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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

As armas do PIG e o lugar de Yoani - Paulo Vinícius Silva

São gritantes as manipulações em nome da “democracia” promovidas pelo monopólio da mídia. Cara de pau pura, pois a concentração de meios, a propriedade cruzada e o poder da mídia são inseparáveis da orgia anti-republicana entre poder econômico e Ditadura de 1964, que lançaram as bases do domínio do Partido da Imprensa Golpista (PIG) sobre a “opinião pública”.

Há quatro fundamentos desse discurso, dirigido sobretudo à classe média.

O primeiro é o da suposta expertise econômica dos que quebraram o país, e que assentaram as bases da “estabilidade” sobre os instáveis e gananciosos fundamentos da especulação financeira, impondo um regime em que produzir é mais caro e menos lucrativo que especular. O movimento - claudicante, é certo, mas constante – dos governos Lula e Dilma visa a libertar o país da chantagem especulativa sobre a Nação. Graças a ele o país não afundou, mas a demora e a hesitação cobram seu preço.

Mesmo assim, a cantilena soa descarada, com previsões apocalípticas e o receituário dos especuladores, chantagem vendida como ciência econômica. Sem compromisso sequer com o que diz, a imprensa golpista coleciona sucessivos fracassos. A bola da vez são as pressões para aumentar os juros da taxa SELIC. Querem que outra vez paguemos o whisky 18 anos das “crianças”.

O segundo é a “ética”, ou melhor, o udenismo moralista. Como o sistema político brasileiro é mais plutocrático que democrático, não é possível uma vitória eleitoral “de esquerda” completa. A direita, sem dominar o centro, aproveita-se das fragilidades institucionais e dos desvios – que ocorrem na democracia – para capitanear uma “guerra santa” do pau oco. Longe de éticos, a direita e o PIG promovem um discurso de pureza com o apoio de ultra-esquerdistas que não admitem alianças, só com a direita. A ultra-esquerda, buscando retirar apoiadores da esquerda. E a direita, tentando deslocar o centro para a oposição, seja pela cooptação, seja pela intriga.

O terceiro é a campanha contra a integração latino-americana, a esquerda, a multipolaridade, em favor da posição de lambe-botas dos imperialismos estadunidense ou europeu. A América Latina só aparece na hora de qualquer problema – real ou inventado. E o elogio sem noção ao imperialismo, a despeito de seu caráter assassino e decadente. Somos instados a pensar sob a lógica deles, e convidados a partilhar da mesma atração fetichista pelo luxo, o consumo e a cultura do Norte. Pela ordem, nada pode ser pior para eles que Cuba e Venezuela. Mas , como canta Pablo Milanés, “o que brilha com luz própria, nada a pode apagar”, e foi com a decisiva contribuição de Cuba e da Venezuela é que os governos de esquerda isolam a partidarização direitista, mudando a região.

O quarto é a cínica reivindicação da “liberdade de imprensa” e a “democracia”
. Não importa se já se foi porta-voz do Figueiredo, se carros do jornal eram emprestados para a repressão transportar torturados e mortos, as notícias mentirosas a retratar quem lutou contra a Ditadura como “bandidos” e “terroristas” e a ocultar as sevícias e os assassinatos. Não interessa o financiamento, as concessões pelos militares, a continuidade econômica desses setores como monopólio com base no dinheiro público. Merecendo o troféu “Óleo de Peroba”, arrotam uma democracia das elites, enquanto combatem qualquer avanço democrático. Não são democratas, e sim plutocratas.

Temos vivido nesses últimos dias o bombardeio articulado dos dois últimos esquemas, com o circo montado para a Vice-Presidente para Cuba da Comissão de “Liberdade de Imprensa” da Sociedade Interamericana de Imprensa (o sindicatão do PIG), colaboradora do Instituto Millenium, queridinha das famiglias da comunicação, de Bolsonaro et caterva, a bem remunerada e apátrida Yoani Sanchéz.

É uma piada dizerem que se quisesse impedir Yoani de falar. Esconde-se assim a prática autoritária do bombardeio comunicacional contra Cuba. Querem, isso sim, intimidar, mentir, desinformar, e não admitem contestação. São profundamente autoritários contra quem ousa não baixar a cabeça ante seus ditados, e assim tem intimidado os governos e parte da esquerda. É uma prática intimidatória feroz, e Yoani é parte dela. Jamais podiam esperar que a juventude negasse à di$idente o apoio que esperava... Muito menos que essa juventude usasse as tradicionais armas da democracia estudantil (papel, lápis, cartaz, tinta e voz) e, agora, twitter, facebook e youtube, contra o inigualável aparato midiático dos sócios da SIP. Na desproporção dos meios é que se desnuda a mentira sobre a “censura”. Censurados estamos nós, estão os que defendem Cuba!

Que queriam os meninos e meninas? Primeiro, demonstrar amor à Cuba Socialista. Segundo, queriam falar! Yoani deve até hoje se tremer diante da entrevista em que Salim Lamrani a desmontou. Talvez por isso, jamais em todo o cortejo de Yoani se permitiu qualquer crítica, qualquer coisa que não fosse anti-cubana e pró-estadunidense. Ora, que fazem os estudantes quando não se os deixa falar? Gritam, levantam cartazes, colhem assinaturas. Nada mais democrático. Então, como a “democrática” Yoani, pôde qualificar aqueles jovens de “terroristas”?

Talvez não esperasse que um rapaz franzino e de óculos lhe dissesse francamente o que todos já sabem – seus laços inconfessáveis com os EUA e os inimigos de Cuba. Mas o que jamais imaginaria, é que ele lhe estenderia uma folha de papel “terrorista”, uma declaração contra o Bloqueio a Cuba, sendo filmada, pedindo sua assinatura... Essa ela não esperava! Num gesto, expôs-se sua cumplicidade com os inimigos de seu país, os que predicam livre comércio, mas ameaçam e punem quem negocie com Cuba, impedindo até a ida de medicamentos.

Foi por isso que se montou a farsa da suposta violação ao direito de o PIG – porque ela é o PIG – se expressar. Uma cortina de fumaça para cobrir a vergonha de uma anexionista. E depois, fogo, sangue e ranger de dentes sobre a meninada: “terroristas”, disse Yoani, e a Veja os desumaniza, caricatura, mente, em verdade homenageia, em especial pelo ódio que devota à UJS.

E a meninada não se dobra. Pelo contrário, a juventude se reuniu no dia 23 de fevereiro em um inédito encontro de jovens do campo e da cidade, dos movimentos sociais, estudantis, sindicais, sem-terra, feminista e as juventudes políticas, para denunciar o monopólio da mídia e aprovar um programa único de lutas para fazer avançar as mudanças no Brasil.

No dia 04/03 começa o Congresso da CONTAG, em Brasília. No dia 06/03, as centrais sindicais (CTB, CUT, Força, UGT, CGTB e NCST) se unirão a camponeses, movimentos sociais e estudantes nas ruas de Brasília. As mulheres tem em marco o seu mês de lutas. E a juventude unificou uma Jornada que fechará o mês e entrará por abril. É apenas com a mobilização e o senso crítico que poderemos fazer avançar o movimento transformador no Brasil, para pressionar o governo e apoiar as mudanças que assuma para si e para desmascarar os maiores inimigos do Brasil.


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Em nota, a UJS desmonta mais uma farsa de Yoani e do PIG - Veja o vídeo

Considerando as notícias falsas veiculadas acerca das manifestações provocadas pela vinda da blogueira Yoani Sánchez ao Brasil, a UJS (União da Juventude Socialista) vem a público esclarecer que:

a) A UJS defende a livre manifestação de ideias. Justamente por isso, para que todas as visões sejam apresentadas, é que participamos das manifestações relativas à visita da blogueira cubana ao nosso país.

b) Não houve qualquer tipo de agressão contra Yoani Sánchez em nenhum dos atos dos quais participamos. Não houve mais do que manifestações pacíficas com o único objetivo de romper o cerco imposto pela mídia monopolista.

c) A manifestação de Feira de Santana não impediu a exibição do filme nem cerceou de qualquer modo o direito de Yoani se pronunciar. A UJS organizou uma manifestação democrática no local, Yoani chegou bastante atrasada e, ao entrar foi recebida apenas com palavras de ordem de protesto, nenhuma agressão verbal, muito menos física. Os responsáveis pelo evento permitiram nosso pronunciamento e, que entregássemos o nosso manifesto contra o bloqueio econômico à Cuba, que por óbvio, a falsa defensora dos direitos humanos se recusou a assinar. Em seguida, os militantes da UJS sentaram-se para assistir o documentário. Entretanto, com o argumento do “atraso nos horários”, os responsáveis pelo evento anunciaram o cancelamento do ato.

d) Defendemos a mais ampla liberdade de opinião. E, em nossa opinião, Yoani é um instrumento financiado pelo imperialismo norte-americano e europeu com objetivo de desestabilizar a heroica resistência do povo cubano. Infelizmente no nosso país meia dúzia de famílias monopolizam os principais meios de comunicação e querem que apenas a versão anti-cubana prevaleça. Nós não permitiremos que isso aconteça. Enquanto não houver uma lei de meios no Brasil, que permita que todas as vozes sejam ouvidas, protestos pacíficos como os que aconteceram serão necessários.

e) Os atos, portanto, vão continuar. Fazemos um chamado a todos os simpatizantes da revolução cubana para que juntos continuemos a dizer em alto e bom som: Abaixo o Imperialismo! Viva Cuba e a Revolução!

http://ujs.org.br/portal/?p=12799





Confira o vídeo!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Yoani Sánchez (ou como promover uma dissidente cubana) - Hideyo Saito

http://www.cartamaior.com.br/

29/05/2010

A blogueira é a bola da vez da estratégia de Washington de forjar uma oposição interna em Cuba. Seu multimilionário blog não é resultado de iniciativa espontânea de uma cidadã que resolveu abrir o coração, como a mídia hegemônica costuma apresentá-lo. A execução do programa que financia essa política intervencionista foi provisoriamente suspensa pelo Senado estadunidense, sobretudo por causa da prisão, em Cuba, de um enviado de Washington que tinha a tarefa de tratar da distribuição do dinheiro. O artigo é de Hideyo Saito.

Hideyo Saito

A blogueira Yoani Sánchez é hoje a figura mais cortejada pela coalizão de forças que combate a revolução cubana, liderada por Washington e composta por outros governos, por partidos políticos, por órgãos da mídia e por ONGs do mundo inteiro. Trata-se de uma poderosa tropa de choque que exige ampla liberdade política, respeito aos direitos humanos e democracia, mas apenas em Cuba. Aparentemente nenhuma outra nação no mundo inspira seus cuidados em relação a esses direitos políticos e humanos. Da mesma forma, denuncia também a escassez de bens de consumo em Cuba, mas jamais menciona o estrangulamento econômico praticado por Washington (que, aliás, é condenado por todos os países-membros da ONU, com as únicas exceções dos próprios Estados Unidos e de Israel).

O objetivo central dessa coalizão passou a ser, desde os anos 90, organizar e financiar uma oposição interna em Cuba. O congresso dos Estados Unidos aprovou leis especiais para respaldar essa política: a Torricelli, de 1992, e a Helms-Burton, de 1996. O intervencionismo teve seu auge no período de George W. Bush, que criou a Comissão de Apoio a uma Cuba Livre, presidida pela secretária de Estado, Condoleezza Rice, e indicou Caleb McCarry (um dos artífices do golpe contra o presidente Jean-Bertrand Aristide no Haiti), como responsável pela transição à democracia naquele país.

Os recursos oficiais estadunidenses destinados a essa finalidade foram, em 2009, de US$ 45 milhões, sem considerar o orçamento da Rádio e TV Martí e verbas paralelas não declaradas (1). No atual exercício, haviam sido liberados US$ 20 milhões, com a orientação de que fossem distribuídos diretamente aos destinatários em Cuba. O programa, entretanto, foi provisoriamente suspenso em abril último pelo presidente do Comitê Exterior do Senado, John Kerry (ex-candidato presidencial), provavelmente por causa da prisão em flagrante, em Cuba, de Alan P. Gross, quando fazia a distribuição de dinheiro e de equipamentos de comunicação (2).

O advogado José Pertierra, que atua em Washington, relacionou de forma exaustiva os diversos itens da ajuda provisoriamente suspensa, com base em informe oficial do Senado dos EUA. Destacamos apenas alguns, a título de exemplo: US$ 750 mil para os defensores de direitos humanos e da democracia; US$ 750 mil para parentes de presos políticos, como as “Damas de Branco”, e para ativistas que lutam para libertar aqueles presos; US$ 3,8 milhões para promover a liberdade de expressão, especialmente entre artistas, músicos, escritores, jornalistas e blogueiros (com ênfase nos afrocubanos); US$ 1,15 milhão para capacitar os ativistas mencionados no uso das novas tecnologias de comunicação.

A corrida pelo dinheiro de Washington
Essas informações tornam insustentável negar o financiamento estadunidense aos chamados dissidentes, de maneira geral. Não custa recordar ainda que aqueles que a mídia dominante insiste em chamar de presos políticos (cuja libertação está sendo reclamada pelo grevista de fome Guillermo Fariñas Hernández) foram julgados em 2003 justamente sob a acusação de receber dinheiro de Washington para combater a revolução. Em relatório de 2006, a Anistia Internacional registrou a realização, no ano anterior, de um congresso de dissidentes com a participação de mais de 350 organizações (a ata do encontro, porém, menciona a presença de 171 pessoas) nos arredores de Havana. Essa proliferação, porém, longe de mostrar a força da oposição, esconde a corrida de seus idealizadores para arrancar dinheiro de Washington.

Praticamente todas são organizações artificiais, criadas para que suas lideranças possam apresentar-se no escritório de representação dos EUA em Havana para receber a sua parte na cobiçada "ajuda em prol da democracia". Não há notícias sobre discussões políticas ou doutrinárias nessas entidades e muito menos de ações públicas sérias de sua iniciativa. Mas há fartos registros, isto sim, de brigas e denúncias recíprocas envolvendo a repartição e o uso da dinheirama. É por isso que, neste momento, a maioria dos dissidentes não vê com bons olhos a ascensão de Yoani Sánchez.

Lech Walesa de saias
O sonho dourado dos ideólogos de Washington é forjar em Cuba um novo Lech Walesa, o líder do sindicato Solidariedade e depois presidente da Polônia, apontado pelo National Endowment for Democracy (NED), do Departamento de Estado, como o maior triunfo de sua política. No caso de Cuba, isso foi tentado, entre 2000 e 2002, com um dissidente chamado Osvaldo Payá Sardiñas, organizador de um projeto de lei de iniciativa popular, que teve pouco mais de 11 mil assinaturas. O projeto foi recebido oficialmente, mas rejeitado pelo parlamento cubano.

Ele pretendia estabelecer nada menos que a liberdade para a criação de empresas privadas, inclusive órgãos de imprensa, a instituição do pluripartidarismo e outras medidas que implicavam eliminar o socialismo cubano de uma penada, baseado no suporte daquelas assinaturas (o número de eleitores no país é de 8,5 milhões). Equivale a um projeto de lei de iniciativa popular que fosse apresentado ao Congresso brasileiro, prevendo o fim da propriedade privada dos meios de produção, a convocação de eleições com candidatos indicados exclusivamente em assembleias de bairro e o fechamento dos oligopólios da comunicação. Seria cômico se o conteúdo da iniciativa não coincidisse com o do “programa de transição” divulgado em 2006 pela Comissão de Apoio a uma Cuba Livre, do governo Bush.

Em todo caso, com base nesse projeto Osvaldo Payá foi transformado em herói pela mídia dominante. Como acontece atualmente com a blogueira Sánchez, foi alvo de prêmios e honrarias mundo afora, além de merecer espaços enormes na mídia dominante. Recebeu, entre tantos outros, o Prêmio Andrei Sakharov da União Européia, quando estava sob a presidência do ex-premiê espanhol, José Maria Aznar, e foi recepcionado em audiência especial pelo Papa João Paulo II. Como o esforço não produziu os resultados esperados, a mesma mídia que o glorificava o esqueceu (como havia feito antes com Armando Valladares).

Agora, chegou a vez de Yoani Sánchez. Após ter resolvido subitamente voltar a Cuba de seu exílio na Suíça, colocou o blog no ar em abril de 2007. Pouco mais de meio ano mais tarde, ela já se transformava em personalidade mundial, com o acionamento da engrenagem publicitária da coalizão anticubana. Começaram a aparecer entrevistas de página inteira com a blogueira, não raro com chamadas de capa, em grandes publicações como The Wall Street Journal, The New York Times, The Washington Post, Die Zeit e El País, sem falar nos jornalões brasileiros e na indefectível Veja.

Ao mesmo tempo, sempre de forma significativamente sincronizada, surgiram os prêmios, os convites para viagens e outras iniciativas de cunho promocional. Em 2008 a blogueira foi premiada em vários países da Europa e nos Estados Unidos, além de ter sido incluída, pela revista Time, na relação das 100 personalidades mais influentes do mundo e pelo diário espanhol El País, entre os 100 hispano-americanos mais influentes. No mesmo ano, a revista estadunidense Foreign Policy a considerou um dos 10 intelectuais mais importantes do ano, assim como a revista mexicana Gato Pardo. Mais recentemente, lançou um livro em grande estilo, com edições quase simultâneas em diversos países, e adiantamento por conta de direito autoral (como os € 50 mil pagos pela editora italiana Rizzoli). Digno de registro também é que Yoani Sánchez enviou um questionário dirigido ao presidente Barack Obama e ele o respondeu prontamente. Ela explicou candidamente a atenção que Obama lhe dedicou: “talvez eu tenha sorte”.

Um blog multimilionário
A verdade é que o blog que a fez famosa desfruta de sorte não menos fantástica. Ele foi registrado por intermédio de um serviço chamado GoDaddy, uma companhia que costuma ser contratada pelo Pentágono para compra de domínios de forma anônima e segura para suas guerras no cyberespaço, conforme denunciou a jornalista espanhola Norelys Morales Aguilera (3). “Não há em toda Cuba uma só página de internet, nem privada, nem pública, com o potencial tecnológico e de design da que ela exibe em seu blog”, sustenta.

O blog é atualmente hospedado em servidor espanhol, que não lhe cobra nada ("por 18 meses", diz ela), embora processe 14 milhões de visitas mensais e ofereça suporte técnico praticamente exclusivo. No mercado, custaria milhares de dólares por mês. É traduzido para nada menos que 18 idiomas, luxo que nem os portais dos mais importantes organismos multilaterais, como a ONU, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional ou a OCDE, exibem. Sánchez diz que são amigos que fazem as traduções. Segundo o jornalista Pascual Serrano, ela usa recursos da web 2.0 a que muito poucos cubanos têm acesso, como o Twitter, os foros sociais e outros (4). Em 2009, segundo o jornalista francês Salim Lamrani, o Departamento do Tesouro dos EUA, baseando-se na lei do bloqueio, fechou mais de 80 sítios de internet relacionados a Cuba, alegando que eles promoviam comércio. A única exceção foi justamente o blog de Sánchez, embora lá também haja venda de livros. Aliás, o sistema de pagamento utilizado por ele, o Paypal, e o de “copyright” que protege os textos da blogueira estão igualmente vedados a qualquer outro cidadão cubano, pelas mesmas razões (5).

Em recente entrevista a Lamrani, feita em Havana, Sánchez disse que seu blog não pode ser acessado de Cuba, como costuma “denunciar” aos dóceis jornalistas da mídia dominante. Só que desta vez foi desmentida no ato pelo entrevistador, que havia acabado de entrar na página sem qualquer restrição. Então, espertamente se corrigiu: “com freqüência ele fica bloqueado” (6). A verdade é que o blog – assim como qualquer outro sítio – jamais foi objeto de medida repressiva do governo cubano. Isso é comprovado pela Alexa - The Web Information Company, que mede o volume de acesso de páginas de internet do mundo inteiro: segundo seus dados, o portal Desde Cuba, que abriga o blog de Sánchez, tinha 7,1% do seu tráfego originário de equipamentos cubanos, no final de 2009 (7).

O blog de Sánchez também foi distinguido em 2008 como um dos 25 melhores do mundo pela TV CNN, além de ter sido premiado pela revista Time e pela TV Deutsche Welle. As justificativas das premiações e honrarias alegam a coragem cívica de sua idealizadora e exaltam a qualidade de suas crônicas, embora elas se caracterizem, na verdade, por uma descrição pouco sutil da situação cubana, num tom catastrofista, sem qualquer nuance. Em sua prosa simplista, Cuba não passa de uma “imensa prisão com muros ideológicos”, onde se ouvem os “gritos do déspota” e as pessoas vivem entre “o desencanto e a asfixia econômica”, por culpa exclusiva do governo. Não há programas sociais bem-sucedidos, mesmo que eles sejam reconhecidos até pelo Banco Mundial, assim como não há fatores externos que agravam as dificuldades do país – exatamente como no diagnóstico maniqueísta da extrema-direita de Miami.

Apesar de tudo, após se casar com um alemão e se estabelecer na Suíça entre 2002 e 2004, Yoani Sánchez não só decidiu voltar espontaneamente a esse inferno que descreve com tintas carregadas, como implorou ao governo cubano que anulasse a sua condição de emigrada (8). Definitivamente, não estamos diante de uma amadora que resolveu despretensiosamente escrever sobre sua rotina e a de seu país, como ela é descrita pela mídia dominante.

NOTAS

(1) Diversas auditorias pedidas por congressistas concluíram que havia desvio e corrupção envolvendo esse dinheiro, mas a "ajuda" continuou, a pedido dos próprios dissidentes, como Elizárdo Sánchez e Martha Beatriz Roque.

(2) José Pertierra. La guerra contra Cuba: Nuevos presupuestos y la misma premisa. CubaDebate, 02/04/2010. http://www.cubadebate.cu/opinion/2010/04/02/guerra-eeuu-contra-cuba-nuevos-presupuestos-misma-premisa/.

(3) Norelys Morales Aguilera. Si los blogs son terapéuticos ¿Quién paga la terapia de Yoani Sánchez?. La República , 13/08/2009. http://larepublica.es/firmas/blogs/index.php/norelys/main-32/?paged=3.

(4) Pascual Serrano. Yoani en el país de las paradojas. Blog Pessoal, 19/01/2010. http://blogs.publico.es/dominiopublico/1781/yoani-en-el-pais-de-las-paradojas/.

(5) Salim Lamrani. Cuba y la “ciberdisidencia”. Cubadebate, 26/11/2009. http://www.cubadebate.cu/opinion/2009/11/26/cuba-y-ciberdisidencia/.

(6) Repórter desmascara blogueira cubana Yoani Sánchez em entrevista. Portal Vermelho, 25/04/2010. http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=128182&id_secao=7.

(7) Ver http://www.alexa.com/siteinfo/desdecuba.com. O jornalista espanhol Pascual Serrano solicitou a amigos de Havana que tentassem acessar o blog de Yoani Sánchez no mesmo horário. De cinco diferentes computadores, alguns residenciais, outros públicos, usando diferentes provedores, quatro entraram na página sem problema. Pascual Serrano. El blog censurado en Cuba. Rebelión, 26/03/2008. http://www.rebelion.org/noticia.php?id=65134.

(8) Ela contou em seu blog que se surpreendeu com a existência, no serviço de imigração, de fila de pessoas que retornam a Cuba após terem pedido para sair.

(*) O autor é jornalista com passagem pela Rádio Havana. Tem prontos os originais de um livro sobre a atualidade cubana, produzido em colaboração com Antonio Gabriel Haddad, com o título provisório de “Cuba sem bloqueio: a revolução cubana sem as manipulações impostas pela mídia dominante”.

Yoani Sánchez e a desinformação - Com o Correio Progressista

Com o Correio Progressista

Volta e meia, os potentados elegem representantes “populares” para seus intentos. Facilitam suas vidas, premiam seus trabalhos e constroem mitos. Um exemplo disso é Yoani Sánchez, residente em Cuba desde que resolveu abandonar a Suíça e retornar a seu país natal. A última revelação a seu respeito foi a forma como ela teve um questionário seu respondido por alguém chamado “POTUS” – President of the United States (Presidente dos Estados Unidos, em inglês). POTUS, para quem não sabe, é a expressão que aparece nos telegramas enviados pelas embaixadas e outras representações diplomáticas norte-americanas, recentemente vazados pela Wikileaks.
Descobri essa informação no blog de Yohandri Fontana: Obama nunca respondió a Yoani Sánchez. Pois é, Obama não foi o autor das respostas à blogueira cubana. Ao contrário, as respostas foramredigidas pela SINA, seção de interesses norte-americanos na ilha, e enviadas à Casa Branca para aprovação. Com pouquíssimas alterações, as respostas da SINA foram publicadas pela blogueira cubana, não duvido que com algum deslumbramento.
É o que diz outro telegramaBlogger thrilled with POTUS response to her Q&As (“blogueira emocionada com resposta do Presidente a seu questionário”). O interessante é o que está lá no meio do texto:
Last august, Sanchez had posed seven questions to POTUS and seven for Cuban President Raul Castro (the two sets were different). She was not expecting an answer from the latter, because she confided that she had never sent them to the Cuban President [grifo meu]
Em português:
Em agosto passado, Sánchez fez sete questionamentos ao Presidente dos EUA e sete ao Presidente cubano Raul Castro (os questionários eram diferentes). Ela não esperava nenhuma resposta do último, visto que confidencioununca tê-los entregue ao Presidente cubano [grifo meu]
Em suma, Yoani Sánchez acaba de ter comprovada sua honestidade. Ou o contrário.
Confira em português o texto do telegrama:
ASSUNTO: BLOGUEIRA EMOCIONADA COM RESPOSTA DO PRESIDENTE A SEU QUESTIONÁRIO
REF
B. B) BLOGUEIROS SURRADOS, MAS NÃO DETIDOS (HAVANA 684)]
C. C) E-MAIL DO NSC-USINT 1 DE 11/12/2009 E USINT-WHA/CCA DE 11/17/2009
Classificado por: Oficial Principal Jonathan Farrar pelos motivos 1.4 (b) e (d).
(C) Poloffs, da SINA, entregou em 18 de novembro de 2009 as respostas do Presidente Obama às questões da blogueira cubana Yoani Sánchez sobre as relações Cuba-EUA (REF A). Em agosto passado, Sánchez fez sete questionamentos ao Presidente dos EUA e sete ao Presidente cubano Raul Castro (os dois questionários eram diferentes). Ela não esperava nenhuma resposta do último, visto que confidenciou nunca tê-los entregue ao Presidente Cubano, e, de sua reação efusiva, ela também não estava esperando uma resposta do Presidente Obama.
(C) Sánchez ficou emocionada com o fato de que ela obteve uma resposta, perguntando-nos: “Vocês não estão brincando, né? Isso é real?” Sánchez, blogueira mais famosa de Cuba, disse que ela gostaria de postar as perguntas originais primeiro, e então seguir com as reações (REF B). Ela originalmente disse que provavelmente postaria as perguntas no meio da semana de ação de graças, mas, enquanto saíamos da sua casa, estava pensando em postá-las antes. Seu blog é www.desdecuba.com/generaciony
(SBU) A SINA entregou a Sánchez o conjunto em inglês e uma tradução para o espanhol (REF C).
FARRAR

El País se vê obrigado a reconhecer que Yoani Sánchez mentiu - Portal Vermelho

El País se vê obrigado a reconhecer que Yoani Sánchez mentiu - Portal Vermelho
26/04/2011

Um tweet recente de Yoani Sánchez comoveu o mundo: "A empresa hoteleira NH sabe que o hotel Parque Central que administra em Havana discrimina os moradores locais no acesso à Internet"

Por Ernesto Pérez Castillo, em CubaDebate

A reação da NH foi imediata: isso não era mais que um embuste daqueles que a blogueira inventa, pois, a princípio, a rede hoteleira não dispõe de qualquer hotel em Havana, nem em toda a ilha de Cuba, nem em qualquer outra parte do arquipélago cubano.

O diário El Pais tornou isso público em suas páginas. Este disparate da mercenária lembra outra ocorrência, de menos de um ano atrás, quando ela acusou o governo de Cuba de bloquear sua conta no Twitter. Naquela época, ela disse em uma entrevista por telefone à Reuters: "Ficamos sem voz no mundo dos 140 caracteres", e insistiu: "O Twitter deve esclarecer se seu serviço nos censurou a publicação de tweets por sms ou se foi o governo de Cuba que nos bloqueou."

Essa notícia também percorreu o mundo como um gato com o rabo em chamas, com um título original: "Yoani Sánchez denuncia que sua conta do Twitter foi bloqueada", e foi repetida várias vezes até que o vice-ministro cubano da Informação e Comunicações, José Luis Perdomo, disse: "Cuba não está bloqueando o acesso de qualquer cidadão para enviar mensagens para redes sociais online, como o Twitter e o Facebook, e isso é uma calúnia que tem sido levantada contra nosso país".

Logo o próprio Twitter daria razão para Cuba, reconhecendo que o governo da ilha não tinha nada a ver com isso, e assumindo plena responsabilidade pela suspensão temporária do serviço para os usuários cubanos.

O que ninguém pôde ver, em qualquer jornal do mundo, foi uma mínima retificação de Yoani, que nem no momento de sua mentira sobre o Twitter, nem em sua mentira sobre a NH, nunca reconheceu que não tinha sequer uma gota de verdade naquilo que havia dito. E não seria de se esperar outra coisa, porque retificar é para os sábios, algo que Yoani nunca entenderá.

O engraçado é que quando a blogueira, em seus delírios, arremeteu contra os poderosos reais do mundo global, recebeu de volta, rapidamente, a repressão áspera da mídia. No entanto, quando, com a mesma fúria, mente sobre Cuba, ela é premiada, aplaudida e, pontualmente, lhe pagam por página.

De fato, o jornal El País, que agora deixa claro que o ataque de Yoani contra o NH nada mais é além de um disparate desinformado - típico da improvisação de quem diz o que melhor lhe parece, sem consultar fontes ou recolher dados, nem ater-se ao princípio da verdade e nada mais que a verdade-, é o mesmo que a catapultou, ofertando-lhe, em 2008, o Prêmio Ortega y Gaset, nada menos do que na categoria de Jornalismo Digital.

O oportunismo da blogueira cubana Yoani Sánchez - Portal Vermelho

O oportunismo da blogueira cubana Yoani Sánchez - Portal Vermelho

23/09/2011

A multipremiada blogueira Yoani Sánchez acrescentou novas pérolas ao ciberbestiário, conforme o apresentado em sua antológica entrevista ao historiador francês Salim Lamrani*.

Por Iroel Sánchez, no blog La Pupila Insomne

Em diálogo com o jornal porto-riquenho El Nuevo Dia, a senhora Sánchez investe contra o povo cubano, a quem atribui o comportamento daqueles que, como ela, só pensam com o bolso:

"Digamos que haja uns 10% de pessoas que acreditam realmente no sistema, que estão próximos aos governantes. Há uns 10% no outro extremo, que acreditam que é preciso ser completamente desmontado. Em média, uns 80% que se move de um lado para outro, segundo sopra o vento, porque o oportunismo penetrou muito fundo no país. Se amanhã Raúl Castro disser que os salários vão ser aumentados em 40 pesos cubanos, esses 80% estarão com os 10% que aplaudem; se depois de amanhã, Castro disser que o café não será mais puro, mas misturado com grão-de-bico, esses 80% passarão para outro lado".

Ao que parece, preocupada em perder destaque na imprensa da metrópole, após documentos revelados por Wikileaks, que demonstraram sua subordinação ao governo dos Estados Unidos, esta pessoa agora deprecia seus compatriotas diante de um jornal da colônia que os EUA mantêm no Caribe.

Para maior subserviência, ela se declara a serviço de quem usurpou a independência do povo de Porto Rico e quer converter Cuba em uma colônia estadunidense.

Se "o oportunismo calou fundo o país", os que atuam como Yoani Sánchez levaram a maior parte, atuando "de acordo como sopra o vento' dos dólares que recebem por agradar ao Tio Sam.

Embora a entrevista tenha o dramático nome de "Cuba: últimas imagens do naufrágio", é a credibilidade da senhora Sánchez que não tem mais remédio, após as referidas revelações de Wikileaks. Certamente, o entrevistador relata que falaram "sem medo" e deve ser por isto que a palavra Wikileaks não aparece em nenhuma parte...

Ciberbestiário de Yoani Sánchez

* Entrevista realizada pelo investigador francês Salim Lamrani com Yoani Sánchez e publicada no sítio Rebelión, em abril de 2010, cujas declarações, em alguns momentos, relembram as de Bush:

- (A lei de Ajuste Cubano dos EUA contra Cuba não é ingerência porque) há fortes relações. Jogamos beisebol em Cuba como nos Estados Unidos.

- Privatizar, não gosto deste termo porque tem uma conotação pejorativa, mas colocar em mãos privadas, sim.

- Não diria que (o lobby fundamentalista de Miami, sic) são inimigos da pátria.

- Pensei que com que aprendi na Suíça, regressando a Cuba eu poderia mudar as coisas.

- Estas pessoas que estão a favor das sanções econômicas (a população de seu país) não são anticubanas. Penso que defendem Cuba segundo seus próprios critérios.

- (A questão ds Cinco presos nos Estados Unidos) não é um tema que interessa à população. É propaganda política.

- (O caso Posada Carriles) é um tema político que não interessa às pessoas. É uma cortina de fumaça.

- (Os Cinco) O governo cubano disse que não desempenhavam atividades de espionagem e sim que estavam infiltrados em grupos cubanos para evitar atos terroristas. Mas o governo cubano sempre disse que estes grupos estavam vinculados a Washington.

- Muitos escritores latino-americanos mereciam o prêmio Nobel de Literaturas, mais que Gabriel Garcia Márquez.

- (Já houve uma invasão dos EUA em Cuba) Quando?

- Os Estados Unidos desejam uma mudança de governo em Cuba, mas é o que desejo também.

- O regime (de Batista que assassinou 20.000 cubanos) era uma ditadura, mas havia uma liberdade de imprensa plural e aberta.

- Foi apresentado pelos Estados Unidos o financiamento da oposição como uma realidade, o que não é o caso... Podemos admitir que o fato de financiar uma oposição seja uma prova de ingerência.

- Cuba é uma ilha sui generis. Podemos criar um capitalismo sui generis.

* Tradução de Sandra Luiz Alves.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Repórter desmascara blogueira cubana Yoani Sánchez em entrevista


www.vermelho.org.br

25 de Abril de 2010 - 10h44

Ferrenha opositora do regime cubano, a blogueira Yoani Sánchez concedeu uma entrevista ao jornalista francês Salim Lamranium, na qual cai em contradição diversas vezes. Especialista em assuntos relacionados à ilha, ele conseguiu colocá-la contra a parede e expor a fragilidade dos argumentos da cubana.

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