sábado, 6 de outubro de 2018
Tudo, menos o PT”. Antipetismo empedernido ou o perfeito bode expiatório das forças conservadoras. - Daniela Gontijo
Como uma pessoa que estuda violência há 15 anos eu tenho algumas coisas a dizer sobre o momento político que estamos vivendo. Fiz uma tese de doutorado sobre violência, mímesis, contágio. Estudei a estratégia do bode expiatório que, para mim, vem tomando proporções escabrosas no Brasil.
Entendo a estratégia do bode expiatório como um dos pilares do golpe que podemos sintetizar no Grande Acordo Nacional – “Tem que mudar o governo para estancar essa sangria", disse Romero Jucá. Trocando em miúdos, trata-se de uma estratégia para desmontar o estado de bem estar social que já era capenga, para servir aos interesses do grande capital.
Não sou petista e fiz muita oposição ao Governo Dilma e às escolhas catastróficas de um modelo econômico conservador e predatório. Mas é tão óbvio que o PT se tornou um bode expiatório e que o ódio ao PT é um catalisador de temores e insatisfações, projeto das elites e da grande mídia pra manipular pessoas. Eu tenho visto tanta gente conhecida que já não reconheço: de uns tempos pra cá enrubesce ao falar, trava o queixo, baba de ódio. O fenômeno tem sido relatado por amigas/os também sobre familiares e colegas.
Não tem nada com mais força na sociedade que catalisar os ódios num insígnia única. É densamente amalgamador e se potencializa numa espécie de tautologia, como se tudo passasse a justificar esse ódio e o ódio também passasse a balizar tudo.
Um sinal contundente do êxito da estratégia do bode expiatório é a relativização de todo o resto. Quem comprou o “Ódio ao PT” não odeia, não de um modo contundente e avassalador, o Jair Bolsonaro, o Michel Temer, o Aécio Neves, o Gilmar Mendes, o golpe jurídico-midiático, o “grande acordo nacional, com Supremo, com tudo”. Não discursa, com indignação contra nenhum deles. PEC do congelamento, retrocesso de direitos, fascismo, homofobia, racismo, machismo, apologia ao estupro, apologia à tortura. Não odeia nada disso. As coisas mais hediondas não cabem na indignação de quem comprou o ódio único ao PT. Mas o antipetismo empedernido é nada mais, nada menos que um projeto de manipulação feito em modelos consolidados historicamente.
O antropólogo René Girard dedicou uma vida ao estudo do tema com centenas de livros publicados. Em sociedades em crise, as massas, focadas no bode expiatório, elegem a vítima sacrificial, que nunca é a verdadeira culpada. Hordas sociais catapultam o ódio e expurgam a vítima. Apesar de parecer um movimento espontâneo, há sempre o interesse de uma elite por trás, que precisa poupar o verdadeiro culpado e zelar pelo status quo. Por isso, a vítima sacrificial é sempre uma figura que foi marginalizada, que carrega um estigma, o que torna mais fácil sua designação como bode expiatório.
Evidente que o PT não é uma quadrilha, tampouco o partido que mais roubou na história do país. Muito pelo contrário, tirou o país do mapa da fome e estamos aí, nesse exato momento, vendo retrocessos na educação, na saúde, na assistência social etc. Teve Fies, teve Prouni, teve “Ciência sem fronteira”, teve “Fome zero”, teve “Minha casa, minha vida” e tanta política pública acertada que o Lula tem recolhido reconhecimento em todo canto do mundo e acaba de ganhar seu 35o honoris causa. Teve problema? Teve muito! Mas nada diferente nem pior do que os que sempre estiveram no poder. E certamente nada que justifique catalisar ódios num partido só. E em geral, quando a pessoa vem com o “fora todos”, é eleitora do inominável, se não no 1o, no 2o turno, e sequer se dá conta de como seu ódio segue exclusivista. Porque outro sintoma que constato do bode expiatório e da onda de ódio é o ofuscamento para o restante.
O ódio, já dizia Sara Ahmed, é pegajoso. Mobiliza-se mais gente que se junta contra algo do que a favor. O ódio tem essa potência do expurgo. Nada é mais agregador que o ódio. E a estratégia de manipulação via bode expiatório tem dado certo por toda a história mundial. No Brasil, agora vemos no “tudo, menos PT”, a ascensão do autoritarismo, o declínio do diálogo e o escalonamento da intolerância e agressividade. Pra quem brinca com fogo e acha que Jair não fará o que diz, Jessé Souza já nos relembrou que Hitler já avisara tudo que faria. Se você é do tipo “tudo, menos PT”, você cogita votar num ser extremamente perigoso, que propaga e estimula o ódio, banaliza a violência e cuja propaganda é uma mão em forma de arma. Um ser que diz que “o erro da ditadura foi torturar e não matar”, e que já deveria estaria preso, se nosso país fosse sério. Se você cogita votar nele, você certamente foi tomado/a pelo Ódio Único e anda relativizando o oco. O oco é a cara do fascismo. O oco tem a cara de uma pessoa que não articula nem o bê-a-bá da economia, que já foi condenado por apologia ao estupro e comentário racista, que tem como herói um torturador sanguinolento, responsável por 45 mortes e desaparições, exaltado pelo Jair em rede nacional. O oco é a cara do seu ídolo Brilhante Ustra, que torturou uma mulher grávida de 7 meses e levou duas crianças, uma de 4, outra de 5 anos, para assistir os pais torturados, sujos de fezes e vômito.
Horror não se relativiza. Não queiramos ver o oco. Todo mundo perde.
Muçulmanos e judeus se unem no Brasil em manifesto - #eleNAO
Uma dúzia de entidades das comunidades judaica e muçulmana divulgou uma declaração conjunta nesta sexta-feira contra o candidato do Partido Social Liberal (PSL) à presidência do Brasil, Jair Bolsonaro.
"Nós, muçulmanos e judeus, sabemos os horrores da islamofobia e antissemitismo, temos a sensibilidade aguçada para perceber que de todas as barbaridades proferidas por este candidato, o mais emblemático, afetando diversos segmentos, foi que a as minorias devem se curvar à maioria", diz um fragmento da nota.
Os signatários do manifesto enfatizam que estão unidos "contra o inimigo comum" de muitos setores de minoria, mas o estresse que sua luta não se limita ao candidato presidencial", e sim "tudo o que ele representa e todos que reproduzem seu discurso".
"Nossa bandeira comum, como muçulmanos e judeus, é parar todas as formas de violência, preconceito e qualquer outro elemento que baseie o projeto fascista daquele homem e seus seguidores", disseram eles.
Entre os signatários do manifesto são organizações "muçulmanos contra Bolsonaro", "manifesto muçulmano contra o fascismo", a mesquita Sumayyah Bint Khayyat de Embu das Artes (São Paulo), a delegação do Brasil do partido sionista de esquerda Meretz judaica, e o Fórum dos Judeus-Sionistas-Socialistas Pró-Palestina.
Em 29 de setembro, membros de alguns desses grupos participaram das manifestações que as mulheres organizaram em todo o país e em várias cidades do mundo contra o candidato de direita.
Bolsonaro lidera as intenções de voto antes das eleições que acontecem no domingo, 7 de outubro. De acordo com a pesquisa divulgada pelo Datafolha, ele tem 35% de apoio, bem à frente do segundo colocado Fernando Haddad (PT), que tem o apoio de 22%.
"Nós, muçulmanos e judeus, sabemos os horrores da islamofobia e antissemitismo, temos a sensibilidade aguçada para perceber que de todas as barbaridades proferidas por este candidato, o mais emblemático, afetando diversos segmentos, foi que a as minorias devem se curvar à maioria", diz um fragmento da nota.
Os signatários do manifesto enfatizam que estão unidos "contra o inimigo comum" de muitos setores de minoria, mas o estresse que sua luta não se limita ao candidato presidencial", e sim "tudo o que ele representa e todos que reproduzem seu discurso".
"Nossa bandeira comum, como muçulmanos e judeus, é parar todas as formas de violência, preconceito e qualquer outro elemento que baseie o projeto fascista daquele homem e seus seguidores", disseram eles.
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Em 29 de setembro, membros de alguns desses grupos participaram das manifestações que as mulheres organizaram em todo o país e em várias cidades do mundo contra o candidato de direita.
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A imprensa mundial denuncia o fascismo defendido pela imprensa brasileira - Manchetes de jornais do mundo todo
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O fascista popular. Até agora, os políticos brasileiros são considerados corruptos e ineficientes, mas ideologicamente flexíveis e educados. Isso mudou com Jair Bolsonaro - o populista poderia até se tornar presidente. Uma história mundial.
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Fascista garoto propaganda da indústria de armas - #eleNão
— Vivicarabina Lula da Silva🌹🔫 (@vivicarabina17) 6 de outubro de 2018
sexta-feira, 5 de outubro de 2018
Carta à comunidade da UnB em defesa da democracia
UnB-http://noticias.unb.br/publicacoes/69-informe/2543-carta-a-comunidade-em-defesa-da-democracia
Administração superior ressalta valores e fundamentos da sociedade brasileira e incentiva reflexão sobre o voto nas eleições deste fim de semana
Do Gabinete da Reitoria
05/10/2018
Hoje, quando celebramos o trigésimo aniversário da promulgação da Constituição Cidadã, estamos a exatos dois dias de uma eleição crucial para os destinos da jovem democracia brasileira. Estamos diante de um novo momento histórico, sendo convocados a reafirmar a liberdade, a dignidade humana, a democracia e a justiça social, como fundamentos do Estado e da sociedade brasileira.
A Constituição Federal de 1988 encerrou 21 anos de ditadura, um passado doloroso que não podemos esquecer, sob pena de retrocedermos na história. A Universidade de Brasília sofreu a violência e o horror da ditadura, tendo sido palco de invasões policiais, prisões de estudantes, demissões arbitrárias de professores e intervenções constantes, em uma escalada repressiva contra seu projeto de vanguarda para a educação superior e às mobilizações estudantis pela democracia. Perdemos 238 docentes brilhantes, dos 305 que a UnB tinha em 1965, e, entre outros, Honestino Guimarães, estudante de Geologia da UnB, líder do movimento estudantil e desaparecido político desde outubro de 1973.
Embora difícil e doloroso, é de extrema importância que nós nos recordemos do horror vivido. Nosso Estado demorou muito para olhar para essa ferida e para buscar meios de repará-la – que, sob alguns aspectos, não foi e jamais será passível de remissão.
Quando hoje nos deparamos com manifestações públicas que atentam contra a democracia brasileira ou com atos que contrariam os valores estabelecidos em um Estado democrático de direito, não podemos ignorar. Não podemos aceitar a negação de nosso passado autoritário. Tampouco podemos relativizar tais declarações e atos, que, em sua essência, ameaçam direitos tão duramente conquistados pela sociedade brasileira.
A Universidade de Brasília, que nasceu alicerçada sobre os ideais libertários e humanistas de Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, e que tem como um dos seus princípios estatutários o compromisso com a paz e com a defesa dos direitos humanos, deve continuar firme na defesa dos princípios e valores constitucionais e atuando para honrar seus fundadores. Anísio e Darcy conceberam uma universidade única, na qual um projeto pedagógico inovador se aliou à missão de formar cidadãos conscientes e comprometidos com a transformação da sociedade brasileira.
Por isso, conclamamos docentes, estudantes, técnicos e terceirizados a fazer valer o direito de voto por nós conquistado e não poupar esforços para fazer emergir das urnas neste domingo uma democracia mais forte, voltada para a emancipação social e alinhada com a defesa dos direitos humanos.
Márcia Abrahão
Reitora
Enrique Huelva
Vice-reitor
quarta-feira, 3 de outubro de 2018
Pastor Ed René Kivitz - Intoleráveis falas de preconceito e de ódio de Bolsonaro - Vídeo
Pastor batista chamou de intoleráveis as falas preconceituosas e os discursos de ódio de Bolsonaro.
Publicado em 02/10/2018.
Pastor Ed René Kivitz.
Em um culto no último domingo (30) na Igreja Batista da Água Branca (Ibab), em São Paulo, o pastor Ed René Kivitz chamou de intoleráveis aa falas preconceituosas e os discursos de ódio de Bolsonaro, candidato de extrema-direita à presidência da República pelo PSL. Ed abordou as falas por ocasião das eleições que se aproximam e o envolvimento de várias igrejas e líderes no pleito, inclusive apoiando Bolsonaro.
O pastor lembrou do adúltero do rei Davi com Bate-Seba, mulher de Urias, um dos homens do exército dele. Após engravidá-la, tentar fazer com que que Urias acreditasse que o filho dele mesmo e não conseguir, Davi manda seu súdito fiel ao campo de batalha para ser morto. E assim aconteceu, como está relatado no livro de 2 Samuel, capítulo 11. Após isso, Davi tomou Bate-Seba para si, como esposa.
Repreendido por um profeta, Davi estava tão alienado que não conseguiu reconhecer seus próprios erros. Dessa angústia, nasceu o Salmo 51, uma oração do rei Davi a Deus, pedindo desculpas por seus erros e crimes, até um assassinato, pois suas mãos estavam sujas de sangue.
Ed René lembrou que o Davi era um homem “segundo o coração de Deus”, íntimo de Deus, piedoso, mas mesmo assim foi capaz de cometer tais atrocidades.
“Eu me pergunto por que um homem de Deus, um homem íntimo de Deus, piedoso, faz um mal nessas proporções?”
Segundo ele, a resposta está em forças monstruosas que todos temos dentro de nós:
“A palavra de Deus me informa que existem em nós forças, que nos vêm dos nossos antepassados. Forças atávias, que, se não forem mantidas sobre controle, despertam monstros. E nos levam a fazer coisas que só podem ser explicadas porque fomos arrebatados do nosso juízo, da nossa razoabilidade, do nosso senso.”
Isso explicaria também nosso contexto político atual e a aceitação de discursos extremistas, como os de Bolsonaro:
“Os monstros tomaram conta de nós. É isso que a Bíblia chama de tentação, quando a nossa carne assume o controle. Essas forças e esses monstros estão dentro de nós, mas também estão nas nossas sociedades. E os fenômenos sociais fazem com que esses monstros apareçam. E de repente, uma sociedade se torna monstruosa. Estou com muito medo de que isso esteja acontecendo no nosso país.
Sim, estou me referindo ao nosso processo eleitoral, às nossas eleições de domingo e aos monstros que estão soltos na nossa sociedade.”
Ed diz que essas forças estão dentro das igrejas também:
“A violência, a intolerância, os extremismos, os monstros de todos os lados, que são acordados, eles despertam. E esses monstros tomam conta da sociedade, e inclusive da igreja.
Nos já vimos a igreja, por exemplo, comprometida com a Ku Klux Klan. Diáconos e pastores batistas membros de uma seita racista e do movimento de segregação racial nos Estados Unidos. Nós já vimos o Apartheid na África do Sul, e a igreja estava presente sustentando o regime racista. A igreja protestante na Alemanha sustentou o nazismo.”
Por fim, o pastor aborda as falas de Bolsonaro:
“Eu fico chocado com as expressões do Jair Bolsonaro dizendo que ‘o problema da ditadura é que torturou mas não matou, poderia ter matado mais’, ‘não estupraria você porque não merece’. Eu fico chocado com a brincadeira ‘vamos metralhar os petralhas’, com uma criancinha fazendo sinal de revólver.
Fico chocado quando Jair Bolsonaro, no legítimo exercício da sua cidadania, é esfaqueado em praça pública.
Os monstros estão soltos. E estão soltos também entre nós.
O discurso racista, homofóbico, classista, machista, está presente dentro das nossas comunidades.”
Ed afirma que qualquer homem é capaz de qualquer coisa, assim como Davi foi capaz de assassinar um súdito seu, para ter sua esposa.
“A santidade não é um comportamento, não é prática rotineira de atividade religiosa. A santidade é um tipo de coração, é uma postura diante de Deus, um coração quebrantado, que Deus não despreza. É colocar nossos monstros diante de Deus e pedir misericórdia, que apague nossas transgressões, para que não nos abandone.”
Assista à pregação na íntegra abaixo.
Vídeo – Santidade como quebrantamento
Haroldo Lima: Reflexões e ajustes finais - Portal Vermelho
Haroldo Lima: Reflexões e ajustes finais - Portal Vermelho:
Haroldo Lima: Reflexões e ajustes finais
As pesquisas eleitorais às vezes são manipuladas, mas nem sempre. Quando realizadas perto dos pleitos, geralmente mostram tendências. Ainda que com reservas, é prudente considerar as últimas pesquisas do Ibope e do Datafolha, que apontam numa mesma direção. E não desconsiderar a da Record (1º de outubro) que indica outra direção.
Nas duas primeiras, Bolsonaro e Haddad saíram de um empate técnico na pesquisa anterior e abriram em poucos dias uma diferença de 10 e 11 pontos percentuais em desfavor do Haddad, em cada uma pesquisa. Não fica claro o quanto o Ibope apreendeu o impacto da extraordinária mobilização das mulheres do dia 29. A pesquisa foi feita entre o sábado e o domingo, e a grande mobilização foi no sábado. A pesquisa do Datafolha, contudo, já foi posterior às grandes jornadas. Fica a indagação: o efeito positivo das enormes passeatas não repercutiu?
O tempo já não permite muitas providências, mas cabem considerações e ajustes.
Examinando a pesquisa do Ibope em seus pormenores, vemos, estarrecidos, que o principal grupo onde o Bolsonaro cresceu foi o das mulheres, onde saltou de 18 para 24 pontos percentuais, ganhando a maior parte das indecisas que eram 11 e ficaram em 5. Subiu também 6 pontos entre os evangélicos, onde o Haddad caiu 2. O desempenho por regiões mostrou que nos estados do sul e sudeste o Bolsonaro subiu 15 pontos, enquanto o Haddad caiu 9! E mais. Entre o sul e o sudeste, o pior desempenho foi no sul, onde Bolsonaro cresceu 9 pontos e o Haddad decresceu 6.
Mesmo com ressalvas, esses resultados do Ibope são preocupantes, mormente se acrescidos com os mostrados pelo Datafolha, que são piores. Apesar do tempo já não permitir muitas mudanças, uma coisa parece certa: mais do mesmo, não é uma atitude sensata. Agrego algumas reflexões e sugestões:
1) Perdemos mais no meio das mulheres e no Sul e, contudo, temos uma mulher, a Manuela, como vice, das maiores revelações dessa campanha e recordista de votos em disputas de cargos proporcionais em um dos mais importantes estados do sul.
A Manuela tem atuado intensamente na campanha, mas não nas aparições mais importantes, nos horários nobres da TV. Mesmo nas últimas horas, caberia abrir-lhe espaços significativos no programa de TV, pois ela poderia ajudar a ganhar mulheres e estados do sul.
2) Nossa população é grandemente religiosa. Nós respeitamos as religiões. Foi Jorge Amado, deputado pelo Partido Comunista do Brasil, quem apresentou, na Constituinte de 1946, a emenda que garantiu a liberdade religiosa na Constituição então aprovada. Isto não pode ser lembrado em algum momento? Não haveria mais tempo para visitas à CNBB, a algum evangélico de projeção e a algum terreiro de Umbanda ou Candomblé?
3) Temos desconstruído pouco o Bolsonaro nos programas de TV, embora nas “redes” isto tem ocorrido. O Brasil “profundo” ainda vê muito a TV aberta e não sabe, pela boca do Bolsonaro, algumas das posições que ele defende.
4) Aquela pergunta do Ciro sobre “constituinte exclusiva” suscitou resposta confusa do Haddad, não por causa do Haddad, mas porque a posição está errada. Como outros debates ocorrerão, é preciso não gastar muito tempo nas respostas a certas questões. Pode-se aproveitar o tempo de certas respostas para aprofundar outras questões.
5) Nossa determinação em retomar o desenvolvimento com inclusão social precisa ser mais levantada. Afinal, tudo que estamos fazendo é para, através da democracia restaurada, enveredarmos pela busca do desenvolvimento. Mas, por que meios?
6) A população mais simples tem razões para estar assombrada com a violência que permeia as periferias. Este tema deveria comparecer mais na propaganda e nos debates.
7) Por último, há que reavivar a perseguição jurídica recorrente a Lula e a interferência despropositada do Juiz Sérgio Moro no processo eleitoral, liberando partes das delações de Paloci, a seis dias das eleições. O assunto poderia ser tratado por um locutor em off, que faria uma espécie de comunicado, preciso, conciso e contundente, tipo:
“Nossa campanha denuncia e protesta conta a intromissão descabida do Juiz Sérgio Moro na campanha eleitoral em curso.
O ex-ministro Antonio Paloci foi preso em setembro de 2016 e condenado a mais de 12 anos de cadeia. Convicto de que se fizesse delação que envolvesse o presidente Lula sua pena poderia ser reduzida em 2/3, levantou aleivosias e calúnias diversas contra Lula, produzindo uma delação sob encomenda, que muito diz sobre a deformação de seu caráter.
Como não conseguiu nenhuma prova sobre o que disse, o Ministério Público recusou sua delação e ela foi posta de lado, ficando sob segredo de Justiça, desde abril deste ano.
Agora, a seis dias da eleição, o Juiz Sérgio Moro autorizou a divulgação de partes dessa delação que caluniam o presidente Lula, mesmo sabendo que não há nenhuma prova sobre o que elas dizem. Isto apenas poderia prejudicar o candidato apoiado por Lula nessa campanha, Fernando Haddad.
Queremos manifestar a nossa repulsa veemente a essa interferência indevida de um Juiz na campanha eleitoral, o que comprova e acentua a perseguição jurídica de que o presidente Lula é vítima. O povo dará nas urnas a resposta que essa iniquidade merece.”
O tempo já não permite muitas providências, mas cabem considerações e ajustes.
Examinando a pesquisa do Ibope em seus pormenores, vemos, estarrecidos, que o principal grupo onde o Bolsonaro cresceu foi o das mulheres, onde saltou de 18 para 24 pontos percentuais, ganhando a maior parte das indecisas que eram 11 e ficaram em 5. Subiu também 6 pontos entre os evangélicos, onde o Haddad caiu 2. O desempenho por regiões mostrou que nos estados do sul e sudeste o Bolsonaro subiu 15 pontos, enquanto o Haddad caiu 9! E mais. Entre o sul e o sudeste, o pior desempenho foi no sul, onde Bolsonaro cresceu 9 pontos e o Haddad decresceu 6.
Mesmo com ressalvas, esses resultados do Ibope são preocupantes, mormente se acrescidos com os mostrados pelo Datafolha, que são piores. Apesar do tempo já não permitir muitas mudanças, uma coisa parece certa: mais do mesmo, não é uma atitude sensata. Agrego algumas reflexões e sugestões:
1) Perdemos mais no meio das mulheres e no Sul e, contudo, temos uma mulher, a Manuela, como vice, das maiores revelações dessa campanha e recordista de votos em disputas de cargos proporcionais em um dos mais importantes estados do sul.
A Manuela tem atuado intensamente na campanha, mas não nas aparições mais importantes, nos horários nobres da TV. Mesmo nas últimas horas, caberia abrir-lhe espaços significativos no programa de TV, pois ela poderia ajudar a ganhar mulheres e estados do sul.
2) Nossa população é grandemente religiosa. Nós respeitamos as religiões. Foi Jorge Amado, deputado pelo Partido Comunista do Brasil, quem apresentou, na Constituinte de 1946, a emenda que garantiu a liberdade religiosa na Constituição então aprovada. Isto não pode ser lembrado em algum momento? Não haveria mais tempo para visitas à CNBB, a algum evangélico de projeção e a algum terreiro de Umbanda ou Candomblé?
3) Temos desconstruído pouco o Bolsonaro nos programas de TV, embora nas “redes” isto tem ocorrido. O Brasil “profundo” ainda vê muito a TV aberta e não sabe, pela boca do Bolsonaro, algumas das posições que ele defende.
4) Aquela pergunta do Ciro sobre “constituinte exclusiva” suscitou resposta confusa do Haddad, não por causa do Haddad, mas porque a posição está errada. Como outros debates ocorrerão, é preciso não gastar muito tempo nas respostas a certas questões. Pode-se aproveitar o tempo de certas respostas para aprofundar outras questões.
5) Nossa determinação em retomar o desenvolvimento com inclusão social precisa ser mais levantada. Afinal, tudo que estamos fazendo é para, através da democracia restaurada, enveredarmos pela busca do desenvolvimento. Mas, por que meios?
6) A população mais simples tem razões para estar assombrada com a violência que permeia as periferias. Este tema deveria comparecer mais na propaganda e nos debates.
7) Por último, há que reavivar a perseguição jurídica recorrente a Lula e a interferência despropositada do Juiz Sérgio Moro no processo eleitoral, liberando partes das delações de Paloci, a seis dias das eleições. O assunto poderia ser tratado por um locutor em off, que faria uma espécie de comunicado, preciso, conciso e contundente, tipo:
“Nossa campanha denuncia e protesta conta a intromissão descabida do Juiz Sérgio Moro na campanha eleitoral em curso.
O ex-ministro Antonio Paloci foi preso em setembro de 2016 e condenado a mais de 12 anos de cadeia. Convicto de que se fizesse delação que envolvesse o presidente Lula sua pena poderia ser reduzida em 2/3, levantou aleivosias e calúnias diversas contra Lula, produzindo uma delação sob encomenda, que muito diz sobre a deformação de seu caráter.
Como não conseguiu nenhuma prova sobre o que disse, o Ministério Público recusou sua delação e ela foi posta de lado, ficando sob segredo de Justiça, desde abril deste ano.
Agora, a seis dias da eleição, o Juiz Sérgio Moro autorizou a divulgação de partes dessa delação que caluniam o presidente Lula, mesmo sabendo que não há nenhuma prova sobre o que elas dizem. Isto apenas poderia prejudicar o candidato apoiado por Lula nessa campanha, Fernando Haddad.
Queremos manifestar a nossa repulsa veemente a essa interferência indevida de um Juiz na campanha eleitoral, o que comprova e acentua a perseguição jurídica de que o presidente Lula é vítima. O povo dará nas urnas a resposta que essa iniquidade merece.”
*Haroldo Lima é membro da Comissão Política Nacional do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil.
Pastorais da Igreja católica recomendam propostas para escolher candidatos nas Eleições de 2018
"Neste momento dramático, em que estão em risco o presente e o futuro de nossa nação, não podemos “lavar as mãos”, nos omitir, nem buscar refúgio na neutralidade.
O momento exige solidariedade com os empobrecidos, oprimidos e marginalizados.
Para tanto, propomos construir um programa que seja uma referência e orientação para nossa gente nas eleições e que possa movimentar a espiral de cidadania e do bem comum.
Entre esses pontos, as entidades signatárias propõem:
1° Revogação das mudanças aprovadas na CLT que retiram direitos trabalhistas.
2° Reversão das privatizações executadas e fortalecimentos das empresas públicas.
3° Revogação da Emenda Constitucional 95, que congela os investimentos sociais por 20 anos.
4° Realização de uma Auditoria Cidadã da Dívida Pública, que consome aproximadamente metade de todo o orçamento público brasileiro.
5° Realização de Reforma Tributária que combata a desigualdade, taxando as grandes fortunas, as grandes heranças, os dividendos de grandes empresas e do sistema financeiro. Reversão das isenções fiscais e do perdão de dívidas e cobrança dos impostos devidos por grandes empresas.
6° Retomada dos programas sociais nos moldes anteriores a 2016, reforçando-os e universalizando-os. Denúncia da partidarização e seletividade do judiciário.
7° Respeito à presunção da inocência e a Constituição que garante que a prisão somente deve ocorrer quando todos os recursos e instâncias tenham se esgotado.
8° Mobilizar a sociedade para uma ampla Reforma do Estado, que estimule mecanismos de participação direta, promova a democratização e a pluralidade dos meios de comunicação e garanta o pleno respeito aos direitos humanos.
9° Implementação do direito a demarcação das terras indígenas e quilombolas e realização de uma reforma agrária ampla e popular, com incentivos à produção agroecológica e agroflorestal e à comercialização de alimentos saudáveis para toda a população brasileira."
Assinam:
Cáritas Brasileira
Comissão Brasileira Justiça e Paz
Comissão Pastoral da Terra
Conferência dos Religiosos do Brasil
Conselho Indigenista Missionário
Conselho Nacional do Laicato do Brasil
Conselho Pastoral dos Pescadores
Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social
Observatório Nacional de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de Almeida (OLMA)
Pastoral Carcerária
Pastoral Operária
Serviço Pastoral do Migrante
Comunidade Vicentina Chama de Amor.
segunda-feira, 1 de outubro de 2018
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