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segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Sérgio Rubens: agora, teremos que seguir sem ele... Marco Antônio Campanella


A primeira sensação ao receber a notícia de sua morte foi de incredulidade. No fundo, não queria acreditar, aceitar, mas a ficha foi caindo até que veio a matéria do Carlos Lopes na Hora do Povo e, depois, a nota da presidenta Luciana Santos. A cada parágrafo, uma emoção e incontida lágrima. 
Conheci Sergio Rubens há 45 anos atrás, não exatamente como Sergio Rubens, em razão do nome de guerra que usava na clandestinidade. 
Passou a ser para mim e, tenho convicção, para toda uma geração de militantes do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8), uma permanente referência, como revolucionário e como ser humano. 
Desde que soube de sua partida, tentei encontrar palavras para expressar o sentimento de alguém que, como tantos outros, teve a honra de conviver com Sergio Rubens ao longo dessa caminhada.  
Difícil, muito difícil, conseguir traduzir o que Sergio Rubens representou para nossa geração e, certamente, continuará representando, mesmo para aqueles que não o conheceram. 
Arrisco-me, todavia, elencar algumas entre suas incontáveis qualidades: inteligência rara, perspicácia e fino humor, capacidade incomum de síntese, humildade, imensa grandeza e cultura revolucionária, teórica e prática, liderança real e natural, e, acima de tudo, compromisso com o seu coletivo, o povo e a Humanidade. 
Agora, recentemente, voltei a conviver mais frequentemente com ele, ainda que à distância, na edição da Hora do Povo. 
Sergio não tinha hora para se dedicar à luta e à causa revolucionária. 
Muitos foram os dias em que, de madrugada, ficávamos horas tratando de um determinado assunto que, invariavelmente, ramificava-se em tantos outros, pois raro era o tema que meu querido camarada não dominava – e com profundidade. 
Sempre saia mais revigorado dessas conversas, inclusive naquelas em que ele tecia suas críticas, mesmo as mais ácidas, diante da certeza de que as fazia pelo compromisso que tinha com o crescimento ideológico de cada um de nós e do coletivo. 
Em um dos nossos últimos contatos, que eu esperava para tratar de alguma questão política ou editorial do jornal, ele simplesmente me perguntou como eu estava, pois recebera, por outro camarada, a notícia de que um problema de saúde havia me acometido. 
Quis saber detalhes do problema e do tratamento proposto, concluindo a conversa com uma advertência: “camarada, nossa luta não pode prescindir de ninguém... se cuide!”, ao que secundei, como sempre, perguntando sobre sua saúde... Lembro-me que, muito recentemente, falou-me, animado, da evolução do seu tratamento, algo intrinsicamente ligado à nova fase da luta antifascista à qual Sergio estava se preparando. 
Assim era Sergio Rubens: compromisso sem limites com cada um e com todos ao mesmo tempo!
Uma perda imensa para cada um dos que o conheceram e conviveram com ele, mas, sobretudo, uma perda extraordinária para a luta revolucionária. 
Partiu um amigo, um companheiro, um camarada, um guia, para mim! 
Nossos profundos sentimentos à Júlia, sua esposa, e aos filhos Janaína e Bernardo. 
O único lenitivo para o momento é a convicção de que ele continuará vivendo em cada um de nós e em nossa luta, e a convicção de que a morte de um gigante revolucionário como Sergio Rubens já nos cobra um esforço redobrado para honrar sua memória, seu exemplo e seu legado. 
É isso que ele fez quando outros tantos partiram antes - e é isso que faremos! 
VIVA SERGIO RUBENS!!!
SERGIO RUBENS, PRESENTE!!!

Sérgio Rubens, obrigado, camarada! #luto

 

#luto - PCdoB e o Brasil perdem Sérgio Rubens, Vice-Presidente Nacional do PCdoB


É com o coração atravessado de dor e tristeza que comunicamos o falecimento de Sérgio Rubens de Araújo Torres, vice-presidente e membro do núcleo dirigente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), ocorrido na noite deste domingo (5). Perdemos um grande brasileiro e um revolucionário de estatura elevada.

Sérgio Rubens tem uma trajetória de décadas de militância e liderança, que vem do lendário Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8) e de seu sucedâneo, o Partido Pátria Livre (PPL), até chegar, com muita honra, ao PCdoB, em 2019.

Diante das graves ameaças advindas da vitória da extrema-direita em 2018, Sérgio Rubens tomou uma decisão histórica ao promover a união de forças entre o PPL e o PCdoB. Decisão que foi construída harmonicamente entre as direções das duas legendas.

Foi expoente e liderança de primeira grandeza de uma corrente política patriótica, revolucionária e marxista. Sua atuação como dirigente do PCdoB enriqueceu nossa legenda em sagacidade tática, visão estratégica, cultura patriótica e formação teórica marxista.

Seu exemplo de compromisso e dedicação sem limite ao Partido, ao Brasil, ao povo ficará para sempre em nosso coletivo militante. Foi de uma lealdade irretocável, e de uma generosidade que nos alimentava de valores revolucionários elevados.

Homem de cultura densa, amante do cinema, entremeio às suas tarefas gerais complexas, trabalhava com afinco para que os bons filmes pudessem ser assistidos pelo povo. Tinha convicção de que o cinema tem o grande papel de descortinar horizontes de liberdade e de impulsionar projetos políticos de transformação.

São apenas breves referências, sob o impacto da grande dor que sentimos pela morte de Sérgio Rubens. Sua biografia é longa, densa, rica, de amor ao Brasil e ao povo.

A bandeira vermelha de nosso Partido, entrelaçada à bandeira verde amarela de nossa pátria, se curva em honra à memória e ao legado de Sérgio Rubens. Nossos sentimentos afetuosos aos familiares, aos camaradas que com ele lutaram por décadas, ao conjunto de nossa militância e dirigentes que sabem da grande perda que o Brasil e o nosso Partido acabam de sofrer.

Camarada Sérgio Rubens, saberemos honrar seu exemplo de grande revolucionário, saberemos honrar teu rico legado!

Recife, 5 de dezembro de 2021

Luciana Santos

Presidenta do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

PARA UM AMIGO QUE SE FOI - Danilo Moreira



De Leon honrou a nossa geração.

O dia 4 de janeiro de 2013 poderia ser mais um daqueles dias felizes. Aliás, nos últimos tempos momentos felizes de tem sido agradavelmente corriqueiros. Falo isso não pra "tirar onda" mas porque não sou daqueles que reconhecem os momentos felizes apenas quando estes já se tornaram um passado distante.

Por volta das 17:00h estava retornando para um hotel em Maceió, estava acompanhado de bons amigos e de minha namorada. Fazíamos nossa primeira viagem de 2013. Infelizmente eu e centenas de pessoas no país inteiro fomos surpreendidos pela notícia de um trágico acidente automobilístico que tirou a vida do casal Alessandro Lutfy Ponce de Leon e Luciana Fontes naquela tarde em uma estrada do Rio de Janeiro.

De Leon era uma cara de muitos amigos poucos adversários e para todos aplicava uma mesma regra: a lealdade. Leal e generoso em situações de aliança ou disputa de posições, era assim que sempre o via se comportar. 

Como um bom carioca sempre buscou viver bem a sua vida. Gostava do dia (um pouco para dormir) e da noite (muito para trabalhar e se divertir). Produzia bastante e tinha sempre uma idéia ou projeto engatilhado.

Quando sentia saudades, ligava para os amigos e começava a conversa com a inconfundível expressão "e aí, me abandona?!". Quando nos encontrava, substituía nossos nomes pelo "e aí Billy?" ou "qual é Billy?" para saber como estávamos, para nos questionar sobre algo ou simplesmente para demonstrar carinho.

De Leon, como todos os bons amigos que escolhemos era uma pessoa especial. Imagino porém, que um cara que dedicou grande parte da sua vida a estudar, debater e promover as políticas públicas de juventude nos governos e na sociedade civil, influenciando gerações de militantes e gestores públicos, não pode ser considerado uma pessoa qualquer por aqueles que não desfrutaram da sua amizade. 

Esse cara que partiu definitivamente aos 41 anos de idade, deixou por aqui sua marca política e sua produção intelectual e contribuiu muito para trazer o tema juventude para agenda pública brasileira, ajudando a melhorar a vida de milhões de jovens. De Leon honrou a nossa geração!

Me conforta um pouco pensar que a morte instantânea de duas pessoas que se amavam e que estavam planejando juntos os próximos passos da suas vidas, foi, para ambos, apenas uma forma de encontrar este fim inevitável. Penso que pior que uma morte trágica e repentina, seria uma morte em vida. Felizmente, vontade de viver é o que não faltava para estes dois amigos. A verdadeira dor é para os que aqui ficamos a lamentar sua ausência. 

A perda precoce de uma pessoa tão próxima e tão querida como De Leon, recolocou a consciência da morte como um obstáculo à minha corriqueira felicidade. 

Inexoravelmente a vida seguirá e o nosso esforço deve ser o de seguir lutando pela nossa felicidade e pela felicidade alheia pois viver é ser sempre surpreendido pela morte. 

Porra Billy!

sábado, 5 de janeiro de 2013

De Leon, obrigado - Paulo Vinícius Silva


Tínhamos acabado de abraçar o Lula (2010): Eu, Ismênio, De Leon, Danilo Moreira e Ana Paula Jones, Josbertini e Gerson Meneses

Enfim, alvíssaras, consigo chorar a perda do amigo querido Alessandro Lutfy Ponce de Leon...
Como queria ter-lhe dito tantas coisas, como queria ter convivido mais. Aquele sorrisão, olhão verde, jeito debochado, carioca, e ao mesmo tempo, aquele coração querido, aquele jeito de tratar bem que abria as portas, aquela alegria, aquela palavra que confortava as fragilidades de quem com ele aprendia e lutava! Ou mesmo o conselho sobre as coisas da vida, quando se claudicava.

Então, tomados pela trágica notícia de sua perda e de sua companheira Luciana Telles Fontes, é nessa alegria que me conforto. Só ela motiva as mensagens, declarações e carinhos que crescem pelas redes e dentro de nós.  Lembramo-nos do compromisso com o jovens de que foi militante desde a juventude e que soube unir tantos amigos em todas as forças políticas por sua lealdade. Lembramo-nos do talento de sua prosa, de que foi prova a audiência no Senado em que denunciou o morticínio de 50 mil jovens por ano no Brasil, e a maioria negros. E aquelas graça, luz, leveza.

É isso que guardo e ficará como um jardim de dons, é bem verdade que dolorido, porque apesar de jardim, mas ainda assim, de saudades. No entanto, vou me lembrando de tantos episódios, palavras, e reajo. A beleza das flores deixadas é tanta que não hesita em me calar a lágrima com um sorriso. Obrigado, vai em paz, amigo.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

#Luto - Falecem o brilhante lutador da Juventude Alessandro de Leon e a jovem liderança manauara Luciana Telles Fontes

Ângela Guimarães, presidente do CONJUVE, traz-nos uma terrível, consternadora notícia:

"Companheir@s, me valho deste espaço para dar uma triste notícia a tod@s que conviveram, militaram e puderam compartilhar de sua presença sempre solidária, alegre e parceira .... acaba de falecer num trágico acidente automobilístico em estrada do Rio de Janeiro o Conselheiro Nacional de Juventude Alessandro Lutfy Ponce de Leon.... Família e amig@s recebam nossos sentimentos e pesares... Em breve divulgaremos nota de pesar no site do Conjuve.... #tristezainfinita"

De Leon era um militante sincero e com grandes serviços prestados à luta da juventude com quem convivi pelo menos desde 2003. Brilhante, carioca, um parceiro, amigo e uma pessoa leal, divertida, cheia de vida.


Com ele estava a jovem liderança Luciana Telles Fontes, jornalista, que foi candidata a vereadora em Manaus em 2008, quando militava no PCdoB, vivendo agora no Rio. O acidente ocorreu no km 53, da RJ-124, Via Lagos, altura da cidade de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Alessandro perdeu a direção na curva, e o Civic que dirigia colidiu terrivelmente num caminhão que vinha no sentido contrário.







Em novembro, Alessandro participou com seu habitual brilhantismo, bom humor e qualificação do debate acerca das políticas públicas de juventude havido no Senado Federal na Comissão de Direitos Humanos, com a presença de diversos conselheiros e a condução do grande Senador Paim.


Alessando de Leon no Senado e o debate sobre o Estatuto da Juventude



Sua fala resume bem a figura querida que era ele. Os alertas que faz acerca da situação da juventude que compõe o bônus demográfico, marcada pelo extermínio de mais de 50 mil jovens e pelas piores condições de acesso ao mercado de trabalho, à previdência e às políticas públicas. Dizia De Leon que essa geração era estratégica, não para si, mas para o país, que o interesse de a incluir deveria ser do Brasil, e condenou o extermínio da juventude negra. Citando o Padre Debret, pedia que se convocasse a juventude para os grandes desafios, porque ela sofre quando convocada apenas para os medíocres.

De Leon era muito querido. Bem humorado, curtia a vida, fazia músicas incríveis em seu sintetizador, uma pessoa leal que sempre tentou levar adiante uma prática política que empoderasse a juventude. Conheci-o através de Danilo Moreira e sempre me marcou o carinho mútuo de nossa amizade, mas que era em verdade extensivo ao mundo. Ele era uma pessoa que contribuía fortemente no conteúdo e na articulação, nosso parceiro de primeiríssima hora nas conquistas recentes da juventude. Lutou Jiu Jitsu, era um galã irreverente, era um lutador da juventude... quem imaginaria que o perderíamos tão cedo.

Farão muitíssima falta.


Com informações do G1, do CONJUVE e do Senado Federal
Atualizado e corrigido às 20h19

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