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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Um julgamento de exceção – Íntegra exclusiva do artigo de Wanderley Guilherme dos Santos 15/09/20123


 
O Cafezinho teve acesso à íntegra do depoimento de Wanderley Guilherme dos Santos a Carta Capital, onde foram publicados apenas alguns trechos.
 
Destaco os seguintes trechos:
Imagine o que não diriam os editorialistas diante da seguinte proposição: Fernando Henrique Cardoso locupletou-se durante a presidência precisamente porque não existem provas de que o fez. É o que se pretende fazer em relação a Dirceu: uma interpretação ad hominem, isto é, só vale para casos singulares. Fazer da ausência de provas uma “prova” de que houve crime é a evidência de que se trata de julgamento de exceção, vingativo.
(…) o objetivo partidário de permanecer no poder foi satanizado pelo procurador, pelo relator, pelo preconceito que sai pelos poros de vários dos juízes e pelo prefácio de oratória proferido por Celso de Mello antes de votar o primeiro pacote de julgamentos. Em discurso abstrato, sem nomes, mas cheio de adjetivos degradantes sobre autoridades públicas que cometem ilícitos – o que, de fato, me lembrou o IPM a que respondi, e era o clima da época, em que coronéis e tenentes, impunes, esbravejavam contra várias coisas das quais eu não podia ser acusado, pois não havia provas, chegando ao cômico (mas não ri na hora) de me acusarem, além de subersivo, de ser suspeito; acredite, fui acusado de ser suspeito e isso era crime! – o ministro decano estava na verdade manifestando desprezo a priori pela atividade política e pelo PT como partido político. (…)
 
O Tribunal não é de exceção, mas o julgamento sim
Por Wanderley Guilherme dos Santos

Íntegra exclusiva publicada no Cafezinho
Não sei se José Dirceu é inocente ou se, como outros, cometeu algum crime à sombra do ilícito caixa 2. Os autos devem esclarecer isso. Há algo que não depende dos autos, todavia: será um julgamento de exceção se condenado por não haver provas contra ele.
 
Alguns magistrados do Supremo estão prontos a contorcionismos chineses para escapar à evidência de que a legislação eleitoral é causa eficiente do caixa 2 e que este proporciona a oportunidade para diversos crimes que nada têm a ver com tal ilícito.
 
Comentários antecipando votos condenatórios com base em provas nos autos preparam o caminho para condenações sem provas. A premissa de que chefes de quadrilha não deixam rastros – interpretação peculiar da tese do domínio do fato – pode ser defensável, mas requer comprovação sem sombra de dúvida e, até, agora, nenhuma condenação se apoiou em tal tese ou na versão mais amena de que quanto mais elevado nas hierarquias de poder, maior a possibilidade de que criminosos eliminem os indícios. As condenações por corrupção passiva de João Paulo Cunha e de Henrique Pizzolato são exemplos de que os discursos são para outros.
 
João Paulo Cunha foi condenado com fundamento na prova de que os recibos que explicariam os 50 mil recebidos por sua mulher foram forjados. Enquanto as falas do procurador e do ministro revisor só apontavam indícios a que atribuíam hiperbólica significação, a ministra Rosa Weber revelou que os recibos possuíam numeração seriada, embora supostamente preenchidos em datas afastadas no tempo. Com isso, a ida da mulher de João Paulo Cunha ao banco para retirar o dinheiro em espécie deixou de ser um comportamento esdrúxulo, sem dúvida, mas não criminoso, e muito menos da conta de ministros do Supremo, para se tornar um indício poderoso da ilegalidade do recebimento. Até porque os comentários dos juízes eram contraditórios: para Carmem Lucia fazendo sua mulher descontar o cheque à luz do dia era manifestação solar de arrogância de poder de João Paulo, indicativo seguro de que se sentia impune; para Rosa Weber, disfarce, dissimulação, sombra; para César Peluso, garantia de que chegaria em casa e não seria apropriado por outrem (esse comentário é interessante em outro contexto). Comentários diversos e contraditórios, mas o fundamento do voto foi o mesmo: a seriação dos recibos falsos. Ora, o presidente da Câmara é terceiro na linha de sucessão do poder executivo e os próprios magistrados exaltaram sua posição para melhor revelar como o crime merecia ainda mais forte repulsa. Não obstante, apesar desta posição hierárquica elevada, joão paulo deixou rastros toscos, elementares. Não foi porque, dada sua posição elevada, João Paulo não deixou pistas e foi condenado assim mesmo. Rosa Weber e todos os que o condenaram o fizeram com base nas provas toscas que deixou. A tese abstrata de Rosa Weber e do procurador é contrária aos fatos aqui.
 
O mesmo em relação a Henrique Pizzolato. Ele foi condenado porque não apresentou a pessoa que, segundo sua explicação, seria o destinatário final do pacote cujo conteúdo alegava desconhecer. Alegação tosca e rude que, não sendo provada, prova o seu oposto, isto é, que ficou com o dinheiro indevido. Membro do corpo mais elevado da administração do Banco do Brasil, deixou, não obstante, rastros que permitiram aos juízes do Supremo o condenarem. Ele deixou rastros e foi condenado por eles, não porque tenha faltado provas. Outro exemplo em que o discurso abstrato sobre o domínio do fato nada tem com o voto real, sendo apenas preparatório para o momento em que não houver mesmo prova alguma e os juízes condenarem assim mesmo, configurando um julgamento de exceção.
 
João Paulo Cunha e Henrique Pizzolato não foram condenados em virtude de pertencerem a algum esquema diabólico efetivamente comprovado, como querem o procurador e o ministro relator, mas justamente porque não conseguiram comprovar que os ilícitos que cometeram resultaram da participação no ilícito caixa 2. Eram corrupção passiva mesmo. Assim como o ilícito de Marcos Valério, que no contrato com a Visanet cometeu apropriação indébita, via corrupção ativa, e Pizzolato corrupção passiva, via adiantamento de pagamentos. Do mesmo modo, Marcos Valério não foi condenado por se mostrar um elo de mirabolantes enredos, mas por se apropriar indevidamente dos bônus de contrato de publicidade do BB, que não tem conexão com caixa 2, embora propiciado por este. ESSES FORAM OS FUNDAMENTOS DE ROTINA PENAL NO PRIMEIRO BLOCO DA AÇÃO PENAL 470, DESCONECTADOS DAS ESPECULAÇÕES SOBRE AS LIGAÇÕES ENTRE NIVEL DE AUTORIDADE PÚBLICA E AUSÊNCIA PROVAS. AO CONTRÁRIO, TODAS AS AUTORIDADES PÚBLICAS CONDENADAS NO PRIMEIRO PACOTE DEIXARAM PROVAS SUFICIENTES E, ALGUMAS, BASTANTE TOSCAS, QUE NENHUM MELIANTE MEDIANAMENTE EXPERIMENTADO DEIXARIA DE EVITAR.
A INTERPRETAÇÃO do domínio do fato é a espinha dorsal para a condenação sem provas. 
Para tanto, o procurador insinuou e o relator apresenta repetidamente, em paralelo aos autos, um enredo perverso que ligaria todos os ilícitos, como se todos fossem uma mesma coisa, cujo Autor sem assinatura seria José Dirceu. A idéia é tornar aceitável a interpetação segundo a qual “quanto mais elevada for a posição do criminoso nas hierarquias sociais, mais fácil a ocultação de provas”, hipótese heurística defensável (embora não existam pesquisas que comprovem indubitavelmente que se trata de uma verdade, mesmo que apenas probabilística). Equivale a “não havendo provas, é forte indício de que há o mando de uma autoridade”. Além de ser contrária aos fatos na Ação Penal 470, a tese hipotética aceitável não se transforma na segunda senão por subterfúgio. Da proposição verdadeira de que todos os ímpares são números não se segue que todos os números são ímpares. Essa tentativa, se bem sucedida, é que fará deste um julgamento de exceção, ou seja, nunca mais se repetirá. 

Imagine o que não diriam os editorialistas diante da seguinte proposição: Fernando Henrique Cardoso locupletou-se durante a presidência precisamente porque não existem provas de que o fez. É o que se pretende fazer em relação a Dirceu: uma interpretação ad hominem, isto é, só vale para casos singulares. Fazer da ausência de provas uma “prova” de que houve crime é a evidência de que se trata de julgamento de exceção, vingativo.
 
A grande imprensa clama unanimemente por isso, mas não penso que os juízes estejam necessariamente se submetendo a ela. Acho, sim, que, neste caso, alguns juízes raciocinam como a grande imprensa. Por isso não se sentem pressionados, exceto o Lewandowski, claro. 

Eles sentem com absoluta convicção que o projeto do PT, Lula e Dirceu são um mal. Representou a quebra do monopólio do voto de classe média como fiel da balança eleitoral, a seduzir pés rapados que se elegem e os elegem. E se não há provas desse mal, é porque são diabólicos e não deixam rastro. Vai ser preciso condenar sem provas porque, no fundo, acham que estão certos.
 
Os ilícitos para os quais existem provas não podem ser somente conseqüência do caixa 2, do qual a justiça eleitoral é causa eficiente, ou da banal corrupção, por hábito ou oportunidade. Precisam estar dentro de um enredo maléfico, que parece impossível demonstrar. Isso, é claro, se o julgamento for até o fim do mesmo jeito. Se provarem que Dirceu afanou algum, é uma coisa, daí a “provar” um esquema perverso em que todos tinham consciência e cumplicidade no objetivo final, obscuramente definido como “permanecer no poder”, vai grande distância.
 
O objetivo partidário de permanecer no poder foi satanizado pelo procurador, pelo relator, pelo preconceito que sai pelos poros de vários dos juízes e pelo prefácio de oratória proferido por Celso de Mello antes de votar o primeiro pacote de julgamentos. Em discurso abstrato, sem nomes, mas cheio de adjetivos degradantes sobre autoridades públicas que cometem ilícitos – o que, de fato, me lembrou o IPM a que respondi, e era o clima da época, em que coronéis e tenentes, impunes, esbravejavam contra várias coisas das quais eu não podia ser acusado, pois não havia provas, chegando ao cômico (mas não ri na hora) de me acusarem, além de subersivo, de ser suspeito; acredite, fui acusado de ser suspeito e isso era crime! – o ministro decano estava na verdade manifestando desprezo a priori pela atividade política e pelo PT como partido político.
 
É fácil demonstrar que sem partidos políticos e parlamentos livres, nenhuma outra instituição é seguramente livre. Quando os partidos são fechados, a imprensa é censurada e o judiciário se acoelha. Tal acontece em todas as ditaduras e assim aconteceu no Brasil, durante o Estado Novo e durante a ditadura militar. Os advogados de presos e torturados políticos – Nilo Batista, Modesto da Silveira e a Rosa Maria Cardoso da Cunha, e que está na comissão da verdade, o falecido Heleno Fragoso, entre vários outros – sabem muito bem o que foi o rebaixamento silencioso do judiciário nesse último período. Quem garante a liberdade das demais instituições democráticas é um sistema partidário livre, não o contrário.

Programa Jovens Profissionais (ONU) com seleção até 20/09



A Organização das Nações Unidas (ONU) está procurando candidatos à carreira
de servidor público internacional.

O Programa Jovens Profissionais do Secretariado das Nações Unidas (/Young
Professionals Programme/), iniciativa de recrutamento que busca atrair
novos talentos para a organização por meio de um exame de admissão, está
com inscrições abertas até 20 de setembro.

As inscrições constituem etapa prévia para concurso de provas que se
realizará no dia 7 de dezembro. O concurso se insere no esforço de aumentar
a participação de nacionais de países atualmente subrepresentados na
organização, como é o caso do Brasil.

Segundo o Secretariado da ONU, as vagas existentes são para o Departamento
de Administração e distribuem-se entre os grupos ocupacionais de
Administração, Estatística, Informação Pública e Assuntos Humanitários.
Conforme os critérios da organização, os candidatos devem ter graduação
universitária, ter no máximo 32 anos, falar inglês ou francês fluente e ser
nacional de um país atualmente subrepresentado na organização.

A organização informa, ademais, que, na hipótese de o número de inscritos
ser muito grande, as Nações Unidas poderão promover seleção prévia à prova
escrita, com base em diplomas de pós-graduação, experiência profissional
anterior e conhecimento de outras línguas oficiais da ONU.

Mais informações poderão ser obtidas no site de inscrição:
https://careers.un.org/ypp.

Responsável pelas informações:

Divisão das Nações Unidas
Ministério das Relações Exteriores
Fone: +55 61 2030-8557

Divulgação:

Coordenação de Intercâmbio
Assessoria de Assuntos Internacionais/INT
Universidade de Brasília/UnB
Campus Universitário Darcy Ribeiro
Prédio da Reitoria,subsolo sala BSS-42
Asa Norte, Brasília, DF
CEP 70910-900 -Brasil
Tel: +55 61 3107-0265
Fax: +55 61 3107-0453
site: www.int.unb.br

Lênin domina estante das obras russas - Portal Vermelho

Lênin domina estante das obras russas - Portal Vermelho

Com quase quatro mil versões de suas obras, pai da Revolução Russa figura entre os autores mais traduzidos do mundo. Ele bateu Kafka, Hemingway e até mesmo Platão, elevando a posição da Rússia no ranking de países com autores mais lidos no mundo.




Na lista das obras literárias mais traduzidas, Lênin só fica atrás de Enid Blyton, autora inglesa de livros infantis, William Shakespeare, Jules Verne e Agatha Christie, que possui 7.117 versões de seus livros.

O pai da Revolução Russa, por sua vez, já foi traduzido em 3.589 versões, segundo estudo Index Translationum da Unesco, que computa os diversos livros e as várias línguas nos quais as obras são imprensas.

Lênin também supera outros grandes nomes da literatura mundial, como Christian Andersen, Stephen King, Alexandre Dumas, Mark Twain e Georges Simenon. O poderio russo não é, contudo, uma exclusividade do seu legado.

No caldeirão dos maiores nomes da história, encontram-se também Fiódor Dostoiévski, na 17º posição com 2.232 versões traduzidas e o autor norte-americano de origem russa Isaac Asimov, no 22° lugar com 2.116 versões, seguido de perto por Lev Tolstói. O autor de Anna Karenina coleciona até agora 2.093 adaptações.

É interessante notar como os autores ativos até o período da União Soviética, ou até meados de 1991, levaram a Rússia à quinta posição da lista dos países mais traduzidos, logo após a Alemanha, Espanha, França, Japão e Itália.

Já em relação aos autores estrangeiros mais populares na Rússia, estão Alexandre Dumas, Danielle Steel, James Hadley Chase e Christian Andersen.

Fonte: Gazeta Russa

CTB participa de oficina do CONJUVE sobre a efetividade das políticas públicas para a juventude

A Comissão de Acompanhamento de Políticas Públicas do Conselho Nacional de Juventude se reúne em Brasília, na ENAP (Escola Nacional de Administração Pública) nesta terça e quarta, 18 e 19 de setembro para trabalhar na elaboração de ferramentas de monitoramento do êxito ou fracasso das políticas públicas de juventude.


A Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil participou nessa comissão de um primeiro balanço sobre as PPJ no governo Lula no fim de 2010. Como os demais conselheiros, observamos a dificuldade de encontrar indicadores que permitam aferir os resultados das políticas para a juventude. Sem esses indicadores, e seu recorte propriamente juvenil, é difícil ter clareza sobre o impacto do gasto público na vida das pessoas, assim como sua importância para o próprio governo.

A Presidenta do Conselho, Ângela Guimarães, que é socióloga, abriu a atividade, saudando os conselheiros e conselheiras de todo o país. Ângela afirmou a importância de a juventude ter claro o que espera das políticas públicas de juventude, para o que é necessário mapear seu impacto com indicadores adequados. Observou que a própria definição de tais indicadores tampouco é neutra, mas embute concepções de mundo, disputas, assim como o desejo de visibilizar ou não segmentos juvenis vulneráveis, o que faz da tarefa de sua definição um desafio.

A pesquisadora Eliane Ribeiro, da UNIRIO, observou também a necessidade de incluir na análise das PPJ a sua capacidade de motivar e mobilizar a juventude, atraindo-a para esses espaços e para o cumprimento do objetivo. Observa que essa capacidade, assim como a limitação dos indicadores atuais, são causas importantes da avaliação que aponta para o fracasso de políticas públicas que buscam atrair jovens para o estudo ou para o trabalho. 


Paulo Vinícius, em nome da CTB, pontuou a necessidade de levar em conta como é feito o monitoramento em outras áreas nas políticas públicas, como o caso das mulheres e da população negra, por exemplo. Em segundo lugar, a execução das políticas e do orçamento no âmbito federal, o que tem uma dimensão particular quanto ao próprio Conselho e a Secretaria Nacional de Juventude. E em terceiro, a necessidade de a Comissão apontar caminhos para a definição dos indicadores possam servir a esse monitoramento.

O evento debaterá a trajetória da CAPP e do Conjuve no acompanhamento das políticas e programas de juventude . Também será objeto de discussão a avaliação de programas e políticas sociais , a troca de experiências de monitoramento e avaliação de políticas e programas. Participam da atividade a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, o MEC, a Secretaria de Mulheres, além dos conselheiros(as).

Bancários promovem greve nacional a partir desta 3ª feira

Bancários promovem greve nacional a partir desta 3ª feira

bancarios ctbOs bancários até tentaram evitar a paralisação, mas sem sucesso. Após várias rodadas de negociação com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), a categoria inicia a partir desta terça-feira (18) uma greve nacional por tempo indeterminado. Aprovaram a paralisação os bancários da Bahia, Sergipe, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande, Florianópolis, Pernambuco, Ceará, Pará, Paraíba, Alagoas, Piauí, Mato Grosso, Rondônia, Roraima, Amapá, Londrina e Campinas, dentre outros.
Nesta segunda-feira (17) os bancários realizam assembleias organizar o movimento paredista, já que a Fenaban não apresentou uma proposta que contemple as reivindicações da categoria sobre remuneração, emprego, saúde e condições de trabalho, segurança e igualdade de oportunidades.
Os bancários rejeitaram a proposta dos banqueiros de 6% de reajuste (apenas 0,58% de aumento real). O Comando Nacional enviou carta à Fenaban no dia 5 para informar sobre o calendário de mobilização e reafirmar a importância de se buscar um acordo negociado. Mas até agora os bancos não deram nenhuma resposta.
Os trabalhadores destacaram que, além de muito aquém do esperado, a proposta inclui a desvalorização da categoria, pois não repõe as perdas salariais, que chega a 90% na média, desde o primeiro ano do governo FHC. Para os bancários, este ano é preciso que a greve seja forte para enfrentar os banqueiros, que já começaram a mostrar o lado terrorista e forçaram a radicalização. Para a categoria, são indispensáveis que se conquiste nessa campanha o fim do assédio moral, isonomia e a recuperação das perdas, que parece impossível diante do aumento real oferecido, de 0,58%.
De acordo com o presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Emanoel Souza, que participa do processo negocial, a indicação do Comando Nacional de aprovar a paralisação com antecedência, tem dois objetivos. Um é cumprir as determinações legais de antecedência de 72 horas, para que o banco não tente entrar com dissídio contra a greve, e o outro é ampliar o canal com a população, conquistando mais apoio e assim pressionar os bancos.
"A radicalização é necessária para desmascarar os banqueiros, que adotaram o discurso de que não é possível conceder aumento real por conta da redução dos juros imposta pelo governo federal. O que é um verdadeiro absurdo, pois a medida beneficia a população e não afeta o rendimento das empresas, que é cada vez mais bilionário", completa.
Para o presidente do SBBA, Euclides Fagundes Neves, a hora é de intensificar lotar as assembleias e ampliar a unidade para que o movimento permaneça forte até o fim. "Temos que fazer uma grande mobilização para arrancar o máximo de benefícios dos bancos e garantir direitos".
As principais reivindicações dos bancários
● Reajuste salarial de 10,25% (aumento real de 5%).
● Piso salarial de R$ 2.416,38.
● PLR de três salários mais R$ 4.961,25 fixos.
● Plano de Cargos e Salários para todos os bancários.
● Elevação para R$ 622 os valores do auxílio-refeição, da cesta-alimentação, do auxílio-creche/babá e da 13ª cesta-alimentação, além da criação do 13º auxílio-refeição.
● Mais contratações, proteção contra demissões imotivadas e fim da rotatividade.
● Fim das metas abusivas e combate ao assédio moral
● Mais segurança
● Igualdade de oportunidades.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O amor - Cecília Meireles

O amor
É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!

Mas, os vencedores no amor são os
fortes.
Os que sabem o que querem e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois,
e nunca desistir da busca de ser feliz,
é para poucos!!"
Cecília Meireles

Agenda 25 anos CEPPAC - Globalização, crises e Ciências Sociais - 19-09


Seminário Globalização, crises e Ciências Sociais

19 de setembro de 2012, quarta, 9h-13h
Sala Professor Roberto Cardoso de Oliveira, CEPPAC, UnB.

Moderador: Benício Viero Schmidt (UnB)


Debatedor: Henrique de Oliveira de Castro (UnB)

Doutor e mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Realizou pós-doutorado na École des Hautes Études en Science Sociales (Paris, França) em 2010/2011, estágio doutoral (sanduíche) no Institute for Social Research da Universidade de Michigan em 1999 com o Prof. Ronald Inglehart. Atualmente coordena cinco projetos de pesquisa, dentre os quais se destaca a coordenação no Brasil da Pesquisa Mundial de Valores (World Values Survey), realizada em cerca de 80 países. É professor de metodologia de pesquisa, cultura política e políticas públicas.

Palestrantes:

Danilo Nolasco (UnB)


Doutor em Sociologia pela (UnB) e Mestre em em Sociologia pela Mississippi State University (1979). Pós-doutorado senior pela UNICAMP (2006-2007). Foi pesquisador da EMBRAPA durante 18 anos, é professor do Departamento de Sociologia e do CEPPAC da Universidade de Brasília. Trabalhou na área de Sociologia Rural, atuando principalmente nos seguintes temas: desenvolvimento rural, assentamentos rurais, ciencia e tecnologia e politica de reforma agraria. Atualmente leciona sociologia do desenvolvimento e sociologia rural. Os trabalhos de pesquisa e interesse acadêmico estão relacionados com teoria do desenvolvimento, avaliação e delineamento de políticas públicas e sociais com concentração nas áreas de trabalho/sindicalismo, desenvolvimento rural, educação, saúde e justiça.

Arno Vogel (UENF)

Doutor em Ciências Humanas (Antropologia Social) (1991), no PPGAS do Departamento de Antropologia do Museu Nacional/UFRJ. Atualmente é Professor Titular de Antropologia do Laboratório de Estudos da Sociedade Civil e do Estado LESCE na UENF. Há cerca de três décadas desenvolve atividades de pesquisa no campo da Antropologia, dedicando-se a discussões em torno da cidade, abrangendo, entre outros temas, movimentos sociais, efeitos das políticas públicas de remodelação urbana; processos de expansão metropolitana, bem como questões relacionadas à infância e adolescência, no meio urbano.

Moisés Balestro (UnB)

Doutor em Ciências Sociais (UnB), mestre em Administração de Empresas pela UFRGS e professor da Universidade de Brasília no Centro de Pesquisa e Pós-graduação sobre as Américas (CEPPAC) e no Programa de Pós-graduação em Agronegócios (PROPAGA). Pesquisador na área de sociologia econômica. Suas áreas de interesse são diversidades do capitalismo, construção de mercados, inovação e desenvolvimento e desenvolvimento rural. É membro da Society for the Advancement of Socio-Economics (SASE), da IberoAmerican Academy of Management, da Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS) e da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (SOBER). Possui artigos em periódicos e capítulos de livros em temas sobre políticas públicas de emprego, desenvolvimento, inovação e gestão.

Seminário
Estudos Comparados sobre as Américas
Repensando 25 anos de contribuições das Ciências Sociais


19 de setembro, quarta-feira, 14h30-18h
Sala Professor Roberto Cardoso de Oliveira, CEPPAC, Multiuso II, UnB.

Moderador: Moisés Villamil Balestro (UnB)

Debatedor: Dr. Arno Vogel (UENF)


Palestrantes:

Ana Maria Fernandes (UnB)


Mestre em Sociologia pela Universidade de Brasília e doutora em Sociologia pela University of Oxford com Pós-Doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT), no Programa Science, Technology and Society, em 1995. Prêmio de Melhor Tese de Doutorado, Anpocs (1988). Comendadora da Ordem Nacional do Mérito Científico, em 2002, e membro da Grã-Cruz da ONMC em 2007. Atualmente é pesquisadora associada senior da Universidade de Brasília. Pesquisa sobre os seguintes temas: educação, desenvolvimento científico e tecnológico, pesquisa, tecnologia e inovação.

Lia Zanotta Machado (UnB)

Doutorado em Sociologia pela USP e pós-doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales (1993/1994). Atualmente é professora titular de Antropologia da Universidade de Brasília. Com ênfase em Teoria Antropológica, atua principalmente nas seguintes áreas: gênero, família, violência, práticas judiciais, estudos feministas, direitos à saúde e antropologia das políticas públicas de gênero, saúde e segurança, tendo também se dedicado aos temas da modernidade latino-americana e às relações entre estado e clientelismo.

Luiz Antonio Constant Rodrigues da Cunha (UFRJ)


Possui graduação em Sociologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1967), mestrado em Planejamento Educacional pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1972) e doutorado em Filosofia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1980). Atualmente é professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Sociologia, atuando principalmente nos seguintes temas: politica educacional, educacao brasileira, ensino tecnico, historia da educacao e ensino superior. Desde 2006, a laicidade do Estado constitui seu objeto principal de pesquisa.

CEPPAC-UnB abre Edital para seleção de estudantes de Mestrado e Doutorado

O Centro de Pesquisa e Pós-Graduação sobre as Américas ? CEPPAC/UnB divulga
o Edital de Seleção para novos alunos de Mestrado e de Doutorado para ingresso em 2013. Inscrições começam dia 18/09/2012 e vão até dia
18/10/2012.


Atenciosamente,

Secretaria Acadêmica

55 61 3107-6021/3107-6022

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Consulta eleitoral para reitor - Ivan Camargo vence consulta da comunidade acadêmica - Agência UnB de Notícias

Consulta eleitoral para reitor - Ivan Camargo vence consulta da comunidade acadêmica

Ivan Camargo vence consulta da comunidade acadêmica


Ana Lúcia Moura, Leonardo Echeverria e Diogo Lopes de Oliveira
Da Secretaria de Comunicação da UnB
Ivan Camargo foi escolhido reitor da Universidade de Brasília em consulta organizada pela comunidade acadêmica. O professor da Faculdade de Tecnologia venceu a disputa com 51,49% dos votos proporcionais de professores, técnicos e estudantes. Márcia Abrahão, docente do Instituto de Geociências, ficou com 46,42% dos votos. Houve 2,08% de votos brancos e nulos. O número oficial de votantes foi de 12.562.
O Conselho Universitário, instância máxima da instituição, se reúne às 14h30 desta sexta-feira, 14 de setembro, para elaborar a lista tríplice que será encaminhada à presidente Dilma Rousseff, a quem cabe a escolha do reitor. Caso os conselheiros mantenham o resultado das urnas, apontando Ivan Camargo como o primeiro da lista, tradicionalmente o indicado pela Presidência da República, o professor vai dirigir a Universidade de Brasília pelos próximos quatro anos, ao lado de Sônia Báo, diretora licenciada do Instituto de Ciências Biológicas. Será o primeiro reitor formado na própria UnB e iniciará seu mandato no ano em que a instituição completa 50 anos de fundação.
A diferença dos votos proporcionais dos três segmentos entre os dois candidatos foi pequena. Ivan Camargo obteve 11.290 contra 10.180 de Márcia Abrahão. Em números absolutos, ou seja, sem o cálculo da paridade, Ivan conquistou 1.051 votos de docentes, 815 de técnicos e 4.457 de alunos. Márcia obteve 732 votos de professores, 956 de funcionários e 4.382 de estudantes.   
Ivan Camargo venceu entre professores e alunos. Mais da metade dos 1.828 docentes que foram às urnas votou no professor, engenheiro elétrico: 57,4%. Márcia Abrahão obteve o voto de 40% dos professores. Em números absolutos, a diferença é de 319 votos. Entre os estudantes, no entanto, a diferença de votos entre os dois candidatos é inferior a 1%.
Márcia saiu vitoriosa entre os técnicos. Levou os votos de 52,8% dos 1.809 funcionários com votos validados. Ivan ficou com 45%. “Desde a primeira parcial percebemos que os números não coincidiam com a nossa avaliação. Precisávamos de uma margem maior entre estudantes e técnicos para compensar entre os professores”, comentou Alexandre Bernardino, professor da Faculdade de Direito e coordenador da campanha de Márcia Abrahão.
EMOÇÃO – A comemoração da chapa 86 começou às 14h50, quando os resultados parciais indicavam a vitória de Ivan Camargo. Um grupo de servidores que estava em frente à área de contagem dos votos aplaudia efusivamente o candidato. Do outro lado do Centro Comunitário, Ivan permaneceu quieto. Cinco minutos depois, às 14h55, cedeu à emoção e abraçou sua vice, Sônia Báo. Logo, foi cercado por apoiadores, que o cumprimentavam pela vitória. Visivelmente emocionado, e contendo o choro, falava baixinho: “Obrigado, gente, muito obrigado”. Sônia Báo chegou a ser erguida pelos apoiadores, todos emocionados com o resultado.
Às 15h02, Márcia Abrahão e Marcelo Bizerril, candidatos da chapa 80, deixaram a área próxima à contagem de votos e cumprimentaram Ivan pela vitória. Abraçados, posaram para fotos. Minutos depois, apoiadores da chapa vencedora estouraram uma garrafa de espumante. O professor Alessandro Borges, da Comissão Organizadora da Consulta (COC), pediu que a comemoração fosse contida. “Ainda estamos fazendo a contagem final dos votos”, pediu ao microfone. 
Às 15h10, Ivan Camargo deu a primeira entrevista como reitor eleito pela comunidade. “Agora temos que trabalhar forte e com dedicação”, disse, ainda tentando conter a emoção. “Tudo o que foi dito sobre respeito e cordialidade durante a campanha tem que ser praticado. Estou feliz e orgulhoso de me tornar o primeiro reitor ex-aluno da UnB”. Afirmou ainda que deve estar presente à reunião do Conselho Universitário que vai elaborar a lista tríplice.
CUMPRIMENTOS – A declaração à imprensa foi interrompida por sucessivos telefonemas e cumprimentos, como os de Denise Bomtempo, Noraí Rocco e Luís Afonso Bermúdez, que disputaram no primeiro turno e apoiaram o candidato no segundo. Um dos primeiros telefonemas foi do reitor José Geraldo de Sousa Junior, que, de seu gabinete, acompanhava o resultado da votação. “Parabéns pela vitória”, cumprimentou. “Desejo força e disposição para consolidar aquilo que foi a retomada de uma crise instalada na instituição e a construir a ponte necessária para integrar uma Universidade dividida entre dois projetos”, disse. Ivan Camargo assegurou que a união é um lema de sua campanha.
Volnei Garrafa e Maria Luíza Ortiz, que disputaram no primeiro turno, também telefonaram para mandar seus cumprimentos. “Ganhei por causa desses apoios todos”, disse Ivan a Maria Luiza. Quando um de seus alunos veio cumprimentá-lo, Ivan comportou-se como um legítimo professor. “Terça-feira nos encontramos para resolver aquela questão, hein?”, disse ao estudante, que precisa melhorar as notas para ser aprovado.
Pouco depois, às 15h32, a professora Gardênia Abbad, diretora do Instituto de Psicologia, ainda chorava abraçada a um aluno, comemorando a vitória da chapa 86. Cinco minutos depois, a COC anunciou que Ivan havia sido o mais votado entre os estudantes. Os jovens do grupo Aliança pela Liberdade, que apoiaram Ivan, fizeram uma roda e comemoraram. A poucos metros, os apoiadores de Márcia Abrahão a cercaram a aplaudiram o trabalho feito na campanha.
Às 15h50, a COC anunciou o resultado final. “A lista tríplice que será recomendada ao Consuni será a seguinte: Em primeiro, a chapa 86, Ivan Camargo e Sônia Abrahão; em segundo, a chapa 80, Márcia Abrahão e Marcelo Bizerril; em terceiro, a chapa 89, Volnei Garrafa e Luís Afonso Bermúdez”, comunicou o professor Paulo Celso dos Reis Gomes. “Boa sorte ao novo reitor”, encerrou. 
Ivan e Márcia aplaudiram o anúncio. “A Universidade está de parabéns”, comentou a geóloga. “Fizemos uma campanha limpa e respeitosa”, disse. Pouco antes, Márcia Abrahão também foi parabenizada pelo reitor. “Você liderou uma campanha muito qualificada, defendeu um modelo de gestão afinado com uma concepção de universidade que guarda relação com o modelo utópico da UnB”, disse.
DISCURSO – Ocupando o palco principal do Centro Comunitário, Ivan Camargo e Sônia Báo fizeram seu primeiro discurso à comunidade como reitor e vice-reitora escolhidos pela comunidade. “Muitíssimo obrigado, vamos trabalhar juntos”, disse Ivan à plateia de cerca de 50 pessoas, repetindo, em seguida, os principais pontos de seu programa. “Vamos colocar a UnB nos trilhos, com foco no estudante, em formar bem. Gostaria de agradecer muito à minha companheira de batalha, essa guerreira aqui ao meu lado”, completou. “Obrigada pelo aprendizado”, agradeceu a vice na chapa.
José Geraldo, que deixa o cargo em 18 de novembro, quando o novo reitor assume, avaliou como positivo o processo da consulta. “O resultado traduz uma opção que a comunidade fez sobre um projeto universitário e um projeto de sociedade. Minha expectativa é que aqueles valores que marcaram a concepção inicial da UnB sejam preservados e confio que o novo dirigente saberá preservar. Almejo que os desafios atuais sejam bem enfrentados no aspecto político, no aspecto institucional e na consolidação tanto do projeto democrático quanto acadêmico”, disse.
Ivan Camargo começa a preparar a equipe de transição na segunda-feira, após a reunião do Conselho Universitário. Ele e Sônia devem comandar pessoalmente os trabalhos juntos com o vice-reitor João Batista de Sousa, que coordenará a equipe de transição, conforme anunciado pelo reitor José Geraldo de Sousa Junior.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

No Segundo Turno da UnB, com Ivan Camargoe Sônia Báo, Somos UnB - Votem 86 - Paulo Vinícius Santos da Silva*

A eleição da reitoria da UnB foi por demais adjetiva. Urge substantivá-la, retomar projetos, e esperanças. Por isso é importante uma liderança que una a UnB. Infelizmente a candidata da situação pouco contribuiu para o debate de conteúdo. Não é à toa. Representa projetos pela metade, propostas não cumpridas e requentadas– como a estatuinte. Com esse passivo privilegiou mistificações para impedir a análise do seu atual mandato e de sua candidatura, de situação.

O situacionismo agressivo moveu duros ataques, abertos e velados, a acadêmicos ilustres, personalidades da ciência, ou mesmo a servidores e estudantes, como se isso fosse razoável entre colegas de universidade. Carimbaram-se clandestinamente (:-0) cartazes, para com esse deplorável ato mudar o foco do debate da eleição de Reitor. Queriam discutir qualquer coisa, exceto o descalabro administrativo, a baixa auto-estima, a queda dos indicadores.

Pretendem, ademais, o monopólio da esquerda, de sua narrativa, como se ser de esquerda fosse calar ante a incapacidade de gestão, o aparelhismo e as truculências vistas no primeiro turno. Mas, se não falam por toda a esquerda, bem poderiam assumir a sua parte na atual administração.

Por isso, o compromisso de Ivan Camargo com a paridade e as seis horas, fecha um ciclo na eleição para a UnB, pois tira o último véu que era usado para esconder o debate de conteúdo na eleição de reitor. A UnB decide hoje e amanhã se quer continuar como está ou quer mudança.

A UnB tem opção à situação atual, que já conhecemos. É possível retomar o caminho da excelência e da pacificação interna. Mas, como a candidatura mais agressiva da gestão que nos trouxe a esse patamar poderia unir a UnB, ou oferecer mais do que já fez até agora?

Não podemos aceitar impassíveis a decadência física da universidade, a falta de coesão interna, a incapacidade de gestão, os retrocessos da autonomia financeira. Não é aceitável a queda sucessiva nos indicadores da UnB. O que foi feito com a maior oportunidade de expansão que a UnB teve, o REUNI? Aprovamos essa maneira de conduzir a nossa Universidade? Esse é o debate.Não há mistificação ou fuga que impeça a comunidade de mudar isso.

Ivan Camargo foi ex-decano do Professor Lauro Mohry, e merecem ambos muitíssimo respeito. Venceu no 1º turno, com maioria de estudantes e professores. A eleição paritária angariou apoios. Ivan, apesar da pouca experiência política, demonstra uma capacidade cara a um reitor: estabelecer compromissos, construir pontes. Assim agiu ao assumir o empoderamento dos servidores(as), ao valorizar a prata da casa e declarar que não mudará a paridade em seu mandato.

Não é à toa que Volnei Garrafa e Bermúdez apoiam Ivan e Sônia – 86, que fazem pontes. A candidata da situação, ao contrário, ataca, até com o que não são ataques, como ilustrou o segundo debate. Ela lançou sobre Ivan a pecha de partidarismo por ele ter o apoio de comunistas, como o professor Volnei Garrafa. A verdade é que adorei a carta, pois faz desmoronar o discurso que negava a Ivan apoios na esquerda –se tem até dos comunistas! -, ou interlocução política. Na verdade, a chapa tem pluralidade, articulação e é boa de serviço.

Por tudo isso, votarei em Ivan e Sônia Báo – 86, afinal:
  • Firmam o compromisso de exercer a paridade e dela não retroceder.
  • Apoiam a jornada de seis horas para os servidores e seu empoderamento na gestão;
  • Sua excelência acadêmica aponta para a retomada da posição da UnB;
  • Tem os melhores nomes e a melhor política de gestão para recuperar a autonomia e a capacidade de financiamento público da UnB;
  • Desde a campanha, mostram uma relação para republicana com a universidade. Em vez de de ataques, ações anônimas e agressivas, focam em propostas.

Esse é o debate, e eu quero mudar. Pode-se fazer melhor e com democracia, sem maniqueísmos que negam a própria universidade. A UnB é maior que isso. A UnB somos nós. 

* Estudante do Mestrado da UnB - ICS - CEPPAC

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Volnei Garrafa: 8 RAZÕES QUE ME LEVARAM A OPTAR PELO APOIO PESSOAL AO CANDIDATO Prof. IVAN CAMARGO


Volnei Garrafa dá lição de elegância e de política em sua declaração de voto em Ivan Camargo e Sônia Báo. Com ela, o professor firma uma série de compromissos públicos, e agrega à candidatura um conjunto de debates até então pouco visíveis ante agendas midiaticamente construídas para secundarizar os temas mais importantes de uma eleição para Reitor. Acompanhem:

OITO RAZÕES QUE ME LEVARAM A OPTAR PELO APOIO PESSOAL AO CANDIDATO Prof. IVAN CAMARGO

Embora tenha estimulado ao COLETIVO VIVER UnB - CHAPA 89 a se definir pela liberação do voto de seus componentes para o segundo turno da consulta eleitoral para escolha do futuro reitor da Universidade de Brasília, tomei a decisão de definir meu apoio pessoal ao PROF. IVAN CAMARGO, pelas oito razões abaixo elencadas:

1.      Currículo acadêmico e administrativo do candidato;

2.      Compromisso REALMENTE sincero de não partidarizar a UnB, objetivando seu crescimento científico de modo independente e absolutamente institucional, de acordo com o que propusemos nos quatro eixos do Programa da Chapa VIVER UnB;

3.      Vida pessoal e pública historicamente limpa e irrepreensível;

4.      Compromisso com a democracia permanente e com a participação da comunidade universitária na gestão futura da UnB;

5.      Trajetória acadêmica comprometida com a inovação e melhoria da qualidade do processo de ensino-aprendizagem e da pesquisa científica;

6.      Elegância pessoal materializada pelo fato de durante todo processo eleitoral não ter sido mentor ou de ter manifesto qualquer ofensa, maquinação ou perversidade contra os colegas adversários, aos quais jamais tratou como inimigos;

7.      Preocupação com o futuro da Instituição, que precisa urgentemente retomar seu caminho histórico de crescimento qualitativo e administrativamente organizado, pois dados públicos recentes mostram que a UnB despencou em menos de dez anos da 1ª. para a 5ª. colocação entre as universidades federais do país, ultrapassada pela UFMG, UFRJ, UFRGS e UFPR, locais onde o Projeto REUNI, entre vários outros exemplo, foi acompanhado de crescimento verdadeiramente sustentável, equilibrado e orgânico.

8.      Sua personalidade pacífica - embora firme - além da disponibilidade pública e preparo pessoal, que o habilitam à construção de um diálogo frutífero e efetivamente apaziguador no âmbito da UnB, tão necessário com vistas a um futuro mais feliz e tranquilo para nossa Instituição.

VOLNEI GARRAFA
Professor Titular – Faculdade de Ciências da Saúde

Mudança na UnB: Ivan Camargo, reitorável de oposição, o mais votado no 1º turno, esclarece compromisso com a paridade e a jornada de 6 horas na UnB

Em entrevista concedida ao seu comitê de campanha, Ivan Camargo fala sobre os assuntos dos quais sofreu forte acusação durante o processo eleitoral. Entenda questões como o seu posicionamento frente à paridade e a realidade sobre os serviços que prestou no serviço público além da Universidade de Brasília.

1 – Como o senhor avalia a sua participação no segundo turno da consulta?

Ivan Camargo - De maneira super positiva. Desde o início da nossa campanha uma das palavras chave da nossa proposta era união e conseguimos isso no segundo turno. Com o apoio incondicional da Professora Denise Bomtempo e do Professor Noraí Rocco (Chapa 84), do Professor Volnei Garrafa e do Professor Bermudez (Chapa 89), da Professora Maria Luiza Ortiz (Chapa 81) conseguimos demonstrar que esse movimento foi bem sucedido. Vamos usar essa união para a gestão nos próximos 4 anos, pois a nossa intenção é ser reitor de todos, de toda a comunidade universitária. Acreditamos que essa participação deverá consolidar a nossa vitória também no segundo turno.

2 – Ainda é uma dúvida para muitos como o senhor enxerga a paridade. O senhor é contrário a esse sistema?

Ivan Camargo - Considero que a discussão sobre a paridade na escolha de reitor e vice na UnB já foi superada pela decisão do Conselho Universitário (CONSUNI) a este respeito. Assumimos integralmente esse fato sem qualquer dor ou pesar ao nos inscrevermos para participar do processo. Não serei eu, enquanto reitor, que mudarei esse sistema. É importante dizer que a Professora Sônia, candidata a vice-reitora em nossa Chapa, participa de um processo paritário de escolha pela segunda vez. Isso, portanto, não nos assusta e nem traz qualquer sentimento negativo. Afinal, essa é a decisão democraticamente estabelecida pela comunidade acadêmica da UnB. Ao longo da nossa campanha confirmamos que qualquer administração da universidade, para ser bem sucedida, tem que contar com a participação de todos os segmentos. Isso assegura a governança da Instituição. Mas, queremos fazer mais: vamos fazer, de fato, e não apenas no discurso, como fez a última administração. Vamos ter em nossa administração, por exemplo, os estudantes como protagonistas da definição das estratégias da assistência estudantil. Temos um quadro de servidores técnicos-administrativos super capaz, muito qualificado e profundamente conhecedor dos problemas da UnB. Não há razão para termos professores em muitas funções da administração. Estas funções serão muito melhor exercidas por funcionários experientes e qualificados do nosso quadro. Para nós, a paridade será um exercício do dia a dia e, em hipótese alguma, vamos preferir chamar gente de fora para fazer o que nosso pessoal pode e sabe fazer melhor.

3- Professor, é verdade que na época em que o senhor foi decano os alunos tiveram que pagar taxas para colar grau?

Ivan Camargo - A Universidade de Brasília não cobra taxa, e não cobraremos! À época em que era Decano de Graduação da UnB todas as cerimônias de formatura eram feitas individualmente, por cada um dos estudantes. Essas formaturas eram caríssimas e, portanto, segregatórias: os alunos carentes não podiam participar. Para viabilizar a formatura, a universidade firmou um convênio com a Associação de ex-alunos da UnB que havia sido criada na gestão do Prof. Cristovam Buarque. Isso porque o MPU e o TCU deixaram muito claro que não poderíamos gastar dinheiro público para essa cerimônia. A associação passou a recolher uma contribuição dos formandos, que dava direito à primeira anuidade de filiação a essa entidade, e era voluntária! Quem não quisesse ou pudesse teria seu diploma de qualquer forma. Com essa estratégia, conseguimos que todos os estudantes participassem da cerimônia de entrega de diploma. Às vezes perdemos a dimensão da importância deste rito de passagem, que é importantíssimo para os alunos e principalmente para as famílias. Quando fui vice-diretor da FT tive essa certeza, pois ao entregar o diploma para um estudante que estava colando grau em separado, vi seu pai chorar de emoção em meu gabinete. Isso me fez ver o quanto deveríamos valorizar essa cerimônia.

4 – Qual a sua posição sobre a flexibilização da jornada de trabalho dos servidores técnicos-administrativos?

Ivan Camargo - Vamos implementar a flexibilização para todos, acreditamos que trará maior qualidade aos serviços prestados e trará vantagens para os técnicos- administrativos. Implementaremos de acordo com o que foi aprovado no Conselho de administração (CAD). Nós sempre respeitamos e respeitaremos as decisões dos Conselhos superiores.



5 – Qual a sua posição sobre o afastamento dos servidores (técnicos e docentes) para ocuparem cargos no serviço público?
Ivan Camargo - Muito se fala sobre a Universidade ligada às demandas da sociedade. Isso se faz de diversas maneiras. Uma delas é exatamente quando a sociedade chama um de nós para ajudar a resolver seus problemas. Neste caso, temos que atender o chamado e dar a contribuição esperada. Isso representa, de um lado, o reconhecimento da sociedade à competência técnico-científica da Universidade. Do outro lado, nos dá a oportunidade de trazer para dentro da própria Universidade, as demandas da sociedade. Nos mais de trinta anos que tenho na UnB, desde que ingressei como estudante e depois como professor, em duas oportunidades fui chamado, por governos de posições políticas diferentes, a contribuir com meu conhecimento e experiência à solução de questões importantes para o país. Como servidor público, sou servidor do Estado brasileiro, servidor do País e não deste ou daquele governo. Atendi o chamado e dei minha contribuição a estes governos e ao país. Não parei de dar aulas nem de orientar e continuei sendo homenageado pelos estudantes mesmo durante o tempo em que estive ligado a outros órgãos da administração pública. Essa experiência fez com que minhas aulas fossem mais completas, passando minha vivência para os meus estudantes. Ganha a sociedade e ganha a Universidade. Essa é uma das funções da Universidade e é também por esta razão que o Estado investe tanto recurso nela. Em todo o mundo desenvolvido é assim. Mas eles só chamam os melhores!

6 – Como será a transição do HUB para a EBSERH?

Ivan Camargo - A contratação da Empresa foi aprovada pelo Conselho Universitário com o apoio de muitos de nós, inclusive da Professora Sonia Báo. Agora, estamos no momento de discussão do contrato que regerá sua atuação no HUB. A minha maior atenção enquanto reitor será garantir que o HUB continue sendo o espaço de ensino, pesquisa e extensão ligado aos cursos da saúde da UnB. A atuação dos professores e estudantes deve ser garantida, e com plenas condições de funcionamento. Terei uma atuação especial nessa transição com os servidores técnico-administrativos, para que não haja perda de direitos nesse processo. É bom que fique claro que o servidor não será obrigado a optar pela cessão para a EBSERH, e se não o fizer, a UnB deve acompanhar caso a caso a sua realocação no trabalho.

7 – O senhor tem falado que a universidade se encontra dividida. Em que sentido isso está acontecendo?

Ivan Camargo - A Universidade de Brasília viveu uma grande crise e a eleição do Prof. José Geraldo emergiu como uma resposta da comunidade, cheia de esperança e expectativa de superação da crise. Entretanto, a gestão que se sucedeu, ao invés de agregar todas as forças que poderiam ajudar a UnB a sair da crise, fez a opção de administrar a universidade de forma partida, apenas com e para o seu grupo de apoio. Talvez o exemplo mais claro e lamentável disso tenha sido o convite e a efetiva participação de pessoas estranhas à comunidade acadêmica da UnB na sua administração, incluindo a Administração Superior da Universidade. Isso representa um imenso desprestígio ao nosso quadro de funcionários. Temos gente muito competente e experiente nos nossos quadros funcionais, mas a atual reitoria preferiu trabalhar apenas com seu grupo, em detrimento da própria Instituição. A consequência imediata foi a excessiva centralização que causou o engessamento e progressivo distanciamento da Administração Superior dos interesses e anseios da comunidade, frustrando a todos. O resultado final do processo se expressa nas 10 chapas concorrentes ao primeiro turno da eleição para a reitoria. Quatro dessas chapas saíram da própria Administração Superior! Agora a palavra de ordem é UNIR!! Unir toda a UnB. A crise já é o passado. Vamos mirar o futuro e recuperar a posição de primeira entre as melhores universidades do País! A excelência acadêmica é a melhor resposta que podemos dar ao imenso volume de recursos investido em nós.

8 – As pessoas têm dito que a sua candidatura significará o retorno de pessoas que participaram da crise de 2008 para a administração da UnB. Como o senhor se posiciona sobre isso?

Ivan Camargo - Não participei da gestão da crise, mas sim da Gestão do Prof. Lauro Morhy. Temos dito que somos oposição à atual administração e isso significa que, caso assumamos a reitoria, faremos uma renovação, mas não teremos caça às bruxas. Toda escolha da equipe será feita baseada no mérito, representatividade e legalidade. Priorizaremos a grande massa crítica, técnica e capaz que temos, contaremos inclusive com os novos quadros de técnicos e docentes. Até o momento só temos dois cargos preenchidos: reitor e vice-reitora.

sábado, 8 de setembro de 2012

INÁCIO QUESTIONA JUDICIALMENTE PESQUISA DO INSTITUTO DATAFOLHA SOBRE A ELEIÇÃO EM FORTALEZA





Inácio Arruda, candidato do PCdoB a prefeito de Fortaleza, comunicou na manhã deste sábado, em entrevista coletiva, a apresentação de questionamento judicial à nova pesquisa do instituto Datafolha sobre as eleições municipais na capital cearense. A pesquisa foi registrada no último dia 6/9, com previsão de divulgação nos próximo dia 11/9. No questionário a ser aplicado pelos pesquisadores, a simulação do cenário eleitoral para segundo turno inclui apenas nomes de quatro candidatos, excluindo os nomes de Inácio e de outros postulantes.

“A forma como a pesquisa está sendo aplicada é extremamente equivocada. Ela induz o eleitor e compromete a lisura do processo eleitoral. O critério adotado nos prejudica diretamente, pois a consulta já esta sendo feita baseada em provável resultado, induzindo o eleitor a acreditar que estaríamos fora da disputa do segundo turno”, afirmou Inácio, durante concorrida entrevista coletiva realizada em seu Comitê de Campanha, na Avenida da Universidade. "Isso é muito grave. Por isso, estamos apresentando um questionamento legal sobre essa pesquisa. A pesquisa já está na rua e não iremos aceitar esta situação silenciosamente. A sociedade tem direito a uma eleição limpa, a poder escolher de forma justa e livre os seus representantes”, defendeu.

“Na eleição de 2000, por exemplo, os candidatos que disputavam a Prefeitura e chegaram ao segundo turno não eram os que configuravam nas primeiras colocações das pesquisas. Chegamos ao segundo turno, mesmo sem ter nosso nome na pesquisa do mesmo instituto”, destacou Inácio. "As pesquisas fazem parte do processo eleitoral, mas não podem ser manipuladas com o intuito de ferir o processo democrático. Não podemos ficar calados diante disso”.

Meios legais

O advogado Irapuã Camurça, coordenador jurídico da campanha de Inácio, confirmou que entrará ainda no início da tarde de



ste sábado com uma representação à 114ª Junta Eleitoral, solicitando a impugnação da pesquisa, para adequação ou suspensão da divulgação. “Nos termos em que a pesquisa está sendo feita, ela fere o princípio da Isonomia, pelo qual todos devem receber o mesmo tratamento. Apresentaremos sólidos argumentos dos pontos de vista técnico, jurídico e político”, ratificou.

Segundo o advogado, a elaboração do questionário da pesquisa não levou em conta que, pela margem de erro adotada pelo próprio instituto, há uma situação de empate técnico entre vários candidatos. Porém, somente quatro deles foram incluídos no questionário, para consulta aos eleitores sobre possíveis cenários de segundo turno. “Na dúvida, que se colocassem os nomes de todos os candidatos. Da forma como está, a pesquisa privilegia alguns nomes e traz prejuízo à candidatura de Inácio e a outras candidaturas”, confirmou.

Para Irapuã Camurça, a representação judicial deverá ser analisada rapidamente. “As decisões judiciais em torno dos casos eleitorais têm sido céleres. Os juízes estão analisando rapidamente os pedidos, a fim de evitar possíveis prejuízos nas campanhas”, apontou.

Além de Inácio Arruda e de Irapuã Camurça, também estiveram presentes na entrevista coletiva o candidato a vice-prefeito, Chico Lopes; o advogado Benedito Bizerril; o presidente do Comitê Estadual do PCdoB, Carlos Augusto Diógenes (Patinhas); o presidente do Comitê Municipal do PCdoB de Fortaleza, Luís Carlos Paes, e candidatos que disputam vagas na Câmara Municipal de Fortaleza pelo PCdoB, como Eliana Gomes, Evaldo Lima, Professor Auri e João Batista.

Repercussão nas redes sociais

O anúncio de que a nova pesquisa inclui simulações de intenção de voto para o segundo turno sem citação ao nome do candidato Inácio Arruda causou polêmica e ganhou grande destaque nas redes sociais. As hashtags (palavras em destaque) #datafalha e #inacionosegundoturno estão ocupando os primeiros lugares nos Trending Topics (assuntos mais comentados) Fortaleza do Twitter na tarde de sexta-feira, 7/9, demonstrando a contrariedade dos internautas quanto à pesquisa.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A verdade continua sendo estuprada em Fortaleza - Portal Vermelho

A verdade continua sendo estuprada em Fortaleza - Messias Pontes - Portal Vermelho

Há exatos oito anos, no calor da disputa municipal em Fortaleza, as forças do atraso se
uniram para barrar a eleição do comunista Inácio Arruda, então líder absoluto das pesquisas.
Denúncia de um funcionário indignado com o crime que estava sendo perpetrado, levou
a Polícia Federal a invadir a gráfica Tiprogresso, no Centro da cidade, apreendendo nada
menos do que cinco milhões de panfletos contendo acusações mentirosas e levianas contra
o candidato do PCdoB.


Os panfletos iriam ser distribuídos por toda a cidade e mais de um milhão seriam jogados de
avião durante o desfile de 7 de Setembro, na Avenida Beira-Mar. O proprietário da gráfica,
Sr. Luís Esteves (já falecido) foi levado à sede da PF, mas liberado em seguida, alegando que
os panfletos foram encomendados por telefone por uma pessoa que ele não sabia quem
era. Até hoje não foi divulgado o nome de quem realmente encomendou a impressão dos
panfletos e não se fala mais no assunto.

Os conservadores de direita e os anticomunistas de “esquerda” não se deram por vencidos
e passaram a disseminar mentiras, calúnias e difamações contra Inácio Arruda, afirmando,
entre outras aberrações, que ele teria se posicionado contra os trabalhadores votando a
favor da taxação dos aposentados e pensionista da Previdência Social em 2003. Isto apesar
de matéria publicada no jornal O Povo de 8 de agosto de 2003 mostrando que dos 22
deputados federais cearenses somente cinco votaram contra a taxação dos aposentados
e pensionistas, no caso Gonzaga Mota (PSDB), Inácio Arruda (PCdoB), Mauro Benevides
(PMDB), Moroni Torgan (PFL) e Roberto Pessoa (PL). Os discípulos de Goebbels conseguiram
derrotar Inácio em 2004.

O relator da matéria foi o então deputado José Pimentel, hoje cumprindo um bom mandato
de senador; outro deputado de esquerda que votou a favor da taxação de aposentados e
inativos foi João Alfredo, hoje vereador do PSOL em Fortaleza, também cumprindo um bom
mandato. Ninguém fala sobre os que votaram a favor da taxação, mas insistem em continuar
mentindo com relação ao Inácio. Se há alguma dúvida, é recomendável ler matéria do jornal
O Povo, edição de 08 de agosto de 2003 que traz a relação de quem votou a favor e contra.

As forças do atraso continuam não só disseminando as mentiras sobre a taxação dos
aposentados como usando de todos os artifícios para omitir que o Inácio é o parlamentar
cearense que mais recursos tem carreado para o nosso estado. O maior projeto de
urbanização sendo executado atualmente no Brasil, o Maranguapinho, que já ultrapassa R$
1 bilhão, é de sua autoria. É preciso que se tenha dignidade e diga que o Inácio garantiu US$
100 milhões ou R$ 200 milhões do Prodetur (Programa de Desenvolvimento do Turismo)
para a o Município de Fortaleza, já que a Prefeitura perdeu o prazo por não ter apresentado
projeto. Acompanhado do então secretário municipal de Turismo, Henrique Sérgio, Inácio foi
ao Ministério do Planejamento e conseguiu salvar essa grana toda, mesmo fora de prazo.

Esse recurso foi utilizado na Praia de Iracema e está programado para a reforma da Avenida
Beira-Mar e a requalificação da Praia do Futuro e ainda tem dinheiro em caixa para outros
projetos na área, porém, quem deveria, não tem a dignidade de declarar a verdade.

Outro fato relevante e que é omitido por quem deveria informar é que Inácio Arruda foi
escolhido o terceiro melhor senador do Brasil dentre os 81. Alguns amestrados costumam
dizer em suas “calúnias” que Inácio nada fez pelo Ceará. Usam de má fé, pois sabem muito
bem o que o senador comunista tem feito. É o anticomunismo patológico desses calunistas
amestrados. Não vou aqui enumerar os feitos do Inácio até porque este não é o objetivo
deste artigo, que é tão somente denunciar mais um estupro da verdade.

Contudo é imperioso dizer, a bem da verdade, que Inácio tem história e desde a
adolescência, no Dias Macedo, já sabia cuidar das pessoas. Ele amadureceu bastante e é
hoje o mais preparado para governar Fortaleza.

* Diretor de comunicação da Associação de Amizade Brasil-Cuba do Ceará, e membro do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará e do Comitê Estadual do PCdoB.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Ernesto Laclau: “O populismo é garantia de democracia” - Vila Vudu


[No lançamento de La razón populista, Fondo de Cultura Económica, Buenos Aires, 2005, 312 p.]

“O populismo possibilita estruturar a vida política mediante discursos que articulam elementos linguísticos e não linguísticos.
Esta operação permitirá construir uma neo-objetividade em relação ao conceito estudado, livre, dessa vez, de condenações ‘éticas’.”
Facundo Vega
http://www.saap.org.ar/esp/docs-revista/revista/pdf/2-2/vega.pdf


Habitualmente, quando se fala de populismo, faz-se referência a um tipo de governo assistencialista, demagógico, de inspiração nacional, que gasta mais do que tem e que ignora as instituições e a lei, amparado na força que recebe dessa entidade supra-individual chamada “povo”.

Ernesto Laclau, doutor em História e dedicado à filosofía política, propõe, em seu livro La razón populista uma provocadora mudança de rumo, no que se pensa sobre o fenômeno do populismo, ao propor “resgatar o populismo do lugar marginal em que vive hoje, nas ciências sociais”, para pensá-lo, não como uma modalidade degradada da democracia, mas como tipo de governo que permite ampliar as bases democráticas da sociedade.

“O populismo – diz Laclau – não tem conteúdo específico, é um modo de pensar as identidades sociais, um modo de articular demandas dispersas, uma maneira de construir o político.”

Doutorado em Oxford, onde chegou apadrinhado por Eric Hobsbawn há quase 30 anos, Laclau está [o artigo é de 2005] na Argentina para participar do Seminário Psicoanálisis y Ciencias Sociales, organizado por Flacso. Em entrevista a La Nación relativizou o suposto componente antidemocrático do governo de Hugo Chávez, manifestou seu otimismo quanto à situação da Argentina e explicou a tese central de seu livro:

“Quando as massas populares que sempre viveram excluídas incorporam-se à arena política, surgem modalidades de liderança não ortodoxas, se se considera o ponto de vista democrático liberal; uma dessas modalidades é o populismo. Mas o populismo, longe de ser um obstáculo, é garantia de democracia, ao impedir que a democracia converta-se em mera administração pública”.

La Nación: Por que, na sua opinião, generalizou-se o que o senhor define como uma concepção pejorativa do populismo?

Laclau: A crítica clássica contra o populismo está muito ligada a uma concepção tecnocrática do poder, segundo a qual só especialistas devem ser encarregados de decidir sobre as fórmulas para organizar a vida da comunidade.

No caso da Venezuela, por exemplo. Há na Venezuela massas políticas virgens, que nunca antes participaram no sistema político, senão mediante variações da extorsão de caráter clientelístico. Então, no momento em que essas massas lançam-se na arena histórica, elas o fazem mediante a identificação com determinado líder. E essa liderança é democrática, porque, sem essa modalidade de identificação com o líder, as massas não teriam como começar a participar do sistema político, que permaneceria controlado por elites que não representam nem manifestam, mas substituem, a vontade popular.

La Nación: Quando o senhor fala de maior democratização, refere-se à inclusão das massas populares na política. Mas em geral, os que protestam contra atitudes antidemocráticas de Chávez, e às vezes também de Kirchner, falam da dificuldade que esses líderes demonstram para tolerar o pluralismo, do modo como manipulam o Congresso, das relações tumultuadas com a oposição...

Laclau: Em primeiro lugar, liberalismo e democracia não são conceitos que coincidam ou tendam naturalmente a coincidir. Foi necessário todo o longo e complexo processo das revoluções e levantes do século 19, para que se obtivesse algum equilíbrio entre algumas formas de governo, que passaram a ser chamadas liberais democráticas, como formas mais ou menos estáveis.

Mas na história latino-americana nunca se alcançou esse tipo de integração. Tínhamos um liberalismo oligárquico que respeitava as formalidades liberais, mas tinha base clientelista, o que impedia qualquer expressão das aspirações democráticas das massas. Por isso, quando as aspirações democráticas das massas começaram a aparecer, nos anos 30, 40, 50, elas muitas vezes manifestaram-se mediante formas políticas que foram absolutamente antiliberais – como o varguismo e o Estado Novo no Brasil; como o peronismo na Argentina –, regimes formalmente antiliberais e que, contudo, foram profundamente democráticos, porque deram vez e voz a muitas das aspirações das massas.

La Nación: Em que medida as condições hoje são diferentes?

Laclau: Nos últimos 20 anos, pela primeira vez na história latinoamericana, as aspirações nacionais e populares das massas conseguem coincidir com a afirmação dos direitos humanos, a divisão de poderes, o pluralismo político.

La Nación: E como se combinam essas duas perspectivas?

Laclau: As duas têm de estar presentes, se queremos ter algo que se possa chamar de “sociedade democrática”. Contra a concepção tecnocrática do poder, temos a noção da política como antagonismo, quer dizer, a emergência de demandas que a sociedade faz a determinado sistema. Essas demandas sociais constituem um povo e o povo constitui-se, sempre, na oposição ao poder. Na Argentina, por exemplo, tivemos, depois da crise de 2001, uma enorme expansão horizontal dos protestos sociais, e a baixa capacidade do sistema para absorver as demandas populares num sistema institucional vertical estável. De algum modo, me parece, o atual governo [de Hector Kichner] está tendo de por juntas as duas dimensões, a vertical e a horizontal. Assim, está criando um sistema ampliado, de caráter mais democrático.

La Nación: Em que consiste essa ampliação democrática?

Laclau: No campo social, há grupos corporativos muito entrincheirados, grupos econômicos, empresários, também grupos sindicais, muito fortes. Mas há setores da população cujo grau de integração corporativa é muito menos consolidado, setores marginais. Quando isso acontece, é preciso que os líderes políticos não tenham a função, exclusivamente, de manifestar interesses já constituídos. Devem também ajudar a consolidar esses outros interesses que permaneçam marginalizados.

La Nación: Como os interesses representados no movimento piquetero?

Laclau: Sim, por exemplo. No sistema político argentino há dois tipos de forças que são profundamente negativas. Uma é a que prega que é preciso reprimir o movimento dos piqueteros. Reprimir os piqueteros só conseguirá sufocar as manifestações, sem resolver os problemas que geram manifestações. A outra força negativa é o piqueterismo duro, que também é uma modalidade de não política, porque não propõe nenhuma forma de levar à ação ao marco institucional existente. Sempre haverá alguma tensão entre o protesto social e sua integração nas instituições. Mas essa tensão é, precisamente, o que chamamos “democracia”.

La Nación: O senhor está chegando num momento em que o peronismo está em fase extremamente dura. O senhor acha que isso pode afetar a governabilidade?

Laclau: Não. A Argentina nos últimos anos mostrou-se excepcionalmente governável. O país tem alta governabilidade. Superamos uma crise econômica de alta magnitude, adotamos posição crítica ante o FMI, o que produziu vários efeitos positivos, temos um sistema econômico que continua, em boa medida, sob controle. Por outro lado, há diferentes alternativas políticas que se podem considerar, que se apresentarão mediante a redefinição das formações políticas existentes, como, hoje, o núcleo do justicialismo.

La Nación: São alternativas políticas verdadeiras? Não são só disputas por interesses pessoais e por espaços de poder?

Laclau: Talvez sejam, mas mediante esses interesses vão-se manifestando outras tendências mais gerais. A política, em sua minúcia cotidiana, sempre tem essas características de que você fala. Mas as disputas que se travam hoje na França, dentro do movimento gaullista, ou dentro do Partido Socialista, não são muito diferentes do que se vê dentro do justicialismo. E nem por isso alguém fala de crise de governabilidade na França. Não acho, no que está acontecendo hoje, que a luta de interesses possa degenerar, com formação de camarilhas de tipo clientelístico e totalmente apolíticas.

La Nación: Condoleezza Rice referiu-se ao risco do populismo na América Latina e relacionou-o a um novo “eixo do mal”. Como o senhor vê o mapa político da América Latina?

Laclau: Bem... Em primeiro lugar, o mapa que os EUA fazem da América Latina tem a ver com o mapamundi global que a política de Bush tenta desenhar. Bush quer criar uma fronteira ‘ético-política’ que divida a humanidade entre “terroristas” e “não terroristas”, quando, por sua vez, o terrorismo é definido de tal modo que nunca se sabe com clareza quem são os “terroristas”. Por otro lado, no plano internacional, a tendência de toda essa orientação de direita é criar um mundo unipolar, e isso é o pior que pode acontecer, se se pensa nas possibilidades democráticas de países como os nossos. Se a Comunidad Europea transformar-se em interlocutor político cada vez mais ativo [não se verificou, nos anos recentes: a Comunidade Europeia é hoje “os poodles de Washington” (NTs)], se a China começar a participar também no quadro das opções internacionais [isso, sim, verificou-se (NTs)], nesse caso realidades como a do Mercosul poderão começar a jogar estrategicamente. Essa será a grande aposta dos próximos anos, em política internacional.

La Nación: O senhor é otimista, quanto à situação argentina hoje?

Laclau: Sou bastante otimista, sim.

La Nación: Em que baseia esse otimismo? Em que pontos o senhor mantém certa reserva?

Laclau: Se a situação econômica deteriorar-se muito, pode afetar o precário equilíbrio político que foi criado até agora, e que permitiu certa democratização das lutas sociais. Também pode acontecer que, no final, as tendências mais tradicionais da partidocracia, o duhaldismo e outras, consigam bloquear a tentativa de criar uma abertura democrática. Mas sou otimista, porque acredito que, do ponto de vista de suas expectativas democráticas, a Argentina está vivendo seu melhor momento dos últimos 40 ou 50 anos.

La Nación: Mesmo assim... Desde a crise de 2001, ante a perplexidade de não termos sido aquele país que prometíamos ser no Centenário, muitos concordam que, se houve época dourada na história argentina, foi quando éramos “o celeiro do mundo”, em oposição à qual o presente aparece como decadência.

Laclau: Mas esse tipo de reivindicação não considera o funcionamento do sistema democrático. Antes de 1830, a política argentina funcionava de modo muito pouco democrático. Havia, para começar, o nível dos punteros, que manipulavam votos em troca de favores. Acima desse nível, ficavam os caudillos; e, acima dos caudilhos, os deputados e senadores que negociavam com os caudilhos. Com o desenvolvimento econômico, as demandas tendiam a ser institucionalmente absorvidas dentro desse sistema clientelístico. Mas quando a crise começa a apertar, a partir dos anos 30, as demandas deixam de poder ser absorvidas nos canais tradicionais. É quando começa a criar-se uma situação de populismo – vale dizer: uma acumulação de demandas insatisfeitas e um sistema que não atende àquelas demandas. Até que aparece alguém que começa a arregimentar, por fora do sistema institucional, aquelas massas virgens que viviam expostas às intempéries. Aí começa a acontecer um novo tipo de mobilização social, que culminou na emergência do peronismo. E a partir desse ponto já ninguém precisava do caudilho para conseguir um leito no hospital, porque havia o hospital do sindicato.

La Nación: Os punteros, compradores de votos, não desapareceram.

Laclau: É. Se se vai ao Congresso, vê-se que continuam lá. Mas já não mandam na política nacional, como mandavam.

La Nación: Também ainda há quem compre e venda favores...

Laclau: Sim, claro. O duhaldismo é exatamente isso. Mas trata-se agora de clientelismo de tipo mais burocrático, que opera dentro das instituições.

La Nación: Seu livro pode ser lido como o elogio do populismo e, nessa linha, como uma defesa do peronismo.

Laclau: Acredito que o peronismo representou enorme avanço na participação das massas no sistema político. Talvez não tenha sido o melhor modo de participar. Poderia ter havido modalidades mais democráticas de participação, mas o peronismo foi a via de participação que as massas encontraram naquele momento, a única historicamente possível. Entendo que qualquer elaboração que se tente, para construir políticas mais progressistas, tem de partir desse ponto histórico, porque a via histórica que o 45 abriu para a participação popular democrática é dado primordial e absolutamente positivo da história argentina. O regime oligárquico que havia antes, baseado na fraude, em momento algum foi melhor que o peronismo.

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