SIGA O COLETIVIZANDO!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Renato Rabelo: em 2013 a luta continua e o PCdoB está preparado - Portal Vermelho

Renato Rabelo: em 2013 a luta continua e o PCdoB está preparado - Portal Vermelho

“Chegamos ao final de 2012 com um Partido ainda mais forte política, estrutural e ideologicamente. E neste último programa saúdo cada comunista que fez do PCdoB esse Partido de luta, de programa, que tem como ideal uma sociedade justa e soberana.” Essas foram algumas das palavras externadas por Renato Rabelo, presidente Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), durante gravação da última edição do “Palavra do Presidente”.

Joanne Mota, da Rádio Vermelho em São Paulo


Para Renato, “o ano de 2012 foi um ano de significativas celebrações, mas também de muitas lutas e de grandes vitórias. Neste ano, o nosso Partido se empenhou para atingir seus objetivos, para garantir que as nossas lutas atingissem o sucesso, lutas essas que nunca perderam de vista o programa do PCdoB”.

Ele frisa que foi um ano que começou já com as celebrações dos 90 anos, momento que mobilizou todo o país na reafirmação desta data. 

“Todos os estados da federação comemoraram esta data, o país inteiro sentiu a expressão desta festividade, não só porque o PCdoB é o Partido mais antigo, mas porque tem tradição e mostrou seu valor ao longo da história do país”, reafirmou o dirigente nacional.

Segundo Renato, mesmo o PCdoB sendo um Partido nonagenário, é um Partido jovem, pois se ampara em ideias de vanguarda, está amparado em ideais avançados que buscam a construção de uma sociedade moderna, sobretudo a construção de uma sociedade que supere o capitalismo.

Durante o programa Renato Rabelo voltou a falar do documento aprovado, neste ano, pelo Comitê Central do Partido. “Esse documento, que foi intitulado ‘90 anos em defesa do Brasil, da democracia e do socialismo’, visa contar a história política do PCdoB inserida na própria história do Brasil, destaca as gerações comunistas que fizeram do PCdoB o que ele é hoje, como também procura tirar lições desse extenso caminho percorrido pelo Partido.”

Eleições 2012

Para o dirigente o Partido vive neste momento um ciclo de crescimento gradativo, “sai destas eleições com uma posição mais afirmativa e com mais respeito na seara política. Isso ocorre por que para nós o que importa é o interesse do povo, dos trabalhadores que diariamente movem esse país”.

Renato explicou que além do avanço quantitativo do Partido, o PCdoB também avançou qualitativamente. “É importante destacar qual a qualidade destes números conquistados. E nesse caso, nestas eleições, o PCdoB é o 6° no grupo chamado G85. Ou seja, o nosso Partido é o sexto partido com mais conquistas em prefeituras de municípios com mais de 200 mil habitantes.”

Partido de programa e militância

O dirigente nacional lembrou que o PCdoB não é um Partido de carreirismo e que não vai para nenhuma campanha sem projeto. “É importante lembrar que essa foi a maior campanha do PCdoB, mas o Partido não entrou nesta corrida sem definição, cada militante que ocupou as ruas sabia dos nossos desafios e tinha como referencial um projeto definido claro e consentâneo com o nosso programa. Desse modo, nossa militância, que é aguerrida e sabe porque luta, fez uma grande diferença na hora da disputa.”

De acordo com Renato, nesta campanha o Partido lutou por cidades mais humanas, mais modernas, apresentou propostas que levam em conta a governança com o povo. “Nossa campanha foi feita a partir de um debate de ideias e programa, esse é a nossa postura e o nosso mote. Alcançamos êxito, mas isso só foi possível graças ao nosso exército, que com suas bandeiras empunhadas, fizeram do PCdoB um Partido ainda mais forte, tornaram o Brasil ainda mais Vermelho. E nosso olhos agora se voltam para 2014”, orientou o dirigente. 

A direita e a mídia golpista

Durante o programa, Rabelo reforçou o coro sobre a luta pela democratização da mídia. “Diante do que foi assistido ao longo de 2012, os ataques da mídia e sua luta para deslegitimar o que foi iniciado por Luiz Inácio Lula da Silva e é continuado pela presidenta Dilma, o PCdoB reforçará a luta pela democratização da mídia no Brasil. Porque a mídia, a chamada grande mídia no Brasil, é um monopólio comandado por algumas famílias e em função disso a notícia é homogênea e serve a um segmento da sociedade.”

Segundo ele, “o que se observa no Brasil hoje é uma excrecência, não é uma mídia democrática, mas sim uma mídia antidemocrática e não podemos mais admitir isso em nosso país. Democratizar a mídia é uma luta fundamental, e está entre as tarefas mais importantes na agenda do PCdoB. É preciso garantir o direito de voz a toda a sociedade. É chegada a hora de pôr fim a esse grupelho que domina os meios de comunicação no Brasil”, disparou o presidente do PCdoB.

Reformas estruturais

Para o presidente do PCdoB o resultado colhido em 2012 é amplamente favorável para os partidos que compõem a base da presidenta Dilma Rousseff. “Os partidos de oposição perderam 30 milhões de eleitores nestas eleições, e isso não e qualquer coisa”, pontua. 

Desse modo, Renato reforça: “Nosso projeto não pode parar, temos ainda problemas graves para resolver e é esta base, que é progressista e que inaugurou um novo ciclo no país, que pode contribuir para as soluções. Ainda precisamos realizar reformas estruturais importantes, que são os grandes desafios de nossa nação. E o PCdoB está pronto para começar essa jornada”.

Projeto de desenvolvimento
Ao longo do “Palavra do Presidente”, Renato frisou a postura guerreira adotada por Dilma e explicou como a estratégia traçada pela presidenta para lograr êxito para a nação pode transformar a vida dos brasileiros.



“A postura assumida por Dilma, especialmente sua estratégia para construir um projeto de desenvolvimento econômico. Desde o final de 2011, Dilma está se empenhando em realizar uma espécie de transição, que visa colocar o país em um novo patamar, que tem como foco o desenvolvimento com inclusão, especialmente com o migração dos que ainda se encontram na linha da pobreza”, explicou.

Segundo ele, essa transição visa também superar toda aquela política econômica que estava baseada nos princípios neoliberais. E ele lembra, “isso só será possível a partir da luta política, a partir da firmação de um novo pacto social no país, este que leve em grande conta as forças do trabalho e da produção e do desenvolvimento nacional. E para que isso ocorra é preciso fazer alguns enfrentamentos, e a presidenta Dilma comprou alguns, cito as lutas que o governo tem travado com o chamado capital rentista”. 



E acrescentou: “Sabendo que os trabalhadores compõem de uma maneira geral a maioria da população deste país, não dá para pensar em projetos de desenvolvimento sem levar em consideração as demandas dos trabalhadores. Desse modo, desenvolver com inclusão e distribuição de renda, significa não perder de vista o papel dos trabalhadores e o PCdoB estará preparado defender esta demanda em 2013”, sinalizou Renato.

Perspectivas para 2013


Para 2013, Renato Rabelo diz que o PCdoB travará sua luta em duas grandes frentes: a política e a econômica. “Após ampla discussão, nossa estratégia será travar a luta tanto no plano político, com vistas a fortalecer nossa democracia, para tanto endurecemos nossa luta pela reforma política, como no plano econômico, engrossando o coro para a construção de um projeto brasileiro de desenvolvimento, que enterre de uma vez os fantasmas desta grande crise que assola diversos países do globo.”

Além disso, Renato sinalizou uma nova frente de luta, a democratização do poder judiciário. “É uma nova trincheira de luta que surge a partir dos últimos acontecimentos e o PCdoB, pelo Partido que é, não pode se furtar de enfrentar. Pensamos que já é chegada a hora de acabar com esse sistema de indicações para o Judiciário, o povo deve participar desse processo. O PCdoB quer a exigência de mandatos eletivos para os ministros dos Tribunais Superiores, chega de indicações e cargos vitalícios.” 

Ouça a íntegra do “Palavra do Presidente”:

Programa Palavra do Presidente Retro 2012


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Luiz Carlos Azenha: Amaury Júnior promete revelar complô para derrubar Lula e Dilma - Portal Vermelho

Azenha: Amaury promete revelar complô para derrubar Lula e Dilma - Portal Vermelho

Na semana seguinte às eleições municipais em que Fernando Haddad derrotou José Serra em São Paulo, episódios estranhos começaram a acontecer em torno do premiado repórter Amaury Ribeiro Jr., autor do livro A Privataria Tucana, o best-seller que vendeu 150 mil cópias.

Por Luiz Carlos Azenha*

Primeiro, ele foi procurado por telefone por um homem de Guarulhos que prometeu documentos relativos à Operação Parasita, da polícia paulista, que investigou empresas que cometiam fraudes na área da saúde. Foi marcada uma reunião, mas a fonte se negou a entrar no local de trabalho de Amaury. Quando se encontraram pessoalmente, do lado de fora, a história mudou: o homem ofereceu a Amaury a venda de material secreto que teria como origem o despachante Dirceu Garcia.

No inquérito da Polícia Federal que apura a quebra de sigilo de dirigentes do PSDB, aberto durante a campanha eleitoral de 2010, Dirceu é a única testemunha que acusa Amaury de ter participado da violação. “Novamente, estão querendo armar contra mim”, diz Amaury. “Mas desta vez a trama foi toda gravada por câmera de segurança”.

Em seguida, outra situação nebulosa, desta vez supostamente para atingir a Editora Geração Editorial, que publicou o A Privataria Tucana. Um “ganso” da polícia paulista marcou encontro com o diretor de comunicação, William Novaes, com o objetivo de entregar um dossiê que incriminaria vários políticos tucanos, entre eles o ex-senador Tasso Jereissati.

O encontro, do qual Amaury também participou, foi gravado por câmeras ocultas. Amaury acredita que o objetivo era entregar à editora material falso que pudesse ser usado para desqualificar seu livro. Diante da recusa, a mesma suposta “fonte”, que responde a vários processos por estelionato, ligou para a editora dias depois dizendo que Amaury corria risco de vida.

“Acredito que eles pretendiam me acusar de obstruir o processo em andamento, o que poderia até resultar em minha prisão”, avalia o repórter.

Na mesma semana, narra Amaury, o ex-subprocurador da República, hoje advogado José Roberto Santoro, que segundo a revista Veja tem ligações com o tucano José Serra, procurou a direção do jornal O Tempo, de Minas Gerais, para intermediar um encontro com a direção do jornal Hoje em Dia, onde Amaury mantém coluna semanal.

O objetivo, segundo o repórter, seria reclamar de uma nota publicada na coluna de Amaury relativa a uma mineradora de Minas e ao ex-governador do Espírito Santo, Paulo Hartung. Mas, de acordo com Amaury, no encontro Santoro não reclamou objetivamente do conteúdo da coluna. “Ele ficou falando mal de mim, tentando levar à minha demissão e quando foi advertido pelos diretores do jornal aumentou ainda mais o tom de voz, como se estivesse numa crise histérica”, diz o repórter. A coluna continua a ser publicada.

Qual seria a explicação para esta sequência de eventos?

Amaury sustenta: “Está ocorrendo um verdadeiro complô, articulado provavelmente por tucanos, com apoio de setores da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. O objetivo é derrubar primeiro o Lula e depois atingir a presidenta Dilma”.

Aqui, é importante lembrar que, na campanha de 2010, Amaury foi acusado pela mídia de integrar um grupo de inteligência a serviço da campanha de Dilma Rousseff, aquele que teria violado o sigilo fiscal de tucanos. O repórter nega: “Estão querendo requentar um assunto velho, que sumiu das páginas dos jornais logo depois das eleições de 2010. Pelo jeito vai voltar já pensando em 2014. Talvez estejam pensando em me usar para chegar na Dilma”.

Amaury estranha que o processo sobre a violação do sigilo de tucanos tenha voltado a andar uma semana depois das eleições de 2012, quando foram chamados para depor o jornalista Luiz Lanzetta e o secretário particular do diretor de redação do Correio Braziliense e do O Estado de Minas, Josemar Gimenez.

Lanzetta trabalhou na campanha de Dilma e foi acusado de ser o chefe do suposto núcleo de inteligência. Quanto a Josemar, Amaury trabalhou em O Estado de Minas, onde deu sequência à apuração dos fatos que resultaram no livro A Privataria Tucana. O repórter enfatiza sempre que baseou o livro em documentos públicos obtidos em juntas comerciais e cartórios, na CPI do Banestado e no exterior.

Aqui, pausa para uma bomba: segundo Amaury, o presidente do PSDB, Sergio Guerra, entrou na Justiça de Brasília com uma ação em que pede a retirada de circulação do livro, alegando que o A Privataria Tucanacausa danos morais a caciques do partido. O pedido foi feito durante a campanha de 2012 mas até hoje a Justiça não se pronunciou.

“Com certeza, o livro provocou muitos estragos nas eleições. Com certeza continuará provocando. O curioso é que eles nunca respondem especificamente às acusações ou documentos mostrados no livro”, diz Amaury.

Ele também estranha que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que recebeu dezenas de livros pelos Correios, de leitores indignados com o conteúdo, não tenha aberto um procedimento para apurar as denúncias. Amaury entregou parte dos documentos utilizados no Privataria à Polícia Federal, que até hoje não abriu inquérito.

Além disso, apesar de o deputado federal e ex-delegado da PF Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) ter conseguido o número de assinaturas necessárias à abertura da CPI da Privataria, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), parece ter sentado sobre o assunto.

Novo livro

Desde o lançamento do A Privataria Tucana, Amaury fala em escrever a sequência. O livro já tem nome:Privataria 2, o Grande Complô.

Viomundo: Amaury, do que tratará o livro?
Amaury: Vou mostrar como funciona o núcleo de inteligência do PSDB, que domina até hoje setores da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Eles se movimentam para desarticular o ex-presidente Lula e futuramente a presidenta Dilma. Quero mostrar porque o PT não reage. No caso da CPI do Cachoeira, tinha a faca e o queijo na mão para investigar melhor a relação entre o bicheiro e a revista Veja.

Viomundo: Você tem explicação para o recuo do relator Odair Cunha (PT-MG)?
Amaury: O PT parece abafar todos os casos. Suspeito que é por um motivo simples. Herdou e deu continuidade a esquemas dos tucanos. No caso do Odair Cunha, devemos lembrar que o ex-sócio dele, que é da região de Boa Esperança, em Minas Gerais, se tornou diretor de Furnas e controla verbas e cargos. Será que tem o rabo preso e os tucanos descobriram?

Viomundo: E a CPI da Privataria, agora sai?
Amaury: Acho que não sai. Tudo indica que o PT tenha herdado o esquema promíscuo que os tucanos tinham com as empresas de telecomunicações. Diante da nova denúncia do Marcos Valério, que diz que a Brasil Telecom teria doado R$ 7 milhões ao PT, o partido vai ficar totalmente desmoralizado se a CPI não for aberta. Se não for aberta, vai ficar bem claro que eles temem que as investigações atinjam o próprio PT.

Viomundo: O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto, chegou a convidar o ex-presidente FHC para falar sobre a lista de Furnas. Mas foi desautorizado pelo líder do PT no Senado, Walter Pinheiro. Afinal, essa lista de Furnas é falsa, como afirmam os tucanos?Amaury: O laudo da perícia da Polícia Federal diz que é verdadeira. A lista mostra doações de campanha feitas por um esquema montado em Furnas para vários caciques do PSDB, dentre os quais Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra. O caso foi denunciado na Justiça Federal do Rio de Janeiro pela procuradora Andrea Bayão Ferreira, que em seu relatório diz não ter dúvidas da existência do esquema, que era abastecido por empresas fornecedoras de Furnas. Mas a Justiça Federal transferiu o caso para a Justiça Estadual do Rio de Janeiro, apesar de Furnas ser uma estatal federal. É outro caso no qual o procurador Gurgel não tomou qualquer providência. Será que ele faria o mesmo se fosse um esquema petista?

Viomundo: E essa história do mensalão tucano, anda?

Amaury: Mais uma vez houve tratamento diferenciado ao PSDB. No caso do mensalão tucano, houve desmembramento das investigações, encaminhadas à Justiça de Minas. No STF só serão julgados os reús com foro privilegiado. Vai ficar mais difícil montar o quebra-cabeças que facilitaria a condenação, como foi o caso do mensalão petista. As teorias do Gurgel não teriam vingado se tivesse havido desmembramento também no mensalão petista. No caso dos tucanos, houve.

Viomundo: Lula nunca falou sobre a Operação Porto Seguro, aquela que desvendou um esquema de tráfico de influência nas agências reguladoras e que teria a participação de Rosemary Nogueira. A mídia explorou o que define como “relações íntimas” entre o ex-presidente Lula e Rosemary. O que te pareceu o caso?Amaury: São denúncias sérias, que devem ser apuradas. Mas outra vez a imprensa, a Polícia Federal e o Ministério Público dão tratamento desigual a petistas e tucanos. Devemos lembrar que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acreditava ter tido um filho com uma jornalista da Globo e a imprensa não só calou a respeito durante quase duas décadas como ajudou a abafar o caso. Uma concessionária pública, a Globo, transferiu a mãe do menino para a Espanha. Conheço bem essa história. Nunca toquei no assunto por se tratar da vida pessoal. Mas diante do cinismo da imprensa estou pensando em incluir no livro algumas revelações sobre como era o esquema para sustentar mãe e filho na Europa. É jornalistacamente relevante por se tratar de dinheiro de caixa dois, de financiamento de campanha. Tenho uma testemunha que sabe de tudo.

Viomundo: Você não poupa nem a PF, que vem trabalhando como nunca?
Amaury: O governo é petista, mas há um núcleo tucano na PF, tanto que a presidenta da República só ficou sabendo da Operação Porto Seguro depois que ela foi deflagrada. O ministro da Justiça apareceu na TV com aquela cara de bobo, ficou vendido. Vale lembrar que o início das investigações se deu pelas mãos do serviço de inteligência do PSDB, que cooptou testemunhas para levar o caso adiante. Meu livro vai contar os detalhes de como isso aconteceu. Vai também desnudar as relações promíscuas entre integrantes do Ministério Público e da Polícia Federal com o alto tucanato. Como vou sustentar, é mesmo um grande complô.

Viomundo: Mas se a Rosemary foi exonerada no dia seguinte à operação da PF, Dilma não sabia de nada antecipadamente? Há especulação de que ela deixou andar justamente para eliminar um núcleo de corrupção que herdou do governo Lula…Amaury: Essa é a grande pergunta, até hoje não foi respondida. Pretendo responder no livro.

Viomundo: Já que estamos no campo das especulações, e a boataria sobre a saída de Dilma do PT para o PDT?
Amaury: Seria um suicídio político. No PDT há uma briga de vida e morte entre a família Brizola e o ex-ministro Carlos Lupi. Só faria sentido ela sair do PT se o Lula fosse candidato em 2014, o que o atual quadro político não indica.

Viomundo: E essas gravações que você fez, do pessoal que tentou armar contra você, vão entrar no livro?
Amaury: Com certeza, mas antes vou entregar todo o material à Polícia Federal e à Justiça. Quero deixar claríssimo que eles escolhem os casos para investigar e punir. Como eles até agora não tomaram providências, pretendo entrar com representações na PF e no Ministério Público pedindo a apuração das denúncias contidas no A Privataria Tucana. Quero ver eles sentarem em cima do assunto. Pelo jeito só vai me restar fazer denúncias fora do Brasil por meio da ICIJ, International Consortium of Investigative Journalists, entidade que tem sede nos Estados Unidos e representação em dezenas de paises. Fui o primeiro repórter brasileiro a integrar a entidade e estou pensando em acioná-la se as autoridades brasileiras não tomarem providências.

*José Carlos Azenha é jornalista e blogueiro.

Fonte: Portal Viomundo

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Blog do Luiz Aparecido: Ditadura torturou, matou, roubou e desaparecem com os corpos das vítimas!


Blog do Luiz Aparecido: Ditadura torturou, matou, roubou e desaparecem com os corpos das vítimas!

Silvio Tendler responde aos militares da reserva que o processam -
do Portal Vermelho

A CARTA AQUI PUBLICADA FOI ESCRITA PELO CINEASTA SÍLVIO TENDLER AO DELEGADO DE POLÍCIA RESPONSÁVEL PELO INQUÉRITO INSTAURADO PELO PRESIDENTE DO CLUBE MILITAR, DEVIDO À MANIFESTAÇÃO DE BRASILEIROS INDIGNADOS COM A REUNIÃO, NO DIA 29 DE ABRIL, QUE PRETENDIA COMEMORAR O GOLPE DE ESTADO 1964.

POR SÍLVIO TENDLER

Carta Aberta a um Delegado de Polícia ou Respondendo à Intimidação por parte do clube militar
Delegado,

Dois policiais vieram ontem à minha residência entregar intimação para prestar declarações a fim de apurar atos de "Constrangimento ilegal qualificado – Tentativa – Autor", informa o ofício recebido. Meu advogado apurou tratar-se de denúncia ou queixa ou sei lá o quê, por parte do "presidente do clube militar" (em letra minúscula mesmo, de propósito).

Informo que na data da manifestação, 29 de março de 2012, estava recém-operado, infelizmente impedido de participar de ato público contra uma reunião de sediciosos, os quais, contrariando à determinação da Exma. Sra. Presidenta da República, comemoravam o aniversário da tenebrosa ditadura, que torturou, matou, roubou e desapareceu com opositores do regime.

Entre os presentes estava o matador do Grande Herói da Pátria, Capitão Carlos Lamarca, e seu companheiro Zequinha – doentes, esquálidos, sem força, encostados numa árvore. Zéquinha e Lamarca foram fuzilados sem dó, nem piedade, quando a lei e a honra determinam colocá-los numa maca e levá-los para um hospital para prestar os primeiros socorros. Essa gente estava lá, não eu. Eles é que devem ser investigados. Eu farei um filme enaltecendo o Capitão Lamarca e seu bravo companheiro Zequinha.

Tenha certeza, Delegado, de que, enquanto eu tiver forças, me manifestarei contra o arbítrio e a violência das ditaduras e, já que o Sr. está conduzindo o inquérito, procure apurar se o canalha que prendeu, torturou e humilhou minha mãe nas dependências do Doi-Codi participou do "festim diabólico". Isso sim é Constrangimento Ilegal.

E já que se trata de assunto de polícia, aproveite para pedir ao "constrangedor ilegal" que ficou com o relógio da minha mãe – ela entrou com o relógio no Doi-Codi e saiu sem ele – que o devolva. Processe-o por "apropriação indébita, seguida de roubo qualificado (foi à mão bem armada)”.

É fácil encontrar o meliante. Comece pelo Comandante do quartel da Barão de Mesquita em janeiro de 1971. Já que eles reabriram o assunto, o senhor pode desenterrar o processo. É, Delegado, o que eles fizeram durante a ditadura é mais assunto de polícia do que de política!

Pergunte ao queixoso presidente do clube militar se ele tem alguma pista do paradeiro do Deputado Rubens Paiva. Terá sido crime cometido por algum participante da festa macabra, onde, comenta-se, havia vampiros fantasiados de pijama?

Tudo o que fiz foi um chamamento pelo you tube convidando as pessoas a se manifestarem contra as comemorações do golpe de 64. Se este general entendesse ou respeitasse a lei, não teria promovido a festa e, tendo algo contra mim, deveria tentar me enquadrar por "delito de opinião" mas aí, na fotografia, ele ficaria mais feio do que é, não é mesmo?

Por fim, quero manifestar minha solidariedade aos que protestaram contra o "festim diabólico" e foram tratados de forma truculenta, à base de gás de efeito moral, spray de pimenta e choque elétrico – como nos velhos tempos.

Bastaria umas poucas grades para separar os manifestantes do povo, que estavam na rua, aos sediciosos que ingressavam no clube. Há muitos poderia causar a impressão de estar visitando um zoológico e assistindo a um desfile de símios.

Não perca tempo comigo e com a ranhetice de um bando de aposentados cri-cri, aporrinhando a paciência de quem tem mais o que fazer. Pura nostalgia da ditadura, eles se portam como se ainda estivessem em posição de mando.

Atenciosamente,

Silvio Tendler

Alessando de Leon no Senado e o debate sobre o Estatuto da Juventude


PL 98/11 que dispõe sobre direitos dos jovens é destaque da apresentação de Alessandro de Leon

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Osvaldo Bertolino: A história da Chacina da Lapa  - Portal Vermelho

Osvaldo Bertolino: A história da Chacina da Lapa  - Portal Vermelho

Uma manhã de terror e execuções sem perdão. Até troar de bombas de canhão foi ouvido
1976.

Por Osvaldo Bertolino*


Como sempre fazia, Margarida Rodrigues levantara-se por volta das seis e meia da manhã. Na casa ao lado, Rita da Glória ainda dormia sem saber que às seis e trinta e cinco seria despertada por uma cena de terror. 

Trabalhavam como empregadas domésticas em frente ao número 767 da Rua Pio XI, no bairro da Lapa, na cidade de São Paulo. Sebastião Dias Chaves, mestre de obras, nesse mesmo horário estava trancafiado com seis trabalhadores em um quartinho de despejo da construção no terreno que fazia fundos com a casa 767, enquanto outros, deitados no chão sob a mira de armas de grosso calibre, também eram feitos reféns.

A rua estava deserta. O silêncio foi quebrado por rajadas de metralhadoras. O picotar das balas era entremeado por um barulho seco, duro. Bombas de canhão, na definição do mestre de obras, que troaram na casa que fazia fundos com a construção, despejadas por uma poderosa carabina calibre doze milímetros. Rita da Glória acordou sobressaltada e correu até a porta que dá para a rua. Viu várias pessoas atirando, umas fardadas, outras não. Os atiradores fizeram sinais com as mãos para ela entrar; ordem de pronto obedecida diante do arsenal que vira cuspindo fogo.

Na casa ao lado, Margarida Rodrigues teve a sensação de que latas caíam de algum lugar. Os estampidos da carabina fizeram-na correr para a janela e viu, apavorada, uma fuzilaria sem trégua. Na sua visão turvada pelo impacto da cena, divisou seis homens protegendo-se no muro e operando metralhadoras dispostas uma ao lado da outra. Alvejavam a porta da casa 767. Apesar da barulheira, Margarida Rodrigues pôde observar que não houve revide. Ela, Rita da Glória e Sebastião Dias Chaves, trêmulos, descreveram, em várias entrevistas, o que viram naquela manhã dantesca. Era o começo do dia 16 de dezembro de 1976.


***

Alertado, o pessoal dos noticiários correu para o local do crime e foi recebido com hostilidade. O repórter Nelson Veiga, da TV Bandeirantes, viu, sem nada poder fazer, a destruição de filmes e o confisco de equipamentos. Um de seus técnicos levou um safanão e ambos foram encaminhados à delegacia, de onde saíram por intervenção do secretário de Segurança Pública, Erasmo Dias, que, bem relacionado com a mídia, pediu desculpas à emissora pelo ocorrido.

Um morador da vizinhança, não identificado, disse ao jornal O Estado de S. Paulo que foram vinte minutos de verdadeiro pânico no quarteirão. Outro disse que eram duas vozes de comando e se ouvia o “cantar” dos pneus das viaturas disfarçadas. Um terceiro descreveu a sonoplastia do arsenal em minúcias — os estrondos de uma poderosa carabina doze milímetros, as ininterruptas rajadas de metralhadoras, os estampidos secos das eficientes luggers nove milímetros. A orquestra macabra afastava as pessoas e assustava as crianças, detalhou. Um quarto informou que foram retirados da residência, após o fogo cerrado, papéis diversos, livros, roupas e até uma velha espingarda Winchester, toda enferrujada. Um cinegrafista disse à Folha de S. Paulo que nunca vira tanta papelada na vida. Até o começo da tarde, veículos do serviço de segurança foram carregados com livros, roupas, jornais, manuscritos e objetos diversos.

Pouco antes das onze horas, chegou ao local Harry Shibata, diretor da Divisão de Perícias Médicas. Entrou pela porta lateral da casa, transformada em peneira nas primeiras horas da manhã, e saiu pela da frente. Os fotógrafos do Instituto de Polícia Técnica registraram as adulterações da cena do crime. Uma perua Kombi com placas de São Bernardo do Campo, estacionada na lateral, evitava que curiosos lançassem olhares para o interior da casa.


***

Quinze minutos depois da saída de Harry Shibata, dois corpos acondicionados em gavetões de zinco foram retirados do local. Dispostos em outra Kombi, sem placas, os mortos, conduzidos em alta velocidade, sumiram da vista dos curiosos e do mapa. Ninguém sabia para onde estavam sendo levados e que fim teriam. Eram os corpos de Pedro Pomar e Ângelo Arroyo, que levaram para o túmulo uma história singular, odiada pelo regime implantado no país com o golpe de 1964. O crime foi executado com requintes de crueldade por homens ensandecidos e envenenados pela ideologia da violência.

O primeiro fogo da artilharia estilhaçou vidros das janelas, varou a madeira das portas e abriu caminho para a concentração de tiros no interior da casa a partir do jardim de entrada. Pedro Pomar foi atingido na cabeça, depois em todo o corpo, por balas dum-dum, iguais a bolas de gude. Calçava sandálias e vestia camisa de mangas curtas. Ao perceber a movimentação dos agentes, voltava da cozinha para a sala a fim de providenciar a queima de documentos. Ângelo Arroyo, saindo do banheiro em direção à cozinha, foi alvejado nas costas. A violência das balas o fez voar, batendo a cabeça no teto do corredor. Uma mancha de sangue ficou no local como testemunha da força com que fora atingido.

Oficiais do II Exército, noticiou o jornal O Globo, receberam “numerosos” telefonemas de pessoas ligadas a todas as atividades sociais do estado de São Paulo cumprimentando-os pelo êxito da operação, efetuada sem pôr em risco a integridade física dos moradores da vizinhança. Do Quartel General onde estavam, no arborizado bairro do Ibirapuera, eles divulgavam falsas informações, diligentemente reproduzidas pela mídia. As fotos da cena adulterada mostravam Pedro Pomar deitado ao lado de um revólver e os óculos caídos sobre o rosto; Ângelo Arroyo estava acompanhado de um fuzil e uma espingarda.

Nelson Veiga, o repórter da TV Bandeirantes, não vira o revólver e o fuzil quando chegou, por volta das oito horas e quinze minutos. A requisição do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) para o exame da casa foi entregue ao Instituto de Criminalística às oito horas e trinta e cinco minutos, mas os técnicos só chegaram ao local pouco antes das onze horas. Durante esse tempo, agentes vasculharam a cena do crime. Não se sabe se os tiros dados “de dentro para fora”, como consta do laudo assinado pelo perito Alceu Almeida Proença, foram inventados ou disparados pelos próprios agentes com a finalidade de incriminar as vítimas.

O documento afirma que os “ocupantes da moradia” dispararam com revólver calibre trinta e oito e carabina Winchester calibre quarenta e quatro, modelo 1892. No entanto, conforme diz a perita Eliana Menezes Sansoni no laudo específico das armas, a pesquisa de resíduos de combustão de pólvora mostrou que os tiros eram de revólveres das marcas Taurus e OH (Orbea Hermanos). Outro dado de Eliana Menezes Sansoni que contradiz a versão de Proença é o exame em um revólver INA calibre trinta e dois, em um rifle Castelo calibre vinte e dois e em três facas — todos arrolados no auto de apreensão e ignorados pelo perito. Nas sessenta e nove fotos que ilustram a descrição da cena, apenas o Taurus e a Winchester aparecem.

Outro indício flagrante da fraude é a data requerida pelo DOPS para a perícia, 21 de dezembro, quase uma semana depois do ocorrido. No laudo do perito, não constam detalhes prosaicos, como a distância entre a posição dos corpos e as armas. Os mortos não foram examinados para constatar a presença de resíduos de pólvora nas mãos e o laudo dos legistas que fizeram a autópsia tampouco comenta a existência de vestígios de explosivo.

Os comandantes da operação não desconheciam o que havia dentro da casa. Foram para o local com ordens deliberadas para a encenação. A preparação do massacre, segundo a versão da ditadura, durara três meses e os idealizadores da ação sabiam minúcias daquela casa frágil, com uma sala, dois quartos de nove metros quadrados cada, banheiro e cozinha. Nos fundos, havia uma área envidraçada; na frente, um alpendre em forma de arco descrito pelo perito como “área coberta”. O pequeno jardim e o quintal amplo fazendo divisa com o terreno onde havia a construção completavam a aparência de uma residência comum, como tantas outras que existiam na Rua Pio XI.
Erasmo Dias, o então secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, reconheceu, em entrevista concedida a este autor em seu gabinete de vereador na Câmara Municipal de São Paulo em 2001, que as únicas armas portadas pelos dirigentes do PCdoB assassinados eram canetas. Segundo ele, a matança não teve justificativa nenhuma e a explicação para a chacina, que corria à boca pequena, era a de que a reunião fora organizada pelo PCdoB, que havia dado cinco anos de trabalho à repressão com a Guerrilha nas selvas do Araguaia.

Duas figuras centrais da trama estavam no comando da operação: o tenente-coronel Rufino Ferreira Neves e o delegado Sérgio Paranhos Fleury, que participou da fuzilaria. Eles sabiam, é claro, o que representavam os que estavam na casa. Havia uma determinação de não tolerar qualquer ação de dirigentes das organizações “subversivas” e uma reunião como aquela, nas barbas da repressão, era uma atitude inaceitável. A preparação do massacre envolveu uma engenhosa teia de comunicações e foi montada de forma a evitar qualquer falha.

***

O aparelho repressivo no estado de São Paulo carregava nas costas uma galeria de crimes repugnantes e o presidente da República, o ditador Ernesto Geisel, prometeu discipliná-lo. Mas enfrentaria resistências e usaria a força para tentar rompê-las. Na rígida hierarquia militar, desobedecer a um superior constitui indisciplina gravíssima. Condutas indóceis à autoridade devem ser castigadas de modo severo, assim determina a lei da caserna.
O II Exército fora louvado nos tempos do presidente Emílio Garrastazu Médici, quando montou a Operação Bandeirantes (Oban) e serviu de exemplo para os demais Comandos na criação dos Destacamentos de Operações de Informações (DOI) e Centros de Operações de Defesa Interna (Codi). Mas estava na hora de mudar. A Oban unificou as ações de todos os órgãos da repressão e foi oficializada como modelo nacional pela “Diretriz Presidencial de Segurança Interna”, assinada por Médici em setembro de 1970. Era a certidão de nascimento do terrorismo oficial de Estado.
O comandante do II Exército, general José Canavarro Pereira, nomeou para a direção da Oban o major Carlos Alberto Brilhante Ustra, que seria personagem de atos bárbaros na prática de torturas e assassinatos. A linha dura, que ganhou plenos poderes com Médici, não aceitou as promessas de abrandamento de Geisel.

Em 1974, quando Geisel assumiu a Presidência da República, o II Exército já era comandando pelo general Ednardo D’Ávila, da chamada linha dura. Seus abusos foram relatados em carta do ministro da Justiça, Armando Falcão, ao presidente, enviada dia 19 de março de 1975. Nela Falcão disse que o ministro do Exército, Silvio Frota, havia manifestado “preocupações com as observações que recebeu do comandante do II Exército” sobre o “ambiente que se está criando em São Paulo, no meio militar, devido à sistemática campanha de jornais”. Desaparecimento de “subversivos” e “prisões de elementos ligados à subversão”, além de “supostos maus tratos (torturas) que seriam infligidos a eles”, estariam sendo explorados “tendencialmente”.

A resistência às palavras de Geisel chegaria às vias de fato quando Ustra, já radicado em Brasília como instrutor da Escola Nacional de Informações e servindo no gabinete do ministro do Exército, Silvio Frota, usou a força para tentar levar os comandantes de Exércitos ao Ministério e anunciar um golpe de Estado. Ele e os demais integrantes do grupo de Frota imaginavam que conquistariam ampla adesão, mas o general Hugo Abreu, chefe do Gabinete Militar, antecipou-se e foi para o aeroporto, conseguindo levar todos à presença de Geisel para prestar solidariedade ao presidente. Ustra, agressivo no cumprimento da determinação de Frota, apelou para a força física contra o general Dilermando Monteiro, que havia assumido o II Exército.

A troca de comando em São Paulo revelava a profundidade da fenda que se abriu no regime. Geisel tentava demonstrar um anticomunismo menos rombudo, diferenciando-se do modelo selvagem que vinha desde o combate à insurreição de 1935. Em entrevista a Maria Celina d’Aquino e Celso Castro, da Fundação Getúlio Vargas, ele descreveu um diálogo com Frota sobre o combate à “subversão”. O ministro do Exército disse que desde o levante na Praia Vermelha o comunismo estava cada vez mais ativo, mais forte e perigoso. Então, o método de luta adotado — de matar, esfolar, brigar — não servia, replicou o presidente. Estudasse outra maneira de enfrentar o adversário. No fundo, não era um problema militar, mas social e político, avaliou Geisel.

Suas manifestações nessa entrevista, contudo, não passaram de jogo retórico para tentar se diferenciar do seu antecessor, o general Emílio Garrastazu Médici — Geisel também era um ditador comprometido com os crimes do regime. Foi dele a orientação para matar e desaparecer com os membros do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB). As ações criminosas no Araguaia, onde ocorreu a Guerrilha dirigida pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), já no seu governo, foram firmemente apoiadas por ele. Geisel também deu aval à chacina da Lapa. O que o ditador apresentava como abrandamento da repressão era na verdade ações para pôr os porões repletos de criminosos sob as suas rédeas.

***

A chamada linha dura reagiu e bateu de frente com o presidente. Frota foi demitido e tentou o golpe. No seu manifesto golpista, falou de infiltração de comunistas “nos órgãos do governo”, levantando ainda mais as labaredas da cizânia. Geisel reagiu dizendo que lutava contra os comunistas e contra os que combatiam o comunismo. Um acontecimento inaudito, porém, apanhou a contenda no meio do caminho. Quando Geisel dava por realizada a tarefa de combater a “subversão”, em outubro de 1975 o jornalista Wladimir Herzog morreu sob torturas nas dependências do DOI-Codi paulista.
Preso no dia 25 por volta das oito horas da manhã, no final da tarde estava morto. A versão oficial dizia que ele havia se enforcado com o cinto do macacão de presidiário. Herzog recebera uma intimação para que se apresentasse e esclarecesse o envolvimento com o PCB. O pretexto foi uma produção da BBC de Londres levada ao ar no telejornal do meio dia da TV Cultura, da qual ele era diretor de jornalismo, sobre a vida do líder comunista vietnamita Ho Chi Min. Fosse ao DOI-Codi explicar o caso, como fizeram outros jornalistas da emissora que também foram recepcionado com torturas. Saiu de lá morto.

Geisel atribuiu a morte de Herzog ao Estado Maior do II Exército. Ednardo D’Ávila descentralizou o comando e deixou o pessoal subordinado agir, enquanto se dedicava às relações sociais. Nos fins de semana, saía da cidade para desfrutar da vida campestre oferecida por amigos. Aí os “elementos radicais” agiam. Na tramitação do inquérito, o presidente notou resistência de Ednardo D’Ávila em apurar o caso. Mas contemporizou.

O episódio comoveu o país e representou um divisor de águas — catalisou ações vigorosas para iniciar o processo de redemocratização. A pedido da família e do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, um culto ecumênico na Catedral da Sé, co-celebrado pelo cardeal dom Paulo Evaristo Arns, pelo reverendo Jaime Wrigth e pelo rabino Henry Sobel, homenageou Herzog.

Mais de oito mil pessoas ouviram o rabino dizer que “Wladimir Herzog era um homem de visão, de percepção e dedicação”. O reverendo Wrigth afirmou: “Quando cai a noite, o pastor não vai para casa e jamais abandona suas ovelhas. Quando a noite vem, o perigo é maior. É durante a noite que elas precisam mais deles.” E o cardeal Arns disse que “ninguém mata um homem e fica impune”. Mas os mesmos que mataram o jornalista logo matariam outro homem. Foi no dia 17 de janeiro de 1976, um sábado.
***
Manoel Fiel Filho trabalhava havia dezenove anos na fábrica Metal Arte, no bairro paulistano da Mooca. Na sexta-feira, não mostrou nenhuma preocupação quando dois homens lhe disseram que ele precisava ir ao DOPS “para fazer um reconhecimento”. No dia seguinte, sábado, um táxi parou em frente è residência número 155 da Rua Coronel Rodrigues, no bairro de Sapopemba. Um homem desceu, jogou no quintal um saco de lixo e um envelope, e berrou: O seu Manoel tentou o suicídio! No saco azul de vinte litros, com o emblema da Lixeira Ideal, estavam a calça e a camisa de brim, o cinto e um par de sapatos. No envelope, com o timbre do Exército, os documentos de Manoel. O corpo apresentava sinais evidentes de torturas, em especial hematomas generalizados, principalmente na região da testa, pulsos e pescoço.

Ao receber a notícia, Geisel tomou a decisão de demitir Ednardo D’Ávila. A demissão desagradou profundamente os generais da linha dura. O ditador relata ter falado grosso com Frota, determinando que demitisse também o chefe do Centro de Informações do Exército (CIE), general-de-brigada Confúcio Danton de Paula Avelino. Deveria saber o que estava acontecendo em São Paulo. Informasse o ministro do Exército, que informasse Geisel. Como não fez, fosse substituído. Ednardo D’Ávila estava fora irremediavelmente — sua atração pelo society, seduzido pelos magnatas para doces week-end nas fazendas, sítios e chácaras, deixava o Exército, segundo o ditador, “à matroca” (ao acaso, à toa) nos finais de semana e a linha dura de mãos livres. Sobrou até para o ministro Frota, também demitido.

Geisel passou a caminhar na corda bamba. De um lado, a oposição ganhava impulso e exigia velocidade na abertura. De outro, a linha dura lutava para sobreviver — o gesto tresloucado de Frota, no episódio da tentativa de golpe, foi um típico ato de sobrevivência. Hábil, o ditador recompôs o seu poder e saiu fortalecido. Quando a operação da chacina da Lapa começou a ser montada, ele demonstrou que a abertura estava rigorosamente limitada aos seus ditames.

Geisel apoiou o plano do general Dilermando Gomes Monteiro, que assumira o II Exército no lugar de Ednardo D’Ávila, em conluio com o I Exército, do Rio de Janeiro. A “grande reunião dos chefes comunistas”, disse o presidente, não representava mais a força de antes mas poderia ser o inaceitável “recrudescimento do comunismo”. No comando do trabalho do II Exército, estava o chefe do DOI-Codi paulista, o tenente-coronel Rufino Ferreira Neves.

***

O outro braço da repressão em São Paulo era liderado pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, diretor da Divisão de Ordem Social do DOPS, famoso por suas ações bandoleiras. Conhecido como Esquadrão da Morte, o grupo desse delegado apresentava uma extensa folha corrida. Não foram poucas as vezes em que Fleury se viu na condição de réu, mesmo sendo fiel serviçal do regime e submetido às leis frouxas para quem era do mundo da repressão. A partir de 1974, ganhou mais um protetor, vindo das hostes militares — o coronel Erasmo Dias, que assumiu o comando da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

A indicação decorria de um acordo do governo federal com o governador do estado, Laudo Natel. A operação envolveu autoridades militares e até o então ministro do Exército, general Dale Coutinho, que antecedeu Silvio Frota. Havia choques entre as esferas militar e civil; a presença de Erasmo Dias na Secretaria de Segurança seria uma tentativa de encontrar um ponto de equilíbrio. Foi bem na função. Tanto que se manteve no cargo quando Paulo Egydio Martins substituiu Laudo Natel.
Comprometido com o regime até a medula, quando comentava assuntos daquele período Erasmo Dias se exaltava, fazia caretas, gritava, exasperava e oscilava bruscamente o tom de voz. Discordava da linha dura, apesar de ter participado de ações terroristas em nome do Estado, mas nutria admiração confessa pelas atrocidades cometidas pelo bando de Fleury. As farsas montadas para divulgar as mortes no DOI-Codi também precisavam de autorizadas mãos civis — como demonstraria o desdobramento do massacre da Lapa. Os inquéritos derivados da Lei de Segurança Nacional eram atribuição do DOPS.

***

A operação que resultaria no fuzilamento de Pedro Pomar e Ângelo Arroyo foi montada com a técnica desse arranjo repressivo de São Paulo. Quando os caminhos da ação já estavam traçados, com todos os detalhes mapeados, o chefe do Estado Maior do II Exército, general-de-brigada Carlos Xavier de Miranda, enviou um ofício para Erasmo Dias informando “que o comandante do II Exército tomou conhecimento de que estaria havendo reuniões clandestinas na área com o comparecimento de elementos ligados à subversão”. A operação de informação “em curso das investigações” levantou “atividades subversivas de elementos sobejamente conhecidos por suas ações junto ao PCdoB”, entre eles citou Pedro Pomar.

No mesmo dia, o delegado Fleury baixou uma portaria instaurando “autos de investigação policial, de caráter confidencial, para o devido acompanhamento das diligências que estão em andamento, uma vez que o ofício foi despachado para esta Divisão”. Carlos Xavier de Miranda, o general-de-brigada que chefiava o Estado Maior do II Exército, voltou a falar com Erasmo Dias, quatro dias depois. Dilermando Monteiro pediu-lhe que comunicasse detalhes da operação que seria realizada em 16 de dezembro na casa 767. Faltavam dois dias.

O ofício pedia ao secretário da Segurança Pública que a partir das seis horas da manhã fosse montado um esquema, “com a finalidade de tranquilizar os moradores vizinhos da citada residência e os transeuntes, bem como seja o trânsito desviado das proximidades do local onde será realizada a operação”. Erasmo Dias despachou o ofício ao DOPS, “para as providências”, e Fleury providenciou, no mesmo dia, sua incorporação à portaria por ele instaurada quatro dias antes.

***

Enquanto os papéis transitavam de mão em mão, Dilermando Monteiro discursava para oficiais que chefiavam as principais unidades do II Exército em uma confraternização de Natal. Ele se preparava para as férias, que começariam dia 27. O Jornal do Brasil reproduziu, em 15 de dezembro, trechos do discurso. “Qualquer um de nós, que praticamos a doutrina cristã, também saberá vibrar o chicote contra aqueles que são os vendilhões da pátria e expulsá-los do templo cívico de nossa nação”, ameaçou.

O general estava com o espírito bélico aflorado. “Não se deve confundir, portanto, amizade, camaradagem e boa vontade com fraqueza ou medo de agir. É preciso não confundir, como muitos fazem, a serenidade com medo, o bom humor com falta de agressividade, a alegria com tibieza, porque o próprio Jesus nos deu um exemplo quando expulsou dos templos aqueles que perturbavam o ambiente com ideias malsãs, de fundo materialista (...). Ainda permanece válido o se vis pacem para bellum (se queres a paz, prepara a guerra)”, disse.

O tom profético era entremeado por recados que denotavam advertência aos vacilantes e cumplicidade dos altos escalões do governo com a chacina que se avizinhava. “Ainda temos de estar preparados para enfrentar os ambiciosos, os desejosos de poder que querem infiltração para dominar e subjugar. Enquanto isso permanecer, temos de estar prontos para a luta, para empunhar o chicote. Por isso, estamos unidos em torno de nossos chefes, porque eles sabem o terreno em que estão pisando, conhecem o modo de enfrentar os obstáculos e de vencê-los. Sabem nos levar ao melhor destino”, discursou.

Aos sessenta e três anos, a hora de Pedro Pomar estava chegando. Sua voz seria silenciada para sempre e sua história impedida de começar a ser contada até que os primeiros raios de luz fulminassem as trevas da noite de terror que se abateu sobre o país entre os dias 31 de março e 1º de abril de 1964. Caiu, literalmente, quando fazia sua última defesa do Partido Comunista do Brasil, caminhando em direção aos papéis que registravam opiniões de dirigentes comunistas em debates intensos sobre rumos para conduzir o Brasil à democracia e à justiça social. A pátria perdia um de seus filhos que jamais fugira à luta. Faltavam nove dias para o Natal.
___________
Prólogo da biografia "Pedro Pomar — a história de um revolucionário do Partido Comunista do Brasil"

*Osvaldo Bertolino é editor do Portal da Fundação Maurício Grabois.

Fonte: Fundação Maurício Grabois



quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Missa de 2 anos do falecimento de Seu Louro, meu pai


Meu pai, Seu Louro, José Freire, goleiro, massagista, árbitro - toda a vida foi um entusiasta do futebol - faleceu no dia 16 de dezembro de 2010. Não deixou uma dívida, só um amor de vida inteira, desajeitado e perene, forte e vigilante, que sempre nos amparou e move até hoje.

Celebraremos a sua vida e a nossa imensa saudade nesse domingo, 16, às 19h00 em uma missa na Paróquia do Verbo Divino, na L2 (609 Norte).

José Freire da Silva - Seu Louro - 1939 - 2010 - Galeria de imagens

Silêncio na Vila Olímpica Elzir Cabral* - Paulo Vinícius



FHC é convidado a dar explicações sobre a Lista de Furnas




O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), conseguiu aprovar hoje (12), na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, requerimento em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é convidado a dar explicações sobre a chamada "Lista de Furnas", esquema criado por tucanos em Minas Gerais para financiar campanhas políticas com "caixa dois" às custas da empresa estatal.

“O depoimento de FHC é fundamental, já que ele tem expertise na área e deve explicar como se deu o envolvimento dele e de seus auxiliares com o esquema”, disse o líder. A justificativa envolve o esclarecimento de "informações contraditórias sobre documento relativo a doações a agentes políticos que teriam sido levadas a efeito por Furnas”.

Na mesma sessão da comissão foi aprovado convite para que o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, também preste depoimento. O requerimento a respeito de Gurgel é de autoria do presidente do colegiado, senador Fernando Collor (PTB-AL). O objetivo é obter de Gurgel explicações sobre como se dá a relação entre o MPF e os órgãos de inteligência do Estado.

O líder Jilmar Tatto também defendeu hoje a instalação imediata da CPI da Privataria, cujas assinaturas já foram coletadas pelo deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP). O líder vai tratar deste tema hoje, com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), de quem depende a decisão de instalar a CPI.

O pedido de abertura da CPI baseia-se no livro "A Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Jr. A obra, resultado de 12 anos de investigação sobre o processo de privatizações das empresas estatais no Brasil, destaca documentos que apresentam indícios e evidências de irregularidades nas privatizações que ocorreram durante a administração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, além de amigos e parentes de seu companheiro de partido, José Serra.

Os documentos procuram demonstrar que estes políticos e pessoas ligadas a eles realizaram, entre 1993 e 2003,movimentos de milhões de dólares, lavagem de dinheiro através de offshores - empresas de fachada que operam em Paraísos Fiscais - no Caribe.

Equipe PT na Câmara

Nicolás Maduro anuncia que proceso posoperatorio de Chávez será "complej...

Ministerio de Turismo y Deporte firmó acuerdo de cooperación con Brasil - Presidencia del Uruguay

Ministerio de Turismo y Deporte firmó acuerdo de cooperación con Brasil - Presidencia del Uruguay
Copa del Mundo y Olimpíadas




Ministerio de Turismo y Deporte firmó acuerdo de cooperación con Brasil

El ministro de Deporte de Brasil, Aldo Rebelo, dialogó con el Presidente, José Mujica, en la Torre Ejecutiva. En la ocasión, la ministra de Turismo y Deporte, Liliam Kechichián, firmó un acuerdo con el ministro brasileño, con el objetivo de afianzar un programa de cooperación deportiva para la preparación de los deportistas de ambos países, frente a la Copa del Mundo de 2014 y a las Olimpíadas de 2016 en Brasil.

Liliam Kechichián firmó el martes 11 en la sala de conferencias de la Torre Ejecutiva junto al ministro de Deporte de Brasil, Aldo Rebelo, el inicio de un programa de cooperación entre Brasil y Uruguay que tiene como principal objetivo la preparación de los deportistas de ambos países para la Copa del Mundo de 2014 y lasOlimpíadas de Río de Janeiro de 2016. El evento actualiza un acuerdo elaborado en 2005, que propicia el apoyo técnico cooperativo en diversas actividades deportivas, atendiendo las necesidades de cada país.


El programa implica el intercambio de apoyo técnico en las modalidades deportivas excluidas. Uruguay recibirá asesoramiento en áreas de fútbol femenino, el volleyball y la natación, y brindará apoyo a Brasil en modalidades como el rugby, el ciclismo y el hockey.

El ministro brasilero, Aldo Rebelo, destacó la importancia del acuerdo como vehículo para lograr la “valorización del fútbol sudamericano como patrimonio deportivo, social y cultural”, en un “momento de inflexión” que atraviesa actualmente esta modalidad deportiva.

Por su parte, Kechichián reafirmó la necesidad del acuerdo como instancia de “profundización de los lazos de integración entre los dos países” y resaltó que el mismo facilita “el acceso de atletas uruguayos a centros de alto rendimiento en Brasil”.

Además, la ministra hizo pública la propuesta brasilera de realizar un programa de voluntariado, a través del cual jóvenes uruguayos podrán “registrarse como voluntarios para acompañar ese proceso de tanta riqueza que es participar de un mundial o de una olimpíada”, y agradeció a la prensa la difusión de esta iniciativa.

Concurrieron también al evento el embajador de Brasil en Uruguay, Carlos de Souza-Gomes, y el director nacional de deporte Ernesto Irurueta.


FHC e Gurgel vão depor. Lista de Furnas na pauta | Conversa Afiada

FHC e Gurgel vão depor. Lista de Furnas na pauta | Conversa Afiada

BASE GOVERNISTA CONSEGUE APROVAR CONVITES PARA OUVIR ROBERTO GURGEL E FHC

BRENO COSTA
DE BRASÍLIA

Numa manobra articulada com o senador Fernando Collor (PTB-AL), a base do governo conseguiu aprovar convites para que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, prestem depoimentos à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência. Por se tratar de convites, eles não são obrigados a comparecerem.

Já o requerimento relativo a Fernando Henrique Cardoso, de autoria de Tatto, tem conotação explicitamente política. A justificativa envolve o esclarecimento de “informações contraditórias sobre documento relativo a doações a agentes políticos que teriam sido levadas a efeito por Furnas”. Trata-se da chamada Lista de Furnas, que veio à tona durante o escândalo do mensalão e que trazia supostas doações ilegais de Furnas a diversos políticos do PSDB.

Ao mesmo tempo, a comissão derrubou três requerimentos da oposição, que pedia a convocação dos ministros Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União), Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e de Rosemary Noronha, a ex-chefe de gabinete do escritório regional da Presidência da República em São Paulo, para prestar esclarecimentos sobre as investigações da Operação Porto Seguro.

A comissão não é convocada com regularidade. Esta foi apenas sua terceira reunião em 2012. É composta por apenas seis integrantes, quatro deles da base do governo.

Os requerimentos para os convites a Gurgel e FHC não estavam previstos na pauta da comissão, e foram incluídas durante a sessão, após acerto entre o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), e Collor, que preside a comissão.

O convite a Gurgel, proposto por Fernando Collor, que protagonizou discursos duros contra Gurgel na CPI do Cachoeira, tem como justificativa ouvi-lo sobre as relações entre o Ministério Público e órgãos de inteligência.

Flávio Dino defende união das oposições em 2014 no Maranhão  - Portal Vermelho

Flávio Dino defende união das oposições em 2014 no Maranhão  - Portal Vermelho



Presidente estadual do PCdoB e uma das principais lideranças de oposição no Maranhão, o presidente da Embratur, Flávio Dino, em entrevista ao jornalista Américo Azevedo Neto, na TV Guará, canal 23, analisou temas importantes da política maranhense e enfatizou a importância da união das oposições no Maranhão em nome de uma nova maneira de governar.



Ele definiu o ideal de mudança que tem norteado a oposição no estado: "Novo no conteúdo, invertendo as prioridades".Ele definiu o ideal de mudança que tem norteado a oposição no estado: "Temos que olhar para o passado criticamente. Mas, sobretudo, olhar para o futuro com esperança. Novo no conteúdo, invertendo as prioridades". Flávio Dino afirmou que ainda não está em campanha para as eleições de 2014, apesar de ter apoiado diversas candidaturas em todo o Maranhão nas eleições de 2012.

“É essa a ideia da aliança: a busca por perspectivas diferentes, de melhoria para o Maranhão. Procuramos uma aliança que expresse esses anseios espalhados pelas diferentes regiões do Maranhão – e todas elas clamam por mudança da realidade em que vivem,” destacou.

Conhecer os problemas por que passam os maranhenses e saber as potencialidades de cada região do estado é uma das saídas apontadas por Flávio Dino para reverter o quadro de atraso social e econômico que se instalou no estado.

"Acreditar no nosso povo, investir na produção do nosso estado. Fazer com q os 12 bilhões do nosso estado seja aplicado devidamente. Acabar com o patrimonialismo, fazendo com que o público não se confunda mais com o privado. Essa é a nova perspectiva," afirmou.

Sobre os possíveis adversários nas eleições de 2014, Flávio Dino preferiu discutir as condições de seu grupo político de oposição. Questionado sobre quem seria o melhor nome para a disputa, Flávio respondeu: “Este é um assunto interno ao grupo Sarney. Respeitaremos quem quer que seja o adversário, mas neste momento me preocupo mais com a união do campo da oposição.”

Planos para o Maranhão

Analisando diversos números que demonstram o descaso do governo do estado com a população maranhense, Flávio Dino lamentou que o quadro social do estado permaneça inalterado desde as eleições de 2010, quando concorreu ao governo do estado e apresentou um Plano de Governo baseado na melhoria dos índices estaduais.

Ao destacar os últimos números divulgados a respeito do desenvolvimento da educação básica, do Ensino Médio, do saneamento básico e do desenvolvimento social, Flávio Dino afirmou que não se tratam de apenas números, mas de uma realidade que precisa ser revertida.

“Esses números não são números frios. Eles nos indignam porque retratam uma realidade que precisa ser mudada e muito me entristece que essa realidade permaneça a mesma. Gostaria que houvesse uma melhora do nosso quadro social,” refletiu.

Trabalho na Embratur

Flávio Dino deu destaque ainda ao trabalho realizado em mais de um ano à frente da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur) e às parcerias feitas com o governo do estado e a prefeitura de São Luís para divulgar o estado em feiras internacionais. Entre as principais formas de divulgação, esteve a participação do Maranhão em uma das maiores feiras mundiais do turismo, Top Resa, em Paris.

“O bom político sabe distinguir a luta política do exercício administrativo. Não podemos favorecer ou deixar de atender nossos companheiros ou adversários políticos. É importante frisar que fizemos um bom trabalho ao lado dos ministros do Turismo Gastão Vieira e Pedro Novaes, que, apesar de estarem em lados diferentes da política, bons trabalhos com a Embratur,” destacou.

A falta de projetos apresentados pelo governo do estado e pela prefeitura de São Luís foi apontada como entraves para que a Embratur possa ajudar ainda mais o Maranhão. “Foi aberto um edital para voos charter (fretados), que são importantes para o desenvolvimento do turismo internacional, mas o Maranhão não participou. Vários outros estados do Nordeste foram beneficiados,” lembrou Flávio

Dino.

Fonte: Vermelho do Maranhão



Em debate, CTB e o CES analisam crise econômica mundial - Portal Vermelho

Em debate, CTB e o CES analisam crise econômica mundial - Portal Vermelho

Foi iniciado nesta terça-feira (11), em São Paulo, o Seminário “O processo de integração Latino-Americano e os Trabalhadores”, organizado pela Secretaria de Relações Internacionais da CTB e pelo Centro Nacional de Estudos Sindicais e do Trabalho (CES), a partir de uma análise do atual cenário internacional, marcado pela maior crise econômica já vista desde a chamada Grande Depressão, de 1929.



O primeiro painel teve como tema “As potências emergentes, os blocos econômicos e o cenário de crise mundial”. Para tratar desse tema, foram convidados o secretário de Relações Internacionais do PCdoB, Ricardo Abreu (o Alemão), e o primeiro vice-presidente do PSB, Roberto Amaral.

Para o dirigente comunista, o seminário ocorre em um momento de grave crise internacional, que tem acelerado o processo de desenvolvimento desigual entre as nações. Para ele, esse cenário “exige uma nova ordem mundial”. Nesse sentido, Alemão crê que a América Latina deve lutar a partir de uma nova perspectiva, sem a hegemonia dos Estados Unidos. “O movimento sindical precisa saber o que está se passando e qual rumo tomar”, ponderou.

Alemão disse também que a atual crise não tem uma saída progressista palpável e que o atual quadro compromete a soberania das nações mais fracas. Além disso, ele aponta um retrocesso democrático e social das conquistas dos trabalhadores. “É uma época de regressão”, denunciou, para em seguida se posicionar sobre a integração latino-americana: “É um processo que não pode ser comparado à União Europeia e que deve assegurar soberania nacional, combater assimetrias e ser marcado pela cooperação, além de defender os interesses dos trabalhadores”, afirmou.

Contraponto

A palestra de Roberto Amaral foi marcada por um grande contraponto em relação ao título do seminário. O professor deixou claro, em mais de um momento, que não crê, em suas análises, na possibilidade de uma real integração latino-americana, mas sim em um processo que englobe apenas as nações da América do Sul.

“Não consigo vislumbrar essa possiblidade, pois os países do Caribe, por exemplo, estão diretamente ligados ao domínio dos Estados Unidos”, argumentou, logo após citar o fato de que a América do Sul e a África são os principais parceiros comerciais do Brasil na atualidade. “Se observarmos nossos vizinhos, temos grandes possibilidades políticas, geopolíticas e até mesmo mais familiaridade com sua língua, fatores que nos permite ter um projeto específico para a América do Sul”.



Independentemente dessa posição, Amaral entende que os movimentos sociais em geral precisam discutir com mais intensidade esse tema. “O grande desafio é trazer a sociedade para esse debate. Os trabalhadores e os estudantes precisam participar dessa discussão, pois o governo fica isolado, enquanto somente a mídia de direita aborda esse tema”, defendeu.

Ao falar sobre a fase atual do capitalismo, a crítica do dirigente do PSB também foi direcionada à esquerda brasileira, de modo geral. “Qual a denúncia que estamos fazendo? Que alternativa estamos oferecendo para combatê-la?”, questionou. Ainda sobre o cenário atual, Amaral afirmou que não está entre os analistas que veem os Estados Unidos iniciarem um período de decadência, apesar da dimensão da crise financeira. “Não misturo a análise realista com meus sonhos”, disse.

Segundo dia

O seminário terá continuidade nesta quarta-feira (12), com mais dois painéis. Confira abaixo sua programação e palestrantes:

10h30: Conferência - O atual processo de integração da América Latina: os desafios para a América do Sul
Palestrante: Samuel Pinheiro Guimarães, embaixador e ex-ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos.
Coordenação: Gilda Almeida

11h30 - Debate
12h30 – Almoço
14h – Painel: A integração sob a ótica dos trabalhadores

Palestrantes:

Juan Castillo, coordenador do Encontro Sindical Nossa América (ESNA).
Maria Silvia Portella de Castro, socióloga, especialista em movimento sindical latino-americano.
Coordenação: João Batista Lemos

15h30 – Intervalo (café)
15h45 – Debate com os participantes
18h – Encerramento do seminário

Fonte: Portal CTB

40 anos do massacre da Comissão Nacional de Organização do PCdoB - Portal Vermelho

40 anos do massacre da Comissão Nacional de Organização do PCdoB - Portal Vermelho



Entre o final de abril e início de maio de 1972, os militantes do PCdoB foram alertados de que a guerra popular havia começado e era preciso cuidar mais e melhor da segurança partidária, pois certamente a repressão se voltaria então para a eliminação da organização que promovia a guerrilha na região do Araguaia. De fato, a onda repressiva atingiu em cheio as fileiras do PCdoB.

Por Augusto Bounicore*



Em junho todo o setor secundarista do Rio de Janeiro caiu nas mãos da polícia. A maioria era composta de militantes da União da Juventude Patriótica (UJP), um dos seleiros de recrutamento para a luta armada. Em agosto foi preso Ronald Rocha, membro do Comitê Central e diretor da UNE. Quedas começaram a acontecer em vários outros estados. Em 16 de outubro foi preso e barbaramente torturado o veterano dirigente comunista José Duarte, principal dirigente do Partido na Bahia. Eram apenas os primeiros sinais do que ainda estava por vir.

O principal objetivo da ditadura, naquele momento, era destruir qualquer contato entre os que lutavam no campo e a estrutura do Partido nas cidades. Precisava isolar completamente a guerrilha. Assim, a destruição da Comissão Nacional de Organização do PCdoB, comandada por Carlos Danielli, passou a ser uma questão de honra para a repressão. Os guerrilheiros já haviam imposto uma derrota humilhante às Forças Armadas durante a primeira campanha militar, entre abril e junho de 1972.

Primeiro capítulo – Lincoln Cordeiro Oest

A chance de colocar as mãos nessa comissão surgiu a partir de uma série de prisões ocorridas no Espírito Santo em final de novembro daquele mesmo ano. No dia 30 caiu Foedes dos Santos, secretário político do Comitê Regional capixaba. Sob torturas, ele revelou o “ponto” onde se encontraria com o dirigente Lincoln Cordeiro Oest: na Rua Cupertino, bairro do Méier no Rio de Janeiro às 19 horas do dia 20 de dezembro. Os órgãos de repressão haviam pegado o fio da meada. Não se tem detalhes da prisão de Lincoln. A única coisa sabida é que foi preso juntamente com João Muniz de Araújo, militante e motorista responsável por conduzi-lo aos pontos.

A imprensa brasileira, devidamente instruída pelos órgãos de repressão, construiu uma vergonhosa farsa sobre as condições de sua prisão e morte. Lincoln teria revelado um encontro que teria com o seu camarada Luiz Guilhardini. Afirmava o texto policial: “Na hora marcada, Lincoln foi deixado sozinho, mas vigiado à distância. Uma vez livre, o terrorista tentou a fuga, penetrando em um pequeno bosque a fim de sair em uma rua paralela à Garcia Redondo. Os agentes abriram fogo, atingindo-o com vários disparos. Gustavo (Luiz Guilhardini), que vinha se aproximando, tratou de fugir, conseguindo seu objetivo, apesar da perseguição. Prestados os socorros a Lincoln, este não resistiu e acabou morrendo”. Um relatório policial diz que seu corpo foi encontrado num terreno baldio com vários “ferimentos perfuro-contusos, produzidos por projetos de armas de fogo”. O laudo afirma que levou cerca de nove tiros. Nove tiros para conter um fugitivo desarmado?

Como de praxe, os militares jamais se preocuparam em dar uma versão minimamente coerente e unificada sobre os assassinatos cometidos durante a ditadura. O relatório do Ministério da Marinha, por exemplo, diz que Lincoln “foi morto em intenso tiroteio com agentes de segurança, após escapar ao cerco à Rua Itapemirim, RJ”. Intenso tiroteio que não deixou nenhum policial ferido.

Contradizendo isso, existem relatos seguros de que Lincoln foi bastante torturado e morreu agonizando nos cárceres da ditadura. Por fim, deixamos a palavra ao general Oswaldo Pereira Gomes – relator do caso na Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos: “todas as provas anexadas ao caso levam a crer que não houve tiroteio e Lincoln foi levado ao local que foi morto, sendo ali fuzilado”. O que não diz é que: se foi fuzilado, só pode ter sido depois de barbaramente seviciado num quartel do Rio de Janeiro. Lincoln morreu aos 65 anos de idade.

Seja como for, Lincoln não falou nada para seus algozes que permitisse atingir a direção do PCdoB. Contudo, o motorista de Lincoln sabia do encontro que ele teria com dois outros importantes dirigentes, Carlos Danielli e Luiz Guilhardini, e, sob tortura, abriu os pontos. Para poder completar a caçada, a informação da morte de Lincoln Oest deveria ser mantida em completo sigilo até a missão de extermínio estar terminada.

Segundo capítulo – Carlos Danielli

Em 28 de dezembro, Carlos Danielli, num carro conduzido por César Telles, seguiu para o ponto marcado com Lincoln Oest. O encontro seria na Rua Loefgreen, bairro de Vila Mariana, zona sul de São Paulo. Por segurança, pediu para que o motorista circulasse pelo local. Nada lhe pareceu anormal. A visão do camarada do Rio de Janeiro que sempre conduzia Lincoln, o tranquilizou. Então, desceu do carro e se dirigiu ao local programado. Ali mesmo foi preso, embora não existam testemunhos do ato de prisão.

Vinte minutos depois, César e sua esposa Maria Amélia voltaram para apanhá-lo e foram imediatamente presos. Seguiram todos para o DOI-CODI e no caminho os policiais comunicaram eufóricos ao comando da operação: “pegamos um peixe grande!”. Carlos e César entraram no quartel em meio a socos e coronhadas. Alguns dias depois, a presa política Criméia de Almeida conseguiu ver Danielli. Ele estava inchado e inerte, quase morto.

Durante três dias, ele foi muito torturado pelas equipes comandadas pelo então major Carlos Alberto Brilhante Ustra, pelo capitão Dalmo Lúcio Muniz Cirillo e o "Capitão Ubirajara", codinome do Delegado de Polícia Aparecido Laerte Calandra. Mesmo muito machucado, respondia provocativamente a seus inquisidores: "É disso que vocês querem saber? Pois é comigo mesmo, só que eu não vou dizer". Nas últimas horas do seu suplício, escreveu com o próprio sangue nas paredes da sua cela: “Este sangue será vingado”. No dia 31 de dezembro de 1972 o dirigente revolucionário deixava de respirar, sem dar nenhuma informação a seus algozes. Segundo o jornalista Osvaldo Bertolino, um dos próximos pontos de Danielli, logo no dia 30, seria com João Amazonas, o principal dirigente do PCdoB.

Mancomunada com a ditadura militar, a Folha da Tarde (mas não só ela) publicou um artigo dizendo: “Carlos Nicolau Danielli foi preso e revelou à polícia que teria um encontro com um companheiro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que ambos dirigiam. Ele foi levado ao local e lá tentou avisar os companheiros, iniciando-se um tiroteio, que culminou com a morte de Carlos e fuga de seus companheiros. No aparelho montado por Carlos, foram encontrados materiais subversivos, como livros, uniformes roubados da Polícia Militar, produtos químicos para confecção de explosivos, metralhadoras e equipamentos de impressão do jornal comunista A Classe Operária. Nesse aparelho também funcionava a ABN ou Agência Brasileira de Notícias, que passava, para o exterior, informações falsas do Brasil, como entrevistas com supostos guerrilheiros da selva amazônica, feitas por repórteres imaginários. Antes de ser preso, Carlos dedicava-se ao aliciamento de jovens para o PCdoB”.

O Globo também caprichou na versão da morte do líder comunista: “Na véspera do Ano Novo, Danielli foi conduzido em diligência à Avenida Engenheiro Armando Arruda Pereira nas proximidades da Rua Cedros, onde ele se encontraria com seus companheiros da direção do Partido. Na hora marcada, surgiu um Volks branco, chapa CN 1006, que passou vagarosamente e estacionou uns 10 metros adiante. Danielli deixou a viatura policial e correu em direção ao fusca, numa tentativa de fuga. Os ocupantes do Volks abriram fogo contra o carro dos agentes. No tiroteio que se seguiu, Danielli foi atingido por alguns disparos. Seus companheiros de subversão, ao vê-lo caído, fugiram do local.

Recolhido pelos agentes, Danielli morreu quando era levado para o hospital”. Ainda segundo o jornal: “sua principal função era aliciar elementos jovens – geralmente estudantes de escolas médias e superiores – que eram encaminhados às áreas de treinamento de técnicas de guerrilhas no interior do país (...). No Comitê Central do Partido, ele, como jornalista, orientava o Setor de Imprensa”. Carlos Danielli tinha 43 anos ao ser assassinado e seu corpo foi enterrado como indigente no Cemitério Municipal Dom Bosco, localizado no bairro do Perus, em São Paulo.

Terceiro capítulo – Luiz Guilhardini

Como nos casos anteriores, a ditadura montou uma grotesca farsa para encobrir as verdadeiras condições do assassinato de Luiz Guilhardini. Vejamos o que escreveu O Dia: “Os agentes chegaram então ao ‘aparelho’, este localizado na Rua Guararema, 62, em Turiaçu, que era chefiada por Luiz Guilhardini, o ‘Gustavo’, que se evadira anteriormente. Preso, afinal, apontou outra célula, situada na Rua Guapimirim, chefiada por Lincoln Bicalho Roque, o ‘Mário’ e prontificou-se a entrar no aparelho para facilitar a sua prisão. Quando o carro trafegava por Vila Valqueire, ‘Gustavo’ pediu para reduzir a velocidade, pois estava próximo do aparelho. Ao pedir para parar o carro e descer, agrediu o motorista e saltou, saindo correndo pela calçada. O carro desgovernou-se e chocou-se com o meio-fio da calçada. Os agentes usaram as armas. O terrorista morreu” (O Dia, 06-01-1973). Do Auto de Exame cadavérico consta que ele teria sido atingido por seis projéteis de arma de fogo. Morreu aos 53 anos de idade.

Na verdade, no dia 4 de janeiro, a casa onde morava com sua família foi invadida por 13 homens armados. Segundo a sua esposa, Orandina, ali mesmo começaram as torturas. Ela, Luiz e o filho de apenas 8 anos foram encapuzados e levados para o DOI-CODI. Até a criança foi submetida a interrogatório e escutou os gritos do pai sendo torturado. Num dos interrogatórios, Orandina ouviu de um dos policiais que a interrogavam: "Seu homem bancou o durão e foi pro inferno e você também está a caminho para lhe fazer companhia”. Ela ainda ficaria presa por três longos meses. Durante este período Guilhardini foi enterrado como indigente. Entre 1980 e 1981 seus restos mortais foram levados para uma vala clandestina localizada no cemitério de Ricardo Albuquerque.

Em entrevista recente Dynéas Aguiar nos disse o que Amazonas lhe teria contado sobre a queda dos dois revolucionários que então atuavam no Rio de Janeiro: “Guilhardini separou-se de Lincoln Oest próximo ao local do encontro que teria com o camarada do Espírito Santo e ficou de voltar para irem juntos ao aparelho do Partido. Como, na volta, não o encontrou, logo imaginou que algo de errado tinha ocorrido. Tomou um ônibus que passava na frente da casa e conseguiu ver que ela já havia sido ocupada pela polícia. Saiu rapidamente das proximidades e logo que pôde informou a direção do Partido.

O camarada João Amazonas recomendou-lhe que saísse imediatamente do Rio de Janeiro. Guilhardini respondeu que não havia perigo, pois ninguém sabia onde ele residia com sua família. Contudo, o motorista preso juntamente com Lincoln deu uma pista importante para encontrá-lo. Ele sabia que Guilhardini, sendo loiro e de olhos azuis, tinha um filho adotivo negro que estudava numa escola em determinada região. A polícia investigou e descobriu a escola e o garoto. Então, ficou esperando que ele fosse buscado, seguiu-os e descobriu a casa de Guilhardini. Ali ele, a mulher e o filho foram presos”.

Só a partir de 5 de janeiro – um dia depois do assassinato de Guilhardini – as mortes dos três revolucionários puderam ser finalmente (e falsamente) noticiadas pela imprensa. Quase todos os jornais repetiram – com as mesmas palavras – a versão policial: prisão, tentativa de fuga, tiroteio e morte de um terrorista perigoso.

Quarto capítulo – Lincoln Bicalho Roque

A última cena dessa operação de extermínio ocorreria alguns meses depois. A vítima dessa vez seria o líder juvenil Lincoln Bicalho Roque. Assim O Globo – novamente O Globo – noticiou sua morte: “Os órgãos de segurança informaram que num tiroteio com agentes policiais morreu o terrorista Lincoln Bicalho Roque (Mário) chefe da célula ‘Frente Estudantil’ do PCdoB, responsável pela execução de programa de agitação na área universitária do Rio (...). Ele foi encontrado em companhia de um militante não identificado, mas reagiu à prisão e, na tentativa de fugir, trocou tiros com agentes. Mário morreu no local e seu companheiro fugiu, mesmo ferido”. O corpo, segundo a polícia, foi encontrado no Campo de São Cristóvão, no Rio. Além dos sinais das torturas, tinha as marcas de 15 tiros. A mesma história se repete à exaustão. Mortes, ocasionadas pelas violentas torturas sofridas nos cárceres, encobertas com versões de fantasiosos tiroteios.

O desaparecimento de Lincoln foi constatado pelos amigos em 13 de março, quando começou a furar a todos os pontos marcados. Posteriormente sua prisão foi confirmada por um dos seus companheiros presos. O jovem militante comunista João Luis Quental, preso em 6 de março, depois de muito torturado e sob ameaças de morte, foi obrigado a conduzir os policiais até onde teria o encontro com Lincoln. Era uma Praça em São João do Meriti. Esperaram ali por algum tempo até que Lincoln chegou. Mas, sentindo que algo estava errado, passou reto pelo local. Os policiais o identificaram e saíram em sua perseguição. Quental ainda viu quando seu amigo (e dirigente) foi preso, sem esboçar resistência. Somente nove dias depois desta prisão é que foi anunciada sua morte. Isso dá para deduzir o martírio que ele passou naquele período em que esteve desaparecido.
Delzir Mathias, preso alguns anos depois, afirma que ouviu seus torturadores afirmarem que a sua resistência lembrava a de Lincoln e, por isso, eles iriam passar um filme mostrando em que estado ele havia ficado. Como nos casos anteriores, Lincoln Bicalho não forneceu nenhuma informação à repressão. Ninguém caiu depois de sua prisão. Morreu aos 27 anos.

Naqueles anos a grande imprensa, servilmente, reproduzia integralmente as versões transmitidas pelos órgãos de repressão. A maioria das vezes como se fosse material produzido pela própria redação. Os dirigentes e militantes do PCdoB eram acoimados de terroristas, mesmo sabendo que eles jamais utilizaram – e, pelo contrário, eram bastante críticos – essa forma de ação. Por isso mesmo não participavam de assaltos ou atentados. Defendiam a luta armada, mas através da guerra popular prolongada que buscasse envolver as massas urbanas e rurais. Justamente por razões de segurança, os militantes comunistas também não andavam nem compareciam aos pontos portando armas. Jamais reagiriam com tiros a uma abordagem policial.

Os títulos das matérias publicadas na época são emblemáticos dessa capitulação moral diante da ditadura. Vejamos alguns: “Desmantelada agência terrorista de difamação”, Folha da Tarde de 5 de janeiro; “Prisões eliminam focos terroristas”, Folha de S.Paulo de 5 de janeiro; "Terrorista reage à prisão e é morto a tiros na rua", O Globo de 22 de março; “Exército anuncia morte de terrorista”, O Estado de São Paulo de 22 de março. Esses são apenas alguns poucos exemplos.

Conclusão

No final de março de 1973, o jornal A Classe Operária publicou um comunicado no qual afirmava: “O Comitê Central do Partido Comunista do Brasil inclina suas bandeiras de combate em homenagem aos camaradas assassinados pela reação. Carlos Danielli, Lincoln Oest, Luiz Guilhardini – membros do Comitê Central – e Lincoln Bicalho Roque, candidato a membro do Comitê Central, cumpriram com honra o seu dever de revolucionários. Deram suas vidas heroicamente em defesa da causa do proletariado e do povo. Foram batalhadores incansáveis em prol dos direitos e da emancipação dos explorados e oprimidos. São exemplos de dedicação ao Partido da classe operária, de militância resoluta para fortalecê-lo em todos os sentidos. Seus nomes jamais serão esquecidos”.

Esses assassinatos – e este era o seu objetivo – ocasionaram certa desorganização partidária. Mas, o principal efeito foi impossibilitar qualquer contato e reforço à guerrilha que se desenvolvia no sul do Pará. Mesmo o processo de divulgação mais ampla da sua existência foi prejudicado. As prisões e torturas de comunistas aumentaram. No início de 1973, por exemplo, caiu o Comitê Regional de São Paulo. A mesma coisa aconteceu no Ceará e Bahia, entre outros estados.

Pedro Pomar foi convocado para assumir o lugar de Carlos Danielli à frente da Secretaria Nacional de Organização. A partir de então se adotaria uma política de segurança ainda mais rígida, visando a preservar o Partido – e sua direção central – de novos ataques da repressão. A diretiva para os militantes passou a ser “fingir-se de morto”. Linha organizativa que durou, aproximadamente, até 1978.

Contudo, nem tudo foi espinho. O início da Guerrilha do Araguaia e os assassinatos dos dirigentes comunistas levaram que a maioria da direção da Ação Popular Marxista-Leninista resolvesse apressar os passos de sua integração ao PCdoB. A nota dessa organização, publicada em março, é bastante clara nesse sentido: “A sanha terrorista desencadeada pela ditadura Médici contra o PC do Brasil e o sangue derramado por quatro dos seus destacados dirigentes tornam mais imbatível a nossa firme convicção de que a todos os marxista-leninistas do Brasil cabe buscar fortalecer, prontamente, o PC do Brasil. Conduzir a Ação Popular a este objetivo tornou-se, para nós, mais justo e urgente”. Dois meses depois, em maio, saía o documento Incorporemo-nos ao PC do Brasil. Assim, centenas de quadros jovens vieram honrosamente preencher os lugares deixados pelos que tombaram nas cidades e nas selvas do Araguaia defendendo a liberdade e o socialismo.

Breves notas biográficas

Lincoln Cordeiro Oest nasceu no Rio de Janeiro em 1907. Ingressou no Partido Comunista do Brasil na década de 1930. Participou ativamente da Aliança Nacional Libertadora (ANL) em 1935. Elegeu-se deputado estadual pelo Rio de Janeiro na legenda do Partido Comunista do Brasil (PCB) no ano de 1946. Teve seu mandato cassado com os demais membros da bancada em janeiro de 1948. Esteve à frente do processo de reorganização do PC do Brasil e elegeu-se membro do Comitê Central e da sua Comissão Executiva na Conferência Extraordinária de fevereiro de 1962. Após o golpe militar de 1964 entrou na clandestinidade. Passou a dirigir o Partido em São Paulo, mas em agosto de 1968 ficou preso por 18 dias, sendo bastante torturado. No Comitê Central compunha a Comissão de Organização e dava assistência a vários estados, como o Espírito Santo.

Luiz Guilhardini nasceu em 1920 na cidade portuária de Santos. Era operário naval e ingressou no Partido Comunista do Brasil em 1945. Mudou-se para o Rio de Janeiro e, em 1953, tornou-se membro do Comitê Metropolitano e do Comitê Regional dos Marítimos, importante base operária do PCB. Em 1962 ficou com o PC Brasileiro e, após o golpe militar, ao lado de José Maria Cavalcante, comandou o processo de integração do Comitê Regional dos Marítimos ao PC do Brasil. Na 6ª Conferência elegeu-se membro titular do Comitê Central e logo passou a compor a Comissão Executiva e a Comissão de Organização.

Carlos Nicolau Danielli nasceu em 1929 na cidade de Niterói. Era filho de militantes comunistas. Muito jovem passou a trabalhar nos estaleiros de construção naval de São Gonçalo. Ingressou na União da Juventude Comunista (UJC) em 1946 e, em seguida, no PC do Brasil (PCB). Foi preso em 1949 transportando documento do partido e novamente em 1956. No IV Congresso (1954) elegeu-se membro do Comitê Central. Foi um dos líderes do processo de reorganização do PC do Brasil em 1962, reelegendo-se para o Comitê Central – e compor a Comissão Executiva na qual passou a responder pelo trabalho de organização e a publicação do jornal A Classe Operária.

Lincoln Bicalho Roque nasceu na cidade de São José do Calçado no Espírito Santo em 1945. Estudou sociologia na antiga Universidade do Brasil (atual UFRJ). Era uma das principais lideranças estudantis do PC Brasileiro. Depois de formado, em 1967, tornou-se professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, mas foi compulsoriamente aposentado aos 23 anos de idade. Em 1966 participou da dissidência que deu origem ao PCBR. Experiência curta, pois logo passou a integrar o PC do Brasil e a compor sua direção regional na Guanabara. Em 1970 tornou-se secretário político da União da Juventude Patriótica (UJP), entidade juvenil de massas ligada ao PCdoB. Era candidato a membro do Comitê Central.

Bibliografia

BERTOLINO, Osvaldo. Testamento de luta – A vida de Carlos Danielli. São Paulo: Anita Garibaldi, 2002.
COMISSÃO DE familiares de mortos e desaparecidos políticos. Dossiê Ditadura – Mortos e desaparecidos políticos no Brasil (1964-1985). São Paulo: Imprensa Oficial e IEVE, 2009.
MIRANDA, Nilmário e TIBÚRCIO, Carlos. Dos filhos deste solo – mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar: a responsabilidade do Estado. São Paulo: Boitempo e Fundação Perseu Abramo, 1999.
MOMESSO, Luiz. Um maquinista da história. São Paulo: Oito de Março, 1988.

* Augusto Buonicore é historiador, secretário-geral da Fundação Maurício Grabois. E autor dos livros Marxismo, história e revolução burguesa: encontros e desencontros e Meu verbo é lutar: a vida e o pensamento de João Amazonas, ambos pela Editora Anita Garibaldi.

Fonte: Fundação Maurício Grabois

MADURO A LA OPOSICIÓN: “¡BASTA YA DE ODIO. RESPETEN AL COMANDANTE Y EL DOLOR DE UN PUEBLO!” (+VIDEO)



MADURO A LA OPOSICIÓN: “¡BASTA YA DE ODIO. RESPETEN AL COMANDANTE Y EL DOLOR DE UN PUEBLO!” (+VIDEO)



Pidió multiplicar “las expresiones de cariño y alegría del pueblo para minimizar el odio desatado hasta que desaparezca y desaparezca plenamente (...) Llamamos a la serenidad, la acción y la oración".

"Con sinceridad le hablamos a aquellos adversarios opositores, a los enemigos de la Patria, pero sobre todo a los que son venezolanos, a los que nacieron aquí, que destilan su odio y veneno todos los días. ¡Basta ya, cese el veneno, cese el odio contra el Comandante, por favor, basta ya, respeten al presidente Chávez, respeten la tristeza y el dolor de un pueblo digno, que se ha hecho libre bajo el mando y la batuta de este gran hombre".

Así lo dijo el vicepresidente ejecutivo de la República, Nicolás Maduro Moros, en la misma cadena nacional de radio y televisión, transmitida este martes en la noche desde el Palacio de Miraflores, en la que informó que, después de seis horas de operación "compleja" en La Habana, el presidente Hugo Chávez está en su habitación, bajo el tratamiento del equipo de médicos y expertos de todas partes del mundo, por iniciar la fase postoperatoria, que "durará varios días".

Continuó en su llamado: "a los patriotas, revolucionarios, antimperialistas, socialistas, comunistas, a los obreros, a las mujeres de la Patria, a los militares que están en los cuarteles y unidades militares, a todos los llamamos, para que frente al odio de ellos (los adversarios) saquemos nuestra bandera de Bolívar, nuestra bandera de Chávez, de amor, nuestra bandera tricolor de las ocho estrellas de Angostura".

"Que nuestro combate, nuestra acción, nuestra oración no permita que se inocule en nuestra alma su odio, porque los enemigos de nuestra patria sueñan con el día de la violencia general. Todos los días se meten con la vida del Comandante Chávez".

Pidió multiplicar "las expresiones de cariño y alegría del pueblo para minimizar el odio desatado hasta que desaparezca y desaparezca plenamente”.
Respecto a la cita electoral del venidero 16 de diciembre, Maduro dijo, en nombre del Gobierno bolivariano: “nosotros convocamos a todos los venezolanos a elegir gobernadores para que la vida de la República siga adelante fortaleciéndose en lo político, en lo económico, en lo social. Esta Patria de Bolívar, de Chávez que se puso de pie y se está constituyendo con los designios de una Constitución pensada y convocada por él".

"Convocamos a todos los venezolanos de bien a compartir el amor por la paz, por nuestro país, por los más altos valores".

"En estas horas que vienen vamos a estar muy atentos y le pedimos a Dios, a José Gregorio Hernández, a los espíritus de buenas energías que den sus bendiciones para que cada día que pase lo veamos cada día aún más recuperado y tengamos la felicidad más temprano que tarde de verlo aquí en esta casa, en la casa del pueblo que usted preside y va a seguir presidiendo. Llamamos a nuestro pueblo a la serenidad, la acción y la oración", concluyó el Vicepresidente de la nación.

CHAVEZ SALIÓ BIEN DE LA OPERACIÓN Y ESTÁ TRANQUILO EN SU HABITACIÓN



CHAVEZ SALIÓ BIEN DE LA OPERACIÓN Y ESTÁ TRANQUILO EN SU HABITACIÓN



En cadena nacional el vicepresidente de la República, Nicolás Maduro, informó que, después de seis horas, concluyó intervención y presidente Chávez se prepara para etapa postoperatoria de varios días.

En cadena nacional de radio y televisión transmitida este martes desde el Palacio de Miraflores, en Caracas, pasadas las nueve de la noche, el vicepresidente ejecutivo de la República, Nicolás Maduro Moros, informó que, luego de seis horas, concluyó la intervención quirúrgica correctiva de la lesión que reincidió en el mismo lugar de la antigualesión" y "podemos decir que el Comandante ya se encuentra en su habitación iniciando los tratamientos especiales que el equipo de médicos y expertos de distintas partes del mundo han anunciado para la etapa postoperatoria, que durará varios días".

El Vicepresidente anunció que el Gobierno bolivariano informará diariamente sobre la evolución del Presidente. Añadió que la operación fue "compleja" y refirió que los médicos "han estado en comunicación permanente con nosotros" y, a la vez, el Gobierno ha estado en contacto con los familiares de Chávez en Cuba y en su natal Barinas.

En la alocución también agradeció "todo el amor, el más puro amor, el más grande amor que la gente de bien de esta tierra venezolana ha dedicado con su oración para que esta operación culminara correctamente y de manera exitosa".

Maduro reconoció que "hemos vivido momentos de preocupación, de acompañamiento, de oración con nuestro Comandante presidente Hugo Chávez". Expresó que "desde la alta montaña de Bolivia nuestros pueblos indígenas han activado toda su fuerza espiritual para acompañarnos en esta batalla por la vida de nuestro Comandante, que también es su Comandante".

Hizo un "llamado amoroso" para que se mantengan activadas las fuerzas espirituales, en vigilia permanente. A los líderes, movimientos sociales y amigos del mundo y de esta América del Sur sagrada, Maduro les pidió: "mantengamos una oración sincera, un sentimiento sincero". "Como decía el compañero Diosdado Cabello, no piensen que la tristeza es debilidad, la tristeza es fuerza, el dolor compartido de un pueblo genera más dignidad y conciencia de la hora que estamos viviendo", advirtió visiblemente conmovido.

Informó además que en Cuba acompañan al Jefe de Estado bolivariano "sus hijas, hijo, nietas y nietos. Del alto mando político están Diosdado Cabello, Cilia Flores, Jorge Arreaza y Rafael Ramírez, quienes están a su lado como hijos en vigilia". También, dijo, "le hemos transmitido esta información a su hermano Adán Chávez que está en Barinas (...) Queremos a través de esta cadena expresar nuestra solidaridad a los familiares de Chávez, que son nuestra familia también".

Llamó también a que la oración impida que el odio de los enemigos de la Patria no sea inoculado: "minimicemos el odio y ese veneno hasta que desaparezca, hasta que lo neutralicemos plenamente".

"Este momento espiritual de la Patria nos debe servir para unirnos en el amor, para unirnos en los grandes valores de la Patria, para unirnos, y lo digo con el corazón, en Chávez. Comandante, aquí lo esperamos sus hijos, usted tiene que regresar, aquí lo esperamos nosotros sus hijos, que hemos jurado ser leales a usted aún más allá de esta vida, y si hubiera otra vida seríamos leales y seríamos sus soldados por siempre", juró nuevamente Maduro con gran emoción.

Luego dijo a Chávez: "aquí estamos cada quien haciendo lo suyo, trabajando".

Culminada la cadena nacional, Nicolás Maduro se fue hasta la Plaza Bolívar y dijo a los cientos de congregados en vigilia y unidos en oración cristiana: "podemos decir que el Comandante Chávez ha superado el primer obstáculo (…) Aquí le esperamos en esta cuna de la libertad de América".

Coletivizando no Youtube