvolvimento, através das relações comerciais e do mercado de capitais, o que coloca para eles o desafio de se defenderem e se unirem. Nestes países, uns mais outros menos, há desaceleração econômica, inclusive na China.

Aprofundam-se as tensões mundiais com as tentativas dos EUA, agora explícitas, de conter a China, reorientando sua política estratégica global. Tem grande significação o anúncio feito por Leon Panetta, secretário de Defesa dos EUA, no final de Outubro, de que os EUA agora estão “num momento de virada”, que permitirá ao país manter e mesmo aumentar sua presença militar na Ásia para equilibrar a força chinesa. Do mesmo modo a secretária de Estado, Hillary Clinton, declarou que na sequência do Iraque e do Afeganistão, “o centro de gravidade estratégico e econômico do mundo está se mudando para o leste, e que os EUA estão s e focando mais na região da Ásia e da Oceania”. Obama ao anunciar a retirada das tropas do Iraque e do Afeganistão procura perseguir estes objetivos mais precisos.

A China prepara sua defesa em variados campos. A singularidade da época é que se tem um quadro de grandes complementaridades e, ao mesmo tempo, disputas
crescentes entre China ascendente e EUA em declínio. Tal situação caracteriza o quadro de transição que vive o mundo atual.

Governo Dilma – desafios econômicos e turbulência política

Passado quase um ano, a presidente Dilma Rousseff procura consolidar seu governo em uma situação imposta pelo agravamento da crise capitalista e sob persistente ataque da oposição midiática. A presidente consegue manter sua base de apoio com vitórias no Congresso Nacional. Enfrenta uma oposição parlamentar e partidária no Congresso Nacional tão frágil quanto carente de bandeira.

Entretanto, o governo é acossado por um ataque corrosivo e constante da grande mídia que é oposicionista, porta-voz do conservadorismo e da reação, que, manipulando a bandeira do combate a corrupção, impõe uma agenda negativa de denuncismo, falsamente moralista, que já resultou na queda de seis ministros. O objetivo dessa investida de caráter golpista é imobilizar e desestabilizar o governo, golpear seu alicerce político de sustentação, desgastar em última instância a imagem e a liderança da presidente perante o povo e incompatibilizá-la com sua base parlamentar e partidária.

A presidente Dilma tenta reagir e enfrentar esse verdadeiro “cerco”. Não conseguiu ainda criar condições para reverter essa situação. Também, objetivamente, as instituições de controle se sobrepõem numa hipertrofia controladora, exprimindo razões particularistas, corporativistas, exorbitando suas ações que levam até a rendição e paralisação do governo (Ministério Público, TCU, CGU, Comissão de Ética do Governo, Policia Federal, etc.). A presidente, por um lado, anuncia medidas e empreende realizações que procuram dar resposta às demandas sociais e democráticas e, por outro, adota como prioridade a defesa da economia nacional em resposta aos efeitos da crise mundial sobre o Brasil.

No cômputo geral, o primeiro ano é de realizações, riscos e oportunidades. Considerando as adversidades já sublinhadas, o saldo do primeiro ano de governo da presidente Dilma é positivo. Ao enfrentar a crise que agora atinge novo pico, ela se empenha para manter o crescimento econômico próximo a 3% e sustentar o aumento da oferta de postos de trabalho. Nos primeiros dez meses de 2011 foram gerados 2.241.574 – algo insólito para um quadro de crise.

Contudo, são êxitos relativos posto que o prognóstico de crescimento era maior. O aperto do inicio do ano, com a justificativa de que o país cresceu “muito” em 2010, passou da dose. A marca maior da economia brasileira neste momento é a desaceleração da atividade econômica sob os influxos da crise internacional e da timidez com que tem sido enfrentada. O Brasil tem a pior situação entre os BRICs. A partir de agosto deste ano, percebendo os sinais que levaria a essa situação, a presidente adotou uma posição mais determinada para mudar a política monetária e pela adoção de uma nova orientação na condução da política macroeconômica. Mesmo assim, prevalece uma mistura contraditória que combina política monetária moderadamente expansiva – reduzindo contidamente a taxa de juros (Selic em 11% e taxa real em 5,1% ao ano) – com política fiscal contracionista – elevando a meta de superávit primário.

Entre os êxitos do Governo no Congresso Nacional, sublinha-se a aprovação de um novo Código Florestal que assegura o equilíbrio entre produção e preservação ambiental e cuja relatoria original na Câmara dos Deputados foi realizada pelo deputado Aldo Rebelo. Aprovado também no Senado Federal agora o texto volta para a Câmara dos Deputados para a chancela final. Outro feito foi a aprovação da Comissão da Verdade, importante medida democrática.

A terceira queda consecutiva da taxa básica de juros, acrescida do pacote de estímulo ao consumo e ao crédito, indica uma tomada de decisão para empreender a travessia nas águas turbulentas desse período. Contudo, o país paga um pesado ônus de uma transição dura, difícil e lenta para se livrar de uma macroeconomia de matriz neoliberal que freia seu desenvolvimento e transfere bilhões de reais para os banqueiros e especuladores. Essa lentidão decorre da pressão e da força política dos círculos financeiros dominantes.

Mas, apesar de admitir a gravidade da crise e o perigo de contágio o governo Dilma Rousseff parece não ter, em consequencia, uma estratégia – política e econômica – de conjunto para proteger o país da crise de forma a possibilitar o crescimento econômico, a assimilação de tecnologia e o desenvolvimento nacional. Parece se limitar a uma tática de curto prazo para amenizar os efeitos da crise.

É preciso aproveitar a oportunidade para avançar

A crise desmascara o receituário neoliberal, provoca tensões e divisões no campo das classes dominantes, fomenta a coesão do campo político democrático e popular progressista em torno da defesa do país; isso tudo conjugado, cria uma oportunidade histórica rara para que o governo Dilma se lance à superação de dois obstáculos que lhe são vitais:

1) romper o cerco de ferro imposta pelos círculos dominantes financeiros do rentismo que são contrários às linhas de defesa traçadas pelo governo para enfrentar a crise mundial. Principalmente, eles se opõem à redução dos juros, à adoção de uma política cambial que proteja a indústria nacional, e exigem forte arrocho fiscal como medida principal. Muito ao contrário, a queda da taxa de juros tem quer ser mais forte, restrição à taxa de juros bancários, maior investimento, câmbio adequado ao fortalecimento e modernização da indústria, e o mercado interno precisa ser ampliado e fortalecido;

2) barrar o bombardeio cerrado e contínuo contra o governo, desferido pelos monopólios que controlam os meios de comunicação. O resultado é o governo na defensiva, constrangido a obedecer à pauta política e aos vereditos arbitrários “lavrados” pelos grandes veículos de comunicação que atuam como tribunais de exceção. Impõe-se garantir o direito constitucional da sociedade à informação e à comunicação, com a regulamentação e democratização desse setor e outras iniciativas.

Novo pacto político e social


Consciente desse desafio, alicerçado na força social e política de que dispõe e movido pela coragem política, o governo Dilma precisa buscar, de imediato, a conformação de um novo pacto político e social que agregue todos os setores interessados na produção e no avanço democrático (Os dois obstáculos candentes que exigem superação).

Essa aliança pode forjar maioria política e social que abarque os trabalhadores, empresariado nacional do setor produtivo, o movimento social a intelectualidade progressista, tendo em vista o crescimento econômico, a distribuição de renda e a ampliação da democracia.

Este novo pacto se efetivado terá força para o governo superar aqueles dois desafios que obstaculizam seu caminho. No enfrentamento e na superação progressiva deles é que será possível alcançar as reformas democráticas e estruturais e assim fazer avançar o Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento.

Campo político reacionário ataca o PCdoB para conter seu crescimento e crescente influência

No curso de sua escalada para desestabilizar o governo Dilma, o campo político reacionário e os veículos dos monopólios de comunicação realizaram uma pesada e sórdida campanha difamatória contra o PCdoB. Na realidade o Partido foi alvo de uma grande armação política, que teve sua preparação, seu detonador e por fim, uma campanha uníssona no formato de um “tribunal de exceção”, que apresentou uma versão (“os fatos”), sentenciou , condenou e executou perante a opinião pública. Estivemos diante de verdadeira “caçada”, só comparável às criminosas investidas de que fomos vítima à época de períodos autoritários da história. O objetivo foi manchar a honra e a dignidade da histórica legenda dos comunistas e enlamear a reputação de suas lideranças, em especial a do ex-ministro do Esporte Orlando Silva, exibindo estrondoso combate político e ideológico contra o PCdoB.

A campanha infame foi desencadeada no dia 15 de outubro, pela revista Veja. Sem prova alguma, com base apenas nas afirmações mentirosas de um provocador, de um farsante, que fora preso acusado de corrupção, foi lançada, espetacularmente, em grande destaque, contra o ex-ministro Orlando Silva e o PCdoB, uma ignominiosa calúnia de prática de corrupção. A partir disso, por vinte dias consecutivos essa mentira foi massificada por uma sagrada “frente única” dos grandes veículos de comunicação. O ex-ministro Orlando e outras lideranças do Partido foram vítimas de um hediondo linchamento público.

Além do objetivo geral de golpear o governo Dilma, essa fúria reacionária voltou-se contra o PCdoB porque ele está entre as legendas que mais crescem no país (diferente dos outros casos). As forças reacionárias, por um lado, não engolem o fato de o Partido ser uma força política influente no governo e responsável por importantes responsabilidades institucionais. Por outro, sabem da importância dessa legenda para a esquerda brasileira, com trajetória de 90 anos de lutas, que aduz credibilidade ao governo. Além do que é um Partido estruturado, de militância organizada, que cultiva sua identidade revolucionária e que soube com seu Programa Socialista se colocar à altura dos desafios do século 21 com uma perspectiva definida.

Em verdade queriam que o PCdoB ficasse à margem da historia. Transformaram esse desejo em luta ideológica contra o Partido. Atemoriza-lhes, também, o projeto eleitoral dos comunistas para as eleições de 2012 para as quais o Partido acumulou forças e conta com expressivas lideranças que o credenciam a disputar várias capitais e cidades de porte de médio.

Todos estes fatores, características e potencialidades do Partido, já incomodavam sobremaneira as forças reacionárias que, aliás, já o vinham atacando. A dimensão que adquiriu o Ministério do Esporte com o legado da gestão de Orlando Silva – cujo símbolo é a realização dos megaeventos, a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 – açulou ainda mais o campo reacionário e espalhou a cobiça.

Unido o Partido resistiu à ofensiva reacionária

Embora a “guerra” contra o Partido, contra o governo, ainda não tenha se encerrado, o PCdoB enfrentou resolutamente a ofensiva reacionária desencadeada contra ele. O objetivo mais incisivo da reação era excluir o PCdoB do governo, e nisso ela foi derrotada. Ela tentou isolar o Partido, mas também não conseguiu.

O Partido etapa a etapa tem vencido o ataque, primeiro, pela unidade, pela coesão de sua direção e seu coletivo militante, em defesa da dignidade do Partido e da honra de seu ex-ministro e demais lideranças. E, segundo, pelo fato de que a verdade está do nosso lado. A verdade virá à tona, mais dia, menos dia. Lutamos para que seja breve. À medida que a lama da calúnia vai secando, se repõe a verdade de que o PCdoB à frente de funções públicas rege-se pela rigorosa defesa do patrimônio público. Em todo esse processo, a resposta do ex-ministro Orlando Silva foi altiva, esclarecedora e convincente de sua honestidade.

As Conferências Estaduais do Partido estamparam a unidade e a bravura de seu coletivo, e os atos políticos amplos realizados antes e depois delas foram palcos da solidariedade pública de um amplo leque de aliados do campo democrático, patriótico e popular. Um abaixo-assinado de solidariedade de professores e intelectuais teve adesão de mais de 500 personalidades.

Simbolismo da altivez do Partido e da dignidade com que se portou, o ex-ministro Orlando Silva foi à solenidade de posse no Palácio do Planalto do novo ministro do Esporte, deputado Aldo Rebelo. Para surpresa da grande mídia, algo inédito aconteceu. A posse de Aldo Rebelo se tornou um ato de desagravo ao ex-ministro Orlando Silva e de defesa do PCdoB, com um pronunciamento elogioso da presidente Dilma Rousseff ao ex-ministro, ao Partido e de confiança no êxito do trabalho de Aldo Rebelo.

A luta pelo resgate da verdade prossegue, é preciso persistir

Como já dito, a guerra movida pelo monopólio midiático contra o governo, contra as forças políticas que o sustentam – e entre elas, o PCdoB – prossegue. O PCdoB em conjunto com as forças democráticas precisa vencer essa lógica golpista, inquisitória,” macartista”, sob pena de retrocesso político no país. Da parte do PCdoB eleva-se a tarefa de defesa do Partido, de sua honra e dignidade. Progressivamente, superar os danos provocados contra sua imagem.

De imediato, impõe-se a luta pelo resgate da verdade, provando a inocência do ex-ministro Orlando Silva. Em defesa da dignidade da nossa legenda, duas ações judiciais de reparação de danos morais e uma penal contra as revistas Época e Veja foram protocoladas em Brasília.

Nossa mais importante resposta prática: o partido está em franca expansão e fortalecimento

A direção nacional saúda o exitoso processo de Conferências estaduais em todo o país, as direções cessantes e as novas que assumiram. Ao lado do projeto ousado para as eleições de 2012, e da ação de massas dos comunistas, o Partido alcançou expansão significativa de 35% no número de militantes e filiados, que expandiu sua organização a dois mil municípios, multiplicando por três o número de bases ativas. O contingente de quadros dirigentes estaduais alcança o montante de 1400, e vários milhares foram eleitos dirigentes municipais. Foram, portanto, conferências com maior qualidade de mobilização militante, que supera hiatos organizativos quanto à vida de base e implementa a política de quadros do 12º Congresso.

O alicerce dessas superações verificadas está nas ideias do Programa Socialista e nas diretivas do 7º Encontro Nacional sobre Questões de Partido. Por isso, o PCdoB obteve a adesão de numerosas lideranças políticas e sociais expressivas, às quais a direção nacional dá as boas-vindas.

O Partido deve lutar para reunir as condições para o Brasil seguir um caminho próprio, avançado. Pelo exposto, o PCdoB expressa ao povo e aos seus aliados a convicção de que o Brasil reúne condições para aproveitar as oportunidades criadas pela crise estrutural do capitalismo para construir um caminho próprio, avançado, de edificação de uma nação forte, soberana, democrática e moderna que pode avançar para uma sociedade solidária com justiça social, o socialismo.

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